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CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL GUAXUPÉ

FRANCIELE SOUZA MADEIRA

AIMUNIDADETRIBUTÁRIADOSTEMPLOSDEQUALQUERCULTO

GUAXUPÉ - MG
2017
1

FRANCIELE SOUZA MADEIRA

AIMUNIDADETRIBUTÁRIADOSTEMPLOSDEQUALQUERCULTO

Trabalho de curso apresentado ao Centro


Universitário da Fundação Educacional
Guaxupé, como exigência parcial para
obtenção do Bacharelado em Direito.

Orientador: Prof. Dr.Edelcio Smargiassi.

GUAXUPÉ – MG
2017
AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador Edelcio Smargiassi pela paciência, atenção, orientação e incentivo


imprescindível à realização deste trabalho, a quem admiro como profissional e como ser
humano, quem me ensinou que o conhecimento tem que estar um degrau a baixo da
humildade, pois, muitas vezes ele nos torna pessoas ignorantes e arrogantes, saber usar de
maneira certa o conhecimento é com certeza a maior sabedoria.
A todos os professores do curso, onde tiveram compreensão durante esta jornada. No
qual, foram extremamente importantes para minha formação acadêmica e pessoal a quem irei
me inspirar como ser humano e profissional. Em especial Natal, Egberto e Rezende a quem
tive maior afinidade.
A minha família a quem devo inestimáveis lições, exemplos e incentivos, em especial
aos meus irmãos e minha mãe, por todo companheirismo e generosidade para comigo. Meu
irmão Francys, você é figura paterna para mim, quanto orgulho tenho de você, gratidão por
estar sempre ao meu lado. A todos meus amigos por estarem sempre comigo e acreditar no
meu potencial.
Aos que me deram oportunidades na área profissional, a eles devo minha formação
prática, experiência e evolução. Pessoas por quem tenho grande admiração e sou
extremamente grata por fazerem parte do meu circulo de amizade e estarem sempre do meu
lado, me motivando a ser alguém melhor. Orgulho de fazerem parte da minha vida, Silvia,
Doutor Manoel, Rodevaldo e Celson.
Aos meus mentores e benfeitores espirituais que através de Deus me guiam sempre
para o caminho de luz e paz, me fazendo ter fé na vida e nas pessoas, me ensinado o que
realmente tem valor, me envolvendo sempre no amor que vem do alto, para que eu sinta toda
a energia pura e boa que o universo tem para proporcionar.
A todos que participaram de forma direta ou indireta, onde não tenho palavras para
expressar todo sentimento que tenho por cada um, são seres humanos extraordinários e que
me dão motivo para seguir em frente.
Meu muito obrigada!
Dedico este trabalho a todos que estiveram
comigo nessa caminhada de evolução
intelectual e espiritual.
RESUMO

MADEIRA, Franciele. A imunidade tributária dos templos de qualquer culto.2017. 57f.


Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Direito) - Centro Universitário da Fundação
Educacional de Guaxupé, Guaxupé/MG.

O presente estudo objetivou-se analisar o instituto da imunidade tributária dos templos de


qualquer culto, expressa no artigo 150, inciso VI, “b” e sua extensão ao parágrafo 4º, ambos
da Constituição Federal de 1988. Com base na pesquisa de diversas opiniões doutrinárias
existentes, posições jurisprudenciais do Supremo Tribunal Federal e polêmicas a cerca do
tema, obtiveram-se entendimentos que tem como objetivo ampliar o conhecimento a esta
imunidade e através disso perceber que este benefício não é para ser tratado de forma leviana,
e sim ser pesado e medido de acordo com sua finalidade essencial, conforme traz o parágrafo
4º em seu texto. Serão apresentados os diversos entendimentos ao artigo mencionado, assim
como sua extensão ao parágrafo 4º que traz amplitude a aplicação da imunidade e o seu
alcance frente a essa extensão, trazendo diversas formas de entendimento ao que se entende
por “finalidade essencial”.

PALAVRAS-CHAVE: Imunidade. Templos. Tributos. Constituição Federal.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

Art. Artigo
Arts. Artigos
§ Parágrafo
CTN Código Tributário Nacional
Ed. Edição
Nº Número
p. Página
pag. Página
CF. Constituição Federal
CF/88 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988IPTU
Imposto predial e territorial urbano
IPVA Imposto sobre a propriedade de veículos automotores
SUMARIO

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 8

1 DO TRIBUTO E SUAS ESPÉCIES .................................................................................. 10


1.1 Conceito de direito tributário .......................................................................................... 10
1.2 Os elementos dos gêneros do tributo ............................................................................. 11
1.3 Natureza jurídica do tributo ........................................................................................... 12
1.4 As espécies tributárias ..................................................................................................... 13
1.4.1 Taxas ............................................................................................................................... 13
1.4.2 Contribuições de melhorias .......................................................................................... 14
1.4.3 Empréstimos compulsórios .......................................................................................... 15
1.4.4 Impostos ......................................................................................................................... 16
1.4.5 Contribuições Sociais .................................................................................................... 16

2 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 ............................................................................ 18


2.1 Competência tributária ................................................................................................... 19
2.2 Os limites constitucionais ao poder de tributação ........................................................ 20
2.2.1 Republicano ................................................................................................................... 21
2.2.2 Federativo ...................................................................................................................... 22
2.2.3 Anterioridade ................................................................................................................. 23
2.2.4 Legalidade ...................................................................................................................... 23
2.2.5 Isonomia da tributação ................................................................................................. 23
2.2.6 Irretroatividade as leis de fiscalização ........................................................................ 24
2.2.7 Capacidade Tributária ................................................................................................. 24

3 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA ............................................................................................ 26


3.1 Artigo 150, inciso vi, cf/88, como imunidade genérica .................................................. 27
3.2 Imunidade e isenção ......................................................................................................... 28

4 IMUNIDADE TRIBUTARIA DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO ................ 30


4.1 Breve análise histórica...................................................................................................... 32
4.2 Imunidade dos templos no Brasil .................................................................................... 33
4.3 Valores protegidos e objetivo da imunidade dos templos ............................................. 35
4.4 A imunidade tributaria dos templos como imunidade incondicionada...................... 38
4.5 Imunidade dos templos e sua extensão ao paragrafo 4º do artigo 150 da Constituição
Federal ..................................................................................................................................... 41
4.5.1 Aspectos polêmicos a extensão tributária dos templos e seu alcance a imunidade . 43
4.5.2 O polêmico relacionamento com as finalidades essenciais ........................................ 45

CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 49

REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 53
8

INTRODUÇÃO

Esta Monografia tem como objetivo analisar o instituto da


ImunidadeTributáriadosTemplosde QualquerCulto, expressa no artigo 150, inciso VI, alínea
“b” e sua extensão ao parágrafo 4º, ambos da Constituição Federal de 1988.
No presente trabalho, será analisado o alcance da imunidade tributária aos templos e
sua extensão ao parágrafo 4º do presente artigo, seu texto também será objetivo da pesquisa,
buscando interpretações ao que seriam “finalidades essenciais”.
Sendo assim, o presente estudo, fora dividido em quatro capítulos e com base na
pesquisa de diversas opiniões doutrinárias existentes, posições jurisprudenciais do Supremo
Tribunal Federal e polêmicas a cerca do tema, obtiveram-se diversos entendimentos.
O primeiro capítulo irá tratar do conceito de tributo e suas diferentes espécies com
suas particularidades, juntamente com seus gêneros e natureza jurídica, visto que é
considerado indispensável, para o entendimento deste tema.
O segundo capítulo discorrerá sobre a competência tributária e suas limitações, voltada
para os princípios da imunidade tributária.
O terceiro capítulo tratará sobre a imunidade tributária trazida pelo dispositivo do
artigo 150 da CF/88, que é chamada de imunidade genérica, por alcançar somente os
impostos, não sendo possíveis outras espécies tributárias. Também será analisada a diferença
entre imunidade e isenção, que apesar de serem confundidas devem ser aplicada de maneira
distinta, já que a imunidade tributária é a dispensa constitucional do dever de pagar o tributo,
quanto que a isenção é definida por lei complementar.
No quarto e último capítulo será abordado o principal estudo do trabalho, a imunidade
dos templos de qualquer culto, discorrendo sobre sua história, valores e objetivos, até chegar
ao tópico, “imunidade tributária dos templos e sua extensão ao parágrafo 4º, do artigo 150 da
CF/88”, onde terá como objetivo entender o alcance da imunidade através da extensão ao
parágrafo mencionado, sendo abordado sobre diversos acontecimentos polêmicos envolvendo
este alcance, e buscando entender o que se entende com as finalidades essenciais da igreja.
9

A monografia tem seu encerramento com as considerações finais, que demonstram os


pontos fundamentais da pesquisa, seguidos da continuidade das reflexões a cerca do tema.
Vale ressaltar que o propósito principal deste trabalho não é estabelecer conclusões
definitivas, visto que nem será possível já que a temática da imunidade tributária dos templos
é matéria não pacífica, que ainda não encontra um consenso doutrinário e jurisprudencial,
além de ser um assunto polêmico discutido na atualidade.Desta maneira, será estudada qual a
melhor maneira de aplicabilidade e interpretação ao dispositivo constitucional estudado.
10

1 DO TRIBUTO E SUAS ESPÉCIES

1.1 Conceito de direito tributário

O Direito Tributário é a parte do Direito que arrecada Tributos. Para o Direito


Tributário é guardado o estudo de receita pública e também receita privada. Ele está ligado
intensamente às regras jurídicas em vigor e não pode de forma alguma dispensar nenhuma
delas.
De acordo com Vicente Kleber de Melo Oliveira1, “O direito tributário pode ser
conceituado como o ramo do Direito Público que tem como objeto o estudo do Tributo,
cobrado das particularidades em decorrência da relação jurídica que se estabelece entre
Estados”.
Segundo Paulo de Barros Carvalho2 enfatiza o Direito Tributário:

É o ramo didaticamente autônomo do Direito. Com isso se predica banir a pretensa


autonomia científica que chegam a lhe conferir autores da melhor suposição.
Repetimos a inadmissibilidade de tais foros de autonomia científica, sem destruir
aquele que é o mais transcendental entre os princípios fundamentais do Direito.

E de acordo com Alexandre Macedo Tavares3:

Direito Tributário é o ramo didaticamente autônomo do Direito que abriga um


complexo de normas, valores e princípios que lhe são inerentes, disciplinadores do
nascimento, fiscalização, exigibilidade e extinção do Tributo, fruto de uma relação
jurídica de Direito Público, instaurada entre o fisco e o contribuinte.

Para Luciano Amaro4: “A finalidade básica do Direito Tributário nada mais é do que
estabelecer regras sobre aquela parte específica da atividade financeira do Estado que diz ‘a
obtenção de receitas derivadas por meio de imposição de Tributos’”.

1
OLIVEIRA, Vicente Kleber de Melo Oliveira. Direito Tributário:Sistema Tributário Nacional: Teoria e
Prática. Belo Horizonte: DelRey, 2001.p.86.
2
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2005.p.15.
3
TAVARES, Alexandre Macedo. Fundamentos de Direito Tributário. 3. ed. Florianópolis: Momento Atual,
2006. p.5.
4
AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 9. ed. Saraiva. São Paulo. 2003.p.108.
11

Direito Tributário é o estudo e disciplina das atividades desempenhadas pelo Estado


relativo a Tributos (receita derivada), que o constitui campo de atuação do Direito
Tributário - ramo do Direito Público que disciplina as relações jurídicas decorrentes
da atividade financeira do Estado, e que ocorrem entre Estado e o particular.5

Entretanto, o Direito Tributário regula o procedimento de retirar compulsória do


montante de riqueza particular, derivado de imposições, arrecadações e fiscalizações dos
impostos, taxas, contribuições e empréstimos compulsórios.

