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Aula 01

Curso: Direito Penal p/ TRF 3ª Região (Analista Judiciário e Of de Justiça)

Professor: Renan Araujo

Direito Penal に TRF 3º REGIÃO (2013) に PÓS-EDITAL ANALISTA JUDICIÁRIO に ÁREA JUDICIÁRIA Teoria

Direito Penal TRF 3º REGIÃO (2013) PÓS-EDITAL ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA Teoria e exercícios comentados Prof. Renan Araujo Aula 01

AULA 01: INFRAÇÃO PENAL. APLICAÇÃO DA LEI PENAL: NO TEMPO; NO ESPAÇO; EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS. DISPOSIÇÕES PRELIMINARES DO CP.

SUMÁRIO Apresentação do Curso e Cronograma - Sumário PÁGINA 01

SUMÁRIO

Apresentação do Curso e Cronograma - Sumário

PÁGINA

01

I Infração Penal

II Aplicação da Lei Penal no Tempo

III Aplicação da Lei Penal no Espaço

IV Aplicação da Lei Penal em relação às pessoas

V Contagem de Prazos Penais

VI Interpretação da Lei Penal

Lista das questões da aula

Gabarito

02

07

37

56

67

69

76

89

Olá, meus amigos!

Na aula de hoje nós vamos estudar a infração penal (conceito,

espécies, sujeitos, etc.), bem como a aplicação da lei penal (no tempo,

no espaço, etc.), analisando as disposições preliminares do CP.

Bons estudos!

Prof. Renan Araujo

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I INFRAÇÃO PENAL CONCEITO E ESPÉCIES

A infração penal é um fenômeno social, disso ninguém duvida. Mas

como defini-la?

Podemos conceituar infração penal como:

A conduta, em regra praticada por pessoa humana, que ofende

um bem jurídico penalmente tutelado, para a qual a lei estabelece

uma pena, seja ela de reclusão, detenção, prisão simples ou

multa.
multa.

Assim, um dos princípios que podemos extrair é o princípio da

lesividade, que diz que só haverá infração penal quando a pessoa

ofender (lesar) bem jurídico de outra pessoa. Assim, se uma pessoa pega

um chicote e se autolesiona com mais de 100 chibatadas, a única punição

que ela receberá é ficar com suas costas ardendo, pois a conduta é

indiferente para o Direito Penal.

A

infração penal é o gênero

crime e contravenção.

do qual decorrem duas espécies,

Vamos dividir, desta forma, o nosso estudo. Primeiramente vamos

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analisar o crime (conceito e elementos). Depois, vamos analisar o que diz

a lei acerca das contravenções penais.

I.A) Conceito de Crime

Muito se buscou na Doutrina acerca disso, tendo surgido inúmeras

posições a respeito. Vamos tratar das principais.

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O Crime pode ser entendido sob três aspectos: Material, legal e

analítico.

Sob o

sob três aspectos : Material, legal e analítico. Sob o aspecto material , crime é toda

aspecto material, crime é

toda ação humana que lesa ou

expõe a perigo um bem jurídico de terceiro, que, por sua
expõe
a
perigo
um
bem
jurídico
de
terceiro,
que,
por
sua
a perigo um bem jurídico de terceiro, que, por sua relevância, merece a proteção penal .

relevância, merece a proteção penal. Esse aspecto valoriza o crime

enquanto conteúdo, ou seja, busca identificar se a conduta é ou não apta

a produzir uma lesão a um bem jurídico penalmente tutelado.

Assim, se uma lei cria um tipo penal dizendo que é proibido chorar

em público, essa lei não estará criando uma hipótese de crime em seu

sentido material, pois essa conduta NUNCA SERÁ crime em sentido

material, pois não produz qualquer lesão ou exposição de lesão a bem

jurídico de quem quer que seja. Assim, ainda que a lei diga que é crime,

materialmente não o será.

Sob o

a lei diga que é crime, materialmente não o será. Sob o aspecto legal, ou formal

aspecto legal, ou formal, crime é

toda infração penal a

que a lei comina pena de reclusão ou detenção

. Nos termos do art.

1° da Lei de Introdução ao CP:

Art 1º Considera-se crime a infração penal que a

lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer

isoladamente, quer alternativa ou

cumulativamente com a pena de multa;

contravenção, a infração penal a que a lei comina,

isoladamente, pena de prisão simples ou de multa,

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ou ambas. alternativa ou cumulativamente.

Percebam que o conceito aqui é meramente legal

. Se a lei cominar

a uma conduta a pena de detenção ou reclusão, cumulada ou

alternativamente com a pena de multa, estaremos diante de um

crime .
crime
.
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Por outro lado, se a lei cominar a apenas prisão simples ou multa,

alternativa ou cumulativamente, estaremos diante de uma contravenção

penal.

Esse aspecto consagra o

sistema dicotômico adotado no Brasil,

no

qual existe um gênero, que é a infração penal, e duas espécies, que são o

crime e a contravenção penal. Assim:

INFRAÇÃO PENAL CRIMES (Delito) CONTRAVENÇÕES
INFRAÇÃO PENAL
CRIMES (Delito)
CONTRAVENÇÕES

Vejam que quando se diz “infração penal”, está se usando um termo

genérico, que pode tanto se referir a um “crime” ou a uma “contravenção

penal”. O termo “delito”, no Brasil, é sinônimo de crime.

O crime pode ser conceituado, ainda, sob um

aspecto analítico

,

que o divide em partes, de forma a estruturar seu conceito.

Primeiramente, surgiu a teoria quadripartida do crime, que

entendia que crime era todo fato típico, ilícito, culpável e punível. Hoje é

praticamente inexistente.

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Depois, surgiram os defensores da teoria tripartida do crime, que

entendiam que crime era o fato típico, ilícito e culpável. Essa é a teoria

que predomina no Brasil, embora haja muitos defensores da terceira

teoria.

A terceira e última teoria acerca do conceito analítico de crime

entende que este é o fato típico e ilícito, sendo a culpabilidade mero

pressuposto de aplicação da pena. Ou seja, para esta corrente, o conceito

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de

caracterização que o fato seja típico e ilícito.

crime

é

bipartido

(teoria

bipartida),

bastando

para

sua

As duas últimas correntes possuem defensores e argumentos de

peso. Entretanto, a que predomina ainda é a corrente tripartida. Portanto,

na prova objetiva, recomendo que adotem esta, a menos que a banca

seja muito explícita e vocês entenderem que eles claramente são adeptos

da teoria bipartida, o que acho pouco provável.

Todos os três aspectos (material, legal e analítico) estão presentes

no nosso sistema jurídico-penal. De fato, uma conduta pode ser

materialmente crime (furtar, por exemplo), mas não o será se não houver

previsão legal (não será legalmente crime). Poderá, ainda, ser

formalmente crime (no caso da lei que citei, que criminalizava a conduta

de chorar em público), mas não o será materialmente se não trouxer

lesão ou ameaça a lesão de algum bem jurídico de terceiro.

Desta forma:

CONCEITO DE CRIME ASPECTO MATERIAL ASPECTO LEGAL ASPECTO ANALÍTICO
CONCEITO DE CRIME
ASPECTO MATERIAL
ASPECTO LEGAL
ASPECTO ANALÍTICO
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21111228310
Teoria quadripartida nossa próxima aula apenas! Teoria tripartida
Teoria quadripartida nossa próxima aula apenas! Teoria tripartida

Teoria quadripartida

Teoria quadripartida nossa próxima aula apenas! Teoria tripartida

nossa próxima aula apenas!

