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IGREJA BATISTA NACIONAL DA GRAÇA

AV. PIO XII QD. 07 LT. 06 , CENTRO IPORÁ – GOIÁS


CNPJ - 03.517.373/0001-22

NOME: _______________________________________________________

JANEIRO - 2019
INTRODUÇÃO
1

“A carta aos Efésios é um resumo, muito bem elaborado, das boas novas do cristianismo e de suas
implicações. Ninguém pode lê-la sem ser compelido a adorar a Deus e a ser desafiado a melhorar a sua vida
cristã”. John Stott
Martyn Lloyd-Jones chama Efésios de “a mais sublime e mais majestosa expressão” do evangelho.
Paulo ministrou pela primeira vez em Éfeso por volta do ano 53, mas não ficou na cidade (At 18:19-
21). Dois anos depois, enquanto realizava sua terceira jornada missionária, Paulo passou pelo menos dois anos
em Éfeso e providenciou para que toda a região fosse evangelizada (At 19:1-20). Durante esses anos, fundou
uma igreja forte na cidade dedicada ao culto da deusa Diana. Para uma descrição do ministério de Paulo em
Éfeso, ver Atos 20, e, para uma explicação sobre a oposição que o ministério de Paulo sofreu nesse local, ver
Atos 19:21-41.
A carta foi escrita entre 62 e 63 d.C. enquanto Paulo estava preso em Roma. Nesta cidade, Onésimo
encontrou-se com Paulo e se converteu. Tíquico, um dos pastores da igreja de Colossos, que talvez se reunia
na casa de Filemom, também estava em Roma para discutir alguns problemas com Paulo. Assim, o apóstolo
aproveitou a presença desses dois homens e enviou três cartas: A Epístola aos Efésios, a Epístola aos
Colossenses e a Epístola a Filemom. Ao mesmo tempo, enviou Onésimo de volta a seu senhor.
O tema da carta é “as riquezas do cristão em Cristo”, o versículo chave é 1.3, aos Efésios pode ser
dividida em duas partes: capítulos 1 a 3 e capítulos 4 a 6.
Na primeira parte, Paulo apresenta nossa posição em Cristo no reino celestial, tudo por causa de Sua
graça soberana. A ideia principal é que a sabedoria, a glória e o poder de Deus são exibidos em Seu eterno
propósito para a igreja, composta de judeus e gentios, reconciliados em Cristo.
No capítulo 1, após a introdução, ele descreve as bênçãos incomparáveis que nós recebemos: o Pai nos
escolheu (1: 4-6), o Filho nos redimiu (1: 7-12) e o Espírito Santo nos selou (1: 13-14), tudo “para o louvor
da Sua glória”. No capítulo 2, Paulo contrasta o que éramos antes de nos encontrarmos com Cristo, com o que
Ele fez por nós por Sua graça. No capítulo 3, Paulo começa mencionando que ele é um prisioneiro de Cristo
Jesus por causa dos gentios. Então ele faz uma digressão para mostrar a eles que Deus havia revelado a ele o
mistério que havia sido escondido no passado, que os gentios são coerdeiros e membros do corpo de Cristo.
Então, nos capítulos 4 a 6, Paulo mostra como compreender o glorioso propósito de Deus para a igreja
e nossa posição em Cristo (capítulos 1 a 3) deve nos levar a viver em piedade prática neste mundo. De 4: 1-
6:9, Paulo descreve quatro diferentes "caminhadas" e seus efeitos: a caminhada digna na unidade da Igreja (4:
1-16); a caminhada da nova natureza (homem novo) (4: 17-32); o andar amoroso, que também é um passeio
como filhos da luz neste mundo escuro (5: 1-14); e, a caminhada cuidadosa de sabedoria, especialmente porque
afeta a família e o local de trabalho (5: 15-6:9). Ele conclui mostrando (6.10-20) que, para andar bem neste
mundo maligno, devemos aprender a enfrentar as forças invisíveis do mal, revestindo-se de toda a armadura
de Deus.
Em nosso estudo nos concentraremos na parte final da carta, nos versículos que tratam da batalha
espiritual na qual todos estamos “lotados” como bons soldados de Cristo que somos. A vida espiritual, afirma
Paulo, é vivida num campo minado pelo inimigo, uma arena de lutas renhidas, de combates sem trégua. Há
uma luta mundial, suprarracial, supraterrena, espiritual e contínua.
Este assunto, Batalha Espiritual, também chamado de Guerra Espiritual é tratado sempre sob dois
extremos:
1- O que subestimam o assunto. Há muitas pessoas incautas que negam a existência do diabo,
desconhecem seu poder, suas armas, seus agentes e suas estratégias. Acham que o diabo é apenas uma lenda,
um mito ou uma energia negativa. Subscrever essa posição é cair nas teias desse ardiloso e astuto inimigo.
Acaso, destino, fatalidade, coincidência são algumas das palavras preferidas por aqueles que negam ou
subestimam a Batalha Espiritual.
2- O que superestimam o assunto. No outro extremo, em muitas comunidades evangélicas a Batalha
Espiritual ganha notoriedade e domina o púlpito, as pregações, as orações, etc. Há aqueles que falam mais do
diabo do que de Deus. Falam tanto do poder, das armas e das estratégias dele que subestimam o poder de
Deus. Fazem do diabo o protagonista de quase todas as ações. Existe, nas livrarias evangélicas uma grande
quantidade de livros que tratam sobre o assunto. Desde uma enfermidade, a um pneu furado, um problema
familiar, um desvio de conduta – tudo é a mão do diabo.

