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Resenha do texto: A grande recessão brasileira: diagnóstico e uma agenda de

política econômica (2017) – OREIRO, J. L.

Em seu artigo “A grande recessão brasileira”, Oreiro tem como principais


questionamentos o porquê o ritmo de crescimento entrou em colapso a partir do
segundo trimestre de 2014 e não apresentou uma desaceleração gradual, e as razões
pelas quais o ritmo de queda do nível de atividade se intensifica a partir do primeiro
semestre de 2015.
O diagnóstico é que a perda de sustentação sofrida pelo ritmo de crescimento
da economia brasileira a partir do segundo trimestre de 2014 foi resultado da
expressiva queda da formação bruta de capital fixo (FBKF). Esse colapso da FBKF é
decorrência de mudanças nas expectativas dos empresários a respeito da taxa de
retorno do capital, uma vez que o custo do capital, que é em grande medida
determinado pelo comportamento da taxa de juros, tende a apresentar um
comportamento mais estável ao longo do tempo. A taxa de retorno do capital teve
tendência de queda a partir de 2011, como resultado da queda das margens de lucro
das empresas não financeiras, as quais não tem conseguido transferir para os preços
de venda a totalidade dos aumentos verificados em seus custos operacionais. Em
relação ao setor industrial, a queda das margens de lucro decorreu, segundo Oreiro, do
aumento do Custo Unitário do Trabalho (CUT), gerado pelo aumento dos salários
acima do crescimento da produtividade do trabalho, em conjunto com a
sobrevalorização da taxa de cambio, a qual impediu o repasse do aumento da CUT
para os preços dos produtos industriais devido à concorrência dos produtos
importados. Além destes, outro fator que influenciou a queda dos investimentos em
2014 foi a forte retração dos investimentos do Grupo Petrobras em função do elevado
coeficiente de endividamento, da queda do preço internacional do petróleo e das
implicações da Operação Lava Jato.
Como proposta de solução para a crise, Oreiro sustentará que, a fim de
reestabelecer as margens de lucro das empresas, é necessário: (i) a redução do CUT
na indústria, através de medidas que reduzam a rigidez do salário real, isto é, medidas
que permitam uma redução do salário real para um nível compatível com o
restabelecimento da competitividade e das margens de lucro da indústria (como
medida concreta propõe a eliminação dos mecanismos de indexação dos salários a
inflação passada) e (ii) a manutenção da taxa de câmbio num patamar competitivo ou
de “equilíbrio industrial” que permita às empresas domésticas que operem com
tecnologia no estado da arte mundial sejam competitivas à nível internacional. Quanto
a este último fator, sustenta que a existência de um grande diferencial da taxa de juros
(ajustada pelo prêmio de risco país) é um dos fatores estruturais para a tendência a
sobrevalorização da taxa de câmbio observada no Brasil desde a implantação do
Plano Real. Por fim, Oreiro ressalta a necessidade da substituição do sistema de metas
nominais para o resultado primário por metas para o resultado primário estrutural, a
fim de viabilizar a introdução de uma politica fiscal contracíclica no médio prazo, o
que permitiria a compatibilização da estabilidade do nível de atividade econômica e a
solvência intertemporal do setor público.