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CONTROLE DE INCÊNDIOS FLORESTAIS

Módulo Efeitos do fogo sobre o ecossistema

Tutores:

Profº Ronaldo Viana Soares (UFPR) Profº Antônio Carlos Batista (UFPR)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS Universidade Federal do Paraná - UFPR

Brasília - DF

2003

EFEITOS DO FOGO SOBRE O ECOSSISTEMA

É muito importante para o Engenheiro Florestal e outros profissionais que trabalham com conservação da natureza conhecer os efeitos do fogo sobre a floresta e os demais componentes do ecossistema. Tal conhecimento é fundamental no estabelecimento de uma política com relação ao fogo, na adoção de práticas florestais adequadas e no planejamento do manejo de ecossistemas de um modo geral. É também pré-requisito essencial na prescrição do uso de fogo controlado em atividades de manejo, tanto florestal, quanto da própria terra.

O incêndio florestal é a rápida oxidação dos materiais orgânicos produzidos pelas

plantas, acompanhada por intensa liberação de calor. Basicamente, o mesmo processo ocorre continuamente, em longos períodos de tempo, através de vários organismos decompositores. Portanto, tecnicamente o fogo pode ser considerado um rápido decompositor. Quando a combustão é completa, os elementos liberados pelo fogo são apenas

água, dióxido de carbono e calor. Entretanto, na prática certos materiais não chegam a ser queimados e outros são apenas parcialmente consumidos, resultando na liberação de combustível residual, fumaça, monóxido de carbono e outros produtos.

O calor liberado pelo fogo é o responsável primário pelos efeitos imediatos sobre

as plantas, animais e solo. O combustível residual afeta o solo e a qualidade do ar. A fumaça e o monóxido de carbono são responsáveis por efeitos sobre a qualidade do ar atmosférico. Um incêndio florestal faz várias coisas. Primeiro, e talvez mais óbvio, ele consome material lenhoso. Segundo, ele cria calor, que mata ou danifica a vegetação, mata ou causa injúrias aos animais e danifica ou altera o solo. Terceiro, os constituintes minerais residuais do combustível podem causar efeitos químicos, os quais são importantes em relação à química do solo e a nutrição das plantas. Um grande espectro de efeitos pode resultar dessas várias ações do fogo. Alguns podem ser imediatos e claramente visíveis, enquanto outros podem ser retardados e difíceis de detectar. De qualquer maneira, o fogo sempre provoca alterações físicas, químicas e biológicas no ecossistema florestal. Para propósitos de estudo, esses efeitos do fogo sobre o ecossistema podem ser agrupados em: i) efeitos sobre o solo; ii) efeitos sobre a vegetação; iii) efeitos sobre a fauna silvestre; iv) efeitos sobre o ar atmosférico.

O papel desempenhado pelo fogo no aumento da erosão e na mudança das características de unidade e nutrientes do solo tem sido assunto muito interessante para os pesquisadores. Muita evidência existe de que a queima, quase que inevitavelmente, resulta em solos de características físicas inferiores. Mas, quando o problema de fertilidade como um todo é levantado, a questão torna-se menos evidente. O assunto é complexo e poucas respostas concretas têm sido dadas ao problema. Os efeitos sobre o solo, até certo ponto, são subprodutos dos efeitos diretos do fogo sobre a vegetação e o microclima e variam bastante com as condições e o tipo do solo, piso da floresta, topografia, região e, principalmente, intensidade do fogo. As características físicas do solo mineral influenciam fortemente os efeitos do fogo. Essas características, que incluem tamanho das partículas, textura e estrutura são, por sua vez, modificadas em seus efeitos pelos conteúdos de umidade e matéria orgânica do solo. Solos arenosos e argilosos diferem sensivelmente em textura, estrutura, conteúdo de umidade e características físicas e químicas, tais como condutividade térmica e estrutura coloidal. Os efeitos do fogo, como conseqüência, são diferentes para cada tipo de solo. Solos do tipo mull retém muito de sua permeabilidade mesmo quando a camada superficial de húmus é retirada, o que geralmente não ocorre com outros tipos de solo. Portanto, a omissão do tipo de solo é fonte primária de confusão acerca dos efeitos do fogo. Por este motivo, o conhecimento das características dos solos florestais é pré- requisito básico para uma avaliação realista dos efeitos do fogo sobre os mesmos.

Apesar do calor gerado pelo fogo não penetrar imediatamente no solo, a superfície do mesmo é bastante sensível às mudanças de temperatura. A causa dessa sensibilidade é a presença dos organismos do solo, da matéria orgânica e, às vezes, sua estrutura coloidal. As temperaturas registradas durante os incêndios variam bastante, como se pode esperar em incêndios ocorrendo em diferentes estações do ano, condições de tempo, tipo, quantidade e conteúdo do material combustível. Acima da superfície do solo a temperatura pode ultrapassar a 1.000°C, em incêndios de grande intensidade. Na superfície do solo a temperatura pode chegar a 200°C ou mais, devido ao calor transferido por radiação. Abaixo da superfície as temperaturas dependem do calor conduzido através do solo, mas decrescem rapidamente com o aumento da profundidade por ser o solo um mau condutor de calor.

Em incêndios florestais, as temperaturas da superfície do solo ou mesmo abaixo da superfície dependem não apenas da intensidade, mas também do tempo de residência do fogo. Para uma mesma intensidade, quanto maior for a permanência do fogo num determinado local, maior será o aquecimento do solo (Figuras 1 e 2)

local, maior será o aquecimento do solo (Figuras 1 e 2) Figura 1 -Temperaturas registradas na

Figura 1 -Temperaturas registradas na superfície e no interior do solo (2,5 e 5,0 cm de profundidade) em um incêndio florestal com curto tempo de residência.

em um incêndio florestal com curto tempo de residência. Figura 2 - Temperaturas registradas na superfície

Figura 2 - Temperaturas registradas na superfície e no interior do solo (2,5 e 5,0 cm de profundidade) em um incêndio florestal de longo tempo de residência.

Em queimas controladas, devido à menor intensidade do fogo, as temperaturas registradas tanto na superfície como no interior do solo são geralmente mais baixas que

aquelas observadas nos incêndios florestais (Figura 3). Comparando-se as figuras 1, 2 e 3 observa-se que as temperaturas máximas registradas a 5,0 cm de profundidade nos incêndios florestais correspondem aproximadamente à máxima registrada a 3,0 cm de profundidade na queima controlada (cerca de 43°C).

cm de profundidade na queima controlada (cerca de 43°C). Figura 3 - Temperaturas registradas na superfície

Figura 3 - Temperaturas registradas na superfície e no interior do solo (1,0 e 3,0 cm de profundidade) em uma queima controlada.

Muitos autores afirmam que, mesmo em incêndios de relativa intensidade, a temperatura do solo abaixo de 2,5cm de profundidade não é aumentada suficientemente. Por este motivo, pode-se dizer que os efeitos químicos e físicos causados aos solos

florestais, pela queima de resíduos de exploração, estão confinados até o limite de 5,0cm abaixo da superfície e, geralmente, se concentram às camadas de 1,5 a 2,5 cm de profundidade. Hoffman (1971), em uma queima de resíduos de exploração de floresta de coníferas no noroeste dos EUA, registrou temperaturas de até 455°C na superfície do solo. Abaixo de uma camada de 2,0 cm de húmus, a temperatura máxima foi de 49°C. Em um local protegido por uma camada de 3,75 cm de húmus, a temperatura do solo mineral a 2,5 cm de profundidade foi de 16°C, enquanto à mesma profundidade, porém

em solo mineral exposto, a temperatura máxima chegou a 24°C. Heyward (1938), em um trabalho de queima controlada na região do Pinus palustris no sudeste dos EUA, observou que na camada de 0,625 cm de profundidade do solo as temperaturas máximas registradas variaram de 66 a 80°C, durante 2 a 4 minutos. A 1,5 cm de profundidade o aumento de temperatura foi quase sempre desprezível e a 2,5

cm houve apenas uma ligeira e insignificante elevação. Beadle (1940) testou fogos variando de uma queima superficial de rápida duração, cerca de 45 minutos, até uma fogueira alimentada por arbustos e árvores de uma parcela, durante 8 horas seguidas. Os resultados mostraram que enquanto o fogo superficial elevou

a temperatura do solo a 50°C, a 2,5 cm de profundidade, o fogo intenso, que pode ser

comparado a um severo incêndio florestal, registrou temperaturas próximas a 220°C a 7,5

cm de profundidade. Intensidade do fogo e tempo de duração foram os fatores

responsáveis pelas diferenças de temperatura observadas. Ahlgren e Ahlgren (1960) citando os resultados de um trabalho na U.R.S.S., sobre queima de restos de exploração de florestas de coníferas, empilhados em solos arenosos, informam que a temperatura na superfície do solo alcançou 260°C e que a penetração de calor foi maior nos solos arenosos do que nos argilosos. Batista (1995), em experimentos de queima controlada em plantações de Pinus taeda, no norte do estado do Paraná, em três anos consecutivos, encontrou temperaturas médias entre 353,9 e 511,4 o C na superfície do solo e entre 53,6 e 174,3 o C a 1,0m acima

da superfície do solo. As maiores temperaturas sempre foram registradas nas queimas a favor do vento e as menores nas queimas contra o vento. Castro Neves e Miranda (1996) observaram temperaturas de 52,8 o C, 26,6 o C e

22,3

o C a 1, 5 e 10cm de profundidade do solo, respectivamente, em queima de um campo

sujo

de cerrado na região de Brasília. Os resultados das pesquisas sobre os solos e sobre o crescimento das plantas nos

solos aquecidos são contraditórios. Alguns autores acreditam que o aumento de fertilidade

nos solos queimados se deve às altas temperaturas registradas durante a queima e não à

adição de cinzas ao solo. Outros entretanto afirmam que sem a presença das cinzas, o aquecimento do solo resulta em redução de crescimento para a maioria dos tipos de vegetação, devido principalmente à compactação do solo. Renbuss, Chilvers e Pryor (1973) fizeram uma pesquisa na qual uma parcela de “solo-cinza” foi criada através da queima de toras de eucalipto na superfície do solo, de tal modo que a temperatura do solo até 20 cm de profundidade foi mantida em 100°C por pelo menos 6 horas. Mudas de eucalipto, com 9 semanas de idade, plantadas imediatamente após as queima, na parcela de “solo-cinza”, eram aproximadamente duas vezes mais altas do que as plantas em solo não aquecido, 3 anos depois do plantio. O grande aumento no crescimento das árvores no “solo-cinza” foi observado durante o primeiro ano. A queima também afeta a temperatura do solo por algum tempo após o fogo. Isto se deve, parcialmente, à remoção da vegetação que tem características isolantes. Mais

significativo, porém, é o efeito do aumento da absorção de energia solar pela superfície

enegrecida do solo. A consequência de tal situação é temperatura mais alta durante o dia

e mais baixa à noite.

