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EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA:

UMA REVISÃO DAS ESTRATÉGIAS UTILIZADAS EM ÂMBITO


ESCOLAR PARA PREVENÇÃO DA DENGUE

Michele Lafayette Pereira

Rio de Janeiro

Junho de 2018
Michele Lafayette Pereira

EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS E ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA:


UMA REVISÃO DAS ESTRATÉGIAS UTILIZADAS EM ÂMBITO
ESCOLAR PARA PREVENÇÃO DA DENGUE

Trabalho de Conclusão de Curso, TCC, apresentado ao Curso de

Graduação de Ciências Biológicas da UEZO como parte dos requisitos para

a obtenção do grau de graduação. Orientadora: Izabel Cristina dos Reis,

PhD Co-orientador: Daniel Cardoso Portela Câmara, PhD

Rio de Janeiro
Junho de 2018

ii
Página de aprovação

iii
Agradecimentos

Agradeço primeiramente a Deus por ter me permitido chegar até aqui;

Aos meus pais, por todo amor e incentivo incondicionais, minha eterna gratidão
e amor;

À minha família pelo apoio;

À todos os professores e coordenadores da Fundação Centro Universitário


Estadual da Zona Oeste, pela disponibilidade e dedicação ao ensinar e ajudar.

Aos meus queridos orientadores Izabel Cristina dos Reis e Daniel Cardoso
Portela Câmara por toda paciência, confiança e principalmente generosidade;

Às minhas queridas amigas Paula Lima e Thaiane Franklin pelo constante


incentivo e palavras de apoio;

Ao professor Ronaldo Figueiró por não me deixar desistir quando tudo parecia
perdido;

Ao meu companheiro de todas as horas, Almir Arruda de Andrade, pelo amor e


apoio incondicional;

Á Lilithy pelo companheirismo e aconchego madrugadas à dentro;

Este trabalho é dedicado à Maria de Fatima, que nunca nos deixará enquanto
estiver em nossos corações.

iv
RESUMO

A recente emergência dos vírus chikungunya e Zika associado à alta


endemicidade do dengue no Brasil têm imposto grandes desafios para as
vigilâncias epidemiológica, entomológica e virológica. O enfrentamento dessas
arboviroses depende de ações conjuntas e o envolvimento de diversos setores
tais como a educação. As escolas são fundamentais nesse processo, porque
possuem uma função social voltada para a transformação da sociedade por
meio do desenvolvimento e aprendizagem. Com isso, o objetivo desse trabalho
foi realizar a revisão integrativa da literatura sobre as ações de prevenção e
combate a dengue e analisar as estratégias desenvolvidas nos espaços
escolares. Como método de análise utilizou-se a revisão integrativa da
literatura porque permite reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre o
tema selecionado de maneira sistematizada, contribuindo para o
aprofundamento do conhecimento em relação ao assunto investigado. As
bases de busca foram Scielo e Biblioteca Virtual da Saúde. Ao todo foram
analisados 1.933 trabalhos científicos, dos quais, após a aplicação da
metodologia de inclusão e exclusão, seis trabalhos foram considerados
elegíveis para o estudo, destes apenas cinco trabalhos atenderam a todos os
requisitos definidos. Os cinco trabalhos selecionados foram desenvolvidos em
escolas públicas com alunos de diferentes segmentos escolares, alguns deles
tiveram a participação de profissionais de educação e agentes de combate a
endemias utilizando diversas estratégias como webconferencias, palestras,
peças teatrais, folhetos, entre outras. Como conclusão, os diferentes autores
corroboraram que a escola é um espaço importante para que seja possível
implementar estratégias de controle eficaz da dengue, porém é fundamental
que não sejam apenas iniciativas pontuais. Verificou-se também a necessidade
de mais publicação nacional no idioma português, desenvolvidos em escolas
que abordem os aspectos relacionados à transmissão da dengue e sua
prevenção, uma vez que a escola é o ponto de partida mais eficiente para a
educação voltada à saúde pública.

Palavras-chave: Dengue. Divulgação Científica. Letramento Científico. Escola.

v
ABSTRACT

The recent emergence of chikungunya and Zika viruses associated with the
high endemicity of dengue in Brazil has imposed major challenges for
epidemiological, entomological and virological surveillance. The control of these
arboviruses depends on joint actions and the involvement of diverse sectors
such as education. Schools are fundamental in this process because they have
a social function aimed at transforming society through development and
learning. Thus, the objective of this work was to carry out the integrative review
of the literature on the actions of prevention and combat dengue and to analyze
the strategies developed in the school. As method of analysis we used the
integrative literature review because it allows us to gather and synthesize
research results on the selected topic in a systematized way, contributing to the
deepening of knowledge regarding the subject investigated. The search
databases were Scielo and the Virtual Health Library. In all, 1,933 scientific
publish were analyzed, of which, after applying the inclusion and exclusion
methodology, six published were considered eligible for the study, of which only
five papers attended all requirements. The five selected works were developed
in public schools with students from different level, some of them had the
participation of education professionals and Combat Endemic Diseases Agents
using some strategies such as webconferences, lectures, plays, leaflets, among
others. As a conclusion, the different authors corroborate that the school is an
important place for the implementation of effective dengue control strategies,
but it is fundamental that it is not just specific initiatives. There was also a need
for more national publication in the Portuguese language, developed in schools
that address aspects related to dengue transmission and its prevention, since
school is the most efficient starting point for public health education.

Key words: Dengue fever. Scientific divulgation. Scientific Literacy. School.

vi
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1. Representação dos componentes das etapas da revisão


integrativa ........................................................................................................................................... 12

Figura 2. Representação do diagrama de fluxo dos estudos científicos


analisados ...........................................................................................................................................23

Figura 3. Representação de vaso de planta protegido com a capa Evidengue® ..... 38

vii
LISTA DE QUADROS E TABELAS

Quadro 1. Descritores utilizados para a busca na literatura realizada ao longo


do estudo........................................................................................................... 15

Quadro 2. Descritores isolados utilizados na busca de literatura e os resultados


obtidos em cada base de dados........................................................................ 16

Quadro 3. Descritores combinados em pares na busca da literatura e os


resultados obtidos em cada base de dados...................................................... 17

Quadro 4. Descritores combinados em trios na busca da literatura e os


resultados obtidos em cada base de dados...................................................... 18

Quadro 5. Número de publicações encontrado segundo a base de dados e


descritores......................................................................................................... 20

Quadro 6.Número de publicações encontrado segundo a base de dados e


descritores......................................................................................................... 21

Quadro 7. Distribuição dos estudos científicos segundo índice de referência,


período 2007 a 2017 ..........................................................................................24

Quadro 8. Distribuição dos estudos científicos segundo os descritores


educação em ciências e dengue e os índices de referências, período 2007 a
2017................................................................................................................... 25

Quadro 9. Descritores: educação em ciências e dengue................................. 25

Quadro 10. Distribuição dos estudos científicos segundo os descritores escola


e dengue e os índices de referências, período 2007 a 2017 .............................28

Quadro 11. Descritores: escola e dengue......................................................... 29

viii
SUMÁRIO

1. Introdução .................................................................................................... 1
2. Objetivos ...................................................................................................... 10
2.1. Objetivo geral ........................................................................................ 10
2.2. Objetivos específicos ............................................................................ 10
3. Metodologia .................................................................................................. 11
3.1. Elaboração da pergunta norteadora ....................................................... 12
3.2. Amostragem ou busca na literatura ...................................................... 13
3.3. Categorização dos estudos .................................................................... 18
3.4. Avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa ......................... 19
3.5. Interpretação dos resultados .................................................................. 21
3.6. Síntese do conhecimento e apresentação da revisão ............................ 22
4. Resultados e discussão................................................................................ 23
4.1 Descritores: „‟educação em ciências e dengue‟‟...................................... 25
4.2. Descritores: “escola e dengue‟‟ .............................................................. 27
5. Conclusões ................................................................................................... 43
6. Referências bibliográficas ............................................................................ 46

ix
1. Introdução

Doenças transmitidas por artrópodes, como os vírus dengue, chikungunya


e Zika, representam importantes doenças infecciosas reemergentes e
emergentes sendo considerados graves problemas de saúde pública mundial
(WHO, 1997).

Os três são arbovírus transmitidos entre humanos em meio urbano e


suburbano pelas mesmas espécies de mosquitos, Aedes aegypti (L.) e Ae.
albopictus (Skuse) e apresentam sintomas parecidos (RODHAIN, 1997). O
termo arbovírus, da expressão inglesa arthropod-borne virus, designa aqueles
vírus que são transmitidos por artrópodes vetores (RODHAIN, 1997).

No Brasil, a dengue é atualmente considerada a mais importante


arbovirose, tendo-se em conta tanto a sua morbidade quanto à mortalidade, e é
transmitida exclusivamente pelo mosquito Ae. Aegypti (BRAGA, 2007).

A dengue pode ser desde assintomática até ocasionar sintomas graves que
ofereçam risco à vida do paciente (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016). Segundo o
protocolo de 2015 para o manejo clínico dos pacientes com dengue
confeccionado pela secretaria de vigilância em saúde, a dengue, quando
sintomática, causa uma doença de amplo espectro clínico, podendo evoluir
para o óbito. Os pacientes podem passar por três fases: febril, crítica e de
recuperação. A febre tem duração de dois a sete dias, geralmente alta (39ºC a
40ºC), de início abrupto, associada à cefaleia, à adinamia, às mialgias, às
artralgias e a dor retroorbitária. O paciente pode apresentar também exantema
atingindo face, tronco e membros, além de plantas de pés e palmas de mãos,
anorexia, náuseas, vômitos entre outros sintomas dependendo do caso. Após a
fase febril, a maioria dos pacientes recupera-se gradativamente com melhora
do estado geral e retorno do apetite. Alguns pacientes, no entanto
desenvolvem a forma grave da doença e entre o terceiro e o sétimo dia do
início da doença e se observa o surgimento de sintomas graves, podendo
manifestar-se com extravasamento de plasma, levando ao choque, acúmulo de
líquidos com desconforto respiratório, sangramento grave ou sinais de

1
disfunção orgânica como o coração, os pulmões, os rins, o fígado e o sistema
nervoso central (SNC) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016.).