1.2Os elementos dos gêneros do tributo

Os elementos dos gêneros são as ordens que integram o Código Tributário Nacional 6,
“tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa
exprimir, que não constitua sanção de ato lícito, instituída em lei e cobrada mediante
atividade administrativa plenamente vinculada” (Art. 3º CTN).
É importante então observar gradativamente a todas as categorias que dispõem o
Tributo.
A prestação pecuniária de acordo com Hugo de Brito Machado7 é quando “cuida-se e
prestação tendente a assegurar ao estado os meios financeiros de que necessita para
consecução de seus objetivos, por isto que é de natureza pecuniária”, concluindo, parte do
dinheiro dos contribuintes vai para cofres públicos.
Da compulsoriedade Hugo de Brito Machado8 define que “embora todas as prestações
jurídicas sejam, em princípio, obrigatórias, a compulsoriedade da prestação tributária se
caracteriza pela ausência do elemento vontade”, sendo este cobrado por força da lei e não
depende do contribuinte.
Moeda ou valor para Alexandre Macedo Tavares9 significa que “realmente, inicia esse
segmento com uma expressão pleonástica - “em moeda” -, pois, como já se viu uma

5
ROSA JUNIOR, Luiz Emygio F. da. Novo Manual do Direito Financeiro e Direito Tribitário. 6. ed. Rio de
Janeiro: Renovar, 1990.p.457.
6
BRASIL. Código Tributário Nacional. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm>. Acesso em: 11 de janeiro de 2017.
7
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.p.77.
8
Ibid.
9
TAVARES, Alexandre Macedo. Fundamentos de Direito Tributário. 3. ed. Florianópolis: Momento Atual,
2006.p.55.
12

prestação pecuniária nada mais é do que uma prestação em dinheiro, em moeda” e, portanto,
o pagamento não deve ser in natura.
Sobre não constituir sanção de ato ilícito, Hugo de Brito Machado10 define que “isto
quer dizer que a lei não pode incluir na hipótese de incidência tributária o elemento ilicitude.
Não pode estabelecer como necessária e suficiente à ocorrência da obrigação de pagar um
tributo uma situação que não seja lícita”.
No Art. 150, I, da Constituição Federal, o “instituído em lei”, está no sentido de que
nenhum político pode criar um tributo sem lei definida. Isso porque, um tributo para ser
criado necessita de elementos competentes para tal.
Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada, significa que o
administrativo não possui poder discricionário, e que a autoridade tem vínculo ao comando
de legalidade.
Sendo assim, o tributo é entendido como prestação pecuniária decorrente de ato lícito
previsto em lei, devida ao Estado ou não estatais para que as funções sejam realizadas á
interesse público.

1.3 Natureza jurídica do tributo

A natureza jurídica do tributo é reconhecida pelo fato gerador, sendo este, de acordo
com Kiyoshi Harada11 “uma situação abstrata, descrita em lei, qual uma vez ocorrida em caso
concreto enseja o nascimento da obrigação tributária”.
Da natureza jurídica, Vicente Kleber de Melo Oliveira12 entende que: “Falar de
natureza jurídica do Tributo significa que é através do fato gerador da respectiva obrigação
que vai determinar a espécie do Tributo. Vale dizer, se o tributo é imposto, taxa ou
contribuição de melhoria”.
Já o art. 4º do código tributário nacional especifica que: “A natureza jurídica
específica do Tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo
irrelevante para qualificá-las: I- a denominação e demais características formais adotadas pela
lei; II- a destinação legal do produto de sua arrecadação”.

10
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.p.79.
11
HARADA, Kiyoshi. Direito Financeiro e tributário. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2001.p.353.
12
OLIVEIRA, Vicente Kleber de Melo Oliveira. Direito Tributário:Sistema Tributário Nacional: Teoria e
Prática. Belo Horizonte: DelRey, 2001.p.98.
13

Para a denominação da natureza jurídica do Tributo são insignificantes a denominação


legal recebida ou destinação do produto de sua arrecadação.
É preciso desviar o hábito de reconhecer como seguro a conclusão de que a destinação
é insignificante, principalmente, porque a classificação de vinculados e não vinculados jaz sob
essa área.
Diante disso, observa-se que a averiguação do fato gerador à determinação da natureza
jurídica do Tributo acontece da adoção, pelo Sistema Tributário Nacional, da hipótese da
relação dos Tributos a uma atuação estatal, tendo que ser exilado a denominação,
características jurídicas formais e destinação a tal.

1.4 As espécies tributárias

As classificações das espécies tributárias são vistas no CTN e CF/88. Onde no CTN,
“Art.5º define que os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhorias”, e o CF/88
define que são empréstimos compulsórios e contribuições sociais conforme segue:

Art. 145 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instruir


os seguintes tributos: I- Impostos; II- taxas, em razão do exercício do poder de
polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e
divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; III- contribuição de
melhoria, decorrente de obras públicas.
Art. 149 Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de
intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou
econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o
disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º,
relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.

Conforme a Constituição Federal do Brasil de 198813, as espécies de tributos seriam:


os impostos, taxas, contribuição de melhorias, empréstimo compulsório e contribuição
especial.

1.4.1 Taxas

13
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 10 jan. 2017.
14

As taxas estão no artigo 77 do código tributário nacional e para a Súmula n.º 545 do
Supremo Tribunal Federal elas não são confundidas com preços públicos de maneira alguma,
pois, estes preços não possuem característica de compulsoriedade.

Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos
Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o
exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço
público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.
Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos
que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas.
(Vide Ato Complementar nº 34, de 1967).

Para Jorge Franklin Alves Felipe14: “a taxa é fundada não na existência de serviço
posto à disposição do contribuinte, mas no efetivo exercício do poder da polícia”.
E o código tributário nacional no artigo 78 define que poder da polícia é:

Art. 78. atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito,


interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de
interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à
disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas
dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública
ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos (Redação dada
pelo Ato Complementar nº 31, de 1966).

O pagamento de taxas pelos contribuintes permite uma contraprestação estatal, onde o


retorno deste pagamento será por meio de um serviço público ou exercício regular do poder
da polícia pelo Poder Público, e assim, portanto, a taxa é um tributo vinculado.

1.4.2 Contribuições de melhorias

Contribuições de melhorias é a espécie vinculada á atuações estatais, que é uma


construção de obras públicas para a arrecadação de valores imobiliários ao patrimônio
particular, por exemplo, quando o Poder Público promove a construção de vias com
valorização de imóveis circunscritos, o Estado tem poder para cobrar taxas de melhorias.
Segundo Kiyoshi Harada15 , contribuição de melhoria é , “espécie tributária que tem
por fato gerador a atuação estatal imediatamente referida ao contribuinte. Entre a atividade

14
FELIPE, Jorge Franklin Alves. Direito Tributário a Prática Forense. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999.
p.6.
15

estatal e a obrigação do sujeito passivo existe um elemento intermediário que é a valorização


do imóvel”.
No entanto, para Aliomar Baleeiro16 existem elementos inseridos ao fato gerador:

a) realização de obra pública, sendo que a cobrança tributária só é possível após a


concretização da obra, sendo vedado ao Estado realizar uma obra pública pela
metade e exigir de pronto a contribuição de melhoria; b) a valorização, pois apenas a
obra não é suficiente, já que existem obras públicas que ao invés de valorizar,
acabam mesmo por acarretar a desvalorização do imóvel; c) que a valorização
ocorra sobre bem imóveis.

A incidência é a valorização do imóvel, sendo assim, é ilícita a conduta de alguns


entes federados em cobrar valor da contribuição de melhoria baseado apenas no custo de uma
obra.
Portanto, sem a existência da valorização do imóvel resultante de obras públicas, não
existe contribuição de melhorias, uma vez que este cálculo é com base na obra total.

1.4.3 Empréstimos compulsórios

Esta é uma categoria tributária privada da União, sendo assim, não vale para Estados e
Municípios, além disto, é imprescindível a lei complementar para que seja criado. Este tributo
é autêntico, e possui características excepcionais por ser restituível.
O Art. 148 da constituição federal dispõe:

Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos


compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade
pública, de guerra externa ou sua iminência; II - no caso de investimento público de
caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150,
III, b. Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo
compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.

Entretanto, um País estando em guerra, com desejo de realizar investimento público ou


em estado de calamidade pública, tem amparo da lei complementar para que possa, mesmo
sem a vontade do contribuinte, cobrá-los á empréstimos compulsórios.

15
HARADA, Kiyoshi. Direito Financeiro e tributário. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2001.p.57.
16
BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2001.p.234.
16

1.4.4 Impostos

O código tributário nacional define imposto como:“imposto é o tributo cuja obrigação


tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atuação estatal específica,
relativa ao contribuinte.”17
Alexandre Macedo Tavares18 define imposto como:

Tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer
atividade estatal específica, relativa ao contribuinte, ou melhor, ressaltando-se o
carácter que lhe confere a tônica no sistema, é o imposto, pois, a única espécie de
Tributo não vinculado existente em nosso ordenamento jurídico.

O código tributário no seu dispositivo ao mencionar sobre o imposto, mostra visto que
ele se trata de um tributo não vinculado que é aquele que você paga e será utilizado de forma
generalizada. Sendo assim, a contraprestação que recebemos não é específica: esse dinheiro
poderá ser utilizado para pagar o salário de algum funcionário público, para uso na saúde, na
educação, nas vias públicas, etc. não sendo usado de maneira especifica como os demais,
somente os impostos são considerados tributos não vinculados.
Assim, entende-se que imposto é um tributo sem vínculos, que independentemente de
qualquer contraprestação ao contribuinte, pode ser realizado por atos políticos constitucionais.

1.4.5 Contribuições Sociais

Estas têm vínculos indiretos na atuação do Estado, possuem fato gerador do Poder
Público por meio da obrigação tributária. Para Harada19,“a contribuição social está
caracterizada pelo fato de que quando o estado desenvolve determinada atividade

17
BRASIL. Código Tributário Nacional. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5172.htm>. Acesso em: 11 de janeiro de 2017.
18
TAVARES, Alexandre Macedo. Fundamentos de Direito Tributário. 3. ed. Florianópolis: Momento Atual,
2006.p.66.
19
HARADA, Kiyoshi. Direito Financeiro e tributário. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2001.p.319.
17

administrativa de interesse geral, acarreta maiores despesas em prol de certos contribuintes,


que passam a gozar de determinado benefício”.
De acordo com Wherter Botelho Spagnol20 atualmente, as contribuições sociais estão
divididas entre folha de pagamento, faturamento, lucro e importações.
As contribuições sociais são somente por meio de lei complementar e respeitando os
artigos 149 e 195 com parágrafos e incisos e também artigo 150, respectivamente da
constituição federal de 1988.
Entretanto, estas contribuições sociais são tributos complexos, os quais não são parte
do tema principal deste trabalho, e sendo assim, não será aprofundado o assunto.

20
SPAGNOL. Werther Botelho. As contribuições no direito brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2003.p.80.
18

2 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

A cobrança do tributo ocorre através de uma sucessão lógica e cronológica de


acontecimentos de maneira aleatória. A obrigação tributária nasce com o fato gerador através
da incidência, escolhido pelo legislador, que através de um fato dará vida a tributação. No
artigo 145 da CF, estabelece o poder de tributar e através desse poder o Estado vai arrecadar e
fazer a economia do País, por isso que o pagamento de impostos e as demais tributações tem
categoria obrigatória, o contribuinte efetua o pagamento e tem retorno através de melhorias.
A Constituição de 1988 tem a preocupação em assegurar meios para União, Estados,
Distrito Federal e Municípios, enfatizando que cada um destes possui sua esfera de
atribuição para que sua autonomia seja exercida.
Assim sendo, Roque Antônio Carraza21 descreve que:

Os limites de todas as competências estão traçados e articulados, de tal forma que


não pode haver, em seu exercício, nenhum atropelo, conflitos ou desarmonias.
Todavia, se vieram a surgir pela má observância de suas diretrizes superiores, ela
próprias fornece remédios jurídicos para saná-los, fazendo com que as indesejáveis
dissenções sejam reconduzidas ao status quão ante da exata coordenação das
Pessoas Politicas, debaixo da subordinação das normas constitucionais.

A CF/88 possui diretrizes que disciplinam a criação de todo e qualquer tributo, normas
estas, que levam o nome de normas de estrutura, que autorizam a legislação da União, Estado,
Distrito e Município a elaborarem tributos, estabelecendo forma de lançar e arrecadar com
observação sempre aos contribuintes.
O poder de tributar é limitado pelos direitos humanos e pelos direitos e garantias
fundamentais previstos no art 5º da CF. No artigo 150 á 152 também da CF limita e veda o
poder de tributar, estabelecendo então princípios.
A constituição habilitará determinadas pessoas, que são as pessoas jurídicas de direito
público interno para que através de lei tributem, sendo assim essas pessoas ira ter competência
para criar tributos, cobrar, aumentar, diminuir, isentar, tudo isso através de lei.

