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Buraco negro
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Série de artigos sobre
Relatividade geral
Spacetime curvature schematic
{\displaystyle G_{\mu \nu }+\Lambda g_{\mu \nu }={8\pi G \over c^{4}}T_{\mu \nu }}
G_{\mu \nu} + \Lambda g_{\mu \nu}= {8\pi G\over c^4} T_{\mu \nu}
Introdução · História ·
Fórmula matemática · Testes
Conceitos fundamentais[Expandir]
Fenomenologia[Expandir]
Equações e teorias[Expandir]
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Cientistas[Expandir]
vde

Primeira imagem de um buraco negro supermassivo na galáxia M87.[1]


De acordo com a Teoria da Relatividade Geral, um buraco negro é uma região do
espaço da qual nada, nem mesmo partículas que se movem à velocidade da luz, podem
escapar, pois a sua velocidade é inferior à velocidade de escape desses corpos
celestes infinitamente densos. Este é o resultado da deformação do espaço-tempo,
causada após o colapso gravitacional de uma estrela massiva com pelo menos 30 vezes
a massa do Sol em uma supernova, e que logo depois, desaparecerá, dando lugar ao
que a Física chama de singularidade, o coração de um buraco negro, onde espaço-
tempo deixa de existir. Um buraco negro começa a partir de uma superfície esférica
denominada horizonte de eventos, que marca a região a partir da qual, se algo a
atravessar, não poderá regressar.[2] O adjetivo negro em buraco negro se deve ao
fato de que se presumia que este não refletia nenhuma parte da luz que venha
atingir seu horizonte de eventos, atuando assim como se fosse um corpo negro
perfeito em termodinâmica, porém, atualmente existe a teoria da radiação Hawking
que, resumidamente, prevê que os buracos negros não são realmente negros, e emitem
radiação devido a efeitos quânticos, tais como flutuações quânticas.[3]

Acredita-se, também, com base na mecânica quântica, que os buracos negros emitam
radiação térmica, da mesma forma que os corpos negros da termodinâmica a
temperaturas finitas. Esta temperatura, entretanto, é inversamente proporcional à
massa do buraco negro, de modo que observar a radiação térmica proveniente destes
objetos torna-se difícil quando estes possuem massas comparáveis às das estrelas.
[4][5] Apesar de serem praticamente invisíveis, pode-se detectar um buraco negro
pelo efeito de sua massa sobre o movimento de estrelas em uma dada região do
espaço-tempo. Pode-se também detectar um buraco negro pela radiação emitida quando
sua intensa atração gravitacional atrai a materia de uma estrela companheira, que
se deforma em um anel giratório em torno do buraco negro, tal anel é chamado de
disco de acreção. A matéria em rotação acelera a uma velocidade próxima a
velocidade da luz, assim a mesma emite radiação por ser aquecida a altas
temperaturas.[6] No final de 2015, pesquisadores do projeto LIGO (Laser
Interferometer Gravitational-Wave Observatory) observaram "distorções no espaço e
no tempo" causadas por um par de buracos negros com trinta massas solares em
processo de fusão.[7][8][9][10] Stephen Hawking, em 2016, declarou que já não
pensava mais que aquilo que é sugado para um buraco negro é completamente
destruído,[11] ele acreditava que poderia haver um caminho para sair de um buraco
negro através de um outro universo.[12]

Caso Hawking esteja correto, ele estaria mencionando os buracos de minhoca, e não
os buracos negros, pois quando um buraco negro está conectado a um buraco branco,
esse conjunto passa a se chamar buraco de minhoca, e a massa dos materiais que o
buraco negro conseguir "devorar" não será incorporada à ele, e sim expelida no
buraco branco. Atualmente, não existe qualquer prova da existência de buracos
brancos.

