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METODOLOGIA DA

PESQUISA NO CAMPO DA
EDUCAÇÃO
Mantenedora
ASSOCIACAO EDUCACIONAL E CULTURAL NOSSA
SENHORA APARECIDA

Mantida
Faculdade de Ciências Humanas de Cruzeiro - FACIC

Patrícia Baptistella
Diretor Geral

Luciene Capucho Rodrigues


Coordenadora do Curso de Pedagogia, Licenciatura

METODOLOGIA DA PESQUISA NO CAMPO DA EDUCAÇÃO /


Cruzeiro/SP, 2013.

Impresso por computador (Fotocópia)

1. METODOLOGIA DA PESQUISA NO CAMPO DA EDUCAÇÃO. 2.


Educação. I Título

CDU 37.015
FLUXOGRAMA DE ESTUDOS

ENTRADA

Inscrição - Seleção
Tutoria On-line

Fluxo diário

Tutoria com o Professor


da Disciplina
Orientação ao aluno
Avaliações processuais
(30%)

Inserção no AVA Encontro Presencial Avaliação Presencial


Acesso ao Material Professor da Disciplina (Todo o conteúdo)
Didático 2 horas – Para cada 15
horas de estudo (70%)
Início das Atividades

Tutoria Presencial
Plantão de Tutoria Composição da Nota
(Todo sábado das 8:00
às 17:00 – Por 30% (processual)
Agendamento) +
70% (presencial)

Nota Final Nota Final


≥ 7,0 ≤ 6,9

APROVADO AVALIAÇÃO
SUBSTITUTIVA
(Todo o conteúdo)

Nota Final Nota Final


≥ 7,0 ≤ 6,9

APROVADO REFAZ A DISCIPLINA


APRESENTAÇÃO

A elaboração deste caderno de atividades constitui um corpo


de exercícios produzidos para proporcionar a reflexão sobre a
educação no passado - sua finalidade, seus objetivos, seus
conteúdos, sua organização - para que possa melhor
compreender a educação e contribuir fazendo um paralelo no
sistema educacional atual voltado para a realização profissional
dos nossos alunos.
Para tanto, ressaltamos conteúdos dentro do plano de
ensino, dando ênfase a fatos importantes ocorridos e relacionados
na atualidade estimulando o aluno a desenvolver o senso-crítico e
4
a reflexão ao estudo abordado nos guias de estudo.
Acreditamos ainda, que este caderno de atividades dará
destaque a todos os assuntos trabalhados e fará um tratamento
privilegiado atribuído à nossa história educacional.
Com essa certeza, através desse material possa contribuir
de forma eficaz no desenvolvimento cognitivo e na troca de
experiências ao longo do processo ensino-aprendizagem.
PLANO DE ENSINO

METODOLOGIA DA PESQUISA
Carga Horária: 75 horas.

OBJETIVOS
Compreender a metodologia como alicerce da pesquisa científica. Identificar
o que é pesquisa e suas características. Diferenciar método e técnica de
pesquisa. Identificar conceitos e tipos de pesquisa. Diferenciar resumo,
resenha, trabalho acadêmico e artigo científico. Reconhecer um artigo
científico. Construir uma pesquisa dentro das concepções científicas. Aplicar
às normas técnicas. Compreender o processo de pesquisa desde o seu
diagnóstico até a sua implementação. Elaborar o anteprojeto de pesquisa
contemplando quesitos básicos como justificativa teórica. Organizar e
apresentar: comunicações orais. 5

CAPÍTULO I
Pressupostos e características da investigação científica

CAPÍTULO II
Tipos de Pesquisa e procedimentos

CAPÍTULO III
Elementos iniciais do projeto de pesquisa

CAPÍTULO IV
Fundamentação teórica

CAPÍTULO V
Normas para apresentação de trabalhos e artigos científicos
BIBLIOGRAFIA

a) Básica
CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 3.ed. São
Paulo: Cortez, 1998.

GATTI, Bernardete Angelina. A construção da pesquisa em educação no


Brasil. Brasília: Editora Plano, 2002.

MOROZ Melania; GIANFALDONI M.H.T.A. O Processo de pesquisa:


iniciação. Brasilia: Liber Livro Editora, 2 ª edição, 2006.

b) Complementar
ANDRE, M. E. D. A. Abordagem Qualitativa, Etnografia e os Estudos do
Cotidiano Escolar. In: Cleonara Schwartz, Janete M. Carvalho, Regina H.L. 6
Simôes, Vania C. Araújo. (Org.). Desafios da Educação Básica: A pesquisa
em educação. Vitória: EDUFES, 2007, v. , p. 97-106.

ANDRE, M. E. D. A. Perspectivas Atuais da Pesquisa Sobre Docência. In:


Catani, DeniceBueno, Belmira. (Org.). Memória, Docência e Gênero. 2 ed.
São Paulo: Escrituras, 1997, v. , p. 63-73.

ANDRE, M. E. D. A. A Pesquisa No Cotidiano Escolar. In: Fazenda, Ivani


C.A.. (Org.). Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 1991,
v. , p. 35-45.

BARBIER, René. A pesquisa-ação. Brasília: Editora Plano, 2002.