Apesar dos dois extremos, o assunto da Batalha Espiritual está presente nas páginas de nossas Bíblias.
Não deveria ser surpresa para o cristão ler aqui que estamos engajados em uma grande batalha espiritual.
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Desde os primeiros capítulos do Antigo Testamento, é evidente que Satanás é o inimigo de Deus, e que ele
procura ativamente se opor a Deus, Seus propósitos e especialmente a Seu povo.

A) NO ANTIGO TESTAMENTO
A rebelião de Satanás contra Deus é descrita em duas passagens do Antigo Testamento, que estudamos
na Doutrina do Pecado: Is 14: 12-14; Ezequiel 28: 12-15. É claro a partir desses versos que os profetas não
estão falando apenas de um governante terreno, mas de alguém que possui um poder muito maior. Eles estão
falando de ninguém menos que Satanás. Ele foi o anjo que foi criado por Deus (Ezequiel 28:13), dada a mais
alta autoridade sob Deus, mas que não se contentou com isso. Ele era o único que estava no Éden, o jardim de
Deus (Ezequiel 28:13). Ele já foi inocente no tempo de sua criação, mas depois foi encontrado com o pecado
(Ezequiel 28:15). Ele possuía grande beleza, poder e autoridade, mas ele tinha que ter mais. Ele queria se
exaltar ainda mais; ele queria se tornar como Deus (Isaías 14:14).
Na história de Jó percebemos que seus dramas, dificuldades e problemas estavam bem além do visível
e do terreno, havia uma “guerra” sendo travada nas regiões celestes (Jó 1.6-12; 2.1-7).
Em 2 Reis capítulo 6, o rei da Síria estava em guerra contra Israel. Deus informou Eliseu, o profeta de
todos os planos de batalha do rei da Síria, e o profeta os transmitiu ao rei de Israel, de modo que todos os
ataques da Síria fossem anulados. Quando o rei da Síria soube que Eliseu era a fonte de seus problemas, ele
enviou seu exército para prendê-lo. Deus, enviou seu exército celestial para proteção de Eliseu e seu moço. (2
Re 6: 15-19).
No livro de Daniel, temos um dos exemplos mais dramáticos da guerra espiritual (Dn 3.24-25; 10.10-
13, 20,21)
Em Daniel três, Sadraque, Mesaque e Abednego são lançados na fornalha de fogo ardente, porque não
se dobraram diante da estátua de ouro que o rei Nabucodonosor havia feito. Mas quando estes três foram
lançados na fornalha, o rei olhou e ficou chocado ao ver não três, mas quatro homens dentro, e eles não
estavam se contorcendo de dor ou de ser consumido pelas chamas, eles estavam andando dentro daquela
fornalha. Se não o nosso próprio Senhor, esta quarta pessoa foi certamente um ser angélico, enviado para
salvar a vida desses homens.
No capítulo 10, um anjo foi enviado a Daniel, em resposta às suas orações (observe o versículo 12).
Este anjo informou a Daniel que ele veio com a resposta muito mais cedo, mas, encontrou oposição do
"príncipe do reino da Pérsia" que resistiu a ele, atrasando-o por 21 dias. Depois que ele terminou de falar com
Daniel, o anjo encontraria o “príncipe da Pérsia” e o “príncipe da Grécia” (versículo 20). O importante a notar
aqui é que os anjos estão muito envolvidos nos assuntos dos homens e das nações. O anjo piedoso veio em
resposta às orações de Daniel e os seres celestiais ímpios se opuseram a este anjo.

B) NO NOVO TESTAMENTO
Em Mateus (4.1-11) e Lucas (4.1-13), o relato da tentação de nosso Senhor por Satanás é registrado.
Satanás procurou fazer com que nosso Senhor renunciasse à Sua submissão ao Pai. Assim como ele fez com
Adão, tentou fazer com nosso Senhor.
Temos o relato do exorcismo do Gadareno - Mateus 8: 28-29; Marcos 5: 6-10. A partir do relato de
Mateus, aprendemos que os demônios que possuíam esses homens sabiam que seus dias estavam contados.
Eles esperavam que o Senhor Jesus viesse e os derrotassem. Em Marcos capítulo 5 nos é dito que os demônios
imploraram a Jesus que não fosse enviado “para fora do país” (versículo 10). E no relato paralelo em Lucas,
capítulo 8, descobrimos que os demônios pediram a Jesus que não “os enviasse ao abismo” (verso 31). Destes
dois textos nós concluiríamos que para um demônio ser enviado “para fora do país” também deveria ser
confinado “no abismo”. Aqui novamente, como no Livro de Daniel, parece que os seres angélicos caídos têm
certas características geográficas. Limites para suas atividades. Se um demônio foi enviado “para fora do
país”, significava que ele não era mais livre para se opor ao povo de Deus na terra, mas depois disso seria
confinado em cadeias no abismo.
No Evangelho de Mateus, aprendemos que a igreja que em breve será estabelecida resistirá aos ataques
do próprio inferno (16:23). Lucas nos diz que Satanás teve a audácia de exigir que nosso Senhor permitisse
que ele "peneirasse Pedro como trigo" (Lucas 22:31). Foi Satanás que entrou em Judas, usando-o para trair
seu Senhor e entregá-lo àqueles que O prendessem (João 13:27). Apesar de seus esforços em contrário,
Satanás, o "governante deste mundo" (João 12:31; 14:30; 16:11), logo seria derrotado na cruz do Calvário.
No livro de Atos, Satanás é encontrado se opondo ao povo e aos propósitos de Deus. Em Atos, capítulo
5, lemos sobre Ananias e sua esposa Safira, que haviam dado uma certa quantia de dinheiro para a obra do
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Senhor, mas que haviam mentido sobre a quantia. Quando Pedro repreendeu Ananias, ele atribuiu a fonte da
mentira a Satanás: “Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo,
reservando parte do valor do campo??” (Atos 5:3).
Em Atos 13:10, Paulo repreendeu Elimas, o mago, por se opor ao evangelho, chamando-o de “filho do
diabo”. Em 2 Coríntios capítulo 2, Paulo falou da reticência da igreja em perdoar um irmão arrependido como
dando a Satanás a oportunidade de tomar vantagem, acrescentando que não somos ignorantes de seus
esquemas (2: 10-11). Mais tarde, nesta mesma epístola, Paulo fala de Satanás como o “deus deste mundo” que
“cegou a mente dos incrédulos, para que eles não pudessem ver a luz do evangelho da glória de Cristo” (4: 4).
E perto do final desta epístola, Paulo adverte que Satanás e seus subordinados se disfarçam como verdadeiros
crentes, procurando, assim, desencaminhar-se por sua liderança autoritária (2 Co 11: 13-15).
Em sua epístola, Tiago condena as brigas e conflitos que estavam ocorrendo entre os santos. Ele
primeiro liga esses pecados à busca de prazeres carnais (4: 1-3). Ele então indica que tal pecado é a rebelião
contra Deus, que aflige o Seu Espírito Santo (4: 3-4). Em seguida, Tiago liga brigas e conflitos com Satanás
(Tiago 4: 6-7).
Pedro havia aprendido sobre Satanás da maneira mais difícil (ver Mateus 16: 21-23; Lucas 22:31). E
assim o encontramos alertando os outros sobre a ameaça que Satanás representa como nosso adversário. (1
Pedro 5: 8-9).
Nas cartas às sete igrejas, registradas em Apocalipse 2 e 3, o Senhor Jesus frequentemente menciona
Satanás como fonte de tentação e provações na igreja (ver 2: 9, 13, 24; 3: 9). O restante do livro do Apocalipse
descreve o conflito final que vem com Satanás e sua morte final (ver especialmente os capítulos 12 e 20).

