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MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS


DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PARECER MPC Nº 13733/2015


Processo nº 949-0200/13-7

Relator: CONSELHEIROMARCO PEIXOTO

Matéria: CONTAS DE GESTÃO – EXERCÍCIO DE 2013

Órgão: EXECUTIVOMUNICIPAL DE VIAMÃO

Gestor: VALDIR BONATTO (PREFEITO)

CONTAS DE GESTÃO. MULTA. FIXAÇÃO DE


DÉBITO. DIÁRIAS (1.1.1). VALE-ALIMENTAÇÃO
(1.2.1). ADICIONAIS DE INSALUBRIDADE E
PERICULOSIDADE (2.2). LOCAÇÃO DE TRATOR DE
ESTEIRA (3.3). SERVIÇOS DE SERVENTES DE
LIMPEZA E MERENDEIRAS(3.4.3 E 4.2.1).
SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA PATRIMONIAL (4.3.1 E
4.3.3). ENCARGOS MORATÓRIOS (4.4.1).
REALIZAÇÃO DE DESPESA ESTRANHA AO
OBJETIVO DO CONVÊNIO (5.1.4).AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO DA FINALIDADE PÚBLICA DAS
DESPESAS (5.2.3). NEGATIVA DE
EXECUTORIEDADE. DECLINAÇÃO DE
COMPETÊNCIA. CONTAS IRREGULARES.
RECOMENDAÇÃO AO ATUAL GESTOR.
As infrações às regras, aos princípios constitucionais e
à legislação ensejam a aplicação de penalidade
pecuniária, a fixação de débito e o julgamento pela
irregularidade das contas do Gestor.
A aferição de que dispositivo de lei municipal merece
ser cotejado em face da Lei Maior acarreta a
declinação da competência do processo, com fulcro na
Súmula Vinculante nº 10 do Pretório Excelso.
Para exame e parecer o Processo de Contas de Gestão do
Administrador acima nominado.

Registre-se que o Sr. VALDIR BONATTO (Prefeito) prestou


esclarecimentos às fls. 1275/1313, acompanhados da documentação tida
como probante.

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I – RESULTADO DAS VERIFICAÇÕES PROCEDIDAS

1. Cumpre informar que, nos termos do Memorando nº 28/2014


do DCF-Gab, “os problemas técnicos detectados no sistema informatizado
do cumprimento das remessas de informações pelos órgãos jurisdicionados
a esta Corte de Contas (SISCOP e BLM), bem como a ocorrência de
bloqueios deste envio pelo próprio TCE, em função da necessidade de
atualização de dados no SISCAD, inviabilizaram o exame de atendimento de
envio dessas remessas nos processos de contas de gestão do exercício de
2013, o que, tradicionalmente, vinha sendo executado pela SICM”.

2. As irregularidades a seguir, constantes do relatório de auditoria,


desvelam a transgressão a dispositivos constitucionais e a normas de
administração financeira e orçamentária, ensejando a imposição de multa e,
nos casos expressamente consignados, de débito ao Responsável.

DO RELATÓRIO DE AUDITORIA

1.1.1 – Pagamento de diárias integrais em deslocamentos


sem pernoite. O pagamento de diária integral no dia de retorno é
considerado indevido, mesmo que não haja previsão de meia-diária na
legislação local, uma vez que inexiste despesa com hospedagem neste
dia. Sugestão de débito na monta de R$ 861,30 (fls. 1184 e 1185).

O Gestor informa ter determinado o imediato desconto nas folhas


de pagamentos dos respectivos servidores, a par da abertura de processo
administrativo disciplinar, a fim de conceder a mais ampla defesa e o
contraditório aos respectivos servidores (fls. 1275/1276).

Em conformidade com a Supervisão, o apontamento deve ser


mantido, visto que a documentação juntada às fls. 1314/1316 e 2076/2086
não comprova o ingresso dos recursos nos cofres municipais.

Resta, portanto, mantida a sugestão de débito, no valor de R$


861,30.

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1.2.1 – Concessão indevida de vale-alimentação. A


Administração estende as vantagens aos agentes políticos sem amparo
legal, já que a Lei local limita o benefício aos servidores municipais.
Flagrante afronta ao princípio constitucional da legalidade e ao
disposto no art. 4º da Lei Municipal nº 3.223/2004. Matéria objeto de
aponte nos Processos nos 1087-0200/10-8 e 957-0200/11-7. Sugestão de
débito de R$ 28.695,07 (fls. 1186 a 1188).

A presente matéria também foi apontada nas contas de 2010 e


2011, Processos nos 1087-0200/10-8 e 957-0200/11-7, tendo este Parquet
se manifestado, em ambos os expedientes, pela manutenção das
correspondentes sugestões de débitos, conforme os Pareceres MPC nos
13804/2014 e 8043/2015.

Assim sendo, é de ser mantida a sugestão de débito no valor de


R$ 28.695,07, visto que a documentação acostada às fls. 1317/1319,
2074/2075, 2077/2085, 2088/2096 e 2120 não comprova a devolução das
aludidas verbas aos cofres municipais.

2.1 – Departamento jurídico da Auditada composto, em sua


maioria, por servidores comissionados. Dos 10 servidores lotados no
departamento jurídico, 08 são comissionados (todos nomeados em
2013). A despeito de existirem 09 vagas para o cargo efetivo de
Advogado, 08 delas estão vagas. Violação ao art. 37, inciso II, da
Constituição Federal e aos princípios constitucionais da isonomia e
eficiência (fls. 1189 e 1190).

2.2 – Concessão de adicional de insalubridade e


periculosidade sem prévia elaboração de laudo pericial. Matéria objeto
de aponte nos Processos nº 957-0200/11-7 e 8047-0200/12-8. Sugestão
de débito de R$ 492.711,70 (fls. 1191 e 1192).

Inicialmente, deve-se ressaltar, conforme o entendimento


consolidado nesta Corte de Contas, que o pagamento de adicional de
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insalubridade ou periculosidade depende de prévia autorização legal e de


previsão em Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho –
LTCAT, requisitos estes considerados imprescindíveis à legitimação da
despesa pública.

