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Culto e Música no Contexto Cristão

Culto e Música no Contexto Cristão r aul B lum E ditora 1º E d .

raul Blum

Editora

e Música no Contexto Cristão r aul B lum E ditora 1º E d . /

1º Ed. / FEvErEiro / 2010

imprEssão Em são paulo - sp

B658c Blum, Raul. Culto e música no contexto cristão. / Raul Blum. – São Paulo: Know How, 2010. 309 p. : 22 cm. : il. ISBN: 978-85-63092-21-2 Inclui bibliografia 1. Culto Cristão. 2. Música Cristã. I. Título. CDD - 248.3

Catalogação elaborada por Glaucy dos Santos Silva - CRB8/6353

elaborada por Glaucy dos Santos Silva - CRB8/6353 Produção e Realização Obra coletiva organizada pela

Produção e Realização

dos Santos Silva - CRB8/6353 Produção e Realização Obra coletiva organizada pela Universidade Luterana do Bra

Obra coletiva organizada pela Universidade Luterana do Bra- sil. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos.

Nenhuma parte desta publica- ção poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora da Ulbra. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9. 610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.

Capa

Jacqueline Cruz

Projeto Gráfico

Glaucia Ferraro

Diagramação

Glaucia Ferraro

Jacqueline Cruz

Apoio Técnico e Editorial

Jayme Vicente Junior Marcia Tereza Pereira

Revisão

Marcela Aparecida de Oliveira

Direção de Criação

Carlos Beltrão

Coordenação Geral

Nelson Boni

Produção Editorial

Inpress Indústria Gráfica Ltda. 1ª Edição - Fevereiro/2010

Sumário

Sumário I Que queremos dizer com “Culto Cristão”? 7 II O culto no Antigo Testamento 29
I
I

Que queremos dizer com “Culto Cristão”?

7
7
II
II

O

culto no Antigo Testamento

29
29
III
III

Os Salmos no Antigo Testamento

51
51
IV
IV

O

culto no Novo Testamento

73
73
V
V

O

desenvolvimento da Música Cristã até a Reforma

83
83
VI
VI

Resumo Histórico da Adoração Cristã do Século II até a Reforma

109
109
VII
VII

Lutero e o Culto

133
133
VIII
VIII

O

Ano Litúrgico

159
159
IX
IX

O

Espaço Litúrgico

175
175
X
X

A

Reforma e o Ressurgimento do Canto Congregacional

191
191
XI
XI

Ordem do Culto Principal

209
209
XII
XII

Os Ofícios Menores: Matinas e Vésperas

225
225
XIII
XIII

Conteúdo e Música do Canto Cristão

237
237
Anexos 247

Anexos

247
247

Introdução

Introdução A disciplina “Culto e Música no Contexto Cristão” apre- senta um panorama geral do culto

A disciplina “Culto e Música no Contexto Cristão” apre- senta um panorama geral do culto e da música utilizada no con- texto cristão desde os primórdios até a Reforma. Na parte de culto é dado um enfoque na liturgia histórica e na reforma do culto que Lutero empreendeu e que é utilizada até hoje. A parte de música enfoca o canto congregacional que, a partir da Refor- ma tem também uma revisão com Lutero e que também hoje é utilizado em todas as denominações.

No culto a igreja se revela e expõe a sua doutrina e a sua fé. Para que se conheça o que os cristãos creem, é preciso conhecer também o seu culto em suas diversas manifestações. A música faz parte do culto na sua quase totalidade de manifes- tações. É realmente uma exceção haver um culto onde a música não esteja presente. Portanto, culto e música são dois assuntos que andam juntos. Além disso, no canto da liturgia e dos hinos está um dos meios mais utilizados para fixar os ensinamentos bíblicos na vida dos cristãos.

“Culto e Música no Contexto Cristão” expõe a fé, a doutrina e o louvor da igreja cristã.

na vida dos cristãos. “Culto e Música no Contexto Cristão” expõe a fé, a doutrina e

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na vida dos cristãos. “Culto e Música no Contexto Cristão” expõe a fé, a doutrina e
na vida dos cristãos. “Culto e Música no Contexto Cristão” expõe a fé, a doutrina e
O que queremos dizer com “Culto Cristão”?

O que queremos dizer com “Culto Cristão”?

O que queremos dizer com “Culto Cristão”?
T odo cristão sabe o que é “culto cristão”. Mas para definir o que é

Todo cristão sabe o que é “culto cristão”. Mas para definir o que é o “culto cristão” talvez não seja tão simples assim.

Em primeiro lugar, diz White 1 , que a própria palavra “culto” já é difícil de definir. O culto é diferente das atividades rotineiras diárias? É diferente de educação cristã ou de outras atividades que se realizam numa congregação? Brunner 2 nos

* James White e Peter Brunner são os autores que perpassam este capítulo.

1. WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão, p. 11

2. BRUNNER, Peter. Worship in the Name of Jesus, p. 11.

1. WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão , p. 11 2. BRUNNER, Peter. Worship in the

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1. WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão , p. 11 2. BRUNNER, Peter. Worship in the
1. WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão , p. 11 2. BRUNNER, Peter. Worship in the

lembra que não temos um termo apropriado para a reunião dos cristãos, visto que a palavra “culto” (Gottesdienst, em alemão) não tem um paralelo exato no Novo Testamento. Por exemplo, em Rm 9. 4 o apóstolo Paulo chama de “culto” (latreía) os ritos do Antigo Testamento, mas em Rm 12. 1 o mesmo apóstolo chama de “culto” a entrega física dos cristãos a Deus.

Em segundo lugar, depois de visto o que se quer dizer com “culto” como se determina o que o torna “cristão”? O que distingue um culto “cristão” de outros cultos? Saber o que distingue o culto cristão de outros cultos é uma “ferramenta prática vital”, diz White, para toda pessoa que tenha que lidar com o culto cristão. Especialmente quando se é confrontado com muitas formas diferentes de culto é preciso saber distinguir com clareza o que torna um culto “cristão”. 3

White usa três métodos para esclarecer o que queremos dizer com “culto cristão”.

1. A abordagem mais adequada para White é a feno- menológica: é a que “simplesmente relata e descreve o que os cristãos em geral fazem ao se reunir para o culto”.

2. “Explorar algumas definições de maior abstração” usadas por diversos autores para expor o que é culto cristão.

3. Explorar algumas palavras-chave em diversos idio- mas usadas para expressar o que queremos dizer com culto cristão. 4

3. WHITE, James, Op. Cit., p. 11.

usadas para expressar o que queremos dizer com culto cristão. 4 3. WHITE, James, Op. Cit.,
usadas para expressar o que queremos dizer com culto cristão. 4 3. WHITE, James, Op. Cit.,
usadas para expressar o que queremos dizer com culto cristão. 4 3. WHITE, James, Op. Cit.,
4. Idem, p. 12. 10
4. Idem, p. 12.
10

1. O fenômenO dO CultO CristãO

1. O fenômenO dO C ultO C ristãO Para White esta é uma das melhores maneiras

Para White esta é uma das melhores maneiras de se re- solver o que se quer dizer com culto cristão: “descrever as for-

mas exteriores e visíveis através das quais os cristãos praticam

o culto”. 5 O fato de o culto cristão ter usado formas estáveis

e permanentes em diferentes culturas e épocas históricas, torna esta maneira fenomenológica mais fácil para se dizer o que é o culto cristão. Estas formas podem ser designadas como:

Estruturas – como o calendário litúrgico ou;

Ofícios – como a ceia do Senhor.

Portanto, uma maneira de descrever o culto cristão é

simplesmente alistar essas principais estruturas e ofícios. Já no iní- cio do Novo Testamento vemos uma estrutura semanal de tempo. Esta estrutura foi fixada em calendários anuais para que se co- memorassem eventos a serem lembrados na comunidade cristã:

Morte e ressurreição de Cristo;

Mártires locais;

Horários para oração pública e particular;

Ainda hoje podemos dizer que o culto cristão baseia-se fortemente na estruturação do tempo.

O espaço para o ofício do culto sempre mereceu aten- ção no decorrer da história do culto cristão. Apesar de terem sido experimentadas formas diferentes para o lugar do culto cristão, no decorrer da história há uma constância nas exigências de espaço e mobiliário.

5. Idem, p. 12.

culto cristão, no decorrer da história há uma constância nas exigências de espaço e mobiliário. 5.

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culto cristão, no decorrer da história há uma constância nas exigências de espaço e mobiliário. 5.
culto cristão, no decorrer da história há uma constância nas exigências de espaço e mobiliário. 5.

É muito antigo também o uso de tipos básicos de ofí-

cios para a oração pública diária. Oração e louvor fazem destes ofícios uma característica do culto cristão. A Igreja Luterana tem em seus manuais de culto as Matinas e as Vésperas para a oração pública diária, uma herança de tempos antigos.

A leitura e pregação da Escritura é também designa-

da de “liturgia da palavra”. É o culto protestante dominical e habitual de diversas denominações. É também a primeira parte

da eucaristia ou ceia do Senhor. É um tipo constante que mui-

tos cristãos diriam ser sua experiência primordial do que seria

o culto cristão. A ceia do Senhor é celebrada desde os tempos

do Novo Testamento (1Co 11. 23-26). Para muitos cristãos é o padrão do culto cristão. Em muitas igrejas é celebrada semanal-

mente.

Para distinguir membros da igreja e pessoas estranhas à ela os cristãos tem usado cerimônias de iniciação cristã. O rito do batismo é o mais significativo. Mas a catequese, confirmação, primeira comunhão e ritos semelhantes têm sido usados como afirmação ou reafirmação do compromisso batismal.

Respondendo parte de nossa indagação sobre “que é o culto cristão?” podemos simplesmente relacionar e descrever as formas básicas que o culto tem assumido e dizer que estas formas o definem.

que o culto tem assumido e dizer que estas formas o definem. 2. d efinições de

2. definições de CultO CristãO

As várias maneiras como pensadores cristãos definem

o culto cristão servem para nos estimular a reflexão. 6

6. WHITE, James. Introdução ao Culto Cristão, p. 14-19.

o culto cristão servem para nos estimular a reflexão. 6 6. WHITE, James. Introdução ao Culto
o culto cristão servem para nos estimular a reflexão. 6 6. WHITE, James. Introdução ao Culto
o culto cristão servem para nos estimular a reflexão. 6 6. WHITE, James. Introdução ao Culto

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o culto cristão servem para nos estimular a reflexão. 6 6. WHITE, James. Introdução ao Culto

Paul Hoon, metodista. Enfatiza o centro cristológico do culto e está vinculado diretamente com a história da salvação. O núcleo do culto cristão é “Deus agindo para dar sua vida ao ser humano e para levar o ser humano a participar dessa vida”. Assim tudo o que fazemos é afetado pelo culto; a vida cristã é uma vida litúrgica. “O culto cristão é a autorevelação de Deus em Jesus Cristo e a resposta do ser humano”, ou uma ação dupla: a ação de “Deus para com a alma humana em Jesus Cristo e a ação responsiva do ser humano através de Jesus Cristo”.

Peter Brunner, luterano. Usa o termo Gottesdienst, que tanto significa serviço de Deus aos seres huma- nos quanto serviço dos seres humanos a Deus. É a “dualidade” do culto; no entanto, Deus atua em am- bas as partes. É Deus sozinho que torna o culto pos- sível. Cita Lutero, que diz a respeito do culto “que nele nenhuma outra coisa aconteça exceto que nosso amado Senhor ele próprio fale a nós por meio de sua santa palavra e que nós, por outro lado, falemos com ele por meio de oração e canto de louvor”. Os seres humanos respondem aos atos divinos com oração e hinos “como atos da nova obediência conferida pelo Espírito Santo”. A dualidade do culto é encoberta por um foco único, que é a atividade de Deus tanto em se nos autodoar quanto em instigar nossa resposta às suas dádivas.

Jean-Jacques von Allmen, reformado. O culto deve ser compreendido dentro daquilo que Deus já fez por nós. O culto “resume e confirma sempre de novo a história da salvação cujo ponto culminante se encon-

fez por nós. O culto “resume e confirma sempre de novo a história da salvação cujo

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fez por nós. O culto “resume e confirma sempre de novo a história da salvação cujo
fez por nós. O culto “resume e confirma sempre de novo a história da salvação cujo

tra na intervenção encarnada do Cristo. Nesse resumo

e confirmação reiterados, o Cristo continua sua obra

salvadora por meio do Espírito Santo”. Portanto, o culto está ligado à revelação bíblica e nos dá uma sín- tese do que Deus fez e uma antecipação do que ainda virá a ser na história da salvação. O culto é a recapitu- lação da história da salvação. Allmen também afirma que o culto é a “epifania da igreja” porque nele se manifesta a própria natureza da igreja e a igreja é leva-

da a confessar-se perante o mundo. O culto torna-se

uma ameaça de juízo e uma esperança para o mundo.

O culto tem três dimensões-chave: recapitulação, epi-

fania e juízo.

Evelyn Underhill, anglo-católica. “O culto, em todos

os seus graus e tipos, é a resposta da criatura ao Eter- no”. Mas somente por meio do “movimento do Deus permanente em direção a sua criatura é dado o incen- tivo para o mais profundo culto do ser humano e é

.). Oração e (.

.) ação são maneiras pelas quais ele responde a essa manifestação da Palavra”.

Georg Florowski, ortodoxo. “O culto cristão é a res- posta dos seres humanos ao chamado divino, aos ‘prodígios’ de Deus, culminando no ato redentor de

Cristo”. Enfatiza a natureza comunitária desta respos-

ta ao chamado de Deus: “A existência cristã é essen -

cialmente comunitária; ser cristão significa estar na comunidade, na igreja”. Nesta comunidade Deus atua

no culto e os cultuadores, em resposta, lhe dão louvor

feito o apelo para seu amor sacrifical

.

e adoração.

Nikos A. Nissiotis, ortodoxo. “O culto não é primor-

feito o apelo para seu amor sacrifical . e adoração. • Nikos A. Nissiotis, ortodoxo. “O
feito o apelo para seu amor sacrifical . e adoração. • Nikos A. Nissiotis, ortodoxo. “O
feito o apelo para seu amor sacrifical . e adoração. • Nikos A. Nissiotis, ortodoxo. “O

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feito o apelo para seu amor sacrifical . e adoração. • Nikos A. Nissiotis, ortodoxo. “O

dialmente iniciativa do ser humano, mas ato redentor de Deus em Cristo por meio do seu Espírito”. Com Brunner, Nissiotis enfatiza a “absoluta prioridade de Deus e seu ato”; a igreja oferece culto agradável a Deus pelo poder do Espírito Santo.

Papa Pio X. Descreve o culto como “a glorificação de Deus e a santificação da humanidade”. O culto é para “a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis”.

Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano II. Fala primeiro da santificação do ser humano e então da glorificação de Deus, invertendo a descrição de Pio X.

Odo Casel, monge beneditino. Popularizou a des- crição de culto como o mistério pascal. O mistério pascal é o Cristo ressurreto presente e ativo em nosso culto. Mistério é a revelação divina daquilo que ultra- passa o entendimento humano e o elemento pascal é o ato redentor de Cristo. O que Cristo realizou no passado volta a ser concedido à pessoa que presta cul- to. Esta é uma forma de viver com o Senhor.

3. O linguajar CristãO sObre O CultO

viver com o Senhor. 3. O linguajar CristãO sObre O CultO a. Os termos para “culto”

a. Os termos para “culto” em alguns idiomas

O linguajar que os cristãos usam sobre o culto cristão pode nos ajudar a esclarecer o que queremos dizer com este culto. Muitas palavras tiveram origem secular e foram escolhidas como meio menos inadequado para expressar o que a comuni- dade reunida experimentava no culto. Cada palavra e cada idio- ma podem mostrar o que está sendo expresso.

comuni- dade reunida experimentava no culto. Cada palavra e cada idio - ma podem mostrar o

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comuni- dade reunida experimentava no culto. Cada palavra e cada idio - ma podem mostrar o
comuni- dade reunida experimentava no culto. Cada palavra e cada idio - ma podem mostrar o

Gottesdienst (em alemão) é uma palavra importante para expressar o que é o culto cristão. Significa tanto o serviço de Deus como o nosso serviço para Deus. Dienst pode identi- ficar postos de gasolina na Alemanha. “Serviço” é algo que se faz para outros. Vem do termo latino servus, que identifica um escravo que era obrigado a servir outras pessoas. O termo “ofí- cio”, do latim officium, serviço ou tarefa, também é usado para designar um serviço de culto. Gottesdienst reflete um Deus que “esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo” (Fp 2. 7), bem como nosso serviço para tal Deus.

O termo “culto” vem do latim colere e significa “culti-

var”; é um termo agrícola. Capta o caráter mútuo da responsabi- lidade entre o agricultor e sua terra ou animais. É preciso tratar as galinhas para obter ovos; tirar o inço para colher verdura. É uma dependência mútua de dar e receber.

O termo inglês worship também tem raízes seculares.

Vem do inglês antigo weorthscipe. Weorth = worthy (digno) e -scipe = ship (-dade), significando a atribuição de valor ou respeito a alguém. O inglês também usa o termo service, que significa “serviço”. Deus nos serve no culto com sua palavra e os sacramentos do Batismo e da Santa Ceia, concedendo-nos perdão dos pecados e salvação. Por outro lado, somos conduzi- dos por Deus a servir a ele com nosso louvor e agradecimento e em amor ao nosso próximo.

As devoções pessoais geralmente ocorrem em separado do restante do corpo de Cristo. Isto não quer dizer que estejam desligadas do culto de outros cristãos. Mas obedecem a um rit- mo mais particular onde o indivíduo mesmo estabelece a disci- plina. (“Devoção” vem de um termo latino que designa “voto”).