Segundo o boletim epidemiológico mais recente fornecido pela Secretaria


de vigilância em Saúde, entre janeiro e abril de 2018 no Brasil, foram
registrados 101.863 casos prováveis de dengue, com a região Centro-Oeste
apresentando o maior número de casos prováveis da doença (38.082), seguida
das regiões Sudeste (33.828casos), Nordeste (19.050), Norte (8.401casos) e
Sul (2.502 casos).

O Ae. aegypti, principal mosquitos vetor da dengue no Brasil e no mundo, é


um mosquito pequeno, escuro e com listras brancas, pertencente à família
culicidae, subfamília culicinae e tribo Aedini (HONÓRIO, 2003). É um mosquito
originário da África, que vive em regiões tropicais e subtropicais do globo e
segundo CONSOLI (1998), chegou ao Brasil no período colonial.

A fêmea do Ae. aegypti coloca seus ovos preferencialmente em recipientes


artificiais, tanto os abandonados pelo homem a céu aberto e que podem
receber água das chuvas, como os que são utilizados para armazenar água
para uso domiciliar. Essa oviposição será realizada com a condição de que a
água armazenada esteja limpa, e pobre em matéria orgânica em
decomposição. Esse hábito faz com que essa espécie seja extremamente
adaptada a ambientes urbanos e periurbanos (CONSOLI, 1998).

A importância sanitária do Ae. aegypti se deve também ao fato de que esse


artrópode pode transmitir, além da dengue, o vírus da febre amarela, e, dessa
forma, existe a preocupação com uma eventual reintrodução desse vírus em
ambientes urbanos (VAREJÃO, 2005).

O mosquito Ae. albopictus, é originário da Ásia e foi introduzido no Brasil


na década de 1980 (CONSOLI, 1998). Apresenta morfologia e capacidade de
proliferação semelhante a do Ae. aegypti. O Ae. aegypti coloniza
principalmentes ambientes urbanos, enquanto o Ae. albopictus se espalha com
facilidade no ambiente rural e periurbano, demonstrando capacidade de
dispersão em áreas urbanas(CONSOLI, 1998). Apesar de não haver nenhum

2
registro de exemplares de Ae. albopictus com o vírus dengue no país, existem
pesquisas que monitoram as características e crescimento de sua população
(FIOCRUZ .2018)

Em 1955, após um intenso enfrentamento, o Ae. aegypti foi considerado


erradicado no Brasil, devido aos esforços para controle da febre amarela. A
reintrodução desse mosquito no país aconteceu, provavelmente, pela não
erradicação do mesmo nos países vizinhos, fazendo com que o mosquito
cruzasse novamente as fronteiras do território nacional (BRAGA, 2007).

No Brasil, a transmissão da dengue vem ocorrendo de forma continuada


desde 1986, tendo o maior surto registrado em 2013, com aproximadamente 2
milhões de casos notificados. Atualmente, circulam no país os quatro sorotipos
existentes da doença (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2018).

Segundo Costa (1998) os centros urbanos normalmente são regiões que


apresentam condições favoráveis à difusão do vírus da dengue. Com seu
grande contingente populacional, somado à complexidade dos problemas
sociais e políticos que interferem na qualidade ambiental e de vida, se colocam
como locais de importância estratégica no controle e prevenção da doença. O
autor ainda expõe que condições socioambientais deficitárias, como moradia,
adensamento populacional e saneamento ambiental, se tornam fatores de risco
para a ocorrência de dengue nesses locais.

Ao longo dos anos o Brasil propôs diversas estratégias de controle do


mosquito vetor, juntamente com ações de conscientização da população.
Segundo Tauil (2001), as melhores estratégias para o controle do vetor
incluiriam intensa mobilização comunitária, divulgação de informações por
todos os meios de comunicação modernos, além de um processo continuado e
sustentado de educação em saúde.

Em seu trabalho, Neto (1998) debateu como alguns desses recursos para
promover a divulgação das informações sobre dengue são percebidos pela
população. O autor mostra como a veiculação de mensagens pela mídia,

3
atividades com multiplicadores, reuniões em sociedades de amigos de bairros,
igrejas e creches; uso de outdoors, faixas, painéis, cartazes, entre outros
buscam definir um nível de conhecimento satisfatório e a tentativa de passá-lo
para a população, supondo que, uma vez adquirido, causará mudanças de
hábitos, levando a ações que visem uma diminuição na população de vetores e
consequentemente dos casos registrados da doença.

O problema dessas ações, segundo o autor, é que essas tentativas de


conscientização não levam em consideração o conhecimento e percepção
anterior da população sobre o problema, nem incentivam a sua participação na
elaboração das atividades educativas ou promovem qualquer discussão com a
comunidade sobre suas prioridades. Foram ainda observadas discrepâncias
entre conhecimentos e práticas, isto é, muitas vezes obter o conhecimento
sobre prevenção não implica necessariamente na mudança de algumas
práticas que geram situações de exposição ao vetor.

Apesar de suas vantagens, deve-se pensar na participação da comunidade


como uma das medidas de controle disponíveis e associá-la a outras atividades
educativas. As ações comunitárias precisam estar conectadas com as
atividades de rotina dos serviços governamentais (LEONELLO & L'ABBATE,
2006)

Segundo Aerts (2004), a escola, representa um local socialmente


reconhecido para desenvolver o ato pedagógico, onde o indivíduo passa uma
boa parte da sua vida. Essa instituição tem um papel fundamental na
contribuição da construção de valores pessoais e comunitários, dentre esses, o
da saúde. A educação pode ser pensada como um processo dialógico,
problematizador e inclusivo, que visa à construção da consciência crítica sobre
si mesmo e o sobre o outro (AERTS, 2004). Nesse sentido, a escola pode ser
um espaço essencial para o controle de doenças transmitidas por vetores
devido a diversos motivos como, por exemplo, o envolvimento da população
por ter representatividade de famílias locais; muitos aspectos da doença como
a biologia e ecologia do vetor, oferecem excelente material didático para
trabalhos, até mesmo, interdisciplinares; aproximação do problema com a

4
comunidade e a escola e maior probabilidade de mudanças de atitude de um
modo geral (REGIS et al., 1995).

A escola contribui na construção de valores pessoais, crenças, conceitos e


maneiras de conhecer o ambiente que cerca o aluno e interfere diretamente na
produção social da saúde, na medida em que atua na exclusão ou na inclusão
social, sendo também um espaço em que os indivíduos estão mais suscetíveis
à reflexão sobre esses aspectos (AERTS, 2004)

Sem dúvidas, a escola pode ser considerada como um estratégico lugar


para que se desenvolvam programas de Promoção e Educação em Saúde de
amplo alcance e repercussão, já que exerce uma grande influência sobre seus
alunos nas etapas formativas e mais importantes de suas vidas (GONÇALVES,
2008).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), quando abordam o tema


transversal saúde, preconizam que as instituições devem incorporar os
princípios de promoção da saúde indicados pela Organização Mundial da
Saúde (OMS), tendo os objetivos de fomentar a saúde e o aprendizado em
todos os momentos; integrar profissionais de saúde, educação, pais, alunos e
membros da comunidade, buscando o bem estar individual e coletivo.

Dessa forma, Chassot (2002) ajuda a entender que a alfabetização


científica pode significar um meio para que a grande maioria da população
possa dispor de conhecimentos científicos e tecnológicos necessários para se
desenvolver na vida diária, ajudando a reconhecer e defrontar os problemas e
as necessidades de saúde e sobrevivência básica, tomando consciência das
complexas relações entre ciência e sociedade.

Sasseron (2011) através de uma revisão bibliográfica comenta sobre a


contribuição de diversos autores para então chegar a uma definição do termo
„‟alfabetização científica‟‟ ou “Letramento Científico” que traduz um ensino de
Ciências que busca formar cidadãos para o domínio e uso dos conhecimentos
científicos e seus desdobramentos nas mais diferentes esferas de sua vida. É
um aprendizado com o intuito de levar benefícios práticos para as pessoas, a

5
sociedade e o meio-ambiente, porém, é importante fundamentar que a
compreensão da alfabetização científica está atrelada e apoiada na
alfabetização plena da língua materna (TEIXEIRA, 2013). De acordo com esse
conceito pode ser interessante e bastante eficaz tornar a alfabetização
científica uma importante aliada no combate a dengue. Segundo Einsfeld
(2009) é importante realizar ações escolares eficazes na construção de
conhecimentos básicos que possam ajudar a combater problemas relevantes
como a dengue e as demais doenças.

Sasseron & Carvalho (2008) partem da premissa de que é necessário


iniciar o processo de alfabetização científica desde as primeiras séries da
escolarização, e assim, permitir que os alunos se envolvam no processo de
construção do conhecimento e debate de ideias que envolvem sua realidade.