SUMARIO

FLUXOGRAMA DE ESTUDOS ............................................................................................ 3


APRESENTAÇÃO .................................................................................................................. 4
PLANO DE ENSINO .............................................................................................................. 5
SUMARIO ................................................................................................................................ 7
CAPÍTULO I - PRESSUPOSTOS E CARACTERÍSTICAS DA INVESTIGAÇÃO
CIENTÍFICA ..................................................................................................................................... 10
UNIDADE 01 - PRESSUPOSTOS DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA .............................. 11
1.1 Tipos de Métodos .............................................................................................................. 13
UNIDADE 02 - CARACTERÍSTICAS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO .................... 22
2.1 Racional ................................................................................................................................ 22
2.2 Objetivo................................................................................................................................. 22
2.3 Factual ................................................................................................................................... 22
2.4 Transcende os fatos ......................................................................................................... 22
2.5 Analítico................................................................................................................................ 23
2.6 Claro e preciso.................................................................................................................... 23 7
2.7 Comunicável........................................................................................................................ 23
2.8 Verificável ............................................................................................................................ 23
2.9 Depende de investigação metódica ........................................................................... 24
2.10 Sistemático........................................................................................................................ 24
2.11 Acumulativo ..................................................................................................................... 24
2.12 Falível.................................................................................................................................. 24
2.13 Geral .................................................................................................................................... 25
2.14 Explicativo......................................................................................................................... 25
2.15 Preditivo ............................................................................................................................ 25
2.16 Aberto ................................................................................................................................. 25
2.17 Útil ........................................................................................................................................ 26
UNIDADE 03 - INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E EDUCAÇÃO........................................... 27
3.1 A educação básica e a proficiência em ciências..................................................... 29
3.2 Educação em ciências baseada em investigação .................................................. 30
3.3 Interação escola, universidades e centros de pesquisa ..................................... 32
CAPÍTULO II - TIPOS DE PESQUISA E PROCEDIMENTOS ............................................. 38
UNIDADE 01 - TIPOS DE PESQUISA SEGUNDO OS OBJETIVOS DO PESQUISADOR ....... 39
1.1 A pesquisa exploratória.................................................................................................. 39
1.2 A pesquisa descritiva ....................................................................................................... 40
1.3 A pesquisa explicativa ..................................................................................................... 41
UNIDADE 02 - PROCEDIMENTOS DE PESQUISA .............................................................. 43
2.1 Fontes de dados ................................................................................................................. 44
UNIDADE 03 - INSTRUMENTOS E TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS .................... 45
3.1 Observações estruturadas ou não .............................................................................. 46
3.2 Questionários ..................................................................................................................... 47
3.3 Entrevistas ........................................................................................................................... 48
UNIDADE 04 - PLANEJAMENTO DA PESQUISA ................................................................ 54
4.1 Planejando o tempo: o cronograma ........................................................................... 54
4.2 O planejando os recursos da pesquisa ...................................................................... 54
CAPÍTULO III - ELEMENTOS INICIAIS DO PROJETO DE PESQUISA .......................... 57
UNIDADE 01 - PROJETO DE PESQUISA ................................................................................ 58
UNIDADE 02 - CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA ................................... 61
2.1 Justificativa da pesquisa ................................................................................................. 61
2.2 Delimitando o tema .......................................................................................................... 64
2.3 Identificando o problema .............................................................................................. 66
8
2.4 Estabelecendo as hipóteses .......................................................................................... 67
2.5 Identificando o objetivo geral ...................................................................................... 68
2.6 Definindo os objetivos específicos ............................................................................. 69
CAPÍTULO IV - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................... 71
UNIDADE 01 - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ..................................................................... 72
1.1 - Distinguindo A Fundamentação Teórica Da Justificativa /
Contextualização ...................................................................................................................... 72
1.2 - As Fontes Da Fundamentação Teórica ................................................................... 73
1.3 - Estrutura Da Fundamentação Teórica ................................................................... 74
UNIDADE 02 - DICAS PARA ESCREVER BEM ..................................................................... 79
CAPÍTULO V - NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS E ARTIGOS
CIENTÍFICOS ................................................................................................................................... 81
UNIDADE 01 - APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS ............................... 82
1.1 O trabalho científico......................................................................................................... 82
UNIDADE 02 - ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO CIENTÍFICO ....................................... 84
2.1 Introdução ........................................................................................................................... 84
2.2 Desenvolvimento .............................................................................................................. 85
2.3 Conclusão, recomendações ou considerações finais ........................................... 85
2.4 Dicas para redação de um texto científico .............................................................. 86
2.5 Editoração do trabalho científico ............................................................................... 87
UNIDADE 03 - ELABORAÇÃO DE ARTIGO CIENTÍFICO ................................................. 88
3.1 Orientações básicas na elaboração do artigo científico ..................................... 88
3.2 Desenvolvimento e demonstração dos resultados .............................................. 90
3.3 Conclusão ou considerações finais............................................................................. 90
3.4 Referências .......................................................................................................................... 91
3.5 Linguagem do artigo ........................................................................................................ 91
UNIDADE 04 - NORMAS DE APRESENTAÇÃO GRÁFICA................................................ 93
4.1 Margens ................................................................................................................................ 93
4.2 Paginação ............................................................................................................................. 93
4.3 Espaçamento ...................................................................................................................... 93
4.4 Divisão do texto ................................................................................................................. 94
4.5 Alíneas ................................................................................................................................... 95
4.6 Ilustrações e tabelas ........................................................................................................ 95
4.7 Citações ................................................................................................................................. 96
4.8 Citação direta...................................................................................................................... 96
4.9 Citação indireta.................................................................................................................. 97
9
4.10 Citação de citação ........................................................................................................... 97
4.11 Notas de rodapé .............................................................................................................. 98
CAPÍTULO I - PRESSUPOSTOS E CARACTERÍSTICAS
DA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA

OBJETIVOS
Compreender a importância da pesquisa científica no universo acadêmico.
Identificar as principais características do conhecimento científico. Examinar
a necessidade de incentivar o conhecimento científico e suas práticas desde
os primeiros anos do sistema educacional.

CONTEÚDOS DO CAPÍTULO
Pressupostos da investigação científica
Características do conhecimento científico
Investigação científica e educação

CONTEÚDOS DASUNIDADES
10
1. Guia de estudos da unidade.
2. Exercícios de fixação.

SEQUÊNCIA DIDÁTICA DAS UNIDADES


Para alcançar os objetivos propostos em cada unidade, é necessário que
você:
1. Faça a leitura do material da Unidade.
2. Realize os exercícios de fixação.
UNIDADE 01 - PRESSUPOSTOS DA INVESTIGAÇÃO
CIENTÍFICA
Na pesquisa científica há de se atender a três pressupostos básicos:
a) a epistemologia, âncora do fato ou fenômeno a ser investigado, a partir do
corpo teórico existente, no qual se incluem subsídios advindos das diversas
áreas do conhecimento com suas leis científicas, teorias, teoremas, axiomas,
princípios, escolas, correntes etc.; b) o procedimental, representando a
metodologia - o caminho a ser percorrido para se atingir os objetivos
previamente estabelecidos; e, c) os aspectos de normalização, de que trata a
Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, com suas diversas NBRs,
bem assim, os requisitos do nível culto da língua portuguesa, caracterizando-
se o texto pela objetividade, clareza, coesão, consistência, imparcialidade, e,
ainda, as exigências para a formatação/apresentação do relatório.
Entretanto, observa-se no dia-a-dia do mister professoral, certa
dificuldade dos graduandos e pós-graduandos na definição da escolha do
tipo de método a ser empregado no trabalho investigativo. Especifica-se a
11
tipologia do estudo – exploratória, descritiva, experimental, estudo de caso
etc. Enquadra-se o tipo de abordagem – análise teórica, teórico-empírica ou
teórico-prática. Detalham-se os procedimentos quanto à pesquisa
bibliográfica, documental, de campo e o caráter prático que o estudo
apresenta (se for este o enquadramento); porém, o tipo de método raramente
fica especificado no relatório da pesquisa.
Ora, a metodologia utilizada na pesquisa deve ser plenamente
discriminada, perpassando todos os seus componentes. A definição do
método a ser implementado é de suma importância. O que justifica a breve
descrição dos métodos mais usados na produção do conhecimento, a seguir
esboçados, com citações de expoentes na área, seguido de comentários e
ligeiras inferências.A palavra método é derivada do grego Méthodos, que
significa ‗caminho para se chagar a um fim'. Assim, na dimensão semântica,
entende-se por método, a ordem em que se deve dispor os diferentes
processos necessários para se alcançar um resultado desejado. Em outras
palavras, método é um procedimento (forma), passível de ser repetido para
atingir-se algo, seja tangível (material) ou intangível (conceitual).
Do ponto de vista científico, com o advento da ciência moderna, a
partir do século XVII, o conceito geral de método se consolida e populariza.
Quase unânimes, os autores consultados conceituam método científico
como sendo a reunião organizada de procedimentos racionais utilizados para
investigar (pesquisar) e explicar os fatos ou fenômenos da natureza, por meio
da observação empírica e da formulação de leis científicas.
A propósito, Asti Vera conceitua o método científico como ―[...] um
procedimento, ou um conjunto de procedimentos, que serve de instrumento
para alcançar os fins da investigação; [...] o método é um procedimento geral,
baseado em princípios lógicos, que pode ser comum a várias ciências; ...‖
(1989, p 8-9).
A importância do método, na busca verdade, disciplina o trabalho do
cientista, excluindo da investigação os preconceitos e o acaso, adaptando a
atividade científica às características do objeto estudado, selecionando os
meios e processos mais adequados. 12
Portanto, o método se caracteriza como o caminho feito pelo
pesquisador – cientista, no processo de apreensão do objeto.
Os métodos científicos, sob a perspectiva lato sensu, constituem-se
nos instrumentos básicos e fundamentais que ordenam o pensamento do
(sujeito) na relação com o objeto, de forma sistemática, os quais traçam, de
maneira ordenada, o modo de proceder do cientista na busca da consecução
de seu objetivo pré-estabelecido (resolução de um problema). Já na
dimensão stricto sensu, os métodos constituem-se, também, nos
procedimentos instrumentais para a construção do conhecimento.
Afirmam Martinez e Almeida (1999, p. 23): ―Paradoxalmente, muitas
vezes um espírito medíocre, guiado por um bom método, faz mais progressos
nas ciências que um espírito brilhante que pesquisa ao acaso‖. Convém,
entretanto, assinalar que o método não substitui o talento, a intuição e a
inteligência do cientista.
Apresentam-se, a seguir, diversos tipos de métodos à disposição de
pesquisadores e de iniciantes na produção do conhecimento (graduandos e
pós-graduandos), salientando que o método e a técnica seguem juntos na
busca das ‗verdades‘. Enquanto o primeiro é o procedimento sistemático em
plano geral, a técnica é o processo - a aplicação, a instrumentalização
específica do plano metodológico. Em suma, o método se faz acompanhar da
técnica, é seu o suporte físico, a qual abrange os instrumentos que auxiliam o
pesquisador para que se possa chagar a um determinado resultado.

