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IDNoticia=1121 07/07/2010

Dossiês revelam a realidade do aborto inseguro em cinco estados do país

Organizações feministas lançam estudos sobre a realidade do aborto inseguro nos estados de Pernambuco,
Bahia, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso do Sul, que revelam os impactos da ilegalidade do abortamento
na saúde das mulheres e nos serviços de saúde. Os dados e depoimentos coletados revelam e reforçam uma
situação dramática: o abortamento inseguro continua sendo uma das principais causas de mortalidade
materna no Brasil e as complicações por abortamento configuram-se na quinta causa de internação hospitalar
de mulheres no SUS, respondendo por 9% dos óbitos maternos e por 25% dos casos de esterilidade por
problemas tubários.
A elaboração dos dossiês sobre a realidade do aborto inseguro e o impacto da ilegalidade do abortamento na
saúde das mulheres e nos serviços de saúde do país insere-se no trabalho coordenado pelas organizações
feministas IPAS Brasil e Grupo Curumim Gestação e Parto, em vários estados brasileiros: Pernambuco, Bahia,
Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso do Sul, até o momento. O objetivo de tal ação é sensibilizar os poderes
Legislativo e Executivo, gestores, profissionais de saúde e a sociedade para a dura realidade do abortamento
inseguro e promover debates e reflexões em torno dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos, na
perspectiva da garantia dos direitos humanos das mulheres. Tal ação faz parte de um conjunto de estratégias
articuladas através da coalizão Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.
No Brasil, o aborto é uma questão de saúde pública, penalizando mais severamente as mulheres negras,
pobres e jovens que acessam os serviços públicos de saúde para finalizar um aborto iniciado em condições
inseguras. Os abortamentos acontecem, na maioria das vezes, através de procedimentos realizados sem
assistência adequada, sem nenhuma segurança e em ambientes sem os mínimos padrões sanitários, com
possibilidades de complicações pós-aborto, como hemorragia, infecção, infertilidade e/ou morte.
É sabido que a criminalização e as leis restritivas não levam à eliminação ou redução de abortos provocados,
além de aumentarem consideravelmente os riscos de morbidade feminina e de mortalidade materna. As
complicações por abortamento configuram-se na quinta causa de internação hospitalar de mulheres no SUS,
respondendo por 9% dos óbitos maternos e por 25% dos casos de esterilidade por problemas tubários. O
abortamento inseguro representa uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil. Entretanto,
verifica-se não só um decréscimo da média de idade das mulheres que foram a óbito, como também a
permanência de desigualdades regionais, com menor redução dessas razões nos estados nordestinos. É
também nesta região do país onde as mortes por causa do abortamento adquirem mais importância entre as
causas de morte materna.
Os depoimentos das mulheres que procuram os hospitais em situação de abortamento revelam, em muitos
casos, a falta de humanização da atenção, a precariedade das condições físicas dos equipamentos de saúde,
o descaso com a sua situação de vulnerabilidade no momento do aborto, indicando o preconceito e a
discriminação com que são tratadas quando buscam esses serviços. São comuns relatos de maus tratos,
como a realização de curetagens sem anestesia, longo tempo de espera para serem atendidas, culpabilização
e falta de diálogo que permita às mulheres revelarem seus medos e necessidades.
Conheça o conteúdo dos dossiês nos cinco estados brasileiros:

• Pernambuco

• Bahia

• Rio de Janeiro

• Mato Grosso do Sul

• Paraíba

Estatuto do Nascituro: grave retrocesso aos direitos reprodutivos

Após muita luta e resistência dos movimentos feministas, foi aprovado, no dia 19 de maio de 2010, na
Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, um dos maiores retrocessos aos
direitos sexuais e reprodutivos das mulheres brasileiras: o chamado Estatuto do Nascituro - PL
478/2007, de autoria dos deputados Luiz Bassuma (PV/BA) e Miguel Martini (PHS/MG). O texto do
substitutivo aprovado foi apresentado pela relatora da proposta, deputada Solange Almeida
(PMDB/RJ), e define que a vida humana começa já na concepção, o que a princípio eliminaria a
hipótese de aborto em qualquer caso. A afirmação de ser o nascituro pessoa humana só é possível a
partir de determinada concepção moral e de determinada crença. No momento que o projeto de lei
impõe uma determinada concepção, que não permite ser compartilhada pelos diversos sujeitos morais
e de direitos, ele fere os princípios, direitos e garantias fundamentais que garantem a liberdade de
crença e pensamento e a igualdade dos sujeitos. Por acordo entre deputados da comissão, a relatora
elaborou uma complementação de voto para ressaltar que o texto aprovado não altera o Artigo 128 do
Código Penal, que autoriza o aborto praticado por médico em casos de estupro e de risco de vida para
a mãe. Para os movimentos feministas, isso não resolve nenhum dos problemas éticos e jurídicos
contidos no PL, já que não foram esclarecidas as dúvidas e os problemas levantados com relação ao
Art. 12 do texto do substitutivo aprovado que prevê “É vedado ao Estado ou a particulares causar dano
ao nascituro em razão de ato cometido por qualquer de seus genitores.”
Além disso, o substitutivo aprovado prevê a criação da bolsa-estupro: identificado o genitor do
nascituro ou da criança já nascida, este será responsável por pensão alimentícia e, caso ele não seja
identificado, o Estado será responsável pela pensão, tornando-se cúmplice de um crime hediondo e
legitimando a violência. Sem falar na desconsideração dos efeitos físicos e psicológicos de um estupro
na vida de uma mulher.
Como argumento para justificar a tortura que o projeto submete a mulher quando a obriga a ficar com
o fruto de um estupro durante nove meses de gestação,deputadas/os fundamentalistas afirmam que:
"A criança não pode pagar pelo erro dos pais". Entretanto, a questão é: que erro cometeu uma mulher
que foi estuprada? E a mulher que tem uma gravidez com risco de vida? Qual foi seu erro?
Na avaliação do CFEMEA e dos movimentos feministas, esse projeto institui a tortura, e dá ao
estuprador "direitos" de pai, o que configura um verdadeiro retrocesso jurídico e desrespeito aos
direitos humanos das mulheres.
Além disso, concede direitos ao não-nascido em detrimento da vida plena das mulheres, modificando
toda a concepção da doutrina jurídica pátria de que os não-nascidos têm expectativas de direitos.
Vale lembrar também que esse debate foi vencido durante a Assembléia Nacional Constituinte, que
decidiu não incluir na Constituição Federal de 1988 que a vida começa na concepção.
Durante a votação do Estatuto do Nascituro na CSSF foi possível observar inúmeras demonstrações de
posições retrógadas, misóginas, autoritárias, lesbofóbicas/homofóbicas. Segundo a assessora do
CFEMEA Kauara Rodrigues, “Isso demonstra o crescimento do conservadorismo político e do
fundamentalismo religioso no Parlamento e o total descumprimento do princípio constitucional da
laicidade do Estado brasileiro”. Em uma tentativa de evitar a aprovação de tamanho retrocesso, o
deputado Darcísio Perondi (PMDB/RS) apresentou um voto em separado com importantes argumentos
para a rejeição do PL.
O PL tramitará agora na CFT, que analisará a adequação orçamentária e financeira, já que prevê o
pagamento de bolsa estupro pelo Estado. Sendo rejeitado ou aprovado, segue para CCJC que analisará
o mérito, a constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. Somente depois seguirá para o
Plenário.
Rogéria Peixinho, da coordenação da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) e da Frente Nacional
pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, afirma que haverá uma
mobilização nacional para impedir que este PL avance. E esclarece: “o Estatuto do Nascituro é apenas
uma ‘peça no tabuleiro’ da ofensiva fundamentalista. Existem hoje em tramitação no Congresso
Nacional inúmeros PLs que retrocedem os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Essa ofensiva
conservadora não terá fim e as perspectivas para a próxima legislatura são muito negativas.
Precisamos fortalecer a luta pelo fim da criminalização das mulheres e pela legalização do aborto”.
Para mais informações, análises e contrapontos ao PL, veja nota elaborada pelas professoras de Direito
e Bioética, Samantha Buglione e Miriam Ventura, integrantes das Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal
e Seguro.

Um PNDH3 por inteiro

É o que reivindicam entidades da sociedade civil e movimentos populares no lançamento da campanha


nacional para mobilizar a sociedade na defesa e implementação do Programa Nacional de Direitos
Humanos III. E exigem a revogação do decreto presidencial que altera o PNDH-3.
Organizações da sociedade civil e movimentos populares lançaram em maio uma campanha nacional em
defesa da integralidade e pela implementação do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, conforme
publicado no decreto 7037, de 21 de dezembro de 2009. Para os integrantes da campanha, o PNDH-3 é
resultado de um amplo processo participativo, que articula múltiplas agendas e ações programáticas que
expressam o conjunto dos direitos humanos, e traduz os preceitos consagrados na Constituição Federal
de 1988, comprometendo os agentes públicos e as instituições do Estado com a efetivação de ações para
garantir esses direitos.

Por isso, pedem a revogação imediata do Decreto nº 7.177, de 13/05/2010, em respeito ao processo
democrático e participativo de construção do PNDH-3. E também a instalação do Comitê de
Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3, com ampla participação da sociedade civil.

Desde que foi lançado, em dezembro de 2009, o PNDH-3 vem sofrendo duros ataques de setores
conservadores da sociedade – sobretudo a igreja, os proprietários dos grandes meios de comunicação,
setores antidemocráticos do Exército e latifundiários. Esses segmentos não reconhecem o processo de
construção participativa que resultou no Programa Nacional de Direitos Humanos e pressionaram o
governo federal por mudanças em sua redação. Na última semana, o governo cedeu às pressões e
recuou em algumas ações e diretrizes do PNDH-3.
A campanha se soma a uma série de iniciativas estaduais já em curso propõe a criação de comitês
municipais e estaduais comprometidos com a defesa do PNDH-3 e de sua implementação. As
organizações envolvidas também pretendem capacitar lideranças sociais e públicas para a compreensão
do PNDH-3 e para a defesa de sua implementação, além de propor debates em instituições educacionais
e públicas.

