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Lição 2

Deus se arrepende?

Texto Bíblico: Gênesis 6.6; Números 23.19

Introdução:

A expressão “arrependeu-se o Senhor” não cai bem aos nossos ouvidos, pois
traz-nos a ideia de limitação, de equívoco, de falta de conhecimento pleno, de mudança
de direção, de caráter ou de propósitos inerentes a um ato não recomendável.
Obviamente que ela não surge da tristeza do Senhor por más ações praticadas, pois Ele é
soberano, santo (Is 6.1-3), presciente (Gn 15.13); onisciente (Jo 21.15-17; Rm 11.33) e
não é o homem (1Sm 15.29). Deus não muda em essência, muda atitude e métodos, de
acordo com o relacionamento do homem com Ele. Quando o homem se distancia e
desobedece, a relação de comunhão fica alterada para uma relação de correção (Jr 6.8)
ou de repreensão (Jó 5.17), mas promovendo felicidade pelo acerto.
Sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana, portanto, há
de se levar em consideração que os escritores sagrados tenham colocado em termos
humanos os ideais divinos. Por essa razão, encontramos na Bíblia várias passagens em
que são atribuídos sentimentos e formas humanas a Deus. Esse recurso auxiliou as
pessoas ao longo da história, mas em determinados momentos tem provocado certa
confusão na cabeça de alguns, que, por falta de um conhecimento mais amplo da Bíblia
ou da Teologia, tentam explicar Deus a partir de si mesmas e de suas conclusões.
Deus não é um Deus de confusão (1Co 14.33), mas de esclarecimento; e
podemos provar isso por meio de sua Palavra.

I – Explicando a Palavra pela própria Palavra

A regra básica da hermenêutica é que a Bíblia interpreta a própria Bíblia, ou


seja, ela se explica, não sendo apropriado utilizar-se dela para justificar pensamentos ou
conjecturas; estes é que precisam ser submetidos ao crivo da Palavra.
Em Gênesis 6.6 encontramos: “Então, se arrependeu o Senhor de ter feito o
homem na terra, e isso lhe pesou no coração”. Essa é a primeira vez que o verbo
“arrepender” aparece na Bíblia, a partir daqui nos deparamos com outras referências,
dentre elas: Êx 32.14; Jr 18.7,8; 26.3,13,19; Jn 3.10. Originalmente, ela parece refletir a
ideia de “respirar profundamente” e, por conseguinte, a manifestação física dos
sentimentos da pessoa, geralmente tristeza, compaixão ou pena. Percebem como são
atitudes comuns a nós, seres humanos? Assim, fazendo e sentindo, podemos
compreender um pouco daquilo que se passa no “coração” de Deus, quando observa o
que os seus filhos estão fazendo, como estão agindo.
Todas as vezes que atribuímos formas humanas a Deus, como por exemplo: a
mão de Deus, o coração de Deus, os pés de Deus, estamos empregando um
antropomorfismo. Nos textos citados acima, encontramos exemplos de antropopatismo,
quando atribuímos um sentimento humano a Deus. Em qualquer idioma a construção
linguística carece de alcance ou significado para explicar os sentimentos de Deus; diante
dessa ausência, o homem não tem outra opção, senão atribuir-Lhe os seus próprios
sentimentos.
Em Gênesis 6, Deus determina o dilúvio como um ato de julgamento, mas não
se gloria nessa ação, antes, sofre profundamente. Podemos, então, entender que o
julgamento pelo pecado é inevitável, mas a fidelidade de Deus aos homens sempre será
inalterada e irretocável, conforme o exemplo de Noé (Gn 7.1).