No caso do Município de Viamão, vê-se que a irregularidade em


tela já foi objeto de apontamentos nas contas de 2011 e 2012, Processos
nos 957-0200/11-7 e 8047-0200/12-8, o que impunha ao Administrador a
adoção de medidas tendentes a regularizar a situação questionada pelo
controle externo.

Essa situação resta evidenciada no documento de fl. 1323,


consistente na determinação de suspensão dos pagamentos referentes às
verbas apontadas pela Auditoria, formulada pelo Sr. Valdir Bonatto e dirigida
ao Secretário Municipal da Administração.

Ocorre que este ato foi efetivado apenas no dia 10/11/2014,


permanecendo a situação irregular durante todo o período examinado.

Diante disso, opina este Parquet, em anuência à Supervisão, pela


fixação de débito no valor de R$ 492.711,70.

2.3 – Acúmulo de cargos e incompatibilidade de horários por


parte da titular do cargo de Psicóloga. A servidora pertence
simultaneamente ao quadro de cargos de Viamão e de Santo Antônio
da Patrulha e, de acordo com os horários constantes em sua
frequência (em cada Município), verificou-se que em alguns dias a
profissional teria trabalhado nos dois locais ao mesmo tempo.
Descumprimento ao art. 37, inciso XVI, alínea “c”, da Constituição
Federal (fls. 1192 e 1193).

Em convergência com o Serviço de Instrução, opina-se pelo


afastamento do aponte, tendo em vista que “(...) a situação irregular
perdurou junto ao Auditado apenas durante os três primeiros meses do

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exercício sob análise e tendo o Gestor noticiado a tomada de providências


no sentido de compatibilização legal da jornada de trabalho da servidora,
opina-se pelo afastamento do aponte” (fl. 2149).

3.1.1 – Situação emergencial não comprovada na contratação


de serviços de publicidade com a empresa Pública Comunicação Ltda.
As razões apresentadas pelo Gestor Municipal não foram suficientes
para caracterizar a situação preconizada no inciso IV do art. 24 da Lei
Federal nº 8.666/1993, ou seja, a situação emergencial ou calamitosa a
ser atendida (fl. 1193 e 1194).

3.2 – Ilegal dispensa de licitação para a contratação da


empresa Banrisul Serviços Ltda. para a prestação de serviços de
administração e fornecimento de cartões alimentação da marca
Refeisul. Considerando que a contratação analisada tem por objeto
atividades de natureza econômica, inviável a utilização do art. 24,
inciso VIII, da Lei de Licitações para fundamentar a dispensa de
licitação. Verificou-se que o procedimento adotado pela Auditada
inviabiliza a obtenção de propostas mais vantajosas e acarreta
potencial dano ao Erário, em contrariedade ao art. 3º da Lei Federal nº
8.666/1993 (fls. 1194 a 1198).

3.3 – Irregular locação de trator esteira, já que a motivação


fornecida para a suposta necessidade da prestação de serviço,
ocorrida no período de 14/08/2013 a 14/10/2013, não corresponde à
realidade atestada documentalmente. Situação semelhante foi
apontada no Processo nº 8047-0200/12-8. Sugestão de débito de R$
68.640,00 (fls. 1198 e 1199).

Com efeito, de acordo com os documentos juntados pela


Auditoria, observa-se que as razões que embasaram a contratação da
empresa Marcelo Dias Peres no período de 14/08/2015 a 14/10/2015 não
possuem supedâneo fático, como bem assinala a Equipe de Auditoria.

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Isso porque o processo administrativo de fls. 168/170 refere que o


conserto do trator de esteira já havia sido realizado à data do despacho de fl.
169, ocorrido em 12/07/2013, de modo que não se divisam razões para a
contratação verificada no período de 14/08/2013 a 14/10/2013, ao valor de
R$ 68.640,00.

Segundo esclarece a defesa, fls. 1281/1282, o trator teria sofrido


uma nova avaria, o que gerou a necessidade de uma nova contratação
emergencial.

Contudo, nos termos expendidos na análise técnica, fl. 2152, o


Administrador não faz prova da alegada avaria, o que até poderia suscitar o
afastamento do aponte, já que os serviços realizados no aterro sanitário não
comportam atrasos ou impedimentos.

Assim sendo, opina-se pela imputação de débito no valor de R$


68.640,00, em face da ausência de documentos comprovando o dano
sofrido pelo trator de esteira de propriedade do Município, bem como o
período do conserto e o valor pago pelo reparo.

3.4 – Contratação de serviços de serventes de limpeza e


merendeiras. O Executivo realizou o Pregão Eletrônico nº 23/2013 com
o objetivo de contratar serviços de merendeira para as escolas
municipais. Também foi realizado o Pregão Eletrônico nº 24/2013, este
com o objetivo de contratar serviços de servente de limpeza para as
escolas municipais. Em ambos os certames a empresa vencedora foi a
Prest Service. O serviço de merendeiras foi contratado por R$ 66.011,33
mensais e o serviço de limpeza foi contratado ao preço de R$
188.000,00 mensais (fls. 1199 e 1200).

3.4.1 – Inexistência de planilhas demonstrativas dos


custos/preços, conforme exigência do art. 40, § 2º, inciso II, da Lei de
Licitações. Cada Edital informou apenas o custo estimado da
contratação através de seu montante mensal, sem detalhamento de sua
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composição, inobstante as referidas contratações contemplem o


fornecimento de mão de obra, equipamentos e materiais (fl. 1200).

3.4.2 – Divergências nas informações fornecidas aos


licitantes no processo administrativo referente ao Pregão Eletrônico nº
24/2013. Categórica ofensa aos princípios constitucionais da isonomia
e impessoalidade. Prejudicialidade ao caráter competitivo do certame e
à obtenção da proposta mais vantajosa para o Executivo, conforme
dispõe o art. 3º da Lei de Licitações (fl. 1200 e 1201).