A exposição da superfície do solo através da destruição da cobertura vegetal, principalmente após repetidos incêndios, pode provocar um acelerado escorrimento

superficial da água e, consequentemente, rápida erosão. Este é, geralmente, o mais sério

e duradouro efeito do fogo sobre o solo. Vários autores confirmam que os incêndios

florestais se constituem numa das principais causas da erosão, embora as práticas agrícolas inadequadas e a devastação florestal, que expõem o solo em áreas de relevo acidentado, possam causar resultado similares. Tanto nos incêndios florestais quanto na devastação florestal, uma das principais causas de erosão parece ser a mudança na reação do solo à precipitação. A retirada da cobertura florestal, isto é, a queima ou a remoção das copas das árvores, altera a força e

a frequência com as quais os pingos da chuva atingem o solo. Os incêndios florestais podem também reduzir a capacidade de absorção da água da chuva pelo solo e aumentar o escorrimento superficial nas bacias hidrográficas, através do consumo do material orgânico e poroso acumulado na superfície do solo. Quando isto ocorre em terrenos inclinados, o escorrimento adicional irá carregar partículas de solo para os rios e lagos, afetando a qualidade da água. Ao lado da agricultura predatória e da devastação florestal, os incêndios são indiretamente responsáveis por inundações e açoreamento de reservatórios de água. Quanto mais intenso for o fogo, maiores os danos. A redução da capacidade de absorção da água pelo solo após um incêndio florestal

é devido ao aumento da repelência à água, desenvolvida pelo solo em consequência do calor gerado pelo fogo. Segundo De Band (1969), a repelência à água é causada pela destilação durante a queima, de elementos hidrofóbicos voláteis existente no material combustível que forma o piso da floresta e sua posterior condensação nas camadas superficiais mais frias, do solo mineral. Solos arenosos e limo-arenosos tendem a desenvolver maior repelência à água do que os solos argilosos, de textura mais fina. Isto se deve à menor área superficial de partículas dos solos arenosos, que assim se tornam (as partículas) mais facilmente recobertas por finas películas de elementos hidrofóbicos. Estudos de laboratório mostraram que as taxas de infiltração podem se4r até 25 vezes menores em solos repelentes à água do que em solos similares com plena capacidade de absorção. Portanto, o escorrimento superficial e a erosão podem também ser o resultado dos efeitos combinados da repelência à água e do choque dos pingos da chuva contra o solo.

Em um estudo sobre os efeitos do fogo em solos florestais no oeste dos Estados de Oregon e Washington, EUA, Austin e Baisinger (1955) determinaram que a capacidade de retenção de umidade da camada de solo de 1,25 cm de profundidade foi

reduzida em 33,7%. Segundo os autores, a causa da redução foi o consumo da cobertura do solo. Ralston e Hatchell (1971) salientam que a secagem excessiva dos colóides orgânicos pelo calor do fogo pode também afetar a capacidade de absorção de água pelos solos. No entanto, concluem os autores, quando os horizontes orgânicos superficiais não são completamente consumidos pelo fogo, como numa queima controlada por exemplo, as mudanças na capacidade de infiltração de água podem ser muito pequenas para serem detectadas. Em alguns locais e sob certas condições, entretanto, a erosão e o escorrimento superficial não parecem ser afetados pela queima. Vários pesquisadores, em trabalhos realizados em diversos estados dos EUA, afirmam queimas controladas feitas de acordo com as prescrições técnicas, não aumentam o risco de erosão ou excessivo escorrimento superficial. Segundo Ralston e Hatchell (1971) quando queimas controladas são criteriosamente usadas no manejo dos Pinus spp do sul dos EUA, para redução do material combustível e preparo do terreno para regeneração, os riscos de escorrimento superficial e erosão são menores do que quando se usam métodos mecânicos no preparo da terra ou quando incêndios florestais atingem a floresta.

Grande parte do efeito do fogo sobre o solo depende do tipo e da quantidade da matéria orgânica não-incorporada que cobre o solo mineral e do que cada incêndio, em particular, faz a ela. O consumo da matéria orgânica no solo, pelo fogo, pode variar de praticamente nenhum até a sua queima total, daí resultando diferentes efeitos, tanto sobre o solo como sobre o crescimento da floresta ou outra forma de vegetação. A amplitude de destruição da matéria orgânica pelos incêndios é basicamente função da intensidade e temperatura do fogo do grau de incorporação da matéria orgânica ao solo e do tipo de vegetação existente antes da queima. Embora alguns autores afirmem que a matéria orgânica aquecida a 100°C, sem combustão portanto, perde peso de maneira significativa, outros dizem que o fogo não afeta a matéria orgânica incorporada ao solo, provavelmente porque as temperaturas do solo abaixo da linha de 2,5 cm de profundidade não são suficientemente elevadas durante a maioria dos incêndios. Heyward (1938), por exemplo, concluiu que as profundidades de apenas 0,3 a 0,6 cm, o calor gerado por queimas controladas em solos arenosos na região de Pinus palustris, é insuficiente para destruir a matéria orgânica. Existem várias referências sobre perdas de matéria orgânica do solo causadas pelo fogo. Austin e Baisinger (1955) determinaram que a queima de resíduos de exploração em florestas de coníferas nos Estados de Oregon e Washington, EUA, reduziu o teor de

matéria orgânica da camada de 1,25 cm de profundidade do solo de 46,3 para 11,3% - uma queda de 75% do conteúdo original. Segundo Romancier (1960), em um sítio úmido do planalto costeiro do estado de Virgínia, EUA, quatro queimas anuais de inverno e três de verão consumiram 35 das 90 toneladas de material combustível e existentes no piso da floresta, por hectare. De maneira geral parece que o problema da fertilidade do solo após o fogo gira em torno da questão de se definir se as perdas de matéria orgânica resultam ou não em deterioração do solo. Uma escola de pensamento diz que essas perdas são irreparáveis, enquanto outra sustenta que essas perdas são mais que recompensadas pela matéria orgânica e nitrogênio adicionais incorporados ao solo após o fogo. Lotti, Klawitter e Le Grande (1960) determinaram um aumento concreto no conteúdo de matéria orgânica na camada de 5,0 cm de profundidade do solo florestal em um povoamento de Pinus taeda no sudeste dos EUA, após 10 anos de manejo através de queimas controladas periódicas. Segundo Wells (1971), comparações entre parcelas testemunhas e parcelas periodicamente submetidas a queimas controladas no Estado de Carolina do sul, EUA, mostraram ligeiro aumento no teor de matéria orgânica do solo nas parcelas queimadas, após um período de 20 anos. O efeito principal do fogo nesse aumento, foi a redistribuição da matéria orgânica através do perfil do solo. De acordo com Crane (1972), um dos mais significantes efeitos do fogo sobre o ecossistema é a mineralização da matéria orgânica acumulada sobre o piso da floresta. A mineralização se constituiu no elo de ligação entre os mundos orgânico e inorgânico, sendo tão essencial à vida como o processo da fotossíntese, que interliga os mundos inorgânico e orgânico. A matéria orgânica antes da mineralização, além de não aproveitável pelas plantas, pode ser fitotóxica. Este último fato foi apenas recentemente reconhecido, dentro do fenômeno geral da alelopatia. Foi também recentemente reconhecido que o fogo, em conjunto com a vida microbiana, pode ser um mecanismo necessário ou mesmo dominante na mineralização da matéria orgânica em certos ecossistemas. Este conceito parece ser particularmente importante em ecossistemas caracterizados por forte alelopatia fitotóxica, como alguns ecossistemas de florestas de eucalipto. A matéria orgânica queimada pelo fogo é constituída basicamente por serapilheira (resíduo vegetal), musgos e húmus, que se permanecerem na superfície do solo terão pouca importância na fertilidade do sítio, porque ela se decompõe e libera nutrientes muito lentamente. Por isto, sob o ponto de vista de nutrição de plantas ela é importante apenas como uma reserva de nutrientes para o futuro. Após a queima, com a consequente mineralização da matéria orgânica, os nutrientes são liberados para aproveitamento imediato pelas plantas.

