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Análise e Produção Textual Vila Velha (ES) 201 7

Análise e Produção Textual

Vila Velha (ES)

2017

Escola Superior Aberta do Brasil

Diretor Geral

Nildo Ferreira

HISTÓRICO A PARTIR DE SUA REGULAÇÃO:

Em 17/11/2004, inicialmente foi credenciada ‘EM CARÁTER ESPECIAL” para ofertar cursos de pós- graduação Lato Sensu, por intermédio do Parecer CNE/CES nº 305/2004 e da Portaria MEC nº.

3.693/2004.

Portanto, desde 2004, mediante a oferta de diversos cursos lato sensu em várias áreas do saber, a Instituição passou a promover a qualificação de profissionais que dispõem de tempo reduzido para estudos e/ou que não podem se deslocar até os centros de formação. Essa oferta de cursos, gradualmente, caracterizou-se como um processo dinâmico, empreendedor e compromissado com a qualidade social da educação.

Em 2006, cumprindo o Marco de Regulação do MEC, a ESAB ingressou no Sapiens, atual e-MEC, com a solicitação para oferta do curso de Pedagogia presencial.

Em 2009, a ESAB foi credenciada como Instituição de Ensino Superior (IES), por meio da Portaria/MEC Nº 1.242, de 30 de dezembro de 2009 – Parecer CNE/CES nº 317/2009 para a oferta do curso de pedagogia presencial.

Em 2010, e já regulada aos marcos do MEC, passou a ofertar Curso de Pedagogia na modalidade presencial, sob o respaldo da Portaria 14/2010, de 08 de janeiro de 2010. Também em 2010, ingressou com pedido via e-Mec para a oferta de 18.000 vagas distribuída em três cursos de graduação na modalidade a distância: Administração, Sistemas de Informação e Pedagogia.

**Em Fevereiro de 2012, foi avaliada para credenciamento nestes três cursos em EAD, com not

máxima 5 (cinco), em todas as dimensões previstas e exigidas pelo MEC.

 

Editora Segmento o PRÊMIO TOP EDUCAÇÃO/ 2012, sendo reconhecida pela sociedade brasileira como a melhor instituição de formação docente de EaD do País.

Em 23 de outubro de 2012, teve sua trajetória educacional coroada, ocasião em que recebeu da

Entre os anos 2011 e 2012 a ESAB, recebeu 19 comissões do MEC, para avaliações de seus polos de apoio em 10 estados e foi credenciada em todos eles, sem que houvesse nenhuma diligência.

Em Agosto de 2013 a ESAB foi credenciada para Nº 717 de 08 de agosto de 2013.

a oferta de graduação em EAD através da Portaria

Em outubro de 2013, obteve autorização para ministrar os cursos de graduação na modalidade à distância, através das portarias SERES/MEC nº 548, 547 e 549, de 24 de outubro de 2013, com 9.000 vagas iniciais.

Em dezembro de 2013, fazendo parte do Marco

Regulatório do MEC, obteve o Reconhecimento

do Curso de Pedagogia Presencial através da PORTARIA nº 648, de 10 de dezembro de 2013.

Em maio de 2014, a ESAB foi recredenciada institucionalmente pelo MEC, tendo uma avaliação unânime pela comissão composta por três doutores, no quesito “Tecnologia para EAD” com índices “Muito Além do mínimo do referencial exigido”.

**Nos dias 15,16 e 17/12/2015 – A ESAB teve seu também com grande destaque em sua plataforma SGEI®

curso de Sistema de Informação RECONHECIDO

onde conquistou nota máxima 5.

Em Setembro de 2017 A ESAB foi autorizada através da portaria nº 964 para ofertar o curso em nível de tecnólogo de Gestão de Recursos Humanos.

Enfim, a ESAB pensa à frente de seu tempo, produz conhecimento e inovação e contribui para a formação de seres humanos éticos e antenados com os avanços tecnológicos dos tempos atuais.

Consequentemente, promove o crescimento, o desenvolvimento e a evolução da educação superior no Brasil.

Copyright © Todos os direitos desta obra são da Escola Superior Aberta do Brasil. www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840 Coqueiral de Itaparica - Vila Velha, ES CEP 29102-040

Apresentação

Caro estudante,

Sabemos que cada curso tem suas demandas específicas: Administração, Pedagogia ou Sistemas de Informação são cursos bastante particulares, mas em qualquer área são várias as teorias e os teóricos; os vieses e as perspectivas; os tipos de texto e suas finalidades. Entretanto, em qualquer um deles você precisará lidar com leituras, fichamentos, resumos, resenhas e desenvolver interpretações.

Disso, portanto, é que trata este material de Análise e Produção Textual. Nele constam indicações, recomendações e exercícios para você aperfeiçoar a sua escrita e

a

sua percepção de leitura. Este material foi concebido baseado nas referências Fiorin

e

Savioli (2006), Faraco e Tezza (2008), Medeiros (2008) e Discini (2005).

A elaboração desta disciplina foi feita especialmente para você, tendo como base uma compilação de livros de autores renomados, contendo conceitos, teorias, fórum, estudos complementares, entre outros, todos com o intuito de ajudá-lo em sua formação. Você verá que, por vezes, o texto será bastante pontual e objetivo; em outras, no entanto, será necessário um esforço interpretativo e um olhar crítico sobre suas próprias experiências de leitura e escrita para alcançarmos o propósito.

Bom estudo!

Equipe Acadêmica da ESAB

Objetivo

O nosso objetivo é auxiliar na análise e produção de textos, por meio do estudo de procedimentos e conceitos.

Competências e habilidades

Perceber as diferentes formas da linguagem em sua peculiaridade, necessárias à produção textual.

Reconhecer os diferentes instrumentos e procedimentos para a organização e produção de texto.

Produzir textos com senso crítico e qualidade.

Elaborar o pensamento por escrito, considerando as possíveis leituras interpretativas.

Ementa

A leitura e a produção textual. A estrutura do texto. Textualidade e argumentação

na produção do texto. Linguagem. Gêneros textuais: tipos de textos. Estrutura de texto. Aspectos gramaticais.

Sumário

1. Escrever bem: dom ou técnica?

7

2. O que é texto?

12

3. A nova ortografia da Língua Portuguesa

17

4. O falado e o escrito

21

5. Polissemia, metalinguagem, intertextualidade e recombinação

25

6. O esquema da comunicação e as funções da linguagem

32

7. O que define um bom texto

38

8. Os diferentes tipos de texto

41

9. Texto descritivo

47

10. Texto de informação

52

11. Texto de opinião

56

12. Texto

crítico

61

13. A narrativa

68

14. Texto temático e texto figurativo

73

15. Texto

argumentativo

79

16. Texto explicativo

86

17. Texto

dissertativo

92

18. Texto dissertativo-argumentativo

97

19. Como definir um título

103

20. Redação institucional/comercial

107

21. O curriculum vitae

111

22. Parágrafos

116

23. Pontuação

121

24. Frase, oração, período

127

25. Coesão

133

26. Coerência

138

27. Estilo

142

28. Denotação/conotação

146

29. Tropos de linguagem

150

31.

Usos da crase

161

32. Usos dos porquês

167

33. O dito “cujo”

170

34. Usos do gerúndio

174

35. Concordância

177

36. Usos do adjetivo

184

37. Estrangeirismos

191

38. Ênclise, próclise, mesóclise

195

39. Dúvidas frequentes

200

40. Tautologias

205

41. Pressuposto

210

42. Pesquisa: como proceder

215

43. Paráfrase

221

44. Fichamento e resumo

226

45. Interpretação

textual

235

46. Comunicação e expressão

241

47. As multimídias e a produção textual

247

48. Afinal, o que é um bom texto?

250

Glossário

256

Referências

268

1 Escrever bem: dom ou técnica? Objetivo Vislumbrar a escrita como técnica vinculada ao exercício

1

1 Escrever bem: dom ou técnica? Objetivo Vislumbrar a escrita como técnica vinculada ao exercício constante
1 Escrever bem: dom ou técnica? Objetivo Vislumbrar a escrita como técnica vinculada ao exercício constante

Escrever bem: dom ou técnica?

Objetivo

Vislumbrar a escrita como técnica vinculada ao exercício constante da leitura e construção de argumentos.

É comum ouvirmos que alguém, um amigo seu, um familiar, enfim, “tem facilidade para escrever”, não? Mas por que será? O que você pensa: algumas pessoas nascem com essa disposição e tudo o que fazem ao longo de sua vida estudantil não é mais que reforçá-la ou escrever bem se trata de algo que qualquer um de nós pode alcançar, com disciplina e dedicação?

No estudo da língua portuguesa, é comum o questionamento “Como escrever bem?”. É preciso estudar gramática? Sim, certamente. É preciso ler? Sem dúvida. É preciso ler sites de notícias, jornais impressos? Com certeza. Mas e as revistas de entretenimento servem também? Sim, também servem. E assistir a filmes ou documentários, tem algo a ver com a escrita? Absolutamente. Mas por quê?

Porque escrever bem significa, entre tantos fatores, defender bem um argumento, expor um ponto de vista, expressar sentimentos, manifestar- se com propriedade. Escolher a linguagem, montar um cenário, levantar

Escolher a linguagem, montar um cenário, levantar um problema, ponderar as alternativas, os vieses, tudo o

um problema, ponderar as alternativas, os vieses, tudo o que está em

jogo, e chegar a uma conclusão, ainda que provisória. Toda a informação que você consome e processa criticamente faz diferença. Vejamos um exemplo, às avessas.

Digamos que você não saiba dirigir ou nadar e esteja interessado em aprender ou que esteja a fim de melhorar a sua saúde, manter a sua boa aparência e queira se matricular em uma academia de ginástica. Pois então: você já viu alguém aprender a nadar em teoria, do lado de fora da piscina? Não, não é? E se você quiser desenvolver os seus músculos, certamente terá de encarar os aparelhos da academia e realizar as séries

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periódicas de 8, 10, 12 repetições. Mas ainda não será o bastante: o nosso organismo

periódicas de 8, 10, 12 repetições. Mas ainda não será o bastante: o nosso organismo se habitua com os exercícios, de modo que, gradualmente, será preciso que você exija mais de si mesmo para chegar a um determinado resultado, adquirindo perfeição naquilo que está fazendo e, ao mesmo tempo, resistência para a tarefa.

Mas, por outro lado, é possível, sim, aperfeiçoar o seu nado a partir da teoria: você pode muito bem estudar como deve ser a sua respiração; você pode ler um artigo, uma revista ou um livro que demonstre graficamente como deve ser o movimento da braçada, que você deve esticar os braços completamente, que, enquanto um está realizando a braçada, o outro deve estar posicionado de modo a não oferecer resistência ou que os pés devem reproduzir o movimento de um chute, e não simplesmente um movimento qualquer, para que você possa

aproveitar

impulso

e a sua própria energia. E, se você estiver tomando aulas na autoescola para tirar a carteira de motorista, certamente a teoria irá auxiliá-lo tanto no conhecimento do veículo como nos procedimentos que você deve desempenhar para dirigir com segurança.

Assim, para escrever bem, é preciso também se arriscar e “entrar na piscina” ou “assumir o volante”. Não há como você desenvolver uma técnica sem se submeter ao exercício diário e constante, adquirindo consciência daquilo que está fazendo.

todo

o

São detalhes que fazem muita diferença: habitue-se a acessar diariamente um site de notícias de qualidade. Certamente você, pouco a pouco, saberá que uma notícia se pauta, essencialmente, em relatar os fatos sem problematizar a linguagem, ou seja, com objetividade e sem especulação. Pois, se há especulação, já não estamos no terreno da notícia, e sim da análise. Ao assistir a um filme estrangeiro, prefira assisti-lo com as legendas. Você, pouco a pouco, encontrará o ajuste e dará conta de ver os personagens, ouvir e ler, no seu idioma, aquilo que estão dizendo. Mas se ainda você gosta de uma boa revista de entretenimento, sem muita profundidade, será válido, pois você também saberá quando se utilizar de uma linguagem mais leve e atrativa para cativar o seu leitor.

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Figura 1 – Para aprimorar a sua escrita, você precisa de variedade de leitura. Fonte:
Figura 1 – Para aprimorar a sua escrita, você precisa de variedade de leitura. Fonte:

Figura 1 – Para aprimorar a sua escrita, você precisa de variedade de leitura. Fonte: <www.shutterstock.com>.

Resumindo, você precisa de variedade de leitura. Habitue-se aos livros de ficção, às biografias e autobiografias, aos relatos de história e estudos de geografia, e o que mais for. Você encontrará frases, orações e períodos mais complexamente articulados, de modo a ampliar o seu vocabulário, acostumá-lo a raciocínios mais longos e ampliar a sua experiência com

o relato alheio. Você aprenderá gramática sem sequer perceber. E outra

coisa: tenha muito cuidado com a linguagem abreviada ou adaptada que utilizamos para a comunicação on-line, quando tudo vale ou é permitido. Nada pior que ler um texto em que se utiliza “mais” no lugar de “mas”…

Um dos problemas, no entanto, que todos temos de enfrentar é a

ansiedade. Muitas vezes queremos algo prontamente. Queremos perceber

o benefício imediatamente. É um pouco a lógica do consumo: compro,

uso, quero ver o resultado. Na escrita, como em qualquer outra técnica,

as coisas não são bem assim.

Digamos que você esteja nadando. Você já desenvolve a modalidade

crawl com certa naturalidade e precisão e seu instrutor quer agora que você exercite o nado golfinho. A sua reação imediata é de resistência, pois você sabe da sua dificuldade em concatenar os movimentos de pés, braços

e tronco, mas começa a prática do exercício. Você tenta apreender o

movimento, mas ainda não consegue desenvolvê-lo corretamente. A aula acaba e você sai da piscina com certo descontentamento e mais cansado

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que o habitual, pois do crawl você já dava conta. Passam-se dois dias, ou na

que o habitual, pois do crawl você já dava conta. Passam-se dois dias, ou na aula da semana seguinte, você se aquece, entra na água, começa em modo crawl e logo passa à modalidade golfinho. Surpreendentemente, você nota que, embora os movimentos ainda não estejam perfeitos, você já os desenvolve com certa habilidade ou menos esforço.

Pois, é assim mesmo. Foi necessário que você se expusesse a algo que ainda desconhecia ou não dominava, que tentasse desenvolver essa tarefa conscientemente, e que também precisasse lidar com a impressão momentânea de fracasso. É parte do processo, e não vale a pena pular a etapa. Não tem como.

Mas vamos ao que de fato nos interessa: na sua disciplina de Sociologia

das Organizações, Introdução à Computação ou Psicologia da Educação,

o professor lhe solicita escrever uma resenha sobre um capítulo específico. Você realizou a leitura, destacou no texto as informações que julgava fundamentais e passou à confecção do seu trabalho. Ao fim, você ainda não se sente satisfeito com o resultado. Pode ser impressão, pode ser a leitura ainda superficial de determinada passagem ou que a sua interpretação ainda esteja apressada, sem ir fundo nos conceitos. Pois bem, dê um tempo para você mesmo. Reserve o texto, faça outra leitura, consulte outro autor ou vá fazer outra coisa. No dia seguinte – o tempo

é relativo –, retome aquilo que você escreveu e leia criticamente. Você

encontrará períodos que ficaram pouco claros, verá que certa informação não é tão importante assim, que determinada conclusão está apressada; perceberá um ou outro deslize na pontuação, e assim por diante. Em suma, é preciso lidar com a ansiedade da conclusão e dar tempo para que você mesmo mude, para que você se reprograme ou se reorganize; para que você se distancie daquilo que estava tão perto dos seus olhos mas que não conseguia enxergar com precisão.

Em um curso superior, também é comum termos contato com textos mais complexos, que exigem muito mais que uma leitura superficial, pois estão longe da nossa experiência cotidiana. São textos que demandam

da nossa experiência cotidiana. São textos que demandam uma ampliação de nossa escopia, isto é, do

uma ampliação de nossa

escopia, isto é, do modo como vemos o

mundo e interpretamos as suas implicações. Então aproveite, pois este

é justamente o momento para você se expor a leituras e problemas que põem à prova os seus conceitos.

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Para encerrar esta unidade, acompanhe algumas dicas de Stephen Kanitz, articulista da revista Veja, consultor

Para encerrar esta unidade, acompanhe algumas dicas de Stephen Kanitz, articulista da revista Veja, consultor de empresas e conferencista. Resumidamente, Kanitz (2012) anota:

por mais relativo que isto seja, escreva sempre considerando qual é o seu público-alvo;

deixe a vaidade de lado, escreva para narrar uma experiência ou expor uma ideia;

inicie pelo rascunho, deixe as ideias amadurecerem e revise ou reescreva;

não gaste tempo com ideias

intransigentes
intransigentes

ou pesadamente

ideológicas;
ideológicas;

repita de formas diferentes as ideias fundamentais do seu texto;

seja conciso, direto e objetivo.

Estudo complementar Vimos nesta unidade que para escrever bem é preciso munir-se de um cardápio
Estudo complementar
Vimos nesta unidade que para escrever bem
é preciso munir-se de um cardápio variado
de informações, dedicação e disciplina. Para
complementar o estudo, leia o texto completo
de Stephen Kanitz a que fizemos referência,
clicando aqui.

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2 O que é texto? Objetivo Desenvolver e explorar o conceito de texto, analisando suas

2

O que é texto?

Objetivo

Objetivo

Desenvolver e explorar o conceito de texto, analisando suas perspectivas de formação de sentido no processo de criação e organização.