C) A GUERRA ESPIRITUAL COMO REPRESENTADA EM EFÉSIOS


A guerra espiritual que Paulo descreve no capítulo 6 não deve chegar a nós como surpresa em nosso
estudo de Efésios. Olhando atentamente para os assuntos que foram tratados desde o início: a salvação de
alguém que estava morto em delitos e pecados a partir da graça soberana de Deus por meio de Jesus e pela
ação do Espírito Santo, a salvação tem aspecto também de nos elevar a uma nova condição, a uma nova vida
de reconciliação com Deus, saímos de debaixo do domínio do diabo e nos tornamos de Deus, ele não ficará
satisfeito em ter perdido seus “súditos”.
Por causa disso, Paulo exorta os cristãos a “andar de maneira digna de nosso chamado” (4: 1). O andar
do cristão é então descrito em Efésios 4: 1-6: 9. Essa caminhada é para ser uma caminhada ...
 Digna de nosso chamado (4: 1)
 Que contrasta com nossa antiga caminhada, e a dos gentios (4:17)
 Em amor (5: 1-2)
 Em sabedoria (5:15)
 Pelo enchimento ou controle do Espírito Santo (5:18), que, por sua vez, é evidente em nossa
submissão mútua uns aos outros (5: 21-6: 9).
Não deveria ser surpresa que Paulo se voltasse para o assunto de nossa guerra espiritual imediatamente
seguindo suas instruções sobre submissão e obediência. Esta área é aquela em que a rebelião de Satanás é mais
evidente, e também uma área em que seus ataques podem ser esperados.
Chegar à fé em Jesus Cristo deve ser entendido como a entrada em todas as bênçãos espirituais nos
lugares celestiais em Cristo (Efésios 1: 3), mas também é o começo de uma grande luta contra Satanás e suas
forças. Que aqueles que desejarem enfatizar as bênçãos de nossa fé também tomem nota da batalha na qual
entramos pela fé em Jesus Cristo e que devemos empreender em Sua força.
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D) O MOVIMENTO DE GUERRA OU BATALHA ESPIRITUAL EM NOSSOS DIAS

Apesar de que nas Escrituras temos citações sobre a origem de Satanás (Is 14.12-14; Ez 28.11-15), sobre
seu “trabalho” de tentar e acusar os homens diante de Deus (Jó 1.7-2.7; l Cr 21.1; Zc 3.1; Mt 4.10; Lc 10.18; Mt
16.23) e várias outras informações sobre o Diabo e seus “anjos”, é relativamente novo o interesse da Igreja sobre
o assunto.
O surgimento do interesse em Satanás, em tempos modernos, teve início com Anton Szandor LaVey, que
em 1965 fundou a Igreja de Satã e em 1968, o mesmo lançou a bíblia satânica. Contudo, foi a indústria de
entretenimento a responsável pela expansão do interesse, primeiro com o filme ainda em 1968 “O Bebê de
Rosemary” que seria o filho das trevas, depois veio em 1973 “O Exorcista”. Este último, fez com que existisse
interesse, busca e apreciação pelas manifestações satânicas. Em seguida, outros livros e filmes: Refém do Diabo,
Reféns do Demônio, Terror em Amityville, A Casa das Almas Perdidas, Caçadores de Fantasmas, Lúcifer, são
alguns títulos ajudaram a disseminar o assunto e despertar as pessoas.
Esta fascinação pelos demônios na cultura livre levaria, fatalmente, a um forte movimento de combate
espiritual entre os evangélicos. Havendo perdido a habilidade de pensar biblicamente, os crentes pós-modernos
foram rapidamente transformados de agentes e introdutores de mudança cultural a conformistas e imitadores. A
cultura popular acenou, e os cristãos morderam a isca. Como resultado, o modelo discipular de guerra espiritual,
que enfatizava a mortificação da velha natureza (Rm 6.6-13) e a santificação tanto do corpo quanto interna (1 Pedro
1:15, Hebreus 12:14; I Ts 4.3-7); deu passagem a um motivo de libertação. Em outras palavras, a paixão puritana
pelo exercício da disciplina espiritual, a fim de viver à semelhança de Cristo, cedeu lugar à agitada atividade de
exorcizar demônios.