Como forma de fazer frente aos ataques conservadores, a campanha também produzirá e veiculará
informações sobre o PNDH-3. Outra recomendação é para que Estados e Municípios que já tem um
Programa de Direitos Humanos expressem publicamente sua adesão ao PNDH-3 e se comprometam com
atualização e/ou instituição de programas equivalente nas respectivas esferas administrativas.

Leia abaixo a íntegra do manifesto de lançamento da Campanha Nacional. Adesões podem ser feitas via
site da iniciativa: www.pndh3.com.br

MANIFESTO NACIONAL
CAMPANHA PELA INTEGRALIDADE E IMPLEMENTAÇÃO DO PNDH-3
Nós, organizações sociais, movimentos sociais, sindicatos, redes e outras da sociedade civil brasileira,
historicamente comprometidas com a promoção dos direitos humanos, manifestamos publicamente
nossa posição sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Entendemos que:
1. O PNDH-3 é resultado de amplo processo participativo. Resultou das diretrizes aprovadas na 11ª
Conferência Nacional de Direitos Humanos, realizada em dezembro de 2008, e na sistematização de
resoluções de mais de 50 conferências nacionais sobre diversos temas. A participação direta da
população, das organizações sociais e populares, dos gestores públicos das três esferas de governo, dos
legislativos e de setores do judiciário na construção de propostas de políticas públicas é um grande
avanço consagrado na Constituição Federal de 1988. Múltiplos agentes e agendas estão articulados no
PNDH-3, cuja marca é, acima de tudo, a convergência e expressa a participação efetiva da pluralidade e
da diversidade.
2. O PNDH-3 traduz de consistente a transversalidade, a indivisibilidade e a interdependência dos
direitos humanos. Articula diretrizes, objetivos estratégicos e ações programáticas em seis eixos
estratégicos que expressam o conjunto dos direitos humanos, atendendo ao recomendado pela II
Conferência Mundial de Direitos Humanos (Viena, 1993). Neste sentido, constitui-se num avanço de
formulação em relação às duas primeiras versões do PNDH (de 1996 e de 2002).
3. O PNDH-3 dá visibilidade aos diversos sujeitos de direitos humanos. Reconhece que os sujeitos de
direitos, em sua diversidade e multidimensionalidade são os verdadeiros agentes da formulação e
também os destinatários prioritários das ações de direitos humanos. O reconhecimento da diversidade e
da pluralidade dos sujeitos se traduz em propostas de ação que têm no fortalecimento desses mesmos
sujeitos o caminho central para a efetivação dos direitos humanos.
4. O PNDH-3 traduz os preceitos consagrados na Constituição Federal de 1988 e assume os
compromissos internacionais com a realização dos direitos humanos. O PNDH-3 compromete os agentes
públicos e as instituições do Estado, respeitando a independência republicana dos poderes, com a
efetivação de ações para efetivar os direitos humanos, dando um passo à frente para que os direitos
humanos tenham força programática e possam se traduzir em ações efetivas dos órgãos públicos que
possam ser amplamente monitoradas pela sociedade.
5. O PNDH-3 carrega uma concepção contemporânea de direitos humanos que se opõe aos
conservadorismos e às compreensões restritas e restritivas de direitos humanos. Estas concepções ainda
estão fortemente presentes na sociedade brasileira e se manifestaram de forma contundente na reação
de setores conservadores que tem publicamente se dito contrários ao PNDH-3. Por isso, a defesa do
PNDH-3 é também a defesa de uma compreensão ampla e que abre espaço para os sujeitos populares e
sua cada vez mais inclusão nos processos de luta e de reconhecimento dos direitos humanos.
6. O PNDH-3 é instrumento de política pública Apresenta várias propostas de ações programáticas que
incidem sobre os diversos temas da política pública, propõe-se a ser de Estado, mais do que de governo.
Por isso, induz processos que deverão se traduzir em previsões orçamentárias, em indicadores de
monitoramento e, acima de tudo, em dinâmicas permanentes de participação e de controle social público
com ampla participação da sociedade civil. Neste sentido, o PNDH-3 abre caminho para que sejam
implementados avanços na perspectiva de um Sistema Nacional de Direitos Humanos, na linha do que
aprovou a IX Conferência Nacional de Direitos Humanos (2004).
7. O PNDH-3 é processo em construção. Boa parte das proposições nele contidas demandam debate,
processos legislativos, iniciativas judiciais e implementação de políticas públicas. Como se pretende
decenal, está aberto à definição de prioridades que haverão de se traduzir em Plano Bienais a serem
incorporados aos diversos instrumentos de planejamento da ação e do financiamento do Estado.
Também convoca as unidades federadas a participar do processo aderindo ao PNDH-3 e, sobretudo,