No que diz respeito ao caráter disciplinar da alfabetização científica,


Cachapuz (2004) deixa claro que a educação em ciências é um conceito
completo e ainda em formação, e que a construção deste conceito está
fortemente interligada as outras diversas áreas disciplinares. O conceito em si
estaria no centro de uma rede de interdisciplinas que levariam a comunidade
escolar à promoção de uma cultura científica. Para este autor, a educação em
ciências deveria abranger os contextos de descobertas em relação a disciplinas
como história e filosofia de cada momento científico, abrindo espaço para
questionamentos, debates e refutação de teorias. Somadas a estas, sociologia
e ética são também fundamentais, tendo em vista como o avanço tecnológico
afetam as pessoas ao nível de indivíduo e comunidade e entender como esse
saber foi e pode ser construído além do conteúdo científico propriamente dito.
Cachapuz (2004) aponta que uma das questões mais importantes no debate do
ensino de ciências é o „para que?‟ e não somente „o que?‟ ou „como?‟, tendo
o intuito de responder como é que aqueles conteúdos apresentados em sala de
aula são aplicáveis no contexto cotidiano e prático de cada um. O pensamento
do autor é de que, se não for possível responder as questões referentes à
como a ciência pode ser útil ao cotidiano de cada um, seria difícil entusiasmar o
jovem para o estudo científico, além disso, a compreensão do mesmo e sua
utilidade também ficariam comprometidas, aumentando assim a distância entre
a pesquisa e a maior

6
parcela da sociedade. O autor afirma que o aluno cientificamente culto faz mais
do que absorver conteúdos, mas é capaz de ser um indivíduo autônomo nas
tomadas de decisão que dizem respeito à saúde de si e do próximo.

Dentro do universo de educação em saúde, letramento científico e


educação em ciências, surgem ainda outros conceitos como o de comunicação
científica. Este conceito também é empregado de diferentes formas por
diferentes autores. Para Albagli (1996) e Bueno (2010), a comunicação
científica tem como intuito a propagação de informações especializadas entre
pares, com o objetivo de informar a comunidade científica em áreas específicas
ou à elaboração de novas teorias ou refinamento das existentes. Para este
trabalho, foi levado em consideração às definições de Ziman (1986), Costa
(2000) e Bizzo (2012), que entendem a comunicação científica em sala de aula
como uma ferramenta de aproximação entre a ciência e o aluno, e na área de
educação em saúde, como a ferramenta necessária para que os profissionais
de saúde possam exercer sua função de forma abrangente.

Ziman (1986) faz uma síntese pertinente sobre os temas, educação em


ciência e letramento científico: „‟A ciência é mais do que um corpo de
informação é um modo de acumular e validar essa informação. É também uma
atividade social que incorpora certos valores humanos‟‟. Na prática desses
conceitos em sala de aula, é importante levar em consideração a comunicação
científica, que diz respeito á transferências de informações, assim, a principal
busca do ensino de ciências deve ser o entendimento e a compreensão do
ouvinte e não o vocabulário, minimizando a utilização de termos técnicos sem
com isso prejudicar o conteúdo da informação. Marinus (2014) desenvolveu um
trabalho que diz respeito à comunicação em práticas educativas, que sugere
que fatores como linguagens e saberes diferentes, limitações orgânicas do
receptor ou emissor (afasias, déficit auditivo, déficit visual), diferenças
socioculturais e o estágio de desenvolvimento cognitivo e intelectual dos
diversos atores sociais, influenciam a comunicação. Esta autora chega a
conclusão que essas precisam ser aproximadas para que a troca de
informação possa acontecer, porém, ressalta que a competência para trocar
esses saberes não é uma habilidade inata. É necessário que o tema seja

7
abordado nos espações de formação de profissionais, e que essa ação envolva
não só a transmissão de uma mensagem clara, como a capacidade de ouvir e,
dessa forma, sair de fato da dinâmica de transmissão de conceitos de forma
vertical, para começar a considerar o saber do aluno e toda sua complexidade.

Hoje, a maioria das ações de educação para a saúde baseiam-se em


métodos transmissionais, focando nos processos biológicos das doenças, além
da supervalorização do comportamento individual, marcado por
recomendações de condutas onde não se vincula tais ações a contextos
socioeconômicos e coletivos, que muitas vezes podem atuar como a causa
direta ou indireta do agravo (SAMPAIO, 2000).

A falta de articulação entre saúde e educação é, em parte, responsável


pelo não reconhecimento público de ciência como um bem a serviço do estado
de saúde (SAMPAIO, 2000). Tanto na área de educação quanto na área de
saúde, o enfoque predominantemente é curativo em detrimento do preventivo.
A ausência de conexão entre os educadores e os membros da comunidade, a
falta de abordagens multidisciplinares, e a falta de qualificação, muitas vezes,
são entraves para que possa haver o desenvolvimento conjunto dessas duas
áreas (BARBOSA, 2015).

Apesar de muitos trabalhos revelarem que a participação comunitária nos


programas e aquisição de conhecimentos não implica necessariamente na
aquisição de práticas preventivas, é possível achar na literatura trabalhos onde
a ação da comunidade integrada com a escola pôde gerar mudanças na saúde
e qualidade de vida das pessoas envolvidas. Como exemplo, pode-se citar o
projeto Finlay desenvolvido pelo Laboratório de Ensino de tecnologia (LECT) da
Escola do Futuro da Universidade de São Paulo, elaborado no ano de 1998 e
implementado em algumas escolas brasileiras a partir do ano de 1999. O
projeto, posteriormente analisado por Gouw (2009) foi considerado bem-
sucedido por ter promovido a participação ativa da comunidade, onde os
próprios membros se tornam promotores de saúde local, procurando locais que
acumulam água e propondo alternativas para o problema em seus domicílios.
Dessa forma, não só apontaram o problema, mas geraram discussões de forma
conjunta acerca de soluções viáveis. Assim, o trabalho se estendeu até

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os domicílios ultrapassando os limites escolares. A autora destaca ainda que
mudar atitudes requer uma nova atuação, e esta nova forma de elaboração de
projetos pode ser alcançada através de programas e estratégias que buscam
valorizar e desenvolver o espaço escolar (VALLA, 1992).

Deve-se pensar na participação da comunidade como uma das medidas de


controle disponíveis e associa-la a outras atividades, e essas ações
comunitárias precisam estar conectadas com as atividades de rotina dos
serviços governamentais, de forma a potencializar as ações de controle de
arboviroses e seus vetores, especialmente, dengue, chikungunya e Zika e seu
principal vetor, o mosquito Ae. Aegypt (EINSFELD, 2009).

9
2. Objetivos

2.1. Objetivo geral

 Entender como a divulgação científica e o letramento científico podem ser


utilizadas como estratégias para prevenção da dengue no âmbito escolar.

2.2. Objetivos específicos

 Identificar quais são os profissionais envolvidos nas ações de prevenção


e combate a dengue nas escolas.

 Identificar as estratégias desenvolvidas para a capacitação de alunos e
profissionais da educação.

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3. Metodologia

O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa, que consiste na


construção de uma análise ampla da literatura, contribuindo para discussões
sobre métodos e resultados que vão dar suporte para tomada de decisão, além
de apontar lacunas do conhecimento que precisam ser preenchidas com a
realização de novos estudos (MENDES et al., 2008).
A revisão integrativa pode ser considerada como uma das mais amplas
abordagens referente às revisões, pois permite a inclusão simultânea de
estudos experimentais e não experimentais, proporcionando uma compreensão
mais completa do tema de interesse (WHITTEMORE & KNAFL, 2005). Além
disso, combina dados da literatura teórica e empírica, incorporando um vasto
leque de propósitos como definições de conceitos, revisão de teorias e
evidências, e análise de problemas metodológicos de um tópico particular
(MENDES et al., 2008; SOUZA et al., 2010). Essa metodologia se sustenta
sobre um trabalho minucioso de pesquisa e obtenção de dados a partir da
literatura científica disponível. Elaborar um trabalho utilizando esse método
gera ampla compreensão sobre o conhecimento específico do tema e pode ser
um ponto de partida para a definição de novas teorias e pesquisas no assunto
(BOTELHO, 2011).
Souza et al. (2010) estabelecem uma visão geral sobre a revisão
bibliográfica, dividindo-a em três tipos de estudo: a meta-análise, a revisão
sistemática e a revisão integrativa. Cada uma delas possui característica
própria que vão atender a diferentes tipos de perguntas e objetiva definida
pelos autores. A meta-análise é considerada mais específica e lança mão de
metodologia estatística para analisar e integrar os resultados de diferentes
estudos independentes, os quais precisam possuir delineamento e hipóteses
similares ou idênticas, com objetivo de combinar e/ou resumir estes. A revisão
sistemática é o passo anterior a uma meta-análise, com o objetivo de reunir um
banco de dados de trabalhos publicados, com o objetivo de analisar
criticamente sua metodologia e obtenção de resultados, com objetivo de
responder a uma pergunta. A revisão integrativa segue um rigoroso método de
busca e seleção de trabalhos, avaliação de sua relevância e validade dos
resultados apresentados, além da coleta, síntese e interpretação destes. Ao

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integrar tanto a análise de literatura teórica e empírica, permite aos autores
definir conceitos, revisar teorias e evidências acumuladas, e também analisar
problemas metodológicos identificados.
A revisão integrativa é composta por seis etapas que precisam ser
claramente descrita e rigorosamente respeitada. As etapas são: 1)
estabelecimento da hipótese ou questão de pesquisa, 2) amostragem ou busca
na literatura, 3) categorização dos estudos, 4) avaliação dos estudos incluídos
na revisão, 5) interpretação dos resultados, 6) síntese do conhecimento ou
apresentação da revisão (MENDES et al., 2008; SOUZA et al., 2010).

Figura 1. Componentes das etapas da revisão integrativa. Fonte: MENDES et


al., 2008.

3.1. Elaboração da pergunta norteadora

Essa etapa diz respeito à definição de um problema a ser pesquisado e a


formulação de uma hipótese ou pergunta norteadora da pesquisa. A pergunta
norteadora deve ser elaborada de forma clara e específica, e relacionada a um
raciocínio teórico, incluindo teorias e raciocínios já aprendidos pelo
pesquisador, pois influencia a escolha dos estudos, a extração de informações

12
e análise, bem como dela derivam as palavras chave (BROOME, 1993; SOUZA
et al., 2010).

Para o presente trabalho, definiu-se a seguinte pergunta norteadora: Como


a divulgação científica e o letramento científico são transformados em
práticas na prevenção da arbovirose dengue, no âmbito escolar?