Depois de nossas considerações acerca do processo de escrita, vamos abordar o significado do texto.

“Redija um texto”, “leia o texto a seguir”, “o texto está ilegível” – com certeza, você já teve contato com esses enunciados e acatou o que estava sendo solicitado ou informado. Todos realizamos a tarefa porque, bem ou mal, entendemos o que significa. Mas e se você tivesse de conceituar, como faria? São várias as possibilidades.

2.1 Compreendendo o conceito de texto

Hoje, dispomos de leituras mais abertas quanto ao conceito de texto, mas sua origem remonta ao vocábulo latino textu, que significa tecido, ou seja, a uma peça cuja consistência depende do bom entrelaçamento

de vários fios. Medeiros (2008, p. 137) diz que “[

contribui para esclarecer que não se trata de feixe de fios (frases soltas), mas de fios entrelaçados (frases que se inter-relacionam)”.

]

a imagem de tecido

Por consequência dessa definição, entendemos texto como o campo da página escrita – por exemplo – cujos fios (as palavras) estão dispostos em uma ordem coerente, e que independe da sua extensão. Vejamos como isso funciona na prática.

Talvez você more em um apartamento, que fica dentro de um condomínio. Todos os dias, ao se aproximar do portão, você vê a placa onde está escrito “não buzine”. Trata-se de um texto? Sim. Por se tratar de um lugar onde residem várias pessoas e que exige certas normas de

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conduta social, entendemos que a placa solicita bom senso a quem se aproxima, para que

conduta social, entendemos que a placa solicita bom senso a quem se aproxima, para que produza o menor ruído possível. A unidade de sentido, portanto, está concretizada. Mas e se em vez da frase escrita estivesse apenas a figura de uma buzina com a tarja de proibido

signo
signo

sobreposta, seria um texto? Sim, pois o

indica-nos algo cujo sentido é compreensível.

na placa, tal como as letras,

Por outro lado, digamos que você esteja caminhando pelo centro da cidade e vê a mesma palavra, buzina, pichada num muro, ou mesmo o desenho de uma buzina. Trata-se de um texto? Pergunte-se: a relação de sentido se mantém?

Como não estamos mais no ambiente condomínio, que evoca os cuidados a que nos referimos antes (residência, família, silêncio), e trata- se apenas de um muro, o sentido não se efetiva. Não podemos captar a intenção comunicacional do autor da pichação nem por ela mesma nem pelo contexto que a cerca. Talvez na cabeça do autor aquilo faça muito sentido, mas seria apenas especulação de nossa parte. Não há interação comunicativa específica, que é o segundo movimento a que Medeiros (2008) faz referência.

Podemos, a partir desses breves exemplos, concluir que o significado não é autônomo. Para que ele se efetive, é preciso considerar o contexto onde ele se insere.

Assim, podemos apreender que o significado das partes que compõem um texto está atrelado às correlações que elas mantêm entre si e, além disso, que o contexto concerne a uma unidade linguística maior, em que se encaixa uma unidade linguística menor, o texto.

Outro caso bastante analisado para estudar os conceitos de texto e

caso bastante analisado para estudar os conceitos de texto e contexto refere-se a uma crônica de

contexto refere-se a uma

crônica de Ricardo Ramos, intitulada “Circuito

fechado”, constante no livro de mesmo título, publicado pela primeira vez em 1972. Vejamos:

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Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel,

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, telefone, agenda, copo com lápis, caneta, blocos de notas, espátula, pastas, caixa de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo. Xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

E agora? É apenas uma lista de palavras ou há conexão entre elas?

Como você deve ter notado, a sequência de substantivos mostra a rotina de um homem ao longo de um dia, desde o momento em que sai da cama, vai ao banheiro, toma café, começa o seu trabalho, paga contas, vai ao banheiro, lê o jornal, descansa, volta ao trabalho, dirige, olha quadros, janta, volta, assiste à tevê, toma banho e se deita. Temos então um texto cujo contexto desvendamos por interpretação. De certo modo, é parecido com um poema bastante famoso de Augusto de Campos, poeta brasileiro

do

com a palavra luxo, repetidamente, e em formato menor.

do com a palavra luxo, repetidamente, e em formato menor. movimento concretista, em que a palavra

movimento concretista, em que a palavra lixo, grande, está escrita

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Figura 2 – Luxo, poema de Augusto de Campos, 1966. Fonte: <www. cibercultura.org.br >. Também
Figura 2 – Luxo, poema de Augusto de Campos, 1966. Fonte: <www. cibercultura.org.br >. Também

Figura 2 – Luxo, poema de Augusto de Campos, 1966. Fonte: <www.cibercultura.org.br>.

Também via interpretação, trata-se de um texto que questiona valores, que demanda outro texto – ou seja, quer que estabeleçamos uma relação entre um e outro vocábulo. É um texto que expõe a relação entre ambos os termos e comunica algo como “quanto mais luxo, mais lixo”, e faz com que pensemos criticamente, por exemplo, na sociedade em que vivemos. Assim, escreve-se um texto para participar de um contexto maior, ao qual se faz referência.

Texto é uma unidade concreta que percebemos pela visão, pela audição e até mesmo pelo tato (considere o sistema de Libras), e implica uma situação de comunicação de uma mensagem cuja extensão é variável, podendo formar-se por apenas uma palavra ou pela articulação de várias. Em termos genéricos, contexto é uma coisa grande em que cabe uma coisa pequena!

Fiorin e Savioli (2006) explicam que, em um texto, o significado de uma parte não é autônomo, no sentido de que depende das outras com que

se relaciona. Assim, o significado global não é simplesmente resultado

da soma de suas partes, mas de certa combinação geradora de sentidos.

E daí percebermos o conceito implícito de contexto. Ou seja, devemos

sempre levar em conta o contexto em que está inserida a passagem do texto a ser lida, entendendo-o como uma unidade linguística maior em que se encaixa uma unidade menor.

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Saiba mais Expusemos aqui de modo bastante sintético os conceitos de texto e contexto e
Saiba mais Expusemos aqui de modo bastante sintético os conceitos de texto e contexto e
Saiba mais
Expusemos aqui de modo bastante sintético os
conceitos de texto e contexto e suas implicações.
Para saber um pouco mais, clique aqui e assista ao
programa Palavra Puxa Palavra, produzido pela
Educopédia MultiRio, que tematiza os conceitos de
texto, contexto e intertexto.

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3 A nova ortografia da Língua Portuguesa Objetivo Observar as principais alterações propostas pelo Novo

3

3 A nova ortografia da Língua Portuguesa Objetivo Observar as principais alterações propostas pelo Novo Acordo
3 A nova ortografia da Língua Portuguesa Objetivo Observar as principais alterações propostas pelo Novo Acordo

A nova ortografia da Língua Portuguesa

Objetivo

Observar as principais alterações propostas pelo Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

3.1 Reforma ortográfica

Em 2008, foi proposta uma reforma ortográfica com o objetivo de uniformizar a grafia nos países que têm o português como língua oficial:

Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

O benefício da reforma é facilitar a aproximação desses países e fortalecer o

idioma, mas fica a critério de cada país como e quando a colocará em vigor.

No Brasil, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, com 381.000 verbetes, é o vocabulário

oficial da nossa língua e sua versão mais recente, de 2009, atualizada

língua e sua versão mais recente, de 2009, atualizada com a nova ortografia, é a base
língua e sua versão mais recente, de 2009, atualizada com a nova ortografia, é a base

com a nova ortografia, é a base para dicionários e livros em geral.

Já são vários os manuais impressos e online para saber a grafia correta dos

termos, mas ainda há muitas dúvidas e discussões.

Saiba mais Para conhecer o decreto da Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, clique aqui.
Saiba mais
Para conhecer o decreto da Reforma Ortográfica
da Língua Portuguesa, clique aqui.

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Acompanhe a seguir um resumo das principais mudanças, a partir de Silva (2009). 3.1.1 Uso

Acompanhe a seguir um resumo das principais mudanças, a partir de Silva (2009).

3.1.1 Uso do hífen

Usa-se o hífen:

em palavras compostas que ganham um significado diferente, mas com sentido de composição (exemplo: tio-avô);

em espécies botânicas e zoológicas (exemplo: bem-te-vi);

palavras com uso já consagrado (exemplo: cor-de-rosa);

em encadeamentos de vocábulos (exemplo: Rio-Niterói);

em nomes próprios iniciados por grã, grão, verbo ou com termos ligados por artigos (exemplo: Grã-Bretanha);

em ênclise e mesóclise (exemplo: deixá-lo);

com o segundo termo iniciado por h (exceto sub) (exemplo: anti- higiênico);

com os prefixos além, aquém, recém, sem, ex, vice, pós, pré e pró (exemplo: pré-natal);

com o primeiro termo terminado em vogal e o segundo iniciado pela mesma vogal (exceto co) (exemplo: contra-ataque);

em derivados de Tupi-Guarani (exemplo Mogi-Mirim);

com os prefixos circum e pan com o próximo termo iniciado por vogal, m ou n. (exemplo: pan-americano);

com o prefixo mal com o próximo termo iniciado por vogal ou h (exemplo: mal-humor);

em termos repetidos (exemplo: blá-blá-blá);

com o prefixo bem com o próximo termo iniciado por vogal ou consoante (exemplo: bem-estar);

Observação

O hífen sumiu no caso de aglutinações do prefixo bem com o próximo elemento, mas apenas em duas famílias de palavras. A palavra bem-feito vira benfeito por força de ajustá-la a benfeitor, benfeitoria; o verbo bem- querer vira benquerer por analogia a benquisto, benquerença. O detalhe

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é que, ao mesmo tempo, a forma consagrada bem-querer permanece ativa. Não há menção no

é que, ao mesmo tempo, a forma consagrada bem-querer permanece ativa. Não há menção no Novo Acordo a quaisquer outros casos.

Não se usa o hífen:

em palavras que perdem a noção de composição ganhando novo significado (exemplo: paraquedas);

em locuções substantivas, adjetivas, pronominais ou adverbiais sem o uso do hífen consagrado (exemplo: fim de semana);

com os prefixos co, re, pro, pre (exemplo: cooperação);

com não e quase (as palavras não se unem) (exemplo: não fumante);

com prefixo terminado em consoante e o próximo termo iniciado por consoante diferente ou vogal (exemplo: subsíndico);

com prefixo terminado em vogal e o próximo termo iniciado por vogal diferente ou consoante diferente de r ou s (exemplo:

autoestrada);

com prefixo terminado em vogal e o próximo termo iniciado por r ou s (r e s duplicam) (exemplo: ultrassom);

com o prefixo sub com o próximo termo iniciado por letra diferente de r (exemplo: subitem);

com o prefixo mal com o próximo termo iniciado por consoante, em alguns casos (exemplo: malcriado);

nas expressões latinas não aportuguesadas (exemplo: carpe diem).

Saiba mais Acesse o site UOL Notícias e assista a um bate- papo com o
Saiba mais
Acesse o site UOL Notícias e assista a um bate-
papo com o professor Pasquale Cipro Neto a
respeito da reforma ortográfica clicando aqui.

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3.1.2 Outras mudanças importantes O Novo Acordo Ortográfico, conforme Silva (2009), trouxe mais algumas importantes

3.1.2 Outras mudanças importantes

O Novo Acordo Ortográfico, conforme Silva (2009), trouxe mais algumas importantes mudanças. Vejamos:

mudança no alfabeto: as letras k, w e y foram incluídas oficialmente;

abolição do trema. O único caso de uso permitido é nas palavras estrangeiras e suas derivadas (exemplo: Müller, mülleriano);

não se usa mais o acento diferencial (exceto em pôr e nos verbos têm, vêm e derivados na terceira pessoa do plural. Em fôrma é facultativo);

não se usa acento em éi e ói em paroxítonas (exemplo: ideia, paranoia);

não se usa acento em i e u tônicos após ditongo em paroxítonas (exemplo: feiura);

não se usa acento nos hiatos êem e ôo(s) (exemplo: voo);

não se usa acento no u tônico do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir (exemplo: eles arguem);

uso facultativo do acento nos verbos aguar, apaniguar, apaziguar, apropinquar, averiguar, desaguar, enxaguar, obliquar e delinquir, de acordo com a pronúncia (exemplo: enxágua ou enxagua).

Espera-se que este breve resumo tenha auxiliado você. Quando surgir uma dúvida, retorne e consulte. Se não for o bastante, consulte o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), no site da Academia Brasileira de Letras.

Fórum Dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e participe do nosso primeiro fórum. Esta
Fórum Dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e participe do nosso primeiro fórum. Esta

Fórum

Dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e participe do nosso primeiro fórum. Esta atividade permite a interação entre você, seu tutor e colegas de curso, contribuindo significativamente para a construção do seu conhecimento.

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4 O falado e o escrito Objetivo Discutir a linguagem sob o viés de diferentes

4

4 O falado e o escrito Objetivo Discutir a linguagem sob o viés de diferentes lugares
4 O falado e o escrito Objetivo Discutir a linguagem sob o viés de diferentes lugares

O falado e o escrito

Objetivo

Discutir a linguagem sob o viés de diferentes lugares de enunciação, analisando as mudanças que devem ser levadas em consideração.

Utilizamos várias maneiras para nos comunicar, certo? Temos um modo para tratar com nossa família, outra com o pessoal do trabalho, outra em situações mais formais. E você também já deve ter reparado que em diferentes regiões do Brasil existem modificações na maneira de falar e também no vocabulário utilizado. Essas variações são chamadas de variedades linguísticas e fazem parte da diversidade cultural do nosso país. Podem ser variedades geográficas, de gênero, socioeconômicas, entre outras.

As variedades geográficas são os regionalismos, que correspondem ao modo de falar do paulista, do baiano, do mineiro, do catarinense etc.

Mas qual será a razão de nos jornais da tevê a linguagem utilizada não

se parecer com a de nenhuma região? Se você pensou “porque é uma linguagem padrão”, é isso mesmo.

A língua padrão é uma tentativa de unificar as características da língua

portuguesa. Mas, diante disso, podemos afirmar que exista uma língua

“mais correta”?

A língua não é uma coisa inerte; pelo contrário, trata-se de algo vivo e

dinâmico, usado pelos falantes de uma comunidade para a expressão de necessidades, sentimentos e ideias. Justamente por isso, trata-se de um código sujeito a constantes transformações e adaptações conforme as necessidades comunicativas dos falantes (FARACO; TEZZA, 2008).

Mas atenção! Você recorda da letra de “Inútil”, música do Ultraje a Rigor, banda brasileira dos anos 1980? Acompanhe:

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A gente não sabemos Escolher presidente A gente não sabemos Tomar conta da gente A

A gente não sabemos

Escolher presidente

A gente não sabemos

Tomar conta da gente

A gente não sabemos

Nem escovar os dente Tem gringo pensando

Que nóis é indigente

Inútil

A gente somos inútil

Inútil

A gente somos inútil

O refrão “A gente somos inútil” da música do compositor brasileiro Roger Moreira está correto apenas na música, pois a linguagem poética (estudaremos este assunto em detalhe na unidade 6) admite determinadas transgressões à norma gramatical. Na letra em questão, houve clara intenção em transgredir essa norma para atingir o efeito desejado. O autor, no caso, tem liberdade de usar a língua do jeito que acha mais adequado para transmitir o sentido que deseja, independentemente do emprego da norma culta.

Assim, percebe-se em vários casos, músicas, poesias e mesmo obras de ficção que se valem dessa liberdade para alcançar o efeito desejado na leitura ou na musicalidade da obra. Já conforme a norma culta – que define o que é ou não correto gramaticalmente –, a concordância do

predicativo
predicativo

verbo e do

em relação a seu sujeito, nesse verso, não está

correta. No caso, deveríamos escrever “nós somos inúteis”.

Trata-se de um uso muito semelhante ao funcionamento da gíria. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a gíria não constitui um “estrago” da linguagem. Quem, um dia, não usou alguma expressão como “cara”, “beleza”, “parada”, “ninja”, “balada”?

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O mal da gíria está em adotá-la como forma permanente de comunicação, desencadeando um processo

O mal da gíria está em adotá-la como forma permanente de

comunicação, desencadeando um processo não só de esquecimento, mas de desprezo ao vocabulário oficial. Mas se for usada no momento adequado, a gíria é um elemento de linguagem que denota expressividade, espontaneidade e criatividade, desde que, naturalmente, adequada à mensagem, ao meio e ao receptor (estudaremos esses conceitos mais adiante).

Observe, porém, que estamos falando em gíria, e não das expressões conhecidas sob a categoria “baixo calão”. Uma palavra de baixo calão, popularmente conhecida como “palavrão”, é um vocábulo que pertence à categoria “gíria”, mas que, dentro dessa, apresenta-se chulo, impróprio, rude, obsceno, agressivo ou imoral sob determinados ângulos culturais.

O problema da gíria é que ela só é admitida na língua falada ou em

meios alternativos. Você pode utilizá-la numa conversa eletrônica com pessoas que você conhece, mas deve saber que em um trabalho acadêmico ou em situações mais formais, ela não convém – exceção para casos especiais de documentação de um fato em que descrever a linguagem seja parte essencial para a identificação de um personagem, por exemplo.

Em termos gerais, você deve ter a consciência de que na fala você pode usar de certa descontração, no sentido de não aplicar as devidas concordâncias entre os termos, ou de usar gírias, mas somente quando você já pode se manifestar à vontade. Para situações formais, como a apresentação de um seminário, uma entrevista de trabalho, enfim, é preciso que você saiba regular a linguagem – pois o que está em questão nessas ocasiões é justamente manter-se “na linha”, mostrando sua capacidade de expressar ideias de forma clara e polida.