1- “NOMES” DO MOVIMENTO

a) Frank Peretti - Este Mundo Tenebroso I e II;


b) Charles Peter Wagner – Oração de guerra, A luta contra os anjos do mal, Escudo de oração;
c) Neusa Itioka - Deuses da Umbanda, Libertando-se de prisões espirituais, A Igreja e a Batalha Espiritual;
Outros nomes: Joseph Prince, Rebbeca Brown, Ana Mendez Ferrel, Mary Baxter, Jorge Linhares, Valnice
Milhomens, Benny Hinn, René Terra Nova, Edir Macedo, Robson Rodovalho, César Augusto, etc.

2- ENSINOS E PENSAMENTOS DISSEMINADOS


a) crença num dualismo – numa guerra entre forças opostas: Deus X Diabo
Estes poderes estão sempre em conflito entre si, podendo resultar em vitórias temporárias, de um lado ou
de outro.
No cristianismo bíblico não existe lugar para o dualismo, Deus é soberano sobre todas as coisas - e isso
inclui a natureza, o coração humano, os governos e o próprio diabo (Dt 10.17; Jó1.6,7; Dn 7.27; 1 Tm 6:15-16; Sl
90:2; Cl 1:16; I Cr 29:11)
b) crença em espíritos territoriais, pessoais, genealógicos e estruturais
O Diabo designou um demônio, ou vários deles, para controlarem cidades, regiões e países. O objetivo
destes “governantes espirituais” seria impedir a glorificação de Deus em seus respectivos territórios. Os demônios
fariam isso na Igreja para impedir o seu avanço, atacando pregadores, promovendo pecados de divisão e semeando
confusão.
Cabe dizer que na Batalha Espiritual, o ensino vai além da Bíblia (Dn 10.13), pois dizem: “Até onde for
possível, os intercessores deveriam buscar saber os nomes, próprios ou funcionais, dos principados distribuídos na
cidade como um todo e entre os vários segmentos geográficos, sociais ou culturais da cidade.”
Neusa Itioka afirma que o problema do funcionalismo público no Brasil é que existe um demônio do
funcionalismo público. Ela fala que o problema do funcionalismo público no Brasil é um demônio que está
entrincheirado nas estruturas econômicas, e o problema do racismo no Brasil é que quando foi assinada a Lei
Áurea, resolveu-se o problema externo, mas ninguém passou uma canetada amarrando o demônio do escravagismo;
por isso a raça negra continua sendo desprezada, ridicularizada e menosprezada.
Ela também ensina que os demônios ganham autoridade para sentar no pescoço de alguns crentes. Ai você
pergunta: Neusa, de onde você tirou essa ideia? A resposta dela será: “eu tenho observado no meu gabinete que
muitos crentes que vêm se queixando de determinados pecados, também vêm sofrendo com dores no pescoço. A
conclusão dela é que o demônio monta no pescoço.
Outro “militante” fez uma palestra numa igreja em Minas; quando acabou de falar, ele perguntou aos
presentes: “Quem ficou com sono durante a palestra”? As pessoas levantaram a mão e ele chamou-as para a frente
e disse: “Vou orar, agora, repreendendo o demônio do sono da vida de vocês”. Orou, expulsou o demônio do sono,
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e na saída o pessoal foi falar com ele. Disseram: “onde é que você tem base para dizer que se uma pessoa está
cochilando durante a sua palestra, aquilo é um demônio que está causando sono”? Porque, na realidade, se olhar
na Bíblia, o sono é uma bênção de Deus. Em nenhum momento da Escritura isso está ligado a uma ação demoníaca,
como é que você sabe disso”? Ele respondeu: “Eu sei que não está na Escritura, mas Deus me revelou”.
Ainda, temos que entender que na Batalha Espiritual fala-se muito em mapeamento espiritual. A ideia é
que assim como se pode ir para uma cidade e mapear as suas diversas localidades e os seus acidentes geográficos,
pode-se, também, fazer um mapa das regiões celestiais. Chamam isso de “mapeamento espiritual”. Dizem que há
uma superposição do que está acontecendo nas regiões celestes com o que está acontecendo na terra. O
mapeamento espiritual consistiria em descobrir basicamente duas coisas: a) onde estão localizados os demônios
que controlam uma determinada região; b) quais os nomes deles. A ideia é que o conhecimento do nome do
demônio dá poder sobre ele. Por isso dão tanta ênfase à necessidade de conhecer o nome dos demônios.
Quanto à questão do trono de Satanás, Wagner ensinou um método para localizá-lo e derrubá-lo. Primeiro,
toma-se o mapa da região, divide-o em quadros e anda-se por eles orando em cada um deles. Na área em que a
maior opressão se manifestar, onde se torna quase impossível orar, é que está a maior concentração de demônios e
ali, possivelmente, estará o trono de Satanás. O que deve ser feito é a promoção de uma corrente de oração trazendo
guerreiros de oração para que derrubem o trono de Satanás. Uma vez feito isso, a região estará livre e poderá ser
evangelizada com sucesso.
Jesus nos ordenou: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do
filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” (Mt29: 18,19); “Ide
por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. (Mc 16:15). Jesus ao enviar aos doze disse: “… à medida
que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus.” (Mt 10:7). Quando enviou os setenta, Jesus disse: “Curai
os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: a vós outros está próximo o reino de Deus.” (Lc 10:9). Jesus, em
momento algum, nos orienta a mapear regiões, descobrir nomes de demônios e amarrá-los. Se isso fosse de suma
importância para o sucesso evangelístico, Jesus nos teria ordenado fazê-lo.
c) A Terra é de Satanás
De acordo com os ensinos do movimento de Batalha Espiritual, a administração e governo terrenos
pertencem a Satanás. Isso deveu-se ao pecado de Adão. Ao primeiro homem foi dada administração e governo
sobre a criação; no entanto, ele, quando pecou, entregou a autoridade ao diabo. Decorrente disto, o diabo tem
controle sobre os governos, e Deus não interfere nisso, por questões éticas e legais. Para apoiar essa ideia, citam-
se textos como Mt 4:8,9 e 2 Co 4:4.
Quando nos voltamos para a Bíblia e nos deparamos com Deus julgando a humanidade através do dilúvio
Gn 6:11-26, e muitos textos nos mostram que Deus é o SENHOR de toda a terra - Sl 24:1; Sl 50:10-12; Dn 2:21;
I Sm 2:6,7; Sl 103:19
No entanto o que fazer com textos bíblicos que dizem que satanás é o deus deste mundo? A fim de responder
esta pergunta, precisamos nos perguntar que “mundo” que é este. Russell Shedd nos dá um esclarecimento sobre
isto:
“…trata do sistema de valores alienado de Deus, que orienta o pensamento dos homens em oposição a Ele.
Assim, o kosmos jaz no maligno (o diabo, 1 Jo 5:19; cf. Jo 12:31; 14:30). As trevas dominam este mundo (Jo1:5;
12:46) e o pecado macula sua existência como um todo.”
d) As brechas
“Quando uma pessoa pratica o pecado, ela abre brecha em sua vida. A proteção espiritual está sendo
levantada, e a partir daí as maldições poderão tocá-la. Por exemplo: nós encontramos Satanás dizendo a Deus que
não poderia tocar a vida de Jó, pois ele estava protegido por esta sebe… Sempre que uma pessoa peca
inconscientemente ou voluntariamente, ela abre uma brecha nesta cerca. Consequentemente, os espíritos maus
começam a Ter acesso à vida e ao coração dela. Os espíritos malignos entram aonde foi feita a brecha. Somente o
perdão de Deus poderá repará-la.”
A Bíblia nos adverte sobre os ardis do inimigo: “Não deis lugar ao diabo” (Ef 5:27); “Para que Satanás não
alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.” (2 Co 2:11). A santidade nas Escrituras é algo
que é constantemente falado. A palavra “santo” e seus derivados, aparecem em 464 versículos. Portanto, é mais
que evidente que o crente deve buscar a santidade cada vez mais em sua vida.
Mas, a santificação, consagração a Deus e entrega ao Senhor, devem ser buscadas não para o que Diabo
não tenha legalidade sobre nós e sim para nos aproximarmos do Senhor e a Ele agradar. Pensemos no pecado de
Davi com Bate-Seba (2 Sm 11). Davi adulterou e cometeu homicídio. Este pecado horrendo trouxe grandes males
para Davi, sua família e seu povo. A partir daí poderia se dizer que o diabo passou a ter legalidade sobre a vida de
Davi? De forma alguma, a vida de Davi ainda pertencia a Deus e Este o tratou conforme seu pecado (2 Sm 12:
10,11,15).
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e) Quebra de maldições
“O fato de você estar salvo não significa que você não está debaixo de maldição”. Por exemplo, quando
um pai diz a um filho: “menino, que o Diabo te carregue!”. Por causa disso, o demônio vai controlar a vida desse
menino e mesmo que ele se converta, se não se quebrar essa maldição, ele não conseguirá ser feliz porque ela o
acompanhará pelo resto da vida. Assim, palavras ruins dos pais, xingamento, coisas más que são ditas, dariam
autoridade aos demônios sobre as pessoas.
Jorge Linhares conta que comprou um carro novo e, viajando, atropelou um coelho; na semana seguinte,
atropelou um cachorro; na terceira semana, um passarinho bateu no para-brisa e morreu. Então ele orou: “Senhor,
eu quero saber o que está acontecendo, tem alguma coisa errada com esse carro”. Ele diz em seu livro que o Espírito
Santo revelou-lhe que aquele carro estava amaldiçoado e que ele devia quebrar todas as maldições; então ele foi e
anulou todas as maldições que havia naquele carro. Porque tal carro havia sido produzido numa fábrica de ímpios,
segundo ele.
A Bíblia é categórica em dizer que quando estamos em Cristo somos verdadeiramente livres: "se, pois, o
Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." (Jo 8:36), que não há nenhuma condenação (Rm 8.1,2), e que as
coisas velhas ficaram para trás e tudo se fez novo (2 Co 5.17).