3.2. Amostragem ou busca na literatura

Após a identificação do problema, inicia-se a busca ampla e diversificada


utilizando as bases de dados disponíveis, sejam eletrônicas, impressas, busca
nas referências citadas, dentre outras, obedecendo estritamente à pergunta
norteadora definida na etapa anterior. De acordo com Souza et al. (2010), “os
critérios de amostragem precisam garantir a representatividade da amostra,
sendo importantes indicadores da confiabilidade e da fidedignidade dos
resultados”.

Durante os meses de fevereiro a abril de 2018, realizou-se um


levantamento bibliográfico utilizando diferentes bases de dados online
importantes na área da saúde, com acesso eletrônico gratuito, como Scientific
Electronic Library Online (SCIELO) e a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Em
cada base de dados, foi utilizada uma estratégia específica de busca, visando
atender as peculiaridades, características e ferramentas disponíveis em cada
uma delas tendo como eixo norteador a pergunta e os critérios de inclusão,
previamente estabelecidos para manter a coerência na busca dos artigos e
evitar possíveis vieses.

O SCIELO é uma biblioteca eletrônica que possui um acervo de periódicos


científicos majoritariamente brasileiros, disponíveis principalmente nos idiomas
português, inglês e espanhol. A elaboração dessa plataforma iniciou-se a partir
de um projeto de pesquisa da fundação de amparo à pesquisa do Estado de
São Paulo (FAPESP) com o apoio do Centro Latino-Americano e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde (BIREME) e em seguida passou a contar
com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq) (SCIELO, 2018).

13
A Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) foi criada pelo Centro Latino-
americano de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), e também é um
banco de dados científicos online. Por ser gratuita, possibilita a cooperação de
instituições, sistemas, redes e iniciativas de produtores, intermediários e
usuários na operação de redes de fontes de informação. O conteúdo disponível
online inclui bases de dados referenciais, diretórios de especialistas, eventos e
instituições, catálogo de recursos de informação, coleções de textos completos,
revistas científicas, fontes de informação em educação, materiais didáticos,
indicadores, notícias, listas de discussão e apoio a comunidades virtuais. Seus
dados e fontes de informação estão compostos de bibliografias produzidas pela
Rede BVS, como Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da
Saúde (LILACS), além da base de dados Medline e outras, tais como recursos
educacionais abertos, sites de internet e eventos científicos. As fontes de
informação são selecionadas de acordo com critérios aprovados pela Rede. O
índice é atualizado semanalmente a partir da coleta de metadados das fontes
de informação da coleção (BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE, 2018)

Os critérios de inclusão foram definidos como:

 Trabalhos indexados nas bases SCIELO e BVS;



 Publicações nacionais, divulgados em língua portuguesa;

 Trabalhos publicados no período de 2007 a 2017;

 Trabalhos caracterizados como monografias, dissertações, teses, artigos
ou livros;

 Publicações disponíveis na íntegra;

 Publicações relacionadas à temática da pergunta norteadora.

Os critérios de exclusão foram definidos como:

 Publicações repetidas nas bases de dados;



 Publicações com metodologia confusa e/ou insuficiente para a
compreensão da obtenção dos resultados;

 Publicações com apresentação insuficiente de resultados;

 Publicações referentes a editoriais opiniões e comentários, além de
resumos de congressos.
14
A partir da leitura do titulo e de seus resumos, os trabalhos foram
selecionados ou descartados. Nas ocasiões onde esses conteúdos não
estavam claros sobre serem pertinentes ou não a pergunta norteadora,
realizava-se uma leitura na íntegra do texto.

Para o levantamento da literatura de interesse da pesquisa foram utilizados


descritores tanto isolados quando combinados em pares ou trios como
descritos abaixo.

Quadro 1. Descritores utilizados para a busca na literatura realizada ao longo


do presente estudo.

Descritores de busca

Divulgação científica

Letramento científico

Educação em saúde X Dengue

Educação em ciências

Escola

A partir dos descritores acima, a primeira etapa da busca envolveu a


utilização dos descritores isolados em cada base de dados, o que resultou em
504.278 períodos conforme mostra o Quadro 2.

15
Quadro2. Descritores isolados utilizados na busca de literatura e os resultados
obtidos em cada base de dados

Base de dados
Descritores

SCIELO BVS

Divulgação científica 399 1.183

Letramento científico 20 4

Educação em saúde 8.932 356.303

Educação em ciências 2.185 13.192

Escola 15.473 79.758

Dengue 2.041 24.788

Devido a grande quantidade de publicações encontradas na etapa anterior,


os descritores foram combinados em pares em cada busca, de modo a
restringir o número de publicações (Quadro 3).

16
Quadro 3. Descritores combinados em pares na busca da literatura e os
resultados obtidos em cada base de dados.

Base de dados

Descritores
BVS
SCIELO

Divulgação científica e
3 0
letramento científico

Divulgação científica e
32 166
educação em saúde

Divulgação científica e
30 36
escola

Educação em saúde e
1.086 11.650
escola

Divulgação científica e
0 8
dengue

Letramento científico e
0 0
dengue

Educação em saúde e
56 1.012
dengue

Educação em ciências e
3 14
Dengue

Escola e Dengue 4 69

De modo a restringir ainda mais o número de publicações relacionadas à


pergunta norteadora da presente pesquisa, uma terceira busca foi realizada,
dessa vez, combinando trios de descritores (Quadro 4).

17
Quadro 4. Descritores combinados em trios na busca da literatura e os
resultados obtidos em cada base de dados.

Base de dados
Descritores

BVS
SCIELO

Divulgação científica e
letramento científico e 0 0
dengue

Divulgação científica e
0
educação em saúde e 3
dengue

Divulgação científica e
0 1
escola e dengue

Educação em saúde e
4 30
escola e dengue

Educação em ciências e
1 3
escola e dengue

3.3. Categorização dos estudos

Para a extração dos dados a partir dos artigos selecionados durante a


revisão integrativa, é necessário que um instrumento seja elaborado, de forma
que seja “capaz de assegurar que a totalidade dos dados relevantes seja
extraída, minimizar o risco de erros na transcrição, garantir precisão na
checagem das informações e servir como registro” (SOUZA et al., 2010).

Para atender os objetivos desse estudo, elaborou-se um instrumento de


forma a realizar a extração de dados de cada publicação selecionada. O

18
instrumento foi construído pela autora desse trabalho e seus orientadores,
contendo os seguintes campos:

 Título;

 Objetivo;

 Resumo;

 Ano;

 Plataforma;

 Tipo de publicação;

 Abordagem utilizada;

 Principais resultados.

Após a utilização do instrumento de busca, realizou-se a leitura crítica das


publicações selecionadas para identificação de elementos relacionados a
pergunta norteadora. Posteriormente, os trechos selecionados foram
agrupados de acordo com o tema central e cruzamento de descritores.

3.4. Avaliação dos estudos incluídos na revisão integrativa

A avaliação e análise dos estudos exigem tempo e conhecimento do


pesquisador. As literaturas selecionadas devem ser analisadas criticamente em
relação aos critérios de autenticidade, qualidade metodológica, importância das
informações e representatividade procurando e elaborando explicações para
possíveis resultados conflitantes (WHITTEMORE, 2005; MENDES et al., 2008).
deve ser realizada de forma crítica.

Nesta etapa, após a combinação em pares e trios, tendo como base o


critério de seleção e a pergunta norteadora foram selecionados 6 publicações
nas combinações em pares e 0 publicações nas combinações em trios
(Quadros 5 e 6).

19
Quadro 5. Número de publicações encontrado segundo a base de dados e
descritores no período de 2007 a 2017.

Base de dados
Descritores

SCIELO BVS

Divulgação científica e
0 0
letramento científico

Divulgação científica e
0 0
educação em saúde

Divulgação científica e
0 0
escola

Divulgação científica e 1
0
dengue

Letramento científico e
0 0
dengue

Educação em saúde e
0 0
dengue

Educação em ciências e
0 1
Dengue

Escola e dengue 0 4

20
Quadro 6. Número de publicações encontrado segundo a base de dados e
descritores no período de 2007 a 2017.

Base de dados
Descritores

SCIELO BVS

Divulgação científica e
letramento científico e 0 0
dengue

Divulgação científica e
educação em saúde e 0
0
dengue

Divulgação científica e
0 0
escola e dengue

Educação em saúde e
0 0
escola e dengue

Educação em ciências e
0 0
escola e Dengue

3.5. Interpretação dos resultados

Nessa etapa, fundamental, apresenta-se a intepretação e síntese dos


resultados obtidos com a seleção das publicações, comparando-se os
resultados evidenciados ao referencial teórico. Nessa etapa, também é
possível identificar lacunas não preenchidas na temática estudada, além de ser
possível delimitar prioridades para estudos futuros (SOUZA et al., 2010). Ainda
de acordo com Souza et al. (2010), “para proteger a validade da revisão
integrativa, o pesquisador deve salientar suas conclusões e inferências, bem
como explicitar os vieses”.

21
3.6. Síntese do conhecimento e apresentação da revisão

Nessa etapa, os autores apresentam o documento que contempla a


descrição das etapas percorridas e os principais resultados evidenciados na
revisão integrativa (MENDES et al., 2008).

No presente trabalho, as etapas referentes a interpretação dos resultados e


a síntese do conhecimento e apresentação da revisão (respectivamente, o
quinto e o sexto passo de uma revisão integrativa) serão apresentados no
capítulo de resultados do estudo. De acordo com Souza et al. (2010), “a
apresentação da revisão deve ser clara e completa para permitir ao leitor
avaliar criticamente os resultados. Deve conter, então, informações pertinentes
e detalhadas, baseadas em metodologias contextualizadas, sem omitir
qualquer evidência relacionada”.

22
4. Resultados e discussão

O levantamento realizado identificou 1.933 estudos científicos no período


de 2007 a 2017, dos quais apenas cinco foram incluídos, utilizando todos os
critérios de inclusão e exclusão estabelecidos nesse presente estudo.