3.4.3 – Contratação de serviços para a execução em período


sem necessidade, haja vista o recesso escolar. Afronta aos princípios
da eficiência e da economicidade. Sugestão de responsabilização do
Administrador pelo valor de R$ 182.000,00, referente à manutenção do
contrato em período de férias e recesso escolar (fl. 1202).

De fato, o Município de Viamão contratou a empresa Prest


Service, para a prestação de serviços de merendeiras em período no qual
não havia atividades escolares, incorrendo em um gasto desnecessário de
R$ 182.000,001.

O Administrador informa ter determinado a imediata retenção dos


valores indicados para glosa, relativamente aos pagamentos realizados no
período de férias e recesso escolar (fls. 1282/1283).

O Serviço de Instrução, em sua análise técnica de fls. 2153/2157,


pugna pela permanência do indicativo de débito, já que a irregularidade foi
reconhecida pelo próprio Administrador, o qual não logrou demonstrar a
efetiva reparação do Erário.

Assiste razão à SICM, porquanto, embora o Gestor tenha


admitido a procedência do apontamento formulado pela Equipe de Auditoria,

1
Segundo a Equipe de Auditoria, o valor do contrato para um período de 84 dias é igual a R$
792.135,96/365 dias x 84 dias = R$ 182.299,78.

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não foram acostados aos autos qualquer documento comprovando a


restituição da Fazenda Pública.

Por isso, deve ser mantida a sugestão de débito no valor de R$


182.000,00.

4.1.1 – Serviços de serventes de limpeza e merendeiras para


as escolas municipais (contratos de 2013). Inexistência de prestação de
garantias exigidas pelo Edital. O item 22 de cada um dos editais previu
que na ocasião da assinatura do contrato a empresa vencedora
garantiria 5% do valor do contrato em 12 meses. Verificou-se que a
inclusão no Edital de obrigação que não tem seu cumprimento exigido,
acaba servindo como obstáculo à competição do certame. Violação à
cláusula 22 dos Editais e ao Princípio da Economicidade, bem como
incidência na vedação legal prevista no art. 3º, § 1º, inciso I, da Lei de
Licitações (fls. 1202 e 1203).

4.1.2 – Inexistência de parte dos materiais, equipamentos e


pessoal contratados. Fiscalização deficiente. A empresa valeu-se de
apenas um encarregado e um veículo na supervisão dos dois
contratos, apesar de o Auditado pagar por um encarregado e um
veículo para cada contrato individualmente. Ademais, verificou-se que,
passados mais de sete meses da vigência dos contratos, ainda
faltavam ser entregues parte dos uniformes e EPIs às funcionárias que
atuavam na execução do contrato. Ofensa ao princípio constitucional
da eficiência (fls. 1203 a 1206).

4.2.1 – Serviços de servente de limpeza e merendeiras


(contratos de 2012). Sobrepreço na contratação e inexecução dos
serviços. O Relatório de Auditoria do Processo nº 8047-0200/12-8
consignou que a contratação dos referidos serviços junto com a
empresa Uniserv União de Serviços Ltda., se deu com sobrepreço e
que os serviços contratados não foram executados em sua totalidade.

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Foi sugerido o débito, entretanto não foram incluídos os valores


relativos aos meses de novembro de dezembro de 2012, uma vez que
estes pagamentos ocorreram fora do exercício. Dessa forma, sugere-se
o débito de R$ 209.229,27 (fls. 1206 e 1207).

Vale lembrar que a inconformidade em tela foi apontada nas


contas de 2012, verificando-se a repercussão financeira relativa aos meses
de novembro e dezembro apenas no presente exercício.

Essa situação, todavia, e nesse específico caso, não afasta a


responsabilidade do Administrador pelos atos praticados em sua gestão,
ainda que se trate do primeiro ano de seu mandato.

Isso porque a matéria já havia sido objeto de questionamento pela


Corte de Contas, cumprindo, pois, a adoção, por parte do Gestor, de uma
postura de prudência e cautela, suspendendo eventuais pagamentos, até
que fosse dirimida qualquer dúvida acerca da legitimidade dos pagamentos.

No que pertine ao débito, conforme assinala o Serviço de


Instrução à fl. 2157, “(...) não resta documentalmente comprovada nestes
autos a efetiva retenção dos valores objeto do indicativo de ressarcimento ao
erário, de forma que a mera informação de retenção de valores em nada
modifica o aponte, que se mantém inalterado, juntamente com o débito”.

Logo, é de ser mantida a sugestão de débito no importe de R$


209.229,27.

4.3 – Serviços de vigilância patrimonial. Em 14/10/2011, a


partir da realização do Pregão Presencial nº 60/2011, o Executivo
firmou contrato com a empresa EPAVI-SIS, com vigência por 12 meses,
no valor de R$ 1.566.480,00 pagos em parcelas mensais. Em 11/10/2012
e 28/12/2012, foram formalizados termos aditivos que prorrogaram a
vigência do contrato até 31/12/2013. O Edital do Pregão Presencial nº
60/2011 determinava que fossem 107 locais a serem monitorados e 5 a

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quantidade mínima de veículos a serem utilizados na prestação de


serviços (fl. 1207).

4.3.1 – Prorrogação de contrato por valor injustificado. No


subitem 6.3 do Relatório de Auditoria do Processo nº 8047-0200/12-8,
demonstrou-se que, no exercício de 2012, a Auditada formalizou duas
prorrogações que levaram a vigência do contrato até 31/12/2013, sem
justificar o preço acordado para os serviços no período das
prorrogações. Em ambas, fora mantido no preço do serviço a parcela
do custo relativa aos investimentos da EPAVI-SIS em equipamentos e
veículos. Entretanto, evidenciou-se que a amortização integral destes
investimentos foi agregada pela empresa considerando apenas a
vigência ajustada para o contrato inicial de 12 meses. Assim o valor
correspondente a esta parcela deveria ter sido excluído do preço, uma
vez que nas prorrogações os equipamentos e veículos seriam os
mesmos. Sugestão de débito de R$ 581.571,16 (fls. 1207 a 1212).

4.3.2 – Inexistência de parte dos equipamentos contratados.


