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SUMÁRIO

Página

Introdução ..................................................................................................................... 08

Capítulo I
A mulher como agente histórico e seu papel na representação da Família Militar ...... 11

Capítulo II
A Associação da Família Miliciana da Região Sul do Estado de Mato Grosso ........... 16

Capítulo III
Mulheres: “um grau a mais na hierarquia” ................................................................... 25

Considerações Finais .................................................................................................... 34

Referências Bibliográficas ............................................................................................ 36

Anexo ............................................................................................................................ 38
8

Introdução

O tema escolhido justifica-se primeiramente por minha condição de mulher, mãe e


estudante e, enquanto tal, sentir a necessidade de promover questionamentos e discussões
sobre as variadas formas que a mulher contemporânea tem se posicionado de maneira ativa no
seio da sociedade ocidental.

A história de luta e de resistência das mulheres consolidou a igualdade de direitos


e tem ampliado continuamente o movimento pela igualdade na vida e nos espaços que vão
sendo conquistados. Muitas dessas conquistas resultam de ampla participação popular na
busca pela eliminação de barreiras que lhes impediam o desenvolvimento. Esse processo de
inclusão em todas as instâncias da sociedade é uma luta cotidiana que somente poderá ser
realizada em longo prazo, a partir de mudanças estruturais profundas dentro da sociedade.

Entretanto essa luta se dá no dia-a-dia, a partir de conquistas imediatas,


possibilitando dessa maneira que as mulheres confiem em sua própria voz e estabeleçam o
diálogo e a confiança uma nas outras, considerando suas próprias experiências e as
experiências daquelas que estão a sua volta.

Neste sentido, elas têm trabalhado para obter igualdade de oportunidades, de


situação jurídica, de posição social, econômica e política, desenvolvendo sua capacitação
profissional e buscando sua realização pessoal, assumindo responsabilidades cívicas na
comunidade, no país e no mundo.

A historiografia das últimas décadas, ao voltar sua atenção para os grupos


marginalizados do poder, tem favorecido também uma história social das mulheres,
permitindo incorporar as tensões sociais do cotidiano, as estratégias de sobrevivência e a
reconstrução da organização social desses grupos.1

Especificamente nesse trabalho, pretendi compreender essa capacidade de


organização e luta da mulher por seus direitos e/ou interesses, institucionalizada na criação e
manutenção da Associação da Família Miliciana da Região Sul de Mato Grosso (AFAMIRS),
dirigida por mulheres organizadas em entidades representativas, que tem por objetivo
principal lutar para a melhoria das condições de trabalho da categoria militar.

1
DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. 2.ed. rev. São Paulo:
Brasiliense, 1995, pp. 14-15.
9

A escolha dessa instituição da cidade de Rondonópolis se deu, além das


facilidades de pesquisa, pelo fato de ter sido a primeira associação das esposas de militares do
Estado de Mato Grosso servindo de exemplo e modelo para a formação de associações em
vários outros Estados. Outrossim, o fato de estar localizada em uma região fortemente
marcada pela cultura e economia agrária em que os sistemas culturais valorizam
extremamente as atividades e os papéis masculinos e que reservou à mulher a função de
esposa, mãe e dona de casa, excluindo-a por longo tempo das atividades consideradas
decisivas dentro da sociedade como a política e a economia, torna este espaço ainda mais
peculiar.

Busquei aqui registrar a história de luta e as trajetórias dessas mulheres na defesa


dos direitos de seus companheiros, objetivando uma reflexão sobre o papel dessas mulheres
na história da instituição, abordando a importância desse trabalho, suas conquistas ao longo
desses 21 anos de serviços prestados e as implicações desse processo para essas mulheres, sua
família e para comunidade.

Iniciei a pesquisa pela análise da história da organização da AFAMIRS, com


destaque para Atas e documentos da instituição, onde estão registrados momentos desta
organização desde a fundação, em 1987, até os dias atuais. Este tipo de documento, embora
bastante formal, permite perceber a organização política e desenvolvimento dessa Associação
diante do Estado e da sociedade, a definição de suas responsabilidades e o seu discurso sobre
si. Entretanto, por tratar-se de documentos oficiais, possui também algumas limitações. Diante
disso, busquei realizar uma análise interpretativa cuidadosa, de modo a dar uma seqüência
narrativa aos fatos e aos acontecimentos, sempre atentando aos detalhes e às partes
negligenciadas, observando os espaços dissimulados que se escondem na documentação
escrita.2

O alcance da pesquisa foi ampliado por meio do alargamento das fontes,


exigências das próprias lacunas das fontes oficiais, de seu número reduzido e da distância
temporal entre elas. O quadro documental foi, portanto, complementado por entrevistas
realizadas com algumas das líderes Associação da Família Miliciana e mulheres associadas a
essa organização na cidade de Rondonópolis, buscando nesses relatos uma maior
aproximação entre as propostas da Associação e sua atuação no cotidiano. Seu uso como fonte
histórica, todavia, foi realizado com o maior cuidado do ponto de vista metodológico,
2
Como bem lembra Carlo Ginzburg: “Se a realidade é opaca, existem zona privilegiadas – sinais, indícios – que
permitem decifrá-la”. GINSBURG, Carlo. “Sinais: raízes de um paradigma indiciário”. In: Mitos, emblemas e
sinais: morfologia e história. Tradução de Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 177.
10

buscando contornar os silêncios e falseamentos das entrevistadas, na tentativa de compreender


as paixões presentes nas suas falas.

As leituras bibliográficas que abordam a situação da mulher na cidade de


Rondonópolis serviram de suporte e referencial teórico-metodológico para elaboração desse
trabalho.

Esta monografia se debruça sobre esta realidade também com o objetivo de


analisar a relação existente entre as variadas maneiras pelas quais essas mulheres
compartilham, por meio dos seus maridos, os valores e as práticas militares. Desta forma
busquei enfocar algumas das estratégias de sociabilidade dessas mulheres e as funções
desempenhadas em relação à carreira dos maridos, observando como os valores militares,
principalmente aqueles que ressaltam o espírito de coletividade e os princípios de hierarquia e
disciplina, influenciaram ou têm influenciado na vida dessas mulheres de militares.

Assim, além da importância que ocupam na vida doméstica as mulheres de


militares também desempenham um papel relevante no que se refere à trajetória profissional
de seus maridos, desde o apoio afetivo ao companheirismo que os estimulam a seguir em
frente, eventualmente resultando em benefícios concretos para sua carreira.
11

Capítulo I: A mulher como agente histórico e seu papel na representação da Família


Miliciana

O Brasil tem assumido compromissos internacionais referentes à construção da cidadania


das mulheres. Contudo, muito ainda necessita ser feito para a elevação da condição da mulher que
precisa superar a dominação, a exploração, a discriminação social e no mercado de trabalho e
se conscientizar que essa busca deve ser levada adiante, procurando entender como é
construído esse aprendizado de ser mulher e também porque “aceitamos e interiorizamos uma
imagem freqüentemente depreciativa e constrangedora sobre nós mesmas.”3

Na medida em que as sociedades humanas evoluíram, as formas discriminatórias


contra a mulher também se transformaram, tornaram-se refinadas, sofisticadas, mas nem por
isso menos inadmissível – a marginalização da mulher nos registros históricos é uma delas. A
historiadora e pesquisadora Laci Maria Araújo Alves, uma das pioneiras a escrever a história
das mulheres rondonopolitanas, tem destacado como uma de suas principais preocupações nos
últimos anos a análise do “lugar da mulher na história [...] restituindo às mulheres o papel de
construtoras de seu tempo.”4

No esforço para trazer à tona a dimensão feminina dos processos sociais, fruto da
militância feminista, e especificamente de suprir a sua ausência nos trabalhos de história
social destacam-se, entre outros, os estudos de Michelle Perrot5, que se empenhou em
escrever uma “história das mulheres”, articulando-a aos diversos episódios históricos que
marcaram as mudanças políticas, sociais e econômicas da humanidade.

A autora destaca uma tradicional divisão de espaços entre os sexos feminino e


masculino, ajustados ao modelo da divisão social do trabalho, que confinava a mulher na
esfera privada, cuidando da casa e dos filhos, enquanto cabia ao homem o domínio da esfera
pública, assumindo a função de proteger e representar a família; modelo este em que “[...]
cada um tem sua função, seus papéis, suas tarefas, seus espaços, seu lugar quase
predeterminado, até em seus detalhes.” 6

3
ROSALDO, M. Z.; LAMPHERE, L. A Mulher, a cultura e a sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
Apud PEREIRA, Wilza Rocha, SILVA, Graciette Borges da. Tão longe, tão perto: mulher, trabalho, afetividade e
poder. Cuiabá: EdUFMT, 1999.
4
ALVES, Laci Maria Araújo; TESORO, Luci Léa Lopes Martins. Experiência de Mulheres. Rondonópolis-MT:
LMAA Editora, 2002.
5
PERROT, Michelle. História das mulheres no ocidente. Porto: Afrontamento, 1990, 5 v.
6
Idem. Os excluídos da história: operários, mulheres, e prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p. 178.
12

Ainda segundo esses papéis ou espaços sociais Michelle Perrot acrescenta que
“[...] nem todo público é masculino [e] [...] nem todo privado é feminino”, pois mesmo no
interior da casa “[...] coexistem lugares de representação (o salão burguês), espaços de
trabalho masculino (o escritório onde mulher e filhos só entram na ponta dos pés) que tornam
a esfera privada num lugar ambíguo.” 7 Ao mesmo tempo, paulatinamente, em decorrência das
lutas feministas, a mulher vai conquistando espaços, saindo do âmbito somente da esfera
privada e fazendo-se presente também na esfera pública.

Embora hoje possamos perceber a inserção das mulheres na maioria dos espaços
públicos antes exclusivos do universo masculino, estas ainda encontram fortes resistências em
campos consolidados e que até hoje estruturam uma boa parte das nossas relações sociais: o
religioso, o político e o militar. Nesse último Alexandre Reis Rosa afirma que a mulher
sempre esteve próxima, mas sua incorporação é muito recente, “/.../ em virtude das conquistas
advindas do movimento feminista e de outras mudanças estruturais da sociedade como a
ampliação do espaço do mercado de trabalho, a ascensão do Estado democrático e as
mudanças no modelo de família contemporânea.” 8

A autonomia feminina é ainda mais limitada nos casos em que as mulheres


dependem economicamente dos maridos, situação freqüente nas famílias brasileiras. O
discurso de tempos antigos que justificava como “naturais” as desigualdades sofridas pelas
mulheres no trabalho, na família e na sociedade, desrespeitando-as e desvalorizando-as inda
perdura na nossa sociedade.

Pensando dessa maneira percebi a peculiaridade da ação das mulheres nas


Associações da Família Miliciana. Diferente de outros movimentos liderados por mulheres,
essa associação, formada por mulheres e mães de militares e cuja finalidade é defender os
direitos de seus maridos e filhos, não possui um caráter feminista. Contudo, ao saírem às ruas
contrariando ordens de policiais de alto escalão, essas mulheres adquirem uma grande força e
têm consciência disso.

A categoria de policiais militares é proibida, por suas normas de conduta, de


praticar qualquer tipo de manifestação pública de caráter reivindicatório. Diante disso, resta-
lhes apenas reunirem-se em associações de natureza civil, e fazem-no por meio das suas mães
e esposas, organizadas em entidades representativas, que têm por objetivo lutar para a

7
PERROT, (op. cit.), 1988, p. 180.
8
ROSA, Alexandre Reis. (O) Braço Forte, (A) Mão Amiga: um estudo sobre a dominação masculina e violência
simbólica em uma organização militar. Lavras, UFLA, 2007, p. 210.
13

melhoria da categoria nas questões salariais, carga horária, punições arbitrárias e também na
elaboração de novas leis, contra as jornadas de trabalho excessivas e por vezes desumanas
especificamente dos soldados, cabos e sargentos.

