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FACOM 1° 16 2° semestre de 2006 Processos de Criacao na Fotografia apontamentos para o entendimento dos vetores e das variaveis da producao fotografica RESUMO Reflexdo sobre 0 conceito de fotograka expandlida, aquela que enfatiza 2 importdncia dos processos de criacda eos procedimentesutlzados pelo artista /Motografia@ hoje produto cultural complexo ‘que contribui para transmissdo das mais varadas experiéncias perceptivas.O texto avalia as virias possblidades de criac3o na fotografia contemporinea a partir dos processos criatvos desenvolvides pelos artistas 10 PALAVRAS.CHAVE Fotografia expandida, fotografia conternpordnea, imagem fotogrsfica, sistemas de produeio fetogrética Para compreender a produgao por Rubens Fernandes Junior AgsTRACT Considerations over the concept of expanded photograpty, which focus on the processes and the proceedings of the arts. Nowadays, photography isa complex cultural produet that contributes forthe transmission of the most varied perceptions experiences This paper evaluates some possiblities of creation in the contemporary photography from the creative processes developed by the atts reation KEywoRDs Expanded photography, contemporary photography, photographic images, photographic process systems. fotogrifica contemporinea, bem como seus processos de criagto ¢ produsao, temos que mergulhar no mundo das imagens, pois nada substitui a experiencia de ver. Ver, comparar, elaborar conexdes, estabelecer relagoes. Olhar para uma imagem e explorar suas potencialidades narrativas. A eliminacao das fronteiras entre as diferentes formas de expressio, produgio ¢ irculagio de imagens no mundo contemporineo, torna cada vez mais dificil a tarefa de catalogar as manifestagoes das artes visuais, particularmente a fotografia. Da mesma maneira que percebemos o ir além, 0 ultrapassar de todos os limites, a contaminagao das técnicas, © hibridismo dos suportes, verificamos 0 quanto € dificil e impreciso articular uma nomenclatura para a produgao contemporanca. Denominamos essa produgto contemporinea mais arrojada, livre das amarras da fotografia convencional, de fotografia expandida, onde a énfase esti na importancia do processo de criagao € nos procedimentos utilizados pelo artista, para justificar a tese de que a fotografia também se expandiu em termos de flutuacao ao redor da triade peirciana’ (signo — icone, indice ¢ simbolo). Alguns autores classicos que discutem essa questio ~ Roland Barthes, Philliphe Dubois, Jean-Marie Schaeffer, Susan Sontag, entre outros entre outros consideram a fotografia como manifestagao iconica e indexical. Ji Arlindo Machado e Vilém Flusser assumem que a fotografia, signicamente, também tem carter simbélico* A fotografia expandida existe gracas a0 arrojo dos artistas mais inquietos, que desde as vanguardas historicas, deram inicio a esse percurso de superacio dos paradigmas fortemente impostos pelos fabricantes de equipamentos € materiais, para, dos poucos, fazer surgir exuberante uma outra fotografia, que nao 6 questionava os padroes impostos pelos sistemas de produgao fotograticos, como também transgredia’ a gramatica dese fazer fotogeafico. A fotografia expandida portanto, tem énfase no fazer, nos processos e procedimentos de trabalho cuja finalidade € a produgio de imagens que sejam essencialmente perturbadoras. A fotografia expandida6desafiadora, porque subverte os modelos e desarticula as referéncias. Essa denominacao, fotografia expandida, surgiu apés muita discussie e reflexio em que buscava-se uma nomenclatura mais adequada. Na verdade, utilizava-se 0 termo “fotografia construida”, mas logo percebemos que essa denominagao nao dava conta do universo que pretendia contemplar. Em 1996, no Seminario “Panoramas da Imagem”, realizado no Mube-SP, produzimos um pequeno ensaio denominado Descobertas ¢ Surpresas na Fotografia Brasileira Contempordnea Expandida. Essa denominagao fotografia expandida tem como base tedrica os textos de Rosalind Krauss (ondeem um deles ela discuteaquestao da Eseultura Expandida’) ¢ 0 texto de Gene Youngblood, que discorre sobre 0 Cinema Expandide'. Além disso, hi um texto do artista ¢ editor Andreas Maller- Poble, Information Strategies, publicado na revista alema European Photography’, em que ele discute algumas questoes que despertaram © desejo de FACOM 1° 16 -2° samestee de 2006 compreender melhor essa nova fotografia, mais comprometida com o fazer fotografico. Outro referencial te6rico importante, que impulsionou esta pesquisa, foi a Critica Genética‘, que conhecemos através de Cecilia de Almeida Salles, da PUC-SP, cuja proposta metodolégica trouxe uma nova luz para estas investigacoes. ‘A producao contemporanea tem seu diferencial porque, quero entender, vivemos uma saudavel crise: de um lado, vemos um esgotamento das artes plisticas tradicionais, ¢, do outro, temos um novo momento tecnolégico em termos de produgao imagética, no qual predomina a imagem digital. Essa erise €, em parte, responsavel pelo interesse despertado pela fotografia — scja pelos museus ¢ galerias, seja pelos colecionadores, pelos artistas visuais que estio aprendendo (de novo) a incorpord-la em seu trabalho, seja pelos proprios fotgrafos, que estao trilhando outros caminhos para concretizar sua produgio e circulagao de imagens fotogritficas. Para pensar essas questoes em termos de producao fotografica contemporanea, recortamos uma possibilidade dentre muitas, para tentar entender como a fotografia vem enfrentando as questoes do imaginirio nos tiltimos anos Constatamos que caminhar nesse campo minado de possibilidades ¢ tentar visualizar as poéticas do processo para buscar compreender em parte, esta fantistica aventura contemporanea. A fotografia € hoje, produto cultural de rara complexidade que contribuiu e continua contribuindo de forma categérica para a transmissio das mais variadas experiéncias perceptivas Lembramos que Marshall Meluhan no sew livro Understand Media’, explicitava que “hoje, as tecnologias ¢ seus ambientes conseqlentes se sucedem com tanta rapidez que um ambiente jé ‘nos prepara para o préximo”, reforgando a idéia da semiética peirciana, da qual “signo gera signo”. Ao surgir a nova tecnologia, defende Décio Pignatari, tradutor dessa obra de Mcluhan, existe uma forte intengao de manter a anterior, que se torna mais artesanal. Sem pretensio de querer acambarcar todas as possibilidades de criacto de imagens, apontaremos € discutiremos algumas possibilidades que, com certeza, dario conta de alguns dos novos vetores da produgao fotogrifica contemporanea. Os procedimentos técnicos e 0 olhar retrospectivo sobre 0 processo so fundamentais para entender ll 12 FACOM 1° 16 -2° semestre de 2006 © percurso do artista © essa questio ¢ que levou a investigar melhor ¢ acompanhar mais de perto o trabalho de alguns artistas. A fotografia convencional, aquela que é produto deuma asao entre o sujeito eo objeto, intermediada por uma prdtese, a cimera fotogrifica, também precisa ser repensada, mas nosso interesse est centrado maquelas imagens que carregam a centelha da inquietacao, que estimula o leitor a refletir sobre aquilo que vé. Vilém Flusser autor do clissico Filosofia da Caixa Preta - elementos para uma futura filosofia da fotografia’, foi quem melhor ancorou a idéia de uma fotografia expandida ja que seu trabalho vai aprofundar a critica a questio da imagem técnica (e a fotografia foi a primeira delas), que na sua opiniao devia “constituir denominador