3- OS PROBLEMAS SÉRIOS DA BATALHA ESPIRITUAL


a) O movimento acaba atacando a suficiência de Cristo. Não é suficiente o que o nosso Salvador fez por
nós na cruz e na ressurreição, temos que completar isso quebrando as maldições, destronando demônios, quebrando
legalidades, dizem eles. As afirmações da Escritura sobre a vitória de Cristo na cruz do calvário e a sua ação de
anular as obras do maligno não são suficientes. (I Jo 3.8)
b) O movimento tende a isentar os crentes da sua responsabilidade moral, e de todo o processo de
santificação. O que acontece é que pessoas que abraçam esse movimento e que começam a ver os demônios como
responsáveis, inclusive pelos seus próprios pecados individuais, acabam finalmente a se sentir isentos de qualquer
responsabilidade. Não é difícil encontrar pessoas que dizem: “Meu casamento deu errado, o Diabo entrou ali, fez
a maior bagunça; o Diabo tomou conta de mim, eu não sabia o que estava fazendo, bati na minha esposa, mandei
meus filhos embora, etc.”
c) O movimento tende a criar uma obsessão doentia por Satanás, demônios e as coisas do ocultismo.
A cosmovisão da Escritura é a seguinte: a Bíblia não nos manda olhar o mundo pela ótica da atuação dos demônios,
embora nos ensine a reconhecer a presença deles. O problema do pessoal que abraçou o movimento de “Batalha
Espiritual” é que eles olham o mundo dessa perspectiva, filtrada pela atuação dos demônios. Portanto, eles veem
demônios atuando em todas as coisas. Essa não é a cosmovisão da Bíblia. Essa é a maneira do mundo ver as coisas,
dos povos pagãos do passado e das religiões gregas do passado, em que para cada árvore, cada casa, cada pedra,
havia uma fada, um duende ou coisa dessa natureza; era uma visão pagã do mundo e não uma visão bíblica. A
Bíblia reconhece a presença e atuação do inimigo, mas não nos ensina a viver como se em cada esquina houvesse
um demônio esperando para nos devorar.
d) O movimento trouxe de volta uma heresia que a Igreja já havia descartado há muito tempo, o
dualismo. Como todos sabem, essa corrente de pensamento ensina que o mundo é controlado por duas forças
iguais, o bem e o mal. A Igreja já condenou isso como heresia. O que acontece no mundo não é determinado pelo
conflito de duas forças opostas, uma boa e outra má, como se Deus e o Diabo fossem iguais e estivessem lutando
pelo controle do mundo. Pelo contrário, o ensino das Escrituras é que Deus é o Senhor; Ele tem todas as coisas
debaixo do Seu controle e o Diabo não mexe um dedo sem a permissão de Deus. Ele só vai aonde Deus permite.
O Diabo é apenas uma criatura, mas do jeito que ele é pintado nesse movimento parece que ele é um poder, senão
igual, mas pelo menos independente de Deus. Ele faz o que quer e Deus é que tem que vir atrás para consertar. O
Diabo não é um poder independente de Deus; ele só faz o que Deus permite.
e) O movimento faz uma confusão entre mal moral e mal situacional. Mal moral é o pecado, nossa
atividade pecaminosa, nossa culpa, nossos erros, nossa quebra da lei; o mal situacional é a miséria do homem, o
fato dele adoecer, sofrer desastres, acidentes, opressão econômica; enfim, tudo aquilo que oprime o ser humano.
Quando Jesus estava aqui nesse mundo, Ele agiu de duas maneiras diante do mal: quando Ele encontrava o mal
moral, ele não expulsava. Ele dizia à pessoa: arrependa-se e me siga; quando Ele encontrou uma prostituta, um
Zaqueu, não expeliu nenhum demônio da ganância de Zaqueu, nem expeliu nenhum demônio de prostituição;
quando se diz lá que Maria Madalena tinha sete demônios, não quer dizer que algum deles era de prostituição ou
que causava prostituição. Prostituição, nas Escrituras, sempre em última análise é responsabilidade do ser humano
e é por isso que Deus vem tratar com o ser humano. É verdade que a Bíblia diz que o Diabo nos tenta, não estamos
negando esse fato; isso seria negar o que a Bíblia diz com clareza. Mas se pecamos, em última análise, a
responsabilidade é nossa, somos nós que pecamos e o Diabo não vai levar a culpa disso.
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A PREPARAÇÃO DO CRENTE - Efésios 6.10-13

Ao lermos a carta de Efésios devemos ter em mente o seguinte: se você é um verdadeiro cristão
como definido no capítulo 1, capítulo 2 e capítulo 3, e se você está vivendo como um verdadeiro cristão
deve viver como definido nos capítulos 4, 5 e 6, então você pode ter certeza de uma coisa, você terá
problema com o inimigo. É impossível viver da maneira que Efésios descreve sem ter conflito com
Satanás.

“Quanto ao mais...” é traduzido de formas diferentes.


Na King James: “Concluindo...”
Na NVI: “Finalmente...”
Na ARC: “No demais...”
Na NTLH: “Para terminar...”
Na NVT: “Uma palavra final...”
A maioria das versões nos dá a ideia de que Paulo está concluindo sua carta com o assunto da
armadura cristã, contudo, a palavra usada deve ser entendida não como uma introdução à conclusão da
carta, e sim, como “a partir de agora” no sentido de “durante o tempo que resta”, “no futuro”. Lendo
assim, temos o ensino de que desde a ascensão de Jesus até sua volta, nossa vida será caracterizada por
um conflito, uma guerra, uma batalha sem tréguas contra o mal. Desta forma, surge uma pergunta na
mente dos leitores: “Como devo me preparar para esta batalha?”

“Sede fortalecidos no Senhor...”


