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Livro Eletrônico

Aula 00

Direito Tributário p/ TRF 3ª Região (Analista Jud-Área Jud e Oficial de Justiça) Com

videoaulas-2018

Professor: Fábio Dutra

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Prof. F·bio Dutra Aula 00 Aula 00: Conceito, EspÈcies e ClassificaÁ„o dos tributos Sum·rio APRESENTA«

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Aula 00: Conceito, EspÈcies e ClassificaÁ„o dos tributos

Sum·rio

APRESENTA« O DO CURSO

3

CRONOGRAMA DO CURSO

4

1 - NO«’ES INTRODUT”RIAS

5

1.1 - O Direito Tribut·rio

5

1.2 - Receitas P˙blicas

7

2 - CONCEITO DE TRIBUTOS

0

11

2.1 - PrestaÁ„o pecuni·ria em moeda ou cujo valor nela se possa

11

2.2 - PrestaÁ„o CompulsÛria

14

2.3 - PrestaÁ„o instituÌda em

15

2.4 - PrestaÁ„o que n„o constitui sanÁ„o de ato ilÌcito

16

2.5 - PrestaÁ„o cobrada mediante atividade administrativa plenamente

17

3 - NATUREZA JURÕDICA DOS TRIBUTOS

18

4 - ESP…CIES DE TRIBUTOS

22

4.1 - Impostos

22

4.1.1 - Os impostos e o princÌpio da capacidade contributiva

25

4.1.2 - Os impostos e a lei complementar

26

4.1.3 - Os Impostos e o princÌpio da n„o afetaÁ„o (ou n„o vinculaÁ„o)

26

4.2 - Taxas

28

4.2.1 - Taxas de serviÁos

29

4.2.2 - Taxas de polÌcia

34

4.2.3 - Base de c·lculo das taxas

36

4.2.4 - Taxas e PreÁos P˙blicos

38

4.3 - ContribuiÁıes de Melhoria

41

4.4 - EmprÈstimos CompulsÛrios

46

4.5 - ContribuiÁıes Especiais

49

4.5.1

- ContribuiÁıes Sociais

52

4.5.1.1 - ContribuiÁıes de seguridade social

52

4.5.1.2 Outras contribuiÁıes sociais

55

4.5.1.3 ContribuiÁıes Sociais Gerais

56

55 4.5.1.3 に ContribuiÁıes Sociais Gerais 56 Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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4.5.1.3.1 Natureza JurÌdica do FGTS

57

4.5.2 - ContribuiÁıes de IntervenÁ„o no domÌnio econÙmico

58

4.5.3 ContribuiÁ„o para o Custeio do serviÁo de IluminaÁ„o P˙blica

60

4.5.4 ContribuiÁıes Corporativas

61

4.5.4.1 - ContribuiÁıes para o custeio dos conselhos de fiscalizaÁ„o e regulamentaÁ„o de categorias profissionais

62

4.5.4.2 - ContribuiÁıes Sindicais

62

5 - CLASSIFICA« O DOS TRIBUTOS SEGUNDO A DOUTRINA

66

5.1 - ClassificaÁ„o quanto ‡ hipÛtese de incidÍncia

66

5.2 - ClassificaÁ„o quando ao destino da arrecadaÁ„o

67

5.3 - ClassificaÁ„o quanto ‡ finalidade

68

5.4 - ClassificaÁ„o quanto ‡ possibilidade de transferÍncia do encargo tribut·rio

68

5.5 - ClassificaÁ„o quanto ‡ variaÁ„o de alÌquotas

69

6 - QUEST’ES COMPLEMENTARES COMENTADAS

72

NoÁıes IntrodutÛrias e Conceito de Tributos

72

Natureza JurÌdica dos Tributos

73

Impostos

75

Taxas

76

ContribuiÁıes de Melhoria

83

EmprÈstimos CompulsÛrios

86

ContribuiÁıes Especiais

88

ClassificaÁ„o dos Tributos

92

7 GABARITO DAS QUEST’ES COMPLEMENTARES

94

8 RESUMO DOS ASSUNTOS MAIS IMPORTANTES

95

NoÁıes IntrodutÛrias Conceito de Tributos Natureza JurÌdica dos Tributos Impostos Taxas ContribuiÁıes de Melhoria EmprÈstimos CompulsÛrios ContribuiÁıes Especiais ClassificaÁ„o dos Tributos

ContribuiÁıes Especiais ClassificaÁ„o dos Tributos Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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APRESENTA« O DO CURSO

… com enorme prazer e satisfaÁ„o que lanÁo mais um curso aqui no EstratÈgia Concursos, dessa vez direcionado ao cargo de Analista Judici·rio, do TRF 3™ Regi„o, atendendo ‡s seguintes ·reas, pelo fato de as ementas serem idÍnticas:

£rea Especialidade Judici·ria Sem Especialidade Judici·ria Oficial de JustiÁa に Avaliador Federal
£rea Especialidade Judici·ria Sem Especialidade Judici·ria Oficial de JustiÁa に Avaliador Federal

£rea

Especialidade

Judici·ria

Sem Especialidade

Judici·ria

Oficial de JustiÁa Avaliador Federal

O ˙ltimo concurso ocorreu em 2013 e foi realizado pela banca FundaÁ„o Carlos Chagas (FCC). Esta banca ultimamente tem elaborado questıes com consider·vel nÌvel de dificuldade, o que justifica uma preparaÁ„o de alto nÌvel para o certame!

Vamos realizar um curso completo, abordando todos os detalhes necess·rios para se fazer uma excelente prova! Vamos aproveitar desse razo·vel tempo que temos atÈ a data de aplicaÁ„o S;ゲàヮヴラ┗;ゲàヮ;ヴ;àaキI;ヴàさcraqueざàWマàDキヴWキデラàTヴキH┌デ=ヴキラàWがàマ;キゲàキマヮラヴデ;ミデWがàmandar muito bem nessa prova. Combinado?

Portanto, vamos destacar alguns dos diferenciais deste curso:

Material em PDF tÈorico completo focado no edital do concurso, com in˙meras questıes de provas anteriores da banca FCC, todas elas devidamente comentadas;

Videoaulas com acesso ilimitado;

FÛrum de d˙vidas, com o objetivo de sanar eventuais d˙vidas que vocÍ tenha na compreens„o do conte˙do estudado;

VÌdeos complementares ao longo do material, com acesso mediante QR Codes.

Agora, permita-me fazer uma breve apresentaÁ„o pessoal: meu nome È F·bio Dutra. Sou Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, lotado na Delegacia da Receita Federal em Osasco SP.

Sou tambÈm pÛs-graduando em Direito Tribut·rio. Fui aprovado no concurso de Auditor- Fiscal da Receita Federal do Brasil de 2012, tendo alcanÁado a 28™ posiÁ„o nesse certame extremamente difÌcil. Sou ainda coautor de diversas livros de questıes comentadas de Direito Tribut·rio pela Editora JusPodivm.

Destaco que o Ìndice de aprovaÁ„o dos meus cursos aqui no EstratÈgia Concursos È muito prÛximo de 100%, sendo que em alguns deles alcanÁamos a aprovaÁ„o un‚nime dos alunos. Portanto, tenha certeza de que vocÍ est· adquirindo um material de excelente qualidade!

ObservaÁ„o Importante: Este curso È protegido por direitos autorais (copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a legislaÁ„o sobre direitos autorais e d· outras providÍncias.

Grupos de rateio e pirataria s„o clandestinos, violam a lei e prejudicam os professores que elaboram os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe, adquirindo os cursos honestamente atravÈs do site EstratÈgia Concursos.

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CRONOGRAMA DO CURSO

AULA

ASSUNTO ABORDADO

AULA ASSUNTO ABORDADO PUBLICA« O

PUBLICA« O

AULA ASSUNTO ABORDADO PUBLICA« O

Aula 0

Aula 1

Aula 2

Aula 3

Aula 4

Aula 5

Aula 6

Aula 7

Aula 8

Aula 9

Aula 10

Conceito e ClassificaÁ„o dos Tributos.

LimitaÁıes ao Poder de Tributar (PrincÌpios Tribut·rios).

LimitaÁıes ao Poder de Tributar (Imunidades Tribut·rias).

CompetÍncia Tribut·ria. Impostos de CompetÍncia da Uni„o.

Impostos de CompetÍncia dos Estados e do Distrito Federal.

Impostos de CompetÍncia do Distrito Federal e dos MunicÌpios. RepartiÁ„o das Receitas Tribut·rias.

LegislaÁ„o Tribut·ria.

ObrigaÁ„o Tribut·ria e Fato Gerador da ObrigaÁ„o Tribut·ria.

CrÈdito Tribut·rio: Conceito.

ConstituiÁ„o do CrÈdito Tribut·rio.

LanÁamento: Conceito e Modalidades de LanÁamento. HipÛteses de AlteraÁ„o do LanÁamento.

Suspens„o da Exigibilidade do CrÈdito Tribut·rio: Conceito e Modalidades. Exclus„o do CrÈdito Tribut·rio: Conceito e Modalidades.

ExtinÁ„o do CrÈdito Tribut·rio: Conceito e Modalidades. Pagamento Indevido e RepetiÁ„o do IndÈbito Tribut·rio.

AdministraÁ„o Tribut·ria: FiscalizaÁ„o, DÌvida Ativa e Certidıes Negativas.

do IndÈbito Tribut·rio. AdministraÁ„o Tribut·ria: FiscalizaÁ„o, DÌvida Ativa e Certidıes Negativas.
FiscalizaÁ„o, DÌvida Ativa e Certidıes Negativas. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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1 - NO«’ES INTRODUT”RIAS

1.1 - O DIREITO TRIBUT£RIO

Antes de iniciarmos o conte˙do propriamente dito da disciplina, precisamos nos ater a alguns conceitos b·sicos sobre o Direito Tribut·rio. Vamos em frente!

Em primeiro lugar, destaca-se a importante divis„o do Direito em privado e p˙blico. O primeiro se refere ‡s relaÁıes entre particulares, bem como ‡quelas entre um particular e o Estado, desde que esse esteja despido de seu poder de impÈrio. Para quem ainda n„o sabe, esse poder È o que permite ao Estado impor sua vontade o interesse p˙blico ao particular, independentemente da vontade dele.

Sendo assim, o direito privado est· relacionado aos interesses particulares de cada pessoa, atÈ mesmo do Estado. Cite-se, por exemplo, um contrato de aluguel entre o Estado do Rio de Janeiro (locador) e um indivÌduo (locat·rio). Este contrato ser· regido pelas normas de direito privado, mesmo que uma das partes seja uma pessoa jurÌdica de direito p˙blico.

Por outro lado, o direito p˙blico rege as relaÁıes em que uma das partes necessariamente ser· uma pessoa jurÌdica de direito p˙blico, e esta possui poderes que a colocam em uma situaÁ„o privilegiada diante dos cidad„os. Isso tudo È possÌvel porque o Estado est· visando aos interesses coletivos da sociedade de uma forma geral, enquanto o particular visa a seus prÛprios interesses.

Outro aspecto interessante a respeito do regime jurÌdico de direito p˙blico s„o os seus princÌpios norteadores, quais sejam: supremacia do interesse p˙blico sobre o particular e indisponibilidade do interesse p˙blico.

Conforme eu afirmei logo acima, o princÌpio da supremacia do interesse p˙blico sobre o particular est· intimamente relacionado ao fato de que o poder p˙blico deseja satisfazer os interesses coletivos e, para que isso seja concretizado, muitas vezes È necess·rio ir contra a vontade de determinado cidad„o. Como exemplo, pode-se citar a desapropriaÁ„o de certo imÛvel de um particular para a construÁ„o de uma escola p˙blica. Conseguiu entender a lÛgica agora?

Vamos para mais um exemplo, agora mais prÛximo da nossa realidade no Direito Tribut·rio. Imagine como seria a cobranÁa de tributos se o Estado n„o pudesse impor sua vontade arrecadatÛria sobre o particular? Cada um pagaria o que quisesse, e nÛs sabemos que ninguÈm iria querer pagar. Ent„o, n„o haveria recursos p˙blicos para a satisfaÁ„o do bem comum.

O outro princÌpio afirma que o interesse p˙blico È indisponÌvel. Dessa forma, um servidor p˙blico n„o pode fazer o que bem entender com o patrimÙnio p˙blico, sob pena de responder pessoalmente por isso. Se um sujeito deve ao Estado R$ 1.000,00 de IPVA, o agente p˙blico n„o pode perdoar tal dÌvida, por entender que o cidad„o n„o possui recursos disponÌveis para o pagamento da exaÁ„o.

Perceba que, se os recursos s„o p˙blicos, somente o povo pode dispor de tal patrimÙnio, o que È feito mediante lei, editada pelos representantes do prÛprio povo (deputados e senadores, no ‚mbito federal).

prÛprio povo (deputados e senadores, no ‚mbito federal). Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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No ˙ltimo exemplo, somente uma lei estaria apta a conceder o perd„o (remiss„o) de tal dÌvida tribut·ria. Veja que assim diz a CF/88 (Art. 150, ß 6 ):

さよàヶく┨àQ┌;ノケ┌Wヴàゲ┌HゲケSキラàラ┌àキゲWミN?ラがàヴWS┌N?ラàSWàH;ゲWàSWàI=ノI┌ノラがàIラミIWゲゲ?ラàSWàIヴYSキデラàヮヴWゲ┌マキSラがà;ミキゲデキ;àラ┌à remiss„o, relativos a impostos, taxas ou contribuiÁıes, sÛ poder· ser concedido mediante lei especÌfica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matÈrias acima enumeradas ou o IラヴヴWゲヮラミSWミデWàデヴキH┌デラàラ┌àIラミデヴキH┌キN?ラがàゲWマàヮヴWテ┌ケ┣ラàSラàSキゲヮラゲデラàミラà;ヴデくàヱヵヵがàよàヲく┨がàXIIがàェくざ

Agora, faÁo uma pergunta: o Direito Tribut·rio È um ramo do direito p˙blico ou do direito privado? Se vocÍ leu atentamente a explanaÁ„o acima, pÙde perceber que o Direito Tribut·rio È uma ramificaÁ„o do direito p˙blico, pois os princÌpios norteadores do regime jurÌdico de direito p˙blico se encaixam com os exemplos citados a respeito dos tributos.

Outra pergunta a ser feita: o Estado pode estar submetido ao direito privado em alguma situaÁ„o? Sim! Neste caso, n„o temos a presenÁa do poder extroverso de impÈrio -, capaz de se impor sobre o particular.

Agora que vocÍ j· sabe que o Direito Tribut·rio È uma das ramificaÁıes do direito p˙blico, vamos ao seu conceito. De acordo com o ilustre Luciano Amaro 1 (grifamos):

さふくくくぶà ラà SキヴWキデラà デヴキH┌デ=ヴキラà Yà ;à SキゲIキヮノキミ;à テ┌ヴケSキI;à Sラゲà デヴキH┌デラゲくà Cラマà キゲゲラà ゲWà ;Hヴ;ミェWà デラSラà ラà conte˙do de princÌpios e normas reguladores da criaÁ„o, fiscalizaÁ„o e arrecadaÁ„o das prestaÁıes de natureza tribut·riaくざ

Com isso, vocÍ percebe que h· uma limitaÁ„o de nosso estudo, pois n„o nos interessa estudar as destinaÁıes que ser„o dadas ‡s receitas tribut·rias j· arrecadadas. Tanto È que o art. 4 do CTN evidencia que o destino da arrecadaÁ„o È irrelevante para definir a natureza jurÌdica de um tributo. Tal tema È tratado de forma aprofundada pelo Direito Financeiro.

Contudo, cabe observar que veremos adiante algumas espÈcies de tributos cuja destinaÁ„o da receita importa ao estudo do Direito Tribut·rio, porque assim diz a nossa CF/88.

Outra caracterÌstica do Direito Tribut·rio que vocÍ precisa guardar È que se trata de um ramo autÙnomo do Direito. Isso ocorre, porque tal ramo possui princÌpios especÌficos prÛprios, como o princÌpio do n„o confisco, por exemplo, que ser„o detalhados nas aulas seguintes.

por exemplo, que ser„o detalhados nas aulas seguintes. O Direito em si È uno. O que

O Direito em si È uno. O que ocorre s„o ramificaÁıes com objetivo meramente did·tico.

1 AMARO, Luciano. Direito Tribut·rio Brasileiro. 14™ Ed. Saraiva, 2008, P·g. 02

Tribut·rio Brasileiro. 14™ Ed. Saraiva, 2008, P·g. 02 Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Vamos deixar isso esquematizado:

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Direito Direito P˙blico Tribut·rio Direito Direito Privado Apenas divis„o did·tica
Direito
Direito P˙blico
Tribut·rio
Direito
Direito Privado
Apenas divis„o
did·tica

1.2 - RECEITAS P⁄BLICAS

Com a evoluÁ„o das sociedades, tornou-se necess·ria a instituiÁ„o de um Estado, que coordenasse as aÁıes em prol do interesse coletivo, pois tal tarefa seria impossÌvel de ser realizada individualmente. Cada pessoa possui seus interesses particulares, que podem ser desfavor·veis ‡ construÁ„o de uma determinada escola infantil, por exemplo.

Abstraindo os detalhes que n„o interessam ao nosso estudo, que ser· totalmente direcionado para concurso p˙blico, o Estado existe para a consecuÁ„o do bem comum, para atender a interesses coletivos e promover, tambÈm, a justiÁa social.

Vamos citar um trecho de nossa ConstituiÁ„o Federal (CF/88), que aponta categoricamente os objetivos da Rep˙blica Federativa do Brasil. S„o eles (Art. 3 ):

さIà- construir uma sociedade livre, justa e solid·ria;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalizaÁ„o e reduzir as desigualdades sociais e

regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raÁa, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas SWàSキゲIヴキマキミ;N?ラくざ

Ora, se temos esses objetivos a serem cumpridos, certamente precisaremos de dinheiro para alcanÁ·-los, concorda? Ao construirmos um hospital, por exemplo, os pedreiros n„o ir„o trabalhar por outra mercadoria que n„o seja grana. Afinal de contas, o escambo n„o existe mais. Da mesma forma, apÛs a construÁ„o do hospital, os mÈdicos n„o v„o trabalhar em troca de sacos de arroz. Eles querem e aposto que vocÍ tambÈm ir· querer apÛs ser aprovado no concurso dinheiro!

S„o as chamadas receitas

origin·rias e receitas derivadas.

As receitas origin·rias s„o auferidas com base na exploraÁ„o do patrimÙnio do Estado, por meio de aluguÈis ou mesmo por empresas estatais, que n„o se confundem com o prÛprio Estado,

Ent„o,

duas

formas

de

o

Estado

conseguir

o

dinheiro.

Ent„o, h· duas formas de o Estado conseguir o dinheiro. Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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por possuÌrem personalidade jurÌdica prÛpria. S„o as chamadas empresas p˙blicas e sociedades de economia mista.

