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SUMÁRIO

RESUMO .................................................................................................................................................. ii
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................................... iii
LISTA DE TABELAS ................................................................................................................................... vi
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................................... 1
1.1. Legislação pertinente à qualidade da água das ressacas ......................................................................... 1
1.2. Parâmetros físico-químicos de qualidade de água .................................................................................. 2
1.3. Área de abrangência ................................................................................................................................ 4
1.3.1. Características gerais da bacia hidrográfica do igarapé da Fortaleza............................................... 4
1.3.2. Características gerais da bacia hidrográfica do rio Curiaú................................................................ 4
2. OBJETIVOS ........................................................................................................................................... 5
2.1. Objetivos gerais ........................................................................................................................................ 5
2.2. Objetivos específicos ................................................................................................................................ 5
3. METODOLOGIA .................................................................................................................................... 6
3.1. Avaliação dos parâmetros físico-químicos de qualidade de água da foz do igarapé da Fortaleza até a
ressaca da Lagoa dos Índios ............................................................................................................................ 6
3.2. Coleta de amostras de águas superficiais e análises de parâmetros de qualidade de água das áreas de
ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú durante o período de março de 2009 a outubro de 2010
......................................................................................................................................................................... 8
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................................................. 10
4.1. Avaliação dos parâmetros físico-químicos de qualidade de água da foz do igarapé da Fortaleza até a
ressaca da Lagoa dos Índios .......................................................................................................................... 10
4.2. Coleta de amostras de águas superficiais e análises de parâmetros de qualidade de água das áreas de
ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú durante o período de março de 2009 a outubro de 2010
....................................................................................................................................................................... 16
4.2.1. Lagoa dos Índios ............................................................................................................................. 16
4.2.2. Curralinho ....................................................................................................................................... 24
4.2.3. Curiaú .............................................................................................................................................. 30
4.2.4. Comparações entre as áreas de ressacas quanto aos parâmetros físico-químicos analisados no
período de março de 2009 a outubro de 2010......................................................................................... 36
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................................................... 44
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................................... 46

i
RESUMO
O objetivo do presente trabalho foi analisar a qualidade da água superficial do igarapé da Fortaleza, trecho
que compreende sua foz até a montante na ressaca da Lagoa do Índios, e de 3 áreas de ressacas: Lagoa dos
Índios, Curralinho e Curiaú, localizadas nas bacias do igarapé da Fortaleza e do rio Curiaú, Estado do Amapá,
Brasil. A pesquisa foi desenvolvida durante o período de Março de 2009 a Outubro de 2010. A determinação
dos parâmetros de qualidade de água tais como pH, condutividade elétrica (µS/cm), turbidez (NTU),
temperatura da água e ambiente (°C) e oxigênio dissolvido (mg/L) foram medidos por potenciômetro digital,
a transparência da água (cm), pelo disco de Secchi, e a profundidade (m) por fio de prumo. Todas as análises
foram realizadas durante a manhã. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA) para
o igarapé da Fortaleza e para comparação entre as áreas de ressacas, e o teste de Student (teste t) foi
aplicado em cada ressaca para identificar possíveis diferenças dos parâmetros nos períodos sazonais
distintos (chuvoso e seco). Ao longo do igarapé da Fortaleza, os parâmetros de qualidade de água (pH,
condutividade elétrica, turbidez e oxigênio dissolvido) apresentaram diferenças significativas (P < 0,05). A
transparência e a temperatura ambiente demonstram diferenças entre os períodos na ressaca da Lagoa dos
Índios. Na ressaca do Curralinho a única diferença constatada foi para a variável condutividade. No Curiáu
exibem diferenças a variável temperatura da água e transparência. As áreas de ressacas da Lagoa dos Índios,
Curralinho e Curiaú apresentaram diferenças (P < 0,05) quanto aos parâmetros pH, condutividade elétrica,
temperatura da água, oxigênio dissolvido, temperatura ambiente e profundidade, não havendo diferenças
para a turbidez e transparência. A ressaca da Lagoa dos Índios é a que possui o pH menos ácido (5,81), os
maiores valores de condutividade elétrica (32,22 µS/cm) e os menores valores de temperatura ambiente
(29,48°C) e oxigênio dissolvido (1,58 mg/L), além de apresentar a menor variação de profundidade de 0,91m
entre os períodos estudados. A ressaca do Curralinho foi a que apresentou o pH mais ácido (5,17) os maiores
valores de temperatura da água superficial (30,84°C) e temperatura ambiente (31,61°C). A ressaca do Curiaú
apresentou os maiores valores de oxigênio dissolvido (4,96 mg/L) e de transparência (100,89 cm), possuindo
também a maior variação de profundidade que é de 1,70m. Constatou-se, também, que análise estatística
ANOVA (fator duplo sem repetição) foi a que melhor identificou as diferenças físicas e químicas de todos os
parâmetros de qualidade de água analisados, existentes entre os períodos sazonais distintos quando
comparada com a análise do teste t, que apenas identificou alguns desses parâmetros com alguma diferença
expressiva entre tais períodos, confirmando dessa forma as diferenças físicas e químicas que se revelam
observadas in locu.

ii
LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Localização da área de estudo. Fonte: CPAq/IEPA. Imagem Landsat, 2000......................................... 5


Figura 2. Localização dos pontos de GPS (UTM) relativos a coleta do dia 27 de agosto de 2009. Partindo-se do
Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), passando pelo distrito da
Fazendinha, indo ao longo do igarapé da Fortaleza, desde a sua foz (ponto A1) até a área de ressaca da Lagoa
dos Índios (ponto A12). Fonte da imagem: Google Earth. .................................................................................. 6
Figura 3. Pontos de amostragem das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curiaú e Curralinho. Fonte da
imagem: Google Earth. ...................................................................................................................................... 10
Figura 4. Variação da média dos valores de pH e oxigênio dissolvido das amostras de água superficial ao
longo do Igarapé da Fortaleza, desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Data da coleta:
27 de agosto de 2009. ....................................................................................................................................... 13
Figura 5. Variação da média dos valores de condutividade elétrica das amostras de água superficial ao longo
do Igarapé da Fortaleza, desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Data da coleta: 27 de
agosto de 2009. ................................................................................................................................................. 14
Figura 6. Variação dos valores de temperatura da água e temperatura ambiente das amostras de água
superficial ao longo do Igarapé da Fortaleza, desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12).
Data da coleta: 27 de agosto de 2009. .............................................................................................................. 14
Figura 7. Variação dos valores médios de turbidez e variação dos valores de transparência das amostras de
água superficial ao longo do Igarapé da Fortaleza, desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios
(A12). Data da coleta: 27 de agosto de 2009. ................................................................................................... 15
Figura 8. Variação dos valores de profundidade dos locais amostrados ao longo do Igarapé da Fortaleza,
desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Data da coleta: 27 de agosto de 2009. ........... 16
Figura 9. Lagoa dos Índios: a) ressaca da Lagoa dos Índios, b) ponte da Lagoa, c) período de chuvas
(janeiro/2010) e d) período de estiagem (dezembro/2009). Fonte: DGAS/CPAq/IEPA. ................................... 17
Figura 10. Variação da média dos valores de pH e oxigênio dissolvido das amostras de água superficial da
ressaca da Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010
a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ............... 20
Figura 11. Variação da média dos valores de condutividade elétrica das amostras de água superficial da
ressaca da Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010
a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ............... 21
Figura 12. Variação dos valores médios de turbidez e variação dos valores de transparência das amostras de
água superficial da ressaca da Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de
2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a
outubro de 2010)............................................................................................................................................... 22
Figura 13. Variação dos valores de temperatura ambiente e temperatura das amostras de água superficial da
ressaca da Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010
a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ............... 23
Figura 14. Variação dos valores de profundidade do local amostrado na ressaca da Lagoa dos Índios durante
os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de
2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ...................................................................... 23
Figura 15. Ressaca do Curralinho: a) período de chuvas (fevereiro de 2010) e b) período de estiagem
(setembro de 2009). Fonte: DGAS/CPAq/IEPA. ................................................................................................ 24

iii
Figura 16. Variação da média dos valores de pH e oxigênio dissolvido das amostras de água superficial da
ressaca do Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a
junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). .................. 26
Figura 17. Variação da média dos valores de condutividade elétrica das amostras de água superficial da
ressaca do Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a
junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). .................. 27
Figura 18. Variação dos valores médios de turbidez e variação dos valores de transparência das amostras de
água superficial da ressaca do Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e
janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de
2010).................................................................................................................................................................. 28
Figura 19. Variação dos valores de temperatura ambiente e temperatura das amostras de água superficial da
ressaca do Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a
junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). .................. 29
Figura 20. Variação dos valores de profundidade do local amostrado na ressaca do Curralinho durante os
períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009
a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ............................................................................... 29
Figura 21. Ponte do rio Curiaú: a) período de chuvas (maio de 2007) e b) início do período de estiagem
(dezembro de 2009). Fonte: DGAS/CPAq/IEPA. ................................................................................................ 30
Figura 22. Variação da média dos valores de pH e oxigênio dissolvido das amostras de água superficial da
ressaca do Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho
de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ............................ 32
Figura 23. Presença de macrófitas aquáticas observadas no período de estiagem (dezembro de 2009) na área
de ressaca do Curiaú. ........................................................................................................................................ 33
Figura 24. Variação da média dos valores de condutividade elétrica das amostras de água superficial da
ressaca do Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho
de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ............................ 33
Figura 25. Variação dos valores médios de turbidez e variação dos valores de transparência das amostras de
água superficial da ressaca do Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro
de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). . 34
Figura 26. Variação dos valores de temperatura ambiente e temperatura das amostras de água superficial da
ressaca do Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho
de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ............................ 35
Figura 27. Variação dos valores de profundidade do local amostrado na ressaca do Curiaú durante os
períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009
a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ............................................................................... 35
Figura 28. Variação dos valores médios de pH das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos
Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010. ............................................... 39
Figura 29. Variação dos valores médios de condutividade elétrica das águas superficiais das áreas de ressacas
da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010. ......................... 40
Figura 30. Variação dos valores médios de turbidez das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos
Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010. ............................................... 41
Figura 31. Variação dos valores de temperatura das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos
Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010. ............................................... 41

iv
Figura 32. Variação dos valores médios de oxigênio dissolvido das águas superficiais das áreas de ressacas da
Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010. .............................. 42
Figura 33. Variação dos valores de transparência das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos
Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010. ............................................... 43
Figura 34. Variação dos valores de temperatura ambiente entre as áreas de ressacas da Lagoa dos Índios,
Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010. ........................................................... 43
Figura 35. Variação dos valores de profundidade entre as áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e
Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010. ................................................................................ 44

v
LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Limites estabelecidos para alguns parâmetros pela resolução CONAMA nº 357/2005 para águas de
classe 2. ............................................................................................................................................................... 2
Tabela 2. Descrição e importância de alguns parâmetros de qualidade de água. .............................................. 2
Tabela 3. Identificação, descrição e coordenadas geográficas dos pontos de coleta ao longo do curso do
igarapé da Fortaleza. ........................................................................................................................................... 7
Tabela 4. Coordenadas dos pontos de amostragem das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e
Curiaú. ................................................................................................................................................................. 9
Tabela 5. Parâmetros de qualidade de água analisados, durante a maré vazante, desde a Foz do igarapé da
Fortaleza até a área de ressaca da Lagoa dos Índios (27/08/2009). ................................................................. 12
Tabela 6. Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial da área de ressaca da Lagoa
dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010)
e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ........................................... 19
Tabela 7. Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial da área de ressaca do
Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010)
e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010). ........................................... 25
Tabela 8. Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial da área de ressaca do Curiaú
durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco
(julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010)........................................................ 31
Tabela 9. Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial das áreas de ressacas da
Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú durante o período chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro
de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010)
(Continua). ......................................................................................................................................................... 37

vi
1. INTRODUÇÃO
As áreas úmidas periodicamente inundadas, mas que abrigam canais ou cursos d’água perenes são
regionalmente conhecidas como ressacas. Tais áreas são vistas como purificadoras de água, pois a vegetação
e sedimento podem reter nutrientes, além de microorganismos que decompõem compostos orgânicos como
pesticidas e dejetos humanos. Estas áreas são alimentadoras de lençóis freáticos e reservatórios de água,
absorvendo as águas das chuvas, diminuindo os riscos de enchentes, além de minimizarem o risco de erosão
na linha de costa, diminuindo a vazão e consequentemente a força com que as águas atingem o litoral
(TAKIYAMA&SILVA, 2004).

