Sie sind auf Seite 1von 5

PAULO DE TARSO E O PRENÚNCIO DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

Paulo de Tarso tem sua notoriedade no âmbito do Cristianismo em decorrência


da sua atuação como o maior propagador dos ensinamentos de Jesus Cristo. Durante
as suas viagens para difusão do Cristianismo Primitivo, naturalmente, instituições
foram fundadas nas localidades por onde o Apóstolo dos Gentios transitou.
Preocupado com os rumos das diversas igrejas que surgiram por meio do seu exemplo
e do seu verbo enérgico – característica esta resultante não só do seu próprio
arcabouço, mas também da sua predisposição mediúnica – Paulo, após utilização do
valioso recurso da prece, obteve a inspiração direta de Jesus Cristo, como elucida
Emmanuel no livro Paulo e Estêvão:

Não temas — dizia a voz —, prossegue ensinando a verdade e não te cales,


porque estou contigo. [...] Não te atormentes com as necessidades do
serviço. É natural que não possas assistir pessoalmente a todos, ao mesmo
tempo[...]. Poderás resolver o problema escrevendo a todos os irmãos em
meu nome; os de boa vontade saberão compreender, porque o valor da tarefa
não está na presença pessoal do missionário, mas no conteúdo espiritual do
seu verbo, da sua exemplificação e da sua vida. Doravante, Estêvão
permanecerá mais aconchegado a ti, transmitindo-te meus pensamentos, e o
trabalho de evangelização poderá ampliar-se em benefício dos sofrimentos e
das necessidades do mundo[...]. Assim começou o movimento dessas cartas
imortais, cuja essência espiritual provinha da esfera do Cristo, através da
contribuição amorosa de Estêvão — companheiro abnegado e fiel daquele
que se havia arvorado, na mocidade, em primeiro perseguidor do
Cristianismo" (EMMANUEL, 1963, p. 424 a 426).

Dessa forma, Paulo começa a elaboração das famosas Epístolas direcionadas


aos diversos cantos e pessoas. Inúmeras foram as cartas redigidas, contudo, hoje são
de conhecimento público 14 cartas. Vários são os assuntos abordados nas Cartas,
desde a ruptura com os antigos paradigmas da Lei Mosaica, como por exemplo, a
prática da circuncisão, perpassando pelas orientações para o desenvolvimento das
atividades nas comunidades cristãs. Ademais, na primeira Epístola de Paulo aos
Coríntios, uma temática eclode com tamanha maestria através daquele que após a
sua conversão ao Evangelho do Cristo, torna-se modesto, pequeno e humilde –
significado este relacionado ao nome Paulo, adotado tempos depois do episódio à
entrada de Damasco. Paulo traz luz ao exercício da mediunidade por meio de várias
orientações imprescindíveis para tal finalidade. Mediunidade é apresentada nessas
passagens bíblicas como sinônimo do termo Dons Espirituais.
No capítulo XII da referida Epístola, o antigo Doutor da Lei, resolve estabelecer
normas para a prática mediúnica na Igreja de Corinto. Hermínio C. de Miranda, no
artigo intitulado “O Livro dos Médiuns de Paulo, o Apóstolo”, nos esclarece o motivo
para adoção de tal medida:

Ao que se depreende da sua epístola, as práticas mediúnicas na Igreja de


Corinto estavam ficando tumultuadas. Paulo resolve então fixar
cuidadosamente as normas, no que revela um conhecimento
extraordinariamente avançado para aqueles tempos. Essa experiência
somente poderia decorrer da longa prática e atenta observação por parte de
seu penetrante espírito (MIRANDA, 1974).

Naquela ocasião, Paulo de Tarso antecipa para a Humanidade alguns dos


ensinamentos propostos pela Doutrina Espírita, em “O Livro dos Médiuns”, resultado
do trabalho do codificador Allan Kardec, em 1861, e, mais recentemente, em outras
obras complementares. Já no primeiro versículo do capítulo XII, Paulo assevera “a
respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”, ou seja, ele
queria trazer à tona o conhecimento relacionado à prática mediúnica para os adeptos
do Cristianismo naquela cidade. Ressalta-se que o termo “ignorantes” foi utilizado
como sinônimo de “sem conhecimento”.
O Apóstolo dos Gentios afirma que todo fenômeno mediúnico tem sua origem
na mesma fonte, sendo fundamental a sua ocorrência com o intuito de atingir a todos
que dele necessite. Assim, do oitavo até o décimo versículo ele passa a enumerar os
diversos dons espirituais existentes:

8 Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; a outro, pelo


mesmo Espírito, a palavra da ciência; 9 a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a
outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; 10 a outro a operação de
milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a
variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas (2Co 12.8-10).

