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Universidade Federal do ABC

Engenharia Aeroespacial

Relatório 1: Problema de Dois Corpos

Relatório para a disciplina ESTS006-17 - Laboratório de


Guiagem, Navegação e Controle - Profa. Dra. Cláudia
Celeste Celestino.

Aluno: Leonardo Rodrigues Dias


RA: 11009814

São Bernardo do Campo, 2018


1 Introdução
A análise de fenômenos reais necessita da elaboração de modelos matemáticos e fı́sicos
que descrevam o problema de maneira adequada. A complexidade de tais modelos depende
do nı́vel de fidelidade requerida que se julga necessário ao problema a ser analisado.
No problema de dois c?orpos, nosso intuito é estudar a órbita de dois objetos de massas
muito diferentes, como, por exemplo, a de um satélite ao redor de um planeta. De modo
a simplificar o problema, fazemos diversas hipóteses, dentre elas: desprezamos o arrasto
atmosférico, consideramos o planeta como uma massa pontual e desprezamos a massa
do corpo menor, além de assumir que o veı́culo não fará manobras impulsivas e que sua
massa se mantém constante.
Este trabalho tem como objetivo obter, numericamente, a trajetória de um veı́culo
espacial que orbita ao redor da Terra sujeito apenas à força gravitacional da mesma,
com as seguintes condições iniciais, dadas no sistema de coordenadas geocêntrico inercial:
r0 = 10 016.34î − 17 012.52ĵ + 7899.28k̂ [km] e v0 = 2.50î − 1.05ĵ + 3.88k̂ [km s−1 ].

2 Fundamentação Teórica
2.1 Raio Orbital
A equação para o raio orbital é obtida [2] a partir da equação diferencial que governa
a trajetória do veı́culo espacial no problema de dois corpos, que surge ao aplicarmos a Lei
de Newton no sistema junto à todas as hipóteses assumidas no problema:

r
r̈ = −µ (1)
r3

Primeiro, fazemos o produto vetorial pelo momento angular h = r × ṙ em ambos os lados


da Eq. (1):
r×h
r̈ × h = −µ 3 (2)
r
Das regras de derivação, podemos obter que:

d
r̈ × h = (ṙ × h) − ṙ × ḣ (3)
dt

Sabendo que o momento angular é constante:

d
r̈ × h = (ṙ × h) (4)
dt

1
A partir das identidades de álgebra vetorial e regras de derivação:

r×h d r
= − (5)
r3 dt r

Substituindo as Eqs. (4) e (5) na Eq. (2):

d d r d  r
(ṙ × h) = µ ⇒ ṙ × h − µ =0 (6)
dt dt r dt r

e, integrando ambos os lados:


r
ṙ × h − µ = C (7)
r
onde C é um vetor constante de integração. Definindo:

C
e≡ (8)
µ

onde e é o vetor excentricidade, e rearranjando a Eq. (7):

r r×h
+e= (9)
r µ

Novamente, de relações vetoriais temos, da Eq. (9):

h2
r+r·e= (10)
µ

Uma vez que o ângulo entre o vetor excentricidade e o vetor posição é a chamada anomalia
verdadeira ν, teremos, utilizando da definição de produto escalar:

h2
r + re cos ν = (11)
µ

Rearranjando:
h2 1
r= (12)
µ 1 + e cos ν
Sabemos que o semi-latus rectum p é, para uma elipse:

h2
p= = a(1 − e2 ) (13)
µ

Portanto:
a(1 − e2 )
r= (14)
1 + e cos ν

2
2.2 Perı́odo Orbital
A energia orbital especı́fica de dois corpos orbitantes é a soma das energias cinética
e potencial dividida pela massa reduzida. No problema de dois corpos, essa quantidade
pode ser escrita da forma:
v2 µ
= − , (15)
2 r
onde µ = GM é o parâmetro gravitacional do corpo de maior massa. Para um objeto
em órbita sem perturbação, o valor de  é constante ao longo da trajetória e do tempo.
Assim, podemos usar as informações de posição e velocidade de qualquer um dos pontos
da órbita para calcular esse valor. Se a órbita é elı́ptica, podemos calcular facilmente o
semieixo maior a, pois temos também que:

µ µ
=− ⇒a=− (16)
2a 2

e de posse do semieixo maior podemos, por fim, calcular o perı́odo T da órbita:


s
a3
T = 2π . (17)
µ

2.3 Sistema Geocêntrico Inercial


O sistema geocêntrico inercial é um sistema de coordenadas com origem no centro
de massa da Terra. Tem o eixo x positivo no sentido do ponto vernal, eixo z positivo
no sentido do pólo norte, e o eixo y perpendicular a ambos, completando um sistema
dextrógiro.