Em suma, estudamos a língua para ampliar as relações de sentido. Se você tem um vocabulário curto, esse vocabulário não necessariamente determina suas associações mentais, mas com certeza limitará a expressão das suas ideias. Como vimos na unidade 1, é preciso tratar o domínio do idioma como uma técnica que aprendemos pela prática contínua.

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Para sua reflexão Vimos que “fala”e “escrita”são diferentes modalidades que apontam para usos distintos da
Para sua reflexão Vimos que “fala”e “escrita”são diferentes modalidades que apontam para usos distintos da

Para sua reflexão

Vimos que “fala”e “escrita”são diferentes modalidades que apontam para usos distintos da língua. Agora que você já passou pela leitura da unidade, reflita: como se deve conduzir a linguagem para uma apresentação, uma situação formal em que você está sendo analisado por outras pessoas?

As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores.

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5 Polissemia, metalinguagem, intertextualidade e recombinação Objetivo Vislumbrar a pluralidade de

5

Polissemia, metalinguagem, intertextualidade e recombinação

Objetivo

Objetivo

Vislumbrar a pluralidade de significados das palavras, sua metalinguagem, bem como os conceitos da relação intertextual e da recombinação como procedimentos básicos para a escrita.

Prezado acadêmico, agora que já vimos a importância do emprego correto da língua, inclusive percebendo as nuances entre o texto falado e o texto escrito, trataremos a seguir de alguns conceitos bastante frequentes no universo do estudo da Língua Portuguesa no ambiente acadêmico. São conceitos independentes, mas que guardam, como você verá, intensa relação entre si. Será uma exposição bastante breve, porém suficiente para você operacionalizar os termos.

5.1 Polissemia

Para começar, observe a raiz grega do termo polissemia: poli, muitos;

lexical
lexical

sema, significado. Refere-se à pluralidade

das palavras. Ou seja,

além do significado imediato que temos a respeito de uma palavra, ela pode assumir diferentes sentidos conforme o contexto (PERINI, 2009).

O texto de humor, por exemplo, vale-se muito da polissemia das

palavras. Trata-se de um texto de ampla circulação, principalmente em programas de televisão, charges e histórias em quadrinhos. A publicidade, inclusive, utiliza muito da polissemia, partindo de uma escolha bastante específica dos termos a serem empregados para que causem a devida reação no leitor/ouvinte.

Como contraste, um texto de caráter científico partirá do contrário: ele evita a ambiguidade de um termo para justamente anular a possibilidade

de um sentido distinto daquele que se deseja; deste “defeito” é que o

texto humorístico se vale. O humor diz uma coisa, permitindo que

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outra – ou mais – seja compreendida. É uma espécie de “negociação” do sentido que

outra – ou mais – seja compreendida. É uma espécie de “negociação” do sentido que o texto estabelece (FARACO; TEZZA, 2008).

Veja a figura 3 e comprove a tese.

(FARACO; TEZZA, 2008). Veja a figura 3 e comprove a tese. Figura 3 – Capa da

Figura 3 – Capa da revista Cascas, exemplo de polissemia no texto humorístico. Fonte: <www.hortifruti.com.br>.

5.2 Metalinguagem

Esse conceito trata da propriedade que a língua tem de voltar-se para

si mesma. O termo vem do grego, metá, e significa “depois, além de”.

Então, podemos entender a metalinguagem como aquilo que está além da mera comunicação, quando problematizamos a linguagem utilizando dela própria para fazer isso. É a forma de expressão dos dicionários e das gramáticas, ou seja, de linguagens dedicadas ao estudo da linguagem (PERINI, 2009).

Hoje em dia, no entanto, a compreensão do termo é mais ampla, e

o mesmo pode ser detectado em vários campos quando se realiza um movimento espiralado de pensamento.

Vamos a um exemplo? Tomemos por base a introdução do romance “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, que assim escreve: “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias

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pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento

pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte”. Ou seja: o escritor discorre sobre o modo como escreveu o próprio livro.

Atualmente, a metalinguagem faz parte de muitas das ficções com que tomamos contato. São frequentes os filmes que se desdobram sobre o próprio processo de representação (do filme que narra a confecção de um filme ou dos documentários a respeito de filmes ou seriados).

Para você vislumbrar a ideia, considere que o programa Vídeo Show, da Rede Globo, desdobra uma metalinguagem sobre os programas realizados pela própria emissora. Por outro viés, a função primeira da linguagem é comunicar uma mensagem a um receptor, de forma a alcançar um determinado objetivo. Mas quando utilizamos a linguagem para esclarecer algo já exposto, aí estamos no campo da metalinguagem.

5.3 Intertextualidade

Temos aqui, talvez, o mais rico dos conceitos. Suas formas habituais são

a
a

paródia e o

pastiche
pastiche

(retornaremos a este conceito quando estudarmos

paráfrase, mais adiante). Trata do diálogo entre os vários textos de uma língua (MEDEIROS, 2008).

a

Considere que um bom texto é bom à medida que se mostra capaz de

estabelecer relações com o universo de ideias em que ele se situa. Quem não consegue estabelecer relações dificilmente desenvolve o senso crítico,

a capacidade de análise; permanece sempre no sentido literal, não capta as entrelinhas, os pressupostos, ou seja, aquilo que está além, e que necessita do nosso conhecimento extra e de nossa interpretação.

Daí se conclui a importância da variedade e constância da leitura. À medida que você constrói um repertório amplo de referências, amplia também o raio de associações que consegue estabelecer. Você se torna um construtor hábil de sentidos.

Como exemplos rápidos, imagine que o álbum “Admirável chip novo”, da cantora Pitty, faz referência ao clássico romance de Aldous Huxley,

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“Admirável mundo novo”; ou que a reportagem “Yes, nós temos urânio!”, da Revista Superinteressante, referencia

“Admirável mundo novo”; ou que a reportagem “Yes, nós temos urânio!”, da Revista Superinteressante, referencia a famosa frase “Yes, nós temos banana!”, da cantora Carmen Miranda. A leitura já começa por aí.

A literatura inteira é construída de livros que dialogam uns com os outros. O cinema se alimenta do próprio cinema, e faz referência (ou não!). Uma forma bem didática de visualizar isso é assistir ao filme de Bernardo Bertolucci, “Os sonhadores” (The Dreamers, 2003), em

que o diretor retoma uma série de imagens da

Nouvelle Vague

, mais

especificamente de um filme de Jean-Luc Godard, chamado “Bande à part”, um dos principais trabalhos da escola francesa, realizado em 1964.

Em “Os sonhadores”, Bertolucci narra a história de Matthew, um garoto americano que, em 1968, vai a Paris estudar. Lá, conhece dois irmãos, Isabelle e Theo, e os três se tornam grandes amigos. São aficionados por cinema, e relacionam tudo às cenas dos filmes a que assistem. A cena mais emblemática é quando Isabelle lança a Matthew um desafio, o de acompanhá-la junto com Theo num passeio pelo Museu do Louvre, tal como na cena do filme “Bande à part”, em que os três personagens, Arthur, Odile e Franz, resolvem quebrar o recorde de um americano que conseguiu visitar o Louvre em 9 minutos e 45 segundos – e que acabam conseguindo, com 2 segundos a menos. A cena seguinte de “Os sonhadores”, portanto, é Matthew, Isabelle e Theo realizando o mesmo passeio de Arthur, Odile e Franz, antes realizado pelo americano, quebrando o recorde original em 17 segundos. E só para você saber mais um pouco sobre “Bande à part”, a cena original, de 1964, era, desde aquela época, a maneira de o diretor criticar e ridicularizar as hordas apressadas de turistas que circulavam pelo museu, preocupando-se apenas em ver os quadros mais conhecidos.

Nesse caso, temos, então, uma pluralidade de conceitos. Há a relação intertextual entre os filmes e há também a metalinguagem de um filme que faz referência a outro. Durante a cena, aliás, Bertolucci intercala a filmagem feita por Godard com a sua, originando uma espiral de cinema sobre cinema, de linguagem sobre linguagem, de citações.

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5.4 Recombinação Por último, temos o conceito de recombinação . Habitualmente, não se trata de

5.4 Recombinação

Por último, temos o conceito de recombinação. Habitualmente, não se trata de um conceito estudado em Língua Portuguesa. Trata-se de um

um conceito estudado em Língua Portuguesa. Trata-se de um viés mais vanguardista, e refere-se à ideia

viés mais vanguardista, e refere-se à ideia de que a produção criativa e

intelectual nunca é original, está sempre pautando-se pelo já feito, dando novos sentidos àquilo cuja leitura estava estática.

Por exemplo, considere que um determinado texto clássico já esteja carregado por uma determinada interpretação. A recombinação é uma forma de revitalizar o sentido, estabelecendo conexões que antes não existiam.

Podemos dizer, portanto, que para conseguir decodificar uma série de

mensagens, uma vez que a língua é um sistema de códigos, precisamos recombinar os termos, associá-los a outros. Ou seja, temos de construir o

sentido!

A recombinação é mais facilmente visualizada nas artes, e o maior

expoente da recombinação talvez seja Marcel Duchamp, que criou a nomenclatura ready-made. Traduzindo o termo, ready-made significa “feito pronto” – ou seja, os trabalhos não eram mais uma reprodução do real por meio da técnica (como pintar uma paisagem “tal qual”, por

exemplo), mas o próprio real. Para ele, o que interessava era o ruído que

o objeto artístico gerava no campo das ideias. Nesse caminho, podemos ler por exemplo o seu trabalho intitulado “A fonte”, de 1917, que consiste em um urinol, assinado com o pseudônimo R. Mutt.

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Figura 4 – A fonte, de Marcel Duchamp (1917). Fonte: < commons.wikimedia.org >. Em outras
Figura 4 – A fonte, de Marcel Duchamp (1917). Fonte: < commons.wikimedia.org >. Em outras

Figura 4 – A fonte, de Marcel Duchamp (1917). Fonte: <commons.wikimedia.org>.

Em outras palavras, não interessava mais o objeto – ele poderia ser qualquer coisa –, mas sim os sentidos que ele passava a produzir na rede discursiva do campo artístico. Mas como eram constituídos esses trabalhos? Pela recombinação de elementos. Os objetos eram retirados de sua condição de uso, e reposicionados como objetos de contemplação, de discurso, de pensamento.

Mas de que isso nos serve no estudo dos textos?

Isso significa que os sentidos não estão simplesmente dados. Todo sentido é um processo de elaboração, de negociação (FARACO; TEZZA, 2008). Quando lemos, estamos nos colocando no texto. São os nossos conhecimentos e nossa capacidade de interpretação que estão em jogo. Por isso, quanto mais amplas forem as suas referências, maior será a sua compreensão do mundo e de seus discursos. Ter noção desses conceitos ajudará você a aperfeiçoar os seus procedimentos de escrita e refinar o seu senso crítico. Mãos à obra!

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Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito do termo recombinação, leia o texto
Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito do termo recombinação, leia o texto
Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito do
termo recombinação, leia o texto “Plágio utópico,
hipertextualidade e produção cultural eletrônica”
do grupo Critical Art Ensemble. O texto pode ser
acessado clicando aqui.

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6 O esquema da comunicação e as funções da linguagem Objetivo Apresentar os fatores básicos

6

O esquema da comunicação e as funções da linguagem

Objetivo

Objetivo

Apresentar os fatores básicos que envolvem a comunicação, estudando as seis funções da linguagem.

Após abordar a pluralidade de significados das palavras, sua metalinguagem, entendendo os conceitos da relação intertextual e da recombinação como procedimentos básicos para a escrita, vamos nos deter no processo de comunicação.

Emissor, receptor, interlocutor – são termos usados com frequência

teoria da
teoria da

no estudo da Língua Portuguesa, mas que fazem parte da

da no estudo da Língua Portuguesa, mas que fazem parte da comunicação, que estuda as origens,

comunicação, que estuda as origens, os efeitos e o funcionamento do

nosso processo de interação via linguagens. Vamos explicitar alguns desses termos para que você saiba do que se trata.

6.1 Esquema da comunicação

De saída, saiba que todo ato comunicativo (a fala, a escrita, um gesto) tem por
De saída, saiba que todo ato comunicativo (a fala, a escrita, um gesto)
tem por premissa a transmissão de uma mensagem, constituída por um
número fechado de elementos, como você pode visualizar na figura 5.
Canal
Emissor
Mensagem
Receptor
Código
Contexto

Figura 5 – Esquema da comunicação. Fonte: Elaborada pelo autor (2012).

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Detalhando os elementos, o emissor é quem emite a mensagem. É a fonte da comunicação.

Detalhando os elementos, o emissor é quem emite a mensagem. É a fonte da comunicação. Pode ser tanto uma pessoa como um grupo (uma organização, por exemplo).

Receptor, ou destinatário, é quem recebe a mensagem transmitida pelo emissor. Pode também ser um indivíduo ou grupo (ou mesmo uma máquina ou um animal). A comunicação só acontece se a mensagem gerar alguma reação no receptor.

Continuando, a mensagem é a informação transmitida e/ou recebida. Trata-se do objeto da comunicação, constituído pelo conteúdo.

Canal, por sua vez, é a via de circulação das mensagens, seu meio físico, permitindo o contato entre os envolvidos no processo. Conforme o canal, as mensagens podem ser caracterizadas como visuais (imagem, símbolo), sonoras (palavras, músicas, sons de modo geral), táteis (pressões, choques), olfativas (odores em geral), gustativas (um tempero, por exemplo). Um choque elétrico, um sinal com as mãos, um perfume só constituem mensagens se veicularem, por vontade do emissor, uma ou várias informações dirigidas ao receptor.

Código é o conjunto de sinais ou signos com os quais, seguindo certas regras, as mensagens são transmitidas. O emissor faz uso do código (codificação); o receptor identifica o sistema e, caso tenha condições, decodifica a mensagem.

Por fim, a imagem sinaliza o contexto, constituído pelo ambiente que envolve a situação comunicacional, as circunstâncias de espaço e tempo.

6.2 Funções de linguagem

Nas primeiras décadas do século XX, a linguagem passou a ser estudada cientificamente. Roman Jakobson, linguista russo, observou neste processo seis funções essenciais, amplamente utilizadas, as quais correspondem a cada um dos fatores da comunicação que vimos há pouco.

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Saiba que a primeira é a função emotiva (ou referencial ) presente nos textos que

Saiba que a primeira é a função emotiva (ou referencial) presente nos textos que privilegiam o emissor da mensagem. Prevalece a primeira pessoa do discurso – eu –, interjeições e exclamações. É a linguagem das biografias, memórias, monólogos, poesias líricas e cartas íntimas. Exprime, portanto, a atitude do emissor em relação ao conteúdo de sua mensagem e situação, sua subjetividade, normalmente moldada por sentimentos e emoções. Observe:

normalmente moldada por sentimentos e emoções. Observe: Decidi contar o que aconteceu comigo quando resolvi virar

Decidi contar o que aconteceu comigo quando resolvi virar punk. Nem sabia direito

o que era punk e acho que ainda nem sei e por isso nem sei bem o que vou contar. Talvez seja porque nem sei direito o que me aconteceu. Mas vou contar, sinto que preciso contar, acho que me daria prazer. E vou contar. Também não sei muito bem por que resolvi escrever sobre tudo isso. Se me tivessem perguntado antes acho que teria respondido que gostaria de fazer um filme ou vídeo. Mas de repente a única coisa que pintou mesmo foi um maço de papel que peguei do escritório e é isso que vou usar. (COELHO, 1984, p. 7)

A segunda função da linguagem é a conativa (ou apelativa). Está

orientada para o receptor (ou destinatário), e caracteriza, por exemplo,

os textos publicitários, que usam frequentemente verbos no modo imperativo (“Faz um 21!”, “Experimenta!”). A linguagem publicitária, por enfatizar sempre o receptor, emprega expressões próximas ou

coloquialismo
coloquialismo

similares às do público-alvo, justificando o adotado nesse tipo de discurso.

habitualmente

A terceira função é a referencial (ou denotativa). Centrada no

contexto, é aquela que privilegia a informação, fazendo-se presente nos textos científicos ou notícias. Em outros termos, é quando o emissor procura oferecer informações da realidade, prevalecendo a terceira pessoa do singular. Exemplo: “Marco Carola sai em nova tour e fará três apresentações no Brasil”, ou “o som é a propagação de uma frente de compressão mecânica ou onda mecânica; essa onda propaga-se de forma circuncêntrica, apenas em meios materiais – que têm massa e elasticidade, como os sólidos, líquidos ou gasosos”.

A quarta função da linguagem proposta por Jakobson é a função fática.

Está centrada no canal de comunicação. Nela interessa manter a situação comunicacional, e não o conteúdo a ser transmitido. É a linguagem das

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falas telefônicas, saudações e similares (“alô”, “você está me ouvindo?”, “um momento, por favor”,

falas telefônicas, saudações e similares (“alô”, “você está me ouvindo?”, “um momento, por favor”, “vou desligar”). Há uma canção de Paulinho da Viola, “Sinal fechado”, gravada por Chico Buarque, que emprega a função fática:

– Olá! Como vai?

– Eu vou indo. E você, tudo bem?

– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro… E você?

– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranquilo… Quem sabe?

– Quanto tempo!

– Pois é, quanto tempo!

– Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios!

– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!

– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!

– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos… Quem sabe?

– Quanto tempo!

– Pois é… Quanto tempo!

