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Joyciane Coelho Vasconcelos

Teorias Econômicas

1ª Edição
Sobral/2018

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Sumário

UNIDADE 1- CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA

Economia

Curva de Possibilidade de Produção (CPP)

Fluxo Circular da Renda

Macroeconomia e Microeconomia

UNIDADE 2 - OS 10 PRINCÍPIOS DA ECONOMIA

Os Princípios da Economia

UNIDADE 3 - DEMANDA DE OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO

Fundamentos da oferta e da demanda.

UNIDADE 4 - ELASTICIDADE

Ferramenta da Economia

UNIDADE 5 - ESTRUTURAS DE MERCADO

Bens de Serviço

Concorrência Perfeita

Monopólio

Concorrência Imperfeita

Oligopólio

Cartel, truste e holding

Estrutura do Mercado de fatores de produção

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UNIDADE 6 – MACROECONOMIA

O que estuda a macroeconomia

Estrutura de análise macroeconômica

PIB

UNIDADE 7 - POLÍTICAS ECONÔMICAS

Política Monetária

Bibliografia

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CONCEITOS
FUNDAMENTAIS DE
ECONOMIA

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Economia

Etimologicamente o termo Economia vem do grego oikosnomos, em que


oikos significa casa, patrimônio, riqueza e nomos administração, ou seja,
administração da riqueza.

É uma ciência social que estuda como os indivíduos e a sociedade


utilizam recursos econômicos escassos para produção de bens ou serviços de
forma a satisfazer as necessidades humanas. Todo recurso econômico é
escasso, significa que a sociedade tem recursos limitados, logo a escassez é um
dos principais problemas da Economia.

É uma ciência social que estuda as formas de comportamento humano


resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os
recursos que embora escassos, se prestam a usos alternativos (ROSSETTI,
2007).

Segundo Mankiw (2005), não há nada de misterioso sobre o que é uma


economia. Em qualquer parte do mundo, uma economia é um grupo de pessoas
que estão interagindo umas com as outras e, dessa forma, vão levando a vida.

Se não houvesse escassez de recursos econômicos, ou seja, se todos


bens e serviços fosses abundantes, não haveria necessidade.

Como disse Albert Einstein, “A ciência nada mais é do que o refinamento


do pensamento cotidiano”.

Objetivo da Ciência Econômica: formular propostas para resolver ou


minimizar os problemas econômicos, de forma a melhorar a qualidade de vida das
pessoas.

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Economia é uma disciplina fascinante. Ela nos envolve e acompanha em
nossos problemas do cotidiano e se preocupa em estudar as atividades humanas.
Os economistas estudam como as pessoas tomam decisões e como interagem.
Decisões como, por exemplo: quanto comprar, o quanto trabalham, se tem lazer
ou se faz poupança.

Problemas Fundamentais da Economia

As organizações não têm como produzir tudo que a sociedade deseja.


Como as necessidades humanas são ilimitadas e os recursos econômicos são
escassos surgem os três principais problemas da Economia. A cada momento
novos problemas para o mundo da economia vêm surgindo. Um deles é satisfazer
as necessidades humanas e que determinado bem econômico, seja ele, um bem
material (concreto, ou seja, bens em que se pode mensurar, dá características,
ex. uma casa, um barco, etc.) ou bem imaterial (abstrato,ou seja,bens em formas
de serviços,ex.: a consulta do médico com o seu paciente,o ensino da professora,
os serviços bancários e dos correios,etc.) possa ter repercussão no mercado.É
por meio dessas necessidades humanas que a Economia entra em campo para
responder as indagações seguintes:

 O quê e quanto produzir?

Em relação o que produzir, primeiro tem-se que fazer uma análise de


mercado, pois a Economia como uma ciência social não estuda somente
interesses individuais de poucos, mas os interesses de toda a sociedade. Feito
estas análises agora pode-se determinar qual a quantidade de produtos a ser
produzido e em que proporções serão colocados à disposição da sociedade. A
principal variável que se pode relacionar com “o que e em que quantidade” é por
meio da demanda. Porém, devido este fator se pode estudar o comportamento do
todo, ou seja, saber quais produtos estão satisfazendo as necessidades humanas
no mercado e em que proporções.

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 Como produzir?

Quais fatores de produção serão aplicados durante o processo de


produção? Tais fatores como: matéria-prima, bem de capitais tangíveis,
tecnologia, mão-de-obra qualificada (especializada – divisão do Trabalho). Antes
de tudo, tem que observar que a maioria dos recursos que a natureza dispõe ao
homem é escassa. Então deve-se cada dia mais ter a consciência e buscar novas
alternativas para a produção desses bens.

 Para quem produzir?

Um dos principais fatores nessa questão será o preço. Quanto maior a


oferta, menor será a demanda ou quanto menor a oferta maior será a demanda
(Lei da Oferta e da Demanda). Logo o preço é o fator de restrição, exclusão em
uma economia de mercado. Como será a distribuição de renda gerada pela
atividade econômica? Quais os setores beneficiados?

Observa-se no Quadro 1 a seguir, apresentada por Dallagnol (2008)


um resumo dos problemas fundamentais da economia.

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Quadro 1 – Problemas Econômicos Fundamentais

Problemas Econômicos Níveis de Referência Respostas a estas questões


Fundamentais
1. O que e quanto Econômico É proporcionada pelo
produzir? conhecimento das máximas
possibilidades de produção de
que dispõe uma nação. Há que
se considerar que, ao mesmo
tempo em que se decide pela
produção de um bem ou
serviço, um outro bem estará
deixando de ser produzido. Cabe
às autoridades econômicas o
papel de estimular a produção
em determinadas regiões, para
o atendimento a políticas
econômicas de crescimento e
mesmo de desenvolvimento
econômico dessa região e da
nação como um todo com vistas
ao bem-estar da coletividade.
2. Como produzir? Tecnológico Esta questão está estreitamente
relacionada as possibilidades
tecnológicas de produção.
Competirá a sociedade como
um todo, a adoção de técnicas
de produção que combinem da
maneira mais adequada
possível, seus recursos humanos
e patrimoniais. A resposta a esta
questão deve considerar o
dilema homem versus máquina
de tal forma que a introdução
da técnica no aparelho
produtivo não implique em
desperdício do potencial
humano e, por outro lado a
sociedade não deverá recusar o
emprego de técnicas que
possam significar um aumento
da eficiência produtiva.
3. Para quem produzir? Social Esta questão merece maior
atenção por parte daqueles que
respondem pelas políticas
econômicas. Consiste em decidir
de que maneira será distribuída
por toda a sociedade, a
produção obtida. Ou seja, de
que maneira aqueles que
participam do processo
produtivo irão usufruir do
resultado do seu trabalho.
Fonte: Dallagnol (2008, p.22).