Figura 2. Diagrama de fluxo dos estudos científicos analisados.

Todos os estudos científicos foram encontrados na Biblioteca Virtual em


Saúde (BVS), ferramenta de busca que mais retornou resultados na área de
educação em saúde, de acordo com o Quadro 7.

23
Quadro 7. Distribuição dos estudos científicos segundo base de dados,
período 2007 a 2017.

Estudos científicos Scielo BVS


Encontrados 919 1.014
Pré-selecionados 1 5
Excluídos 918 1.109
Selecionados 0 5

Dentre os cinco trabalhos selecionados, três foram artigos científicos e dois


foram dissertações de mestrado. Quanto ao desenho de estudo, todos os
trabalhos selecionados foram experimentais, onde o objeto de estudo é
submetido a certas variáveis, para que seja possível observar os resultados a
serem a analisados e discutidos (GIL, 2008).

Todos os estudos encontrados foram realizados em escolas públicas com


alunos de diferentes segmentos escolares, com alguns desses trabalhos tendo
a participação de profissionais da educação, como coordenadores de escolas e
professores, e outros de agentes comunitários de endemias. O envolvimento
dos profissionais da educação nesses estudos demonstra a necessidade de
educação continuada e não apenas pontual ao se tratar da dengue. Oliveira et
al. (2012) em uma ação educativa realizada no munícipio de Itaboraí e no
município do Rio de Janeiro com o intuito de investigar a utilização da
linguagem teatral como estratégia de prevenção da dengue, aponta que as
ações isoladas das diversas instâncias envolvidas nas ações de promoção da
saúde pode fazer parecer que somente um desses grupos de profissionais ou
alunos seja responsável pelos sucessos e fracassos do combate à dengue. No
entanto, é necessário discutir e exemplificar que a combinação de apoios de
diferentes setores governamentais e grupos civis é essencial no processo de
prevenção e combate à dengue.

24
4.1 Descritores: ‘’educação em ciências e dengue’’

A partir dos descritores „‟educação em ciências e dengue‟‟ foram


encontrados 17 resultados, mas apenas um trabalho apresentou os critérios de
inclusão estabelecidos como pode se observar no quadro 8.

Quadro 8. Distribuição dos estudos científicos segundo os descritores


Educação em ciências e dengue e as bases de dados, período 2007 a 2017.

Estudos científicos Scielo BVS


Encontrados 3 14
Pré-selecionados 1 1
Excluídos 3 13
Selecionados 0 1

Os estudos científicos incluídos com os descritores „‟educação em ciência


e dengue‟‟ são apresentados no quadro sinóptico segundo seus descritores
contendo informações sobre os autores, ano, título dos estudos e
delineamento.

Quadro 9. Descritores: Educação em ciências e dengue

Título Educação em saúde e o combate à dengue: um relato


de experiência‟
Autores Sheylla Nayara Sales Vieira , Lays Santos França ,
Juliana de Jesus Peixoto Lima , Fernanda Santos
Souza e Saluana de Queiroz Cardim.
Ano 2017
Método Apresentações orais, atividades práticas, material
informativo e educativo e peça de teatro lúdico.
Principais Resultados Maior conhecimento e domínio do público alvo, além de
identificação da profilaxia da dengue e a melhor forma
de combate

25
O artigo de Vieira et al. (2017) intitulado „‟Educação em saúde e o combate
à dengue: um relato de experiência‟‟ atendeu a todos os requisitos de inclusão
do presente trabalho, como janela temporal, idioma, tipo de trabalho e
abordagem do tema. As atividades foram desenvolvidas na escola Municipal do
Curral Novo localizada na cidade de Jequié na Bahia em agosto de 2016 com
alunos do ensino fundamental I, de 1º a 4º série com o objetivo de identificar e
relatar a percepção de alunos do ensino fundamental sobre as práticas de
prevenção da dengue, além de formar multiplicadores de conhecimento.

O estudo foi do tipo descritivo, consistindo em um relato de experiência,


realizado por alunos do curso de bacharelado em Enfermagem da Faculdade
de Tecnologia e Ciências (FTC).

Os autores dividiram o estudo em duas etapas. Na primeira, o conteúdo foi


apresentado de forma resumida, através da interação oral com os alunos, de
forma a perceber o conhecimento que os mesmos já possuíam sobre dengue.
Já na segunda, foram realizadas palestras, apresentações orais, atividades
práticas e distribuição de material informativo e educativo aos alunos. Esse
estudo contou com a participação de Agentes de Combate às Endemias (ACE)
apresentando uma peça de teatro lúdico abordando o tema dengue. A
comunidade escolar além de conhecer mais sobre os aspectos gerais das
arboviroses dengue, Zika e chikungunya obteve acesso ao número de casos de
dengue distribuídos na cidade e aos dados de infestação predial, que expressa
o percentual de imóveis positivos, isto é, com depósitos contendo larvas de Ae.
aegypti, dentre os imóveis inspecionados em uma determinada área.

Os autores destacam a importância da escola como espaço favorável para


práticas e discussões de atividades voltadas a educação e saúde e da
integração e articulação intersetorial das secretárias de saúde e de educação
sobre a prevenção com ações de educação em saúde em arboviroses. Outros
estudos também discutem a importância das ações intersetoriais das
secretárias de educação e saúde como alternativas válidas para a melhoria de
vida das comunidades (MORI & OGATA, 2010; GOMES, 2014, SILVA &

26
BODSTEIN, 2016; TAVARES et al.; 2017). A articulação de políticas que
valorizem as contribuições intersetoriais, assim como a participação da
sociedade civil, privilegiam a construção de saberes e práticas que formam
uma união de capacidades, recursos e responsabilidades para produzir
transformações efetivas nas condições geradoras de vulnerabilidade das
populações jovens (SOUZA et al., 2012; LEITE DE SOUZA et al., 2012).

Segundo Vieira et al. (2017), seu estudo resultou no conhecimento e


domínio dos alunos do ensino fundamental I sobre a profilaxia da dengue e a
melhor forma de combate-la.

Segundo Forattini (2004), a educação em saúde é um instrumento


essencial para fomentar o diálogo entre os saberes científicos e populares,
principalmente por meio da educação popular, em que os espaços para
discussão e troca de conhecimentos são estimulados. Dessa forma, as ações
realizadas pelos envolvidos no trabalho „‟Educação em saúde e o combate à
dengue: um relato de experiência‟‟, proporcionaram um novo olhar sobre a
dengue para os pesquisadores e para população, pois quando o ensino não
acontece de forma verticalizada esse processo é facilitado, gerando uma
parceria entre os setores da comunidade, que de acordo com o autor, é
fundamental na prevenção de doenças transmitidas por vetores.

Silva et al. (2008) também usa atividades lúdicas em seu trabalho „‟Jogos
virtuais no ensino: usando a dengue como modelo” para chegar a resultados
positivos com alunos do Rio de Janeiro e Bahia. A autora salienta que muitas
vezes o processo ensino-aprendizagem tradicional não atendem as
expectativas dos alunos, nem conseguem despertar seu interesse por isso a
necessidade de ações educativas que proporcionem interação e dinamismo.

4.2. Descritores: “escola e dengue’’

A partir dos descritores „„escola e dengue‟‟ foram encontrados 21


resultados, dentre esses, quatro foram incluídos no presente estudo com base
nos critérios de inclusão estabelecidos como pode se observar no quadro 10.

27
Quadro 10. Distribuição dos estudos científicos segundo os descritores escola
e dengue e as bases de dados, período 2007 a 2017.

Estudos Scielo BVS


Encontrados 4 21
Pré-selecionados 0 4
Excluídos 4 17
Selecionados 0 4

Os estudos científicos incluídos com os descritores escola e dengue são


apresentados no quadro sinóptico a seguir segundo seus descritores contendo
informações sobre os autores, ano, título dos estudos e delineamento (Quadro
11).

Quadro 11. Descritores: Escola e dengue

Título Efetividade das práticas de Teleducação por


Webconferência no combate à dengue no Estado
do Amazonas, Brasil.
Autores Cleinaldo de Almeida Costa, Wendel Schramm
Petrucio, Pedro Máximo de Andrade Rodrigues,
Ricardo Oliver Lages e Chao Lung Wen
Ano 2014
Método Palestra, webconferência, material impresso e
questionário.
Principais Resultados Após a comparação dos resultados da ação
educativa realizada, os alunos que foram
submetidos a webconferência tiveram maior índice
de acertos no questionário estabelecido do que os
alunos que participaram de palestras
convencionais.
Título Formação continuada semipresencial de docentes
como elemento facilitador das ações de educação
em saúde
Autores Tercilia de Oliveira Rodrigues

28
Ano 2009
Método Curso semipresencial online, atividades a distância
por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem
TelEduc e encontros presenciais.
Principais Resultados Aumento estatisticamente significante no nível de
conhecimento dos professores, após a frequência
ao curso.
Título Investigação de conhecimentos sobre a dengue e
do índice de adoção de um recurso preventivo
(capa evidengue®) no domicílio de estudantes,
associados a uma ação educativa em ambiente
escolar
Autores Héliton da silva barros
Ano 2007
Método Aula, o produto evidengue e folheto informativo.
Principais Resultados Proteção de 100% da ferramenta evidengue,
introdução do conceito de vedar, o programa foi
efetivo para aumentar acertos e diminuir erros dos
alunos em dois aspectos verbais do conhecimento
sobre a dengue.
Título Cooperação entre agentes de endemias e escolas
na identificação e controle da dengue

Autores Cordeiro da Silva, Pablo; Mesaque Martins, Alberto


e Torres Schall, Virgínia.
Ano 2013
Método Visitas, entrevistas, aula expositiva, recurso
preventivo Evidengue® e um folheto informativo.
Principais Resultados Redução no número de recipientes propícios para
o desenvolvimento do Ae. Aegypti além de
satisfação das pessoas envolvidas.