Continuando, temos a função metalinguística, que, como já foi dito, é a função de usar a língua para explicar a si mesma, por exemplo. Vendo por outro viés, é também tudo o que, na mensagem, serve para dar explicações ou explicitar o código utilizado pelo emissor. Pode, assim, referir-se tanto a um verbete de dicionário ou enciclopédia quanto a um diálogo:

– Levei bomba!

– Como assim, “levei bomba”?

– Fui mal na prova.

No caso, há a necessidade de esclarecimento por parte do emissor daquilo que ele quer dizer.

Por último, a função poética, centrada na própria mensagem, coloca em evidência o próprio signo. Está presente nos textos em que se organiza de maneira especial a mensagem, com recursos de estilo. É comum na

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linguagem poética o jogo linguístico, a escolha de tons, a musicalidade. Acompanhe o poema a

linguagem poética o jogo linguístico, a escolha de tons, a musicalidade. Acompanhe o poema a seguir, de W. B. Yeats, e atente para o modo como cada palavra é cuidadosamente escolhida:

se eu me vestisse como os anjos do sol e azuis da noite os tons das estrelas do céu os arranjos eu colocaria o mundo a seus pés mas sou pobre e tendo só meus sonhos quero colocá-los a seus pés pise com cuidado, são meus sonhos (YEATS, 1995, p. 25)

Observe a ausência de pontuação, o uso proposital das minúsculas, o

de pontuação, o uso proposital das minúsculas, o cavalgamento dos versos, um mesmo fonema que se
cavalgamento
cavalgamento

dos versos, um mesmo

fonema que se repete. Em qualquer

outra situação de linguagem, soaria bastante estranho, não?

Para encerrar, saiba que as seis funções da linguagem não se excluem; pelo contrário, é raro encontrar numa mensagem apenas uma dessas seis funções. Elas se sobrepõem umas às outras. Mas podemos, sim, dizer que uma dada mensagem tem uma função dominante.

Assim, terminamos essa breve noção do estudo das funções da linguagem e do esquema comunicacional.

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Resumo Já fizemos um bom trabalho até aqui. Como você pôde perceber, escrever bem é
Resumo
Resumo

Já fizemos um bom trabalho até aqui. Como você pôde perceber, escrever bem é algo que se pode alcançar com dedicação, disciplina e muito senso crítico. É um processo longo, mas quanto antes você começar, mais rápido será o retorno.

Vimos também como é amplo o conceito de texto e suas implicações com o contexto. Tivemos uma breve noção das alterações fundamentais do Novo Acordo Ortográfico, ponderamos as diferenças entre a língua falada e a escrita, mostrando que você precisa saber utilizar diferentes linguagens conforme a situação (mais ou menos formal).

Estudamos, ainda, conceitos importantes da produção textual (polissemia, metalinguagem, intertextualidade e recombinação) e, por fim, vimos os fatores básicos da comunicação, relacionados às seis funções básicas da linguagem propostas pelo linguista Roman Jakobson. Vamos em frente!

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7 O que define um bom texto Objetivo Estabelecer aspectos que permeiam a construção de

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O que define um bom texto

Objetivo

Objetivo

Estabelecer aspectos que permeiam a construção de texto com qualidade.

aspectos que permeiam a construção de texto com qualidade. Vamos começar com uma digressão. Na unidade

Vamos começar com uma

digressão. Na unidade 1, tratamos de como

escrever pode se converter em uma técnica. Quando nos referimos à técnica, no entanto, entendemos por isso o resultado de, a princípio, uma dedicação à leitura e ao exercício cotidiano de apresentar argumentos bem formulados – ou seja, bem elaborados textualmente e estrategicamente armados. Se você está tentando aprimorar a sua escrita e o seu pensamento, o processo pode ser, no começo, algo que mereça

certo esforço e, por isso, dedicação. Com tempo, isso se tornará (se você

se dispuser) um hábito, de modo que o esforço empreendido se dilui.

Retomamos esse assunto porque há um certo olhar pejorativo sobre a

denominação da escrita como técnica, pois, de saída, o termo remete apenas a dominar um sistema de sinais. E saber ler e escrever não é só

isso. Trata-se de “[

situações específicas e concretas, intencionalmente construídas e com

objetivos claros” (FARACO; TEZZA, 2005, p. 128).

]

agir sobre o mundo e defender-se dele, sempre em

Essa conotação negativa de técnica a que nos referimos está atrelada à modalidade de texto que você provavelmente desenvolveu na escola, denominado “redação escolar”, e que acabou se transformando em uma reunião de macetes a serem executados para se atingir uma boa nota.

O primeiro desafio para quem pretende dominar a língua padrão escrita

consiste em sair do universo viciado da redação escolar, universo sem

referências concretas, “[

fragmentadas, edificantes e moralizantes sobre um Homem e um Mundo igualmente abstratos, para um universo concreto no qual a linguagem escrita age sobre o mundo” (FARACO; TEZZA, 2005, p. 128).

]

em que um eu abstrato repete opiniões

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Essa ação da linguagem sobre o mundo – porque, afinal de contas, é para isso

Essa ação da linguagem sobre o mundo – porque, afinal de contas, é para isso que se escreve, destacam os autores (2005) – está presente tanto no bilhete mais simples de alguém semialfabetizado quanto no mais sofisticado texto científico.

Mas, dando uma volta de parafuso a mais, o que seria o mundo, afinal, além de linguagem, quando mesmo para expressar o que sentimos (não

só que pensamos) é preciso falar ou escrever?

Dizemos comumente que um gesto substitui mil palavras. Mas tenha em vista que o gesto só funciona se, na linguagem, ele remeter a um sentido que encontra um referente na experiência alheia, produzindo-se assim o entendimento da mensagem. Ou seja: assim como as palavras, os gestos indicam para determinadas imagens mentais, sejam elas visuais ou acústicas

imagens mentais, sejam elas visuais ou acústicas (trata-se da composição do signo linguístico, para

(trata-se da composição do signo linguístico, para

Saussure). Fim de digressão.

Mas qual o bom texto, afinal?

O bom texto é aquele que responde à proposta, considerando a

solicitação e a intenção. É o resultado de habilidades construídas

ao longo do tempo, por várias experiências, tais como aperfeiçoar o

vocabulário, usar conscientemente a gramática de modo amplo, ter vasto referencial linguístico e extratextual.

Como isso é bastante subjetivo, e pode implicar uma longa discussão, vamos identificar alguns elementos a seguir que na verdade atrapalham o bom desenvolvimento da escrita.

7.1 Pedantismo

Comunicar bem por escrito, muitas vezes, pode ser confundido com

bem por escrito, muitas vezes, pode ser confundido com certo apego à linguagem prolixa, à vigilância

certo apego à linguagem

prolixa, à vigilância gramatical extrema ou ao

emprego de um vocabulário requintado. E não é bem assim.

Por alguma finalidade prática (a seleção do vestibular, por exemplo), a produção textual nas escolas passou a ser estudada por fórmulas (ou receitas) e macetes. Isso dava a ilusão de que o bom texto poderia ser

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metrificado justamente pelos fatores que listamos no parágrafo anterior. Conhecer um vocabulário amplo e saber

metrificado justamente pelos fatores que listamos no parágrafo anterior. Conhecer um vocabulário amplo e saber gramática são fatores que auxiliam, sem dúvida, mas não substituem o que é de fato essencial: organizar bem as ideias, de forma clara e coerente, e defender bons argumentos.

7.2 Juridiquês

Trata-se de um neologismo relativamente recente, bastante em voga, que indica o uso desnecessário e excessivo do jargão jurídico e de termos técnicos de Direito.

Embora estejamos focalizando o Direito, vale dizer que qualquer área do

conhecimento possui uma linguagem técnica, um vocabulário que lhe é peculiar. A questão é que, se utilizada com exagero, essa linguagem prejudica

o alcance da leitura do texto, limitando-se apenas a profissionais da área.

O “juridiquês”, entretanto, vai mais além. O termo surgiu em função do excesso de formalismo na área jurídica, caracterizada até hoje pelos pronomes de tratamento.

Para aproveitar pedagogicamente este fenômeno, mantenha o olho bem aberto (e o senso crítico aguçado) para as frases muito longas, que podem

crítico aguçado) para as frases muito longas, que podem perder o referente; para o floreio excessivo

perder o

referente; para o floreio excessivo da língua com vocabulário

para o floreio excessivo da língua com vocabulário complicado; para as metáforas jocosas, que podem conotar

complicado; para as metáforas jocosas, que podem conotar sentidos que

você, a princípio, não se deu conta.

7.3 Lugar comum

Conhecido também como clichê, trata do uso de frases feitas da sabedoria popular e universal no texto. Expressões que você já deve ter ouvido, como “Devagar se vai ao longe”, “A pressa é inimiga da perfeição”, “A esperança é a última que morre”, ou frases como “O

que estraga o Brasil são os políticos”, “Hoje em dia, as mulheres estão entrando no mercado de trabalho”, “Segundo pesquisadores americanos”, “Os jovens de hoje em dia”, todas estão esgotadas, referem-se apenas

a generalidades e atuam como formas de não pensar. Além disso, normalmente estão carregadas de cunho ideológico. Cuidado!

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8 Os diferentes tipos de texto Objetivo Apresentar noções básicas que permitam reconhecer os diferentes

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8 Os diferentes tipos de texto Objetivo Apresentar noções básicas que permitam reconhecer os diferentes tipos
8 Os diferentes tipos de texto Objetivo Apresentar noções básicas que permitam reconhecer os diferentes tipos

Os diferentes tipos de texto

Objetivo

Apresentar noções básicas que permitam reconhecer os diferentes tipos de texto no contexto acadêmico.

Delimitar a tipologia textual é matéria polêmica, pois isso implica um certo olhar, um viés, que pode variar conforme o autor consultado. Correremos o risco e, para uma amostragem simples, explicitaremos aqui aqueles que você encontra no contexto acadêmico. Será uma demonstração rápida, a fim de ressaltar as diferenças fundamentais. Mesmo porque, nas unidades subsequentes, teremos a oportunidade de aprofundar alguns desses casos.

Basicamente, existem seis tipos de texto: narração, descrição, dissertação, exposição, informação e injunção. Outros textos, tais como relato, entrevista, diálogo são considerados gêneros textuais, e não tipos. Do mesmo modo, poesia e prosa são formas literárias, e texto épico, dramático e lírico correspondem a gêneros literários. É possível divergir dessa conceituação, mas, para fins demonstrativos, é a que utilizaremos aqui, baseados em Fiorin e Savioli (2006), Faraco e Tezza (2005) e Medeiros (2008).

8.1 Narração

A narração é um tipo de texto cuja peculiaridade reside em contar um fato, ficcional ou não, que aconteceu (ou acontece) em tempo e lugar específico, envolvendo personagens que desempenham ações. Assim,

“[

transformação” (FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 227).

]

o que define o componente narrativo é a mudança de situação, a

Dentro do conceito de narração – é importante que você saiba – fala-se em foco narrativo, que pode ser em primeira pessoa, constituindo um

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narrador-personagem, e em terceira, que indica um narrador-observador. Observe o texto a seguir: Devia ser

narrador-personagem, e em terceira, que indica um narrador-observador. Observe o texto a seguir:

Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira. Certa manhã, ao deixar o metrô por engano numa estação azul igual a dela, com um nome semelhante à estação da casa dela, telefonei da rua e disse: aí estou chegando quase. Desconfiei na mesma hora que tinha falado besteira, porque a professora me pediu para repetir a sentença. Aí estou chegando quase… havia provavelmente algum problema com a palavra quase. Só que, em vez de apontar o erro, ela me fez repeti-lo, repeti-lo, repeti-lo, depois caiu numa gargalhada que me levou a bater o fone. Ao me ver à sua porta teve novo acesso, e quanto mais prendia o riso na boca, mais se sacudia de rir com o corpo inteiro. Disse enfim ter entendido que eu chegaria pouco a pouco, primeiro o nariz, depois uma orelha, depois um joelho, e a piada nem tinha essa graça toda. Tanto é verdade que em seguida Kriska ficou meio triste e, sem saber pedir desculpas, roçou com a ponta dos dedos meus lábios trêmulos. Hoje porém posso dizer que falo o húngaro com perfeição, ou quase.

Note que a narração parte da primeira pessoa do discurso. Trata-se do início do romance “Budapeste”, de Chico Buarque (2003 p. 5), em que o protagonista da história, José Costa, é quem narra os fatos, mostrando o seu ponto de vista e como neles se envolve.

Observe agora este fragmento o livro “O senhor embaixador”, de Érico Veríssimo, utilizado por Fiorin e Savioli (2006, p. 225):

Foi na terceira semana de abril que o Embaixador de Sacramento tomou posse de sua cadeira no Conselho da Organização dos Estados Americanos. Ao entrar no edifício da União Pan-Americana foi logo atraído por vozes estrídulas que despertaram o menino que dormia dentro dele. Afastou-se dos assessores que o acompanhavam e precipitou- se para o Pátio Tropical, onde duas araras de cores tão rútilas que pareciam recender

ainda a tinta – escarlate, verde, azul, amarelo – gingavam e gritavam, assanhadas nos

seus poleiros [

].

Percebeu a diferença? Agora há alguém narrando os fatos de fora da história, observando tudo, sem dela participar.

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8.2 Descrição A descrição , por sua vez, é um texto que utilizamos frequentemente em

8.2 Descrição

A descrição, por sua vez, é um texto que utilizamos frequentemente em

nosso dia a dia. Sua característica é a de caracterizar pessoas, objetos e/ou lugares, com ênfase naquilo que se quer fazer ver em detalhe. É como se fosse uma imagem verbal.

Pode ser denotativa, caracterizada pela objetividade, ou conotativa, de abordagem subjetiva. Acompanhe esta descrição elaborada por Bernardo Guimarães, utilizada por Fiorin e Savioli (2006, p. 239):

Acha-se ali sozinha e sentada ao piano uma bela e nobre figura de moça. As linhas do perfil desenham-se distintamente entre o ébano da caixa do piano, e as bastas madeixas ainda mais negras do que ele. São tão puras e suaves essas linhas, que fascinam os olhos, enlevam a mente, e paralisam toda análise. A tez é como o marfim do teclado, alva que não deslumbra, embaçada por uma nuança delicada, que não sabereis dizer se é leve palidez ou cor-de-rosa desmaiada. O colo donoso e do mais puro lavor sustenta com graça inefável o busto maravilhoso. Os cabelos soltos e fortemente ondulados se despenham caracolando pelos ombros em espessos e luzidios rolos, e como franjas negras escondiam quase completamente o dorso da cadeira, a que se achava recostada. Na fronte calma e lisa como mármore polido, a luz do ocaso esbatia um róseo e suave reflexo; di-la-íeis misteriosa lâmpada de alabastro guardando no seio diáfano o fogo celeste da inspiração. Tinha a face voltada para as janelas, e o olhar vago pairava-lhe pelo espaço.

Guarde as suas impressões, pois na unidade 9 estudaremos o texto descritivo detalhadamente.

8.3 Dissertação

Já a dissertação “[

]

é o tipo de texto que analisa, interpreta, explica e

avalia os dados da realidade” (FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 252).

Trata-se de um texto de caráter científico. Não há a preocupação de convencer o leitor sobre o ponto de vista em questão; ele é simplesmente

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transmitido. Observe este caso retirado de “Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift, utilizado por Fiorin

transmitido. Observe este caso retirado de “Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift, utilizado por Fiorin e Savioli (2006, p. 251):

Há três métodos pelos quais pode um homem chegar a ser primeiro-ministro. O primeiro é saber, com prudência, como servir-se de uma pessoa, de uma filha ou de uma irmã; o segundo, como trair ou solapar os predecessores; e o terceiro, como clamar, com zelo furioso, contra a corrupção na corte. Mas um príncipe discreto prefere nomear os que se valem do último desses métodos, pois os tais fanáticos sempre se revelam os mais obsequiosos e subservientes à vontade e às paixões do amo.

Por outro lado, há também o texto dissertativo-argumentativo, cuja intenção é convencer o interlocutor a mudar o seu comportamento. Mas veremos esta nuance do texto dissertativo detalhadamente em uma unidade posterior.

8.4 Exposição

A exposição consiste em apresentar informações a respeito de um assunto, explicando, avaliando e analisando. Pode conter instruções, descrições, definições, enumerações, comparações e contrastes.

Para fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise do mercado e da empresa. O termo SWOT é uma sigla oriunda do inglês, traduzindo: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). Esta análise divide-se em 4 quadrantes: ameaças, oportunidades, pontos fracos (fraquezas) e pontos fortes (forças). As ameaças e as oportunidades estão ligadas ao mercado enquanto os pontos fracos e pontos fortes estão ligados à empresa. (COMO FAZER, 2012, p. 1)

Guarde as suas impressões, pois na unidade 16 estudaremos o texto explicativo, como também é conhecido, detalhadamente.

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8.5 Informação Dando continuidade, a informação se limita a deixar o leitor a par de

8.5 Informação

Dando continuidade, a informação se limita a deixar o leitor a par de um fato, sem expor ideias ou defender argumentos. Predomina a linguagem clara e objetiva, a partir da terceira pessoa do discurso. É o caso da notícia, como mostraremos no exemplo a seguir.

Depois de 11 dias de proibição, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou hoje a liberação da venda de novas linhas de celulares e internet das operadoras TIM, Claro e Oi a partir de amanhã. As vendas foram proibidas pela Anatel no dia 23 de julho, como forma de punição pela má qualidade dos serviços prestados. Como exigência para a liberação, as operadoras tiveram que apresentar planos de investimentos na qualidade da rede e no atendimento aos clientes. (CRAIDE, 2012, p. 1)

Guarde as suas impressões, pois na unidade 10 estudaremos o texto informativo detalhadamente.