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Conceitos Fundamentais da Economia

De um modo geral, o objetivo de uma indústria é produzir bens e serviços


para vendê-los e obter lucros. Mas o que são bens? E serviços?

Bens são produtos tangíveis e serviços produtos intangíveis. De forma


global, bem é tudo aquilo que permite satisfazer as necessidades humanas.

Bens econômicos são aqueles escassos, ou seja, cuja demanda é


superior a sua disponibilidade, ou que exigem custo e esforço para sua obtenção.
São transferíveis e podem ser trocados entre si. São bens de consumo, bens
intermediários e bens de capital.

Bens de consumo - aqueles destinados ao atendimento de


necessidades diretas de pessoas ou empresas. De acordo com sua durabilidade,
podem ser classificados como duráveis (como carros, móveis, eletrodomésticos);
ou como não duráveis tais como gasolina, alimentos e cigarro.

Bens intermediários - são aqueles que são transformados ou agregados


na produção de outros bens e que são consumidos totalmente no processo de
produtivo (insumos, matérias-primas e componentes).

Bens de Capital - são bens de produção (ou os bens de produção são os


bens de capital), ou seja, bens de capital, que permitem produzir outros bens.
Exemplo: Máquinas, Equipamentos e Instalações.

Os bens podem ser: bens livres que são úteis. Existem em quantidade
ilimitada e podem ser obtidos sem nenhum esforço na natureza. Ex: a luz solar, o
ar, o mar. Esses bens não possuem preços. E bens econômicos que são úteis.
Possuem preços, são escassos e supõem a ocorrência de esforço humano para
obtê-lo. Esses bens são classificados em dois grupos: bens materiais que são de
natureza material e podem ser estocados, tangíveis (podem ser tocados), como
roupas, alimentos, livros, TV, etc.; serviços que não podem ser tocados

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(intangíveis). Ex: serviço de um médico, consultoria de um economista, serviços
de um advogado (apenas para citar alguns), e acabam no mesmo momento de
produção. Não podem ser estocados.

Deve ser dito que tanto os bens de consumo quanto os bens de capital
são classificados como: bens finais que são bens acabados, pois já passaram por
todas as etapas de transformação possíveis; bens intermediários que são bens
que ainda estão inacabados, que precisam ser transformados para atingir a sua
finalidade principal. Ex: o aço, o vidro e a borracha usados na produção de carros.

Os bens podem ser classificados, ainda, em: bens públicos que são bens
não exclusivos e não disputáveis. Referem-se ao conjunto de bens fornecidos
pelo setor público: transporte, segurança e justiça; bens privados que são bens
exclusivos e disputáveis. São produzidos e possuídos privadamente: TV, carro,
computador, etc.

Curva de Possibilidade de Produção (CPP)

Para satisfazer as necessidades e desejos humanos são necessários


bens que não encontramos na natureza, consequentemente usamos do processo
de transformação para adquiri-los. A produção faz-se a partir de recursos e
fatores produtivos como terra (ou recursos naturais, os minérios, a água, a
energia, etc.), trabalho (mão-de-obra), capital (como máquinas, fábricas, estradas,
etc.) e conhecimentos técnicos.

Devido aos recursos escassos uma sociedade tem que escolher as


quantidades de bens e serviços a produzir, por exemplo, mais café e menos chá.
Para simplificar se admiti que uma sociedade apenas possa produzir dois tipos de
bens: café e soja

Com quantidade de recursos pode-se escolher entre café e soja, e as


possibilidades são muitas. Para poder observar todas as situações possíveis tem-
se a um gráfico em Economia: a fronteira de possibilidade de produção que

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representa o lugar geométrico dos pontos de produção máxima de café e soja,
dada certa quantidade de recursos disponíveis.

A curva de possibilidade de produção ilustra como a escassez de fatores


de produção cria um limite para a capacidade produtiva de uma empresa, país ou
sociedade. Ela representa todas as possibilidades de produção que podem ser
atingidas com os recursos e tecnologias existentes.

A concavidade da curva indica que, dadas as quantidades dos recursos,


se a sociedade quiser aumentar a produção de um bem, maior será a taxa de
sacrifício (o custo de oportunidade) associada a tal intenção (isso em termos da
produção do outro bem). Logo, se quiser aumentar a produção de um bem terá
que reduzir a produção do outro bem.

A figura a seguir mostra a fronteira máxima de produção, então os pontos


sobre a curva mostram o máximo possível da produção combinada das duas
mercadorias como mostram os pontos A, B e C. Nestes pontos supõe que a
economia esteja em pleno emprego de seus recursos, ou seja, quase todos
utilizados em capacidade máxima.

A economia pode produzir no interior da curva, num ponto como D, ter


mais café sem sacrificar soja, no entanto, isso significa que tem recursos ociosos.
Os pontos que se encontram fora da curva das possibilidades de produção, num
ponto como E, é impossível devido á falta de recursos.

Figura 1 – Curva de Possibilidade de Produção

café E
A
B

D
C

soja

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A transferência dos fatores de produção do café para produzir soja implica
um custo de oportunidade que é igual ao sacrifício de se deixar de produzir parte
do bem café para se produzir mais de soja. O custo de oportunidade por
representar o custo da produção alternativa sacrificada, reflete em um custo
implícito.

Fluxo Circular da Renda

Agentes Econômicos em uma economia capitalista são as famílias, as


empresas e o governo, que respondem às seguintes questões: O quê, Quanto,
Como? e Para Quem Produzir?.

A inter-relação entre os agentes econômicos pode ser resumida por meio


de um esquema denominado fluxo circular da Renda. Os agentes econômicos
transacionam entre si na busca de atingir seus objetivos e, ainda, proporcionar o
equilíbrio da economia como um todo. De modo a mostrar de maneira bem
simples o funcionamento da economia, opta-se por apresentar um modelo de
economia fechada envolvendo apenas as famílias, as empresas e o governo, ou
seja, não incluem o setor externo.