atualizando e/ou instituindo Programas Estaduais e Municipais de Direitos Humanos.
Desta forma, manifestamos nossa oposição frontal às seguintes medidas, concretizadas após a
publicação do PNDH-3 em dezembro de 2009:
1. O Decreto nº 7.177, assinado pelo Presidente Lula e pelo Ministro Paulo Vannuchi, e publicado em
13/05/2010 que altera vários pontos do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3)
originalmente publicado em dezembro de 2009, por ter sido feito sem o devido respeito ao processo
democrático e participativo.
2. O Projeto de Decreto Legislativo nº 16, de 10/02/2010, apresentado pelo Líder do PSDB no Senado
Federal, Senador Arthur Virgílio, que susta os efeitos do Decreto que instituiu o PNDH-3, rejeitando o
argumento de que o PNDH-3 é eleitoreiro e lembrando que, se o PNDH-3 foi publicado há oito meses da
eleição presidencial, o PNDH-2, obra do governo FHC, foi publicado há cinco meses da eleição e nem por
isso foi compreendido como eleitoreiro.
3. Os Projetos de Decreto Legislativo que tramitam na Câmara dos Deputados: nº 2386, 2397, 2398 e
2399/2010, do deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), nº 2550/2010, do deputado Moreira
Mendes (PPS-RO) e nº 2552/2010, do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), por não respeitarem o
processo democrático participativo de construção do PNDH-3 e a autonomia do Poder Executivo para
legislar sobre temas programáticos.
Pelos motivos acima expressos, lançaremos uma CAMPANHA NACIONAL que visa mobilizar a sociedade
brasileira na defesa e implementação do PNDH-3. Por isso, cobramos do governo federal :
1. A revogação do Decreto nº 7.177, de 13/05/2010, em respeito ao processo democrático e
participativo de construção do PNDH-3.
2. Imediata instalação do Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3 com ampla
participação da sociedade civil para viabilizar o previsto no artigo 4º do Decreto que instituiu o PNDH-3.
3. Abertura de processo público e participativo para a elaboração do primeiro Plano Bienal previsto no
artigo 3º do Decreto que instituiu o PNDH-3.
4. Aprovação do Projeto de Lei que cria o novo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) em
tramitação no Congresso Nacional, e sua instalação a fim de que seja efetivado o espaço público de
participação e controle social da política nacional de direitos humanos.
A fim de ampliar a base de apoio e a dinâmica de organização da Campanha, propomos que as
organizações que a apóiam promovam atividades no sentido de:
1. Proposição para que Estados e Municípios que já tem Programa de Direitos Humanos expressem
publicamente sua adesão ao PNDH-3 e se comprometam com atualização e/ou instituição de Programas
nas respectivas esferas administrativas.
2. Criação de Comitês que reúnam diversos agentes sociais e públicos comprometidos com a defesa do
PNDH-3 e de sua implementação a fim de se constituir em espaços de mobilização da sociedade
brasileira e de ampliação e capilarização dos propósitos da Campanha Nacional.
3. Promoção da informação sobre o PNDH-3 através de diversos meios a fim de alertar a sociedade sobre
a importância do PNDH-3 e da defesa de sua integralidade e da exigência de sua implementação, como
forma de fazer frente aos ataques conservadores.
4. Realização de ações de capacitação de lideranças sociais e públicas para a compreensão do PNDH-3 e
para a defesa de sua implementação através de processos de educação social e de educação popular,
além de propor debates em instituições educacionais e em diversos espaços e instituições públicas.
Para realizar o que aqui expressam, as organizações promotoras da CAMPANHA NACIONAL se
comprometem a mobilizar esforços e a construir um amplo processo de convergência de agendas e de
ações de tal maneira a efetivar os objetivos e as ações aqui propostas. Para aderir à campanha, visite
www.pndh3.com.br
Brasília, 20 de maio de 2010.
CAMPANHA NACIONAL PELA INTEGRALIDADE E IMPLEMENTAÇÃO DO PNDH-3
ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais); ABONG
(Associação Brasileira de ONGs); AMB (Articulação de Mulheres Brasileiras); CEN (Coletivo de Entidades
Negras), CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria, Comunidade Bahá’í do Brasil; Fala Preta –
Organização de Mulheres Negras; FENDH (Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos); INESC;
Intervozes; Justiça Global; MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos); Processo de Articulação e
Diálogo entre Agências Ecumênicas Européias e Parceiros Brasileiros; Plataforma DHESCA Brasil;
Relatoria Nacional para o Direito Humano à Terra, Território e Alimentação; Rede Feminista de Saúde,
Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos; Terra de Direitos.