Wells (1971) salienta que ambos, queima e decomposição natural, liberam elementos minerais da matéria orgânica para o solo. Na decomposição natural, ou biológica, a liberação de nutrientes é lenta e contínua, sendo os mesmos quase que totalmente aproveitados pelas plantas locais. Em alguns casos a liberação anual pode ser muito pequena, como por exemplo em um povoamento jovem de coníferas, que ainda está acumulando resíduos sobre o piso da floresta. O fogo, por sua vez, libera nutrientes rapidamente, aumentando sua disponibilidade, embora muitos dos elementos solúveis e alguns resíduos orgânicos finos possam ser lixiviados através do perfil do solo ou mesmo levados pelas enxurradas.

O nitrogênio disponível é um dos principais indicadores da fertilidade do solo, daí a importância e o grande número de trabalhos realizados acerca do efeito do fogo sobre esse nutriente. Não há dúvida de que na maioria das vezes o fogo afeta a quantidade de nitrogênio do solo. Além do efeito direto, o fogo provoca mudanças em outros aspectos do solo, os quais tanto podem estimular como inibir o processo de nitrificação conduzido por bactérias e fungos do solo. As atividades desses microrganismos podem perfeitamente obscurecer os testes que visam determinar a redução ou o aumento de nitrogênio pelo fogo, constituindo-se provavelmente em uma das razões das contradições encontradas na literatura sobre o assunto.

O nitrogênio sob forma orgânica é volatilizado e perdido no ar através da

combustão do material orgânico. Isto não significa, entretanto, que a quantidade

disponível para as plantas diminua, porque a maior parte do nitrogênio perdido na queima seria também perdido sem queima através da lenta decomposição do material orgânico. Vários estudos mostraram que, apesar do nitrogênio total diminuir, a quantidade disponível geralmente aumenta após a queima.

A maioria do nitrogênio do solo está presente sob a forma de compostos

nitrogenados em folhas, ramos e outros materiais da camada em decomposição. Tanto testes de laboratório como de campo têm demonstrado que perdas substanciais de nitrogênio ocorrem durante a queima. Segundo Martin, Dell e Juhl (1976), cerca de 60% do nitrogênio contido nos combustíveis consumidos pelo fogo é perdido nos gases e fumaça dos incêndios. Austin e Baisinger (1955) encontraram uma redução de 67% na quantidade total de nitrogênio na superfície do solo após uma queima de resíduos no noroeste dos EUA. Dois anos após a queima, o nível de nitrogênio na superfície do solo era cerca de 75% da média das parcelas não queimadas.

A redução da quantidade de nitrogênio total da superfície do solo é proporcional à intensidade do fogo. Wallace (1976), em uma pesquisa na região central no estado de Oregon, EUA, determinou uma redução de 17% no teor de nitrogênio em queima de baixa intensidade, contra 72% de redução em queima de alta intensidade. Knight (1966) estima que em temperatura de 200°C praticamente não há perda de nitrogênio, a 300°C as perdas chegam a 25% e a 700°C podem atingir 64%. DE Band, Eberlein e Dunn (1979), em uma pesquisa desenvolvida na Califórnia, EUA, determinaram que do total de nitrogênio existente na serapilheira e na camada superficial do solo (2 cm de profundidade), 80% foi destruído quando a temperatura na superfície do solo atingiu 825°C, 40% quando atingiu 600°C e 20% quando a temperatura chegou a 486°C. Segundo os autores, esta relação permite estimar as perdas de nitrogênio quando as temperaturas das queimas são conhecidas. Segundo McKee (1982), estudos sobre volatilização de nitrogênio indicam entre 30 a 112 kg desse elemento, por hectare, podem ser perdidos em queimas controladas nos povoamentos de Pinus spp no sul dos EUA, dependendo do conteúdo de nitrogênio em serapilheira, da quantidade de material consumido pelo fogo e da intensidade de queima. De acordo com o mesmo autor, queimas anuais reduzem o total do nitrogênio do piso da floresta de 12 a 32% mas não diminuem a quantidade de nitrogênio total do solo mineral. Jugersen, Harvey e Larsen (1981), em queimas de resíduo de exploração em povoamentos de coníferas no Estado de Montana, EUA, determinaram que as perdas de nitrogênio da camada orgânica da superfície do solo chegaram a 100 kg/ha. Esta quantidade representava cerca de 6% do total de nitrogênio originariamente existent6e na camada de até 30 cm de profundidade do solo. Por outro lado, a concentração de amônia no solo aumentou a partir do segundo dia após a queima e uma rápida nitrificação também ocorreu a partir de três semanas após a queima. Soares (1990) também detectou redução significativa na quantidade total de nitrogênio na camada de serapilheira depois de queimas controladas em povoamentos de Pinus caribaea e Pinus oocarpa no estado de Minas Gerais. Alguns autores acreditam que a atividade dos microrganismos do solo do ciclo no nitrogênio é intensificada após uma queima, provocando por conseguinte um aumento na quantidade de nitrogênio mineralizado. Por esta razão, embora perdas de nitrogênio total possam ocorrer por volatilização ou lixiviamento, a maior atividade dos organismos fixadores de nitrogênio após a queima pode repor uma parte dessa perda. Jurgensen, Hervey e Larsen (1981), por exemplo, afirmam que as elevações das concentrações de nitrato após a queima estão associados ao aumento das populações das bactérias nitrificadoras. De Band, Eberlein e Dunn (1979) confirmam que a nitrificação sem dúvida alguma desempenha um importante papel na conversão das grandes quantidades de NH + 4 (amônia) presentes no solo após a queima em NO 3 - (nitrato). Tanto o NH + 4 como o NO 3 -

são provavelmente aproveitados pelas plantas após a queima, favorecendo o crescimento das mesmas. Os resultados da pesquisa desenvolvida por Jurgensen, Harvey e Larsen (1981) através da queima de resíduos de exploração florestal em Montana, EUA mostraram que apesar da redução da quantidade total de nitrogênio do local, as concentrações de NH + 4 e NO 3 - aumentaram após o fogo, decrescendo posteriormente até chegar aos níveis existentes antes da queima (Tabela 1).

Tabela 1 - Conteúdo de nitrogênio (NH + 4 e NO 3 - ) disponível no solo , em kg/ha, antes e após uma queima controlada.

Camada do solo

 

Antes do

 

Depois do fogo

 
 

fogo

 

2 dias

6

9 meses

13 meses

semanas

Serapilheira + húmus

2,1

10,1

4,9

1,8

0,8

Madeira

em

2,0

7,3

6,9

5,8

2,3

decomposição

Solo mineral (0 - 5 cm)

1,3

3,3

5,7

2,4

0,8

Solo mineral (5

-

22

4,2

5,4

7,9

5,8

2,7

cm)

Total

9,6

26,1

25,4

15,8

6,6

Isaac e Hopkins (1937) não encontraram diferença significativa no conteúdo de nitrogênio nos solos da região da Pseudotsuga menziesii (noroeste dos EUA) após queimas controladas. Champman (1942) relata resultados semelhantes em povoamentos de Pinus taeda no sudeste dos EUA. Heyward e Barnette (1934) registraram acréscimo no conteúdo de nitrogênio total após queima em solos da região do Pinus palustris, no sul dos EUA. Garren (1943) também encontrou acréscimos no conteúdo de nitrogênio após queimas controladas na mesma região. McKee (1982), por sua vez, apresenta (Tabela 2) dados de determinação das quantidades de nitrogênio em parcelas submetidas à queimas controladas durante o espaço de 30 anos.

Tabela 2 -

mineral após tratamentos com queima controlada, no estado de Carolina do Sul, EUA.

Quantidades (em kg/ha) de nitrogênio total nos 10 cm superficiais do solo

 

Medição após 10 anos

Medição após 20 anos

Medição após 30 anos

Variação

nos

Tratamento

20 anos

Controle

(sem

1.115

1.094

1.197

+ 42

queima)

Queima periódica no inverno

1.059

1.090

1.093

+ 34

Queima periódica no verão

1.403

1.278

1.275

-

128

Queima

anual

no

1.403

1.509

1.540

+

137

inverno

 

Queima

anual

no

1.641

1.471

1.279

-

362

verão

 

Analisando-se os dados da Tabela 2 observa-se que enquanto nas parcelas submetidas a queimas no inverno houve um acréscimo na quantidade de nitrogênio total no período estudado, nas queimas de verão ocorreram reduções significativas. Parece evidente portanto que as queimas de verão apresentaram um efeito prejudicial no que se refere ao teor de nitrogênio total do solo naquela região. De acordo com Viro (1974) a queima, indubitavelmente, resulta em significativas perdas de nitrogênio orgânico mas, simultaneamente ela promove um aumento no teor de nitrogênio mineralizado. Sob o aspecto de nutrição de plantas, o primeiro praticamente não tem importância enquanto o segundo é essencial e de grande efeito.

O efeito químico mais imediato da queima é a liberação de elementos minerais, que são posteriormente percolados ou lixiviados através do solo pelas chuvas. Devido a esse efeito, a maioria dos trabalhos publicados mostra um aumento de nutrientes disponíveis para as plantas, principalmente após queimas de média ou baixa intensidade. Cálcio, potássio, fósforo e outros elementos trocáveis são mais abundantes, por certo período, após o fogo e podem estimular o crescimento das plantas desde que não sejam lixiviados ou carregados pela água antes que sejam absorvidos pelas mesmas. A perda por lixiviação pode ser bastante rápida em solos arenosos e, neste caso, o aumento de minerais disponíveis para as plantas seria inútil. Em solos mais compactos, se não houver muito escorrimento superficial, o suprimento adicional de nutrientes pode persistir por vários anos. A perda de nutrientes por escorrimento superficial é maior em solos queimados do que nos não-queimados. O problema torna-se ainda mais grave quando a declividade do terreno aumenta, como mostram os dados da Tabela 3, originários de um trabalho de De Band, Rice e Conrad (1979) na Califórnia, EUA.