8.6 Injunção

Por fim, saiba que a injunção corresponde ao texto que indica o modo como uma ação deve ser realizada. Em sua confecção, prevalecem os termos no imperativo, com uso eventual do infinitivo e futuro do presente do modo indicativo. Receitas, previsões do tempo, manuais, leis, questões de prova, instruções de jogos são exemplos do texto injuntivo. Observe:

Instruções para uso de lentes de contato

Lavar e enxugar as mãos sempre antes de manusear as lentes. Não usar as lentes se a embalagem não estiver vedada. Não se deve compartilhar lentes de contato. Colocação das lentes:

1. Para cada olho, certifique-se de que a lente não está invertida. Coloque-a sobre o

dedo indicador para verificar a forma.

2. Usando o dedo indicador e o médio da outra mão, puxe a pálpebra superior para cima

e a inferior para baixo. Coloque a lente no olho. Repita o procedimento para o outro olho. Fonte: <http://www.coopervision.com.br/cuidado_instrucoes.php>

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Nas unidades seguintes, teremos uma exposição mais longa sobre alguns dos tipos de texto que

Nas unidades seguintes, teremos uma exposição mais longa sobre alguns dos tipos de texto que apresentamos aqui. Contudo, o que você viu até agora é o bastante para saber diferenciar e fazer uso de cada um deles.

Estudo complementar Para aprofundar o que estudamos rapidamente nesta unidade, clique aqui e acesse o
Estudo complementar
Para aprofundar o que estudamos rapidamente
nesta unidade, clique aqui e acesse o site Brasil
Escola, do Ministério da Educação, e no campo
de busca digita os termos ‘narração’, ‘descrição’e
‘dissertação’. Confronte as informações que você
encontrar com as que você leu aqui.

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9 Texto descritivo Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto descritivo. Na unidade anterior,

9

9 Texto descritivo Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto descritivo.
9 Texto descritivo Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto descritivo.

Texto descritivo

Objetivo

Apresentar os aspectos que caracterizam o texto descritivo.

Na unidade anterior, abordamos rapidamente a descrição como sendo um dos tipos de texto. Trata-se de uma modalidade bastante usual no dia a dia, pois estamos, a todo momento, em nossas conversações, dizendo como as pessoas e as coisas são, do que se constituem, qual a sua condição, com que ou com quem se parecem etc. E, assim, também quando escrevemos, quer se trate de textos formais ou informais, de modo objetivo ou subjetivo.

Vamos agora ver em detalhe esse tipo de texto, partindo de um esquema baseado nos autores Fiorin e Savioli (2006). Acompanhe.

9.1 Conceito de texto descritivo

Descrição é o tipo de texto em que se expõem características dos seres concretos, consideradas fora da relação de anterioridade e posterioridade.

O que isso quer dizer? Veja o exemplo.

Eis São Paulo às sete da noite. O trânsito caminha lento e nervoso. Nas ruas, pedestres apressados se atropelam. Nos bares, bocas cansadas conversam, mastigam e bebem em volta das mesas. Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios. (FIORIN; SAVIOLI, 2007, p. 297)

Significa que o texto descritivo mostra uma cena, coisas ou pessoas em um momento específico do tempo. É como a coisa é ou como a pessoa está. Daí que o texto desconsidere o antes (anterioridade) e o depois (posteridade).

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Figura 5 – São Paulo, 19h. Fonte: <www. sxc.hu >. 9.2 Detalhando os aspectos do
Figura 5 – São Paulo, 19h. Fonte: <www. sxc.hu >. 9.2 Detalhando os aspectos do

Figura 5 – São Paulo, 19h. Fonte: <www.sxc.hu>.

9.2 Detalhando os aspectos do texto descritivo

A seguir, fazemos a exposição de alguns detalhes relativos ao texto descritivo.

A descrição pauta-se pela figuratividade do texto.

Fornece-se uma imagem clara, como se fosse uma figura. Você pode perceber na leitura que os adjetivos desempenham um papel fundamental para que a figuratividade se concretize. Veja este exemplo, retirado da peça teatral “O jardim das cerejeiras”, de Tchecov. Trata-se do início do segundo ato da peça, em que o autor descreve o cenário no qual toda a ação transcorrerá, incluindo os personagens que dela participam.

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Campo. Um velho santuário abandonado há muito tempo, tombado pra direita. Perto de um poço,

Campo. Um velho santuário abandonado há muito tempo, tombado pra direita. Perto de um poço, enormes pedras que devem ter sido lápides tumulares. Um velho banco. Vê-se o caminho que leva à casa de Gaiév. De um lado muitos álamos, árvores escuras; é nesse ponto que começa o cerejal. À distância vê-se uma enfiada de postes telegráficos e longe, bem longe no horizonte, a silhueta esfumada de uma grande cidade que só será visível em dias bem claros. É quase pôr do sol. Carlota, Iacha e Damiacha estão sentados no banco. Epikodov está em pé, perto, tocando alguma coisa sombria numa guitarra. Todos em atitude pensativa. Carlota usa um boné velho; tira uma espingarda do ombro e aperta a fivela da correia. (TCHECOV, 1983, p. 31)

Não relata propriamente mudanças de situação, mas propriedades dos aspectos simultâneos dos elementos descritos, considerados em uma única situação.

Retome o exemplo que citamos na seção 9.1, a descrição da cidade São Paulo às sete da noite. Veja que todos os elementos estão dispostos de uma vez, e que não há nenhuma transformação de estado. Há movimento na cena, por certo, mas teríamos aqui de desvencilhar o conceito de movimento do de tempo. Não há tempo na descrição, pelo contrário, trata-se de uma imagem estática – “às sete da noite” – em que o movimento é um detalhe da condição presente, em sua simultaneidade.

O que se descreve é um todo simultâneo, não existe relação de anterioridade e posterioridade inclusive entre os enunciados.

Perceba, ainda na descrição da cidade de São Paulo às sete da noite, que

semântico
semântico

podemos trocar a ordem dos enunciados sem prejuízo

. Veja:

Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios. Nos bares, bocas cansadas conversam, mastigam e bebem em volta das mesas. O trânsito caminha lento e nervoso. Nas ruas, pedestres apressados se atropelam. Eis São Paulo às sete da noite.

Os tempos verbais utilizados são o presente ou o pretérito imperfeito (ou ambos), pois o primeiro expressa concomitância em relação ao

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momento da fala, e o segundo, em relação ao momento temporal pretérito instalado no enunciado.

momento da fala, e o segundo, em relação ao momento temporal pretérito instalado no enunciado.

Observe os verbos utilizados: incidem; conversam; mastigam; caminha; atropelam. Caso a situação já tivesse acontecido, via passado imperfeito, seria:

São Paulo às sete da noite. O trânsito caminhava lento e nervoso. Nas ruas, pedestres apressados se atropelavam. Nos bares, bocas cansadas conversavam, mastigavam e bebiam em volta das mesas. Luzes de tons pálidos incidiam sobre o cinza dos prédios.

Essas são as condições básicas de organização do texto descritivo. Podemos, entretanto, ainda considerar que em função de a descrição não se pautar por progressão temporal – tal como na narrativa –, sua organização é espacial. Para converter uma descrição em narração, basta introduzir um enunciado que indique a passagem de um estado anterior ao posterior.

São Paulo às sete da noite. O trânsito caminha lento e nervoso. Nas ruas, pedestres apressados se atropelam. Às nove, nos bares, bocas cansadas conversam, mastigam e bebem em volta das mesas. Luzes de tons pálidos incidem sobre o cinza dos prédios.

Como você pôde notar, a simples inserção de “às nove” interfere no resultado: dividimos o que antes era uma cena estática em duas, e pode- se presumir que as “bocas cansadas que conversam no bar” são, de certo modo, produto do cenário caótico anterior. Há um processo de transformação e já não podemos inverter a ordem dos enunciados sem prejuízo semântico.

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Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar
Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar
Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar

Tarefa dissertativa

Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a tarefa dissertativa.

Concluímos esta unidade destacando que a descrição é, portanto, um recurso da narração. Ela, a descrição, apresenta personagens, lugares, estados, cuja mudança será tarefa da narração.

Aprendemos que a descrição é o tipo de texto em que se expõem características dos seres concretos, consideradas fora da relação de anterioridade e posterioridade. Isso significa, em síntese, que o texto descritivo mostra uma cena, coisas ou pessoas em um momento específico do tempo.

Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidade 1 a
Atividade Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidade 1 a

Atividade

Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidade 1 a 9. Para isso, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho!

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10 Texto de informação Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto informativo. Depois de

10

10 Texto de informação Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto informativo.
10 Texto de informação Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto informativo.

Texto de informação

Objetivo

Apresentar os aspectos que caracterizam o texto informativo.

Depois de verificarmos as peculiaridades da descrição, vamos estudar o texto informativo.

O

mundo é linguagem e precisa organizar-se cientificamente – a prova,

o

fato, a objetividade – para alcançar credibilidade. Essa é a função do

texto informativo. É o tipo de texto mais frequente no cotidiano da vida urbana em seus vários meios de comunicação: a internet, a tevê, os

jornais, as revistas, os folhetos que recebemos no semáforo, os outdoors,

os livros, as aulas, entre outros.

10.1 Conceito de texto de informação

Informação não se restringe à escrita. Em nossa conversação diária, somos todos consumidores e transmissores de informações sobre tudo o que nos cerca ou nos interessa.

Por essa distribuição massiva em nossa vida, pode-se afirmar que o texto

de informação se tornou o referente mais adequado à sistematização

normativa da linguagem escrita. Isso parece óbvio, mas se pensarmos que durante a maior parte do século XX os gramáticos tomaram por referência

a linguagem dos escritores de literatura não parece tão lógico assim.

Perceba que o objetivo do texto de informação é bastante simples:

fornecer dados legítimos a respeito de algo para alguém.

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10.2 Analisando Vamos analisar um caso, baseando-nos no conteúdo do site < gripe.org.br >. Como

10.2 Analisando

Vamos analisar um caso, baseando-nos no conteúdo do site <gripe.org.br>.

Como o próprio nome do site explicita, o foco é o vírus Influenza, comumente conhecido por gripe.

A apresentação do site é bastante simples: nele consta um menu subdividido em abas (A gripe; Transmissão; Sintomas; Prevenção; Perguntas). Vejamos em detalhe o conteúdo da primeira aba. Acompanhe.

O que é gripe

A gripe (influenza) é uma das doenças respiratórias que mais acometem o homem.

Trata-se de uma infecção do sistema respiratório cuja principal complicação são as pneumonias, que são responsáveis por um grande número de internações hospitalares no país.

Apesar de frequentemente apresentar a imagem de uma doença benigna, a gripe é uma doença potencialmente grave, que mata milhares de pessoas todos os anos.

A gripe é causada por um vírus específico, chamado vírus influenza: Myxovirus

influenzae. Este vírus possui a capacidade de mudar constantemente suas características, o que possibilita que um mesmo indivíduo tenha vários episódios de

gripe durante a vida.

Por causa das mutações e da rápida disseminação da doença, as epidemias e pandemias são uma característica importante da gripe.

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Saiba mais: O vírus influenza Desconhece-se a data do aparecimento do vírus influenza, embora a

Saiba mais: O vírus influenza

Desconhece-se a data do aparecimento do vírus influenza, embora a gripe seja considerada uma das mais antigas doenças da humanidade. Em 412 a.C. foi descrita uma epidemia de tosse seguida por pneumonia na Grécia – podendo ser o influenza um dos prováveis causadores. Duzentos anos depois, houve uma doença infecciosa que atingiu o exército romano.

Desde então, várias epidemias envolvendo o aparelho respiratório foram registradas, mas somente a partir do século XVIII é que o número de infectados passou a ser contabilizado.

Vamos por partes. Quanto à linguagem, você ficou em dúvida quanto a algum termo em específico? Provavelmente não, pois o texto informativo, mesmo que utilize de termos incomuns, em algum momento ele esclarece o conceito (“O vírus da gripe aviária, por exemplo, é do tipo A, subtipo H5N1, sendo que o ‘H’ significa hemaglutinina e o ‘N’, neuraminidase. Trata-se de duas proteínas existentes na superfície do vírus. A primeira se liga às células humanas, permitindo a entrada do vírus para multiplicação, e a segunda permite a liberação dos novos vírus para infectar outras células”).

A linguagem é clara e objetiva, para que qualquer cidadão alfabetizado bem disposto apreenda o seu conteúdo.

Todas as afirmações estão baseadas em dados pesquisados e experimentados. Apresentam-se os dados e deles são tecidas considerações, muitas vezes recorrendo-se a autoridades que deem legitimação ao que se está dizendo (“Conforme a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical…”).

Perceba, ainda, que não há emissão de opinião direta.

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Para sua reflexão A partir do que vimos até aqui sobre o texto informativo, reflita:
Para sua reflexão A partir do que vimos até aqui sobre o texto informativo, reflita:

Para sua reflexão

A partir do que vimos até aqui sobre o texto informativo, reflita: você concorda com a ideia de que o texto de informação não expõe um ponto de vista, ou seja, que ele é “neutro”? Ou, por outra: as informações são repassadas de modo imparcial?

As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores.

Por último, o texto de informação guarda, na maior parte das vezes, um forte vínculo com a atualidade.

A gripe é uma questão de saúde coletiva, daí a importância de se saber

como lidar com esse mal. É um exemplo menos ordinário, uma vez que a gripe ultrapassa as gerações e continua gerando discussão. Mas imagine uma revista de entretenimento: a informação que nela consta está sempre pautada pelo que está acontecendo: a novela, o futebol, a bolsa de valores, o cenário político.

Faraco e Tezza (2005) observam que toda e qualquer palavra está

carregada de opinião, de um viés conceitual. A escolha de uma palavra em específico e não de outra já implica em uma ideia a respeito do que

se

está informando. Pense, por exemplo, no telejornal: por mais que

se

afirme que o jornalismo se quer neutro, a simples escolha de quais

notícias irão ao ar já implica num olhar sobre o que acontece no país.

Mas ainda assim podemos destacar: uma coisa é expor quais são os personagens da novela e mostrar suas relações ou dizer qual foi o resultado do jogo da última quarta-feira e relatar os gols, as faltas etc.; outra coisa é dizer “esta novela é muito interessante” ou “o time X não está jogando nada”, pois aí já temos uma opinião direta e um juízo de valor. Trata-se, no caso, do texto de opinião, como veremos na próxima unidade.

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11 Texto de opinião Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto opinativo. Agora que

11

11 Texto de opinião Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto opinativo.
11 Texto de opinião Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto opinativo.

Texto de opinião

Objetivo

Apresentar os aspectos que caracterizam o texto opinativo.

Agora que já entendemos as peculiaridades de um texto informativo, vamos nos deter nas características do texto de opinião. O texto de opinião pode ser entendido em duas palavras: informar e influenciar. Assim como o texto de informação, deve ser claro e breve na interpretação dos fatos, que deve estar devidamente fundamentada, pois do contrário o texto resvala na ética.

11.1 Conceito de texto de opinião

O “desejo” do texto opinativo é fazer com que o leitor, ao fim, partilhe

do ponto de vista exposto. Sua particularidade reside, além de apresentar

os fatos dentro de um determinado contexto, em lê-los sob um

determinado viés, emitindo juízos de valor (vimos isso rapidamente no final da unidade 10).

Portanto, o autor do texto opinativo não se preocupa em se manter neutro ou distante da matéria analisada. Pelo contrário, é essa insinuação do autor sobre a matéria que dá o caráter desse tipo de texto.

No texto de opinião, existe um sujeito que se revela deliberadamente.

11.2 Analisando

Vamos começar com um exemplo?

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A voz de Getúlio Vargas O Brasil carrega em seu DNA institucional várias pequenas heranças

A voz de Getúlio Vargas

O Brasil carrega em seu DNA institucional várias pequenas heranças de origem fascista.

Elas incluem a força despropositada das corporações profissionais, a estrutura sindical

baseada em contratos coletivos de trabalho e contribuições compulsórias.

Nenhuma, porém, se iguala ao programa radiofônico A Voz do Brasil, que todas as emissoras do país estão obrigadas a transmitir, de segunda a sexta-feira, sempre às 19h, ritual decrépito que se repete com poucas interrupções desde 22 de julho de 1935.

A

iniciativa se inspira em ideologia das mais totalitárias. O indivíduo não existiria fora

do
do

Estado, única instituição capaz de oferecer-lhe os valores de que necessita. O núcleo

do poder político se encarregaria de produzir diariamente noticiário de uma hora, com difusão obrigatória. O cidadão até poderia desligar o rádio, mas, se quisesse ouvir algo, não poderia fugir do oficialismo edificante.

A cartilha fascista se reproduz até na divisão do programa, que é meticulosamente

repartido entre os Poderes da República: o Executivo tem 25 minutos; o Judiciário, cinco;

senadores dispõem de dez minutos; deputados federais contam com 20.

mussoliniano
mussoliniano

Num detalhe que resume a essência do corporativismo

– o Estado pode

resolver todos os conflitos integrando diferentes grupos num modelo colaborativo –, às quartas-feiras o Tribunal de Contas da União ganha o seu minuto, cedido às vezes pelo Executivo, às vezes pela Câmara.

