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AÇÃO DE FORMAÇÃO

APD20-1 - Percurso(s) nas Ciências da Educação: Utopia, democracia, educação e


formação

Nº ACREDITAÇÃO: ACC-93116/17
Palácio Sacadura Botte - Coimbra
18 de Novembro (Sábado), das 10h30 às 12h30
29 de Novembro (Quarta-feira), das 18h00 às 20h00
13 de Dezembro (Quarta-feira), das 18h00 às 20h00
10 de Janeiro (Quarta-feira), das 18h00 às 20h00
27 de Janeiro (Sábado), das 10h30 às 12h30
10 de Fevereiro (Sábado), das 10h30 às 12h30
24 de Fevereiro (Sábado), das 10h30 às 12h30

24 de fevereiro de 2018

Formando: João Manuel Morais dos Santos

Agrupamento de Escolas da Lousã


Tendo em conta as dificuldades e desafios do processo ensino-aprendizagem na
atualidade, é oportuno e pertinente ouvir estudiosos e especialistas da matéria, partilhar
experiências e ideias com o objetivo de contribuir para a formação de uma futura
sociedade cientificamente habilitada, literata e humanizada.

Sendo uma Ação de Formação promovida pela Faculdade de Psicologia e Ciências


da Educação da Universidade de Coimbra, inscrevi-me na expectativa e com o objetivo
de relembrar algumas teorias e aprender outras novas, sobre a temática em questão,
quando, ao longo de várias décadas de lecionação, uma vez que tenho concentrado mais
atenção na minha área cientifica. Fiquei, assim, expectante, de como sairia da formação.

Num mundo cada vez mais global, mesmo nas práticas educativas face aos
sofisticados e eficientes meios, interessou-me ouvir e participar nas reflexões propostas
sobre a atualidade educativa e formativa em torno desta temática.

Foi apresentado um vasto leque de temáticas ricas e diversificadas apesar de,


muitas delas, terem um desenvolvimento muito especifico da área da Filosofia, onde foi
extremamente difícil acompanhar as referências bibliográficas. Apesar dos
constrangimentos pessoais, compreensíveis, penso eu, para quem tem um percurso de já
longos anos na disciplina de Geografia, reconheço o empenho e esforço, por sinal bem
conseguidos, para apresentar diversificadas e ricas perspetivas do ensino / aprendizagem
na atualidade e a sua respetiva aplicabilidade em desafios futuros, assim como no
exercício da minha autonomia.

De entre todas as temáticas apresentadas, despertou-me especial atenção a


conferência subordinada ao tema "Sociedade do conhecimento e desafios Educativos"
proferida pela Senhora Professora Doutora Maria das Dores Formosinho, cujo conteúdo
foi, transversalmente, abordado noutros momentos.

Não obstante o meu respeito e compreensão pela estratégia educativa da


preferência da palavra baseada no texto meticulosamente redigido para o discurso
atenciosamente escutado e comentado, acerrimamente defensável por algumas áreas do
saber, não posso ignorar novas formas de adquirir, em primeiro lugar, para transmitir
posteriormente conhecimentos e metodologias, observar e constatar a realidade que nos
rodeia, que é o nosso mundo envolvente.

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Na Geografia, o estudo dos lugares da Terra na sua relação e interdependência
com o Homem, para o conhecimento da paisagem, desde há séculos, ou décadas atrás,
não temos outra alternativa senão consultar esboços, registos, descrições e, mais
recentemente, imagens. Contudo, o que hoje deixamos para as gerações futuras são, não
só, os escritos e os registos fotográficos mas, também vídeos dos fenómenos, que
podemos, em algumas ocasiões, acompanhar em direto.

Não somos "geógrafos" como os que Antoine de Saint-Exupéry descreveu no livro


"O Principezinho"1, (transcrito a seguir) apesar dos meios, hoje em dia, serem muito mais
sofisticados.