21
CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Tributário. 21. ed. São Paulo: Malheiros. 2005. p.464.
19

2.1 Competência tributária

A competência tributária,é nada mais do que o “poder que os entes políticos possuem
de instituir tributos, poder este concedido e delimitado constitucionalmente”22.
Neste sentido, Roque Antonio Carrazza assim conceitua a competência tributária:

Portanto, competência tributária é a possibilidade de criar, in abstrato, tributos,


descrevendo, legislativamente, suas hipóteses de incidência, seus sujeitos ativos,
seus sujeitos passivos, suas bases de cálculo e suas alíquotas. Como corolário disto,
exercitar a competência tributária é dar nascimento, no plano abstrato, a tributos.23

Segundo Geraldo Ataliba24, a Competência Tributária: “Consiste na faculdade de


exigir Tributos ou estabelecer isenções, ou seja, no poder de sancionar normas jurídicas das
quais deriva ou pode derivar, a cargo de determinados indivíduos ou categorias de
indivíduos, a obrigação de pagar um imposto ou de respeitar o limite tributário”.
E assim sendo, Aliomar Baleeiro25 afirma que, com isso a Constituição Federal
apresentou competências para pessoas políticas criarem “in abstracto”, Tributos com
classificação e apontados a regra-matriz de incidência, com limitações em especial aos art.
150 a 152, a ação estatal de tributar com princípios e regras.
O autor Roque Antonio Carraza26enfatiza que:

A CF/88 ao discriminar as competências tributárias, estabeleceu, ainda que por


vezes de modo implícito e com certa margem de liberdade para o legislador, a norma
padrão de incidência de cada exação. Noutros termos, ela apontou a hipótese de
incidência possível, o sujeito ativo possível, o sujeito passivo possível, a base de
calculo possível e alíquota possível, das varias espécies e subespécies de tributos.
Em síntese, o legislador, ao exercitar a Competência Tributária, deverá ser fiel a
norma padrão de incidência ao Tributo pré-lançado na Constituição.

Em seu livro, Aires Fernandino Barreto27dispõe que existe uma Carta Constitucional
que organizou um sistema combinando as competências privativas, exclusivas e principais

22
SOLLER, 2004, op. cit., p. 113.
23
CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Tributário. 21. ed. São Paulo: Malheiros. 2005.p.287-288.
24
ATALIBA, Geraldo. Conceitos de Direito Tributário. São Paulo: Lael, 1973.p.37.
25
BALEEIRO, Aliomar. Ob. Cit. Nota 16, p.35.
26
CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Tributário. 21. ed. São Paulo: Malheiros. 2005.p.245.
27
BARRETO, Aires Fernandino. Imunidades tributárias. São Paulo: Dialética, 2001.p.254.
20

com as coerentes e comuns, buscando um sistema federativo, caracterizando a


descentralização e união entre estados e municípios buscando o equilíbrio regional.
Conforme estabelecido na Constituição Federal de 1988, somente as pessoas políticas
são outorgadas aos tributos, e por este motivo, José Eduardo Soares de Melo28diz que “os
entes políticos detêm, por expressa determinação constitucional, gozam de privatividade para
instituir, cobrar e fiscalizar o Tributo que lhe fora confiado. Essa assertiva, por conseguinte,
implica a exclusividade e consequente proibição de seu exercício por quem não tenha sido
consagrado com esse direto”.
A criação de um Tributo para que seja ele efetivo, depende unicamente das
competências atribuídas aos políticos, e assim a Lei entra em ação com habilidade á
instituição e ao mecanismo formal.

A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no


artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base
de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; II - na iminência ou no
caso de guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua
competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as
causas de sua criação (ARTIGO 154, CF/88).

2.2 Os limites constitucionais ao poder de tributação

Existem limites constitucionais que estão descritos no artigo 50 da Constituição de


29
1988 , que constam como normas e princípios jurídicos, com objetivo de assegurar as
pessoas que não se tenha abuso ao poder de tributar.
Celso Ribeiro Bastos30 explica que princípios “são aqueles que guardam os valores
fundamentais da ordem jurídica, isto só é possível na medida em que estes não objetivam
regular situação especifica, mas sim desejam lançar a sua força sobre todo o mundo jurídico”.
Vittorio Cassone31, diz que “a constituição trata das limitações do poder de tributar nos
artigos 150, 152, e tais limitações são estabelecidas por princípios”.
Estas tais limitações são de parâmetros específicos pela Constituição de 1988.

28
MELO, José Eduardo Soares de. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 1997. p.84.
29
BRASIL. Op. Cit. Nota 13.
30
BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de direito constitucional. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 1990.p.143.
31
CASSONE, Vittorio. Direito Tributário. São Paulo: Atlas, 1999.p.99.
21

São estes princípios: republicano, federativo, legalidade, anterioridade, legalidade,


isonomia da tributação, irretroatividade as leis de fiscalização, capacidade tributária dentre
outros. Os quais serão explicados a seguir.

2.2.1 Republicano

Está na Carta Magna, no 1º parágrafo que o Brasil é República, e então, o governo é


republicano exercendo carácter de eleição, representação, transição e com responsabilidade.
Carrazza32 discrimina os elementos republicanos da seguinte maneira:

a) É o tipo de governo: enquanto Federação é forma de Estado, República é forma


de Governo. Ao lado da Monarquia, da Ditadura etc., a República é um dos meios
que o Homem concebeu para governar os povos. Teoricamente, não é melhor nem
pior que os demais regimes políticos, embora corresponda, ao que tudo indica, á
vontade da maioria dos seres humanos, que almejam ser “donos da coisa pública”.
Em termos estatísticos, pelo menos, há, no mundo, mais “Repúblicas” (ainda que
apenas no “rótulo”) que, por exemplo, Monarquias. O Brasil, desde 1889, é uma
República.
b) Fundado na igualdade formal das pessoas: numa verdadeira República não pode
haver distinções entre nobres e plebeus, entre grandes e pequenos, entre poderosos e
humildes. É que, juridicamente, nela não existem classes dominantes, nem classes
dominadas. Assim, os títulos nobiliárquicos desaparecem e, com eles, os tribunais de
exceção. Todos são cidadãos; não súditos.
c) Em que os detentores do poder político: São detentores do poder político, sempre
secundum constitutionem e em nome do povo, os legisladores (Senadores,
Deputados Federais, Deputados Estaduais, Deputados Distritais e Vereadores) e os
membros eleitos do Poder Executivo (Presidente e Vice-Presidente da República,
Governadores e Vice-Governadores de Estados, Governador e Vice-Governador do
Distrito Federal e Prefeitos e Vice-Prefeitos de Municípios).
d) Exercem-no em caráter eletivo: na República Brasileira, pelo menos, os que
desempenham funções representativas devem ser escolhidos pelo povo, por meio de
sufrágios marcados pela lisura. Para que o princípio republicano não se desvirtue, é
imprescindível que os detentores do poder político sejam designados, pelo povo,
com mandato certo.
e) Representativo (de regra): no Brasil, os que desempenham funções executivas ou
legislativas representam o povo, do qual não passam de mandatários. Este juízo
transparece cristalino já no precitado parágrafo único do art. 1° de nossa CF.
f) Transitório: um dos traços característicos da “forma republicana de governo” é
justamente a temporariedade no exercício de mandatos políticos.
g) Com responsabilidade: em nossa República, os exercentes de funções executivas
respondem pelas decisões políticas que tomarem. Daí por exemplo, o instituto
doimpeachment (processo de responsabilidade) contemplado no art 86 e seus
parágrafos da Carta Magna, que, conquanto se refira expressamente ao Presidente da
República, é aplicável, feita as devidas adaptações, aos Governadores e Prefeitos.”

32
CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Tributário. 21. ed. São Paulo: Malheiros. 2005.p.56.
22

Em entendimento ao que autor descreve, é de suma importância que no exercício da


tributação, o principio republicano predomine para que não se vá contra ao povo e que não
existam injustiças no país.

2.2.2 Federativo

O princípio federativo está na carta de 1988 e é fundamental, definido a forma de


Estado adotada pelo Brasil.
União não pode ultrapassar as atribuições previstas na Constituição para com Estados ou
municípios ou destes para com aquele.

É defensável, portanto, interpretar o Princípio Federativo enquanto “cláusula pétrea”


como norma dirigida ao legislador infraconstitucional de todas as entidades que
compõem o pacto Federal (Congresso Nacional, Assembléias Estaduais, Câmaras de
Vereadores e Câmaras Distritais_ e também ao Constituinte derivado, no sentido de
impedi-los de desconstituir, ofender, macular, ameaçar ou simplesmente flexibilizar
a divisão de competências estruturada na Constituição Federal e a correspondente
atribuição de poder político (autonomia) feita em beneficio de cada um dos entes
federados33(Flávio Azambuja Berti , 2007, 62.)

Foi a Constituição de 1988 que conferiu a cada um o direito de regular suas despesas e,
consequentemente, de instituir e arrecadar os tributos que as atenderão. Não é possível, com
isso, a União criar obstáculos no repasse das receitas obrigatórias, qualquer que seja o motivo,
pois, em razão da autonomia financeira, o princípio federativo veda a submissão de um ente
sobre o outro.
Sobre autonomia do principio federativo, Nilo Marcelo de Almeida Camargo34 entende
que:

É importante verificar, assim que a autonomia é conceito essencial à configuração


do Estado Federal, e pode ser definida como a capacidade de expedir leis próprias,
pelo ente federativo, no âmbito de sua esfera de competência constitucionalmente
prevista. E mais, essa autonomia pressupõe certo grau de liberdade do Estado ou do
Município na busca do interesse público (art. 3º, CF) local, das escolhas a serem
adotadas, propiciando a concretização do princípio da subsidiariedade, e em
equilíbrio com os demais princípios e valores constantes da Constituição nacional.

33
BERTI, Flávio de Azambuja. Direito tributário e princípio federativo. São Paulo: Quartier Latin, 2007.p.62.
34
CAMARGO, Nilo Marcelo de Freitas. A forma federativa de Estado e o Supremo Tribunal Federal pós-
constituição de 1988. Porto Alegre: Núria Fabris Ed., 2010. p.64.
23

2.2.3 Anterioridade

Este é um princípio previsto no art. 15035 da Constituição de 1988 e expõe a ideia de


que a lei tributária deve ser conhecida antecipadamente, para que contribuintes, sendo eles
pessoas físicas ou jurídicas, saibam certezas e seguranças ao se planejar em seus negócios.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à


União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
III - cobrar tributos:
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os
instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

2.2.4 Legalidade

Este é um princípio previsto no art 150 da CF/88 inciso I sendo considerado um


principio de reserva legal. “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar
tributo sem lei que o estabeleça”.
Vittorio Cassone36 recorda que:

O principio da legalidade representa um dos pilares do estado democrático de


direito, apregoado juntamente com os postulados da igualdade e da fraternidade na
revolução francesa de 1789, cuja origem remonta a época de João Sem Terra, em
1214, Inglaterra, em que passou a exigir Tributo imposto pelo rei deveria passar pelo
crivo do parlamento.

2.2.5 Isonomia da tributação

Previsto no artigo 150, inciso II e discrimina que:

35
BRASIL. Ob. Cit. Nota 13.
36
CASSONE, Vittorio. Direito Tributário. São Paulo: Atlas, 1999.p.102.
24

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à


União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou
função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos
rendimentos, títulos ou direitos;

Portanto, todos que contribuem na atividade especificada deste princípio, devem ter
tributação por igual.

2.2.6 Irretroatividade as leis de fiscalização

O princípio da irretroatividade decorre da necessidade em dar segurança em relação


aos atos praticados em face da lei. Está previsto no artigo 150, inciso III, alínea “a” da
Constituição de 1988.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à


União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os
houver instituído ou aumentado;

Este princípio então, definitivamente proíbe que a incidência de tributos seja recaída
sobre fato gerador que ocorrerão anteriormente a sua vigência atual.