Teoria tripartida

Teoria quadripartida nossa próxima aula apenas! Teoria tripartida

Teoria bipartida

Esse último conceito de crime (sob o aspecto analítico), é o que vai

nos fornecer os subsídios para que possamos estudar os elementos do

crime (Fato típico, ilicitude e culpabilidade). Entretanto, isso é tema para

I. b) Contravenção Penal Direito Penal に TRF 3º REGIÃO (2013) に PÓS-EDITAL ANALISTA JUDICIÁRIO

I. b) Contravenção Penal

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As contravenções penais são infrações penais que tutelam bens

jurídicos menos relevantes para a sociedade e, por isso, as penas

previstas para as contravenções são bem mais brandas. Nos termos do

art. 1° do da Lei de Introdução ao Código Penal:

Art 1º Considera-se crime a infração penal que a

lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer

isoladamente,

quer

alternativa ou

cumulativamente

com

a

pena

de

multa;

contravenção, a infração penal a que a lei comina,

isoladamente, pena de prisão simples ou de multa,

ou ambas. alternativa ou cumulativamente.

Percebam que a Lei estabelece que se considera contravenção a

infração penal para a qual a lei estabeleça pena de prisão simples ou

multa.

Percebam, portanto, que a Lei estabelece um nítido patamar

diferenciado para ambos os tipo de infração penal. Trata-se de uma

escolha política, ou seja, o legislador estabelece qual conduta será

considerada crime e qual conduta será considerada contravenção, de

acordo com sua noção de lesividade para a sociedade.

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Mas professor, qual é a diferença prática em saber se a

conduta é crime ou contravenção? Muitas, meu caro! Vejamos:

CRIMES

CONTRAVENÇÕES

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Admitem tentativa (art. 14, II).

de

contravenção na modalidade

tentada. Ou se pratica a

contravenção consumada ou se

trata de um indiferente penal

Não

se

admite

prática

Se cometido crime, tanto no Brasil

quanto no estrangeiro, e vier o

agente a cometer contravenção,

haverá reincidência.

Tempo máximo de cumprimento de

pena: 30 anos.

Aplicam-se as hipóteses de

extraterritorialidade (alguns crimes

cometidos no estrangeiro, em

determinadas circunstâncias,

podem ser julgados no Brasil)

A prática de contravenção no

exterior não gera reincidência

caso o agente tenha sido

condenado anteriormente por

contravenção no exterior, só se

for no Brasil!

Tempo máximo de cumprimento de

pena: 05 anos.

Não se aplicam as hipóteses de

extraterritorialidade do art. 7°

do Código Penal.

Portanto, crime e contravenção são termos relacionados à mesma

categoria (infração penal), mas não se confundem, existindo diferenças

práticas entre ambos.

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II APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO

A Lei Penal, como toda e qualquer lei, entra no mundo jurídico em

um determinado momento e vigora até sua revogação, regulando todos

os fatos praticados nesse ínterim. Entretanto, nem sempre as coisas são

tão complexas. simples, surgindo Direito Penal に TRF 3º REGIÃO (2013) に PÓS-EDITAL ANALISTA JUDICIÁRIO

tão

complexas.

simples,

surgindo

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situações

verdadeiramente

excepcionais

e

É certo, meus caros, que as leis se sucedem no tempo, pois é da

natureza humana a mudança de pensamento. Assim, o que hoje é

considerado crime, amanhã pode não o ser, e vice-versa. É claro,

também, que quando uma lei revoga a outra, a lei revogadora deve

abordar a matéria de forma, ao menos um pouco, diferente do modo

como tratava a lei revogada, caso contrário, seria uma lei absolutamente

inútil. A esse fenômeno damos o nome de Princípio da continuidade

das leis.

A revogação, por sua vez, é o fenômeno que compreende a

substituição de uma norma jurídica por outra. Essa substituição pode ser

total ou parcial. No primeiro caso, temos o que se chama de ab-rogação,

e no segundo caso, derrogação.

A revogação, como vimos, pode ser total ou parcial. Mas pode, ainda,

ser expressa ou tácita. Diz-se que é expressa quando a nova lei diz

expressamente que revoga a lei anterior. Por exemplo, a lei 11.343/06

(nova lei de drogas) diz em seu art. 75, que ficam revogadas as

disposições contidas na lei 6.368/76.

Por sua vez, a revogação tácita ocorre quando a lei nova, embora

não diga nada com relação à revogação da lei antiga, trata da mesma

matéria, só que de forma diferente.

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Assim:

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REVOGAÇÃO EXPRESSA TÁCITA (Lei diz expressamente que a anterior fica revogada) (Lei nova não diz
REVOGAÇÃO
EXPRESSA
TÁCITA
(Lei diz expressamente que
a anterior fica revogada)
(Lei nova não diz nada, mas
aborda a mesma matéria, de
forma diferente)
REVOGAÇÃO
aborda a mesma matéria, de forma diferente) REVOGAÇÃO TOTAL = Ab-rogação PARCIAL に Derrogação (Lei
aborda a mesma matéria, de forma diferente) REVOGAÇÃO TOTAL = Ab-rogação PARCIAL に Derrogação (Lei

TOTAL = Ab-rogação

PARCIAL Derrogação

(Lei nova revoga totalmente a anterior)

(Lei nova revoga apenas alguns dispositivos da lei vigente, que permanece em vigor)

Desta forma, a

revogação.

lei produz efeitos desde sua vigência até

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sua

Cuidado! No período de vacatio legis (Período entre a publicação

da Lei e sua entrada em vigor, geralmente de 45 dias) a lei ainda não

vigora! Ou seja, ela ainda não produz efeitos!

Em termos gráficos:

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Publicação Entrada em vigor

Renan Araujo に Aula 01 Publicação Entrada em vigor Vacatio Legis Revogação

Vacatio Legis

Revogação

01 Publicação Entrada em vigor Vacatio Legis Revogação

|----------|-------------------------------------------------------|

PRODUÇÃO DE EFEITOS Logo, podemos perceber que a lei

PRODUÇÃO DE EFEITOS

Logo, podemos perceber que a lei penal, assim como qualquer lei,

somente produz efeitos durante o seu período de vigência. É o que se

chama de princípio da atividade da lei.

Em alguns casos, porém, a lei penal pode produzir efeitos e atingir

fatos ocorridos antes de sua entrada em vigor e, até mesmo, atos

praticados após sua revogação. Vamos analisá-los individualmente.

I.a) Conflito de Leis penais no Tempo

Ocorrendo a revogação de uma lei penal por outra, algumas

situações irão ocorrer, e as consequências de cada uma delas dependerão

da natureza da norma revogadora.

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A) Lei nova incriminadora

Nesse caso, a lei nova atribui caráter criminoso ao fato. Ou seja, até

então, o fato não era crime. Nesse caso, a solução é bastante simples: A

lei nova produzirá efeitos a partir de sua entrada em vigor, como

toda e qualquer lei, seguindo a regra geral da atividade da lei.

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B) Lex Gravior ou Novatio Legis in Pejus ou Lei nova mais

gravosa

Aqui, a lei posterior não inova no que se refere à natureza criminosa

do fato, pois a lei anterior já estabelecia que o fato fosse crime. No

entanto, a lei nova estabelece uma situação mais gravosa ao réu.

Por exemplo: O crime de homicídio simples (art. 121 do CP) possui pena

mínima de 06 e pena máxima de 20 anos. Imaginemos que entrasse em

vigor uma lei que estabelecesse que a pena para o crime de homicídio

seria de 10 a 30 anos. Nesse caso, a lei nova, embora não inove no que

tange à criminalização do homicídio, traz uma situação mais gravosa para

o fato. Assim, produzirá efeitos somente a partir de sua vigência,

não alcançando fatos pretéritos

Frise-se que a lei nova será considerada mais gravosa ainda que não

aumente a pena prevista para o crime. Basta que traga qualquer prejuízo

ao réu, como forma de cumprimento da pena, redução ou eliminação de

benefícios, etc.

C) Abolitio Criminis

A abolitio criminis ocorre quando uma lei penal incriminadora vem

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a ser revogada por outra, que prevê que o fato deixa de ser considerado

crime. Por exemplo: Suponhamos que a Lei “A” preveja que é crime

dirigir veículo automotor sob a influência de álcool. Vindo a Lei “B” a

determinar que dirigir veículo automotor sob a influência de álcool não é

crime, ocorreu o fenômeno da abolitio criminis.