Funcionamento parcial de parte dos equipamentos instalados. Conclui-
se que a parcela dos valores pagos à empresa relativa a equipamentos,
que totaliza R$ 521.041,62, no período de competência de janeiro a
dezembro de 2013, é indevida, sendo passível de ressarcimento ao
Erário (fls. 1212 e 1213).

4.3.3 – Inexistência de parte do pessoal contratado. A parcela


dos valores pagos à empresa relativa ao custo com um engenheiro,
três técnicos e oito operadores de central de monitoramento, que
totaliza R$ 344.946,47 no período de competência de janeiro a
novembro/2013, é indevida, sendo, portanto, passível de ressarcimento
ao Executivo (fls. 1213 a 1217).

Quanto aos itens 4.3, 4.3.1, 4.3.2 e 4.3.3, cumpre assinalar,


desde logo, que as irregularidades destacadas remontam ao exercício de

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2012, Processo nº 8047-0200/12-8, no qual restou evidenciado que, nas


duas prorrogações havidas, foi mantida no preço do serviço a parcela do
custo relativa aos investimentos da empresa EPAVI-SIS Sistemas
Informatizados de Segurança Ltda. em equipamentos e veículos.

Ocorre que tais parcelas teriam sido integralmente amortizadas


ainda na primeira contratação, ou seja, no período compreendido entre
14/10/2011 e 13/10/2012, nada mais sendo devido a título de investimento
em equipamentos e veículos, razão pela qual não se afigura devida a
parcela paga pelo Município de Viamão nos períodos subsequentes, no
importe de R$ 581.571,16, conforme demonstrado pela Auditoria às fls.
1207/1212 dos autos.

Além disso, restou evidenciado pela fiscalização da Corte que


uma parcela dos equipamentos contratados pelo Município, no período de
competência de janeiro a novembro de 2013, não foi instalada pela EPAVI-
SIS nos locais de monitoramento.

Com relação à necessidade de instalação em cada central de


alarme de um ponto eletrônico de ronda em tempo real, constatou-se a
ausência em todos os locais visitados, e, segundo o fiscal de contrato, não
há ponto eletrônico de ronda em nenhum dos locais atendidos pelo sistema
de alarme (fl. 349).

Essas irregularidades teriam implicado um prejuízo de R$


521.041,62 aos cofres municipais.

No que tange ao item 4.3.3, reporta a Auditoria que a composição


da equipe de profissionais da EPAVI-SIS dedicada à execução do objeto
contratual é diferente da composição prevista na proposta que venceu a
licitação, como demonstrado pela tabela de fl. 1214, acarretando um dano
de R$ 344.946,47.

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O Administrador alega que a contratação se deu na gestão


passada (2008/2012), sendo que os pagamentos foram realizados no ano de
2013 apenas porque o Gestor não tinha conhecimento das referidas
irregularidades (fls. 1284/1285 e 2070/2071).

Também informa ter determinado a abertura de processo


administrativo, a fim de serem apurados os fatos reportados pela Auditoria.

Por fim, afirma ter determinado a retenção dos valores indicados


para glosa, no montante de R$ 926.517,63, bem assim a imediata rescisão
do contrato, se ainda vigente àquela época, conforme demonstra o
Memorando nº 2443/2014 (fls. 1386/1388 e 2133).

A Supervisão, às fls. 2157/2160, pugna pela manutenção do


indicativo de débito no total de R$ 926.517,63, referente aos itens 4.3.1 e
4.3.3, afastando, contudo, a glosa sugerida no item 4.3.2, porquanto:

[...] este item trata da inexistência de parte dos equipamentos contratados, bem
como do funcionamento parcial daqueles instalados. Contudo, a Equipe de
Auditoria indicou no débito o valor total dos equipamentos e, como todos os
locais de instalação (107) não foram vistoriados, impossível a quantificação
exata do valor. Destarte, como não há dados suficientes no Relatório de
Auditoria para refazer o cálculo, indica-se o afastamento da sugestão de
ressarcimento.
Refira-se, diante do quanto exposto nestes autos de contas, que
as irregularidades destacadas pela Auditoria restam incontroversas, de
modo que devem ser mantidos todos os apontamentos.

No que pertine às sugestões de glosas, em anuência à


Supervisão, pugna-se pela impugnação da quantia de R$ 926.517,63 (R$
581.571,16 + R$ 344.946,47), devendo ser afastado o indicativo de débito
referente ao item 4.3.2, já que não existem elementos nos autos que
indiquem com precisão a real extensão dos prejuízos causados aos cofres
do Município.

Essa deficiência, contudo, e dada a considerável quantia


envolvida, deve ser devidamente aferida pela Administração, a fim de buscar

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o ressarcimento junto à empresa contratada, seja na via administrativa ou


judicial, uma vez que, segundo informado pelos setores competentes do
Poder Executivo, não existe contrato em andamento com a empresa EPAVI-
SIS e, tampouco, valores pendentes de pagamento (fls. 1388 e 2133).

Frise-se, por derradeiro, que, embora o contrato tenha sido


firmado na gestão anterior, o atual Administrador não pode se eximir da
responsabilidade pelos atos incorridos em seu mandato, sobretudo por
aqueles que já foram objeto de questionamento perante este Tribunal de
Contas, devendo proceder sempre ao exame dos relatórios de Auditoria e
das decisões vertidas tanto pelo controle interno quanto externo, com vistas
a evitar a reincidência de irregularidades anteriormente cometidas e a
promover a regularização daquelas passíveis de saneamento.

Mesmo porque a responsabilidade do Administrador não está


condicionada ao efetivo conhecimento dos atos ou fatos ocorridos em seu
período de gestão, de modo que, perante este Tribunal de Contas, o Gestor
deve responder integralmente pelas irregularidades verificadas, resguardado
o direito de regresso contra os agentes públicos que, em seu entender,
devam ser responsabilizados.

E se é verdade que as falhas tiveram origem na administração


passada, mais certo é que todas as irregularidades foram mantidas na atual
gestão, nada fazendo o Administrador para corrigir as deficiências
encontradas na execução do ajuste, as quais, se não eram, deveriam ser de
seu conhecimento, já que envolvia boa parte da estrutura física do
Município, se não toda.