2.2.7 Capacidade Tributária

É um princípio que consiste em não exigir impostos a mais, onde ninguém tem a
obrigação de pagar além daquilo que não ostenta. É de igualdade e aplicado na tributação
jurídica, buscando menos injustiça sobre valor dos impostos, previsto no artigo 145, parágrafo
1º da Constituição de 1988:

Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir


os seguintes tributos:
§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados
segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração
25

tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar,


respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos
e as atividades econômicas do contribuinte.
26

3 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA

Hugo Machado entende que imunidade é a “limitação da competência tributária”, ou


seja, é algo que “impede que a Lei defina como hipótese de incidência tributária aquilo que é
imune”.37
No conceito de Alexandre Macedo Tavares38 , imunidade é o instituto constitucional
que materializa a dispensa de um pagamento de Tributo, sendo assim dispõe:

Eis que surge o conceito de imunidade: é a hipótese de não incidência


constitucionalmente qualificada, isto é, representa uma barreira posta pelo legislador
constituinte, excludente da Competência Tributária originalmente outorgada às
pessoas jurídicas de direito público interno. Enfim, a não incidência tributária por
imunidade é fruto da limitação, derivada da soberana vontade da Assembleia
Constituinte, da competência impositiva atribuída as Pessoas Políticas.

De acordo com Aliomar Baleeiro39: a “imunidade é como uma exclusão da


Competência de tributar proveniente da Constituição”.
A Imunidade Tributária pode ser vista como condicionada e incondicionada,
Alexandre Macedo Tavares40 destaca que ela é incondicionada “quando não existem
requisitos ou condições para obtenção, a aplicabilidade é imediata”; e ela é condicionada
“quando se sujeita a certos requisitos ou condições estabelecidas pelo legislador
infraconstitucional”.
Regina Helena Costa segue o mesmo raciocínio e ensina que as imunidades
incondicionadas são “norma constitucional de eficácia plena e aplicabilidade direta e
imediata, posto independer de outro comando para produzir integralmente os seus efeitos” por
outro lado, a norma constitucional acolhedora da imunidade tributária qualificar-se como de
eficácia contida e aplicabilidade imediata, mas passível de restrição, estar-se-ia diante de uma
imunidade “condicionável” aos termos da lei complementar .41

37
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 20. ed. rev. atual. e ampl. de acordo com as EC
nos . 32 e 33/01. São Paulo: Malheiros, 2002.p. 241 e 242.
38
TAVARES, Alexandre Macedo.Ob. Cit. Nota 3, p.34.
39
BALEEIRO, Aliomar. Ob. Cit. Nota 16, p.546.
40
TAVARES, Alexandre Macedo.Ob. Cit. Nota 3, p.35.
41
COSTA, Regina Helena. Imunidades tributárias. São Paulo: Malheiros, 2001. p. 133-134.
27

Roque Antônio Carraza42 dispõe que:

A Imunidade Tributária é um fenômeno de natureza constitucional. As normas


constitucionais que, direta ou indiretamente, tratam do assunto fixam, por assim
dizer, a incompetência das entidades tributantes para onerar, com exações certas
pessoas, sejam em função de sua natureza jurídica, seja porque coligadas a
determinados fatos, bens ou situações.

Entretanto, Bernardo Ribeiro de Moraes43 concretiza que “a imunidade é constituída


por instrumentos constitucionais, que é utilizada por legisladores para que resguardem os
princípios essenciais do regime e da incolumidade dos valores éticos, culturais que o
ordenamento jurídico pretende defender”.

3.1 Artigo 150, inciso VI, CF/88, como imunidade genérica

O art. 150, VI, da Constituição Federal de 1988 institui as imunidades tributárias como
genéricas, onde a constituição no artigo e inciso supracitado veda a incidência de impostos
referentes a essas cinco hipóteses citadas do referido dispositivo constitucional:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à


União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos
sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços,
uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos
partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos
trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins leitura a
laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013 lucrativos,
atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua
impressão. e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil
contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral
interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos
digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas
de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013)44

As imunidades não estão previstas somente no art. 150, VI, da CF/88, mas sim toda
vez que se tratar de uma limitação ao poder de tributar, que impedir a hipótese de incidência.
Sendo assim, não é correto dizer que as únicas imunidades tributárias existentes são essas

42
CARRAZZA, Roque Antônio. Ob. Cit. Nota 20, p.676.
43
MORAES, Bernado Ribeiro de. “Imunidade Tributária e Seus Novos Aspectos”, in: MARTINS, Ives Granda
da Silva (Org.). Imunidades Tributárias. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1998.
44
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 10 jan. 2017.
28

hipóteses previstas no art. 150, VI, da CF/88, estas são apenas as chamadas imunidades
genéricas, que são limitadas apenas á um tipo de tributo, os impostos.
As imunidades genéricas referem-se tão somente à espécie tributária concernente aos
impostos. Quer dizer, as pessoas e situações previstas nas alíneas "a" a "e", do inciso VI do
art. 150 da CF/88, ficam imunes somente em relação aos impostos, devendo pagar
normalmente as demais espécies tributárias.
Existem também outras imunidades dispersas pelo texto constitucional, como por
exemplo, a específica, mas esta alcança qualquer tipo de tributos, não necessariamente os
impostos, um exemplo de que a imunidade poderá alcançar as taxas que esta expressa no
artigo. 5°, XXXIV, da CF/88, que estabeleceu uma espécie de imunidade para taxas no caso
do exercício do direito de petição e obtenção de certidões45. Não será falado com precisão
sobre imunidade específica, pois, não é o foco deste trabalho. No entanto, o art. 150, VI,
abrange tão somente os impostos, então, se o Município, Estado e União cobrarem taxas e
contribuições de melhorias são aceito normalmente, exceto se forem isentadas por leis
complementares.

3.2Imunidade e isenção

A imunidade e a isenção tendem a serem confundidas pela maioria, por terem um


objetivo em comum que é a limitação do poder de tributar, mas as duas não se confundem,
são aplicadas de maneiras distintas.A imunidade tributária é a dispensa constitucional do
dever de pagar o tributo, enquanto que a isenção é definida por lei complementar.
A imunidade, de acordo com nossa carta magna, alcança as taxas e os impostos. No
entanto, as mais importantes imunidades são as aplicadas exclusivamente aos impostos que
está expressa no art 150, inciso VI, que é o objetivo deste trabalho.
A imunidade ao pagamento de impostos é matéria exclusivamente Constitucional.
Sendo assim, somente pode legislar o Congresso Nacional através das suas duas casas que são
a Câmara dos Deputados Federais e o Senado Federal, lembrando que por se tratar de matéria
constitucional é cláusula pétrea, não podendo ser abolida do texto, apenas alterada em casos

45
FERREIRA, Francisco Gilney Bezerra de Carvalho. Comentários acerca do instuto da imunide tributária e o
seu tratamento na jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal. Jus, maio 2012. Disponível em:
<https://jus.com.br/artigos/21677/comentarios-acerca-do-instituto-da-imunidade-tributaria-e-o-seu-tratamento-
na-jurisprudencia-atual-do-supremo-tribunal-federal>. Acesso em: 10 dez. 2017.
29

extremos, o que não se aplica a isenção que poderá ser revogada a qualquer momento por se
tratar de lei infraconstitucional. Não pode o legislador infraconstitucional legislar sobre
imunidade de impostos, e por isso foi criada a isenção para limitar o poder de tributar em
casos específicos, onde a imunidade não alcança, fazendo isto através de lei complementar.
A isenção tributária para alguns autores é uma hipótese de não incidência legalmente
qualificada, para outros se trata da exclusão do pagamento do tributo46, pois embora tenha
acontecido o fato gerador do tributo (haja incidência), o ente tributante está impedido de
constituir e cobrar o crédito tributário, tudo isso através de leis infraconstitucionais, que serão
criadas pelos agentes competentes, como a imunidade dos templos religiosos que é o objetivo
neste trabalho. A imunidade tributária dos templos de qualquer culto é imune a impostos, mas
não a taxas, nas quais a isenção poderá ser aplicada.
Sendo assim perceber-se que isenção e imunidade não se confundem, tendo que ser
aplicada de maneira distinta pelos agentes competentes, lembrando que imunidade é uma
obrigação constitucional e isenção uma hipótese de exclusão do crédito tributário através de
lei complementar.

46
CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Tributário. 21. ed. São Paulo: Malheiros. 2005.p.574-575.
30

4 IMUNIDADE TRIBUTARIA DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO

Aliomar Baleeiro47 define a origem da norma imunizante da seguinte maneira:

A origem da norma imunizante, que abrange os Templos de qualquer culto, remonta


a separação entre Igreja e o Estado, consumada com a Proclamação da República. A
Constituição de 1891 vedava o embaraço aos cultos por via da tributação. Esta
visava garantir a eficácia da diretriz constitucional da liberdade de crença e o livre
exercício de cultos religiosos.

Roque Antônio Carraza48ainda explica que:

Durante o império a religião oficial era a Católica Apostólica Romana, outras


religiões eram toleradas, mas apenas a católica recebia especial proteção do Estado.
Sendo assim, após a Proclamação da Republica, que foi inspirado no positivismo de
Augusto Comte, foi decretada a separação do Estado e da Igreja.

Assim, o Estado passou a não dar ênfase e atenção apenas a uma religião e passou a
aceitar todas e não ofender a moral, mostrando bons costumes e a prevalência a segurança
nacional.
Heleno Torres49 , afirma que a imunidade dos Templos de Qualquer Culto se faz pela
pessoa que promove culto ou mantenha atividades religiosas, e assim, imunes da instituição
religiosa. Sendo imune o patrimônio de instituições religiosas que compreendem prédios onde
ser realiza o culto (IPTU), lugar de liturgia, cemitérios e mesmo veículos utilizados como
Templos Móveis (IPVA). Não só estes, mas tudo que estiver vinculado a finalidade da igreja
não será instituído impostos.
A entidade religiosa poderá ser cobrada pelos impostos indiretos, que são aqueles onde
a carga econômica é suportada não pelo contribuinte, mas pela terceira pessoa, aquela que não
realizou a situação definida em lei como necessária a instauração do jurídico obrigado a pagar
o Tributo, e, portanto, quando uma organização de religiosidade se figurar como comprador
ou vendedor de mercadorias, estará sujeito independente da forma de como o produto foi
adquirido.

47
BALEEIRO, Aliomar. Ob. Cit. Nota 16, p.435.
48
CARRAZZA, Roque Antônio. Ob. Cit. Nota 20, p.334.
49
TORRES, Heleno. Direito tributário internacional: planejamento tributário e operações transnacionais. São
Paulo, Revista dos Tribunais, 2001. p.434.
31

É essencial da imunidade dos Templos sejam eles de qualquer culto, que seja
preservado os valores, em especial, àqueles em relação á convivência social.
Quando as rendas de Templos tem por finalidade outra função, sem ser a finalidade
para os cultos ou mesmo que é realizada em outro país, a imunidade cessa.
Para Heleno Torres50 “a finalidade essencial dos Templos é a prática do culto, a
formação de padres e ministros, o exercício de atividade filantrópica e a assistência moral e
espiritual dos crentes”.
A imunidade de Templos não acompanha nenhum tipo de exigência para que haja o
consentimento, é decisão de escolha dos administradores dos Templos quanto da utilização de
bens, observando que a única finalidade dessa imunidade é das atividades religiosas.
O artigo 5º, inciso VI da Constituição de 198851 deixa claro que:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes: VI - e inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado
o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos
locais de culto e a suas liturgias.

No entanto o artigo mencionado busca proteger a manifestação livre da religião das


pessoas, ou seja, a fé que elas têm em certos valores. Sendo o culto livre, quando demonstrado
na lei, assim também como proteção de locais de liturgias e cultos, atentando que o inciso VI
é protetor da liberdade dos cultos.
Para Uadi Lammego Bullos52, entende-se que “o constituinte de 1988 atentou para
essa doutrina estendendo a liberdade do culto a todas as religiões, diferente das constituições
passadas que condicionavam ao exercício dos cultos as conveniências de ordem pública e aos
bons costumes”.
Este trabalho tem como comprometimento para com a liberdade de crenças, onde as
pessoas devem se voltar mais à Deus, tendo ciência dos bons costumes e da paz no mundo.
Roque Antônio Carraza53 afirma que a constituição garante “a liberdade de crença e a
igualdade entre as crenças, o que, de resto, já vem proclamando em seu art. 5º, VI, e uma das
formas encontradas para isto foi justamente esta: vedar a cobrança de qualquer imposto sobre
os templos de qualquer culto”.

