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INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE JEQUIÉ

INSTITUTO EDUCAR - IE

CENTRO DE ESTUDOS EM PSICANÁLISE E PSICOTERAPIAS - CEEP

CURSO LIVRE EM PSICANÁLISE CLÍNICA

ROSEMARY SANTOS SOUZA

RESENHA

Seria a semiologia de Saussure fundamento e justificativa para o método de


pesquisa de revisão de literatura em Psicanálise?

SAUSSURE E SUA PROPOSIÇÃO DE SEMIOLOGIA COMO PSICOLOGIA


SOCIAL, DE CORTE DO SIGNO E DE LINGUÍSTICA ESTRUTURAL

Jequié-BA

2018
ROSEMARY SANTOS SOUZA

RESENHA

Seria a semiologia de Saussure fundamento e justificativa para o método de


pesquisa de revisão de literatura em Psicanálise?

SAUSSURE E SUA PROPOSIÇÃO DE SEMIOLOGIA COMO PSICOLOGIA


SOCIAL, DE CORTE DO SIGNO E DE LINGUÍSTICA ESTRUTURAL

Trabalho apresentado ao professor João


Vanisky da Silva, ministrante da disciplina
Semiologia Psicanalítica, no Instituto
Educar para o Centro de Estudos em
Psicanálise e Psicoterapias (CEPP), com
fim avaliativo.

Jequié/BA

2018
O signo linguístico é a união de uma imagem acústica e um 
conceito, de um significante e um significado. Esta união, 
por sua vez, não é determinada nem fixa, mas sim arbitrária. 
Saussure elenca dois princípios para sua linguística: 1) a 
arbitrariedade do signo e 2) o caráter linear do significante.
Vinicius Siqueira
BENTO, Victor Eduardo Silva. Seria a semiologia de Saussure fundamento e
justificativa para o método de pesquisa de revisão de literatura em Psicanálise?
Estudos de Psicologia​ I Campinas I 23(4) I 407-423 I outubro - dezembro 2006.

SAUSSURE E SUA PROPOSIÇÃO DE SEMIOLOGIA COMO PSICOLOGIA


SOCIAL, DE CORTE DO SIGNO E DE LINGUÍSTICA ESTRUTURAL

O linguista e filósofo suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913), deixou


importantes elaborações teóricas que permitiram o desenvolvimento da linguística
moderna como ciência autônoma. Como também o campo da teoria, da literatura e
dos estudos culturais sofreram grande influência pelo seu pensamento.
Teóricos europeus como Roland Barthes e Umberto Eco preferiram adotar o
termo "Semiótica", para a sua teoria geral dos signos, cujos estudos
contemporâneos dos Signos e da semiótica americana tem seu expoente inicial com
o cientista-lógico-filósofo (e um dos fundadores da moderna ciência semiótica)
Charles Sanders Peirce (1830-1914). As concepções européias tem origem na
semiologia de Ferdinand de Saussure e no Estruturalismo de Roman Jakobson.
Ferdinand Saussure (1857-1913), deixou sua maior contribuição a partir do
livro "Tratado de Lingüística Geral" (TLG), com o projeto de uma teoria geral de
sistema de signos, a que ele denominou Semiologia, e seu elemento básico foi à
definição do signo, que mudaram o foco de análise da língua e da linguagem.
Outros princípios importantes de sua teoria foram a arbitrariedade do signo
lingüístico, o conceito de estrutura, o conceito de sistema de linguagem.
Embora Saussure tivesse deixado um legado importante e considerável,
sendo o pai da linguística moderna, não deixou nenhuma obra publicada. O livro
“Curso de Linguística Geral”, que é considerado o livro fundamental para a
linguística atual, não foi escrito pelo próprio, e sim foi feita uma compilação de
anotações de seus alunos durante as aulas.
Saussure diferencia a língua da fala. A língua “é um sistema léxico-lógico e
gramatical que existe potencialmente na consciência” de pessoas que falam a
mesma língua. Como meio de comunicação “a língua não depende do indivíduo que
a fala”. Enquanto que, “a fala é o ato pelo qual o indivíduo emprega a língua para
exprimir suas ideias. É de natureza individual.
Para Saussure, a língua é um sistema de signos ou ainda um conjunto
organizado de signos comuns aos indivíduos que participam de uma determinada
comunidade. E o que é signo? Para Saussure o signo é composto por duas
dimensões inseparáveis: significante e significado. Onde significante é a forma do
signo e o significado é a interpretação que essa forma produz. O termo Linguística
pode ser definido como a ciência que estuda os fatos da linguagem.
Saussure defendeu que o signo é dicotômico. Dicotomia é a divisão de um
elemento em duas partes, em geral contrárias, como a noite e o dia; o bem e o mal;
o preto e o branco; o céu e o inferno; etc.
Defendeu quatro dicotomias: língua e fala; sincronia e diacronia; significado e
significante; sintagma e paradigma (WIKIPÉDIA):