Mantém-se, como já dito, a sugestão de débito no importe de R$


926.517,63, referente aos itens 4.3.1 e 4.3.3, impondo-se o reexame, em
futura auditoria, dos desdobramentos decorrentes da irregularidade
destacada no item 4.3.2.

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4.4.1 – Recolhimento com atraso de contribuições


previdenciárias retidas dos prestadores de serviços à municipalidade.
Matéria objeto de aponte nos Processo nos 957-0200/11-7 e 8047-
0200/12-8. Sugestão de débito no valor de R$ 9.996,25, referente a
encargos moratórios sobre os recolhimentos realizados em atraso (fls.
1217 a 1219).

Informa o Administrador que foram realizadas as correções dos


pagamentos realizados, bem como determinada a abertura de sindicância, a
fim de apurar as responsabilidades pelo ocorrido (fl. 1285).

Conquanto tenha reconhecido a defesa a pertinência do


apontamento, vê-se que a Fazenda Pública permanece sem qualquer
reparação, o que impõe a permanência do indicativo de débito no valor de
R$ 9.996,25.

5.1 – Irregularidades no convênio firmado entre a Auditada e


a Associação dos Usuários e Familiares do Centro Integrado de
Atenção à Saúde Mental de Viamão – ACAMVI. No Processo nº 8047-
0200/12-8, foram apontadas irregularidades no convênio firmado entre
as partes, sendo que em 2013, além das inconformidades similares às
constatadas no exercício anterior, outras foram identificadas (fls. 1219
a 1220).

5.1.1 – Definição imprecisa das obrigações da entidade


conveniada para fazer jus aos significativos valores repassados. Na
linha da constatação havida no exercício de 2012, a cláusula quarta do
convênio limita-se a fixar obrigações demasiadamente genéricas à
ACAMVI. Ademais, o plano anual de trabalho se limitou a prever
prováveis gastos mensais da Associação, situação que vai de encontro
aos requisitos mínimos elencados no art. 116, §1º, da Lei Federal nº
8.666/1993. Sugestão de que esta Corte determine à Auditada a
adequação dos termos do convênio firmado (fls. 1220 e 1221).

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5.1.2 – Imprecisão dos dados contidos nas planilhas


apresentadas pela ACAMVI, fornecidas a título de prestações de
contas. Necessidade de que a Entidade não venha a incidir nas
inconformidades observadas e, em respeito ao princípio da
transparência, passe a discriminar o preciso valor destinado a cada
profissional, bem como a forma pela qual se deu o pagamento (fl.
1221).

5.1.3 – Irrazoabilidade das jornadas de trabalho cumpridas


por profissionais que, empregadas na ACAMVI, também são servidoras
efetivas no Município. Verificou-se que duas servidoras acumularam as
referidas jornadas e, por diversos períodos, não usufruíram de
períodos de descanso. Necessidade de a Auditada sanear a
inconformidade (fls. 1222 e 1223).

5.1.4 – Realização de despesa estranha ao objetivo do


convênio. No Processo nº 8047-0200/12-8, constatou-se que a ACAMVI
utilizou parte das verbas repassadas para o pagamento de despesas
administrativas da própria entidade conveniada (aluguel da sede,
honorários contábeis, honorários advocatícios, fatura de energia
elétrica, fatura de telefone fixo e pagamento de encargos ao FGTS),
situação que se repetiu no exercício sob análise. O estatuto da ACAMVI
não estabelece que a sua manutenção dependerá unicamente de
recursos municipais repassados por convênio. Sugestão de débito do
valor de R$ 70.592,37, referente à realização de despesas decorrentes
da manutenção da Associação e da desídia dos Administradores
(dispêndios com multas e juros), alheias aos objetivos do convênio (fls.
1223 a 1227).

Segundo noticia a Auditoria deste Tribunal de Contas, foi


constatado que a Associação dos Usuários e Familiares do Centro Integrado
de Atenção à Saúde Mental de Viamão – ACAMVI utilizou parte das verbas

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repassadas pelo Convênio para o pagamento de despesas


administrativas, não abrangidas pelos objetivos do ajuste firmado com o
Executivo Municipal.

Com efeito, de acordo com os autos, a ACAMVI despendeu


recursos com o pagamento de despesas com contador, advogado, telefonia,
juros e multas ao INSS, FGTS, energia elétrica e aluguel da sede da
entidade, gastos estes que não se afeiçoamaos objetivos estabelecidos no
citado ajuste, os quais estariam relacionados com o desenvolvimento de
ações e atividades propostas pela Política de Saúde Mental do Município,
fls. 373/376.

É preciso reconhecer que tal fato afeta diretamente o interesse


público da despesa incorrida pelo Poder Público, sujeitando o responsável à
reparação do Erário.

O Administrador discorda do apontamento, porquanto, em todos


os termos de cooperação técnica entre órgãos públicos e privados, existem
despesas administrativas para a operacionalização do Convênio, não sendo
justo que a entidade assuma as despesas a ela relacionadas, fls. 1295/1296.

De ressaltar que ajustes dessa natureza não comportam a


aplicação de recursos em serviços ou compras distintas daquelas constantes
do correspondente objeto do convênio, traduzidas no plano de trabalho
aprovado,já que se busca preservar a finalidade pública do dispêndio.

E anote-se que a procedência ou não do apontamento realizado


pelo controle externo não está sujeita a juízo de valorformulado acerca dos
gastos incorridos pelo convenente, mas sim ao regramento normativo
incidente na espécie, ao qual o Administrador está vinculado por força da
própria Constituição Federal, conforme dispõe o caput do art. 37.

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Diante disso, opina este Ministério Público de Contas, em


anuência ao Órgão Instrutivo, pela manutenção do indicativo de débito no
importe de R$ 70.592,37.