As cidades de Macapá/AP e Santana/AP possuem áreas de ressacas que estão sendo cada vez mais
pressionadas pela ocupação humana que ocorre de forma desorganizada e indevida através de construção
de moradias, aterramento, queimadas, despejo de resíduos sólidos, dejetos e de atividades tais como a
bubalinocultura, criação de peixes e uso para recreação.

O principal objetivo deste trabalho foi o de avaliar os parâmetros físico-químicos de qualidade da água em
áreas de ressacas da bacia hidrográfica do igarapé da Fortaleza e rio Curiaú.

1.1. Legislação pertinente à qualidade da água das ressacas


Em termos de legislação federal, existe a Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA Nº
357 de 17 de março de 2005, que estabelece limites de vários parâmetros de qualidade da água de acordo
com a classificação das águas baseada no uso das mesmas. A Classe 2 é a mais adequada para as águas das
ressacas e é descrita como:
Águas Doces: III – Classe 2: águas que podem ser destinadas:
ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
à proteção das comunidades aquáticas;
à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução
CONAMA nº 274, de 2000;
à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os
quais o público possa vir a ter contato direto; e
à aqüicultura e à atividade de pesca.
Os limites de alguns parâmetros regulados pela Resolução CONAMA Nº 357, são mostrados na Tabela 1.

1
Tabela 1. Limites estabelecidos para alguns parâmetros pela resolução CONAMA nº 357/2005 para águas de classe 2.
Parâmetros Limites
1
Turbidez 100NTU
pH 6a9
Cloretos 250mg/L Cl
Sólidos Totais Dissolvidos 500mg/L
Nitrogênio Amoniacal total 3,7mg/L N, para pH ≤ 7,5
Nitrato 10mg/L N
Fósforo Total 0,025mg/L P
Oxigênio Dissolvido ≥ 5mg/L O2
2
Coliformes Fecais 1000NMP /100mL
Fonte: CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução do CONAMA nº
357/2005. Classificação dos corpos de água. Brasília, 2005.
Nota:
(1) NTU:Unidade Nefelométrica de Turbidez
(2) NMP: Número Mais Provavél

1.2. Parâmetros físico-químicos de qualidade de água


Estão resumidamente descritos na Tabela 2 a seguir, alguns parâmetros físico-químicos de qualidade de
água com suas respectivas relevâncias com relação à qualidade e métodos de determinação.

Tabela 2. Descrição e importância de alguns parâmetros de qualidade de água.


Parâmetro Descrição Importância Técnicas ou Unidades de
instrumentos de expressão
Análise
Zona Eufótica e Representa a penetração de luz Determina a região Disco de Secchi metros (m)
Transparência na água. O limite inferior da zona superficial da água
da Água eufótica é geralmente assumido onde ocorre a
como sendo aquela profundidade fotossíntese
onde a intensidade da radiação
corresponde a 1% da que atinge a
superfície
Sólidos São divididos em 2 tipos: os Influenciam a - Filtração mg/L
sólidos dissolvidos e os sólidos condutividade - Gravimetria
suspensos. A soma dos dois (concentração de
representa os sólidos totais. São sais), e a
representados por materiais transparência.
orgânicos (plânctons) e
inorgânicos
Turbidez Expressa as propriedades de A importância na Turbidímetro UNT ou NTU)
transmissão da luz de uma turbidez diz respeito a
solução ou suspensão penetração de luz, ou
transparência da água
o
Temperatura da Expressa as variações da troca de Os organismos - Termômetro C
água energia térmica entre os diversos possuem diferentes - Termistor
meios e a água. reações às mudanças
deste fator. E as
velocidades das
reações químicas que
podem ocorrer no
meio aquático são
influenciadas pela
temperatura.
pH O termo pH (potencial Pode indicar a pHmetro Escala de 0 a
hidrogeniônico) é usado presença de poluição, 14
universalmente para expressar o ácidos húmicos,
grau de acidez ou basicidade de carbonatos e outros
uma solução, ou seja, é o modo íons em solução
de expressar a concentração de
íons de hidrogênio nessa solução
Alcalinidade A alcalinidade também é Esse parâmetro auxilia Titulometria mg/L
conhecida como capacidade de na manutenção do pH
neutralização de ácidos e resulta da água que pode ser

2
Parâmetro Descrição Importância Técnicas ou Unidades de
instrumentos de expressão
Análise
da presença de hidróxidos, afetado pela adição de
carbonatos e bicarbonatos. ácidos.
Silicatos, fosfatos e matéria
orgânica também contribuem
para a alcalinidade.
Oxigênio Éxpressa a quantidade de Do ponto de vista - Oxímetro mg/L
Dissolvido – O.D. oxigênio (gás) dissolvido na água ecológico, o oxigênio - Titulometria
e depende da temperatura da dissolvido na água é
água e da pressão atmosférica. uma variável
Quanto maior a pressão, maior a extremamente
dissolução, e quanto maior a importante, haja vista
temperatura, menor a dissolução que a maioria dos
desse gás organismos necessita
deste elemento para a
respiração
Organismos São bactérias, vírus e São fortes indicadores Teste bacteriológico NMP/100 mL
Patogênicos protozoários. de poluição e que NMP =
podem causar danos à número mais
saúde pública. provável
Nitrogênio e São compostos representados São compostos - Espectrofotometria mg/L
Fósforo pelos nitratos, nitritos, amônia, essenciais à vida - Eletrodo íon
fosfatos e compostos orgânicos aquática. Constituem seletivo
contendo nitrogênio e fósforo. um importante índice - Titulometria
da presença de
despejos orgânicos
recentes quando em
altas concentrações
Metais Pesados Constituem a maioria dos íons Em concentrações - Espectrometria de mg/L, μg/L
dos metais do grupo B da tabela elevadas apresentam absorção atômica
periódica. alta toxicidade em - Espectrofotometria
relação aos - Titulometria
organismos aquáticos. - Eletrodos íon
Entretanto, em níveis seletivos
baixos podem
apresentar-se como
micro-nutrientes.
Demanda Corresponde à quantidade de É um dos indicadores Teste bacteriológico mg/L
Bioquímica de oxigênio que é consumida pelos de poluição
Oxigênio - DBO microorganismos do esgoto ou largamente utilizado.
águas poluídas, na oxidação
biológica, quando mantida a uma
dada temperatura por um espaço
de tempo pré-determinado.
Condutividade Indica a capacidade que a água Pode contribuir para Condutivímetro μS/cm
possui de conduzir corrente possíveis
elétrica. Este parâmetro está reconhecimentos de
relacionado com a presença de impactos ambientais
íons dissolvidos na água, que são que ocorram na bacia
partículas carregadas de drenagem
eletricamente. Quanto maior for ocasionados por
a quantidade de íons dissolvidos, lançamentos de
maior será a condutividade resíduos industriais,
elétrica da água. mineração, esgotos,
etc
ORP (Potencial Representa as condições de Serve como um Sistema de eletrodos mV
de óxido- oxidação e redução do meio. indicador de poluição
redução) Valores altos de ORP indicam o e da especiação
favorecimento da formação de química. Na presença
espécies químicas oxidadas. de O2 dissolvido,
apresentam valores
elevados.
Fontes: - “Educação Ambiental Através da Visão Integrada de Bacias Hidrográficas via Internet”, site na internet -
(http://educar.sc.usp.br/biologia/prociencias/principal.htm), disponível em 01/06/2001, APHA, 2006; AWWA, 1991; Tchobanoglous
e Burton, 1991; Stumm e Morgan, 1981.

3
1.3. Área de abrangência
1.3.1. Características gerais da bacia hidrográfica do igarapé da Fortaleza
Área: 195 km2.
Extensão aproximada do canal principal: 22 km.
Localização: entre as coordenadas 00o05’13” latitude norte e 00o03’43” latitude sul e, entre as coordenadas
51o04’37” e 51o09’57” longitude oeste.
Em termos de localização geral, a bacia estende-se desde a foz do igarapé da Fortaleza, tendo como limites:
ao sul e ao leste o rio Amazonas; ao oeste a cidade de Santana e; ao norte, a região do Curiaú (Figura 1).

1.3.2. Características gerais da bacia hidrográfica do rio Curiaú


Área: 196 km2.
Extensão aproximada do canal principal: 9 km.
Localização: Entre as coordenadas 00o14’39’’ e 00o05’13’’ latitude norte e, entre as coordenadas 51o04’37’’ e
51o09’57’’ longitude oeste.
De modo mais simples, a bacia estende-se desde a foz do rio Curiaú tendo como limites: ao sul a cidade de
Macapá; ao leste o rio Amazonas; ao oeste a rodovia BR156 e; ao norte a rodovia AP210 (Figura 1).

4
Figura 1. Localização da área de estudo. Fonte: CPAq/IEPA. Imagem Landsat, 2000.

2. OBJETIVOS
2.1. Objetivos gerais
Realizar estudos dos parâmetros de qualidade de água do igarapé da Fortaleza (trecho que compreende sua
foz até a ressaca da Lagoa dos Índios) e das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú como
auxílio à construção de uma proposta de zoneamento ecológico-econômico e à proteção dos recursos
hídricos dessas áreas pertencentes ao Estado do Amapá.

2.2. Objetivos específicos


Georreferenciar os pontos amostrados para posterior espacialização dos mesmos;

5
Coletar amostras de água superficial para posterior análise de parâmetros de qualidade de água no
laboratório;
Medir os parâmetros de qualidade de água nas águas superficiais dos locais de coleta dos dados;
Avaliar os parâmetros de qualidade de água analisados;
Relacionar os parâmetros de qualidade de água com os períodos sazonais distintos (chuvoso e seco);
Verificar se existem diferenças entre os parâmetros analisados e os períodos estudados através de
análise estatística teste de Student (teste t) nos locais amostrados;
Verificar se existem diferenças entre as áreas de ressacas estudadas quanto aos parâmetros de
qualidade de água através de análise estatística de variança (ANOVA);

3. METODOLOGIA
3.1. Avaliação dos parâmetros físico-químicos de qualidade de água da foz do igarapé da Fortaleza até a
ressaca da Lagoa dos Índios
A campanha de campo no curso do igarapé da Fortaleza foi realizada no dia 27 de agosto de 2009. As coletas
foram realizadas de 2 em 2km, ao longo do igarapé, em águas superficiais, de 15 a 20cm de profundidade, na
maré vazante para minimizar a influência do rio Amazonas. A Figura 2 ilustra o posicionamento dos pontos
(A1 a A12) de coleta ao longo do curso d’água. As descrições e coordenadas dos pontos de coleta estão
dispostos na Tabela 3.

Figura 2. Localização dos pontos de GPS relativos a coleta do dia 27 de agosto de 2009. Os pontos de coleta de água ao
longo do igarapé da Fortaleza são mostrados, desde a sua foz (ponto A1) até a área de ressaca da Lagoa dos Índios
(ponto A12). Fonte da imagem: Google Earth.