29
A tecnologia da informação como webconferências e os ambientes virtuais
(por exemplo, Telessaúde) têm sido utilizada como valiosa ferramenta
tecnológica para a comunicação, acesso às informações, na construção e
aperfeiçoamento de conhecimento de alunos e profissionais principalmente em
situações em que a distância e o tempo são fatores críticos. A tecnologia de
comunicação possibilita a troca de informações importantes para realização de
diagnósticos, orientação de condutas, tratamento e prevenção de doenças,
reciclagem dos profissionais de Saúde, pesquisa e gestão dos serviços (ROSA
et al 2006). Os estudos de Costa et al. (2014) e Rodrigues (2009) incluídos
nessa pesquisa discutem a utilização da tecnologia da informação como
disseminador de informação nos processos educacionais.

O estudo de Costa et al. (2014) intitulado „‟Efetividade das práticas de


Teleducação por Webconferência no combate à dengue no Estado do
Amazonas, Brasil‟‟, realizado na Escola Estadual Gilberto Mestrinho no
município de Itacoatiara, estado do amazonas com alunos do 3º ano do ensino
médio teve como objetivo verificar a efetividade das práticas educativas por
webconferência, na aplicação à prevenção e combate à dengue no estado do
Amazonas, avaliando sua efetividade e qualidade no processo de educação
permanente e, propor sua aplicação em programas de escalas similares, nas
quais os fatores distância e tempo são críticos.

Segundo os autores, o estudo foi desenvolvido no estado do Amazonas


pelo difícil acesso de algumas populações aos serviços de saúde e pelo
ambiente favorável à transmissão da dengue. Os autores consideram que a
manutenção e expansão dos núcleos e pontos de Telessaúde, são de extrema
importância para o combate e prevenção da dengue nesse estado. Ressaltam,
que a Telemedicina e a Telessaúde precisam ser melhores estudadas e
avaliadas, visto sua potencialidade para otimização da formação e atualização
de recursos humanos em menor tempo e com menor custo para o estado, tanto
da sociedade civil como agentes públicos.

O estudo foi descritivo com abordagem comparativa. Para a realização do


estudo foi-se definida uma amostra de 50 alunos, os quais foram escolhidos
por sorteio, sem distinção de sexo e idade. Os alunos foram divididos em dois

30
grupos com 25 alunos, sendo que um grupo participou de palestras presenciais
quanto o outro participou de palestras por webconferências.

Foram utilizados três instrumentos de coleta para obtenção dos dados:

 Um questionário pré e pós-palestras de múltipla escolha, contendo 20


questões de verificação de conhecimentos prévios sobre as formas de
identificação e prevenção da dengue;

 Palestra sobre o mesmo tema repassada ao público alvo;

 Cartilha ilustrativa “Tira dúvidas e curiosidades da dengue” que foi
entregue posteriormente a todos os participantes da pesquisa.

O estudo foi realizado em duas etapas. Na primeira utilizou-se de palestras


educativas sobre a dengue, ministradas pela equipe de profissionais envolvidos
no trabalho e na segunda utilizou-se da ferramenta de Telessaúde para
realização de aulas interativas por meio de videoconferências. .

Os autores conseguiram avaliar o rendimento dos alunos com a aplicação


do questionário pré e pós-palestra. Eles observaram que o nível de
conhecimento inicial entre os alunos de ambos os grupos não foi diferente (p-
valor = 0,527). Entretanto o percentual de acertos de questões do questionário
aplicado pós-palestras para os alunos que assistiram às aulas pelo método de
webconferência foi superior aos alunos que a exposição foi presencial (p=0.04).

Costa et al. (2014) destacaram que o método de webconferência pode ser


eficaz para um programa de educação em saúde principalmente para lugares
de difícil acesso aos serviços de saúde. Além disso, os autores destacaram a
importância das webconferências para a redução dos custos financeiros do
Sistema Único de Saúde (SUS) e a melhoria da qualidade da atenção em
saúde, podendo conectar lugares remotos por meio das tecnologias de
informação e comunicação a serviços ou centros especializados em Saúde,
com o potencial de contribuir para a minimização da incidência de doenças
infectocontagiosas, como a dengue.

O Brasil possui um Programa Nacional de Telessaúde, iniciado com a


Portaria nº 35, de 04 de janeiro de 2007, que instituiu o Projeto Piloto de
31
Telessaúde Aplicado à Atenção Primária e a criação de núcleos nos estados do
Amazonas, Ceará, Pernambuco, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Novaes, 2012). Depois da
expansão da iniciativa para âmbito nacional em 2010, o projeto passou a ser
nomeado Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes (Brasil, 2011). Algumas
iniciativas utilizando a Telessaúde como estratégias de educação em saúde
também tem sido descrito por Cruz et al. (2012) no município de Pernambuco
que utilizou o método de webconferência para treinamento de profissionais de
saúde por meio de seminários, atividades de educação permanente. Os
profissionais não precisaram interromper suas as atividades na rotina da
vigilância, por dias ou semanas, economizando assim tempo e recursos.

Já o estudo de Rodrigues (2009) intitulado “Formação continuada


semipresencial de docentes como elemento facilitador das ações de educação
em saúde” foi realizado com 40 profissionais, entre eles três coordenadores,
uma diretora e trinta e seis docentes, do ensino fundamental I de escolas
públicas municipais situadas em bairros periféricos de Araçatuba, São Paulo.
As escolas foram escolhidas por estarem em zonas periféricas de São Paulo e
com elevado índice de leishmaniose visceral canina e humana. O objetivo da
pesquisa foi avaliar o resultado de ações de educação em saúde oferecidas
através de um curso de formação continuada semipresencial on-line para
docentes da escola da rede municipal de ensino, buscando uma alternativa
eficaz para instruir os profissionais acerca das principais doenças locais
transmitidas por vetores como dengue, febre amarela e leishmaniose. Além
disso, observar a evolução do conhecimento dos profissionais e seu
desempenho como multiplicadores posteriormente.

Rodrigues (2009) justifica que com o acelerado desenvolvimento


tecnológico as formas de trabalho e interações humanas têm sido impactadas
passando por diversas mudanças. Com os jovens não é diferente, os
estudantes em sua maioria já se encontram familiarizados com as tecnologias
digitais e suas implicações, assim a autora destaca que essa chamada cultura
digital fez surgir novos elementos participantes no processo de aprendizado. É
imprescindível que a educação renove seus métodos e instrumentos de
trabalho para que essas novas tecnologias possam ser utilizadas na melhoria
32
do processo ensino-aprendizagem. Nesse sentido, é essencial que os docentes
se tornem capacitados aprimorando o conhecimento do profissional e o
tornando multiplicador de novos saberes. A autora entende que para haver um
trabalho de educação em saúde na escola, é necessário que além do
conhecimento, os profissionais estejam melhores preparados com as
tecnologias necessárias.

Na primeira parte da pesquisa todos os profissionais selecionados


participaram de um curso semipresencial on-line utilizando o TelEduc, um
ambiente de aprendizado virtual planejado para a criação, participação e
administração de cursos na Web. O TelEduc é um ambiente aberto e gratuito,
que foi desenvolvido em 1997 com a dissertação de mestrado de Alessandra
de Dutra e Cerceau, e hoje vem sendo aprimorado no Núcleo de Informática
Aplicada à Educação (NIED) da Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP) buscando implementar ajustes e novas funcionalidades para
otimizar o ambiente (TelEduc, 2017)

O curso semipresencial foi dividido em duas fases (fase I e fase II), tendo
atividades à distância e encontros presenciais. A fase I, módulo on-line
obrigatório, foi subdividida em módulos de temas como ambientação
tecnológica, doenças transmitidas por vetores, doenças transmitidas por cães e
gatos, higiene de alimentos, posse de responsável de bichos de estimação e
educação em saúde na escola e fase II para a elaboração e aplicação de
projetos educativos.

Na segunda fase os docentes puderam escolher participar ou não do


processo de multiplicação dos conhecimentos adquiridos na fase I. Antes do
inicio das atividades e após 30 dias, os docentes responderam a um
questionário específico sobre as doenças febre amarela, dengue e
leishmaniose para verificação do aprendizado.

O método de avaliação dos docentes consistiu no registro das atividades


desenvolvidas com os alunos e em alguns casos contou-se com a participação
da família e da comunidade. Algumas das atividades desenvolvidas pelos
docentes foram: diagnóstico da situação problema apresentada na forma de

33
mapa-falante do bairro, desenvolvimento e apresentação de peças teatrais
pelos alunos, mutirão para limpeza dos ambientes públicos, elaboração de
cartazes e de panfletos para distribuição em passeata pelo bairro e realização
de atividades artísticas, motoras e textuais, além de pesquisas envolvendo
lógica, matemática e produção de gráficos.

Segundo Rodrigues (2009) houve um aumento significativo no nível de


conhecimento dos profissionais sobre as três doenças abordadas após
frequentarem o curso on-line (p-valor <0,0001) com destaque principalmente
para as questões relativas ao agente etiológico das doenças, sintomas no
homem e medidas de prevenção. Ressalta-se que a maioria dos entrevistados
declarou não ter recebido informações sobre assuntos relacionados ao tema da
saúde durante a graduação. A carência de informações prévias relativos à
vigilância epidemiológica e sanitária também foram observadas por outros
autores, os quais sugerem a necessidade investimento na formação continuada
dos docentes (VALLA, 1992; UCHÔA et al., 2004; LEONELLO & L‟ABATTE,
2006).

Segundo a autora os cursos online contribuíram para formação dos


docentes, sem interferir nas suas tarefas diárias no trabalho escolar,
diminuindo o índice de desistência e aumentando a qualidade dos projetos
apresentados pelos cursistas.

A pesquisadora também atribuiu o sucesso da pesquisa ao fato da mesma


ter sido contextualizada com os problemas da própria comunidade, gerando
com isso interesse e envolvimento dos profissionais locais. De uma forma
geral, a autora considerou que o resultado do estudo valida a hipótese de que a
formação do docente visando a multiplicação de informações influenciam os
alunos e consequentemente a comunidade como um todo.

