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Renata de Lima e Leonardo Fernandes Fraceto

Neste artigo, é apresentado um experimento simples: a extração de DNA de tomates utilizando


procedimentos laboratoriais de fácil execução e reagentes de baixo custo. Trata-se de um tema atual
a partir do qual se pode trabalhar uma série de conceitos químicos e bioquímicos fundamentais.


processos de extração, DNA, tomate

Recebido em 21/8/06; aceito em 19/3/07

A
tualmente, o homem é capaz suíço isolou uma substância com alto mostrava-se ainda demasiadamente
de manipular o material gené- teor de fosfato, a qual denominou complexa e extraordinária. 43
tico (engenharia genética) de nucleína, pois se encontrava no inte- Antes de terminar a primeira meta-
tal forma que torna possível a produ- rior do núcleo celular. Dando continui- de do século XX, baseados em expe-
ção de organismos geneticamente dade aos seus estudos, Miescher rimentos anteriores de Maurice
modificados (transgênicos). A tenta- separou depois a nucleína em subs- Wilkins e Rosalind Franklin sobre a
tiva está em se obter um organismo tâncias protéicas e em substâncias difração de raios X das fibras de DNA,
de melhor qualidade ou com caracte- ácidas, vindo daí a denominação áci- Watson e Crick concluíram que o áci-
rística de interesse antes não presen- do nucléico. do desoxirribonucléico (DNA) era
te. Posteriomente, o russo Phoebus composto por nucleotídeos que ti-
Isso é possível porque o material A.T. Levene e seus colaboradores ini- nham uma estrutura básica, com três
genético responsável pela heredita- ciaram o estudo das substâncias des- tipos de componentes químicos: (1)
riedade é também responsável pela cobertas por Miescher. Contudo, fosfato; (2) desoxirribose, um açúcar
produção de proteínas de um orga- acreditavam que era a parte protéica classificado como uma pentose; e (3)
nismo - proteínas essas que, por sua a responsável pela hereditariedade. bases nitrogenadas (Figura 1), e que
vez, serão responsáveis direta ou Esse equívoco levou décadas para se comportavam de maneira a formar
indiretamente pelas características ser esclarecido até que, em meados uma estrutura em hélice complemen-
observadas no “ser vivo”. de 1928, o médico bacteriologista in- tar.
Para atingir esse avançado desen- glês Frederick Griffith descobriu que Os nucleotídeos são mantidos na
volvimento biotecnológico, foi neces- uma determinada substância ainda fita por ligações denominadas de
sário conhecer não apenas o geno- não identificada era capaz de passar fosfodiester, na qual um grupo fosforil
ma, mas a estrutura do material gené- de células bacterianas mortas para fica entre os dois nucleotídeos, crian-
tico, possibilitando assim a escolha células vivas. Finalmente, em 1944, o do um esqueleto repetitivo de açúcar-
do gene de interesse e o seu isola- canadense Oswald T. Avery e seus fosfato e não permitindo quebras. O
mento. Isso faz da extração do mate- colaboradores mostraram claramente grupo fosforil também dá ao DNA a
rial genético uma atividade básica de o que era DNA (ácido desoxirribonu- característica negativa (Figura 1). Os
extrema importância para o seu pró- cléico) e RNA (ácido ribonucléico), filamentos de nucleotídeos são man-
prio estudo. inaugurando assim a ciência denomi- tidos juntos por ligações de hidrogê-
O estudo da composição do ma- nada de Genética Molecular. nio, sendo que estas são sempre en-
terial genético dos seres vivos teve O estudo da estrutura do DNA pro- tre uma purina (guanina e adenina) e
início ainda no século XIX com as priamente dita iniciou-se com Erwin uma pirimidina (citosina e timina). O
descobertas de Friedrich Miescher Chargaff, que determinou as propor- número de ligações de hidrogênio va-
em 1869. A partir do pus humano e ções entre as bases nitrogenadas. No ria conforme a combinação das ba-
do esperma de salmão, o bioquímico entanto, a estrutura dessa molécula ses nitrogenadas, sendo três ligações