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Tabela 3. Identificação, descrição e coordenadas geográficas dos pontos de coleta ao longo do curso do igarapé da
Fortaleza.
Ponto Descrição Coordenadas Geográficas
Latitude (N) Longitude (O)
A1 Foz do Igarapé Fortaleza -00 03' 11,92081'' -51 08' 25,94075''
Entre a propriedade do Sr.
A2 Cassiano e a comunidade -00 02' 24,85468'' -51 08' 23,11910''
Abacate
Entre o linhão e a
A3 -00 01' 45,49158'' -51 08' 26,66193''
residência do Sr. Paulo
A jusante do dono da Seca
A4 Fossa de Santana -00 01' 12,98814'' -51 07' 47,54385''
(SEFOSAN)
Próximo ao balneário do
A5 -00 01' 03,23502'' -51 07' 07,19525''
Sossego
Próximo à montante do
A6 -00 00' 42,21160'' -51 06' 24,59892''
balneário da Gruta
A7 Ressaca do bairro Congós -00 00' 05,13938'' -51 06' 21,68192''
Acima da propriedade da
A8 00 00' 13,54609'' -51 06' 12,30297''
dona Maria Luciléia
Próximo a um despejo de
esgoto na ressaca do
A9 00 00' 24,18937'' -51 06' 10,43062''
Congós; 6º canal na foz do
igarapé
Final da rua Claudomiro de
A10 Moraes na propriedade da 00 00' 29,31125'' -51 06' 04,27586''
Sra. Maria da Conceição
Antes da ressaca da Lagoa
A11 00 00' 45,76740'' -51 06' 24,52710''
dos Índios
Ressaca da Lagoa dos
A12 00 00' 58,11103'' -51 06' 26,89432''
Índios

Utilizaram-se garrafas de polietileno de 1 litro, previamente lavadas com água destilada, para o
acondicionamento das amostras de águas. As amostras coletadas foram organizadas em engradado e
levadas para posterior análise de turbidez, feita em colorímetro da marca Hach DR 890, no laboratório de
geoquímica de águas da DGAS.

Os procedimentos das análises in locu realizadas nas amostras de águas superficiais, durante as coletas,
estão descritas a seguir:
As medidas de pH foram realizadas com um medidor portátil de pH da marca PHTEK modelo pH-100.
Contou-se com o auxílio de um condutivímetro da marca Lutron modelo CD-4303 para análise de
condutividade elétrica (medida em micro-Siemens por centímetro, µS/cm) e temperatura (medida em graus
Celsius, oC). Foi utilizado um medidor portátil de oxigênio dissolvido da marca Instrutemp modelo MO-880
para análise de oxigênio dissolvido (medido em miligramas por litro, mg/L) e um refratômetro da marca
Quimis modelo QI 107-1, para as medições de salinidade. A profundidade foi estimada (em metros) usando-

7
se um fio de prumo onde o mesmo apresenta demarcação em forma de nós, distando entre os nós,
aproximadamente, um metro. Um disco de Secchi foi usado para as medições de transparência da água
(medida em centímetros, cm).Dentre as análises mencionadas, mediu-se também, a temperatura ambiente
(Temp. Ar) através do condutivímetro supracitado. Em cada ponto de coleta foram feitas três medições,
sendo tirada a média aritmética em cada série de medidas, exceto para as temperaturas da água e
ambiente, disco de Secchi e profundidade.

Para o deslocamento ao longo do igarapé contou-se, com uma voadeira de 6 metros de comprimento com
motor tipo “rabeta” e dois remos.

Para lavagem dos equipamentos, a cada medição, utilizou-se pisseta com água destilada e lenço de papel
para limpeza dos mesmos. Foram também levadas duas garrafas de polietileno cada uma contendo 1L de
água destilada para suprimento da demanda de água destilada durante o trajeto.

Utilizou-se uma máquina fotográfica marca Sony modelo CyberShot para o registro fotográfico das coletas e
observações feitas durante a viagem de campo.

O percurso percorrido desde a foz até a Lagoa dos Índios foi de 22 km. Todos os pontos de coleta foram
devidamente geo-referenciados através de um aparelho de posicionamento global (GPS) marca Garmim
modelo 76 usando o Datum WGS 84 na projeção UTM. Tais pontos foram transferidos para um computador
PC utilizando-se o software TrackMaker possibilitando a edição dos dados e o armazenamento em arquivo
com extensão “.gtm”. Utilizou-se o programa Google Earth para a projeção do mapa de localização dos
pontos de coleta.

Todos os procedimentos analíticos foram realizados segundo as descrições do Standard Methods for the
Examination of Water and Wastewater (APHA, 2006).

3.2. Coleta de amostras de águas superficiais e análises de parâmetros de qualidade de água das áreas de
ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú durante o período de março de 2009 a outubro de 2010
Foram coletadas amostras de água superficial em 1 ponto na bacia do igarapé da Fortaleza e 2 pontos na
bacia do rio Curiaú, pois são esses dois cursos d’água que exercem grande influência nas ressacas dos
municípios de Macapá e Santana, segundo Takiyama e Silva (2004).

8
Os locais escolhidos (Lagoa dos Índios, Curralinho e ponte do rio Curiaú) já fazem parte de um
monitoramento dos parâmetros físico-químicos de qualidade da água realizado pela Divisão de Geoquímica
de Águas e Sedimentos (DGAS) do Centro de Pesquisas Aquáticas (CPAq) do Instituto de Pesquisas Científicas
e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), desde 2006. Dois destes locais (Lagoa dos Índios e ponte do rio
Curiaú) são utilizados para recreação e o terceiro (Curralinho) está localizado em uma área considerada
ainda pouco impactada ambientalmente. As duas últimas (Curiaú e Curralinho) localizam-se dentro da Área
de Proteção Ambiental – APA do Curiaú. (Tabela 4).

Tabela 4. Coordenadas dos pontos de amostragem das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú.
Nº Locais Descrição Latitude (N) Longitude (O)
o o
1 Lagoa dos Índios Ponte da Lagoa dos Índios 00 01'54,3" 51 06'09,2"
o o
2 Curralinho Próximo à comunidade do Curralinho 00 07'53,3" 51 06'49,7"
o o
3 Curiaú Ponte do Curiaú 00 08'42,6" 51 02'30,6"

As coletas foram feitas nos períodos de chuvas (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de
2010) e de estiagem (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010) para se verificar
as possíveis diferenças que podem ocorrer com a sazonalidade climática. Foram analisados os seguintes
parâmetros: pH, condutividade elétrica (C.E), turbidez, temperatura da água, oxigênio dissolvido (O.D),
transparência da água (medida pelo disco de Secchi), temperatura ambiente e profundidade. Todas as
análises foram realizadas como descritas no Standard Methods for the Examination of Water and
Wastewater (APHA, 2006).

A Figura 3 mostra espacialmente a localização dos pontos de coleta ao longo das duas bacias hidrográficas
estudadas.

9
Figura 3. Pontos de amostragem das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curiaú e Curralinho. Fonte da imagem:
Google Earth.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. Avaliação dos parâmetros físico-químicos de qualidade de água da foz do igarapé da Fortaleza até a
ressaca da Lagoa dos Índios
Para o tratamento dos resultados obtidos das análises dos parâmetros de qualidade de água utilizou-se a
ferramenta estatística Anova (fator único) usando o programa Excel. A Tabela 5 mostra os resultados dos
valores médios dos parâmetros de qualidade de água analisados, durante a maré vazante, desde a Foz do
igarapé da Fortaleza (A1) até a área de ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Durante todo o trajeto o dia
permaneceu ensolarado. De acordo com a análise estatística, existem diferenças significativas (P < 0,05) para
os parâmetros pH, condutividade elétrica (C.E), turbidez e oxigênio dissolvido (O.D).

Os valores de pH apresentaram-se levemente ácidos não divergindo muito de sua média de 6,63 (desvio
padrão = ±0,26) no trecho analisado (Figura 4). O menor valor de pH (6,13) foi encontrado na ressaca da
Lagoa dos Índios (A12), enquanto que o máximo valor (6,90) foi observado próximo a comunidade Abacate
(A3). A tênue acidez observada ao longo do igarapé pode ter origem na decomposição de matéria orgânica
produzindo ácidos fúlvicos e húmicos segundo Stumm e Morgan (1981). Todos os valores de pH registrados
estão dentro da faixa estabelecida pela Resolução CONAMA 357/2005 que é de 6,0 a 9,0 para águas de
classe 2.

10
A Figura 4 também mostra que as concentrações de oxigênio dissolvido foram decrescendo ao longo do
percurso, apresentando maiores valores nos pontos próximos à foz (A1, A2 e A3) e um menor valor (0,83
mg/L) para o ponto A12. Com exceção dos três primeiros pontos, o restante dos locais de coleta
apresentaram valores abaixo do permitido pela Resolução CONAMA 357/2005 para águas de classe 2, que é
de 5 mg/L. Provavelmente, os baixos valores de oxigênio dissolvido encontrados podem ser devido ao
consumo pela decomposição de matéria orgânica encontrada em grande quantidade em alguns pontos do
igarapé e pela baixa dinâmica de movimentação das águas.

11
Tabela 5. Parâmetros de qualidade de água analisados, durante a maré vazante, desde a Foz do igarapé da Fortaleza até a área de ressaca da Lagoa dos Índios
(27/08/2009).
Oxigênio
Condutividade Turbidez Temperatura da Temperatura
Amostra Hora pH Dissolvido Transparência (cm) Profundidade (m)
Elétrica (µs/cm) (NTU) água (°C) ambiente (°C)
(mg/L)
A1 09:45 6,60 38,70 34,67 30,70 30,30 6,07 40,00 2,53
A2 10:07 6,87 38,80 35,67 30,80 34,20 6,13 40,00 5,80
A3 10:30 6,90 39,53 37,67 30,80 35,80 6,07 40,00 5,31
A4 10:55 6,83 53,60 23,33 29,40 35,50 4,20 60,00 3,70
A5 11:23 6,67 58,00 16,00 29,10 33,60 3,63 80,00 3,00
A6 11:46 6,80 70,90 14,67 29,40 38,70 2,07 120,00 2,10
A7 12:20 6,70 82,73 16,00 29,10 35,90 1,10 110,00 1,37
A8 13:45 6,73 70,73 15,00 30,80 40,10 1,30 95,00 1,05
A9 14:04 6,23 43,27 15,00 29,80 33,90 1,20 65,00 0,72
A10 14:35 6,77 151,20 18,67 32,80 32,70 3,50 35,00 0,35
A11 15:20 6,33 31,13 43,33 29,80 30,50 1,03 35,00 0,90
A12 15:40 6,13 30,33 42,33 30,50 30,00 0,83 40,00 1,33
Máximo 6,90 151,20 43,33 32,80 40,10 6,13 120,00 5,80
Mínimo 6,13 30,33 14,67 29,10 30,00 0,83 35,00 0,35
Média 6,63 59,08 26,03 30,25 34,27 3,09 63,33 2,35
Desvio Padrão 0,26 33,60 11,69 1,05 3,18 2,13 30,85 1,80
Nota: Média dos parâmetros de qualidade de água exceto para a temperatura da água, temperatura ambiente, transparência e profundidade. Os valores máximo, mínimo,
média e desvio padrão são de todo o trajeto estudado. Durante o percurso, o dia permaneceu ensolarado.

12
Figura 4. Variação da média dos valores de pH e oxigênio dissolvido das amostras de água superficial ao longo do
Igarapé da Fortaleza, desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Data da coleta: 27 de agosto de
2009.