Embora o conceito de buraco negro tenha surgido em bases teóricas, astrônomos têm
identificado inúmeros candidatos a buracos negros estelares e também indícios da
existência de buracos negros supermassivos no centro de galáxias. Mesmo com vários
estudos e teorias, o buraco negro continua sendo um dos vários mistérios existentes
ainda hoje.[13] Há indícios de que no centro da própria Via Láctea, nas vizinhanças
de Sagitário A*, deve haver um buraco negro com mais de 2 milhões de massas
solares.[14]

Em abril de 2019 o Event Horizon Telescope divulgou os resultados das primeiras


imagens de um buraco negro na galáxia M87. As observações comprovaram as previsões
de Einstein e a métrica de Kerr.[15]

Índice
1 História
1.1 Relatividade
1.2 Ausência de singularidade central de acordo com outras teorias
1.3 Era áurea
1.4 Primeiro registro
2 O buraco negro da NGC 1277
2.1 A descoberta
2.2 Formação
2.3 Vantagem da descoberta
3 Formação e estrutura
3.1 Formação
3.2 Colapso de Oppenheimer-Snyder
3.3 Colapso não-esférico
3.4 Colapso gravitacional
3.5 O buraco negro de Schwarzschild
3.6 A queda no buraco negro e a natureza quântica
3.6.1 A luz e a singularidade
3.7 Simulação computadorizada
4 Termodinâmica
4.1 Termodinâmica de um buraco negro clássico
4.2 Entropia
4.3 Evaporação do buraco negro
4.4 Informação no buraco negro
5 Referências
6 Ver também
7 Ligações externas
História
Schwarzschild black hole
Uma simulação de uma lente gravitacional por um buraco negro, distorcendo a imagem
de fundo da Via Láctea (aumentar o tamanho)
A ideia de um corpo massivo do qual nada pode escapar foi tida primeiro pelo
geólogo John Michell em uma carta escrita para Henry Cavendish em 1783 para a Royal
Society:

Se um semidiâmetro de uma esfera da mesma densidade do sol esta além do sol em uma
proporção de 500 vezes, um corpo caindo de uma altura infinita para ele teria
adquirido em sua superfície maior velocidade que a da luz e, consequentemente,
supondo-se que a luz seja atraída pela mesma força em proporção ao sua inércia com
outros organismos, toda a luz emitida por um corpo como este retorna em direção a
ele por sua própria gravidade adequada.

— John Michell[16]
Em 1796, o matemático Pierre-Simon Laplace promoveu a ideia mesmo na primeira e
segunda edição do livro Exposition du système du Monde (que foi removido nas
próximas edições).[17][18] Mesmo as "estrelas negras (mecânica newtoniana)" foi
muitas vezes ignorada no século XIV, pois não era compreendido como uma onda sem
massa, como a luz, poderia influenciar na gravidade.[19]

Relatividade
Em 1915, Albert Einstein desenvolveu a teoria da relatividade geral, tendo sempre
apresentado que a gravidade pode influenciar no movimento da luz. Pouco tempo
depois, Karl Schwarzschild fez um sistema de unidades: Sistema métrico de
Schwarzschild para as equações de campo de Einstein , onde é descrito o campo
gravitacional de um ponto de massa e a massa esférica.[20] Poucos meses depois de
Schwarzschild, Johannes Droste, um estudante de Hendrik Lorentz, independentemente
deu a mesma solução para o ponto de massa e escreveu mais extensamente sobre suas
propriedades.[21] Esta solução tem um funcionamento que é chamado de raio de
Schwarzschild, tornando-se singularidade matemática, o que significa que alguns dos
termos nas equações de Einstein são infinitos. A natureza dessa superfície não era
bem compreendida na época. Em 1924, Arthur Eddington mostrou que a singularidade
desapareceu depois de uma mudança de coordenadas , embora tenha demorado até 1933
para que Georges Lemaître percebesse que isso significava a singularidade no raio
de Schwarzschild, e,não era uma propriedade física, mas matemática, a partir da
descoberta da singularidade matemática.[22]

Em 1931, Subrahmanyan Chandrasekhar calculou, usando a relatividade restrita, que


um corpo não-rotativo de elétron de matéria degenerada acima de uma certa massa
limite (hoje chamada de limite de Chandrasekhar de 1,4 massas solares) não tem
soluções estáveis.[23] Seus argumentos sofreram a oposição de muitos de seus
contemporâneos como Eddington e Lev Landau, que argumentaram que algum mecanismo
ainda desconhecido iria parar o colapso.[24] Eles estavam parcialmente corretos:
uma anã branca com massa ligeiramente superior ao limite de Chandrasekhar entrará
em colapso em uma estrela de nêutrons,[25] que é ela própria estável por causa do
princípio de exclusão de Pauli. Mas em 1939 Robert Oppenheimer e outros previram
que estrelas de nêutrons acima de aproximadamente três massas solares (o limite de
Tolman-Oppenheimer-Volkoff) entrariam em colapso em buracos negros pelas razões
apresentadas por Chandrasekhar, concluindo que nenhuma lei da física era suscetível
de intervir e parar pelo menos algumas estrelas do colapso para buracos negros.[26]