As remunerações pagas pelas Unidades Produtoras criam renda para as


Famílias, que compram os bens e serviços produzidos pelas Unidades
Produtoras, mediante o pagamento adequado. Assim, temos dois fluxos
principais. O primeiro fluxo é o Fluxo Real (figura 3), que representa o envio dos
recursos produtivos das famílias para as empresas e o outro fluxo representa o
envio das mercadorias (bens e serviços) das empresas para as Unidades
Familiares.

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Figura 2: Fluxo real da Economia

Fonte: Rossetti, José Pachoal. Introdução à Economia. 16 ed. São Paulo: Atlas,1995, p.186.

Paralelamente a este fluxo, funciona o Fluxo Monetário, que representa o


envio de recursos financeiros das Unidades Produtoras para as Unidades
Familiares.

Figura 3: Fluxo monetário da Economia

Fonte: Rossetti, José Pachoal. Introdução à Economia. 16 ed. São Paulo: Atlas,1995, p.186.

A Figura 4 representa a oferta e a demanda de bens e a oferta e a


demanda de recursos num sistema econômico com três agentes, ou seja,

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famílias, empresas e governo. Analisando-se a figura, pode-se perceber que as
empresas demandam no mercado de fatores, força de trabalho das famílias para
utilizá-la para a produção de bens e serviços. Essas empresas remuneram as
famílias, por meio de recursos monetários denominados rendas, de modo que
essas famílias se tornem consumidoras de produtos no mercado de bens.

Figura 4 - Fluxo circular de uma economia com três agentes

Fonte: Adaptado de MONTELLA, M. Economia Passo a Passo, Rio de Janeiro: Quailitymark, 2004

De toda a renda destinada às famílias como forma de pagamento pelo


uso dos seus fatores, apenas parte reverte-se diretamente as empresas na forma
de consumo (alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, etc.). O restante
da renda destina-se, em parte, ao mercado financeiro e, em parte, ao governo, na
forma de tributos diretos sobre a renda e sobre o patrimônio das famílias.

O montante de renda mantido no mercado financeiro, sob a forma de


poupança das famílias, é direcionado às empresas, como recurso para
investimento. Estes recursos são fonte de financiamento para aquisição de bens
de investimento, como máquinas, equipamentos e até novas instalações.

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O montante de recurso monetário desviado das unidades familiares e das
empresas para o governo sob a forma de tributos – impostos, taxas e
contribuições de melhoria – equivale à receita pública utilizada pelo governo para
financiar seus gastos dentro e fora do mercado de fatores e do mercado de bens.

No mercado de fatores, o governo, no papel de comprador, adquire


fatores de produção e os utiliza para produzir bens e serviços públicos não
negociados no mercado, tais como defesa nacional, saúde pública, proteção
policial etc., tornando-os disponíveis à comunidade em geral.

Já no mercado de bens, o governo atua:

 Do lado da oferta, quando vende determinados bens e serviços, como


serviços postais, transporte, habitações populares e serviços públicos em
geral;
 Do lado da demanda, quando compra bens e serviços que vão ser úteis,
direta ou indiretamente, à coletividade, tais como equipamentos bélicos,
veículos, material de escritório, alimentos para hospitais e escolas públicas,
serviços de manutenção e limpeza etc.

Fora do mercado de bens e do mercado de fatores, registram-se como


gastos do governo: as transferências, que são auxílios financeiros do governo
para as famílias, e os subsídios, que são auxílios financeiros do governo para as
empresas.

Diante desse fluxo de renda entre governo, empresas e famílias,


podemos dizer que o crescimento econômico ocorrerá quando os preços dos
bens produzidos pelas empresas forem suficientes para: cobrir os custos dos
fatores de produção; cobrir os tributos pagos ao governo; propiciar uma renda que
permita as unidades familiares pouparem (depois de garantido o seu consumo);
gerar um volume de vendas suficiente para que as empresas possam auferir
lucros.

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Macroeconomia e Microeconomia

A economia esta dividida em duas áreas: Microeconomia e


Macroeconomia. A diferença entre os dois ramos da Economia é muito
importante, pois primeira será visto a Microeconomia e em seguida a
Macroeconomia.

 A Microeconomia é uma área da economia que estuda o


comportamento de consumidores e produtores e o mercado no qual
interagem. Preocupa-se com a determinação dos preços e as
quantidades em mercados específicos. Também conhecida como
teoria dos preços.

 Já a Macroeconomia se preocupa com os grandes setores, em seus


aspectos globais, ou seja, estuda a determinação e o
comportamento dos agregados como PIB, consumo, investimento,
exportação, inflação, desemprego, com o objetivo de delinear uma
Política Econômica.

Breve histórico do surgimento da Economia

A história da Economia evoluiu pari passu com os períodos que


caracterizam a história da humanidade. Desde Moisés até os mercantilistas, a
sociedade mundial viveu em complexidades. E foi dessa complexidade que, um
século depois, após o fim dos ideais mercantilistas do século XVII, o mundo
percebeu a necessidade de ter economistas.

Entre as fases, tem-se: Antiguidade Clássica, Greco-Romana, Império


Romano, Idade Média, Mercantilismo, Fisiocratas, Escola Clássica, Escola
Keynesiana, Escola Marginalista. Será abordada na próxima unidade de estudo.

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O pai da Economia é o Adam Smith que em 1776 publicou sua principal
obra “A riqueza das nações” em que dizia que a nação seria rica se cada
indivíduo fizesse o melhor para si, pois assim chegaria ao bem- estar geral. Adam
Smith é um dos pensadores fundadores da Escola Clássica.

Para saber mais:


Leia o artigo: A EVOLUÇÃO DA ECONOMIA: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA SOBRE OS
PRINCIPAIS MODELOS, TEORIAS E PENSADORES.
http://www.fara.edu.br/sipe/index.php/renefara/article/view/68/58

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OS 10 PRINCÍPIOS DA
ECONOMIA

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Os Princípios da Economia

A economia reflete o comportamento das pessoas que a compõe. Os


quatro primeiros princípios da economia estão relacionados com as decisões
individuais, ou seja, como as pessoas tomam decisões. Do quinto ao sétimo
princípio demonstra como as pessoas interagem. E por último, do oitavo ao
décimo estão relacionados ao funcionamento da Economia.

As pessoas enfrentam tradeoffs

Define uma situação em que há conflito de escolha. Ele se caracteriza em


uma ação econômica que visa a resolução de problema, mas acarreta outro,
obrigando uma escolha.