1.1 Tipos de Métodos

Entre os tipos de métodos mais comumente usados em trabalhos


acadêmicos, citam-se: indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo, dialético,
histórico e outros adiante descritos.
• Indutivo
Baseia-se na generalização de propriedades comuns a certo número
de casos, até agora observados, a todas as ocorrências de fatos similares
que poderão se verificar no futuro. Assim, o grau de confirmação dos
enunciados traduzidos depende das evidências ocorrentes. De acordo com 13
Ferreira (1998, p. 93), ―Galileu foi o precursor desse método – indução
experimental - através do qual se chega a uma lei geral por intermédio da
observação de certo número de casos particulares até as leis e teorias‖.
Portanto, o método indutivo é aquele que, ao partir de premissas menores
pode-se chega às generalidades.
Segundo Cruz e Ribeiro (2003, p. 34):a indução é um método válido,
porém não é infalível. Por exemplo, por muito tempo pensou-se que a ordem
de peixes celacantos estava extinta, porque elas eram conhecidas apenas
por fósseis de 200 milhões de anos. Entretanto, em 1938, na costa da África
do Sul, um celacanto foi pescado, o que demonstrou que a indução feita
pelos paleontólogos estava errada, Assim, para descartar uma indução basta
que um fato a contradiga.
É importante ressaltar que a indução, antes de tudo, é uma forma de
raciocínio ou de argumentação; portanto, forma de reflexão e não, de simples
pensamento.
Conforme Oliveira (1997, p. 60), ―Apesar das grandes discussões
levantadas no século XIX sobre o assunto, a indução é o método científico
por excelência e, por isso mesmo, é o método fundamental das ciências
naturais e sociais‖.
Conclui-se que a indução não é um raciocínio único: ela compreende
um conjunto de procedimentos, uns empíricos, outros lógicos e outros
intuitivos.
Como exemplo de método indutivo tem-se:
A terra, Marte, Vênus e Júpiter são desprovidos de luz própria.Ora, a
Terra, Marte, Vênus e Júpiter são todos planetas.Logo, todos os planetas são
desprovidos de luz própria.
• Dedutivo
Parafraseando Cruz e Ribeiro (2003), o método dedutivo leva o
pesquisador do conhecido ao desconhecido com pouca margem de erro; por
outro lado, é de alcance limitado, pois a conclusão não pode exceder as
premissas.
A dedução consiste em um recurso metodológico em que a 14
racionalização ou combinação de idéias em sentido interpretativo vale mais
do que a experimentação de caso por caso. Em outras palavras, pode-se
dizer que é o raciocínio que caminha do geral para o particular. Tanto a
indução quanto à dedução devem ter como pontos de partida premissas
auto-evidentes.
O método dedutivo tem o propósito de explicitar o conteúdo das
premissas, pois parte do geral para se chegar às particularidades. Já o
método indutivo tem a finalidade de ampliar o alcance dos conhecimentos.
Segundo Cervo e Bervian apud Barros e Lehfeld (2000, p. 64), ―O
processo dedutivo é de alcance limitado, pois a conclusão não pode assumir
conteúdos que excedam o das premissas‖. Porém, não se pode desprezar
esse tipo de processo em consideração a essa crítica.
Para a metodologia, é importante entender que, no método dedutivo, a
necessidade de explicação não reside nas premissas, mas na relação entre
as premissas e a conclusão.
A título de exemplo do método dedutivo tem-se:
Todo mamífero tem um coração.Ora, todos os cães são mamíferos.
Logo, todos os cães têm um coração.
Nesse argumento para que a conclusão ‗todos os cães têm um
coração‘ fosse falsa, as duas premissas teriam de ser falsas ou ao menos,
uma delas: ou nem todos os cães são mamíferos ou nem todos os mamíferos
têm um coração. Os dois tipos de métodos até aqui esboçados têm funções
diversas – no dedutivo busca-se explicitar o conteúdo das premissas; no
indutivo procura-se ampliar o alcance dos conhecimentos.
• Hipotético-dedutivo
Método que se inicia pela percepção de uma lacuna nos
conhecimentos, acerca da qual formula hipóteses e, pelo processo de
inferência dedutiva, testa a predição da ocorrência de fenômenos abrangidos
pela hipótese.
De acordo com Ferreira (1998, p. 96), ―Desencadeia-se a partir da
percepção de uma lacuna nos conhecimentos científicos produzidos em uma
determinada área até aquele momento, em função da qual se formula novas
hipóteses. Em seguida, através do processo de inferência dedutiva, testa-se 15
as hipóteses‖.
Segundo Popper (1975), a partir de uma crítica profunda ao indutismo,
propõe-se o método hipotético-dedutivo. Esse autor sintetiza o referido
método no qual o caminho para se chegar ao conhecimento passa pelas
seguintes etapas: formulação do problema; solução proposta consistindo
numa conjectura; dedução das conseqüências na forma de proposições
passíveis de teste; testes de falseamento – tentativas de refutação, entre
outros meios, pela observação e experimentação.
• Dialético
Do grego dialektos, que significa debate, forma de discutir e debater. A
dialética é um debate de astúcia, onde se procura derrubar o argumento dos
adversários, muito empregado na Grécia antigo.
Conforme Oliveira (1997, p. 67), o método dialético é:um processo de
comunicação que prende muito a atenção das pessoas em virtude da
habilidade dos protagonistas. O repente utilizado pelos poetas de literatura de
cordel do Nordeste e pelos repentistas no interior de São Paulo, por ocasião
da Festa do Divino, se assemelha na forma e na generosidade à dialética,
embora os repentistas utilizem uma viola para apresentar os seus trabalhos,
coisa que não acontecia com os gregos.
É, pois, um método que penetra o mundo dos fenômenos, por
intermédio de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da
mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade, cujas
circunstâncias, no dizer de Cruz e Ribeiro, ―Pressupõem uma atitude
concreta em relação ao fenômeno e estão limitadas a um domínio particular‖.
(2000, p. 35).
Alguns autores, a exemplo de Ferreira (1998), preferem considerar
este método como um enfoque, argumentando que a dialética marxista
propõe apresentar como se constitui o empírico, o concreto, partindo de
alguns pressupostos dados, sem indicar os caminhos para explicar os
fenômenos; por isso, não seria método.
Ainda, segundo a citada autora, entre os que concordam que a
dialética é um método, não há consenso quanto ao número de leis
fundamentais que sustentam o referido método. Alguns autores apontam três; 16
outros admitem quatro, ora discriminadas:
• ação recíproca, unidade polar ou tudo se relaciona;
• mudança dialética, negação da negação ou tudo se transforma.
• passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa, e
• interpretação dos contrários, contradição ou luta dos contrários.
Em resumo, o método dialético, também chamado de crítico, constrói-
se se montando um novo sistema de hipóteses partindo da anulação do
sistema anterior. Como exemplo, cita-se a colocação de Oliveira (1997, p.
65), sobre aquele método enquanto ―uma intervenção num trabalho de
pesquisa ou classificação de um dissidente efetivo que obtém sucesso na
modificação da tendência da pesquisa, ou a escolha de uma classificação
diferente‖.
• Histórico
Consiste em investigar acontecimentos, processos e instituições do
passado para verificar a sua influência na sociedade contemporânea e para
melhor compreender o papel que atualmente desempenham na
sociedade.Ferreira (1998), considera que para compreender a natureza e a
função das instituições, dos costumes, das diversas formas atuais de vida
social, torna-se importante pesquisar suas raízes históricas, isto é, suas
origens no passado.
No entender da citada autora, por meio da reconstrução artificial e
formal dos fatos e fenômenos do passado, o método histórico busca construir
uma estratégia para conseguir estabelecer o processo de continuidade e de
entrelaçamento entre os fenômenos.
• Comparativo
É utilizado tanto para comparações de grupos no presente, no
passado, ou entre os atuais e os do passado, quanto entre sociedades de
iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento. Esta afirmação
encontra lastro nas autoras Cruz e Ribeiro (1998).
Parafraseando Ferreira (1998, p. 109), o método em questão, ―propõe
a realização de comparações entre povos, grupos e sociedades, a partir da