Ausência de singularidade central de acordo com outras teorias


Em 10 de dezembro de 2018, Abhay Ashtekar, Javier Olmedo e Parampreet Singh
publicaram um artigo científico no campo da teoria da gravidade em laço
demonstrando a ausência de singularidade central no buraco negro, sem especificar
geometricamente o futuro da matéria neste ponto enquanto o modelo Janus propõe uma
explicação.[27][28][29] Este novo estudo apresenta as mesmas conclusões que as
obtidas em trabalhos anteriores baseados na relatividade geral.[30][31][32][33][34]
[35][36] [37][38] [39].[40]

Era áurea
Em 1958, David Finkelstein identificou a superfície de Schwarzschild como um
horizonte de eventos, "uma membrana um perfeito unidirecional": as influências
causais podem atravessá-lo em uma única direção".[41] Isto não, estritamente,
contradizem os resultados de Oppenheimer, mas estendeu-os a incluir o ponto de
vista de observadores. À Solução Finkelstein estenderam a solução de Schwarzschild
para o futuro de observadores cair em um buraco negro. A extensão completa já
haviam sido encontrados por Martin Kruskal, que foi publicador desta descoberta.
[42]

Primeiro registro
No dia 10 de abril de 2019, o ESO junto a um grupo de observatórios de rádio
publicou os resultados de uma observação feita a partir de 9 radiotelescópios ao
redor do mundo que juntos criaram um telescópio virtual com o diâmetro da Terra.
Imagens registradas em ondas de rádio em 2017 revelaram o horizonte de eventos e o
disco de acreção ao redor do buraco negro supermassivo, com massa de 6,5 bilhões de
vezes a do sol, localizado no centro da galáxia Messier 87, no aglomerado de virgem
a 55 milhões de anos luz da Terra.[1]

O buraco negro da NGC 1277


A descoberta
Em 2012, o buraco negro mais massivo foi descoberto por um grupo de astrônomos com
massa equivalente à massa de 17 bilhões de sois. A galáxia NGC 1277 (que só tem um
quarto do tamanho da Via Láctea) abriga um buraco negro 4.000 vezes maior do que a
formação que se localiza no centro da Via Láctea — o buraco negro conhecido como
Sagitário A.[43]

Galáxia NGC 1277 como mostra a referência em relação às outras galáxias na Via
Láctea.
Normalmente, um buraco negro tão enorme só seria encontrado em uma galáxia muito
maior, o que sugere algo incomum no passado da NGC 1277. Na verdade, o buraco negro
pode ser o que restou de uma galáxia ainda maior que fica nas proximidades. Há
bilhões de anos, duas galáxias — cada uma carregando um buraco negro em seu núcleo
— se chocaram para formar uma galáxia massiva chamada de NGC 1275. Durante a
colisão, os buracos negros centrais se atraíram, se fundiram, e recuaram para o
espaço intergalático. O recém-nascido buraco negro sem casa vagou pelo aglomerado
galáctico de Perseu até a NGC 1277 passar perto o suficiente para atraí-lo
gravitacionalmente.[43]

A descoberta contradiz os atuais modelos de crescimento dos buracos negros, que


sustentam que eles evoluem juntamente com as galáxias em que se encontram. Medir a
massa de buracos negros é um processo complicado. Para fazer isso, os astrônomos
observam sua "esfera de influência" — ou os efeitos gravitacionais que eles
provocam nas nuvens de gás e nas estrelas que estão a sua volta.[43]

Formação
Acredita-se que haja uma dessas formações no centro de todas as grandes galáxias. A
galáxia NGC 1277 está a 220 milhões de anos-luz de distância da Terra, mas aparece
nas imagens de alta resolução feitas pelo telescópio Hubble.

Foto de alta resolução tirada pelo Telescópio Espacial Hubble da galáxia NGC 1277
que mostra o buraco negro supermassivo descoberto em 2012.
A equipe descobriu que o buraco negro da NGC 1277 era tão grande quanto o nosso
Sistema Solar e concentrava cerca de 14% da massa de sua galáxia.

"Essa é a única maneira em que você poderia ter esse padrão de dispersão das
estrelas: com um buraco negro muito grande (no centro da galáxia NGC 1277)", disse
Van den Bosch.[44]

Vantagem da descoberta
A observação da NGC 1277 poderia ajudar os astrônomos a entenderem como os buracos
negros evoluem.

