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Lê, com atenção, o texto seguinte, que é o início de um conto literário.

A estrela
Um dia, à meia-noite, ele viu-a. Era a estrela mais gira do céu, muito viva, e a essa hora
passava mesmo por cima da torre. Como é que a não tinham roubado? Ele próprio, Pedro, que
era um miúdo, se a quisesse empalmar, era só deitar-lhe a mão. Na realidade, não sabia bem
para quê. Era bonita, no céu preto, gostava de a ter. Talvez depois a pusesse no quarto, talvez
5 a trouxesse ao peito. E daí, se calhar, talvez a viesse a dar à mãe para enfeitar o cabelo. Devia-
-lhe ficar bem, no cabelo.
De modo que, nessa noite, não aguentou. Meteu-se na cama como todos os dias, a mãe
levou a luz, mas ele não dormiu. Foi difícil, porque o sono tinha muita força. Teve mesmo de se
sentar na cama, sacudir a cabeça muitas vezes a dizer-lhe que não. E quando calculou que pai
10 e mãe já dormiam, abriu a janela devagar e saltou para a rua. A janela era baixa. Mas mesmo
que não fosse. Com sete anos, ele estava treinado a subir às oliveiras quando era o tempo dos
ninhos, para ver os ovos ou aqueles bichos pelados, bem feios, com o bico enorme, muito
aberto. E se não era o tempo dos ninhos, andava à solta pela serra, saltava os barrancos,
jogava mesmo, quando preciso, à porrada como um homem. Assim que se viu na rua, desatou
15 a correr pela aldeia fora até à torre, porque o medo vinha a correr também atrás dele. Mas como
ia descalço, ele corria mais. A igreja ficava no cimo da aldeia e a aldeia ficava no cimo de um
monte. De modo que era tudo a subir. Mas conseguiu – e agora estava ali. Olhou a estrela para
ganhar coragem, ela brilhava, muito quieta, como se estivesse à sua espera. E de repente
lembrou-se: se a porta estivesse fechada? Levantou-se logo, foi ver. A torre era muito alta e
20 tinha uma porta para a rua. Pedro empurrou-a um pouco e viu que estava aberta. Ficou muito
admirado, mas depois nem por isso. Ninguém ia roubar os sinos que mesmo eram muito
pesados. E quanto às estrelas, se calhar ninguém se lembrava de que era fácil empalmá-las. E
tão contente ficou de a porta estar aberta, que só depois se lembrou de a ter ouvido ranger. E
então assustou-se. Voltou a experimentar e rangeu outra vez. Rangia pouco, mas o silêncio era
25 muito e parecia por isso que também a porta rangia muito. E teve medo. Reparou mesmo que
estava a suar e não devia ser da corrida, porque este suor era frio. A porta ficara já deslocada e
agora era só encolher-se um pouco e passar. Mas sem tocar na porta, para não ranger. Meteu-
-se de lado e entrou. Havia um grande escuro lá dentro. Já calculava isso, mas as coisas são
muito diferentes de quando só se calculam. E cheirava lá a ratos, a cera, às coisas velhas que
30 apodrecem na sombra. Como estava escuro, pôs-se a andar às apalpadelas. Mas as pedras
frias assustaram-no. Lembravam-lhe mortos ou coisas assim. Já com os pés não se assustava
tanto, porque o frio que entrava por aí era só frio da falta de botas. Até que pisou o primeiro
degrau e começou a subir. Cheirava mal que se fartava. Mas, à medida que ia subindo, vinha lá
de cima um fresco que aclarava o cheiro. À última volta da escada em caracol, olhou ao alto o
céu negro, muito liso. Via algumas estrelas, mas eram tudo estrelas velhas e fora de mão. Até
35 que chegou ao campanário e respirou fundo. Aproveitou mesmo para puxar as calças que
estavam a cair. Eram dois sinos e uma sineta. E de um dos lados havia só um buraco vazio sem
sino nenhum. Agora tinha de subir por uma escadinha estreita que começava ao lado; e depois
ainda por uma outra de ferro, ao ar livre, e com o adro lá em baixo. Mas quando chegou à de
ferro, não olhou. Deu foi uma olhadela à estrela, que já se via muito bem. Todavia, quando a
escada acabou, reparou que lhe não chegava ainda com a mão. Tinha pois de subir o resto de
40 gatas, dobrando e desdobrando as pernas como uma rã. Mesmo no cimo da torre havia uma
bola de pedra e enterrado na bola havia um ferro e ao cimo do ferro estava um galo com os
quatro pontos cardiais. Pedro segurou-se ao varão e viu que tinha ainda de subir até se pôr
mesmo em cima do galo. Subiu devagar, que aquilo tremia muito, e empoleirou-se por fim nos
ferros cruzados dos quatro ventos.
Vergílio Ferreira, Contos, Bertrand Ed., 1998
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Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. “Um dia, à meia-noite, ele viu-a.” (l. 1)
A compreensão total da frase que inicia o conto só é possível após a leitura das frases
que se lhe seguem. Indica a que ou a quem se referem os pronomes sublinhados.
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2. No primeiro parágrafo, o Pedro deseja a estrela, sem saber exatamente o que fazer com ela.
Identifica o advérbio que é repetidamente usado e relaciona-o com o estado de espírito da
personagem.
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3. Faz um breve retrato de Pedro, a partir das suas atitudes e das informações que o
narrador fornece.
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4. Ao longo do texto, surgem algumas descrições – de sentimentos e lugares/espaços – que


vão alternando com a narração das ações de Pedro. Relê as linhas 19 a 35. (“A torre era…”
até “…fora de mão.”)

