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A CIDADANIA E A BUSCA DE UMA IDENTIDADE


A cidadania, mais que um conceito, é o resultado de diversas ações que levam uma
pessoa a se sentir um cidadão. Não dá para falar de cidadania sem falar em políticas
públicas. Hoje, quando analisamos as diversas políticas sociais, temos que entender
como as pessoas estão sendo atingidas por elas. Não basta dizer que todos têm
acesso à educação, devemos perguntar sobre a qualidade da educação pública, qual
o objetivo dessa educação e também não é o suficiente falar que há postos de
atendimento de saúde em todos bairros. Mas como é realizado esse atendimento,
se o paciente necessitar de exames mais complexos? Se precisar de um
atendimento especializado, terá acesso a ele? Não podemos nos esquecer, como
nos diz a filósofa Marilena Chauí, de que a sociedade brasileira vem tendo durante a
sua história, a construção de uma lógica social baseada na ideia do direito como
uma dádiva das elites dominantes para os historicamente considerados sem
direitos. Uma sociedade onde os direitos sempre foram baseados na tutela e no
favor. Uma sociedade onde as diferenças foram transformadas em desigualdades e
essas em exclusões sociais. Uma sociedade onde as leis sempre foram utilizadas
para defender aqueles que tem propriedades (capital) e punir quem não as tem
(trabalhadores). Podemos perceber que a cidadania está intimamente ligada à
qualidade de vida que as pessoas adquirem ao usufruírem seus direitos e também
ao nível de participação política no destino da sociedade em que está inserida. Mas
será que cidadania seria somente isso? Que direitos são esses e como eles são
definidos? Quem os define? Será que cidadania é um conceito idêntico em todos os
lugares e épocas? Por que ela é utilizada por diferentes correntes ideológicas
(liberais, socialistas, sociais-democratas, trabalhistas, neoliberais etc)? Será que ela
tem o mesmo significado em todas elas? Essas são questões que não podemos
perder de vista ao analisarmos esta temática. Mas, o principal de tudo, é que não
podemos pensar cidadania como uma questão individual, como querem os liberais,
ela tem que ser pensada a partir de toda a sociedade. E isso pede - e é necessário -
que seja resgatado o papel dos Movimentos Sociais e que se debata, com mais
ênfase, os novos caminhos trilhados pelos movimentos na atualidade. Hoje, na
análise sociológica, a cidadania não é apenas mais um conceito, ela, juntamente
com o de classes sociais, deve ser vista como um referencial de análise para
articularmos as diversas concepções e questões pertinentes e a problemática do
acesso e da conquista aos direitos sociais.
Gilberto Simplício

Uma metamorfose ambulante: A identidade em tempos líquidos


Por Cristiano Bodart
Quando Raul Seixas trouxe a música “Metamorfose ambulante”, em 1973, provocou
em seus ouvintes uma reflexão bastante pertinente: o caráter metamórfico da
percepção da realidade e, consequentemente, da identidade.
Raul, conhecido por sua oposição ao modo de vida da sociedade ocidental,
questionou, por meio dessa música, a ideia de que precisamos ter um pensamento
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petrificado em relação a realidade social e, consequentemente, termos uma


identidade fixa, imutável. Embora todos tenhamos identidades em mutações, a
referida música nos provoca uma reflexão bastante interessante.
Um estudioso do tema “identidade”, Stuart Hall, nos indica que a identidade não é
algo estático, tratando-se de “uma celebração móvel”, portanto “formada e
transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos
representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam”. Para esse
estudioso, nós, em meio ao mundo moderno marcado por múltiplas influências,
tendemos a assumir identidades variadas de acordo com o momento. Nossas
identidades são construídas a partir da influência de nossas experiências sociais
cotidianas. Como nossas experiências se dão em um fluxo contínuo, nossa
identidade será uma “metamorfose ambulante”.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman bem apresentou em seu livro “Modernidade
Líquida”, que vivenciamos um período de grande fluidez, marcado por rápidas
mutações. Se a identidade é formada pelos contatos sociais que temos e este têm
sido cada dia mais superficiais e transitórios, consequentemente estaremos sujeitos
a sermos influenciados em nossa forma de pensar e agir, metamorfoseando nossa
identidade.
A posição de Raul Seixas de optar por ter uma identidade metamórfica ambulante
parece não ser uma opção no presente século, se é que era na década de 1970. Não
há opção, somos uma metamorfose ambulante!
A identidade é o conjunto de tudo que eu vivencio como sendo eu em contraponto
àquilo que percebo ou anuncio como não-eu. A identidade é marcada pela
diferenciação em relação aos outros indivíduos. Porém, estando inseridos em um
contexto social, acabamos influenciados por ele, o que nos torna, em certa medida,
iguais. Estamos atrelados a um “universo social”, o que nos permite termos uma
identidade social, étnica, religiosa, etc.
É importante mencionar que como não fazemos parte apenas de um grupo social e
que podemos adquirir características desses diversos grupos, os quais estamos
integrados, e essas características se manifestarão, ou não, em determinados
contextos. Mais uma vez identificamos que somos uma metamorfose ambulante e
que não temos uma “velha opinião formada sobre tudo”. Por ora, aponto essa
reflexão em torno do tema identidade e, de antemão, peço que não estranhe se eu,
amanhã, querer dizer “o oposto do que eu disse antes”… isso por que “eu prefiro ser
essa metamorfose ambulante”.

Behaviorismo Social
Surgida entre 1890 e 1910, o behaviorismo social se dividiu em três grandes ramos --
behaviorismo pluralista, interacionismo simbólico e teoria da ação social -- e legou à
sociologia preciosas contribuições metodológicas. O behaviorismo pluralista,
formado a partir da escola de imitação-sugestão representada pelo francês Gabriel
Tarde, centralizou-se na análise dos fenômenos de massas e atribuiu grande
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importância ao conceito de imitação para explicar os processos e interações sociais,


entendidos como repetição mecânica de atos.
Os americanos Charles Horton Cooley, George Herbert Mead e Charles Wright Mills
são alguns dos teóricos do interacionismo simbólico que, ao contrário do
movimento anterior, centralizou-se no estudo do eu e da personalidade, assim
como nas noções de atitude e significado para explicar os processos sociais.
O alemão Max Weber foi o expoente máximo do terceiro movimento do
behaviorismo, a teoria da ação social. Com seu original método de "construção de
tipos sociais", instrumento de análise para estudo de situações e acontecimentos
históricos concretos, exerceu poderosa influência sobre numerosos sociólogos
posteriores.

EXERCÍCIOS

COMENTE ESTES ESTEREÓTIPOS/USE ARGUMENTOS SÓLIDOS Afirmações e


estereótipos: “Pode-se conseguir um bom emprego sem que se termine o segundo
grau.” “A universidade aumenta as oportunidades de trabalho e salário.” “Numa
família cabe ao homem o suporte financeiro.” “O trabalho doméstico é um trabalho
feminino.” “Não há maneira de se planejar a vida pois essa é uma tarefa do
destino.” “Para subir na vida tem que ter sorte.” “Para subir na vida deve-se
conhecer pessoas influentes.” “As mulheres não deveriam exercer as mesmas
profissões que os homens.” “Os negros ganham menos do que os brancos.” “Os
homens devem ganhar mais do que as mulheres.”