A principal caracterÌstica desse tipo de receita È que, alÈm de originar do patrimÙnio do prÛprio Estado, ela tambÈm pode ser auferida por particulares - cite-se o exemplo dos contratos

de aluguÈis. Da mesma forma que o Estado pode locar um terreno a outra pessoa, um particular

tambÈm pode fazÍ-lo. TambÈm podemos mencionar a exploraÁ„o de atividade econÙmica pelo

Estado.

a exploraÁ„o de atividade econÙmica pelo Estado. A receita semelhante ‡ receita p˙blica origin·ria.

A receita

semelhante ‡ receita p˙blica origin·ria.

auferida

pelos

particulares,

evidentemente,

n„o

È

receita

p˙blica,

mas

apenas

Justamente por esse motivo, as receitas origin·rias est„o sujeitas ao regime do direito privado. Isso ocorre, pois o Estado n„o se reveste de seu poder de impÈrio para coagir as pessoas a pagarem. O vÌnculo obrigacional surge com um contrato, que È feito por livre e espont‚nea vontade da outra parte, que geralmente È um particular.

… importante observar que, atualmente, as receitas origin·rias se tornaram exceÁ„o, pois a nossa CF/88 restringiu a atuaÁ„o do Estado como agente econÙmico, conforme vemos em seu art.

173:

さáヴデくàヱΑンくàRessalvados os casos previstos nesta ConstituiÁ„o, a exploraÁ„o direta de atividade econÙmica pelo Estado sÛ ser· permitida quando necess·ria aos imperativos da seguranÁa nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em leiくざ

AlÈm dessa hipÛtese, o poder p˙blico tambÈm pode explorar atividade econÙmica, quando esta estiver sujeita ao regime de monopÛlio, por expressa determinaÁ„o no art. 177, da CF/88.

Por outro lado, as receitas derivadas tÍm origem no patrimÙnio do particular e entram nos cofres p˙blicos por meio de coaÁ„o ao indivÌduo. Por estarem sujeitas ao regime jurÌdico de direito p˙blico, o Estado pode exigi-las com base no poder de impÈrio que lhe È conferido pelo prÛprio povo, tendo em vista os interesses da coletividade.

Conforme o que descrevemos acima, podemos perceber que os tributos s„o tÌpicas receitas derivadas, pois, alÈm de originarem do patrimÙnio do particular, est„o sujeitas ao regime jurÌdico

de direito p˙blico, que È necess·rio para que a arrecadaÁ„o seja eficazmente realizada. AlÈm dos

tributos, temos ainda as multas e as reparaÁıes de guerra, que se enquadram no conceito de

receitas derivadas.

Segue um quadro que resume as principais caracterÌsticas das receitas p˙blicas.

as principais caracterÌsticas das receitas p˙blicas. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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RECEITAS P⁄BLICAS ORIGIN£RIAS

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RECEITAS P⁄BLICAS DERIVADAS

ExploraÁ„o do patrimÙnio do Estado

Oriunda do patrimÙnio do particular (coaÁ„o)

Sujeitas predominantemente ao reg. de direito privado

Sujeitas ao reg. de direito p˙blico

N„o h· poder de impÈrio

H· o poder de impÈrio

Sua fonte È o contrato

Sua fonte È a lei

Para encerrar esse assunto, vamos citar exemplos de receitas origin·rias: multas contratuais, preÁos p˙blicos obtidos pelo comÈrcio ou industrializaÁ„o realizados por empresa p˙blica ou sociedade de economia, tarifas, etc.

Como exemplo de receitas derivadas, podemos citar os tributos, as multas pecuni·rias e as reparaÁıes de guerra. Ok?

Esquematizando:

Origin·rias Receitas P˙blicas Derivadas Tributos
Origin·rias
Receitas
P˙blicas
Derivadas
Tributos
Origin·rias Receitas P˙blicas Derivadas Tributos (FCC/Procurador-SE/2005) Direito Tribut·rio È o conjunto

(FCC/Procurador-SE/2005) Direito Tribut·rio È o conjunto de normas que:

a) regula o destino dos valores arrecadados a tÌtulo de tributo dentro da m·quina do Estado.

b) regula o comportamento dos agentes p˙blicos na conduÁ„o orÁament·ria da AdministraÁ„o P˙blica Direta e Indireta.

c) regula o comportamento dos agentes p˙blicos na conduÁ„o orÁament·ria apenas da AdministraÁ„o P˙blica Direta.

d) regula o comportamento das pessoas de levar dinheiro aos cofres p˙blicos.

e) compıem a Lei OrÁament·ria, a Lei Plurianual e a Lei de Diretrizes OrÁament·rias.

a Lei Plurianual e a Lei de Diretrizes OrÁament·rias. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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Coment·rio:

Alternativa A: O destino das arrecadaÁıes tribut·rias È estudado pelo Direito Financeiro. Item errado.

Alternativa B: O comportamento dos agentes p˙blicos È estudado no ‚mbito do Direito Administrativo e no Direito Penal. Item errado.

Alternativa C: Aplica-se aqui o coment·rio realizado na alternativa anterior. Item errado.

Alternativa D: Essa È uma definiÁ„o simples do Direito Tribut·rio. Basicamente, podemos dizer que este ramo do Direito regula o comportamento das pessoas de levar o dinheiro aos cofres p˙blicos. Portanto, item correto.

Alternativa E: Tais leis dizem respeito ao orÁamento p˙blico, que È estudado pelo Direito Financeiro. Item errado.

Gabarito: Letra D

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2 - CONCEITO DE TRIBUTOS

AtÈ agora falamos que os tributos s„o uma forma de receita p˙blica denominada receita derivada. TambÈm dissemos que o Direito Tribut·rio est· sujeito ao regime jurÌdico de direito p˙blico. Mas, afinal, o que vem a ser tributo? Como podemos distinguir os tributos dos demais encargos que nos s„o cobrados diariamente?

O conceito de tributo est· definido no art. 3 do CÛdigo Tribut·rio Nacional (CTN), abaixo citado:

さáヴデくàン┨àTヴキH┌デラàYàデラS;àヮヴWゲデ;N?ラàヮWI┌ミキ=ヴキ;àIラマヮ┌ノゲルヴキ;がàWマàマラWS;àラ┌àI┌テラà┗;ノラヴàミWノ;àゲWàヮラゲゲ;àW┝ヮヴキマキヴがàケ┌Wà n„o constitua sanÁ„o de ato ilÌcito, instituÌda em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente ┗キミI┌ノ;S;くざ

Cumpre observar que o art. 3 do CTN traz a definiÁ„o de tributos exigida pela CF/88, no art. 146, III, a, primeira parte, conforme vemos a seguir:

"Art. 146. Cabe ‡ lei complementar:

III - estabelecer normas gerais em matÈria de legislaÁ„o tribut·ria, especialmente sobre:

definiÁ„o de tributos e de suas espÈcies, bem como, em relaÁ„o aos impostos discriminados nesta ConstituiÁ„o, a dos respectivos fatos geradores, bases de c·lculo WàIラミデヴキH┌キミデWゲきざ

de c·lculo WàIラミデヴキH┌キミデWゲきざ O CTN foi recepcionado pela CF/88 com status de lei

O CTN foi recepcionado pela CF/88 com status de lei complementar. Portanto, ele atende aos requisitos do art. 146, III, a.

Perceba que o art. 3 realiza a funÁ„o de definir o que È um tributo, correto?

Tal definiÁ„o do CTN pode ser dividida em 5 etapas, para facilitar o entendimento do candidato. Vamos a elas:

2.1 - PrestaÁ„o pecuni·ria em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir.

A afirmaÁ„o acima deixa claro que o pagamento deve ser feito em pec˙nia, que significa dinheiro. Isso vai ao encontro do que comentamos acima, sobre a necessidade de que o Estado tem de arrecadar dinheiro para custear suas atividades. O conceito ainda permite inferir que n„o È possÌvel a instituiÁ„o de tributos in natura ou in labore, cujo pagamento seria feito em bens ou em serviÁos, respectivamente.

Pela redaÁ„o do art. 162 do CTN, tambÈm notamos que o pagamento deve ser feito em dinheiro. Vejam:

notamos que o pagamento deve ser feito em dinheiro. Vejam: Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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さáヴデくàヱヶヲくàOàヮ;ェ;マWミデラàYàWaWデ┌;Sラぎ I - em moeda corrente, cheque ou vale postal; II - ミラゲàI;ゲラゲàヮヴW┗キゲデラゲàWマàノWキがàWマàWゲデ;マヮキノエ;がàWマàヮ;ヮWノàゲWノ;Sラがàラ┌àヮラヴàヮヴラIWゲゲラàマWI>ミキIラくざ

ObservaÁ„o: A estampilha e o papel selado s„o espÈcies de selos adquiridos, por meio de entrega de dinheiro ao Fisco, sendo utilizados pelo contribuinte para comprovar a quitaÁ„o dos tributos devidos. O processo mec‚nico, por seu turno, significa a autenticaÁ„o promovida pela Fazenda P˙blica, atestando o recolhimento do tributo.

Por ˙ltimo, h· que se ressaltar a alteraÁ„o trazida pela Lei Complementar 104/2001, ao acrescentar o inciso XI ao art. 156 da Lei 5.172 (CTN). O dispositivo prevÍ o seguinte:

さáヴデくàヱヵヶくàE┝デキミェ┌WマàラàIヴYSキデラàデヴキH┌デ=ヴキラぎ ( ) XI a daÁ„o em pagamento em bens imÛveisがàミ;àaラヴマ;àWàIラミSキNロWゲàWゲデ;HWノWIキS;ゲàWマàノWキくざ

Para os que n„o sabem, daÁ„o em pagamento significa pagar com algo que n„o seja dinheiro. No caso em tela, o contribuinte poderia quitar a sua dÌvida oferecendo bens IM”VEIS ao fisco. Tal hipÛtese n„o derroga o art. 3 do CTN, tendo em vista que este afirma que a quitaÁ„o do tributo pode ser feita por algo que possa ser expresso em moeda. Os bens imÛveis inegavelmente podem ser expressos em moeda, concorda?

inegavelmente podem ser expressos em moeda, concorda? N„o confunda bens imÛveis com bens mÛveis , estes

N„o confunda bens imÛveis com bens mÛveis, estes proibidos por n„o constarem expressamente no CTN. Portanto, um contribuinte poderia pagar com um terreno, mas n„o com latinhas de refrigerante. As bancas tentam confundir isso. Preste atenÁ„o!

Quanto a este tema, fica a pergunta: seria possÌvel determinada lei prever outra forma de extinÁ„o do crÈdito tribut·rio, como o pagamento em bens M”VEIS, por exemplo? Embora seja um tema bastante controvertido, È importante conhecermos o que estabelece o CTN acerca do assunto bem como o que j· foi decidido pelo STF!

O art. 141, do CTN, estabelece que o crÈdito tribut·rio sÛ pode ser extinto nos casos previstos no prÛprio CTN, e o CTN n„o prevÍ em qualquer ponto a extinÁ„o do crÈdito tribut·rio por meio de entrega de bens mÛveis (apenas imÛveis, lembre-se!).

Ao julgar a Medida Cautelar na ADI 1.917, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional uma lei do Distrito Federal que permitia a daÁ„o em pagamento com bens mÛveis.

que permitia a daÁ„o em pagamento com bens mÛveis. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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Alegou-se, na ocasi„o, haver reserva de lei complementar para tratar de extinÁ„o do crÈdito tribut·rio.

ObservaÁ„o: Primeiramente, vocÍ deve se lembrar que comentamos que o CTN possui status de lei complementar, correto? Neste caso, È v·lido conferir o que estabelece o ;ヴデくàヱヴヶがàIIIがàさHざがàS;àCFっΒΒがà;ラàヴWゲWヴ┗;ヴà<àノWキàIラマヮノWマWミデ;ヴàラàWゲtabelecimento de normas gerais acerca do crÈdito tribut·rio.

Ocorre que, depois desse julgamento, o STF apreciou um caso semelhante (ADI 2.405-MC), desta vez, relativo a uma lei do Estado do Rio Grande do Sul, que previu o uso do instituto da daÁ„o em pagamento para extinÁ„o de crÈditos tribut·rios, mediante a entrega de bens imÛveis e mÛveis. Neste caso, o STF decidiu pela possibilidade de o Estado-membro estabelecer regras especÌficas de quitaÁ„o de seus prÛprios crÈditos tribut·rios, ou seja, foi favor·vel ‡ daÁ„o em pagamento com bens mÛveis. O interessante È que existem alguns doutrinadores que tambÈm defendem esta linha!

Algum tempo depois, no julgamento de mÈrito da ADI 1.917, que lei local de determinado ente federado n„o pode estabelecer a daÁ„o em pagamento de bens M”VEIS como forma de extinÁ„o do crÈdito tribut·rio. Contudo, o argumento neste caso foi a ofensa ao princÌpio da licitaÁ„o. Vejamos:

EMENTA: A« O DIRETA DE INCONSTITUICIONALIDADE. OFENSA AO PRINCÕPIO DA LICITA« O (CF, ART. 37, XXI). I - Lei ordin·ria distrital - pagamento de dÈbitos tribut·rios por meio de daÁ„o em pagamento. II - HipÛtese de criaÁ„o de nova causa de extinÁ„o do crÈdito tribut·rio. III - Ofensa ao princÌpio da licitaÁ„o na aquisiÁ„o de materiais pela administraÁ„o p˙blica. IV - ConfirmaÁ„o do julgamento cautelar em que se declarou a inconstitucionalidade da lei ordin·ria distrital 1.624/1997. (STF, ADI 1.917/DF, Plen·rio, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Julgamento em

26/04/2007)

Vamos a um exemplo: se o estado de Pernambuco recebe um lote de papel A4 como quitaÁ„o de algum tributo, ainda que amparado por lei estadual, estaria adquirindo tais produtos sem a realizaÁ„o de uma licitaÁ„o. Apenas como ilustraÁ„o, caso houvesse tal permiss„o, uma empresa pernambucana fabricante de ヮ;ヮWノà キヴキ;à IラミゲWェ┌キヴà さ┗WミSZ-ノラざà ;ラà ェラ┗Wヴミラがà ;キミS;à ケ┌Wà perdesse a licitaÁ„o.

;キミS;à ケ┌Wà perdesse a licitaÁ„o. Se este assunto for cobrado em sua prova, analise toda a

Se este assunto for cobrado em sua prova, analise toda a quest„o para verificar o que o examinador est· considerando na quest„o!

o que o examinador est· considerando na quest„o! Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Se vocÍ fez uma leitura atenta do inciso XI do art. 156 do CTN, provavelmente notou que h· um pequeno detalhe ao final: h· necessidade de que isso seja estabelecida em lei. O que isso significa? Ora, cada ente tributante (Uni„o, Estados, Distrito Federal e MunicÌpios) que queira aceitar bens imÛveis como forma de pagamento de tributos deve estabelecer em lei prÛpria isso.

de tributos deve estabelecer em lei prÛpria isso. Recentemente, a Lei Federal 13.259/2016 passou a prever

Recentemente, a Lei Federal 13.259/2016 passou a prever a possibilidade de haver daÁ„o em pagamento em bens imÛveis no ‚mbito da Uni„o.

O art. 4 , da Lei 13.259/2016, regulamentou a daÁ„o em pagamento em bens imÛveis, em

conformidade com o disposto no art. 156, XI, do CTN. Poucos dias apÛs sua publicaÁ„o, o

dispositivo j· sofreu alteraÁıes pela MP 719/2016.

Embora n„o seja nosso objetivo esgotarmos o estudo dessa previs„o legal neste momento, È importante saber que a referida norma tornou possÌvel essa modalidade de extinÁ„o do crÈdito tribut·rio, em relaÁ„o aos tributos federais. Evidentemente, v·rias condiÁıes foram impostas pelo legislador com o objetivo de evitar que a regra geral, pagamento em moeda, torne-se exceÁ„o.

2.2 - PrestaÁ„o CompulsÛria.

O pagamento de tributos n„o È uma faculdade, mas, sim uma obrigaÁ„o. N„o h· opÁ„o para o contribuinte, sen„o o pagamento do que lhe È cobrado. … claro que o indivÌduo pode contestar o valor devido ou mesmo a legalidade da cobranÁa, mas essa quest„o È tema que veremos em outras aulas.

, mas essa quest„o È tema que veremos em outras aulas. O importante È que vocÍ

O importante È que vocÍ saiba que o tributo È uma prestaÁ„o compulsÛria, sendo considerado

uma receita derivada.

compulsÛria, sendo considerado uma receita derivada. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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2.3 - PrestaÁ„o instituÌda em lei.

O autor Jo„o Marcelo Rocha 2 faz uma excelente observaÁ„o, ao dizer que esse item nem mesmo precisaria constar no conceito de tributo, eis que este j· È uma obrigaÁ„o compulsÛria, e por esse motivo deve, necessariamente, estar instituÌdo em lei, conforme expressa previs„o no texto constitucional:

さáヴデくàヵ┨àふくくくぶぎ II - ミキミェ┌YマàゲWヴ=àラHヴキェ;Sラà;àa;┣Wヴàラ┌àSWキ┝;ヴàSWàa;┣Wヴà;ノェ┌マ;àIラキゲ;àゲWミ?ラàWマà┗キヴデ┌SWàSWàノWキきざ

Tal inciso demonstra claramente o princÌpio de um Estado de Direito. Ou seja, o povo somente È obrigado a fazer aquilo que est· em lei. Como a lei È editada pelos seus prÛprios representantes (parlamentares), È o prÛprio povo, em tese, que decide ao que estar· obrigado a fazer ou deixar de fazer. Trata-ゲWà Sラà ┗Wノエラà HヴラI;ヴSラà さNラà デ;┝;デキラミà ┘キデエラ┌デà ヴWヮヴWゲWミデ;デキラミざがà ケue significa que n„o haver· tributaÁ„o sem representaÁ„o popular. A regra, portanto, È que os tributos sejam instituÌdos por lei.

Contudo, cabe observar que o Supremo Tribunal Federal tem aceitado a instituiÁ„o de tributos por meio de medidas provisÛrias, que s„o editadas pelo Poder Executivo e somente tramitam pelas casas legislativas no momento em que s„o convertidas ou n„o em lei.

Enfim, o que devemos ter em mente sobre esse conceito È que todo tributo deve ser criado por lei, ordin·ria ou complementar em alguns casos, ou ato normativo que possua a mesma forÁa de uma lei (medidas provisÛrias). Esse È o princÌpio da legalidade no Direito Tribut·rio.

No que se refere ‡ alteraÁ„o de alÌquotas, h· diversas exceÁıes ao princÌpio da legalidade que ser„o detalhadamente estudadas no decorrer do curso. Contudo, a regra È que, mesmo as alteraÁıes de alÌquotas, tambÈm devem ser feitas por lei. Guarde isso!