Os militares não podem fazer greves, não podem questionar as decisões dos
superiores, nem realizar nenhum tipo de reivindicação em manifestações
públicas, pois, o respeito à hierarquia deve ser mantido. Como os militares
não podem questionar as autoridades, nós, as esposas, questionamos. 9

Ser militar não é uma profissão que se limita a sua jornada de trabalho. Pelo
artigo13, parágrafo 3º do Estatuto dos Militares10, a disciplina e o respeito à hierarquia –
vistos como a base institucional das Forças Armadas – devem ser conscientes e não impostos
e “mantidos em todas as circunstâncias da vida entre militares da ativa, da reserva remunerada
e reformados.” 11

Os princípios da hierarquia e da disciplina 12 são entendidos como rigorosa


obediência às leis, aos regulamentos, às normas e disposições, muitas vezes com correções de
atitudes na vida pessoal e profissional. O respeito à hierarquia está intimamente relacionado à
subordinação e obediência da ordem de graduação de autoridade. Ela é quem define
verticalmente as posições de mando e de sujeição, conferindo a cada nível hierárquico o poder
sobre seus subordinados por meio das normas militares13.

Celso Castro, em O espírito militar, chama a atenção para o fato de que a


obrigação da disciplina e hierarquia se estende para além do serviço ativo, incluindo os
aposentados, “em todas as circunstâncias da vida”. Assim, segundo o autor, mesmo fora dos
quartéis, os militares estão formalmente sujeitos a padrões de comportamento e a limites
impostos pelos “círculos hierárquicos”, definidos no Estatuto dos Militares como “âmbitos de
convivência entre militares de uma mesma categoria”, com a finalidade expressa de
“desenvolver o espírito de camaradagem, em ambiente de estima e confiança, sem prejuízo do
respeito mútuo.” 14
9
Creuzilene Bispo Primo dos Santos. Secretária da Associação da Família Miliciana da Região Sul do Estado de
Mato Grosso. AFAMIRS – MT. Entrevista concedida no dia 23 de agosto de 2008.
10
Lei nº 6.880, de 09 de dezembro de 1980.
11
MARTINS, Eliezer Pereira. “Direito Constitucional Militar”. In: Direito Militar: História e Doutrina. Artigo
inédito, p.192 – 196.
12
A hierarquia e a disciplina não são princípios exclusivos das forças militares, mas por certo é nesta esfera que
tais princípios são potencializados num sentido muito peculiar. Tais princípios constitucionais militares são
referidos nos artigos 42 e 142 da Constituição Federal, demonstrando que os valores da hierarquia e disciplina
são a base institucional das forças militares.
13
ROSA, (op. cit. ), p. 108.
14
Esses círculos hierárquicos regulam, por exemplo, regras de comensalidade – sargentos e oficiais não podem
sentar-se à mesma mesa. Não respeitar esses círculos levaria a uma das situações mais temidas pela instituição: a
14

Portanto, ao enfrentar todos esses regulamentos disciplinares representado pelas


Forças Armadas e defendendo interesses que indiretamente também são seus, essas mulheres
adquirem importância dentro de suas casas, ao mesmo tempo em que mostram, nas ruas, o seu
poder.

Essa, acho que foi nossa principal conquista: a nossa organização, a nossa
coragem como mulher e principalmente por poder representar um grupo
visto como autoridade. A sociedade vê o policial como a autoridade extrema
ali no momento. Contudo, são fracos no sentido de não ter condições de
reivindicar, ao mesmo tempo, eles terem suas mulheres como suas
defensoras... a gente conseguir mostrar isso a nível de país, que as mulheres
têm essa força... Acho que esse foi o lado positivo, de poder mostrar que, se
você se organizar, você pode fazer, até mesmo uma classe que não tem
direito de reivindicar, ser vista... isso serviu de exemplo para outros
Estados15.

O fato de serem mulheres também pesa muito na análise desse enfrentamento à


ordem militar. Ainda que em outro contexto, ao avaliar a presença feminina no interior das
Forças Armadas, Alexandre Reis Rosa produz uma reflexão acerca da organização militar
como um empreendimento masculino, que acredito poder trazê-lo também para esta análise.
Para o autor, a presença hegemônica dos homens na sua construção estreitou a relação entre o
militarismo e a masculinidade.

[...] a dominação masculina manifesta-se diretamente, conforme um dado


contexto específico e tende a ser maior no espaço organizacional militar, em
virtude da sua estrutura historicamente construída por homens e para os
homens. Um espaço privilegiado onde a masculinidade alcança seu ápice de
representação por meio de jogos viris, que tendem a reforçar esse ethos.
[...]16

Esse destaque para a masculinidade tende a gerar algumas reações fortemente


machistas, o que faz da ação dessas mulheres ainda mais louvável. Questionada sobre quais
as principais dificuldades enfrentadas durante sua gestão como presidente da AFAMIRS-MT
Márcia Cavalcante responde:

Na realidade a maior dificuldade que agente enfrenta é mesmo por ser


mulher. Porque é... o militar, ele já tem aquele lado é... machista... o militar é
quem manda, é o homem. Ele que é a autoridade. Muitas vezes a gente
“promiscuidade hierárquica”. Ver CASTRO, Celso. O espírito militar. 2ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,
2004.
15
Márcia Carmo Silva Cavalcante. Presidente da AFAMIRS-MT no período de 26 de Setembro de 1999 a 20 de
Fevereiro de 2008. Em entrevista concedida na sua residência, no dia 13 de outubro de 2008.
16
ROSA, (op. cit.), p. 05.
15

sofria esse preconceito por parte dos oficiais que via agente... “Mas espera
ai, você uma mulher esposa de um soldado, querendo reivindicar e debater
com um Coronel de maior cargo?” Sendo que meu marido, no caso o militar,
é o menor. Então eles tinham sempre essa situação: querer colocar esse
preconceito do que é que nós mulheres entendíamos. “Quem são vocês para
querer nos mostrar o que é que deve ou não ser feito para corporação?” [...]
Na verdade o maior preconceito era esse: ser mulher, ser esposa de soldado,
enquanto eles, as estrelas, os oficiais, eles não aceitavam. Mas de qualquer
forma a gente se impunha, ia e enfrentava-os de igual pra igual e
demonstrava pra eles que a gente tinha condições. 17

A persistência dessas mulheres e as formas como enfrentavam essas situações,


exigindo respeito e não consentindo que fossem diminuídas, tem permitido que conquistem
com muita luta aquilo que têm reivindicado.

Sempre respeitei cada um dentro do seu limite, mostrando que eles tinham a
autoridade deles dentro do limite deles, mas que também tinham que
respeitar nosso direto de pessoa que foi eleita pelos militares, legalizada
perante a lei para estar representando os militares. Então sempre fiz questão
de mostrar: olha, o seu direito é esse, e o meu é esse. Mesmo não querendo,
eles tinham que engolir a gente, pois eles sabiam que estávamos dentro da
legalidade e dentro dos nossos direitos.18

Diante disso podemos perceber que as mulheres estão se preparando e se informando


também acerca de seus direitos, principalmente em relação a sua cidadania, exigindo que os
mesmos sejam cumpridos e respeitados pelo Estado e pela sociedade, no trabalho, na escola,
na rua, na família. Essa nova consciência tem possibilitado a concretização de muitas
conquistas na tentativa de se construir uma sociedade mais democrática e igualitária.

17
Márcia Carmo Silva Cavalcante. (Op. cit.).
18
Idem.
16

Capítulo II: A Associação da Família Miliciana da Região Sul do Estado de Mato Grosso

No dia 17 de outubro de 1986, um grupo com cerca de quarenta mulheres,


indignadas com a situação de seus maridos que estava há cinco meses sem pagamentos de
salários, muitas delas sem alimentação em casa, se uniram e saíram às ruas batendo tampas e
panelas, solicitando reajustes e pagamentos de salários.

Nós mulheres estávamos passando muitas necessidades, nos revoltamos e


começamos esse movimento de passeatas nas ruas e paramos em frente ao
Copom. Muitas panelas foram amassadas para reivindicar melhores salários
e cobrar aqueles que estavam atrasados. [...] prendemos nossos maridos no
5º Batalhão da Policia Militar. Foi um momento de muitas reivindicações
que ficou conhecido como panelaço e contou com o apoio da Rádio Clube de
Rondonópolis e do falecido vereador Ananias Martins de Souza, que no
período muito colaborou com as manifestações. 19

A iniciativa de organização dessas mulheres se deu devido à impossibilidade e


proibição de seus maridos, os policiais militares, de qualquer tipo de manifestação pública
presente no estatuto da polícia militar. Diante disso essas mulheres resolveram fundar uma
associação em defesa dos direitos de seus esposos e parentes que “sempre foram os menos
favorecidos e privilegiados dentro da corporação, os soldados cabos e sargentos.” 20

Reunidas no dia 16 de abril de 1987, no extinto Rondonópolis Clube localizado


nesta cidade, essas mulheres agora membros da Associação da Família Miliciana da Região
Sul do Estado de Mato Grosso, iniciaram o processo de legalização e oficialização da
AFAMIRS, aprovando o seu primeiro Estatuto. Muito embora sua fundação tenha ocorrido
nesta data, sua comemoração se dá todos os anos no dia 17 de outubro, em homenagem ao
“panelaço”, primeiro movimento das mulheres dos policiais militares.

Neste ato de oficialização da instituição, o trabalho da mesa foi precedido por


Dalva Rosa de Oliveira Silva, que explicou as finalidades da Associação, fazendo ainda uma
completa explanação do Estatuto que fora colocado em discussão e aprovação. Dessa maneira
ficou decidida e votada a primeira diretoria da Associação que, no momento, se apresentou

19
Dalva Rosa de Oliveira Silva. Primeira presidente da Associação da Família Miliciana da Região Sul de Mato
Grosso (AFAMIRS-MT), no período de 16 de abril de 1987 a 01 de abril de 1989. Entrevista concedida no dia17
de outubro de 2008, em sua residência.
20
Prof ª Drª Lázara Nanci de Barros, presidente provisória da AFAMIRS no período de 20 de junho 1993 até 17
de outubro 1993. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2008, no Campus da UFMT, Departamento de
Pedagogia.
17

como chapa única e tendo como Presidente Dalva Rosa de Oliveira Silva, e como Vice-
presidente Gláucia da Silva Leite; Rudinete Souza Machado e Dalva Lima Pereira ficaram
como primeira e segunda Secretária e Ivone Aparecida Santos Fernandes e Eva Rodrigues
Caetano como primeira e segunda tesoureiras, respectivamente.

Ao proceder a votação a nova diretoria foi aprovada por unanimidade por todos os
presentes21, sendo empossadas para dirigir o destino da associação durante o primeiro
mandato que teve durabilidade de dois anos.

As reuniões da família militar, nesta fase de estruturação eram realizadas na sede


provisória da instituição, localizada antiga Estação Rodoviária da cidade de Rondonópolis.
Nesse momento, a Associação começa ganhar visibilidade e notoriedade na imprensa
local e regional, inserindo essas mulheres no cenário político militar, fazendo-se necessário o
trabalho de divulgação dessa organização, de esclarecimentos de dúvidas acerca do seu
Estatuto, e também sobre as formas de filiação de seus membros.

Nesta fase inicial da Associação seus trabalhos eram realizados na cidade de


Rondonópolis e nas regiões circunvizinhas como Jaciara e Alto Araguaia, com o objetivo de
criar subdiretorias e eleger representantes da AFAMIRS no estado de Mato Grosso, conforme
elenca Dalva Rosa de Oliveira.22 Nas gestões que se seguiram sua influência vai sendo
ampliada, ao ponto de conquistar um importante espaço no interior do estado. Novas
Associações são fundadas nas cidades vizinhas pela própria AFAMIRS, tendo Rondonópolis
como o centro comum de todas elas, no intuito de reunir forças para seus movimentos
reivindicatórios.