50
TORRES, Heleno. Direito tributário internacional: planejamento tributário e operações transnacionais. São
Paulo, Revista dos Tribunais, 2001.p. 455.
51
BRASIL. Op. Cit. Nota 13.
52
BULLOS, Uadi Lammego. Constituição Federal Anotada. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. p.96.
53
CARRAZZA, Roque Antônio. Op. Cit. Nota 20, p.710.
32

Artigo 150, inciso VI, alínea b, da constituição federal em seu texto expressa:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à


União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos
sobre: b) templos de qualquer culto;

Ao mencionar “qualquer culto”, deixa claro o respeito ao princípio da isonomia, e que


a imunidade alcançará qualquer religião, desde que tenha a finalidade esperada do culto.
“Essa isonomia se da desde que o Brasil se tornou um Estado laico com o Decreto nº 119-A,
de 07/01/1890, de autoria de Ruy Barbosa.
Até o advento do Decreto nº 119-A/1890, havia liberdade de crença no Brasil, mas não
havia liberdade de culto. Os cultos de religiões diferentes daquela adotada como oficial pelo
Estado (Catolicismo Romano) só podiam ser realizados no âmbito dos lares.
Com o mencionado decreto, o Brasil deixou de ter uma religião oficial. Com a
separação Estado-Igreja, a extensão do direito à liberdade religiosa foi ampliada”.54
Assim, o Brasil sendo um estado laico, que não concede privilégios a nenhuma
crença específica, não incidi impostos a nenhum templo, seja ele qual for, e com esta regra, o
benefício é para a religiosidade com valores morais e bons costumes, independente dos
números e extensão dos templos.

4.1 Breve análise histórica

A história da imunidade tributária vem de muito tempo atrás, onde existia um grupo
com nome de “essenciais” para fazer a manutenção no Estado, estes eram imunes ao
pagamento de impostos, no qual o setor da religiosidade tem destaque neste enfoque; tinham
o privilégio de reis, por ter a religião papel importante na vida em sociedade, e assim,
juntamente com a religiosidade vieram os templos, e seus custos que inviabilizavam a
cobrança de impostos e de seus líderes. Ressaltando que, antigamente os líderes religiosos
eram intocáveis por serem entendidos como representantes de uma divindade com grande
influência na vida das pessoas e no seu bem-estar.

54
MONTIBELLER, Barbara. Brasil: a laicidade e a liberdade religiosa desde a Constituição Federativa de 1988.
E-Gov, 20 mar. 2012. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/brasil-laicidade-e-liberdade-
religiosa-desde-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-rep%C3%BAblica-federativa-de-1988>. Acesso em: 10 dez.
2017.
33

Em Roma surgiu o cristianismo considerado como “religião do Estado”, e então,


imperadores construíram templos para que os fiéis fossem abrigados para louvarem a Deus, o
que atualmente ainda existe por diversas partes do mundo, e esta religiosidade ainda tem
proteção quando se trata de tributos.
Antigamente, a nobreza e o clero eram imunes a contribuição fiscal, o que gerava
grande revolta na sociedade contribuinte:

A nobreza não aceitava sua função de contribuinte. Para ela, cumpria aos proletários
o encargo fiscal: ou melhor, seria papel do proletariado sustentá-los. Tal situação
acabou por desembocar na Revolução Francesa, quando os benefícios não mais
seriam exclusivamente de uma determinada classe social, consolidando o
Estado Fiscal. Antes das Revoluções, entre elas a francesa, reinava uma situação
na qual tanto o clero quanto a nobreza eram instituições autônomas.55

Diversos autores expressam sua opinião sobre imunidade tributária, e cada um tem um
ponto de vista a destacar. Para Ruy Barbosa Nogueira56:

No tempo do Império Romano, os tributos eram chamados munera pelo seu caráter
de múnus público. Tais tributos começaram a ser pesados e a surgirem
privilégios de múnus particular, com a denominação de immunitas, no sentido de
desoneração tributária. Na Idade Média, o clero, a nobreza e as pessoas, hoje
dizemos de status social, obtinham imunidades numa verdadeira inversão de
princípios da universalidade e da capacidade contributiva. Iam ficando, tais pessoas
com maior capacidade contributiva privilegiadas, enquanto as classes menos
favorecidas mais oneradas

4.2 Imunidade dos templos no Brasil

A imunidade tributária concedida a templos de qualquer culto surge pela primeira vez
na Constituição de 1946 e, desde então, foi mantida pelos sucessivos textos constitucionais
como uma forma de garantir a expressão da fé religiosa, a crença, em todas as suas
dimensões.
No Brasil, a Imunidade dos Templos é assegurada em constituição com o artigo 5º da
Constituição Política do Império do Brasil, de 25 de março de 1824, que estabelecia a

55
COSTA, Regina Helena. In: LEITE, Silas de Souza. A imunidade tributária dos templos de qualquer culto
e o enquadramento das entidades religiosas no artigo 150 da Constituição Federal. Belo Horizonte: 2010.
Acesso em: 03 dez. 2016. p.9.
56
NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Curso de Direito Tributário. São Paulo: USP, 1995.p.102.
34

liberdade de crença, abrindo espaço para a tolerância na manifestação de outros credos. In


verbis: “A Religião Cathólica Apostólica Romana continuará a ser a Religião do Império.
Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico, ou particular em casas
para isso destinadas, sem forma alguma exterior do templo”. 57
Por ser condicionada, esta liberdade tinha seus limites e devia obediência. Foi assim
até o fim do Império. Na Proclamação da República um decreto foi editado demonstrado a
personalidade no sentido jurídico de igrejas e religiosidades, conservando assim a igreja
oficial, que segue com recebimentos de subvenção pecuniária visando a estabilidade de
ministros religiosos e seminários. Isso regulado pelo art. 6º do Decreto 119 A, de 7 de janeiro
de 1890, do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil.

Art. 6º - O Governo Federal continúa a prover á congrua, sustentação dos actuaes


serventuarios do culto católico e subvencionará por ano as cadeiras dos seminarios;
ficando livre a cada Estado o arbitrio de manter os futuros ministros desse ou de
outro culto, sem contravenção do disposto nos artigos antecedentes.

No art.72, §3º da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil em 24 de


fevereiro no ano de 189158 ficou estabelecida a igualdade e liberdade com a Carta Magna,
enfatizando que “todos os indivíduos e confissões religiosas podem exercer pública e
livremente o seu culto, associando-se para esse fim e adquirindo bens, observadas as
disposições do direito comum”. Essa alteração no quadro religioso quanto à liberdade de culto
e definição da situação do poder ante as organizações religiosas deveu-se principalmente a
chegada dos imigrantes europeus que vieram tanto morar como trabalhar no Brasil em
substituição à mão de obra escrava.
Estes seguidores de cultos diversos, dos até então existentes no país, assim, o governo
não teve alternativa senão colocar todos no mesmo nível. As regalias tinham de desparecer e
dessa forma multiplicaram-se os templos de qualquer culto. Situação oposta à vivida pelo
escravo negro, que não podia cultuarseus deuses e assim muitos foram obrigados a se curvar
ante o trabalho catequista dos religiosos católicos e protestantes, que não raro exigiam deles a
conversão e o batismo. A liberdade de culto para eles surgiu por ocasião da Lei Áurea, época
em que começaram a se multiplicar os terreiros, classificados igualmente como as catedrais,
sinagogas, mesquitas e outros mais como templos de qualquer culto.

57
BRASIL. Decreto n.º 119-A de 7 de janeiro de 1890. Disponível
em:<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/d119-a.htm>. Acesso em: 10 dez. 2016.
58
BRASIL. Constituição (1891). Constituição Federal de 1891. Disponível em:
<http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10602961/artigo-72-da-constituicao-federal-de-24-de-fevereiro-de-1891>.
Acesso em: 10 de dezembro de 2016.
35

É a Constituição Republicana de 1891 que finalmente institui no Brasil o princípio


da separação da Igreja-Estado, incorporando a liberdade de culto, determinando a
não existência de uma religião oficial, e, por conseguinte ausência de qualquer
subversão oficial, e de forma ampla, a liberdade religiosa em nosso país, como está
disposto no art. 72, § 7º, ‘Nenhum culto ou Igreja gozará de subvenção oficial nem
terá relações de dependência ou aliança com os governos dos Estados.59

É importante salientar que também no mesmo art. 31 da Constituição de 1946 aparece


o princípio de neutralidade em relação à prática religiosa. Princípio que foi mantido com texto
semelhante na Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988.

4.3 Valores protegidos e objetivo da imunidade dos templos

Desde o início da colonização portuguesa no Brasil, a religião foi essencial a cultura


do país. Isso se deve, em grande parcela, à Igreja Católica, presença fundamental no Estado
português e, consequentemente, na colonização brasileira. O domínio português perdurou do
ano de 1.500 a 1.822, e foi responsável por tornar o cristianismo a religião oficial no Brasil e
fazer com que a fé fosse tida como essencial até os dias de hoje. Ao proclamar sua
Independência, em 1822, o Brasil adotou como religião oficial do Estado o catolicismo,
consoante ao artigo 5° da Carta Magna de 1824, que apontava a religião “Catholica
Apostólica Romana” como a Religião do Império. Sendo assim, outras religiões não tinham
liberdade de ter seus templos oficias, podendo realizar apenas cultos em suas casas, mas não
de forma solene ou em lugares públicos. Até que 15 de novembro de 1889 quando aconteceu
a proclamação da republica, o Brasil passou a ter um Estado laico, sem religião oficial. Vale
salientar que por se tornar laico ele não se fez teísta, inclusive no próprio preâmbulo da atual
Constituição Federal é feita menção à proteção de Deus, deixando claro a crença do povo
brasileiro em um Deus. Sendo assim, através do texto constitucional fica claro a liberdade dos
cultos no Brasil, um país com diversas religiões, que além do grande número de católicos e
cristãos protestantes, possui um número muito grande de religiões diversas, inclusive religiões
trazidas por outros países, como exemplo os africanos, com isso tornou-se amplo o sentido da
palavra religião, inovando a cultura do país. Por sua grande importância social, a religião faz
parte da história do país e considerando que a maioria do povo brasileiro tem uma religião
59
GARCIA, Gilberto. O Direito Nosso de Cada Dia. São Paulo: Vida, 2003.p.174.
36

definida a Constituição Federal de 1988 traz a imunidade dos templos de qualquer culto (Art.
150, VI, “b”)60 que veda a incidência de impostos sobre qualquer fato que tenha finalidade
religiosa, sendo assim, nenhum imposto incide sobre os templos de qualquer culto.
Conforme já mencionado, a imunidade está também ligada ao mínimo existencial.
Sendo assim não só o templo que é realizado os cultos será imunizado, mas sim tudo o que
esta ligado a ele, nossa carta magna considera que a cultura religiosa é direito mínimo de
existência humana. E com inclusão da liberdade de crença, reforçou ainda mais a importância
da religião como mínimo existencial, é o que diz Torres:

O direito às condições mínimas de existência digna constitui o conteúdo essencial


dos direitos da liberdade, ou direitos humanos, ou direitos individuais, ou direitos
naturais, formas diferentes de expressar a mesma realidade. Aparece explicitamente
em alguns itens do art. 5° da CF de 1988, sede constitucional dos direitos humanos.
Proclamam-no a Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), no art. 25, e
a Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento, como já vimos. O mínimo
existencial exibe as características básicas dos direitos da liberdade: é pré-
constitucional, posto que inerente à pessoa humana; constitui direito público
subjetivo do cidadão, não sendo outorgado pela ordem jurídica, mas condicionando-
a; tem validade erga omnes, aproximando-se do conceito e das consequências do
estado de necessidade; não se esgota no elenco do art. 5° da Constituição nem em
catálogo preexistente; é dotado de historicidade, variando de acordo com o contexto
social, é indefinível, aparecendo sob a forma de cláusulas gerais e de tipos
indeterminados e universal, no sentido de que toca a todos os homens,
independentemente de suas nacionalidades ou das classes sociais e econômicas a
que pertençam; é negativo, pois exibe o status negativus que protege o cidadão
contra a constrição do Estado ou de terceiros; cria também o status positivus
libertatis, que gera a obrigação de entrega de prestações estatais individuais para a
garantia da liberdade e das suas condições essenciais; postula garantias institucionais
e processuais que provocam custos gerais para o Estado; é plenamente justificável;
independe de complementação legislativa, tendo eficácia imediata61