Vamos ao nosso esquema para facilitar o entendimento:

InstituiÁ„o de SEM EXCE« O tributos Lei Ordin·ria, Lei Complementar ou Medida ProvisÛria AlteraÁ„o de
InstituiÁ„o de
SEM EXCE« O
tributos
Lei Ordin·ria, Lei
Complementar ou
Medida ProvisÛria
AlteraÁ„o de
COM EXCE«’ES
alÌquotas

2 ROCHA, Jo„o Marcelo. Direito Tribut·rio. 8™ EdiÁ„o. Editora Ferreira. P·gina 12.

Tribut·rio. 8™ EdiÁ„o. Editora Ferreira. P·gina 12. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Como complemento do que foi acima exposto, Leandro Paulsen 3 ensina que a necessidade de que o tributo seja instituÌdo em lei È requisito de validade, e a compulsoriedade da obrigaÁ„o tribut·ria È requisito de existÍncia.

Com efeito, se um tributo for instituÌdo por um decreto, n„o deixar· de ser um tributo, mas ser· inv·lido, por n„o obedecer ao princÌpio da legalidade. Por outro lado, uma obrigaÁ„o que n„o seja compulsÛria pode, de imediato, ser descartada do conceito de tributo, pois este È um requisito de existÍncia.

2.4 - PrestaÁ„o que n„o constitui sanÁ„o de ato ilÌcito

Outro ponto importante do conceito de tributos È o que os distingue do conceito de multa. Os tributos s„o cobrados em decorrÍncia de um fato gerador, que pode ser, por exemplo, a manifestaÁ„o de riqueza por parte do contribuinte ou mesmo a prestaÁ„o de um serviÁo especÌfico e divisÌvel pelo Estado (vamos detalhar isso logo adiante). Com isso, percebemos que a cobranÁa de tributos n„o possui o objetivo de punir, mas, sim, de arrecadar.

Vale destacar que h· tributos cuja finalidade principal n„o È a arrecadaÁ„o, mas, sim, a intervenÁ„o em um setor econÙmico. S„o os denominados tributos extrafiscais. De qualquer modo, tambÈm n„o tÍm como finalidade a sanÁ„o por um ato ilÌcito.

As multas, embora tambÈm sejam receitas derivadas, compulsÛrias e instituÌdas em lei, n„o podem ser comparadas aos tributos, pois possuem natureza claramente sancionatÛria. Na verdade, o ideal È que os atos ilÌcitos n„o sejam praticados, para que as multas n„o venham a ser cobradas.

H· que se ressaltar que, sobre o rendimento decorrente de atividades ilÌcitas, deve incidir imposto de renda (art. 43, CTN). Perceba que o tributo n„o est· sendo utilizado como puniÁ„o, pois o fato gerador desse tributo ocorreu, e o valor ser· devido.

O embasamento legal È o art. 118 do CTN, que afirma que a definiÁ„o legal do fato gerador do tributo È interpretada abstraindo da validade jurÌdica dos atos praticados pelos contribuintes, bem como da natureza do objeto a ser tributo ou dos seus efeitos.

Se, por um lado, pode parecer que o Estado est· enriquecendo ‡s custas do tr·fico ilÌcito de entorpecentes, por outro, h· o princÌpio da isonomia fiscal, segundo o qual as pessoas que ganham a vida ilicitamente n„o podem ser premiadas por isso, isto È, n„o tributadas. Trata-se de um posicionamento expresso pelo Supremo Tribunal Federal no HC 77.530-4/RS:

EMENTáぎà“ラミWェ;N?ラàaキゲI;ノàSWàノ┌Iヴラà;S┗キミSラàSWà;デキ┗キS;SWàIヴキマキミラゲ;ぎàさミラミàラノWデざくàDヴラェ;ゲぎà tr·fico de drogas, envolvendo sociedades comerciais organizadas, com lucros vultosos subtraÌdos ‡ contabilizaÁ„o regular das empresas e subtraÌdos ‡ declaraÁ„o de rendimentos: caracterizaÁ„o, em tese, de crime de sonegaÁ„o fiscal, a acarretar a

3 PAULSEN, Leandro. Direito Tribut·rio: ConstituiÁ„o e CÛdigo Tribut·rio ‡ luz da doutrina e da jurisprudÍncia. 2014. P·g. 737.

‡ luz da doutrina e da jurisprudÍncia. 2014. P·g. 737. Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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competÍncia da JustiÁa Federal e atrair pela conex„o, o tr·fico de entorpecentes:

irrelev‚ncia da origem ilÌcita, mesmo quando criminal, da renda subtraÌda ‡ tributaÁ„o. A exoneraÁ„o tribut·ria dos resultados econÙmicos de fato criminoso antes de ser corol·rio do princÌpio da moralidade constitui violaÁ„o do princÌpio de isonomia fiscal, de manifesta inspiraÁ„o Ètica. (STF, HC 77.530/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Sep˙lveda Pertence, Julgamento em

25/08/1998)

Esta hipÛtese È considerada pela doutrina como o princÌpio do pec˙nia non olet, que tem Iラマラàデヴ;S┌N?ラàさSキミエWキヴラàミ?ラàIエWキヴ;ざくàáàラヴキェWマàS;àW┝ヮヴWゲゲ?ラàゲWàSW┗Wà;à┌マàキマヮWヴ;Sラヴàヴラマ;ミラàケ┌Wà cobrava pelo uso dos banheiros p˙blicos, e, ao ser questionado sobre o fato pelo seu filho, o imperador segurou uma moeda de ouro e lhe perguntou: cheira? Seu filho disse: n„o cheira. Guarde esse conceito, pois tem sido cobrado recorrentemente em provas de concurso.

Dessa forma, Leandro Paulsen 4 esclarece:

さJ;マ;キゲà┌マà;デラàキノケIキデラàWゲデ;ヴ=àSWゲIヴキデラàミ;àエキヮルデWゲWàSWàキミIキSZミIキ;àSWà┌マàキマヮラゲデラàラ┌àIラミデヴキH┌キN?ラがàヮラヴàW┝Wマヮノラがàヮラヴケ┌;ミデラà tributo n„o È sanÁ„o por ato ilÌcito. Mas hipÛteses de incidÍncia a princÌpio lÌcitas, como a propriedade, a aquisiÁ„o de renda, a percepÁ„o de receita ou a circulaÁ„o de mercadorias, podem acabar sendo vislumbradas em fatos geradores que consubstanciem situaÁıes ilÌcitas, como a propriedade de bens furtados, a aquisiÁ„o de renda proveniente de estelionato, ;àヮWヴIWヮN?ラàSWàヴWIWキデ;àヮヴラ┗WミキWミデWàS;àW┝ヮノラヴ;N?ラàSWàテラェラゲàWà;àIキヴI┌ノ;N?ラàSWàWミデラヴヮWIWミデWゲàヮヴラキHキSラゲくざ

Com efeito, admite-se a incidÍncia tribut·ria sobre o ato ilÌcito, quando este seja acidental ‡ norma de tributaÁ„o, isto È, quando estiver na periferia da regra de incidÍncia. O que n„o se admite È que o ato ilÌcito seja o elemento essencial da norma tribut·ria, sendo definido com o prÛprio fato gerador do tributo. Assim, por exemplo, permite-se tributar a renda auferida com o tr·fico de drogas, mas n„o a prÛpria atividade ilÌcita. Tal entendimento foi preconizado pelo STJ, no julgamento do REsp 984.607/PR.

Esse raciocÌnio encontra harmonia com o j· citado art. 118, do CTN, j· que o fato gerador n„o È a pr·tica criminosa, mas a sua interpretaÁ„o deve ser realizada abstraindo-se da validade jurÌdica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, respons·veis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos.

2.5 - PrestaÁ„o cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Se vocÍ j· estudou Direito Administrativo, sabe que os atos administrativos podem ser vinculados ou discricion·rios. Nos primeiros, n„o h· outra opÁ„o, sen„o a pr·tica do ato previsto em lei. Nos atos discricion·rios, no entanto, h· avaliaÁ„o do juÌzo de oportunidade e conveniÍncia por parte do agente p˙blico.

A cobranÁa de tributos, como est· estampado no prÛprio conceito, È atividade vinculada, de sorte que o servidor encarregado de tal tarefa deve cobr·-la, sem qualquer outra opÁ„o.

4 PAULSEN, Leandro. Direito Tribut·rio: ConstituiÁ„o e CÛdigo Tribut·rio ‡ luz da doutrina e da jurisprudÍncia. 2014. P·g. 1030.

‡ luz da doutrina e da jurisprudÍncia. 2014. P·g. 1030. Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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Prof. F·bio Dutra Aula 00 0 (FCC/Pref. Campinas-SP-Procurador/2016) Tributo È toda prestaÁ„o pecuni·ria

(FCC/Pref. Campinas-SP-Procurador/2016) Tributo È toda prestaÁ„o pecuni·ria compulsÛria, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que constitua sanÁ„o de ato ilÌcito, instituÌda em lei e cobrada mediante atividade administrativa discricion·ria.

Coment·rio: Ao comparar a quest„o acima com o art. 3 , do CTN, constatamos que existem dois erros: tributo n„o constitui sanÁ„o de ato ilÌcito e, alÈm disso, e cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Gabarito: Errada.

(FCC/TCE-AL-Auditor/2008) Sobre o conceito legal de tributo, descrito no art. 3 do CÛdigo Tribut·rio Nacional, È correto afirmar: via de regra È instituÌdo mediante lei, mas a ConstituiÁ„o Federal prevÍ exceÁıes.

Coment·rio: O tributo È sempre instituÌdo por meio de lei (ordin·ria ou complementar) ou medida provisÛria. Por isso, a quest„o foi apontada como correta.

Gabarito: Correta.

3 - NATUREZA JURÕDICA DOS TRIBUTOS

Dando

continuidade

ao

nosso

importantes artigos do CTN:

estudo,

vamos

observar,

com

atenÁ„o,

outros

dois

さáヴデくàヴ┨àA natureza jurÌdica especÌfica do tributo È determinada pelo fato gerador da respectiva obrigaÁ„o, sendo irrelevantes para qualific·-la:

I - a denominaÁ„o e demais caracterÌsticas formais adotadas pela lei;

II - a destinaÁ„o legal do produto da sua arrecadaÁ„o.

Art. 5 Os tributos s„o impostos, taxas e contribuiÁıes de melhoria.

Colega concurseiro, ao analisarmos o art. 5 do CTN, vemos que o entendimento adotado pelo legislador, l· em 1966 ano de publicaÁ„o do CTN -, foi a corrente tripartida. Ou seja, havia apenas 3 tributos: impostos, taxas e contribuiÁıes de melhoria.

E como fazemos para identificar a espÈcie de determinado tributo? Ora, pela redaÁ„o do art. 4 , devemos levar unicamente em consideraÁ„o o fato gerador que deu origem ‡ obrigaÁ„o tribut·ria.

o fato gerador que deu origem ‡ obrigaÁ„o tribut·ria. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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Nesse sentido, temos que observar, caso a caso, qual È o fato gerador descrito na lei que instituiu o tributo. Se o fato se referir a uma manifestaÁ„o de riqueza do contribuinte, ser· um imposto. Tal manifestaÁ„o dar-se-· por meio de renda, propriedade ou consumo.

Ou seja, se o contribuinte auferiu rendimentos, incidir· Imposto de Renda; se possui um imÛvel localizado em zona urbana, incidir· IPTU; se vendeu um lote de mercadorias, sobre a venda pagar· ICMS. Veja que o tributo surge independentemente de qualquer atividade estatal relativa ao contribuinte.

Perceba que, no caso dos impostos, quem realiza o fato que enseja a cobranÁa de tributos È o contribuinte. Por outro lado, no que se refere ‡s taxas e contribuiÁıes de melhorias, quem realiza o fato gerador de cobranÁa È o prÛprio Estado.

No primeiro caso, o poder p˙blico presta determinados serviÁos especÌficos e divisÌveis ao contribuinte, ou exerce o seu poder de polÌcia, fiscalizando-o. No segundo, h· a realizaÁ„o de uma obra p˙blica que gera valorizaÁ„o no imÛvel do contribuinte.

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Esse foi o entendimento majorit·rio durante esse perÌodo. Mas vocÍ precisa saber tambÈm que se trata de um ponto onde h· muita controvÈrsia doutrin·ria. H· quem entenda, por exemplo, que todos os tributos devem se enquadrar no conceito de impostos e taxas. Trata-se, ヮラヴデ;ミデラがàSWàラ┌デヴ;àIラヴヴWミデWàSWミラマキミ;S;àさS┌;ノキゲデ;ざく

Contudo, apÛs o surgimento da ConstituiÁ„o Federal de 1988, o entendimento predominante È o de que existem n„o apenas trÍs, mas cinco espÈcies tribut·rias, dando origem ‡ corrente pentapartida. Isso ocorreu, pois a prÛpria CF inseriu, em seu CapÌtulo que trata do Sistema Tribut·rio Nacional, novas espÈcies tribut·rias que ser„o vistas adiante.

Uma r·pida leitura do art. 145 da CF/88, nos leva a crer que h· apenas impostos, taxas e contribuiÁıes de melhoria (da mesma forma com o que est· disposto no art. 5 do CTN). No entanto, segundo o STF, ali est„o elencados apenas os tributos cuja competÍncia È comum a todos os entes federados.

Segundo a Suprema Corte (RE 146.733-Γっ“Pがà┗ラデラàSラà‘WノくàMキミくàMラヴWキヴ;àáノ┗Wゲぶがàさラゲà;ヴデゲくàヱヴΒà e 149 aludem a duas outras modalidades tribut·rias, cuja competÍncia È, via de regra, da Uni„o: o emprÈstimo compulsÛrio e as contribuiÁıes sociais, inclusive as de intervenÁ„o no domÌnio WIラミレマキIラàWàSWàキミデWヴWゲゲWàS;ゲàI;デWェラヴキ;ゲàヮヴラaキゲゲキラミ;キゲàラ┌àWIラミレマキI;ゲくざ

Exceto a contribuiÁ„o de melhoria, todas as demais

Exceto a contribuiÁ„o de melhoria, todas as demais contribuiÁıes s„o majoritariamente classificadas na categoria contribuiÁıes especiais! Guarde isso!

na categoria contribuiÁıes especiais! Guarde isso! Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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O

esquema abaixo ilustra as espÈcies tribut·rias segundo a teoria pentapartida:

Impostos Taxas Teoria EspÈcies Tribut·rias ContribuiÁıes de Melhoria Pentapartida EmprÈstimos CompulsÛrios
Impostos
Taxas
Teoria
EspÈcies Tribut·rias
ContribuiÁıes de Melhoria
Pentapartida
EmprÈstimos
CompulsÛrios
ContribuiÁıes Especiais

grande problema È que os emprÈstimos compulsÛrios e as contribuiÁıes especiais s„o

tributos finalÌsticos, ou seja, a destinaÁ„o do produto de sua arrecadaÁ„o È um critÈrio relevante para diferenci·-los dos demais tributos.

Com isso, a ˙nica interpretaÁ„o que pode ser tomada agora È a de que o art. 4 do CTN foi parcialmente n„o recepcionado pela CF/88, pois n„o È aplic·vel aos emprÈstimos compulsÛrios e ‡s contribuiÁıes especiais.

Outro ponto a ser destacado È o art. 145, ß 2 da CF/88 e a interpretaÁ„o dele decorrente. O texto afirma que as taxas n„o podem ter base de c·lculo prÛpria de imposto. O que isso quer dizer? Quer dizer que a base de c·lculo pode ser um elemento para diferenciar tributos tambÈm. Concorda?

O

um elemento para diferenciar tributos tambÈm. Concorda? O O cotejo entre a base de c·lculo e

O cotejo entre a base de c·lculo e o fato gerador È uma forma de descobrir a natureza jurÌdica do tributo. Guarde isso!

de descobrir a natureza jurÌdica do tributo. Guarde isso! Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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Por ˙ltimo, cabe destacar as diferenÁas entre tributo vinculado, tributo cujo produto da arrecadaÁ„o È vinculado e tributo cuja cobranÁa È uma atividade administrativa vinculada.

Trata-ゲWà SWà ゲキデ┌;NロWゲà SキaWヴWミデWゲがà マ;ゲà ケ┌Wà ノW┗;マà ラゲà マWゲマラゲà デケデ┌ノラゲà さ┗キミI┌ノ;Sラゲà ラ┌à ミ?ラà ┗キミI┌ノ;SラゲざくàP;ヴ;àケ┌Wà┗ラIZàミ?ラàデWミエ;àS┎┗キS;ゲàケ┌;ミデラà;àキゲゲラがàvamos aprender agora!

Ao dizer que um tributo È vinculado ou n„o, estamos dizendo que o fato gerador est· vinculado ou n„o a uma atividade realizada pelo Estado relativa ao contribuinte. Como exemplo

de tributo vinculado, como j· vimos, pode-se citar as taxas e as contribuiÁıes de melhoria. J· os

tributos n„o vinculados, podemos citar os impostos.

H· certa diferenÁa entre o que foi dito acima e o conceito de arrecadaÁ„o vinculada. Neste caso, estamos nos referindo a tributos, cujo destino de tudo o que foi arrecadado com sua cobranÁa est· vinculado ao custeio de algo previsto na lei. Como exemplo, temos os emprÈstimos compulsÛrios (art. 148, par·grafo ˙nico, CF/88).

O ˙ltimo ponto, que se refere ‡ atividade de cobranÁa, nÛs j· abordamos, ao trabalhar com

o conceito de tributos. Mas, n„o custa reforÁar, certo? A cobranÁa dos tributos È ato

administrativo vinculado, que n„o d· margem de escolha ao agente p˙blico. Todo tributo possui cobranÁa vinculada, afinal de contas, isso faz parte do conceito dos tributos. Tudo certo atÈ aqui?

faz parte do conceito dos tributos. Tudo certo atÈ aqui? (FCC/TCM-RJ-Procurador/2015) Considerando a natureza

(FCC/TCM-RJ-Procurador/2015) Considerando a natureza jurÌdica especÌfica dos tributos, È correto afirmar que a destinaÁ„o do produto da arrecadaÁ„o È essencial para definir todas as espÈcies de tributos.

Coment·rio: Foi dito que a destinaÁ„o do produto da arrecadaÁ„o È essencial para definir todas as espÈcies de tributos, mas nÛs sabemos que isso n„o procede, j· que esse critÈrio È essencial apenas para os tributos finalÌsticos, isto È, emprÈstimos compulsÛrios e contribuiÁıes especiais.

Gabarito: Errada

(FCC/TCE-PR-Analista de Controle/2011)

Com relaÁ„o aos tributos, È correto afirmar: tÍm natureza determinada pelo fato gerador da obrigaÁ„o, sendo relevantes para qualific·-los: a sua denominaÁ„o e a destinaÁ„o legal do produto de sua arrecadaÁ„o.