[...] quando eu fui eleita, e quando teve o primeiro movimento, percebi que a
gente precisava se organizar para, quando se fosse fazer um movimento, a
gente mobilizasse as outras Associações para que, dessa forma, a gente
conseguisse fazer a pressão necessária, seja ela dentro do comando ou dentro
do governo, pois não adiantava só Rondonópolis fazer o movimento. A gente
21
Dalva Rosa de Oliveira Silva (Presidente), Gláucia da Silva Leite (Vice-presidente), Rudinete Souza Machado
(1ª Secretária), Dalva Lima Pereira (2ª Secretária), Ivone Aparecida Santos Fernandes (1ª Tesoureira), Eva
Rodrigues Caetano (2ª Tesoureira), Carmelinda de Souza Soares, Helena Maria Barbosa Cunha, Celina
Fernandes Cavalcante, Juleiva Vanderley Candial, Ivonete Pereira do Nascimento, Roseli Balestrim Gomes,
Judite Cardoso Gonçalves, Lenilda Siqueira de Oliveira, Márcia Regina Possates, Maria Albertina de Oliveira
Lima, Luzinete Ferreira dos Santos, Adália Rodrigues de Oliveira, Alexandrina Laura Farias, Jucéia Maria de
Oliveira Lima, Genilde Resende da Silva, Valmira Araújo da Silva, Jocenira Maria da Silva Xavier, Elza
Andrade de Oliveira, Anália dos Santos Almeida, Maria das Neves Gomes Viana de Jesus, Maria, Maria Delcina
Duarte da Silva, Neuzelita F. de Souza, Maria Rosalina Nunes, Mesina Tereza Ramos, Maria Aparecida Augusta
Dores, Lúcia Helena Ribeiro Nunes, Dina Maria Pereira, Sebastiana.
22
No dia 21 de junho de 1987, na residência de D. Sebastiana, localizada na COHAB casa 05, lote 08 da cidade
de Alto Araguaia, foi eleita a senhora Diva Maria Pereira como a responsável por representar os interesses da
Associação naquela cidade.
18

sabia que a gente precisava se organizar, então a gente criou várias


Associações e sub-sedes , onde Rondonópolis seria a principal e tínhamos
em Primavera do Leste, Jaciara e Alto Araguaia que eram sub-sedes e, além
disso, a gente foi para Barra do Garças e criamos Associação lá em Barra do
Garças. Fomos para Cuiabá, criamos a Associação lá. E quando eu falo que a
gente criou a Associação, a gente criou e registrou legalmente as
Associações. Aí nós fomos para Alta Floresta e criamos Associação dentro
de Alta Floresta; em Cáceres também foi feito; Tangara da Serra...Todas com
representatividade legal. Registrar em cartório toda essa situação pra
realmente ter direito.23

Os encontros na cidade de Rondonópolis eram freqüentemente realizados em


diferentes locais, como: a Câmara Municipal, o Centro Comunitário da Coophalis e as Escolas
Adolfo Augusto de Moraes, Marechal Dutra, e Major Otávio Pitaluga, com destaque para esta
onde se realizaram muitos dos encontros da Associação. Segundo Dalva Rosa de Oliveira o
predomínio dessa última ocorreu pelo fato da localização da escola ser de “fácil acesso na
região central da cidade”. Ainda eram utilizadas as dependências da Escola Sagrado Coração
de Jesus, principalmente em dias de votação de nova diretoria da AFAMIRS-MT, as
residências de mulheres associadas e outros espaços.

Essas medidas eram adotadas pelos membros como estratégias a fim de evitar
retaliações e/ou perseguições que possivelmente poderiam sofrer seus maridos. Conforme a
fala de um oficial que não quis se identificar, em notícia veiculada pelo Jornal A Gazeta de
Cuiabá em 02 de setembro de 1993, “elas estão se organizando sim, nós estamos de braços e
pés atados [...] elas são tão organizadas que nem sabemos onde estão reunidas”.

Nas primeiras reuniões os principais pontos discutidos estavam relacionados ainda


à legalização da instituição e formalização de seus principais objetivos presentes no seu
Estatuto. Este, formulado no ano de 1987 irá vigorar até 2002, quando serão discutidos alguns
de seus pontos críticos, por exemplo, a inclusão de esposas não legitimadas como membros
participantes. 24

No decorrer de sua existência outros temas serão destacados conforme a


conjuntura vivida. Em períodos aparentemente mais brandos foi possível um grande empenho
nas reuniões de festividades no clube da Associação como a realização de festas do dia dos
pais, crianças, páscoa e comemorações de finais de ano; realizações de almoços com fins de
socialização entre os membros da Associação e familiares, bingos, galinhadas, festas juninas e
23
Márcia Carmo Silva Cavalcante. (Op. cit.).
24
No dia 10 de março do ano de 2002 foi votada e aprovada por unanimidade a reformulação do Estatuto de
1987 da Associação da Família Miliciana da Região Sul do Estado de Mato Grosso, que passa a ter plenos
poderes jurídicos.
19

rifas para conseguir verbas para a instituição, o que parece ter reforçado o sentimento de
união entre essas mulheres. As festas, jantares, churrascos, etc., são organizados pelas
mulheres, podendo ser restritas à participação feminina ou contar com a presença dos
maridos.

Lázara Nanci Amâncio de Barros, presidente da AFAMIRS durante o ano de


1993, destaca a dificuldade pessoal que enfrentou durante sua gestão, dada a quantidade de
reuniões que estava envolvida, num período que precisava dedicar-se ao seu mestrado posto
que chegava ao fim seu afastamento da Universidade. Percebia nesse momento uma
necessidade de se trabalhar a consciência política daquelas mulheres e discutir a importância
do seu papel no movimento enquanto membros, no trabalho dos seus maridos e no amparo
dessas famílias.25

Segundo seu Estatuto a AFAMIRS “constitui-se em uma sociedade civil sem fins
lucrativos, de âmbito regional, [...] com prazo indeterminado de duração”, que agora,
devidamente instalada em sede própria, se localiza na Rua Paraná, quadra 22, nº 10, do Jardim
Adriana, na cidade de Rondonópolis-MT, CGC 01.974.500.0001/97. Caracteriza-se como
uma entidade que tem “como associadas as esposas de policiais militares, sendo elas casadas
ou amasiadas, os policiais militares lotados na região sul deste estado, bem como parentes até
terceiro grau destes.” 26

Reafirmando as prioridades, o Estatuto determina que, o escopo maior da


AFAMIRS, amparar, coordenar, proteger e defender e representar perante as autoridades
administrativas, políticas e judiciárias os interesses individuais e coletivos dos seus
associados, especificamente no que diz respeito às leis, normas, portarias, resoluções e
decretos quer regem a remuneração e a vida dos policiais militares.

Neste sentido, a instituição busca congregar as esposas, e parentes até 3º grau dos
associados e policiais militares, zelando ainda pelo seu desenvolvimento sócio-cultural,
cultuando as tradições de relevo social e humanísticas próprias dos policiais militares. Nesse
afã, são promovidos cursos, palestras e outras formas de reuniões culturais, sociais,
educativas, artísticas e cívicas, ou seja, promoções que venham beneficiar e prestar
assistencialismo aos associados acima qualificados.

25
Nessa época Nanci já era professora efetiva da Universidade Federal de Mato Grosso, campus de
Rondonópolis.
26
Estatuto Social da Associação da Família Miliciana da Região Sul de Mato Grosso, reformulado no ano de
2002, Cap. 1, art. 1º e 2 º.
20

Teve um período que procuramos fazer curso de formação para as mulheres


para que elas pudessem estar ajudando na questão do próprio salário dos
maridos, foram feitas parcerias com Clube da Policia Militar no ensino de
informática tanto para mulheres como para os filhos. Foram oferecidos
cursos para as mulheres através da Ação Social... 27

Os serviços assistenciais são realizados dentro dos limites e potencialidades


econômicas, fazendo os contatos possíveis e as articulações necessárias para o amparo e
defesa, por todos os meios juridicamente permitidos, contra ameaça ou violação dos direitos
legítimos e interesses dos sócios e seus parentes militares.

Principalmente na questão de Assessoria Jurídica, no caso de separação de


militares. As esposas vinham buscar apoio jurídico e informação dos seus
direitos como mulher, mãe e também nas questões de pensão alimentícia e
outros. A AFAMIRS-MT, sempre era procurada por essas mulheres em
questões familiares e obrigações dos militares. Também nos caso de morte,
as viúvas vinham para a Associação buscar apoio para funeral e
esclarecimentos de seus direitos como pensão e seguro de vida nos casos de
morte em serviço ou de morte natural, sem estar no exercício de suas
funções. E, esses apoios sempre foram prestados para as mulheres,
orientando essas mulheres28.

Como não é subvencionada por organismos públicos, faz se necessário às


arrecadações mensais de pagamentos e contribuições dos membros associados, os valores
desses descontos são discutidos e aprovados pela Assembléia Geral 29, toda a arrecadação
mensal da instituição destina-se a manutenção e conservação da AFAMIRS-MT,

Entretanto embora o estatuto da AFAMIRS-MT estabeleça as prioridades da


Associação e ainda que de fato sejam realizadas todas essas atividades, de cunho social,
cultural, artísticas e educativas, segundo Márcia Cavalcante o principal objetivo é “defender
os interesses dos militares e não os interesses das mulheres” [grifo meu].

Os militares da cidade de Rondonópolis e da Região Sul do Estado, seja do sexo


feminino ou masculino para terem seus direitos representados pela Associação, têm que se
filiar a AFAMIRS-MT, quando e somente dessa maneira poderá ser representado pela
Associação através de suas esposas e/ou parentes de até 3° grau na figura da mãe, sogra ou
noiva.

27
Márcia Carmo Silva Cavalcante (Op. cit.).
28
Idem.
29
Representa o poder máximo da Associação com poder máximo de decisão, deliberar sobre todos os assuntos,
alterar o presente Estatuto, eleger membros da Diretoria e do Conselho Fiscal.
21

Todas as decisões tomadas dentro da Associação da Família Miliciana da Região


Sul do Estado de Mato Grosso são realizadas em comum acordo com os militares, que
participam das discussões, porém, Dalva Rosa de Oliveira Silva, adverte: “os militares não
podem jamais, sob pena até de exclusão, tomar frente nas negociações, os militares não
devem aparecer tem que permanecer na retaguarda”.

No que diz respeito aos regimentos disciplinares, apesar de ser específico de cada
instituição militar e, eventualmente possuírem distinções, costumam prever as seguintes
gradações de punições: Advertência, Repreensão, Detenção, Prisão, Licenciamento e
Exclusão. Medidas usadas como forma de castigo ao transgressor, sendo realizada por um
processo administrativo militar. Por isso, quando entrevistada, Márcia Cavalcante afirmou que
uma das suas principais preocupações enquanto presidente da AFAMIRS-MT era não deixar
que os movimentos e manifestações de rua viessem prejudicar os militares.

Ao mesmo tempo em que a gente reivindicava, a gente tinha preocupação de


não fazer baderna, de fazer as coisas com cuidado para não cair no
descrédito. Sempre tive essa preocupação, reivindicar, mas a partir do
momento que é pra virar baderna não estava no meio, não estava dentro.
Várias vezes eu respondi processo, pois sempre busquei a responsabilidade
para mim. Sabia que meu processo era muito mais simples do que deixar um
processo cair em cima de um militar, pois sabíamos que poderia dar
exclusão. [...] O oficial tem todos os mecanismos de fazer a punição e de dar
até exclusão para o militar, então se você deixar transparecer que é o militar
que tomou a frente, a atitude, a decisão, aí eles conseguem pegar o militar.
Então nunca deixamos isso acontecer durante meu mandato porque eu sabia,
através de orientação e conhecimento, que isso era possível. Você imagina o
peso na minha consciência: como poderia ser um militar e pai de família
expulso por atitudes minhas? Acho que jamais estaria tranqüila. Por isso
sempre tive essa preocupação de não deixar. 30

Segundo Nanci de Barros31, o medo de retaliações e perseguição é muito presente


nas falas das mulheres de policiais militares – “me lembro que havia um temor muito grande,
um medo muito grande de que eles pudessem ser punidos, então isso era uma realidade”.
Essas retaliações por diversos momentos enfraqueceram a Associação fazendo com
que existissem algumas rupturas na história do movimento, variando de três a cinco anos.