Severino Celestino, no livro Analisando as traduções bíblicas, assevera que os


dons espirituais nada mais são do que os diferentes tipos de faculdades mediúnicas
catalogados. Estes são praticados na Doutrina Espírita de acordo com os princípios e
orientações que nos foram legados pelos próprios espíritos, através da codificação de
Allan Kardec. O que de fato seriam “palavra de sabedoria”, “palavra de ciência” e
“palavra de fé”? Seriam as comunicações de origem mediúnica associadas ao tríplice
aspecto doutrinário: Filosofia (Importante lembrar a origem dessa palavra, que vem
do grego, amigo da sabedoria ou amor pelo saber), Ciência e Religião.
Entre os versículos 15 e 27, de acordo com Hermínio C. de Miranda, Paulo faz
uma analogia entre as diversas faculdades mediúnicas e os membros do corpo
humano, ressaltando a utilidade de tais faculdades para os que participam do trabalho
mediúnico:

15 Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso
deixará de ser do corpo.16 E se a orelha disser: Porque não sou olho, não
sou do corpo; nem por isso deixará de ser do corpo. 17 Se o corpo todo fosse
olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18
Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
19 E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? 20 Agora,
porém, há muitos membros, mas um só corpo. 21 E o olho não pode dizer à
mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho
necessidade de vós. 22 Antes, os membros do corpo que parecem ser mais
fracos são necessários; 23 e os membros do corpo que reputamos serem
menos honrados, a esses revestimos com muito mais honra; e os que em nós
não são decorosos têm muito mais decoro, 24 ao passo que os decorosos
não têm necessidade disso. Mas Deus assim formou o corpo, dando muito
mais honra ao que tinha falta dela, 25 para que não haja divisão no corpo,
mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros. 26 De maneira
que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um
membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. 27 Ora, vós sois
corpo de Cristo, e individualmente seus membros (2Co 12.15-27).

À primeira vista, tais excertos podem possuir uma compreensão complicada.


Contudo, quando recorremos à Codificação Kardequiana o entendimento nos é
facilitado. No capítulo que trata das Reuniões e Sociedades Espíritas (Cap. XXIX), em
O Livro dos Médiuns, Kardec afirma que “uma reunião é um ser coletivo, cujas
qualidades e propriedades são as resultantes das de seus membros e formam um
feixe. Ora este feixe tanto mais força terá, quanto mais homogêneo for” (Item 331).
O Apóstolo da Luz – como Cairbar Schutel tão bem caracteriza Paulo de Tarso
– finaliza o Capítulo XII da 1ª Carta aos Coríntios dizendo que mostraria um “caminho
sobremodo excelente” para procurarmos os maiores dons. A direção para se chegar
à prática mediúnica proposta no Evangelho é apresentada logo no início do capítulo
seguinte, por meio de um dos mais notáveis pensamentos propostos pelo Apóstolo:
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria
como o metal que soa ou como o címbalo que retine”. Hermínio Miranda com sua
lucidez característica comenta:

O exercício da mediunidade sem amor é frio e inócuo. Os Espíritos, que


sentem mais as nossas vibrações interiores do coração do que as palavras
que pronunciamos, sabem se estamos realmente interessados nas suas
dores e angústias ou se estamos apenas recitando palavras ocas de consolo
estéril. Se atrás das palavras não está a sustentação do amor, eles não
produzem os frutos da misericórdia, do despertamento, do arrependimento
(MIRANDA, 1974).