Coment·rio: NÛs aprendemos que os tributos tÍm sua natureza jurÌdica determinada realmente pelo fato gerador da obrigaÁ„o, mas a sua denominaÁ„o e a destinaÁ„o legal do produto de sua arrecadaÁ„o s„o irrelevantes para qualific·-los.

Gabarito: Errada

s„o irrelevantes para qualific·-los. Gabarito: Errada Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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4 - ESP…CIES DE TRIBUTOS

O art. 146, III, a, da CF/88, afirma que as espÈcies de tributos s„o definidas por lei complementar. Tais espÈcies est„o expressas no art. 5 do CTN. Contudo, conforme eu j· disse, o entendimento, predominante hoje, È o de que existem cinco espÈcies tribut·rias, a saber:

impostos, taxas, contribuiÁıes de melhoria, emprÈstimos compulsÛrios e contribuiÁıes especiais.

Vamos tratar primeiramente dos impostos.

4.1 - IMPOSTOS

Como vimos, os tributos n„o vinculados est„o relacionados a um fato do contribuinte que, ao se enquadrar na hipÛtese prevista em lei, d· origem ao fato gerador.

TambÈm aprendemos que os impostos s„o tributos n„o vinculados por excelÍncia, por estarem relacionados com uma manifestaÁ„o de riqueza do contribuinte.

com uma manifestaÁ„o de riqueza do contribuinte . As pessoas em geral costumam se referir a

As pessoas em geral costumam se referir a impostos como se fossem sinÙnimos de tributos. A partir de agora, n„o admito que vocÍ os trate assim. Os Impostos s„o apenas uma espÈcie dos tributos!

Trata-se de tributos que buscam realizar a solidariedade social. As pessoas contribuem para consecuÁ„o do bem comum, pois o poder p˙blico n„o se obriga em prestar qualquer tipo de serviÁo especÌfico para aqueles que pagaram impostos.

O art. 16 do CTN È claro, ao dizer que: さラàキマヮラゲデラàYàラàデヴキH┌デラàI┌テ;àラHヴキェ;N?ラàデWマàヮラヴ fato gerador uma situaÁ„o independente de qualquer atividade estatal especÌfica, relativa ao IラミデヴキH┌キミデWくざ Isto È, cabe ao contribuinte apenas pagar!! Podemos dizer, em outros termos, que o pagamento de impostos n„o exige uma contraprestaÁ„o por parte do Estado.

n„o exige uma contraprestaÁ„o por parte do Estado. Os impostos s„o tambÈm denominados tributos n„o

Os impostos s„o tambÈm denominados tributos n„o contraprestacionais e contributivos, por n„o exigirem uma retribuiÁ„o por parte do Estado.

, por n„o exigirem uma retribuiÁ„o por parte do Estado. Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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Ademais, a receita auferida com os impostos n„o est· vinculada, em regra, a qualquer destinaÁ„o. Ou seja, esse È mais um argumento de que os recursos devem ser usados em benefÌcio da coletividade, remunerando os chamados serviÁos gerais uti universi. Cite-se, como exemplo, o serviÁo de seguranÁa p˙blica.

Por serem tributos n„o vinculados, È mais do que justo que haja um limite para a criaÁ„o de impostos, pois, caso contr·rio, os governos tenderiam a criar uma infinidade deles, concorda?

Ent„o, a CF/88 definiu em seu texto os impostos que podem ser criados por cada ente federado. Cabe ressaltar que, em regra, a competÍncia È privativa de cada um deles.

A exceÁ„o fica por conta da Uni„o, que poder· instituir Impostos Extraordin·rios de Guerra IEG atÈ mesmo sobre fatos geradores que foram atribuÌdos aos demais entes. Trata-se de uma exceÁ„o prevista pelo constituinte origin·rio (art. 154) e, portanto, perfeitamente v·lida. N„o se preocupe com isso, pois veremos os detalhes nas prÛximas aulas.

Outro detalhe, a ser ressaltado, È que a Uni„o pode criar outros impostos e outras contribuiÁıes para a seguridade social n„o previstos na CF/88. … a chamada competÍncia residual sÛ permitida para a Uni„o, desde que respeitados os requisitos constitucionais.

AlÈm disso, a CF/88 ainda determina em seu art. 146, III, a, que todos os impostos nela discriminados tenham os respectivos fatos geradores, bases de c·lculo e contribuintes definidos em lei complementar (LC). Trata-se de uma exigÍncia feita apenas aos impostos, n„o alcanÁando os demais tributos.

apenas aos impostos, n„o alcanÁando os demais tributos. Note que a CF/88 n„o menciona alÌquotas ,

Note que a CF/88 n„o menciona alÌquotas, mas apenas fatos geradores, bases de c·lculos e contribuintes. Somente estes devem ser definidos em LC.

AlÈm disso, destaque-se que a CF n„o cria tributos, mas, apenas, defere a competÍncia tribut·ria aos entes federados para que eles editem as leis instituidoras. Como prova disso, temos o Imposto sobre Grandes Fortunas IGF, que est· previsto na CF/88, mas que ainda n„o foi criado pela Uni„o. Observe a tabela abaixo, contendo os impostos previstos na CF/88:

(Segue na prÛxima p·gina

)

os impostos previstos na CF/88: (Segue na prÛxima p·gina ) Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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MunicÌpios e Distrito Federal
MunicÌpios e
Distrito Federal
MunicÌpios e Distrito Federal ISS IPTU ITBI ITCMD Estados e ICMS Distrito Federal IPVA II IE
MunicÌpios e Distrito Federal ISS IPTU ITBI ITCMD Estados e ICMS Distrito Federal IPVA II IE
ISS IPTU ITBI
ISS
IPTU
ITBI
ITCMD Estados e ICMS Distrito Federal IPVA
ITCMD
Estados e
ICMS
Distrito Federal
IPVA
II IE IR IPI Uni„o IOF ITR IGF IEG I. Residuais Direito Tribut·rio para TRF
II
IE
IR
IPI
Uni„o
IOF
ITR
IGF
IEG
I.
Residuais
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ObservaÁ„o: Neste momento, vocÍ n„o precisa se preocupar com nenhum desses impostos. Basta apenas saber que existem e que, alÈm disso, o Distrito Federal pode instituir tanto os impostos estaduais como os impostos municipais. … o que se denomina de competÍncia cumulativa.

4.1.1 - Os impostos e o princÌpio da capacidade contributiva

Vamos discorrer neste tÛpico acerca da relaÁ„o entre os impostos e o princÌpio da capacidade contributiva. Veja o que diz a CF/88:

さáヴデくàヱヴヵà

( )

ß 1 - Sempre que possÌvel, os impostos ter„o car·ter pessoal e ser„o graduados segundo a capacidade econÙmica do contribuinte, facultado ‡ administraÁ„o tribut·ria, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimÙnio, os ヴWミSキマWミデラゲàWà;ゲà;デキ┗キS;SWゲàWIラミレマキI;ゲàSラàIラミデヴキH┌キミデWくざ

Pela redaÁ„o do dispositivo, percebemos que È obrigaÁ„o do legislador, se possÌvel, conferir car·ter pessoal aos impostos. O que seria isso?

Vamos citar o exemplo do Imposto de Renda, que È um imposto que incide sobre os rendimentos das pessoas, sendo, portanto, um imposto pessoal (veremos que tambÈm existem os impostos reais, que incidem sobre coisas). Podemos dizer que gradu·-lo segundo a capacidade econÙmica do contribuinte seria possibilitar que contribuintes que ganham o mesmo sal·rio, mas tenham despesas totalmente diferentes, possam contribuir com valores diferentes. Ou seja, considera-se os aspectos pessoais de cada contribuinte.

Se Jo„o e Pedro ganham R$ 5.000,00 mensais cada um, sendo que Jo„o È solteiro e Pedro È casado e possui dois filhos, n„o seria justo tribut·-los de maneira igual, pois certamente o padr„o de vida de ambos n„o s„o iguais, certo? Da mesma maneira, obviamente, se Jo„o e Pedro ganharem sal·rios distintos, a tributaÁ„o tambÈm deve ser diferenciada para cada um deles.

tambÈm deve ser diferenciada para cada um deles. Embora a CF/88 apenas relacione o princÌpio da

Embora a CF/88 apenas relacione o princÌpio da capacidade contributiva aos impostos, o STF j· afirmou que nada impede que ele seja aplicado na criaÁ„o de taxas.

nada impede que ele seja aplicado na criaÁ„o de taxas . Direito Tribut·rio para TRF 3

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4.1.2 - Os impostos e a lei complementar

Diferentemente do que ocorre em relaÁ„o ‡s demais espÈcies tribut·rias, no caso dos impostos, ; CFっΒΒ ふ;ヴデく ヱヴヶが IIIが さ;ざぶ キマヮレゲ ケ┌W ラゲ ゲW┌ゲ a;デラゲ ェWヴ;SラヴWゲが H;ゲWゲ SW I=ノI┌ノラ W contribuintes devem ser definidos em lei complementar.

Neste ponto, muitos alunos perguntam: isso significa que todos os impostos devem ser instituÌdos por lei complementar? Definitivamente, n„o! A lei complementar a que alude o dispositivo constitucional n„o È lei instituidora de tributos, mas, sim, uma lei que definir· normas gerais em matÈria tribut·ria.

Diante do exposto, os entes tributantes, ao instituÌrem determinado imposto, n„o podem contrariar as definiÁıes da lei complementar, no que diz respeito ao fato gerador, base de c·lculo e contribuintes.

Para deixar este assunto bastante claro, vejamos a redaÁ„o do referido dispositivo:

Art. 146. Cabe ‡ lei complementar:

( )

III - estabelecer normas gerais em matÈria de legislaÁ„o tribut·ria, especialmente sobre:

a) definiÁ„o de tributos e de suas espÈcies, bem como, em relaÁ„o aos impostos discriminados nesta ConstituiÁ„o, a dos respectivos fatos geradores, bases de c·lculo e contribuintes;

4.1.3 - Os Impostos e o princÌpio da n„o afetaÁ„o (ou n„o vinculaÁ„o)

Retomando o que dissemos acerca da n„o vinculaÁ„o do produto da arrecadaÁ„o dos impostos, È importante ressaltar que essa vinculaÁ„o est· literalmente proibida pelo texto constitucional, no art. 167, IV. … o que chamamos de princÌpio da n„o afetaÁ„o (ou n„o vinculaÁ„o).

H· que se destacar, contudo, que tal princÌpio possui exceÁıes, ou seja, n„o È um princÌpio absoluto. A seguir, trago um resumo com as exceÁıes ao referido princÌpio:

trago um resumo com as exceÁıes ao referido princÌpio: Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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ExceÁıes ao PrincÌpio da N„o AfetaÁ„o dos Impostos
ExceÁıes ao PrincÌpio da N„o AfetaÁ„o
dos Impostos
1™ 2™ 3™ - PrestaÁ„o de garantias para: RepartiÁ„o DestinaÁ„o de recursos para o (II)
1™
2™
3™ - PrestaÁ„o
de garantias
para:
RepartiÁ„o
DestinaÁ„o de
recursos para o
(II) A Uni„o
constitucional
(garantia e
desenvolvimen-
dos impostos.
contragarantia).
to do ensino.
DestinaÁ„o de
recursos para a
sa˙de.
DestinaÁ„o de
recursos para
a atividade de
ADM.
Tribut·ria
(I) OperaÁıes de
crÈdito por
antecipaÁ„o de
receita
(III) Pagamento
de dÈbitos para
com esta.

O quadro acima tem como ˙nico objetivo deixar claro que existem exceÁıes ao princÌpio da n„o afetaÁ„o, ou seja, h· situaÁıes excepcionais em que a receita dos impostos pode ser destinada a um fim especÌfico.

dos impostos pode ser destinada a um fim especÌfico. As exceÁıes mais importantes para uma prova

As exceÁıes mais importantes para uma prova de Direito Tribut·rio s„o a primeira (repartiÁ„o constitucional e sa˙de/ensino/ADM. Tribut·ria).

Recomendo uma r·pida leitura dos arts. 157 a 162 e do art. 167, IV, todos da CF/88.

dos arts. 157 a 162 e do art. 167, IV, todos da CF/88. Direito Tribut·rio para

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Prof. F·bio Dutra Aula 00 0 (FCC/TRT-20™ Regi„o-Analista Judici·rio/2016) De acordo com o CÛdigo Tribut·rio

(FCC/TRT-20™ Regi„o-Analista Judici·rio/2016) De acordo com o CÛdigo Tribut·rio Nacional, a exaÁ„o cuja obrigaÁ„o tem por fato gerador uma situaÁ„o independente de qualquer atividade estatal especÌfica, relativa ao contribuinte, denomina-se

a) emprÈstimo compulsÛrio, quando sua ocorrÍncia for eventual.

b) imposto, tanto quando a competÍncia for da Uni„o, como quando for dos Estados ou dos

MunicÌpios.

c) expectativa de benefÌcio, decorrente de pagamento de contribuiÁ„o social.

d) taxa, pelo uso potencial de serviÁo p˙blico especÌfico e divisÌvel.

e) preÁo p˙blico, por serviÁo a ser prestado em exercÌcio futuro.

Coment·rio: Trata-se de uma quest„o bastante direta. Uma vez que voc~e j· conhece o art. 16, do CTN, n„o resta d˙vidas quanto ‡ resposta da exaÁ„o cuja obrigaÁ„o tem por fato gerador uma situaÁ„o independente de qualquer atividade estatal especÌfica, relativa ao contribuinte: È o imposto.

Gabarito: Letra B

4.2 - TAXAS

Caros amigos, diferentemente do que vimos em relaÁ„o aos impostos, o fato gerador das taxas È uma atividade que o poder p˙blico realiza para o contribuinte. Para custear tais atividades, s„o instituÌdas as taxas.

Assim, pode-se afirmar que o fato gerador da taxa, ou melhor, a situaÁ„o que faz surgir a obrigaÁ„o de um contribuinte arcar com o pagamento de taxa, È um fato do Estado, e n„o do contribuinte. Isso significa que È o Estado que deve agir para realizar a cobranÁa da taxa.

Com base em tais informaÁıes, pode-se afirmar que ocorre a referibilidade da atividade estatal em relaÁ„o ao contribuinte, isto È, a atuaÁ„o estatal que constitui o fato deve ser direcionada ao contribuinte, e n„o ‡ coletividade. … por isso que se diz que as taxas s„o tributos retributivos ou contraprestacionais.

taxas s„o tributos retributivos ou contraprestacionais . O fato gerador da taxa È um fato do

O fato gerador da taxa È um fato do Estado.

. O fato gerador da taxa È um fato do Estado. Direito Tribut·rio para TRF 3

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Mas quais seriam os fatos geradores das taxas? Vamos observar o que diz o art. 77 do CTN:

さáヴデくàΑΑくàáゲàデ;┝as cobradas pela Uni„o, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos MunicÌpios, no ‚mbito de suas respectivas atribuiÁıes, tÍm como fato gerador o exercÌcio regular do poder de polÌcia, ou a utilizaÁ„o, efetiva ou potencial, de serviÁo p˙blico especÌfico e divisÌvel, prestado ao contribuinte ou posto ‡ sua disposiÁ„o.

Em primeiro lugar, precisamos nos atentar ao fato de que as taxas s„o tributos que podem ser instituÌdos por qualquer um dos entes federados (Uni„o, Estados, Distrito Federal e MunicÌpios), a depender das atribuiÁıes constitucionalmente conferidas a cada ente. Por isso, dizemos que a competÍncia para instituir taxas È comum.

dizemos que a competÍncia para instituir taxas È comum. A competÍncia para se instituir taxas È

A competÍncia para se instituir taxas È mesmo comum?

PラSWマラゲàSキ┣Wヴà ケ┌Wà;àWゲヮYIキWà デヴキH┌デ=ヴキ;à さデ;┝;ざàYà SWà IラマヮWデZミIキ;àIラマ┌マがàヮラSWミSラà ゲWヴàキミゲデキデ┌ケS;à pela Uni„o, Estados, Distrito Federal e MunicÌpios. Contudo, em relaÁ„o a cada taxa a ser instituÌda, a competÍncia È privativa de cada ente. Isso significa que, em relaÁ„o aos serviÁos p˙blicos municipais ou ao exercÌcio do poder de polÌcia municipal, ensejadores de cobranÁa por meio de taxa, este tributo È de competÍncia privativa dos MunicÌpios. Destaque-se que esse detalhe sÛ deve ser considerado na prova se a quest„o se aprofundar nisso!

PWヴIWH;àケ┌WàラàSキゲヮラゲキデキ┗ラàa;ノ;àさミラà>マHキデラàSWàゲ┌;ゲàヴWゲヮWIデキ┗;ゲà;デヴキH┌キNロWゲざくàDWゲゲ;àaラヴマ;がà<à Uni„o, por exemplo, sÛ cabe instituir taxas por determinado serviÁo p˙blico ou fiscalizaÁ„o que seja de sua competÍncia. Podemos dizer que ocorre o mesmo em relaÁ„o aos demais entes.

Caro aluno, o ponto mais importante e que mais cai em provas do art. 77 s„o os fatos geradores da taxa, quais sejam: exercÌcio regular do poder de polÌcia e a utilizaÁ„o, efetiva ou potencial, de serviÁo p˙blico especÌfico e divisÌvel.

Por serem itens importantes, vamos dividi-los em dois tÛpicos, abordando detalhadamente cada um dos fatos geradores que ensejam a cobranÁa da taxa.

4.2.1 - Taxas de serviÁos

As taxas de serviÁo s„o criadas para custear serviÁos p˙blicos prestados pelo poder p˙blico ‡ populaÁ„o em geral.

Cabe observar, como È do conceito dos tributos, que o contribuinte n„o poder· fazer opÁ„o por n„o receber determinada prestaÁ„o de serviÁo estatal.

Por outro lado, o Estado pode ou n„o optar por tributar determinado serviÁo (dependendo de uma lei para instituir a respectiva taxa) que se enquadre na definiÁ„o do CTN, que a seguir veremos:

se enquadre na definiÁ„o do CTN, que a seguir veremos: Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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さáヴデくàΑΓくàOゲàゲWヴ┗キNラゲàヮ┎HノキIラゲà;àケ┌WàゲWàヴWaWヴWàラà;ヴデキェラàΑΑàIラミゲキSWヴ;マ-se:

I - utilizados pelo contribuinte:

a) efetivamente, quando por ele usufruÌdos a qualquer tÌtulo;

b) potencialmente, quando, sendo de utilizaÁ„o compulsÛria, sejam postos ‡ sua disposiÁ„o mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento;

II - especÌficos, quando possam ser destacados em unidades autÙnomas de intervenÁ„o, de unidade, ou de necessidades p˙blicas;

III - divisÌveis, quando suscetÌveis de utilizaÁ„o, separadamente, por parte de cada um dos seus usu·rios.