As pessoas devem tomar decisões, pois “nada é de graça”. Para


conseguirmos algo que queremos, precisamos abrir mão de outra coisa. Como já
foi dito na unidade de estudo 1, os recursos são escassos, então não podemos
obter tudo que queremos.

Consideremos, por exemplo, um jornalista que precisa decidir como


alocar seu tempo para produzir boas matérias para o público. Outro exemplo, o
recurso mais precioso de um estudante é o tempo, logo ele deverá escolher quais
disciplinas irá estudar. Ou ainda, um casal que deve tomar decisões de como
gastar a renda familiar. Podem também optar entre lazer ou poupança.

O tradeoff clássico se dá entre “armas e manteiga”. Quanto mais uma


sociedade gasta com defesa nacional (armas) para proteger suas linhas costeiras,
menos ela pode gastar com bens de consumo (manteiga) para elevar o padrão de
vida nos lares.

 Tempo: Por que estudar?


 Desejo: Por que estudar isso e não aquilo?

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 Renda: Como gastar a renda familiar?
 Governo: Como usar os recursos disponíveis?

Outro tradeoff que a sociedade enfrenta eficiência ou equidade:

 Eficiência: propriedade que uma sociedade tem de receber o


máximo possível pelo uso de seus recursos escassos.

 Equidade: justa distribuição da prosperidade econômica entre os


membros da sociedade.

1. O custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtê-la.

A tomada de decisão exige comparar os custos e os benefícios das


alternativas. Em alguns casos, o custo não está implícito, como por exemplo, a
decisão de ir à faculdade. Os benefícios principais são o enriquecimento
intelectual e uma vida com melhores oportunidades de emprego. Mas qual é o
custo? Parece fácil encontrar o custo, muitos acham que é só somar os gastos
com livros, deslocamentos, xerox e etc. Porém, esse total não representa o que
você sacrifica para passar quatro anos na Faculdade.

Os salários que deixam de ganhar enquanto está na Faculdade são os


principais custos da educação. Logo, isso é o Custo de Oportunidade que é aquilo
de que você abre mão para obtê-lo.

Fazer uma faculdade: despesas com mensalidades, livros, moradia e


alimentação. No entanto estes são custos comuns. E o tempo, por exemplo? Para
estudar você abre mão de se dedicar mais ao emprego e pode estar perdendo
uma promoção. Se você não estudar não adquire conhecimentos científicos e
pode perder a oportunidade de ocupar um alto posto na empresa.

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2. As pessoas racionais pensam na margem

As decisões que tomamos na vida raramente são “preto no branco”; elas


geralmente envolvem diversos tons de cinza. A decisão não é de jejuar ou comer
até estourar, a decisão é se comemos mais um bife ou não, mais uma colher de
arroz ou não. São as mudanças marginais, vale a pena comer esta colher a mais?
Qual será meu benefício marginal? Qual será meu custo marginal?

Em muitos casos as pessoas tomam melhores decisões quando pensam


na margem. Um tomador de decisão executa uma ação se, e somente se, o
benefício marginal da ação ultrapassa o custo marginal.

“Os economistas utilizam a expressão “alterações marginais” marginais”


para descrever pequenos ajustes incrementais a um plano de ação incremental.
Fazer uma pós-graduação? Para tomar essa decisão você precisa conhecer os
benefícios adicionais que esses anos a mais de estudo podem lhe oferecer.

3. As pessoas reagem a incentivos

Como as pessoas tomam decisões por meio de comparação de custos e


benefícios, seu comportamento pode mudar quando os custos e benéficos
mudam. Quando o preço da maçã sobe, as pessoas passam a comer mais pêra.
Ao mesmo tempo, os produtores contratam mais pessoas e passam a produzir
mais maçãs. O resultado é uma pressão para diminuição do preço pelo aumento
da oferta e diminuição da procura.

Muitas políticas afetam os benefícios e os custos para as pessoas, muitas


vezes de maneira indireta. Ao analisarmos qualquer política, precisamos
considerar não apenas seus efeitos diretos, mas também aos efeitos indiretos que
operam por meios de incentivos. Quando o preço das maçãs aumenta as pessoas
decidem comer mais peras e menos maçãs, porque o custo de comprar maçãs
está maior. O efeito dos preços sobre o comportamento de compradores e
vendedores é fundamental para entender como funciona a economia.

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Os formuladores de políticas públicas nunca deveriam esquecer os
incentivos, visto que muitas políticas mudam os custos ou benefícios com que as
pessoas se deparam e, portanto, alteram comportamentos. Um imposto sobre a
gasolina, por exemplo, incentiva as pessoas a dirigir carros menores ou a utilizar
transporte público.

4. O Comércio pode ser bom para todos

Quando o membro de uma família procura um emprego, concorre com


membros de outras famílias que estão em busca de emprego. As famílias também
concorrem umas com as outras quando vão às compras, porque cada uma das
famílias quer comprar os melhores produtos pelo menor preço. Assim, em certo
sentido, cada família em uma economia compete com todas as outras famílias.
Apesar da competição, sua família não estaria melhor se isolasse de outras
famílias, produzindo seus próprios alimentos, confeccionando suas roupas e
construindo sua própria casa.

O comércio não é uma prática esportiva; a vitória de um não significa a


derrota do outro. Empresas concorrem umas com as outras, países concorrem
uns com os outros, indivíduos concorrem um com os outros. No entanto, ao
mesmo tempo em que são concorrentes, conseguem se beneficiar do comércio
entre eles. O comércio pode ser um jogo em que os dois jogadores ganham. O
comércio permite que as pessoas se especializem nas atividades em que são
melhores, permitindo que desfrutem de uma maior variedade de bens e serviços.

5. Os Mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a


Atividade Econômica

Este princípio deve-se principalmente a Adam Smith. Por mais que


indivíduos e empresas busquem o lucro pessoal e pensem individualmente, o
resultado final é favorável à sociedade como um todo. Smith usou o termo mão
invisível do mercado para descrever este paradoxo. Para que este efeito

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aconteça, a competição é fundamental, pois gera preços menores e maior
eficiência na produção.

Em contraste, a teoria do planejamento central era de que apenas o


governo poderia organizar a atividade econômica de uma maneira que
promovesse o bem-estar econômico de todo o país.

O principal mecanismo para organizar a atividade econômica é o preço.


Quando ele pode flutuar livremente, permite os ajustes automáticos do sistema.
No planejamento centralizado, os preços eram fixados por agentes do estado que
impedia o ajuste automático dos preços e, em consequência, que a mão invisível
atuasse coordenando a milhões de famílias e empresas que compõe a economia.