Celebração é um termo bastante usado atualmente, tan-

vem de um termo latino que designa “voto”). Celebração é um termo bastante usado atualmente, tan
vem de um termo latino que designa “voto”). Celebração é um termo bastante usado atualmente, tan
vem de um termo latino que designa “voto”). Celebração é um termo bastante usado atualmente, tan

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vem de um termo latino que designa “voto”). Celebração é um termo bastante usado atualmente, tan

to em contextos seculares quanto eclesiásticos. É um termo um tanto vago a não ser que seja especificado seu objetivo. Quan- do utilizar-se para o culto é conveniente que seja especificado (celebração do Natal, da Santa Ceia). Vago seria, por exemplo, celebração da vida, da alegria, de um novo dia.

Um termo básico para descrever o culto cristão é ritual. Mas também é preciso cuidar do termo. Pode significar uma rotina de repetições sem sentido. Ritos são as palavras que se cantam ou pronunciam num culto, mas pode ser usado também para designar todos os aspectos de um ofício. Rito também é usado para de definir um grupo religioso; os católicos do rito oriental têm um padrão distinto dos católicos do rito romano, por exemplo.

Normalmente o cerimonial está explicitado no culto através das rubricas; são as ações executadas no culto. Rubricas são instruções para execução do culto. Como indica o nome, as rubricas são escritas em vermelho, embora nem sempre isso aconteça efetivamente.

Ordo ou ordem é a estrutura de cada ofício. Ordem, rito e rubricas, ou seja, a estrutura, as palavras e as instruções são os componentes básicos da maioria dos manuais de culto.

b. O linguajar no Novo Testamento

Em Rm 9. 4 e Hb 9. 6 o termo latreía (culto, serviço) refere-se ao culto judeu no templo. Os judeus também queriam obter as promessas messiânicas “servindo a Deus noite e dia” (At 26. 7; Lc 2. 37). Mas o termo também é usado para a venera- ção ritual pagã como vemos em Rm 1. 25 (adoração da criatura em lugar do Criador) e At 7. 25 (adorar as estrelas do céu). O servir a Deus no Novo Testamento tem um novo significado. A latreía dos cristãos implica em que eles já foram transportados

a Deus no Novo Testamento tem um novo significado. A latreía dos cristãos implica em que

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a Deus no Novo Testamento tem um novo significado. A latreía dos cristãos implica em que
a Deus no Novo Testamento tem um novo significado. A latreía dos cristãos implica em que

para uma nova realidade: a salvação já está cumprida. Eles são purificados pelo sacrifício de Cristo já cumprido e por isso liber- tados para fazerem boas obras. (Hb 9. 14; 12. 28; Rm 12. 1-2)

Proskyneîn significa prostrar-se em reverência ou sub- missão. Na tentação de Jesus, este diz a Satã: “Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás (proskynéseis) e só a ele darás cul- to” (latreúseis – Mt 4. 10). Jesus diz à mulher samaritana que chegou o tempo em que os verdadeiros “adoradores adorarão (proskynetaì) o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4. 23). Nesta passagem proskyneîn é usado repetidas vezes sob várias formas. Em Ap 4. 10 “os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão (prosky- nésousin) diante daquele que se encontra sentado no trono”. Este verbo enfatiza a posição do corpo prostrado para o culto.

Thysía e prosphorá são ambos traduzidos por “sacrifí- cio” ou “oferenda”. Thysía é usado para designar o culto pagão (“sacrifícios de demônios” em 1 Co 10. 20), o culto cristão (“sa- crifício vivo” em Rm 12. 1), e “sacrifício de louvor” (Hb 13. 15). Paulo também usa o termo thysía para designar as ofertas que os filipenses lhe enviaram dizendo que era “aroma suave como um sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (Fp 4. 18), enquanto estes dons são apresentados ao apóstolo, eles são, ao mesmo tempo, apresentados a Deus; isto faz do ato de apresentação de Epafrodito um serviço sacerdotal. Prosphorá significa o ato de oferecer oferta, sacrifício, como acontece em Hb 10. 10 que diz da “oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”.

Threskeía significa “culto”, “ofício religioso”, religião. Paulo designa a religião judaica de threskeía (At 26. 5). Mas o apóstolo também usa o mesmo termo para a prática herética de culto aos anjos em Cl 2. 18. E em Tg 1. 26-27 Paulo vai usar o mesmo termo para designar a prática da religião cristã pura em visitar os órfãos e as viúvas e não se contaminar pelo mundo.

designar a prática da religião cristã pura em visitar os órfãos e as viúvas e não
designar a prática da religião cristã pura em visitar os órfãos e as viúvas e não
designar a prática da religião cristã pura em visitar os órfãos e as viúvas e não

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designar a prática da religião cristã pura em visitar os órfãos e as viúvas e não

Sébein significa “prestar culto”, “adorar”. Jesus usa o ter- mo para dizer que não adianta adorá-lo com doutrinas humanas:

Mt 15. 9; Mc 7. 7. Demétrio usa o termo para adoração à deusa Diana: At 19. 27. Mas Paulo também usa o termo para qualificar os piedosos ou tementes a Deus (13. 50; 16. 14; 17. 4,17; 18. 7).

O termo liturgia também é de origem secular. Vem do grego leitourgía composto de érgon (trabalho) mais laós (povo). Liturgia era um trabalho público executado em prol da cidade ou do Estado, na Grécia antiga. Podia ser serviço doado ou pa- gamento de impostos. Assim Paulo fala de autoridades romanas como leitourgoì (“ministros” de Deus – Rm 13. 6) e chama a si mesmo de leitourgòn (“ministro de Cristo Jesus entre os gen- tios” – Rm 15. 16). Portanto, liturgia é um trabalho executado pelas pessoas em favor de outras. É um serviço retribuído ao povo como uma comunidade política mediante um trabalho que a própria comunidade deveria fazer. Portanto, se quisermos de- signar um ofício como “litúrgico” estamos indicando que este ofício é para ter a participação de todos de maneira ativa e con- junta. Não pode ser um culto onde a assembleia seja meramente passiva.

Os anjos são enviados para ministrar aos que são salvos por Cristo. Por isso também são “litúrgicos” ou “ministradores” (leitourgiká – Hb 1. 14). Também pessoas que exercem poderes governamentais e que fazem valer seus direitos para louvor do bem e castigo do mal, em virtude de sua atividade são chamadas “ministros de Deus”, ou seja, “liturgistas” (leitourgoì) de Deus (Rm 13. 6). Até o serviço da assistência aos necessitados de Je- rusalém que as congregações da Macedônia e Grécia prestaram é chamado de leitourgías, e Epafrodito foi chamado por Paulo de auxiliar (leitourgóv – “liturgista”) de suas necessidades (Fp 2.

25).

e Epafrodito foi chamado por Paulo de auxiliar (leitourgóv – “liturgista”) de suas necessidades (Fp 2.

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e Epafrodito foi chamado por Paulo de auxiliar (leitourgóv – “liturgista”) de suas necessidades (Fp 2.
e Epafrodito foi chamado por Paulo de auxiliar (leitourgóv – “liturgista”) de suas necessidades (Fp 2.

É interessante notar que na Septuaginta 7 o substantivo

leitourgía e o verbo leitourgéo nunca se referem a um serviço às pessoas, mas é usado somente para funções de culto. E quando

o Novo Testamento cita o Antigo Testamento é constante o uso

linguístico da Septuaginta. Leitourgía é o serviço sagrado que era realizado no tabernáculo (Hb 9. 21) ou o serviço sacerdotal regular como o realizado por Zacarias no templo (Lc 1. 23). Mas

a perfeita leitourgía tem lugar no céu. Aí é o “ministro do santu- ário e verdadeiro tabernáculo” e “o ministério mais excelente”

realizado pelo Crucificado, exaltado à direita de Deus como o Liturgista do verdadeiro santuário celeste (Hb 8. 2,6).

c. O termo adequado para a reunião dos cristãos

Somos confrontados com o fato de que nenhum dos termos usados pelos gregos ou pelo Antigo Testamento é capaz de expressar a experiência dos cristãos reunidos para o culto. O que acontece neste culto dos cristãos é algo novo. É radicalmen- te diferente dos cultos pagãos e também do culto de Israel. Os termos descritivos do culto do Antigo Testamento são em parte adotados para significar a obra redentora de Jesus e, despidos de seu sentido ritualístico, são também aplicados à conduta cristã em geral ou a serviços especiais dentro da igreja. Mas eles não são usados para designar o culto particular no qual a congrega- ção canta, ora, escuta a palavra e celebra a Santa Comunhão.

O Novo Testamento nos mostra que estes encontros congregacionais para o culto eram o ponto focal para cada pen- samento e ato dos cristãos como podemos ver nos capítulos 10 a 14 de 1Co. Se a conduta dos cristãos como um todo é culto, isto está intimamente ligado ao fato que sua vida temporal

7. “A tradução grega mais antiga do AT, feita do hebraico, nos séculos III e II a. C., no Egito, para os judeus da Diáspora”. Dicionário Enciclopédico de Teologia.

nos séculos III e II a. C., no Egito, para os judeus da Diáspora”. Dicionário Enciclopédico
nos séculos III e II a. C., no Egito, para os judeus da Diáspora”. Dicionário Enciclopédico
nos séculos III e II a. C., no Egito, para os judeus da Diáspora”. Dicionário Enciclopédico

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nos séculos III e II a. C., no Egito, para os judeus da Diáspora”. Dicionário Enciclopédico

encontrou um ponto focal concreto, um posto poderoso, por assim dizer, que controla e direciona toda sua existência. Este ponto focal é a ekklesía, a igreja na qual foram implantados por Deus e, dentro da qual um se interessa em amparar o outro, segundo seus dons.

Assim chegamos ao termo que no Novo Testamento expressa o que hoje chamamos de “serviço” ou “culto” (em inglês service ou worship; em alemão Gottesdienst). Entre os termos do Novo Testamento para expressar “estar reunido em nome de Jesus” temos synágo (“reunir”, “juntar”) como veri- ficamos em Mt 18. 20 e At 20. 7. Para expressar o sentido de “reunir-se na ekklesía ou como ekklesía temos o termo synérxo- mai (“reunir-se”, “fazer assembleia”) como podemos verificar em 1Co 11. 18 e 14. 23.

Em dois lugares o Novo Testamento apresenta o sen- tido de “assembleia” para o culto: Em Tg 2. 2 a reunião dos cristãos é chamada de synagogé, que significa “lugar de assem- bleia” e em Hb 10. 25 é designada de episynagogé, que significa “encontro”. O termo synagogé era usado na era cristã antiga antes do terceiro século. Mas como esta palavra também era usada para designar a comunhão de fé dos judeus (Ap 2. 9, 3. 9) pode justificar o fato desta palavra não ter sobrevivido.

A palavra sýnaxis (“comunhão, reunião, união, eucaris- tia”) foi usada a partir do quarto século e por algum tempo ser- via para designar a eucaristia. A Apologia da Confissão de Augs- burgo 8 faz menção desta palavra mostrando que ela antigamente designava a eucaristia. Este termo é ideal para designar a reunião dos cristãos visto que seu significado realça especificamente a assembleia do povo.

Portanto, “reunir-se” está implícito no sentido de nossa palavra “culto”. Em todos os eventos, “culto” é o evento es-

está implícito no sentido de nos sa palavra “culto”. Em todos os eventos, “culto” é o

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está implícito no sentido de nos sa palavra “culto”. Em todos os eventos, “culto” é o
está implícito no sentido de nos sa palavra “culto”. Em todos os eventos, “culto” é o

sencial nas reuniões dos cristãos. Por isso o culto é ekklesía, as- sembleia, reunião. Portanto, culto no sentido de assembleia da congregação cristã em nome de Jesus é a manifestação da igreja na terra. Em tal assembleia acontece a epifania da igreja e tal assembleia em nome de Jesus é igreja. A expressão “hoje tem igreja” (em alemão es ist kirche heute), e não “hoje tem culto” (em alemão es ist Gottesdienst heute) está perfeitamente correta.

É preciso também mencionar que “o partir do pão” mencionado no Novo Testamento é designação do que enten- demos por culto público. É um termo palestino que original- mente não está relacionado ao culto propriamente. Refere-se ao partir do pão costumeiro pelos pais de famílias judaicas no início de cada refeição. A antiga congregação palestina valeu- se deste termo para designar suas refeições de amizade (At 2. 42,46), quando também a ceia era celebrada. Dentro dos limites das missões paulinas, “partir do pão” é o termo para a eucaristia. Isto é evidente nas comparações entre At 20. 7 e 1Co 10. 16. As assembleias cristãs para o culto (com exceção dos encontros nos quais o Sacramento de Iniciação era administrado) eram, desde seu início, assembleias de Santa Comunhão que incluíam procla- mação e instrução. O termo “partir o pão” usado em At 20. 7 tornou-se a designação mais antiga para o ofício cristão. Mas este termo também é emprestado da área cotidiana, no entanto, ex- pressa a “novidade” do culto cristão em relação ao culto judaico.

Mas a expressão “partir o pão” e o termo sýnaxis não se firmaram. A palavra que definitivamente se estabeleceu no oci- dente é leitourgía. Já vimos que no Novo Testamento serviços especiais realizados na área da área da ekklesía carregavam o nome de leitourgía e que o executante de tais serviços era consequen- temente denominado um leitourgós. Como executantes de tais

8. Apologia da Confissão de Augsburgo, XXIV, 79, in Livro de Concórdia.

um leitourgós. Como executantes de tais 8. Apologia da Confissão de Augsburgo, XXIV, 79, in Livro
um leitourgós. Como executantes de tais 8. Apologia da Confissão de Augsburgo, XXIV, 79, in Livro
um leitourgós. Como executantes de tais 8. Apologia da Confissão de Augsburgo, XXIV, 79, in Livro

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um leitourgós. Como executantes de tais 8. Apologia da Confissão de Augsburgo, XXIV, 79, in Livro

serviços eclesiásticos, bispos e diáconos já são mencionados na Didachê 9 (15. 1); prestavam a toda congregação o serviço (leitour- gía) dos profetas e mestres. Até o quarto século a palavra leitourgía

é usada para expressar a atividade total de sacerdotes e diáconos.

Mas o mais importante que estes leitourgói têm a prestar ao povo de Deus consiste cada vez mais na administração da eucaristia e isto é finalmente rotulado exclusivamente como leitourgía. No sé- culo IX este desenvolvimento histórico-linguístico é concluído. 10

Da história dos termos usados para “culto” na igreja latina não se estabeleceu nenhum termo que tivesse o sentido completo de synagogé ou sýnaxis. A Vulgata, no Novo Testa- mento, usa o verbo colere para expressar o culto a ídolos pagãos

(Cf. At 17. 23,25; 19. 27; Rm 1. 25) e o substantivo cultus nunca

é mencionado. O sentido básico da palavra “culto” é realmente

inadequado para expressar a essência do culto da igreja cristã. Cultus pode ser a atenção e o cuidado que se dá à terra (la- vrando-a e cultivando-a), ao corpo (alimentando-o e atendendo às suas necessidades), ao modo de vida externo (como supri- mentos e conforto), à mente (educando-a através de instrução e artes), mas também aos deuses (apresentando-lhes sacrifícios e orações, observando ritos e festas). O Novo Testamento adver- te para o fato de que o culto pagão é carregado de realidade fatal (Cf. 1Co 8. 5; 10. 20; 12. 2; Rm 1. 18-23). Um grande abismo separa o culto pagão do culto cristão. Portanto, é compreensível que a palavra cultus fosse evitada para designar o culto cristão.

Lutero e os escritos confessionais luteranos usam a palavra cultus como sinônimo de Gottesdienst. Na explanação

9. “Publicação grega, escrita presumivelmente pouco antes ou depois do fim do primeiro século. Junto com as Epístolas Pastorais representa a mais antiga ordem eclesiástica cristã. Título completo: Doutrina do Senhor para os povos através dos doze apóstolos”. WEIGÄRTNER, Lindolfo. Termos Teológicos. 10. BRUNNER, Peter. Worship in the name of Jesus, p. 19-20.

WEIGÄRTNER, Lindolfo. Termos Teológicos . 10. BRUNNER, Peter. Worship in the name of Jesus , p.

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WEIGÄRTNER, Lindolfo. Termos Teológicos . 10. BRUNNER, Peter. Worship in the name of Jesus , p.
WEIGÄRTNER, Lindolfo. Termos Teológicos . 10. BRUNNER, Peter. Worship in the name of Jesus , p.

do Primeiro Mandamento no Catecismo Maior Lutero aplica a

palavra Gottesdienst em sentido lato: “Eis que aqui tens o que

é a verdadeira honra e culto divino (Gottesdienst) agradável a

Deus e por ele ordenado sob pena de ira eterna, a saber, que o coração não conheça outro consolo e confiança senão a ele”. 11 Mas Lutero também usa Gottesdienst no sentido restrito de uma assembleia para o culto divino: “Acima de tudo, o fazemos

se tome lugar e tempo a fim

para que em tal dia de descanso

de participar do culto divino isto é, reúnam-se as pessoas com

o objetivo de ouvir e tratar a palavra de Deus e depois louvar a

Deus, cantar e rezar”. 12 Nos seus escritos A Ordem de Culto na Comunidade (1523) e Missa Alemã e Ordem do Culto (1526) Lutero usa a palavra Gottesdienst (Na tradução portuguesa usa-

se a palavra culto) no sentido de assembleias para o culto diário

e dominical. No seu escrito Formulário da Missa e Comunhão

para a Igreja de Wittenberg (1523), Lutero usa o termo cultus dei no mesmo sentido de Gottesdienst. A língua francesa e es- pecialmente a inglesa adaptaram-se a servitium (“service”).