Os valores médios da condutividade elétrica vão aumentando até o ponto A7 e diminuem até o ponto A12
(Lagoa dos Índios), com exceção do ponto A10 (ressaca do Congós) que apresenta um pico elevado (151,20
µS/cm) conforme mostra a Figura 5. O ponto A10 se encontra próximo à ressacas dos Congós onde ocorre
despejo de grandes quantidades de esgoto doméstico devido à aglomeração de residências dentro da área
alagada. A água deste local apresenta-se escura com odor desagradável. O alto valor da condutividade serve
como indicadora de impactos ambientais que ocorram na bacia de drenagem ocasionados por lançamentos
de resíduos industriais, mineração, esgotos, dentre outros, conforme “Educação Ambiental Através da Visão
Integrada de Bacias Hidrográficas via internet” (http://educar.sc.usp.br/biologia/prociencias/qagua.htm,
acesso em 08/10/09). Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo níveis de condutividade
elétrica acima de 100 µS/cm indicam ambientes impactados (http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/rios/
variaveis.asp, acesso em 08 de setembro de 2010).

A temperatura da água superficial oscilou entre 29,10 a 32,80oC, enquanto que a temperatura ambiente
ficou em torno de 30,00 a 40,10oC (Figura 6).

13
Figura 5. Variação da média dos valores de condutividade elétrica das amostras de água superficial ao longo do Igarapé
da Fortaleza, desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Data da coleta: 27 de agosto de 2009.

Figura 6. Variação dos valores de temperatura da água e temperatura ambiente das amostras de água superficial ao
longo do Igarapé da Fortaleza, desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Data da coleta: 27 de
agosto de 2009.

Valores de turbidez entre 14,67 a 43,33 NTU com média em torno de 26,03 NTU (desvio padrão = ± 11,69)
(Tabela 5) foram observados (Figura 7) ao longo do percurso. Nota-se que a partir do ponto A3 começa uma
diminuição da turbidez até o ponto A5 (Balneário do Sossego) mantendo-se constante até o ponto A9
(Ressaca do Congós) mostrando pouca influência de material particulado neste trecho, o que não ocorre nos
pontos A11 e A12 provavelmente devido a presença de muitas macrófitas aquáticas e consequentemente a
presença de matéria orgânica em decomposição já em ambiente lêntico e muito raso.

14
Os valores da transparência da água superficial ficaram entre 35 a 120 cm, com média em torno de 63,33
cm. A transparência representa a penetração de luz na água e está relacionada com a região superficial da
água onde ocorre a fotossíntese (http://educar.sc.usp.br/biologia/prociencias/qagua.htm, acesso em
08/10/09). A transparência está relacionada também com a turbidez, quanto maior for a turbidez da água
menor será a sua transparência e vice-versa. Dessa forma, observa-se na Figura 7 que o ponto A6 (próximo a
montante do balneário da gruta) apresentou maior transparência e menor turbidez. Contudo, apesar dos
altos valores de transparência encontrados entre os pontos A3 e A10, que poderiam favorecer a
fotossíntese, além do tempo ensolarado durante toda a viagem, não foi possível observar a influência da
mesma na produção de oxigênio dissolvido, já que foram obtidos valores baixos para esse parâmetro. Isto
pode indicar que a transparência não pode ser tomada como fator que avalie a produção de oxigênio pela
fotossíntese somente porque seus valores são elevados não levando em consideração outros fatores como
pH, matéria orgânica, dióxido de carbono, dentre outros, mas que contribui na possibilidade de se encontrar
uma maior produção de oxigênio quando apresenta elevados valores de transparência.

Figura 7. Variação dos valores médios de turbidez e variação dos valores de transparência das amostras de água
superficial ao longo do Igarapé da Fortaleza, desde a sua foz (A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Data da
coleta: 27 de agosto de 2009.

A profundidade foi diminuindo a medida que se distanciava-se da jusante do igarapé (Figura 8).

15
Figura 8. Variação dos valores de profundidade dos locais amostrados ao longo do Igarapé da Fortaleza, desde a sua foz
(A1) até a ressaca da Lagoa dos Índios (A12). Data da coleta: 27 de agosto de 2009.

4.2. Coleta de amostras de águas superficiais e análises de parâmetros de qualidade de água das áreas de
ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú durante o período de março de 2009 a outubro de 2010
Nenhum resultado para as análises de ORP, íons nitrato, amônio e cloreto, sólidos (totais, suspensos e
dissolvidos), nitrogênio total, nitrito, fósforo total, fosfato, clorofila a, alcalinidade, dureza e sílica reativa,
que estão previstas neste projeto foram de fato obtidas devido à falta de materiais, equipamentos e
reagentes que foram solicitados neste projeto, e que, até a finalização deste relatório, ainda não foram
comprados e entregues aos laboratórios da DGAS, responsável pelas análises, não podendo, desta forma,
contemplar o que se pretende realizar em tal projeto.

Embora não se tenha todas as análises em todos os locais pretendidos, vale-se ressaltar que, desde
07/09/2006 a DGAS/CPAq/IEPA faz o monitoramento da qualidade da água das áreas de ressacas do
Curralinho e Lagoa dos Índios e desde 13/10/2006, da área de ressaca do Curiaú, realizando análises de
parâmetros físico-químicos tais como: pH, condutividade elétrica, turbidez, temperatura da água,
transparência da água, profundidade e oxigênio dissolvido. Todos os resultados dos parâmetros físico-
químicos analisados nas 3 áreas de ressacas durante 1 ano e sete meses de estudo (março de 2009 a
outubro de 2010, exceto agosto de 2010) estão apresentados a seguir.

4.2.1. Lagoa dos Índios


A Lagoa dos Índios, localizada na bacia hidrográfica do igarapé da Fortaleza, é uma área úmida sendo
utilizada por algumas pessoas para recreação e pesca. Num dos arredores desta área de ressaca podemos

16
encontrar uma faculdade, concessionária de veículos e residências situados entre os bairros Alvorada e
Cabralzinho.

O ponto de coleta situado as margens da ponte desta Lagoa, localizada na Avenida Duque de Caxias, mostra
as diferenças deste ambiente durante os períodos de chuvas e de estiagem conforme ilustra a Figura 9.

(a) (b)

(c) (d)
Figura 9. Lagoa dos Índios: a) ressaca da Lagoa dos Índios, b) ponte da Lagoa, c) período de chuvas (janeiro/2010) e d)
período de estiagem (dezembro/2009). Fonte: DGAS/CPAq/IEPA.

É interessante observar que no início do período chuvoso a área desta ressaca encontra-se quase seca
(Figura 9c) reflexo do período de estiagem que a antecede, enquanto que no período seco (Figura 9d) a
mesma área encontra-se cheia. Tal acontecimento pode ser explicado levando-se em consideração que
durante o período de chuvas, o nível de água desta área vai aumentando, e quando começa o período de
estiagem tal área ainda encontra-se com um nível de água elevado, diminuindo este nível, devido a
evaporação que se torna mais intensa durante o período não chuvoso.

17
As análises de parâmetros de qualidade de água para a área de ressaca da Lagoa dos Índios foram realizadas
em suas águas superficiais durante o período de março de 2009 a outubro de 2010. Todas as análises de
campo foram realizadas pela manhã e estão demonstradas de acordo com a Tabela 6. Na maioria das
coletas o tempo apresentava-se ensolarado.

18
Tabela 6. Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial da área de ressaca da Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a
junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).
Oxigênio
Condutividade Turbidez Temperatura Dissolvido Transparência Temperatura Profundidade
Período Data Hora Tempo pH Elétrica (µS/cm) (NTU) da água (ºC) (mg/L) (cm) ambiente (ºC) (m)
10/03/09 09:58 Ensolarado 5,32 18,90 29,00 1,30 170,00 29,10
07/04/09 10:20 Ensolarado 5,63 21,20 29,40 1,70 125,00 29,40
chuvoso
05/05/09 09:35 Ensolarado 5,08 19,50 3,00 28,50 135,00 29,30
10/06/09 08:58 Nublado 5,40 18,20 3,00 28,30 1,40 150,00 26,80
07/07/09 11:10 Ensolarado 5,56 27,93 7,33 30,30 1,07 130,00 32,00
13/08/09 11:20 Ensolarado 5,47 38,90 19,67 29,10 0,57 85,00 30,60
09/09/09 11:05 Ensolarado 6,13 38,97 23,00 28,30 1,13 65,00 31,00 1,00
seco
06/10/09 10:00 Ensolarado 5,70 23,53 22,33 30,00 2,17 55,00 29,30 0,73
10/11/09 10:19 Ensolarado 6,70 27,10 32,33 30,80 3,30 35,00 32,20 0,29
15/12/09 09:45 Nublado 6,17 26,70 60,67 28,80 4,13 25,00 27,60
19/01/10 09:43 Ensolarado 6,49 117,57 66,33 28,50 1,33 30,00 30,10 0,55
02/02/10 10:50 Nublado 6,28 42,30 33,00 29,40 1,33 45,00 28,80 0,80
02/03/10 09:42 Nublado 5,66 24,23 10,00 31,00 1,43 95,00 32,00
chuvoso
07/04/10 09:26 Chuvoso 5,82 20,33 6,00 29,20 1,57 110,00 26,00 1,10
07/05/10 08:40 Nublado 5,72 18,63 2,67 27,60 1,43 120,00 26,90 1,20
01/06/10 08:55 Nublado 5,86 23,73 4,00 28,00 1,60 130,00 25,00
08/07/10 08:52 Ensolarado 5,72 18,63 3,00 29,40 0,09 130,00 28,20
01/08/10 --- ---
seco
24/09/10 10:55 Ensolarado 37,00 28,00 29,80 1,30 52,50 30,30
28/10/10 11:10 Ensolarado 48,80 36,67 31,50 1,60 40,00 35,50
Máximo 6,70 117,57 66,33 31,50 4,13 170,00 35,50 1,20
Mínimo 5,08 18,20 2,67 27,60 0,09 25,00 25,00 0,29
Média 5,81 32,22 21,24 29,31 1,58 90,92 29,48 0,81
Desvio Padrão 0,43 22,64 19,89 1,05 0,90 45,96 2,50 0,32
Nota: Média dos parâmetros de qualidade de água exceto para a temperatura da água, transparência, temperatura ambiente e profundidade. Os valores máximo, mínimo,
média e desvio padrão são de todo o período estudado, isto é, de março de 2009 a outubro de 2010.

19
Para a verificação da existência ou não de diferença entre os períodos chuvoso e seco quanto aos
parâmetros analisados foi aplicado o método estatístico, denominado teste-t para duas amostras
presumindo variâncias equivalentes. O teste demonstrou que existem diferenças, entre os períodos
analisados (chuvoso e seco), apenas para os parâmetros transparência da água e temperatura ambiente.
Contudo, apesar do resultado do teste, observaram-se diferenças para alguns parâmetros quando se
visualiza graficamente os resultados através das Figuras 10 a 14.

Observaram-se condições ácidas durante o período analisado (Figura 10) com valores de pH em torno de
5,81. O período chuvoso apresenta-se mais ácido (pH = 5,08) do que o período seco (pH = 6,70),
provavelmente devido às águas das chuvas terem caráter ácido e exercerem forte influência no regime
hidrológico dos corpos aquáticos da região. A maioria dos valores de pH ficou abaixo do valor estabelecido
pela Resolução CONAMA 357/2005, para águas de classe 2, que é de 6,0 a 9,0.

