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ESTADO, CLASSE TRABALHADORA E POLÍTICAS SOCIAIS:


PAPEL, RELAÇÃO E TRANSFORMAÇÕES (1930-1945)

Laís Emanuella da Silva Vieira

Resumo

Este artigo faz uma análise sobre a relação entre Estado, classe trabalhadora e
políticas sociais, informa qual foi o papel de cada um na Era Vargas e examina as
transformações ocorridas a partir de 1930. Será enfatizado aqui sobre a existência
de políticas sociais voltadas apenas para a população trabalhadora urbano-
industrial. Mostrando a imagem e discurso de Vargas e quais foram seus impactos
na organização do trabalho na sociedade brasileira. O presente trabalho foi feito a
partir de pesquisas bibliográficas e levantamento de informações com a proposta de
apresentar um breve resgate do Estado frente a grandes períodos de mudança
política e econômica e social.

Palavras-chave: Estado, classe trabalhadora, políticas sociais, relações,


transformações.

Summary
This article analyzes the relationship between the state, working class and social
policies, informs the role of each one in the Vargas Era and examines the
transformations that have taken place since 1930. It will be emphasized here on the
existence of social policies aimed only at the urban-industrial working population.
Showing the image and speech of Vargas and what were its impacts on the
organization of work in Brazilian society. The present work was based on
bibliographical research and information gathering with the proposal to present a
brief rescue of the State in the face of great periods of political, economic and social
change.

Key words: State, working class, social policies, relations, transformations.


INTRODUÇÃO
A análise não se limitará somente na história imprensa católica de Alagoas,
mas, de forma geral, mostrando as experiências e memórias vividas pelo grupo com
o início deste meio de comunicação da igreja católica. É explicado como a imprensa
alagoana era vista, a sua interação e influência com a população e como foi se
modificando com o passar do tempo.

A imprensa é uma forma de fornecer informações significativas acerca da


história da cidade tanto no passado como no presente da sociedade. Por ter esse
papel, acaba por contribuir na formação da identidade dessa cidade, como também
nas categorias sociais e no resgate a memória, desencadeando assim uma ligação
entre o cidadão e suas raízes. Por seu turno, a imprensa engloba toda a produção
do saber e conhecimento social e é constituído historicamente. (BELTRÃO, 2006).

Assim, o que se pretende neste trabalho é discorrer sobre a imprensa católica


de alagoas, que também foi construído historicamente. Imprensa essa que alimentou
o povo por muito tempo com informações e protegendo dos ‘’perigos’’.

VARGAS

No final do século XVII e começo do século XVIII e principalmente no século


XIX, que surgiram os diários no Brasil, mostrando a importância da Impressa na vida
social, estando ela na formação da sociedade contemporânea. Deste modo a
imprensa católica não podia ficar de fora desse movimento de fundamentação,
avaliação e interpretações históricas.

Foi no início do século XX, que foi apareceu a impressa católica de Alagoas,
com o jornal ‘’O Semeador’’, o primeiro jornal católico que surgiu no país. Fundado
em 2 de março de 1913 pela iniciativa de D. Manoel Antônio de Oliveira Lopes,
segundo bispo da então diocese das Alagoas, que confia a fundação do órgão aos
padres Antônio José de Cerqueira Valente, Luiz Carlos de Oliveira Barbosa e
Franklin Casado de Lima.
Nos início o jornal era impresso na Typographia Americana, que funcionava
na então Rua da Alfândega, atual Sá e Albuquerque, em Jaraguá, na capital
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alagoana, ondeoutros periódicos alagoanos eram impressos (Revista do Instituto


Arqueológico e Geográfico Alagoano). Em 1915 o jornal já tinha sua própria
tipografia. O jornal recebeu contribuições para sua elaboração de diferentes meios
social, tanto membros do clero como integrantes do laicato. Esse jornal traz muitas
lembranças da história alagoana, pois nele estavam colaborações para a construção
e as melhorias.

Nele estava à voz do povo, tudo quanto era impresso, era alguém falando por
trás dele. Quando a imprensa não fala, o povo é que não fala. Não se cala a
imprensa. Cala-se o povo. (BLACK, 1827).