"Essa galáxia parece ser muito antiga", disse o Van den Bosch. "De alguma forma,
seu buraco negro cresceu rapidamente há muito tempo, mas desde então está
estabilizado, sem formar mais estrelas."[44]

Formação e estrutura
Formação

imagem de uma hipernova.


Um buraco negro forma-se quando uma estrela super maciça fica sem combustível, o
que faz seu núcleo diminuir até ficar reduzido a uma fração de seu tamanho
original. Quando isso acontece, a gravidade produzida por ela sai do controle e
começa a sugar tudo que encontra. Ela começa a sugar a massa da estrela, fazendo
isso tão rápido que se engasga e expele enormes torrentes de energia. Ela é tão
forte que fura a estrela e lança mais jatos de energia. A gravidade não suporta
essa energia e a estrela, nem sempre, mas muitas vezes explode[45] (esta explosão é
chamada de supernova). Em apenas um segundo a explosão é capaz de gerar 100 vezes
mais energia que o nosso Sol produzirá em toda sua existência. O que resta no
centro é o buraco negro.

Esta explosão também é conhecida como Erupção de raios gama ou explosão de raios
gama. A maioria das estrelas de classe W (Wolf-Rayet stars ou, em português,
estrelas Wolf-Rayet) morrem nestas explosões.

Colapso de Oppenheimer-Snyder
O modelo deste colapso descreve uma esfera de poeira (o conceito de poeira usado na
relatividade) que inexoravelmente colide para formar um buraco negro. Esta é uma
solução exata para as equações de campo relativísticas gerais. Os estágios do
colapso são:

I) Fase estacionária antes do colapso. A estrela poderia estar imersa em uma esfera
de fluido de simetria esférica perfeita. O tensor de energia-momentum:

{\displaystyle T_{\mu \nu }=(\rho +p)u_{\mu }u_{\nu }+pg_{\mu \nu }} {\displaystyle


T_{\mu \nu }=(\rho +p)u_{\mu }u_{\nu }+pg_{\mu \nu }}
onde {\displaystyle \rho } \rho , {\displaystyle p} p e {\displaystyle g_{\mu
\nu }} {\displaystyle g_{\mu \nu }} são a densidade, pressão e o tensor métrico,
respectivamente.

II) Fim da "queima" nuclear (reações de fusão nuclear) e começo do colapso, a


pressão se quebra (p=0). Então:

{\displaystyle T_{\mu \nu }=\rho u_{\mu }u_{\nu }} {\displaystyle T_{\mu \nu }=\rho
u_{\mu }u_{\nu }}
A esfera fica por um momento em repouso.

III) Fase de colapso. Desde que não haja pressão a esfera começará a encolher. Para
poeira espera-se a contração e posterior colapso resultando em um buraco negro.

Obviamente a poeira não reflete a complexidade química do material das estrelas que
formam o buraco negro.

Colapso não-esférico
Os primeiros estudos sobre colapsos não-esféricos começou nos anos 60.[46] Estes
estudos mostraram que perturbações em torno de uma simetria esférica não previnem a
formação de um buraco negro. [1] [2] E que, quando atingido o estado estacionário,
existe uma simetria esférica exata do horizonte. O problema para grandes desvios da
simetria esférica foi respondido de maneira completamente diferente por Werner
Israel em 1967 [3]. Sem aparelhos muito modernos conseguiu estabelecer um teorema:

"Um buraco negro estático, e no vácuo, com um horizonte de evento regular deve ser
a solução de Schwarzschild."

Esta foi um base sólida para a elaboração de muitos teoremas posteriores que
culminaram no teorema da calvície:

"Buracos negros podem ser caracterizados apenas pela massa, momento angular e carga
elétrica."