Figura 1: O sistema de coordenadas geocêntrico inercial.1

1
https://rexuscats.wikispaces.com/Coordinate+Systems. Acesso em: 17/06/2018.

3
O sistema é fixo em relação à esfera celestial, ou seja, não se move com a Terra. Seu
plano fundamental é o plano equatorial.

2.4 Elipsoide de Referência


Um elipsoide de referência é um modelo de representação de superfı́cie da Terra, que
tem por objetivo representar de modo mais fiel possı́vel suas caracterı́sticas
O elipsoide de referência aqui utilizado é o do WGS 84 (World Geodetic System 1984),
que é um sistema de referência utilizado em cartografia e sistemas de navegação por satélite
(inclusive o GPS), sendo composto por um sistema de coordenadas, o próprio elipsoide, e
um modelo gravitacional da Terra.
O elipsoide do sistema WGS 84 possui um semieixo maior de 6378.137 km, um semieixo
menor 6356.752 km e uma excentricidade de 0.0818 (valores aproximados).

3 Procedimento Numérico
No sistema geocêntrico inercial r é dado por:

r = xî + y ĵ + z k̂ (18)

e, uma vez que as coordenadas do sistema são fixas no tempo:

r̈ = ẍî + ÿ ĵ + z̈ k̂ (19)

Sabendo disso, podemos reescrever a Eq. (1) da forma:

xî + y ĵ + z k̂
ẍî + ÿ ĵ + z̈ k̂ = −µ 3 (20)
(x2 + y 2 + z 2 ) 2

Temos, então, uma equação para cada uma das direções do sistema de coordenadas iner-
cial, resultando em um sistema de equações diferenciais ordinárias de segunda ordem:

x


 ẍ = −µ 3
(x2 + y 2 + z 2 ) 2





 y
ÿ = −µ 3 (21)

 (x2 + y 2 + z 2 ) 2

 z
z̈ = −µ 2


 3
(x + y 2 + z 2 ) 2

4
O método numérico a ser utilizado para obtenção da solução é o Runge-Kutta explı́cito
de quarta ordem de precisão. Para que possamos aplicá-lo, as equações diferenciais do
sistema devem ser de primeira ordem. Necessitamos, portanto, reduzir em uma a ordem
das equações acima. Assim, utilizamos a representação das variáveis em espaço de estado,
fazendo:

x1 = x, x2 = y, x3 = z,
x4 = ẋ, x5 = ẏ, x6 = ż.

o que resulta em seis equações diferenciais de primeira ordem:





 ẋ1 = x4





 ẋ2 = x5





 ẋ3 = x6

 x1
ẋ4 = −µ 3 (22)

 (x21 + x22 + x23 ) 2

 x2


 ẋ5 = −µ 3
(x21 + x22 + x23 ) 2





 x3
ẋ6


 = −µ 3
(x21 + x22 + x23 ) 2

às quais o método pode ser facilmente empregado.


A resolução do problema pelo método de Runge-Kutta bem como outros cálculos
necessários foram implementados computacionalmente no MATLAB, no arquivo ’pro-
blema de dois corpos.m’, e um fluxograma dos procedimentos pode ser visto na Figura
2.

Figura 2: Fluxograma do programa desenvolvido.

Para saber o tempo de integração desejado, precisamos calcular o perı́odo da órbita.

