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A REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO 16

Introdução
• Reforma Protestante – um fenômeno complexo:
- Fatores políticos, sociais, intelectuais e religiosos
- A história de Alberto de Mogúncia
• Reforma Protestante – um fenômeno heterogêneo:
- Quatro manifestações: luteranos, calvinistas, anabatistas, anglicanos

I. ANTECEDENTES

(1) Políticos e sociais

• Declínio do feudalismo, crescimento das cidades (burguesia), primórdios do


capitalismo
• Surgimento dos estados nacionais (França, Inglaterra); Sacro Império Germânico
• Nacionalismo; conflitos crescentes com Roma e os papas
• Guerra dos Cem Anos (1337-1453): Inglaterra x França (Joana D’Arc)
• Epidemias (Peste Negra: 1384, etc.) e outras calamidades naturais
• Essas calamidades produzem morte, devastação e desordem (ruptura da vida
pessoal e social), gerando insegurança, ansiedade, pessimismo. A “dança da
morte”
• Renascimento e humanismo: ênfase na liberdade individual, espírito de
contestação
• Invenção da imprensa (Gutenberg, c.1450)

(2) Religiosos

• Crise no catolicismo romano e no papado: o Cativeiro Babilônico da Igreja


(1309-1377) e o Grande Cisma (1377-1417)
• Conciliarismo: Concílio de Constança (1414-1417) e outros; reafirmação da
supremacia papal
• Pré-reformadores: João Wycliffe (†1388) – Oxford (Inglaterra); João Hus
(†1417) – Praga (Checoslováquia) e os Irmãos Boêmios/Morávios
• Humanistas bíblicos: Erasmo de Roterdã (†1536) e Novo Testamento em
grego/latim; tradução da Bíblia nas línguas européias
• Retorno às Escrituras: contraste entre o Novo Testamento e as crenças/práticas
católicas
• Movimentos devocionais: misticismo, Devoção Moderna e os Irmãos da Vida
Comum (A Imitação de Cristo: 1418)
• Religiosidade meritória: missas pelos mortos, purgatório, devoção a Maria e aos
santos
• Matemática da salvação: débitos (pecados) e créditos (boas obras); medo da
morte, insegurança. Catecismo de Kolde (1470): três motivos de ansiedade: eu
vou morrer, não sei quando, não sei para onde irei
• Papas do renascimento: Alexandre VI (1492-1503) – Rodrigo Borja; Júlio II
(1503-1513); Leão X (1513-1521): “Agora que Deus nos deu o papado, vamos
desfrutá-lo”
• Ressentimento dos governantes e do povo; “Reforma na cabeça e nos membros”

II. PRINCIPAIS MOVIMENTOS

(1) Luteranos
• Martinho Lutero (1483-1546) e eleição do arcebispo Alberto de Mogúncia
• Experiência religiosa: Wittenberg, justificação pela fé, Noventa e Cinco Teses
(1517)
• 1520 – três escritos decisivos: À Nobreza Cristã da Nação Alemã, O Cativeiro
Babilônico da Igreja, A Liberdade do Cristão
• 1521 – excomunhão, Dieta de Worms (Castelo Forte), tradução da Bíblia
• 1529 – Dieta de Spira; surge o termo “protestantes”
• 1530 – Confissão de Augsburgo; Filipe Melanchton (1497-1560)
• Difusão na Alemanha e Escandinávia (Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia)

(2) Reformados
• Ulrico Zuínglio (1484-1531): influências humanistas; Novo Testamento de
Erasmo
• Reforma em Zurique (1523-25): “Segunda Reforma”, “Reforma Suíça”,
“reformados” Sessenta e Sete Artigos (1523), Comentário sobre a Verdadeira e a
Falsa Religião (1525)
• João Calvino (1509-1564): estudos, influências, conversão (1533), estadia em
Genebra
• As Institutas (1536), comentários, preleções, tratados, sermões, cartas
• Difusão na França, Alemanha, Holanda (Sínodo de Dort, 1618), Leste Europeu,
Inglaterra e Escócia (João Knox, †1572)