Tabela 3 - Perdas de nutrientes por escorrimento superficial em áreas queimadas e não queimadas, com diferentes declividades, durante o primeiro ano após queima, no sul da Califórnia, EUA.

Área

Declividade

Enxurrada total (1/ha x 10 4 )

Nutrientes na água da enxurrada (kg/ha)

K

Mg

Ca

Na

Queimada

50%

78,59

7,67

3,63

20,04

2,00

Queimada

20%

58,36

3,26

1,91

9,14

1,29

Não-

50%

2,40

0,09

0,07

0,41

0,10

queimada

Não-

20%

0,45

0,01

0,00

0,04

0,01

queimada

O fogo transforma moléculas orgânicas complexas em estruturas mais simples. Quando o fogo reduz um tronco de madeira a cinzas, os nutrientes agregados aos compostos químicos da madeira são liberados e transformados em elementos mais solúveis em água. Sob forma solúvel, os nutrientes incorporados ao solo podem novamente ser usados para crescimento de outras plantas. Em incêndios muito intensos, porém, quando grandes quantidades de combustível são queimadas, parte dos nutrientes são volatilizados e se perdem na atmosfera. Em um incêndio de alta intensidade ocorrido no Estado de Washington, EUA, por exemplo, Grier (1975) observou sensíveis perdas de nutriente do ecossistema local (Tabela 4).

Tabela 4 - Composição química da camada de serapilheira ou cinzas e do solo mineral até 36 cm de profundidade, antes e duas semanas após o incêndio.

Nutrientes

Quantidade existente (kg/ha)

Perda estimada (%)

Antes da queima

Após a queima

Nitrogênio (N)

2.310

1.403

39

Cálcio (Ca)

701

626

11

Magnésio (Mg)

215

182

15

Potássio (K)

882

574

35

Sódio (Na)

845

147

83

Os nutrientes volatilizados, entretanto, não permanecem para sempre na atmosfera - a precipitação os trará de volta ao solo, porém não necessariamente ao mesmo local de onde eles foram retirados. Clayton (1976) observou que as concentrações de Na, K, Ca, Mg e N, em precipitações caída através da fumaça de um incêndio florestal eram de 20 a 70 vezes maiores do que as precipitações normais. Em queimadas controladas, de média ou baixa intensidade, a tendência predominante é o aumento da quantidade de nutrientes no solo após a passagem do fogo. Austin e Baisinger (1955), após queimas de restos de exploração nos Estados de Oregon

e Washington, EUA, observaram os seguintes acréscimos de nutrientes disponíveis: a quantidade de fósforo era duas vezes maior nas áreas queimadas, voltando ao nível normal após 2 anos; a de potássio, 166% maior, decrescendo para 112% ao final do 2° ano; a de cálcio, 830% maior, diminuindo para 327% após 2 anos; e a de magnésio, 337% maior, voltando ao normal 2 anos depois. Esses dados correspondem aos 2,5 cm superiores do solo. O efeito diminui consideravelmente à profundidade de 5 cm, apesar de ainda ser perceptível. Em um experimento de queima controlada no Estado de Minnesota, EUA, Ahlgren (1970) observou que as cinzas aumentaram o conteúdo de nutrientes na superfície do solo. A quantidade e a duração desse acréscimo foram variáveis. Após 6 anos de observação, apenas o fósforo havia sido reduzido a quantidades inferiores às existentes antes da queima. Segundo o autor, a súbita liberação dos sais minerais solúveis via cinzas e as subsequentes precipitações melhoraram as condições de fertilidade do solo após a queima. Soares (1990), em experimentos de queima controlada em Pinus caribaea e Pinus oocarpa no estado de Minas Gerais encontrou aumento significativo nas concentrações de Ca, Mg, P, e K mineralizados na camada de 0 a 1,5cm de profundidade do solo após as queimas. Ribeiro (1997), em queimas controladas em povoamentos de Eucalyptus viminalis no estado de Santa Catarina encontrou aumento significativo nos teores de Ca e Mg mineralizados na superfície do solo na queima de outono; na queima de primavera não houve diferença significativa nos teores de todos os nutrientes antes e depois da queima. Batista (1995) também não detectou diferenças significativas entre os teores de nutrientes nas camadas superficiais do solo antes e depois de queimas controladas em Pinus taeda no estado do Paraná. Efeitos benéficos da queima controlada sobre a fertilidade do solo, inclusive com melhor desenvolvimento das espécies florestais plantadas ou semeadas em solos queimados são também relacionadas por Cooper (1971), McNab e Ach (1967), Stone Jr. (1971) e Trousdell (1954). Conforme citado anteriormente, existe muita preocupação com o lixiviamento dos nutrientes após a queima. Entretanto, Viro (1974) salienta que de maneira geral o lixiviamento dos nutrientes do ecossistema, após o fogo, é de pequena importância, a não ser em condições muito adversas. O magnésio e principalmente o cálcio são fixados a todas as camadas do solo. O potássio e especialmente o fósforo não são bem ligados a camada carbonizada de húmus, não são adequadamente presos a camada mineral. Resumindo, queimas de baixa intensidade não contribuem para o empobrecimento do solo, a não ser que sejam repetidas além da capacidade de recuperação do solo.

Quando a matéria orgânica é queimada, as substâncias nela contidas são liberadas em forma de óxidos ou carbonatos, que geralmente apresentam reação alcalina, Portanto, parece lógico admitir que quando consideráveis quantidades dessas substâncias (cinzas) são depositadas sobre o solo, a tendência é diminuir sua acidez. Em experimentos relatados por Viro (1974), queimas controladas reduziram a acidez do húmus remanescente em 2 a 3 unidades de pH, voltando ao normal 5 anos após a queima,. Austin e Baisinger (1955) constataram que a camada superficial de 1,25 cm de profundidade do solo tornou-se alcalina, pH igual a 7,6, após a queima de restos de exploração na região no noroeste dos EUA, enquanto as parcelas não queimadas apresentaram pH de 4,5. Após 2 anos, o pH do solo das parcelas queimadas baixou para 5,7. Jurgensen, Harvey e Larsen (1981), também em experimento de queima controlada no noroeste dos EUA, relatam acréscimo superior a 1 unidade no pH da camada orgânica da superfície do solo após a passagem do fogo. Amostragens subsequentes mostraram que o pH do solo mineral voltou aos valores normais 1 ano após a queima, enquanto na camada orgânica, 4 anos depois, o valor do pH ainda era superior ao observado antes da queima. Soares (1990) observou ligeiro aumento no pH da camada superficial do solo após queimas controladas em povoamentos de Pinus caribaea e Pinus oocarpa no estado de Minas Gerais. Ribeiro (1997) encontrou aumento significativo no pH da camada superficial do solo após a queima controlada de outono em povoamento de Eucalyptus viminalis no estado de Santa Catarina; na queima de primavera não houve diferença significativa. Batista (1995) não observou nenhuma alteração na acidez do solo em queimas controladas em povoamentos de Pinus taeda no estado do Paraná.

Devido à aparente falta de importância econômica direta e às dificuldades de seu estudo, os microrganismos não têm sido tão estudados quanto outros componentes do solo.

Trabalhando sob diversas condições, diferentes pesquisadores têm observado que o fogo não apresenta nenhum efeito sobre as populações de bactérias, que o fogo as destrói completamente ou ainda que o fogo contribui para o aumento de suas populações. Considerando que o aquecimento do solo geralmente não atinge temperaturas letais, a não ser próximo a superfície, onde a mortalidade pode ser grande, os efeitos biológicos do fogo sobre os microrganismos se prendem mais às alterações do ambiente e às mudanças químicas observadas após o fogo. Repetidos incêndios por exemplo, podem reduzir

bastante o número de microrganismos próximo à superfície. Por outro lado, o aumento da temperatura média do solo após a queima, assim como a redução da acidez, podem favorecer certos microrganismos, aumentando a atividade biológica nas camadas superficiais do solo. Presume-se que os actinomicetos, fungos microscópicos, podem representar até 30% dos microrganismos do solo. Devido ao fato de suas exigências ambientais e das características de suas colônias se assemelharem às das bactérias, os dois grupos muitas vezes são analisados em conjunto nos estudos dos efeitos do fogo sobre os microrganismos. A maioria dos autores considera, inclusive, que os actinomicetos e as bactérias do solo comportam-se de maneira semelhante sob os efeitos do fogo. No entanto, algumas diferenças no comportamento desses microrganismos após uma queima têm sido observadas. Wright e Tarrant (1957), por exemplo, informam que a proporção entre bactérias e actinomicetos permaneceram a mesma em solos não queimados e solos submetidos a fogo de baixa intensidade, mas aumentou sensivelmente sete meses após uma queima de alta intensidade. No norte do Estado de Minnesota, em queimas controladas em povoamento de Pinus banksiana, Ahlgren (1970) observou que a proporção entre bactérias e actinomicetos decresceu imediatamente após o fogo, na superfície do solo, tanto em queima moderada como de alta intensidade, com grande redução nesta última. A proporção aumentou rapidamente, porém, após a primeira chuva depois da queima. Esses resultados indicam que os actinomicetos são mais resistentes ao calor e menos afetados pelas mudanças de umidade do que as bactérias. Segundo De Band, Rice e Conrad (1979) as bactérias nitrificadoras parecem ser particularmente sensíveis ao aquecimento do solo. Experimentos de laboratório conduzidos por esses autores demonstraram que as bactérias Nitrosomonas podem ser mortas à temperatura de 140°C em solos secos e 75°C em solos úmidos. As do grupo Nitrobacter são ainda mais sensíveis, sendo destruídas a 100°C em solos secos e 50°C em solos úmidos. Dunn, De Band e Eberlein (1979) chegaram a resultados semelhantes em experimentos de campo na Califórnia. Queimas de alta intensidade esterilizaram a camada de serapilheira de cerca de 2 cm e a maioria das bactérias e fungos da camada superficial do solo, de 2 cm de profundidade, foram também mortas pelo calor. Em queimas de média intensidade alguns microrganismos sobreviveram mesmo na serapilheira e em um dos tipos de solo apenas 57% das bactérias foram destruídas na camada de 2 cm de profundidade. Por outro lado, Jurgensen, Harvey e Larsen (1981) em experimento de queima controlada no Estado de Montana, EUA, concluíram que os altos níveis de nitrato encontrados após a queima estavam associados ao aumento das populações das bactérias nitrificadoras (Tabela 5).

