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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
FONOAUDIOLOGIA NA
PARALISIA
FACIAL

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

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CURSO DE
FONOAUDIOLOGIA NA
PARALISIA
FACIAL

MÓDULO IV

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do
mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são
dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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MÓDULO IV

8 ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA PARALISIA FACIAL

Vendo o sorriso das fotos abaixo fica fácil entender porque uma pessoa
acometida de uma paralisia facial procura atendimento. Nem sempre o
fonoaudiólogo é o primeiro profissional a ser procurado, às vezes, nem mesmo é
procurado, mas, o trabalho fonoaudiológico é importante, pois não trabalhamos
somente a musculatura, a mobilidade e
tônus dessa musculatura, mas também
com a função que essa musculatura
exerce no sistema estomatognático.
Além de que, a expressão facial é um
meio de comunicação, enriquece o que
estamos falando. E como Gomez,
Vasconcelos e Morais (1999, p. 1) citam
“É como nos apresentamos ao mundo e
como os outros distinguem nossas
emoções. Por meio das máscaras
fisionômicas, temos como resposta a justa
inflexão da palavra”, complementa Fouquet
(2006, p. 100) “a mímica facial é um
instrumento importante na comunicação e na expressão de nossos sentimentos:
sabemos dizer se alguém está alegre, irritado, pensativo, somente observando sua
expressão facial. Quando vamos conversar com alguém, olhamos primeiramente
para o rosto da pessoa. Portanto, a paralisia ou paresia facial gera um impacto
estético, emocional e social para o portador, que se percebe tolhido na sua
autoimagem e na sua expressão”.

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Para Fouquet (2006) existem três dificuldades principais que afetam o
paciente com paralisia facial:
 Somático: dificuldade de fechar os olhos, assimetria, diminuição da
função, sialorreia e lacrimejamento;
 Social: impedimento na comunicação, isolamento social e inabilidade
para trabalhar;
 Psicológico: alteração da identidade, medo e vergonha.
Podemos dizer que esse paciente requer o atendimento de uma equipe
multiprofissional em que o fonoaudiólogo deve estar inserido, pois é o profissional
que lida diretamente com a comunicação, verificando o prejuízo que a musculatura
da face teve devido à paralisia como também, verificando os déficits das funções a
ela relacionadas. Sabemos que os movimentos e o tônus da musculatura facial,
principalmente da boca, são importantes na alimentação, na ingestão de líquidos e
na articulação dos sons. A perda dessas funções gera dificuldades constrangedoras
no processo alimentar e na comunicação (Gomez, Vasconcelos e Morais, 1999;
Barros, Melo e Gomes, 2004).
O ideal é o fonoaudiólogo atuar desde o aparecimento das primeiras
manifestações, com isto agiliza os resultados positivos ainda durante o período de
melhora espontânea, ou seja, nos primeiros seis meses (Barros, Melo e Gomes,
2004). Gomez, Vasconcelos e Bernardes (2004, p.524) salientam que todos os
casos de paralisia facial, guardados os devidos prognósticos, têm indicação para
acompanhamento fonoaudiológico. Independentemente da causa da paralisia facial,
a conduta terapêutica será determinada, principalmente, pelo estado (lesão) do
nervo e pelas cirurgias reparadoras realizadas.
A intervenção precoce é fundamental, mas nem sempre os resultados serão
aqueles que o paciente espera. Um fator limitante é degeneração nervosa, pois a
partir do oitavo mês a musculatura estriada atrofia rapidamente. É importante ter em
mente que o grau de recuperação depende de vários fatores Gomez, Vasconcelos e
Bernardes (2004, p. 515):
 Tipo de lesão: neuropraxia, axonotmese ou neurotmese;
 Duração do período de desnervação;
 Conexões motoras e sensoriais: direcionamento do crescimento das
fibras nervosas;

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 Grau de reinervação: quantos axônios regeneraram;
 Estado do músculo: flácido, atrofiado.

8.1 ANAMNESE

A primeira consulta fonoaudiológica é realizada com anamnese, momento


em que vai se conhecer o paciente. Anamnese deve englobar os seguintes
aspectos:
 Dados da identificação do paciente;
 História pregressa da queixa;
 Início da paralisia facial;
 Sintomatologia;
 Tempo de instalação;
 Se a perda dos movimentos foi gradual ou súbita;
 Ocorrência de melhora espontânea;
 Providências tomadas pelo paciente;
 Dados médicos (medicação, exames, cirurgias realizadas).
A coleta desses dados ajuda a traçar o prognóstico, nortear os
esclarecimentos que devem ser dados ao paciente, determinar a conduta e
estabelecer os objetivos terapêuticos (Gomez, Vasconcelos e Bernardes, 2004;
Fouquet, Massom, Guimarães e Pires, 2006).

8.2 AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA

A avaliação dos aspectos anatômicos e funcionais das estruturas da face e


da cavidade oral é fundamental para a definição do planejamento terapêutico. Na
avaliação deve-ser observar a mobilidade da musculatura facial, tônus da
musculatura afetada, quais segmentos musculares estão envolvidos e identificar a
fase em que o paciente está: fase flácida ou fase de sequelas (sincinesias ou
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contraturas). A fase de sequelas ocorre após a reinervação (Altmann e Vaz, 2004;
Gomez, Vasconcelos e Bernardes, 2004; Fouquet, Masson, Guimarães e Pires,
2006).
A avaliação proposta por Gomez, Vasconcelos e Bernardes (2004, p. 516-
517) deve seguir a sequência abaixo:
1. Observação da musculatura em repouso – com a face em repouso,
observar:
o Continuidade de linhas de expressão na testa;
o Posição do supercílio;
o Posição da pálpebra inferior;
o Desvio de filtro labial;
o Rima nasolabial;
o Posição da comissura labial.

2. Avaliação da musculatura em movimento – solicitar ao paciente que


realize as seguintes manobras:
o Elevação e contração da testa;
o Fechamento natural e forçado dos olhos;
o Elevação do nariz;
o Elevação do lábio superior;
o Protrusão dos lábios fechados;
o Retração dos lábios fechados;
o Protrusão dos lábios abertos;
o Retração dos lábios abertos;
o Preensão dos lábios com ar nas bochechas;
o Sucção das bochechas.

