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UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ – UFOPA

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SOCIEDADE - ICS


WALLACE BRUNO FERREIRA BATISTA

INTRODUÇÃO à ANTROPOLOGIA – RESENHA DO FILME CRASH – NO


LIMITE

SANTARÉM – PA
2018
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Resenha do filme Crash no Limite

Introdução

Crash – No Limite é uma história que retrata a intolerância à diversidade cultural


e étnica, e discriminação diante da desigualdade social na sociedade americana após o 11
de setembro. A trama é embasada em várias histórias que permeiam esses aspectos de
intolerância e discriminação, tais histórias que a princípio parecem desconexas entre si,
mais adiante no filme irão se cruzar dando um sentido maior ao longa.

O filme que se passa na cidade de los angeles nos Estados Unidos em uma época
bem conturbada quanto as questões voltadas a tolerância social, cultural, religiosa, isso
se deve ao fato do longo retratar uma história que na linha cronológica se passa logo após
o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, fato que abalou a estrutura da sociedade
americana, deixando uma lacuna que até hoje ainda não foi preenchida com a brutalidade
dos acontecimentos fatídicos deste atentado.

O filme ilustra a realidade de seus personagens que vivem em constante


alienação regida por seus trabalhos, suas leis falhas, se tornando cada vez mais segregados
pelo preconceito gritante, aliciado justamente por essas particularidades e diversidades.
Mas essa situação, no entanto, é mais grave do que o filme mostra. A intolerância começa
com o preconceito étnico, onde árabes por exemplo, sofrem generalizações pelo fato de
militantes fundamentalistas imputarem a condição de terroristas. Passa pela
discriminação social, onde aqueles que possuem baixo poder aquisitivo não tem vez em
uma sociedade cada vez mais consumista, e chega até o racismo, onde a população negra
sofreu e ainda sofre muita discriminação, onde a grande organização de massas que
pregava sua supremacia étnica torturou e por muitas vezes matou milhares de negros
principalmente no século passado.

Crash- No Limite – Resenha Crítica

No filme o convívio social é envolvido por uma série de comportamentos


complexos, estes, que resultam em todo tipo de resposta. Sendo assim, livre de qualquer
fórmula anteriormente estabelecida, onde as pessoas se mostram mais individualistas,
violentas e até perdidas em meio as grandes cidades. Em Los Angeles, os personagens
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apresentam situações inusitadas em contextos parecidos que como já dito se cruzam no


decorrer do filme.

No primeiro momento, é notável os gestos de discriminação, onde em um


acidente causado por uma colisão entre dois carros, duas mulheres, uma asiática e uma
latina, acabam por se ofender ridicularizando a cultura uma da outra. Como o filme se
passa após o atentado de 11 de setembro, é aflorado todo o lado de preservação do
indivíduo americano. Associando os terroristas a pessoas com traços do ocidente, os
latinos aos mexicanos, os negros ao lado marginal da sociedade.

Um casal branco é assaltado por uma dupla de negros, e a esposa,


preconceituosa, acaba por demostrar isso em suas ações pós o assalto quando um homem
aparentemente com características latinas vai trocar as fechaduras de sua casa, onde ela
usa termos preconceituosos, inferindo que o mesmo cidadão irá vender as cópias das
chaves de sua residência par seus amigos “latinos de gangue, marginais”. Paralelamente
a isso, uma família persa que teve sua loja destruída, depois que o dono se recusou a trocar
as fechaduras, insinuando que o chaveiro hispânico estivesse superfaturando os custos do
conserto. Estes rótulos sócias como aponta título do filme, leva aos personagens situações
dos dois extremos, seja praticando qualquer tipo de preconceito ou sendo mera vítima
dele. Tais situações levam aos personagens demonstrar o que antes estava oculto, apesar
de partilhar os mesmos problemas do cotidiano o preconceito não era demonstrado neste
convívio, o que não impede que ele exista. Uma questão retratada pela personagem Jean
no filme, logo depois do trauma de ser assaltada é a questão do preconceito racial atrelado
a questões socioeconômicas, quando ela remete a situação do assalto e diz “Se uma pessoa
branca vê dois negros andando em sua direção e se vira, e, vai a outra direção ela é
considerada racista, certo? Bom, eu fiquei com medo e não disse nada, dez segundos
depois tinha uma arma apontada na minha cara. Após esse caso “extremo” s torna claro
o estigma.