identificação de suas diferenças e semelhanças com o objetivo de construir
uma melhor compreensão do comportamento humano‖. 17
Nesta perspectiva, para Lakatos (1996, p. 107), o método:[...] é
empregado em estudos de largo alcance (desenvolvimento da sociedade
capitalista) e de setores concretos (comparação de tipos específicos de
eleições), assim como para estudos qualitativos (diferentes formas de
governo) e quantitativos (taxa de escolarização de países desenvolvidos e
subdesenvolvidos). Pode ser utilizado em todas as fases e níveis de
investigação: num estudo descritivo, nas classificações, permitindo a
construção de tipologias e até em nível de explicação, apontando vínculos
causais, entre os fatores ausentes e presentes.
Outros Métodos
A partir da literatura sobre a temática em exposição, ancorados em
Cruz e Ribeiro (2000); Ferreira (1998); Oliveira (1997); Barros e Lehfeld e
Lakatos (1996); Santos e Parra Filho (1998), citam-se outros métodos
utilizados em investigação científica, ora sintetizados:
• Método Monográfico
Consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões,
instituições, condições, grupos ou comunidades, com a finalidade de obter
generalizações.
• Método Estatístico
Significa a redução, em termos quantitativos, de fenômenos
sociológicos, políticos econômicos etc. A manipulação estatística permite
comprovar as relações dos fenômenos entre si e obter generalizações sobre
sua natureza, ocorrência ou significado.
• Método Tipológico
Apresenta certas semelhanças com o método comparativo. O
pesquisador ao comparar fenômenos sociais complexos, cria tipos ou
modelos ideais (que não existiam de fato na sociedade), sendo construídos a
partir da análise de aspectos essenciais do fenômeno. Este método foi
proposto inicialmente por Max Weber (1864-1920). O tipo ideal de método
não existe na realidade, nem é uma hipótese sobre a mesma, pois se afirma
como uma proposição que corresponde a uma realidade concreta.
• Método Funcionalista 18
É, a rigor, mais um método de interpretação do que de investigação.
Estuda a sociedade sob o ponto de vista da função de suas unidades; isto é,
como um sistema organizado de atividades.
• Método Estruturalista
O método parte da investigação de um fenômeno concreto e eleva-se,
a seguir, ao nível mais abstrato, por intermédio da construção de um modelo
que represente o objeto de estudo, retomando, por fim, o nível concreto,
dessa vez como uma realidade estruturada e relacionada com a experiência
social do sujeito.
• Método Sistêmico
Baseado na teoria da informação, da cibernética e de sua utilidade
administrativa, o método sistêmico parte do princípio de que a modificação de
qualquer um dos elementos componentes do sistema, acarreta uma
modificação de todos os outros; os fenômenos analisados são vistos como
um todo estruturado e devem ser analisados dessa forma. Busca-se construir
modelos para dar conta da explicação de todos os fatos observados e, assim,
prever de que modo reagirá o modelo, em caso de modificação de um de
seus elementos.
• Método Fenomenológico
Defendido pelo filósofo Husserl, este método consiste em isolar, num
fenômeno, influências para estudá-lo e usá-lo, embora essas ligações
abandonadas possam, mais tarde, ser levadas em consideração.
• Método da Prolongação
Certas limitações são impostas para que elas possam ser excedidas,
levando a novas limitações e, assim por diante. Isso representa o
estabelecimento de indução na razão, como é freqüentemente feito em
matemática.
• Método Morfológico
Determinação de grupos de elementos que podem ser parte de um
conceito morfológico, ou de máquina. Usado em pesquisa de inovação
tecnológica. Grande sucesso na investigação espacial. Astronomia.
• Método teratológico
Circunscreve-se em formular hipóteses além dos limites normais da 19
racionalidade e, então, imaginar seu efeito num modelo dado. Como exemplo
de aplicação, seria pois, considerar num problema de administração valores
extremos de certos parâmetros, para encontrar um objetivo razoável.
• Método de matrizes de descobertas
Considerado como método universal, permite o estudo racionalizado
do campo das possibilidades. Um quadro ou matriz é elaborado dando as
reações das características estudadas em relação umas com as outras. Pode
ser generalizado em hipercubos ao se procurar as reações das
características quando n é maior do que 3. De acordo com Oliveira (1997),
como exemplo e aplicação deste método tem-se: interações econômicas ou
sociológicas; problemas de informação em empresas; análise fatorial; tabela
Mendeleev etc.
• Aplicação direta de uma teoria
Método que, parte do fato de que a teoria matemática ou racional
abstrata, totalmente enunciável existe, sendo aplicada aos problemas reais
considerados. Esse é o método dos modelos matemáticos usados por físicos
ou economistas. É uma mecanização verdadeira que possibilita passar da
teoria ao domínio do possível.
• Método do Caso
Conforme Boaventura (2004), esse método, além se sua aplicação na
Economia, em Educação, Medicina, Administração, pode ser relevante no
Direito, tendo em vista o seu efeito prático, empírico e indutivo de pensar e
praticar o ensino jurídico. Instrumento didático que surgiu na Escola de
Direito da Universidade de Harvard (EUA), em 1870, por Langdell. Para este,
o esforço do estudante consistia em adquirir o comando dos princípios, dos
padrões e das soluções do direito. Segundo Boaventura (2004, p. 120),
acerca do método, a partir das colocações do seu inventor afirma: ―O
crescimento da aprendizagem era buscado no estudo de uma série de casos
que, dessa forma, adestrava o raciocínio na análise concreta e minudente da
sucessividade das fases e peculiaridades dos casos estudados‖.
• Método Ecológico
Objetiva o estudo das relações existentes entre o homem e o meio em
que vive. Analisa o processo de interação entre os fatos sociais e os 20
elementos da natureza. Como exemplo, pode-se citar o comportamento da
sociedade ante a poluição da atmosfera e também o consumo de produtos
que, embora tragam um conforto, como spray para aromatização das casas,
causam problemas para o meio ambiente, com sérias consequências futuras.
• Método formal
Tem como objetivo a análise das relações sociais existentes entre os
indivíduos, em especial, no que diz respeito à forma, independentemente do
seu conteúdo; preocupa-se, notadamente, com a aparência.
• Método compreensivo
Diferentemente do método formal, tem como preocupação o estudo do
fato social, principalmente, no que concerne ao conteúdo das ações sociais,
ao significado e aos motivos dos fenômenos.
Conclusão
No desvelar da ―verdade‖, os diversos métodos científicos à disposição
dos pesquisadores, graduandos e pós-graduando são válidos. O importante é
verificar aquele que mais se adeque à busca da elucidação do fenômeno ou
fato sob investigação.
Urge, porém lembrar, que a necessidade do enquadramento do
método em uma pesquisa é imperiosa. Ele pode ser considerado como a
―bússola‖ que guia o pesquisador.
Saliente-se, ainda, que em uma produção científica pode ocorrer,
concomitantemente, o emprego de dois ou mais métodos, a exemplo das
Ciências Sociais Aplicadas, em especial na Contabilidade, com a utilização
da indução e da indução. Para Martinez, um dos expressivos expoentes do
conhecimento contábil, (1999, p. 40), ―As fronteiras que separam a indução
da dedução são muito imprecisas, e por vezes o cientista conduz sua
reflexão sobre um determinado fenômeno com bases indutivas e dedutivas‖.
Depreende-se que, na Contabilidade, tendo em vista a grande
quantidade de informação a serem utilizadas, pode-se usar a indução para
inferir leis e relações. Então, a partir do maior uso desse método, acredita-se
que os pesquisadores contribuirão para a melhoria da qualidade dos informes
contábeis, ante os anseios dos usuários, não impedindo que, por meio da 21
lógica e demonstrações dedutivas, possam ser dados largos passos para
aprimorar o conhecimento na área.
Frise-se, mais uma vez, que os métodos em todas as ciências podem
ser trabalhados de forma complementar, na elucidação da maioria dos casos,
sejam fatos ou fenômenos.
UNIDADE 02 - CARACTERÍSTICAS DO
CONHECIMENTO CIENTÍFICO