As reflexões terminológicas nos mostram que não te- mos um termo inerrante e conciso para a reunião dos cristãos. Pessoas se reúnem em certos dias num determinado tempo para um encontro com a palavra Deus. Portanto, este encontro é dis-

tinto de todos os outros para os quais as pessoas se reúnem. A característica deste encontro está no fato de que é um estar jun- to em nome de Jesus. E Jesus promete estar junto neste encon- tro. É por isso que também se invoca a presença de Deus o Pai,

o Filho e o Espírito Santo. Não é uma presença vaga de Deus,

mas é o Espírito Santo que trabalha na pessoa e se dirige a Deus

o Pai através de Jesus Cristo concedendo e mantendo a pessoa

cristã na fé. Neste encontro certamente será feita a leitura das

na fé. Neste encontro certamente será feita a leitura das 11. LUTERO, Martinho. Catecismo Maior, I,16.
na fé. Neste encontro certamente será feita a leitura das 11. LUTERO, Martinho. Catecismo Maior, I,16.
na fé. Neste encontro certamente será feita a leitura das 11. LUTERO, Martinho. Catecismo Maior, I,16.

11. LUTERO, Martinho. Catecismo Maior, I,16.

12. Idem, I, 84. 24
12. Idem, I, 84.
24

Escrituras. Nas igrejas da Reforma, os textos que são lidos no domingo ou dia especial também são usados num “sermão”. Também são dirigidas orações a Deus e cantados hinos que em parte são oração, ou louvores, mas também são formas de pro- clamação das Sagradas Escrituras. Uma celebração particular também acontece nestas assembleias, quando o pão e o vinho são distribuídos para que os fiéis recebam o corpo e o sangue de Jesus para perdão de seus pecados.

É necessário fazer uma clara distinção entre o culto em comum e as devoções pessoais. O culto em comum é celebrado pela assembleia reunida. O termo “sinagoga” também foi usado para referir-se à assembleia cristã (Tg 2. 2), mas o termo princi- pal para designar a assembleia cristã é ekklesía (igreja), aqueles que foram chamados para fora do mundo. Ekklesía tem o sig- nificado de reunião, assembleia, congregação, igreja (At 5. 11; 7. 38; 9. 31; 19. 32, 40; Mt 16. 18). No Novo Testamento é usado para designar a igreja local ou universal. É de se notar que o culto em comum começa com reunião de cristãos espalhados em um lugar para formar a igreja em culto. O reunir-se é parte importante do culto em comum. Reunimo-nos para encontrar- nos com Deus e com o nosso próximo.

para encontrar- nos com Deus e com o nosso próximo. Q uestões 1. Elabore uma definição

Questões

1. Elabore uma definição de culto cristão a partir da abordagem fenomenológica, ou seja, explicando o que os cristãos fazem no culto.

Descreva o significado do termo alemão para o culto:

Gottesdienst.

2.

explicando o que os cristãos fazem no culto. Descreva o significado do termo alemão para o

25

explicando o que os cristãos fazem no culto. Descreva o significado do termo alemão para o
explicando o que os cristãos fazem no culto. Descreva o significado do termo alemão para o

3.

Analise as passagens que usa proskineîn para adoração.

4. Analise as passagens de Rm 13. 6, 15. 16; Hb 1. 14; 9. 21;

Fp 2. 25 e Lc 1. 23 que utilizam o termo grego leitourgía. E que situação (contexto) o termo é usado em cada passagem?

5. Por que há um grande abismo entre culto cristão e culto pa-

gão?

há um grande abismo entre culto cristão e culto pa- gão? r eferênCias BRUNNER, Peter. Worship
há um grande abismo entre culto cristão e culto pa- gão? r eferênCias BRUNNER, Peter. Worship
há um grande abismo entre culto cristão e culto pa- gão? r eferênCias BRUNNER, Peter. Worship
há um grande abismo entre culto cristão e culto pa- gão? r eferênCias BRUNNER, Peter. Worship

referênCias

BRUNNER, Peter. Worship in the Name of Jesus. Tradução do alemão para o inglês por M. H. Bertram. Saint Louis/Lon- dres: Concordia Publishing House, 1968.

GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento Gre - go/Português. São Paulo: Vida Nova, 1983.

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A ordem do Culto na Comunidade, in Mar- tinho Lutero, Obras Selecionadas, Vl. 7. p. 65-69.

Formulário da Missa e da Comunhção para a Igreja de Wittenberg, in Martinho Lutero, Obras Sele- cionadas, Vl 7, p. 155-172.

Missa Alemã e Ordem do Culto, in Marti- nho Lutero, Obras Selecionadas, Vl. 7, p. 173-205.

MELANCHTON, Filipe. Apologia da Confissão de Augs- burgo, in Livro de Concórdia, p. 97-304.

SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teolo-

Confissão de Augs- burgo , in Livro de Concórdia, p. 97-304. SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de

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WEIGÄRTNER, Lindolfo. Termos Teológicos. São Leopol- do: Faculdade de Teologia da Igreja de Confissão Luterana no Brasil, 1967.

WHITE, James F. Introdução ao Culto Cristão . Tradução de Walter Schlupp. São Leopoldo: Sinodal, 1997.

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1967. WHITE, James F. Introdução ao Culto Cristão . Tradução de Walter Schlupp. São Leopoldo: Sinodal,
1967. WHITE, James F. Introdução ao Culto Cristão . Tradução de Walter Schlupp. São Leopoldo: Sinodal,
O Culto no Antigo Testamento
O Culto no Antigo Testamento
O Culto no Antigo Testamento

O Culto no Antigo Testamento

1. nO PrinCíPiO manifestações esPOrádiCas

1. n O P rinCíPiO m anifestações e sPOrádiCas “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis

“Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia” (Gn 1. 31). A perfeição da obra de Deus não conhecia pecado e, portanto, não havia tam- bém a necessidade de remissão. A comunhão com Deus era perfeita. Mas, com a queda em pecado, aparece também a ne- cessidade de se restabelecer a comunhão com Deus por causa do pecado que separa as pessoas de Deus. É interessante no- tar que, mesmo ainda não tendo sido estabelecida a maneira de prestar culto a Deus, em manifestações esporádicas de culto que aparecem no início da Bíblia, a oferta de produtos da terra e o sacrifício de animais e o louvor e agradecimento a Deus estão presentes.

O primeiro relato de oferta a Deus inclui também o primeiro homicídio registrado na Bíblia. Caim e Abel trazem ofertas do seu trabalho ao Senhor. Por Deus não ter se agrada- do da oferta de Caim este mata o seu irmão Abel. É um relato trágico e que mostra a que consequências pode levar o pecado (Gn 4. 1-7). Para entendermos a diferença que Deus fez entre as duas ofertas precisamos ver Hebreus 11. 4. Aí nos é revelado que foi pela fé que Abel ofereceu um sacrifício melhor do que Caim.

Outro relato de oferta a Deus está ao final da história do dilúvio. Noé edifica um altar e queima animais em holocaus- to a Deus (Gn 8. 20-22). É interessante ver a reação de Deus a esta oferta: “O Senhor aspirou o suave cheiro”, ou seja, Deus se agradou da oferta de Noé. Esta reação de Deus também vai

“O Senhor aspirou o suave cheiro”, ou seja, Deus se agradou da oferta de Noé. Esta

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“O Senhor aspirou o suave cheiro”, ou seja, Deus se agradou da oferta de Noé. Esta
“O Senhor aspirou o suave cheiro”, ou seja, Deus se agradou da oferta de Noé. Esta

aparecer mais tarde no culto que ele mesmo vai instituir.

O sacrifício que Deus pede a Abraão é inusitado. Deus

lhe pede: “Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” (Gn 22. 2). Certamente Abraão jamais poderia esperar tal atitude de Deus: um sacrifício humano! Além disso, Isaque seria o único a continuar o povo que Deus mesmo iria constituir e, agora, estaria por terminar este povo? Mas o final da história coloca um alívio nisto tudo. Deus não quer sacrifício humano. Na verdade Deus testou a fé que Abraão tinha (Hb 11. 17-19). Isaque se tornou um tipo de Cristo, este sim, que deu sua vida em favor de toda a humanida- de.

A maneira que Jacó prestou culto a Deus é bem singu-

lar: toma uma pedra, erige esta pedra em coluna, entorna azeite sobre ela e lhe dá o nome de Betel, que significa Casa de Deus. Além disso, faz voto a Deus a Deus de lhe dar o dízimo, se tudo lhe correr bem (Gn 28. 18-22). Aqui também há um paralelo com o culto que mais tarde Deus vai instituir: sobre os sacrifí- cios seria entornado vinho (Nm 15. 5-10).

Mais um exemplo de culto antes da instituição do culto pelo próprio Deus é a vida de José. Ele serve de exemplo de vida temente dedicada a Deus (Gn 39). Enfrentou as consequ- ências de não se render aos apelos sexuais da mulher de Potifar, dizendo: “como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gn 39. 9). José serve de exemplo ao apelo do apóstolo Paulo que pede que apresentemos nosso “corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” que é o nosso “culto racional”. (Rm 12. 1)

Mesmo antes de haver instituído o culto, nos exemplos acima podemos ver claramente a iniciativa de Deus na maioria

1) Mesmo antes de haver instituído o culto, nos exemplos acima podemos ver claramente a iniciativa
1) Mesmo antes de haver instituído o culto, nos exemplos acima podemos ver claramente a iniciativa
1) Mesmo antes de haver instituído o culto, nos exemplos acima podemos ver claramente a iniciativa

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1) Mesmo antes de haver instituído o culto, nos exemplos acima podemos ver claramente a iniciativa

dos casos: Para Noé, o seu sacrifício é motivado pelo fato de Deus ter salvado a ele e sua família do dilúvio; para Abraão, Deus prometera que dele faria uma grande nação, e é Deus que

o move para o sacrifício e até providencia o carneiro; para José, seu culto de vida é motivado pela proteção que Deus lhe dá, apesar de estar numa terra estranha, sendo reconhecido como administrador de todos os bens de seu senhor.

2. a intervençãO de deus

todos os bens de seu senhor. 2. a i ntervençãO de d eus ” (Gn 12.

(Gn 12. 1). Com estas palavras há uma intervenção nova na história da humanidade: elas iniciam a segregação e eleição de Israel. Isto não quer dizer que Deus não tinha suas testemunhas antes deste chamado a Abrão (Cf. Gn 4. 26; 5. 24; 6. 8-9). Mas com a eleição de Israel temos um caráter messiânico na história de Deus com a humanidade. Deus inicia a sua obra da salvação eterna, livrando a humanidade da queda no pecado e suas terrí- veis consequências. O caminho do sacrifício de Jesus inicia com

o chamado de Abrão. De Abrão Deus constituiria uma grande nação e ele deveria ser uma bênção (Gn 12. 2).

Com os acontecimentos do dilúvio e da torre de Babel Deus já havia intensificado sua presença entre a humanidade. Mas foram duas manifestações da ira de Deus sobre o pecado da humanidade (Gn 7. 21; 11. 7-9). Agora, com o chamado de Abrão Deus intensifica mais uma vez a sua presença. No entan- to, sua presença, agora, é muito pessoal e graciosa. Deus chama um povo e dá-lhes sua palavra na qual se faz ativamente presen- te. Nesta palavra Deus ensina como quer ser servido e como deve ser cultuado. Eis um mistério: Deus escolhe a fala humana

“Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra

como deve ser cultuado. Eis um mistério: Deus escolhe a fala humana “Ora, disse o SENHOR

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como deve ser cultuado. Eis um mistério: Deus escolhe a fala humana “Ora, disse o SENHOR
como deve ser cultuado. Eis um mistério: Deus escolhe a fala humana “Ora, disse o SENHOR

para a sua própria comunicação e ação entre a humanidade. De tempos em tempos Deus se revela e transmite a sua palavra. Em certas ocasiões ele também se manifesta de alguma forma visível. Chamamos isto de teofania ou epifania. Mas a presença de Deus nunca ficou restrita a estas aparições nem es- teve amarrada aos locais onde apareceu.

Nos dias dos patriarcas houve muitas teofanias (Cf. Gn 16. 7-14 – (Deus aparece a Agar e lhe promete multiplicar a sua descendência; Gn 21. 17: Deus socorre Agar e seu filho no deser- to; Gn 24. 7, 40) – Deus providencia para Isaque sua esposa Re- beca. Deus se manifesta como um anjo, semelhante a uma pessoa.

No tempo em que Israel peregrinou no deserto vemos uma intensificação das manifestações de Deus tanto em número quanto em duração. Antes mesmo da peregrinação, Deus apare- ce a Moisés numa sarça ardente (Êx 3). Durante os dias no de-

serto a coluna de fogo, a coluna de nuvem, o Anjo do Senhor, a Arca da Aliança e outras formas foram manifestações de Deus:

Êx 13. 21-22; 14. 19 – coluna de nuvem e coluna de fogo;

Nm 9. 15-18 – nuvem e fogo sobre o tabernáculo;

Nm 16. 31-35 – Deus castiga os rebeldes abrindo a terra debaixo de seus pés;

Nm 22. 31 – O Senhor abre os olhos a Balaão para que veja o anjo do Senhor.

abre os olhos a Balaão para que veja o anjo do Senhor. 3. i nstitui -

3. institui-se O CultO

Por ocasião da saída iminente do povo de Israel da ter- ra do Egito, institui-se a Páscoa (Êx cap. 12. Veja especialmente os versículos 2-3, 7, 13-14, 25-27). A época no nosso calendário

a Páscoa (Êx cap. 12. Veja especialmente os versículos 2-3, 7, 13-14, 25-27). A época no
a Páscoa (Êx cap. 12. Veja especialmente os versículos 2-3, 7, 13-14, 25-27). A época no
a Páscoa (Êx cap. 12. Veja especialmente os versículos 2-3, 7, 13-14, 25-27). A época no

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a Páscoa (Êx cap. 12. Veja especialmente os versículos 2-3, 7, 13-14, 25-27). A época no

é março/abril e, naquela ocasião serviu para marcar o início de um novo ano religioso (v. 2):

Ocordeirooucabritodapáscoa,assadosobreo

fogo,representaaproteçãoeprovisãodeDeusporseu

povo:IsraeléoprimogênitodeDeus.Aservasamar-

gasrepresentamtodoosofrimentoquesuportaramno Egito.Ospãessemfermentoevocamarapidezdasua partida(nãohaviatempoparausarfermentoedeixar o pão crescer). 13

Após a ocupação da terra prometida Deus continuou a se manifestar através da arca da aliança. Com a construção do templo as manifestações de Deus aconteceram no templo. O dia da dedicação do templo foi um acontecimento notável (2 Cr 5. 13-14; 7. 1-3).

A presença de Deus no templo se dava através dos sa- cerdotes que oficiavam os sacrifícios. Além dessa presença Deus também se revelou na palavra levada ao povo pelos profetas. Portanto, o povo era dependente da presença de Deus median- te um sacerdote ou profeta. Portanto, a presença de Deus não estava circunscrita ao templo (Jr 7. 1-15; Mq 3. 11-12). Estava também na palavra dos profetas que constantemente chamavam

o povo ao arrependimento.

Com a divisão do reino em dois, após Salomão, o rei- no do norte acabou se dissolvendo gradativamente e dominado pelos assírios. O reino do sul (reino de Judá) acabou indo para o cativeiro babilônico como castigo de Deus pela infidelidade de seu povo.

13. MANUAL BÍBLICO SBB, p. 164.

indo para o cativeiro babilônico como castigo de Deus pela infidelidade de seu povo. 13. MANUAL

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indo para o cativeiro babilônico como castigo de Deus pela infidelidade de seu povo. 13. MANUAL
indo para o cativeiro babilônico como castigo de Deus pela infidelidade de seu povo. 13. MANUAL

O culto do povo judeu continuou nas sinagogas ergui- das no exílio. Lá havia encontro de oração, leitura e ensinamento da Lei, canto dos Salmos e comentário dos escritos dos profetas. Depois do exílio o templo foi reconstituído sob Esdras, o sacer- dote, guardião zeloso da Lei e Neemias, um leigo encarregado de reconstruir a cidade e os muros de Jerusalém. O templo tam- bém foi reconstruído, mas estava agora sem a arca da aliança.

Com o tempo cessaram-se as revelações de Deus e não houve mais palavra profética. Parecia que Deus havia abandona- do a história de seu povo.

Mas, “na plenitude do tempo” (Gl 4. 4) Deus aparece em carne. A própria palavra eterna tornou-se carne. O Messias prometido é revelado na pessoa de Jesus Cristo. Após realizar a sua obra Cristo é assentado à direita de Deus Pai (Ef 1. 20), mas continua presente através do Espírito Santo (Jo 14. 16-17) e na igreja (ekklesía) que é o seu corpo (Cl 1. 18). Finalmente, com o retorno de Cristo estarão cumpridas todas as manifestações de Deus e, no novo céu e na nova terra, na nova Jerusalém, Deus habitará conosco no seu tabernáculo (Ap 21. 1-3).

O culto no Antigo Testamento era basicamente de na- tureza sacrifical. Aparentemente o culto de Israel parece seme- lhante aos cultos dos seus povos vizinhos. No entanto, apesar desta semelhança formal, o culto de Israel era, em sua essên- cia, muito diferente dos cultos de sacrifício pagãos. Isto porque o culto do Antigo Testamento se revela no evangelho. É uma instituição do próprio Deus e encontra seu cumprimento em Jesus Cristo. Cada sacrifício de Israel é cumprido no próprio sacrifício de Jesus Cristo. E é por causa do sacrifício único de Jesus Cristo que o culto de Israel teve expiação, reconciliação e apaziguamento da ira de Deus, mesmo que ainda tudo estivesse na promessa. É por isso que as ofertas queimadas exalavam um

da ira de Deus, mesmo que ainda tudo estivesse na promessa. É por isso que as
da ira de Deus, mesmo que ainda tudo estivesse na promessa. É por isso que as
da ira de Deus, mesmo que ainda tudo estivesse na promessa. É por isso que as

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da ira de Deus, mesmo que ainda tudo estivesse na promessa. É por isso que as

“aroma agradável ao Senhor” (Lv 1. 9).

A oferta contínua no templo mostra que Deus está ira- do com o homem não somente por causa deste ou daquele pe- cado, mas que há alguma coisa inerente no homem que precisa ser removida para que Deus não o destrua com sua ira (Êx 29. 38-46). O sangue passa a ter importância primordial no culto do Antigo Testamento.

