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INTELIGÊNCIA HUMILHADA

Às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 2018, no leito


de hospital o ar era frio como a morte, o cheiro era fúnebre, a hora de três varões
era chegada simultaneamente. A causa mortis? Quem viver verá.
Por hora, sabe-se que um deles era libertino, outro intrépido e o terceiro, bem,
este era temente. Jean, o libertino, viveu vida livre, em sua libertinagem executou
as próprias escolhas era bom segundo as suas próprias razões, moralista laico,
não acreditava em Deus, tinha fé, porém, no seu intelecto, na sua própria
vontade, no sentido da liberdade. Já Epicuro, o hedonista, este vivia do prazer e
pelo prazer, destemido, a morte era nada, era o impossível, seu objetivo era ser
felicíssimo. Agostinho, o temente, sabia que sem Deus não existe um cenário
mais amplo dentro do qual a vida humana possa ser vista como algo que importa.
Dito isto, segue-se o diálogo que houvera entre os enfermos:

- Então, Jean agora que estás nestas condições, tu sabes que não mais viverá,
ao menos que creias no único Deus vivo e verdadeiro, a saber, Cristo Jesus –
disse Agostinho.

- Ora Agostinho, vens com estas ideias novamente? Pois me diga por que
deveria eu acreditar em Deus? Qual o sentindo de Deus? Ter a “vida eterna”?
Saiba que vida eterna não há, estamos condenados a ser livres, a vida é mais
vivida sem sentido, tu devias ter vivido como Epicuro que sentiu toda a liberdade,
viveu livremente entregue aos prazeres, aos sentimentos de felicidade, livre do
medo que Deus te impõe – disse Jean.

- Pois é Agostinho, saiba que o objetivo da vida é a felicidade, a morte é o fim da


sensação, logo não pode ser fisicamente dolorosa. Eu estou aqui não temo a
morte, vivi tudo o que pude, senti todos os prazeres possíveis. Vim, vi e venci.

- Mas o que adianta, ganhastes o mundo e perdestes vossa alma? Sentistes


todos os prazeres possíveis, então, estás satisfeito? Mesmo aqui, estás sedento
pelo prazer, sempre buscastes mais e mais, insaciável. Pois eu te digo, se há no
homem um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a
explicação mais provável é que ele foi feito para um outro mundo.

- Qual outro mundo Agostinho? Esqueça isso, estamos aqui nesse leito e Deus
não existe, aceite, acabou não há mais o que fazer.

- Já que estamos supostamente na mesma situação, façamos uma aposta, vós


que acreditais que não há Deus, o que ganhais com esta crença? Se estivéreis
certos, há a possibilidade de ganhareis pouco, pois Deus não existe vocês terão
somente um sentido finito de independência nesse mundo, porém se estivéreis
errados e ai de vós! Perderíeis a felicidade infinita no céu. Eu, por outro lado,
teria o risco de perder pouco ou a chance de ganhar muito. Portanto, que dizeis?

- Ainda assim sua vida é inútil Agostinho, essa sua aposta não me convence,
visto que você também tem a possibilidade de estar errado, logo, entregue-se
aos prazeres que a vida te dá, você não terá recompensa futura. Não tens nem
mesmo recompensa aqui, veja, você que crê, está na mesma situação que nós,
que não cremos, como é possível isso? Por que teu Deus não te tira daqui?

- Porque ele não ressuscitou – disse Jean.

- Tens razão, se Cristo não ressuscitou, vã é a minha vida e vã é a minha fé. E


se eu espero em Cristo somente nesta vida, eu sou o mais miserável dos
homens. Se não há vida eterna, por que morreram os mártires? Por que não se
entregaram? Não negaram a fé?

- Porque eram loucos como tu!

- Não, eles não viveram o cristianismo nesta vida para esta vida, mas sim pela
fé, para esperança que há no dia de Cristo Jesus.

- Então responda-me Agostinho, se Deus existe e é bom, justo e perfeito, porque


sofremos? Qual o sentido disso tudo? Porque ele não nos tira daqui? Por que?

- Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? Porventura, pode a criação
perguntar ao criador: Por que me fizeste assim? Se você se acha livre para fazer
o que quer, por que não pode Deus na sua soberania, fazer o que é da sua
vontade?

Eis que Jean enforcou-se na corda da sua liberdade, Epicuro afogou-se no mar
dos seus prazeres e Agostinho aguarda ansiosamente a esperança que lhe está
reservada.

Iego Giovane