Colapso gravitacional
O colapso gravitacional ocorre quando a pressão interna do objeto é insuficiente
para fazê-lo resistir a sua própria gravidade. Com relação às estrelas, isso
geralmente ocorre quando elas têm muito poucos recursos para manter sua temperatura
por meio da nucleossíntese estelar; ou quando perdem sua estabilidade ao receber
matéria extra de uma maneira que não aumenta sua temperatura central. Em ambos os
casos, a temperatura da estrela não é alta o suficiente para evitar que ela
desmorone sob seu próprio peso.[47]

Enquanto a maior parte da energia liberada durante o colapso gravitacional é


emitida muito rapidamente, um observador externo não vê realmente o fim desse
processo. Mesmo que o colapso demore uma quantidade finita de tempo a partir do
referencial da matéria em queda, um observador distante veria o material em uma
queda lenta que pararia logo acima do horizonte de eventos, em razão da dilatação
temporal gravitacional. A luz do material em colapso, por sua vez, leva mais tempo
para alcançar o observador: o que faz a luz emitida pouco antes da formação do
horizonte de eventos atrasarem uma quantidade infinita de tempo. Assim, o
observador externo nunca vê a formação do horizonte de eventos; em vez disso, o
material em colapso parece tornar-se mais escuro e cada vez mais desviado para o
vermelho e acaba por desaparecer.[48]

O buraco negro de Schwarzschild


Ver artigo principal: Raio de Schwarzschild
Karl Schwarzschild, no ano de 1916, encontrou a solução para a teoria da
relatividade que representa o buraco negro como tendo uma forma esférica. Ele
demonstrou que, se a massa de uma estrela estiver concentrada em uma região
suficientemente pequena, ela gerará um campo gravitacional tão grande na superfície
da estrela que nem mesmo a luz conseguirá escapar dele. Este é o chamado buraco
negro. Einstein e muitos físicos não acreditavam que tal fenômeno pudesse acontecer
no universo real. Porém, provou-se que esse fenômeno de fato acontece. Considerando
um campo gravitacional esférico no vácuo, a solução para a Equação de Einstein tem
a seguinte forma:

{\displaystyle ds^{2}=-\left(1-{\frac {2GM}{c^{2}r}}\right)c^{2}dt^{2}+\left({\frac


{1}{1-{\frac {2GM}{c^{2}r}}}}\right)dr^{2}+r^{2}(d\theta ^{2}+sen^{2}\phi d\omega
^{2})} {\displaystyle ds^{2}=-\left(1-{\frac {2GM}
{c^{2}r}}\right)c^{2}dt^{2}+\left({\frac {1}{1-{\frac {2GM}
{c^{2}r}}}}\right)dr^{2}+r^{2}(d\theta ^{2}+sen^{2}\phi d\omega ^{2})} - (1.1)
G é a constante de Gravitação Universal.

Uma propriedade importante desta solução é que ela é independente do tempo t. A


solução é determinada simplesmente pelo parâmetro M, que é a massa total da fonte
que produz o campo. A interpretação deste parâmetro surge imediatamente da forma
assintótica da métrica. Longe do centro de gravidade, o espaço-tempo aproxima-se do
espaço-tempo plano de Minkowski com a métrica:

{\displaystyle ds^{2}=-c^{2}dt^{2}+dl^{2}=-c^{2}dt^{2}+dr^{2}+r^{2}(d\theta
^{2}+sen^{2}d\omega ^{2})} ds^{2}=-c^{2}dt^{2}+dl^{2}=-c^{2}dt^{2}+dr^{2}+r^{2}
(d\theta ^{2}+sen^{2}d\omega ^{2}) - (1.2)
E o campo gravitacional pode ser descrito usando a aproximação do campo fraco.
Comprando esta aproximação e a métrica (1.1) temos que M é a massa do sistema que
está gravitando.

A queda no buraco negro e a natureza quântica


Se conseguíssemos observar uma queda real de um objeto num buraco negro, de acordo
com as simulações virtuais, veríamos este mover-se cada vez mais devagar à medida
que se aproximasse do núcleo maciço. Segundo Einstein, há um desvio para o
vermelho, e este também é dependente da intensidade gravitacional. Isto se dá
porque, sob o ponto de vista corpuscular, a luz é um pacote quântico com massa e
ocupa lugar no espaço, portanto tem obrigatoriamente uma determinada velocidade de
escape. Ao mesmo tempo, este pacote é onda de natureza eletromagnética e esta se
propaga no espaço livre. É sabido que longe de campo gravitacional intenso, a
frequência emitida tende para o extremo superior (no caso da luz visível, para o
violeta).

À medida que o campo gravitacional começa a agir sobre a partícula (luz), esta
aumentará seu comprimento de onda, logo desviará para o vermelho. Devido à
dualidade matéria-energia não é possível analisar a partícula como matéria e
energia ao mesmo tempo: ou se a enxerga sob o ponto de vista vibratório ou
corpuscular.