A seguir, apresentamos as principais características do conhecimento


científico e seus desdobramentos. Acompanhe com atenção:

2.1 Racional
Constituído por conceitos, juízos e idéias e não por sensações,
imagens e modelos de conduta.
Ideias que se combinam num conjunto de regras lógicas.
Ideias que se organizam em sistemas e conjuntos ordenados de
proposições (teorias) e não ideias simplesmente aglomeradas ao acaso

2.2 Objetivo
Busca alcançar a verdade factual por intermédio dos meios de
observação e experimentação. 22
Verifica a adequação das idéias (hipóteses) aos fatos por meio de
atividades (observação e experimentação) limitadamente controláveis e
reproduzíveis.

2.3 Factual
Parte dos fatos.
Observa e descreve os fatos, como ocorrem na natureza e/ou na
sociedade, através de quadros conceituais e esquemas de referência.
Interfere no fatos por ações claramente definidas e controláveis,
avaliando tal ação, de modo a não deturpá-los e induzir a um conhecimento
falso.

2.4 Transcende os fatos

Infere o que há por trás dos fatos, indo além dos fatos, demonstrando
suas causas e consequências.
2.5 Analítico
Decompõe os fatos nas suas partes componentes para descobrir os
elementos constituintes da totalidade.
Demonstra as relações internas entre os elementos constituintes,
verificando a interação entre eles e com outros fatos e fenômenos.
Examina a interdependência entre as partes componentes, conduzindo
à síntese.

2.6 Claro e preciso


Define os conceitos, esquemas de referência, procedimentos
operacionais, etc., mantendo-os com fidelidade ao longo do trabalho
científico.
Cria uma linguagem e/ou simbologia com significados determinados
por regras.
Não é ambíguo, passível de interpretação descontrolada.
Possui métodos e técnicas claramente definidos, passíveis de 23

reprodução por outros e de erros, de modo a tirar proveito das falhas para
aperfeiçoá-los

2.7 Comunicável
Deve poder informar todas as pessoas instruídas sobre o tema.
Deve estar formulado para que outros investigadores possam verificar
seus dados e hipóteses.
Dever ser considerado como propriedade da Humanidade.
Sua divulgação impulsiona o progresso da Ciência.

2.8 Verificável
Necessita ser convalidado e aceito pela comunidade científica.
Deve passar pela prova da experiência (ciências factuais) ou da
demonstração (ciências formais).
Outros investigadores devem poder reproduzir os dados para avaliar a
hipótese.

2.9 Depende de investigação metódica


É planejado.
Os passos para sua (re)produção devem ser organizados
ordenadamente e inter-relacionados.
Baseia-se nos conhecimentos anteriores (por isso histórico), em
hipóteses confirmadas, em leis e princípios estabelecidos.

2.10 Sistemático
Constituídos por um sistema de ideias inter-relacionadas.
A alteração de um componente desse sistema de ideias transforma
radicalmente a Teoria.
Os conhecimentos anteriores, as teorias, os sistemas de referência,
fontes de informação explicam a estrutura e o fluxo do inter-relacionamento
entre as ideias 24

2.11 Acumulativo
Seu desenvolvimento depende de um selecionamento ininterrupto de
conhecimentos significativos.
Conhecimentos anteriores considerados ultrapassados ou incoerentes
a luz de conhecimentos novos podem ser substituídos ou descartados.
Os conhecimentos novos são resultado da criação ou apreensão de
novas situações, condições ou realidades.

2.12 Falível
Não é definitivo ou absoluto.
Conhecimentos novos revolucionam os conhecimentos e teorias
anteriores.
2.13 Geral
Investiga fatos particulares para elaborar esquemas amplos.
Baseia-se na variedade dos fatos e na unicidade entre eles na busca
de uniformidades e generalidades.
A descoberta de leis ou princípios gerais permite a elaboração de
modelos ou sistemas mais amplos.

2.14 Explicativo
Além de demonstrar como as coisas são, procura responder porque
elas são assim.
Demonstra quais as fórmulas para responder as perguntas sobre os
fatos e/ou fenômenos.
A explicação é fonte da compreensão do conhecimento científico e
base para sua comunicabilidade.

2.15 Preditivo
25
Procura apontar as possibilidades ou consequências futuras dos fatos
e/ou fenômenos.
Para tanto se baseia na precisão dos dados e informações e do inter-
relacionamento dos fatos e/ou fenômenos.
Baseia também na clareza e precisão da investigação.