Muitos são os valores protegidos com a imunidade, como já supracitado de maneira


geral, em foco, Aliomar Baleeiro argumenta que, quando o texto constitucional “invoca a
proteção de Deus, exterioriza ao mesmo tempo a fé em certos valores espirituais. Ela, pois,
naturalmente, procurou protegê-los, preservá-los e encorajá-los pelos meios eficazes ao seu
alcance”.62
Ao se tratar do objetivo da imunidade existem diferentes opiniões, mas de forma geral
os tributaristas concordam que a imunidadeé “um complemento ao art. 5º, VI, da

60
RIBEIRO, Ricardo Lodi. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar. Rio de Janeiro: Lúmen Juris,
2010. p. 193.
61
TORRES, Ricardo Lobo. O direito ao mínimo existencial. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 39-40.
62
BALEEIRO, Aliomar (1905-1978). Limitações constitucionais ao poder de tributar. Rio de Janeiro:
Forense, 1998.p. 110.
37

Constituição, o qual expressa a inviolabilidade de liberdade de crença, assegurando a todos o


livre exercício dos cultos religiosos”.63
Oswaldo Saraiva Filho aponta que o benefício da imunidade apresenta-se como
“corolário, no âmbito tributário, do preceptivo constitucional do art. 5°, VI, onde dispõe
sobre a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a
suas finalidades, bem como do próprio inciso VIII do mesmo artigo, que veda a privação de
direitos por motivo de crença religiosa”.64
Aloísio Santos Júnior faz um questionamento polemico a cerca do real objetivo:

Mas qual seria o objetivo do dispositivo? Apenas assegurar a liberdade religiosa


coletiva ou também favorecer de forma positiva a expressão religiosa? Por outras
palavras, o texto constitucional visa apenas a evitar que o poder público ponha
embaraços à atuação das organizações religiosas ou também tem como telos o
encorajamento da prática religiosa coletiva?65

Visto que diante deste questionamento a imunidade tem por objetivo mais do que a
liberdade de crença, ela é pautada pelo estimulo a religião, tendo em vista que esta exerce
importante função social, muitas vezes servindo como ajuda a viciados, pessoas carentes e
desmotivadas, contribuindo para a formação de um Estado mais justo, humanitário, solidário,
dando esperança através da crença para aqueles que encontram em desvantagem emocional,
ademais, reforça a cultura do país. Vale ressaltar, que muitas igrejas, através de seus
adoradores realizam papel de grande relevância para o desenvolvimento urbanístico,
educacional e solidário, como por exemplo, a criação de cemitérios, escolas, abrigos para
pessoas que sem encontram em situações precárias.
O Brasil é um país com um numero significativo de religiosos, isso é o que esclareceu
uma pesquisa realizada pelo IBGE em seu censo Demográfico de 2010, que mostra o
crescimento da diversidade dos grupos religiosos no Brasil,66no qual deixa clara a grande
porcentagem que chega a 86,8% de pessoas com uma religião definida. Diante do que foi dito,
fica claro o intuito da imunidade dos templos, visto que o povo brasileiro considera a religião
como parte da cultura e através dela cumprem um papel importante na sociedade,

63
RODRIGUES, Ricardo Schneider. Da imunidade tributária dos templos. Recife: Nossa Livraria, 2010.p.67.
64
SARAIVA FILHO, Oswaldo Othon de Pontes. A imunidade tributária dos templos de qualquer culto, 2008.
In: Revista Tributária e de Finanças Públicas – RTIB, 78/184 – jan.-fev./2008, p. 185.
65
SANTOS JÚNIOR, 2010, p. 141.
66
IBGE. Censo 2010: número de católicos cai e aumenta o de evangélicos, espíritas e sem religião. Agência
IBGE, 29 jun. 2012. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/2013-agencia-de-
noticias/releases/14244-asi-censo-2010-numero-de-catolicos-cai-e-aumenta-o-de-evangelicos-espiritas-e-sem-
religiao.html>. Acesso em: 10 dez. 2017.
38

considerando que os valores culturais da religião são direito mínimo de existência humana,
mantendo a cultura do país. Vale ressaltar que este benefício da imunidade tributária deve
ser fiscalizado e medido, não podendo ser tratado de maneira leviana para servir de
esconderijo para impostores e corruptos que pretendem agir de má fé.

4.4 A imunidade tributária dos templos como imunidade incondicionada

A imunidade é incondicionada quando a constituição imunizante tem capacidade


concreta e função imediata, e não tem dependência de requisitos e vínculos para ser imune.
Alexandre Macedo Tavares67 define “se é imunidade incondicionada quando a regra
imunizante é das classes das denominadas normas de eficácia plena e aplicabilidade
imediata, e se é imunidade condicionada todas aquelas cujos plenos efeitos ficam a mercê da
observância de certos requisitos ou condições estabelecidos em norma infraconstitucionais”.
Na possibilidade de imunidade incondicionada existe atividade interpretativa que é
para a definição de conteúdo e alcance do comando constitucional. No entanto, o legislador
infraconstitucional não estipulou condições aos Templos para que fosse abrangido pela
imunidade, o que define os Templos de qualquer culto como imunidade incondicionada.
Mesmo sendo incondicionada, ou seja, independente de sua condição, não se pode
existir abusos por partes de seus líderes.

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre


iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da
justiça social, observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme
o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e
prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de
pequeno porte.
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte sob as leis brasileiras
e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 6, de 1995)

67
TAVARES, Alexandre Macedo.Op. Cit. Nota 3, p.37.
39

Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade


econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos
previstos em lei.

Contudo, o artigo 150 da Constituição federal68 define que:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à


União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou
função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos
rendimentos, títulos ou direitos;
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os
houver instituído ou aumentado;
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu
ou aumentou; (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os
instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos
interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização
de vias conservadas pelo Poder Público;
VI - instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
b) templos de qualquer culto;
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das
entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência
social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras
musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas
por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os
contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a
laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013)
§ 1º - A vedação do inciso III, b, não se aplica aos impostos previstos nos arts. 153,
I, II, IV e V, e 154, II.
§ 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I,
153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos
previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de
cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
§ 2º - A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas
e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos
serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.
§ 3º - As vedações do inciso VI, a, e do parágrafo anterior não se aplicam ao
patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades
econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em
que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem
exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao
bem imóvel.
§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o
patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das
entidades nelas mencionadas.

68
BRASIL. Op. Cit. Nota 13.
40

§ 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos


acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços.
§ 6º - Qualquer anistia ou remissão, que envolva matéria tributária ou
previdenciária, só poderá ser concedida através de lei específica, federal, estadual ou
municipal.
§ 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito
presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só
poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que
regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou
contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
§ 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de
responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva
ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia
paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 3, de 1993).

No entanto, existe impasses diante dos Templos serem amparados pela Imunidade
tributária, e fazerem uso de seus bens para fins comerciais e lucrativos. Assim, o Ministro
Gilmar Mendes69 definiu que:

O dispositivo do art. 150, VI, ”b” “b”, há de ser lido com o vetor interpretativo do §
4º deste mesmo artigo da Constituição”. E, a seguir, concluindo que “o disposto no §
4º alcança o patrimônio, a renda ou serviços dos templos de qualquer culto, em
razão da equiparação entre as letras ‘b’ e ‘c’” , dá provimento ao Recurso
Extraordinário, admitindo a inclusão na imunidade dos templos os “lotes vagos e
prédios comerciais dados em locação.

Este recurso extraordinário então foi aprovado por maioria de votos, ficando
entendido que Templos de qualquer culto, serão imunes á impostos, e as rendas extraídas
com locação dos imóveis e outras atividades geradoras de lucro, que não de finalidade
principal religiosa, serão aplicadas nestas os rendimentos recebidos.
Assim, é simples compreender que alínea “b” tem como objetivo garantir as livres
manifestações de fé das pessoas, porque, é por meio desta fé que certos valores são mantidos.
As organizações dos tributos não tem o poder para impedir que os cultos religiosos sejam
exercidos. A Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade das crenças e direito de
igualdade entre todas. Portanto, uma das maneiras encontradas foi exatamente vedar
cobrança de impostos sobre Templos de qualquer culto.

69
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 325.822-2. Relator Originário Ministro Ilmar
Galvão. Relator para o Acórdão Ministro Gilmar Mendes. Acesso em: 01 dez. 2016.
41

4.5 Imunidade dos templos e sua extensão ao paragrafo 4º do artigo 150 da Constituição
Federal

Neste capítulo, será abordado a cerca do parágrafo 4º do referido artigo e através de


jurisprudências, decisões dos tribunais e conceitos doutrinários entender as polêmicas
existentes quanto a interpretação ligada a extensão do artigo supracitado.

Art. 150 – Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte é vedada à


União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
[…]
VI – instituir impostos sobre:
b) templos de qualquer culto
§4º – as vedações expressas no inciso VI alíneas “b” e “c”, compreendem somente
o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essências
das entidades nelas mencionadas. 70 ( grifo meu)

O texto constitucional mencionado acima deve ser observado com atenção, pois se
buscar entendimento apenas no que se refere à frase expressa na alínea b do artigo
mencionado fica restrito a interpretação, dando margem a um entendimento sucinto. A frase
“templos de qualquer culto” gera para a maioria o entendimento de que seria vedado o
imposto somente para o templo físico, ou seja, o local onde são realizados os cultos
religiosos, e a partir deste entendimento, ficaria o imóvel imune somente ao pagamento de
IPTU (imposto predial e territorial urbano) fosse imóvel urbano, e o ITR (imposto territorial
rural) fosse imóvel rural. Mas com a extensão ao paragrafo 4º, o alcance da imunidade
amplia, dando margem a novos entendimentos que por muitas vezes geram polêmicas acerca
da grande amplitude das interpretações distintas.
O parágrafo mencionado, em primeiro lugar, dispõe em seu dispositivo que a
imunidade somente alcança as finalidades essenciais das entidades, devendo a atividade ser
compatível com a finalidade tutelada pela Constituição Federal, que serão discutidas mais a
frente neste trabalho. Em segundo lugar, refere-se às "entidades”, ou seja, ao referir-se a
templo de qualquer culto, o considera como "entidade", não como um mero imóvel para
realização de cultos. E, em último lugar, o dispositivo usou a expressão "compreendem
somente patrimônio, a renda e os serviços" das entidades referidas. Se o templo fosse apenas
o local do culto, não poderia ter patrimônio e renda, pois quem auferiria a renda, seria a
entidade que o administra, não o próprio templo. Dessa forma, a ressalva feita pelo

70
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 10 jan. 2017.
42

Constituinte Originárioé de expandir e dar interpretação mais abrangente à expressão


"templos de qualquer culto” como entidades que têm patrimônio e rendas, além de poderem
prestar serviços, sendo que, apenas serão imunes quando relacionados com suas finalidades
essenciais. Após o entendimento profundo do § 4º observa-se que o templo não é apenas a
construção física, e sim tudo que esta ligado a entidade, dando uma grande amplitude de
entendimentos ao significado de templo, e, com isso, ampliando também o poder de tributar,
resultando em polêmicas discussões sobre a interpretação de tais dispositivos.
Com essa extensão traga pelo parágrafo mencionado, o conceito de templo é discutido por
vários tributaristas:
Aliomar Baleeiro, em sua interpretação extensa analisa templo como um conjunto de
bens e atividades vinculadas, destaca que

O templo não deve ser apenas a igreja, sinagoga ou edifício principal, onde se
celebra a cerimônia pública, mas também a dependência acaso contígua, o convento,
os anexos por força de compreensão, inclusive a casa ou residência especial, do
pároco ou pastor, pertencente à comunidade religiosa, desde que não empregados em
fins econômicos.71

O professor Paulo de Barros Carvalho, seguindo uma postura parecida com Baleeiro
diz que:

as edificações onde se efetuam as atividades de cunho religioso devem ser


consideradas templos, não sendo demais afirmar que o interesse da sociedade e
todos os valores fundamentais tutelados pelo ordenamento jurídico concorrem para
estabelecer as fronteiras do proselitismo religioso e a adequada utilização dos
templos onde se realizem os ofícios .72

Deste modo, com o parágrafo 4º, surgiu uma interpretação mais extensiva, que faz
entender que templo é todo um conjunto de bens e atividades organizadas para o exercício do
culto religioso, ou a ele vinculadas, sendo assim mais do que apenas um lugar físico.
Esta extensão além de dar amplitude ao conceito de templo, amplia a imunidade sobre
os impostos, fazendo o que parece ser restrito ao ler a alínea b do inciso VI, se torne amplo
com a leitura do parágrafo 4º, através disso gera discussões sobre o alcance dessa imunidade.