Veja que o serviÁo prestado pode ser utilizado efetivamente pelo usu·rio ou n„o. Quando o CTN fala em utilizaÁ„o potencial, est· se referindo ‡queles casos em que o serviÁo foi oferecido ao contribuinte, mas ele n„o o utilizou.

O que deve ser gravado È que a disponibilizaÁ„o do serviÁo deve ser efetiva, e o que pode

ser potencial ou efetivo È a utilizaÁ„o por parte do contribuinte.

ou efetivo È a utilizaÁ„o por parte do contribuinte. Cuidado! A disponibilizaÁ„o do serviÁo deve acontecer

Cuidado! A disponibilizaÁ„o do serviÁo deve acontecer para que haja a cobranÁa. Contudo, segundo o STF (RE 588.322), a prestaÁ„o pode ser potencial ou a utilizaÁ„o, sob a Ûtica do contribuinte.

Vamos citar o exemplo da coleta domiciliar de lixo. Um caminh„o passa em frente ‡ casa do Sr. Jo„o todos os dias para retirar o seu lixo domiciliar. Consideremos, ainda, que Jo„o viaje e fique um mÍs de fÈrias. Dever· pagar a taxa decorrente desse serviÁo p˙blico?

… evidente que sim. Percebam que houve a disponibilizaÁ„o do serviÁo, ainda que o contribuinte n„o o tenha utilizado (utilizaÁ„o potencial, neste caso). Ok?

Outra caracterÌstica referente aos serviÁos p˙blicos È a de que devem ser especÌficos e divisÌveis. Mas o que vem a ser isso?

ServiÁos especÌficos nos dizeres do CTN, significa que podem ser destacados em unidades autÙnomas de intervenÁ„o, de unidade, ou de necessidades p˙blicas. Segundo a doutrina, s„o aqueles serviÁos prestados singularmente a determinado usu·rio. Com isso, o usu·rio consegue identificar exatamente o serviÁo que lhe est· sendo prestado. ServiÁos divisÌveis pela redaÁ„o do CTN, s„o divisÌveis quando suscetÌveis de utilizaÁ„o, separadamente, por cada um de seus usu·rios. Podemos dizer que tais serviÁos trazem benefÌcios individuais a cada usu·rio. S„o serviÁos dirigidos a determinadas pessoas.

usu·rio. S„o serviÁos dirigidos a determinadas pessoas. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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O mais importante deste trecho È vocÍ gravar a terminologia utilizada pelo CTN, em seu art. 79, incisos II e III.

Agora que j· vimos a parte conceitual a respeito da taxa de serviÁo, surge a d˙vida: quais serviÁos estatais se enquadram no conceito legal e s„o dignos de cobranÁa, por meio de taxas? E quais n„o podem? Veremos tudo isso a seguir!

Em primeiro lugar, devemos ter em mente que as taxas sÛ podem custear serviÁos especÌficos e divisÌveis, que tambÈm podem ser chamados de uti singuli. Os serviÁos gerais (uti universi), por outro lado, n„o podem ser custeados por taxas, pela ausÍncia da especificidade e divisibilidade. Estes devem ser financiados com a arrecadaÁ„o de impostos. Esta È a regra geral e o que vocÍ deve guardar.

Por tal motivo, devemos saber que, segundo o STF, o serviÁo de iluminaÁ„o p˙blica n„o pode ser remunerado mediante taxa. Ora, È possÌvel identificar todos os benefici·rios de tal serviÁo? Certamente n„o È! Por isso, o Tribunal publicou a seguinte s˙mula vinculante:

S˙mula Vinculante 41 - O serviÁo de iluminaÁ„o p˙blica n„o pode ser remunerado mediante taxa

ObservaÁ„o: Esta s˙mula vinculante possui a mesma redaÁ„o da S˙mula 670 do STF. Isso significa que j· se tratava de entendimento pacÌfico no STF.

que j· se tratava de entendimento pacÌfico no STF. Qual È a diferenÁa das S˙mulas do

Qual È a diferenÁa das S˙mulas do STF para as S˙mulas Vinculantes desta Corte?

Uma s˙mula tem por finalidade refletir o entendimento do tribunal, proporcionando uniformidade aos julgamentos que versarem sobre o mesmo tema. A S˙mula Vinculante È uma s˙mula especial, que possui efeito vinculante em relaÁ„o aos demais Ûrg„os do Poder Judici·rio e ‡ administraÁ„o p˙blica direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Foi criada pela Emenda Constitucional 45/04, com o objetivo de ajudar a diminuir o n˙mero de recursos que chegam ‡s inst‚ncias superiores e ao prÛprio STF, conferindo maior celeridade aos julgamentos dos processos judiciais.

maior celeridade aos julgamentos dos processos judiciais. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Se os serviÁos gerais devem ser financiados com a renda recebida dos impostos, ent„o deveria haver um imposto para custear a iluminaÁ„o p˙blica? N„o! Lembre-se de que o fato gerador dos impostos È uma situaÁ„o independente de qualquer atividade estatal especÌfica, relativa ao contribuinte (CTN, art. 16).

Ainda nessa aula, estudaremos as demais espÈcies tribut·rias e veremos que a iluminaÁ„o p˙blica È custeada por um tributo denominado ContribuiÁ„o de IluminaÁ„o P˙blica (CF/88, art. 149-A). Foi a saÌda encontrada, j· que n„o era possÌvel instituir uma taxa ou um imposto, neste caso.

Outro serviÁo p˙blico que n„o pode ser remunerado por taxa È a seguranÁa p˙blica. Por ser atividade indivisÌvel, deve ser remunerada pelos impostos. Segundo o entendimento do STF

(ADI 1.942-MCがà‘WノくàMキミくàMラヴWキヴ;àáノ┗WゲぶがàさゲWミSラà;àゲWェ┌ヴ;ミN;àヮ┎HノキI;がàSW┗WヴàSラàEゲデ;SラàWàSキヴWキデラàSWà todos, exercida para a preservaÁ„o da ordem p˙blica e da incolumidade das pessoas e do patrimÙnio, atravÈs, entre outras, da PolÌcia Militar, essa atividade do Estado sÛ pode ser

sustentada pelos impostos, e n„o por taxa

Quanto a esse assunto, cabe destacar que, em 2017 (RE 643.247/SP), o STF julgou inconstitucional lei municipal que instituiu taxa pela utilizaÁ„o efetiva ou potencial dos serviÁos municipais de assistÍncia, combate e extinÁ„o de incÍndios, com o objetivo de ressarcir o er·rio municipal do custo da manutenÁ„o do serviÁo de combate a incÍndios.

De acordo com o Relator Min. Marco AurÈlio, o art. 144, da ConstituiÁ„o Federal, atribui aos estados, por meio dos Corpos de Bombeiros Militares, a execuÁ„o de atividades de defesa civil, incluindo a prevenÁ„o e o combate a incÍndios. Por essa raz„o, o MunicÌpio n„o poderia substituir o Estado por meio da criaÁ„o de um tributo especÌfico para esse fim.

ざく

ObservaÁ„o: Lembre-se de que eu j· havia comentado sobre a instituiÁ„o de taxas no ‚mbito das atribuiÁıes de cada ente federado. Veja, ent„o, que o Ministro do STF considerou esta regra.

Ademais, o relator considerou que o serviÁo a que se refere a lei municipal È indivisÌvel, isto È, atividades em prol de seguranÁa p˙blica tÍm como benefici·rio a coletividade, raz„o pela qual se torna inadmissÌvel a instituiÁ„o da referida taxa, mesmo que pelos Estados.

Ressalta-se que o serviÁo de limpeza p˙blica tambÈm n„o pode ser remunerado por taxa. Tal afirmaÁ„o tem amparo na jurisprudÍncia do STF e STJ. Frise-se que quando nos referimos ‡ limpeza p˙blica, estamos tratando de atividades como varriÁ„o, lavagem, capinaÁ„o etc. Repare que a coleta domiciliar de lixo n„o est· incluÌda nesse rol.

a coleta domiciliar de lixo n„o est· incluÌda nesse rol. Cuidado! O serviÁo de limpeza p˙blica

Cuidado! O serviÁo de limpeza p˙blica n„o se confunde com o serviÁo de coleta domiciliar de lixo.

se confunde com o serviÁo de coleta domiciliar de lixo. Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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Esta (a coleta domiciliar de lixo), por outro lado, pode ser remunerada por taxa. Encontramos respaldo na jurisprudÍncia do STF, que culminou na publicaÁ„o da seguinte s˙mula vinculante:

S˙mula Vinculante 19: A taxa cobrada exclusivamente em raz„o dos serviÁos p˙blicos de coleta, remoÁ„o e tratamento ou destinaÁ„o de lixo ou resÌduos provenientes de imÛveis, n„o viola o artigo 145, II, da ConstituiÁ„o Federal.

O motivo que levou a Corte Suprema a entender dessa forma È que, o serviÁo de coleta domiciliar de lixo È prestado aos propriet·rios dos imÛveis, tornando-se simples a identificaÁ„o dos usu·rios de tal serviÁo.

Veja que o destinat·rio da aÁ„o estatal È facilmente identificado e os benefÌcios tambÈm podem ser percebidos pelos contribuintes, de forma que o serviÁo se amolda aos conceitos do CTN, podendo ser custeado por taxas.

H· que se destacar que, de acordo com a Suprema Corte, tal atividade (coleta domiciliar de lixo) sÛ pode ser custeada pelas taxas se for completamente dissociada de outros serviÁos p˙blicos realizados em favor da coletividade.

Outro ponto a ser destacado È a decis„o do STF pela inconstitucionalidade da taxa cobrada pelo MunicÌpio por emiss„o ou remessa de carnÍs/guias de recolhimento de tributos. Seria o caso, por exemplo, de o MunicÌpio cobrar uma taxa juntamente com o IPTU, referente ao custo de emiss„o desse carnÍ. O STF considerou a exaÁ„o inconstitucional em decis„o cuja ementa segue abaixo:

EMENTA TRIBUT£RIO. REPERCUSS O GERAL. RATIFICA« O DA JURISPRUD NCIA. TAXA DE EXPEDIENTE. FATO GERADOR. EMISS O DE GUIA PARA PAGAMENTO DE TRIBUTO. AUS NCIA DOS CRIT…RIOS EXIGIDOS PELO ART. 145, II, CF/88. INCONSTITUCIONALIDADE. 1. A emiss„o de guia de recolhimento de tributos È de interesse exclusivo da AdministraÁ„o, sendo mero instrumento de arrecadaÁ„o, n„o envolvendo a prestaÁ„o de um serviÁo p˙blico ao contribuinte. 2. Possui repercuss„o geral a quest„o constitucional suscitada no apelo extremo. Ratifica-se, no caso, a jurisprudÍncia da Corte consolidada no sentido de ser inconstitucional a instituiÁ„o e a cobranÁa de taxas por emiss„o ou remessa de carnÍs/guias de recolhimento de tributos. Precedente do Plen·rio da Corte: Rp n 903, Rel. Min. Thompson Flores, DJ de 28/6/74. 3. Recurso extraordin·rio do qual se conhece, mas ao qual, no mÈrito, se nega provimento. (STF, Plen·rio, RE 789.218-RG/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, Julgamento em 17/04/2014)

Por ˙ltimo, devemos destacar que as custas judiciais e os emolumentos concernentes aos serviÁos notariais e registrais s„o considerados taxas de serviÁo, de acordo com o entendimento do STF. O motivo È bastante simples: s„o serviÁos especÌficos e divisÌveis. Tudo bem atÈ aqui?

Vamos para a outra modalidade de taxas.

Tudo bem atÈ aqui? Vamos para a outra modalidade de taxas. Direito Tribut·rio para TRF 3

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4.2.2 - Taxas de polÌcia

Vimos que o art. 77 do CTN fala que o fato gerador das taxas tanto pode ser a prestaÁ„o de serviÁos p˙blicos como o exercÌcio do poder de polÌcia. Mas o que vem a ser poder de polÌcia?

Na definiÁ„o do prÛprio CTN, temos que:

さáヴデくà ΑΒくà CラミゲキSWヴ;-se poder de polÌcia atividade da administraÁ„o p˙blica que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a pr·tica de ato ou abstenÁ„o de fato, em raz„o de interesse p˙blico concernente ‡ seguranÁa, ‡ higiene, ‡ ordem, aos costumes, ‡ disciplina da produÁ„o e do mercado, ao exercÌcio de atividades econÙmicas dependentes de concess„o ou autorizaÁ„o do Poder P˙blico, ‡ tranq¸iliS;SWàヮ┎HノキI;àラ┌à;ラàヴWゲヮWキデラà<àヮヴラヮヴキWS;SWàWà;ラゲàSキヴWキデラゲàキミSキ┗キS┌;キゲàラ┌àIラノWデキ┗ラゲくざ

O poder de polÌcia È aquele que a administraÁ„o p˙blica dispıe para restringir alguns direitos individuais de cada particular, tendo em vista os interesses coletivos.

H· diversas atividades fiscalizadoras que podem ensejar a cobranÁa da taxa de polÌcia. Vamos abordar nesse curso as principais delas.

Cite-se, primeiramente, a taxa de alvar· (ou taxa de localizaÁ„o), que È cobrada para custear a fiscalizaÁ„o sobre as obras realizadas em determinado municÌpio, verificando-se as caracterÌsticas arquitetÙnicas destas obras.

Temos tambÈm a Taxa de Controle e FiscalizaÁ„o Ambiental (TCFA), cobrada em funÁ„o do exercÌcio regular do poder de polÌcia, realizado pelo IBAMA, com objetivo de controlar e fiscalizar as atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais.

Outro exemplo de taxa de polÌcia È a taxa de fiscalizaÁ„o dos mercados de tÌtulos e valores mobili·rios pela Comiss„o de Valores Mobili·rios (CVM). Tal taxa foi considerada constitucional pelo STF, como pode ser percebido pela leitura da seguinte s˙mula:

S˙mula STF 665 … constitucional a taxa de fiscalizaÁ„o dos mercados de tÌtulos e valores mobili·rios instituÌda pela Lei 7.940/1989.

H· tambÈm a taxa de fiscalizaÁ„o de an˙ncios, que visa a custear a fiscalizaÁ„o das atividades publicit·rias dentro do municÌpio. A tÌtulo de exemplo, em 1999 foi considerada constitucional pelo STF uma taxa desse tipo instituÌda pelo MunicÌpio de Belo Horizonte:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUT£RIO. MUNICÕPIO DE BELO HORIZONTE. TAXA DE FISCALIZA« O DE AN⁄NCIOS - TFA. TAXA DE FISCALIZA« O, LOCALIZA« O E FUNCIONAMENTO - TFLF. ALEGADA OFENSA AO ART. 145, ß 2 , DA CONSTITUI« O. CONSTITUCIONALIDADE. EFETIVO EXERCÕCIO DO PODER DE POLÕCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. S⁄MULA N. 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. Este Tribunal decidiu pela constitucionalidade da cobranÁa da Taxa de FiscalizaÁ„o de An˙ncios - TFA e da Taxa de FiscalizaÁ„o, LocalizaÁ„o e Funcionamento - TFLF, ambas do MunicÌpio de Belo Horizonte, por entender que s„o exigidas com fundamento no efetivo exercÌcio do poder de polÌcia pelo ente municipal. 2. Firmou- se, ainda, o entendimento de que n„o h· identidade entre a base de c·lculo das referidas taxas com a do IPTU, situaÁ„o que n„o viola a vedaÁ„o prevista no disposto no

que n„o viola a vedaÁ„o prevista no disposto no Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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artigo 145, ß 2 , da ConstituiÁ„o do Brasil. 3. Assentada a efetividade do exercÌcio do poder de polÌcia para a cobranÁa das taxas em quest„o, para que se pudesse dissentir dessa orientaÁ„o seria necess·rio o reexame de fatos e provas, circunst‚ncia que impede a admiss„o do extraordin·rio ante o Ûbice da S˙mula n. 279 do STF. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, Segunda Turma, AI 618.150-AgR/MG, Rel. Min. Eros Grau, Julgamento em

13/03/2007)

Cabe salientar que, para o STF, a existÍncia de Ûrg„o administrativo constitui elemento para se concluir que houve o efetivo exercÌcio do poder de polÌcia:

"O texto constitucional diferencia as taxas decorrentes do exercÌcio do poder de polÌcia

daquelas de utilizaÁ„o de serviÁos especÌficos e divisÌveis, facultando apenas a estas a prestaÁ„o potencial do serviÁo p˙blico. A regularidade do exercÌcio do poder de polÌcia

È imprescindÌvel para a cobranÁa da taxa de localizaÁ„o e fiscalizaÁ„o. ¿ luz da

jurisprudÍncia deste STF, a existÍncia do Ûrg„o administrativo n„o È condiÁ„o para o

reconhecimento da constitucionalidade da cobranÁa da taxa de localizaÁ„o e fiscalizaÁ„o, mas constitui um dos elementos admitidos para se inferir o efetivo exercÌcio do poder de polÌcia, exigido constitucionalmente. … constitucional taxa de

renovaÁ„o de funcionamento e localizaÁ„o municipal, desde que efetivo o exercÌcio do poder de polÌcia, demonstrado pela existÍncia de Ûrg„o e estrutura competentes para

o respectivo exercÌcio, tal como verificado na espÈcie quanto ao MunicÌpio de Porto Velho/RO." (STF, Pleno, RE 588.322, Rel. Min. Gilmar Mendes, Julgamento em 16/06/2010, Com Repercuss„o Geral.)

No mesmo sentido, temos o seguinte julgado:

EMENTA: TAXA DE LICEN«A PARA LOCALIZA« O E FUNCIONAMENTO. EXERCÕCIO DO PODER DE POLÕCIA. ART. 145, II, DA CONSTITUI« O. - AusÍncia de prequestionamento - fundamento suficiente, que n„o restou impugnado pela agravante. - A cobranÁa da taxa de localizaÁ„o e funcionamento, pelo MunicÌpio de S„o Paulo, prescinde da efetiva comprovaÁ„o da atividade fiscalizadora, diante da notoriedade do exercÌcio do poder de polÌcia pelo aparato administrativo dessa municipalidade. Precedentes. - Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, 1™ Turma, RE 222.252-AgR/SP, Rel. Min. Ellen Gracie, Julgado em 16/04/2001, com repercuss„o geral.)

Fique atento, portanto, em relaÁ„o ‡ forma com que a banca pode cobrar o assunto. Se disser que o fato gerador da taxa, segundo o CTN, pode ser o exercÌcio regular do poder de polÌcia, est· correto. TambÈm est· correto se disser que n„o h· necessidade de efetiva visita da fiscalizaÁ„o ao estabelecimento do contribuinte para que seja cobrada a taxa de polÌcia.