2.16 Aberto
Não é um sistema dogmático.
Não há barreiras que limitem o conhecimento científico, porém os
instrumentos de investigação e o conhecimento acumulado interferem na
produção e transformação do conhecimentosão ligados ao conhecimento
dominante e aodesenvolvimento tecnológico da época.
2.17 Útil
Criação de instrumentos de observação e experimentação para a
verificação da validade das hipótese e aquisição de dados determinados pela
investigação científica= desenvolvimento tecnológico.
O conhecimento em si pode ser aplicado.

http://www.labogef.iesa.ufg.br/labogef/arquivos/downloads/caracter_conhecim
ento_24261.pdf

26
UNIDADE 03 - INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E
EDUCAÇÃO
A questão da Educação de Qualidade para todos, em todos os níveis,
já era apontada como fundamental no Manifesto dos Pioneiros da Educação
Nova (AZEVEDO, 1932). Uma educação de qualidade, significativa, que
prepara para a vida. De lá para cá, o que mudou foi a democratização do
acesso à Educação Básica, mas os demais desafios persistem, com o
agravante de que preparar para a vida de hoje é tarefa bem mais complexa
do que era em 1932.
Atualmente, ainda não vencido o analfabetismo literal, soma-se a ele o
analfabetismo funcional e o analfabetismo científico. Segundo dados do
IBOPE, em 2005, das pessoas com mais de 15 anos no Brasil, 6% eram
analfabetos absolutos e 68% não sabiam ler nem escrever direito, sendo,
portanto, considerados analfabetos funcionais. O analfabetismo científico é
um problema maior ainda no mundo todo, trazendo à tona uma preocupação
geral de como proporcionar o mínimo de conhecimento científico/tecnollógico
27
para a população, em especial, para os jovens, para que se possa viver e
―navegar‖ no mundo contemporâneo.
É mais do que evidente a importância de se desenvolver ações
voltadas a melhorar a Educação Básica e despertar vocações para as
Ciências e Engenharia, não só para reduzir a evasão no Ensino Superior,
mas principalmente para atrair os melhores e mais vocacionados estudantes
para as diferentes carreiras.
Na Engenharia, por exemplo, muitos estudantes ingressam e, quando
não desistem, permanecem nos cursos sem saber porque continuam, sem ter
ou querer desenvolver qualquer vocação para exercer Engenharia. Alguns,
ao serem questionados por que escolheram o curso, respondem que depois
de concluir Engenharia irão procurar um bom emprego, eventualmente, na
área financeira ou comercial. Outro ponto que merece destaque é que os
meios e as mídias eletrônicas interativas evoluíram muito mais rapidamente
do que a capacidade de se desenvolver aplicações (―fins‖) que tomem
vantagem deste avanço. Enquanto na década de 70 ainda se utilizava, por
exemplo, como ferramenta de projeto em Engenharia, uma régua de cálculo,
vinte e cinco anos depois já era possível, nos países mais desenvolvidos,
realizar prototipação digital em ambientes de realidade virtual na indústria. No
entanto, mesmo nas melhores escolas de Engenharia, salvo raras exceções,
ainda hoje os processos de ensino e aprendizagem não foram beneficiados
pelo avanço dos meios e mídias eletrônicos interativos.
As imensas transformações que vivenciamos nos dias de hoje em
todas as áreas devem-se, principalmente, aos avanços proporcionados pelas
tecnologias eletrônico computacionais. Para que possamos formar alunos
que sejam protagonistas, neste processo intenso, acelerado e altamente
competitivo, é fundamental sensibilizá-los para que desenvolvam habilidades,
competências e estratégias de pesquisa e desenvolvimento colaborativas,
multidisciplinares e criativas, explorando o acervo de conhecimentos e
tecnologias abertas e livres para acelerar processos de estudos de caso e
desenvolvimento de protótipos e produtos inovadores.
O Brasil tem mostrado bons resultados em termos de publicações
científicas (como resultado do investimento de agências de fomento 28
nacionais e estaduais na pesquisa básica), entretanto, o desempenho no
desenvolvimento tecnológico é ainda incipiente (o número de patentes e
registros ainda é inexpressivo). Além de ações específicas para estimular o
desenvolvimento científico e tecnológico, é fundamental criar uma cultura de
inovação e empreendedorismo no nosso país, e isso se inicia com o estímulo
à criatividade das nossas crianças e jovens na Educação Básica, oferecendo
a todos eles oportunidades de escolher, de observar, de criar hipóteses, de
estabelecer e pôr em prática suas estratégias de aprender a pensar, de
planejar e de avaliar, e também oferecendo espaços para compartilharem
suas experiências e descobertas, para que se valorizem e sejam valorizados.
Cada vez mais, para que um país possa se desenvolver e
proporcionar qualidade de vida aos seus habitantes, é preciso que tenha
capacidade de gerar inovação, gerar novas tecnologias e agregar valor a
seus produtos e processos. Para isso, é preciso provocar desde cedo a
criatividade dos indivíduos, dando-lhes oportunidades de escolher e
desenvolver temas que lhes interessem, de buscar caminhos e de reforçar
suas autoestimas e, assim, poderem se preparar para serem
empreendedores e geradores de inovação.

3.1 A educação básica e a proficiência em ciências

Um dos desafios do milênio propostos pela ONU para 2015 é o de


garantir o acesso à Educação Básica de qualidade para todos.
Quanto a garantir o acesso, o Brasil avançou significativamente: em
1990, 80%, e hoje 97,6% das crianças de 7-14 anos frequentam a Educação
Básica. Enquanto isso, na América Latina, ainda há 4,3 milhões e, no mundo,
da ordem de 100 milhões de crianças fora da escola. A taxa de escolarização
bruta (relação entre o número de matrículas e a população na faixa etária
correspondente) no Ensino Secundário (Ensino Fundamental mais Ensino
Médio) no Brasil, segundo a UNESCO (2009), em 2007 era de 90%,
entretanto a porcentagem de reprovações foi da ordem de 21%, sendo a
principal razão apontada para o insucesso a desmotivação dos alunos.
Quanto a garantir qualidade, o problema é muito mais complexo, a 29
começar pela própria avaliação da qualidade.
A fim de apoiar a avaliação da qualidade, no Brasil, foi criado o Índice
de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que é calculado a partir de
dois componentes: taxa de rendimento escolar (aprovação) e médias de
desempenho nos exames padronizados aplicados pelo Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) do Ministério da
Educação (MEC). Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo
Escolar, realizado anualmente pelo INEP/MEC. As médias de desempenho
utilizadas são as da Prova Brasil (para IDEBs de escolas e municípios) e do
Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), no caso dos IDEBs dos
estados e nacional. Tanto a Prova Brasil como o SAEB avaliam a proficiência
em Língua Portuguesa e Matemática, mas ainda não avaliam a proficiência
em Ciências.
Para avaliar a situação da Educação Básica do Brasil no cenário
internacional, pode-se utilizar os resultados do PISA. No ano de 2006, uma
amostra dos alunos de 15 anos de idade de 57 países foi avaliada. No Brasil,
a amostra foi de 9,3 mil alunos, representando 1,9 milhões de matrículas nas
redes públicas e privadas do país
Outro aspecto a se considerar é a acelerada evolução dos meios e
mídias eletrônico computacionais, que trazem não apenas oportunidades de
acesso a informações e possibilidades de comunicação, mas também de
representação e simulação de modelos. Toda esta evolução tem alterado
processos em todas as áreas de conhecimento e atividade humana. Desta
forma, é imprescindível desenvolver, ainda na Educação Básica,
competências infomidiáticas básicas. Estudos como o da Comunidade
Europeia (CELOT & TORNERO et al., 2009) vêm sendo realizados a fim de
definir indicadores e critérios para avaliação dos níveis de alfabetização
infomidiática. Entretanto, pesquisas apontam que a maioria das escolas ainda
não está preparada para o uso pedagógico dos meios e mídias eletrônico-
computacionais (LOPES et al., 2010).
União Europeia [EUR-Lex, 2010] sobre aprendizagem ao longo da
vidaidentifica e define oito competências essenciais para a realização
pessoal, cidadania ativa, inclusão social e empregabilidade na sociedade do 30
conhecimento: 1) comunicação na língua materna, 2) comunicação em
línguas estrangeiras, 3) competência matemática e competências básicas em
ciências e tecnologia, 4) competência digital, 5) aprender a aprender, 6)
competências sociais e cívicas, 7) sentido de iniciativa e empreendedorismo,
8) sensibilidade e expressões culturais. O estudo conclui que a Educação
Básica deve propiciar o desenvolvimento destas competências essenciais em
um nível que possibilite a todos os jovens – incluindo os menos favorecidos –
continuarem a aprender e trabalhar ao longo da vida e que a
Educação/Formação de adultos deve dar oportunidades reais a todos os
adultospara desenvolver e atualizar as suas competências essenciais ao
longo da vida.