É incrível que um arcaísmo dessa magnitude sobreviva em pleno século XXI. Além de

negar a liberdade de escolha a milhões de cidadãos brasileiros, A Voz do Brasil presta um desserviço público, ao monopolizar as ondas de rádio no exato momento em que elas são uma valiosa fonte de informações para o cidadão – por exemplo, sobre o trânsito que assola tantas cidades do país.

É, portanto, uma boa notícia a de que a Câmara deverá colocar em votação um projeto

de lei que flexibiliza os horários de exibição de A Voz do Brasil. Melhor ainda seria se

o Congresso acabasse de vez com a obrigatoriedade e, por que não, com o próprio programa, que custa caro aos cofres públicos.

Mas isso talvez seja pedir demais dos parlamentares, que se contam entre as pouquíssimas pessoas beneficiadas por esse resquício dos tempos de Getúlio Vargas. (FOLHA DE S. PAULO, 2012)

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Pergunte-se agora: o texto se limita a informar que A Voz do Brasil é um

Pergunte-se agora: o texto se limita a informar que A Voz do Brasil é um programa radiofônico transmitido por todas as emissoras de rádio do país, sempre às 19h ou ele faz algo além disso?

Se ele se limitasse a informar, seria um texto informativo. Mas, pelo contrário, o texto está crivado de termos carregados de juízos de valor. De início, já temos a afirmação de que “O Brasil carrega em seu DNA institucional várias pequenas heranças de origem fascista”. Seguindo, fala-se da obrigatoridade de transmissão do programa radiofônico A Voz do Brasil, um “ritual decrépito que se repete com poucas interrupções desde 22 de julho de 1935”.

Na sequência, o programa é visto como um indício da disposição estatal que entende o próprio Estado como única instituição capaz de oferecer os valores de que o indivíduo necessita para a sua formação cidadã um oficialismo edificante. E como se não bastasse, o texto ainda mostra que “A cartilha fascista se reproduz até na divisão do programa”, meticulosamente dividido entre os poderes da República.

Percebeu que não há um momento de alívio sequer? A interpretação fundamenta-se nos regimes fascistas de Getúlio Vargas e Mussolini, para, ao final, comemorar a disposição da Câmara em votar um projeto de lei que flexibiliza os horários de exibição do programa. “Melhor ainda seria se o Congresso acabasse de vez com a obrigatoriedade e, por que não, com o próprio programa, que custa caro aos cofres públicos.”

Esse texto que vimos é um editorial da Folha de S. Paulo. Não é assinado por um autor, mas responde pela organização como um todo. É o ponto de vista do jornal a respeito de um acontecimento marcante da atualidade. E esse aspecto, a atualidade, também é fundamental para o texto de opinião, pois, para que se produza a polêmica, o texto terá sempre de estar atrelado a algo que faz parte da preocupação coletiva naquele momento específico.

Mas sob o rótulo “texto de opinião” também podemos entender o comentário do leitor, por exemplo, estando muitas vezes redigido na primeira pessoa. O que prevalecerá, sempre, é a tentativa de convencimento do emissor sobre o destinatário por meio de descrições

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detalhadas, apelo emotivo, acusações, sátira, ironia e fontes de informações precisas. Sobre o mesmo tema

detalhadas, apelo emotivo, acusações, sátira, ironia e fontes de informações precisas.

Sobre o mesmo tema do texto anterior, acompanhe esta exposição do leitor Paulo Renato Pulz, de Porto Alegre, para a revista Época:

A Voz do Brasil é um programa de grande valia para sociedade brasileira, e deve

permanecer no ar nos horários das 19h, consagrado nestes 75 anos de audiência. Eu sou

ouvinte desde 1969 [

vem das empresas de comunicações, pelas transmissões do futebol. Isto é problema do

futebol, que inventou diversos campeonatos, cujo único objetivo é arrecadar dinheiro,

dinheiro

melhor, assim não há questionamentos. O interessante é que todas matérias editadas

por A Voz do Brasil no dia seguinte estão estampadas nos jornais diários de grande

]

Não vejo nenhuma razão para flexibilizar o horário, a pressão

Não estão nem aí para os interesses dos cidadãos, quanto menos letrado

aí para os interesses dos cidadãos, quanto menos letrado lobby no congresso é grande pelo fim

lobby no congresso é grande pelo fim do horário. A

tiragem e matérias de rádios. O

Presidenta Dilma deve resistir a esta intervenção dos empresários de comunicações. [ Falta coragem, ou medo de responder à legislação das concessões? (ÉPOCA, 2012)

]

Perceba, então, o uso da primeira pessoa (“Eu sou ouvinte desde 1969, acompanhava meu pai na audiência, sentado no sofá de três lugares, observando seus gestos de indignação diante de certas restrições de liberdades”) e os motivos que justificam o ponto de vista (“a pressão vem das empresas de comunicações, pelas transmissões do futebol. [

Não estão nem aí para os interesses dos cidadãos, quanto menos letrado melhor, assim não há questionamentos. O interessante é que todas as matérias editadas por A Voz do Brasil no dia seguinte estão estampadas nos jornais diários de grande tiragem e matérias de rádios”).

]

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Para sua reflexão A partir da leitura feita até aqui, reflita: você é uma pessoa
Para sua reflexão A partir da leitura feita até aqui, reflita: você é uma pessoa

Para sua reflexão

A partir da leitura feita até aqui, reflita: você é uma pessoa que manifesta abertamente os seus pontos de vista ou que evita a discussão? Quando você emite uma opinião, ela está embasada em impressões ou você se ampara em informações com que tomou contato previamente? Pense!

As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores.

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12 Texto crítico Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto crítico. Há uma certa

12

12 Texto crítico Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto crítico.
12 Texto crítico Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto crítico.

Texto crítico

Objetivo

Apresentar os aspectos que caracterizam o texto crítico.

Há uma certa confusão em torno da palavra crítica. É comum ouvirmos, por exemplo, “X criticou Y”, no sentido de que X teria “falado mal” de Y. Mas não é isso. Não há no termo crítica uma relação direta com o “falar mal a respeito de”.

Essa confusão advém do emprego do vocábulo em sentido figurado misturado ao sentido filosófico. O sentido figurado da palavra crítica estaria relacionado ao significado de um juízo desfavorável, desabonador ou negativo, como dissemos antes.

12.1 Você sabe o que é crítica?

De certo modo, como vimos na unidade anterior, a opinião seria uma espécie de crítica, “o seu veículo”, por assim dizer. Quando alguém esboça a sua opinião, seja ela desfavorável ou não, está também formulando uma crítica. Mas o primeiro “porém” reside em que, nas linguagens filosófica e científica, que lidam com lógica e a comprovação, a opinião reflete uma avaliação não especializada.

No ambiente científico, por exemplo, a opinião não tem valor de verdade, pois nele a regra que vale é a da comprovação, enquanto na filosofia são aceitas teorias sobre o funcionamento das coisas, muitas vezes de forma dedutiva. A verdade pode ser relativa no campo filosófico, porém na ciência é a comprovação por meio de experimentos que transforma uma teoria em verdade.

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O segundo “porém” é que o texto crítico vai além do texto opinativo. Para o

O segundo “porém” é que o texto crítico vai além do texto opinativo. Para o texto crítico, são necessários conhecimentos mais aprofundados sobre o objeto de análise e sobre área onde esse objeto se contextualiza.

Digamos que você leu um livro da área de Administração e deseja escrever uma crítica a respeito. Você necessita, além da leitura do livro, saber mais informações sobre o autor, qual a sua formação, se ele escreveu outros livros além desse que você leu e qual o lugar teórico de onde esse autor se pronuncia. Mais que isso, você precisa conhecer a área, dentro do estudo da Administração, em que esse livro se insere, e quais os autores que corroboram ou discordam do modo como o autor do livro que você está analisando arma os argumentos. Em outras palavras, o texto crítico implica pesquisa e método, sem subjetivismo.

A crítica, portanto, está além do “bom” ou “ruim”; e analisar criticamente significa, assim, colocar em tensão, produzir atrito com o objeto, e persuadir (FIORIN; SAVIOLI, 2006).

12.2 Atributos

Assim como para qualquer outro texto de qualidade, o texto crítico não pode prescindir de alguns atributos. Vamos estipulá-los:

clareza e precisão: ser transparente, fazer uma boa exposição de ideias, o que implica em usar bem a gramática;

coerência: amarrar bem as ideias, com uma ordem crescente entre os argumentos;

objetividade: não se deixar influenciar pelos sentimentos ou preferências; manter-se racional.

Estes, porém, são fatores genéricos que devem nortear o texto em geral, porque o leitor crítico é aquele capaz de atravessar os limites do texto em si para o universo concreto dos outros textos, das outras linguagens, capazes de criar quadros mais complexos de referência. E esta

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multiplicidade de pontos de vista está presente em qualquer gênero da linguagem (FARACO; TEZZA, 2005).

multiplicidade de pontos de vista está presente em qualquer gênero da linguagem (FARACO; TEZZA, 2005).

A identidade do texto crítico reside no fato de que ele analisa alguma

coisa em específico (um livro, como vimos antes, um filme, uma teoria).

Enfim: o texto crítico analisa algum produto da cultura.

Mas onde e como esta modalidade textual se vincula?

A palavra crítica popularizou-se com o surgimento dos jornais, no início

do século XX. Saiu, assim, do contexto acadêmico e passou a habitar as colunas que analisavam espetáculos artísticos, filmes e livros. Isso fez com que muitos críticos se tornassem famosos por seu modo de analisar ou escrever, sendo capazes de arruinar ou consagrar trabalhos com apenas algumas linhas.

Hoje em dia, encontramos o texto crítico em jornais e na internet, fundamentalmente. Sua forma habitual é a resenha.

12.3 A resenha

A resenha é um texto crítico, como vimos, muito comum em

jornais, revistas e sites. Caracteriza-se por “[

das propriedades de um objeto, ou de suas partes constitutivas”

]

um relato minucioso

(MEDEIROS, 2008, p. 158).

Trata-se de uma avaliação de determinado produto cultural, tal como um livro, um disco, um filme. Seu autor fornece os dados do objeto ou produto (se um livro, por exemplo, constam autor, título, local de publicação, editora, preço), comenta o conteúdo, avalia, mas deve deixar o leitor curioso!

Faraco e Tezza (2005) observam que hoje em dia a resenha constitui um gênero bastante variável, que pode ser tanto um parágrafo informando sobre o que é o filme que a emissora X exibe no horário das 22h, como um bonequinho sorrindo ou um sinal de positivo sinalizando que o resenhista aprova e indica o objeto (lembre-se, aqui, da abrangência do

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conceito de texto que estudamos na unidade 2). Mas também pode ser um longo texto,

conceito de texto que estudamos na unidade 2). Mas também pode ser um longo texto, apresentando e criticando o conteúdo em uma revista, jornal ou site.

Ao fim das contas, a resenha possui dois elementos fundamentais:

1) a informação, que são os dados que enumeramos há pouco, e 2) o princípio de que o leitor não conhece o objeto em questão. Se for um livro, a resenha indica o assunto, a editora, o número de páginas, preço; se um filme, diz quem é o diretor, o elenco, a produtora, a síntese da história; se um disco, quais são as faixas, os compositores, os instrumentistas, as condições de gravação (ao vivo, em estúdio). Mas, além da informação, a resenha também inclui a opinião (perceba como não conseguimos, ao falar de crítica, prescindir da opinião, por mais controverso que isso seja, como vimos no início). Trata-se de um parecer direto sobre o objeto/produto. O leitor quer saber se o livro (filme, peça, disco etc.) é bom e por quê (FARACO; TEZZA, 2005).

Acompanhe este exemplo:

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O livro de ouro da liderança segundo o Instituto Empreender Endeavor O Livro de ouro

O livro de ouro da liderança segundo o Instituto Empreender Endeavor

O Livro de ouro da liderança é o mais recente lançamento do americano John C.

Maxwell, profissional apontado pela Leadership Gurus International como o mais influente especialista sobre o tema do mundo. Autor de mais de 50 títulos sobre o assunto e com 12 milhões de livros vendidos, Maxwell é fundador das organizações de sociedade civil Injoy Stewardship e EQUIP, que têm como meta treinar mais de 1 milhão de líderes em todo o mundo.

Editado pela Thomas Nelson Brasil, o lançamento traz no audiolivro as 21 irrefutáveis leis da liderança, com toques exclusivos do guru. Nas 269 páginas da publicação, Maxwell defende a ideia de que a liderança não se constrói de uma hora para outra e, sim, durante a vida toda. Ao final de cada capítulo, os leitores encontram uma seção com sugestões para colocar seus ensinamentos em prática, além de dicas que podem ajudar no desenvolvimento da liderança em sua carreira.

O autor ainda desmistifica a tese de que o líder não pode se envolver pessoalmente com

a sua equipe. ‘Nenhum líder é bem-sucedido se não contar com a ajuda de alguém’,

diz. ‘Se a motivação for limitada a avançar na profissão, corre-se o risco de se tornar aquele tipo de líder carreirista, que finge ser o rei da cocada preta diante dos colegas e funcionários’, explica. (PASSOS, 2008)

Note como o texto cumpre os requisitos propostos pelo formato. Porém, dado o espaço restrito fornecido pela revista ou pela necessidade de um texto que seja lido rapidamente, ainda é raso no quesito crítica. Porque para tensionar sentidos possíveis, o texto precisa, necessariamente, de tempo e espaço.

Finalizamos esta unidade destacando que, de modo geral, estudar nos transforma em pessoas mais críticas. Ao longo da vida, o estudo faz de pessoas comuns, pessoas mais conscientes sobre o seu papel no mundo. Adquirir consciência crítica é o motor principal da educação. Ao conquistar este nível de conscientização, você se compara a um filósofo ou cientista, pois o trabalho diário deste grupo de pessoas é o de analisar e criticar o seu meio. Neste aspecto, a crítica é a base para a busca de conhecimentos.

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Saiba mais Para verificar as considerações desta unidade, faça uma pesquisa em jornais, revistas ou
Saiba mais Para verificar as considerações desta unidade, faça uma pesquisa em jornais, revistas ou
Saiba mais
Para verificar as considerações desta unidade, faça
uma pesquisa em jornais, revistas ou na internet
e
busque por resenhas. Pesquise, por exemplo, o
site Resenha Brasil, disponível clicando aqui. Mãos
à
obra!

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Resumo Aprofundamos um pouco mais o nosso estudo. Vimos agora que saber ler e escrever
Resumo
Resumo

Aprofundamos um pouco mais o nosso estudo. Vimos agora que saber ler e escrever é agir sobre o mundo e defender-se dele, sempre em situações específicas e concretas, intencionalmente construídas e com objetivos claros. Nesse sentido, o bom texto é aquele que responde à proposta, considerando a solicitação e a intenção, e que foge do pedantismo gramatical, da linguagem prolixa e dos lugares comuns.

Além disso, vimos quais são os diferentes tipos de texto (narração, descrição, dissertação, exposição, informação e injunção), estudando alguns deles detidamente.

Por fim, salientamos certa confusão que reina em torno do conceito de crítica, explicitando sua forma mais habitual nos meios de comunicação atuais: a resenha. Atributos como clareza, precisão, coerência e objetividade são qualidades pelas quais todo texto deve primar. E lembre- se: estudar nos transforma em pessoas mais críticas!

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13 A narrativa Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto de ficção dentro da

13

13 A narrativa Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto de ficção dentro da produção
13 A narrativa Objetivo Apresentar os aspectos que caracterizam o texto de ficção dentro da produção

A narrativa

Objetivo

Apresentar os aspectos que caracterizam o texto de ficção dentro da produção textual e problematizar esse conceito.

Na unidade 8, vimos que narração é um tipo de texto cuja peculiaridade reside em contar um fato, ficcional ou não, que aconteceu (ou acontece) em tempo e lugar específico, envolvendo personagens que desempenham ações (FIORIN; SAVIOLI, 2006). Vamos descobrir mais sobre sua caracterização?

13.1 Conceito de narrativa

A narrativa é um tipo de texto que, como observam os autores Fiorin e Savioli (2006), contém:

a. transformação de situações concretas (fatos se desdobram e demandam outros);

b. figuratividade (apresentação e descrição de cenários);

c.

posteridade,
posteridade,
anterioridade
anterioridade

relações de

de cenários); c. posteridade, anterioridade relações de concomitância e entre os episódios relatados (ou seja, um

concomitância e

entre os

episódios relatados (ou seja, um antes, um durante e um depois); e

d. utilização preferencial do subsistema temporal do passado (de modo geral, as narrativas são caracterizadas por fatos que ocorreram no passado).

Acompanhe um trecho desta famosa letra de música – “Eduardo e Mônica”, do grupo Legião Urbana:

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Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar Ficou deitado e viu que horas

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar Ficou deitado e viu que horas eram Enquanto Mônica tomava um conhaque, noutro canto da cidade, como eles disseram. Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer, e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer. Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse:

– Tem uma festa legal e a gente quer se divertir.

Perceba que este breve texto contém todos os elementos da nossa definição: conta-se uma sequência de fatos, em distintos lugares, até que ambos os personagens, Eduardo e Mônica, encontram-se por acaso.

Dica Sugerimos que você pesquise e leia a letra toda. Veja aqui.
Dica
Sugerimos que você pesquise e leia a letra toda.
Veja aqui.

Observe: não temos a data do acontecimento, mas sabemos que foi no passado – sabemos, aliás, que esse passado tem vários níveis, em função dos verbos utilizados. E como a narração implica anterioridade e posteridade, perceba que há uma ordem cronológica dos fatos, o início, o meio e o fim.