● Língua​ vs. ​Fala


Saussure efetua, em sua teorização, uma separação entre
Língua (​Langue)​ e Fala (​Parole)​ . Para ele, a Língua é um
sistema de valores que se opõem uns aos outros. Ela está
depositada como produto social na mente de cada falante de
uma comunidade e possui homogeneidade. Por isso é o
objeto da linguística propriamente dita. A Fala, no entanto, é
um ato individual e está sujeito a fatores externos, muitos
desses não linguísticos e, portanto, não passíveis de
análise.
● ​ iacronia
Sincronia​ vs. D
Ferdinand de Saussure enfatiza uma ​visão sincrônica​, um
estudo descritivo da linguística em contraste à ​visão
diacrônica da linguística histórica, a qual estudava a
mudança dos signos no eixo das sucessões históricas,
estudo este que era a maneira pela qual o estudo de línguas
era tradicionalmente realizado no ​século XIX​. Ao propor uma
visão sincrônica, Saussure procurou entender a estrutura da
linguagem como um sistema em funcionamento em um dado
ponto do tempo (recorte sincrônico).
● Sintagma vs. ​paradigma
O ​sintagma​, definido por Saussure como “a combinação de
formas mínimas numa unidade linguística superior”, surge a
partir da linearidade do signo, ou seja, ele exclui a
possibilidade de pronunciar dois elementos ao mesmo
tempo, pois um termo só passa a ter valor a partir do
momento em que ele se contrasta com outro elemento. Já o
paradigma é, como o próprio autor define, um "banco de
reservas" da língua, fazendo com que suas unidades se
oponham, pois uma exclui a outra.
● Significante vs. significado
O signo linguístico constitui-se numa combinação de
significante e significado, como se fossem dois lados de uma
moeda. O significante é uma "imagem acústica" (cadeia de
sons) e reside no plano da forma. O significado é o conceito
e reside no plano do conteúdo.