Nesse caso, como a lei posterior deixa de considerar o fato

crime, ela produzirá efeitos retroativos, alcançado os fatos

praticados mesmo antes de sua vigência, em homenagem ao art. 5,

XL da Constituição Federal e ao art. 2° do Código Penal. Vejamos:

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XL

-

a

lei

penal

beneficiar o réu;

não retroagirá, salvo para

Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato

que lei posterior deixa de considerar crime,

cessando em virtude dela a execução e os efeitos

penais da sentença condenatória.

É claro que quando uma lei deixa de considerar um determinado fato

como crime, ela está beneficiando aquele praticou o fato e que,

porventura, esteja respondendo criminalmente por ele, ou até mesmo,

cumprindo pena em decorrência da condenação pelo fato.

Em casos tais, ocorre o que se chama de retroatividade da Lei Penal,

que passa a produzir efeitos sobre fatos ocorridos anteriormente à sua

vigência.

CUIDADO! Não confundam abolitio criminis

CUIDADO! Não confundam abolitio criminis

com

continuidade

típico-normativa

.

Em

alguns casos, embora a lei nova revogue um

 

determinado artigo que previa um tipo penal,

ela simultaneamente insere esse fato dentro de

 

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outro tipo penal. Por exemplo: A Lei 12.015/09

revogou o art. 214 do CP, que previa o crime

de atentado violento ao pudor. Entretanto, ao

mesmo tempo, ampliou a descrição do tipo

penal do estupro para abranger também a

prática de atos libidinosos diversos da

conjunção carnal, que era a descrição do tipo

penal de atentado violento ao pudor. Assim, o

que a Lei 12.015/09 fez, não foi descriminalizar

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o Atentado Violento ao Pudor, mas dar a ele

novo contorno jurídico, passando agora o fato a

ser enquadrado como crime de estupro, tendo,

inclusive, previsto a mesma pena

anteriormente cominada ao Atentado Violento

ao Pudor. Assim, não houve abolitio criminis,

pois o fato não deixou de ser crime, apenas

passou a ser tratado em outro tipo penal.

CUIDADO!

Também não há abolitio criminis quando a lei nova revoga uma

lei especial que criminaliza um determinado fato, mas que mesmo

assim, está enquadrado como crime numa norma geral. Explico:

Imagine que a Lei “A” preveja o crime de roubo a empresa de

transporte de valores, com pena de 4 a 12 anos. Posteriormente, entra

em vigor a Lei “B”, que revoga expressa e totalmente a Lei “A”. Pode-se

dizer que o roubo a empresa de transporte de valores deixou de ser

crime? Claro que não, pois a conduta, o fato, está previsto no art. 157 do

Código Penal (crime de roubo). Assim, apenas deixou de existir a lei

especial que previa pena diferenciada para este fato, passando o mesmo

a ser regido pelo tipo previsto no Código Penal. Pode-se dizer, no entanto,

que houve novatio legis in mellius, ou Lex mitior, que é a superveniência

de lei mais benéfica.

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D) Lex Mitior ou Novatio legis in mellius

A Lex mitior, ou novatio legis in mellius ocorre quando uma lei

posterior revoga a anterior trazendo uma situação mais benéfica ao réu.

Nesse caso, em homenagem ao art. 5, XL da Constituição, já transcrito, a

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lei nova retroage para alcançar os fatos ocorridos anteriormente à sua

vigência.

Essa previsão está contida também no art. 2°, § único do CPB:

Parágrafo único - A lei posterior, que de

qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos

fatos anteriores, ainda que decididos por sentença

condenatória transitada em julgado.

Vejam que o Código Penal estabelece que a aplicação da lei nova se

dará ainda que o fato (crime) já tenha sido julgado por sentença

transitada em julgado. Assim, se João foi condenado e está cumprindo

pena por um crime que vem a ser considerado como fato atípico, extinta

está a punibilidade de João, nos termos do art. 107, III do Código penal:

Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:

(

)

III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;

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E) Lei posterior que traz benefícios e prejuízos ao réu

Pode ocorrer, no entanto, que a lei nova tenha alguns pontos mais

favoráveis e outros mais prejudiciais ao réu. Por exemplo: Suponhamos

que Maria tenha praticado crime de furto, cuja pena é de 1 a 04 anos de

reclusão, e multa. Posteriormente, sobrevém uma lei que estabelece que

a pena passa a ser de 02 a 06 anos de detenção, sem multa. Percebam

que a lei nova é mais benéfica pois extinguiu a pena de multa, e

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estabeleceu o regime de detenção, mas é mais gravosa pois aumentou a

pena mínima e a pena máxima. Nesse caso, como avaliar se a lei é mais

benéfica ou mais gravosa? E mais, será que é possível combinar as duas

leis para se achar a solução mais benéfica para o réu? Duas correntes se

formaram:

1° corrente: Não é possível combinar as leis penais para se extrair

os pontos favoráveis de cada uma delas, pois o Juiz estaria criando uma

terceira lei (Lex tertia), o que seria uma violação ao princípio da

Separação dos Poderes, já que não cabe ao Judiciário legislar. Essa é a

TEORIA DA PONDERAÇÃO UNITÁRIA ou GLOBAL.

2° corrente: É possível a combinação das duas leis, de forma a

selecionar os institutos favoráveis de cada uma delas, sem que com isso

se esteja criando uma terceira lei, pois o Juiz só estaria agindo dentro dos

limites estabelecidos pelo próprio legislador. Essa é a TEORIA DA

PONDERAÇÃO DIFERENCIADA.

firmou

entendimento no sentido de que

, devendo ser aplicada apenas uma das leis,

em homenagem aos princípios da reserva legal e da separação dos

Poderes do Estado.

O

STF ,
STF
,

embora

tenha

vacilado

em

alguns

momentos,

deve ser adotada a TEORIA DA

PONDERAÇÃO UNITÁRIA

O STJ sempre adotou esta posição

.

O STF vacilou por muitas vezes, tendo mudado de postura como

quem muda de roupa. No entanto, a questão parece se solidificar. Mas

através de um terceiro (e CORRETÍSSIMO) ponto de vista.

21111228310

A partir do julgamento do RE 596152/SP, o STF adotou um

posicionamento muito interessante.

Para a Corte Suprema, a discussão sobre a possibilidade de

COMBINAÇÃO DE LEIS é completamente sem sentido. Isso mesmo. Não

faz nenhum sentido discutir isto porque é algo plenamente admissível. O

que se tem que discutir é se há possibilidade de COMBINAÇÃO DE

NORMAS JURÍDICAS. Ficou claro? Óbvio que não, rs. Explico:

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Uma lei não regulamenta situações jurídicas, uma lei é apenas um

DIPLOMA NORMATIVO, ou seja, ela contém NORMAS JURÍDICAS,

estas sim regulamentam situações jurídicas.

Ora, uma lei é composta de diversas normas jurídicas diferentes.

Vejamos um EXEMPLO:

A lei A cria o crime de furto e estabelece uma pena de 04 a 08 anos.

A mesma lei prevê uma causa de diminuição de pena de 1/6, caso o

agente

Surge uma lei B, que prevê que o crime de furto passa a ter uma pena de

08 a 12 anos. A mesma lei possui uma outra norma jurídica que prevê

que se o agente for primário e de bons antecedentes, a pena deverá ser

reduzida em 2/3.

seja

primário

e

a

coisa

seja

de

pequeno

valor.

Conclusão: A Lei B é mais favorável ou mais desfavorável?

Aplica-se ou não se aplica a Lei B?