5.2 – Inconformidades decorrentes de contrato de gestão


firmado entre o Auditado e a Fundação Hospital Getúlio Vargas de
Sapucaia do Sul, para a manutenção de unidade de pronto atendimento
24 horas no Município de Viamão. O Processo nº 8047-0200/12-8
apontou irregularidades decorrentes do pacto firmado, as quais
também foram identificadas nos repasses realizados em 2013.
Ademais, constataram-se irregularidades decorrentes do aditamento do
referido ajuste, bem como do novo contrato de gestão formulado, em
outubro de 2013 (fls. 1227 e 1228).

5.2.1 – Equivocada conceituação do ajuste firmado entre as


partes. O ajuste firmado tem peculiar natureza de convênio,
submetendo-se ao art. 116 da Lei Federal nº 8.666/1993. Para se eximir
do dever de prestação de contas, a Fundação sustentou que o contrato
de gestão firmado a dispensaria de tal mister. Entretanto, verifica-se
como inviável conceituar o ajuste como contrato de gestão, haja vista a
necessidade de a Fundação se submeter ao art. 70, parágrafo único, da
Constituição Federal (fls. 1228 a 1230).

5.2.2 – Prorrogação do “contrato de gestão” sem o


estabelecimento de quaisquer metas e prazos a serem cumpridos pela
Fundação. Em 27/05/2013, a Auditada renovou o ajuste, sem inserir no
instrumento contratual novos deveres às partes, tendo o aditivo
contratual, inclusive, mantidas as mesmas metas e ações referentes ao
período anterior de vigência (fl. 1231).

5.2.3 – Ausência de documentos hábeis a comprovar as


despesas realizadas. As prestações de contas efetuadas pela
Fundação, relativamente aos recursos repassados pela Municipalidade

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até dezembro de 2013, trataram-se, à semelhança do ocorrido em 2012,


de meros relatórios apensos a memorandos. Diante do não
cumprimento da regra prevista no art. 70, parágrafo único, da
Constituição Federal e da ausência de critérios objetivos de avaliação
quanto às metas a serem atingidas pela contratada no exercício sob
análise, sugere-se o débito de R$ 5.061.753,63 (fls. 1231 a 1236).

Não é demais lembrar que, de acordo com o parágrafo único do


art. 70 da Constituição Federal, deverá prestar contas qualquer pessoa física
ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou
administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais o Município
responda, ou que, em nome deste, assuma obrigações de natureza
pecuniária.

Dessume-se que o dever de prestar contas é imposição que


decorre do princípio constitucional da publicidade, prestando-se à
comprovação da correta aplicação dos recursos públicos despendidos e à
viabilização do controle social, na medida em que atua como um instrumento
de transparência da gestão fiscal.

Deflui daí a necessidade de utilização de todos os meios


possíveis para garantir o cumprimento do postulado antes citado, o que nem
sempre será atendido com o simples fornecimento de nota fiscal pelo
prestador de serviço.

Além disso, uma ampla e detalhada prestação de contas visa


garantir meios de ser aferido o atendimento ao interesse público e aos
princípios da moralidade e eficiência, não devendo ser olvidado o fato de
que a mera transferência de recursos públicos a particulares não acarreta a
despublicização daquelas verbas, pois o que ocorre, de fato, é apenas a
delegação, transitória ou permanente, a terceiros, da guarda e da aplicação
deste numerário, ato este previamente autorizado por lei ou outro
instrumento legal, impondo-se, nos termos do ajuste firmado, a

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apresentação tempestiva da documentação comprobatória da correta


utilização dos valores recebidos em nome do Poder Público.

Nessa esteira, tem-se como procedente a falha noticiada pela


Equipe de Auditoria, porquanto o trato da coisa pública impõe, por parte do
Administrador, o máximo zelo e transparência, não havendo margem para
deficiências no que diz com a prestação de contas de verbas públicas
repassadas a particulares.

Não basta, como bem assinala a Equipe de Auditoria,a


apresentação de “meros relatórios apensos a memorandos, que
apresentaram peças de cunho gerencial, contendo dados sobre a evolução
dos atendimentos, perfil da demanda, distribuição dos atendimentos por
região, dentre outras informações (fls. 641 a 809)”, reputa-se necessária a
demonstração clara de todos os gastos incorridos na execução do objeto
firmado no contrato de gestão, sob pena de devolução dos recursos não
comprovados.

A Supervisão, à fl. 2168, destaca que “(...) tanto o Setor Jurídico


do Executivo, quanto a Informação nº 1168 (orientação dada pela DPM ao
Auditado), alertaram a Administração quanto à necessidade de a FHGV
efetuar regular prestação de contas (vide fls. 612 a 613 e 622 a 639)”.

Diante do exposto, este Ministério Público de Contas opina, em


anuência à Supervisão, pela permanência do indicativo de débito, no importe
de R$ 5.061.753,63, ao mesmo tempo em que reitera o Parecer MPC nº
3405/2015.

5.3 – Inconformidades em contrato de gestão para execução


de programas na área da saúde, celebrado com a Organização Social
Instituto dos Lagos Rio. Permanência da situação apontada no
Processo nº 8047-0200/12-8 (fl. 1236).

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5.3.1 – O Contrato de Gestão celebrado entre o Executivo


Municipal e a organização social denominada Instituto dos Lagos – Rio,
cujo objeto consiste na cooperação técnica no desenvolvimento
institucional e educacional para realizar as atividades pertinentes aos
Programas Municipais na área de Saúde Pública, resumiu-se a
intermediar a contratação de profissionais para a área da saúde pública
do Executivo Municipal. Verificou-se que 88,67% dos recursos
alcançados pelo Auditado estão sendo aplicados em pagamentos de
salários e encargos sociais dos profissionais contratados. Ademais, a
inércia da Administração para suprir a carência de servidores públicos
para atender à Estratégia de Saúde da Família – ESF e ao Programa de
Agentes Comunitários de Saúde – PACS, através da realização de
concurso público, caracteriza infringência ao princípio da legalidade
inserto no caput do art. 37 da Carta Federal, e não-observância do
disposto do inciso II do mesmo artigo. O valor de R$ 8.218.890,50 é
passível de ser considerado na análise da gestão fiscal, quando da
apuração dos gastos com pessoal da auditada (fls. 1236 a 1240).