Fouquet, Masson, Guimarães e Pires (2006, p. 65-71) relatam que existem


várias propostas de avaliação dos movimentos faciais, sendo que o protocolo
utilizado no Setor de Reabilitação Fonoaudiológica a Pacientes Oncológicos de
Cabeça e Pescoço da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo,
apresentado abaixo, foi adaptado da proposta de Chevaler (1987). Nesta avaliação
cada músculo da expressão facial é analisado individualmente, com isso, o

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fonoaudiólogo tem uma visão mais detalhada e ideal para o acompanhamento
terapêutico. Em anexo, no final do módulo, está o modelo de protocolo de avaliação
utilizado pelos autores (ANEXO 1).

8.2.1 Avaliação da Face em Repouso

Com o paciente sem fazer nenhum movimento, observar os sinais


relacionados abaixo, classificando-os como normal (ausência dos sinais descritos),
alteração parcial ou total. A avaliação em repouso deve ser feita somente na
primeira avaliação, figura abaixo.

PACIENTE COM PFP À ESQUERDA, EM REPOUSO

FONTE: Fouquet, Massom, Guimarães e Pires, 2006, p. 66.

 Abolição das rugas frontais (testa);


 Rebaixamento da ponta da sobrancelha;
 Olho mais aberto ou pálpebra inferior caída do lado afetado;
 Nariz desviado em vírgula para o lado sadio;
 Abolição do sulco nasolabial;

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 Desvio e depressão da comissura labial;
 Lábio superior “desabado”;
 Lábio inferior “desabado”;
 Bochecha flácida pendendo em saco.
Na avaliação, os autores utilizam os seguintes graus de mobilidade e
fechamento de olhos.

GRAUS DE MOBILIDADE

Grau (0) A contração não é visível a olho nu, nem com luz rasante;

Grau (1) Pequena mobilidade da pele;

Grau (2) A pele move-se mais, neste grau percebem-se levemente as rugas, mas o
músculo entra em fadiga após algumas repetições;

Grau (3) Observa-se movimentação mais clara da pele, o número de rugas


aumenta, assim como sua profundidade. Após algumas repetições do
movimento, percebe-se diferença de sincronia entre o lado saudável e o
paralisado.

Grau (4) Movimento realizado de maneira ampla, sincrônica e simétrica em relação


ao lado sadio.

GRAUS DE FECHAMENTO DE OLHOS

Grau (0) Não há nenhum movimento de fechamento da pálpebra superior ou


inferior. O gap é de cerca de 8 a 10 mm.

Grau (1) Pouco movimento de oclusão de pálpebra, metade do olho fica exposta, o
gap é grande.

Grau (2) Movimento maior de fechamento e menos da metade do olho fica


exposta. O gap aparece em toda sua extensão.

Grau (3) Pode haver fechamento da pálpebra com pequeno gap na parte interna
do olho (até 3 mm), ou o fechamento pode ser completo, mas o olho do
lado da lesão fecha lentamente, ou, no fechamento com força,os cílios
estão mais expostos do lado lesado do que do lado saudável e não se
observa a formação de rugas geradas pelo fechamento do olho com força
– figura ao lado.

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FONTE: Fouquet, Massom, Guimarães e Pires, 2006, p. 68.

Grau (4) Observa-se simetria e sincronia no fechamento dos olhos, tanto no suave
como no com força.
FONTE: FOUQUET, ML, MASSON, AC, GUIMARÃES, MF E PIRES CA. Avaliação fonoaudiológica
na paralisia facial periférica. In LAZARINI, PR, FOUQUET, ML. Paralisia facial – avaliação, tratamento
e reabilitação. São Paulo : Lovise, 2006, p. 65-74.

8.2.2 Avaliação da Mobilidade da Musculatura da Mímica Facial

Nesta etapa observa-se a mobilidade da musculatura em uma escala de


cinco graus, apresentada acima. Para a graduação dos movimentos solicitam-se ao
paciente alguns comandos conforme veremos na tabela abaixo:

COMANDO DESCRIÇÃO DO MOVIMENTO MÚSCULO


AVALIADO

“Cara de Elevar as sobrancelhas para formar rugas horizontais na testa.


assustado” Deve-se inibir o movimento do lado saudável, aplicando Occipitofron
pressão com a mão no sentido contrário ao movimento, assim tal
evita que o movimento do lado não paralisado puxe a pele do
lado paralisado, dando uma falsa impressão de que há
movimento.

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“Cara de bravo” Aproximação medial das sobrancelhas, formando rugas Corrugador
verticais entre elas. Também se deve inibir o movimento do do
lado saudável, aplicando força com o dedo indicador no supercílio
sentido contrário ao movimento.

“Cara de cheiro Elevar e franzir a pele do nariz. Para que não ocorra o Piramidal,
ruim” tracionamento da pele do lado paralisado, o avaliador deve transverso
colocar o dedo indicador sobre o ápice do nariz, realizando do nariz e
uma leve pressão para baixo. elevador do
lábio
superior e
da asa do
nariz

“Raspar o bigode” Solicita-se ao paciente que alongue o lábio inferior, cobrindo mirtiforme
os dentes superiores, como se fosse raspar o bigode.
Observa-se que quanto maior for o grau da paralisia, mais o
filtro estará desviado para o lado saudável. Com o dedo
indicador sobre o lado saudável do lábio superior, o avaliador
deve fazer uma pressão em direção à linha mediana da face e
então solicitar o movimento para o paciente.

Fechar os olhos Deve-se observar se existe diferença na velocidade do Orbicular


suavemente fechamento, em relação ao lado não paralisado; observar se o dos olhos,
fechamento é completo ou não, com presença de um gap porção
(espaço) no fechamento do olho do lado lesado, medir o gap palpebral
com paquímetro, no ponto maior.

Fechar os olhos Observar se existe gap e medi-lo. Orbicular


com força Obs.: classificação do grau de fechamento dos olhos segue dos olhos –
abaixo porção
orbitária

“Sorriso aberto” Solicitar ao paciente que dê um sorriso amplo, mostrando os Elevador do


dentes superiores. lábio
superior e
zigomáticos
maior e
menor

“Sorriso fechado” Com os lábios fechados, levar as comissuras labiais para trás Risório
e para fora.

Comprimir Pressionar a bochecha contra os dentes; neste movimento o Bucinador


bochecha avaliar, com luva, coloca o dedo indicador ou uma espátula na
boca do paciente para sentir a pressão utilizada, comparando
os dois lados. Para evitar compensação do lado sadio, o
avaliador comprime a bochecha e os lábios do lado não
paralisado, imobilizando-os, com isso o lado que deve ser
testado fica em posição de encurtamento.