No grego o imperativo “sede fortes” está na voz passiva: “sede fortalecidos”, “fortalecei-vos”.
Denota, primeiramente, que eles continuam sendo fortalecidos pelo Senhor, é um processo contínuo –
não há armazenamento de força. Há quem diga que vai aos cultos dominicais para recarregar suas
baterias. Na tecnologia, especialmente no mundo dos smartphones há uma busca para produzir aparelhos
que tenham baterias cada vez mais duráveis o que trará mais independência aos usuários. Porém, Deus
não transmite força para que nós armazenemos, tem que haver renovação. Assim como as pessoas
deveriam colher maná diariamente - exceto na sexta, em que colhiam também para o sábado (Ex 16. 4,5);
assim como Jesus ensina a orar pelo pão de cada dia (Mt 6.11). Durante sua vida, o Senhor Jesus já tinha
nos avisado que é na manutenção da intimidade com Ele que estaria nossa vida (Jo 15.4,5), e em segundo
lugar, que a origem dessa força não está neles. Vem de Cristo quando a pessoa vive em união com ele.
(1.19; Fp 4.13; 2Co 12.9,10; l Tm 1.12). Podemos vencer (ou devemos vencer) os ataques inimigos porque
temos a força daquele que venceu o inimigo, em nós (Mt 4.1-10; 12.29; Cl 2.15; Hb 2.14)
O chamado do apóstolo implica na busca de poder espiritual que capacita o crente a enfrentar os
inimigos no campo de batalha. Paulo sabia que essa luta é sangrenta e requer força espiritual, por isso ele
adverte os crentes à busca de poder. Não há como fugir desta batalha, não há um lugar seguro onde
possamos nos esconder, só há uma saída: lutar, sendo fortalecido pelo Senhor. Observe que o texto deve
ser interpretado espiritualmente. Não se trata de fortalecimento físico, mas espiritual. O crente por si
mesmo e com suas próprias forças jamais poderá suportar uma guerra espiritual.

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus...”


Paulo insta seus leitores a revestirem-se de toda a armadura de Deus (cf. Rm 13.12; 2 Co 6.7; 1 Ts
5.8). O termo grego que traduz a frase toda a armadura é panóplia. A palavra transmite a ideia de
completude, e somos chamados a "vestir a panóplia de Deus". Há duas opiniões divergentes com respeito
a esta exortação. De acordo com a primeira interpretação, a ênfase está no fato de que é a armadura de
Deus que deve ser colocada.' Isaías 59.17 descreve Deus vestindo uma armadura, ensejando o convite
para o cristão usar esta mesma proteção quando sair para a batalha. A segunda interpretação coloca a
ênfase, não no fato de a armadura ser de Deus, mas no elemento da completude." As duas interpretações
são úteis para nós, precisamos não só de um equipamento divino, mas que esse equipamento tem de ser
completo, sem faltar uma peça sequer".
O propósito para nos vestirmos da armadura de Deus é para que haja defesa contra as ciladas do
diabo. Ciladas (methodeia) tem tradução possível como: artifícios, truques, trapaças, malandragens, ou
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enganos. A palavra não ocorre em outra parte, exceto nesta carta. Pelo visto, a intenção é transmitir a ideia
de planos enganosos ou investidas astuciosas.
Os crentes não ignoram esta verdade (2Co 2.11). Ora, a expressão “métodos astutos” não passaria
de som oco se não olhássemos o que a bíblia nos revela. Alguns desses ardis e estratagemas malignos são:
confundir a mentira com a verdade de forma a parecer plausível (Gn 3.4,5,22); citar erroneamente as
Escrituras (Mt 4.6); disfarçar-se em anjo de luz (2Co 11.14) e induzir seus “ministros” a fazerem o mesmo,
“aparentando ser apóstolos de Cristo” (2Co 11.13); imitar a Deus (2Ts 2.1-4,9); reforçar a crença humana
de que ele não existe (At 20.22); entrar em lugares onde não se espera que entre (Mt 24.15; 2Ts 2.4); e,
acima de tudo, prometer ao homem que por meio das más ações se pode obter o bem (Lc 4.6,7).

"Para que possais estar firmes".


O verbo "poder" tem uma conotação especial nesse versículo. Ele tem a ver com a capacitação
espiritual para a batalha. Os soldados nas organizações militares são treinados para a guerra: para a defesa
e para o ataque; assim também ocorre no plano espiritual. A igreja é o quartel general, onde o soldado de
Cristo é preparado e capacitado para a batalha espiritual. Nosso general é Cristo, e o Espírito Santo é o
instrutor que capacita o crente para a batalha. Não se trata aqui de capacitação intelectual, mas espiritual.
Somos capacitados pela Palavra, isto é, a Palavra é que nos habilita para o combate.
O mandamento é breve e abrupto, como se dissesse: “Não permitam que o inimigo os encontre
indefesos. Tomem sua armadura. Façam-no imediatamente, sem hesitação nem perda de tempo. E
lembrem-se: “Tomem a panóplia completa!” O propósito é: a fim de poderem resistir no dia mau, ou seja,
no dia de duras provas, nos momentos críticos de sua vida, quando o diabo e seus subordinados sinistros
os assaltarem com grande veemência (cf. Sl 41.2; 49.5). E já que nunca se sabe quando tais coisas
ocorrem, a implicação clara é: estejam sempre preparados.
Entretanto, tomemos cuidado de não inferir que os cristãos são vistos aqui como que recostados,
por assim dizer, esperando no refúgio de sua fortaleza o ataque de Satanás. O contexto não permite tal
interpretação, o “estar em pé” de que Paulo fala (vs. 11 e 14) não é como o de um muro de alvenaria que
espera, por assim dizer, passivamente o ataque do aríete. “Depois de realizados todos os preparativos da
luta, os cristãos, plenamente munidos das armas de Deus, devem firmar o pé, por mais que a situação
se agrave.”

“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne...”


