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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO
TURMAS RECURSAIS

EJC
Nº 71007429087 (Nº CNJ: 0001147-41.2018.8.21.9000)
2018/CRIME

APELAÇÃO-CRIME. DELITO DE TRÂNSITO.


ART. 307 DO CTB. DIRIGIR VEÍCULO COM
HABILITAÇÃO SUSPENSA. MUDANÇA DE
ORIENTAÇÃO.
1. Para aperfeiçoar o tipo penal previsto
no art. 307 do CTB, necessária a existência
de decisão judicial.
2. A hipótese de suspensão administrativa,
em decorrência de aplicação das normas
do art. 261 da Lei n. 9. 503/97, não
permite a integração da essentialia do
tipo.
3. Atipicidade de conduta reconhecida.
RECURSO PROVIDO.

RECURSO CRIME TURMA RECURSAL CRIMINAL

Nº 71007429087 (Nº CNJ: 0001147- COMARCA DE NONOAI


41.2018.8.21.9000)

ADILIO SERPA RECORRENTE

MINISTERIO PUBLICO RECORRIDO

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos.

Acordam os Juízes de Direito integrantes da Turma


Recursal Criminal dos Juizados Especiais Criminais do Estado do Rio
Grande do Sul, à unanimidade, em dar provimento ao recurso.

Participaram do julgamento, além do signatário


(Presidente), os eminentes Senhores DR. LUIZ ANTÔNIO ALVES CAPRA
E DR. LUIS GUSTAVO ZANELLA PICCININ.

Porto Alegre, 12 de março de 2018.

DR. EDSON JORGE CECHET,

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Relator.

R E L AT Ó R I O

Trata-se de recurso de apelação interposto por Adílio


Serpa contra sentença que o condenou à pena de 6 meses de detenção,
em regime aberto, substituída por pena restritiva de direitos, consistente
na prestação pecuniária de um salário mínimo, vigente à data do fato,
além da pena de 10 dias-multa, à razão de 1/30 do salário mínimo
vigente à época do fato, e, por fim, à pena de suspensão do direito de
dirigir veículo automotor, pelo prazo 2 (dois) meses, como incurso nas
penas do art. 307 do CTB. Requereu sua absolvição alegando atipicidade
da conduta. Subsidiariamente, postulou pela nulidade dos atos
administrativos e pela suspensão do processo.

Em ambas as instâncias, o Ministério Público


manifestou-se pelo desprovimento do recurso.

VOTOS

DR. EDSON JORGE CECHET (RELATOR)

Eminentes colegas.

Conheço do recurso, pois presentes os pressupostos


de admissibilidade.

Imputação oficial

Adílio Serpa foi denunciado porque, no dia 23 de


fevereiro de 2016, por volta das 22h, na ERS 406, Km 09, no posto da
Polícia Rodoviária Estadual, em Nonoai/RS, violou a suspensão para dirigir
veículo automotor imposta com fundamento no Código Brasileiro de
Trânsito ao conduzir o veículo GM/Vectra, de placas DFG-3595. Na
oportunidade, o réu foi abordado por um Policial Militar que, ao consultar

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o sistema de buscas integradas, constatou que o recorrido encontrava-se


com o direito de dirigir suspenso.

Mérito

Vinha entendendo, desde meu ingresso na Turma


Recursal Criminal, que o crime previsto no art. 307 do CTB tanto poderia
decorrer de violação à penalidade administrativa, como em relação à
judicial, que suspendesse a habilitação para dirigir veículos automotores,
imposta com fundamento no Código.

Embora inocorrente qualquer mudança no quadro


legislativo, nada obsta que interpretações sejam revistas, observada a
própria dinâmica do direito, que não é estático, até porque o juiz julga
para fazer justiça, aperfeiçoando a atividade jurisdicional. Aperfeiçoar
qualquer atividade faz parte da rotina do trabalhador e diferentemente
não poderia deixar de ser do próprio julgador, na busca incessante de
aplicação do direito. Não se pode, ao argumento da estabilidade, deixar
de buscar a mais adequada interpretação do escrito, sob pena de
desvirtuar a função judicial e delegá-la à letra morta da lei. A função do
intérprete é a da investigação, do aprofundamento, da descoberta do
sentido do escrito, do melhor sentido possível. O direito possui essa
dimensão. A hermenêutica jurídica o exige, com o propósito de lapidar,
cada vez mais, o modo de interpretar a vontade do legislador.