Mostrar os dentes Solicitar ao paciente que abaixe o lábio inferior, mostrando os Abaixador
inferiores dentes da arcada inferior. O avaliador deve imobilizar o lado do lábio
saudável, aplicando pressão com os dedos sobre o músculo,

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no sentido do queixo para o lábio e medial, no sentido inferior
contrário ao movimento do músculo.

Empurrar o queixo Elevar e protrair o lábio inferior, contraindo o músculo mentual. Mentual
para cima O avaliador deverá aplicar pressão digital sobre o lado
saudável do músculo mentual, empurrando-o para baixo.

Contrair o músculo Contrair a musculatura extrínseca do pescoço. Platisma e


do pescoço abaixador
do ângulo
da boca

“Fazer bico” Protrusão e arredondamento de lábios. O avaliador, antes Orbicular da


de solicitar o movimento, exerce pressão digital do lado boca
saudável da face, acima e abaixo dos lábios, com o dedo
médio e o indicador, deslocando-os medialmente. Além de
dar o grau de mobilidade, pode-se registrar com o
paquímetro as medidas da comissura direita até o centro
do filtro (figura 10), comissura esquerda até o centro do
filtro (figura 11) e medida do desvio do centro do filtro em
relação à ponta do nariz (figura 12).

FONTE: Fouquet, ML, MASSON, AC, GUIMARÃES, MF E PIRES CA. Avaliação fonoaudiológica na
paralisia facial periférica. In LAZARINI, PR, FOUQUET, ML. Paralisia facial – avaliação, tratamento e
reabilitação. São Paulo: Lovise, 2006, p. 65-74.

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FONTE: Fouquet, Massom, Guimarães e Pires, 2006, p.69-70.

Obs.: Os autores salientam que cada movimento deve ser executado 10 vezes, para
ter-se uma avaliação mais fidedigna, pois o lado com paralisia acompanha o lado
sem paralisia até um determinado número de repetições, entrando em fadiga,
cessando a movimentação.

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Basicamente os movimentos da avaliação são os que são apresentados na
figura abaixo:

FONTE: Disponível em: <www.sarah.br/.../po/p_09_paralisia_facia_05.gif>. Acesso em: 03 mar. 2010.

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8.2.3 Avaliação Fonoaudiológica após a Reinervação do Nervo Facial – Fase de
Sequelas

As sequelas aparecem quando não ocorre regeneração em três meses. São


caracterizadas por sincinesia ou contratura1. A avaliação das sequelas compreende
(Gomes, 2006, p.164):
 Avaliação da presença da contratura/identificação das sincinesias;
 Identificação da queixa do paciente, do grau de conscientização em
relação às sequelas e da insatisfação relacionada a elas;

Identificando as sincinesias

O avaliador deve observar na execução dos movimentos faciais do paciente


como estão os outros músculos (Gomez, Vasconcelos e Bernardes, 2006; Gomes,
2006, p. 164):
 Como estão os olhos, o nariz, os lábios, durante a movimentação da
testa;
 Como estão a testa, o nariz, os lábios, durante a movimentação dos
olhos;
 Como estão a testa, os olhos, os lábios, durante a movimentação do
nariz;
 Como estão a testa, os olhos, o nariz, durante a movimentação dos
lábios na mastigação;
 Como estão a testa, os olhos, o nariz, durante a movimentação dos
lábios no sorriso;
 Como estão a testa, os olhos, o nariz, durante a movimentação dos
lábios durante a fala.

1
Sincinesias são movimentos involuntários que aparecem associados a movimentos voluntários de
grupos independentes e a contratura é a rigidez observada na hemiface comprometida (Gomes,
2006, p.164).
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Na avaliação das sincinesias Fouquet, Masson, Guimarães, Pires (2006, p.
71) sugerem a classificação em quatro graus, conforme segue abaixo:

Grau (0) Ausência de sincinesia.

Grau (1) O paciente consegue inibir a sincinesia


voluntariamente.

Grau (2) Inibição da sincinesia sob pressão digital


no sentido contrário ao movimento
patológico.

Grau (3) Sincinesia incontrolável.

Análise das contraturas

Geralmente, observa-se que a musculatura está mais contraída do lado com


paralisia facial do que do lado sem paralisia. Observa-se com mais frequência
contratura no zigomáticos maior e menor e no elevador do lábio superior,
apresentando um sulco nasolabial mais profundo do lado lesado. Avalia-se
observando o tônus da musculatura em repouso, classificando-o como hipotônico,
normal ou hipertônico (Fouquet, Masson, Guimarães, Pires, 2006, p. 71).

Hipotonia Tônus menor no lado paralisado do que no


lado sem paralisia.

Normal Ambos os lados da face apresentam a


mesma tonicidade.

Hipertrofia A musculatura do lado paralisado apresenta


uma contração maior em repouso do que a
musculatura do lado saudável.

A reavaliação da mobilidade, bem como a presença de sincinesias e


contraturas deve ser realizada em todas as sessões, para observar a evolução do
tratamento e definir novas orientações e exercícios (Fouquet, Masson, Guimarães,
Pires, 2006).
Altmann e Vaz (2004) salientam a importância da avaliação da sensibilidade
das diferentes estruturas faciais e de como está a produção de lágrimas e de saliva.

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A avaliação do lacrimejamento, da produção de saliva e a sensibilidade aos sons vai
nos auxiliar no topodiagnóstico da paralisia. Já vimos esta avaliação no módulo II.

8.2.4 Características da Avaliação da Fase Flácida

Como vimos no módulo II, à paralisia facial periférica divide-se didaticamente


em três fases – flácida, regeneração do nervo facial e das sequelas. Veremos aqui a
avaliação da fase flácida sugerida por Gomez, Vasconcelos e Bernardes (2004, p.
517), estas características podem aparecer em conjunto ou isoladamente.
 Observação do repouso do lado com paralisia comparando-se com o
lado não paralisado, observar se o paciente apresenta:
o Ausência ou interrupção de rugas na testa no lado paralisado;
o Queda do supercílio;
o Olho mais alargado e/ou pálpebra inferior caída do lado afetado;
o Queda da asa do nariz no lado paralisado;
o Rima nasolabial apagada ou ausente do lado lesado;
o Queda da comissura labial do lado paralisado;
o Filtro labial desviado para o lado saudável.