Há um relacionamento estreito entre o animal sacrifica- do e o povo de Israel. Isto se nota de maneira bem característi- ca no Dia da Expiação. Aí os pecados eram colocados sob um bode expiatório que era conduzido para o deserto a fim de levar para longe as transgressões do povo. O outro bode paga com seu sangue pelos pecados do povo (Lv 16. 7-10).

Notemos bem que a atividade de culto, que expiava o pecado e o eliminava, não era uma iniciativa humana, mas divi- na. É o contrário dos cultos pagãos onde os homens tomavam as iniciativas de aplacar a ira dos deuses. O ato, sim, tinha que ser realizado pelo homem, mas por intermédio do sacerdote, o elo de ligação entre Deus e o homem.

O sacerdócio no Antigo Testamento era uma institui- ção rigorosamente circunscrita. Não era qualquer um que pode- ria ser um sacerdote. Sacrifício, reparação, expiação – tudo isso marcava um ato a ser realizado numa área delimitada. Não era qualquer pessoa que tinha o direito de ocupar esta área; ninguém poderia estar aí sem estar autorizado por Deus. Quem estivesse diante de Deus com o sacrifício entrava, por assim dizer, numa zona perigosa, na qual poderia entrar somente quem tivesse uma autorização especial. Por isso o sacerdote, em virtude da sua função, tomava o sacrifício da mão do indivíduo e o trazia a Deus. Assim o sacerdote tornou-se o mediador no culto sacri- fical. O indivíduo poderia tratar com Deus neste culto sacrifical

o sacerdote tornou-se o mediador no culto sacri - fical. O indivíduo poderia tratar com Deus

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o sacerdote tornou-se o mediador no culto sacri - fical. O indivíduo poderia tratar com Deus
o sacerdote tornou-se o mediador no culto sacri - fical. O indivíduo poderia tratar com Deus

somente através da mediação do sacerdote.

Também a instituição sacerdotal mostra que a obra da reconciliação não dependia da iniciativa do indivíduo. A apre- sentação diária do sacrifício no templo era um ato separado da congregação como tal. O povo de Deus não efetuava a recon- ciliação, mas vivia da reconciliação. A concentração do culto sa-

crifical na instituição sacerdotal significava que o apaziguamento

da ira de Deus era realmente efetuado exclusivamente por uma

instituição de Deus, por um ato iniciado por Deus para o povo e não iniciado pelo povo. Portanto, o culto sacrifical dos sacerdo- tes vinha para a congregação e para o indivíduo como um dom obtido para eles. No que diz respeito à reconciliação, a congre- gação e o indivíduo somente podiam deixar que isto acontecesse

a eles e aceitá-la como um dom ou dádiva ou bênção.

A conexão do sacrifício à instituição sacerdotal demons-

trava que o sacrifício teria que ser apresentado continuamente.

O

ato expiatório não podia ser interrompido. A cada momento

o

povo estava em necessidade de apaziguamento da ira de Deus.

Um simples sacrifício, como os sacerdotes faziam, não poderia apaziguar a ira de Deus para sempre. Por isso, uma cadeia sem

fim de sacrifícios era necessária. Para que Deus ficasse graciosa- mente entre seu povo era necessária a presença ininterrupta do sacrifício perante Deus. A conclusão de um sacrifício já reclama-

va repetição, o que mostrava seu caráter preliminar e simbólico

que somente representava o objeto real, aquilo que era realmen-

te necessário e por isso admitia sua própria impotência interior.

Outro aspecto significativo do culto sacrifical do An-

tigo Testamento era a comunhão. Esta comunhão é distinta do sacrifício prestado para a reconciliação ou expiação. Enquan-

to que o sacrifício de expiação era intencionado somente para

Deus, no sacrifício de comunhão apenas uma pequena parte era

sacrifício de expiação era intencionado somente para Deus, no sacrifício de comunhão apenas uma pequena parte
sacrifício de expiação era intencionado somente para Deus, no sacrifício de comunhão apenas uma pequena parte
sacrifício de expiação era intencionado somente para Deus, no sacrifício de comunhão apenas uma pequena parte

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sacrifício de expiação era intencionado somente para Deus, no sacrifício de comunhão apenas uma pequena parte

destinada a Deus, pois era essencialmente para uma refeição de comunhão. Os participantes desta refeição estavam unidos através desta refeição numa comunhão sagrada com Deus. A “aliança” com Deus era posta em prática. Deus e o indivíduo entravam numa comunhão. Mas, ao mesmo tempo Deus era o centro de um círculo de comunhão que unia os participantes uns com os outros.

Todo o culto sacrifical do Antigo Testamento tem que ser concebido como um dom de Deus às pessoas. Deus é quem capacita a pessoa a servi-lo verdadeiramente. Por isso, quando Israel achava que Deus poderia ser manipulado conforme seus desejos através de sacrifícios, Deus considerava isto uma quebra de sua aliança (Is 1. 10-17). Os profetas constantemente ataca- vam esta perversão do culto de Israel. Mostravam que o culto não salvava pela realização em si dos sacrifícios. Os sacrifícios precisavam ser acompanhados pela aceitação do dom da sal- vação, ou seja, pela confiança na promessa do Messias, e esta confiança era expressa no ato de obediência à vontade de Deus.

Justamente pelo fato de que o povo de Israel havia sido escolhido por Deus, que Deus habitava entre eles, que a recon- ciliação lhes era garantida no anúncio da promessa, por tudo isso eles também eram julgados quando negavam a Deus o culto para o qual Deus mesmo os havia habilitado a lhe render.

O culto do Antigo Testamento apontava para a revela- ção do grande plano de salvação de Deus que ainda não chegara. Por apontar para este plano mostrava que esta salvação ainda não havia chegado.

de Deus que ainda não chegara. Por apontar para este plano mostrava que esta salvação ainda

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de Deus que ainda não chegara. Por apontar para este plano mostrava que esta salvação ainda
de Deus que ainda não chegara. Por apontar para este plano mostrava que esta salvação ainda
4. O s s aCrifíCiOs n O l ivrO d e l evítiCO Sacrifícios –

4. Os saCrifíCiOs nO livrO de levítiCO

Sacrifícios – centro do culto no tabernáculo. Elemento mais importante: sangue.

Holocausto (Capítulo 1)

O sacrifício é queimado sobre o altar e que faz subir

(‘olah’ – hebraico) a fumaça para Deus. A palavra “holocaus- to” vem da tradução para o grego olokaútoma, e significa que

a vítima é queimada totalmente nada sobrando para o ofertante

nem para o sacerdote, com exceção da pele que ficava para o

sacerdote.

Sequência do ritual do Holocausto de gado:

- Apresentação da vítima (v. 3);

- Imposição da mão do ofertante sobre a vítima (v. 4);

- Morte da vítima (v. 5);

- Aspersão do sangue (v. 5);

- Ato de esfolar o animal (v. 6);

- Ato de partir o animal em seus pedaços (v. 6);

- Preparo do altar (v. 7);

- Ato de queimar o holocausto (vv. 8-9).

Os holocaustos particulares podiam ser de gado, de gado miúdo (carneiros ou cabritos) ou de aves. De acordo com

a possibilidade financeira do ofertante se fazia a oferta. Quando

a oferta era de gado, o próprio ofertante degolava o animal, o esquartejava. A função do sacerdote somente iniciava quando

a vítima entra em contato com o altar, espalhando o sangue ao

redor do altar. O sangue contém vida e o sangue pertence so- mente a Deus (Lv 7. 26-27; 17. 14; Gn 9. 4; Dt 12. 23). Quando

altar. O sangue contém vida e o sangue pertence so - mente a Deus (Lv 7.
altar. O sangue contém vida e o sangue pertence so - mente a Deus (Lv 7.
altar. O sangue contém vida e o sangue pertence so - mente a Deus (Lv 7.

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altar. O sangue contém vida e o sangue pertence so - mente a Deus (Lv 7.

a oferta era de ave, o próprio sacerdote degolava a vítima. Os holocaustos públicos, pela nação como um todo, eram feitos totalmente pelos sacerdotes (2Cr 29. 22, 24, 34; Ez 44. 11).

Significado do holocausto: a própria vida do ofertante é inteiramente consagrada a Deus.

Como Deus recebia o holocausto: vv. 9, 13, 17.

Oferta de Manjares (Capítulo 2) Uma oferta de vegetais com azeite e vinho como liba- ção acompanhavam os sacrifícios. Esta oferta vegetal é chamada de minhah, que significa “dom”.

Única oferta sem derramamento de sangue.

Variedades:

a. Oferta de manjares de farinha. É uma oferta não cozida embebida em óleo e acompanha- da de incenso; o incenso e um pouco da fari- nha são queimados sobre o altar e o restante vai para os sacerdotes (v. 1-3);

b. Oferta de manjares de bolos. São os mesmo

ingredientes, mas cozidos. Também uma parte é dos sacerdotes (v. 4, 5, 7);

c. Oferta de manjares de espigas verdes. Quan- do esta oferta é de espigas verdes, está asso- ciada às primícias (v. 14);

Elementos a acrescentar à oferta de manjares: azeite, incenso e sal (vv. 1 e 13);

Elementos proibidos: fermento e mel (v. 11);

Vinho como libação (Êx 29. 40; Nm 15. 5-10);

Alimento para os sacerdotes (vv. 3, 10).

Sacrifícios pacíficos (Capítulo 3; 7. 11-18) Como o próprio nome diz sugere, o “sacrifício pací- fico” (hebraico shelamim – “pacífico”) não envolve o cometi-

nome diz sugere, o “sacrifício pací - fico” (hebraico shelamim – “pacífico”) não envolve o cometi

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nome diz sugere, o “sacrifício pací - fico” (hebraico shelamim – “pacífico”) não envolve o cometi
nome diz sugere, o “sacrifício pací - fico” (hebraico shelamim – “pacífico”) não envolve o cometi

mento de pecado específico que deva ser perdoado. É um sacri- fício de comunhão onde se rende graças a Deus.

Três motivos para a oferta:

a. Ações de graça (7. 12);

b. Voto (7. 16);

c. Oferta voluntária (7. 16).

Ocasiões para a oferta:

a. Qualquer tempo (19. 5);

b. Prescrito para a festa das primícias (23. 19).

Significado da oferta pacífica:

a. Ação de graças (7. 12; 22. 29);

b. Comunhão com Deus e com o próximo (7. 14-16; 7. 31-36).

Na “oferta pacífica” a vítima é repartida entre Deus, o sacerdote e o ofertante. Neste caso, obviamente não entram aves e o animal pode ser macho ou fêmea. A parte do SENHOR é queimada sobre o altar: gordura, entranhas (Lv 3. 14-17; 7. 22- 25). Ao sacerdote cabe o peito e a coxa direita (Lv 7. 16-17; 10. 14-15). Ao ofertante fica o restante da carne.

Sacrifícios pelos pecados São ofertas obrigatórias por causa do pecado. Nestes

sacrifícios o sangue exerce a função mais importante. O indiví- duo é culpado – deve trazer sua oferta.

Significado da oferta pelo pecado:

a. Exigência de vida limpa e reta (5. 1-5; 6. 4-7);

b. Necessidade de expiação (4. 35);

c. Mal cometido contra o próximo é ofensa ao Senhor (6. 2).

O CultO diáriO

Deus prometera habitar o tabernáculo (Êx 25. 8; 29.

contra o próximo é ofensa ao Senhor (6. 2). O C ultO d iáriO Deus prometera
contra o próximo é ofensa ao Senhor (6. 2). O C ultO d iáriO Deus prometera
contra o próximo é ofensa ao Senhor (6. 2). O C ultO d iáriO Deus prometera

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contra o próximo é ofensa ao Senhor (6. 2). O C ultO d iáriO Deus prometera

45,46) – Sua presença, então, é ali celebrada continuamente.

O holocausto diário

Cada manhã e cada tarde era oferecido um cordeiro no altar de bronze (Êx 29. 38,39; Nm 28. 3,4). Era o

holocausto pela nação toda – expressão da consagra- ção e celebração contínua do povo de Deus.

O sangue derramado antes do holocausto era a expia- ção dos pecados da nação.

As ofertas de manjares diários

Era a gratidão a Deus pelo sustento dado ao povo (Nm 28. 2,5).

As libações diárias

Acompanhavam o cordeiro e a oferta de manjares (Êx 29. 40; Nm 28. 7-8).

O incenso diário

Oferecido no altar que ficava no lugar santo (Êx 30.

7-8);

 

Incenso é símbolo de oração (Sl 141. 2).

A lâmpada acesa continuamente

Lembrança da presença contínua do Senhor (Lv 24.

2).

O CultO semanal

Sábado era o dia de descanso do povo judeu. Deveriam cessar as atividades rotineiras.

Dois cordeiros pela manhã e dois pela tarde;

A oferta de manjares e sua libação também eram du- plicadas (Nm 28. 9,10).

Os pães da proposição

Eram colocados na mesa à direita de quem entrasse

eram du- plicadas (Nm 28. 9,10). Os pães da proposição • Eram colocados na mesa à

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eram du- plicadas (Nm 28. 9,10). Os pães da proposição • Eram colocados na mesa à
eram du- plicadas (Nm 28. 9,10). Os pães da proposição • Eram colocados na mesa à

no tabernáculo, junto com o incenso;

Arão e seus filhos os comiam cada sábado, repunham

os

pães e queimavam o incenso no altar (Êx 25. 30;

Lv

24. 5-9).

O CalendáriO litúrgiCO anual

As festas de lua nova

Realizadas nos princípios dos meses;

Sacrifícios especiais e o toque de trombetas (Nm 28. 11-15; 10. 10).

As festividades anuais

A Páscoa – 1º Mês

Estabelecida por Deus ainda no Egito (Êx 12. 1- 2,7,23-27; Lv 23. 5);

Os pães asmos: seguia-se imediatamente à Páscoa com 7 dias de duração (Lv 23. 6-8).

A Festa das Semanas

Também chamada de “primícias” e posteriormente pentecostes (Êx 34. 22; Nm 28. 26; At 2. 1);

Ofertas especiais eram feitas (Lv 23. 15-21). Era uma oportunidade de agradecimento pelas primícias com ofertas especiais.

A Festa dos Tabernáculos – 7º Mês

Toque das trombetas: Nm 29. 1ss – 1o dia;

Dia da expiação: Lv 23. 26-32 – 10o dia;

A Festa dos Tabernáculos: Lv 23. 33-36 – 15o dia. Ha- bitavam em tendas por 7 dias para lembrar os dias no deserto: Lv 23. 42-43.

Os atOs individuais de CultO

Expiação individual

por 7 dias para lembrar os dias no deserto: Lv 23. 42-43. O s a tOs
por 7 dias para lembrar os dias no deserto: Lv 23. 42-43. O s a tOs
por 7 dias para lembrar os dias no deserto: Lv 23. 42-43. O s a tOs

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por 7 dias para lembrar os dias no deserto: Lv 23. 42-43. O s a tOs

Pecado contra a Lei precisaria purificação: Lv 4. 2-4; 4. 22-26; 4. 27-35; 5. 1-13 etc.

Purificações cerimoniais

Contato com algo impuro. Ex.:

A mulher após o parto (Lv 12).

Cura da lepra (Lv 14).

Holocaustos individuais

Ação de graças e consagração pessoal: Nm 29. 39;

Purificações individuais: Lv 12. 6; Nm 6. 11-14; Lv 14. 13,19;

Consagração dos levitas e dos sacerdotes: Nm 8. 12;

Lv 9. 2,12,14.

Oferta de manjares

Acompanhava normalmente os sacrifícios.

Sacrifícios pacíficos

Solenidades de louvor ao Senhor; comunhão entre o ofertante e Deus;

Parte era queimada e parte era comida pela família do ofertante e pelos sacerdotes: Lv 7. 11-18, 31-34.

Os dízimos

Faziam parte das ofertas ao Senhor: Lv 27. 30-33.

Os votos

Demonstração de seu desejo de consagração total a Deus: Lv 27.

CristO, O CumPrimentO dO CultO dO antigO testamentO

No AT, sacrifício constante de animais – Em Cristo

temos o sacrifício perfeito que cumpriu a necessidade

da continuação dos sacrifícios do Antigo Testamento

Em Cristo temos o sacrifício perfeito que cumpriu a necessidade da continuação dos sacrifícios do Antigo

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Em Cristo temos o sacrifício perfeito que cumpriu a necessidade da continuação dos sacrifícios do Antigo
Em Cristo temos o sacrifício perfeito que cumpriu a necessidade da continuação dos sacrifícios do Antigo

(Hb 9. 13-14; 10. 11-12; 13. 10-15).

No AT celebrava-se a Páscoa como libertação de Is- rael dos egípcios – Em Cristo temos a libertação da es- cravidão do pecado para uma nova vida (2Co 5. 14-17).

No AT o Pentecostes celebrava a colheita – No NT o Pentecostes celebra a colheita para a Igreja do Senhor (At 2).

No AT o incenso era símbolo de oração (Sl 141. 2) – Cristo é aquele que intercede continuamente a Deus por nós.

é aquele que intercede continuamente a Deus por nós. 5. C OnClusões s Obre O C

5. COnClusões sObre O CultO dO antigO testamentO 14

1.

No culto do Antigo Testamento o indivíduo lida com o único, verdadeiro e vivo Deus. O próprio Deus institui o culto reve- lando-o em sua palavra.

2.

O centro do culto é a remoção do pecado que oprimia o indivíduo e provocava a ira de Deus. Deus mesmo estabele- ceu as providências pelas quais sua ira seria apaziguada e os pecados removidos. Para isto instituiu o culto sacrifical e o sacerdócio, meios pelos quais garantiu perdão e comunhão.

3.

O

pecado foi reconhecido como a realidade oposta a Deus

que teria que ser removido de uma maneira real e concreta.

O

ritual cúltico levava o pecador de volta à reconciliação com

 

Deus.

4.