[...]a grande maioria das mulheres não se articulam com freqüência, ou não
mantém um movimento permanente, por conta dessas questões, porque os
maridos, eles se sentem reprimidos. O que a gente ouvia dos depoimentos

30
Márcia Carmo Silva Cavalcante. (Op. cit.).
31
Prof ª Drª Lázara Nanci Amâncio de Barros. (Op. cit.).
22

deles na ocasião das reuniões que as mulheres traziam era: “Olha o meu
marido não quer que eu participe porque ele trabalha com fulano, cicrano e
beltrano”. E essas pessoas não gostam que as mulheres façam esse
movimento, então elas temiam participar e temiam também que os maridos
fossem cerceados e reprimidos inclusive em termos de carreira.

Percebi em minhas observações na análise das atas e das documentações, dois


períodos de paralisação, o primeiro entre os anos de 1990 a 1993 e o segundo de 1994 a 1999,
nesses dois momentos tornou-se necessário a formação de comissões provisórias 32
administrativas para darem continuidade e prosseguimentos às atividades da Associação.
Essas paralisações coincidem sempre com momentos de crises, como grandes
manifestações, paralisações, greves e reivindicações.

No entanto quando essas reivindicações são atendidas percebe-se uma atenuação,


ou seja, uma diminuição no movimento, que volta a se reorganizar quando as dificuldades já
não podem ser suportadas, quando as necessidades materiais impulsionam a discussão dos
direitos da família, trazendo consciência de que essas mulheres poderiam fazer alguma coisa.
“Quando a situação para o militar está insustentável as mulheres dão o grito”.

Para Nanci de Barros isso se explica porque em alguns períodos a categoria


enfrenta situações em que é mais valorizada e os salários são pagos em dia. Entretanto em
outros momentos os salários atrasavam muito, a jornada de trabalho tornava-se excessiva, sem que
houvessem os devidos reajustes salariais.

A partir desses períodos de reorganização, inicia-se uma nova fase da Associação, em que
se pode perceber uma maior organização política, decorrente do próprio amadurecimento da
AFAMIRS. Nesse sentido as reuniões passam a contar com a presença de representantes de
diversas categorias de nossa cidade e do Estado como professores, líderes sindicais,
vereadores, deputados estaduais e federais, que prestavam auxílio na aprovação das leis
elaboradas pela Associação e no encaminhamento dos projetos da instituição. 33

As associadas agora mais conscientes da importância política do movimento


passam a buscar apoio e conhecimentos jurídicos que poderiam beneficiá-las na busca e na

32
No ano de 1993 toma posse como presidente provisória a senhora Lázara Nanci Amâncio de Barros, e em
1999 a senhora Aurora Alves de Lima.
33
Entre estes estiveram a senhora Zilene - diretora no ano1993 do sindicato dos policiais civis; Marcos -
tesoureiro do mesmo sindicato; o professor Fernandes; o vereador Juca Lemos; o deputado estadual Hermínio J.
Barreto; o deputado federal Wellinton Fagundes e sua esposa Mariene Fagundes; o vereador Mohamed Zhaer;
Hélio Luz - presidente da URAMB; Inês Feitosa - presidente dos Direitos Humanos; Lindomar Alves -
representante do PT; a repórter Nice Maria; o vice-governador Rogério Sales Relação. Alguns vereadores
inclusive ajudaram financeiramente na viagem para Cuiabá o ano 1994, entre eles estavam José Carlos do Pátio,
João Klimachesk, Luciene, Pedro da Draga, Dr. Alberto, Valdemar Marra, Dr. Abílio, Juary, Gudo.
23

garantia dos direitos dos militares, e no próprio ato de reivindicação

[...] mas, sempre fui muito persistente e nunca permiti que... Sempre
procurava ter conhecimento realmente das leis e daquilo que era necessário
para poder falar com conhecimento com eles, tanto na questão das leis em si,
como na questão do militar. [...] Então, quando eu ia reivindicar, seja com o
Comando Geral ou com o próprio Governo, sempre procurava ter esses
conhecimentos, para que eles não viessem e me” patrolassem” na verdade
isso era para que, quando eles me questionassem eu também tivesse as
respostas.

De acordo com as entrevistadas, em suas reuniões eram tratadas as dificuldades


enfrentadas pelos policiais militares do Estado de Mato Grosso e as situações de
precariedades pelas quais passava e ainda passa a categoria militar. Márcia Cavalcante relata
um dos exemplos dessa desvalorização militar

A cada cinco anos de serviços prestados, o militar tem direito a três


meses de licença, mas o Estado não dá essa licença, e nem paga, eu acho que
o Estado deveria pagar isso. Existe a necessidade de se mudar leis federais, a
polícia militar ela é força auxiliar do Exército.

A entrevistada atenta para a necessidade de mudanças emergenciais de leis


federais visando garantir o direito do militar de ser um cidadão, ou seja, seu direito natural,
humano, independente do seu vínculo com o Estado.

Quando entrei na associação em 1999 a Associação da Família Miliciana da


Região Sul do Estado de Mato Grosso a carga horária dos militares era de 24
por 24, o que acontecia era desumano [...] Então nessa época era um trabalho
estressante, muitas vezes até nas 24 que eles estavam de folga eles tinham
algum trabalho extra, por exemplo, trabalhar duas e até quatro horas fazendo
segurança em estádios durante jogos, reforçando o policiamento na área
central da cidade, e isso era constante. Outro fator era as punições
desumanas que aconteciam de forma muito severa por parte dos oficiais 34.

Ao longo desses vinte anos de serviços prestados à categoria de soldados, cabos e


sargentos, a bandeira de luta das mulheres da AFAMIRS esteve hasteada contra o atraso dos
pagamentos - que muitas vezes acarretavam em falta de alimentação, remédios e dívidas para
essas famílias -, a falta de viaturas, a defasagem salarial e a excessiva jornada de trabalho,
buscando maiores benefícios para essa classe no sentido de melhorar a qualidade de vida

34
Márcia Carmo Silva Cavalcante. (Op. cit.).
24

dessas famílias.

Existe por parte da Associação um empenho muito grande para obtenção de


recursos e benefícios, como o adicional noturno, auxílio periculosidade, auxilio fardamento e
obtenção de armas; esforçam-se também em denunciar a discriminação contra policiais, e na
transformação das sub-sedes35 em associações com representatividade jurídica.

A luta da AFAMIRS-MT possibilitou também que mulheres de outras categorias


dentro do militarismo pudessem reivindicar os direitos dos seus maridos. Um exemplo disso
foi a iniciativa das esposas do Corpo Militar dos Bombeiros, que elegeram uma representante
entre elas como líder junto à Associação, aderindo ao movimento de paralisação e
aquartelamento dos policiais militares. 36

Talvez esse perfil seja o alicerce fundamental para as transformações e mudanças


obtidas por meio dos movimentos sociais, estabelecendo as pretendidas condições igualitárias
e justas daquelas que desejam construir uma vida diferente, com mais dignidade.

É certo que não mais se pode subestimar o fortalecimento dessas mulheres,


sobretudo no que diz respeito à participação e organização dessas associações que têm por
conseqüência, a visibilidade e repercussão do conjunto de reivindicações. Por todas as razões
anteriormente discutidas neste trabalho, não podemos deixar de comemorar os avanços
conquistados nos últimos 21 anos de serviços prestados pela Associação da Família Miliciana
a Região Sul do Estado de Mato Grosso (AFAMIRS-MT).

35
Primavera do Leste, Barra do Garças, Cuiabá, Rosário Oeste, Alta Floresta, Cáceres, Tangara da Serra tiveram
Associações fundadas, Jaciara e Alto Araguaia que até então eram sub-sedes.
36
No dia 20 de Julho de 2000, foi escolhida como representante Eroene Martins de Souza, e vice-representante
Noemi Maria de Souza Cavalcante
25

Capítulo III: Mulheres: “um grau a mais na hierarquia”

Todos os militares têm nos seus bastidores uma das mais antigas e
importantes instituições do mundo, a família, e os militares não
estão sós na sua luta, a família o acompanha, na luta sistemática
pela defesa da condição militar, pelo cumprimento da lei. 37

Este capítulo trata das diversas maneiras pelas quais as mulheres e mães de
policiais militares desenvolvem suas atividades na busca pelos direitos de seus filhos e
maridos por meio da Associação da Família Miliciana da Região Sul de Mato Grosso
(AFAMIRS-MT), trazendo algumas interpretações e exemplos dessas realizações e
descrevendo alguns casos da história dessas mulheres e as dificuldades por elas enfrentadas
nos cargos de diretoria dessa entidade representativa.

As personagens das histórias presentes neste texto são mulheres simples que
precisam lutar cotidianamente em benefício de suas famílias e também pela conquista de
direitos, mas que apesar das adversidades do dia-a-dia, ampliaram as possibilidades de
participação e sua permanência no espaço público.

As conquistas irreversíveis resultaram, é verdade, de uma luta incessante para


vencer barreiras preconceituosas, discriminações e costumes arraigados ao longo dos tempos.
Este capítulo, no qual se encontram alguns depoimentos, foi produzido com o objetivo de
divulgar um tipo de reação de mulheres (e homens) engajados na luta pela ampliação da sua
representação política e pública nas mais diferentes esferas de poder.

No que diz respeito à seleção das entrevistadas optei por trabalhar e pesquisar a
ação de algumas das mulheres no interior da Associação da Família Miliciana da Região Sul
do Estado de Mato Grosso, seja no cargo de liderança ou como membro associado. Ainda que
o desejo desta pesquisadora fosse o de conhecer a trajetória de várias das mulheres associadas,
o curto espaço de tempo em que a pesquisa foi realizada exigiu que o número das
entrevistadas fosse restringido, o que de certa forma limitou seu resultado no sentido de dar
maior visibilidade às ações da instituição e ao seu significado para seus membros ao longo de
sua existência. Outra dificuldade enfrentada foi o fato de algumas das pioneiras da associação
não mais residirem nesta cidade, o que também dificultou e limitou o presente trabalho.
37
ROCHA, Fátima Carvalho. A Comissão Promotora dos Direitos Cívicos dos Militares em Ponta Delgada, p.
2. In: http.//www.ans.pt/imagens/CPDCMManifComissaoPontaDelgada.pdf. Consulta realizada dia 12/11/2008.
26

Diante disso, vale ressaltar a importância do trabalho desenvolvido por essas


mulheres durante a história e o percurso da associação, não apontando como lugar de destaque
esta ou aquela personagem ou a sua posição dentro da instituição, mas o valor da realização
do trabalho de cada uma dessas mulheres e de sua ação em conjunto.

Encontram-se a seguir breves apresentações e relatos de experiência de vida das


mulheres entrevistadas como membros ativos no interior da Associação da Família Miliciana
da Região Sul do Estado de Mato Grosso, cuja contribuição foi fundamental para a
compreensão desse movimento, de sua luta e da imagem que têm de si.

Dalva Rosa de Oliveira Silva

“Quem faz o preconceito somos nós mesmos.”

Casada há trinta anos mãe de três filhos e avó de dois netos, trabalha para o
Estado onde acumula diversas atividades, desde a limpeza a trabalhos na secretaria. Mostra-se
receptiva para tratar com crianças e diz amar sua profissão. Dalva Rosa de Oliveira Silva foi a
fundadora e primeira presidente da Associação da Família Miliciana da Região Sul do Estado
de Mato Grosso, no ano de 1987, sendo uma das organizadoras do movimento conhecido
como “panelaço” no ano de 1986. Consciente das suas dificuldades e limitações na luta pela
defesa dos direitos dos militares dedicou-se exclusivamente aos interesses da instituição
durante o seu mandato de dois anos.