Figura 10. Variação da média dos valores de pH e oxigênio dissolvido das amostras de água superficial da ressaca da
Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e
seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

O oxigênio dissolvido (O.D) apresentou concentrações menores no período das chuvas, pois com o aumento
de matéria orgânica e nutrientes, há uma demanda maior por oxigênio dissolvido na água, pelos organismos
aeróbios. Contudo, em julho/2010 (Figura 10) observa-se a menor concentração de oxigênio dissolvido (O.D
= 0,09 mg/L O2), provavelmente por ser um mês de transição entre os períodos de chuvas e de estiagem,
sofrendo ainda certa influência do período chuvoso. Tal concentração de oxigênio encontra-se no nível letal
(< 1mg/L O2) para a sobrevivência dos peixes segundo Proença & Bittencourt (1994). Em janeiro de 2010, o
Batalhão Ambiental verificou a presença de peixes mortos e solicitou a coleta e análise da água deste
ambiente aquático. O resultado obtido para o oxigênio dissolvido de 2,43 mg/L O2 é inferior ao valor

20
estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005, para águas de classe 2, que é de 5 mg/L, o que poderia
explicar a morte dos mesmos (FERNANDES, 2010). Embora, todos os valores obtidos para o oxigênio
dissolvido durante o período de março de 2009 à outubro de2010 ficarem abaixo do valor estabelecido pela
legislação, não foi registrado a presença de peixes mortos em nenhum mês, exceto em janeiro de 2010.
Contudo, verificou-se peixes respirando pela boca na superfície d’água nos meses de agosto e setembro de
2009 e outubro de 2010, além de odor de peixe morto em novembro de 2009. Presume-se, dessa forma, que
os peixes presentes, neste corpo aquático podem suportar baixas concentrações de oxigênio dissolvido de
nível subletal (entre 1 a 3 mg/L O2), excetuando-se outros fatores (pH muito ácido, elevada condutividade
elétrica, grandes quantidades de matéria orgânica, poluição por despejos domésticos e esgotos, dentre
outros) que possam contribuir para a morte dos mesmos.

A condutividade elétrica (C.E) apresentou valores mais elevados no período de estiagem, como ilustrado na
Figura 11. Este resultado já era esperado, uma vez que a redução do volume de água devido principalmente
à evaporação concentra os compostos e sais solúveis na água. Entretanto, o pico observado no período de
chuvas (janeiro de 2010), reflete no reconhecimento de impacto ambiental que ocorre nesta área de ressaca
ocasionada por lançamentos de resíduos, possivelmente domésticos e esgotos, que pode ser visualizada pela
presença de mancha de óleo, além de lixo, como garrafas plásticas, sacolas, restos de comida e pneus que se
encontram acumulados nos arredores dessa área.

Figura 11. Variação da média dos valores de condutividade elétrica das amostras de água superficial da ressaca da
Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e
seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

21
A transparência da água, medida pelo disco de Secchi, diminui a medida que o período seco se aproxima
(Figura 12), devido a redução do volume de água ocasionado principalmente pela evaporação. Enquanto
que, a turbidez aumenta significativamente, apresentando um valor máximo de 66,3 NTU no mês de
transição (janeiro de 2010) entre os períodos de seca e de chuvas.

Figura 12. Variação dos valores médios de turbidez e variação dos valores de transparência das amostras de água
superficial da ressaca da Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de
2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

A temperatura da água superficial apresenta oscilações durante os períodos analisados (Figura 13). Tais
oscilações são devidas, provavelmente, pela hora de coleta e condições do tempo durante o dia. De um
modo geral, no período chuvoso observou-se o menor valor de temperatura (27,60°C), enquanto que na
época de estiagem notou-se o maior valor (31,50°C). De forma análoga, a temperatura ambiente, apresenta
diferenças quanto aos períodos estudados, observando-se baixas temperaturas na época da cheia (Figura
13).

22
Figura 13. Variação dos valores de temperatura ambiente e temperatura das amostras de água superficial da ressaca da
Lagoa dos Índios durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e
seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

A profundidade, apesar dos poucos valores obtidos, apresenta um valor elevado de 1,20 m com um mínimo
de 0,29 m, tendo em média mais de meio metro (0,81 m). Diminui no período seco tendendo a aumentar no
período das chuvas (Figura 14). Esta observação pode ser complementada com a diminuição da
transparência.

Figura 14. Variação dos valores de profundidade do local amostrado na ressaca da Lagoa dos Índios durante os períodos
chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009
e julho de 2010 a outubro de 2010).

23
4.2.2. Curralinho
O Curralinho localiza-se dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Curiaú pertencente à bacia
hidrográfica do rio Curiaú. O ponto de coleta da ressaca do Curralinho, estudado no presente trabalho,
apresenta diferenças quanto aos períodos sazonais (chuvoso e seco) conforme mostra a Figura 15.

(a) (b)
Figura 15. Ressaca do Curralinho: a) período de chuvas (fevereiro de 2010) e b) período de estiagem (setembro de
2009). Fonte: DGAS/CPAq/IEPA.

Conforme se observa na Figura 15a, tal área de ressaca apresenta-se com um nível de água muito inferior no
período de chuvas quando comparada com o período de seca (Figura 15b). Uma provável explicação é que
durante o período de chuvas o nível de água aumenta gradativamente, permanecendo elevado ainda no
começo do período seco, sendo que, neste último, o nível d’água diminui, sucessivamente, devido a
evaporação, até o início do período chuvoso.

Os resultados dos parâmetros de qualidade de água superficial da área de ressaca do Curralinho estão
demonstrados na Tabela 7. O teste-t: duas amostras presumindo variâncias equivalentes, foi aplicado em
todos os parâmetros analisados (exceto para a profundidade que não possui dados do período chuvoso)
para a comprovação da existência ou não de diferenças entre os períodos de chuvas e de estiagem. O teste
demonstrou que apenas o parâmetro condutividade elétrica apresentou diferenças entre os períodos
estudados. Contudo, observam-se algumas diferenças quando analisamos graficamente os resultados
conforme ilustram as Figuras 16 a 20.

24
Tabela 7. Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial da área de ressaca do Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de
2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).
Oxigênio
Condutividade Turbidez Temperatura Dissolvido Transparência Temperatura Profundidade
Período Data Hora Tempo pH Elétrica (µS/cm) (NTU) da água (ºC) (mg/L) (cm) ambiente (ºC) (m)
10/03/09 10:40 Ensolarado 4,64 7,43 30,60 3,23 30,10
07/04/09 11:07 Ensolarado 5,10 7,20 31,60 32,10
chuvoso
05/05/09 10:20 Ensolarado 4,54 8,10 5,33 30,50 33,30
10/06/09 09:30 Ensolarado 4,55 7,70 7,33 29,00 4,70 36,30
07/07/09 11:55 Ensolarado 4,68 8,20 2,33 31,20 4,97 31,70
13/08/09 12:07 Ensolarado 5,57 19,67 25,67 31,80 0,43 90,00 33,40
seco 09/09/09 12:00 Ensolarado 5,03 14,77 8,00 32,30 1,87 100,00 31,90 1,50
06/10/09 10:40 Ensolarado 5,10 15,07 8,33 31,10 5,23 85,00 33,00 1,70
10/11/09 10:58 Nublado 6,43 15,06 8,00 30,40 4,63 60,00 33,80 0,60
15/12/09 10:25 Ensolarado 5,89 21,37 78,67 30,00 3,10 30,00 33,20
19/01/10 10:20 Ensolarado 5,28 19,10 14,33 30,50 2,83 70,00 28,70
02/02/10 11:30 Nublado 5,45 13,07 10,00 30,70 5,03 35,00 29,10
02/03/10 10:26 Ensolarado 5,01 11,43 6,00 33,10 4,03 36,50
chuvoso
07/04/10 10:00 Chuvisco 5,13 9,27 7,00 29,50 3,07 26,00
07/05/10 09:17 Nublado 5,16 7,87 10,67 28,00 5,80 26,30
01/06/10 09:40 Nublado 5,12 9,73 3,33 29,00 5,63 27,00
08/07/10 09:28 Ensolarado 5,18 7,47 5,00 28,90 4,30 27,90
seco 01/08/10 --- ---
24/09/10 11:37 Ensolarado 12,37 11,00 33,00 4,63 66,00 35,00
28/10/10 11:48 Ensolarado 15,77 14,67 34,70 5,20 40,00 35,30
Máximo 6,43 21,37 78,67 34,70 5,80 100,00 36,50 1,70
Mínimo 4,54 7,20 2,33 28,00 0,43 30,00 26,00 0,60
Média 5,17 12,14 13,27 30,84 4,04 64,00 31,61 1,27
Desvio Padrão 0,48 4,60 17,70 1,67 1,44 25,10 3,32 0,59
Nota: Média dos parâmetros de qualidade de água exceto para a temperatura da água, transparência, temperatura ambiente e profundidade. Os valores máximo, mínimo,
média e desvio padrão são de todo o período estudado, isto é, de março de 2009 a outubro de 2010.

25
Os valores de pH (Figura 16) ficaram em média de 5,17, apresentando um caráter mais ácido (pH = 4,54) no
período de chuvas e levemente ácido (pH = 6,43) no período de estiagem. Dessa forma, presume-se que as
chuvas têm caráter ácido e exercem forte influência neste corpo d’água. Excetuando-se o mês de novembro
de 2009, os demais valores de pH ficaram abaixo do estabelecido pela Resolução CONAMA 357/2005, para
águas de classe 2, que é de 6,0 a 9,0.

Figura 16. Variação da média dos valores de pH e oxigênio dissolvido das amostras de água superficial da ressaca do
Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco
(julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

A concentração de oxigênio dissolvido (O.D) oscilou durante os períodos analisados (Figura 16), aumentando
no início do período seco e na metade deste mesmo período diminui até o início do período de cheias, onde
aumenta novamente e diminui até a metade deste mesmo período, aumentando na outra metade até
diminuir novamente no início do período de estiagem. Dessa forma, observa-se um ciclo natural da variação
de oxigênio que esta área de ressaca possui durante as épocas de chuvas e de ausência delas. Em geral, tem-
se concentração de gás oxigênio dissolvido em torno de 4,04 mg/L O2, estando na faixa de teor suportável
(de 3 a 5 mg/L O2) de sobrevivência dos peixes, segundo Proença & Bittencourt (1994). O menor valor
encontrado (O.D = 0,43 mg/L O2) atingiu nível letal (< 1mg/L O2) no mês de agosto de 2009, contudo não foi
registrado a presença de peixes mortos nesse período. A mais elevada concentração de O.D (5,80 mg/L O2)
foi observada no período de precipitação atmosférica (maio de 2010). A maioria das concentrações de O.D
ficou abaixo do valor estipulado pela Resolução CONAMA 357/2005, para águas de classe 2, que é de 5 mg/L.

26
A condutividade elétrica (C.E) apresentou maiores valores no período de ausência de chuvas (Figura 17). Isto
já era previsto, devido o aumento da concentração de compostos e sais solúveis na água, ocasionados pela
redução do volume da mesma, resultante, principalmente, da evaporação. Os dois picos observados, um em
agosto e outro em dezembro, ambos em 2009, pressupõe que sejam meses de poucas chuvas onde pode ter
ocorrido, provavelmente, um aumento na concentração desses compostos dissolvidos.

Figura 17. Variação da média dos valores de condutividade elétrica das amostras de água superficial da ressaca do
Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco
(julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

Elevado valor de transparência da água (Secchi = 100 cm) foi observado no período seco, além de seu
mínimo de 30 cm nesse mesmo período. Na época de estiagem, ocorre uma redução do volume de água
devido, principalmente, a evaporação, que causa o aumento na turbidez e consequente diminuição da
transparência observada neste período. Elevado valor de turbidez (78,67 NTU) foi observado no mês de
menor transparência (dezembro de 2009) (Figura 18). Contudo, a turbidez não sofreu variações, com o
decréscimo da transparência, para os meses de setembro, outubro e novembro de 2009, permanecendo-se
praticamente constante. Uma provável explicação, para este fato, é que as águas superficiais apresentaram-
se bastante transparentes nestes meses, não sofrendo influências significativas dos sólidos em suspensão
que são a forma do constituinte responsável pela turbidez. O valor máximo de turbidez atingido na época de
estiagem, está em conformidade com a legislação estabelecida pelo CONAMA (Resolução 357/2005), para
águas de classe 2, que é até 100 NTU. Vale-se ressaltar que a medição da transparência da água não foi
possível nos demais meses devido a falta de uma canoa, que possibilitasse o deslocamento para o meio da
área em estudo visando a medida da transparência.