71
BALEEIRO, Aliomar. Limitações constitucionais ao poder de tributar. Rio de Janeiro: Forense, 1998. p.
136.
72
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000. p. 185.
43

4.5.1Aspectos polêmicos a extensão tributaria dos templos e seu alcance a imunidade

O Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 325.822 consagrou o


entendimento de que a imunidade tributária dos templos de qualquer culto abrangeria a
vedação à instituição de impostos sobre o patrimônio, renda e serviços relacionados com as
finalidades essenciais das entidades, segue o acórdão:

Recurso extraordinário. 2. Imunidade tributária de templos de qualquer culto.


Vedação de instituição de impostos sobre o patrimônio, renda e serviços
relacionados com as finalidades essenciais das entidades. Artigo 150, VI, "b" e §
4o, da Consumição. 3. Instituição religiosa. IPTU sobre imóveis de sua propriedade
que se encontram alugados. 4. A imunidade prevista no art. 150, VI, "b", CF, deve
abranger não somente os prédios destinados ao culto, mas, também, o patrimônio, a
renda e os serviços "relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas
mencionadas". 5. O § 4o do dispositivo constitucional serve de vetor interpretativo
das alíneas "b" e "c" do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Equiparação
entre as hipóteses das alíneas referidas. 6. Recurso extraordinário provido73.

No que foi exposto acima, a imunidade deverá alcançar todos os imóveis de sua
propriedade, não apenas os edifícios físicos destinados aos cultos, uma vez que os imóveis
alugados a terceiros servem para gerar fundos para o custeio das despesas das igrejas.
Helenilson Cunha Pontes comenta sobre a decisão e afirma que o STF ao decidir não
focou no bem em si e sim na destinação da renda que o bem daria a igreja:

Na visão do Supremo Tribunal Federal, ao se referir a 'patrimônio, renda ou


serviços', o artigo 150, § 4º (que se remete ao inciso VI, alínea b, do mesmo artigo,
onde está a imunidade dos templos) acabou por conferir uma conotação ampliada
aosentido da imunidade tributária religiosa, apoiando-a não mais no sentido da
palavra 'templo', mas na destinação que a entidade religiosa dará ao seu patrimônio,
renda ou serviços. Ao invés de interpretar a imunidade tributária religiosa sob uma
visão estrutural (onde o importante é a natureza do bem, do rendimento ou
manifestação de capacidade contributiva), adotou o Supremo Tribunal Federal uma
interpretação funcional da norma constitucional imunizante, onde o ponto central
reside na destinação da renda ou do bem às finalidades essenciais da entidade
religiosa” .74

Ao ler o comentário do jurista fica claro a extensão traga pelo parágrafo 4º, visto que
a imunidade alcançou tudo que esta ligado a igreja e não somente o seu templo físico.

73
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 325.822-2. Relator Originário Ministro Ilmar
Galvão. Relator para o Acórdão Ministro Gilmar Mendes. Acesso em: 01 dez. 2016.
74
PONTES, Helenilson Cunha. Imunidade dos templos. O Liberal, Belém do Pará, 26 jul. 2005.p.168-169.
44

Como fundamento a decisão Luiz Emygdio F. da Rosa Júnior, destaca que “são
tributáveis os imóveis alugados e as rendas pertinentes, salvo se comprovado que as rendas
auferidas são aplicadas no desempenho das finalidades essenciais da instituição” 75
Oswaldo Saraiva Filho seguindo o mesmo raciocínio do autor supracitado, diz:

Portanto, estando os imóveis de propriedade de instituições religiosas alugados,


mesmo para que neles sejam exploradas atividades mercantis pelos locatários, ou
utilizados para fins comerciais, a imunidade aos impostos sobre a renda e sobre a
propriedade predial e territorial urbana, em regra, deve prevalecer, pelo menos
enquanto perdurar a ótica extensiva da imunidade da novel jurisprudência do STF,
que vem se assentando, de qualquer modo, desde que as rendas decorrentes das
respectivas locações ou utilizações sejam utilizadas nos templos e nos cultos
religiosos, e que não favoreça ao abuso do poder econômico, com quaisquer
tendências de dominação de mercados, de concorrência desleal e de aumento
arbitrário dos lucros (arts. 170, caput, IV, e 173, § 4.° da CF/88).76

De acordo com as decisões e ideias doutrinárias supracitadas, em consonância com o


entendimento do parágrafo 4º, tudo que estiver vinculado a verdadeira finalidade da igreja
será imune aos impostos.
O voto Nº: 15904, apelação cível nº 0004022-55.2010.8.26.0292. Trata-se de
mandado de segurança impetrado pela Primeira Igreja Batista Em Jacareí contra ato do Sr.
Prefeito Municipal, consistente no indeferimento do pedido de imunidade tributária de IPTU
incidente sobre terreno de sua propriedade, destinado às finalidades essenciais da entidade
para cultos religiosos, atividades culturais, educativas, sociais e esportivas, nos termos do art.
150, VI, “b” e “c”, e § 4º da CF. vide a ementa:

Mandado de Segurança Entidade religiosa Pretendido reconhecimento da imunidade


tributária sobre terreno Templo de qualquer culto Segurança concedida, sob o
fundamento de que o terreno está vinculado às finalidades essenciais da entidade,
vez que ocorrem cultos ao ar livre, enquanto o imóvel ainda não foi construído
imunidade prevista no art. 150, inciso VI, da CF, que deve ser interpretada em
conjunto com o § 4º, compreendendo o patrimônio, a renda e os serviços
relacionados com as finalidades essenciais das entidades Terreno recém adquirido
para a construção de templo, no qual foi demonstrada a ocorrência de diversos
cultos ao ar livre, relacionados, portanto, às finalidades da igreja Sentença mantida
Recurso improvido. 77

75
ROSA JÚNIOR, Luiz Emygdio F. da. Manual de Direito Financeiro & Tributário. 19. ed. Rio de Janeiro:
Renovar, 2006.p. 254.
76
SARAIVA FILHO, Oswaldo Othon de Pontes. A imunidade tributária dos templos de qualquer culto, 2008.
In: Revista Tributária e de Finanças Públicas – RTIB, 78/184 – jan.-fev./2008.p. 187. p. 187.
77
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 325.822-SP, Pleno, Relator Min. Ilmar Galvão,
Julgamento: 18.12.2002, Publicado no DJ: 03.02.2003. Disponível em:
<https://jurisprudencia.s3.amazonaws.com/TJSP/IT/REEX_40225520108260292.
_SP_1317929667598.pdf?Signature=kUWnBpY%2F5lOR9h6aKIwqiSsoTOg%3D&Expires=1512587331&AW
SAccessKeyId=AKIAIPM2XEMZACAXCMBA&response-content-type=application/pdf&x-amz-meta-md5-
hash=6ec9e2dff192739bd5eb92098a72f2cf>. Acesso em: 06 dez. 2017.
45

Nesta jurisprudência supracitada mostra mais um alcance da imunidade em extensão


ao parágrafo estudado,ao decidirem, como fundamento alegou que embora não possua
edificação o terreno estava relacionado a finalidade da igreja, sendo assim não a o que se
falar em tributação, são várias decisões no Supremo Tribunal Federal que decidiram no
sentido de que os lotes vagos, desde que atendam às finalidades da entidade, são imunes.
Recentemente oSupremo Tribunal Federal deixou entendido que os cemitérios que
estão em nome das entidades religiosas e que atendam as finalidades da igreja, que se
dediquem exclusivamente à realização de serviços religiosos e funerários, receberão o
alcance da imunidade, por se tratar de finalidade religiosa e, com isso, afastando a cobrança
de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) sobre a área ocupada pelo cemitério. Como
exemplo, ficou decidido sobre o cemitério pertencente à Igreja Anglicana (Recurso
Extraordinário nº 578.562/BA, relator Ministro Eros Grau, Pleno, Unânime, 21/05/2008), que
os estes gozam sim de imunidade tributária, igualmente as entidades religiosas, das quais os
cemitérios são extensão, isso não se aplica aos cemitérios de caráter comercial que não tem
ligações com a igreja, visto que visam fins lucrativos, diferentemente do objetivo da igreja 78.
Diante do que foi exposto acima, vistoque o STF mudou seu entendimento ao longo
dos anos, e vem dando uma interpretação cada vez mais ampla ao instituto da imunidade
tributária concedida a entes religiosos, a Corte Suprema considera uma teoria mais ampla
quanto à extensão dos efeitos imunitários a atividades essenciais da Igreja. Fica claro a
interpretação preconizada a expressão “patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com
as finalidades essências”, disposta no §4º do art. 150 da CF/88,o entendimento através do
exposto, é que tudo que estiver vinculado a verdadeira finalidade da igreja e for destinada
exclusivamente ao seu uso alcançara a imunidade.

4.5.2 O polêmico relacionamento com as finalidades essenciais

Aloísio Santos Júnior, “[...] sem dúvida alguma, o ato de cultuar é o traço distintivo
entre as organizações religiosas e todas as demais coletividades organizadas”79. Ao se

78
CONTEÚDO Jurídico. Disponível em: <https://www.conteudojuridico.com.br/>. Acesso em: Acesso em: 03
dez. 2016.
79
SANTOS JÚNIOR, 2010, op. cit., p. 160.
46

posicionar dessa forma, limita a finalidade da igreja, mostrando que o seu verdadeiro foco é o
culto, mas não se pode ficar preso a uma ideia sucinta já que o entendimento de templo esta
muito amplo, como já estudado anteriormente neste trabalho. Sendo assim, outros
doutrinadores discorrem sobre suas opiniões de forma ampla, como é o caso de Wladimyr
Albano, que acrescenta o que ele considera essencial:

[...] educação religiosa, culturismo religioso, auxílio e caridade às pessoas carentes,


disseminação de campanhas de apoio às causas humanitárias, manutenção de
institutos de assistência social e científica, como hospitais, asilos, cemitérios,
creches, núcleos de atendimento e apoio psicológicos, colégios, universidades,
gráficas, entre tantos, e não podendo ser confundido ou separado o culto do templo,
posto que ambos são incindíveis, já que uma vez realizado um deles o outro estará
compreendido80

Como já visto o benefício dado pela constituição às igrejas está ligado as suas
finalidades essenciais. Dessa forma Eduardo Sabbag discorre:

Não deve haver incidência de IPTU sobre a residência do religioso, sobre a casa
ou salão paroquial, sobre o centro social, sobre todos os anexos ao templo, como
nítidas pertenças do templo [...] não deve haver a incidência de IPVA sobre o
veículo (carro, avião, barco) utilizado pelo religioso para a realização do trabalho
eclesiástico.81

Vale salientar que as finalidades devem ser“essenciais”,ficando aberto o entendimento


para vários tipos de interpretação, sobre o que seria essencial, segundo Ricardo Rodrigues, “o
que for voltado à prática religiosa no intuito de favorecer, fortalecer, contribuir para o seu
exercício, mas não for essencial, não está imune”.

A propagação da fé religiosa, a criação de novos templos e outras atividades que


fogem daquilo que é estritamente necessário à manutenção da atividade religiosa,
embora sejam lícitas e aceitas no contexto constitucional atual, não estão
82
acobertadas pela regra imunitária.

A ideia adotada pelo autor é que a finalidade essencial é somente o mínimo necessário,
deixando claro que às atividades que estiverem ligadas com uma relação econômica não
deverão receber o beneficio, pois não se trata de finalidade essencial, o autor relata “as
finalidades essenciais do culto, via de regra, não são atividades econômicas ou, se forem, são
economicamente irrelevantes a ponto de merecer proteção83”.