No décimo quarto capítulo, Paulo de Tarso orienta sobre dois dons espirituais:
o de falar em línguas e o de profetizar. O primeiro dom está relacionado à faculdade
da Xenoglossia – termo elaborado por Charles Richet – também conhecida como
mediunidade poliglota. Esta faculdade mediúnica foi trazida à tona no item 223 de O
Livro dos Médiuns, sendo tema de um dos livros do pesquisador Ernesto Bozzano,
com o título Xenoglossia. Já o segundo, é na verdade a faculdade mediúnica da
Psicofonia. Assim, Paulo de Tarso orienta para a importância de exercitar os dons
espirituais, em especial o de profetizar em detrimento do falar em línguas, como
percebe-se abaixo:

19 Todavia na igreja eu antes quero falar cinco palavras com o meu


entendimento, para que possa também instruir os outros, do que dez mil
palavras em língua. [...] 23 Se, pois, toda a igreja se reunir num mesmo lugar,
e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão
porventura que estais loucos? 24 Mas, se todos profetizarem, e algum
incrédulo ou indouto entrar, por todos é convencido, por todos é julgado (2Co
14.19, 23-24).

Nos versículos 29 a 33, o Apóstolo dos Gentios continua orientando a todos no


seu precioso roteiro para o exercício da mediunidade. Ele enumera alguns requisitos
relacionados à passividade mediúnica:
29 E falem os profetas, dois ou três, e os outros julguem. 30 Mas se a outro,
que estiver sentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. 31 Porque
todos podereis profetizar, cada um por sua vez; para que todos aprendam e
todos sejam consolados; 32 pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos
profetas; 33 porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz (2Co
14.29-33).

Paulo de Tarso, nos versículos anteriores, aborda a questão das comunicações


mediúnicas simultâneas, aconselhando que se evite este tipo de ocorrência. Assim,
fica evidente que o médium como dono de si, tem a obrigação de controlar a
comunicação oriunda do espírito desencarnado, neste contexto, por meio do
desenvolvimento da educação mediúnica, uma vez que, quando se estabelece o
contato com um espírito por vez, as atenções estarão voltadas somente para aquele
irmão. Dessa forma, além da ordem que toda reunião mediúnica deve possuir, todos
os participantes da reunião aprenderão com a ocorrência. Além disso, o acolhimento
por intermédio do sentimento de amor presente e da palavra bem empregada,
funcionarão como ferramentas de consolo para aquele irmão. Esse pensamento é
corroborado por André Luiz, no livro Desobsessão, a saber:

Os médiuns psicofônicos, muito embora por vezes se vejam pressionados por


entidades em aflição, cujas dores ignoradas lhes percutem nas fibras mais
íntimas, educar-se-ão, devidamente, para só oferecer passividade ou campo
de manifestação aos desencarnados inquietos quando o clima da reunião
lhes permita o concurso na equipe em atividade. Isso, porque, na reunião, é
desaconselhável se verifique o esclarecimento simultâneo a mais de duas
entidades carecentes de auxílio, para que a ordem seja naturalmente
assegurada (LUIZ, 2015).

Portanto, é notória a importância de Paulo de Tarso não só na divulgação do


evangelho do Cristo. Ele também foi revolucionário em outros vários aspectos: no seu
despertamento imediato diante do episódio às portas de Damasco, passando da figura
de fervoroso perseguidor para a de mais importante difusor do Cristianismo Primitivo;
na defesa da ruptura das práticas sem alicerces firmes, oriundas do judaísmo e
adotadas no Cristianismo Primitivo; na elaboração de brilhantes orientações para a
prática mediúnica. Nesta última, ele trouxe para a Humanidade, através de
orientações de luz, o que bem mais tarde passou a ser um dos escopos da Doutrina
Espírita: a possibilidade de iluminar mentes e consolar corações por meio da
comunicabilidade dos espíritos.

REFERÊNCIAS

EMMANUEL (Espírito). Paulo e Estêvão. Psicografado por Francisco Cândido Xavier


e Waldo Vieira. Brasília: FEB, 1963.

KARDEC, Allan. O livro dos médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores:
espiritismo experimental. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2003.
LUIZ, André (Espírito). Desobsessão. Psicografado por Francisco Cândido Xavier e
Waldo Vieira. Brasília: FEB, 2015.

MIRANDA, Hermínio Correia de. O Livro dos Médiuns de Paulo, o Apóstolo.


Reformador. v. 92, n. 2, 1974.

SAGRADA, Bíblia. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e


atualizada no Brasil, 1993.