27
Figura 18. Variação dos valores médios de turbidez e variação dos valores de transparência das amostras de água
superficial da ressaca do Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a
junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

A temperatura da água apresentou um elevado valor (T = 34,70 oC) no período de ausência de chuvas,
enquanto que seu menor valor (28,00°C) observa-se na época chuvosa (Figura 19). A temperatura da água,
em condições naturais, varia de acordo com as condições do tempo durante o dia. Supõe-se que no período
de chuvas a temperatura diminua, enquanto que no período seco, ela aumente.

A temperatura ambiente apresenta maiores valores na época de estiagem, apesar de ter sido observado um
pico máximo (T = 36,5 oC) no período chuvoso, provavelmente devido ao tempo ensolarado registrado no
momento da coleta (Figura 19).

28
Figura 19. Variação dos valores de temperatura ambiente e temperatura das amostras de água superficial da ressaca do
Curralinho durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco
(julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

O ambiente estudado tem em média, 1,27 m de profundidade, atingindo valor mínimo de 0,60 m e um
máximo de 1,70 m, medidos somente no período seco (Figura 20). A explicação para a ausência de valores
de profundidade para os meses restantes foi também a falta de uma canoa, que impossibilitou a obtenção
de resultados no meio da área de ressaca.

Figura 20. Variação dos valores de profundidade do local amostrado na ressaca do Curralinho durante os períodos
chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009
e julho de 2010 a outubro de 2010).

29
4.2.3. Curiaú
O ponto de amostragem localizado nas margens da ponte do rio Curiaú, apresenta diferenças da área de
ressaca deste local de acordo com a Figura 21. Esta área é utilizada para recreação e lazer, principalmente
nos fins de semana. Existem bares e restaurantes em seus arredores. Em um dos lados da ponte existe uma
área que serve de ponto turístico sendo protegida pela guarda municipal, não sendo permitida a pesca.

a b

(a) (b)
Figura 21. Ponte do rio Curiaú: a) período de chuvas (maio de 2007) e b) início do período de estiagem (dezembro de
2009). Fonte: DGAS/CPAq/IEPA.

Como pode-se observar, o período de chuvas apresenta-se com um nível de água baixíssimo (Figura 21a),
enquanto que o período de ausência de chuvas encontra-se com um nível de água mais elevado (Figura
21b). Tal fato pode ser explicado levando-se em consideração que durante o período de chuvas, tal área de
ressaca vai enchendo, isto é, aumentando o seu volume de água até o final deste período e início do período
seco, o que justificaria o fato de ainda no período de estiagem, se encontrar, em seus primeiros meses certa
quantidade de água, que vai diminuindo devido a evaporação que se intensifica durante tal período. Dessa
forma, nos primeiros meses do período de chuvas, observamos baixos níveis de água que vão aumentando
gradativamente com a intensidade das precipitações pluviométricas que acontecem durante tal período,
enquanto que, nos primeiros meses do período de estiagem, verificam-se altos níveis de água, conseqüência
do período chuvoso, que vão diminuindo sucessivamente durante este mesmo período até o período
seguinte, mantendo-se, assim, um ciclo sazonal.

Os resultados dos parâmetros de qualidade da água superficial da área de ressaca do Curiaú estão
demonstrados na Tabela 8.

30
Tabela 8. Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial da área de ressaca do Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009
e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).
Oxigênio
Condutividade Turbidez Temperatura Dissolvido Transparência Temperatura Profundidade
Período Data Hora Tempo pH Elétrica (µS/cm) (NTU) da água (°C) (mg/L) (cm) ambiente (°C) (m)
10/03/09 11:24 Ensolarado 4,63 7,07 30,10 6,97 120,00 31,60
07/04/09 12:00 Ensolarado 5,01 7,40 29,30 115,00 27,70
chuvoso
05/05/09 11:00 Nublado 4,62 7,20 3,33 29,50 135,00 34,90
10/06/09 10:00 Ensolarado 4,95 6,70 3,00 28,80 6,30 195,00 31,50
07/07/09 12:35 Ensolarado 4,83 7,00 2,33 30,10 5,77 145,00 31,40
13/08/09 12:52 Ensolarado 5,10 13,77 22,67 29,90 0,80 85,00 32,30
09/09/09 12:54 Ensolarado 5,37 13,63 9,67 29,20 2,67 62,00 32,50 0,62
seco
06/10/09 11:25 Ensolarado 5,30 18,00 14,00 30,50 4,67 65,00 30,40 0,65
10/11/09 11:50 Ensolarado 6,83 30,43 59,33 32,00 5,96 20,00 32,70 0,20
15/12/09 11:04 Nublado 6,76 33,00 79,33 31,00 7,70 5,00 28,70
19/01/10 11:10 Ensolarado 6,44 32,70 47,00 30,90 5,50 35,00 31,10 0,60
02/02/10 12:25 Chovendo 6,60 22,47 29,00 28,30 7,43 35,00 26,30 1,00
02/03/10 11:07 Nublado 5,14 11,77 15,00 31,50 3,53 105,00 31,90
chuvoso
07/04/10 10:40 Nublado 5,26 9,37 8,00 28,50 3,43 150,00 27,00 1,50
07/05/10 09:55 Nublado 5,40 7,37 3,67 28,00 6,00 190,00 26,10 1,90
01/06/10 10:19 Nublado 5,47 7,67 4,33 28,00 6,07 165,00 28,00
08/07/10 10:05 Ensolarado 5,49 7,63 3,67 29,80 6,10 130,00 28,90
01/08/10 --- ---
seco
24/09/10 12:20 Ensolarado 15,00 15,00 29,90 3,30 135,00 31,20
28/10/10 12:40 Ensolarado 20,60 15,67 31,30 2,20 25,00 33,80
Máximo 6,83 33,00 79,33 32,00 7,70 195,00 34,90 1,90
Mínimo 4,62 6,70 2,33 28,00 0,80 5,00 26,10 0,20
Média 5,48 14,67 19,71 29,82 4,96 100,89 30,42 0,92
Desvio
Padrão 0,72 9,12 22,21 1,19 1,97 58,81 2,55 0,59
Nota: Média dos parâmetros de qualidade de água exceto para a temperatura da água, transparência, temperatura ambiente e profundidade. Os valores máximo, mínimo,
média e desvio padrão são de todo o período estudado, isto é, de março de 2009 a outubro de 2010.

31
Aplicou-se análise estatística (teste-t: duas amostras presumindo variâncias equivalentes) nos resultados
obtidos com o objetivo de averiguar se existe ou não diferença entre os períodos de chuvas e de estiagem.
O resultado do teste estatístico demonstrou que existem diferenças entre os períodos estudados para os
parâmetros de transparência e temperatura da água superficial. No entanto, notam-se algumas diferenças,
entre tais parâmetros ao longo dos períodos chuvoso e seco, que podem ser visualizadas conforme as
Figuras 22 a 27.

Maiores valores de pH foram notados a partir de novembro de 2009 a fevereiro de 2010 (Figura 22),
possivelmente devido a presença de macrófitas aquáticas que foram observadas nesses meses. Em média,
tal ambiente apresentou-se ácido (pH = 5,48), provavelmente devido a forte influência das chuvas que
apresentam caráter ácido. A maioria dos meses apresentou valores de pH inferior a faixa estabelecida pela
Resolução CONAMA 357/2005, que é de 6,0 a 9,0 para águas de classe 2.

Figura 22. Variação da média dos valores de pH e oxigênio dissolvido das amostras de água superficial da ressaca do
Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho
de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

A concentração de oxigênio dissolvido (O.D) ficou em torno de 4,96 mg/L durante os períodos estudados.
Observa-se uma queda brusca da concentração de O.D. no início do período de estiagem (agosto/2009)
(Figura 22) atingindo valor letal (O.D = 0,80 mg O2/L) para a sobrevivência dos peixes, contudo não se
registrou a presença de peixes mortos. A concentração de O.D vai aumentando durante o período seco
atingindo um valor elevado de 7,70 mg/L, possivelmente, devido o aumento da taxa fotossintética do
fitoplâncton e da redução da concentração de matéria orgânica (grande parte já foi sedimentada e/ou
precipitada ou decomposta) segundo Esteves (1998). Soma-se a este fato a presença de macrófitas aquáticas

32
(Figura 23) que contribuem para o aumento da concentração de oxigênio dissolvido na água devido à
fotossíntese.

Figura 23. Presença de macrófitas aquáticas observadas no período de estiagem (dezembro de 2009) na área de ressaca
do Curiaú.

A condutividade elétrica (C.E) apresentou valores mais elevados no período de ausência de chuvas, com um
máximo (C.E = 33,00 µS/cm) em dezembro de 2009 (Figura 24). Este fato deve-se ao reduzido volume de
água, ocasionado principalmente pela evaporação, que concentram compostos e sais solúveis na água.

Figura 24. Variação da média dos valores de condutividade elétrica das amostras de água superficial da ressaca do
Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho
de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

33
A transparência da água diminui com o início do período seco, apresentando um mínimo de 5 cm (Figura 25).
Este fato ocorre devido a redução do volume de água provocado, principalmente pela evaporação nesta
época do ano. Em contrapartida, no período das chuvas, a transparência tende a aumentar. A turbidez da
água, nessa área de ressaca, ao contrário da transparência, tende a aumentar no período de estiagem. A
elevada turbidez (79,33 NTU) que ocorreu neste período reflete no aumento da concentração de sólidos
suspensos resultantes da redução do volume de água que ocorre nesta época, onde os componentes
presentes na água, tanto dissolvidos como o material particulado são diluídos no período das chuvas.

Figura 25. Variação dos valores médios de turbidez e variação dos valores de transparência das amostras de água
superficial da ressaca do Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a
junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

A temperatura da água superficial apresentou variações durante os períodos analisados (Figura 26). Dessa
forma, assim como a temperatura ambiente, a temperatura da água, em condições naturais, sofre alterações
ao longo do dia dependendo das condições do tempo e da hora em que as mesmas são medidas. Em média,
a temperatura da água superficial manteve-se em 29,82°C, apresentando valor máximo (32,00°C) no período
de estiagem e um mínimo (28,00°C) na época de chuvas.

A temperatura ambiente esteve em torno de 30,42°C durante os períodos estudados, embora apresentando
um máximo de 34,90°C no período de precipitação atmosférica. Contudo, deve-se levar em consideração
que tal temperatura depende de fatores como hora e condições do tempo durante o dia (Figura 26).

34
Figura 26. Variação dos valores de temperatura ambiente e temperatura das amostras de água superficial da ressaca do
Curiaú durante os períodos chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho
de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).

A profundidade do ambiente estudado, apesar dos poucos resultados obtidos, mostra-se maior (1,90 m) no
período chuvoso devido o aumento do volume de água gerado pelas precipitações atmosféricas. Enquanto
que no período seco apresenta mínimo valor de 0,20 m devido ao reduzido nível d’água ocasionado
principalmente pela evaporação (Figura 27).

Figura 27. Variação dos valores de profundidade do local amostrado na ressaca do Curiaú durante os períodos chuvoso
(março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho
de 2010 a outubro de 2010).