(...) "O sexto planeta era um planeta dez vezes maior. Era habitado por um senhor de
idade que escrevia uns livros muito grossos.
— Olha! Cá temos um explorador! — exclamou ele, quando avistou o principezinho.
O principezinho sentou-se em cima da mesa para tomar fôlego. Já viajara tanto!
— De onde vens tu? — perguntou-lhe o senhor de idade.
— Que livro é este, tão grande? — perguntou o principezinho. — O senhor está aqui
a fazer o quê?
— Sou um geógrafo — respondeu o senhor de idade.
— E o que é um geógrafo?
— É um cientista que sabe onde ficam os mares, os rios, as cidades, as montanhas e
os desertos.
— Que interessante! — disse o principezinho. — Isto, sim, é uma profissão! — E pôs-
se a olhar à volta: nunca tinha visto um planeta tão majestoso.
— É bem bonito, o seu planeta. Tem algum mar?
— Não faço ideia — respondeu o geógrafo.
— Ah! — o principezinho ficou muito desiludido. — E montanhas?
— Não faço ideia — respondeu o geógrafo.
— E cidades e rios e desertos?
— Também não faço ideia — respondeu o geógrafo.
— Mas o senhor é geógrafo!
— Pois sou, mas não sou explorador — disse o geógrafo.
— Tenho uma falta terrível de exploradores. Porque não é o geógrafo que há-de ir à
procura de cidades, de rios, de montanhas, de mares, de oceanos e de desertos. O
geógrafo é importante de mais para andar a vadiar. 0 geógrafo nunca sai do gabinete.

1 - Sant-Exupéry, Antoine de, Le Petit Prince (1943); O Principezinho, tradução de Joana Morais Varela, Editorial Presença, pp. 53-54 Página 3 de 5
É no gabinete que recebe os exploradores. Faz-lhes perguntas e toma nota das respostas.
E se aquilo que um lhe conta parece interessante, manda instaurar um inquérito à
moralidade dele." (...)

Ao contrário deste geógrafo, dispomos dos meios que tornam tão interessante
mostrar o mundo através de vídeos, a cores, de estatísticas obtidas em sítios da Internet
tais como "INE" ou "PORDATA", da visualização do relevo terrestre em 3D com o
"Google Earth", de visualizar os ventos arrastar as nuvens através do Instituto Português
do Mar e Atmosfera. O guião de trabalho, a pesquisa, a sistematização da informação, a
apresentação e as conclusões estão, agora, muito mais facilitados. A concretização de
tarefas em grupo, sem sair de casa, facilita muito o trabalho, economiza-se tempo e
desgaste físico.

Os manuais de Geografia, tal como os exames, têm grande do seu suporte a


informação veiculada pelos meios de comunicação social. Os manuais de Geografia, com
um período de vigência de seis anos, rapidamente ficam desatualizados, mas toda a
informação ao nosso dispor colmata esse défice.

É inquestionável a utilidade das novas tecnologias que são novas apenas para nós,
mas não são dilemas para os jovens - temos essa vantagem, a de podermos comparar o
antes e o depois. Contudo, adaptamo-nos; não temos alternativa. Apenas nos resta o
esforço de tentarmos conciliar a utilização da tecnologia com a proximidade do lado
humano, da vantagem das relações diretas, sem rodeios ou voltas ao mundo. A
humanização da sociedade não está nem pode estar em causa, a substituição do homem
pela máquina não pode colocar de lado as faculdades humanas. Sou Professor de
Geografia, na charneira entre a Ciências Naturais e as Ciências Humanas; utilizo as novas
tecnologias sem menosprezar o raciocínio, o dom da escrita e da palavra – e considero
que tudo é conciliável.

Saio da ação de formação enriquecido com as várias perspetivas expostas e


satisfeito, porque estou convencido do que estou a fazer no dia a dia é útil para a futura
sociedade. Não dou prioridade aos resultados para um futuro promissor na universidade
ou em qualquer empresa, mas não ignoro que os profissionais qualificados são preferidos
e mais reconhecidos na sociedade.

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Tendo sido uma ação especifica para os grupos disciplinares de Filosofia,
Geografia, História e Economia, penso que teria sido enriquecida pela opinião de
especialistas nestas áreas. É uma sugestão para o segundo ciclo de conferências.

1 - Sant-Exupéry, Antoine de, Le Petit Prince (1943); O Principezinho, tradução de Joana Morais Varela, Editorial Presença, pp. 53-54 Página 5 de 5