O STF decidiu que não temos que verificar se a lei tal ou qual

é

mais favorável, mas destrinchar cada uma das normas jurídicas

e

analisa-las isoladamente:

Tanto a Lei A quanto a Lei B possuem DUAS NORMAS JURÍDCAS

CADA:

Uma que trada da pena em si;

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Outra norma que se refere à causa de diminuição de pena em caso de

primariedade e bons antecedentes

Para o STF, a primeira norma, relativa à pena, NÃO RETROAGE,

pois a NOVA NORMA JURÍDICA (contida na Lei B), É MAIS

PREJUDICIAL. No entanto, a segunda norma, relativa à causa de

diminuição de pena, RETROAGE, pois a nova norma jurídica relativa à

causa de diminuição de pena é MAIS FAVORÁVEL.

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Assim, o STF entendeu que nada impede que a um mesmo fato

criminoso sejam aplicadas diversas leis, desde que NÃO HAJA MESCLA

DE NORMAS JURÍDICAS relativas ao mesmo instituto jurídico.

EXEMPLO: No mesmo exemplo acima, imaginem que a Lei B preveja

que a pena do crime de furto passa a ter pena de 02 a 10 anos. Ora, essa

nova lei possui uma norma jurídica nova, referente a um ÚNICO

INSTITUTO JURÍDICO (pena), que é em parte favorável (pena mínima)

e em parte desfavorável (Pena máxima). Neste caso, NÃO É POSSÍVEL

A COMBINAÇÃO DE NORMAS JURÍDICAS, ou seja, não é possível que

o Juiz aplique a pena mínima da lei nova e pena máxima da lei antiga,

porque se referem ao MESMO INSTITUTO JURÍDICO.

Agora ficou claro, rs?

A decisão do STF é muito, mas muito correta, pois não devemos

analisar a lei como um todo, mas devemos analisar cada norma jurídica,

até porque, nada impediria que aquelas normas jurídicas que se

encontram na mesma lei, estivessem em leis diversas.

Para os defensores da tese de que não se pode mesclar leis, no

primeiro exemplo, o Juiz deveria aplicar por inteiro a lei antiga, não

podendo retroagir a parte relativa à causa de diminuição de pena. Agora,

olhem o absurdo, se a Lei B previsse somente a pena mais grave, e a

causa de diminuição nova (mais benéfica) estivesse prevista numa

21111228310

terceira lei (Lei C), poderia ser aplicada. SÓ PORQUE SE ENCONTRAVA

EM DIPLOMA NORMATIVO DIFERENTE. Um absurdo total!

Mas, professor, então o STF passou a adotar a Teoria da

Ponderação Diferenciada? Depende do ponto de vista.

Se estivermos falando de COMBINAÇÃO DE LEIS (o que é sem sentido),

o STF admite, plenamente, a mescla de leis, ou seja, a Teoria adotada é a

da Ponderação DIFERENCIADA.

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Direito Penal TRF 3º REGIÃO (2013) PÓS-EDITAL ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA Teoria e exercícios comentados Prof. Renan Araujo Aula 01

Agora, se estivermos falando de COMBINAÇÃO DE NORMAS

JURÍDICAS, a posição adotada é a da Ponderação UNITÁRIA, pois o

STF entende que não se pode mesclar normas jurídicas relativas ao

mesmo instituto jurídico.

Assim, na prova objetiva eu sugiro que vocês marquem como correta

qualquer opção que diga que o STF passou a adotar a teoria da

PONDERAÇÃO DIFERENCIADA (independentemente de a questão falar

em “norma” ou “lei”, pois a questão provavelmente irá utilizar os dois

termos como sinônimos).

Quem deve aplicar a nova lei penal mais benéfica ou a nova lei

penal abolitiva? O Supremo Tribunal Federal (STF) firmou

entendimento no sentido de que a lei será aplicada pelo Juízo que

estiver analisando a causa, ou aplicando a execução. Nos termos da

súmula 611 do STF:

SÚMULA Nº 611

TRANSITADA EM JULGADO A SENTENÇA

CONDENATÓRIA, COMPETE AO JUÍZO DAS

EXECUÇÕES A APLICAÇÃO DE LEI MAIS BENIGNA.

ATENÇÃO : Cuidado para não caírem nessa: 21111228310 Lei durante o período de vacância (

ATENÇÃO: Cuidado para não caírem nessa:

21111228310

Lei durante o período de vacância

(vacatio legis) não produz efeitos, logo, não

retroage, ainda que mais benéfica ao

réu! Assim, se Pedro está cumprindo o

último ano de sua pena por um determinado

crime, e é publicada uma lei que prevê que

este fato deixa de ser crime, mas cujo

período de vacatio legis é de um ano, Pedro

deverá cumprir integralmente sua pena, pois

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a lei nova só produzirá efeitos quando Pedro

já tiver cumprido toda a pena. Resumindo:

Pedro deu um azar danado!

Mas e se a lei nova for revogada por outra lei mais gravosa?

Nesse caso, a lei mais gravosa não se aplicará aos fatos regidos pela lei

mais benéfica, pois isso seria uma retroatividade da lei em prejuízo do

réu. No momento em que a lei intermediária (a que revogou, mas foi

revogada) entrou em vigor, passou a reger os fatos ocorridos antes de

sua vigência. Sobrevindo lei posterior mais grave, aplica-se a regra geral

da irretroatividade da Lei.

Lei A (gravosa) Lei B (Mais benéfica) Lei C (Mais gravosa) EFEITOS DA LEI B
Lei A (gravosa)
Lei B (Mais benéfica)
Lei C (Mais gravosa)
EFEITOS DA LEI B
EFEITOS DA LEI C
|----|------|------------------------------------------------------|
Fato
PRODUÇÃO DE VIGÊNCIA DA LEI B

No caso representado pelo esquema acima, a Lei B produzirá efeitos

mesmo após sua revogação pela Lei C. Percebam que após a revogação

da Lei B, as duas estão produzindo efeitos, tanto a Lei B quanto a Lei C,

embora só esta última esteja em vigor. A Lei B estará produzindo efeitos

com relação aos fatos cometidos anteriormente à sua revogação, e a Lei

C produzirá efeitos tão-somente em relação aos fatos cometidos após sua

entrada em vigor, não alcançando os fatos pretéritos. Nesse caso, há a

ULTRA-ATIVIDADE DA LEI B.

21111228310

Excepcional é a situação das leis intermitentes, que se dividem em

leis excepcionais e leis temporárias. As leis excepcionais são aquelas

que são produzidas para vigorar durante determinada situação. Por

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exemplo, estado de sítio, estado de guerra, ou outra situação

excepcional. Lei temporária é aquela que é editada para vigorar durante

determinado período, certo, cuja revogação se dará automaticamente

quando se atingir o termo final de vigência, independentemente de se

tratar de uma situação normal ou excepcional do país.

No caso destas leis, dado seu caráter transitório, a

superveniência de lei que considere que o fato não é mais crime, é

indiferente, ESSA LEI NÃO RETROAGE! Assim, aquele que cometeu o

crime durante a vigência de uma destas leis responderá pelo fato, nos

moldes em que previsto na lei, mesmo diante de superveniência de lei

benéfica ou abolitiva.

Isso é uma questão de lógica, pois, se assim não o fosse, bastaria

que o réu procrastinasse o processo até data prevista para a revogação

da lei a fim de que fosse decretada a extinção de sua punibilidade. Isso

está previsto no art. 3° do Código Penal:

Art. 3º - A lei excepcional ou temporária,

embora decorrido o período de sua duração ou

cessadas as circunstâncias que a determinaram,

aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

21111228310

I.b) Tempo do crime

Três teorias buscam explicar quando se considera praticado o crime:

1) Teoria da atividade O crime se considera praticado quando da

ação ou omissão, não importando quando ocorre o resultado. É a

teoria adotada pelo art. 4° do Código Penal, vejamos:

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Art. 4º - Considera-se praticado o crime no

momento da ação ou omissão, ainda que outro

seja o momento do resultado.