Havia uma unidade entre o sacrificante, o sacrifício e a apre- sentação sacerdotal do sacrifício; no entanto, a execução do

14. Cf. BRUNNER, Peter, Worship in the Name of Jesus, p. 58-60.

do sacrifício; no entanto, a execução do 14. Cf. BRUNNER, Peter, Worship in the Name of
do sacrifício; no entanto, a execução do 14. Cf. BRUNNER, Peter, Worship in the Name of
do sacrifício; no entanto, a execução do 14. Cf. BRUNNER, Peter, Worship in the Name of

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do sacrifício; no entanto, a execução do 14. Cf. BRUNNER, Peter, Worship in the Name of

sacrifício só poderia ser feita pelo sacerdote, separado por Deus para este ofício.

5. Havia uma misteriosa associação entre o doador e a oferta no sacrifício; o sangue derramado do sacrifício significava ex- piação. Mas o sacrifício expiatório em si não era consumado uma vez que ele apenas apontava para o grande sacrifício do Messias prometido.

6. O sacrifício do Antigo Testamento era consumido na sua re- alização. Sua impotência escondia-se na sua constante repetição.

7. Havia dois tipos distintos de sacrifício: o sacrifício de doação para o holocausto, onde o objetivo era o perdão do pecado e

o apaziguamento da ira de Deus; e o sacrifício pacífico onde

a oferta era para uma refeição de comunhão e só parte era oferecida em holocausto.

8. Havia necessidade do serviço sacerdotal, pois a pessoa co- mum não podia estar na presença imediata de Deus. Mesmo assim o sacerdote também precisava fazer sacrifício para si mesmo pelos seus próprios pecados.

9. Fazia parte da aliança com Deus o culto de vida obediente aos mandamentos de Deus e de gratidão a Deus pelo dom da salvação.

10. O culto instituído por Deus no Antigo Testamento concedia salvação. No entanto, era preciso ter fé na concretização futu- ra da salvação que apontava para o Messias prometido.

11. O povo de Israel foi escolhido entre as nações do mundo. Seu culto era realizado vicariamente pelo mundo. Mas este culto estava ainda atado a um lugar definido, a estações de- finidas, a um povo definido, a ritos definidos e detalhados. Mas tudo isto estava previsto para ser passageiro. Israel em si deveria passar quando surgisse a nova era nos tempos finais e

isto estava previsto para ser passageiro. Israel em si deveria passar quando surgisse a nova era

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isto estava previsto para ser passageiro. Israel em si deveria passar quando surgisse a nova era
isto estava previsto para ser passageiro. Israel em si deveria passar quando surgisse a nova era

entrasse em vigor o culto da ekklesía que abrangeria judeus e gentios (Ef 2. 11-22).

da ekklesía que abrangeria judeus e gentios (Ef 2. 11-22). Q uestões 1. Veja o capítulo

Questões

1. Veja o capítulo 3, “Institui-se o Culto” e responda:

a. Como deveria ser o cordeiro escolhido para a cele- bração da Páscoa?

b. Como Deus manifestou a sua aprovação com a dedi-

cação do templo?

c. O que Deus realiza na “plenitude do tempo”?

d. O culto no Antigo Testamento até poderia ser seme-

lhante a outros culto no aspecto visual (sacrifícios). No entanto no que se diferencia essencialmente dos cultos

pagãos?

e. Qual era basicamente a tarefa dos profetas no Antigo Testamento?

2. Veja o capítulo 4, “Os Sacrifícios no Livro de Levítico”. Leia

as passagens que tratam do holocausto, das ofertas de manjares, dos sacrifícios pacíficos e dos sacrifícios pelos pecados. Cada grupo ou pessoa pode estudar um item por alguns minutos e, depois, apresentá-lo aos outros.

3. Depois de apresentados os itens anteriores, veja, agora, as passagens que tratam do culto diário, do culto semanal, do ca- lendário litúrgico anual e dos atos individuais de culto. Cada grupo ou pessoa pode estudar um item por alguns minutos e, depois, apresentá-lo aos outros.

4. Examine as passagens que tratam do item “Cristo, o Cumpri-

mento do Culto do Antigo Testamento” e discuta com a turma.

as passagens que tratam do item “Cristo, o Cumpri - mento do Culto do Antigo Testamento”
as passagens que tratam do item “Cristo, o Cumpri - mento do Culto do Antigo Testamento”
as passagens que tratam do item “Cristo, o Cumpri - mento do Culto do Antigo Testamento”

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as passagens que tratam do item “Cristo, o Cumpri - mento do Culto do Antigo Testamento”
r eferênCias BELOTTO, Nilo, REILY, Duncan Alexander, CÉSAR, Ely Éser Barreto. Nós e o culto:

referênCias

BELOTTO, Nilo, REILY, Duncan Alexander, CÉSAR, Ely Éser Barreto. Nós e o culto: um estudo da liturgia cristã. São Paulo: Fac. de Teologia da Igreja Metodista, 1977.

BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

BRUNNER, Peter. Worship in the Name of Jesus. Traduzido do alemão para o inglês por M. H. Bertram. Saint Louis: Con- cordia Publishing House, 1968.

LUTHERAN SERVICE BOOK. The commission on Wor- ship of The Lutheran Church - Missouri Synod. Saint Lou- is: Concordia Publishing House, 2006.

MANUAL BÍBLICO SBB. Tradução de Lailah de Noronha. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

SANTOS, Jonathan F. dos. O Culto no Antigo Testamento:

sua relevância para os cristãos. São Paulo: Vida Nova, 1986.

VAUX, R. DE. Instituições de Israel no Antigo Testamento. Traduzido por Daniel de Oliveira. São Paulo: Editora Teológica,

2003.

Instituições de Israel no Antigo Testamento . Traduzido por Daniel de Oliveira. São Paulo: Editora Teológica,

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Instituições de Israel no Antigo Testamento . Traduzido por Daniel de Oliveira. São Paulo: Editora Teológica,
Instituições de Israel no Antigo Testamento . Traduzido por Daniel de Oliveira. São Paulo: Editora Teológica,
Os Salmos no Antigo Testamento
Os Salmos no Antigo Testamento

Os Salmos no Antigo Testamento

O cristianismo nasceu dentro do judaísmo em meio a uma cultura greco-romana. As atividades da

Ocristianismo nasceu dentro do judaísmo em meio a uma cultura greco-romana. As atividades da religião judaica, então, gi- ravam em torno do templo, da sinagoga e dos lares. Durante o período de quatrocentos anos após o exílio babilônico o templo desenvolveu um ofício elaborado de culto que estava sob a hie- rarquia sacerdotal. Sacrifício de animais, canto coral de salmos acompanhado de instrumentos era a função básica do culto no templo. A sinagoga, que provavelmente surgiu durante o exílio babilônico, estava separada do culto do templo. Tendo voltado à sua terra natal, os judeus transplantaram a sinagoga para Israel. Assim, no templo, o centro do culto eram os sacrifícios; na sina- goga, a ênfase girava em torno da oração e leitura e exposição da Escritura. Parece que não havia grande atividade de canto na sina- goga. Mas em casa, especialmente em dias festivos como na Pás- coa, incluía-se o canto de salmos como parte do ritual da refeição.

especialmente em dias festivos como na Pás - coa, incluía-se o canto de salmos como parte

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especialmente em dias festivos como na Pás - coa, incluía-se o canto de salmos como parte
especialmente em dias festivos como na Pás - coa, incluía-se o canto de salmos como parte

1. sua História

1. s ua H istória Podemos fazer uma divisão sobre o uso dos Salmos no Antigo

Podemos fazer uma divisão sobre o uso dos Salmos no Antigo Testamento em cinco períodos.

1º PeríOdO: antes dO usO de CântiCOs nO CultO dO tabernáCulO.

Os primeiros cânticos ou salmos foram compostos por Moisés. 15

Cânticos de Moisés:

a. Êxodo 15. 1-18: Moisés entoa este cântico e os filhos de Israel o acompanham. Ocasião: após o afogamen- to de Faraó e todo o seu exército no Mar Vermelho. Motivação: o cântico surge como resposta da ação de Deus em libertá-los de seus poderosos inimigos (vs. 1-2).

b. Deuteronômio 32. 1-43: Composto no fim da vida de Moisés. Tem a intenção de proclamar o nome de Deus e engrandecê-lo (v. 3). Realça as perfeições e a fidelidade de Deus (vs. 4, 13, 14, 39-43). Este cântico é uma análise de como o povo responde às ações de Deus.

c. Salmo 90: ressalta a eternidade de Deus e da transito- riedade do homem.

Cântico de Débora:

Juizes 5: ressalta Deus como vitorioso sobre seus inimigos.

15. Cf. KRETZMANN, Paul E. Christian Art; book two, a handbook of liturgics, hymnology and heortology, p. 311-341.

15. Cf. KRETZMANN, Paul E. Christian Art ; book two, a handbook of liturgics, hymnology and

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15. Cf. KRETZMANN, Paul E. Christian Art ; book two, a handbook of liturgics, hymnology and
15. Cf. KRETZMANN, Paul E. Christian Art ; book two, a handbook of liturgics, hymnology and

Cântico de Ana:

1 Samuel 2. 1-10: louvor a Deus pelo filho que lhe deu. Nota. Apesar das evidências de atividade poética en- tre o antigo povo judeu não há indicação de cânticos ou sal- mos usados no serviço do tabernáculo antes do tempo de Davi. Provavelmente os ofícios do tabernáculo naquele tempo eram restritos aos sacrifícios e ao trabalho relacionado com a sua pre- paração.

2º PeríOdO: iníCiO dO usO dO CântiCO nO CultO

A arca é trazida para Jerusalém sob o comando de Davi:

2 Samuel 6. 12-19.

Para esta ocasião podemos conferir as providências to- madas conforme registradas em 1 Crônicas 15. 16-28:

Três cantores principais: Asafe, Hemã e Etã que toca- vam os címbalos como instrumentos de liderança.

Catorze músicos assistentes: oito tocavam alaúdes e seis tocavam harpas.

Um dirigente de canto: Quenanias, chefe dos levitas músicos.

Sete sacerdotes tocavam as trombetas perante a arca de Deus.

Assim iniciou o ofício litúrgico do canto e da música instrumental acompanhando o culto sacrifical (Cf. 1 Crônicas 16. 7, 37-43).

3º PeríOdO: davi Organiza a músiCa Para O temPlO de maneira mais elabOrada.

Dividiu os músicos e cantores em grupos de 24 or- dens (1 Crônicas 25), conforme as 24 ordens ou tur- nos de sacerdotes no serviço regular do templo.

de 24 or- dens (1 Crônicas 25), conforme as 24 ordens ou tur - nos de
de 24 or- dens (1 Crônicas 25), conforme as 24 ordens ou tur - nos de
de 24 or- dens (1 Crônicas 25), conforme as 24 ordens ou tur - nos de

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de 24 or- dens (1 Crônicas 25), conforme as 24 ordens ou tur - nos de

Cada divisão, com seu líder, continha doze homens, perfazendo um total de 288 homens, cantores e músi- cos (24 turnos x 12 homens = 288 homens).

Os levitas deveriam atuar tanto nos sacrifícios da ma- nhã quanto no entardecer.

(1 Crônicas 23. 30).

Nota: Na dedicação do Templo de Salomão, todos os músicos se reuniram e tiveram momentos impressionantes (Davi já estava morto). Vemos o relato da atividade musical em 2 Crônicas 5. 11-14 e em 7. 6. Na primeira passagem não pode- mos afirmar com certeza o que quer dizer “uníssono”. Pelo que indica a história da música, não se fazia ainda harmonização de vozes. Portanto, “uníssono” pode significar cantores e instru- mentistas cantando e tocando ao mesmo tempo; ou poderia ser também dois grupos corais cantando ao mesmo tempo com os instrumentos.

4º PeríOdO: aPós O temPO de salOmãO (reinO divididO)

A maneira do culto dependia em grande parte da ati- tude do Rei: seguir ao Deus verdadeiro ou imitar os reis pagãos.

Os reis que temiam ao Senhor retinham ou restaura- vam o ofício do templo. Ex.: Ezequias (2 Crônicas 29. 25-30); Josias (2 Crônicas 35. 1-2, 15-16).

5º PeríOdO: aPós O exíliO babilôniCO

Esdras e Neemias restauraram o antigo culto, mas é incerto se foi usado o serviço litúrgico completo (Es- dras 6. 16-22; Neemias 8. 9-18).

A plena restauração do culto antigo acontece com o período dos macabeus. Foi então que o ofício do tem-

• A plena restauração do culto antigo acontece com o período dos macabeus. Foi então que

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• A plena restauração do culto antigo acontece com o período dos macabeus. Foi então que
• A plena restauração do culto antigo acontece com o período dos macabeus. Foi então que

plo atingiu a beleza esmerada, mas morta. O esplen- dor e a glória dos sacrifícios no templo de Herodes, especialmente nos grandes festivais, mal podem ser imaginados em nossos dias.

grandes festivais, mal podem ser imaginados em nossos dias. 2. s eu emPregO diáriO e em

2. seu emPregO diáriO e em dias festivOs

Os Salmos eram os hinos do culto judaico. Seu can- to era a característica principal no louvor do templo desde que Davi introduzira a música para acompanhar os sacrifícios diá- rios (Cf. 1Crônicas 16. 7, 37-43).

No início de cada mês, nas luas novas, os sacrifícios eram acompanhados do toque de trombetas (Números 10. 10).

Na festa da Páscoa era cantada a seção de salmos 113- 118, que a literatura rabínica chama de “Halel” (“aleluia”, que significa “Louvai ao Senhor”). Possivelmente o Senhor Jesus cantou um destes salmos na noite da instituição da Santa Ceia (Mateus 26. 30; Marcos 14. 26). Nota. O “Halel” era cantado em partes: antes da ceia os salmos 113-114 e após a ceia os salmos 115-118. Este “Halel” também é chamado de “Aleluia Egípcia” em memória da libertação da escravidão do Egito. É verdade que só o segundo destes salmos (114) menciona direta- mente do Êxodo; mas se formos considerar os temas que estes salmos apresentam veremos que temos aí salmos apropriados para marcar a salvação que começou no Egito e que se espalha- ria entre as nações. O salmo 113 estimula o louvor a Deus por- que ele ampara os necessitados, o 115 trata do louvor conjunto, o 116 das ações de graça pessoais, o 117 do louvor que todos os

os necessitados, o 115 trata do louvor conjunto, o 116 das ações de graça pessoais, o
os necessitados, o 115 trata do louvor conjunto, o 116 das ações de graça pessoais, o
os necessitados, o 115 trata do louvor conjunto, o 116 das ações de graça pessoais, o

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os necessitados, o 115 trata do louvor conjunto, o 116 das ações de graça pessoais, o

povos devem prestar e o 118 apresenta a misericórdia do Senhor que dura para sempre.

Na Festa do Pentecostes e na Festa dos Tabernáculos o “Halel” também era utilizado.

3. títulOs

o “Halel” também era utilizado. 3. t ítulOs Autoria e dedicatória. Davi tem seu nome indicado

Autoria e dedicatória. Davi tem seu nome indicado como autor em 73 salmos; é o que mais salmos compôs. Mas temos 49 salmos anônimos, alguns dos quias possivelmente são

também de Davi. Temos a autoria indicada nos seguintes salmos:

Davi: 3 – 9; 11 – 32; 34 – 41; 51 – 65; 68 – 70; 86; 103; 108 – 110; 124; 131; 133; 138 – 145.

Salomão: 72; 127.

Asafe: 50; 73 – 83.

Filhos de Corá: 42; 44 – 49; 84 – 85; 87 – 88.

Etã: 89.

Moisés: 90.

A dedicatória de muitos Salmos é “Ao mestre de canto”, título que indica que estes salmos foram dedicados ou transmiti- dos ao dirigente do canto para uso no templo (Ex.: Salmo 51-70).

Informações musicais. Alguns títulos acrescentam a instrumentação para o Salmo, como no salmo 4, “Ao mestre de canto, com instrumentos de cordas” ou no salmo, 5 “Ao mestre de canto, com instrumentos de cordas”.

Melodias dos Salmos. Nos títulos de alguns salmos aparecem as melodias segundo as quais estes deveriam ser inter- pretados. Ex.:

Salmos. Nos títulos de alguns salmos aparecem as melodias segundo as quais estes deveriam ser inter-

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Salmos. Nos títulos de alguns salmos aparecem as melodias segundo as quais estes deveriam ser inter-
Salmos. Nos títulos de alguns salmos aparecem as melodias segundo as quais estes deveriam ser inter-

Salmo 22: “Corça da manhã”.

Salmo 45: “Os lírios

Salmo 59: “Não destruas”.

Cântico de amor”.

Estas melodias deviam ser conhecidas dos cantores; e pelas indicações podemos deduzir que se tratava de músicas seculares. Como eram essas melodias não sabemos, pois elas perderam-se no tempo e, mesmo aquelas que o povo conhecia (como os Cânticos de Romagem e a “Halel”), não conseguiram chegar até nós, pois não havia um sistema de notação musical capaz de registrar melodias e ritmos por escrito.