4.1. Indica os diferentes sentimentos de Pedro ao longo deste excerto.


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4.2. Pedro vai conhecendo o local onde se encontra através de alguns dos seus cinco
sentidos.
Transcreve exemplos do texto que indicam o tipo de sensações que Pedro
experimenta.
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5. Este texto é o início de um conto intitulado “A estrela”. Imagina que te pediam que o
“encaixasses” numa das seguintes antologias:
A. Contos fantásticos B. Contos realistas C. Contos policiais

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Indica qual seria a tua opção e justifica-a.
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2. Reescreve as frases, substituindo os constituintes sublinhados pelas formas
adequadas dos pronomes pessoais.
a. Um dia, à meia-noite, ele viu a estrela.
b. Os ruídos assustaram o garoto.
c. Quem teria roubado a estrela?
d. Ele não revelou o roubo à mãe.

4. Observa, na coluna da esquerda, algumas constituições possíveis do predicado. De


seguida, indica o exemplo correspondente a cada caso.

predicado exemplos
1 verbo + c. direto + c. indireto A A estrela brilhava intensamente.
2 verbo + c. oblíquo B Ela piscava os olhos ao garoto.
3 verbo + modificador C A estrela foi vista pelo rapaz.
4 verbo + c. oblíquo + modificador D O rapaz dirigiu-se à torre à noite.
5 verbo + predicativo do sujeito E Ele aproximou-se da torre.
6 verbo + c. agente da passiva F O rapaz estava assustado.

1. Lê as frases.
a) O regulamento do concurso foi divulgado em todas as escolas.
b) Os alunos escrevem um texto criativo.
c) O concurso permanece em vigor.

1.1. Identifica as funções sintáticas desempenhadas pelos segmentos sublinhados. (6 pontos)


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2. Indica a função sintática dos constituintes sublinhados nas frases.
a) A Marta e a Rita foram à biblioteca.
b) A professora recomendara-lhes que estudassem.
c) O teste pareceu fácil.
d) Ontem, estudei as funções sintáticas.
e) O Pedro estudou muito.

3. Substitui os pronomes sublinhados pelos nomes que lhes correspondem de acordo


com o texto
a) “O cão que ele próprio criara” ;
b) “Escondendo-as de Eumeu, assim lhe disse” ;
c) “ Que tristeza vê-lo para aqui abandonado” ).

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1. Escreve um texto de opinião,
de 100 a 150 palavras, em que
apresentes o teu ponto de
vista sobre um problema
relacionado com o ambiente.
Segue as orientações.
– 1.º parágrafo: apresentação
do assunto (problema
ambiental) e explicação da
sua importância; explicitação
do ponto de vista;
– 2.º e 3.º parágrafos:
apresentação dos argumentos
e dos exemplos que validem o
ponto de vista;
– 4.º parágrafo: apelo final,
retomando a ideia do primeiro
parágrafo.

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1. Os pronomes pessoais “ele” e “a” têm como referentes, respetivamente,
“Pedro” (“Ele próprio, Pedro (…)”) e “a estrela” (“Era a estrela (…)”).
2. Trata-se do advérbio de frase “talvez” (ll. 4-5), que exprime precisamente
as dúvidas de Pedro.
3. Pedro é um rapaz de sete anos (“Com sete anos (…)” – l. 11), ágil, vivo
e curioso (“(…) ele estava treinado a subir às oliveiras quando era o
tempo dos ninhos, para ver os ovos (...)” – ll. 11-12; “(…) andava à solta
pela serra, saltava os barrancos (…)” – l. 13). É determinado, como se
deduz pela forma como executou o seu plano, sem se deixar vencer pelo
sono e pelo medo, e corajoso (“(…) jogava mesmo, quando preciso, à
porrada como um homem.” – ll. 13-14).
4.1. Pedro sentiu momentaneamente espanto/surpresa quando viu que a
porta da torre da igreja estava aberta: “Ficou muito admirado, mas depois
nem por isso.” (l. 20); sentiu alegria por a porta estar aberta: “E tão contente
ficou de a porta estar aberta (…)” (l. 22); sentiu medo em várias
situações: “E então assustou-se.” (l. 23), “E teve medo.” (ll. 24-25), “Mas
as pedras frias assustaram-no.” (ll. 29-30).
4.2. – sensações auditivas: “(…) ter ouvido ranger.” (l. 23); “(…) rangeu
outra vez. Rangia pouco, mas o silêncio era muito e parecia por isso que
também a porta rangia muito.” (ll. 23-24).
– sensações olfativas: “E cheirava lá a ratos, a cera, às coisas velhas que
apodrecem na sombra.” (ll. 28-29); “Cheirava mal que se fartava. Mas, à
medida que ia subindo, vinha lá de cima um fresco que aclarava o
cheiro.” (ll. 32-33).
– sensações tácteis: “(…) as pedras frias (…)” (ll. 29-30); “(…) o frio que
entrava por aí era só frio da falta de botas.” (l. 31).
– sensações visuais: “Havia um grande escuro lá dentro.” (l. 27); “(…)
olhou ao alto o céu negro, muito liso. Via algumas estrelas, mas eram
tudo estrelas velhas e fora de mão.” (ll. 33-34)

Grupo II
2. a. Um dia, à meia-noite, ele vê-la-á. b. O garoto meter-se-á na cama.
c. Os pais dar-lhe-ão um beijo de boa-noite.
3. a. Os ruídos assustaram-no. b. Ele ofereceu-lha.
4. a. O rapaz saiu de casa tarde.→modificador (do GV).
b. Ele entrou na igreja cautelosamente.→modificador (do GV).
5. 1B – 2E – 3A – 4D – 5F – 6C

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