Com humildade, em seus relatos Dalva destaca que a maior dificuldade por ela
enfrentada estava relacionada à sua “falta de estudo”, o que em vários momentos ocasionou
em discriminação e preconceito contra ela. Mesmo assim, enfrentou com bravura todos os
obstáculos que surgiram no período de sua atuação frente à AFAMIRS-MT. Dalva Rosa de
Oliveira, diz sempre ter contado com o apoio de pessoas que a ajudaram e que a apoiaram na
luta dessas esposas e mães. Entre elas destaca a ação sua Secretária a senhora Rudinete Souza
Machado a quem fez questão de citar durante todas as entrevistas, como sendo de
fundamental importância para a associação naquele período, mas que infelizmente não
consegui entrevistar pelo fato da mesma residir em outra cidade.
27

Lázara Nanci de Barros Amâncio

“A greve servirá de reflexão maior por parte da sociedade sobre a


importância do trabalho dos policiais.”
Jornal A Tribuna, 10 de Setembro de 1993.

Paulista de nascimento, Nanci de Barros chegou à Rondonópolis no ano de 1979 e


casou-se em 1989. Cursou magistério na Escola Daniel Martins de Moura, localizada na Vila
Operária desta cidade. Formou-se na primeira turma de Pedagogia do Centro Pedagógico de
Rondonópolis, atual Campus da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, no ano de
1984. Apenas com o título de graduada prestou concurso para professora efetiva nesta
Universidade no ano de 1985 e foi aprovada, totalizando hoje 23 anos de serviços prestados.

Teve como experiência profissional quatro anos de trabalho na rede estadual de


ensino, contemplando diferentes níveis educacionais. Na Universidade, além de professora,
ocupou em duas ocasiões a função de coordenadora de curso do Departamento de Pedagogia
no Campus de Rondonópolis. Concluiu seu Mestrado na Universidade Federal de Goiás no
ano de 1993, o Doutorado em 1996, na Universidade Estadual Paulista - Campus de Marília e
o pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas, no ano de 2007.

Casada durante 12 anos com um militar, para Nanci de Barros sua experiência
profissional permitiu conhecer melhor a família militar e refletiu nas suas ações enquanto
líder da AFAMIRS, ainda que sua gestão tenha sido curta. Declara-se defensora da categoria
militar, nutrindo um grande respeito por estes homens que “muitas vezes perdem suas vidas
deixando suas mães, mulheres e crianças órfãs pelas quais eram responsáveis.”

Questionada acerca dos motivos que a levaram a representar a Associação, Nanci


revela que as queixas de seu marido e colegas militares referentes à impossibilidade de
articulação dos mesmos causavam-lhe estranheza, posto que diferia muito dos direitos de sua
categoria profissional, a educação, que possibilita aos professores uma certa liberdade de
movimento e de expressão.

A minha percepção de educadora foi o que me moveu para entrar um pouco


nesse movimento e tentar articulá-lo. Quando percebi que eles não poderiam
por si fazer aquilo que... Isso me deixava muito irritada na verdade. Que
categoria é essa que não pode lutar por si mesma? Que não pode reivindicar?
Uma categoria que tem repressões seríssimas. Então fui descobrindo um
28

pouco mais do que as mulheres poderiam fazer. É dolorido você olhar para
uma pessoa que você ama e ver aquela pessoa cansada, quase sem forças
para continuar trabalhando e tendo que continuar trabalhar e cumprir
horários estressantes e rigorosos.

Segundo a entrevistada, a corporação acaba sobrecarregando excessivamente os


militares e somente quem acompanha de perto pode sentir efetivamente o drama de “cuidar
das pessoas e não ser valorizado”. Para ela essas questões se fazem necessárias para se pensar
no trabalho de segurança, tão importante como a educação e a saúde pública.

“Olha... é complicado você ver uma pessoa chegar exaurida de manhã


dormindo uma, duas ou três horas e pegar e botar farda de novo e sair para o
trabalho. Então você percebe que há um esgotamento físico e algumas
doenças e vícios como o alcoolismo por exemplo. Nós sabíamos da
necessidade de acompanhamento psicológico, pois víamos que tínhamos
problemas entre eles, casos de depressão, separação familiar, abandono de
família; e essa questão de psicólogos já aparecia naquele tempo. Ocorriam
suicídios decorrentes de uma série de situações: dificuldades de sustentar
suas famílias sem condições nem financeiras, nem psicológicas”.

Seu afastamento dos assuntos referentes à Associação se deu no ano de 2001


devido à morte de seu esposo. Com a perda desse vínculo que a unia à família miliciana, e
razão maior de sua participação naquela luta, Nanci diz ter deixado de sentir-se como parte
daquele âmbito, sentimento esse reforçado pela dor da ausência de seu companheiro.

Márcia Carmo Silva Cavalcante

“Uma vida ligada aos movimentos sociais e à política.”

Esposa, dona de casa, mãe, bancária, secretária, auxiliar de dentista, mulher,


Márcia Cavalcante iniciou sua vida de militância política do Sindicato dos Bancários.
Posteriormente esteve à frente da vice-presidência da Associação da Vila Paulista, assumindo
depois a presidência da AFAMIRS-MT, onde permaneceu durante oito anos consecutivos,
tornando-se a primeira presidente a conservar-se por tanto tempo neste cargo 38. Trabalhou

38
O período em que Márcia esteve na presidência da Associação iniciou-se em 26 de setembro de 1999,
terminando em 20 de fevereiro de 2008.
29

ainda como Vereadora Suplente no ano de 2004, sendo candidata a vereadora no ano de 2008.
Hoje atua na Associação do Assentamento Carimã.

Para Márcia Cavalcante as mulheres precisam ocupar os espaços públicos,


remover as barreiras culturais e avançar na luta em nome da força feminina, da sua realização
pessoal enquanto ser humano e do ideal de igualdade social, pois a continuidade dos
movimentos sociais estabelecerá as pretendidas condições igualitárias e justas.

Fui candidata agora e, infelizmente obtive uma menor votação, mas acredito
que ganhei experiência, pois, a cada vez que participamos de um pleito,
adquirimos experiência pessoal, isso é importante. É necessário que nós
mulheres tenhamos coragem de enfrentar desafios, eles servirão de base para
nossa vida particular ou profissional. Portanto, é importante que se tenha
coragem para participar dessas situações.

Para a entrevistada a maior dificuldade na realização do seu trabalho se dava pelo


fato de ser mulher e esposa de soldado. Diz ter ouvido com freqüência afirmações como:
“quem são vocês, para querer mostrar o que deve ou não ser feito para a corporação”? Essas e
outras situações foram sempre enfrentadas por Márcia Cavalcante enquanto esteve à frente da
Associação, ao que ela combatia com conhecimento seguro acerca das causas que defendia.
Neste ponto a entrevistada destaca a participação do soldado Camilo, já falecido, que no
período era estudante de Direito e fornecia-lhe uma importante ajuda e informações que
permitiram, junto com seu empenho em estudar as leis, a fazer com que ela não fosse
desrespeitada nas suas reivindicações.

Uma das maiores compensações pessoais que relata sentir no que se refere ao seu
trabalho na Associação foi poder demonstrar às mulheres que elas tinham e têm condições de
discutir em pé de igualdade com os oficiais e coronéis, comprovando que a mulher vem
vencendo vários obstáculos sociais, culturais, físicos e intelectuais, mostrando ao mundo uma
incansável luta por seus direitos de cidadã e de ser humano.

Quando perguntada sobre os principais objetivos e finalidades da AFAMIRS


Márcia respondeu:

A finalidade maior da associação e motivo pelo qual ela foi criada, e


posteriormente com a reformulação do seu estatuto ocorrido no ano de 2002,
tem como principal finalidade, reivindicar os direitos dos militares, essa é a
principal finalidade pois, os militares não podem reivindicar, não podem
participar de nenhum tipo de manifesto e de nenhuma reivindicação, então
por esse motivo a associação foi fundada para que as esposas, sabendo das
30

dificuldades dos maridos, das dificuldades que eles tinham de não poder
reivindicar, é que foi fundada a associação. Então na verdade é reivindicar os
direitos deles, e não os nossos das mulheres, mas os deles.

Adriana Soares da Silva Brasil

“O impossível é o possível que ainda não foi tentado, porque


se a gente tentar a gente consegue e consegue muito,
desde que estejamos todas unidas”.

Mato-grossense da cidade de Juscimeira, presidente da Associação da Família


Miliciana da Região Sul do Estado de Mato Grosso desde 20 de Fevereiro de 2008, casada há
sete anos e mãe de quatro filhos, trabalhou durante muito tempo na extração de cana-de-
açúcar como bóia-fria nas proximidades de sua cidade. Realizou também durante alguns anos
trabalhos nas séries iniciais em creches em Juscimeira e atualmente realiza um trabalho frente
à Associação da Família Miliciana da Região Sul do Estado de Mato Grosso de luta em
benefícios dos direitos dos militares, ou seja, de melhorias para a classe.

Na figura de presidente, Adriana Brasil é quem atualmente representa a


Associação de forma social e jurídica para beneficio dos associados. Seu empenho nos
últimos meses tem sido principalmente pela conquista de adicional noturno, periculosidade e
auxílio fardamento. Para ela, se a AFAMIRS-MT não existisse a situação dos militares seria
um completo caos. Atualmente a associação é conhecida e respeitada podendo paralisar 100%
da corporação dentro do Estado de Mato Grosso, contudo Adriana destaca a necessidade de
mais união entre as associações.

Sob sua presidência realizou-se, no dia dois de agosto deste ano, um movimento
das esposas de policiais militares reivindicando o cumprimento do acordo de reposição
salarial entre o Governo do Estado e os servidores militares. Essa ação de caráter
reivindicatório em prol a situação dos militares constituiu-se na ocupação da sede do Corpo
de Bombeiros, no esvaziamento de pneus de viaturas policiais e no impedimento de que os
militares entrassem em serviço já que suas fardas foram molhadas por suas esposas com essa
finalidade. As fardas dos policiais militares, molhadas e sujas de farinha de trigo, foram
31

estendidas na sede do 5º Batalhão da Polícia Militar, porém por determinação do Comando, os


militares acabaram saindo para trabalhar sem fardas durante uma semana.

Questionada sobre esta manifestação, cujo foco foi a divisão do pagamento do


aumento conquistado pelos militares, Adriana ressalta:

A negociação que foi feita ano passado foi que concedessem o aumento para
os oficiais e, para o primeiro trimestre desse ano, fosse dado o aumento em
proporção para os praças. Em momento nenhum foi falado que iria ser
divido em três anos, e se você dividir as porcentagens vai dar mais ou menos
trinta por cento, então estamos lutando pelos trinta por cento integral, e não
dividido em três anos.

Luciana Menezes Gonçalves

“Que nós mulheres e esposas possamos dar continuidade a


essa luta, porque os militares precisam de nós.”

Natural de Coxim-MS, Luciana Menezes Gonçalves mudou-se para Rondonópolis


no ano de 1985 e desde este período esteve associada à AFAMIRS-MT. Casada há 12 anos,
mãe de três filhos, participou ativamente da Associação inicialmente como tesoureira
provisória no ano de 1999 seguindo como efetiva por dois anos. Dessa forma Luciana pôde
acompanhar de perto as principais reivindicações da AFAMIRS, principalmente em relação à
jornada de trabalho dos seus maridos e às estressantes relações tanto dos militares
subordinados como da Associação com o Comando Geral.

Luciana diz que as relações das mulheres com os superiores no que diz respeito às
reivindicações dos direitos dos seus esposos nunca foram amistosas.

Nunca foi amigável, até mesmo porque a gente batia de frente. Eles diziam
não, nós dizíamos sim. Nós estávamos sempre rebatendo porque sabíamos
que aquilo que os militares tinham não estava de acordo com o que a família
necessitava.

Por seu depoimento percebe-se que os problemas enfrentados pelos militares e sua
impossibilidade de agir diante disso são sentidos também pela família, fator este amenizado
32

com a possibilidade de discussões e debates no interior da Associação, fazendo com que todos
tenham conhecimento da situação vivida.

Nossos maridos nem tem tinham tempo de ir para casa, deixava mulher e
filhos de lado, o marido estava sempre nervoso... Quantas vezes meu marido
chegou estressado em casa e eu não sabia o motivo. Só fui descobrir depois
que passei a fazer parte da Família e me inteirar aos assuntos que até então
eu nem sabia.