As empresas decidem quem contratar e o que produzir. As famílias


decidem em que empresas trabalhar e o que comprar com seus rendimentos.
Essas empresas e famílias interagem no mercado, no qual o preço e o interesse
próprio orientam as decisões.

Adam Smith: 1776 – A riqueza das Nações. “O homem tem quase que
constantes oportunidades para esperar ajudar seus irmãos, e seria ocioso que a
esperasse de sua benevolência, apenas”. Ele será mais bem-sucedido se pode
capturar seu egoísmo em seu favor e mostrar-lhes que é para proveito deles
próprios fazer o que deles necessita.

Adam Smith: 1776 – A riqueza das Nações. “Não é da benevolência, do


cervejeiro, do açougueiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da
atenção que dão a seus próprios interesses.” “As famílias e as empresas, ao
interagirem nos mercados, agem como que guiadas por uma “mão invisível” que
as conduz a resultados de mercado desejáveis”.

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6. Os Governos ás vezes podem melhorar os resultados do Mercado

Há duas razões de ordem geral para que o governo intervenha na


economia: promover a eficiência e promover a equidade. Muitas políticas
econômicas visam ou aumentar o bolo ou alterar sua divisão.

Para que a mão invisível funcione, é preciso que o governo a proteja. Os


mercados só funcionam bem se o direito à propriedade é respeitado. Ninguém
investe na produção se não tiver garantias que este investimento estará
protegido.

A mão invisível orienta, em geral, os mercados para uma alocação


eficiente dos recursos. Contudo, por várias razões, a mão invisível às vezes não
funciona. Os economistas usam a expressão falha de mercado para referir-se à
situação em que o mercado por si só não consegue alocar recursos
eficientemente.

Além disso, existem dois motivos genéricos para que o governo


intervenha na economia:

 Externalidade: São os impactos das ações de uma pessoa ou


empresa no bem-estar do próximo. Um exemplo é a poluição. O
governo precisa agir para conter as externalidades.
 Poder de Mercado: É a capacidade de algumas pessoas ou
empresas de influírem indevidamente nos preços. O poder de
mercado é nocivo à concorrência.

Quanto há externalidades ou poder de mercado, políticas públicas bem


concebidas podem aumentar a eficiência econômica.

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7. O Padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir
Bens e Serviços

Quase todas as variações de padrão de vida podem ser atribuídas as


diferenças de produtividade entre os países - ou seja, a quantidade de bens e
serviços produzidos em uma hora de trabalho. A taxa de crescimento da
produtividade de um país determina a taxa de crescimento de sua renda média.

Para elevarem os padrões de vida, é preciso elevar a produtividade


garantindo:

 Melhor nível de educação;


 Ferramentas adequadas;
 Tecnologia.

As diferenças de padrão de vida ao redor do mundo são impressionantes.


Quase toda alteração nos padrões de vida pode ser atribuída a diferenças na
produtividade, isto é, a quantidade de bens e serviços produzidos em uma hora
de trabalho. Cidadãos de países com rendas altas têm mais aparelhos de TV,
mais carros, melhores padrões nutricionais e expectativa de vida mais longa do
que os cidadãos de países com menores rendas.

8. Os preços sobem quando o Governo emite moeda demais

Na Alemanha, em janeiro de 1921, um jornal custava 0,30 marco. Menos


de dois anos depois, em novembro de 1922, o mesmo jornal custava 70 milhões
de marcos. Todos os outros preços da economia tinham aumentado da mesma
forma. Em muitos casos de inflação longa e persistente, o culpado é sempre o
mesmo – aumento na quantidade de moeda. Quando um governo emite grandes
quantidades de moeda, seu valor cai.

Trata-se da inflação, a elevação de preços que ocorre na sociedade de


forma geral. Ela é causada principalmente pela elevação da quantidade de moeda

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em circulação. Um dos vilões é o governo que muitas vezes precisa emitir
dinheiro para saudar seus próprios compromissos. Seu efeito é nocivo para a
sociedade. Manter a inflação em níveis baixos é um objetivo permanente das
autoridades econômicas.

9. A Sociedade enfrenta um Tradeoff de curto prazo entre Inflação e


Desemprego

Por uma série de motivos, pelo menos no curto prazo, a diminuição da


inflação leva ao aumento do desemprego e vice-versa. Este efeito é medido por
um gráfico chamado curva de Philips. A escolha entre desemprego e inflação é
apenas temporária, mas pode levar alguns anos. Por causa disso, reduzir a
inflação torna-se ainda mais difícil para os governos, pois pode gerar um recessão
temporária.

Este tradeoff entre inflação e desemprego é denominada Curva de


Phillips, pois é o nome do economista que pela primeira vez examinou essa
associação. Ela significa que, em um ou dois anos, muitas políticas econômicas
levam a inflação e o desemprego para direções opostas.

Em macroeconomia, a curva de Phillips é um tradeoff entre inflação e


desemprego, que permite analisar a relação entre ambos, no curto prazo.
Segundo esta teoria, desenvolvida pelo economista neozelandês Willian Phillips,
quanto mais alta a taxa de desemprego, menor a taxa de inflação, ou seja, menos
desemprego pode ser alcançado obtendo-se mais inflação, e vice-versa.

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DEMANDA DE OFERTA E
EQUILÍBRIO DE
MERCADO

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34
Fundamentos da oferta e da demanda.

Uma das melhores maneiras de perceber a relevância da Ciência


Econômica é começar pelos fundamentos da oferta e da demanda.

Fundamentos de Microeconomia

Para fazer a análise do comportamento da demanda e da oferta precisam


partir de alguns pressupostos básicos que são estabelecidos pela
microeconomia.

Em primeiro lugar, para analisar um mercado específico, a microeconomia


parte da hipótese coeteris paribus. A condição Coeteris Paribus é uma
expressão em latim que significa tudo o mais constante. Condição coeteris
paríbus, que significa "tudo o mais permanecendo constante”. A análise
microeconômica assume que, ao analisar um mercado, não existe influência de
um setor em outro nem suas variáveis são consideradas. Analisa-se apenas a
influência da oferta e da procura, vista sob a ótica do preço. Todas as outras
influências (renda, gosto, variação cultural, tecnologia, etc.) são ignoradas.