O mesmo acontece de forma parecida com o policial Jhon Ryan, que em uma
abordagem de rotina foi o agressor que revista abusivamente Christine na presença de seu
marido negro, que é passivo a situação não denunciando o ato dor policial por ter medo
de ser exposto nos jornais e ser comparado com negros, demonstrando neste caso
vergonha de suas próprias origens. Logo depois Ryan é exposto a uma situação
completamente inversa, fragilizado pela situação em que estava seu pai extravasou seu
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preconceito ao pedir ajuda “Não posso olhar para você sem pensar nos 5 ou 6 homens
brancos mais qualificados que não estão em seu lugar” .

Conceitos morais e éticos dos personagens entram em conflito, apontando


provocações sobre estas questões no cotidiano, cabendo até uma analogia em contextos
pessoais.

Crash – no limite é um filme muito bem elaborado, que consegue unir vários
contextos para exemplificar a identidade do ser humano, tudo o que está implícito
mostrando todo o tipo de preconceito a sociedade pragmática americana, a ética
individual dos cidadãos atuais que apesar de esconde-los com a modernidade em alguns
momentos intensos acabam por reproduzi-los mesmo que por impulsividade, suas
contradições e as respostas a essas situações. Geralmente, a principal fonte de proteção é
manter todo este preconceito implícito, mantendo-o em silêncio, ou seja, não o tratando
pessoalmente e socialmente. Supor que ele não existe ou não que não possuímos
responsabilidades sobre eles, assim, equivocadamente, passa-se a acreditar que eles são
valores naturais dos seres humanos. O filme é marcado por várias cenas pela sua
violência, das mais diversas formas de preconceito existentes, o falso sonho americano,
em muitas delas o diretor trata sobre diferentes temas sociais com os quais as pessoas por
várias vezes não conseguem lidar, pois não querem se sentir responsáveis pelos efeitos
de suas ações. O diretor não propõe uma resposta para as perguntas apresentadas no filme
mas provoca o espectador a fazer uma reflexão sobre como esse capitalismo mecânico
leva o indivíduo a se sabotar. Neste contexto, há uma troca de valores, fazendo com que
os indivíduos na busca por uma posição maior, deixem de conviver com harmonia para
competir. Sendo assim, adotam como parte desse meio diminuir o outro para alcançar
mais rápido este objetivo. Trazendo para parte que sofre com estes rótulos parte da culpa
pela discriminação, por também ajudar a difundir o preconceito, apesar de ser mera vítima
dele.
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Conclusão

Tudo isso que foi percebido no enredo do longa coopera para uma grande perda
cultural e social, onde poder-se-ia tirar proveito dessas diversidades para um bem maior,
sem menosprezar ou julgar os outros pela sua maneira de ser, pela sua cor, pela sua cultura
e etc. No entanto parece que essa questão está cada vez mais distante, onde a intolerância
parece sempre falar mais alto.

Assim, diante de tudo o que o filme pode mostrar, mesmo o enredo do mesmo
ter se passado nos estados Unidos, os temas ali apresentados podem ser claramente
encontrados em nosso dia a dia, aqui mesmo no Brasil, A ausência de ética, a intolerância
e a inalteridade têm aumentado o clima de tensão, em uma sociedade marginalidade, onde
o preconceito fala sempre mais alto, muito por falta de investimento de políticas públicas
que colaborem para a inclusão de todas as mazelas da sociedade que vivem sem acesso a
sistemas públicos básicos que proporcionariam sem dúvida a formação de uma sociedade
mais justa e igualitária. Movimentos separatistas – que difundem o racismo, a xenofobia
e a discórdia; corrupção, e abuso de poder por parte da polícia – que deveria servir a
sociedade; escanda-los envolvendo nossos representantes – que tem a obrigação de zelar
pelo povo, acarretam perdas a população e proporcionam um congelamento em toda e
qualquer política inclusiva, solidária, ética e justa.
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Referências

LIMITE, Crash – No. Direção: Paul Haggis. Imagem Filmes. Estados Unidos,
2004. 1h52min. Son, color. Formato 35mm.

LOURENÇO, Júlio César. O Crash do individuo: racismo e vulnerabilidade


social no capitalismo. Disponivel em: http://www.urutagua.uem.br/013/13lourenco.htm
acesso em 12 de jun 2018

Wikipédia, Crash – No Limite, disponível em:


http://nolimitte.crash/wikipedia/filme/2004htm acesso em 11 de jun 2018.