Cânticos de romagem. São os salmos 120 – 134, tam- bém chamados de “Salmos dos Degraus” (Psalmi graduum), por- que possivelmente fossem entoados nos 15 degraus (são 15 sal- mos) que conduziam do Pátio das Mulheres ao Pátio de Israel (dos homens), pelos levitas cantores. 16 Outra hipótese é apresentada na Bíblia de Estudo Almeida, nas notas sobre os salmos 120–134:

Este salmo marca o início de uma coleção de

quinzesalmos(121—134)cujotítulohebraicoéCân-

ticogradualoudassubidas.Essetítulosedeveaofato

dequeessessalmoseramcantadospelosperegrinosque

“subiam”aJerusalém,especialmentenastrêsgrandes festas (Êx 23. 14-17). 17

A outra nota da Bíblia de Estudo Almeida registra o seguinte:

Romagem:Lit.dosdegrausoudassubidas.Deve-

seteremmentequeJerusalémestásituadaamaisde750

16. FAUSTINI, João Wilson. Música e Adoração, p. 61.

17. BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Sl 120, nota de rodapé “a”.

FAUSTINI, João Wilson. Música e Adoração , p. 61. 17. BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Sl 120,
FAUSTINI, João Wilson. Música e Adoração , p. 61. 17. BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Sl 120,
FAUSTINI, João Wilson. Música e Adoração , p. 61. 17. BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Sl 120,

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FAUSTINI, João Wilson. Música e Adoração , p. 61. 17. BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Sl 120,

m acima do nível do mar. Os peregrinos subiam como queporgrausouníveis.Otermoromagemlembraque os peregrinos viajavam em grupos (cf. Lc 2. 44). 18

Mas o uso mais provável era dos peregrinos que vinham

às festas enquanto se dirigiam à capital (Êxodo 23. 14-17). Existe uma hipótese sobre o uso destes salmos durante a peregrinação: 19

Salmo 120, quando deixassem a cidade;

Salmo 121, quando avistassem os montes da Cidade Santa;

Salmo 132, no último ponto de parada, antes que en- trassem em Jerusalém;

Salmo 133, durante a entrada na cidade;

Salmo 134, quando entrassem nos portões do templo.

Os salmos restantes, que falam da queda e restauração de Jerusalém e do templo, teriam sido cantados no caminho.

4. a PartiCiPaçãO dO POvO

sido cantados no caminho. 4. a PartiCiPaçãO dO POvO Deve ter sido pouca. Razões: a. A

Deve ter sido pouca. Razões:

a. A forma poética dos salmos requeria treino especial que os levitas recebiam de seus hábeis músicos;

b. Os salmos não são construídos em métrica, tendo grande liberdade na questão de acentos rítmicos;

18. BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA, Sl 120, nota de rodapé “b”.

19. KRETZMANN, Paul E. Christian Art book II, a handbook of liturgics,

hymnology, and heortology, p. 311-341.

19. KRETZMANN, Paul E. Christian Art book II, a handbook of liturgics, hymnology, and heortology, p.

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19. KRETZMANN, Paul E. Christian Art book II, a handbook of liturgics, hymnology, and heortology, p.
19. KRETZMANN, Paul E. Christian Art book II, a handbook of liturgics, hymnology, and heortology, p.

portanto, requeria bastante ensaio; provavelmente era necessário praticar a cantilena de cada salmo se- paradamente.

c. O povo todo não participava regularmente dos ofí- cios do templo, pois muitos moravam muito longe para que isso pudesse acontecer.

Alguma participação do povo, no entanto, parece que havia. Seria apenas com algum “Amém” ou alguma “Aleluia” res- ponsivos em certas partes do ofício. Vemos um exemplo dessa prática por ocasião da instituição dos levitas cantores e músicos. Após o canto do salmo “todo o povo disse: Amém! E louvou ao Senhor” (1 Crônicas 16. 36). Outras exceções seriam os salmos do “Halel” (113 – 118), cantados na Páscoa e os “Cânticos de Romagem” (120 – 134), cantados pelos peregrinos.

de Romagem” (120 – 134), cantados pelos peregrinos. 5. O mOdO de interPretaçãO e exeCuçãO a.

5. O mOdO de interPretaçãO e exeCuçãO

a. Interpretação. Possivelmente semelhante ao canto gregoriano, pois é o canto mais antigo que temos anotado com eficiência. No entanto, é de se notar que o canto gregoriano foi anotado em pauta seme- lhante à nossa somente no século X de nossa era. Nota. A leitura dos salmos deve ter sido feita por cantilena, não por um canto melodioso, mas por uma declamação cuidadosa com certos acentos no texto. Este modo de declamação está referido no Talmude 20

20. Talmude. Do hebr. talmudh, ensino. Coleção de sessenta e três livros de co- mentários judaicos elaborados entre o III século a. C. e o V século a. D., e que in- terpretam e desenvolvem a Torá, constituindo a lei religiosa e a civil (no Talmude, ‘a lei’, por antomásia, é a ‘lei de Moisés’, i. e., os livros revelados e todos os pre- ceitos da religião). SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopedico de Teologia.

os livros revelados e todos os pre - ceitos da religião). SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopedico de
os livros revelados e todos os pre - ceitos da religião). SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopedico de
os livros revelados e todos os pre - ceitos da religião). SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopedico de

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os livros revelados e todos os pre - ceitos da religião). SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopedico de

e pode, consequentemente, ter estado em uso nos primeiros séculos da era cristã.

b. Execução. Antifônica, isto é, dois coros alternados. As formas de certos salmos (ex.: 136; 118. 2-4) bem como o paralelismo de todos eles sugere a execução por dois grupos alternados. O Salmo 136 tem sem- pre o mesmo refrão: “porque a sua misericórdia dura para sempre”. Portanto, poderia ser um Salmo no qual a congregação poderia participar, pela facilidade que poderia ser sempre a mesma música para o res- ponso de cada versículo.

c. Paralelismo. A construção poética dos Salmos suge re que sejam cantados de maneira antifônica (alter- nância entre dois grupos) ou responsorial (alternân- cia entre um solista e um grupo). Há três tipos de paralelismo nos Salmos: sinônimo (a segunda frase diz a mesma coisa que a primeira, mas em outras pa- lavras – Sl 1. 5; 8. 4; 92. 9; 93. 3; 145. 18); antitético (a segunda frase contrasta com a primeira – Sl 1. 6; 37. 21); complementar (frases subsequentes estendem o pensamento da primeira – Sl 1. 1; 2. 12; 23. 4).

6. instrumentOs aCOmPanHantes

– Sl 1. 1; 2. 12; 23. 4). 6. i nstrumentOs aCOmPanHantes Havia uma variedade de

Havia uma variedade de instrumentos usados pela or- questra do templo, havendo exemplos de cordas, de sopro e de percussão. O número de executantes e cantores era de 12 em cada turno, mas não estava limitado, nem confinado aos levi- tas, pois algumas das famílias que casaram com sacerdotes eram admitidas neste ofício. Os rabinos enumeraram 36 instrumen-

algumas das famílias que casaram com sacerdotes eram admitidas neste ofício. Os rabinos enumeraram 36 instrumen

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algumas das famílias que casaram com sacerdotes eram admitidas neste ofício. Os rabinos enumeraram 36 instrumen
algumas das famílias que casaram com sacerdotes eram admitidas neste ofício. Os rabinos enumeraram 36 instrumen

tos diferentes, mas nem todos estão mencionados na Bíblia. Os principais instrumentos musicais são os seguintes: 21

Kinnor: pequena lira ou harpa. É o primeiro instru- mento mencionado na Bíblia. (Gn 4. 21). Há muitas dúvidas de como era realmente este instrumento. A harpa que Davi tocava para Saul também é denomi- nada kinnor (1Sm 16. 23). Esta harpa ou lira era feita de madeira. Salomão mandou fazer harpas de madei- ra de sândalo (1Rs 10. 11-12). O kinnor (harpa ou lira) foi usado para expressar a alegria do retorno da arca da aliança ao templo e para o louvor e ações de graça no templo (1Cr 16. 4-6; 25. 3). Mas o kinnor também foi citado pelos profetas Isaías e Ezequiel num contexto de alerta devido ao pecado do povo (Is 24. 8; Ez 26. 13). Foi este instrumento que os judeus cativos penduraram nos salgueiros com sau- dade de sua terra natal (Sl 137. 2).

com sau - dade de sua terra natal (Sl 137. 2). ▼ 21. McCOMMON, Paul. A

21. McCOMMON, Paul. A Música na Bíblia. STAINER, John. The Mu- sic of the Bible. Veja também Bíblia de Estudo Almeida, anotação sobre “Instrumentos Musicais”, na p. 460 do Antigo Testamento. As ilustrações que seguem são extraídas deste livro.

“Instrumentos Musicais”, na p. 460 do Antigo Testamento. As ilustrações que seguem são extraídas deste livro.
“Instrumentos Musicais”, na p. 460 do Antigo Testamento. As ilustrações que seguem são extraídas deste livro.
“Instrumentos Musicais”, na p. 460 do Antigo Testamento. As ilustrações que seguem são extraídas deste livro.

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“Instrumentos Musicais”, na p. 460 do Antigo Testamento. As ilustrações que seguem são extraídas deste livro.

Nebel: Harpa ou saltério com até 10 cordas. A pri- meira menção de nebel aparece em 1Sm 10. 5, sendo tocados à frente de um grupo de profetas. Não po- deriam ser muito grandes, pois estavam sendo car- regadas em procissão. Nos salmos nebel é citado (Sl 33. 2; 57. 8; 71. 22; 81. 2; 92. 3; 108. 2; 144. 9; 150. 3). O uso do nebel não estava restrito ao culto (Is 5.

11-12).

uso do nebel não estava restrito ao culto (Is 5. 11-12). ▼ ► Ugab : De

Ugab: De um só tubo, semelhante à flauta ou ao

oboé, dois

tubos

ou

uma

série

de

tubos,

se-

melhante à

flauta

de

(siringe). Provavel-

mente o

instrumento

de

sopro

mais antigo.

É citado em Gn 4. 21, Jó 21. 12 e no Sl 150. 4.

antigo. É citado em Gn 4. 21, Jó 21. 12 e no Sl 150. 4. ▼

Halil: gaita, tubo, oboé, flauta. Primeiro era constituí- do de uma cana com orifícios; mais tarde também foi feito de madeira, osso chifre e marfim. É citado na

constituí- do de uma cana com orifícios; mais tarde também foi feito de madeira, osso chifre

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constituí- do de uma cana com orifícios; mais tarde também foi feito de madeira, osso chifre
constituí- do de uma cana com orifícios; mais tarde também foi feito de madeira, osso chifre

Bíblia em 1Sm 10. 5; 1Rs 1. 40; Is 5. 12; 30. 29; Jr 48. 36. É um dos instrumentos que também é citado no Novo Testamento: Mt 11. 17; 1Co 14. 7; Ap 18. 22.

no Novo Testamento: Mt 11. 17; 1Co 14. 7; Ap 18. 22. ▼ ► Khatsotscrah :

Khatsotscrah: Um tubo longo de prata; trombeta. Era uma trombeta retilínea e comprida, diferente do shophar e do keren que eram curvos. Deus ha- via instruído a Moisés que ele fizesse duas trom- betas (khatsotscrah) de prata (Nm 10. 1-10). Na dedicação do templo 120 sacerdotes tocaram o khatsotscrah (2Cr 5. 12). No Sl 98. 6 o shophar e o khatsotscrah são justapostos: “com khatsots- crah (trombertas) e ao som de shophar (buzinas, cornetas) exultai perante o Senhor, que é rei”.

cornetas) exultai perante o Senhor, que é rei”. ▼ ► Shophar : trombeta, buzina. Tubo de

Shophar: trombeta, buzina. Tubo de chifre de carnei- ro, mas tarde feito de metal. É o instrumento mais conhecido dos judeus. É usado com des- taque em dias judaicos especiais. Saul usou o shophar para anunciar ao povo a vitória con- tra os filisteus (1Sm 13. 3). Ao som de shophar a arca foi trazida de volta à Jerusalém (2Sm 6. 15). É mencionado nos Salmos (47. 5; 81. 3; 150. 3).

de shophar a arca foi trazida de volta à Jerusalém (2Sm 6. 15). É mencionado nos
de shophar a arca foi trazida de volta à Jerusalém (2Sm 6. 15). É mencionado nos
de shophar a arca foi trazida de volta à Jerusalém (2Sm 6. 15). É mencionado nos

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de shophar a arca foi trazida de volta à Jerusalém (2Sm 6. 15). É mencionado nos
▼ ► Toph : Tamboril, pandeiro, adufe, tambor. Fabrica- do com uma argola de madeira,
▼ ► Toph : Tamboril, pandeiro, adufe, tambor. Fabrica- do com uma argola de madeira,

Toph: Tamboril, pandeiro, adufe, tambor. Fabrica- do com uma argola de madeira, coberta com uma membrana e com chocalhos suspensos ao redor. Labão teria querido despedir-se de Jacó com este instrumento (Gn 31. 27). Miriã reuniu as mu- lheres para festejarem a passagem do Mar Ver- melho com tamborins e danças (Êx 15. 20). Saul é recebido por um grupo de profetas tocando toph (1Sm 10. 5). Este instrumento não é men- cionado em conexão com os cultos do templo.

não é men - cionado em conexão com os cultos do templo. ▼ ► Tseltslim :

Tseltslim: címbalos, pratos Um dos instrumentos uti- lizados por ocasião do retorno da arca a Jeru- salém (2Cr 6. 5). No Sl 150. 5 vemos que o som dos tseltslim era “sonoro” e “retumbante”.

da arca a Jeru- salém (2Cr 6. 5). No Sl 150. 5 vemos que o som

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da arca a Jeru- salém (2Cr 6. 5). No Sl 150. 5 vemos que o som
da arca a Jeru- salém (2Cr 6. 5). No Sl 150. 5 vemos que o som

Nota: Selá é uma palavra que ocorre 71 vezes no texto hebraico dos Salmos. Não se tem certeza do seu significado; talvez signifique “levantar”. Deduz-se que seja a indicação de um interlúdio instrumental ou floreio ou uma pausa para o povo inclinar-se para a oração.

COnClusões POssíveis da músiCa dOs judeus, segundO liemOHn

1. O canto dos israelitas era apreciado pelos babilônios (Sl 137. 3).

2. Não havia ainda a harmonia; isto é um desenvolvi- mento bem mais recente.

3. Não tinham sistema de notação musical que pudesse ser interpretado por alguém que não estivesse fami- liarizado com sua música.

4. Seus instrumentos produziam apenas poucos tons:

trombetas, harpas e órgãos mencionados no Antigo Testamento eram bem primitivos.

5. Seus cânticos eram mais em estilo recitativo.

6. A música era uma parte vital no culto judaico.

7. A participação da congregação no canto era pouca. Normalmente a congregação não cantava no ofício, mas juntava-se no “Amém” (cf. 1Cr 16. 36)

8. O tipo de canto usado era o canto antifônico (os Salmos têm estrutura antifônica). Vemos esta carac- terística também expressa em Ed 3. 10-11 e Ne 12. 31, 38, 40.

9. Pelo menos às vezes as mulheres tomavam par- te na música do culto com canto e instrumentos (1Cr

12. 31, 38, 40. 9. Pelo menos às vezes as mulheres tomavam par- te na música
12. 31, 38, 40. 9. Pelo menos às vezes as mulheres tomavam par- te na música
12. 31, 38, 40. 9. Pelo menos às vezes as mulheres tomavam par- te na música

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12. 31, 38, 40. 9. Pelo menos às vezes as mulheres tomavam par- te na música

25. 5-6).

10. A palavra “hino” era de uso comum no tempo do nascimento de Cristo e era usada para significar uma canção de louvor a Deus (embora pareça que o canto pela congregação nunca teve importância significa- tiva no ofício judaico do templo). O cântico hebrai- co vem, pelo menos, desde o ofício de culto do tem- po de Davi (1Cr 16. 17). O Talmude nos dá alguns detalhes da tradição litúrgica do ofício no templo:

De um sinal dado pelos pratilheiros, doze le- vitas, parados sobre os amplos degraus da escada que leva do lugar da congregação ao pátio externo dos sacerdotes, tocando nove liras, duas harpas e um címbalo, iniciava o canto do Salmo, enquanto os sacerdotes oficiantes despejavam o vinho da oferta. Os levitas mais novos tocavam outros instrumen- tos, mas não cantavam, enquanto os meninos levitas reforçavam a parte aguda pelo canto e não tocavam. As pausas do Salmo ou suas divisões eram indica- das pelo clangor das trombetas e pelos sacerdotes à direita e à esquerda dos pratilheiros.

11. O termo “Sela”, encontrado em diversos salmos, geralmente é interpretado como referido a um in- terlúdio instrumental pelas trombetas. O shophar, algo semelhante à nossa corneta, tem sido o instru- mento litúrgico para os judeus desde o incidente de Abraão oferecendo seu filho.

12. Os aspectos práticos dos salmos são ilustrados pe- los vários propósitos para os quais eles foram es- critos. Temos salmos congregacionais, como o 95:

“Vinde, cantemos ao Senhor com júbilo”; salmos

eles foram es - critos. Temos salmos congregacionais, como o 95: “Vinde, cantemos ao Senhor com

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eles foram es - critos. Temos salmos congregacionais, como o 95: “Vinde, cantemos ao Senhor com
eles foram es - critos. Temos salmos congregacionais, como o 95: “Vinde, cantemos ao Senhor com

particulares, como o 22: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” e outros conhecidos como Reais, Salmos de Sabedoria, Salmos Proféticos.

13. O uso de música instrumental no ofício judaico morreu após a destruição do templo no ano 70 A. D.

14. A separação de sexos foi instituída pelos judeus para impedir a prática religiosa ofensiva dos povos vizi- nhos e para preservar a pureza do culto.

15. Com o nascimento do cristianismo o cântico he- braico tornou-se o núcleo para desenvolver-se a música da nova igreja.

o núcleo para desenvolver-se a música da nova igreja. Q uestões 1. Veja as passagens de

Questões

1. Veja as passagens de Êx 15. 1-2, 21; 1Sm 2. 1-2 e responda:

O que leva o crente a louvar ao Senhor?

2. Veja os Salmos 113-118. É uma seção especial que era can-

tada em momentos especiais como a celebração da Páscoa do Antigo Testamento. Em uma frase, indique o conteúdo de cada um destes Salmos.

3. Os Salmos 120-134 também perfazem uma seção especial. São os cânticos de romagem. Provavelmente os peregrinos os entoavam enquanto se dirigiam para as festas.

4. Do item 7, “Instrumentos acompanhantes”, transcreva uma

passagem citada para cada instrumento e comente, depois com os colegas.