Ao se adotar essa hipótese, pode-se estudar um mercado específico


selecionando apenas as variáveis cuja influência sobre consumidores e
produtores que se deseja analisar, independentemente da influência de outros
fatores ou de outros mercados. Por exemplo, saber o efeito isolado de uma
variação de preço sobre a procura de determinado bem, independentemente do
efeito de outras variáveis que afetam a procura, como a renda, gostos e
preferências.

Outra hipótese importante é aquela que supõe que os indivíduos atuam


como agentes econômicos e são guiados pelo princípio da racionalidade.
Segundo esses princípios, empresários estão sempre em
busca de maximizar lucros condicionados pelos custos de produção,

35
consumidores procuram maximizar sua utilidade, trabalhadores procuram
maximizar seu lazer e assim por diante.

Assim, os consumidores são aqueles que se dirigem ao mercado a fim


de obter um conjunto de bens e serviços com o objetivo de maximizar a sua
satisfação (utilidade). Utilidade representa o grau de satisfação ou bem-estar que
os consumidores atribuem a bens e serviços que podem adquirir no mercado. A
teoria do valor utilidade pressupõe que o valor de um bem se forma por sua
demanda, isto é, pela satisfação que o bem representa para o consumidor. A
firma corresponde à combinação organizada feita pelo empresário de fatores
de produção (capital, trabalho, recursos naturais e tecnologia) a fim de produzir
o máximo possível ao menor custo. Busca-se a maximização da produção e
a minimização de custos nas empresas. Uma empresa escolhe o que e
quanto produzir em função dos preços e das preferências dos consumidores, já
que o empresário produz um bem para vender no mercado.

A teoria microeconômica procura, portanto, explicar como se


determina os preços dos bens e serviços, e dos fatores de produção,
procurando responder questões como: porque e quando o preço
de uma mercadoria aumenta, a sua procura deverá cair, consideradas as demais
variáveis constantes? É a parte da economia que estuda o comportamento das
famílias e das empresas e os mercados nos quais operam.

A Teoria do Valor Utilidade pressupõe que um valor de um bem se forma


pela sua demanda, isto é, pela satisfação que um bem representa para o
consumidor.

Enquanto, a Teoria Valor Trabalho considera que um bem se forma do


lado da oferta, através dos custos do trabalho incorporado ao bem, os custos de
produção eram representados basicamente pelo fator mão-de-obra, em que a
terra era praticamente gratuita e o capital pouco significativo.

36
Pode-se dizer que a Teoria do Valor - Utilidade veio complementar a
Teoria Valor - Trabalho, pois não era mais possível predizer o comportamento dos
preços dos bens apenas com base nos custos da mão de sem considerar o lado
da demanda.

Ademais, a Teoria do Valor Utilidade permitiu distinguir o valor de uso do


valor de troca de um bem. O valor de uso é a utilidade que ele representa para o
consumidor. Valor de troca se forma pelo preço no mercado, pelo encontro da
oferta e da demanda do bem. A utilidade representa o grau de satisfação que os
consumidores atribuem aos bens e serviços que podem ser adquiridos no
mercado, ou seja, é a qualidade que os bens econômicos possuem de satisfazer
as necessidades humanas.

Demanda (Procura)

É a quantidade de determinado bem ou serviço que os consumidores


desejam adquirir, num dado período, dada sua renda, seus gostos e o preço de
mercado. Costuma-se definir a procura, ou demanda individual, como a
quantidade de um determinado bem ou serviço que o consumidor estaria disposto
a consumir em determinado período de tempo. É importante notar, nesse ponto,
que a demanda é um desejo de consumir, e não sua realização. Demanda é o
desejo de comprar.

A demanda depende de variáveis que influenciam a escolha do


consumidor, sendo riqueza, renda, preço de outros bens, expectativa sobre o
futuro, fatores climáticos e sazonais, propaganda, hábitos, gostos e preferências e
facilidade de crédito. Para estudar a influência isolada dessas variáveis utiliza-se
a hipótese coeteris paribus.

Então, a função geral da demanda por se dada por:

37
Em que:
= quantidade demandada do bem i;
= preço do bem i;
= preço do bem substituto;
= preço do bem complementar;
R= renda; e
G= Gostos

Relação entre a quantidade demandada e o preço do próprio bem

A relação entre a quantidade demandada e o preço do bem é chamada lei


de demanda e diz que quando o preço sobe, a quantidade demandada diminui
assumindo que outras variáveis não se alteram. Quando essas outras variáveis
permanecem constantes, dizemos que a quantidade demandada e o preço têm
uma relação negativa (ou inversa). Se o preço sobe, a quantidade demandada
cai, e quando o preço cai a quantidade demandada sobe. Ou seja, quanto maior o
preço de um bem, menor será sua quantidade demandada, coeteris paribus.

Embora, sejam perfeitamente aceitáveis ao bom senso comum que a


quantidade procurada do bem x varie inversamente ao seu preço, os economistas
justificam tal comportamento da demanda em função de dois efeitos:

 Efeito-renda – quando o preço do bem x aumenta, o consumidor fica, em


termos reais, mais pobres e, portanto, irá reduzir o consumo do bem; o
inverso ocorrerá se o preço do bem x diminuir.
 Efeito-substituição – se o preço do bem x aumenta e o de outros bens
fica constante, o consumidor procurará substituir o seu consumo por outro
bem similar; se o preço diminuir, o consumidor aumentará o consumo do
bem x às expensas da diminuição do consumo dos bens sucedâneos.

38
Exemplo:
Preço (R$) Quantidade demandada
1,00 50
2,00 30
3,00 20
4,00 15
5,00 5

Observa-se que quanto maior o preço, menor é a quantidade demandada


do bem.

Graficamente:
P

D
Q

Há exceções à lei da procura: os chamados bens de Giffen e bens de


Veblen.

Os bens de Giffen são bens de pequenos valores, porém de grande


importância no orçamento dos consumidores de baixa renda, ou seja, são aqueles
cuja quantidade demandada aumenta quando os preços aumentam. Exemplo:
são raros os exemplos de bens de Giffen. O pão para os consumidores de baixa
renda pode ser considerado um bem de Giffen. Os bens de Veblen são bens de
consumo ostentatório, tais como obras de arte, jóia, tapeçarias e automóveis de
luxo. Tanto os bens de Giffen como os de Veblen têm curvas de demanda com
inclinação positiva, ou seja, ascendentes da esquerda para a direita.