 Observação dos movimentos do lado com paralisia comparado ao lado


normal, observar:
o Testa: diminuição ou ausência do movimento tanto na elevação quanto
na contração;
o Olhos: fechamento natural (sem fazer esforço) e forçado incompleto
com presença de gap e piscadas assincrônicas, medir o gap ao fechamento natural
e ao fechamento forçado;
o Nariz: elevação ausente ou incompleta;
o Lábios: protrusão – desviada para o lado não afetado com diminuição
ou ausência do movimento do lado paralisado; retração – diminuição ou ausência do
movimento do lado afetado; vedamento labial – incompetência do lado afetado com
escape de ar ao inflar as bochechas.

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8.2.5 Características da Avaliação da Fase Após a Regeneração do Nervo Facial

Nesta fase a avaliação tem como objetivo verificar a simetria e a amplitude


dos movimentos, bem como a presença de sincinesias e o grau de contratura
(Gomez, Vasconcelos e Bernardes, 2004, p. 517-518).
 Observação da musculatura afetada em repouso, observar:
o Presença de contratura, isolada ou em conjunto;
o Observa-se geralmente ausência de linhas de expressão na testa no
lado afetado;
o Os olhos estão mais estreitos ou contraídos do lado paralisado;
o A rima nasolabial está mais pronunciada do lado afetado;
o O filtro labial está desviado pra o lado com paralisia;
o Elevação da comissura labial e da asa nasal do lado paralisado.

 Observação dos movimentos, verificar:


o Testa: se apresenta movimento incompleto com presença eventual de
sincinesia em outros segmentos faciais;
o Olhos: verificar se o fechamento natural é completo; no fechamento
forçado se é assimétrico com presença de sincinesia;
o Nariz: verificar se apresenta movimento incompleto com presença de
sincinesia em outros segmentos faciais;
o Lábios: se na protrusão está desviado para o lado comprometido, se na
retração apresenta assimetria com sincinesias;
o Bochechas: se ao encher com ar, o lado comprometido se enche
menos com espace pela incompetência persistente do vedamento labial.

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9 REABILITAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA

A intervenção fonoaudiológica na paralisia facial, para Fouquet, Serrano e


Abbud (2006) tem por objetivos:
 Quando ocorre secção do nervo facial – manter algum grau de tônus
muscular e sua simetria em repouso;
 Quando não ocorre secção do nervo facial – nos casos de paralisia de
Bell, facilitar o retorno dos movimentos dos músculos responsáveis pela mímica
facial, possibilitando a recuperação das imagens física e emocional e a reintegração
social.
Devemos nos lembrar que nas paralisias faciais com lesão muito extensa, o
paciente passa por duas fases no processo de recuperação: a fase flácida ou fase
de desnervação e posteriormente a fase de reinervação, quando podem aparecer
sequelas. Na avaliação, o fonoaudiólogo deve identificar em que fase o paciente
está, para assim realizar o planejamento terapêutico.

9.1 REABILITAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA PFP: FASE FLÁCIDA

Esta fase ocorre quando a regeneração axonal ou reinervação do nervo


facial ainda não aconteceu, é a fase inicial da paralisia (Gomez, Vasconcelos e
Bernardes, 2004, p. 519-521; Fouquet, Serrano, Abbud, 2006, p. 149-159).
Objetivos:
 Manter o metabolismo muscular ativo no lado paralisado, evitando
atrofia da musculatura lesada;
 Manter o esquema corporal facial preservado;
 Direcionar ou organizar o crescimento axonal.

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Apresentaremos a seguir a proposta terapêutica compilada de Gomez,
Vasconcelos, e Bernades (2004, p. 512-526) e Fouquet, Serrano e Abbud (2006, p.
149-159):
Início da sessão – “despertar”/aquecer a musculatura – os autores
recomendam que ao iniciar a sessão utilize estratégias para aquecimento da
musculatura.
o Compressas frias – pano umedecido com água fria sobre a face
paralisada para estimular a contração muscular. Repetir 3-4 vezes, 2-3 minutos cada
aplicação.
o Gelo envolvido em pano – aplicar o gelo sobre o músculo, deslizando-o
no sentido do movimento da contração para estimular individualmente cada
músculo. Repetir três vezes. Orientar o paciente a não fazer em casa, pois ele pode
fazer de maneira errada, estimulando outras fibras musculares.

Obs.: O uso da compressa fria ou o gelo visa por intermédio do arco reflexo de
propriocepção e exterocepção, que ocorra a contração da musculatura paralisada,
pois o frio é percebido pelas fibras aferentes somáticas gerais do nervo trigêmeo,
existindo conexão do núcleo sensitivo do V par craniano com o núcleo motor do
facial, no tronco encefálico. A contração também ocorre devido aos estímulos das
fibras eferentes viscerais especiais do nervo facial (Fouquet, Serrano, Abbud, 2006,
p. 150).

o Batidas rápidas com as pontas dos dedos – para aumentar a tonicidade


da musculatura relaxada e melhorar a vascularização sanguínea da região. Realiza-
se o movimento na face paralisada, do queixo em direção à testa, durante dois
minutos.
o “Tapinhas” – podem ser realizados com as duas mãos espalmadas,
primeiramente em direção ascendente e depois descendente, iniciando no queixo,
lábios seguindo pelas bochechas até a testa, fazer durante um a dois minutos.

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Exercícios miofuncionais – nessa fase esses exercícios são
isométricos2 com o objetivo de adequação do tônus muscular. Solicita-se ao
paciente a contração do músculo que vai ser trabalhador, por exemplo, contrair o
orbicular dos olhos, em ambos os lados da face e manter a contração. A terapeuta
realiza junto com o exercício a massagem indutora, de maneira lenta e com pressão
profunda. As ilustrações das manobras estão no anexo II. Apresento abaixo na
tabela a descrição dos músculos exercitados.

MÚSCULO ORIENTAÇÃO

OCCIPITOFRONTAL O paciente deve contrair o músculo, fazendo “cara de assustado”–


manter a contração e realizar massagem com três dedos no sentido
da sobrancelha para o couro cabeludo.

CORRUGADOR DO Contrair o músculo fazendo “cara de bravo”, manter a contração,


SUPERCÍLIO realizar a massagem digital com o dedo indicador no sentido
sobrancelha em direção à glabela.

ORBICULAR DOS Solicitar ao paciente fechar os olhos com força, manter o


OLHOS fechamento, inicialmente realizar um movimento de pinçamento com
os dedos polegar e indicador. O polegar direciona a pálpebra inferior
em direção à superior e o dedo indicador aproxima a pálpebra
superior na direção da inferior, promovendo assim o fechamento
total das pálpebras. Após o pinçamento ou varredura, o paciente
deve ficar com os olhos fechados de cinco a 10 segundos.
Obs.: se o gap não for grande, o fechamento pode ser suave;
quando somente a parte do meio para o canto interno do olho
permanece com gap, o fechamento também deve ser suave e a
massagem é a varredura com os dedos, indicador e médio no
sentido do canto externo do olho para o interno.