O inimigo a ser derrotado é o diabo e todos os seus exércitos de forças demoníacas do universo.
Paulo deixa claro que a guerra cristã não é empreendida contra forças humanas, porque ele diz que não
temos que lutar contra carne e sangue. Caso se tratasse disso a força humana seria suficiente. Pelo fato de
forças espirituais más estarem dispos-tas em ordem de batalha contra o crente, só os recursos divinos e
espirituais podem resistir a elas. Paulo diz que nos armamos contra os principados, contra as potestades,
contra os príncipes das trevas... contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais (12; cf. 1.21;
2.2; 3.10; Rm 8.38,39; Cl 1.13). O inimigo pessoal do crente não é onipotente, onisciente ou onipresente,
mas é organizado por todo o mundo para o propósito único de derrotar o povo de Deus.
A expressão "carne e o sangue" denota a espécie da batalha. Não é luta humana de homens contra
homens, mas é luta espiritual contra inimigos espirituais. A palavra "lugar" aparece no grego como palé
e indica o tipo de luta individual, corpo a corpo. Paulo usou essa palavra baseado no tipo de luta que havia
nos jogos gregos e, posteriormente, nas arenas romanas, onde os lutadores lutavam corpo a corpo até a
morte de um deles.

"... nos lugares celestiais".


Mais uma vez fortifica-se o fato de que se trata de uma luta espiritual, não terrena. Onde acontece
essa batalha? É na Terra ou fora da Terra? É uma batalha visível ou invisível? Claro que não podemos
apontar algum ponto no espaço ou na Terra nem esperar algum tipo de combate material, porque a batalha
é espiritual, e só os espirituais podem lutar e conhecer esses inimigos, que são espirituais (1 Co 2).
Diversas vezes encontramos a expressão "regiões [lugares] celestiais" na carta aos Efésios.
Esses "lugares celestiais" possuem conotações distintas em algumas das vezes citadas na carta. A
palavra "lugares", no plural, indica que há mais de um lugar nas regiões celestiais. Nas passagens de
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Efésios 1.3 e 2.6, esses "lugares celestiais" indicam a posição do crente em Cristo. Uma posição elevada,
isto é, colocada acima da vida do mundo. Entretanto, no texto de 6.12, o significado da expressão "lugares
celestiais" é outro. Indica os lugares onde Satanás e suas hostes habitam e comandam toda a sua guerra
contra Deus e contra os remidos do Senhor.
O combate do crente contra as forças do mal é nas "regiões [lugares] celestiais". Como a batalha
é espiritual, resta ao crente lutar com as armas espirituais contra poderes espirituais. O ataque de Satanás
é contra a nossa posição espiritual. Ele quer nos fazer descer para o plano carnal e material para dominar
sobre nós. Nossa luta "nos lugares celestiais" é para conservar a nossa posição em Cristo.

“hostes espirituais da maldade...”


Essas hostes incluem várias ordens ou classes de espíritos caídos. O reino de Satanás é organizado
em hostes especiais. Odeiam a luz, e se retraem diante dela. As trevas são sua habitação natural; as trevas
da falsidade e do pecado. Também são descritos como sendo as forças espirituais do mal, que operam nas
regiões celestes, ou seja, na esfera da realidade invisível. O texto apresenta basicamente três categorias
de inimigos que são os escalões de Satanás.
"... contra os principados, contra as potestades". São dois tipos de ordens angelicais de Satanás que
designam espíritos que exercem atividades de comando sobre outros demônios contra os remidos. A
expressão "príncipes das trevas deste século" é a mesma coisa que designar, como está em algumas
versões: "governadores das trevas" ou "dominadores mundiais das trevas". Eles são espíritos que co-
mandam o entenebrecimento espiritual (as trevas) neste século.
Na caracterização que Paulo faz dos poderes das trevas, no entanto, estes são poderosos, malignos
e astutos. Como poderemos resistir aos assaltos de tais inimigos? É impossível. Somos demasiadamente
fracos e ingênuos. Muitos, porém — senão a grande maioria — dos nossos fracassos e das nossas derrotas
são devidos à nossa insensata autoconfiança quando descremos ou nos esquecemos quão formidáveis são
os nossos inimigos espirituais.
Apenas o poder de Deus pode defender-nos e livrar-nos da força, da maldade e da astúcia do diabo.
É verdade que os principados e as potestades são fortes, mas o poder de Deus é mais forte ainda. Foi o
seu poder que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos e o entronizou nas regiões celestes, e que nos
ressuscitou da morte no pecado e nos entronizou com Cristo. É verdade que é naqueles mesmos lugares
celestes, naquele mesmo mundo invisível, que os principados e as potestades estão operando (v. 12).
Foram, no entanto, derrotados na cruz e agora estão debaixo dos pés de Cristo e dos nossos. Assim sendo,
o mundo invisível em que eles nos atacam e nós nos defendemos é o próprio mundo em que Cristo reina
sobre eles e nós reinamos com Cristo. Quando Paulo nos conclama a fazer uso do poder, da força e da
fortaleza do Senhor Jesus (v. 10), usa exatamente o mesmo trio de palavras que usou em 1:19 (dynamis,
kratos e ischus) com relação à obra de Deus em ressuscitar Jesus dentre os mortos.
Dizer que nossa luta é uma luta espiritual não faz dela uma luta mística –– uma que consiste de
espadas invisíveis, escudos e setas. Ao dizer que temos armas com “poder divino”, Paulo se refere à
capacidade dada por Deus para “destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o
conhecimento de Deus, e levarmos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. Não
pensemos, como alguns tendem a fazer, que por “espiritual” nos referimos a algo místico ao invés de
intelectual, pois é a mente e o intelecto que trata com coisas espirituais. ( 2 Co 10.4)