Quando questionada sobre o principal sentido que ela vê na criação da Associação


da Família Miliciana Luciana responde:

Acredito que pelas condições precárias que os policiais militares estavam


passando na época, sem direitos, somente deveres e obrigações a cumprir.
Sem falar nos baixos salários, a falta de condições adequadas, de tempo pra
família, descanso, resgate das energias para trabalhar... Então acredito que
foram por esses motivos.

Rosilene da Silva Andrade

“Eu já vi, não somente militares, mas também a sociedade discriminar


policiais femininas porque acha que mulher é inferior ao homem,
então não dá credibilidade.”

Mato-grossense, nascida no município de Naboreiro, é associada à AFAMIRS há


aproximadamente cinco anos. Casada há 11 anos e mãe de um filho, Rosilene está concluindo
o curso de História na UFMT, Campus de Rondonópolis e atualmente trabalha como agente
de saúde nesta cidade.

Enquanto esposa de militar Rosilene Andrade fala dos seus medos e angústias
devido aos perigos que seu marido corre no exercício de suas funções, desde a hora de sua
saída até retorno ao lar. Para ela a vida dos militares está em jogo o tempo todo e ressalta que
para desenvolver e manter essa profissão “tem que ter mesmo gosto pelo cargo que ocupa,
pela profissão, porque o salário não compensa”.

Quanto a essa preocupação com os danos que o serviço militar provoca no


indivíduo, Rosilene atenta ainda para a necessidade de haver um acompanhamento
psicológico a esses profissionais que muitas vezes encontram-se estressados, mal humorados,
33

podendo ocorrer até certa agressividade tanto no seu período de trabalho quanto nos períodos
de folga.

Perguntada acerca dessa última manifestação do dia dois de agosto e sua


participação no movimento ela descreve:

O policial militar é impedido de fazer greve, porque o regimento militar não


aceita esse tipo de coisa, então o que fazemos? Como esposas, molhamos as
fardas para evitar que os policiais saíssem às ruas, mas esse movimento não
foi pra frente porque os policiais acabaram trabalhando sem as fardas...
Trabalhando normalmente... Mas tentamos impedir mesmo: era farda dentro
do balde, fardas penduradas naquele varal que vocês viram que passou no
jornal. E era pra chamar atenção mesmo que a situação não estava boa, nem
em Rondonópolis e nem no Mato Grosso. O movimento foi um pouco fraco
porque outras entidades não aderiram, então, como uma andorinha só não faz
verão, o movimento acabou sendo enfraquecido.

Nas falas das entrevistadas evidenciamos o esforço e a dedicação dessas mulheres para
com a AFAMIRS-MT na ação pelos direitos de seus maridos e filhos, e as dificuldades e
desafios vivenciados no cotidiano em busca de benefícios para a Família Miliciana. Em seus
depoimentos por vezes emocionados, trazem também a força, a garra, e a alegria de quem
quer construir vidas diferentes, com mais igualdade e dignidade. Mulheres que nas falas,
olhares e gestos demonstram seu potencial, criatividade e astúcia e, embora o objetivo
principal da Associação seja a busca por melhor qualidade de vida de soldados, cabos e
sargentos, a ação dessas mulheres configura-se também em luta pelo respeito à identidade e à
alteridade.
34

Considerações finais

A conquista de um espaço de destaque para a mulher na sociedade atualmente já


está consolidada. Contudo, perduram, ainda que de maneira disfarçada ou invisível, formas de
violência e desvalorização com base em um discurso que naturaliza a discriminação da
mulher frente ao homem.

Esse discurso está de tal forma internalizada em nossa sociedade que é difícil à
própria mulher romper com a imagem de desvalorização de si mesma por ela introjetada. Na
maioria dos casos a mulher aceita como natural sua condição de subordinada e acaba
incorporando e retransmitindo a imagem de si criada pela cultura que a discrimina.

Apesar dessa permanência muitas mulheres têm desempenhando importantes


papéis sociais nos mais variados espaços, defendendo seus interesses pessoais e políticos, e
ainda conciliando essas atividades com o fato de serem, em muitos casos, mães e esposas.

A presença feminina no cenário das lutas militares pode ser vista como mais uma
contribuição efetiva para que a sociedade e as diferentes instituições se interessem pelo que
essas mulheres reivindicam, influindo na quantidade e na qualidade da sua participação na
disputa e na prática política, esforços esses que contribuem para a construção de novas
posturas mais igualitárias.

O caso das mulheres de militares da cidade de Rondonópolis, não é diferente da


maioria das mulheres do país. Como no caso que se evidenciou no momento da fundação da
AFAMIRS, em 1987, o processo de inclusão e de participação dessas mulheres na vida
pública se dá na medida em que elas começam a se organizar, partindo de necessidades e
conquistas imediatas, dos conflitos que se sucedem no dia-a-dia.

A luta pelos direitos dos militares configura-se também em luta pelo respeito ao
indivíduo e à cidadania. Mesmo diante das penalidades infligidas aos seus maridos em
retaliação às suas atitudes de enfrentamento às ordens superiores – como, por exemplo, as
ameaças ou a efetiva transferência de militares para outras cidades, dificultando ainda mais a
vida do casal devido à distância entre a casa e o trabalho, abalando dessa forma a estrutura
familiar – as vozes femininas que não se intimidaram, nem se calaram.

Ainda que possuam, dentro de suas casas, “uma patente a mais na hierarquia”, não
é fácil para essas mulheres conseguirem, nas ruas, o imediato respeito e execução de suas
35

reivindicações. Os obstáculos que enfrentam para que suas exigências tenham legalidade
jurídica, principalmente no interior da instituição militar, não está desvinculado dos
preconceitos fortemente arraigados à nossa sociedade acima discutidos. Os estranhamentos e
desconfortos gerados pelo envolvimento feminino nas questões de interesse dos militares,
relatados pelas mulheres aqui entrevistadas, refletido nas perseguições aos maridos das
associadas que estavam à frente dos movimentos e na discriminação por parte dos superiores,
tanto com militares de patentes inferiores quanto com suas representantes, é um sintoma
disso.

Atitude como essas vivenciadas pelas associadas da Família Miliciana e por


muitas mulheres nas diversas esferas do poder são ainda, resquícios de uma cultura que
historicamente determinou aos homens e às mulheres papéis diferenciados no processo de
construção social, onde os homens foram formados para atuar nos espaços públicos e as
mulheres nos espaços privados (lavar, passar, cuidar da casa, da comida e dos filhos).

Vale ressaltar que essa situação não se restringe às mulheres da família miliciana
da cidade de Rondonópolis – MT, essa é a luta de todas as mulheres que, nas falas, gestos e
olhares querem mudar a história. Mulheres que trazem a força, a garra e alegria de quem quer
construir uma vida com mais igualdade e dignidade.

As ações dessas mulheres servem de exemplos a outras mulheres, que não


somente se solidarizam com a associação, mas também passam a perceber-se como sujeitos
participativos na construção da sociedade, levando em conta que o mundo é feito de mulheres
e homens e há que respeitá-los de igual forma.

Finalizando este trabalho, gostaria de expor aqui minha inquietação pessoal


concluí-lo, visto que ainda existe muita discussão acerca dessa problemática, dadas as
múltiplas possibilidades de estudos que o tema permite. A escassez do tempo em que tive de
realizar este trabalho, conseqüente da minha própria dificuldade em definir e delimitar esta
temática, fez com que muitas das reflexões que ora apresento não pudessem ser amadurecidas.
Além disso, enfrentei grande dificuldade de obtenção de bibliografias específicas sobre os
militares, visto que, os estudos acadêmicos relacionados ao militarismo são ainda, poucos e
recentes. Deixo aqui evidenciada a riqueza do tema, a variedade de discussões que ele permite
e a importância de um aprofundamento de sua análise para a compreensão das relações sociais
e do papel feminino no interior da ordem militar.
36

Referências Bibliográficas

ARAÚJO, Laci Maria (org.). UFMT – Campus de Rondonópolis – 30 anos de História 1976
– 2006. Cuiabá: EdUFMT, 2006.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. 2.ed. rev.
São Paulo: Brasiliense, 1995.

GINSBURG, Carlo. “Sinais: raízes de um paradigma indiciário”. In: Mitos, emblemas e


sinais: morfologia e história. Tradução de Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das
Letras, 1990, pp. 143-179.

GUIMARÃES, Maria Eunice Pereira. As Mulheres Pescadoras Profissionais de


Rondonópolis-MT. Monografia de final de curso da Turma de História 2006. UFMT
Rondonópolis-MT.2006.

CASTRO, Celso. O espírito militar. 2ª ed. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2004.

GOUVEIA, Nelcimar Coelho de Freitas. A Mulher Barra-garcense e sua Presença no Lar e


no Mercado de Trabalho. Monografia Para obtenção do titulo de Especialista em Teoria da
História e História Regional. Turma de 2003. UFMT Barra do Garças - MT.

MARTINS, Eliezer Pereira. Direito Constitucional Militar. In: Direito Militar: História e
Doutrina – artigo inédito. p.192 – 196.

PERROT, Michelle. História das mulheres no ocidente. Porto: Afrontamento, 1990, 5 v.

ROCHA, Fátima Carvalho. A Comissão Promotora dos Direitos Cívicos dos Militares em
Ponta Delgada, pp.1–3. In: http.//www.ans.pt/imagens/CPDCMManifComissaoPontaDelgada
.pdf. Consulta realizada dia 12/11/2008.

ROSA, Alexandre Reis. (O) Braço Forte, (A) Mão Amiga: um estudo sobre a dominação
masculina e violência simbólica em uma organização militar. Lavras, UFLA, 2007.
(Dissertação de mestrado).

PIERRE, Bourdieu, A Dominação masculina/Pierre Bourdieu; tradução Maria Helena 3ª Ed.-


Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

MARIA, Célia. Machismo em Rondonópolis: Exploração. Dominação. Preconceito e


Discriminação. História/ICHS/UFMT. 2001. Passim. Mimeo.
37

Fontes:

Estatuto Social da Associação da Família Miliciana da Região Sul de Mato Grosso, 1987.

Estatuto Social da Associação da Família Miliciana da Região Sul de Mato Grosso,


reformulado no ano de 2002.

Jornal A Gazeta de Cuiabá em 02 de setembro de 1993

Entrevistadas:

Adriana Soares da Silva Brasil. Presidente da Associação da Família Miliciana da Região Sul
de Mato Grosso de 20 de Fevereiro de 2008 até os dias atuais. Entrevista concedida no dia 04
de novembro de 2008, na sede da AFAMIRS-MT.

Creuzilene Bispo Primo dos Santos. Secretária da Associação da Família Miliciana da Região
Sul do Estado de Mato Grosso. Entrevista concedida no dia 23 de agosto de 2008.

Dalva Rosa de Oliveira Silva. Primeira presidente da Associação da Família Miliciana da


Região Sul de Mato Grosso, no período de 16 de abril de 1987 a 01 de abril de 1989.
Entrevista concedida no dia17 de outubro de 2008, em sua residência.

Luciana Menezes Gonçalves. Tesoureira da Associação da Família Miliciana da Região Sul


do Estado de Mato Grosso de 26 de setembro de 1999 a 2003. Entrevista concedida no dia 04
de outubro de 2008.

Márcia Carmo Silva Cavalcante. Presidente da Associação da Família Miliciana da Região


Sul do Estado de Mato Grosso de 26 de Setembro de 1999 a 20 de Fevereiro de 2008.
Entrevista concedida na sua residência, no dia 13 de outubro de 2008.

Prof ª Drª Lázara Nanci Amâncio de Barros, presidente provisória da Associação da Família
Miliciana da Região Sul do Estado de Mato Grosso no período de 20 de junho 1993 até 17 de
outubro 1993. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2008, no Departamento de
Pedagogia da UFMT, campus de Rondonópolis.

Rosilene Andrade da Silva. Membro associado à Associação da Família Miliciana da Região


Sul do Estado de Mato Grosso. Entrevista concedida no dia 04 de novembro de 2008, nas
dependências da UFMT, campus de Rondonópolis.
38

Anexo
39

Relação dos membros das diretorias da Associação da Família Miliciana da Região Sul
do Estado de Mato Grosso (AFAMIRS-MT), desde sua fundação em 1987 até 2008.