2) Teoria do resultado Para esta teoria, considera-se praticado o

crime quando da ocorrência do resultado, independentemente de

quando fora praticada a ação ou omissão;

3) Teoria da ubiquidade ou mista Para esta teoria, considera-se

praticado o crime tanto no momento da ação ou omissão quanto

no momento do resultado.

Como vimos, nosso Código adotou a teoria da atividade como a

aplicável ao tempo do crime. Isto representa sérios reflexos na

aplicação da lei penal, pois esta depende da data do fato, que, como

vimos, é a data da conduta.

Imaginem que Renato, adolescente com 17 anos, 11 meses 10 dias

dispara arma de fogo contra Paulo, com intenção de matar, ferindo-lhe.

Paulo é encaminhando para o Hospital e permanece internado no CTI por

60 dias, quando vem a falecer. Nesse caso, Renato não responderá por

crime de homicídio doloso, pois quando da realização da conduta Renato

era menor de idade, aplicando-se-lhe o ECA, ainda que a morte de Paulo

21111228310

tenha ocorrido já quando Renato possuía mais de 18 anos.

Nos crimes permanentes, aplica-se a lei em vigor ao final da

permanência delitiva, ainda que mais gravosa que a do início. O

mesmo ocorre nos crimes continuados, hipótese em que se aplica a lei

vigente à época do último ato (crime) praticado. Essa tese está

consagrada pelo STF, através do enunciado n° 711 da súmula de sua

Jurisprudência:

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SÚMULA Nº 711

A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME

CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE, SE A

SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA

CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.

Meus caros, vocês devem ficar muito atentos a esta questão da Lei

Penal no Tempo, pois é um tema razoavelmente cobrado em provas de

concurso e, também, na OAB, inclusive foi cobrado em 2011. Vejamos:

(ESAF

NACIONAL)

2007

AGU/PFN

PROCURADOR

DA

FAZENDA

À luz da aplicação da lei penal no tempo, dos princípios da

anterioridade, da irretroatividade, retroatividade e ultratividade

da lei penal, julgue as afirmações abaixo relativas ao fato de

Mévio ter sido processado pelo delito de adultério em dezembro

de 2004, sendo que a Lei n. 11.106, de 28 de março de 2005,

aboliu o crime de adultério:

I. Caso Mévio já tenha sido condenado antes de março de 2005,

permanecerá sujeito à pena prevista na sentença condenatória.

21111228310

II. A lei penal pode retroagir em algumas hipóteses.

III. Caso Mévio não tenha sido condenado no primeiro grau de

jurisdição, poderá ocorrer a extinção de punibilidade desde que a

mesma seja provocada pelo réu.

IV. Na hipótese, ocorre o fenômeno da abolitio criminis.

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a) Todas estão corretas.

b) Somente I está incorreta.

c) I e IV estão corretas.

d) I e III estão corretas.

e) II e IV estão corretas.

COMENTÁRIOS:

AFIRMATIVA I - ERRADA: A abolitio criminis faz cessar todos os efeitos

penais da condenação, de forma que Mévio deveria ser solto, pela

extinção da punibilidade;

AFIRMATIVA II - CORRETA: A lei penal retroage sempre que for mais

benéfica ao réu, não havendo possibilidade de retroatividade in mellius

(para prejudicar o réu);

AFIRMATIVA III - ERRADA: A extinção da punibilidade é automática, não

dependendo de provocação do réu;

AFIRMATIVA IV - CORRETA: De fato, tendo lei nova deixado de

considerar o fato como crime, ocorre a abolitio criminis, prevista no art.

2º, § único do CP;

21111228310

Portanto, estando as afirmativas II e IV corretas, a alternativa

correta é a letra E.

(CESPE

EXTERNO)

2011

TCU

AUDITOR

FEDERAL

DE

CONTROLE

A lei penal que, de qualquer modo, beneficie o agente deve

retroagir, desde que respeitado o trânsito em julgado da sentença

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penal condenatória.

COMENTÁRIOS: A lei penal mais favorável deve retroagir para

beneficiar o infrator, ainda que já tenha ocorrido o trânsito em julgado da

sentença penal condenatória. Vejamos o § único do art. 2º do CP:

Art. 2º - (

)

Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

(ESAF 2012 CGU ANALISTA DE FINANÇAS E CONTROLE)

A respeito das disposições relativas à aplicação da Lei penal no

tempo e no espaço, é correto afirmar que

a) a lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente,

aplica-se aos fatos anteriores, ressalvados os decididos por

sentença condenatória transitada em julgado.

b) considera-se

praticado

o

crime

no

momento

da

ação

ou

omissão,

dependendo,

para

sua

aplicação

do

momento

do

 

21111228310

resultado.

c) aplica-se a lei brasileira, respeitadas as convenções, tratados e

regras de direito internacional, ao crime cometido no território

nacional.

d) a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao

crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da

continuidade ou da permanência.

e) lançar ao mar, com intuito de tirar-lhe a vida, tripulante de

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embarcação estrangeira de propriedade privada, achando-se a

embarcação não atracada em porto brasileiro, é hipótese de crime

que não se sujeita à lei brasileira.

COMENTÁRIOS:

A) ERRADA: A lei posterior que beneficia o agente (lex mitior) se aplica

aos fatos passados, AINDA QUE DECIDIDOS POR SENTENÇA

TRANSITADA EM JULGADA. Basta uma simples leitura do art. 2, § único

do CP:

Art. 2º (

)

Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o

agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença

condenatória transitada em julgado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de

11.7.1984)

B) ERRADA: O tempo do crime, segundo a teoria adotada pelo CP

(Teoria da atividade) é o momento em que praticada a ação ou omissão,

independentemente do momento do resultado. Nos termos do art. 4º do

CP:

Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou

omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.(Redação dada

pela Lei nº 7.209, de 1984)

C) ERRADA: Esta afirmativa se resolve pela análise simples do art. 5º do

CP:

21111228310

Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e

regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

A Banca deu a afirmativa como ERRADA, mas, a meu ver, ela está

correta, eis que, de fato, a lei brasileira poderá não ser aplicada a um

crime cometido no território nacional quando houver regulamentação em

contrário em algum tratado internacional.

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PORTANTO, CABERIA RECURSO!

D) CORRETA: Essa questão é a transcrição literal da súmula nº

711 do STF. Vejamos:

A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO

CRIME PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É ANTERIOR À CESSAÇÃO DA

CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.

E) ERRADA: A afirmativa está errada, pois não há como afirmar

categoricamente que não se aplicará a lei brasileira, eis que poderá se

tratar de um caso de extraterritorialidade, ao qual se aplicará a lei

brasileira (Por exemplo: O agente ser brasileiro). Vejamos:

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:

1984)

(Redação

dada

pela

Lei

7.209,

de

(

)

II

-

os

crimes:

(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

(

)

b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

Portanto, a alternativa CORRETA É A LETRA D.

(ESAF 2012 RECEITA FEDERAL AUDITOR-FISCAL DA

RECEITA FEDERAL DO BRASIL)

21111228310

Considerando a legislação, a doutrina e a jurisprudência a

respeito da aplicação da lei penal no tempo, com relação ao

instituto da abolitio criminis, analise as assertivas abaixo e

assinale a opção correta.

I. A abolitio criminis pode ser aplicada para delitos tributários.

II. A lei penal pode retroagir para prejudicar o réu já condenado

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em trânsito em julgado e tal instituto denomina-se abolitio

criminis.

III. A obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, oriunda

de efeito da condenação penal, desaparece com a abolitio

criminis.

IV. O instituto da abolitio criminis não é aceito pela

jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

a) Todos estão corretos.

b) Somente I está correto.

c) I e IV estão corretos.

d) I e III estão corretos.

e) II e IV estão corretos.