Espanha dá dois passos para frente e Brasil, três passos para trás

Por Natalia Mori, Kauara Rodrigues e Soraya Fleischer


Em fevereiro a Espanha aprovou uma ampla legislação que legaliza o aborto. A nova Lei entrou em vigor no
dia 5 de julho e garante às espanholas maiores de 16 anos o direito à interrupção da gravidez indesejada,
regulamentando o atendimento de saúde oferecido pelo estado para que esse direito de fato ocorra de
forma segura na vida das mulheres. A Espanha já tinha o aborto descriminalizado, mas os serviços públicos
de saúde não garantiam o acesso, fazendo com que apenas as mulheres com recursos financeiros
pagassem pela interrupção em clínicas privadas.
O Brasil tem muito que aprender com a experiência espanhola
O nosso país se vê às voltas com as polêmicas geradas a partir do lançamento do III Plano Nacional de
Direitos Humanos (PNDH-3), recentemente alterado pelo governo Lula através do decreto presidencial nº
7.177, de 13/05/2010. Gostaríamos de elencar algumas questões e relacionar com as discussões na
Espanha sobre o reconhecimento desse direito.

Para a conquista da mudança na legislação foi fundamental que o poder Executivo espanhol fizesse uma
ação consistente de defesa da proposta e depois a encaminhasse ao seu Legislativo. No Brasil, a disposição
política para o tema se dá no âmbito do discurso. Porém, que ações concretas são realizadas para que o
discurso vire uma realidade? O governo brasileiro tem uma grande oportunidade nas mãos para dar esse
importante passo. O tema do aborto foi reconhecido no PNDH-3 como uma questão de direitos humanos
das mulheres. O documento final resulta de um amplo processo democrático em que milhares de
brasileiras/os participaram de um ciclo de conferências municipais, estaduais e nacional. E, por fim, o Plano
original incluiu, no capítulo sobre a garantia de direitos das mulheres, a revisão da legislação punitiva sobre
aborto. Assim, o documento entende essa questão como essencial para a autonomia das mulheres sobre
seus corpos, e, é bom lembrar: é uma demanda que foi aprovada tanto na I quanto na II Conferência
Nacional de Políticas para as Mulheres, realizadas em 2004 e 2007, que reuniu mais de 250 mil brasileiras.

A inclusão da questão do aborto no PNDH-3 demonstra que o direito ao aborto não é uma demanda
solitária e exclusiva dos movimentos feministas. Representa o reconhecimento público desse direito por
parte de todos os movimentos democráticos de direitos humanos do Brasil que participaram das diferentes
Conferências.

Porém, enquanto Zapatero, o presidente espanhol, reconheceu o terrível impacto da ilegalidade do aborto
para a vida das mulheres, o presidente Lula recuou na proposta de apoiar a descriminalização do aborto no
III PNDH, porque a idéia de que as mulheres sejam autônomas para uma decisão como essa não é a visão
de seu governo. Ora, no ano em que se comemora o centenário do dia de luta mais importante para as
mulheres, o 8 de março, até quando nossa autonomia será vista como algo irrelevante?

Podemos aprender com a Espanha que já garantia o direito ao aborto nos casos de risco de vida, violência
sexual e risco à saúde psíquica das mulheres. Mas foi preciso ir além. E quem deu esse passo, mesmo com
toda a pressão movida por grupos conservadores religiosos, foi o governo espanhol.

Enquanto isso, hoje, o estado brasileiro reconhece precariamente o direito das brasileiras de serem mães,
já que os serviços públicos para a garantia de creches, educação infantil em tempo integral são
insuficientes diante da demanda existente. Quer dizer, quem deseja ser mãe enfrenta inúmeros desafios
para concretizar esse plano e, ainda assim, manter seu emprego, renda e família reunida. Mais precária
ainda está a outra realidade: o governo brasileiro sequer reconhece o direito de as brasileiras decidirem não
serem mães se assim o desejarem.

Ressaltamos que o 8 de março de 2010 poderia ser diferente. Lula, em vez de ouvir apenas o que a
hierarquia da Igreja Católica (representada pela CNBB) impõe sobre o tema, poderia atender à demanda
das mais de 250 mil mulheres reunidas nas conferências de políticas para as mulheres bem como dos
movimentos de direitos humanos e se colocar pela defesa da integralidade do PNDH-3. Dessa forma,
valorizaria o processo democrático que as Conferências ilustram, respeitando a voz e a decisão de milhares
de brasileiras/os de diferentes credos e partes desse país. Só assim seria possível marcar seu governo
como aquele que ousou romper com amarras que insistem em enxergar as mulheres como cidadãs sem
capacidade e autonomia para decidirem sobre seus projetos de vida. Só assim, daria novos passos e, dessa
vez, para frente.
Natalia Mori é diretora colegiada do CFEMEA
Kauara Rodrigues é assessora técnica do CFEMEA
Soraya Fleischer é professora da UnB e colaboradora do CFEMEA

http://www.abortoemdebate.com.br/wordpress/ --07/07/2010

Um estudo realizado por organizações feministas em cinco estados brasileiros aponta