Otsuka (2005) também usou a ferramenta Teleduc no estudo „‟Suporte à


Avaliação Formativa no Ambiente de Educação a Distância TelEduc‟‟ para
analisar a avaliação formativa no ambiente de educação por meio do TelEduc,
atendendo, à distância, 18 turmas distribuídas por diversos estados brasileiros.
Seus resultados corroboram o de Rodrigues (2009) no sentido de que a

34
ferramenta possibilita suporte à educação à distância além de permitir a
realização de atividades de aprendizagem baseadas na construção
colaborativa de conhecimentos.

O estudo de Barros (2007) intitulado „‟Investigação de conhecimentos


sobre a dengue e do índice de adoção de um recurso preventivo (capa
Evidengue®) no domicílio de estudantes, associados a uma ação educativa em
ambiente escolar‟‟, também atendeu a todos os requisitos de inclusão do
presente trabalho, como janela temporal, idioma, tipo de trabalho e abordagem
do tema. O estudo foi realizado com estudantes da escola estadual Juscelino
Kubitscheck de oliveira localizada no distrito de venda nova em Belo Horizonte,
Minas gerais. O estudo utilizou como amostra quatro turmas de diferentes
séries escolares, três da primeira série do ensino médio e uma da oitava série
do ensino fundamental. O critério de seleção das séries pelo autor teve como
base a exposição aos conteúdos sobre as principais parasitoses prevalentes no
Brasil de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Ao todo
participaram do estudo 115 alunos, divididos em quatro turmas. O objetivo do
estudo foi descrever o método e os resultados de uma ação educativa em sala
de aula visando a adoção da Evidengue ® para o controle do Ae. aegypti nos
domicílios dos estudantes, verificando a extensão e a efetividade de uma ação
aliada a um recurso preventivo.

Ao longo do trabalho o autor aponta diversas complicações no


enfrentamento da dengue, como a dificuldade em elaborar uma vacina
tetravalente e de baixo custo e a dificuldade em utilizar produtos químicos para
eliminação do mosquito vetor Ae. aegypti, que a longo prazo desenvolve
resistência ao produto. Listando essas dificuldades o autor sugere a
importância da continuidade das ações dos programas de vigilância
entomológica já existentes e de se repensar novas estratégias de combate ao
vetor. O autor destaca a importância do trabalho desenvolvido como sendo um
passo nessa abordagem de novas estratégias, uma vez que visa validar a
efetividade da tecnologia preventiva Evidengue ® a uma ação educativa na
sala de aula. Segundo o autor, a Evidengue ® é uma inovação tecnológica que
dá a população civil a oportunidade de ser parte integrante e protagonista no

35
processo de combate a doença aplicando seus conhecimentos em uma ação
concreta.

A ação educativa consistiu em: (A) aula expositiva sobre dengue


envolvendo os temas de transmissão, sintomatologia, ciclo de vida do Ae.
aegypti e prevenção com o uso da evidengue; (E) produto Evidengue ®; e (F)
folhetos informativos. Foram feitas quatro combinações sendo elas A+E+F;
A+E; E+F e A, manipuladas em uma das 4 turmas separadamente. A escolha
da combinação atribuída a cada turma foi definida através de sorteio.

As aulas teóricas foram ministradas pelo professor-pesquisador e tiveram a


presença de quatro observadores que avaliaram a qualidade das aulas e a
uniformidade das apresentações. Uma subamostra de 40 alunos foi
selecionada para responder um questionário pré e pós-ação educativa e as
condições sócio-demográficas dos alunos, assim como a presença de
criadouros principalmente vasos de plantas nas residências foram avaliadas
pelo pesquisador.

Os resultados desse estudo de Barros (2007) demonstraram que o


conhecimento sobre a dengue mudou parcialmente ou permaneceu inalterado
após as ações educativas. Com aumento de respostas corretas e diminuição
de respostas incorretas sobre o conceito de dengue e a transmissão da
doença. Entretanto, nos assuntos sobre prevenção e ações as respostas
corretas mantiveram em patamares de conhecimento já apresentados
previamente.

Com relação ao uso da Evidengue ® o autor observou o seu uso em 49%


das residências. O autor considerou comprovada a eficácia em 100% da
ferramenta Evidengue ® na hora de conferir proteção aos pratos coletores de
água, além de possuir estética agradável e sem efeitos tóxicos, o que pode
significar uma alta aceitabilidade pela população. Para o autor, é importante
identificar e respeitar essas demandas e preferências dos moradores para que
seja possível alcançar um programa de prevenção de dengue eficaz e
integrado.

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O autor salienta também que o ato de vedar, praticado na utilização da
Evidengue ® pode popularizar o conceito e aumentar consideravelmente a
eficácia das ações de cuidado com os recipientes coletores de água. Os
resultados das ações educativas avaliadas mostraram que o conceito de
vedação foi absorvido pelos alunos, estando presente nas visitas realizadas
após as ações.

Uma pontuação importante do trabalho foi que o maior percentual de


mudança no conhecimento ocorreu nas condições em que foi manipulada a
componente aula. Por outro lado, os maiores índices de adoção foram
registrados nas condições em que foi manipulado o componente folheto. O
autor fomenta a discussão sobre a informação no contexto da educação
preventiva em saúde, que mostra que este tipo de ação costuma ser efetiva
para alcançar níveis satisfatórios de conhecimento, mas nem sempre uma
mudança de comportamento, sendo esse um dos maiores desafios para a
saúde pública nos próximos anos.

Outro estudo analisado foi o de Silva et al. (2013) intitulado „‟Cooperação


entre agentes de endemias e escolas na identificação e controle da dengue‟‟
realizado numa escola pública no bairro São Cristovão, na cidade de Teófilo
Otoni em Minas gerais com o objetivo de analisar o processo de cooperação
entre os agentes de combate as endemias (ACE) e a comunidade escolar. O
estudo foi quantitativo e qualitativo, de caráter descritivo e exploratório.
Segundo os autores, esse estudo foi a realização da primeira etapa de um
conjunto de ações educativas e planejamento integrados que tem sido
realizado em Teófilo Otoni na prevenção da dengue e combate ao Ae. aegypti.

O bairro de São Cristovão foi escolhido devido às constantes notificações


de casos de dengue. É considerado um bairro de classe média baixa, com
relevo elevado e abastecimento de água intermitente, proporcionando o
estoque de água em reservatórios pela população, e consequentemente o
acúmulo de água muitas vezes sem a cobertura adequada e a proliferação do
Ae. aegypti.

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Os critérios de seleção da escola utilizados pelos autores foram a facilidade
de acesso, interesse dos gestores da saúde e motivação dos professores para
o desenvolvimento das ações. Após a escolha da escola, foram selecionados
para participar do estudo os alunos matriculados no 5º ano do ensino
fundamental. Ao todo foram 93 estudantes selecionados para o estudo. O
estudo foi dividido em duas etapas. A primeira consistiu na visita de ACE
juntamente com os pesquisadores à casa dos alunos selecionados para
avaliaram a presença de recipientes com larvas do mosquito Ae. aegypti, tipo e
quantidade de potenciais criadouros para o mosquito vetor, o uso de pratos
coletores de água em vasos de plantas e o conhecimento prévio de medidas
efetivas de controle da dengue. Já na segunda foram desenvolvidas ações
educativas como aula expositiva através de um vídeo educativo intitulado
AnimaDengue, distribuição do recurso preventivo Evidengue® e um folheto
informativo sobre o uso desse recurso tendo como base as informações
prévias dos estudantes e o contexto sociocultural no qual os alunos estavam
inseridos.

Durante a visita dos agentes e pesquisadores as residências dos


estudantes foi incentivado o uso do Evidengue®, capa de malha do tipo tela
mosquiteiro, em forma de círculo, feita de resina sintética de poliéster, com
trama igual ou inferior a 2 mm x 1 mm, que impede que o Ae. aegypti chegue
até a água acumulada nos vasos de plantas, impedindo a oviposição, eclosão e
desenvolvimento de larvas.

Figura 3. Vaso de planta protegido com a capa Evidengue® em um domicilio do local


do estudo. Fonte: SILVA et al. 2013.

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Após a ação educativa na escola, foram realizadas mais duas
investigações domiciliares: a primeira, em um intervalo de 30 dias, e a
segunda, após 60 dias, para verificação da situação dos quintais e do índice de
adoção da Evidengue®, totalizando três visitas por domicílio. Ao final das
atividades e visitas, as entrevistas semiestruturadas foram aplicadas com os
agentes de combates às endemias, com a intenção de avaliar suas percepções
no processo de observação dos domicílios visitados.

Como principais resultados, Silva et al. (2013), observaram uma redução


no número de recipientes propícios para o desenvolvimento do Ae. aegypti nos
quintais das casas dos alunos durante as três visitas realizadas por ACE,
passando de 89,5% domicílios com presença de criadouro na primeira visita
para 68% dos domicílios na última visita. Quanto ao uso do Evidengue® não
houve sustentabilidade da ação preventiva, poucos alunos aderiram essa
ferramenta de controle.

Os autores ao final do estudo entrevistaram os ACE que participaram do


estudo e todos mostraram felicidade por poderem participar de um projeto de
pesquisa com estratégias educativas e mencionaram a necessidade de uma
observação mais detalhada de outros focos do vetor, sobretudo a vigilância dos
quintais com vasos de plantas, e de forma menos mecânica comunicando e
interagindo com o morador. Além disso, mencionaram a importância da
participação dos estudantes nas ações preventivas de enfretamento das
arboviroses no cotidiano familiar.