Por fim, deve-se frisar que o exercÌcio do poder de polÌcia deve ser regular, isto significa, de acordo com o par. ˙nico do art. 78, do CTN, que deve ser desempenhado pelo Ûrg„o competente

do CTN, que deve ser desempenhado pelo Ûrg„o competente Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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nos limites da lei aplic·vel, com observ‚ncia do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricion·ria, sem abuso ou desvio de poder.

4.2.3 - Base de c·lculo das taxas

De acordo com Aires Barreto, a base de c·lculo さIラミゲキゲデWàWマàIヴキデYヴキラà;Hゲデヴ;デラàヮ;ヴ;àマWSキヴàラゲà fatos デヴキH┌デ=ヴキラゲàケ┌WがàIラミテ┌ェ;Sラà<à;ノケケ┌ラデ;がàヮWヴマキデWàラHデWヴà;àけSケ┗キS;àデヴキH┌デ=ヴキ;げざく

No que se refere ‡s taxas, a base de c·lculo deve ser utilizada para permitir que o ente federado encontre um valor que satisfaÁa apenas as despesas que ele teve com a prestaÁ„o dos serviÁos. Caso contr·rio, haveria enriquecimento sem causa por parte do Estado. … claro que n„o È exigida uma precis„o dos valores, mas apenas que n„o haja total desvinculaÁ„o entre um valor e outro.

Foi, com base neste raciocÌnio, que o STF j· considerou inconstitucional a da Taxa de LicenÁa de LocalizaÁ„o e de Funcionamento que tenha como base de c·lculo o n˙mero de empregados. Vejamos um trecho da ementa deste julgado:

さT;┝;à SWà LキIWミN;à SWà LラI;ノキ┣;N?ラà Wà SWà F┌ミIキラミ;マWミデラくà B;ゲWà SWà I=ノI┌ノラくà N┎マWヴラà SWà empregados. Inconstitucionalidade. A Corte adota entendimento no sentido da inconstitucionalidade da cobranÁa da Taxa de LicenÁa de LocalizaÁ„o e de Funcionamento pelos municÌpios quando utilizado como base de c·lculo o n˙mero de empregadosざくà (STF, Primeira Turma, RE 614.246-AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, Julgamento em

07/02/2012)

Dando continuidade ao nosso estudo, conforme dissemos no tÛpico referente aos impostos, a base de c·lculo tambÈm pode ser usada para identificar a natureza jurÌdica de um tributo, juntamente com a an·lise do fato gerador.

Nesse contexto, se o legislador criar um tributo e denomin·-lo taxa, mas, em sua base de c·lculo, inserir uma grandeza que n„o tenha a ver com qualquer atividade estatal relativa ao contribuinte, estar· na verdaSWàIヴキ;ミSラà┌マàさキマヮラゲデラàSキゲa;ヴN;Sラざく

… por isso que a nossa ConstituiÁ„o Federal proibiu a identidade entre a base de c·lculo de uma taxa e de um imposto (tal proibiÁ„o tambÈm pode ser encontrada no art. 77, par·grafo ˙nico, do CTN). Veja:

Art. 145: (

ß 2 - As taxas n„o poder„o ter base de c·lculo prÛpria de impostos.

)

Com base no texto constitucional, o STF editou a seguinte s˙mula:

S˙mula STF 595 … inconstitucional a taxa municipal de conservaÁ„o de estradas de rodagem cuja base de c·lculo seja idÍntica ‡ do Imposto Territorial Rural.

de c·lculo seja idÍntica ‡ do Imposto Territorial Rural. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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Perceba que h· dois motivos que impedem a cobranÁa da taxa municipal de conservaÁ„o de estradas de rodagem. Um, nÛs sabemos, que È o fato de possuir base de c·lculo idÍntica ‡ do ITR. Mas qual seria o outro motivo? VocÍ j· È capaz de identificar?

Se ainda n„o encontrou, o segundo motivo È que essa taxa n„o se refere a um serviÁo especÌfico e divisÌvel. Afinal, como mensurar exatamente aqueles que utilizam uma determinada rodovia? Parece uma tarefa bem ·rdua, certo?

Cabe observar que, atualmente, o STF possui o entendimento de que È possÌvel que a taxa seja calculada sobre um ou mais elementos da base de c·lculo de um imposto, desde que n„o haja identidade entre uma base e outra. Observe a redaÁ„o da seguinte s˙mula vinculante:

S˙mula Vinculante 29 - … constitucional a adoÁ„o, no c·lculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da base de c·lculo prÛpria de determinado imposto, desde que n„o haja integral identidade entre uma base e outra.

Vamos demonstrar a aplicabilidade da s˙mula citada a um caso real, ocorrido no MunicÌpio de S„o Carlos. Nesse municÌpio, houve a repartiÁ„o dos custos da atividade de coleta domiciliar de lixo entre os propriet·rios de bens imÛveis, na proporÁ„o da ·rea construÌda de cada imÛvel beneficiado com o serviÁo.

O STF (RE 232.393-SP), ao se posicionar sobre o fato, entendeu que さラàa;デラàSWà;à;ノケケ┌ラデ;àS;à referida taxa variar em funÁ„o da metragem da ·rea construÌda do imÛvel que constitui apenas um dos elementos que integram a base de c·lculo do IPTU n„o implica identidade com a base de c·lculo do IPTU, afastando-ゲWà;à;ノWェ;S;àラaWミゲ;à;ラà;ヴデくàヱヴヵがàよàヲ┨がàS;àCFざく

Ainda sobre a base de c·lculo das taxas, o CTN acrescentou outro detalhe, dizendo que as taxas tambÈm n„o podem ser calculadas em funÁ„o do capital social das empresas, como vemos a seguir:

Art. 77: ( )

Par·grafo ˙nico. A taxa n„o pode ter base de c·lculo ou fato gerador idÍnticos aos que correspondam a imposto nem ser calculada em funÁ„o do capital das empresas.

Ora, o motivo È Ûbvio. Sabemos que o fato gerador das taxas deve ser necessariamente um serviÁo p˙blico prestado ou o exercÌcio do poder de polÌcia. Sabemos tambÈm que deve haver uma correlaÁ„o entre o custo da atividade prestada ao contribuinte e o valor a ser cobrado dele.

Portanto, n„o nos parece razo·vel cobrar um valor que seria calculado sobre o capital social de cada empresa. N„o haveria nenhuma relaÁ„o com a atividade prestada, muito menos com o custo que ela gerou ao Estado.

VocÍ ainda est· lembrado da S˙mula 665 do STF? Aquela que considera constitucional a taxa de fiscalizaÁ„o dos mercados de tÌtulos e valores mobili·rios, instituÌda pela Lei 7.940/1989?

A lei citada considerou que o capital das empresas era um fator de referÍncia, para determinar o valor fixo da taxa a ser cobrada, de acordo com uma tabela. Sendo assim, podemos dizer que o capital das empresas n„o pode ser utilizado como base de c·lculo das taxas, mas pode ser um fator de referÍncia para calcular um valor fixo de taxa.

um fator de referÍncia para calcular um valor fixo de taxa. Direito Tribut·rio para TRF 3

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Justamente pelo fato de a taxa ter que possuir um valor que corresponda ao custo da atividade estatal, foi que o STF editou a seguinte s˙mula:

S˙mula STF 667 Viola a garantia constitucional de acesso ‡ jurisdiÁ„o a taxa judici·ria calculada sem limite sobre o valor da causa.

Por ˙ltimo, lembre-se de que deve haver correspondÍncia entre o valor cobrado a tÌtulo de taxa e o custo da atividade prestada ao contribuinte:

"Taxa: correspondÍncia entre o valor exigido e o custo da atividade estatal. A taxa, enquanto contraprestaÁ„o a uma atividade do Poder P˙blico, n„o pode superar a relaÁ„o de razo·vel equivalÍncia que deve existir entre o custo real da atuaÁ„o estatal referida ao contribuinte e o valor que o Estado pode exigir de cada contribuinte, considerados, para esse efeito, os elementos pertinentes ‡s alÌquotas e ‡ base de c·lculo fixadas em lei. Se o valor da taxa, no entanto, ultrapassar o custo do serviÁo prestado ou posto ‡ disposiÁ„o do contribuinte, dando causa, assim, a uma situaÁ„o de onerosidade excessiva, que descaracterize essa relaÁ„o de equivalÍncia entre os fatores referidos (o custo real do serviÁo, de um lado, e o valor exigido do contribuinte, de outro), configurar-se-·, ent„o, quanto a essa modalidade de tributo, hipÛtese de ofensa ‡ cl·usula vedatÛria inscrita no art. 150, IV, da CF. JurisprudÍncia. Doutrina." (STF, Plen·rio, ADI 2.551, Rel. Min. Celso de Mello, Julgamento em 02/04/2003)

4.2.4 - Taxas e PreÁos P˙blicos

Para vocÍ, candidato que se prepara para concursos p˙blicos, È de extrema import‚ncia saber as principais caracterÌsticas que diferenciam as taxas dos preÁos p˙blicos (ou tarifas).

Primeiramente, a diferenÁa entre os dois institutos situa-se no regime jurÌdico a que est„o submetidos. As taxas, por serem tributos, est„o sujeitas ao direito p˙blico e seus princÌpios. J· as tarifas, seguem os princÌpios do direito privado. Como consequÍncia, as taxas sÛ podem ser cobradas por pessoa jurÌdica de direito p˙blico, ao passo que as tarifas podem ser cobradas por pessoa jurÌdica de direito p˙blico ou privado.

Por essa distinÁ„o, podemos deduzir praticamente todas as demais distinÁıes entre as taxas e as tarifas. Ora, se as taxas est„o sujeitas ao direito p˙blico, È natural que sejam obrigaÁıes compulsÛrias, e que tambÈm sejam instituÌdas em lei. Por outro lado, as tarifas s„o facultativas, por se originarem de um contrato administrativo.

TambÈm podemos dizer que, por serem compulsÛrias, as taxas n„o permitem autonomia de vontade do particular em pagar ou n„o, mas veja que isso È possÌvel no que se refere ‡s tarifas, afinal, o seu pagamento È facultativo.

Vamos verificar agora se sua memÛria est· boa e se vocÍ est· entendendo bem a matÈria. As taxas s„o receitas derivadas ou origin·rias? E os preÁos p˙blicos? Tranquila essa pergunta, n„o? As taxas s„o receitas derivadas, e os preÁos p˙blicos, receitas origin·rias. Caso tenha d˙vida, n„o hesite em ler novamente essa parte da aula.

d˙vida, n„o hesite em ler novamente essa parte da aula. Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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Em decorrÍncia do que j· foi exposto nesse tÛpico, podemos inferir, tambÈm, que a rescis„o n„o È admissÌvel para as taxas, mas o È para os preÁos p˙blicos, pois estes se originam de um contrato.

Ent„o, para facilitar, vamos esquematizar (na prÛxima p·gina) o que acaba de ser visto:

Taxa

PreÁo P˙blico (Tarifa)

Possui natureza tribut·ria

N„o possui natureza tribut·ria

Decorre de lei

Decorre de contrato administrativo

N„o h· manifestaÁ„o de vontade

H· manifestaÁ„o de vontade

Car·ter compulsÛrio

Car·ter facultativo

Regime jurÌdico de direito p˙blico

Regime jurÌdico de direito privado

Cobrada por pessoa jurÌdica de direito p˙blico

Cobrada por pessoa jurÌdica de direito p˙blico e privado

Receita derivada

Receita origin·ria

Nesse rumo, h· que se ressaltar que, tanto o serviÁo de energia elÈtrica como o de ·gua e esgoto s„o remunerados por tarifas (ou preÁos p˙blicos):

さEMENTáぎà ふくくくぶà A tarifa de energia elÈtrica n„o È considerada de natureza tribut·ria. “WミSラà;ゲゲキマがàラàヮヴ;┣ラàヮヴWゲIヴキIキラミ;ノàYà┗キミデWミ=ヴキラくàふくくくぶざà (STJ, REsp 30.847/SP, Rel. Min. Helio Mosimann, Julgamento em 02/10/1995)

さEMENTáぎàãGUáàEàE“GOTOàに TARIFA VERSUS TAXA. A jurisprudÍncia do Supremo È no sentido de haver, relativamente ao fornecimento de ·gua e tratamento de esgoto, o envolvimento de tarifa e n„o de taxa.ざà (STF, AI 753.964-AgR/RJ, Rel. Min. Marco AurÈlio, 15/10/2013)

O STJ, embora j· tenha entendido que o serviÁo de ·gua e esgoto era remunerado mediante taxa, a partir de 2009, passou a seguir o entendimento do STF, qual seja o de que se trata de tarifa, e n„o de taxa.

qual seja o de que se trata de tarifa, e n„o de taxa . Fornecimento de

Fornecimento de Energia ElÈtrica e £gua e Tratamento de Esgoto = Tarifa

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O entendimento b·sico, que devemos ter sobre o assunto, È o de somente pessoa jurÌdica

de direito p˙blico pode ser sujeito ativo de uma relaÁ„o tribut·ria, conforme o que diz o art. 7 e 119 do CÛdigo Tribut·rio Nacional. Se uma quest„o afirmar isso, considerando o CTN, com certeza ela estar· correta. Se a quest„o mencionar a diferenÁa entre taxa e preÁo p˙blico, utilize a

jurisprudÍncia do STF ou STJ, conforme o caso.

O STF tambÈm j· sumulou entendimento que expıe claramente a necessidade de que as

taxas sejam cobradas compulsoriamente, como vemos a seguir:

S˙mula STF 545 - PreÁos de serviÁos p˙blicos e taxas n„o se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, s„o compulsÛrias e tem sua cobranÁa condicionada a prÈvia autorizaÁ„o orÁament·ria, em relaÁ„o a lei que as instituiu.

Ressalte-se que a ˙ltima parte da redaÁ„o da referida s˙mula deve ser interpretada com muita cautela, porque se refere ao princÌpio da anualidade, atualmente inexistente em nossa CF/88. Atualmente, a cobranÁa de tributo n„o est· condicionada a prÈvia autorizaÁ„o orÁament·ria, em relaÁ„o a lei que o tenha instituÌdo.

ObservaÁ„o: A S˙mula 545 do STF foi aprovada e publicada em 1969.

N„o obstante, j· encontramos questıes de prova considerando o texto literal desta s˙mula como correto. Portanto, se vocÍ encontr·-la na prova, analise a quest„o com muito cuidado!

na prova, analise a quest„o com muito cuidado! (FCC/AL-MS-Consultor de Processo Legislativo/2016) A

(FCC/AL-MS-Consultor de Processo Legislativo/2016) A legislaÁ„o tribut·ria dispıe que a Uni„o, os Estados, o Distrito Federal e os MunicÌpios poder„o, no ‚mbito de suas respectivas atribuiÁıes, instituir as taxas, que tÍm como fato gerador o exercÌcio regular do poder de polÌcia, ou a utilizaÁ„o, efetiva ou potencial, de serviÁo p˙blico especÌfico e divisÌvel, prestado ao contribuinte ou posto ‡ sua disposiÁ„o. A respeito desse tributo, È correto afirmar:

a) Considera-se regular o exercÌcio do poder de polÌcia quando desempenhado pelo Ûrg„o

competente nos limites da lei aplic·vel, com observ‚ncia do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricion·ria, sem abuso ou desvio de poder.

b) Os MunicÌpios e o Distrito Federal poder„o instituir taxa, na forma das respectivas leis,

para o custeio do serviÁo de iluminaÁ„o p˙blica.

c) Os serviÁos consideram-se utilizados pelo contribuinte efetivamente, quando, sendo de

utilizaÁ„o compulsÛria, sejam postos ‡ sua disposiÁ„o mediante atividade administrativa em

efetivo funcionamento.

atividade administrativa em efetivo funcionamento. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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d) S„o serviÁos especÌficos, quando suscetÌveis de utilizaÁ„o, separadamente, por parte de

cada um dos seus usu·rios; e s„o divisÌveis, quando possam ser destacados em unidades autÙnomas de intervenÁ„o, de utilidade, ou de necessidades p˙blicas.

e) Somente as taxas em raz„o do exercÌcio do poder de polÌcia podem ter base de c·lculo

prÛpria dos impostos.

Coment·rio:

Alternativa A: … a definiÁ„o de exercÌcio regular do poder de polÌcia, contida no art. 78, do CTN. Alternativa correta.

Alternativa B: O STF j· considerou inconstitucional a taxa para o custeio do serviÁo de iluminaÁ„o p˙blica. Alternativa errada.

Alternativa C: Trata-se, neste caso, de utilizaÁ„o potencial, e n„o efetiva. Alternativa errada.

Alternativa D: A banca inverteu os conceitos de serviÁos especÌficos e divisÌveis, constantes no art. 79, do CTN. Alternativa errada.

Alternativa E: O texto constitucional e o CTN vedam que a taxa (seja ela qual for) tenha base de c·lculo prÛpria dos impostos. Alternativa errada.

Gabarito: Letra A

4.3 - CONTRIBUI«’ES DE MELHORIA

As contribuiÁıes de melhoria j· haviam sido previstas em outras constituiÁıes anteriores ‡ atual, n„o sendo, portanto, qualquer novidade a sua previs„o no texto constitucional de 1988. S„o tributos que surgem com a realizaÁ„o de uma obra p˙blica da qual decorra valorizaÁ„o imobili·ria aos contribuintes. O motivo È evitar que haja enriquecimento de um determinado n˙mero de pessoas ‡s custas da coletividade.

Vou dar um exemplo para que vocÍ entenda melhor o motivo da cobranÁa.

Digamos que o Sr. Jo„o more em um loteamento onde as ruas n„o s„o calÁadas e existam poucos vizinhos naquele isolado bairro. Com o passar dos anos, o MunicÌpio realiza a pavimentaÁ„o de todas as ruas do bairro, providenciando iluminaÁ„o, arborizaÁ„o, a construÁ„o de um parque entre outras benfeitorias. A casa do Sr. Jo„o, que antes era avaliada em R$ 50.000,00, agora j· est· valendo cerca de R$ 200.000,00, em decorrÍncia da valorizaÁ„o do lote naquele requisitado bairro.

Vamos analisar a situaÁ„o: o poder p˙blico gastou recursos p˙blicos para realizar tais obras p˙blicas. Tudo isso foi feito com o dinheiro p˙blico que, como sabemos, pertence ‡ sociedade como um todo.

que, como sabemos, pertence ‡ sociedade como um todo. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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Seria justo o Sr. Jo„o ter o seu imÛvel valorizado nesse montante sem dispor de qualquer centavo de seu bolso? … Ûbvio que n„o. … nesse instante que surge a cobranÁa da contribuiÁ„o de melhoria.