que o aborto está entre as principais causas da mortalidade materna no Brasil, ficando
atrás da hipertensão e da hemorragia. Todos os anos ocorrem aproximadamente 1.25
milhão de abortos no país. A estimativa mundial é de 42 milhões de casos. Mais da
metade dos procedimentos são feitos em condições de risco.
Denominada “O impacto da ilegalidade do aborto na saúde das mulheres”, a
pesquisa demonstrou que, nos casos onde há atendimento, a intervenção utilizada para
assistir mulheres que abortaram é a curetagem pós-aborto. Esse procedimento é mais
caro e oferece mais riscos de infecção do que a aspiração manual intra-uterina,
indicada pelo Ministério da Saúde.
Somente no estado do Rio de Janeiro, entre 1999 e 2007, foram induzidos mais de 800
mil abortamentos, sendo que 75% foram praticados por mulheres com idade entre 15 e
29 anos. Segundo a integrante da Rede Feminista de Saúde, Telia Negrão, muitos
profissionais da saúde negam atendimento às mulheres que procuram socorro depois
de provocarem aborto.
“Todas as vezes que as mulheres tomam essa decisão e recorrem ao sistema de saúde,
para que as consequências de um aborto inseguro sejam minimizadas, e para que o
impacto não seja tão grande, vão enfrentar a mesma intolerância que existe na
sociedade em relação às decisões reprodutivas das mulheres.”
De acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), de 1998 a 2008, houve um
aumento de 176% no número de internações por abortamento no estado da Paraíba.
Fonte: Radioagência NP em 30/06/2010
Criminalização é a solução do problema do aborto no país?
Está em curso no Brasil uma ofensiva conservadora e hipócrita que tem como objetivo
fazer retroceder direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.
Esta estratégia, intensificada desde os anos 90, teve seu ponto de destaque em 2007 com
o caso de Mato Grosso do Sul, no qual, em uma ação concertada entre Rede Globo,
Ministério Público e Polícia, uma clínica de planejamento familiar foi invadida sob
acusação de realizar abortos clandestinos. Ao não encontrarem provas materiais que
comprovassem a prática de aborto, foram apreendidas sem ordem judicial 10 mil
prontuários médicos, num flagrante desrespeito ao sigilo médico. Milhares de mulheres
tiveram seu direito à privacidade violado, com seus nomes publicados no site do
tribunal, como “investigadas por aborto”. Do total de acusadas, 70 mulheres foram
condenadas (mesmo sem provas) a penas alternativas consideradas pedagógicas –
cuidarem de crianças em creches – e forçadas a fazer um acordo para evitar a exposição
pública. É acintoso o extremo esforço nesta ação criminalizante em um Estado no qual o
acesso a serviços de saúde é insuficiente, principalmente para os casos de aborto
previsto em lei, e as taxas de mortalidade e morbidade por aborto inseguro são altas.
No final de 2008, estes mesmos setores liderados por deputados conservadores e
reacionários, como o presidente da Frente Parlamentar pela Vida e Contra o Aborto,
Luiz Bassuma, criaram uma CPI do Aborto, alegando intenção de investigar o comércio
clandestino de medicamentos abortivos. Mas o objetivo real da CPI é intensificar a
perseguição e criminalização das mulheres (pretende efetivamente indiciá-las e prendê-
las).
O movimento feminista reagiu, criando ainda em 2008 a Frente Nacional contra a
Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, que envolveu não somente
os movimentos de mulheres, mas vastos setores dos movimentos sociais, articulados
para denunciar as tentativas de retrocessos aos direitos das mulheres no Congresso
Nacional e a onda de criminalização das mulheres na sociedade.
A CPI não foi implementada, mas parlamentares reacionários e machistas seguem se
articulando para sua efetivação, indicando nomes para a Comissão – que precisa de 13
titulares para entrar em funcionamento – além de utilizarem instrumentos “paralelos”
como propaganda com informações enganosas e negociações para influenciar o
processo eleitoral. Paralelamente, projetos de leis retrógrados contrários ao direito ao
aborto, propostos entre 2007 e 2009, tramitam no Congresso, sob forte pressão para
votação. Entre eles, há um que reivindica a criação de um Estatuto do Nascituro – (que,
se aprovado, impedirá a realização de abortos até em casos de estupro), um que defende
a obrigatoriedade do cadastramento de gestante, no momento da constatação da
gravidez e outro que prevê a criação de casas de apoio à adolescentes grávidas.
No início do ano de 2010 ocorrem novos fatos que se demonstram mais ataques à
democracia. Não bastasse a assinatura da Concordata Brasil-Vaticano – que estabelece
um estatuto da Igreja Católica no país, desrespeitando a condição laica do Estado –
setores da direita, entre eles integrantes da Igreja Católica, ruralistas e defensores da
ditadura militar atacaram frontalmente o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos
(PNDH 3). Dentre os temas criticados por estes setores está o apoio a revisão da