QUÍMICA NOVA NA ESCOLA Adordagem química na extração de DNA de tomate N° 25, MAIO 2007
Material Resultados e discussão
• 1 tomate O processo de extração de DNA
• Cloreto de sódio (4 g equi- envolve, a princípio, três procedimen-
valente a 4 colheres de café) tos básicos: 1) lise dos tecidos e célu-
• Água las; 2) remoção de proteínas e outros
• Etanol 96% (álcool etílico fragmentos de material do DNA; e 3)
comercial; como alternativa precipitação do DNA. As etapas reali-
pode ser utilizado também ál- zadas nesse procedimento de extra-
cool de cereais (99%) encon- ção do DNA, no caso o tomate, estão
trado em lojas de produtos na Figura 3.
para perfumaria e farmácias As etapas apresentadas no fluxo-
de manipulação) grama da Figura 3 estão ilustradas na
• Detergente comercial (6 mL) Figura 4.
• Gelo (4 a 5 bandejas) No processo de extração de DNA,
• Papel de filtro cada uma das etapas tem a sua
• Bandeja plástica (para fazer importância. Segue-se assim a discus-
banho de gelo) são e a explicação de cada uma delas:
• Faca • A homogeneização do tecido (au-
Figura 1: Representação esquemática da ligação
entre dois nucleotídeos. • Funil mento da superfície de contato) faz
• Béquer de 500 mL com que a parede celular seja rompida.
entre guanina e citosina e duas entre • Béquer de 100 mL Esse aumento faz com que a solução
adenina e timina (Figura 2). • Termômetro de lise aja sobre um maior número de
Esta estrutura complexa do DNA, • Tubos de ensaio células, liberando um grande número
mantida por ligações químicas cova- • Tripé e tela de amianto de moléculas de DNA. As substâncias
lentes e não covalentes, está arma- • Mixer ou liquidificador utilizadas para provocar a lise das
44 células e os núcleos são o detergente
zenada no núcleo. Logo, para que se
Procedimento experimental e o sal.
possa ter acesso a ela, é necessário
romper paredes celulares, membra- Em um béquer de 500 mL, picar o Como as membranas plasmática e
nas lipoprotéicas e diminuir a intera- tomate com uma faca e depois triturá- nuclear são compostas principalmente
ção de proteínas necessárias para o lo, utilizando um mixer durante 10 s. por lipídios, as moléculas de deter-
empacotamento do DNA. Em um béquer de 100 mL, prepa- gente as desestruturam e provocam a
rar a solução de lise: 6 mL de deter- sua ruptura, deixando assim o DNA
gente concentrado, 4 g de cloreto de disperso na solução.
sódio, completando o volume • A adição do sal (NaCl) proporcio-
com água até 60 mL. na um ambiente favorável para extra-
Adicionar a solução de lise ção do DNA, pois o sal, depois de
(60 mL) ao béquer de 500 mL dissolvido, sofre dissociação e con-
contendo o tomate triturado. tribui com íons positivos (Na+), que
Homogeneizar a solução de neutralizam a carga negativa do grupo
lise com a polpa de tomate e fosfato do DNA, e com íons negativos
colocar o béquer em banho- (Cl-), que por sua vez neutralizam a
maria (55 °C) por 10 min, cui- carga positiva das proteínas ligadas
dando para que a solução não inicialmente ao DNA. Dessa forma, a
entre em fervura. molécula de DNA não sofre repulsão
Preparar um banho de gelo de cargas entre si, o que favorece sua
em uma bandeja. aglomeração.
Após os 10 min de banho- • O aumento da temperatura au-
maria, transferir o béquer para menta a energia cinética entre as molé-
o banho de gelo por um perío- culas, favorecendo o processo de
do de 5 min. solubilização das membranas pelo
Filtrar 4 mL da solução para detergente. Além disso, a alta tempe-
um tubo de ensaio. ratura provoca a desnaturação térmi-
Adicionar 4 mL de etanol ca de várias proteínas e enzimas,
gelado ao tubo de ensaio. Du- dentre elas as DNAses que podem de-
rante a adição do etanol, obser- gradar o DNA.
Figura 2: Detalhe das ligações de hidrogênio var atentamente o que ocorre • O choque térmico, processo res-
entre as bases nitrogenadas. no tubo. ponsável pela diminuição rápida da