3.2 Educação em ciências baseada em investigação

Como observado nos resultados do PISA 2006, a maioria dos


estudantes brasileiros se encontra no nível 1 ou abaixo, o que indica que a
maioria dos estudantes (33,1% estão no nível 1) tem conhecimento científico
limitado, que só pode ser aplicado para algumas situações familiares, e pode
apresentar explicações científicas que são óbvias e que seguem
explicitamente evidências dadas, ou nem isso (27,9% estão abaixo do nível
1). Considerando a péssima situação da proficiência em Ciências dos alunos
brasileiros, pode-se concluir que uma das causas seja a ênfase em
apresentar conteúdos (aulas expositivas sem atividades experimentais) que é
normalmente dada pelas escolas. Ter informações sobre ciências está muito
longe de ter conhecimentos e competências científicas, que é o que o PISA
procura avaliar. Considerando também a necessidade de desenvolvimento de
competências essenciais,como competência matemática e competências
básicas em ciência e tecnologia e competência de aprender a aprender,
torna-se vital desenvolver práticas inovadoras em Educação em Ciências.
A estratégia de Ensino de Ciências Baseado em Investigação (ECBI) é
apresentada em Hamburger (2010), bem como sua aplicação é realizada em
projetos como o Programa ABC na Educação Científica – Mão na Massa.
Esta estratégia é baseada na experimentação e o professor conduz 31
atividades que permitem aos estudantes realizarem experimentos em que
observam, fazem anotações individuais e coletivas, formulam hipóteses,
desenvolvem estratégias para validar/refutar as hipóteses formuladas,
observam, analisam, tiram suas conclusões, discutem os resultados e
chegam a conclusões coletivas, seguindo um processo de redescoberta e
aprendizado.
Com o avanço das Tecnologias da Informação, a aquisição de
conhecimentos não é mais o foco de quem vai à escola. Cada vez fica mais
evidente que o fundamental é aprender a aprender e aprender sempre.
Assim, é fundamental que os estudantes descubram desde cedo suas
habilidades e talentos e percebam que podem desenvolver outros. O
caminho mais fértil para tal é desenvolver atividades de aprendizagem
baseadas em projetos que exercitem a criatividade, utilizando metodologia
científica e/ou de engenharia. Para valorizar e multiplicar os resultados da
aprendizagem baseada em projetos é importante abrir espaços do tipo feiras
de projetos, pois estas criam inúmeras possibilidades de expressão e
valorização, além da geração de oportunidades pelo intercâmbio com outros
estudantes, educadores, academia e com a sociedade em geral. para um
aprendiz não são os resultados (um protótipo, produto ou validação ou não
de uma hipótese), mas sim os processos (as diversas etapas de
investigação, reflexão, construção, observação e registro necessárias),
aprender o fazer científico, aprender o fazer em engenharia, enfim aprender
fazendo. O principal papel que cabe ao professor é o de estimular o registro
adequado, a reflexão, a análise crítica e o processo de descoberta (ou
redescoberta), sem riscos físicos ou emocionais para os envolvidos.