A VOZ DA IGREJA CATÓLICA ALAGOANA

A imprensa católica apareceu como forma de pregar o evangelho, defender


a Fé e costumes, e para reivindicar seus direitos. O bom jornal é a grande arma nos
combates aos males sociais. Conforme Dias, a Igreja Católica acreditava que:

‘’A imprensa católica deveria contribuir com a restauração social


efetivando as seguintes tarefas: divulgar a doutrina social da
Igreja, informar sobre as atividades dos inimigos e sobre os
meios de combate já experimentados nas diversas regiões,
propor sugestões e alertar contra os comunistas’’ (DIAS, 1993,
p. 109).

O Semeador também foi usado de um modo político, como o principal


veículo do anticomunismo por ser considerado inimigo número 1 da Igreja.
Mainwaring afirma que no período de 1930 a 1964 a “ameaça comunista era uma
das maiores preocupações dentro da Igreja”.

A imprensa católica alagoana atuava em todos os planos da cidade,


influenciando assim a sociedade. Em todos os planos (social, cultural e econômico)
a imprensa, em geral exerceu e bastante influência nas organizações e
principalmente da vida social. (VASCONCELOS, 1933).

O jornal ‘’O Semeador’’ (imprensa católica de Alagoas) não teve apenas


dias bom, mas, dias ruins sofrendo reveses, pois as matérias nele publicadas tinham
força e peso na opinião pública alagoana. Alguns acontecimentos marcaram a
história do jornal e alagoana, um deles envolveu o Cônego Luís de Medeiros Netto
em 1930, o qual chegou a ser preso. Por ter por feito um artigo intitulado ‘’Do berço
ao lixo’’, que foi considerado ofensivo pelas autoridades civis da época, mais foi
liberado rapidamente e outro caso, em 1959, envolvendo o Padre José Brandão
Lima, que perdeu sua vida de forma misteriosa, por causa de alguns artigos, que
segundos alguns incomodaram aos poderosos da época. A imprensa incomodava
bastante pois ele era aquele que dizia o que estava oculto. A imprensa é o dedo
indicador. (HUGOR)

Por muitas vezes por medo e por conta destes ocorridos, não se publicava
artigos, a imprensa católica por muito tempo sofreu, tentando silenciar a imprensa,
‘’calar a voz do povo’’.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De um modo geral, podemos dizer que a Imprensa Católica contribuiu para a


formação da população alagoana, servindo de semente para plantar a palavra no
coração dos maceioenses, ainda agindo contra os considerados inimigos da Igreja,
informando aos leigos a melhor forma de servi a Deus para não ser enganados pela
astúcia do adversário.

Este artigo promove a importância de conhecer a história da imprensa católica


de Alagoas, e qual foi sua atuação social. Descobrindo que suas sementes deram
muitos frutos e apesar dos pedregulhos no caminho continua plantado até os dias de
hoje trazendo informações para os alagoanos.

REFERÊNCIAS

LUSTOSA, Oscar de Figueiredo, O. P. (Seleção e Introdução). Os Bispos do Brasil


e a Imprensa. Cadernos de História da Igreja no Brasil 2. São Paulo:
Loyola/CEPEHIB, 1983.
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AZZI, Riolando e GRIJP, Klaus Van Der. História da Igreja no Brasil: Ensaio de
interpretação a partir do povo: tomo II/3-2: terceira época:1930-1964. Petrópolis,
RJ: Vozes, 2008.

MEDEIROS, Fernando Antônio Mesquita. O Homo Inimicus: Igreja Católica, Ação


Social e Imaginário Anticomunista em Alagoas – Maceió: EDUFAL, 2007.

DUARTE, Jorge. Luiz Beltrão. As múltiplas faces de um pioneiro. In: Marques de


Melo (org). Imprensa Brasileira. Personagens que fizeram história. Vol. 2

KLAUCK, Samuel. Tese de mestrado: A imprensa como instrumento de defesa


da Igreja Católica e de reordenamento dos católicos no século XIX. SAMUEL
KLAUCK

DIAS, R. A doutrina católica sobre a autoridade no Brasil (1922-1935). Tese


(Doutorado) - Unicamp, Campinas, 1993.