MIRTIFORME OU Contrair o músculo, como “raspar o bigode”, manter a contração e


ABAIXADOR DO realizar a massagem digital com o dedo polegar na direção do nariz
SEPTO NASAL para o lábio superior, sobre o filtro labial

PRÓCERO, NASAL Contrair os músculos, fazendo cara de “cheiro ruim”, manter a


E LEVANTADOR contração e fazer a massagem digital com o dedo indicador no
DO LÁBIO sentido da asa do nariz em direção ao canto interno do olho.
SUPERIOR E DA
ASA DO NARIZ

ZIGOMÁTICO Contrair os músculos fazendo “sorriso aberto” mostrando os dentes


MAIOR E MENOR, superiores, manter a contração e realizar massagem digital com três
LEVANTADOR DO dedos, no sentido do movimento.
LÁBIO SUPERIOR

2
EXERCÍCIOS ISOMÉTRICOS – exercícios com contração muscular sem modificação, no tamanho
da fibra muscular (Comitê de Motricidade Orofacial, SBFa, 2007, p. 30).
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BUCINADOR O paciente deve colocar uma espátula ou seu dedo na cavidade
oral, na face interna da bochecha e empurrá-la, ao mesmo tempo,
deve fazer força contrária a este movimento.

RISÓRIO O paciente deve contrair o músculo fazendo “sorriso fechado”,


manter a contração e realizar a massagem digital com o dedo
indicador no sentido da comissura do lábio em direção à orelha.

ABAIXADOR DO O paciente deve contrair o músculo, mostrando os dentes inferiores,


LÁBIO INFERIOR abaixando somente o lábio inferior, manter a contração e realizar
massagem como dedo polegar no sentido do lábio inferior para
baixo.

MENTUAL Paciente contrai o músculo fazendo cara de “magoado”, faz a


massagem com o dedo polegar de baixo para cima.

ORBICULAR DA Fazer bico, ao realizar este movimento pode ocorrer desvio do bico
BOCA para o lado não paralisado, sendo necessário centralizar o bico,
manter a contração e fazer massagem do lado paralisado no sentido
da comissura labial para o meio dos lábios.

ABAIXADOR DO Contrair o músculo, fazendo cara de “palhaço triste”, manter a


ÂNGULO DA BOCA contração, realizar massagem com o dedo indicador da comissura
do lábio para baixo.

O movimento de contração deve ser realizado de ambos os lados da face,


para melhor efetividade dos exercícios. O movimento deve ser realizado de uma a
três vezes, e, em cada repetição a massagem é realizada 10 vezes. Realizar a
sequência toda dos exercícios de duas a três vezes por dia.
Gomez, Vasconcelos e Bernardes (2004) salientam que na fase flácida,
quando o paciente apresenta pouco ou nenhum movimento, a fonoterapia consiste
na realização dos mesmos movimentos da avaliação, acrescentando-se outros,
feitos isometricamente, massagens indutoras do movimento desejado na face
paralisada no sentido do movimento. As massagens podem ser manuais, de
maneira lenta, com pressão profunda ou com massageador facial suave. A
massagem é altamente eficaz, pois a pressão realizada afeta o músculo enrijecido
que está sob a pele, com isto o músculo é relaxado, diminuindo a tensão, o sangue
a linfa tem uma circulação melhor, consequentemente o músculo fica melhor e mais
fácil de ser trabalhado nos exercícios.
Nesse período existe a preocupação quanto ao processo da alimentação. É
comum ouvir o paciente dizer que mordeu a bochecha durante a mastigação, tem

AN02FREV001

92
dificuldade de manter o alimento entre as arcadas dentárias. Isso ocorre, pois o
bucinador está paralisado, além da incompetência labial com vedamento insuficiente
em função da flacidez do lado paralisado. O fonoaudiólogo deve orientar o paciente
a lateralizar o alimento durante as refeições, tentando manter uma mastigação
bilateral. A lateralização pode ser feita com o auxílio da mão colocada sobre a
bochecha, elevando-a. Quando a paralisia perdura, outras manobras precisarão ser
realizadas para melhorar a identidade intraoral e adequar a função. Importante
lembrar que o masseter e o temporal não são inervados pelo facial, portanto não
estão paralisados, somente o bucinador, com isso a força mastigatória está mantida.

9.2 REABILITAÇÃO NA RECUPERAÇÃO DO MOVIMENTO/FASE DE


REINERVAÇÃO

Quando a musculatura começa a se movimentar, o paciente entra na fase de


recuperação do movimento, pois inicia a reinervação, marcando o final da fase
flácida. Nesta fase os exercícios a serem realizados são isotônicos3, indicados para
melhorar a oxigenação muscular, coordenação da musculatura e aumentar a
amplitude dos movimentos. Orienta-se o paciente a realizar os exercícios
repetidamente, trabalhando a mobilidade muscular. Os exercícios são os mesmos
descritos acima, porém aqui o paciente deve realizar o movimento de contração e
relaxamento de 10 a 20 vezes, três vezes ao dia, sem a massagem indutora.
Trabalho com o bucinador – sucção das bochechas, o paciente deve
sugar com canudo e/ou seringa líquidos, aumentando para uma consistência
pastosa. Encher a boca de ar ou de líquido, passando de um lado para o outro.
Orbicular da boca – realização de movimentos de bico, variando para
beijos estalados ou manter a protrusão dos lábios, fazendo a “boca de peixe”.

3
EXERCÍCIOS ISOTÔNICOS – Exercícios com ocorrência de tensão muscular acompanhada de
modificação do tamanho da fibra muscular. (Comitê de Motricidade Orofacial, SBFa, 2007, p. 31).

AN02FREV001

93
Obs.: É importante solicitar ao paciente que na fase de recuperação utilize um
espelho como recurso de feedback, para maior controle do movimento. Também é
necessária a conscientização e a concentração do paciente durante a realização dos
exercícios, para que ocorra controle voluntário, promovendo a conexão do SNC com
o exercício, ocasionando a reprogramação neural.