Nessa busca de aperfeiçoamento, indispensável


anotar que mudanças de orientação também servem para correção,
sendo necessário, muitas vezes, adequar-se o modo de ver e de sentir do
intérprete para a melhor aplicação da norma.

Esse é o sentido que Gadamer quis dar, quando


abordou a determinação do sentido do texto legal:

“... tanto para a hermenêutica jurídica quanto para a


teleológica, é constitutiva a tensão que existe entre o texto
proposto – da lei ou do anúncio – e o sentido que alcança
sua aplicação ao instante concreto da interpretação, no

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juízo ou na pregação. Uma lei não quer ser entendida


historicamente. A interpretação deve concretizá-la em sua
validez jurídica (...) se quisermos compreender
adequadamente o texto – lei ou mensagem de salvação –,
isto é, compreendê-lo de acordo com as pretensões que o
mesmo apresenta, devemos compreendê-lo a cada
instante, ou seja, compreendê-lo em cada situação concreta
de uma maneira nova e distinta. Aqui, compreender é
sempre também aplicar”.1

Para isso, portanto, faço uma (re) leitura do artigo 307


do CTB:
Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor
imposta com fundamento neste Código:
Penas - detenção, de seis meses a um ano e multa, com
nova imposição adicional de idêntico prazo de suspensão
ou de proibição.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre o condenado
que deixa de entregar, no prazo estabelecido no § 1º do art.
293, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação.

Suspensão para dirigir veículo automotor

Nessa parte, não obstante raríssimos tenham sido os


casos de reconhecimento de responsabilidade penal, por falta da
integração da essentialia do tipo, o entendimento desta Turma Recursal
sempre foi o de que a violação à decisão de ordem administrativa
configurava o tipo penal aludido, haja vista a referência genérica do
dispositivo a tal respeito.

Esse entendimento, aliás, era vigente em


praticamente todos os tribunais pátrios, que adotavam a corrente
defendida por Damásio Evangelista de Jesus, para quem o objetivo da
disposição visa a proteger "o normal desenvolvimento da Administração
Pública, no sentido de fazer cumprir a decisão judicial ou administrativa,
que impôs pena criminal ou administrativa"2. No mesmo sentido, Renato
1
GADAMER, Hans-Georg. Verdade e Método. Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica.
Tradução de Flávio Paulo Meurer (revisão da tradução de Enio Paulo Giachini). 7. ed., Petrópolis: Ed.
Vozes, 2005, p. 407-408.
2
JESUS, Damásio Evangelista de. Crimes de Trânsito, 6a. ed. São Paulo, Saraiva, 2006, p. 185.
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Marcão também se posiciona, ao referir que "no caput do art. 307 a tutela
penal visa à Administração Pública, sob o enfoque do prestígio das decisões
administrativas ou judiciais relacionadas à suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor, impostas com
fundamento em regra do Código de Trânsito Brasileiro". 3

Entretanto, o amadurecimento da discussão e do


debate permitiram chegar à conclusão de que essa premissa não
representa a melhor interpretação que se deve dar à espécie, cabendo
aqui o que antes ficou registrado a respeito da interpretação das normas.

Com efeito, consta do Código de Trânsito Brasileiro a


disposição de medidas administrativas e de crimes de trânsito, com o
destaque de que eventual penalidade aplicada em decorrência de
infração às primeiras não afasta punições que decorram de ilícitos penais.

Portanto, a análise da aplicação do disposto no artigo


307 deve levar em conta a existência de norma prevendo a aplicação da
penalidade de suspensão pela autoridade de trânsito (administrativa, art.
256, III), nas hipóteses previstas no art. 261, I e II, do CTB, e de outra
decorrente de determinação judicial, conforme a redação do art. 292 do
mesmo diploma. Deve-se estabelecer a necessária diferença na atuação
visando a verificar em qual dos casos incide a disposição penal
examinada, observando-se a ausência de precisão e clareza na redação
do dispositivo, que, por isso, desmereceu os requisitos previstos na Lei
Complementar n. 95, de 26 de fevereiro de 1998, sancionada para
atender ao disposto no art. 59 da Constituição Federal.

Como dito, a possibilidade de aplicação da pena de


suspensão do direito de dirigir está prevista nas linhas do Código, como,
por exemplo, quando o condutor atingir a contagem de 20 (vinte) pontos,
no período de 12 (doze) meses (art. 261, I), ou por transgressão às
normas estabelecidas no mesmo diploma, cujas infrações prevejam, de
3
MARCÃO, Renato. Crimes de Trânsito: anotações e interpretação jurisprudencial da parte criminal
da Lei n. 9.503, de 23.9.1997. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 176 e segs.