3.3 Interação escola, universidades e centros de pesquisa

Diversas Universidades, Instituições e Centros de Pesquisa, Museus e


Centros de Ciências têm projetos ativos de educação científica para
professores, estudantes e público em geral.
Neste sentido, merece destaque a Rede Nacional de Educação e
Ciência: Novos Talentos da Rede Pública 32
(http://www.novostalentosredepublica.com.br/). Este programa foi idealizado
e iniciado pelo Prof. Leopoldo de Meis do Instituto de Bioquímica Médica da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1985, e hoje
corresponde a uma rede de 19 Universidades brasileiras, apoiadas pela
FINEP e pela CAPES, que desenvolvem um programa que visa à melhoria
das condições de ensino de ciências para jovens de todo o país. Por meio de
metodologias que facilitam o aprendizado e desmistificam a Ciência,
inúmeras atividades são desenvolvidas pelo programa, mas duas ações
constituem a sua espinha dorsal: cursos experimentais de curta duração e
estágios. Todas as universidades participantes oferecem, no período de
férias, cursos destinados a alunos do Ensino Médio e professores do Ensino
Básico da rede pública. Nessa atividade são elaboradas experiências em
diversas áreas das Ciências Naturais e da Saúde, em geral monitoradas por
estudantes de pós-graduação das instituições. Sempre partindo de um tema
do cotidiano, o curso se desenrola de forma lúdica, integrando conhecimento
e diversão. Desses cursos são selecionados alunos e professores — levando
em conta o desempenho nas atividades e a condição econômica do
candidato — para estagiarem nos laboratórios das universidades. Sob a
orientação de estudantes de pós-graduação, os selecionados são
familiarizados ao trabalho científico e ajudam seus monitores no
desenvolvimento de pesquisas. Além disso, o universitário acompanha o
desempenho escolar do estagiário, auxiliando-o em outras disciplinas que
apresentar dificuldade. Nessa relação, ainda é possibilitado ao pós-
graduando um maior contato com a realidade social brasileira. Os
professores selecionados também desenvolvem trabalhos de pesquisa e, no
final do estágio, devem elaborar artigos científicos para serem publicados em
revistas especializadas em educação e ciência.
Além dos cursos e dos estágios, várias outras atividades são
desenvolvidas pelo programa, de acordo com a realidade de cada
universidade. Há a produção de material didático diferenciado, peças de
teatro, clube de ciências, olimpíadas do conhecimento, projetos itinerantes e
outros. Todas as atividades são gratuitas e os cursos experimentais de curta
duração e os estágios ainda oferecem ajuda de custo para os participantes. 33
As agências de fomento nacionais, como a CAPES e o CNPq, e
estaduais (FAPs) possuem diversos programas voltados a apoiar a interação
escola, universidade e centros
de pesquisa.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES), agência de fomento brasileira, desempenha papel fundamental na
expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e
doutorado) em todos os estados da Federação. A CAPES, por meio de sua
recém-criada Diretoria de Educação Básica Presencial (DEB), também
desenvolve diversos programas e ações (figura 1) voltados para: fomentar a
articulação e o regime de colaboração entre os sistemas de ensino da
educação básica e de educação superior, inclusive da pós-graduação, para a
implementação da política nacional de formação de professores; subsidiar a
formulação de políticas de formação inicial e continuada de profissionais do
magistério da educação básica; apoiar a formação docente do magistério da
educação básica, mediante concessão de bolsas e auxílios para o
desenvolvimento de conteúdos curriculares e de material didático; e apoiar a
formação docente mediante programas de estímulo para ingresso na carreira
do magistério da Educação Básica. Com o objetivo de integrar universidade e
escola pública, ensino básico e superior, a CAPES/DEB criou o Programa
Novos Talentos - Programa de Apoio a Projetos Extracurriculares: Investindo
em Novos Talentos da Rede de Educação Pública para Inclusão Social e
Desenvolvimento da Cultura Científica (CAPES/DEB, 2010), que visa à
inclusão social e desenvolvimento da cultura científica por meio de atividades
extracurriculares (como cursos, oficinas ou atividades equivalentes, no
período de férias das escolas públicas ou em horário que não interfira na
frequência escolar) para alunos e professores das escolas da rede pública de
educação básica, atividades estas que ocorrem nas dependências de
universidades, laboratórios e centros avançados de estudos e pesquisas,
museus e outras instituições, inclusive empresas públicas e privadas, visando
ao aprimoramento e à atualização de professores e alunos da educação
básica. As atividades vão de ―Escola aberta de iniciação à ciência‖ a ―Cursos
de férias de física, química e astronomia‖, passando por ―A biologia como 34
foco para alfabetização científica‖.
O Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq) possui
um Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior – ICJ (CNPq, 2010),
que tem a finalidade de ―despertar vocação científica e incentivar talentos
potenciais entre estudantes do ensino fundamental, médio e profissional,
mediante sua participação em atividades de pesquisa científica ou
tecnológica, orientadas por pesquisador qualificado, em instituições de ensino
superior ou institutos/centros de pesquisas‖ por meio de parcerias do CNPq
diretamente com estas instituições ou por meio das Fundações de Apoio à
Pesquisa Estaduais (FAPs).
A Educação Básica deve propiciar uma Educação em Ciências e para
Ciências e Engenharia capaz desenvolver as competências essenciais em
todos os estudantes para prepará-los para a vida e, também, capaz de
despertar vocações para as Ciências e Engenharia e criar situações que
possibilitem uma escolha mais consciente por parte dos estudantes pré-
universitários, bem como sensibilizá-los para o exercício da criatividade como
caminho para a inovação e o desenvolvimento econômico e social. O mais
importante para um aprendiz na Educação Básica não são os resultados (um
protótipo, produto ou validação ou não de uma hipótese), mas sim os
processos (as diversas etapas de investigação, reflexão, construção e
observação necessárias), voltados para aprender o fazer científico, o fazer
em engenharia, o aprender fazendo. Estes são os primeiros passos para um
indivíduo exercitar sua criatividade, buscar caminhos, reforçar sua autoestima
e se preparar para gerar inovação. Inovar passa por provocar desde cedo a
criatividade dos indivíduos (ou pelo menos não tolher ou inibir), dando-lhes
oportunidade de escolher e desenvolver temas de seu interesse. Cabe ao
educador estimular a reflexão, a análise crítica e o processo de descoberta
(ou redescoberta), sem riscos físicos ou emocionais para os envolvidos. A
Nova Escola deve formar indivíduos criativos, flexíveis, com espírito crítico,
que saibam viver e conviver em sociedade, que saibam aprender a aprender
sempre, que sejam capazes de reconhecer problemas e buscar e criar
soluções, que saibam colaborar e que sejam cidadãos de fato.
A Educação Superior precisa melhorar sua eficiência. É preciso atrair 35
os mais vocacionados para as diferentes carreiras e dar a eles a melhor
formação, à luz dos avanços do Novo Milênio. Neste sentido, é preciso
desenvolver as competências (habilidades, atitudes e conhecimentos)
específicas de cada carreira, combinadas ao desenvolvimento e
aprimoramento das competências infomidiáticas necessárias para qualquer
cidadão. É necessário buscar desenvolver nas Universidades maior sinergia
entre as ações de Ensino, Pesquisa e Extensão. Por meio das atividades de
extensão, é preciso chegar à Educação Básica para gerar oportunidades
para formação contínua dos professores e para que os jovens descubram e
se apaixonem pelas Ciências e Engenharia, ou seja, é preciso despertar e
provocar as vocações (inclusive com oportunidades de iniciação
científica/tecnológica júnior). Também é importante gerar mais oportunidades
para que estudantes de graduação se envolvam em atividades de iniciação
científica e tecnológica, contribuindo ao mesmo tempo para as atividades de
pesquisa e melhorando a formação destes estudantes (aprendizagem mais
significativa, associada à pesquisa e à inovação).
É preciso cultivar em todos os níveis da Educação, desde a Educação
Infantil, a curiosidade, o querer saber como e por que as coisas são como
são, por que algo funciona, o querer e poder explicar, recriar e reinventar,
para depois poder criar e inventar, ou seja, o caminho fértil é o da iniciação
científica desde as séries iniciais. É preciso desenvolver e aplicar estratégias
educacionais para desmistificar as tecnologias, para formar indivíduos
criativos e curiosos, capazes de abrir as ―caixas pretas‖ para observá-las,
entendê-las, reinventá-las, para depois poderem inventar e inovar nas mais
diversas áreas de aplicação.
É premente que se crie um Movimento Tecnofágico (LOPES, 2007),
em que nosso país passe de mero consumidor, a produtor de tecnologias.
Precisamos ―deglutir‖ e ―digerir‖ as soluções tecnológicas existentes e
adquirir autonomia para criação de novas soluções adequadas à nossa
realidade cultural, social e econômica.
É fundamental dominar o processo de criação sob pena, em não o
fazendo, de sofrer novos processos de colonização. Por exemplo, ao
consumir um jogo eletrônico estrangeiro, está se consumindo não somente 36
um produto eletrônico, mas recebendo toda a carga cultural e de valores de
quem o desenvolveu.
É importante introduzir ferramentas computacionais em todos os níveis
da Educação, não porque os indivíduos precisam saber usar estas
ferramentas (―consumir‖), uma vez que em todas as áreas profissionais elas
se encontram presentes, mas sim para desmistificá-las (abrindo as ―caixas
pretas‖) e possibilitar novas experiências sensoriais e novos tipos de autoria
com elas (não apenas produção de textos e imagens, mas também
representação, simulação de modelos e construção de novos sistemas
eletrônico computacionais). Deve-se introduzir recursos de acesso à Internet
para comunicação com a Teia Mundial, não como algo que simplesmente
permite acessar informações prontas, mas sim que possibilita ampliar
horizontes para estudantes que aprendem a fazer boas perguntas e também
para autoria colaborativa (produtor / colaborador).
Para transformar as feiras e mostras públicas dos alunos,
apresentando seus projetos investigativos, na escola, na região, nacional e
internacionalmente, realimentando positivamente o processo (avaliação,
crítica, discussão, reflexão, valorização, socialização, desenvolvimento de
novas competências de comunicação, premiação – por ex. bolsas de
Iniciação Científica Júnior na Universidade) e envolvendo a comunidade
neste ciclo virtuoso.

http://www.tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/15541414-Edueinvesticientifica.pdf

Importante:
Ao final deste capitulo você deverá ser capaz de:

1. Compreender a importância da pesquisa científica no universo acadêmico


2. Identificar as principais características do conhecimento científico.

37