5. Liste duas razões que nos levem à conclusão de que o povo

cada instrumento e comente, depois com os colegas. 5. Liste duas razões que nos levem à
cada instrumento e comente, depois com os colegas. 5. Liste duas razões que nos levem à
cada instrumento e comente, depois com os colegas. 5. Liste duas razões que nos levem à

70

cada instrumento e comente, depois com os colegas. 5. Liste duas razões que nos levem à

do Antigo Testamento não dominava o canto de todos os Sal- mos. Quais os Salmos que o povo saberia cantar e por quê?

mos. Quais os Salmos que o povo saberia cantar e por quê? r eferênCias BIBLIA DE

referênCias

BIBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

FAUSTINI, João Wilson. Música e Adoração. São Paulo: Im- prensa Metodista, 1973.

HUSTAD, Donald P. Jubilate! A Música na Igreja. Tradução de Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Vida Nova, 1986.

LIEMOHN, Edwin. The Singing Church. Columbus: The Watburg Press, 1959.

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SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teologia. Por- to Alegra e Canoas: Concórdia Editora e Editora da ULBRA, 2002.

STAINER, John. The Music of the Bible. New York: Da Capo Press, 1970.

Concórdia Editora e Editora da ULBRA, 2002. STAINER, John. The Music of the Bible . New

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Concórdia Editora e Editora da ULBRA, 2002. STAINER, John. The Music of the Bible . New
Concórdia Editora e Editora da ULBRA, 2002. STAINER, John. The Music of the Bible . New
O Culto no Novo Testamento
O Culto no Novo Testamento

O Culto no Novo Testamento

H á uma mudança radical do culto do Antigo Testamen- to para o Novo Testamento:

Há uma mudança radical do culto do Antigo Testamen- to para o Novo Testamento: Em Cristo acabam-se os sacrifícios do AT e abre-se um novo tempo centralizado no sacrifício de Cristo – Cl 2. 16-17; Jo 4. 19-24; Mt 18. 20; Lc 22. 19; Hb 10. 19-25. Assim como no Antigo Testamento, o culto do Novo Testamento surge a partir da iniciativa de Deus: No Antigo Tes- tamento a partir dos sacrifícios que apontam para Cristo e no Novo Testamento a partir do sacrifício de Cristo já realizado. Mas é sempre Deus que toma a iniciativa.

Para expressar a novidade do culto, os cristãos passam a celebrar seus cultos no domingo, o primeiro dia da semana, o dia do Senhor, devido às aparições do Senhor Ressuscitado nos do- mingos. Assim, cada domingo passou a ser uma pequena Páscoa.

Não há liturgia definida no início: 1Co 14. 26. No en-

tanto, podemos agrupar as citações de culto no Novo Testa-

há liturgia definida no início: 1Co 14. 26. No en - tan to, podemos agrupar as

75

há liturgia definida no início: 1Co 14. 26. No en - tan to, podemos agrupar as
há liturgia definida no início: 1Co 14. 26. No en - tan to, podemos agrupar as

mento para ver os elementos que havia:

Ofício da Palavra

Leituras da escritura: 1Tm 4. 13; Cl 4. 16.

Homilia: At 20. 7.

Cânticos: Cl 3. 16.

Orações: At 1. 14; 2. 42; 4. 31.

Amém congregacional: 1Co 14. 16.

Ofertas: 1Co 16. 1,2.

Ofício da Santa Ceia

Ação de graças (eucharistía): Lc 22. 19; 1Co 11. 24.

Memória (anámnesis): Lc 22. 19; 1Co 11. 24,25.

Volta de Cristo: 1Co 11. 26.

Ósculo da paz: Rm 16. 16.

• Memória (anámnesis): Lc 22. 19; 1Co 11. 24,25. • Volta de Cristo: 1Co 11. 26.
• Memória (anámnesis): Lc 22. 19; 1Co 11. 24,25. • Volta de Cristo: 1Co 11. 26.
• Memória (anámnesis): Lc 22. 19; 1Co 11. 24,25. • Volta de Cristo: 1Co 11. 26.

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• Memória (anámnesis): Lc 22. 19; 1Co 11. 24,25. • Volta de Cristo: 1Co 11. 26.

1. surgimentO dO OfíCiO da Palavra

1. s urgimentO dO O fíCiO da P alavra A sinagoga deve ter surgido no século

A sinagoga deve ter surgido no século VI a. C. quando

os judeus estavam no exílio babilônico. Foi a maneira que os ca-

tivos tiveram de sobreviver em sua religião estando longe de seu templo. Na sinagoga os israelitas se recordavam do que Deus havia feito, de como Deus os havia transformado num povo distinto dos demais (Sl 137). E a maneira de recordar isto era através da instrução e da oração em conjunto. Ao reunir-se para ler e ouvir a palavra, refletir e alegrar-se pelo que Deus fizera, o povo renovava sua identidade.

Não havia necessidade de um sacerdote para conduzir o ofício na sinagoga: onde um grupo pudesse se reunir bastava um livro e pessoas. Cantos, orações e reflexões poderiam ser até diri- gidos por leigos. Este culto transformou-se numa forma de ensi- no e transmissão de memórias comunitárias de um povo com o qual o próprio Deus havia se comprometido. Relembravam-se os acontecimentos passados, e, assim, eles se tornavam presentes.

Naturalmente a igreja cristã recebeu muito da sinagoga.

A maioria dos primeiros cristãos era judeu, familiarizados com

a sinagoga. Podemos verificar em Lucas que Jesus participava

da sinagoga e que lá também pregava (Lc 4. 16-28). Barnabé e Paulo “anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas judaicas; ti- nham também João como auxiliar” (At 13. 5). Paulo e seus com- panheiros foram convidados a falar na sinagoga de Antioquia da Pisídia “depois da leitura da lei e dos profetas” (At 13. 15). Tratava-se, pois, de um estilo de culto conhecido dos primeiros cristãos. Assim, naturalmente a igreja cristã recebeu muito da si-

de um estilo de culto conhecido dos primeiros cristãos. Assim, naturalmente a igreja cristã recebeu muito

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de um estilo de culto conhecido dos primeiros cristãos. Assim, naturalmente a igreja cristã recebeu muito
de um estilo de culto conhecido dos primeiros cristãos. Assim, naturalmente a igreja cristã recebeu muito

nagoga e ainda sancionado por Jesus e pelos apóstolos pelo uso que fizeram do culto na sinagoga. Podemos dizer que o Ofício da Palavra surge a partir da sinagoga.

Provavelmente os primeiros cristãos celebravam o culto na sinagoga ao mesmo tempo em que celebravam a Santa Ceia em casas particulares (At 2. 46). Mas, em pouco tempo, os cris- tãos foram expulsos das sinagogas e os dois cultos (da Palavra e da Santa Ceia) foram juntados. Justino Mártir, em sua primeira Apologia (c. 150) nos dá testemunho dos cultos da época:

A terminar as orações, mutuamente nos sau-

damoscomoósculodapaze,logo,traz-seaopresiden-

teopãoeumcálicedevinhocomágua.Eleosrecebe,

oferecendo-osaoPaidetodasascoisasnumtributo

delouvoreseglorificações,emnomedoFilhoedoEs-

píritoSanto,dandograçasporsermosconsiderados

dignosdetamanhosfavoresdesuaclemência.Termi-

nadasasoraçõeseaçõesdegraças,ospresentesasrati-

ficam com o“Amém”, palavra hebraica que significa

“assimseja”.Terminadaaaçãodegraçasdopresidente

eretificadapelopovo,oschamados“diáconos”distri-

buementreospresentesopãoeucarísticoeovinho comágua,quelevamdepoistambémaosausentes. 24

Justino também nos informa para quem era administrada a Santa Ceia, deixando claro que havia restrições na participação:

Chamamos este alimento de eucaristia: nin-

guémpodeparticipardeleanãoseraqueleque,cren-

doquenossasdoutrinassãoverdadeiras,temsidola-

24. BENTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã, p. 103-104.

doquenossasdoutrinassãoverdadeiras,temsidola- 24. BENTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã , p. 103-104. 78
doquenossasdoutrinassãoverdadeiras,temsidola- 24. BENTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã , p. 103-104. 78
doquenossasdoutrinassãoverdadeiras,temsidola- 24. BENTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã , p. 103-104. 78

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doquenossasdoutrinassãoverdadeiras,temsidola- 24. BENTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã , p. 103-104. 78

vadocomalavagempararemissãodospecadosepara

onovonascimento,equevivesegundoosensinosde Cristo. Pois, para nós, não é alimento ordinário nem

estealimentoéacarneeosanguede

Jesus que se fez carne. 25

bebidacomum

Após registrar em sua apologia que os que tinham pos- ses costumavam ajudar os necessitados, Justino descreve mais um pouco do culto que realizavam:

Nodiadenominadodediadesolháumareu-

nião de todos aqueles que vivem tanto nas cidades como no campo. Ali se dá a leitura das Memórias dosapóstolosoudasEscriturasdosprofetasatéondeo tempopermite.Terminadaaleituraopresidentefaz uso da palavra para nos admoestar e nos exortar à imitaçãoepráticadessascoisasadmiráveis.Logonos levantamoseoramosjuntos.Terminadaaoração,do modocomojáfoidito,traz-sepãoevinhocomágua. OpresidentedirigeaDeusoraçõeseaçõesdegraça,o povoaquiescecomaaclamação:Amém.Eseprocede àdistribuiçãodoselementoseucarísticosentretodos, enviando-setambém,medianteosdiáconos,aosque estão ausentes. Os irmãos que estão na abundância equeremdar,dãocadaqualconformelheaprouver. Odinheirorecolhidoéentregueaopresidente,queo reparteentreosórfãos,viúvas,doentes,indigentes, presosetranseuntes;detodosaquelesquenecessitam de ajuda ele é um protetor. 26

25. Idem, p. 104.

26. Idem, p. 104.

presosetranseuntes;detodosaquelesquenecessitam de ajuda ele é um protetor. 2 6 25. Idem, p. 104. 26. Idem, p.

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presosetranseuntes;detodosaquelesquenecessitam de ajuda ele é um protetor. 2 6 25. Idem, p. 104. 26. Idem, p.
presosetranseuntes;detodosaquelesquenecessitam de ajuda ele é um protetor. 2 6 25. Idem, p. 104. 26. Idem, p.

Podemos concluir destes relatos, que, no culto da igreja antiga, havia leituras do Antigo Testamento e do Novo Testa- mento, aplicação da palavra (sermão), orações, Santa Ceia, ofer- tas para o socorro dos necessitados. Portanto, havia uma co- munhão vertical (Deus e o fiel) e a comunhão horizontal (ajuda mútua aos irmãos – diaconia).

Com o tempo algumas modificações e acréscimos apa- receram no culto. As leituras do Antigo Testamento começaram

a ficar de fora no século IV. No início, os catecúmenos partici-

pavam apenas do ofício da palavra, sendo despedidos antes da Santa Ceia, não participando também da oração dos fiéis e do ósculo da paz. Pelo final do século VI esta distinção não se fazia mais para com os catecúmenos. No século VII desaparecem do

rito romano também as intercessões ou a oração dos fiéis. Com

o passar do tempo, durante a idade média, o esqueleto da liturgia histórica, que temos ainda hoje, foi surgindo.

da liturgia histórica, que temos ainda hoje, foi surgindo. 2. s urgimentO dO O fíCiO da

2. surgimentO dO OfíCiO da santa Ceia

A Santa Ceia surge a partir da instituição de Cristo “na

noite em que foi traído” (1Co 11. 23). Naquela noite Jesus deu

a ordem expressa “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22. 19).

Portanto, a Santa Ceia deveria ser realizada em memória (grego:

anámnesis) de Jesus. Seria uma maneira de recordar Jesus e de ter algo visível, palpável, da presença de Deus conosco.

No Antigo Testamento Deus se fez “visível” na coluna de fogo à noite e na coluna de nuvem durante o dia (Ex 13. 21). Deus também se fazia presente nos sacrifícios de animais, meios pelos quais a nação recebia o perdão de seus pecados. Agora, Cristo, o Messias prometido que se fez sacrifício por nós, oferece-

nação recebia o perdão de seus pecados. Agora, Cristo, o Messias prometido que se fez sacrifício
nação recebia o perdão de seus pecados. Agora, Cristo, o Messias prometido que se fez sacrifício
nação recebia o perdão de seus pecados. Agora, Cristo, o Messias prometido que se fez sacrifício

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nação recebia o perdão de seus pecados. Agora, Cristo, o Messias prometido que se fez sacrifício

nos seu corpo e sangue “para remissão de pecados” (Mt 26. 28).

A igreja cristã observou fielmente a ordem de Cristo, mesmo antes dos livros do Novo Testamento terem sido escritos. Primeiro, nas refeições em comum distribuíam a Santa Ceia, mais tarde, após o Ofício da Palavra. É importante notar, que, apesar de Cristo ter dito “fazei isto”, esta ordem não é uma imposição que precisa ser obedecida por medo de punição, mas é um novo ato de amor de Deus ao fazer a nova aliança conosco e assim vir novamente ao nosso encontro, como já fizera por ocasião da antiga aliança. Só que agora, a nova aliança tem algo especial: não é mais o sangue de animais que garante a remissão, mas é o san- gue do próprio Cristo (Hb 9. 11-14). Por isso, os cristãos logo seguiram a ordem de Cristo e “partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração” (At 2. 46).

com alegria e singeleza de coração” (At 2. 46). Q uestões 1. Veja as passagens de

Questões

1. Veja as passagens de Cl 2. 16-17; Jo 4. 19-24; Mt 18. 20; Lc

22. 19; Hb 10. 19-25. Escreva, numa frase, o que cada passagem indica com relação ao culto do Novo Testamento.

2. Veja as passagens bíblicas indicadas no início deste capítulo

que mostram como já havia um indício para o Ofício da Palavra e o Ofício da Santa Ceia que vieram a se desenvolver mais tarde.

3. Indique razões por que os primeiros cristãos herdaram cos-

tumes da sinagoga para seus cultos.

4. Que restrições Justino aponta aos que querem participar da

Santa Ceia?

5. Segundo o relato de Justino, o que acontecia nos cultos em

sua época?

aos que querem participar da Santa Ceia? 5. Segundo o relato de Justino, o que acontecia

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aos que querem participar da Santa Ceia? 5. Segundo o relato de Justino, o que acontecia
aos que querem participar da Santa Ceia? 5. Segundo o relato de Justino, o que acontecia
O desenvolvimento da Música Cristã até a Reforma

O desenvolvimento

da Música Cristã até a Reforma

D urante os vinte séculos, desde aquele dia de Pentecostes (At 2), quando o Espírito

Durante os vinte séculos, desde aquele dia de Pentecostes (At 2), quando o Espírito Santo deu início à igreja cristã, muitas formas de culto cristão surgiram por todos os cantos do mundo. Mas, em meio à diversidade de ordens de culto surgidas, aquilo que podemos chamar de “Liturgia Histórica” chegou até nós hoje e está presente em diversas denominações, especialmente na católica romana, católica ortodoxa, luterana e anglicana.

Outro desenvolvimento notável dos cristãos é a música sacra. Esta também está presente em todas as denominações, e, em inúmeros casos, não conhece barreiras denominacionais, pois, a mesma música ou o mesmo hino são utilizados por diver- sos grupos.

Mas a música nem sempre teve um desenvolvimento muito pacífico dentro da igreja. Já nos primeiros séculos do cris- tianismo havia a controvérsia se seria conveniente usar novos textos para os hinos ou somente textos diretamente da Bíblia.

havia a controvérsia se seria conveniente usar novos textos para os hinos ou somente textos diretamente

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havia a controvérsia se seria conveniente usar novos textos para os hinos ou somente textos diretamente
havia a controvérsia se seria conveniente usar novos textos para os hinos ou somente textos diretamente

1. Citações nO nOvO testamentO

1. C itações nO n OvO t estamentO Os primeiros cristãos naturalmente cantaram dos Sal- mos

Os primeiros cristãos naturalmente cantaram dos Sal- mos do Antigo Testamento, especialmente aqueles que o povo tinha domínio da melodia. Jesus e os discípulos devem ter can- tado dos Salmos 113 a 118, que faziam parte da cerimônia da Páscoa judaica (Mt 26. 30; Mc 14. 26). Os cânticos do Novo Testamento, que eram também em forma de salmos também podiam ser utilizados para serem cantados: O Magnificat (Lc 1.

46-55), o Benedictus (Lc 1. 68-79), o Gloria in Excelsis (Lc 2. 14)

e o Nunc Dimitis (Lc 2. 29-32).

Mas o Novo Testamento nos mostra também a influ- ência grega na música cristã. Em Ef 5. 19 e em Cl 3. 16 Paulo estimula os cristãos a louvarem “com salmos, hinos e cânticos

espirituais”. O que significam? “Salmos” sem dúvida são os do Antigo Testamento e, talvez, sejam também os cânticos arrola- dos por Lucas (1. 46-55; 1. 68-79; 2. 29-32). “Hinos” no grego clássico eram cânticos em louvor a um deus ou um herói. No Novo Testamento há algumas referências de possíveis hinos pri- mitivos cristãos: Efésios 5. 14; 1 Timóteo 3. 16; 2 Timóteo 2. 11-13. “Cânticos espirituais” parece sugerir cantos mais livres e informais, mas é difícil fazer uma distinção clara entre “hinos” e “cânticos espirituais”. O que fica claro é que a expressão de lou- vor e alegria do crente, através do canto pode ser diversificada e

é bem-vinda (At 16. 25; Rm 15. 9; Tg 5. 13).