legislação punitiva do aborto . O plano, construído a partir de Conferências públicas, ou
seja, da participação popular, foi totalmente desqualificado por estes grupos que querem
impor o retrocesso de direitos, a subordinação e controle sobre o corpo e a vida das
mulheres.
Neste momento ainda estamos estarrecidas com o desfecho do caso MS: em um caso
sem precedentes no Brasil, as profissionais que trabalhavam na clínica (3 auxiliares de
enfermagem e uma psicóloga) foram a júri popular no início de abril e condenadas sem
nenhuma prova, sendo três em regime semi-aberto e uma em regime aberto, com penas
entre um e sete anos. Não podemos nos esquecer de Neide Mota, a médica dona da
clínica (mulher polêmica e que sempre denunciou a hipocrisia sobre o tema aborto), que
também iria a júri popular, contudo foi encontrada morta no final de 2009 – suicídio, de
acordo com a investigação policial.
Este caso foi um exemplo do que as forças reacionárias estão orquestrando para
desencadear no Brasil mais perseguição e punição para as mulheres que recorrem ao
aborto e aquelas que as ajudam. Sabemos que esta criminalização não irá eliminar a
prática do aborto. Pelo contrário, as mulheres – fundamentalmente as pobres, jovens e
negras, que não têm condições de pagar por um aborto clandestino seguro, continuarão
fazendo abortos de forma insegura, colocando suas vidas em risco.
É chocante a capacidade do poder público em ao mesmo tempo continuar
criminalizando a prática do aborto e ignorando o grave problema de saúde pública e de
violação de direitos humanos das mulheres que é a ocorrência de cerca de 1 milhão de
abortos inseguros anualmente no país, dos quais cerca de 250 mil com complicações
que levam as mulheres a recorrerem ao SUS, e que fazem do aborto uma das principais
causas de mortalidade materna no Brasil.
Do ponto de vista da democracia, o caso do Mato Grosso do Sul coloca o Brasil como
um país que sistematicamente viola os direitos das mulheres, não cumpre com tratados e
convenções internacionais dos quais é signatário, bem como desrespeita conferências
nacionais que resguardam os direitos das mulheres nesta área.
Exigimos dos poderes da República o cumprimento aos Tratados Internacionais dos
quais o Brasil é signatário, que reconhecem os direitos sexuais e reprodutivos das
mulheres como direitos humanos indivisíveis dos demais direitos e recomendam a
revisão da legislação punitiva ao aborto no país, e a observância das resoluções das
Conferências Nacionais de Políticas para Mulheres que colocam a discriminalização e a
legalização do aborto como um direito a ser assegurado às mulheres.
Apontamos a urgência de que o governo Brasileiro realize, através da Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Direitos Humanos e outros
competentes, uma campanha educativa que defenda a garantia dos direitos à saúde e
autonomia reprodutiva das mulheres. É imprescindível que esta campanha, que
contribuiria na resolução do problema do aborto no país, paute-se nos direitos humanos
das mulheres, e não em sua criminalização.
Exigimos que o governo, através do Ministério da Saúde e outros competentes, garanta
e promova direitos já constituídos às mulheres do país, como o pleno acesso a métodos
contraceptivos e efetivo oferecimento serviço de aborto legal – se atendidos, poderiam
contribuir na diminuição do número de gravidezes indesejadas e, consequentemente, de
abortos clandestinos.
Defendemos o PNDH 3, nas suas resoluções democraticamente decidas através da
participação popular, em relação à defesa de revisão da lei punitiva do aborto , a criação
da comissão de verdade e justiça, o direito à terra e os direitos das pessoas
homossexuais.
Somos contra a colocação da CPI do Aborto em funcionamento, por significar somente
reforço à criminalização contra as mulheres e não significar nenhuma perspectiva de
resolução do problema do aborto.
Somos contra a aprovação de projetos de lei desrespeitem, ignorem ou visem retroceder
os direitos à saúde e autonomia reprodutiva das mulheres.
Ressaltamos nossa defesa ao direito à vida e à saúde das mulheres brasileiras, e nossa
posição firmemente contrária ao tratamento punitivo criminal dado à questão do aborto,
que não só não é eficaz para diminuir o número de abortos, como também empurra as
mulheres para a realizá-lo inseguramente na clandestinidade.
Reafirmamos nosso compromisso com a defesa radical das lutas sociais protagonizadas
pelas mulheres e movimentos sociais e nosso compromisso com a construção de um
Brasil justo e democrático com igualdade e liberdade para as mulheres.
Nenhuma mulher deve ser presa, maltratada ou humilhada por ter feito aborto !
Dignidade, autonomia, cidadania para as mulheres! Pela não criminalização das
mulheres e pela legalização do aborto !
Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do
Aborto – São Paulo
Fonte: http://www.sof.org.br/marcha/?pagina=inicio&idNoticia=429