Fonte: Livro Ata da Associação

16 de abril de 1987 - Primeira Diretoria da (AFAMIRS-MT) .

Dalva Rosa de Oliveira Silva (Presidente), Gláucia da Silva Leite (Vice-presidente), Rudinete
Souza Machado (1ª Secretária), Dalva Lima Pereira (2ª Secretária), Ivone Aparecida Santos
Fernandes (1ª Tesoureira), Eva Rodrigues Caetano (2ª Tesoureira).

Membros presentes:

Carmelinda de Souza Soares, Helena Maria Barbosa Cunha, Celina Fernandes Cavalcante,
Juleiva Vanderley Cândial, Ivonete Pereira do Nascimento, Roseli Balestrim Gomes, Judite
Cardoso Gonçalves, Lenilda Siqueira de Oliveira, Márcia Regina Possates, Maria Albertina de
Oliveira Lima, Luzinete Ferreira dos Santos, Adália Rodrigues de Oliveira, Alexandrina Laura
Farias, Jucéia Maria de Oliveira Lima, Genilde Resende da Silva, Valmira Araújo da Silva,
Jocenira Maria da Silva Xavier, Elza Andrade de Oliveira, Anália dos Santos Almeida, Maria
das Neves Gomes Viana de Jesus, Maria, Maria Delcina Duarte da Silva, Neuzelita F. de
Souza, Maria Rosalina Nunes, Mesina Tereza Ramos, Maria Aparecida Augusta Dores, Lúcia
Helena Ribeiro Nunes, Dina Maria Pereira, Sebastiana.

21 de abril de 1987 - Reunião na cidade de Alto Araguaia. Pauta: Escolha dos


representantes da AFAMIRS-MT.

Representante eleita: Diva Maria.

Membro presentes:

Rudinete Souza Machado, Neuzelita F. de Souza, Maria Rosalina Nunes, Mesina Tereza
Ramos, Maria Aparecida Augusta Dóris, Lucia Helena Ribeiro Nunes, Diva Maria Pereira,
Sebastiana, Dalva Rosa de Oliveira.
40

1º de abril de 1989 – Reunião da Assembléia Geral para eleição da 2ª Diretoria da


AFAMIRS-MT.

Valmira Araújo da Silva (Presidente), Josira Maria da Silva (vice-presidente), Gildete


Rezende de Souza (1ª Secretária), Vanderléia Souza Borges (2ª Secretária), Edna de Barros
(tesoureira).

Membros presentes:

Rudinete Souza Machado, Ivone Aparecida dos Santos Fernandes, Dalva Rosa de Oliveira,
Eva Rodrigues Caetano, Ivone de Souza Menezes, Leine Arivalo Fontes, Ananete Ribeiro
Silva, Meirinil Barros da Silva, Vanderléia Souza Borges e mais duas pessoas cujas
assinaturas não permitiram a identificação de seus nomes.

20 de junho de 1993 – Eleição da presidência provisória da AFAMIRS-MT

Lazara Nanci Amâncio de Barros (Presidente), Valdete dos Santos Pedroso (Vice-presidente),
Eliane T. de Souza (1ª Secretária), Fátima Soares da Silva (2ª Secretária), Maria A.S. Silva (1ª
Tesoureira), Ivone da Silva Menezes (2ª Tesoureira).

Conselho Fiscal: Ananete R. da Silva; Josira Maria da Silva, Sônia R. A. Silveira.

Suplentes: Maria Socorro S. Dias, Eni Miranda de Morais, Josenita R. da Silva.

Conselho Deliberativo: Nilva A. Coelho; Eva Aparecida Coleto, Aparecida Medeiros, Zaíra
C. Oliveira, Edener de Barros, Maria de Lurdes M. dos Santos, Leonice G. Barbosa, Analice
S. A., Marilda S.L.C.

Membros presentes:

Marilda da Silva Leite Costa, Aparecida Medeiros, Luzia Valdete dos Santos Pedroso, Maria
do Socorro S. Dias, Maria de Lurdes M. Santos, Edener de Barros, Joselita R. da Silva,
Ananete R. da Silva, Sonia R.A. Silveira, Fátima Soares da Silva, Zaíra Carmo Oliveira,
Diaura Carmo Sampaio, Ivone de S. Menezes, Maria Nilva de A. Coelho, Eva Aparecida
Coleto, Dejanir P. Freitas Farias, Josira Maria da Silva, Leonice Gomes Barbosa, Analice dos
Santos Almeida, Maria de Lourdes Mello Santos, Eni Miranda de Moraes, Maria A. S. Silva,
Lazara Nanci de Barros Amâncio, Eliane Tavares de Souza.
41

17 de outubro de 1993 – Reunião para Eleição da Nova Diretoria

Fátima Soares da Silva (Presidente), Edna Estevan Nascimento (Vice-presidente).

Membros presentes:

Maria A.S. da Silva, Ivone da Silva Menezes, Ananete Ribeiro da Silva, Luzia Valdete dos
Santos Pedroso, Edna Estevan do Nascimento, Dalva Rosa de Oliveira Silva, Maria Nilva
Alves Coelho, Eni Miranda de Moraes, Fátima Soares da Silva, Veronice Maria da Silva
Santos, Sonia R.A. Silveira, Sirleide Olmingo da Silva.

Relação das 70 senhoras que compareceram na Praça para possível Greve no dia 11 de
fevereiro de 1994, na ordem de assinatura da Ata:

Eliane Tavares de Souza, Márcia Cristina de Jesus Moura, Ananete Ribeiro da Silva,
Aparecida rocha oliveira, Jacira Maria da Silva, Maria Nilva Alves Coelho, Maria de Fátima
Soares da Silva, Jocenira Maria da Silva Xavier, Leonice Gomes Barbosa, Ádila Ribeiro da
Silva, Claudinéia Alves da Silva, Tatiane Alves da Silva, Cristiane Ribeiro da Silva, Gislaine
Queiroz de Souza, Regina Maria Costa dos Anjos, Eliane Queiroz de Souza, Edna, Rita, Ivani
Rodrigues de Carvalho, Maria Pereira de Carvalho, Somislaine Lopes da Silva, Geni F. Alves,
Marilda Auxiliadora Tomé Rodrigues, Ivone da Silva Menezes, Joana Dias de Oliveira,
Eunice Alves de Oliveira, Marlene F. Dantas, Simone Helena do Nascimento, Rosa Ferreira
Santana, Marli Alves de Jesus, Zilda Moreira Manescos, Sueli Aparecida Pereira Sales, Lara
Aparecida O. Silva, Lazara Nanci Amâncio de Barros, Edna Nascimento, Eni Soares
Mesquita, Maria Marfisa Vilela, Maria Francisca dos Santos, Adélia R. Oliveira, Sirleide
Almindo da Silva, Elizdete Pontes, Veronice Maria da Silva Santos, Neuzeri Paiva Maia,
Dalva Rosa de Oliveira Silva, Vanilde R. Araújo, Valdecy Bernardes da Silva, Luzia Valdete
Santos Pedroso, Suelimalia R. Miranda, Maria Helena do Nascimento.

Mulheres da cidade de São José do Povo:

Delanir Pereira Dantas, Maria Ivone Braga, Herita Flávia Alves de Oliveira, Irene Barbosa da
Silva, Eliz Regina Resende Barbosa, Lidia Souza de Jesus, Maria de Lourdes Guimarães
Rodrigues, Meirinil Barros da Silva, Marines F. Silveira Matos, Eni Miranda de Moraes.
42

11 de setembro de 1999 – Eleição de Comissão Provisória

Aurora Alves de Lima (Presidente) Sueli Campello Revoredo (Secretária) Luciana Menezes
Gonçalves (Tesoureira).

Membros presentes:

Aurora Alves de Lima, Geni Ferreira Alves Ueda, Rosangela Ferreira Domingues, Edna Maria
de Melo Leite, Ana Rita A. Duardo, Valdineth Camargo Nonato, Ana Lucia Jesuino, Luciana
Menezes Gonçalves, Jucelia Maria Andrade, Leonora da Silva Souza, Devanira da Silva,
Maria Vilma Pereira do Nascimento, Elenir de Souza Correa, Rosa Ferreira Santana,
Osmarina Aparecida Gasparin Jacinto, Maria Aparecida Almeida de Souza, Maria Rosa Alves
Delgado, Luzenilda Francisca, Maria de Santos, Márcia S. Fernandes, Darcilene Soares de
Oliveira, Ângela Aparecida de Azevedo, Maria Leila C. Rodrigues Lopes, Valdeci Bernardes
da Silva.

26 de setembro 1999 – Comissão Eleitoral para eleição de Nova Diretoria

Valdeci Bernardes da Silva (Presidente), Irene Barbosa da silva (Secretária).

Suplente: Sônia Alves Silveira.

Membros presentes: Sueli Campelo Revoredo, Aurora Alves de lima, Cleonice R. S. Sales,
Maria Vilma Pereira do Nascimento, Maria Aparecida Almeida Souza, Irene Barbosa da Silva,
Rosa Ferreira Santana, Valdecy Bernardes da Silva, Maria Rosa Alves Delgado, Devanira da
Silva, Maria Divina Santos, Luciana Menezes Gonçalves.

Resultado da Eleição realizada na Escola Sagrado Coração de Jesus:

Márcia Carmo Silva Cavalcante (Presidente), Geni Pereira Alves Veda (Vice-presidente),
Sueli Campelo Revoredo, Nilva de Souza Martins Rodrigues (Secretarias), Luciana Menezes
Gonçalves, Silvanir Aparecida Souza (Tesoureiras).

Conselho Fiscal: Aurora Alves de Lima, Maria Rosa Alves Delgado, Maria Aparecida
Almeida de Souza.

Suplente do Conselho Fiscal: Cleonice Rodrigues do Santos Sales, Rosa Pereira Santana.
43

Membros presentes:

Vanderleia de Souza Borges, Cleonice Rodrigues dos Santos Sales, Maria Aparecida Almeida
Souza, Sonia R.A. Silveira, Sueli Campelo Revoredo, Valdecy Bernardes da Silva, Silvana
aparecida de Souza, Irene Barbosa da Silva, Patrícia Veiga da Silva Cunha, Maria Sandra
Ribeiro da Silva, Ivone Aparecida Santos Fernandes, Aparecida Medeiros, Márcia Carmo
Silva Cavalcante, Maria Rosangela Alves da Silva, Maria de Jesus C. do Amaral, Fucuco
Ueda, Maria Coimbra do Amaral, Enile Brasileira de Zeliveira Souza, Rosa Ferreira Santana,
Maria Vilma Pereira do Nascimento, Elenice Feitosa do Nascimento Cavalcante, Luzenilda F.
Custódio, Geni Ferreira Alves Ueda, Maria Rosa Alves Delgado, Márcia S. Fernandes, Maria
Auxiliadora Borges, Maria da Silva Macedo, Ana Maria Moraes Santos, Maria da Gloria R.
dos Santos, Leonora da Silva, Osmarina Aparecida Gasparin, Ângela Aparecida de Azevedo,
Edna Maria de Mello Leite, Valdineth Camargo Nonato, Rosangela Ferreira Domingues,
Hosana Souza S. Domingues, Nilva de Souza Martins Rodrigues, Edileuza Leonel dos Santos,
Maria Divina Santos, Luzinete Maria da Silva, Maria Lucia Jesuíno, Maria Francisca Santos.

07 de novembro de 1999 – Entrega do cargo de vice-presidente

Geni Alves Ueda e toma posse como vice- presidente: Sônia Regina Alves Silveira.

Membros presentes:

Sueli Campelo Revoredo, Márcia Carmo Silva Cavalcante, Veronice Maria da Silva Santos,
Joselita R.da Silva, Maria Aparecida Almeida Souza, Maria Vilma Pereira do Nascimento,
Rosa Ferreira Santana, Vanderly Rosa dos Santos, Nilva de Souza Martins Rodrigues, Silvana
Aparecida de Souza, Sonia R. A. Silveira, Luciana Menezes Gonçalves, Geni F.A. Ueda,
Maria Rosa Alves Delgado, Vomizdia S. Santana, Valdecy Bernardes da Silva.