35
4.2.4. Comparações entre as áreas de ressacas quanto aos parâmetros físico-químicos analisados no período
de março de 2009 a outubro de 2010
Fez-se a comparação dos resultados obtidos nas áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú
quanto aos parâmetros analisados aplicando-se o teste estatístico de variância (ANOVA). Ressalta-se que
para este teste foram considerados somente os parâmetros físico-químicos que puderam ser avaliados ao
mesmo tempo e no mesmo período nessas 3 áreas de ressacas, desconsiderando dessa forma os períodos
em que alguns parâmetros não puderam ser avaliados por falta de medição em uma dessas ressacas, devido
a problemas com equipamento como foi o caso do medidor de pH, por exemplo, em que não foi possível sua
calibração para as medidas nos meses de setembro e outubro de 2010, assim como, a turbidez em que não
houve medição nos meses de março e abril de 2009 devido o medidor de turbidez (turbidímetro) está com
defeito utilizando-se dessa forma o aparelho Colorímetro para as medições de turbidez nos meses
posteriores, o medidor de oxigênio dissolvido que apresentou problemas na sua calibração nos meses de
abril e maio de 2009 e, por último, a transparência que não foi possível medi-la, na maioria do período
estudado, no Curralinho, devido a falta de canoa que possibilitasse a medição desse parâmetro no canal
dessa área de ressaca. Não houve medição de nenhum parâmetro físico-químico em agosto de 2010 porque
não houve coleta devido a falta de combustível para os carros do Instituto de Pesquisas Científicas e
Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) que acompanham as viagens de campo. A Tabela 9 mostra os
resultados dos valores médios dos parâmetros de qualidade de água analisados durante o período de março
de 2009 a outubro de 2010.

O teste demonstrou diferenças entre as áreas estudadas para os todos os parâmetros analisados (pH,
condutividade elétrica (C.E), temperatura da água, oxigênio dissolvido (O.D), temperatura ambiente e
profundidade), com exceção da turbidez e transparência da água (Secchi) que não apresentaram diferenças.

As diferenças entre as ressacas refletem possivelmente nas características próprias que cada corpo aquático
possui nos períodos sazonais da região, bem como da influência do regime de marés que periodicamente
invadem as calhas desses corpos, mas que não foram levados em consideração neste estudo. Enquanto que
as diferenças entre os meses estejam, provavelmente, mais relacionadas com os períodos de chuvas e de
estiagem.

36
Tabela 9. Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú durante o período chuvoso
(março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010) (Continua).
Condutividade Elétrica (C.E)
pH (µS/cm) Turbidez (NTU) Temperatura da água (°C)
Lagoa Lagoa Lagoa Lagoa
dos dos dos dos
Período Data Índios Curralinho Curiaú Índios Curralinho Curiaú Índios Curralinho Curiaú Índios Curralinho Curiaú
10/03/09 5,32 4,64 4,63 18,90 7,43 7,07 29,00 30,60 30,10
07/04/09 5,63 5,10 5,01 21,20 7,20 7,40 29,40 31,60 29,30
chuvoso
05/05/09 5,08 4,54 4,62 19,50 8,10 7,20 3,00 5,33 3,33 28,50 30,50 29,50
10/06/09 5,40 4,55 4,95 18,20 7,70 6,70 3,00 7,33 3,00 28,30 29,00 28,80
07/07/09 5,56 4,68 4,83 27,93 8,20 7,00 7,33 2,33 2,33 30,30 31,20 30,10
13/08/09 5,47 5,57 5,10 38,90 19,67 13,77 19,67 25,67 22,67 29,10 31,80 29,90
09/09/09 6,13 5,03 5,37 38,97 14,77 13,63 23,00 8,00 9,67 28,30 32,30 29,20
seco
06/10/09 5,70 5,10 5,30 23,53 15,07 18,00 22,33 8,33 14,00 30,00 31,10 30,50
10/11/09 6,70 6,43 6,83 27,10 15,06 30,43 32,33 8,00 59,33 30,80 30,40 32,00
15/12/09 6,17 5,89 6,76 26,70 21,37 33,00 60,67 78,67 79,33 28,80 30,00 31,00
19/01/10 6,49 5,28 6,44 117,57 19,10 32,70 66,33 14,33 47,00 28,50 30,50 30,90
02/02/10 6,28 5,45 6,60 42,30 13,07 22,47 33,00 10,00 29,00 29,40 30,70 28,30
02/03/10 5,66 5,01 5,14 24,23 11,43 11,77 10,00 6,00 15,00 31,00 33,10 31,50
chuvoso
07/04/10 5,82 5,13 5,26 20,33 9,27 9,37 6,00 7,00 8,00 29,20 29,50 28,50
07/05/10 5,72 5,16 5,40 18,63 7,87 7,37 2,67 10,67 3,67 27,60 28,00 28,00
01/06/10 5,86 5,12 5,47 23,73 9,73 7,67 4,00 3,33 4,33 28,00 29,00 28,00
08/07/10 5,72 5,18 5,49 18,63 7,47 7,63 3,00 5,00 3,67 29,40 28,90 29,80
01/08/10
seco
24/09/10 37,00 12,37 15,00 28,00 11,00 15,00 29,80 33,00 29,90
28/10/10 48,80 15,77 20,60 36,67 14,67 15,67 31,50 34,70 31,30
Máximo 6,70 6,43 6,83 117,57 21,37 33,00 66,33 78,67 79,33 31,50 34,70 32,00
Mínimo 5,08 4,54 4,62 18,20 7,20 6,70 2,67 2,33 2,33 27,60 28,00 28,00
Média 5,81 5,17 5,48 32,22 12,14 14,67 21,24 13,27 19,71 29,31 30,84 29,82
Desvio Padrão 0,43 0,48 0,72 22,64 4,60 9,12 19,89 17,70 22,21 1,05 1,67 1,19
Nota: Média dos parâmetros de qualidade de água exceto para a temperatura da água, transparência, temperatura ambiente e profundidade. Os valores máximo, mínimo,
média e desvio padrão são de todo o período estudado, isto é, de março de 2009 a outubro de 2010.

37
Tabela 9. (Continuação) Resultados da média dos parâmetros de qualidade da água superficial das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú durante o
período chuvoso (março de 2009 a junho de 2009 e janeiro de 2010 a junho de 2010) e seco (julho de 2009 a dezembro de 2009 e julho de 2010 a outubro de 2010).
Oxigênio Dissolvido (mg/L) Transparência (cm) Temperatura Ambiente (°C) Profundidade (m)
Lagoa Lagoa Lagoa Lagoa
dos dos dos dos
Período Data Índios Curralinho Curiaú Índios Curralinho Curiaú Índios Curralinho Curiaú Índios Curralinho Curiaú
10/03/09 1,30 3,23 6,97 170,00 120,00 29,10 30,10 31,60
07/04/09 1,70 125,00 115,00 29,40 32,10 27,70
chuvoso
05/05/09 135,00 135,00 29,30 33,30 34,90
10/06/09 1,40 4,70 6,30 150,00 195,00 26,80 36,30 31,50
07/07/09 1,07 4,97 5,77 130,00 145,00 32,00 31,70 31,40
13/08/09 0,57 0,43 0,80 85,00 90,00 85,00 30,60 33,40 32,30
09/09/09 1,13 1,87 2,67 65,00 100,00 62,00 31,00 31,90 32,50 1,00 1,50 0,62
seco
06/10/09 2,17 5,23 4,67 55,00 85,00 65,00 29,30 33,00 30,40 0,73 1,70 0,65
10/11/09 3,30 4,63 5,96 35,00 60,00 20,00 32,20 33,80 32,70 0,29 0,60 0,20
15/12/09 4,13 3,10 7,70 25,00 30,00 5,00 27,60 33,20 28,70
19/01/10 1,33 2,83 5,50 30,00 70,00 35,00 30,10 28,70 31,10 0,55 0,60
02/02/10 1,33 5,03 7,43 45,00 35,00 35,00 28,80 29,10 26,30 0,80 1,00
02/03/10 1,43 4,03 3,53 95,00 105,00 32,00 36,50 31,90
chuvoso
07/04/10 1,57 3,07 3,43 110,00 150,00 26,00 26,00 27,00 1,10 1,50
07/05/10 1,43 5,80 6,00 120,00 190,00 26,90 26,30 26,10 1,20 1,90
01/06/10 1,60 5,63 6,07 130,00 165,00 25,00 27,00 28,00
08/07/10 0,09 4,30 6,10 130,00 130,00 28,20 27,90 28,90
seco 01/08/10
24/09/10 1,30 4,63 3,30 52,50 66,00 135,00 30,30 35,00 31,20
28/10/10 1,60 5,20 2,20 40,00 40,00 25,00 35,50 35,30 33,80
Máximo 4,13 5,80 7,70 170,00 100,00 195,00 35,50 36,50 34,90 1,20 1,70 1,90
Mínimo 0,09 0,43 0,80 25,00 30,00 5,00 25,00 26,00 26,10 0,29 0,60 0,20
Média 1,58 4,04 4,96 90,92 64,00 100,89 29,48 31,61 30,42 0,81 1,27 0,92
Desvio Padrão 0,90 1,44 1,97 45,96 25,10 58,81 2,50 3,32 2,55 0,32 0,59 0,59
Nota: Média dos parâmetros de qualidade de água exceto para a temperatura da água, transparência, temperatura ambiente e profundidade. Os valores máximo, mínimo,
média e desvio padrão são de todo o período estudado, isto é, de março de 2009 a outubro de 2010.

38
A Figura 28 mostra a variação da média de pH analisados nas águas superficiais dos pontos de coleta das
áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010.
Nas três áreas de ressacas valores mais ácidos de pH são observados no período chuvoso, enquanto que
valores menos ácidos de pH, próximos a neutralidade (pH = 7,0), são encontrados no período de estiagem.
Existe diferença de pH entre essas áreas, assim como, entre os meses analisados. Observa-se também que a
área de ressaca da Lagoa dos Índios é a que possui maiores valores de pH, isto é, pH levemente ácido,
enquanto que a ressaca do Curralinho apresenta os menores valores de pH, isto é, pH mais ácido dentre as
ressacas no período estudado. O pH ácido pode ser devido a forte influência das chuvas que apresentam
caráter ácido. O valor médio de pH em cada ressaca (Tabela 9) é inferior a faixa estabelecida pela Resolução
CONAMA 357/2005 que é de 6,0 a 9,0 para águas de classe 2. O pH não foi medido em nenhuma das
ressacas nos meses de setembro e outubro de 2010 devido a problemas na calibração do pHmetro (medidor
de pH).

Figura 28. Variação dos valores médios de pH das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios,
Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010.

A diferença da condutividade elétrica entre as áreas de ressacas analisadas (Lagoa dos Índios, Curralinho e
Curiaú) é mais atenuante do que a diferença existente também entre os meses estudados. Os menores
valores de condutividade elétrica foram encontrados no período chuvoso (Tabela 9) entre essas áreas de
ressacas. A condutividade apresentou valores mais elevados no período de ausência de chuvas para as
ressacas do Curralinho e Curiaú. Este resultado já era esperado uma vez que a redução do volume de água,
devido principalmente à evaporação, concentra os compostos e sais solúveis na água nesse período.
Entretanto, tal fato não foi observado na ressaca da Lagoa dos Índios, onde seu maior valor de
condutividade (C.E = 117,57µS/cm) ocorreu no período chuvoso. Isto pode ser explicado por essa área
apresentar-se poluída com óleo na superfície da água e lixo às margens do local de medição observado nesse
39
período. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) níveis acima de 100µS/cm
indicam ambientes impactados. A ressaca da Lagoa dos Índios foi a que apresentou os maiores valores de
condutividade elétrica (Figura 29) dentre as áreas de ressacas. Contudo, vale-se ressaltar que o local de
medição, situado próximo a ponte dessa Lagoa, sofre constante impacto antrópico devido ser utilizado como
um local de lazer, para pesca e natação, além de servir como lixeira pública devido a grande quantidade de
lixo encontrado ao longo do período estudado. De um modo geral, as três ressacas apresentaram, em média,
baixos valores de condutividade (Tabela 9), indicando áreas não impactadas, contudo, deve-se levar em
consideração o que foi exposto sobre a ressaca da Lagoa dos Índios para evitar que a mesma torne-se aos
poucos uma área degrada pelo homem.