COMENTÁRIOS:

I - CORRETA: Não há qualquer vedação à aplicação da abolitio

criminis aos delitos tributários. A abolitio criminis, que nada mais

é que o fenômeno da "abolição da conduta considerada

criminosa" em razão da superveniência de Lei que passa a não

considerar mais o fato como criminoso. Isso consta no art. 2º do

CP:

Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de

considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos

penais da sentença condenatória. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de

21111228310

11.7.1984)

II - ERRADA: A lei penal MAIS GRAVE não pode retroagir para alcançar

fatos passados (só a lei mais benéfica pode). O instituto da abolitio

criminis é que o fenômeno da "abolição da conduta considerada

criminosa" em razão da superveniência de Lei que passa a não considerar

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mais o fato como criminoso;

III - ERRADA: A abolitio criminis faz desaparecer, apenas, os efeitos

penais da condenação, nos termos do art. 2º do CP. O dever de reparar o

dano é um efeito civil, não penal.

IV - ERRADA: Não

princípio.

há qualquer

objeção da Jurisprudência a este

Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

(FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - 2 -

PRIMEIRA FASE (OUT/2011)

Acerca da aplicação da lei penal no tempo e no espaço, assinale

a alternativa correta.

A) Se um funcionário público a serviço do Brasil na Itália praticar,

naquele país, crime de corrupção passiva (art. 317 do Código

Penal), ficará sujeito à lei penal brasileira em face do princípio da

extraterritorialidade.

B) O ordenamento jurídico-penal brasileiro prevê a combinação

de leis sucessivas sempre que a fusão puder beneficiar o réu.

C) Na ocorrência de sucessão de leis penais no tempo, não será

possível a aplicação da lei penal intermediária mesmo se ela

configurar a lei mais favorável.

21111228310

D) As leis penais temporárias e excepcionais são dotadas de

ultra-atividade. Por tal motivo, são aplicáveis a qualquer delito,

desde que seus resultados tenham ocorrido durante sua vigência.

COMENTÁRIOS: Nos termos do art. 7º, I, c do CP, os crimes praticados

contra a administração pública, por quem está a seu serviço (hipótese do

crime de corrupção passiva), são crimes abarcados pelo princípio da

extraterritorialidade, aplicando-se a lei brasileira a tais crimes, ainda que

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praticados no estrangeiro. Desta forma, a letra A é correta. Vejamos:

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no

estrangeiro: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

(

)

c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;

(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

As demais estão incorretas, eis que embora a combinação de leis seja

admitida pelo STF (não a combinação de normas jurídicas de igual teor,

são coisas distintas), isto não está expresso em nenhum diploma

normativo (letra b). Na sucessão de diversas leis penais, aplicar-se-á

sempre a lei mais favorável ao acusado, ainda que essa lei venha ser

posteriormente revogada por uma mais gravosa (lei intermediária mais

benéfica), estando a letra C errada também. As leis penais temporárias e

excepcionais são, de fato, dotadas de ultra atividade, aplicando-se aos

delitos COMETIDOS durante sua vigência, ainda que o resultado se dê

posteriormente e ainda que ela venha a ser revogada, eis que a

revogação é inerente à própria natureza destas leis.

Portanto, a afirmativa CORRETA É A LETRA A.

(FCC

JUDICIÁRIA)

2006

TRE-AP

21111228310

ANALISTA

JUDICIÁRIO

ÁREA

Considerando os princípios que regulam a aplicação da lei penal

no tempo, pode-se afirmar que

A) não se aplica a lei nova, mesmo que favoreça o agente de

outra forma, caso se esteja procedendo à execução da sentença,

em razão da imutabilidade da coisa julgada.

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ERRADA: A lei nova se aplica, se mais benéfica, ainda que o processo

esteja em fase de execução de sentença, nos termos do art. 2°, § único

do CPB.

B) pela abolitio criminis se fazem desaparecer o delito e todos os

seus reflexos penais, permanecendo apenas os civis.

CORRETA: Nos termos do art. 2° e 107, III do CPB.

C) em regra, nas chamadas leis penais em branco com caráter

excepcional ou temporário, revogada ou alterada a norma

complementar, desaparecerá o crime.

ERRADA: Nesse caso, não desaparecerá o crime, pois a lei complementar, que especifica a situação excepcional, quando revogada, não gera abolitio criminis.

D) a lei excepcional ou temporária embora decorrido o período de

sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, não se aplica ao fato praticado durante a sua vigência.

ERRADA: A lei temporária se aplica aos fatos ocorridos durante sua vigência, mesmo após sua revogação, pela própria natureza da lei, nos termos do art. 3° do CP.

E) permanecendo na lei nova a definição do crime, mas aumentadas suas conseqüências penais, esta norma será aplicada ao autor do fato

ERRADA: Não se aplicará, pois ela traz prejuízo ao réu, aplicando-se a regra geral dos efeitos da lei penal, ou seja, apenas para o futuro.

21111228310

(PUC-PR 2011 TJ/RO JUIZ DE DIREITO)

No que tange ao tempo do crime, assinale a única alternativa CORRETA.

A) Considera-se praticado o ato criminoso no momento em que

ocorre o seu resultado.

ERRADA: Com relação ao tempo do crime aplica-se a teoria da atividade, ou seja, é considerado momento do crime o momento em que

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é praticado o ato, nos termos do art. 4° do CPB.

B) Considera-se praticado o ato criminoso quando o agente dá

início ao planejamento de sua execução.

ERRADA: Com relação ao tempo do crime aplica-se a teoria da atividade, ou seja, é considerado momento do crime o momento em que é praticado o ato, nos termos do art. 4° do CPB. Como momento da realização da conduta, entende-se o momento em que cessam os atos executórios, não o momento em que se inicia o planejamento da execução, que é mero ato preparatório.

C) Considera-se praticado o ato criminoso no exato momento da ação ou omissão, desde que o resultado almejado ocorra concomitantemente.

ERRADA: Com relação ao tempo do crime aplica-se a teoria da atividade, ou seja, é considerado momento do crime o momento em que é praticado o ato, nos termos do art. 4° do CPB, INDEPENDENTEMENTE DO MOMENTO DO RESULTADO.

D) Considera-se praticado o ato criminoso no exato momento da

ação ou omissão, ainda que o resultado lesivo ocorra em momento diverso.

CORRETA: Esta é a prefeita dicção do art. 4° do CPB.

E) Considera-se praticado o ato criminoso no momento da ação

ou omissão, independentemente da ocorrência ou não do resultado.

ERRADA: Não ocorrendo o resultado, não se considera praticado o crime, devendo se analisar se a lei prevê a modalidade tentada.

21111228310

(CESPE/UnB 2011 TER-ES ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA

JUDICIÁRIA)

A lei penal que beneficia o agente não apenas retroage para

alcançar o fato praticado antes de sua entrada em vigor, como

também, embora revogada, continua a reger o fato ocorrido ao

tempo de sua vigência.

CORRETA: Estudamos isso quando vimos a lei penal intermediária mais

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benéfica. Ainda que seja revogada por outra, mais gravosa, continua a

reger os fatos ocorridos durante a sua vigência e anteriormente à sua

vigência.

(TJ-PR 2011 TJ/PR - Juiz de Direito)

Dadas

as

assertivas

abaixo,

escolha

a

alternativa

CORRETA.

I. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, inclusive sobre os afetados por leis temporárias ou excepcionais.

ERRADA: Via de regram as leis excepcionais ou temporárias não são afetadas pela superveniência de lei mais benéfica ou abolitiva.

II. Considera-se tempo do crime o momento da ação ou omissão, porém se o resultado ocorrer em outro momento, nesta ocasião considerar-se-á o mesmo praticado.

ERRADA: No que se refere ao momento do crime, aplica-se a teoria da ATIVIDADE, nos termos do art. 4° do CPB, não importando o momento

do

resultado.

III. A lei posterior que, de qualquer modo, favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, mesmo tendo sido decididos por sentença irrecorrível.