Tabela 5 - Populações de bactérias nitrificadoras (Nitrosomonas) no solo, antes e após uma queima controlada.

Camada do solo

Bactérias/Grama de solo seco

Antes da queima

6 semanas após a queima

Húmus

800

3.280

Mineral (0 - 5 cm)

240

960

Segundo Ahlgren (1970), as mudanças nas populações de bactérias do solo após as queimas devem-se principalmente ao aumento do pH, um fator crítico no crescimento das colônias de bactérias. Isaac e Hopkins (1937) afirmam que a queima de restos de exploração, com a consequente liberação de cálcio, favorece o desenvolvimento das bactérias do gênero Nitrobacter. Lutz (1956) também acredita que as populações de Nitrobacter e Clostridium aumentam depois do fogo, assim como as bactérias que formam nódulos nas raízes das leguminosas. O grupo dos fungos inclui uma grande variedade de espécies, algumas muito especializadas e com diferentes características fisiológicas. Consequentemente, existem numerosas contradições na literatura, sobre o comportamento dos fungos em áreas queimadas. Muitas dessas contradições entretanto, devem ser creditadas às diferenças de condições ambientais, aos métodos de estudos e aos tipos de fungos pesquisados. Jorgensen e Hodges (1971) acreditam que as populações de fungos não se recuperam tão rapidamente quanto às bactérias após uma queima, qualquer que seja a intensidade do fogo. Renbuss, Chilvers e Pryor (1973), analisando uma pesquisa realizada na Austrália, relatam que após uma queima, as bactérias rapidamente recolonizaram o solo e, após 4 semanas, seu número excedia ao de áreas não queimadas. Os actinomicetos e outros fungos recolonizaram o solo queimado mais vagarosamente. Aproximadamente um ano após a queima, as diferenças entre as populações de microrganismos em áreas queimadas e não-queimadas desapareceram. Finalmente, Jorgensen e Hodges (1971), estudando os efeitos do fogo sobre as características microbiológicas do solo no Estado de Carolina do Sul, EUA, concluíram que não existem evidências de que queimas controladas tenham alterado adversamente, tanto qualitativamente quanto quantitativamente, as composições das populações dos fungos e bactérias mais actinomicetos, ao ponto de influir nos processos metabólicos do solo.

A fauna do solo desempenha um importante papel na permeabilização do mesmo, através da constante mistura das camadas superficiais do solo mineral. Apesar disto, as informações sobre os efeitos do fogo na fauna do solo são bastante limitadas. As poucas

publicações científicas sobre o assunto, tanto em florestas como em áreas de campo, têm sido meros levantamentos ou observações de curto prazo. Interpretações ecológicas do ponto de vista de sucessão de espécies e relações entre a fauna do solo e as condições químicas e outras mudanças do meio após o fogo ainda estão faltando.

A fauna do solo aqui incluída divide-se em três grupos, de acordo com o tamanho:

i) microfauna, que inclui os nematoides e protozoários; ii) mesofauna, que inclui os colêmbolas e pequenos ácaros e insetos; iii) macrofauna, que inclui os anelídeos, caracóis e insetos maiores. Os vertebrados não estão incluídos nesta classificação. Pouquíssimos trabalhos foram desenvolvidos até o momento acerca do efeito do fogo sobre a microfauna. Coults (1945) informa que a maior parte das populações da microfauna nos 2,5 cm da superfície do solo sobrevivem às queimas habituais realizadas

na África. Roberts (1971), Malone (1972) e Murad (1979), em trabalhos independentes, concluíram que há um ligeiro aumento no número de nematoides em parcelas submetidas a queimas controladas periódicas, quando comparadas com parcelas não-queimadas, na região dos Pinus spp do sul dos EUA.

A mesofauna é geralmente considerada o grupo menos importante entre os

componentes da fauna do solo. No entanto, alguns autores acreditam que seus componentes desempenham importante papel no processo de decomposição natural,

fragmentando as partículas orgânicas em partes menores, que são mais facilmente atacadas pelos fungos e bactérias.

O calor gerado pelo fogo geralmente provoca redução nas populações da

mesofauna. Metz e Farrier (1971) concluíram, em trabalhos desenvolvidos no sul dos EUA, que queimas anuais de verão reduziram a população da mesofauna do solo e que os níveis encontrados antes da queima somente foram restabelecidos 43 meses após a mesma. Mobley e Kerr (1973), também trabalhando no sul dos EUA, observaram que enquanto nas queimas intensas o número de ácaros foi reduzido tanto no solo mineral quanto na camada orgânica, nas parcelas submetidas a queimas periódicas de baixa

intensidade não foi observada diferença significativa entre os organismos da mesofauna nas parcelas queimadas e testemunhas. Metz e Dindal (1975) afirmam que queimas controladas anuais reduzem tanto o número como a diversidade de espécies de colembolas.

O grupo da macrofauna, devido à maior diversidade entre os seus componentes,

apresenta reação bastante distinta em relação ao fogo. Os anelídeos (minhocas) são muitas vezes sensivelmente reduzidos pelo fogo. Heyward e Tissot (1936) observaram que na camada de 0 a 5 cm do solo mineral de povoamento de Pinus palustris, a população de minhocas era 4 vezes maior em solos não-queimados. Em trabalhos realizado nas pradarias de Illinois, EUA, Rice (1932) também encontrou menores populações de minhocas nos solos queimados. Ela observou inclusive que, estando localizadas

principalmente nas camadas de húmus e solo mineral, as minhocas são mais afetadas pela posterior perda de umidade do solo do que propriamente pelo calor do fogo. As formigas são menos afetadas pelo fogo do que vários outros grupos de insetos, devido suas boas adaptações às condições de calor e seca prevalecentes após o fogo. Além disto, as espécies de ninhos subterrâneos estão além da zona de influência do calor produzido pelo fogo. Nas florestas de Pinus spp do sul dos EUA, Heyward e Tissot (1936) encontraram mais formigas nas camadas de 0 a 5 cm dos solos queimados do que nos não-queimados. Rice (1932) observou que as populações de formigas era acima de um terço maior nos solos queimados do que nos não-queimados, nas pradarias do Estado de Illinois, EUA. Em áreas florestais, as populações da maioria dos coleópteros (besouros) decrescem após o fogo, pelo menos temporariamente. Nas áreas de campo as populações dos coleópteros não são tão afetadas, porque as temperaturas do solo geralmente são menores do que as desenvolvidas pelos incêndios em florestas. Além disto existem muitos refúgios nas touceiras de capim parcialmente queimadas. Heyward e Tissot (1936) observaram uma redução de 60% na população de coleópteros após queimas controladas nas florestas de Pinus spp do sul dos EUA. Ahlgren (1970) encontrou menos coleópteros em áreas queimadas durante três meses após uma queima controlada em Pinus banksiana. E Rice (1932) notou que, após uma redução inicial de 15% na população, os coleópteros recolonizaram rapidamente as áreas queimadas.

Conclusões acerca dos efeitos do fogo sobre o solo são difíceis, pois a produtividade dos solos depende de vários fatores, que são influenciados de modo diverso pelo fogo. O escorrimento superficial e a erosão, por exemplo, são geralmente acelerados pelo fogo, com o consequente arrastamento de nutrientes. Entretanto, sob certas condições, esses aspectos daninhos podem ser compensados pelo efeito benéfico das cinzas no crescimento das plantas, que por sua vez recobrem o solo, reduzindo o escorrimento superficial e a erosão. Heyward e Barnette (1934) relatam que na região dos Pinus spp, no sul dos EUA, solos submetidos a tratamento de queima periódica durante 44 anos não mostram nenhuma deterioração ou diminuição da fertilidade. Os solos não-queimados, naquela região, têm melhor aspecto físico, enquanto os periodicamente queimados apresentam maiores quantidades de nitrogênio e outros nutrientes. De acordo com Stone Jr. (1971), existe uma capacidade limitada de se prever as mudanças no solo ao curso de meio século ou mais. Porém, não existe indicação, na história do desenvolvimento dos solos da região sudeste dos EUA, ou em estudos

experimentais, que indique a redução da capacidade produtiva dos solos submetidos a regimes de queimas controladas. As possíveis exceções são pequenas áreas de solos altamente susceptíveis à erosão. Incêndios florestais de alta intensidade e manejo inadequado são, no entanto, realmente prejudiciais ao solo.