Vamos ler o que diz a CF/88 acerca desse tributo:

さáヴデ. 145. A Uni„o, os Estados, o Distrito Federal e os MunicÌpios poder„o instituir os seguintes tributos:

III - IラミデヴキH┌キN?ラàSWàマWノエラヴキ;がàSWIラヴヴWミデWàSWàラHヴ;ゲàヮ┎HノキI;ゲくざ

Perceba que a CF/88 definiu que todos os entes federados (Uni„o, Estados, Distrito Federal

e MunicÌpios) poder„o instituir a contribuiÁ„o de melhoria. Podemos dizer, ent„o, que È um

tributo de competÍncia comum, assim como a taxa. N„o se preocupe quanto a essa classificaÁ„o

de competÍncias, pois aprenderemos isso no momento certo.

A contribuiÁ„o de melhoria guarda um detalhe interessante. NÛs temos duas normas ditando regras gerais sobre essa espÈcie tribut·ria: o CTN e o Decreto-Lei 195/67. Como assim?

tribut·ria: o CTN e o Decreto-Lei 195/67. Como assim? A relaÁ„o entre o Decreto-Lei 195/67 e

A relaÁ„o entre o Decreto-Lei 195/67 e a Lei 5.172/66 (CTN).

O Decreto-Lei 195/67 foi editado antes da entrada em vigor da CF/67, ou seja, ainda estava vigente

a CF/46. Esta previa a competÍncia da Uni„o para editar normas gerais acerca desse tributo, sem, contudo, restringir o tema ‡ lei complementar. Dessa forma, o Decreto-Lei 195/67 foi recepcionado pela CF/67 e tambÈm pela CF/88 com status de lei complementar, assim como o CTN.

Observe que o DL 195/67 foi editado posteriormente ao CTN (1966). Dessa forma, h· quem diga que aquele revogou os arts. 81 e 82 deste, no que diz respeito ‡s normas sobre contribuiÁ„o de melhoria. Contudo, o STJ n„o considera revogados tais dispositivos do CTN, devendo ser interpretados de modo complementar um ao outro.

Vamos abordar agora os conceitos trazidos pelo CTN, e que dizem respeito a esse tributo:

Art. 81. A contribuiÁ„o de melhoria cobrada pela Uni„o, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos MunicÌpios, no ‚mbito de suas respectivas atribuiÁıes, È instituÌda para fazer face ao custo de obras p˙blicas de que decorra valorizaÁ„o imobili·ria, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acrÈscimo de valor que da obra resultar para cada imÛvel beneficiado.

Eu negritei, de preto, a parte do artigo que menciona o fato gerador que justifica a cobranÁa da contribuiÁ„o de melhoria. Veja que se a obra p˙blica n„o gerar valorizaÁ„o imobili·ria, n„o h· justificativa para cobranÁa do tributo. Portanto, devemos gravar que o fato gerador È a valorizaÁ„o imobili·ria, e n„o a obra p˙blica em si. Vamos confirmar isso, lendo o art. 1 , do DL

195/67:

Art. 1 A ContribuiÁ„o de Melhoria, prevista na ConstituiÁ„o Federal tem como fato gerador o acrÈscimo do valor do imÛvel localizado nas ·reas beneficiadas direta ou indiretamente por obras p˙blicas.

beneficiadas direta ou indiretamente por obras p˙blicas. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Ao analisar o art. 81, do CTN, tambÈm podemos dizer que o CTN trouxe detalhes n„o mencionados na CF/88. Esses detalhes se referem aos limites aos quais a contribuiÁ„o de melhoria est· sujeita.

aos quais a contribuiÁ„o de melhoria est· sujeita. A CF/88 È omissa quanto aos limites individuais

A CF/88 È omissa quanto aos limites individuais e totais da contribuiÁ„o de melhoria. Guarde isso!

O limite total se refere ao valor m·ximo que pode ser arrecadado a tÌtulo de contribuiÁ„o de melhoria. O CTN estabeleceu como limite o valor total gasto com a obra.

Como limite individual, foi estabelecido o valor que corresponde ‡ valorizaÁ„o que a obra p˙blica gerou para cada particular. No caso do Sr. Jo„o, a contribuiÁ„o de melhoria poderia chegar atÈ a R$ 150.000. … inacredit·vel, mas È possÌvel.

Precisamos ficar atentos tambÈm que, da mesma forma como ocorre com as taxas, o fato gerador que justifica a cobranÁa das contribuiÁıes de melhoria È uma atividade estatal, que no caso È uma obra p˙blica. Portanto, podemos dizer que se trata de um tributo vinculado.

Vamos aproveitar para estudar as obras previstas no DL 195/67 (art. 2 ), como ensejadoras da cobranÁa de contribuiÁıes de melhoria:

I - abertura, alargamento, pavimentaÁ„o, iluminaÁ„o, arborizaÁ„o, esgotos pluviais e outros melhoramentos de praÁas e vias p˙blicas;

II - construÁ„o e ampliaÁ„o de parques, campos de desportos, pontes, t˙neis e viadutos;

III - construÁ„o ou ampliaÁ„o de sistemas de tr‚nsito r·pido inclusive todas as obras e edificaÁıes necess·rias

ao funcionamento do sistema;

IV - serviÁos e obras de abastecimento de ·gua pot·vel, esgotos, instalaÁıes de redes elÈtricas, telefÙnicas,

transportes e comunicaÁıes em geral ou de suprimento de g·s, funiculares, ascensores e instalaÁıes de

comodidade p˙blica;

V - proteÁ„o contra secas, inundaÁıes, eros„o, ressacas, e de saneamento de drenagem em geral, diques, cais,

desobstruÁ„o de barras, portoゲàWàI;ミ;キゲがàヴWデキaキI;N?ラàWàヴWェ┌ノ;ヴキ┣;N?ラàSWàI┌ヴゲラゲàSげ=ェ┌;àWàキヴヴキェ;N?ラき

VI - construÁ„o de estradas de ferro e construÁ„o, pavimentaÁ„o e melhoramento de estradas de rodagem;

VII - construÁ„o de aerÛdromos e aeroportos e seus acessos;

VIII - aterros e realizaÁıes de embelezamento em geral, inclusive desapropriaÁıes em desenvolvimento de plano de aspecto paisagÌstico.

Quanto a essas obras, vale ressaltar o entendimento do STF (RE 116.148/SP, Rel. Min. Octavio Gallotti) de que o mero recapeamento de via p˙blica j· asfaltada n„o justifica a cobranÁa do tributo. Apenas a realizaÁ„o de uma nova pavimentaÁ„o seria capaz de ensejar a cobranÁa da

nova pavimentaÁ„o seria capaz de ensejar a cobranÁa da Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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contribuiÁ„o de melhoria, se houvesse valorizaÁ„o imobili·ria, em conformidade com o que vimos acima.

imobili·ria, em conformidade com o que vimos acima. Obras de pavimentaÁ„o asf·ltica n„o justificam a

Obras de pavimentaÁ„o asf·ltica n„o justificam a cobranÁa de taxas, mas, sim, de contribuiÁıes de melhoria, caso valorizem imÛveis particulares.

Outro ponto digno de nota È que, sendo a contribuiÁ„o de melhoria um tributo, È evidente que deve ser uma prestaÁ„o instituÌda em lei, em virtude do disposto no art. 3 , do CTN, e do princÌpio da legalidade tribut·ria, previsto no art. 150, I, da CF/88. A respeito dessa lei instituidora de contribuiÁ„o de melhoria, o art. 82, do CTN, previu requisitos mÌnimos a serem nela observados:

I - publicaÁ„o prÈvia dos seguintes elementos:

a) memorial descritivo do projeto;

b) orÁamento do custo da obra;

c) determinaÁ„o da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuiÁ„o;

d) delimitaÁ„o da zona beneficiada;

e) determinaÁ„o do fator de absorÁ„o do benefÌcio da valorizaÁ„o para toda a zona ou para cada uma das

·reas diferenciadas, nela contidas;

II - fixaÁ„o de prazo n„o inferior a 30 dias, para impugnaÁ„o pelos interessados, de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior;

III - regulamentaÁ„o do processo administrativo de instruÁ„o e julgamento da impugnaÁ„o a que se refere o inciso anterior, sem prejuÌzo da sua apreciaÁ„o judicial.

O ß 1 , do art. 82, do CTN, estabelece, ainda, que a contribuiÁ„o de cada imÛvel deve ser determinada pelo rateio da parcela do custo da obra p˙blica realizada pelos imÛveis situados na zona beneficiada em funÁ„o dos respectivos fatores individuais de valorizaÁ„o.

Ademais, o ß 2 , do art. 81, previu que, por ocasi„o do respectivo lanÁamento (com o objetivo de exigir o tributo do contribuinte), cada contribuinte dever· ser notificado do montante da contribuiÁ„o, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integram o respectivo c·lculo.

Por fim, destaque-se que o tributo n„o pode ser cobrado antes da realizaÁ„o da obra p˙blica, j· que È a consequÍncia dela que justificaria a cobranÁa tribut·ria. Contudo, nada impede a instituiÁ„o do tributo apÛs o tÈrmino de parte da obra, se j· houver resultado em valorizaÁ„o imobili·ria para o contribuinte.

em valorizaÁ„o imobili·ria para o contribuinte. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Prof. F·bio Dutra Aula 00 0 VÌdeo Extra: Com objetivo de tornar nossa aula ainda mais

VÌdeo Extra: Com objetivo de tornar nossa aula ainda mais did·tica, eu gravei um vÌdeo tratando sobre este assunto. Para visualiz·-lo, basta ler o QR Code acima com a c‚mera do seu smartphone, utilizando um aplicativo de leitura de QR Codes.

smartphone, utilizando um aplicativo de leitura de QR Codes. (FCC/ALESE-Analista Legislativo/2018) Por expressa
smartphone, utilizando um aplicativo de leitura de QR Codes. (FCC/ALESE-Analista Legislativo/2018) Por expressa

(FCC/ALESE-Analista Legislativo/2018) Por expressa determinaÁ„o constitucional, cabe ‡ lei complementar estabelecer normas gerais em matÈria de legislaÁ„o tribut·ria, especialmente sobre definiÁ„o de tributos e de suas espÈcies. O CÛdigo Tribut·rio Nacional atende ‡ determinaÁ„o constitucional e disciplina esta matÈria. Com base neste CÛdigo,

a) tributo e imposto s„o espÈcies de taxa.

b) taxa È uma das espÈcies de imposto.

c) tributo È uma das espÈcies de taxa.

d) imposto È uma das espÈcies de contribuiÁ„o de melhoria.

e) contribuiÁ„o de melhoria È uma das espÈcies de tributo.

Coment·rio:

Alternativa A: Tributo È gÍnero e imposto e taxa s„o algumas de suas espÈcies. Alternativa errada.

Alternativa B: A taxa È uma das espÈcies do gÍnero tributo. Alternativa errada.

Alternativa C: Na realidade, a taxa È uma das espÈcies do gÍnero tributo. Alternativa errada.

Alternativa D: Tributo È gÍnero e imposto e contribuiÁ„o de melhoria s„o algumas de suas espÈcies. Alternativa errada.

Alternativa

tributo.

Alternativa correta.

E:

A

contribuiÁ„o

de

melhoria

realmente

È

uma

das

espÈcies

de

de melhoria realmente È uma das espÈcies de Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Gabarito: Letra E
Gabarito: Letra E

4.4 - EMPR…STIMOS COMPULS”RIOS

Em relaÁ„o aos emprÈstimos compulsÛrios, devemos saber que o STF j· chegou a entender que eles n„o eram tributos, e sim um contrato, por ter natureza restituÌvel. Tal entendimento chegou a ser sumulado pela Suprema Corte.

Contudo, antes mesmo da CF/88, a Emenda Constitucional 18/1965 colocou fim ‡s controvÈrsias que existiam sobre o tema, ao dispor sobre esse tributo no Sistema Tribut·rio Nacional daquela Època.

Portanto, hoje devemos entender que a S˙mula 418 do STF perdeu a validade (RE 111.954/PR) e que os emprÈstimos compulsÛrios, alÈm de terem sido tratados novamente pela CF/88 (art. 148) no capÌtulo do Sistema Tribut·rio Nacional, se encaixam perfeitamente no conceito de tributos (CTN, art. 3 ) que vimos anteriormente.

VラIZàヮラSWヴキ;àケ┌Wゲデキラミ;ヴぎàさEà;àケ┌Wゲデ?ラàS;àヴWゲデキデ┌キN?ラいàPラSWヴキ;マàゲWヴàデヴキH┌デラゲàマWゲマラàデWミSラà ケ┌WàゲWヴàSW┗ラノ┗キSラゲàヮラゲデWヴキラヴマWミデWいざàOヴ;がàラà;ヴt. 3 , que define o que È tributo, fala algo sobre a necessidade de que a receita seja definitiva? H· alguma restriÁ„o para que se devolva o que foi cobrado? N„o! Portanto, s„o tributos!

AlÈm disso, devemos gravar que os emprÈstimos compulsÛrios constituem uma espÈcie distinta de tributos, que n„o se confunde com as demais. VocÍ se lembra de que falamos da corrente pentapartida? L·, estudamos que uma das espÈcies eram os emprÈstimos compulsÛrios, certo? Portanto, podemos dizer que eles s„o uma espÈcie autÙnoma de tributos, conforme a doutrina majorit·ria e jurisprudÍncia (RREE 146.733-9/SP e 138.284/CE).

Outro aspecto importante sobre os emprÈstimos compulsÛrios, È o de que eles devem ser instituÌdos por lei complementar. Dessa forma, podemos afirmar que as medidas provisÛrias (ato normativo editado pelo executivo e que n„o pode tratar de assuntos reservados ‡s leis complementares por expressa disposiÁ„o no art. 62, ß 1 , III) n„o s„o capazes de instituir emprÈstimos compulsÛrios.

Para ajud·-lo a guardar Wゲゲ;à I;ヴ;IデWヴケゲデキI;がà L┌Iキ;ミラà áマ;ヴラà ふヲヰヰΒぶà ;aキヴマ;à ケ┌Wà さexige a ConstituiÁ„o o rigor formal da lei complementar, certamente com o propÛsito de evitar os abusos que houve no passadoざく

o propÛsito de evitar os abusos que houve no passado ざく Guarde isto: emprÈstimos compulsÛrios n„o

Guarde isto: emprÈstimos compulsÛrios n„o podem ser instituÌdos por lei ordin·ria ou medida provisÛria! NUNCA!

Devem ser instituÌdos por lei complementar.

NUNCA! Devem ser instituÌdos por lei complementar. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Uma peculiaridade que È cobrada recorrentemente em concursos p˙blicos diz respeito ‡ competÍncia tribut·ria para instituir tal espÈcie de tributo. Saiba que somente a Uni„o pode instituÌ-los. Trata-se, portanto, de um tributo de competÍncia exclusiva da Uni„o.

Vejamos agora o artigo que aborda esse assunto na CF/88:

Art. 148. A Uni„o, mediante lei complementar, poder· instituir emprÈstimos compulsÛrios:

I - para atender a despesas extraordin·rias, decorrentes de calamidade p˙blica, de guerra externa ou sua iminÍncia;

II - no caso de investimento p˙blico de car·ter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".

Par·grafo ˙nico. A aplicaÁ„o dos recursos provenientes de emprÈstimo compulsÛrio ser· vinculada ‡ despesa que fundamentou sua instituiÁ„o.

Eu negritei parte do caput do art. 148 para vocÍ visualizar que muito do que vimos atÈ agora est· estampado na CF/88.

Perceba que h· trÍs pressupostos f·ticos ou situaÁıes autorizadoras que justificam a cobranÁa de um emprÈstimo compulsÛrio: despesas extraordin·rias decorrentes de calamidade p˙blica, despesas extraordin·rias decorrentes de guerra externa ou sua iminÍncia e os investimentos p˙blicos de car·ter urgente e de relevante interesse nacional.

Vamos entender o conceito de despesas extraordin·rias com as liÁıes de Sacha Calmon:

さDWゲヮWゲ;ゲà W┝デヴ;ラヴSキミ=ヴキ;ゲà ゲ?ラà ;ケ┌Wノ;ゲà ;Hゲラノ┌デ;マWミデWà ミWIWゲゲ=ヴキ;ゲがà ;ヮルゲà Wゲェラデ;Sラゲà ラゲà a┌ミSラゲà ヮ┎HノキIラゲà キミIノ┌ゲキ┗W os de IラミデキミェZミIキ;くàV;ノWàSキ┣Wヴがà;àキミ;ミキN?ラàSラàTWゲラ┌ヴラàエ=àSWàゲWヴàIラマヮヴラ┗;S;くざ (CO LHO, Sacha Calmon Navarro. Coment·rios ‡ ConstituiÁ„o de 1988/Sistema Tribut·rio Nacional. P·g. 147)

Fique atento, pois algumas questıes de concursos costumam abordar o tema como est· na CF, em duas partes. Dessa forma, È comum vocÍ se deparar com questıes que mencionem apenas dois pressupostos f·ticos, englobando as duas primeiras (despesas extraordin·rias) como se fossem apenas uma possibilidade. Trata-se apenas de uma quest„o de divis„o, n„o tornando a quest„o errada.

Se vocÍ ler o art. 15 do CTN, ir· perceber que a redaÁ„o do art. III n„o foi incluÌda na CF/88. Tal inciso menciona outra possibilidade para a instituiÁ„o do referido tributo, que È a conjuntura que exija a absorÁ„o tempor·ria de poder aquisitivo. Saiba que esse inciso n„o foi recepcionado pela Magna Carta, devendo ser consideradas incorretas as questıes que mencionem tal hipÛtese. Ok?

incorretas as questıes que mencionem tal hipÛtese . Ok? O emprÈstimo compulsÛrio? SWミラマキミ;Sラ

O

emprÈstimo compulsÛrio?

SWミラマキミ;Sラ

さIラミaキゲIラ

SW

Iラミデ;ゲ

H;ミI=ヴキ;ゲざ

ヮWヴヮWデヴ;Sラ

Iラミデ;ゲ H;ミI=ヴキ;ゲざ ヮWヴヮWデヴ;Sラ Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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ヮWノラ

Pノ;ミラ

Cラノノラヴ

seria

um

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N„o se trata, a rigor, de confisco de contas banc·rias, mas da retenÁ„o tempor·ria dos depÛsitos ‡ vista e cadernetas de poupanÁa, que foram transferidos ao Banco Central, com a promessa de restituiÁ„o em 12 parcelas.

A medida foi implantada pela Medida ProvisÛria 168/90, convertida na Lei 8.024/90, e deve ser considerada inconstitucional sob dois argumentos:

Trata-se de emprÈstimo compulsÛrio instituÌdo ‡ luz da CF/88, que n„o previa mais como

ヮヴWゲゲ┌ヮラゲデラàa=デキIラàさIラミテ┌ミデ┌ヴ;àケ┌WàW┝キテ;à;à;HゲラヴN?ラàデWマヮラヴ=ヴキ;àSWàヮラSWヴà;ケ┌キゲキデキ┗ラざàふCTNがà;ヴデくàヱヵがà

III).