Figura 29. Variação dos valores médios de condutividade elétrica das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa
dos Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010.

Apesar das diferenças de turbidez existentes entre os meses analisados, o mesmo não aconteceu entre as
áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú, não existindo dessa forma diferenças entre as
mesmas quanto à turbidez. As ressacas do Curralinho e Curiaú foram as que apresentaram valores mínimos
e máximos (Tabela 9) no mesmo período seco, enquanto que a ressaca da Lagoa dos Índios apresentou seus
valores máximos e mínimos no período chuvoso. Observou-se dessa forma que no início do período seco
ainda existe a influência das águas das chuvas do período anterior, que contribuíram para a diminuição da
turbidez nas duas ressacas (Curralinho e Curiaú), enquanto que no início do período das chuvas permaneceu
ainda uma certa influência do período de estiagem, que contribuiu para o valor máximo de turbidez
encontrado na ressaca da Lagoa dos Índios no período das chuvas (Figura 30). Porém, de um modo geral, a
turbidez tende a aumentar no período de estiagem, pois a redução do volume de água, devido
principalmente à evaporação, concentra os compostos e sais solúveis na água, e tende a diminuir no período
chuvoso, pois os componentes presentes na água, tanto os dissolvidos como o material particulado, são
40
diluídos no período de precipitação atmosférica. Notou-se que todos os valores de turbidez medidos
encontram-se abaixo do valor máximo permitido pela Resolução CONAMA 357/2005 que é de 100NTU para
águas de classe 2.

Figura 30. Variação dos valores médios de turbidez das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios,
Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010.

A temperatura da água superficial dos locais amostrados apresentou diferenças tanto para os meses
analisados quanto para as 3 áreas de ressacas, sendo que nestas últimas, tais diferenças foram mais
significativas. Os menores valores de temperatura da água foram observados na época das chuvas, enquanto
que os valores mais elevados encontram-se no período de estiagem (Tabela 9). Dentre as ressacas, a do
Curralinho foi a que apresentou os maiores valores de temperatura da água (Figura 31).

Figura 31. Variação dos valores de temperatura das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios,
Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010.
41
Existem diferenças muito significativas para os valores de oxigênio dissolvido (O.D) medido entre as áreas de
ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú. Observou-se uma queda brusca do valor de oxigênio
dissolvido em agosto de 2009 nas 3 ressacas (Figura 32) atingindo níveis letais (< 1 mg/L O2) para a
sobrevivência dos peixes de acordo com Proença & Bittencourt (1994). Contudo, não há registro de peixes
mortos nesse mês para nenhuma dessas ressacas. Porém, verificaram-se peixes respirando pela boca na
superfície d’água na ressaca da Lagoa dos Índios nesse mesmo mês. Nota-se, nessas áreas de ressacas, que
durante o período de ausência de chuvas o oxigênio tende a aumentar, enquanto que no período de cheia,
tende a diminuir, pois com aumento de matéria orgânica e nutrientes, há uma demanda maior por oxigênio
dissolvido na água pelos organismos aeróbios. A ressaca do Curiaú destaca-se entre as demais por
apresentar os maiores valores de oxigênio dissolvido durante o período estudado.

Figura 32. Variação dos valores médios de oxigênio dissolvido das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos
Índios, Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010.

Existem diferenças de transparência entre os períodos chuvoso e seco. Contudo, tais diferenças são
inexistentes entre as ressacas. Observou-se, nessas áreas, que a transparência tende a diminuir no período
de estiagem, devido a redução do volume d’água, enquanto que no período chuvoso tende a aumentar,
devido o aumento do volume d’água ocasionado pela precipitação atmosférica. Maiores valores de
transparência foram encontrados na ressaca do Curiaú que também apresentou o menor valor (5,00 cm)
(Figura 33).

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Figura 33. Variação dos valores de transparência das águas superficiais das áreas de ressacas da Lagoa dos Índios,
Curralinho e Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010.

Existem diferenças de temperatura ambiente entre os meses estudados. De forma semelhante, ocorreu
entre as ressacas estudadas. De acordo com a Figura 34 pode-se dizer que a ressaca do Curralinho foi a que
apresentou os maiores valores de temperatura ambiente, enquanto que a Lagoa dos Índios, os menores
valores dentre as ressacas.

Figura 34. Variação dos valores de temperatura ambiente entre as áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e
Curiaú no período de março de 2009 a outubro de 2010.

A profundidade entre as ressacas e entre os meses apresenta diferenças significativas. Em período de


estiagem nota-se a diminuição da profundidade devido a redução do volume d’água ocasionado,
principalmente, pela evaporação, enquanto que em período chuvoso ocorre o inverso (Figura 35). Entre as

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ressacas, a do Curiaú se destaca por apresentar a maior e menor profundidade, 1,90 e 0,20 m,
respectivamente.

Figura 35. Variação dos valores de profundidade entre as áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú no
período de março de 2009 a outubro de 2010.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo do igarapé da Fortaleza, os parâmetros de qualidade de água (pH, condutividade elétrica, turbidez
e oxigênio dissolvido) apresentaram diferenças significativas (P < 0,05) quando analisados estatisticamente.
De um modo geral, os valores de pH (6,63) e de turbidez (26,03 NTU) medidos estão em conformidade com
os valores estabelecidos pela Resolução CONAMA 357/2005 para águas de classe 2, sendo que o pH deve
estar entre 6,0 a 9,0 e a turbidez não ultrapasse 100 NTU. Contudo, a maioria dos teores medidos de
oxigênio dissolvido estão abaixo do estabelecido por esta legislação (não inferior a 5,0 mg/L O2). Detectou-se
ambiente impactado na ressaca do bairro do Congós (final da rua Claudomiro de Moraes) devido a elevada
condutividade elétrica de 151,20 µS/cm ocasionada provavelmente pelo despejo de grande quantidade de
esgoto doméstico observado nessa área.

Todos os parâmetros de qualidade da água superficial do ponto analisado na área de ressaca da Lagoa dos
Índios sofrem influência dos dois períodos sazonais distintos (chuvoso e seco). Entretanto, somente a
transparência da água e temperatura ambiente apresentaram diferenças significativas estatisticamente. Em
geral, tem-se pH ácido (5,81), baixas concentrações de oxigênio dissolvido (1,58 mg/L) atingindo níveis letais
(< 1,0 mg/L) e condutividade elétrica elevada (117,57µS/cm) indicando um ambiente impactado devido a
grande quantidade de lixo observada nessa área. Dentre os parâmetros que foram analisados e que

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abrangem a Resolução CONAMA 357/2005, a turbidez foi a única que está abaixo do limite estipulado por
esta legislação que é de 100 NTU.

Na ressaca do Curralinho detectaram-se diferenças entre o período chuvoso e não chuvoso quanto aos
parâmetros de qualidade de água analisados. Embora a única diferença estatisticamente constatada fosse
para a condutividade elétrica. Em média, a água superficial dessa área apresenta caráter ácido (pH = 5,17),
teor suportável de oxigênio dissolvido (4,04 mg/L) e baixos valores de condutividade (12,14 µS/cm).
Contudo, dentre os parâmetros analisados, somente a turbidez (13,27 NTU) se encontra dentro do valor
permitido pelo CONAMA (Resolução 357/2005) que é até 100 NTU.

Na ressaca do Curiaú há diferenças entre as épocas de cheias e de estiagem quanto aos parâmetros de
qualidade de água medidos, todavia, constataram-se diferenças significativas somente para a transparência
e temperatura da água. Possui, geralmente, pH ácido (5,48), ótimos teores de oxigênio dissolvido (> 5,0
mg/L) durante a maior parte dos períodos estudados, baixa condutividade elétrica (14,67µS/cm), e elevada
transparência (100,89 cm) ocasionando, dessa forma, baixa turbidez (19,71 NTU). Com relação a Resolução
CONAMA 357/2005 os valores medidos de turbidez e oxigênio dissolvido (na maioria dos meses) estão em
conformidade por esta legislação.

Existem diferenças entre as épocas de chuvas e de estiagem quanto aos parâmetros de qualidade de água
medidos. No período chuvoso observa-se valores mais ácidos de pH devido às águas da precipitação
atmosférica serem mais ácidas. A turbidez e a condutividade elétrica tendem a diminuir devido a diluição
dos componentes presentes na água, tanto o material particulado como os dissolvidos. Dessa forma a
transparência e a profundidade tendem a aumentar com a elevação do nível d’água. Reduzidos teores de
oxigênio dissolvido foram observados, provavelmente devido o aporte de matéria orgânica causado pelas
chuvas. A temperatura da água superficial tende a diminuir nesse período.

No período de estiagem ocorre a redução do volume de água, devido principalmente à evaporação,


ocasionando dessa forma um aumento na concentração de material particulado, compostos e sais solúveis
na água gerando assim elevados valores de condutividade elétrica e turbidez, reduzindo a transparência e a
profundidade. O oxigênio dissolvido tende a aumentar sua concentração, provavelmente devido o aumento
da taxa fotossintética do fitoplâncton e da redução da matéria orgânica (grande parte já foi sedimentada
e/ou precipitada ou decomposta) segundo Esteves (1998). A temperatura da água superficial tende a
aumentar nesse período.

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As áreas de ressacas da Lagoa dos Índios, Curralinho e Curiaú apresentaram diferenças significativas (P <
0,05) estatisticamente quanto aos parâmetros pH, condutividade elétrica, temperatura da água, oxigênio
dissolvido, temperatura ambiente e profundidade, não havendo diferenças para os parâmetros turbidez e
transparência.

A ressaca da Lagoa dos Índios é a que possui o pH menos ácido, enquanto que a ressaca do Curralinho
apresenta o pH mais ácido. O pH nas ressacas da Lagoa dos Índios (5,81), Curralinho (5,17) e Curiaú (5,48)
encontram-se abaixo da faixa de valores recomendados pela Resolução CONAMA 357/2005 (9≥pH≥6). Esta
ressaca também apresentou os maiores valores de condutividade elétrica (32,22 µS/cm), que podem ser
devido a grande quantidade de poluentes encontrados próximos ao local de medição. Os menores valores
de temperatura ambiente (29,48°C) e oxigênio dissolvido (1,58 mg/L) também foram encontrados nessa
área. Esta ressaca é a que apresenta a menor variação de profundidade de 0,91m entre os períodos
estudados.

A ressaca do Curralinho foi a que apresentou os maiores valores de temperatura da água (30,84°C)
superficial e temperatura ambiente (31,61 °C).

A ressaca do Curiaú apresentou os maiores valores de oxigênio dissolvido (4,96 mg/L) e de transparência
(100,89 cm). Esta ressaca também possui a maior variação de profundidade entre as áreas de ressacas que é
de 1,70m. Tal fato pode ser devido a grande influência de precipitação atmosférica durante o período
chuvoso.

Constatou-se que análise estatística Anova (fator duplo sem repetição) foi a que melhor identificou as
diferenças físicas e químicas de todos os parâmetros de qualidade de água analisados, existentes entre os
períodos sazonais distintos quando comparada com o teste t (teste de student) que apenas identificou
alguns desses parâmetros com alguma diferença significativa entre os períodos chuvoso e seco.

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