5.3.2 – Ausência de indicadores e metas de resultado, os


quais possibilitariam a avaliação quanto à economicidade, eficiência e
eficácia do ajuste firmado com o Instituto dos Lagos – Rio.
Inobservância dos princípios constitucionais da legalidade e da
eficiência e em especial dos preceitos da Lei Federal nº 9.637/1998.
Sugestão para que este TCE determine a imediata rescisão do referido
contrato de gestão (fls. 1241 e 1242).

6.1.1 – Análise de Rendimentos Financeiros. Inobservância


aos princípios da eficiência e economicidade, porquanto os fundos
utilizados para aplicação dos recursos disponíveis não eram as
melhores opções dentro dos portfólios das Instituições Financeiras.

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Matéria apontada no Processo nº 8047-0200/12-8. Infringência aos


princípios da eficiência e economicidade (fls. 1242 a 1244).

7.1 – Inadequação do texto legal municipal relativo ao ISSQN.


Em decorrência da inexistência de previsão legal, é questionável pelo
contribuinte, qualquer lançamento constitutivo de crédito tributário
relacionado a serviços realizados sob forma que não seja a de trabalho
pessoal. Possibilidade de o Executivo sofrer perda de receita (fls. 1244
e 1245).

7.2.1 – Concessão de isenções de ISSQN em afronta a


dispositivo constitucional. A Lei Municipal nº 4.109/2013 estabeleceu,
em seu art. 4º, inciso I, alíneas “a” e “d”, que poderá ser concedida
isenção de até 100% dos impostos municipais a empresas que
iniciarem ou ampliarem atividades no Município. Ocorre que tal
dispositivo viola a determinação contida no inciso II do art. 88 do
ADCT. Sugestão de negativa de executoriedade das Leis Municipais nos
2.867/2000, 3.125/2002 e 3.892/2011, bem como do art. 4º, inciso I,
alíneas “a” e “d”, da Lei Municipal nº 4.109/2013 e do art. 1º da Lei
Municipal nº 2.562/1996, no que dizem respeito à isenção do ISSQN (fls.
1246 a 1248).

De acordo com o art. 88 do Ato das Disposições Constitucionais


Transitórias – ADCT, enquanto lei complementar não disciplinar o disposto
nos incisos I e III do § 3º do art. 156 da Constituição Federal, o Imposto
Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISSQN não será objeto de
concessão de isenções, incentivos e benefícios fiscais, que resulte, direta ou
indiretamente, na redução da alíquota mínima de 2%.

Já a Lei Municipal nº 4.109/2013 estabeleceu a mera


possibilidade de redução da alíquota do ISSQN para até 2%, nada
dispondo, especificamente, acerca da isenção desse imposto, condição esta
que parece estar afeiçoada ao comando constitucional anteriormente citado.

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FL. Rubrica
2204

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Logo, não há falar em inconstitucionalidade da norma municipal,


pelo menos em relação àquela de competência do Sr. VALDIR BONATTO.

Acresça-se que a Lei Municipal nº 3.892/2011, que concede


isenção a obras relacionadas à construção de parques eólicos, na linha do
quanto restou consignado pela Supervisão, também não encontra óbice
constitucional, uma vez que o incentivo fiscal se insere na exceção prevista
no inciso I do art. 88 do ADCT.

Por outro lado, as Leis Municipais nos 2.562/1996, fl. 1071, que
concede isenção aos ginásios de esportes; 2.867/2000, que concede
isenção aos proprietários de táxi cujos veículos sejam licenciados,
emplacados e que tenham ponto fixo no Município, fl. 1072; e 3.125/2002, a
qual concede isenção, nos meses de janeiro e fevereiro, aos prestadores
de serviços de transporte escolar cujos veículos sejam licenciados e
emplacados no Município, fl. 1073, por concederem expressamente isenção
ao tributo em análise, afrontam a precitada norma constitucional, sujeitando-
as à incidência da competente medida reparatória.

Diante disso, este Ministério Público de Contas opina, em


anuência à Supervisão, pela manutenção parcial do apontamento,
sugerindo seja negada a executoriedade das Leis Municipais nos
2.562/1996, 2.867/2000 e 3.125/2002, em face da violação ao preceituado
no inciso II do art. 88 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

8.1 – Composição incompleta do quadro de servidores do


sistema de controle interno e atendimento parcial do plano anual de
trabalho (fls. 1248 a 1250).

8.2 – Ausência de retorno de órgãos auditados quanto aos


relatórios produzidos pelo controle interno. Ademais, a Lei Municipal nº
3.725/2009 não estipula qualquer procedimento ou fixação de prazos
para os órgãos auditados se manifestarem sobre os apontamentos da
Unidade Central (fl. 1250).
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8.3.1 – Fiscalização deficiente quanto ao cumprimento das


condicionalidades do cadastro do Programa Bolsa Família. Falha no
sistema de controle interno da Auditada (fls. 1250 e 1251).

DAS INSPEÇÕES ESPECIAIS

Segue abaixo a manifestação da Área Técnica, fls. 2178/2180,


acerca dos processos de inspeções especiais verificadas no Município de
Viamão, os quais foram devidamente considerados na análise das presentes
contas de gestão:

Processo nº 10478-0200/13-5

Registra-se que a decisão prolatada em 12/02/2014 consignou o


seguinte:

O Tribunal Pleno, por unanimidade, acolhendo o voto do Conselheiro-Relator,


por seus jurídicos fundamentos, decide pelo arquivamento da presente
Inspeção Especial, em razão da perda do objeto, e pela advertência e
recomendação ao Gestor do Município de Viamão, Senhor Valdir Bonatto,
para que, em futuros certames, observe as deliberações desta Corte e as
normas e princípios licitatórios.