Segundos os autores, há uma necessidade de educação permanente e


continuada dos agentes de combate a endemias. Os estudos realizados por
Villela et al. (2017) em Jataí, Goiás, Brasil e Nascimento et al. (2017) em um
município da região ao norte de Mato Grosso, com cursos de atualização e
capacitação de agentes de combate as endemias, apontaram a necessidade
de trabalhos continuados e a falta de comunicação entre agentes de saúde e a
comunidade precisam ser sanadas. Nascimento et al. (2017), também chama a
atenção para o processo de mecanização das visitas domiciliares realizadas
por agentes de endemias, e relata que a prática corriqueira das ações pode
inviabilizar que o agente comunitário consiga avaliar o seu processo de

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trabalho e refletir a partir daí para melhorar a sua atuação e relacionamento
com os moradores locais. Além disso, a ausência da supervisão da equipe e o
não acompanhamento das práticas tendem o distancia-lo desse processo
reflexivo.

Toda ação educativa foi fundamentada nos pressupostos da aprendizagem


significativa, ou seja, levado em consideração os conhecimentos prévios dos
estudantes, troca de informações e o seu contexto sociocultural para a
construção dos novos conhecimentos. Existe a necessidade da reestruturação
da vigilância epidemiológica e de mudança das políticas de controle da dengue,
além da necessidade da participação do morador nas ações de enfretamento
das doenças negligenciadas, por ser ele o agente de mudanças e por conhecer
melhor a realidade do território onde vive (VILLELA et al. 2007; NASCIMENTO
et al.2017).

Existe um conceito de participação de comunidade, chamado Pesquisa


participativa baseada na comunidade (CBPR) que é bem discutido por autores
como Dias & Gama (2014) e Nunes (2009). O CBPR valida o discurso de que a
inclusão da comunidade nos planejamentos das ações pode se tornar a
maneira mais eficaz de prevenção à dengue. A pesquisa participativa propõe
uma abordagem colaborativa que envolve de forma equitativa membros da
comunidade e representantes de setores privados, instituições governamentais
e não governamentais no processo de produção de conhecimento, assim os
sujeitos do estudo podem trabalhar em conjunto e participar ativamente de
todas as etapas do estudo, desde o planejamento até a divulgação dos
resultados. Essa abordagem mescla a investigação com estratégias de
capacitação comunitária para reduzir a distância entre o conhecimento
produzido e a tradução desse conhecimento em intervenções e políticas que
melhorem a saúde das comunidades. A colaboração com os moradores
permite estabelecer uma relação de confiança que facilita a aceitação de
projetos e credibiliza os pesquisadores, possibilitando a obtenção de um
elevado nível de participação e qualidade dos dados recolhidos. No trabalho de
Nunes (2009) os resultados da aplicação dessa forma de abordagem,
proporcionou o reconhecimento dos problemas comunitários, o planejamento e
desenvolvimento de intervenções possíveis àquela comunidade, levando em

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consideração a realidade e potencialidades locais, amenizando os problemas
identificados naquela comunidade, além de ampliar os conhecimentos em
saúde.

Para Silva et al. (2013), a diminuição dos potenciais criadouros do


mosquito nas casas dos alunos indica que a ação educativa pode ter sido
eficaz na conscientização dos alunos, porém a ação precisa ser contínua e
intersetorial, envolvendo comunidade, trabalhadores, profissionais da saúde e
educação da localidade, assim como representantes políticos tendo enfoque
mais interativo e participativo.

É necessário destacar que apesar do objetivo do estudo inicialmente


também ser de avaliar a Evidengue®, ao longo do trabalho foi entendido que
esse objetivo deixou de ser relevante já que a maioria das casas não
apresentava vasos de plantas, comprometendo a avaliação. No entanto nas
casas onde havia vasos de plantas, segundo os autores, a ferramenta foi
adotada e com bom nível de aceitação na segunda visita, embora tenha sido
observado também não sustentável a longo prazo. A falta de acompanhamento
das ações de controle das arboviroses e educação em saúde impactam no
abandono da adoção dessas medidas por parte da comunidade civil (BARROS,
2007). Ainda assim, alguns autores como Neto (1998) de debruçam à questão
da não participação da população nas ações de enfrentamento da dengue em
longo prazo, trazendo à luz o debate que muitos outros fatores podem estar
envolvidos do que somente à falta de informação. Nathan (1993) sugere que a
população transfere a responsabilidade para as autoridades governamentais e
acredita que com ações como aplicar larvicidas possam resolver o problema.
Clark (1995) refuta esse argumento e diz que justamente a falta de confiança
nas autoridades reduz o interesse da comunidade em se integrar nas ações e
às vezes encaram a dengue como um acontecimento inevitável. Para
Ayyamani et al. (1986) o problema se encontra no tipo de informação que é
mais amplamente divulgada, que é a informação disponibilizada pela mídia de
massas, como Tvs e rádios e este tipo de abordagem pode estar distorcida
sendo inefetiva para gerar mudanças profundas. Dentre todas essas teorias a
de Winch et al. (1994) chama mais atenção, esse autor questiona o impacto

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que as ações educativas de controle de vetores podem ter sobre o poder e a
autoridade das mulheres no domínio doméstico. O autor sugere que sendo os
agentes comunitários em sua maioria do gênero masculino, a presença deles
gera a ideia de intromissão e reorganização do espaço doméstico, além de
indicar que as doenças monitoradas se originam daquele espaço o qual as
mulheres ficaram responsáveis por cuidar. Dessa forma seria natural que as
donas de casa fossem resistentes à presença e orientações dos agentes.
Todos esses autores apresentam teorias, porém nenhuma deles é incisiva em
dizer que uma delas é totalmente válida. São necessários mais pesquisas a fim
de entender toda a dinâmica de doenças transmitidas por vetores no âmbito
social, sendo essas questões tão importantes quanto as pesquisas no âmbito
biológico e epidemiológico.

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5. Conclusões

Sendo a dengue uma das arboviroses reemergentes mais importantes do


Brasil, é nítido que a quantidade de trabalhos encontrados dentro das bases de
dados consultadas (BVS e SCIELO) relativos à prevenção e educação em
saúde nas escolas abordando o tema está muito aquém da necessidade que
se apresenta diante do cenário atual. Durante a elaboração da pesquisa foi
difícil encontrar trabalhos que em suas discussões debatessem de forma clara
os conceitos de letramento e alfabetização científica, além disso, esbarramos
também em definições diferentes para o mesmo termo, como acontece com
comunicação científica. Autores como Cachapuz (2004) admitem que são
conceitos novos e ainda em formação por isso é compreensível que sejam
necessários mais estudos e discussões para consolidação e utilização desses
conceitos nas práticas de educação em saúde.

Em todos os estudos analisados houve um consenso de que o combate à


dengue só é viável através da integração de forças do Estado, profissionais de
saúde e educação e da população. Além disso, as ações não podem ser
somente pontuais, as medidas preventivas precisam estar em foco durante
todo o ano (NETO, 1998). Alguns trabalhos foram muito claros ao discutir que
ações pontuais, mesmo podendo ser eficazes não são suficientes em longo
prazo e que o letramento científico pode ser uma alternativa para mudar essa
realidade (CACHAPUZ, 2004).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que são as orientações


educacionais que o MEC disponibiliza para os profissionais da área de
educação, são direcionados para o ensino médio e preconiza que o aluno seja
capaz de identificar as principais doenças endêmicas de sua região ou do
Brasil além de conseguir relacionar doenças como a dengue com as formas de
ocupação dos espaços e condições de vida, trazendo assim uma visão
contextualizada, levando em consideração os fatores socioeconômicos
envolvidos no processo. O portal do Ministério da Educação também possui
ferramentas como o portal do professor, que oferece informações e conteúdos
referentes à dengue para serem discutidas com alunos na educação básica.
Apesar dos conteúdos disponíveis e do direcionamento fornecido pelo MEC,
para serem abordados em sala de aula, muitos profissionais não têm

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conhecimento adequado em educação em saúde para se sentirem confortáveis
para trabalhar com o tema (RODRIGUES, 2009). Uma das razões apontadas
por (LEONELLO & L‟ABBATE, 2009) é a falta do tema educação e saúde no
currículo acadêmico.

No estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas com alunos de


graduação em pedagogia em 2006, na Universidade Estadual de Campinas
com alunos de graduação em pedagogia, foi sugerido que este problema pode
estar relacionado a não identificação do tema educação e saúde no currículo
acadêmico. As autoras ainda abordaram o fato de que, apesar da grande
maioria dos alunos identificarem educação em saúde como um tema essencial
na formação do aluno, foi notável que só uma pequena parcela considerou o
movimento da mobilização social e construção da autonomia como uma parte
do conceito de educação em saúde. Valla (1992) também comenta sobre as
falhas nos currículos dos cursos universitários dos profissionais de educação.
O autor menciona que a ótica elitista dos cursos não se aproxima de questões
de saúde ligadas a parcela da população mais vulnerável, como problemas de
aprendizagem de crianças carentes, vigilância epidemiológica e sanitária e
saneamento básico. Cabe ressaltar a necessidade de acabar com falsos
discursos como o de competência docente inata e estimular nos profissionais a
atitude da busca permanente do aperfeiçoamento e da pesquisa
(FUSARI,1998).

Neto (1998) traz à luz que a principal característica das ações educativas é
fazer com que a população local atinja certo nível de conhecimento e então
mude seu padrão de comportamento em relação à doença e/ou seus vetores.
Entretanto se é sabido que a transmissão de conhecimento por si só não é
suficiente para que ocorra mudança, sendo necessário que o individuo, seja
levado a refletir sua posição enquanto cidadão no mundo e como através das
relações estabelecidas com o outro e com o meio ele pode transformar sua
qualidade de vida (BRASIL, 1998). Frente a tudo isso, há necessidade de mais
trabalhos publicados em língua portuguesa desenvolvidos escolas que abortem
os aspectos relacionados à transmissão da dengue e demais arboviroses e

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favoreçam sua prevenção. Acreditando-se que a escola seja o ponto de partida
mais eficiente para a educação voltada à saúde pública.

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