(3) Anabatistas
• Zurique, 1524: Conrad Grebel, Felix Mantz; conflito com autoridades e Zuínglio
• Batismo de adultos, imersão – anabatistas (radicais, fanáticos, entusiastas, etc.)
• 1527 – Confissão de Fé de Schleitheim (retorno à igreja do Novo Testamento,
batismo, separação do Estado e do mundo, pacifismo)
• Repressão, perseguições; exceção: episódio de Münster (1532-1535)
• Menno Simons (1496-1561) – Holanda: menonitas

(4) Anglicanos
• Henrique VIII (1491-1547), Eduardo VI (1547-1553), Maria I (1553-1558) –
exilados e mártires (O Livro dos Mártires, de Foxe)
• Arcebispo Thomas Cranmer (1489-1556): Livro de Oração Comum (1549),
Quarenta e Dois Artigos (1553)
• Elizabete I (1558-1603): Acordo Elizabetano (elementos católicos e protestantes)
• Puritanismo: congregacionais, presbiterianos, batistas; migração para a América
(EUA)
• Assembléia de Westminster (1643-1649): Confissão de Fé e Catecismos

III. CARACTERÍSTICAS

• Diversidade religiosa: fim do corpus christianum (Contrarreforma, Concílio de


Trento: 1545-1563, guerras)
• União e depois separação entre a Igreja e o Estado
• Movimento restaurador (mais que reformador)
• Princípios: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fides, Soli Deo
Gloria
• Outros: livre exame das Escrituras, sacerdócio de todos os crentes
• Divergências teológicas: especialmente em torno da Santa Ceia (Colóquio de
Marburg)
• Germe de conquistas futuras como democracia, educação geral, progresso
científico, econômico e social

IV. PRESSUPOSTOS

(1) A centralidade da Escritura:


- Sola Scriptura: - A redescoberta da Bíblia por Lutero e pelos humanistas
- A erudição bíblica de Calvino
- A tradução das Escrituras
- O livre exame
- Tota Scriptura: o princípio regulador
- O Espírito e a Palavra:
- O Espírito é o autor da Palavra e fala somente pela Palavra
- O testemunho interno do Espírito Santo.

(2) A justificação pela fé:


- Sola gratia, solo Christo, sola fides
- Justificação = declarar justo; conceito jurídico ou forense
- Não pelas obras (lei)
- Efeito libertador
- Iniciativa divina e resposta humana.
(3) O sacerdócio de todos os crentes:
- A igreja como a comunhão dos santos (não só a mãe e mestra)
- Fim da distinção clero-leigos
- Negação do conceito de fé implícita

V. CONSEQUÊNCIAS

(1) Teológicas:
- Um novo entendimento da igreja:
- Igreja invisível (todos os eleitos) e visível (os que professam a fé em Cristo e
seus filhos)
- As marcas da igreja: fiel pregação da Palavra, correta ministração dos
sacramentos.
- Um novo entendimento da salvação:
- Dádiva de Deus, do início ao fim
- Não o alvo, mas o ponto de partida.
- Um novo entendimento da vida cristã:
- Abrangente, a santificação do comum
- Consagração a Deus, e não busca de méritos.

(2) Políticas:
- O princípio da diversidade:
- Fim do conceito de cristandade; pluralismo
- Diferenças em torno de um núcleo comum.
- O princípio da tolerância:
- No início, lutas; depois, busca de igualdade
- Denominacionalismo.
- O princípio da democracia participativa:
- Evolução no relacionamento igreja e estado.

(3) Sociais:
- Novo conceito de vocação – todos são vocacionados.
- Novo conceito de trabalho – nova ética do trabalho; prosperidade.
- Novo conceito de sociedade – visão holística; puritanos – “santos no
mundo”