9.3 REABILITAÇÃO APÓS REINERVAÇÃO – FASE DAS SEQUELAS

Quando ocorre degeneração do nervo facial, não ocorre uma recuperação


completa da musculatura facial, e a recuperação do movimento voluntário e
involuntário (emocional) não é completa, aparecendo as sequelas, significando que
a expressão facial terá limitações para sempre. As sequelas vão variar de acordo
com a causa.
A degeneração do nervo facial leva à degeneração da musculatura,
ocorrendo uma subsequente modificação cortical com a perda da informação neural.
Quando ocorre a reinervação a musculatura facial retoma a função, os movimentos.
O que se observa nesse momento é que o mapeamento cortical pode não retornar a
situação anterior à lesão, e uma reeducação neuromuscular é necessária para
recrutar a correta musculatura e assegurar um mapeamento cortical satisfatório
(Novak, 2004 apud Goffi-Gomes, 2006, p. 161).
Nessa fase é necessária uma nova avaliação para identificar a presença de
contratura, identificar sincinesias, avaliar os movimentos, identificar as queixas do
paciente, do grau de conscientização das sequelas e da insatisfação em relação às
sequelas. Após a realização da avaliação, estabelecem-se as condutas necessárias
(Goffi-Gomes, 2006, p. 162):
Orientações quanto ao tempo transcorrido desde a instalação da
paralisia até o aparecimento dos primeiros sinais de reinervação e sua implicação no
grau de lesão do nervo;
Esclarecer a origem dos novos sintomas;
Estabelecer os objetivos da reabilitação miofuncional nesta nova fase.

AN02FREV001

94
10 ACOMPANHAMENTO FONOAUDIOLÓGICO DAS SEQUELAS

Nessa fase, o acompanhamento fonoaudiológico abrange dois aspectos:


melhorar a função dos músculos e diminuir as contraturas e as sincinesias, e, a
orientação ao paciente.
Melhora da função – os exercícios são realizados de forma isotônica,
estimulando-se o maior aproveitamento dos segmentos reinervados.
Orientações ao paciente – explicar que a recuperação do nervo já está
ocorrendo e que movimentos inadequados vão ocorrer. Esses movimentos serão
trabalhados nessa fase.
Treinamento neuromuscular – exercícios para diminuir as contraturas e
dissociar e controlar as sincinesias.
Estratégias para diminuir contraturas:
o Exercícios de alongamento passivo e ativo, relaxamento e calor úmido
no local por pelo menos cinco minutos;
o Massagem intra e extraoral (raios de sol) com os dedos em pinça –
com o dedo polegar colocado dentro da boca, na bochecha, na altura da ATM e os
outros dedos no mesmo ponto, porém fora da boca, deslizá-los com movimento
descendente até a comissura labial. Veja na figura abaixo a representação
esquemática em todos os sentidos do alongamento em “raios de sol”.

FONTE: Goffi-Gomes, 2006, p. 165.

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95
o Fazer um rolinho de gaze e colocar no vestíbulo oral lateralmente,
entre a bochecha e arcada dentária em ambos os lados da face, fazendo um
estiramento passivo dessa região. Deixar o rolinho na boca aproximadamente cinco
minutos. Esse exercício proporciona um estiramento passivo da musculatura e pode
ser realizado enquanto o paciente está assistindo TV ou lendo. Também pode ser
realizado colocando-se uva do tipo Itália;
o Manter calor úmido no local da contratura por cinco a 10 minutos.
o Emitir o som do ‘m’ com abaixamento de mandíbula, durante 10
segundos. Repetir de seis a oito vezes.

Estratégias para trabalhar as sincinesias: após a avaliação e


identificação dos grupos musculares que estão associados, é determinada as
estratégias que exercitem a independência dos grupos específicos. A sincinesia
mais observada é a do orbicular dos olhos e do orbicular dos lábios. Segue abaixo
alguns exemplos para trabalhar a dissociação das sincinesias.
Exercícios da sincinesia de movimento dos lábios junto com
movimentos dos olhos:
o Manter os lábios em protrusão e piscar os olhos três vezes,
alternadamente, solicitar que o paciente retraia os lábios enquanto pisca
suavemente por três vezes, vai realizar o movimento bico sorriso piscando, repetir
de seis a oito vezes a sequência;
o Mastigar lentamente com os olhos arregalados, com isso o paciente
mantém os olhos sob controle, repetir entre seis e oito vezes;
o Esconder os lábios entre os dentes (boca de sapo) e piscar repetidas
vezes. Realizar de seis a oito vezes.
Exercícios para sincinesia de olhos com testa (contração dos olhos ao
elevar ou contrair a testa ou vice-versa):
o Elevar a testa enquanto pisca três vezes lentamente, repetir seis a oito
vezes;
o Fechar os olhos sem força enquanto eleva e solta a testa três vezes,
repetir em frente ao espelho seis a oito vezes.
O fonoaudiólogo deve a princípio estimular o controle voluntário e atento da
ocorrência desses movimentos, posteriormente, com a repetição persistente dos

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96
movimentos, o controle torna-se cada vez mais automático e menos consciente
(Goffi-Gomes, 2006). O autor recomenda muita cautela nessa fase do trabalho, pois
a musculatura reinervada tem um limiar de fatigabilidade mais baixo do que a
musculatura normal, portanto, deve-se orientar muito bem o paciente a não
extrapolar o número de repetições de cada exercício.
O prognóstico nesta fase, não está relacionado ao tempo de evolução da
paralisia, mas sim ao grau de conscientização e colaboração do paciente. Mesmo
assim, em alguns casos o prognóstico é reservado devido ao grau avançado de
contratura e limitação da reinervação, ou seja, sempre devemos pensar que o
prognóstico depende do grau e tipo de lesão, tempo da paralisia, e sim, a
colaboração e conscientização do paciente.

Biofeedback – falamos acima do uso do espelho, para o paciente ter


um feedback, mas também pode-se usar o biofeedback, que seria o uso de sinais
eletromiográficos de superfície para reeducação muscular. Para Goffi-Gomes (2006,
p. 166), é a técnica que permite uma medição via instrumental e mostra variáveis
quantificáveis de atividades fisiológicas alteradas que estão de alguma forma
encobertas. Pode ser considerado um processo de aprendizagem em que o
indivíduo é estimulado a observar os sinais originados de seu próprio corpo, por
meio dos dados em um monitor, enquanto realiza seus exercícios (Cury, Fouquet e
Lazarini, 2006). É um treino com monitoramento. Com as informações, o paciente
aprende a regular as atividades fisiológicas alteradas, pois adquire controle sobre
suas próprias respostas. O que vem sendo utilizado é a eletromiografia de superfície
em que os eletrodos são posicionados de acordo com a figura abaixo:

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POSICIONAMENTO DOS ELETRODOS NOS MÚSCULOS DA FACE

FONTE: Bernardes, Gomes e Bento, 2009, p. 09.