O mais visível e conhecido efeito do fogo sobre a vegetação é o dano causado às árvores. Na realidade, mesmo um pequeno incêndio superficial pode provocar a morte de mudas e pequenas árvores, principalmente se o solo e o combustível estiverem secos. Entretanto, são os incêndios de copa que causam os maiores danos à vegetação. Estes incêndios se originam do crescimento de incêndios superficiais, durante condições climáticas adversas, em áreas de alta concentração de combustível e devido a suas altas intensidades podem destruir florestas de árvores adultas e, inclusive, resistentes ao fogo. Mesmo quando não mata as árvores, os incêndios podem deixar cicatrizes (Figura 4), facilitando a infestação por pragas e insetos, quando a intensidade é suficientemente alta para o calor penetrar através da casca e matar o câmbio. As árvores enfraquecidas pelo fogo podem ser derrubadas pelo vento, ou atacadas por insetos, mesmo vários anos após o incêndio.

atacadas por insetos, mesmo vários anos após o incêndio. Figura 4 . Exemplo de múltiplas cicatrizes

Exemplo de múltiplas cicatrizes provocadas por incêndios florestais no tronco de uma árvore.

O que efetivamente danifica ou mata uma árvore durante um incêndio é a elevação

da temperatura das células vivas a um nível letal, em locais críticos da mesma, tais como

a base do tronco e a folhagem. A morte do câmbio na base do tronco, quando submetido

a altas temperaturas, é uma das principais causas da mortalidade das árvores em incêndios florestais.

As temperaturas letais dos tecidos vivos das árvores têm sido estudadas por vários

pesquisadores. Na maioria das vezes, os resultados desses estudos podem ser representados através de uma curva semi-logarítmica do seguinte tipo:

Sendo:

T

= temperatura letal

a

e b = constantes

l

n

= logarítmo natural

t

= tempo de exposição

T

=

a

-

b . l n . t

A equação indica que a temperatura letal é inversamente proporcional ao

logarítmo do tempo de exposição àquela temperatura. Ambos portanto, temperatura e tempo de exposição, são importantes. Isto significa que para ser morta pelo fogo uma árvore deve ter seus tecidos vivos submetidos a determinada temperatura durante certo tempo. Quanto maior a temperatura, menor o tempo de exposição necessário para provocar a morte dos tecidos. Nelson (1952), em uma pesquisa sobre a tolerância ao calor de quatro espécies florestais (Pinus elliottii, Pinus palustris, Pinus rigida e Pinus taeda), submeteu suas folhagens a diferentes temperaturas e tempos de exposição através do método de banho- maria. Os resultados mostraram não haver diferença significativa entre as espécies (Figura 5). A 54°C a morte da folhagem ocorreu após cerca de 6 minutos de exposição; a 60°C, após meio minuto; e a 64°C quase instantaneamente. Com relação ao câmbio, trabalhos realizados por Kayll (1963) demonstram que temperaturas de 60°C durante 2 a 4 minutos ou 65°C em menos de 2 minutos, são letais.

Isto indica que os tecidos vivos, de diferentes espécies, apresentam praticamente o mesmo

nível de resistência ao calor. Entretanto, para chegar ao câmbio o calor tem que atravessar

a casca da árvore. Por isto, a quantidade de calor que chega ao câmbio é inversamente

proporcional à espessura e diretamente proporcional ao conteúdo de umidade da casca (Figura 6).

Figura 5 -Temperaturas letais para a folhagem de quatro espécies de Pinus, submetidas a diversos

Figura 5 -Temperaturas letais para a folhagem de quatro espécies de Pinus, submetidas a diversos tempos de exposição.

de Pinus, submetidas a diversos tempos de exposição. Figura 6 - Propagação da temperatura do fogo

Figura 6 - Propagação da temperatura do fogo através do tronco da árvore, até atingir o câmbio.

Kayll (1936), em experiências realizadas no Canadá, demonstrou também que uma fonte externa de calor de 500°C pode ser aplicada diretamente a uma árvore com casca de espessura maior que 1,0 cm, durante 5 minutos, sem elevar a temperatura do câmbio a 60°C. Essas experiências apresentam grande importância quando se analisam as temperaturas às quais são submetidas as árvores durante uma queima controlada ou um incêndio florestal. Em queimas controladas as temperaturas raramente ultrapassam 500°C, exceto em fogos de rápida propagação, assim mesmo por curtos intervalos de tempo. Em incêndios florestais, no entanto, a temperatura pode atingir 1.200°C, ou um pouco mais, dependendo da intensidade, e o tempo de residência do fogo é maior do que nas queimas controladas.

Em incêndios de alta intensidade e longo tempo de residência, quando praticamente todas as árvores são mortas, diferenças na resistência ao fogo entre espécies ou indivíduos torna-se sem importância. No entanto, a maioria dos incêndios florestais provoca mortalidade apenas parcial. Nestes incêndios, de moderada intensidade, as diferenças de resistência ao fogo entre espécies, ou a susceptibilidade das árvores aos danos provocados pelo fogo, tornam-se muito importantes, principalmente na estimativa dos danos causados ao povoamento e no planejamento de queimas controladas. Vários fatores podem afetar a susceptibilidade das árvores ou florestas aos danos provocados pelo calor, em condições naturais de campo, a saber:

i) Temperatura inicial da vegetação - temperaturas próximas a 40°C podem ocorrer na folhagem das árvores em dias mais quentes, embora o mais comum seja 20 a 30°C. Quanto maior a temperatura da folhagem, menor a quantidade adicional de calor necessária para elevá-la até o nível letal. Portanto, em dias quentes, o potencial de danos às árvores pelo fogo é bem maior.

ii) Parte da árvore exposta ao calor - árvores jovens, folhas e pequenos ramos, por falta de elementos protetores, são facilmente mortos ou danificados pelo fogo. Os brotos terminais têm importância especial e sua resistência está ligada

ao seu tamanho e à proteção das folhas ou pêlos laterais.

iii) Espessura e características da casca - a casca é o mais importante dos mecanismos de proteção da árvore, principalmente próximo à superfície do

solo, onde se localiza a zona de combustão da maioria dos incêndios florestais.

A casca é um excelente isolante, cuja eficiência depende de sua estrutura,

composição, densidade, conteúdo de umidade e espessura. A espessura da

casca é o fator mais fácil de se determinar e, individualmente, o mais importante. Árvores com casca espessa na base do tronco podem suportar altas temperaturas sem permitir que temperaturas letais atinjam o câmbio. Na maioria das espécies a espessura da casca está relacionada com a idade, isto é, quanto mais velha a árvore mais espessa é a casca e maior sua resistência ao fogo.

iv) Forma e tempo de permanência dos galhos - considerando os demais fatores idênticos, árvores que sofrem desrama natural mais cedo e desenvolvem copas mais altas apresentam maior facilidade de escapar ilesas aos danos causados pelo fogo, porque são menos sujeitas a incêndios de copa e apresentam menos material combustível aderido ao tronco.

v) Características do sistema radicular - as raízes apresentam uma camada cortical protetora bastante fina e quando situadas próximo à superfície podem ser facilmente danificadas pelo fogo, especialmente quando ocorrem incêndios subterrâneos. Por isto, de maneira geral, árvores com sistema radicular fasciculado e superficial podem ser mais facilmente danificadas pelo fogo.

vi) Flamabilidade da folhagem - as coníferas são muito mais inflamáveis do que

as folhosas sempre-verdes e estas, por sua vez, mais do que as folhosas decíduas. Existem diferenças significativas entre as coníferas, mas essas diferenças não influem muito na resistência destas espécies ao incêndio. Diferenças maiores ocorrem entre as folhosas sempre-verdes e as decíduas. Apesar de sua alta inflamabilidade, as coníferas são muito mais resistentes ao fogo do que as folhosas, principalmente devido às características da casca. Geralmente, porém, as folhosas não desenvolvem incêndios de copa, a não ser quando estão extremamente secas. vii) Estação e ciclo de crescimento - o estágio sazonal do crescimento da árvore afeta sua susceptibilidade aos danos causados pelo fogo de duas maneiras. Primeiro, ele afeta o conteúdo de umidade da folhagem, que por sua vez influi na sua inflamabilidade. Segundo, o crescimento jovem e suculento é muito mais sensível ao calor. Por isto, os brotos terminais e o câmbio são muito mais facilmente danificados pelo fogo durante a estação de crescimento do que durante o período de dormência.

Apesar dos danos que um incêndio pode, em certas circunstâncias causar às árvores, o fogo é um fator dominante no desenvolvimento das florestas. A maioria das florestas do mundo, exceção das florestas úmidas dos trópicos, têm sido submetidas à

ação do fogo, em menores ou maiores intervalos, por milhares de anos. A dominância de certos tipos florestais ou outras formas de vegetação deve-se, sem dúvida alguma, à ação do fogo ao longo do tempo. A sucessão vegetal secundária num determinado local se processa segundo as características envolvidas no processo. As pioneiras, espécies rústicas e dotadas de grande mobilidade, são as primeiras a ocupar o sítio após um distúrbio qualquer. As pioneiras preparam o local para as espécies séries ou intermediárias, mas não conseguem, elas próprias, se regenerar em seu próprio sub-bosque. As espécies séries, por sua vez, preparam o local para as espécies mais evoluídas na escala sucessória, as pré-clímax ou clímax. Tal qual as espécies pioneiras, as séries não conseguem se reproduzir sob as condições criadas por elas próprias e tendem a desaparecer à medida que a sucessão avança.