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forma específica, a penalidade de suspensão (art. 261, II), como nos


casos de reprovação no exame toxicológico, exigível para condutores das
categorias C, D e E (art. 148-A, § 5º); ou por dirigir sob influência de
álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine
dependência (art. 165); ou por disputar corrida (art. 173); ou por deixar
de prestar socorro a vítima de acidente de trânsito, quando nele
envolvido (art. 176); entre outros.
De outro lado, a composição nominal "suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo
automotor" está prevista unicamente nas linhas do art. 292 do Código, ou
seja, exclusivamente na parte que trata dos Crimes de Trânsito.
Veja-se a redação desse dispositivo:

Art. 292. A suspensão ou a proibição de se obter a


permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor
pode ser imposta isolada ou cumulativamente com outras
penalidades. (Redação dada pela Lei nº 12.971, de
2014) 4

Portanto, parece razoavelmente seguro afirmar que a


hipótese de incidência do art. 307 do CTB que trata da violação "à
suspensão ou à proibição para dirigir veículo automotor" só possa ocorrer,
numa visão semântica, em caso de decisão judicial.
Note-se, inclusive, que o próprio desmembramento do
dispositivo reforça essa conclusão. O parágrafo único, que sempre se
entende à luz do caput, menciona que nas mesmas penas incorre "o
condenado que deixa de entregar, no prazo estabelecido no § 1º do art.
293, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação". O vocábulo
condenado permite concluir que o caput do dispositivo refere-se,
exclusivamente, à violação de decisão judicial. Assim também é a
4
Redação anterior: Art. 292. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para
dirigir veículo automotor pode ser imposta como penalidade principal, isolada ou cumulativamente
com outras penalidades.
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remissão ao § 1º do art. 293, quando menciona: "Transitada em julgado a


sentença condenatória, o réu será intimado a entregar à autoridade
judiciária, em quarenta e oito horas, a Permissão para Dirigir ou a
Carteira de Habilitação.” Como dito, a razoabilidade dessa conclusão é
indiscutível.
Não poderia deixar de registrar, igualmente,
comentários feitos pela Dra. Carla Moretto Maccarini, Promotora de
Justiça em Curitiba5, ao comparar a disposição aludida com a prevista no
art. 309 do CTB:

"Em sintonia com tal conclusão interpretativa, aparece a


comparação da redação do referido tipo penal com o art. 309, do Código
Brasileiro de Trânsito, na sequência reproduzido:

Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a


devida Permissão para Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se
cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano: Penas -
detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

No art. 307, do CTB, basta a violação da suspensão do


direito de dirigir imposta para que se configure o delito. Diferentemente, no art.
309 do referido diploma legal, para que se configure o crime de dirigir veículo
automotor com o direito de dirigir cassado, faz-se necessária a ocorrência de
perigo de dano. Por certo a penalidade administrativa de cassação da CNH é
mais gravosa que a penalidade administrativa de suspensão do direito de dirigir,
segundo se infere da leitura dos artigos 263 e 261, do CTB:

Art. 261. A penalidade de suspensão do direito de dirigir


será aplicada, nos casos previstos neste Código, pelo prazo
mínimo de um mês até o máximo de um ano e, no caso de
reincidência no período de doze meses, pelo prazo mínimo
de seis meses até o máximo de dois anos, segundo critérios
estabelecidos pelo CONTRAN. § 1º Além dos casos previstos
em outros artigos deste Código e excetuados aqueles
especificados no art. 263, a suspensão do direito de dirigir
será aplicada quando o infrator atingir, no período de 12

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Disponível em http://www.ceaf.mppr.mp.br/arquivos/File/Somente_a_suspencao.pdf. Consulta em
dez 2016.
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(doze) meses, a contagem de 20 (vinte) pontos, conforme


pontuação indicada no art. 259. § 2º Quando ocorrer a
suspensão do direito de dirigir, a Carteira Nacional de
Habilitação será devolvida a seu titular imediatamente após
cumprida a penalidade e o curso de reciclagem. § 3º A
imposição da penalidade de suspensão do direito de dirigir
elimina os 20 (vinte) pontos computados para fins de
contagem subsequente. Art. 263. A cassação do documento
de habilitação dar-se-á: I - quando, suspenso o direito de
dirigir, o infrator conduzir qualquer veículo; II - no caso de
reincidência, no prazo de doze meses, das infrações
previstas no inciso III do art. 162 e nos arts. 163, 164, 165,
173, 174 e 175 III - quando condenado judicialmente por
delito de trânsito, observado o disposto no art. 160. § 1º
Constatada, em processo administrativo, a irregularidade
na expedição do documento de habilitação, a autoridade
expedidora promoverá o seu cancelamento. § 2º Decorridos
dois anos da cassação da Carteira Nacional de Habilitação,
o infrator poderá requerer sua reabilitação, submetendo-se
a todos os exames necessários à habilitação, na forma
estabelecida pelo CONTRAN.