- vor e alegria do crente, através do canto pode ser diversificada e é bem-vinda (At

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- vor e alegria do crente, através do canto pode ser diversificada e é bem-vinda (At
- vor e alegria do crente, através do canto pode ser diversificada e é bem-vinda (At
2. r eferênCias de esCritOs HistóriCOs Filo de Alexandria (Século I), menciona uma seita de

2. referênCias de esCritOs HistóriCOs

Filo de Alexandria (Século I), menciona uma seita de ascetas conhecida como Therapeutae. Filo diz que são forma- dos dois coros, um de homens outro de mulheres, tendo cada qual um líder. Cantam hinos compostos em honra a Deus, às ve- zes em conjunto, outras vezes alternadamente, “uma verdadeira sinfonia musical”. 27

Plínio, o Jovem, (Século II), numa de suas cartas ao im- perador Trajano, escreveu sobre os cristãos: “em determinados dias costumavam comer antes da alvorada e rezar responsiva- mente hinos a Cristo, como a um deus”. Vemos aí o costume, nas igrejas da Bitínia do 2º século, de cantar antifonicamente. 28

Tertuliano (160 – 230) em sua “Apologia” descreve uma festa de ágape, mencionando que “Após o lavar das mãos e o acender de lampiões, a cada um é dada a oportunidade de postar-se no meio e cantar a Deus das escrituras divinas ou de sua própria invenção”. 29 Este relato mostra que estavam em uso também hinos que não eram passagens diretas das Escrituras.

Caio (um autor grego do começo do Século III) es- creveu sobre “salmos e odes; tais como eram desde o princí- pio escritos pelos piedosos, hinos a Cristo, a Palavra de Deus, chamando-o Deus”. 30

Eusébio de Cesareia (falecido cerca de 340) também se

27. Citado por LIEMOHN, Edwin, The Singing Church, p. 9.

28. BETTENSON, Documentos da Igreja Cristã, p. 29.

29. MUSIC,David W. Hymnology: a collection of source readings, p. 8.

30. Citado por LIEMOHN, Edwin, The Singing Church, p. 10.

W. Hymnology: a collection of source readings, p. 8. 30. Citado por LIEMOHN, Edwin, The Singing
W. Hymnology: a collection of source readings, p. 8. 30. Citado por LIEMOHN, Edwin, The Singing
W. Hymnology: a collection of source readings, p. 8. 30. Citado por LIEMOHN, Edwin, The Singing

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W. Hymnology: a collection of source readings, p. 8. 30. Citado por LIEMOHN, Edwin, The Singing

refere a hinos que ele classifica de “produções modernas de ho- mens modernos”, 31 mostrando que a composição e uso de hinos naquele tempo era uma realidade.

São João Crisóstomo (345-407), bispo de Constantino- pla, mostra em uma citação, a alta estima dos salmos de Davi, apesar da posição importante que os hinos já estavam tomando então. Ele afirma que o canto nas vigílias, nas procissões, nos funerais e sepultamentos, nos mosteiros e conventos, “Davi é o princípio, meio e fim”. 32

Santo Agostinho, bispo de Hipona (falecido em 430), também menciona a música em suas “Confissões”. Ele preocu- pa-se com a mensagem do texto e acha que ele deve ser trans- mitido claramente e o ouvinte não deve ser movido mais pela voz do que pelas palavras. Ele fala de sua própria experiência quando chegou novamente à fé, dizendo que chegou às lágrimas quando “fui movido não com o canto, mas com as coisas can- tadas, quando cantaram com voz clara e modulação mais ade- quada”. 33 Apesar do debate sobre o uso ou não da música na igreja, Agostinho era favorável à música na igreja e era de opi- nião que esta não deveria ser usada para fins carnais e sensuais. Agostinho introduziu o canto de salmos na hora das ofertas nos ofícios da Igreja Africana, iniciando, desse modo, o Ofertório.

3. O usO de instrumentOs

desse modo, o Ofertório. 3. O usO de instrumentOs Com o advento do cristianismo, o uso

Com o advento do cristianismo, o uso de instrumentos no culto entrou em declínio. O Novo Testamento não faz men-

31. Citado por KRETZMANN, Paul E. Christian Art, book II, p. 311-341.

32. Citado por LIEMOHN, Edwin, Op. cit. p. 10.

33. Idem, p. 23.

Paul E. Christian Art , book II, p. 311-341. 32. Citado por LIEMOHN, Edwin, Op. cit.

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Paul E. Christian Art , book II, p. 311-341. 32. Citado por LIEMOHN, Edwin, Op. cit.
Paul E. Christian Art , book II, p. 311-341. 32. Citado por LIEMOHN, Edwin, Op. cit.

ção de uso de instrumentos no culto e tem também pouquíssimas referências a instrumentos de modo geral. Como regra não eram permitidos instrumentos na Igreja Antiga, talvez por causa de sua associação com festividades pagãs (Clemente permitia a lira e a cítara por serem instrumentos que Davi também teria usado).

Eusébio (falecido cerca de 340), bispo de Cesareia, na Palestina, e autor de história eclesiástica, expressou seu desagra- do no uso de instrumentos na igreja:

NóscantamosolouvordeDeuscomosaltério

Nossacítaraéocorpotodo,porcujomovimento

eaçãoaalmacantaumhinodignoaDeusenossosal-

tériodedezcordaséaveneraçãodoEspíritoSantopelos cincosentidosdocorpoeascincovirtudesdoespírito. 34

vivo

cincosentidosdocorpoeascincovirtudesdoespírito. 3 4 vivo 4. C OntrOvérsia HinOlógiCa O uso de hinos na igreja foi

4. COntrOvérsia HinOlógiCa

O uso de hinos na igreja foi controvertido. Os mos- teiros orientais do 4º e 5º séculos usaram Salmos e viam com desagrado o uso de hinos. A razão disso é que grupos como os arianos 35 e gnósticos 36 usavam hinos em grande quantidade para

e gnósticos 3 6 usavam hinos em grande quantidade para 34. Citado por Edwin Liemohn em
e gnósticos 3 6 usavam hinos em grande quantidade para 34. Citado por Edwin Liemohn em
e gnósticos 3 6 usavam hinos em grande quantidade para 34. Citado por Edwin Liemohn em

34. Citado por Edwin Liemohn em The Singing Church, p. 13.

35. Arianismo. “Seita religiosa que tomou o nome do heresiarca Ário (ca. 270-

336), teólogo de Alexandria que negava a consubstancialidade do Filho com o Pai. Cristo, ainda que anterior ao mundo, é, contudo, um poiema (= obra) de Deus. O arianismo foi condenado pelo Concílio de Niceia (325)”. SCHULER, Arnaldo. Dicionário Enciclopédico de Teologia.

36. Gnosticismo. Movimento que teve seu início antes do cristianismo e que

floresceu nos séculos 2 e 3 da era cristã. O nome vem do grego gnosis que

significa “conhecimento”. “Este conhecimento consiste de saber oculto e de

.)

possessões de certas senhas mágicas e nomes secretos. Todas as seitas

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conhecimento consiste de saber oculto e de .) possessões de certas senhas mágicas e nomes secretos.

difundirem suas heresias. Isto causou certa oposição à música de qualquer tipo na igreja e aos hinos em particular. No entanto, as igrejas de Alexandria, Jerusalém, Antioquia e Bizâncio aceita- ram a música como parte integrante de seu culto. Mas, a maioria dos cristãos considerava a música praticada pelos gentios como diabólica e achavam que deveriam opor-se a ela e proteger espe- cialmente os jovens de seus efeitos.

Aos arianos fora permitido apenas cultuar dentro da cidade de Constantinopla e somente ao cair do sol de sábado, domingo e dias festivos. Por isso, cantavam hinos a noite toda, escarnecendo e insultando os cristãos ortodoxos através de seu canto. Ario, seu líder encontrou no canto de hinos uma maneira popular de ganhar seguidores, promovendo suas próprias dou- trinas. Ele condenava a consubstancialidade de Cristo, ou seja, que Cristo é de uma só substância com o Pai.

Crisóstomo, observando a eficácia do canto de hinos dos arianos, organizou uma série de procissões à noite com cantos a fim de rebater os arianos com sua própria tática. Mas estas procissões muitas vezes terminavam em tumulto e der- ramamento de sangue, pois participavam pessoas de ambas as facções. Resultado: foi baixado um decreto imperial suprimindo qualquer canto de hinos pelos arianos em público.

O uso de hinos “extra bíblicos” no culto foi um assunto

.) afirmavam estar em possessão de uma mensagem divina secretamente

A ideia

básica do gnosticismo era de redenção, primeiro, do mundo material (a ma-

téria era considerada diabólica) e então de fuga para uma vida de liberdade, adquirindo assim a liberdade inferida no espírito humano. A alma, escapando

A ideia

dualística inerente na doutrina da redenção foi desenvolvida (Deus supremo – Demiurgo; bom – mau; luz – escuridão; queda celestial – queda temporal; espírito – matéria; pleroma – hysterema) e sintetizada no Deus bom. ” LUE- CKER, Erwin L. Lutheran Cyclopedia.

da matéria, está para ser unida com o Pleroma ou a plenitude de Deus

concedida sobre a qual dependia a entrada de uma vida superior

para ser unida com o Pleroma ou a plenitude de Deus concedida sobre a qual dependia

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para ser unida com o Pleroma ou a plenitude de Deus concedida sobre a qual dependia
para ser unida com o Pleroma ou a plenitude de Deus concedida sobre a qual dependia

de grandes debates que se estendeu por séculos. No cristianismo primitivo, o movimento conhecido como “Biblicismo” reduziu

a quase nada a composição de hinos que não tivessem texto ex- traído das Escrituras. Este movimento insistia que, além de uns poucos hinos aprovados pelo clero, deveriam ser permitidos so- mente hinos derivados diretamente das Escrituras. O Concílio de Antioquia (260) admoestou Paulo de Samósata por rejeitar o uso de hinos, mas o Concílio de Laodiceia (380-381) suprimiu o uso de hinos extra bíblicos. Este último, no seu 13º cânone, designou cantores para as igrejas que tinham a tarefa de refundir melodias seculares adaptando-as principalmente para os salmos e cânticos. Não queriam que amadores se dedicassem à composição de hi- nos heterodoxos sem base escriturística. No entanto o Concílio de Toledo (633) decretou: “para o canto de hinos e salmos na

igreja temos o exemplo de Cristo e seus apóstolos

excomungados os que têm a ousadia de rejeitar hinos”.

Um fato notório de uso do canto aconteceu na Síria. Bardesanes (154-222) e seu filho Honorius foram hinistas que souberam usar seus hinos para difundir suas especulações gnós- ticas (Bardesanes tentou remover a responsabilidade de Deus pelo mal, atribuindo a ele o planejamento, mas não a criação do universo). Bardesanes compôs uma coleção de 150 salmos, fazendo uma analogia com os salmos da Bíblia. Ele e seu filho exerceram grande influência sobre a composição de hinos de seu tempo, fazendo com que outros seguissem seus passos. Ali- ás, o canto de hinos foi o método favorito dos heréticos para conseguir adeptos. O povo comum acatava os hinos e, assim, era instruído na doutrina dualista (Dualismo é a admissão de dois seres superiores mutuamente hostis, um representando tudo o que é moralmente bom e benéfico ao homem e o outro a fonte de todo o pecado e mal).

Devem ser

um representando tudo o que é moralmente bom e benéfico ao homem e o outro a
um representando tudo o que é moralmente bom e benéfico ao homem e o outro a
um representando tudo o que é moralmente bom e benéfico ao homem e o outro a

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um representando tudo o que é moralmente bom e benéfico ao homem e o outro a

Efraim, o sírio (falecido em 373), sabia que uma mera proibição dos hinos gnósticos de nada adiantaria – o ritmo e a melodia destes hinos tinham influenciado tanto as mentes e corações do povo que uma simples ordem de abandono destes hinos não desviaria seus pensamentos deles. Por isso, a tática de Efraim foi enfrentar a influência herética com hinos ortodoxos. Por esta atividade ele foi celebrado na Igreja Antiga como “Lira do Espírito Santo” e “Profeta dos Sírios”. Seus hinos tiveram tanto mérito que não somente foram executados durante sua vida, mas também alguns deles ainda são cantados no oriente nos dias de hoje. Seu hino mais conhecido é “No Nascimento de Nosso Senhor”, cujo início é “Em seus braços, com terno amor, José toma seu único filho”. Além de hinista Efraim era também grande teólogo, o que lhe possibilitou escrever homilias em métrica, dividindo os versos em estrofes, à semelhança de nossos hinos atuais.

Outro músico precisa ser destacado dentro da Igreja Antiga. É Ambrósio, bispo de Milão (374-397) que foi o hinista mais destacado de seu período. Ambrósio emigrou para o oci- dente após romper com a imperatriz Justina e seus seguidores do movimento herético dos arianos. Ele estava familiarizado com o canto de hinos do oriente e foi o primeiro a introduzi-los com su- cesso no ocidente. Sentiu que o canto de hinos era um caminho eficiente para encorajar os ânimos de sua congregação em Milão.

Embora lhe sejam creditados apenas quatro hinos de sua autoria, o bispo Ambrósio teve influência notável no can- to congregacional; outros compositores surgiram seguindo seu modo de compor. Seus hinos, escritos para a congregação usar em culto público, espalharam-se por toda Europa (infelizmente nada podemos dizer sobre suas melodias, visto ainda não haver um sistema de notação musical eficiente na época). O hino am-

dizer sobre suas melodias, visto ainda não haver um sistema de notação musical eficiente na época).

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dizer sobre suas melodias, visto ainda não haver um sistema de notação musical eficiente na época).
dizer sobre suas melodias, visto ainda não haver um sistema de notação musical eficiente na época).

brosiano era organizado em dímetro iambo, 37 que se tornou a forma de verso para o canto congregacional até o tempo da Re- forma. Contrastando com o texto dos Salmos escritos em pro- sa, os hinos ambrosianos eram escritos em estrofes de quatro versos, facilitando o canto congregacional. Além disso tinham normalmente uma sílaba para cada nota, outra característica que facilita o canto congregacional.

Ambrósio também introduziu quatro escalas na música sacra: dórica, frígia, eólia e mixolídia. Os hinos eram cantados nas notas destas escalas.

Ambrósio também é pioneiro por introduzir o canto antifonal em sua região (utilização de dois corais), para o canto dos Salmos. Esta prática espalhou-se em Roma e foi oficialmen- te adotada pela igreja durante o papado de Celestino I (422-432). Embora a participação de mulheres no culto tenha sido tradi- cionalmente insignificante, Ambrósio insistia que as mulheres também deveriam cantar.

Os hinos de Ambrósio, originalmente escritos para se- rem utilizados no culto público, entraram também para o Ofício das Horas e para os breviários. O Ofício das Horas, ou Horas Canônicas, são momentos especiais de oração, que eram diaria- mente observados pelos clérigos, com leituras, hinos e orações pré-determinados. Os hinos ambrosianos se tornaram muito populares, bem mais populares do que os cantos introduzidos mais tarde por Gregório.

Após Ambrósio seguiram-se outros hinistas. Os hinos foram muito usados embora algumas igrejas não aceitassem hi- nos extra bíblicos.

37. Na poesia grega e na latina, pé de verso constituído de uma sílaba breve e outra longa.

- nos extra bíblicos. 37. Na poesia grega e na latina, pé de verso constituído de
- nos extra bíblicos. 37. Na poesia grega e na latina, pé de verso constituído de
- nos extra bíblicos. 37. Na poesia grega e na latina, pé de verso constituído de

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- nos extra bíblicos. 37. Na poesia grega e na latina, pé de verso constituído de

5. a transferênCia dO CantO COngregaCiOnal Para O COrO e O ClerO

transferênCia dO CantO COngregaCiOnal Para O COrO e O ClerO Exemplos de escritos históricos nos mostram

Exemplos de escritos históricos nos mostram que nos

primeiros séculos da era cristã o canto de hinos fazia parte das assembleias do culto cristão. Passado o tempo da perseguição e com a chegada da liberdade religiosa com o edito de Milão do imperador Constantino em 313, estava aberto o caminho para

o desenvolvimento de uma ordem de culto que, no decorrer do

tempo, eliminaria o canto congregacional. Hinos acolhidos pela igreja foram incorporados na liturgia que passou a ser oficiada pelos sacerdotes e por cantores treinados.

O Concílio de Laodiceia (cerca de 350) havia regula-

mentado que somente deveriam cantar no ofício cantores de-

vidamente designados no ofício religioso. Para isso foram esta- belecidas as Schola Cantorum. Nestas escolas exigia-se um alto padrão; havia interesse em bom canto e boas vozes. São Bento,

o fundador do monasticismo ocidental, defendia até o castigo corporal aos meninos que não pudessem cantar no tom.

O desenvolvimento de uma ordem de culto formal foi

grandemente favorecido pela Schola Cantorum que treinava os cantores. O Edito de Constantino favoreceu também a constru- ção de muitas igrejas de grandes proporções (Roma tinha mais de 40 basílicas no início do Século IV). Como havia também grandes conversões para o cristianismo nesta época, o canto congregacional antifonal podia ser usado para ensinar aos no- vos membros o canto dos hinos. A congregação estabelecida cantava uma linha e os convertidos a repetiam. Mas, à medida que os grupos de cantores foram sendo usados, este tipo de

uma linha e os convertidos a repetiam. Mas, à medida que os grupos de cantores foram

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uma linha e os convertidos a repetiam. Mas, à medida que os grupos de cantores foram
uma linha e os convertidos a repetiam. Mas, à medida que os grupos de cantores foram

canto antifonal passou cada vez mais para o clero e para os can- tores treinados, que constituíam o coro. Além disso, os cantores tinham o status de clérigos secundários. Parecia ser necessário que se desse a música aos sacerdotes e ao coro para preencher

o interesse de conseguir um ofício com ordem e dignidade. O

resultado disso foi que no final do Século IV o canto da congre- gação estava praticamente assumido pelo coro. Algumas partes continuavam sendo da congregação até o Século VI, tais como o Kyrie, Gloria in Excelsis e o Sanctus. Um solista cantaria partes

como o Gradual, Trato e Ofertório.

solista cantaria partes como o Gradual, Trato e Ofertório. 6. O C antO g regOrianO O

6. O CantO gregOrianO

O canto gregoriano consiste especificamente do canto eclesiástico conforme selecionado e anotado por Gregório I, o Grande, papa de 590 a 604. 38 O canto gregoriano é monofôni- co, sem acompanhamento, não tem grandes saltos, tem pequena

extensão da nota mais grave para a mais aguda e não é métrico;

o texto sempre é em latim e determina o ritmo da música. 39 As

escalas