18 de março de 2000 – Reunião realizada no Destacamento de Alto Araguaia para escolha


de uma representante para diretoria do Conselho de Promoções Sociais de Segurança
Comunitário

Lucia Nunes Carvalho do nascimento (Presidente), Regimeire Oliveira de Lima (Secretaria),


Patrícia O. M. Rodrigues (Tesoureira).
44

Membros presentes:

Sueli Campelo Revoredo, Márcia Carmo Silva Cavalcante, Patrícia O.M. Rodrigues, Lucia
Nunes Carvalho Nascimento, Luciana Menezes Gonçalves, Lucia Helena, Vanderly Carrijo,
Luna Zaud da Silva, Regimeire Oliveira Lima.

06 de maio de 2000 – Reunião de reativação da Associação e eleição Comissão Provisória


da cidade de Barra do Garças

Nilva lima da Silva Araújo (Presidente), Elizabeth Moreira de Freitas (Secretária).

Conselho Fiscal: Zilda Novato Santiago, Elza Monteiro Negre, Nilza Rodrigues de Souza.

Membros presentes:

Sueli Campelo Revoredo, Márcia Carmo Silva Cavalcante, Manoel Cilenio Lopes de Souza,
Wilker Soares Sodré , Nilva Lima da Silva Araújo, Aldegenivan de Almeida Branca, Maria
das Dores Rezende, Aldete da Silva Lima, Sheila de Oliveira Nunes, Alexandra Ribeiro Porto
do Couto, Antonia Pereira Almeida, Rosalina Maria Vieira Faria, Neuza R. Souza, Lucidalma,
Elza Monteiro Negre, Irailde Dias C. Araújo, Elizabete Moreira de Freitas, Hildamar Rocha
da Silva, Valdeliz Nunes Viana Neta, Elma Maria C. Costa, Antonio Moreira Rosa.

14 de maio de 2000 – Reunião para organizar e eleger Comissão para Questões Sociais
AFAMIRS-MT

Poliana Laura, Gracielli Cristina Barbosa, Valdecy Bernardes da Silva.

08 de junho de 2000 – Reunião para escolha de representante na cidade de Rosário Oeste

Neyla Falcão Camargo Castil (Presidente), Lucimeiry Aparecida Lousada (vice-presidente),


Sueli Borges O. Pereira, Miguelina Maria de Toledo (Secretarias), Arenil Arruda dos Reis,
Sônia Edivirgens Barros Martins (Tesoureiras).

Conselho Fiscal: Rosinei Nunes Felício, Dircilene Matos Correa, Antônia Maria de Melo,
Marinalva Vieira de Souza.
45

Membros presentes:

Márcia Carmo Silva Cavalcante, Sueli Campelo Revoredo, Dircilene Matos Correa,
Miguelina Maria Toledo, Antônia Maria de Melo, Sueli B. de O. Pereira, Sonia Martins,
Marinalva Vieira, Lucia de Fátima Melo e mais cinco pessoas cujas assinaturas não
permitiram a identificação de seus nomes.

15 de julho de 2000 – Exposição de fardas molhadas, movimento registrado pela imprensa


local

Membros presentes:

Sueli Campelo Revoredo, Vamizolia Souza Santana, Márcia Carmo Cavalcante, Maria D.
Santos, Irene Barbosa da Silva, Maria Vilma P. Nascimento, Maria Aparecida C. Fraga,
Vanderly Rosa dos Santos, Vanderleia de S. Borges Santos, Tânia Aparecida Alves de Lara,
Maria Aparecida de Souza Moura, Neuza Braz da Silva Matos, Lizaide Ramos, Osmarina
Aparecida Gasparin Jacinto, Ananete Ribeiro da Silva, Elenir de Souza Correa, Rosangela
Maria Ferreira, Rosa Ferreira Santana, Maria Aparecida Almeida de Souza, Luciana Menezes
Gonçalves, Marlismar Leal Ramalho Silva, Pollyana L. Oliveira, Maria Lenalda C.
Rodrigues, Josiane Lenalda Rodrigues, Lucinéia, Tomé Rodrigues, Marilda A. Rodrigues,
Veronice Maria da Silva Santos, Iramides Gonçalves Damasceno, Laurenita Alves Gomes de
Lima, Ângela Damasceno da Silva, Valdineth Camargo Nonato, Jucelia Maria de Andrade,
Cristiane Machado de S. Almeida, Luzinette Santos Macedo, Joelma Pereira de Araújo Silva,
Perla Carvalho Santos, Terezinha Carvalho Santos, Aparecida Medeiros, Hermilia Carvalho
Santos, Izanete B. Santos, Luzia Nunes Silva, Patrícia Nayanne Gomes Lima, Edna R.
Laurence, Tereza Macedo da Silva Lourenço, Keli Dunker, Maria da Paz Gomes Viana, Elza
Andrade de Oliveira, Maria Auxiliadora Borges Macedo, Maria Aparecida da Silva, Ermita
Oliveira Barbosa, Ivone Aparecida Santos, Edna Estevan do Nascimento, Maria Marlisa
Vilela, Joana Dias de Oliveira, Eni Miranda da Silva, Maria Rosangela A. Da Silva Rocha,
Ana Lucia Jesuíno, Luize Jesuino Machado, Elizdete Ponte, Maria Jose Guimarães, Silvanira
da Silva , Maria de Lourdes Melo dos Santos, Janaina Santana da Silva, Adelita Santana,
Luciana Santana, Lurdes Ivo A. Silva, Josefa Duarte da Silva, Maria do Socorro Souza Dias
Queiroz, Roseni da Silva, Joana Castanho Rosa Nascimento, Edna Fragas A. Neves,
Luzenilda F. Custodio, Rosinete O. Barbosa, Luiza Pereira de Araújo, Maria das Graças
46

Barbosa, Maria da Gloria R. dos Santos, Maria Ivone Braga de Souza, Maria de Fátima da
Silva, Maria da Soledade da Silva Mota, Diana Fátima Dias, Maria Aparecida dos Santos,
Tereza Castro, Ana Maria Cristina Bento, Vanusa Francisco Porto Silva, Valdecy Bernardes
da Silva, Andrea Miranda Franco Moreno, Lindinalva Alves da Silva, Neuzeni Paiva Maia,
Maria da Silva Macedo, Alvina Calouro, Rita Maria Passos, Ivanilde A. Aguiar, Doralice Rosa
de Amorim, Rosicleia Pereira de Souza, Arinalva Santos de Lima, Marilza Lima de Souza,
Maria de Jesus C. do Amaral, Ednalva Araújo Mota, Edna C. Correa, Maria Vieira Santana,
Márcia R. dos Santos Souza, Maria Souza Oliveira, Fátima Rosa Vilela de Oliveira, Cristiane
Barcelos Fernandes, Edneilva Coelho de Almeida, Maria de Fátima da Silva, Solange Bertola
Moura, Maria Ocelia P. de Farias, Luciana Ormond Arenol, Márcia Magalhães de Souza,
Alessandra Ruiz de Souza, Rosana Claudia Anchieta de Souza, Marilda Pereira da Silva
Tessaro, Josnita Carmo Pedrosa.

Obs.: Até que o governador do Estado Dante de Oliveira tomasse posionamento favorável às
esposas dos policiais militares elas fecharam a entrada do Quartel do (5ºBPM), liberando
somente os policiais que faziam guarda na Penitenciária da Mata Grande.

20 de julho de 2000 – Reunião de adesão entre Esposas dos Policiais Militares da


AFAMIRS-MT e Esposas Bombeiros Militares, e posse da 1ª diretoria do Corpo de
Bombeiros

Eroene Martins de Souza (Presidente), Noemi Maria de Souza Cavalcante (vice-presidente).

Membros presentes:

Eroene Martins de Souza, Rubenilda Maria Ribeiro Dias, Maria pereira de Carvalho, Maria
Aparecida S. de Souza, Noemi Maria de Souza Cavalcante, Helaine Alves de Souza Oliveira,
Ângela Maria Ferreira Dias, Salvina Souza Silva, Tânia Regina Horacio de Souza, Geralda
Gomes A. de Souza, Fabiane de Jesus Moura, Aparecida Rocha, Márcia Cristina Moura,
Doralice Rosa de Amorim, Vomizolia Souza Santana, Maria de Lourdes Melo dos Santos,
Vanderli Rosa dos Santos, Maria de Fátima da Silva, Ednalva Araújo Mota, Joana C.R.
Nascimento, Maria Margarida de F. Florêncio, Luciene Silva Santos, Valdecy Bernardes da
Silva, Gercide Rosa da Silva, Tânia Regina Horacio de Souza, Iranides Gonçalves
Damasceno, Agda Eliane Araújo Meira, Márcia S. Fernandes, Maria Lucia O. Barbosa, Ivone
Aparecida dos Santos Fernandes, Lizaide Ramos, Joelma Pereira de Araújo Silva, Josefa
47

Duarte da Silva, Neuzeri Paiva Maia, Valdineth Camargo Nonato, Maria Marfisa Vilela,
Maria Vilma P. Nascimento, Valdirene Prada de Moraes, Maria de Lourdes Melo dos Santos,
Jucelia Maria Andrade, Maria da paz Gomes Viana, Ermita O. B., Aparecida Medeiros, Maria
Aparecida Fraga, Marlene de Jesus de Moraes, Luzia Nunes da Silva, Maria Aparecida Souza
Moura, Izanete B. Santos, Evanilda B. Santos, Maria E. Nascimento, Patrícia F. de Souza,
Rosangela F. Domingues, Luciene Rosa dos Santos, Carmen Cardoso de Sá, Ivonilde A.
Aguiar, Maria Linalda C. Rodrigues, Vanusa Francisca Porto Silva, Sandra Rodrigues do
Santos, Maria Rosa Rodrigues, Maria de Jesus C. do Amaral, Aparecida de Jesus Oliveira,
Rose D. S., Nice, Maria Souza Oliveira, Ana Maria Cristina Bento Soares, Márcia R. dos
Santos Souza, Maria do Socorro Souza, Vanusa da Silva Ribeiro, Maria de Pereira Siqueira,
Veronice Diária da Silva Santos, Rosa Ferreira Santana.

12 de outubro de 2001 – Reunião na cidade de Cáceres para a formação de chapa a ser


votada

Iviane (Presidente), Alvani (Vice-presidente), Marilene (Secretária Geral) Cleide


(Tesoureira).

Relações públicas: Cleurice, Anilce, Rosangela.

Suplente: Zenilda, Fátima.

20 de janeiro de 2002 – Reunião para eleição da Nova Diretoria na cidade de Jaciara-MT

Helena Tereza Herbes (Presidente), Alcimar Gonçalves Leal, Maria Elizabete (Secretárias),
Maria Aparecida Martins, Maria Aparecida de Oliveira Lima Silva (Tesoureiras).

Assessora Jurídica: Oderly Maria Ferreira Lacerda

Membros presentes:

Elena Tereza Herbes, Ivaneis Souza Matos, Kelly Cristina Souza Cunha, Celcimar G. Leal,
Edileuza Medrado da Silva, Maria Aparecida Oliveira Lima da Silva, Maria Elizabete de
Carvalho, Mathildes Torsani Soares, Roseli B. Gomes, Sebastiana Rosa Alves, Judite Cardoso
Gonçalves, Sidineia L.S. Lima, Maria Aparecida M. Rocha.
48

13 de fevereiro de 2002 – Reunião na Cidade Primavera do Leste para escolha de


representantes da AFAMIRS-MT

Valdenice Aguiar da Silva (Secretaria), Esmeralda Paes de Barros, Rosangela Anderson


(Tesoureiras).

Membros presentes:

Valdete Carmo da Silva, Márcia Carmo Silva Cavalcante, Valdenise Aguiar da Silva, Luzia
Alencar, Deusilene A. Araújo, Rosangela Anderson, Helena Lopes, Silvete B., Esmeralda Paes
de Barros.