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98
Bernardes, Gomes e Bento (2009, p. 2) salientam que a utilização deste
método é recente na fonoaudiologia e tem como objetivo “auxiliar no diagnóstico e
tratamento dos distúrbios motores orais, nas alterações da deglutição, mastigação e
fala.” A colocação do eletrodo de superfície é sobre a pele, com isso o exame é
indolor e não invasivo, permitindo que o paciente execute o movimento ou função
solicitada de maneira relaxada, podendo realizá-la repetidas vezes, sendo de grande
valia nas avaliações miofuncionais orofaciais. Este método demonstrou ser prático
para avaliar os movimentos faciais e também permite acompanhar a evolução do
paciente de forma inócua e sem riscos. Para quem gostaria de mais informações
sobre a reabilitação por biofeedback eletroneuromiográfico, o capítulo 18 do livro
Paralisia facial de Lazarini e Fouquet, 2006 e o artigo Eletromiografia de superfície
em portadores de PFP de Bernardes, Gomes e Bento, publicado pela revista
CEFAC, disponível em http://www.scielo.br/pdf/rcefac/2009nahead/152-08.pdf,
podem complementar as informações.
Matos e Oliveira salientam que a fonoterapia visa dar funcionalidade à
musculatura facial afetada na paralisia facial e contribui pra diminuir o tempo de
recuperação da paralisia, sendo fundamental para que o paciente restabeleça sua
expressão facial o mais rápido possível. Já Bernardes, Gomes e Bento (2009)
afirmam que muitos trabalhos na área fonoaudiológica abordam a terapia
fonoaudiológica para tratar os pacientes acometidos pela PFP, e que, o trabalho
miofuncional antes da regeneração neural, na fase flácida, auxilia significantemente
a recuperação funcional final.
De acordo com Barros, Melo e Gomes (2004) geralmente a regeneração
normal do nervo ocorre numa média de um milímetro por dia, considerado um
crescimento lento, porém a melhora pode ser ajudada com a reabilitação
neuromuscular que o fonoaudiólogo apresenta. É um tratamento que exige muita
dedicação por parte do paciente, sendo necessários exercícios diários, que
geralmente são repetitivos e cansativos, que podem desestimular o paciente a
continuar com o tratamento, mas a utilização de técnicas de feedback, mostrando ao
paciente seu progresso, contribui para sua melhora. Também sugerem que o
paciente aprenda sobre as estruturas e a fisiologia da face, com isso, compreenderá
a produção dos movimentos, ajudando-o a entender melhor tanto os exercícios, as
massagens e a recuperação dos movimentos.

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99
Para o fonoaudiólogo disposto a trabalhar na reabilitação das paralisias
faciais, é fundamental o conhecimento da musculatura orofacial, neurofisiologia do
movimento e anatomia e fisiologia do nervo facial. Para complementar a leitura,
segue, em anexo, o artigo de TESSITORE, PFELSTICKER E PASCHOAL (2008)
sobre aspectos neurofisiológicos da musculatura facial visando à reabilitação
na paralisia facial.

11 RESULTADOS TERAPÊUTICOS

Quando o atendimento fonoaudiológico é iniciado logo após a paralisia, o


treinamento for efetuado corretamente e seguidamente, o resultado da reabilitação
pode levar à simetria ou praticamente simetria em repouso, também se observa o
controle do fechamento dos olhos; controle da retenção dos alimentos e líquidos,
melhor uso da face reinervada, proporcionando uma melhora na expressividade e
melhora da contratura e redução da sincinesia (Goffi-Gomes, 2006). Fouquet citando
ROSS et al. (1991) salienta que o treino neuromuscular pode melhorar a função
facial, mesmo em casos de paralisia crônica há mais de 20 anos. Goffi-Gomez,
Bogar, Bento e Miniti (1996) apresentaram pesquisa realizada com pacientes com
PFP atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo. Constataram na pesquisa que os exercícios
miofuncionais efetivamente contribuem na aceleração do processo de recuperação
dos movimentos faciais. De acordo com Goffi-Gomez (1999) a realização de
exercícios miofuncionais acelera o retorno dos movimentos e da função da
musculatura facial, evitando com isso que haja a atrofia destes músculos,
dificultando assim a recuperação deste paciente.

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100
12 ALGUNS QUESTIONAMENTOS SOBRE PARALISIA FACIAL

Quando chega ao consultório um paciente com paralisia facial, ele muitas


vezes chega com dúvidas, inclusive sobre a funcionalidade do tratamento
fonoaudiológico. Neste momento, é importante que o fonoaudiólogo saiba responder
seus questionamentos, principalmente no que diz respeito ao processo terapêutico e
aos fatores que interferem na recuperação após a paralisia facial.

Por que em alguns casos o movimento volta ao normal? Deve-se


esclarecer o paciente que a recuperação depende de vários fatores, inclusive da
cooperação do próprio paciente. Os fatores são: a causa da paralisia; se o nervo foi
seccionado ou nos casos de edemas/infecções a continuidade da inervação foi
interrompida e restabelecida; do grau de lesão no nervo, se houve ou não
degeneração walleriana; do número de fibras que morreram/degeneraram e
conseguiram crescer; do número de fibras que cresceram e foram para o lugar certo
e do estado da musculatura após a reinervação (Goffi-Gomes, 2006).

Quanto tempo leva o tratamento? Como o prognóstico, o tempo de


tratamento também varia de acordo com o grau e tipo de lesão, mas, geralmente por
volta do 6º mês de terapia, observam-se bons resultados. Goffi-Gomes (2006)
salientam que o tratamento em consultório pode variar de meses a anos,
dependendo do grau de conscientização e percepção do paciente.

Quando termina o tratamento na fase de sequelas? Outra dúvida


muitas vezes até do fonoaudiólogo. O fim do tratamento geralmente é determinado
entre o paciente e a terapeuta, ocorrendo por volta do 6º mês de acompanhamento.
Pode ser sugerido o atendimento em grupo, se houver necessidade. A alta do
paciente após a reinervação, ou seja, após a fase de sequelas é supervisionada pelo
terapeuta semestralmente, sempre que possível. Os exercícios de alongamento
podem ser feitos em casa ainda por um tempo duas vezes por semana. Geralmente

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101
a alta supervisionada é dada somente quando o paciente tem controle voluntário
sobre as sincinesias (Goffi-Gomes, 2006).