80
ALBANO, 2010, op. cit., p. 26.
81
SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário. 5 ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 332.
82
RODRIGUES, Ricardo Schneider. Da imunidade tributária dos templos. Recife: Nossa Livraria, 2010.p.84.
83
Ibidem, p. 75.
47

Muitas vezes não acontece o que fora supracitado, ao ficar de frente ao templo
construído em são Paulo denominado templo de Salomão, gera certa polêmica sobre o que é
denominado essencial, visto que é de tamanha grandeza e magnitude, o templo tem uma
áreade 35 mil metros quadrado, contabilizando o valor de R$ 685 milhões e ocupando um
quarteirão inteiro no bairro Brás em São Paulo84, o que gerou maiorpolêmica foi os 39.009,37 m²
de pedras importados de Hebron, cidade da Cisjordânia,a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal
da 3ª Região, em São Paulo, entendeu que as pedras importadas para a construção do Templo de
Salomão não deveriam ser taxadas de impostos. As pedras chegaram pelo porto de Santos, não
sendo instituído imposto a estas, já que a imunidade alcança todas os impostos relacionados a
igreja. Segundo o desembargador federal André Nabarrete, relator do acórdão, não é possível taxar
o material por ele ser usado para a construção de um templo religioso.85
Outras críticas existentes em nosso país é o uso ilícito da imunidade, através de
impostores que se dizem líderes religiosos e usam das igrejas para enriquecer, o juiz Gláucio
de Araújo, da 9ª Vara Criminal de São Paulo, abriu ação criminal contra o fundador da
Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, e mais nove pessoas ligadas a ele, por
lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Diz a denúncia: "A atuação da quadrilha não
conheceu limites. Seus integrantes se utilizaram da Igreja Universal do Reino de Deus para
a prática de fraudes em detrimento da própria igreja e de inúmeros fiéis"86. Casos polêmicos
como este envolvendo lideres religiosos vem acontecendo com frequência no país.
Ricardo Rodrigues, em sua obra “Da imunidade tributária dos templos”, apresenta
situações que mostram a grande riqueza das Igrejas Católica, Universal do Reino de Deus e
Renascer em Cristo, só a título de exemplificação. Observa-se que redes de rádio e televisão,
estabelecimentos de ensino e saúde privados, gravadoras de música, editoras,
empreendimentos dos mais variados tipos são propriedade de igrejas.87
Oswaldo Saraiva Filho alerta que:

[...] o escopo do texto constitucional ao prever a imunidade subjetiva dos templos


de qualquer culto, que é o de garantir a liberdade de crença religiosa e de sua
exteriorização, e não de proporcionar o enriquecimento, algumas vezes ilegítimo, de

84
Disponível em: https://noticias.gospelprime.com.br/pedras-templo-de-salomao-iurd-isencao/.
85
Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2014/07/Maior-templo-evangelico-do-Brasil-
custou-R-680-mi-a-Igreja-Universal-4563495.html.
86
SILVA, Flávio Porto da. Imunidade tributária dos templos religiosos. JusBrasil, 2015. Disponível em:
<https://flavioportodasilva.jusbrasil.com.br/artigos/206896275/imunidade-tributaria-de-templos-religiosos>.
Acesso em: 10 dez. 2017.
87
RODRIGUES, Ricardo Schneider. Da imunidade tributária dos templos. Recife: Nossa Livraria, 2010. p.
16-21.
48

religiões e seus líderes, pela exploração da ingenuidade, do desespero e até mesmo


88
da pobreza de muitos.

A igreja como já discorrido por todo o trabalho é papel importante e necessário para
a sociedade, exercendo um objetivo cultural e beneficente ao povo, ao citar essas polêmicas
envolvendo corrupção na igreja não é de forma generalizar e querer abolir seusbenefícios,
visto que nem é possível por se tratar de cláusula pétrea, mas sim limitar esses atos ilícitos
e abusivos, resta visto que as maiorias das igrejas pregam a fé e usam de seu benefício de
maneira lícita, cumprindo com sua real finalidade, exercendo a função publica através de
bons lideres religiosos que tem intuito de caridade. Mas ao ter como exemplo pessoas que
tomam proveito de tal benefício e desviam a finalidade filantrópica das igrejas, é sim
necessária uma maior atenção a essa imunidade, buscando uma interpretação correta sobre
o que seria de fato essencial.

88
SARAIVA FILHO, Oswaldo Othon de Pontes. A imunidade tributária dos templos de qualquer culto, 2008.
In: Revista Tributária e de Finanças Públicas – RTIB, 78/184 – jan.-fev./2008.p. 196.
49

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O que objetivou mostrar neste trabalho foi ointuito da imunidade dos templos de
qualquer culto, através da sua extensão ao parágrafo 4º,alínea b, do inciso VI do artigo 150 da
constituição Federal, é através disso buscar melhor entendimento do seu alcance no país, e o
que se entende por finalidade essencial trazida pelo parágrafo mencionado.
Desde o início da colonização portuguesa no Brasil, a religião foi essencial a cultura
do país. Desde então a imunidade das igrejas já é realidade no nosso ordenamento, por se
tratar de uma entidade filantrópica, ou seja, que não tem interesse econômico, tendo como
finalidade um papel social, promovendo a paz espiritual, moral e solidária, através da crença e
dos valores éticos.
Antesnão havia liberdade de crença, visto que a religião oficial do estado era o
catolicismo, as demais religiões eram toleradas, mas só podiam realizar seus cultos em suas
próprias casas, não podendo ser em lugar público, visto que não eram reconhecidas pelo
estado. Com a Programação da República em 15 de novembro de 1889 aconteceu a separação
entre Igreja e o Estado, e o Brasil passou a ser um país laico, sem religião oficial.Sendo assim,
não concede privilégios a nenhuma crença específica, não incidi impostos a nenhum templo,
seja ele qual for, e com esta regra, o benefício é para a religiosidade com valores morais e
bons costumes, independente dos números e extensão dos templos, desde que corresponda a
suas finalidades essenciais, que para Heleno Torres “a finalidade essencial dos Templos é a
prática do culto, a formação de padres e ministros, o exercício de atividade filantrópica e a
assistência moral e espiritual dos crentes”.
Atualmente a imunidade encontra-se inclusa na nossa constituição atual, no artigo 150,
inciso VI, alínea b, ao mencionar “templos de qualquer culto” quer garantir o respeito a
liberdade de crença, expresso no art. 5º, inciso VI, da nossa atual Constituição Federal “é
inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.
Este benefício tem como objetivo o respeito a liberdade de crença e o estímulo a religião,
visto que a igreja cumpri significante papel social contribuindo para a formação de um Estado
mais justo, humanitário, solidário que além de tudo é uma forma de manter a cultura religiosa
em nossa país .Vale salientar que por se tornar laico ele não se fez ateísta, inclusive no próprio
50

preâmbulo da atual Constituição Federal é feita menção à proteção de Deus, deixando claro a
crença do povo brasileiro.
Ao discorrer sobre a imunidade exposta no artigo 150, inciso VI, ficou decidido que se
trata de uma imunidade genérica, que alcança somente os impostos, não sendo imunes as
demais tributações, ao mencionar seu alcance buscou estender o estudo ao parágrafo 4º do
artigo mencionado, o seu texto traz novas interpretações ao inciso VI que menciona templos
de qualquer culto, ao interpretá-lo com atenção pode surgir problemáticas a este inciso, visto
que ele da amplitude ao inciso, sobre seu alcance a imunidade, sua palavra templo, e sobre o
que seriam finalidades essenciais da igreja.
Como já visto não poderá instituir impostos sobre os templos de qualquer culto mas
com a extensão ao parágrafo 4º deixa amplo este entendimento quando diz que compreende
somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com suas finalidades essenciais,
deixando claro que tudo que estiver ligado a sua finalidade essencial será imune, como já dito
a imunidade alcança somente os impostos, sendo assim tudo que estiver ligado ao patrimônio
da igreja, ou seja, o templo onde é realizado o culto, a casa paroquial, o salão utilizado para
finalidade da igreja e até mesmo algum terreno ou casa alugada a terceiros, estando em nome
da igreja e sua renda for destinada a finalidade da igreja, alcançará a imunidade, também não
se falará em imposto ao dízimo recebido de doações, ou qualquer quantia destinada a igreja,
os serviços prestados por esta, como exemplo uma festa realizada para arrecadação de fundos
para igreja também não será instituído imposto por se tratar de uma finalidade da igreja onde
o valor será revertido a ela.
Muitas igrejas não gozam de templos luxuosos, tendo somente um local simples para
realizar sua finalidade, mantendo-se através da ajuda dos fiéis que ali querem estar, por
sempre cumprir um papel importante na sociedade, sendo solidário, e acolhendo qualquer um
no templo, visto que ate as obras é realizada por mutirão, não seria justo instituir impostos á
uma entidade que só visa papel social e não produz fins lucrativos.
Como visto no decorrer do trabalho não é só isso que acontece, muitos usa da
imunidade para benefício próprio, fazendo com que exista corrupção nas igrejas e desvio do
seu maior objetivo. Existem pelo nosso país templos que gozam de muito luxo e grandeza e
seus lideres esbanjam riqueza, muitas vezes tendo realidade bastante superior aos fiéis que
frequentam e mantém o templo. De acordo com isso buscou entender melhor qual seria o
alcance da imunidade e o que seria então a finalidade essencial.
Alguns juristas entendem que a finalidade essencial deveria ser o mínimo necessário
para manter o templo, com essa amplitude que o dispositivo traz dá espaço para pessoas más
51

intencionadas que visam enriquecer através dos benefícios da igreja, sendo assim o mais
sábioseriaaumentar sua fiscalização, através de uma prestação de conta expressa, e uma
clareza maior, assim como é feito nos municípios, eles são fiscalizados com rigor,o mesmo
deveria acontecer com as igrejas, por exemplo, os prefeitos devem registrar seus bens antes de
liderar a política, o mesmo deveria ser feito aos líderes religiosos, porque ao enriquecer
repentinamente teria o que usar como prova, o município tem o mesmo objetivo da igreja que
é exercer papel social, sendo assim devem ser fiscalizado igualmente, esta imunidade merece
sim atenção especial, devendo impor limites a este benefício, para que má intencionados não
aproveitem de tal.
Vale salientar que o objetivo não é abolir o benefício e proteção dada pelo
Estado,visto que nem é possível por se tratar de cláusula pétrea, mas sim limitar esses atos
ilícitos e abusivos.Ao lidar com tantas polêmicas envolvendo igreja a corrupção e
enriquecimento de seus lideres, é sim necessária uma maior atenção a essa imunidade,
buscando uma interpretação correta sobre o que seria de fato essencial, pois, são imunizados
devido a sua filantropia, não podendo ser envolvidas em tamanha economia. Tendo em vista
várias denúncias do Ministério Público por desvio de dinheiro através de lideres religiosos,
algo que é totalmente contrário aos valores professados, visto que na verdade os fundos
teriam que ser revertidos em favor da organização religiosa e de seus membros e não de
interesse próprio, ao se deparar com isso é sim necessário um maior questionamento sobre o
assunto. Nos resta entender que o benefício da imunidade tributária é para ser pesado,
medido e achado suficiente e não tratado de forma leviana.
O propósito principal deste trabalho não foi estabelecer conclusões definitivas, visto
que nem é possível já que a temática da imunidade tributária dos templos é matéria não
pacífica, que ainda não encontra um consenso doutrinário e jurisprudencial, além de ser um
assunto polemico discutido na atualidade.
Com isso, o maior objetivo foiuma maior atenção sobre assunto, por se tratar de algo
importante e de interesse do Estado, ademais a forma como se pratica o culto é um ponto
muito interessante a ser observado a partir do momento quando se leva em consideração a
carga sociológica e a cultura que é miscigenada e tem certa parcela de inserção nas
religiões existentes no Brasil, mais um motivo pelo qual a pesquisa mostra que a discussão
envolvendo esta imunidade tributária poderá ser mais recorrente, pois, algumas religiões
são usadas para ludibriar o sistema jurídico tributário visando à benesse da imunidade
tributária, que, a título de exemplo, uma reportagem publicada em 16 de junho de 2013 no
Jornal Folha de São Paulo diz que, o Brasil pela estimativa da Receita Federal deixou de
52

arrecadar com as imunidades tributárias 10 Bilhões de reais, um dinheiro bastante


significativo frente àcrise que o país enfrenta, sendo assim ao ver que uma proteção dada
pelo estado esta gerando prejuízo a ele é necessário estabelecer novos limites, esta é a
finalidade maior dos poderes, impor limites para serem seguidos pela sociedade.
53

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