CORRETA: A lei penal mais benéfica se aplica aos fatos anteriores (retroage), ainda que tenham sido julgados por sentença transitada em julgado, nos termos do art. 2°, § único do CPB.

21111228310

IV. A lei excepcional ou temporária, depois de decorrido o tempo de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, não mais se aplica ao fato praticado durante a sua vigência.

ERRADA: É da natureza das leis intermitentes (temporárias ou excepcionais), produzirem efeitos mesmo após sua vigência. É o que prevê o art. 3° do CPB.

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Direito Penal TRF 3º REGIÃO (2013) PÓS-EDITAL ANALISTA JUDICIÁRIO ÁREA JUDICIÁRIA Teoria e exercícios comentados Prof. Renan Araujo Aula 01

A) Apenas a assertiva III está correta.

B) Apenas as assertivas III e IV estão corretas.

C) Apenas a assertiva I está correta.

D) Apenas as assertivas I e III estão corretas.

(FCC

JUDICIÁRIA)

2010

TER/RS

ANALISTA

JUDICIÁRIO

ÁREA

"A", menor de 18 anos, efetua disparos de arma de fogo contra a vítima que, em virtude dos ferimentos recebidos, vem a falecer um mês depois, quando "A" já havia atingido aquela idade. Nesse caso, "A":

A) não será tido como imputável, porque se considera como

tempo do crime o momento da ação ou omissão.

CORRETA: Como a conduta de “A” foi praticada quando este ainda era menor de idade, este não responderá por crime, mas por ato infracional, pois, como vimos, considera-se como tempo do crime o momento da conduta, nos termos do art. 4° do CPB.

B) só será considerado inimputável se provar que, ao tempo do crime, não possuía a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato.

ERRADA: Pois no momento da conduta era menor de 18 anos, e o CPB adotou a teoria da atividade para o tempo do crime, nos termos de seu art. 4°.

21111228310

C) será tido como imputável, pois o Código Penal considera como

tempo do crime tanto o momento da ação quanto o momento do resultado.

ERRADA: A teoria adotada não é a da ubiqüidade, mas a da atividade.

D) não será considerado imputável se provar que cometeu o

delito sob estado de necessidade ou em legítima defesa.

ERRADA: Não será imputável, por ser menor de 18 anos à época do fato, não necessitando de qualquer outra comprovação.

E) será considerado imputável, pois a consumação do crime

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ocorreu quando já era maior de 18 anos.

ERRADA: A teoria adotada não é a do resultado, mas a da atividade, nos termos do art. 4° do CPB.

(MPE-SC 2010 MPE-SC PROMOTOR DE JUSTIÇA)

I - No que se refere ao 'tempo do crime', três são as teorias determinantes. São elas: a teoria da atividade; a teoria do resultado e, por fim, a teoria mista. Diante disso, pode-se dizer

que o direito penal brasileiro adotou a teoria do resultado (artigo

4º do Código Penal).

ERRADA: As teorias, de

expressamente, a teoria da atividade, nos termos do seu art. 4°.

fato,

são

três,

mas

o

CPB

adotou,

II - Nos crimes permanentes e nos delitos praticados na forma

continuada, sobrevindo lei nova mais severa durante o tempo de ocorrência do crime, não pode ela ser aplicada diante do princípio previsto no art. 5º, XL, da CF que é expresso ao prever que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.

ERRADA: O STF entende que, se a lei nova mais severa vigorou antes da cessação da continuidade ou da permanência, o crime foi praticado também durante sua vigência, portanto, deve ser aplicada, nos termos de sua súmula n° 711.

III - Com relação à aplicação da lei penal no espaço, a lei penal brasileira adota o princípio da territorialidade, de forma absoluta.

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ERRADA: A lei penal brasileira adota o princípio da territorialidade mitigada, pois são admitidas algumas hipóteses de extraterritorialidade, em razão de princípios como o da Proteção, da Bandeira, etc.

IV - Quanto ao lugar do crime, o sistema penal brasileiro adotou a

teoria da ubiquidade ou da unidade ou mista - art. 6º do Código Penal, excluindo-se da lei nacional, os atos preparatórios que não configurem início de execução.

CORRETA: Nos termos do art. 6° do CPB, considera-se lugar do crime tanto o local onde se pratica a conduta quanto o lugar onde se verifica o resultado. Lembrando que isso só se aplica quando estivermos falando de países diferentes. Em caso de pluralidade de comarcas, meramente,

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existem regras próprias.

V - As regras previstas na Parte Geral do Código Penal são sempre aplicáveis aos fatos incriminados por lei especial.

ERRADA: O art. 12 do CPB prevê que as regras da parte geral do Código se aplicam aos crimes previstos em lei especial, desde que esta não preveja o contrário.

A) Apenas I e IV estão corretas.

B) Apenas II e IV estão corretas.

C) Apenas I, II, III e V estão incorretas.

D) Apenas II e III estão incorretas.

E) Apenas I, II, IV e V estão incorretas.

(CESPE 2008 PC/TO DELEGADO DE POLÍCIA) Considere que um indivíduo seja preso pela prática de determinado crime e, já na fase da execução penal, uma nova lei torne mais branda a pena para aquele delito. Nessa situação, o indivíduo cumprirá a pena imposta na legislação anterior, em face do princípio da irretroatividade da lei penal. ERRADA: A lei penal, como qualquer outra lei, em regra, não retroage. Entretanto, a lei penal, quando for mais benéfica ao réu, irá retroagir, nos termos do art. 5°, XL da Constituição e art. 2, § único do CP.

(CESPE 2008 PC/TO DELEGADO DE POLÍCIA) Na hipótese de o agente iniciar a prática de um crime permanente sob a vigência de uma lei, vindo o delito a se prolongar no tempo até a entrada em vigor de nova legislação, aplica-se a última lei, mesmo que seja a mais severa.

CORRETA: Como estudamos, o crime permanente considera-se praticado quando do término da permanência, aplicando-se ao crime a legislação em vigor neste momento, ainda que mais gravosa ao réu, por não se tratar de retroatividade. O STF, inclusive, editou a súmula 711 sobre o tema, corroborando este entendimento.

21111228310

(FAURGS - DELEGADO DE POLÍCIA 1998)

Na aplicação da Lei Penal ninguém pode ser punido por fato que

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norma posterior deixe de considerar como crime. A legislação

posterior aplica-se aos fatos anteriores, quando favorecer o

agente, na seguinte condição:

A) Desde que o agente já tenha cumprido 1/3 da pena imposta

pela lei anterior;

B) Ainda que decidido por sentença ordinária, transitada em

julgado;

C) Desde que ainda não tenha sido prolatada a sentença;

D) Ainda que decidido por sentença condenatória, mas que não

transitou em julgado;

E)

temporal.

Nunca

o

“jus

puniendi”

pode

ser

restringido

de

forma

COMENTÁRIOS: A lei penal, como toda e qualquer lei, somente se

aplica aos fatos praticados após sua vigência. No entanto, a chamada lex

mitior, ou “lei mais favorável” ao infrator, é aplicada aos fatos já

consumados antes de sua vigência, AINDA QUE DECIDIDOS POR

SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. Vejamos a redação do art. 2º, §

único do CP:

Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

21111228310

Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Nesse caso, a questão apresenta duas alternativas corretas, as letras B e

D, pois ambas trazem situações nas quais, de fato, a lei nova seria

aplicada.

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Portanto, a questão foi merecidamente ANULADA PELA BANCA.