O paciente precisa fazer os exercícios em casa? Sim, é


fundamental que ele se acostume a fazer os exercícios em casa, duas ou três vezes
ao dia, conforme recomendado pelo terapeuta. Da realização destes exercícios em
casa, muitas vezes depende o sucesso da reabilitação.

Aceitação da perda – uma das expressões que o paciente com


paralisia facial geralmente não recupera é o sorriso, e muitas vezes, fica difícil
conviver com um novo rosto para o resto da vida. Trabalhar com esta aceitação,
muitas vezes é necessário um acompanhamento psicológico, que a fonoaudióloga
pode encaminhar.
Termino esta apostila com uma citação de Gomes, Vasconcelos e Bernardes
(2004, p. 519), quando afirmam que:

A reabilitação do paciente com paralisia facial periférica requer do


terapeuta, antes de tudo muita sensibilidade. É preciso levar em
consideração que o paciente é um indivíduo fragilizado, posto que se
encontra com uma face que ele próprio não reconhece como sendo
verdadeiramente sua e qual tal transformação ocorreu, via de regra, de
maneira súbita.

Portanto, o trabalho muitas vezes é árduo, porém gratificante, então, vamos


estudar e mostrar a importância do nosso trabalho.

12.1 QUESTÕES PARA ESTUDO

1- Quanto tempo após a paralisia facial deve iniciar a fonoterapia?


2- Quando termina o tratamento na fase de sequelas?
3- Qual a importância da avaliação dos movimentos faciais em cada etapa
do tratamento – na fase flácida e na fase de sequelas?
4- Discorra sobre a importância da massagem e do relaxamento no
processo terapêutico.

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102
ANEXO I – PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO

ANAMNESE E AVALIAÇÃO DE PARALISIA FACIAL


Avaliação baseada no livro de Lacôte M, Chevalier AM, Miranda A, Bleton JP,
Stevenin, P. Avaliação clínica da função muscular. São Paulo: Manole, 1987
FONTE: Fouquet, ML, Masson, AC, Guimarães, MF, Pires, CA. Avaliação
fonoaudiológica na paralisia facial periférica. In LAZARINI, PR, FOUQUET, ML.
Paralisia facial – avaliação, tratamento, reabilitação. São Paulo: Lovise, 2006, p. 73.

Identificação
Data
1. Nome
2. RG do hospital:
3. D/N: Idade atual:
4. Estado civil:
5. Profissão:
6. Escolaridade:
7. Endereço
Telefone:

História pregressa da queixa


1. Quando começou o problema?
2. Quais foram os sintomas?
3. Quais foram as providências tomadas?
4. Realizou alguma cirurgia? Sentiu alguma dificuldade após a cirurgia?
5. A perda dos movimentos foi gradual ou súbita? Se fez cirurgia, foi antes ou
após esta?
6. Apresentou alguma melhor desde então?
7. Consegue fechar os olhos? Está realizando acompanhamento oftalmológico?
Quais os cuidados com os olhos?
8. Tem alguma dificuldade para alimentação? Se fez cirurgia, antes ou após a
cirurgia? Com que tipo de alimento tem dificuldade?

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9. Observou perda ou modificação no paladar?
10. Dados complementares
11. Dados médicos (tipo de paralisia, escala House, realização de cirurgia e
tratamento complementares).

AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
Em repouso

Paralisia facial flácida total parcial normal

Abolição das rugas frontais.

Rebaixamento da ponta da sobrancelha.

Olho mais aberto/pálpebra inferior caída.

Nariz desviado em vírgula para o lado são.

Abolição do sulco nasolabial.

Desvio e depressão da comissura labial.

Lábio superior “desabado”.

Lábio inferior “desabado”.

Bochecha flácida pendendo em saco.

Avaliação com movimentação

Comando Músculo avaliado Data Data Data

M T S M T S M T S

Cara assustado occipitofrontal

Cara de bravo Corrugador do


supercílio

Cara de cheiro Piramidal do


ruim nariz/transverso
do nariz e
MLLSAN

Raspar o bigode Mirtiforme

Fechar os olhos Orbicular dos


suavemente olhos (porção

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104
palpebral)

Medir GAP

Fechar os olhos Orbicular dos


com força olhos (porção
orbitária)

Medir GAP

Sorriso aberto Levantador do


lábio sup.,
zigomático maior
e menor

Sorriso fechado Risório

Comprimir a Bucinador
bochecha

Fio dental na Abaixador do


arcada inf. lábio inf.

Empurrar o Mentual
queixo para cima

Comissura labial Platisma,


para fora e para abaixador do
baixo ângulo da boca

Fazer bico Orbicular dos


lábios

Medida Comissura D
paquímetro versus filtro

Medida Comissura E
paquímetro versus filtro

Medida Ponta do nariz


paquímetro versus filtro

LEGENDA:
M –mobilidade
T – tônus
S – sincinesia
D – direita
E – esquerda
Legenda para avaliação com movimentação:
Cotação:

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0 Contração não visível nem a olho nu nem à luz rasante.

1 Pequena mobilidade de pele.

2 A pele move-se mais. Percebem-se levemente as rugas.

3 A pele move-se mais claramente. O número de rugas aumenta,


assim como sua profundidade.

4 O movimento é efetuado de maneira ampla, sincrônica e simétrica,


em relação ao lado são.

Avaliação do tônus: hiper, hipo e normal

Sincinesias: boca/olho, olho/boca, outras

0 Ausência de sincinesia.

+1 Inibição voluntária da sincinesia (paciente/espelho.)

+2 Inibição da sincinesia por pressão digital (pressão digital no sentido


contrário ao patológico).

+3 Sincinesia incontrolável.

ANEXO 2 - EXEMPLIFICANDO OS EXERCÍCIOS


http://www.portaleducacao.com.br/arquivos/arquivos_sala/media/paralisia_exemplificando.pdf

ANEXO 3 – ARTIGO: ASPECTOS NEUROFISIOLÓGICOS DA MUSCULATURA


FACIAL VISANDO A REABILITAÇÃO NA PARALISIA FACIAL.
http://www.portaleducacao.com.br/arquivos/arquivos_sala/media/aspectos_neurofisiologicos.pdf

FIM DO MÓDULO IV

AN02FREV001

106
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FIM DO CURSO!

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