A luz e a singularidade
Em simulações no espaço virtual, descobriu-se que próximo a campos maciços ocupando
lugares singulares, a atração gravitacional é tão forte que pode fazer parar o
movimento oscilatório, no caso da luz enxergada como comprimento de onda, esta
literalmente se apaga. No caso da luz enxergada como objeto que possui velocidade
de escape esta é atraída de volta à região de onde foi gerada, pois a velocidade de
escape deve ser igual à velocidade de propagação, ambas sendo iguais, a luz matéria
é atraída de volta.

Logo, a radiação sendo atraída de volta, entra em colapso gravitacional, juntamente


à massa que a criou, caindo sobre si mesma.

Simulação computadorizada

Visão simulada de um buraco negro em frente a Grande Nuvem de Magalhães. A razão


entre o raio de Schwarzschild do buraco negro e a distância do observador é 1:9.
É possível simular em um computador as condições físicas que levam à formação de um
buraco negro, como consequência do colapso gravitacional de uma estrela
supergigante ou supernova. Para isso, os astrofísicos teóricos implementam
complexos programas, que recriam as condições físicas da matéria e do espaço-tempo
durante o processo de implosão das estrelas, as quais esgotam seu combustível
nuclear e colapsam, com o transcorrer do tempo, devido a seu peso gravitacional,
formando um objeto de densidade e curvatura do espaço-tempo infinita. Desses
objetos, nada --- nem mesmo a luz consegue escapar. O resultado é a formação de uma
singularidade gravitacional contida num buraco negro de Schwarzschild.

Um método para simulação computacional de um buraco negro é o Método de Monte


Carlo. Neste método é possível a simulação de um buraco negro microscópico. O
gerador de eventos de Monte Carlo neste método é o CATFISH (Collider grAviTational
FIeld Simulator for black Holes), desenvolvido na Universidade do Mississippi. [4]

Termodinâmica
Termodinâmica de um buraco negro clássico
Um buraco negro, fisicamente, é um lugar de onde nem mesmo a luz pode escapar. Uma
descrição matemática precisa dele é dada pelo espaço-tempo assintoticamente plano.
A fronteira de um buraco negro é chamado de horizonte do evento. Schoen e Yau em
1983 formularam que uma superfície dentro de uma armadilha pode ser formada desde
que uma quantidade suficiente de massa esteja confinada em um espaço
suficientemente pequeno. Segue-se então dos teoremas de relatividade geral (Hawking
e Hellis (1973)) que uma singularidade do espaço-tempo deve surgir.

A partir destas grandes descobertas seguiram-se várias conclusões importantes como


a solução da Equação de Maxwell-Einstein independente do tempo mostrando que
buracos negros podem ser descritos por três simples parâmetros (massa, carga e
momentum angular). Além disso, foi mostrado que energia pode ser extraída de
buracos negros estacionários que estão girando ou carregados (Efeito Hawking). Foi,
porém, a descoberta de uma analogia matemática entre buracos negros e a
termodinâmica ordinária o maior avanço destas investigações (Bardeen et al , 1973).

Nesta analogia a massa faz o papel de energia e, gravidade da superfície do buraco


negro faz o papel da temperatura e a área do horizonte, da entropia. A analogia
entre buracos negros e termodinâmica pode ser estendida além do formal,
similaridade matemática pode ser encontrada no fato de que quantidades de pares de
análogos são de fato fisicamente análogos. De acordo com a relatividade geral a
massa total do buraco negro tem a mesma quantidade de sua energia total.[49]

Esta analogia é quebrada na Teoria Clássica, que considera a temperatura de um


buraco negro igual ao zero absoluto.

Entropia
Entropia é uma medida que caracteriza o número de estados internos de um buraco
negro. A fórmula da entropia foi desenvolvida em 1974 pelo físico britânico Stephen
Hawking.