O emprÈstimo compulsÛrio sÛ pode ser instituÌdo por meio de lei complementar e as medidas

provisÛrias n„o podem versar sobre temas reservas ‡ lei complementar.

Creio que pode ter surgido outra d˙vida na sua cabeÁa: seriam esses, portanto, os fatos geradores do emprÈstimo compulsÛrio? N„o! Como eu disse, trata-se de pressupostos f·ticos ou situaÁıes que autorizam a instituiÁ„o de um emprÈstimo compulsÛrio. O fato gerador foi deixado a critÈrio do legislador.

O fato gerador foi deixado a critÈrio do legislador. N„o confunda fato gerador com situaÁ„o autorizadora

N„o confunda fato gerador com situaÁ„o autorizadora (hipÛteses previstas no art. 148 da CF/88).

Agora, iremos falar um pouco sobre o par·grafo ˙nico do art. 148. Veja que ele afirma que os recursos que foram gerados pela arrecadaÁ„o ser„o vinculados ‡s despesas que fundamentaram a instituiÁ„o do tributo. Isso significa que os emprÈstimos compulsÛrios s„o tributos de arrecadaÁ„o vinculada. Contudo, isso n„o quer dizer que eles, necessariamente, sejam tributos vinculados (pois a escolha do fato gerador fica a cargo do legislador). Entendido atÈ aqui?

Por ˙ltimo, observe que o par·grafo ˙nico do art. 15 do CTN exige que a lei instituidora do tributo fixe o prazo do emprÈstimo e as condiÁıes de resgate. Ressalte-se que o STF possui entendimento no sentido de que a restituiÁ„o deve ser efetuada na mesma espÈcie do que foi recolhido (RE 175.385/CE). Como sabemos que o tributo È uma prestaÁ„o pecuni·ria, sua devoluÁ„o tambÈm deve ser em moeda. Ok?

pecuni·ria, sua devoluÁ„o tambÈm deve ser em moeda. Ok? (FCC/Pref. Campinas-SP-Procurador/2016) A Uni„o, mediante

(FCC/Pref. Campinas-SP-Procurador/2016) A Uni„o, mediante medida provisÛria, poder· instituir emprÈstimos compulsÛrios para atender as despesas extraordin·rias decorrentes de calamidade p˙blica, de guerra externa ou sua iminÍncia.

de calamidade p˙blica, de guerra externa ou sua iminÍncia. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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Coment·rio: A Uni„o poder· instituir emprÈstimos compulsÛrios para atender as despesas extraordin·rias decorrentes de calamidade p˙blica, de guerra externa ou sua iminÍncia, desde que por meio de lei complementar.

Gabarito: Errada.

(FCC/SEFAZ-PE-Auditor Fiscal/2014) De acordo com a ConstituiÁ„o Federal, a Uni„o poder· instituir emprÈstimos compulsÛrios, mediante medida provisÛria, no caso de investimento p˙blico de car·ter urgente e de relevante interesse nacional.

Coment·rio: A Uni„o poder· instituir emprÈstimos compulsÛrios no caso de investimento p˙blico de car·ter urgente e de relevante interesse nacional, desde que por meio de lei complementar.

Gabarito: Errada

(FCC/SEFAZ-RJ-Auditor Fiscal/2014) Na iminÍncia ou no caso de guerra externa, a Uni„o, mediante lei complementar, poder· instituir emprÈstimos compulsÛrios, para atender a despesas extraordin·rias, dela decorrentes.

Coment·rio: A Uni„o poder· instituir emprÈstimos compulsÛrios para atender as despesas extraordin·rias decorrentes de calamidade p˙blica, de guerra externa ou sua iminÍncia, desde que por meio de lei complementar.

Gabarito: Correta

4.5 - CONTRIBUI«’ES ESPECIAIS

H·,

ainda,

mais

uma

espÈcie

de

tributo que

tem

sido

reconhecida

pela

doutrina e

jurisprudÍncia, que s?ラà;ゲàIラミデヴキH┌キNロWゲàWゲヮWIキ;キゲがàデ;マHYマàSWミラマキミ;S;ゲàさIラミデヴキH┌キNロWゲざく

ObservaÁ„o: áゲàさIラミデヴキH┌キNロWゲざàミ?ラàゲWàIラミa┌ミSWマàIラマà;ゲàさIラミデヴキH┌キNロWゲàSWàマWノエラヴキ;ざくà S„o espÈcies tribut·rias distintas!

Devemos lembrar que, o art. 4 do CTN afirma que a natureza jurÌdica do tributo È definida pelo fato gerador, e que o destino da arrecadaÁ„o n„o È um critÈrio relevante para definir as espÈcies tribut·rias. Entretanto, j· sabemos que isso È aplic·vel apenas aos impostos, taxas e contribuiÁıes de melhoria, certo?

Quando o assunto È contribuiÁıes especiais e emprÈstimos compulsÛrios, lembre-se de que, por se tratarem de tributos de arrecadaÁ„o vinculada (tambÈm denominados tributos finalÌsticos), o destino do que foi arrecadado È um critÈrio relevante para definir de que tributo estamos tratando. Portanto, a an·lise do fato gerador È insuficiente para determinar a natureza jurÌdica das contribuiÁıes especiais.

a natureza jurÌdica das contribuiÁıes especiais. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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Ressalte-se que, de acordo com Marco AurÈlio Greco (2000), se a finalidade da exigÍncia de uma contribuiÁ„o especial for alterada, altera-ゲW ; ヮヴルヮヴキ; W┝キェZミIキ;ざ. Isso n„o quer dizer, contudo, que ela deixar· de ter fundamento constitucional, pois se a nova finalidade for admitida no texto constitucional, ela poder· subsistir como novo tributo!

constitucional, ela poder· subsistir como novo tributo! Se a finalidade da exigÍncia de uma contribuiÁ„o

Se a finalidade da exigÍncia de uma contribuiÁ„o especial for alterada, nem sempre ela se tornar· inconstitucional.

No que se refere ‡s contribuiÁıes especiais, È importante que saibamos que elas j· foram denominadas contribuiÁıes parafiscais. Conforme veremos mais ‡ frente, os tributos parafiscais s„o aqueles instituÌdos por uma pessoa polÌtica (a Uni„o, por exemplo), e arrecadados e fiscalizados por outra pessoa jurÌdica. Em alguns casos, tais entidades parafiscais nem mesmo arrecadam e fiscalizam os tributos, mas ficam apenas com o destino da arrecadaÁ„o.

Atualmente, a espÈcie tribut·ria contribuiÁıes especiais n„o pode ser considerada, em todos os casos, contribuiÁıes parafiscais, tendo em vista que h· algumas subespÈcies cujos recursos s„o destinados ao prÛprio Estado. Mas quem seria competente para instituÌ-las? Somente a Uni„o ou todos os entes federados? Vejam o que diz o art. 149 da CF/88:

さáヴデくà ヱヴΓくà Compete exclusivamente ‡ Uni„o instituir contribuiÁıes sociais, de intervenÁ„o no domÌnio econÙmico e de interesse das categorias profissionais ou econÙmicas, como instrumento de sua atuaÁ„o nas respectivas ·reas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuÌzo do previsto no art. 195, ß ヶ┨がàヴWノ;デキ┗;マWミデWà<ゲàIラミデヴキH┌キNロWゲà;àケ┌Wà;ノ┌SWàラàSキゲヮラゲキデキ┗ラくざ

Veja que cabe somente ‡ Uni„o instituir tais contribuiÁıes, e que elas se dividem basicamente em trÍs tipos, conforme eu negritei acima. Contudo, h· uma exceÁ„o, que permite aos Estados, DF e MunicÌpios instituÌrem contribuiÁıes especiais, no ß 1 do art. 149, a saber:

さよàヱ┨àOゲàEゲデ;SラゲがàラàDキstrito Federal e os MunicÌpios instituir„o contribuiÁ„o, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefÌcio destes, do regime previdenci·rio de que trata o art. 40, cuja alÌquota n„o ser· inferior ‡ da contribuiÁ„o dos servidores titulares de cargos efetivos da Uni„o.

Repare que a exceÁ„o se refere ao regime prÛprio de previdÍncia dos servidores p˙blicos dos demais entes federados. Observe, ainda, que h· um detalhe muito importante: as alÌquotas da contribuiÁ„o, instituÌda por tais entes, n„o pode ser inferior ‡ que a Uni„o cobra dos servidores dela.

ser inferior ‡ que a Uni„o cobra dos servidores dela. Direito Tribut·rio para TRF 3 に

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A alÌquota da contribuiÁ„o instituÌda pelos Estados, DF e MunicÌpios n„o pode ser inferior ‡ da Uni„o, mas pode ser igual ou superior!

Destaque-se que, segundo o STF (RE 573.540), さ; W┝ヮヴWゲゲ?ラ regime previdenci·rio n„o ;Hヴ;ミェW ; ヮヴWゲデ;N?ラ SW ゲWヴ┗キNラゲ マYSキIラゲが エラゲヮキデ;ノ;ヴWゲが ラSラミデラノルェキIラゲ W a;ヴマ;IZ┌デキIラゲざ. Nada impede, contudo, que tais serviÁos sejam oferecidos aos seus servidores, desde que a ades„o e a contribuiÁ„o n„o sejam compulsÛrias.

AlÈm das contribuiÁıes relacionadas nos dispositivos acima citados, h· tambÈm a contribuiÁ„o para o custeio do serviÁo de iluminaÁ„o p˙blica. Essa contribuiÁ„o foi permitida com a EC 39/2002, e a competÍncia para instituÌ-la È do Distrito Federal e dos MunicÌpios. N„o vou entrar em detalhes a respeito dessa contribuiÁ„o, pois iremos estud·-la nos prÛximos tÛpicos desta aula.

O que importa È que vocÍ saiba que a competÍncia para instituir contribuiÁıes sociais È, via

de regra, apenas da Uni„o. Deve saber tambÈm que os Estados, DF e MunicÌpios podem instituir contribuiÁıes de seus servidores, e que o DF e os MunicÌpios podem instituir uma contribuiÁ„o para custear o serviÁo de iluminaÁ„o p˙blica.

Ent„o, com o conhecimento que j· temos podemos fazer o seguinte esquema:

TIPOS DE CONTRIBUI« O ESPECIAL

ContribuiÁıes Sociais

COMPET NCIA PARA INSTITUIR

Uni„o (ExceÁ„o: todos os demais entes podem instituir contribuiÁ„o previdenci·ria a ser cobrada de seus servidores)

ContribuiÁ„o de IntervenÁ„o no DomÌnio EconÙmico (CIDE)

Somente a Uni„o

ContribuiÁıes de interesse das categorias profissionais

Somente a Uni„o

ContribuiÁ„o para Custeio do ServiÁo de IluminaÁ„o P˙blica (COSIP)

Somente Distrito Federal e MunicÌpios

… de se destacar tambÈm que, de acordo com o STF (RE 138.284-8/CE), as contribuiÁıes

sociais s„o divididas da seguinte forma: contribuiÁıes de seguridade social, outras contribuiÁıes sociais e contribuiÁıes sociais gerais. Ainda nesta aula, estudaremos todas elas.

sociais gerais. Ainda nesta aula, estudaremos todas elas. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista Judici·rio

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AlÈm disso, outro ponto digno de nota nesse art. 149 da CF/88 È o seu ß 2 , que afirma que tanto as contribuiÁıes sociais como as CIDEs dever„o ter as seguintes caracterÌsticas:



N„o incidir„o sobre as receitas decorrentes de exportaÁ„o;



Incidir„o tambÈm sobre a importaÁ„o de produtos estrangeiros ou serviÁos;



Poder„o ter alÌquotas ad valorem ou especÌfica.

As alÌquotas ad valorem s„o aquelas em que se aplica um percentual sobre o valor a ser tributado (por exemplo, 10% sobre R$ 500,00). As alÌquotas especÌficas s„o diferentes e menos usuais. Elas tomam por base a unidade de medida adotada. Por exemplo, R$ 1,00 de tributo a cada maÁo de cigarros.

Ademais, no caso da incidÍncia das referidas contribuiÁıes sobre as operaÁıes de importaÁ„o, permitiu-se equiparar a pessoa natural destinat·ria a pessoa jurÌdica, na forma da lei. … o que prevÍ o art. 149, ß 3 , da CF/88.

Digno de nota tambÈm È o ß 4 deste artigo, ao estabelecer a possibilidade de incidÍncia monof·sica de tais contribuiÁıes. A incidÍncia monof·sica se justifica em tributos cuja incidÍncia ocorre v·rias vezes sobre o mesmo produto. Dessa forma, por quest„o de praticabilidade, permite- se uma ˙nica incidÍncia.

4.5.1 - ContribuiÁıes Sociais

Veremos agora a primeira das subespÈcies das contribuiÁıes especiais. Conforme dissemos, as contribuiÁıes sociais merecem ainda mais uma divis„o, de forma que podemos classificar as contribuiÁıes sociais em: contribuiÁıes de seguridade social, outras contribuiÁıes sociais e contribuiÁıes sociais gerais.

Vamos estud·-las, uma por uma

4.5.1.1 - ContribuiÁıes de seguridade social

As contribuiÁıes de seguridade social tÍm, por objetivo, carrear recursos para a seguridade ゲラIキ;ノがà ラH┗キ;マWミデWくà áà ゲWェ┌ヴキS;SWà ゲラIキ;ノがà SWà ;IラヴSラà Iラマà ラà ;ヴデくà ヱΓヴà S;à CFっΒΒがà さcompreende um conjunto integrado de aÁıes de iniciativa dos Poderes P˙blicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos ‡ sa˙de, ‡ previdÍncia e ‡ assistÍncia socialざく

sa˙de, ‡ previdÍncia e ‡ assistÍncia social ざく Memorize: Seguridade Social = Sa˙de, PrevidÍncia e

Memorize:

Seguridade Social = Sa˙de, PrevidÍncia e AssistÍncia Social.

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As regras especÌficas dessas contribuiÁıes foram dispostas fora do capÌtulo do Sistema Tribut·rio Nacional, estando inseridas capÌtulo que trata especificamente da seguridade social. Por esse motivo, v·rios aspectos atinentes ao Direito Tribut·rio ser„o vistos no art. 195 da Magna Carta.

De acordo com esse artigo, as contribuiÁıes para seguridade social poder„o incidir sobre v·rias bases econÙmicas. Vou listar os principais e apresentar os tributos que foram instituÌdos para satisfazer a disposiÁ„o constitucional.

Base EconÙmica

Receita ou Faturamento

ContribuiÁ„o InstituÌda

COFINS (LC 70/91)

Lucro

CSLL (Lei 7.689/88)

ImportaÁo de bens ou serviÁos do exterior

PIS/PASEP-ImportaÁ„o e COFINS-ImportaÁ„o (Lei

10.865/2004)

AlÈm disso, as contribuiÁıes sociais poder„o incidir sobre as seguintes bases econÙmicas:



Folha de sal·rios e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer tÌtulo,



‡ pessoa fÌsica que preste serviÁo ao empregador; Do trabalhador e dos demais segurados da previdÍncia social, n„o incidindo contribuiÁ„o



sobre aposentadoria e pens„o concedidas pelo regime geral de previdÍncia social; Receita de concursos prognÛsticos.

de previdÍncia social; Receita de concursos prognÛsticos. Existe distinÁ„o entre o Regime Geral de PrevidÍncia

Existe distinÁ„o entre o Regime Geral de PrevidÍncia Social (RGPS) do Regime PrÛprio de PrevidÍncia Social (RPPS)?

RGPS Regime de previdÍncia social aplic·vel aos trabalhadores da iniciativa privada em geral. O trabalhador contribui atÈ a aposentadoria, momento em que passar· a n„o incidir contribuiÁ„o previdenci·ria sobre aposentadoria. TambÈm n„o incide esse tributo sobre as pensıes concedidas pelo RGPS.

RPPS Regime de previdÍncia social que abrange apenas os servidores p˙blicos efetivos. Cada ente federativo È competente para instituir o seu RPPS (CF, art. 149, ß 1 ). Neste caso, a contribuiÁ„o incide n„o sÛ enquanto o servidor p˙blico est· na ativa, mas tambÈm quando se aposenta. TambÈm incidir· contribuiÁ„o previdenci·ria sobre as pensıes concedidas pelo RPPS. Cabe observar que os proventos de aposentadoria e pensıes somente sofrer„o incidÍncia da contribuiÁ„o previdenci·ria sobre o valor que ultrapassar o teto estabelecido para os benefÌcios do RGPS.

ultrapassar o teto estabelecido para os benefÌcios do RGPS. Direito Tribut·rio para TRF 3 に Analista

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modo

superficial no Direito Tribut·rio. Trata-se de assunto objeto de estudo do Direito Previdenci·rio.

H· tambÈm outra contribuiÁ„o que incide sobre o faturamento, que È a contribuiÁ„o ao PIS/PASEP, instituÌda com base no art. 239 da prÛpria CF/88. De acordo com o STF, trata-se, na verdade, de um bis in idem permitido pela CF/88.

Bis in idem ocorre quando um ente federado institui mais de um tributo sobre um mesmo fato gerador. No caso em tela, o fato gerador È o faturamento. Se a prÛpria CF permite que se cobrem os dois tributos concomitantemente, n„o h· que se falar em qualquer restriÁ„o. Mas isso È assunto de outra aula, ok? N„o se preocupe, por enquanto.

Acrescentamos, ainda, o fato de que atualmente os bancos comerciais e as instituiÁıes financeiras contribuem com alÌquota superior ao que È cobrado dos demais setores da economia. Tal cobranÁa È perfeitamente possÌvel, por estar de acordo com ß 9 do art. 195 da CF/88. Ademais, o STF (AC 1.109-MC/SP) j· se posicionou favoravelmente a essa exaÁ„o.

Por fim, julgamos relevante transcrever a ementa do julgamento do Recurso Extraordin·rio 573.540, no qual o STF deixa patente o seu entendimento acerca do vem a ser regime previdenci·rio:

Essas

˙ltimas

trÍs

hipÛteses

n„o

foram

especificadas

por

serem

cobradas

de

EMENTA: CONTRIBUI« O PARA O CUSTEIO DOS SERVI«OS DE ASSIST NCIA M…DICA, HOSPITALAR, ODONTOL”GICA E FARMACE⁄TICA. ART. 85 DA LEI COMPLEMENTAR N 62/2002, DO ESTADO DE MINAS GERAIS. NATUREZA TRIBUT£RIA. COMPULSORIEDADE. DISTRIBUI« O DE COMPET NCIAS TRIBUT£RIAS. ROL TAXATIVO. INCOMPET NCIA DO ESTADO-MEMBRO. INCONSTITUCIONALIDADE. RECURSO EXTRAORDIN£RIO N