Processo nº 1627-0200/14-9 (fls. 1266 a 1272)

A decisão prolatada em 23/07/2014 consignou o seguinte:

O Tribunal Pleno, por unanimidade, acolhendo o voto do Conselheiro-Relator,


por seus jurídicos fundamentos, decide:
a) pela imposição de multa, no valor de R$ 1.200,00, ao Senhor Valdir
Bonatto, com fulcro nos artigos 67 da Lei Estadual n. 11.424, de 06 de janeiro
de 2000, e 132 do Regimento Interno deste Tribunal, por infringência a normas
de administração financeira e orçamentária;
b) pela determinação ao Gestor para que, no prazo de até 30 (trinta) dias a
contar da ciência desta decisão, proceda à anulação do procedimento de
inexigibilidade de licitação e do contrato dele decorrente, em face das
irregularidades apontadas;
c) pela manutenção da medida liminar acautelatória deferida na decisão
interlocutória de folhas 144 a 146 até o trânsito em julgado desta decisão;
d) pela determinação à Direção de Controle e Fiscalização para que
acompanhe o cumprimento do disposto nas alíneas anteriores;
e) pela determinação para que a matéria seja considerada nas contas do
Senhor Valdir Bonatto, Administrador do Executivo Municipal de Viamão,

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referente ao período sob exame, devendo ser analisado o cabimento de débito


relativo ao contrato com a empresa HS – Health Solutions SS Ltda.;
f) após, pelo arquivamento do feito.

Por fim, cumpre sinalar a existência do Pedido de Revisão nº


1541-0200/15-6, pendente de julgamento.

Processo nº 1628-0200/14-1 (fls. 1260 a 1263)

A decisão prolatada em 13/08/2014 dispôs da seguinte forma:

O Tribunal Pleno, por unanimidade, acolhendo o voto do Conselheiro-Relator,


por seus jurídicos fundamentos, decide:
a) pela determinação para que os atos até então praticados relativos à
Concorrência n. 07/2013 sejam considerados na análise das contas do
Administrador responsável, pendentes de julgamento;
b) pela recomendação ao Administrador para que evite as irregularidades
apontadas pela Área Técnica em futuros competitórios;
c) pelo arquivamento da presente Inspeção Especial.

Processo nº 3209-0200/14-2 (fls. 1255 a 1259)

A decisão prolatada em 13/08/2014 dispôs da seguinte forma:

O Tribunal Pleno, por unanimidade, acolhendo o voto do Conselheiro-Relator,


por seus jurídicos fundamentos, decide:
a) pela imposição de multa, no valor de R$ 1.000,00, ao Senhor Valdir
Bonatto, com fulcro nos artigos 67 da Lei Estadual n. 11.424, de 06 de janeiro
de 2000, e 132 do Regimento Interno deste Tribunal, por infringência a normas
de administração financeira e orçamentária;
b) pela determinação para que os atos até então praticados relativos à
Tomada de Preços n. 08/2013 sejam considerados na análise das contas do
Administrador responsável, pendentes de julgamento;
c) pelo arquivamento da presente Inspeção Especial.

Processo nº 3210-0200/14-0

A decisão prolatada em 15/04/2015 dispôs da seguinte forma:

O Tribunal Pleno, por unanimidade, acolhendo o voto do Conselheiro-Relator,


por seus jurídicos fundamentos, decide arquivar o presente feito, uma vez
constatada a perda do objeto da presente Inspeção Especial.

Processo nº 6010-0200/14-5

A decisão prolatada em 29/04/2015 dispôs da seguinte forma:

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FL. Rubrica
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O Tribunal Pleno, por unanimidade, acolhendo o voto do Conselheiro-Relator,


por seus jurídicos fundamentos, decide arquivar o presente feito, uma vez
constatada a perda do objeto da presente Inspeção Especial.

II – CONCLUSÃO

O conjunto das falhas antes descritas, sobretudo (a)as


irregularidades verificadas no convênio firmado entre o Município e a
Associação dos Usuários e Familiares do Centro Integrado de Atenção à
Saúde Mental de Viamão – ACAMVI; (b)o pagamento irregular de adicionais
de insalubridade e periculosidade; (c)as irregularidades verificadas na
contratação de serviços de vigilância patrimonial; (d)as falhas descritas nas
inspeções especiais referidas neste processo de contas de gestão; e (e) a
deficiência na prestação de contas das verbas repassadas à Fundação
Hospital Municipal Getúlio Vargas de Sapucaia do Sul, revela a prática de
atos contrários às normas de administração financeira e orçamentária e se
reveste de relevância bastante para ensejar o julgamento pela irregularidade
das contas em questão no tocante ao Senhor VALDIR BONATTO.

Diante do exposto, opina este Ministério Público de Contas nos


seguintes termos:

1º) Multa ao Senhor VALDIR BONATTO (Prefeito)por infringência de


normas de administração financeira e orçamentária, com base nos artigos 67
da Lei Estadual nº 11.424/2000 e 135 do RITCE.

2º) Fixação de débito correspondente aos itens 1.1.1, 1.2.1,


2.2,3.3, 3.4.3, 4.2.1,4.3.1, 4.3.3, 4.4.1, 5.1.4 e 5.2.3do Relatório de Auditoria,
de responsabilidade do Senhor VALDIR BONATTO (Prefeito).

3º) Contas irregularesdo Senhor VALDIR BONATTO (Prefeito),


Administrador do ExecutivoMunicipal de Viamão no exercício de 2013, com
fundamento no inciso III do artigo 75do RITCE.

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FL. Rubrica
2208

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4º) Ciência ao Procurador-Geral de Justiça e ao Procurador


Regional Eleitoral, consoante o disposto no artigo 140do Diploma
Regimental.

5º) Pela negativa de executoriedade dasLeis Municipais


os
n 2.562/1996, 2.867/2000 e 3.125/2002, em face da violação ao
preceituado no inciso II do art. 88 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias – ADCT, forte na Súmula nº 347 do STF, sugerindo-se, neste
particular, que a Colenda Câmara decline sua competência ao Colegiado
Pleno, a teor do disposto na Súmula nº 10 do STF.

6º) Recomendação ao atual Administrador para que corrija e


evite a reincidência dos apontes criticados nos autos, bem como verificação,
em futura auditoria, das medidas implementadas nesse sentido.

É o Parecer.

MPC, em 25 de novembro de 2015.

ÂNGELO G. BORGHETTI,
Adjunto de Procurador.

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