39
Relação entre a quantidade demandada e o preço de outros bens e serviços

Bens complementares são bens consumidos conjuntamente (exemplo:


café é açúcar). Exemplo: um aumento no preço do café tenderia a reduzir não só
a sua quantidade demandada, mas também a do seu complementar, o açúcar.

Bens substitutos são bens consumidos concorrentemente (exemplo:


carne e frango). Exemplo: um aumento no preço da carne tenderia a reduzir a sua
quantidade demandada e aumentar a do seu substituto, o frango.

Robert Pindyck e Daniel Rubinfeld dão outro exemplo no livro


Microeconomia: preço do ingresso de cinema e o aluguel de filmes. Se o ingresso
fica caro, algumas pessoas devem optar por fazer a locação, assistir a Netflix ou
até mesmo utilizar a internet. É claro que os conceitos de bens substitutos e
complementares variam de uma pessoa para outra. Para alguns, o telão e a
pipoca do cinema não podem ser substituídos de forma alguma pela TV e o sofá
de casa.

Relação entre a quantidade demandada e a renda do consumidor

Em economia, costuma-se classificar os bens de acordo com o seu


comportamento frente à variação de preços e renda.

Sob a ótica da renda, os bens são classificados em normais e inferiores.


Diz-se que um bem é normal quando o aumento na renda (Y) dos consumidores
aumenta a demanda por esse bem, ou seja, se houver um aumento na renda x,
será um bem normal se para o mesmo nível de preço (p) os consumidores
estiverem dispostos a adquirir maiores quantidades do bem x. Exemplo: o
crescimento da renda dos trabalhadores provoca aumento da demanda por
perfumes.

Por outro lado um bem é considerado inferior quando, havendo um


aumento na renda, para um mesmo nível de preço (p), os consumidores desejam

40
consumir quantidades menores desse bem. É o que acontece, por exemplo, com
a demanda por carne de segunda, o consumidor ao ter sua renda aumentada,
substitui a carne de segunda pela carne de primeira, que embora mais cara,
torna-se acessível com o aumento da renda. O inverso ocorre quando a renda do
consumidor diminui.

Assim, no caso de um bem normal, uma variação positiva na renda (∆Y >
0) do consumidor acarretará um deslocamento para direita na curva de demanda
e um deslocamento para esquerda da curva no caso de um bem inferior. Já uma
variação negativa na renda (∆Y < 0) do consumidor causará um deslocamento
para esquerda da curva de demanda no caso do bem normal e um deslocamento
para direita no caso do bem inferior.

Excedente do consumidor

Corresponde a diferença entre o montante que o consumidor estaria


disposto a pagar por determinada quantidade de um bem e o montante que
efetivamente paga. Esta situação ocorre porque o consumidor consome até ao
momento em que a sua utilidade marginal iguala o preço de mercado.

P
Pd

Pm
D
Q

41
Oferta

Quantidades que os produtores ou vendedores desejam oferecer ao


mercado em determinado período de tempo. Depende de vários fatores, tais
como preço, do preço (custo) dos fatores de produção e das metas ou objetivos
dos empresários.

A função oferta mostra uma correlação direta entre quantidade ofertada e


níveis de preços, coeteris paribus. É a chamada Lei Geral da Oferta.

Exemplo:

Preço ($ ) Quantidade Ofertada

1,00 1.000
3,00 5.000
6,00 9.000
8,00 11.000
10,00 13.000

Graficamente:

P O

Variáveis que afetam a Oferta (S)

Além do preço do bem, a oferta de um bem ou serviço é afetada pelos


custos dos fatores de produção (matérias-primas, salários, preço da terra), por
alterações tecnológicas e pelo aumento do número de empresas no mercado.

42
Q = quantidade do bem x, por unidade de tempo, que os vendedores
desejam oferecer no mercado constitui a oferta do bem x. Similarmente à
demanda, a oferta também é influenciada por diversas variáveis, entre elas:

a) o preço do bem x (Px);


b) preço dos insumos utilizados na produção (Pi);
c) tecnologia (T);
d) preço de outros bens (Pz);
e) clima (A).

Matematicamente, pode-se expressar a oferta do bem x (Ox) pela


seguinte função: Ox = f (Px, Pi, T, Pz, A).

A relação entre a oferta e nível de conhecimento tecnológico é


diretamente proporcional, dado que melhorias tecnológicas promovem melhorias
da produtividade no uso dos fatores de produção e, portanto, aumento da oferta.
Da mesma forma, há uma relação direta entre a oferta de um bem ou serviço e o
número de empresas ofertantes do produto no setor.

Excedente do Produtor

Do mesmo modo que existe excedente do consumidor também temos o


Excedente do produtor, que é o benefício obtido pelas firmas através da venda
em um determinado mercado onde os preços estão acima da curva de custo
marginal. Este surge porque os custos marginais estão abaixo do atual preço que
as firmas recebem pelos seus bens no mercado.

P S

Pm

Ps

Q
43
Equilíbrio de Mercado

A oferta e a demanda do bem x conjuntamente determinam o preço de


equilíbrio no mercado de concorrência perfeita. O preço de equilíbrio é definido
como o preço que iguala as quantidades demandadas pelos compradores e as
quantidades ofertadas pelos vendedores, de tal modo que ambos os grupos
fiquem satisfeitos.

O método básico da análise econômica pode ser resumido na proposição


originalmente feita por Alfred Marshall em 1860 “a teoria geral do equilíbrio entre
oferta e demanda é uma Ideia Fundamental”. Há então dois grupos de agentes,
os consumidores e os produtores, que se relacionam mutuamente de forma tal
que, dentro de certas condições ambientais concretas, espera-se que um certo
preço faça com que a quantidade demandada seja igual à quantidade produzida.
O sistema terá, pois que conter ao menos três variáveis básicas: a quantidade
comprada, a quantidade produzida e o preço. Para que este sistema funcione é
necessário que a competição entre os produtores e entre os compradores seja
“livre”, o que corresponde a uma certa composição indefinida entre concorrência
acirrada e cooperação amigável das empresas entre si e dos consumidores entre
eles.

A seguir tem o gráfico de equilíbrio de mercado, encontra-se em equilíbrio


quando há equivalência entre oferta e a demanda desse bem, ou seja, quando as
quantidades oferecidas são iguais as quantidades procuradas. O preço para o
qual as quantidades oferecidas serão iguais as quantidades procuradas chama-se
preço de equilíbrio (Pe) e a quantidade de equilíbrio é aquela que iguala procura e
oferta (Qe).