A análise conjunta do preceito secundário do art. 307 e do


art. 309, impõe a conclusão segundo a qual a sanção do art. 307 é mais gravosa,
uma vez que prevê pena de detenção, de 06 (seis) meses a 01 (um) ano, e
multa, com nova imposição de idêntico prazo de suspensão ou de proibição, ao
passo que a pena do artigo 309 é de detenção, de 06 (seis) meses a 01 (um)
ano, ou multa. '
Destarte, extraio a conclusão no sentido de que não seria
razoável entender que o mero descumprimento de penalidade administrativa
menos grave - consistente na suspensão do direito de dirigir - acarretaria a
necessária incidência do delito previsto no art. 307, da Lei nº 9.503/97; ao passo
que o descumprimento de penalidade administrativa mais gravosa, qual seja, a
cassação da CNH, somente ocasionaria subsunção ao tipo penal do art. 309, caso
o condutor viesse a gerar perigo de dano.
Isto porque, para a configuração do delito previsto no art.
309, não basta o simples fato de dirigir o veículo automotor sem permissão ou
habilitação legal para dirigir ou cassado o direito de dirigir, sendo ainda
necessário que a conduta gere perigo de dano, vale dizer, direção anormal
(fazendo ziguezague; “fechando outros veículos”; invadindo cruzamentos,

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calçadas, faixa de pedestres; avançando o sinal vermelho; fazendo


ultrapassagem proibida; transitando na contramão de direção,...).
Inexistindo condução anormal, não há se falar em crime,
configurando a conduta tão-somente infração administrativa.
Assim, observo que, ao interpretar que a suspensão
prevista no art. 307 abrange a suspensão administrativa, representa conceder
aval a enorme incongruência jurídica, haja vista que, em considerando que o
simples fato de o condutor ser flagrado dirigindo com a CNH suspensa
administrativamente, enseje o crime tipificado no art. 307, não exigindo o perigo
de dano, revela situação bem mais gravosa daquela situação do condutor
cassado em seu direito de dirigir, infração administrativa mais grave, que
necessita do especial fim de agir – gerando perigo de dano - para operar a
tipificação no art. 309, Código Brasileiro de Trânsito.
A se considerar que tanto a suspensão administrativa
quanto a judicial ensejaria a tipificação no art. 307, do CTB, o sujeito responderia
pelo art. 307, do Código Brasileiro de Trânsito, pois neste tipo penal não se exige
o perigo de dano.
De outra sorte, a sua conduta não se subsumiria ao art.
309, que trata da cassação do direito de dirigir, conduta mais gravosa, eis que
este tipo penal exige a demonstração do perigo de dano. Por conseguinte, a
interpretação sistemática de ambos os dispositivos legais leva à conclusão
segundo a qual somente a violação da suspensão do direito de dirigir, caso tenha
sido imposta por autoridade judicial enseja a tipificação no art. 307, da Lei nº
9.503/97."
Por tais razões, importa concluir, mudando a
orientação até hoje seguida, que o crime somente se aperfeiçoa no caso
de violação a determinação judicial de suspensão ou de proibição de se
obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.
Como, no caso, não se verifica a hipótese aludida,
impositiva a absolvição por atipicidade de conduta.
Voto, portanto, por dar provimento ao recurso
defensivo e absolver o réu, forte no artigo 386, inciso III, do CPP.

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DR. LUIZ ANTÔNIO ALVES CAPRA (REVISOR) - De acordo com o(a)


Relator(a).

DR. LUIS GUSTAVO ZANELLA PICCININ - De acordo com o(a)


Relator(a).

DR. EDSON JORGE CECHET - Presidente - Recurso Crime nº


71007429087, Comarca de Nonoai: "Á UNANIMIDADE, DERAM
PROVIMENTO AO RECURSO."

Juízo de Origem: VARA NONOAI - Comarca de Nonoai

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