13.2 Conceitos atrelados

Vimos também, na unidade 8, que dentro do conceito de narração se fala em foco narrativo, que pode ser em primeira pessoa, constituindo um narrador-personagem, e em terceira, que indica um narrador-observador.

Comprovamos isso analisando o primeiro parágrafo de um romance de Chico Buarque, Budapeste, em primeira pessoa, e O Senhor Embaixador, de Érico Veríssimo, em terceira. No entanto, essa divisão pode ser ainda mais pormenorizada.

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Antes disso, porém, saiba que ao conjunto de ações, descrições e diálogos, que constituem a

Antes disso, porém, saiba que ao conjunto de ações, descrições e

porém, saiba que ao conjunto de ações, descrições e diálogos, que constituem a narrativa, chamamos diegese.

diálogos, que constituem a narrativa, chamamos

diegese. É um conceito

importante porque ele é a base de uma série de outros: trata-se da realidade própria da narrativa, à parte da realidade externa de quem lê. Vamos lá.

No que tange à participação do narrador na história, ele pode ser:

heterodiegético: não pertence nem participa da história narrada. Retome a letra da canção que lemos antes:

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar Ficou deitado e viu que horas eram Enquanto Mônica tomava um conhaque, noutro canto da cidade, como eles disseram.

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer, e conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer. Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse:

– Tem uma festa legal e a gente quer se divertir.

homodiegético: participa como personagem secundário ou mero figurante. É o caso das famosas narrativas do detetive Sherlock Holmes, realizadas por seu colega, o médico Watson:

Passando os olhos na série um tanto incoerente de casos com que procurei ilustrar algumas das peculiaridades mentais de meu amigo Sherlock Holmes, impressionou-me

a dificuldade que tive em escolher exemplos que atendessem a meu propósito sob todos

os aspectos. Pois naqueles casos em que Holmes realizou algum raciocínio analítico e demonstrou o valor de seus métodos peculiares de investigação, os próprios fatos foram muitas vezes tão insignificantes ou banais que não pude me sentir justificado em expô- los perante o público. (DOYLE, 2003, p. 252)

autodiegético: é ao mesmo tempo personagem e narrador da história. Trata-se do protagonista, ou seja, o personagem principal.

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Recebi esta tarde a notícia do teu nascimento. Quis tanto ver-te. Fui até o aroporto

Recebi esta tarde a notícia do teu nascimento. Quis tanto ver-te. Fui até o aroporto mas

não tive coragem. Vais crescer sem saber quem sou. Talvez um dia venhas a ler isto [ (CARVALHO, 1995, p. 69)

].

Um nível acima dessa divisão que acabamos de ver, podemos ainda colocar outra referente a níveis: quando o narrador integra a história, fala-se em intradiegético. Quando o narrador não participa, fala-se em extradiegético. Não se trata de casos à parte, apenas de variação de nomenclatura.

Há ainda muitos outros conceitos integrantes da narrativa. Por exemplo, podemos falar em narrativa aberta e narrativa fechada. A narrativa fechada se dá quando todos os conflitos da diegese foram solucionados. Por conseguinte, denomina-se narrativa aberta aquela cujos conflitos permanecem sem solução.

Com relação à sequência narrativa e sua articulação, fala-se em encadeamento quando tudo acontece em ordem linear e cronológica; por encaixe denominam-se sequências que são englobadas por uma sequência maior, e alternância se refere a quando duas ou mais histórias são contadas de forma intercalada. É o caso da narrativa não linear, como neste trecho do romance Acqua Toffana, da premiada escritora brasileira Patrícia Melo:

Não tem ninguém em casa, preciso parar com isso. Medo do quê? Quem pode estar aqui? Não tem ninguém em casa, bobagem, está tudo trancado.

Abro a porta do quarto. Tudo em ordem. Vou andando pelo corredor, pés descalços. Tudo em ordem. Não há ninguém pela casa.

Dou meia-volta, o banheiro, tudo em ordem. Entro no quarto, tranco a porta.

Islands in the stream, 0h45. Deve acabar às 3h00. 1977, 110 minutos. Direção: Franklin Schaffer. Claire Bloom, David Hemmings etcétera. O pesadelo aconteceu em dez minutos, no intervalo, eu estava vendo a chamada de um filme policial, Charles Bronson com o pé na garganta de um infeliz: “Diga adeus”. (MELO, 1995, p. 5)

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Perceba como a narrativa funde duas camadas, sonho e realidade. Esta vem à tona pela

Perceba como a narrativa funde duas camadas, sonho e realidade. Esta vem à tona pela informação do filme a que a personagem estava assistindo.

Saiba, por fim, que estes e outros conceitos são parte de um estudo mais aprofundado da narrativa, para quem se especializa no assunto. O interessante para você – e que você precisa saber – é que diferentemente dos outros tipos de texto, a narração se sustenta pela sucessão de acontecimentos, e que esse tipo de texto se vale de outros como se fossem recursos seus, tais como a descrição e a dissertação.

recursos seus, tais como a descrição e a dissertação. Para sua reflexão Para finalizar, observe que

Para sua reflexão

Para finalizar, observe que no objetivo desta unidade nos restringimos aos “aspectos que caracterizam o texto de ficção dentro da produção textual”. Devemos, por isso, entender que toda narrativa é ficcional?

Você já deve ter notado que há uma série de narrativas cuja peculiaridade apresenta o rótulo “esta história é baseada em fatos reais”. Será que há alguma diferença? Como identificar? Pense a respeito disso, considerando o termo ficção como um componente de toda e qualquer narrativa, porque todas elas são articulações de linguagem e produto do pensamento.

As respostas a essas reflexões formam parte de sua aprendizagem e são individuais, não precisando ser comunicadas ou enviadas aos tutores.

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14 Texto temático e texto figurativo Objetivo Analisar a produção textual sob os vieses concreto

14

14 Texto temático e texto figurativo Objetivo Analisar a produção textual sob os vieses concreto e
14 Texto temático e texto figurativo Objetivo Analisar a produção textual sob os vieses concreto e

Texto temático e texto figurativo

Objetivo

Analisar a produção textual sob os vieses concreto e abstrato.

Podemos afirmar que todo texto possui dois planos: o plano da expressão (o idioma, as palavras, as frases, por exemplo) e o plano do conteúdo (o sentido). Utilizando dos conceitos que já estudamos até aqui, podemos dizer que o conteúdo constitui a mensagem, e que a expressão implica no modo como a mensagem é elaborada.

E dando uma volta a mais, podemos dizer que para um mesmo conteúdo, o plano de expressão pode variar. Quando um texto apresenta aspectos do mundo concreto, dizemos que o texto é figurativo. Quando apresenta conceitos abstratos, dizemos que o texto é temático.

Reconhecer essas diferenças é bastante importante, pois saber a natureza do texto que se quer produzir dá maior controle daquilo que se afirma, bem como do modo como se elabora o argumento (DISCINI, 2005).

14.1 Definições

Concreto é todo termo que remete a algo presente no mundo natural.

Abstrato concerne a toda palavra que não indica algo presente no mundo natural, mas uma categoria que ordena o que está nele manifesto (FIORIN; SAVIOLI, 2006).

Fiorin e Savioli (2006), entretanto, estabelecem algumas ressalvas sobre essas definições. Dizem eles que a primeira advertência a respeito dessa definição é que concreto e abstrato não são categorias da realidade, mas da linguagem. Assim, a expressão “mundo natural” não é somente a

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realidade exterior, visível, sensível, mas as realidades criadas pelo discurso. Nesse sentido, não há o

realidade exterior, visível, sensível, mas as realidades criadas pelo discurso. Nesse sentido, não há o menor propósito em perguntar se Deus, fada ou saci são concretos ou não, e em responder que isso depende da crença que se tenha neles. São concretos, sim, porque Deus é um ser efetivamente presente no universo criado pelo discurso religioso, fada existe na realidade gerada pelo conto maravilhoso, saci recebe o estatuto de ser nas narrativas folclóricas (FIORIN; SAVIOLI, 2006).

A consequência dessa definição de termo concreto e abstrato é que não

só os substantivos se dividem de acordo com essa categoria, mas todas

as palavras. Assim, temos substantivos, adjetivos e verbos concretos e

abstratos: sol remete a algo efetivamente existente num dos mundos naturais, enquanto raiva não (o que é concreto e ordenado por esse substantivo abstrato é, por exemplo, gritar, ficar vermelho etc.; esses atos concretos são englobados na categoria raiva); branco é um adjetivo concreto, pois expressa uma qualidade imediatamente perceptível do mundo natural, enquanto inteligente é abstrato, pois é o termo que designa uma série de elementos concretos (aprender rapidamente, compreender tudo o que é explicado etc.); plantar é um verbo concreto, enquanto envergonhar-se é abstrato, pois o que é concreto são as manifestações da vergonha, como, por exemplo, corar.

Na verdade, em vez de pensar que concreto e abstrato são dois polos, deveríamos refletir sobre a relação entre concreto e abstrato como um contínuo que vai do mais abstrato ao mais concreto, passando pelo mais ou menos abstrato, um pouco mais concreto, e assim por diante (FIORIN; SAVIOLI, 2006).

Diante disso, e retomando o conceito apresentado na introdução da unidade, há duas formas básicas de discursos: aqueles que são predominantemente concretos (e que, portanto, são figurativos, ou seja, que constituem figuras) e os preponderantemente abstratos, considerados temáticos, uma vez que, construídos com termos abstratos, pautam-se por palavras abstratas. Ou seja, dos discursos temáticos não conseguimos extrair coisas, objetos do mundo; mas extraímos assuntos.

Mas tenha em vista que um texto dificilmente será completamente figurativo ou completamente temático. O que podemos definir,

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conforme a linha de raciocínio anterior, é que há textos (ou discursos) predominantemente figurativos ou

conforme a linha de raciocínio anterior, é que há textos (ou discursos) predominantemente figurativos ou preponderantemente abstratos.

Os textos figurativos geram um efeito de realidade, têm a função

de representar o mundo,

concreto. Já os textos temáticos têm por função explicar o mundo e suas relações, classificações, ordenações, e fazem isso porque trabalham a partir de conceitos.

14.2 Casos

mimetizando-o

a partir do que nele há de

Vejamos dois exemplos de textos figurativos. O primeiro é uma clássica

exemplos de textos figurativos. O primeiro é uma clássica fábula de La Fontaine. O segundo é

fábula de

La Fontaine. O segundo é um conto chinês do Soushenchi,

datado do século IV. Acompanhe.

A raposa e as uvas

Uma raposa faminta entrou num terreno onde havia uma parreira, cheia de uvas maduras, cujos cachos se penduravam, muito alto, em cima de sua cabeça.

A raposa não podia resistir à tentação de chupar aquelas uvas mas, por mais que pulasse, não conseguia abocanhá-las. Cansada de pular, olhou mais uma vez os apetitosos cachos e disse:

– Estão verdes…

É fácil desdenhar daquilo que não se alcança.

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O homem que vendia fantasmas Quando Sung Tingpo, de Nanyang, era ainda rapaz, estava passeando

O homem que vendia fantasmas

Quando Sung Tingpo, de Nanyang, era ainda rapaz, estava passeando certa noite quando se encontrou com um fantasma. Perguntou à aparição quem era e ela respondeu que era um fantasma. – ‘Quem é você?’perguntou por sua vez o fantasma. Tingpo mentiu e respondeu – ‘Eu também sou um fantasma.’O fantasma então quis saber para onde ele ia e Tingpo informou – ‘Estou a caminho para a cidade de Wanshih.’ – ‘Também vou para lá’, afirmou a aparição. Assim puseram-se a caminhar juntos. Após uma milha, se tanto, o fantasma disse que era estupidez estarem andando ambos quando um podia carregar o outro, por turnos. – ‘ótima ideia’, achou Tingpo. O fantasma pôs Tingpo às costas e depois de ter andado uma milha disse – ‘Você é pesado demais para um fantasma. Tem certeza de que é um fantasma mesmo? ’Tingpo explicou que ainda era um fantasma novo e que, por conseguinte, ainda pesava um pouco. Tingpo, por sua vez, pôs-se a carregar o fantasma, mas esse era tão leve que tinha a impressão de não estar carregando nada. Assim foram caminhando, revezando-se, até que Tingpo perguntou ao companheiro qual era a coisa que metia mais medo aos fantasmas. – ‘Os fantasmas têm um medo horrível da saliva humana’, afirmou o fantasma. Assim foram andando, andando até que chegaram a um rio. Tingpo deixou que o fantasma fosse adiante e observou que ele não fazia barulho algum ao nadar, mas quando ele entrou n’água, o fantasma ouviu o estalar na água e pediu-lhe uma explicação. Tingpo explicou novamente – ‘Não se surpreenda, pois ainda sou muito novo e não estou ainda acostumado a atravessar a correnteza.’No momento em que se aproximavam da cidade, Tingpo começou a carregar o fantasma nas costas apertando-o fortemente. O fantasma pôs-se a gritar e a chorar lutando para apear-se, porém Tingpo o apertou com mais força ainda. Ao chegar às ruas da cidade, soltou-o e o fantasma se transformou num bode. Tingpo cuspiu no animal a fim de que não pudesse transformar-se outra vez, vendeu-o por mil e quinhentos dinheiros e foi para casa. Eis a razão do ditado de Shih Tsung: ‘Tingpo vendeu um fantasma por mil e quinhentos dinheiros’.

Perceba que, embora ambos contenham uma base moral que fica

subjacente
subjacente

implícita na história (declarada, no caso de La Fontaine;

no caso do conto chinês), os dois textos são construídos com termos concretos. O termo ‘fantasma’ utilizado no conto chinês pode nos pegar desprevenidos e, em um primeiro momento, ser julgado como abstrato. Mas como vimos há pouco, assim como ‘Deus’ ou ‘saci’, o fantasma é um ser efetivamente presente na esfera das histórias fantásticas.

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É completamente diferente do texto a seguir, uma resposta do filósofo Emmanuel Kant à pergunta

É completamente diferente do texto a seguir, uma resposta do filósofo

Emmanuel Kant

à pergunta “O que é o esclarecimento?”.

A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens,

depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha (naturaliter maiorennes), continuem, no entanto de bom grado menores durante toda a vida. São também as causas que explicam por que é tão fácil que os outros se constituam em tutores deles. É tão cômodo ser menor. Se tenho um livro que faz as vezes de meu entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um médico que por mim decide a respeito de minha dieta etc., então não preciso esforçar-me eu mesmo. Não tenho necessidade de pensar, quando posso simplesmente pagar; outros se encarregarão em meu lugar dos negócios desagradáveis. A imensa maioria da humanidade (inclusive todo o belo sexo) considera a passagem à maioridade difícil e além do mais perigosa, porque aqueles tutores de bom grado tomaram a seu cargo a supervisão dela. Depois de terem primeiramente embrutecido seu gado doméstico e preservado cuidadosamente essas tranquilas criaturas a fim de não ousarem dar um passo fora do carrinho para aprender a andar, no qual as encerraram, mostram-lhes, em seguida, o perigo que as ameaça se tentarem andar sozinhas. Ora, esse perigo na verdade não é tão grande, pois aprenderiam muito bem a andar finalmente, depois de algumas quedas. Basta um exemplo deste tipo para tornar tímido o indivíduo e

atemorizá-lo em geral para não fazer outras tentativas no futuro.

que

É

difícil, portanto, para um homem em particular desvencilhar-se da para ele se tornou quase uma natureza. (KANT, 2012, p. 1)

menoridade
menoridade

Finalizamos esta unidade destacando a importância dos termos preguiça e covardia, por serem abstratos e fundamentais para argumentação, pois constituem a temática do texto, embora se perceba também o uso de termos concretos (homem, por exemplo), o que predomina na argumentação é uma temática, não uma figuratividade.

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Estudo complementar Para ampliar as noções a respeito de abstrato e concreto, faça uma pesquisa
Estudo complementar Para ampliar as noções a respeito de abstrato e concreto, faça uma pesquisa
Estudo complementar
Para ampliar as noções a respeito de abstrato e
concreto, faça uma pesquisa online com os termos
‘arte abstrata’e ‘arte figurativa’e confronte os
resultados com o que estudamos nesta unidade.
Sugestão: acesse a Enciclopédia de Artes Visuais
clicando aqui.

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15 Texto argumentativo Objetivo Analisar casos de textos argumentativos. Sempre se escreve com alguma

15

15 Texto argumentativo Objetivo Analisar casos de textos argumentativos.
15 Texto argumentativo Objetivo Analisar casos de textos argumentativos.

Texto argumentativo

Objetivo

Analisar casos de textos argumentativos.

Sempre se escreve com alguma intenção. Uma coisa é saber/entender daquilo sobre o que se escreve; outra é saber como fazer isso.

Conforme a intenção, a estrutura do texto deve variar, desde o vocabulário, da organização dos parágrafos, até a complexidade de construção das frases, orações e períodos.

Diante disso, questionamos: qual a intenção do texto argumentativo? Convencer o leitor do ponto de vista em questão. Persuadi-lo.

Fiorin e Savioli (2006) mostram que a origem do termo vem do latim argumentum, cujo sentido é “fazer brilhar”, “iluminar”. Pela origem desse termo, podemos dizer que argumento é tudo aquilo que faz brilhar, cintilar uma ideia. Desse modo, consideramos argumento todo procedimento linguístico que visa a persuadir, a fazer o receptor aceitar

o que lhe foi comunicado, a levá-lo a acreditar no que foi dito e a fazer o que foi proposto.