II – Não confundir o arrependimento de Deus com o arrependimento humano

No Antigo Testamento encontramos duas palavras utilizadas para expressar


arrependimento. A palavra “arrepender-se”, do hebraico “naham”, na maioria das vezes,
refere-se à compaixão de Deus, quase sempre, mostrando a atitude divina. Descreve de
modo antropopático (atribuição de sentimentos humanos a Deus) a mudança do
tratamento divino para com o homem, como se a mudança se operasse em Deus (Gn
6.6; 1Sm 15.29; Jn 3.4-10; 1Cr 21.15; Am 7.3).
O que vemos nas passagens bíblicas, que parecem atribuir mudança em Deus,
são recursos divinos para ilustrar os variados métodos utilizados por Ele em sua
soberania; bem como representações antropopáticas da imutabilidade de Deus nas
muitas e variáveis condições morais humanas. Por exemplo, Deus não trata o ímpio e o
justo da mesma forma. A imutável santidade divina não permite tal coisa. O mesmo
ocorre quando o justo se torna ou age como o ímpio. O tratamento de Deus para com ele
também deve mudar, pois precisará ser corretivo, exortativo. Deus abranda ou muda Sua
maneira de lidar com as pessoas, de acordo com Seus propósitos soberanos, mas não
muda na Sua essência, Ele não é inconstante. O ser humano, sim, muda de uma
condição para outra, muda de melhor para pior e vice-versa; está em constante
mudança. Devemos, então, interpretar Gênesis 6.6 à luz de Números 23.19.
Na maioria dos textos bíblicos que se refere ao arrependimento dos seres
humanos, encontramos outra palavra, “Shûb”, do hebraico “voltar-se, retornar” (Is
55.7). Nesse sentido, esse verbo aparece inúmeras vezes, demonstrando claramente a
responsabilidade humana no processo de arrependimento (Jr 4.14; Is 24. 23).
No arrependimento humano encontramos mudança na essência. Há uma
mudança moral; uma decisão consciente de voltar-se para Deus e desviar-se do mal (Ez
14.6; Is 6.6).

III - Não confundir arrependimento com remorso

Arrepender-se, no bom sentido, é do homem, pois ele pode, enquanto há tempo,


voltar-se para Deus, abandonar os seus maus caminhos (2Rs 17.13), redirecionar a sua
vida; mudar na essência. O arrependimento é algo saudável, já o remorso... “é o passado
que continua”. Não há mudança, mas pavor, incômodo e tristeza. Foi o caso de Judas
(Mt 27.3-5), quando percebeu que o Sinédrio havia condenado Jesus. Ele não mudou de
ideia (arrependimento), mas lamentou as consequências de sua atitude, traindo Aquele
que o amou, chamou-o para o ofício apostólico e com quem conviveu um período da
vida. Ele procurou os líderes religiosos que pagaram pelos seus serviços de deslealdade
ao Mestre e amigo (Mt 26.49,50), para devolver o dinheiro, confessando que havia
traído sangue inocente, mas eles responderam que não tinham nada com a situação, era
um problema dele. Então jogou as 30 moedas, fruto de seu trabalho repugnante e ilícito,
no santuário e foi enforcar-se.
Pela Palavra, aprendemos que o arrependimento, dádiva do Senhor (At 5.31),
nos leva ao conhecimento e à prática da verdade (2Co 7.10).
Em Jesus, somos convidados a deixar as coisas da velha vida para trás e
vivermos uma nova vida (2Co 5.16,17). Por mais terrível que seja o erro cometido, há
perdão para ele (Is 1.18). O pecado não é uma mancha inapagável, pois, mediante a
conversão, que é graça concedida por Deus, todos que o recebem podem redirecionar
suas vidas; e isso vai além da contrição e da tristeza. O amor de Deus se adapta a cada
modo, variante ou condição de Seus filhos, na direção dos passos deles.

Para pensar e agir


Deus é perfeito e imutável em Seus pensamentos e propósitos (Tg 1.17), mas
muda de procedimentos e atitudes mediante alteração no relacionamento do homem
com Ele. Como está o seu relacionamento com Deus?
Deus não é homem para se arrepender (1Sm 15.29 ), mas deve o ser humano
arrepender-se sempre que for necessário. Isso é louvável, agradável, é do homem.
A atitude do Senhor para com o homem leva em conta a forma como este reage à
Sua Palavra e vontade. Quem é livre para escolher, precisa ser responsável para assumir
as consequências dessas escolhas e atos.
Que haja em nosso coração, sempre que for necessário, o arrependimento. E que
não haja em nós e nas nossas relações o remorso – um passado que continua.

Leitura diária:

Segunda-feira: Malaquias 3.1-12


Terça-feira: Daniel 5.1-31
Quarta-feira: Hebreus 12.4-13
Quinta-feira: Salmos 39.11-13
Sexta-feira: Provérbios 3.5-12
Sábado: Jonas 3.3-10
Domingo: Apocalipse 2.5;3.19

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