5
Das condições iniciais, temos:
p
r0 = (10016.34)2 + (−17012.52)2 + (7899.28)2 = 21 263.85 km
p
v0 = (2.50)2 + (−1.05)2 + (3.88)2 = 4.73 km s−1

Sabendo que o parâmetro gravitacional da Terra é µ = 398 600.4418 km3 s−2 , podemos
obter, a partir das Eqs. (15), (16) e (17) os valores:  = −7.54 km2 s−2 , a = 26 425.40 km
e T = 42 750.70 s.

4 Resultados e Discussão
Ao realizar a integração numérica para 1 perı́odo orbital, com um passo de tempo ∆t
de 400 s, foi obtida uma órbita com perigeu e apogeu de, aproximadamente, 6802 km e
46 052 km, respectivamente, ou 423 km e 39 673 km em termos de altitude (considerando
o raio polar terrestre de 6357 km). Ao aumentar o tempo de integração para 50 perı́odos
orbitais, isto é, cerca de 2.14 × 106 s (≈ 25 dias), o veı́culo não apresentou uma trajetória
constante ao longo do tempo, com o perigeu e apogeu de sua órbita diminuindo a cada
revolução, como pode ser visto na Figura (3a). Esse resultado aponta um erro na solução,
uma vez que, no problema de dois corpos, a trajetória do corpo é governada pela força
gravitacional do planeta sem qualquer perturbação externa, e deve, portanto, manter-se
invariante no tempo.

(a) Solução para ∆t = 400 s. (b) Solução para ∆t = 100 s.

Figura 3: Representação das trajetórias obtidas numericamente para um tempo de in-


tegração de 50 perı́odos orbitais. Nas figuras, podemos ver o Oceano Pacı́fico e grande
parte das Américas do Norte e do Sul.

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Uma vez que o erro total do método de Runge-Kutta é da ordem de (∆t)4 , ao reduzir
o passo de 400 s para 100 s, isto é, em 4 vezes, diminuimos o erro em 44 = 256 vezes. Da
Figura (3b), vemos que essa redução foi suficiente para praticamente eliminar a divergência
da órbita durante o intervalo analisado, enquanto aumenta apenas ligeiramente o custo
computacional e o tempo de solução do problema.
Analisando a órbita, percebe-se que ela é altamente excêntrica, com um apogeu muito
maior do que o perigeu, podendo ser caracterizada como uma HEO (Highly Elliptical
Orbit). A trajetória apresenta também uma inclinação bastante elevada, e seu perı́odo
orbital é de aproximadamente 12 h. Essas caracterı́sticas permitem cobrir regiões de alta
latitude, as quais órbitas geoestacionárias não percorrem.
Dados esses atributos, pode-se afirmar que a órbita calculada é possivelmente de
um dos satélites de comunicação russos da série Molniya [3]. Os satélites dessa série
começaram a ser lançados na década de 60, e fizeram ou fazem parte de uma rede de
satélites com objetivo de fornecer comunicação e monitoramento a regiões do hemisfério
norte, com aplicações tanto militares quanto civis.

5 Conclusão
Neste trabalho, analisamos, principalmente por meio de métodos numéricos, o pro-
blema de dois corpos. Estabelecemos inicialmente alguns pontos importantes da base
teórica para o entendimento do problema, como o calculo de parâmetros importantes na
descrição de órbitas e o sistema de coordenadas utilizado. Depois, pudemos observar a
influência da precisão da solução numérica nos resultados, especialmente a maneira como
os erros podem se propagar ao longo do tempo, e corrigimos tais ocorrências por meio
do aumento da resolução temporal do problema, com grande sucesso. Ao tratar da uma
órbita de um satélite real juntamente a um modelo terrestre, o trabalho também possibili-
tou uma análise mais profunda do problema, não apenas fı́sica e matemática, mas também
das razões para a existência de tal órbita e os motivos de ela possuir as caracterı́sticas
que possui.

6 Referências
[1] Celestino, C. C. O Problema de Dois Corpos. Universidade Federal do ABC, 2018.
[2] Curtis, H. Orbital Mechanics for Engineering Students. Elsevier Aerospace Engineering Series, 2005.
[3] Wikipedia. Molniya orbit. https://en.wikipedia.org/wiki/Molniya orbit. Acesso em: 19/06/2018.