{\displaystyle S={\frac {Akc^{3}}{4\hbar G}}} S={\frac {Akc^{3}}{4\hbar G}}


Legenda:

{\displaystyle S} S: Entropia
{\displaystyle A} A: Área
{\displaystyle k} k: Constante de Boltzmann
{\displaystyle \hbar } \hbar: Constante de Planck normalizada
{\displaystyle G} G: Constante Gravitacional Universal de Newton
{\displaystyle c} c: Velocidade da luz no vácuo
Esta equação pôde ser formulada levando-se em conta a teoria quântica. Então,
admite-se que buracos negros emitem radiação térmica:

{\displaystyle T={\frac {\hbar k}{2\pi kb}}} T={\frac {\hbar k}{2\pi kb}}


No caso especial da métrica de Schwarzschild:

{\displaystyle T={\frac {\hbar }{8\pi GkM}}} T={\frac {\hbar }{8\pi GkM}}


A formulação de Bekenstein-Hawking obtida da combinação entre a primeira lei e do
fato de que {\displaystyle dM=TdS} dM=TdS. No Caso do buraco de Schwarzschild, esta
formulação fica:

{\displaystyle S={\frac {k\pi R^{2}}{g\hbar }}} S={\frac {k\pi R^{2}}{g\hbar }}


A entropia do buraco negro é muito maior que a entropia da estrela que colapsou
para que ele fosse gerado.

Evaporação do buraco negro


A principal limitação do Efeito Hawking é que ele é baseado em aproximações. Este
efeito não está de acordo com o princípio de conservação de energia, uma vez que a
irradiação de energia do buraco negro deveria ser contrabalanceada pela diminuição
de sua massa, na mesma taxa de saída de energia. No entanto, para buracos negros
macroscópicos a temperatura é muito baixa. A luminosidade do buraco negro é uma
estimativa da vida de um buraco negro não-rotativo integrando-se a equação:

{\displaystyle {\frac {dM}{dT}}=-\beta {\frac {m^{3}}{T_{p}}}{\frac {1}{M^{2}}}}


{\displaystyle {\frac {dM}{dT}}=-\beta {\frac {m^{3}}{T_{p}}}{\frac {1}{M^{2}}}}
Onde {\displaystyle \beta } \beta é uma constante adimensional.

E o processo total de evaporação requer um grande tempo:

{\displaystyle \Delta t={\frac {t_{p}}{3\beta }}\left({\frac {M_{0}}


{m_{p}}}\right)^{2}} {\displaystyle \Delta t={\frac {t_{p}}{3\beta }}\left({\frac
{M_{0}}{m_{p}}}\right)^{2}}
{\displaystyle m_{p}} {\displaystyle m_{p}} é a massa de Planck, a saber: 0,000022
g.

Informação no buraco negro


Há com o efeito da formação e subsequente evaporação do buraco negro uma
consequência dramática: a perda de informação. Esta questão foi levantada em 1976
por Stephen Hawking. Entende-se que em um sentido refinado informação quântica
seria perdida, o que desafiaria então Primeira Lei da Termodinâmica. A discussão
era fácil e persuasiva e baseava-se na única ferramenta disponível naquela época: a
teoria quântica de campo. Apesar da conclusão de Hawking estar sem dúvida errada,
pôs em movimento velhas ideias que há muito tempo permaneciam paradas, desafiando-
as com um novo paradigma.

A teoria quântica apresenta um sério problema quando descreve sistemas com


horizontes. Ela fornece uma densidade infinita de entropia em um buraco negro,
diferente da densidade de Bekenstein-Hawking {\displaystyle {\frac {c^{3}}
{4G\hbar }}} {\frac {c^{3}}{4G\hbar }}.

Numa possibilidade final de se estabelecer uma saída lógica para este problema foi
proposta a possibilidade dos buracos negros não evaporarem completamente. No lugar
disso, vivem de maneira estável como remanescentes de massa de Planck que contém
todas as informações perdidas. Obviamente estes remanescentes deveriam conter uma
enorme, ou talvez infinita entropia.[50]

Referências
«Astronomers Capture First Image of a Black Hole». eso.org
Steven Weinberg (1972). Gravitation and Cosmology. Principles and applications of
the General Theory of Relativity. New York: Wiley. ISBN 0471925675
Davies, P. C. W. (1978). «Thermodynamics of Black Holes» (PDF). Rep. Prog. Phys.
41: 1313–1355. doi:10.1088/0034-4885/41/8/004
«Astrônomos flagram buraco negro devorando estrela». yahoo.com
James Hartle (2003). Gravity. An introduction to Einstein's General Relativity.
San Francisco: Addison Wesley. ISBN 0-8053-8662-9
Max Camenzind (2007). Compact objects in Astrophysics. Berlin: Springer. 674
páginas
Castelvecchi, Davide; Witze, Witze (11 de fevereiro de 2016). «Einstein's
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