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INSTITUTO FEDERAL DA BAHIA – IFBA SALVADOR

CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTOCA

Charles Emerson Cruz Moreno

RESENHA DO LIVRO KINDRED: LAÇOS DE SANGUE

Salvador/BA
2019
Charles Emerson Cruz Moreno
RESENHA DO LIVRO KINDRED: LAÇOS DE SANGUE

Resenha apresentada para a disciplina Ciências


Tecnologia e Sociedade (CTS), no curso de
Licenciatura em Matemática, da Instituição
Federal da Bahia – IFBA.

Prof. Daniel Romero

Salvador/BA
2019
Charles Emerson Cruz Moreno
RESENHA

BUTLER, Octavia E. Kindred: Laços de Sangue. Lançado em 2017 pela


editora Morro Branco.

Kindred nos mostra à história de Dana, uma jovem negra de 26 anos casada
com um homem branco, Kevin, e consideravelmente bastante feliz com sua vida. O
casal está se mudando para um novo apartamento e, em meio a um montante de
livros, Dana começa a se sentir tonta e cai de joelhos nauseada. Seu mundo, nesse
momento, é destruído. Ao abrir os olhos, ela se vê à margem de uma floresta
próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Após
salvar essa jovem criança, ela se vê na mira de uma espingarda e, em um piscar de
olhos, está de volta ao seu apartamento. Kevin está assustado, pelo fato de que, sua
esposa, antes seca e próxima dele, está do outro lado da sala, encharcada e suja de
lama. O pior: essa tontura e viagem acontece de novo e de novo... O lugar para
onde Dana foi transportada é Maryland na pré-Guerra Civil, no século XIX, um lugar
bastante perigoso para uma mulher negra, o que traz, ainda mais, a consciência de
como sua vida seria diferente se tivesse vivenciada essa época. “A possibilidade de
encontrar um adulto branco me assustava mais do que a possibilidade de enfrentar
a violência humana da minha época. ” Estou tentando encontrar palavras para
expressar o que senti ao ler esse livro. O encanto por ele foi construído aos poucos.
Meu primeiro contato com ele foi quando meu professor meio que nos obrigou a
escolher entre este livro e um outro, o qual não recordo o nome no momento, então,
me deparei com a capa – maravilhosa! Em seguida, li a sinopse e pensei: que
história louca, mas reflexiva. Aí o livro chegou e está lindo! Foi impossível não
começar a ler imediatamente e, mais impossível ainda, parar de ler. Na contracapa
temos uma frase dos Los Angeles Herald-Examiner que diz: “Impossível terminar de
ler Kindred sem se sentir mudado. É uma obra de arte dilaceradora, com muito a
dizer sobre o amor, o ódio, a escravidão e os dilemas raciais, ontem e hoje”. E, bem,
você precisa ter em mente que esse livro vai te mudar. “(...) Era muito fácil
aconselhar as outras pessoas a viverem com sua dor.” A história, como mencionei
acima, gira em torno de Dana, uma jovem negra que começa a viajar no tempo e
descobre como era viver nos Estados Unidos na época da escravidão. Ela é negra,
portanto, é escrava. Ela é mulher, portanto, pode ser usada por homens e é incapaz.
Esses eram pensamentos de brancos na época. Os negros eram a escória da
sociedade. Eles não eram importantes, estavam ali para servir e estavam ali porque
eram seres inferiores. Dana, assim como nós, conhece a história, mas ela não a
viveu. E essas viagens a fazem viver. "(...) Vire algumas páginas e encontrará um
homem branco chamado J.D.B. DeBow dizendo que a escravidão é boa porque,
entre outras coisas, ela dá aos brancos pobres alguém a quem menosprezar." O
livro deixa uma narrativa com questões como: qual o motivo de Dana viajar no
tempo? Se ela estava ali é porque sua linhagem havia existido, logo, qual era sua
missão? E, certamente não só a personagem tirou tantas coisas dessa situação
imprevisível em que foi colocada, como nós leitores, pois é impossível sair ileso
dessa leitura. Mas vou dizer que a escolha que Octavia fez, para dar esse choque
de realidade em Dana, me deixou embasbacado e satisfeito com todo o desenrolar
da história. Todos os personagens desse livro são peças fundamentais para a
construção narrativa de toda a história, seja por trazerem uma reviravolta enorme
para a trama ou por mostrar um senso crítico e dar o choque de realidade que
precisamos. Mas Dana, narrando tudo em primeira pessoa, faz o leitor ficar mais
próximo da história, mais ciente de seus medos e sentindo medo também. Ela é uma
negra, certo, mas ela é livre, por que seria mantida presa? Voltamos ao que
sabemos da história: negros eram a escória da humanidade“ (...) uma negra para
cuidar dele que via os negros como sub-humanos, uma mulher para cuidar dele que
via as mulheres como eternas incapazes. ” Kevin foi um personagem confuso para
mim, teve momentos que o amei por tudo que ele apresentava para Dana e como
ele aceitava, sobre tudo, tiveram momentos que o detestei, pois pareceu “fácil” para
ele aceitar o que estava acontecendo. Mas, apesar disso, de um modo geral, é
impossível não gostar do Kevin e de todos os outros personagens de todo coração.
Quando estava ainda na metade de Kindred, disse algo para minha mãe: Esse livro
não era o que imaginei em sala de aula e está sendo uma surpresa agradável. E, ao
fechá-lo definitivamente, eu senti uma ficção real, como se eu tivesse lendo um
romance e um pouco de história na escola com o tema sobre a escravidão no século
XIX. Kindred é uma leitura essencial, seja você homem, mulher, jovem, adulto,
velho, branco ou negro. Ele faz você pensar, refletir sobre a vida, sobre a existência
e escolhas humanas, sobre tudo o que aconteceu com as pessoas no nosso mundo
e sobre tudo o que ainda acontece. Sobre o que as mulheres, sofreram todos os
dias, sobre o medo de andar no escuro, sobre temer 100% do tempo, porque a
sensação de segurança é nula. Se você aceitar uma recomendação minha,
recomendo que indique para seus próximos alunos que não leram, para ler Kindred.
“(...) Talvez você tenha razão – disse. – Espero que tenha. Talvez eu seja só uma
vítima de roubo, estupro ou algo assim... Uma vítima que sobrevive, mas não se
sente mais segura. – Dei de ombros. – Não sei explicar o que aconteceu comigo,
mas não me sinto mais segura. ”