Em suma: a ​língua é uma construção social e a ​fala individual; ​sincronia é o


estudo da língua ao mesmo tempo e ​diacronia estuda a língua ao longo do tempo;
significado é o conceito ou ideia da palavra e o ​significante é uma imagem
acústica da palavra; ​sintagma é o eixo horizontal do discurso, a fala, com as
múltiplas possibilidades de combinação das palavras em frases e o ​paradigma é o
eixo vertical das escolhas (eixo por meio do qual se escolhe sempre a próxima
palavra que constituirá o discurso).
No texto ora resenhado, Bento (2006), apresenta cinco pontos de análise em
relação ao uso da semiologia como método de revisão de literatura em psicanálise,
entretanto, foi-nos solicitado abordar apenas os itens 1 e 2, sendo: 1) Saussure, a
Semiologia como Psicologia Social, o corte do signo e a Lingüística Estrutural; 2) A
diferença entre Semiologia e Lingüística em Saussure; 3) Lévi-Strauss, a
Antropologia estrutural e os mitos como língua, fala e sistema universal de signos;
4) A semântica em Saussure; e 5) A etimologia em Saussure.
Consideramos necessário a breve apresentação dos principais pontos de
discussão em Saussure para, assim, iniciarmos o desenrolar da resenha do texto
em questão.
O autor elabora uma revisão de literatura para discutir se a Semiologia de
Ferdinand de Saussure serve como embasamento para aplicação do método de
pesquisa de revisão de literatura em psicanálise.
Para tal, nos é apresentado definições de termos específicos que norteiam o
trabalho, como as palavras ‘método’, ‘semiologia’ com vistas a delimitar a
abrangência da ciência em discussão e o próprio objeto do estudo, a revisão de
literatura como método de pesquisa em psicanálise com base na Semiologia de
Saussure.
Bento, apresenta a definição inicial que Saussure deu à Semiologia como
sendo “uma ciência que estuda a vida dos signos no seio da vida social” dentro da
Psicologia social, mostrando o que são os signos e as leis que os regem. Como
signo é uma unidade linguística, que faz parte da Semiologia, cujas leis descobertas
serão aplicadas à linguística. ​Durante séculos a linguística histórica descrevia a
palavra como a união do signo linguístico com o referente (o objeto).
Este problema Saussurre solucionou mostrando que o signo linguístico não
une uma coisa ao seu nome, mas une um conceito — o significado — a uma
imagem acústica — o significante —, deixando de fora o referente — o objeto. Bem
próximo do que Freud já propusera desde o início de suas indagações psicológicas,
em 1891, mas que viria a deixar completamente claro, poucos anos mais tarde,
quando perguntou: “O que torna algo consciente?” E respondeu: “A união do
impulso às imagens acústicas.” (FREUD, 1915 e 1932).
Esse conceito em Freud ratifica o que Saussure afirma ser o signo linguístico,
não é algo que une uma coisa e uma palavra, mas um conceito e uma imagem
acústica (som); uma entidade psíquica de duas faces. O signo é dividido em dois
tipos​, os que são relativamente motivados, e os arbitrários, em que não há
motivação.
Diante da definição ambígua dada ao termo, Saussure mantém o termo signo
para designar o total, e substitui conceito e imagem acústica (som) por significado e
significante, respectivamente. Assim, com este corte (Corte Linguístico) na unidade
linguística - o signo - funda a natureza do signo e rompe com o pensamento
tradicional, valorizando a dimensão psíquica da imagem acústica (som).
A partir desta elaboração, tem-se a Semiologia, cujo objeto é o signo, como
parte da Psicologia social e, posteriormente, da Psicologia geral, fazendo nascer
uma nova fase na Linguística moderna, a Linguística Estrutural, que tem como
objeto um sistema de signos denominado língua e surge com a introdução da
dimensão sincrônica no estudo da língua.
Dessa forma, o estudo linguístico não se resume em uma perspectiva apenas
diacrônica, por considerar que a história de uma palavra pode não caber sua
significação presente, o que depende do sistema da língua. A linguística em
Saussure, valoriza uma sincronia diacrônica, permitindo que o sistema de signos
(sincronia das palavras) consegue dar conta de sua significação presente nas
relações entre seus próprios elementos, no caso, os signos.
Como estabelecer a diferença entre Semiologia, Linguística e o signo que
lhes é comum? A Semiologia pareceria ser concebida também como uma ciência
que estuda a língua, se confundindo assim com a Lingüística. É ao menos o que se
compreende à primeira vista quando se lê em particular as três passagens do autor
que serão citadas a seguir.
Primeiro, Saussure, aponta a diferença entre Semiologia e Linguística
apontando o objeto da Linguística: a língua, os fatos da língua.
Segundo, a Semiologia estuda a vida dos signos no seio social enquanto que
a Linguística abarca o signo em si. Desse modo entende-se que a Semiologia deixa
de ser a ciência principal e tem uma conotação de estar submissa à Linguística.
E, por fim, Saussure reforça a ideia da língua com sendo o principal dos
sistemas. Há aqui uma inversão: no lugar da Semiologia como ciência geral, onde a
Linguística é senão parte dela, Saussure coloca a Linguística, cujo objeto é a língua,
como sendo o padrão (geral) de toda Semiologia.
A Semiologia como uma ciência ainda em nascimento, tem o direito à um
rodízio de experimentos até sua completa construção de definições. Assim, a
inversão apresentada acima, propõe colocar a Semiologia não mais com ênfase na
língua, pois tratará colocar a Semiologia como ciência que estude a vida dos signos
no seio da vida social.
A diferença peculiar entre as línguas, como sistema particulares de signos,
objeto da Linguística, e os sistemas d e signos, objeto de uma Semiologia como
ciência geral, mas também reconhece a língua como um sistema particular de
signos e abandona a definição da Semiologia em nome de uma ciência geral de
signos.
Para Saussure:

“todas as línguas são sistemas de signos, mas a


recíproca não é verdadeira. Dito de outra maneira,
todos os sistemas de signos não poderiam se definir
como língua, posto que, por um lado, existiria certo
sistema de signos que, se situando além da língua,
a englobaria e a ultrapassaria (por analogia com a
idéia da Semiologia como ciência geral, da qual a
Lingüística e seu objeto - a língua - não seriam
senão uma parte), e que, por outro lado,
encontrar-se-iam também certos sistemas de signos
se situando aquém da língua, o que faz Saussure
dizer (em comparação com esses últimos sistemas -
é o que pareceria!) que a língua é "o mais
(complexo) e o mais difundido sistema de
expressão, (e) também o mais característico de
todos".

Desse modo, no que concerne essa oposição entre língua e fala,


compreende-se aqui que se a primeira corresponde à linguagem de um determinado
grupo social, a segunda é então a linguagem individual. Se se toma emprestado de
Saussure sua terminologia que valoriza a expressão "sistema", se poderia, de outra
maneira, caracterizar a língua e a fala como sendo, ambas, sistemas particulares de
signos, mesmo que elas se diferenciem entre si quanto ao grau de particularidade: a
primeira, menos particular, relativa a uma "massa falante", à dimensão humana e
social dos sistemas de signos, se restringindo assim a um grupo social particular, ao
"conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o
exercício dessa faculdade (da linguagem) nos indivíduos" (Saussure, 1916/1995b,
p.17), enquanto a segunda se limitaria aos sistemas individuais de signos.
Pelo que se pode entender, o procedimento semiológico começaria, num
primeiríssimo tempo, por fazer a Etimologia dos signos, isto é, pela "explicação das
palavras pela pesquisa de suas relações com outras palavras" (Saussure,
1916/1995b, p.220), procurando remontar seu passado até algo que as explique,
mas se esforçando para não se contentar em explicá-las isoladamente e, assim,
considerando a história de suas famílias, seus elementos formativos, prefixos,
sufixos, etc.
Num segundo tempo começariam as operações semiológicas propriamente
ditas. Valorizando-se uma abordagem radical, os signos seriam então estudados em
sua aparição original no contexto dos escritos clássicos, dos mitos, enfim, dos
legados sociais de caráter universal.
O terceiro tempo da Semiologia se daria com o investimento na Semântica.
As transformações posteriores dos sentidos originais dos signos seriam então
valorizadas. Contudo, mesmo aqui, a ênfase ainda parece estar colocada nesses
sentidos primordiais, pois, como diz Saussure (1916/1995b, p.89), apesar de o
"signo estar em condições de alterar-se porque se continua", "o que domina, em
toda alteração, é a persistência da matéria velha". Vê-se então a valorização de
uma Semiologia radical no sentido do valor ser colocado na raiz, na origem do
signo.