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que ocorra a separação en- utilizando-se procedimento seme-
tre partículas sólidas e líqui- lhante.
das.
• A adição do etanol gela- Questões para discussão
do faz com que ocorra a 1) Qual a importância química da
precipitação do DNA devido utilização de sal em uma das etapas
a sua baixa solubilidade nes- de extração de DNA?
se solvente (quanto mais 2) Qual a característica química
gelado, menor a solubilidade presente na molécula de detergente
e melhor o processo extra- (tensoativo) responsável pela lise das
tivo). Nele também o DNA membranas celulares?
aumenta sua compactação e 3) Por que é necessária a utiliza-
tende a formar fibras. ção de etanol gelado em vez de eta-
Nessa etapa final, após a nol em temperatura ambiente na
formação da nuvem esbran- extração de DNA? Qual o efeito da
quiçada no tubo de ensaio temperatura na solubilidade do DNA
constituída por DNA (Figura no etanol?
4g), pode-se introduzir um
bastão de vidro no tubo e, Renata de Lima (renata.lima@uniso.br), mestre em
Genética pela UFSCar, atualmente é doutoranda em
com movimentos circulares, Genética Médica pela Unicamp e coordenadora do
enrolá-lo no bastão. curso de Biotecnologia da Uniso. Leonardo
Fernandes Fraceto (fraceto@unicamp.br), doutor em
Considerações finais Biologia Funcional e Molecular pela Unicamp, é pro-
fessor no curso de Engenharia Ambiental da Unesp/
Este artigo propõe uma Campus Sorocaba.
estratégia didática para a
experimentação de química Para saber mais 45
em escolas de Ensino Mé-
BRACHT, A. e ISHII-IWAMOTO, E.L.
Figura 3: Fluxograma das etapas do processo de dio, associando métodos de
extração de DNA de tomate. Métodos de laboratório em bioquímica.
extração, efeito de deter-
São Paulo: Manole, 2003.
gentes, interações iônicas e BRODY, D.E. e BRODY, A.R. As sete
temperatura do sistema, serve para solubilidade. No entanto, cabe ressal- maiores descobertas científicas da
manter “inativadas” as proteínas e as tar que, embora ilustrativo, o proce- história e seus autores. São Paulo:
enzimas. A diminuição brusca da tem- dimento realizado proporciona a Companhia das Letras, 1999.
peratura desfavorece ainda a interação obtenção de uma quantidade de DNA GRIFFITHS, A.J.F.; WESSLER, S.R.;
entre as fitas da molécula de DNA, impuro. A extração de DNA pode ser LEWONTIN, R.C.; GELBART, W.M.;
mantendo-as abertas no meio. realizada a partir de outros alimentos SUZUKI, D.T. e MILLER, J.H. Introdução
à genética. 8 a ed. Rio de Janeiro:
• O processo de filtração faz com como: cebola, kiwi, morango e fígado,
Guanabara Koogan, 2005.
LODISH, H.; BERK, A.; ZIPURSHY,
S.L.; MATSUDAIRA, P.; BALTIMORE, D.
e DARNELL, J. Biologia celular e mo-
lecular. 4a ed. Rio de Janeiro: Revinter,
2002.
WATSON, J.D.; BAKER, T.A.; BELL,
S.P.; GANN, A.; LEVINE, M. e LOSICK,
R. Biologia molecular do gene. 5a ed.
Porto Alegre: Artmed, 2006.

Na internet
http://www.ucbiotech.org/edu/edu_
aids/TomatoDNA.html.
http://www.odnavaiaescola.com/
links.htm.

Abstract: Chemical Approach to Tomato’s DNA Extrac-


tion – In this article, a simple experiment is presented: the
extraction of DNA of tomatoes using laboratories proce-
dures of easy execution and reagents of low cost. It is a
Figura 4: Etapas realizadas para a extração do DNA do tomate: a) processo de trituração; current subject from which one might teach a basic series
b) adição de solução de lise; c) aquecimento; d) choque térmico; e) filtração; f) separação of chemical and biochemical concepts.
Keywords: extraction processes , DNA, tomato
de fases (adição de etanol gelado); e g) precipitação do DNA.

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