(FAURGS - DELEGADO DE POLÍCIA 1998)

O sistema penal brasileiro prevê a possibilidade de edição de leis

excepcionais ou temporais, promulgadas em caso de guerra,

revolução ou em outras circunstâncias extraordinárias. Estas leis

são denominadas ultra-ativas, no sentido de que:

A) Cessa o direito punitivo do Estado, a partir da auto-revogação;

B) Se aplicam aos fatos praticados no decurso de sua vigência,

desde que a persecução penal se inicie antes da revogação;

C) É impossível a sanção, pois perdem a eficácia por auto-

revogação;

D) Permanecem com vigência plena (ativa), mas com o princípio

da retroatividade benéfica, mesmo depois de sua auto-revogação;

E) Podem continuar a ser aplicadas aos fatos praticados durante

a sua vigência, mesmo depois de sua auto-revogação

COMENTÁRIOS: As leis excepcionais são aquelas que são produzidas

para vigorar durante determinada situação. Por exemplo, estado de sítio,

estado de guerra, ou outra situação excepcional. Lei temporária é

aquela que é editada para vigorar durante determinado período, certo,

cuja revogação se dará automaticamente quando se atingir o termo final

de vigência, independentemente de se tratar de uma situação normal ou

excepcional do país.

21111228310

No caso destas leis, dado seu caráter transitório, a

superveniência de lei que considere que o fato não é mais crime,

é indiferente, ESSA LEI NÃO RETROAGE! Assim, aquele que cometeu

o crime durante a vigência de uma destas leis responderá pelo fato, nos

moldes em que previsto na lei, mesmo diante de superveniência de lei

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benéfica ou abolitiva.

Isso é uma questão de lógica, pois, se assim não o fosse, bastaria

que o réu procrastinasse o processo até data prevista para a revogação

da lei a fim de que fosse decretada a extinção de sua punibilidade. Isso

está previsto no art. 3° do Código Penal:

Art. 3º - A lei excepcional ou temporária,

embora decorrido o período de sua duração ou

cessadas as circunstâncias que a determinaram,

aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

Portanto, a alternativa CORRETA É A LETRA E.

III APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO

Tão importante quanto conhecer as minúcias referentes à aplicação

da lei penal no tempo é conhecer as regras atinentes à lei penal no

espaço.

21111228310

Toda lei é editada para vigorar num determinado tempo e num

determinado espaço. No que tange à lei penal, via de regra ela se aplica

dentro do território do país em que foi editada, pois este é o limite do

exercício da soberania de cada Estado. Ou seja, nenhum Estado pode

exercer sua soberania fora de seu território.

Vamos estudar, então, as regras referentes à aplicação da lei penal

no espaço.

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A) Princípio da Territorialidade

Essa é a regra no que tange à aplicação da lei penal no espaço. Pelo

princípio da territorialidade, aplica-se à lei penal aos crimes cometidos

no território nacional. Assim, não importa se o crime foi cometido por

estrangeiro ou contra vítima estrangeira. Se cometido no território

nacional, submete-se à lei penal brasileira.

É o que prevê o art. 5° do Código Penal:

Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem

prejuízo de convenções, tratados e regras de

direito internacional, ao crime cometido no

território nacional.

Na

verdade,

como

o

Código

Penal

admite

algumas

exceções,

podemos dizer

que

o

nosso

Código

adotou

O

PRINCÍPIO

DA

TERRITORIALIDADE MITIGADA OU TEMPERADA.

Território pode ser conceituado como espaço em que o Estado

exerce sua soberania política. O território brasileiro compreende:

O Mar territorial;

O

espaço

aéreo

subjacente);

O subsolo

21111228310

(Teoria

da

absoluta

soberania

do

país

São considerados território brasileiro por extensão:

Os navios e aeronaves públicos, onde quer que se encontrem;

Os navios e aeronaves particulares, que se encontrem em alto-

mar ou no espaço aéreo.

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Assim, aos crimes praticados nestes locais aplica-se a lei brasileira,

pelo princípio da territorialidade.

B) Outros princípios

B.1) Princípio da Personalidade ou da nacionalidade

Divide-se em princípio da personalidade ativa e da personalidade

passiva.

Pelo princípio da personalidade ativa, aplica-se a lei penal brasileira

ao crime cometido por brasileiro, ainda que no exterior. As hipóteses de

aplicação deste princípio estão previstas no art. 7°, I, “d” e II, “b” do

CPB:

Art.

-

Ficam

sujeitos

à

lei

brasileira,

embora cometidos no estrangeiro:

I - os crimes:

(

)

d)

de

genocídio,

quando

o

agente

for

brasileiro ou domiciliado no Brasil;

21111228310

) (

II - os crimes:

) (

b) praticados por brasileiro;

tenha sido

cometido por brasileiro para que a lei brasileira seja aplicada, não

havendo qualquer condição além desta.

No primeiro caso, basta

que

o crime

de

genocídio

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No segundo caso (crime comum cometido por brasileiro no exterior),

algumas condições devem estar presentes, conforme preceitua o §2° do

art. 7° do CPB:

§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei

brasileira depende do concurso das seguintes

condições: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

a) entrar o agente no território nacional;

(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

b) ser o fato punível também no país em que

foi praticado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

c) estar o crime incluído entre aqueles pelos

quais a lei brasileira autoriza a extradição;

(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

no

estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;

(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

o

d) não

ter

sido

agente

absolvido

perdoado no

estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta

a punibilidade,

o

e) não

ter

sido

agente

a

lei

segundo

mais

favorável.

21111228310

(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

Assim, não basta que o crime tenha sido cometido por brasileiro, é

necessário que as condições acima estejam presentes, ou seja: O fato

deve ser punível também no local onde fora cometido o crime; deve o

agente entrar no território brasileiro; O crime deve estar incluído no rol

daqueles que autorizam extradição e não pode o agente ter sido absolvido

ou ter sido extinta sua punibilidade no estrangeiro.

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Desta forma, se Paulo, brasileiro, fuma maconha na Holanda e volta

ao Brasil, não poderá ser aplicado ao fato (uso de maconha) o art. 28 da

Lei de Drogas (Porte de droga para uso próprio), pois no local da conduta

o fato não é considerado crime. TODAS AS CONDIÇÕES DEVEM ESTAR

PRESENTES!

Pelo princípio da personalidade passiva, aplica-se a lei brasileira aos

crimes cometidos contra brasileiro, ainda que no exterior. Nos termos do

art. 7°, §3° do CPB:

§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao

crime cometido por estrangeiro contra

brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as

condições previstas no parágrafo anterior:

a) não foi pedida ou foi negada a extradição;

b) houve requisição do Ministro da Justiça.

Percebam que, além das condições previstas para a aplicação do

princípio da personalidade ativa, para a aplicação do princípio da

personalidade passiva o Código prevê ainda outras duas condições.

21111228310

B.2) Princípio do domicílio

Por este princípio, aplica-se a lei brasileira ao crime cometido por

pessoa domiciliada no Brasil, não havendo qualquer outra condição. Só há

uma hipótese de aplicação deste princípio na lei penal brasileira, e é a

prevista no art. 7°, I, “d” do CPB:

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“Art.

 

- Ficam sujeitos

à

lei brasileira,

embora cometidos no estrangeiro:

 

I - os crimes:

 

(

)

d)

de

genocídio,

quando

o

agente

for

brasileiro ou domiciliado no Brasil;”

Portanto, somente no caso do crime de genocídio será aplicado o

princípio do domicílio, devendo ser aplicada a lei brasileira ainda que se

trate crime cometido no estrangeiro por agente estrangeiro contra vítima

estrangeira, desde que o autor seja domiciliado no Brasil.

B.3) Princípio da Defesa ou da Proteção

Este princípio visa a garantir a aplicação da lei penal brasileira aos

crimes cometidos, em qualquer lugar e por qualquer agente, mas que

ofendam bens jurídicos nacionais. Está previsto no art. 7°, I, “a, b e

c”:

21111228310

Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora

cometidos no estrangeiro:

I - os crimes:

a)

contra

a

vida

ou

a

liberdade

do

Presidente da República;

b) contra o patrimônio ou a fé pública da

de

Federal,

União,

do

Distrito

de

Estado,

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Território, de Município, de empresa pública,

sociedade de economia mista, autarquia ou

fundação instituída pelo Poder Público;