Se não ocorrer nenhum distúrbio que possa estabilizar a sucessão num determinado estágio, ou mesmo revertê-la a estágios anteriores, certamente haverá uma evolução até o estágio do clímax. A intensidade e frequência dos distúrbios são fundamentais na determinação do retrocesso, estabilidade ou progresso da sucessão florestal (Figura 7). O fogo é um dos distúrbios mais frequentes da natureza, sendo parte fundamental de vários ecossistemas na superfície terrestre. O fogo tem influência marcante na sucessão de certas comunidades. Florestas de coníferas, cerrados e savanas são exemplos de comunidades de plantas que apresentam alta inflamabilidade e frequentes incêndios. Elas são, por definição, comunidades dependentes do fogo ou “clímax de fogo” pois o fogo não as deixa evoluir para estágios mais avançados na escala da sucessão. Segundo Mutch (1970), espécies que têm sobrevivido a incêndios por milhares de anos podem não só ter desenvolvido mecanismos de resistência ao fogo como também propriedades que contribuem para a perpetuação das comunidades sempre dependentes do fogo. Essas comunidades, compostas por espécies pioneiras ou séries sobrevivem aos incêndios e impedem que a sucessão avance até o estágio de clímax. O autor desenvolve ainda uma teoria segundo a qual as comunidades dependentes do fogo queimam mais facilmente do que as não- dependentes porque a seleção natural favoreceu o desenvolvimento de características que as tornaram simultaneamente mais inflamável e mais resistentes ao fogo. Por serem altamente inflamáveis, as comunidades dependentes do fogo favorecem a ocorrência de incêndios periódicos de moderada intensidade, que eliminam as espécies menos resistentes e perpetuam as mais resistentes.

Figura 7 -Diagrama sumário do efeito do fogo ou outro distúrbio qualquer na sucessão vegetal

Figura 7 -Diagrama sumário do efeito do fogo ou outro distúrbio qualquer na sucessão vegetal natural.

O fogo tem sido um fator predominante na ecologia de florestas e campos dos EUA. Em algumas regiões daquele país grandes extensões de florestas valiosas, como as sequóias e os Pinus spp do sudeste, se desenvolveram e perpetuaram graças a incêndios periódicos que eliminavam as espécies concorrentes. Em outras regiões, entretanto, permanentes carrascais ou campos têm sido estabelecidos e mantidos pelo fogo. Portanto, sob diferentes condições, o fogo pode desenvolver diferentes tipos de comunidades de plantas. Segundo Dodge (1972), os incêndios florestais eram fenômenos regulares no oeste dos EUA antes da chegada dos colonizadores. Estudos de cronologia dos incêndios mostraram que nas regiões das sequoias ocorriam incêndios florestais em intervalos de aproximadamente 8 anos, pelo menos desde 1685, a mais remota data que foi possível pesquisar. Esses incêndios eram superficiais e de baixa intensidade, favorecendo a continuidade da comunidade das sequoias, espécies séries, resistentes a esse tipo de fogo. Prasil (1971) também confirma que em povoamentos naturais, as sequoias dependem do fogo para sobreviver. A exclusão do fogo de seu ambiente possibilita a sucessão avançar em direção às espécies clímax do ecossistema, notadamente Thuja plicata e Abies spp. De acordo com Hendrickson (1972), os pinheiros do sudeste dos EUA (Pinus echinata, Pinus elliottii, Pinus palustris e Pinus taeda), intolerantes à sombra mas resistentes ao fogo, não teriam sobrevivido à concorrência das folhosas e ocupado toda aquela vasta região, se a presença periódica do fogo não os tivesse favorecido.

Segundo Soto (1972), os incêndios florestais periódicos têm evitado a transformação das florestas de pinheiros do México em bosque de folhosas. Um grande número de coníferas mexicanas de significativa importância econômica, principalmente Pinus oocarpa, Pinus patula, Pinus teocote, Pinus leiophylla e Pinus michoacana, desenvolveram adaptações para resistir aos efeitos de fogos de baixa ou moderada intensidade, favorecendo-as na concorrência com as folhosas. Incêndios são também frequentes nas áreas de coníferas da América Central. O Pinus caribaea, uma espécie série, talvez a mais importante daquela região, é deslocada por espécies folhosas quando totalmente protegido pelo fogo. As melhores regenerações naturais dessa espécie são geralmente encontradas em áreas previamente queimadas. Crane (1972) afirma que o fogo é necessário para regeneração e continuidade de várias comunidades de Eucalyptus spp, as quais constituem as principais áreas florestais

da Austrália. Uma das características da maioria dos eucaliptos é a resistência ao fogo, relativamente alta quando comparada com outras folhosas, o que permite às espécies sobreviverem a incêndios de certa intensidade e se perpetuarem no local.

No Brasil, um ecossistema comprovadamente dependente do fogo é o cerrado, que

pode ser definido como um “clímax de fogo”. Determinações feitas em amostras de carvão encontradas no cerrado mostraram que incêndios periódicos têm ocorrido na região há pelo menos 1.600 anos. A eliminação do fogo no cerrado provavelmente levaria a sucessão a estágios mais avançados, talvez a uma vegetação semelhante às matas de galeria, existentes nas partes mais úmidas (principalmente margens de rios) do cerrado, onde o fogo não penetra.

O princípio que estabelece que as comunidades dependentes do fogo são

geralmente comunidades séries talvez possa ser aplicado às florestas de Araucaria angustifolia do sul do Brasil, que estão sendo ameaçadas de substituição por comunidades clímax de latifoliadas em seu habitat natural. O pinheiro brasileiro é uma espécie de alta inflamabilidade, principalmente a folhagem, e esta é uma das características fundamentais das espécies séries dependentes do fogo. Além disso, em seu estágio adulto, pela espessura da casca e forma da copa, a espécie é altamente resistente ao fogo. É provável, portanto, que no passado, as florestas de araucária ocuparam e se mantiveram em vastas áreas do sul do país porque toleram e resistem mais ao fogo do que as folhosas. Deve-se finalmente salientar que o efeito dos incêndios sobre a vegetação depende

basicamente da intensidade do fogo. Um incêndios florestal de rápida propagação, ocorrendo em áreas onde existe grande quantidade de material combustível, provocará danos sensíveis mesmo em espécies resistentes ao fogo. Por outro lado, em uma queima controlada de baixa intensidade, os efeitos daninhos serão mínimos e, inclusive, alguns benefícios poderão ser alcançados.

Quando ocorre um incêndio, muitos fatores do ambiente são alterados e por isto torna-se difícil estabelecer precisamente as inter-relações diretas entre a ação do fogo e a resposta dos animais. Os incêndios variam em intensidade, duração, frequência, forma e extensão. Os seus efeitos podem também ser diferentes de acordo com a estação do ano, tipo do combustível e propriedades do sítio. A maioria da literatura sobre os efeitos do fogo trata da ação do mesmo sobre o solo e a vegetação. Poucos trabalhos são quantitativos e adequadamente controlados ou de duração suficiente para caracterizar com precisão os efeitos de um determinado incêndio sobre a vida silvestre. Vários pesquisadores acreditam que os incêndios florestais são extremamente daninhos para a fauna silvestre. Animais encontrados mortos após o fogo são usados como evidência da destruição da fauna pelos incêndios. De fato, grandes e rápidos incêndios podem encurralar e matar animais selvagens e destruir os locais adequados para ninhos e pássaros. Michaelis (1948) relata que os roedores foram completamente eliminados de uma plantação jovem de folhosas no Estado da Pensilvânia, EUA, pela ação do fogo. A destruição de pequenos mamíferos pelo fogo é também relatada por Gabrielson (1928). Outros autores afirmam que o transporte de cinzas para lagos e ribeirões, após o fogo, altera a composição da água e pode provocar mortalidade de peixes. A destruição da vegetação e consequentemente do sombreamento ao longo de pequenos rios pode provocar um aumento na temperatura da água e prejudicar algumas espécies de peixes. A sedimentação resultante de bacias hidrográficas atingidas por incêndios de alta intensidade podem também prejudicar as populações de peixes em pequenos cursos d'água.

Vários investigadores, por outro lado, consideram insignificante a mortalidade direta de animais provocada pelo fogo. Segundo Ahhlgren e Ahlgren (1960) os incêndios raramente resultam em perdas diretas significativas para a fauna porque na maioria das vezes são pequenos para cercar e destruir os animais. Os animais maiores escapam através dos flancos dos incêndios mas muitos indivíduos às vezes permanecem no interior da área queimada. Incêndios em vegetação de campo não queimam de maneira uniforme e a temperatura ao nível do solo geralmente é relativamente baixa. Por este motivo, muitas vezes, as animais de pequeno porte podem se refugiar em tocas situadas abaixo da zona de combustão. Dificilmente são encontradas carcaça de animais após incêndios em vegetação de campo. Entretanto, existem casos em que a destruição de ninhos pode ser um fator daninho importante para a sobrevivência de algumas espécies do ecossistema.