Eu decido!

InícioSobre o blogAgendaEspecial07/07/2010 Espanha dá dois passos para frente e


Brasil, três passos para trás

Fonte: CFEMEA

Em fevereiro a Espanha aprovou uma ampla legislação que legaliza o aborto. A nova
Lei entrou em vigor no dia 5 de julho e garante às espanholas maiores de 16 anos o
direito à interrupção da gravidez indesejada, regulamentando o atendimento de saúde
oferecido pelo estado para que esse direito de fato ocorra de forma segura na vida das
mulheres. A Espanha já tinha o aborto descriminalizado, mas os serviços públicos de
saúde não garantiam o acesso, fazendo com que apenas as mulheres com recursos
financeiros pagassem pela interrupção em clínicas privadas.

O Brasil tem muito que aprender com a experiência espanhola

O nosso país se vê às voltas com as polêmicas geradas a partir do lançamento do III


Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), recentemente alterado pelo governo
Lula através do decreto presidencial nº 7.177, de 13/05/2010. Gostaríamos de elencar
algumas questões e relacionar com as discussões na Espanha sobre o reconhecimento
desse direito.
Para a conquista da mudança na legislação foi fundamental que o poder Executivo
espanhol fizesse uma ação consistente de defesa da proposta e depois a encaminhasse ao
seu Legislativo. No Brasil, a disposição política para o tema se dá no âmbito do
discurso. Porém, que ações concretas são realizadas para que o discurso vire uma
realidade? O governo brasileiro tem uma grande oportunidade nas mãos para dar esse
importante passo. O tema do aborto foi reconhecido no PNDH-3 como uma questão de
direitos humanos das mulheres. O documento final resulta de um amplo processo
democrático em que milhares de brasileiras/os participaram de um ciclo de conferências
municipais, estaduais e nacional. E, por fim, o Plano original incluiu, no capítulo sobre
a garantia de direitos das mulheres, a revisão da legislação punitiva sobre aborto. Assim,
o documento entende essa questão como essencial para a autonomia das mulheres sobre
seus corpos, e, é bom lembrar: é uma demanda que foi aprovada tanto na I quanto na II
Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizadas em 2004 e 2007, que
reuniu mais de 250 mil brasileiras.

A inclusão da questão do aborto no PNDH-3 demonstra que o direito ao aborto não é


uma demanda solitária e exclusiva dos movimentos feministas. Representa o
reconhecimento público desse direito por parte de todos os movimentos democráticos
de direitos humanos do Brasil que participaram das diferentes Conferências.

Porém, enquanto Zapatero, o presidente espanhol, reconheceu o terrível impacto da


ilegalidade do aborto para a vida das mulheres, o presidente Lula recuou na proposta de
apoiar a descriminalização do aborto no III PNDH, porque a idéia de que as mulheres
sejam autônomas para uma decisão como essa não é a visão de seu governo. Ora, no ano
em que se comemora o centenário do dia de luta mais importante para as mulheres, o 8
de março, até quando nossa autonomia será vista como algo irrelevante?

Podemos aprender com a Espanha que já garantia o direito ao aborto nos casos de risco
de vida, violência sexual e risco à saúde psíquica das mulheres. Mas foi preciso ir além.
E quem deu esse passo, mesmo com toda a pressão movida por grupos conservadores
religiosos, foi o governo espanhol.

Lei do aborto na Espanha:


http://www.encontraportada.com/2010/03/la-ley-del-
aborto-entrara-en-vigor-el-5-de-julio-de-2010/
13 Julho 2010

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Espanhóis em protesto contra nova lei do


aborto
2009-03-29 12:49

2009-03-29
Dezenas de milhares de pessoas participam este domingo num protesto convocado pela Igreja Católica e
por várias organizações civis conservadoras contra a proposta reforma da lei do aborto.
Sob o lema "Vida sim, aborto não", a manifestação - que começou às 12:00 locais - conta com o apoio de
uma centena de entidades e tem lugar no centro de Madrid entre a sede do Ministério da Igualdade e a
Praça de Neptuno.
Manifestações idênticas estão previstas para cerca de 50 cidades e vilas espanholas.
No protesto de Madrid os manifestantes, entre eles muitas famílias com filhos, são encabeçados por uma
faixa com a frase "Não existe o direito a matar, existe o direito a viver" e por responsáveis de várias
organizações participantes.
Alguns deputados do Partido Popular (PP), participam no protesto a nível individual depois de o partido
se ter desligado institucionalmente do protesto.
Os protestos deste domingo inserem-se numa campanha promovida pelas alas mais conservadoras da
sociedade espanhola, incluindo a Conferência Episcopal, contra a proposta reforma da lei do aborto em
Espanha.
Além das manifestações e de outras acções de informação, a Conferência Episcopal gastou mais de 250
mil euros numa campanha com cartazes em mais de 30 cidades onde alega que a flora e a fauna têm mais
protecção do que os não-nascidos.
Os cartazes mostram uma foto de um bebé - a perguntar "E eu?" - e outra de um lince - com a frase "lince
protegido".
A polémica começou depois de o comité de especialistas nomeado pelo Governo espanhol para assessorar
a modificação da lei de interrupção voluntária da gravidez ter apresentado o seu relatório que propõe,
entre outros aspectos, que o aborto seja livre até às 14 semanas.
Esse prazo deve ser ampliado até às 22 se estiver em perigo a saúde da mãe ou o feto tiver graves
anomalias.
Os especialistas recomendam que não haja limites de semanas nos casos em que o feto apresente
malformações incompatíveis com a vida e que a partir da 22ª semana - tempo definido pela OMS como
período limite da viabilidade do feto - a interrupção da gravidez não se considere um aborto mas "um
parto induzido".
No plano jurídico os especialistas referem que uma lei de prazos "cabe no marco da Constituição",
defendendo que nenhuma mulher seja penalizada por abortar, ainda que não cumpra os requisitos legais
para o fazer.
Indicam ainda que as mulheres entre 16 e 18 anos podem abortar sem consentimento paterno e defendem
que a Lei de Autonomia do Paciente elimine a exclusão do aborto das operações cirúrgicas a que uma
menor se pode submeter.
Actualmente o Código Penal vigente admite aborto em três casos: se houver risco para a saúde da mulher,
se houver uma presunção de malformações físicas do feto ou se a gravidez for consequência de uma
violação.
Fora destes casos prevê penas de prisão aos médicos que pratiquem abortos e às mulheres que se
submetam a este tipo de intervenções.