E para isso, saiba que há alguns procedimentos a serem levados em conta.

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15.1 Tipos de argumento Argumento de autoridade Comprovar os argumentos que você elabora é fundamental.

15.1 Tipos de argumento

Argumento de autoridade

Comprovar os argumentos que você elabora é fundamental. Tal qual uma casa, a ideia que você defende deve estar amparada por uma estrutura bem feita. No caso de um texto, essa estrutura concerne à amostragem de argumentos de outros autores autorizados no assunto.

O uso de citações, por um lado, cria a imagem de que o falante conhece bem o assunto que está discutindo, haja vista que já leu o que sobre ele pensaram outros autores; e por outro lado, torna os autores citados fiadores da veracidade de determinado ponto de vista (FIORIN; SAVIOLI, 2006).

Portanto, a recomendação é: cite. O seu texto ganha respaldo ao fazer referência a outros. Experimente: construa a introdução, problematize,

e elabore parágrafos que estejam pautados por conectivos tais como “Conforme X, …”; “Já segundo Y, …”; “De um lado, W afirma que…”;

“Por outro, Y pondera dizendo…”. Citar, em última análise, é reconhecer

o trabalho de outro.

Argumento baseado no consenso

Apesar de a comprovação ser um aspecto fundamental da boa argumentação, nem toda afirmação carece dela. Isso porque há certas proposições cujo caráter é evidente, sendo universalmente aceitas. Fiorin e Savioli (2006, p. 286) exemplificam: “A educação é a base do desenvolvimento”. Ora, todos concordamos que esta afirmação é verdadeira e que não é preciso citar alguém para comprová-la. Por isso, trata-se de algo consensual.

Os mesmos autores, no entanto, chamam a atenção para que não se confunda consenso com lugar comum. Afirmar que “o brasileiro é preguiçoso”, “a AIDS é um castigo de Deus”, “só o amor constrói” será sempre discutível.

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Argumentos baseados em provas concretas A opinião que você emite expressa uma apreciação ou um

Argumentos baseados em provas concretas

A opinião que você emite expressa uma apreciação ou um julgamento, que indicam aprovação ou desaprovação. Para que o seu ponto de vista ganhe respaldo, ele precisa estar baseado em fatos.

Se afirmarmos que a polícia é corrupta, isso é apenas uma generalidade. Mas se essa afirmação estiver acompanhada do fato de que vários policiais do Distrito X foram surpreendidos facilitando o tráfico de drogas, por exemplo, no local Y, para os indivíduos W e Z, conforme notícia do jornal XX, a afirmação fica respaldada.

Por outro viés, as afirmações que você realiza devem vir acompanhadas de uma justificativa amparada em fatos apontados por fontes seguras (livros de especialistas, jornais reconhecidos, sites de respaldo).

Argumentos baseados no raciocínio lógico

Você deve apontar causas e efeitos das afirmações que faz. Isso implica em coerência: para chegarmos a determinada conclusão, é preciso, antes, apresentarmos os dados, lê-los (interpretá-los), para que a conclusão seja, assim, uma consequência.

Por isso, não tenha pressa! Da sua habilidade de escolher e apresentar os dados que deseja depende do arremate do seu pensamento e, portanto, do seu texto.

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Além de ser mais chique, do ponto de vista ideológico, o seminário é mais cômodo

Além de ser mais chique, do ponto de vista ideológico, o seminário é mais cômodo para ambos os lados: nem o professor prepara a aula, nem o aluno estuda, e ambos entram com sua cota de ‘participação crítica’.

O mais grave é que onde esse processo se instalou não há como revertê-lo, pois as

facilidades se transformam em direito adquirido. (

Já que o mundo passa por uma histeria de volta ao passado, ao menos em relação ao que parecia “futuro”nos anos 1960, talvez fizéssemos bem em rever grande parte das mudanças do ensino neste 30 anos.

Porque os resultados, mesmo nas boas escolas, não parecem encorajadores. A ideologia do ensino crítico está produzindo gerações de tontos. A lassidão, o vale-tudo, a falta de autoridade professoral desestimula a própria rebeldia do estudante. (FIORIN; SAVOLI, 2006, p. 290)

)

Uma forma de apresentação lógica de argumentos seria esta:

proposição: não deve conter nenhum argumento, trata-se apenas de uma afirmação;

análise: defesa da proposição, esclarecendo-se o seu sentido ou ponto de vista adotado para evitar mal-entendidos;

formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados estatísticos, testemunhos etc.

conclusão.

Lembre-se de que na conclusão é interessante que você retome o que havia proposto na introdução. “Nada é pior para convencer do que um texto sem coerência lógica, que diz e desdiz-se, que apresenta afirmações

eivado
eivado

que não se implicam umas às outras, que está (FIORIN; SAVIOLI, 2006, p. 291).

de contradições.”

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15.2 Aspectos para elaborar textos argumentativos O texto que você escreve deve ter um só

15.2 Aspectos para elaborar textos argumentativos

O texto que você escreve deve ter um só objeto, uma só matéria. Isso é

importante para evitar que o texto se perca em si mesmo. Pergunte-se:

como você faz para começar a escrever um texto?

Se apenas tentamos escrever ao léu, sem uma ideia definida, corremos o

risco de escrever para descobrir o que pensamos. Embora esse processo possa ser interessante e bastante revelador, pode também tornar o texto dispersivo. O que você precisa é estar no comando da situação.

Assim, para produzir um texto argumentativo, é importante, como primeiro passo, elaborar uma espécie de mapa da sua ideia, levantar os pontos atrelados, os autores e/ou depoimentos/dados que você pode utilizar para a fundamentação.

Você não deve perder de vista o objetivo central do seu texto. E não confunda unidade com repetição ou redundância. Embora o texto deva conter variedade, essa variedade deve estar formada da mesma matéria. Deve-se começar, continuar e acabar dentro do mesmo tema.

Outro aspecto importante é que não devemos fazer de conta que não existem pontos de vista divergentes dos nossos. Pelo contrário, devemos

mencioná-los

dos nossos. Pelo contrário, devemos mencioná-los estrategicamente, usando-os a nosso favor. Por fim, deve-se

estrategicamente, usando-os a nosso favor.

Por fim, deve-se utilizar a norma padrão, culta, da língua. O ideal é que você mantenha a impessoalidade. Deixe que seu texto seja questionado pelas ideias e não pelo modo como você as desenvolve.

O

texto a seguir é um exemplo de texto argumentativo, em que

se

questiona o documentário “Quebrando o tabu”, a respeito da

descriminalização do uso da maconha no Brasil.

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FHC, o âncora do longa-metragem, viaja pelo mundo (leia-se Europa e Estados Unidos) para conversar

FHC, o âncora do longa-metragem, viaja pelo mundo (leia-se Europa e Estados Unidos) para conversar com usuários, médicos e ex-presidentes a respeito de diferentes experiências na legislação de drogas. Ora o próprio FHC dá entrevistas enquanto sociólogo, ora aparece como entrevistador, coletando depoimentos.

De 2008 para cá o ex-presidente brasileiro vem pautando a questão e posicionando-se publicamente favorável à descriminalização da maconha e a políticas de redução de danos para usuários. Durante seus anos de presidência (1994-2001), no entanto, não só não tocou no tema como esteve alinhadíssimo com o modelo estadunidense de guerra às drogas, com forte repressão aos usuários e vendedores e crescente encarceramento. “Eu não sabia muita coisa”, se defende, “minha experiência pessoal sobre a questão de drogas é nula. Eu aprendi ao fazer o filme, não sabia. Quando eu era presidente, menos ainda. E também o Brasil vivia outro momento, não era um tema tão candente”.

Apesar de presidir a Comissão Global de Política Sobre Drogas, FHC afirma que se fosse presidente da República hoje não garante que descriminalizaria a maconha: “Não sei qual seria minha relação no congresso, não sei quais seriam os outros temas candentes, não posso afirmar nada”.

Em “Quebrando o tabu”, não é só FHC que admite o fracasso da guerra às drogas: Bill Clinton, presidente dos Estados Unidos de 1993 a 2001, também assume o “erro”da política de drogas baseada na repressão. “Obviamente é mais fácil, uma pessoa que é ex-presidente se sente mais a vontade para falar sobre uma série de temas”, comentou Fernando Henrique. (MONCAU, 2011)

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Estudo complementar Complemente a leitura do texto “Quebrando o tabu ou apenas deslocando-o de lugar?”,
Estudo complementar Complemente a leitura do texto “Quebrando o tabu ou apenas deslocando-o de lugar?”,
Estudo complementar
Complemente a leitura do texto “Quebrando
o tabu ou apenas deslocando-o de lugar?”,
de Gabriela Moncau, disponível aqui. Focalize
no modo de apresentação dos dados, que são
paulatinamente questionados pela autora. Veja
também que a discussão se mantém em torno
do mesmo assunto, do início ao fim do texto,
utilizando exemplos reais como comprovação da
ideia. Note como cada ponto conduz à conclusão,
que volta, indiretamente, a remeter ao título.

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16 Texto explicativo Objetivo Analisar casos de textos explicativos. Após estudarmos as peculiaridades do

16

16 Texto explicativo Objetivo Analisar casos de textos explicativos.
16 Texto explicativo Objetivo Analisar casos de textos explicativos.

Texto explicativo

Objetivo

Analisar casos de textos explicativos.

Após estudarmos as peculiaridades do texto argumentativo, vamos agora nos debruçar sobre o texto explicativo. Ele transmite dados hierarquizados, com a finalidade de fazer compreender fenômenos específicos. Vamos saber mais sobre o assunto?

16.1 Conceito

Talvez você não tenha se dado conta, mas é exatamente o que fizemos até aqui: cada unidade parte de uma proposição ampla (“Os diferentes tipos de texto?”, por exemplo) e a ela atrelamos dados secundários (narração, descrição, dissertação, exposição, informação e injunção), tentando esclarecê-los um a um.

Na unidade 8, estudamos o texto explicativo como exposição, que consiste em apresentar informações a respeito de um assunto, explicando, avaliando e analisando. Pode conter instruções, descrições, definições, enumerações, comparações e contrastes. Como exemplo, vimos naquela unidade o fragmento de uma exposição a respeito de como fazer uma Análise SWOT, tema recorrente para os estudos de Administração.

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Para fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise do mercado e da

Para fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise do mercado e da empresa. O termo SWOT é uma sigla oriunda do inglês, traduzindo: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).

Esta análise divide-se em 4 quadrantes: Ameaças, oportunidades, pontos fracos (fraquezas) e pontos fortes (forças). As ameaças e as oportunidades estão ligadas ao

mercado enquanto os pontos fracos e pontos fortes estão ligados à empresa. [

A análise SWOT é de extrema importância, pois temos de conhecer mais aprofundadamente os vários aspectos internos e externos da empresa para dar resposta a eventuais problemas detectados ou atacar os concorrentes nas fragilidades encontradas. Depois de analisados, todos esses fatores têm a sua análise concluída e depois é só tirar as suas conclusões. Não se esqueça que as ameaças dos outros podem ser oportunidades para si e as suas ameaças são oportunidades para os concorrentes. (Como fazer uma análise SWOT, 2012, p. 1)

]

Podemos perceber que tudo parte de uma afirmação categórica, “Para fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise do mercado e da empresa”. O que vem em seguida são desdobramentos dessa afirmação, buscando desenvolvê-la e justificá-la, incluindo um

detalhamento sobre cada um dos pontos, discernindo o que se refere a quem. Ao final, reitera-se a importância do procedimento, desdobrando-

se a sua utilidade e benefícios.

Note que o texto explicativo, portanto, implica explanar em detalhe um assunto, teoria, coisa, situação ou acontecimento. Esse detalhamento, por sua vez, constitui-se pela explicitação do tempo, espaço, da importância ou das circunstâncias daquilo que está em questão.

O objetivo do texto explicativo pode, assim, ser definido por verbos

como informar, definir, aclarar, provar, recomendar.

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16.2 Organização Para que você alcance sucesso na montagem do texto explicativo, deve organizá-lo coerentemente.

16.2 Organização

Para que você alcance sucesso na montagem do texto explicativo, deve organizá-lo coerentemente. Nesse sentido, é imprescindível:

escolher o tema: a escolha do tema estará pautada por uma demanda anterior (o professor solicitou a você o desenvolvimento de um seminário, por exemplo). Devemos ser simples, objetivos e breves;

definir o propósito: pensemos em áreas, digamos que você deseja explicar como se dá a aquisição de linguagem pela criança, ou como funciona a Análise SWOT, ou ainda como funciona o software Excel. Como você já tem o tema definido, exponha seus objetivos gerais e específicos. A formatação desses objetivos implica no uso de verbos no infinitivo, porque você ainda irá desenvolver a tarefa;

conhecer a recepção: qual o seu público? Ele conhece o assunto ou nunca ouviu falar dele? São seus colegas de classe? Trata-se de uma banca de análise formada por especialistas no assunto a quem você deve mostrar profundidade de conhecimento? Perceba que, conforme a recepção, o tom e a profundidade da sua explicação variam, cabendo a você definir se deve apenas limitar-se ao óbvio ou se deve, ao mesmo tempo, discutir o processo;

pesquisar: a pesquisa é parte da elaboração de qualquer texto. Implica em estudo on-line (sites, tutoriais, por exemplo) e off-line (livros, mapas, documentos etc.). É importante que a pesquisa seja vasta e não se limite ao que você irá utilizar. Informações secundárias podem auxiliá-lo a esclarecer um ponto de vista ou elaborar uma didática;

selecionar: como a pesquisa é ampla e nela surgem dados de natureza diversa, você deve saber selecionar aquilo que interessa. Não perca o foco nem sobrecarregue determinado aspecto da sua explicação;

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• roteirizar: elabore um roteiro, qual o ponto de partida e de chegada; • fornecer

roteirizar: elabore um roteiro, qual o ponto de partida e de chegada;

fornecer suporte: ao final, você pode elencar outras referências sobre o tema, caso o público deseje aprofundar o assunto em outras fontes.

16.3 Tipologia

Quanto a sua natureza, o texto explicativo pode ser:

explicativo-informativo: tem por função transmitir informação referente a dados concretos (relembre a definição de concreto que estudamos na unidade 14). Como exemplo, retome o texto do início desta unidade, “Como fazer uma Análise SWOT”;

Para fazer uma Análise SWOT, é necessário fazer previamente uma análise do mercado e da empresa. O termo SWOT é uma sigla oriunda do inglês, traduzindo: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).

Esta análise divide-se em 4 quadrantes: Ameaças, oportunidades, pontos fracos

(fraquezas) e pontos fortes (forças). As ameaças e as oportunidades estão ligadas ao

mercado enquanto os pontos fracos e pontos fortes estão ligados à empresa. [

A análise SWOT é de extrema importância, pois temos de conhecer mais aprofundadamente os vários aspectos internos e externos da empresa para dar resposta a eventuais problemas detectados ou atacar os concorrentes nas fragilidades encontradas. Depois de analisados, todos esses fatores têm a sua análise concluída e depois é só tirar as suas conclusões. Não se esqueça que as ameaças dos outros podem ser oportunidades para si e as suas ameaças são oportunidades para os concorrentes. (Como fazer uma análise SWOT, 2012, p. 1)

]

Note como não há nenhum tipo de informação subjetiva ou análise baseada em julgamento de valor.

explicativo-argumentativo: busca defender uma tese, a partir de dados e observações verificáveis. Acompanhe:

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Bullying é um termo da língua inglesa ( bully = “valentão”) que se refere a

Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.

O

bullying se divide em [

].

O

bullying é um problema mundial [

]

No Brasil, uma pesquisa realizada em 2010 [

Os atos de bullying ferem princípios constitucionais – respeito à dignidade da pessoa humana – e ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. O responsável pelo ato de bullying pode também ser enquadrado no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por atos de bullying que ocorram dentro do estabelecimento de ensino/trabalho. (O que é bullying, 2012)

]

O parágrafo final (“Os atos de bullying

decisivo para o texto explicativo-argumentativo, pois nele consta, além da

explicação, a explicitação de argumentos que buscam o convencimento do leitor por motivos específicos (também, no caso, pela prática, ferir princípios constitucionais, entre outros aspectos).

16.4 Características linguísticas

”),

no caso do nosso exemplo, é

Quanto à formatação da linguagem do texto explicativo, devemos observar:

uso dos verbos no presente do indicativo. Trata-se de explanar sobre fatos cuja veracidade independe do tempo em que são enunciados

(“Bullying é

”);

impessoalidade (ou seja, não flexionar os verbos na primeira pessoa do discurso);

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• vocabulário técnico específico. Utilizamos as nomenclaturas cabíveis, que condensam as afirmações e garantem a

vocabulário técnico específico. Utilizamos as nomenclaturas cabíveis, que condensam as afirmações e garantem a progressão do texto;

não utilizar adjetivos nem emitir julgamentos de valor.

Em suma, o segredo do texto explicativo está na armação lógica, baseada em pesquisa ampla, seleção astuta do material e linguagem objetiva.

Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar
Tarefa dissertativa Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar

Tarefa dissertativa

Caro estudante, convidamos você a acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e realizar a tarefa dissertativa.

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17 Texto dissertativo Objetivo Analisar casos de textos dissertativos. Na unidade 8, também fizemos uma

17

17 Texto dissertativo Objetivo Analisar casos de textos dissertativos.
17 Texto dissertativo Objetivo Analisar casos de textos dissertativos.

Texto dissertativo

Objetivo

Analisar casos de textos dissertativos.