Eastman (1976) acredita que os animais não temem instintivamente o fogo. Eles fogem das chamas, mas a fuga geralmente parece ser cautelosa. Surpreendentemente, o fogo e a fumaça parecem atrair quase tantos animais quantos são afugentados quando da passagem do incêndio. Os gaviões, por exemplo, atraídos pela fumaça, rapidamente aparecem nos locais onde está ocorrendo um incêndio ou uma queima controlada. A disponibilidade de alimentação parece ser a principal causa de atração de animais para as áreas recém-queimadas. Kilgore (1973) afirma que a influência dos incêndios sobre a fauna silvestre em vários ecossistemas de coníferas no sudoeste dos EUA está relacionada com a capacidade do fogo em estimular a germinação ou brotação de arbustos, ervas ou árvores que são usadas por mamíferos ou pássaros como alimentação ou abrigo e em promover aberturas no sub-bosque da floresta que favorecem os animais. O fogo, por exemplo, estimula a produção de brotos tenros e favorece a população de herbívoros. Alguns pássaros também encontram condições favoráveis à reprodução após a ocorrência de uma queima. Para alguns animais, a falta de abrigo após um incêndio pode representar uma ameaça maior do que as próprias chamas, pois eles ficam expostos aos olhos dos predadores. Por isto, em locais onde incêndios naturais ocorrem com frequência, parece que alguns animais desenvolveram uma coloração camuflante, como por exemplo alguns habitantes dos cerrados e das savanas. Quando ocorre um incêndios em uma floresta, muito do que acontece aos mamíferos e pássaros vai depender de suas ligações com o sítio, sua mobilidade e sua capacidade de encontrar abrigo ou refúgio. Espécies locais, com nichos de dimensões limitadas, parecem ser dramaticamente afetadas pela ocorrência de fogo em seus habitats. Aquelas com nichos mais amplos ou maiores capacidades de adaptação, têm suas populações menos afetadas pelo fogo.

A combustão completa, conforme indica a sua equação, além de calor, libera apenas água (sob forma de vapor) e dióxido de carbono (CO 2 ). A água não é poluidora do ar e o CO 2, produzido livremente através da decomposição natural de substâncias orgânicas, também não é considerado, pelo menos até o momento, um elemento poluidor da atmosfera. O grande problema, entretanto, é que nos incêndios florestais a combustão nunca é completa. Quando ocorre um incêndio florestal, além da água e do CO 2 , vários outros elementos são lançados na atmosfera, como por exemplo monóxido de carbono,

hidrocarbonos e partículas. Pequenas quantidades de óxido de nitrogênio são também liberadas em alguns incêndios de maior intensidade. Entretanto, nos incêndios florestais não há produção de óxidos de enxofre, altamente poluidores, porque o conteúdo de enxofre na madeira é insignificante. Uma questão frequente, que preocupa os ecologistas, é até que ponto os incêndios florestais contribuem para a poluição do ar. Segundo a Associação de Doenças Respiratórias dos EUA, os incêndios florestais contribuem com cerca de 3% do total dos principais poluentes na atmosfera do país, enquanto os automóveis representam 60%, as industrias 18% e os sistemas de aquecimento das casas e edifícios, 5%. A Administração Nacional de Controle à Poluição, também dos EUA, em levantamento realizado em 1968, concluiu que dos 214,2 milhões de toneladas de poluentes produzidas no país naquele ano, os incêndios florestais e as queimas controladas contribuíram com 17,3 milhões de toneladas, ou seja cerca de 8% do total. Segundo essa mesma fonte, considerando separadamente cada um dos quatro poluentes produzidos pela combustão, os incêndios florestais contribuíram com aproximadamente 24% do total de partículas produzidas, cerca de 7% do total de monóxido de carbono, pouco menos de 7% do total de hidrocarbonos e 5,8% do total de óxido de nitrogênio. Para se avaliar a importância de diversas fontes de poluição ambiental é importante analisar a composição das emissões. Cerca de 90% dos produtos da combustão do material florestal é CO 2 e água. O maior impacto dos incêndios florestais sobre a qualidade do ar provém dos outros 10%, principalmente partículas e hidrocarbonos. Por outro lado, a fumaça dos automóveis, por exemplo, contém porcentagens muito mais altas de elementos venenosos tais como monóxido de carbono, óxidos de enxofre e compostos de chumbo. Provavelmente, o mais importante elemento individual das emissões dos incêndios seja a fração de partículas em suspensão na fumaça. Essas partículas, sólidas ou líquidas, são constituídas por uma complexa mistura de fuligem, alcatrão e substância orgânicas voláteis, geralmente microscópicas, com dimensões entre 0,001 a 10 micra. Embora existam evidências de que as partículas sejam posteriormente lavadas da atmosfera pelas chuvas, ou se precipitem pela ação dos ventos e da gravidade, a fumaça visível que elas geram é frequentemente uma fonte de problemas. As partículas são a maior causa da redução da visibilidade, às vezes em áreas críticas como aeroportos, rodovias e cidades, além de servirem de superfície de absorção de gases nocivos que podem estar presentes na atmosfera. As partículas finas, especialmente as menores de 3 micra, podem afetar as condições respiratórias de pessoas sensíveis, especialmente quando combinadas com gases tóxicos. O monóxido de carbono é o mais abundante dos poluentes produzidos pelos incêndios florestais, Medições realizadas durante a ocorrência de incêndios têm mostrado

valores de 50 a 200 ppm (partes por milhão) próximo às chamas. A concentração média de 60 ppm registrada às margem do fogo decresce rapidamente para cerca de 10 ppm a 30 m de distância da zona de combustão. Esses valores são relativamente baixos quando comparados com a média de 200 ppm registrada em túneis de rodovias, onde a produção é constante. Apesar do crescimento industrial, do número de automóveis e dos incêndios florestais, a concentração de monóxido de carbono na atmosfera não tem aumentado através do tempo. Isto porque ele tem vida curta na atmosfera. Estudos preliminares têm indicado que o solo talvez seja a maior fonte de absorção de monóxido de carbono, onde ele é consumido por fungos e bactérias. Devido a sua alta toxidade, o monóxido de carbono pode ser prejudicial à saúde humana, dependendo de sua concentração e do tempo que a pessoa fica exposta ao contato com o gás. A formação de óxido de nitrogênio normalmente ocorre através da fixação do nitrogênio da atmosfera, na zona de combustão, a temperaturas acima de 1.540°C. Esta temperatura é muito superior às comumente registradas em queimas controladas. Mesmo em incêndios florestais ela não é muito comum. No entanto, pequenas quantidades de óxido de nitrogênio podem ser formadas a temperaturas mais baixas, através de compostos nitrogenados presentes no combustível florestal. Os hidrocarbonos compreendem uma classe extremamente diversificada de compostos contendo hidrogênio, carbono e, algumas vezes, oxigênio. As medições das emissões dos incêndios florestais geralmente considera todos os hidrocarbonos em conjunto, apesar da maioria deles não apresentar efeitos daninhos. Por outro lado, alguns hidrocarbonos, como por exemplo os de baixo peso molecular (olefinas) e os aromáticos polinucleares, mesmo presentes em pequenas quantidades, são responsáveis pelo fenômeno da névoa seca e danos à saúde humana. A temperatura desempenha um papel importante na formação desses hidrocarbonetos e o intervalo ótimo situa-se entre 700 a 850°C. As avaliações da quantidade de hidrocarbonos produzidos em um incêndio florestal mostram valores entre 5 e 20 kg por tonelada de combustível consumido, relativamente baixos quando comparados aos 65 kg produzidos por tonelada de gasolina queimada. Queimas controladas, por consumirem menos combustível, de maneira mais completa, produzem menos compostos poluentes que os incêndios florestais, que queimam material mais úmido, inclusive vegetação viva. A queima contra o vento, técnica mais usada em queimas controladas, produz menos poluentes do que o fogo a favor do vento, como mostram os dados publicados por Martin, Dell e Juhl (1976), resumidos na Tabela 6.

Tabela 6 - Resumo dos dados de emissões observados em queimas contra e a favor do vento.

Emissão

Quantidade emitida (kg/ton de combustível consumido)

Efeito

Contra o vento

A favor do vento

Dióxido de carbono

1.000 a 2.0000

1.000 a 2.000

Nenhum

 

Água (vapor)

500 a 1.000

500 a 1.000

Visibilidade

 

Partículas

1,5 a 25

25 a 100

Visibilidade e saúde

 

Monóxido de carbono

10

75

Saúde

(próximo

ao

fogo)

Hidrocarbonos

5

20

Fotoquímico e saúde

 

Óxido de nitrogênio

1

3

Fotoquímico e ozônio

A fumaça originada das queimas controladas pode causar problemas de poluição do ar, embora muito menos graves que os causados pelas indústrias. No entanto, aplicando-se princípios básicos de meteorologia no manejo da fumaça, pode-se usar cientificamente o fogo, para se alcançar certos objetivos, sem poluir o ambiente. A queima deve ser feita quando existe vento constante e sob condições atmosféricas que permitam o movimento vertical do ar (atmosfera instável) para dispersar a fumaça. Não se deve queimar durante períodos de ocorrência de inversões térmicas a baixa altitude. À noite, por exemplo, o fogo geralmente produz mais fumaça e ela permanece por mais tempo próxima à superfície, devido à inversão de temperatura e ao movimento do ar frio na direção dos declives.

O fogo pode apresentar vários outros efeitos sobre o ecossistema, além dos anteriormente discutidos. Efeitos sobre pastagens naturais, paisagismo e áreas de recreação, embora de caráter mais localizado, podem ser muito importante em certas ocasiões. Um incêndio em um parque florestal de rara beleza cênica, por exemplo, pode produzir efeitos desastrosos e de longa duração pois a paisagem pode levar anos ou mesmo décadas para se recuperar inteiramente. Após estudar os vários efeitos do fogo, não há dúvidas que ele produz várias mudanças no habitat, tanto das plantas como dos animais, afetando a alimentação, cobertura vegetal e microclima. Sob forma de grandes incêndios, queimando livremente, o fogo pode ser altamente destrutivo para o solo, flora e fauna. Entretanto, como queima controlada, em pequena escala, o fogo pode tornar-se uma ferramenta útil no manejo das florestas.

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