Para Dallagnol (2008), são as forças e os mecanismos de mercado,


através das leis da oferta e da procura, que conduzem a fixação de um preço de
equilíbrio, capaz de harmonizar o permanente conflito de interesses entre os
produtores e os consumidores.

44
O preço de equilíbrio que ajusta os interesses dos que realiza a oferta e
dos que exercem a procura é o resultado de um prolongamento do jogo de
ensaios e de erros. Partindo da hipótese de que o mercado está submetido a uma
situação de concorrência perfeita, o preço de equilíbrio será determinado pela
livre manifestação das forças da oferta e da procura. Se a oferta se torna maior
que a demanda, as empresas baixam os preços como forma de reduzir seus
estoques. A quantidade ofertada cai, assim como o preço. Por outro lado, se a
demanda se torna maior que a oferta as empresas aumentam os preços dos
produtos e a quantidade ofertada, fazendo com que a demanda caia.

Nesses dois fatos, o mercado se estabiliza em um novo patamar de


quantidade e preço. O equilíbrio é restabelecido. Esse processo é governado por
aquilo que Adam Smith chama "a mão invisível", de modo a assegurar a harmonia
entre os interesses de produtores e consumidores.

P
S

Pe

Qe Q

Graficamente, o equilíbrio ocorre na intersecção das curvas da Procura e


da Oferta. Para qualquer preço inferior, haverá excesso de procura e o preço
tenderá a aumentar; para qualquer preço acima do equilíbrio, haverá um excesso
de oferta e o preço tenderá a baixar. O Preço de Equilíbrio é aquele onde as
quantidades procuradas e oferecidas se igualam.

45
46
ELASTICIDADE

47
48
Ferramenta da Economia

Nesta unidade de estudo iremos estudar uma ferramenta da Economia,


pois na unidade de estudo 3 vimos que, pela Lei da Demanda, quanto maior o
preço, menor a quantidade demanda, pela Lei da Oferta, quanto maior o preço,
maior a quantidade ofertada, ou seja, estudamos somente a direção das
variáveis. Elasticidade é um conceito importante dentro da microeconomia,
referindo-se ao tamanho do impacto que a alteração em uma variável exerce
sobre outra variável, como por exemplo, o preço aumentou 10% e a demanda
reduz 5%, ou seja, é o tamanho do impacto que a alteração em uma variável (ex.:
preço) exerce sobre outra variável (ex.: demanda). Elasticidade é sinônimo de
sensibilidade, logo é uma reação de uma variável, em decorrência de mudanças
em outras variáveis.

Têm-se quatro tipos de Elasticidade: elasticidade preço da demanda,


elasticidade renda da demanda, elasticidade preço cruzada da demanda e
elasticidade preço da oferta.

Elasticidade Preço da Demanda

A elasticidade preço da demanda, como o próprio nome mostra, dada


uma variação no preço, qual será o impacto na demanda. Podem ser
classificadas em: procura elástica, procura de elasticidade unitária e procura
inelástica.

Comportamento da Elasticidade-Preço da Demanda:

 Demanda Inelástica acontece quando uma variação no preço


provoca uma variação relativamente menor na quantidade
demandada.

49
 Demanda de Elasticidade Unitária acontece quando uma variação
no preço provoca uma variação proporcional na quantidade
demandada
 Demanda elástica acontece quando a variação da quantidade
demandada supera a variação no preço.

No entanto, o grau de sensibilidade não é igual para todos os bens e


serviços disponíveis no mercado. Para certos produtos, uma pequena variação
nos preços pode provocar uma alteração acentuada nas quantidades procuradas.
Para outros, pode ocorrer exatamente o inverso; mesmo uma alteração muito
acentuada nos preços não é capaz de provocar grandes modificações nas
quantidades procuradas. E há casos em que as variações de preços e
quantidades são rigorosamente proporcionais. (DALLAGNOL, 2008).

Elasticidade Renda da Demanda

Mede a variação percentual na quantidade demandada de um bem dado


uma variação percentual na renda do consumidor. Podem ser classificadas em
bens normais, bens inferiores e bens superiores.

 Bens normais: São bens cuja demanda aumenta com o aumento da renda
do consumidor e vice-versa.

 Bens inferiores: São bens cujo aumento da renda do consumidor gera


redução na quantidade demandada. Se for negativo o bem é considerado
inferior, ou seja, aumentos de renda geram redução na quantidade
demandada, normalmente devido a substituição por outros bens.

Por exemplo, a carne de segunda, um aumento da renda gera uma


redução de demanda via substituição da carne de segunda por outra de melhor
qualidade. Neste caso, a elasticidade-renda é menor que zero.

50
 Bens superiores: são bens cuja demanda é altamente elástica a renda.
Aumentos de renda do consumidor geram aumentos mais que
proporcionais na demanda. Por exemplo, aumento de 10% na renda gera
aumento de 30% na demanda.

Elasticidade Preço Cruzada da Demanda

A elasticidade cruzada da demanda mede a variação percentual na


quantidade demandada de um bem dado, uma variação percentual no preço de
outro bem substituto. Por exemplo, de quanto seria o aumento na quantidade
demandada de margarina se houvesse um aumento no preço da manteiga?

Caso os bens fossem complementares, e não substitutos, é esperado que


a elasticidade cruzada da demanda entre eles seja negativa e não positiva como
no exemplo apresentado. Vejamos o caso do café e o açúcar. Pode parecer um
exemplo tolo, mas a título de ilustração parece ser bastante válido. É de se
esperar que um aumento das vendas de café solúvel gere um aumento no
consumo de açúcar (a menos que as pessoas optem por tomar café amargo, mas
excluiremos de nossa análise a preferência do consumidor). Então um aumento
no preço do café, gerará uma redução na demanda por café e consequentemente
uma redução na demanda por açúcar.

Elasticidade Preço da Oferta

Resposta da variação da quantidade ofertada à variação do preço de um


bem. Ou seja, a elasticidade – preço da oferta é a medida da sensibilidade da
quantidade ofertada em resposta a mudanças de preço do bem. Recebe o nome
de elasticidade-preço da oferta a alteração percentual na quantidade oferecida,
que ocorre em resposta a uma variação de 1% no preço de certo bem ou serviço.

51
Ela medirá o grau de sensibilidade da quantidade oferecida perante variações no
preço.

Classificação:

 Oferta unitária - a elasticidade-preço da oferta unitária (igual a 1)


quando a uma variação de 1% no preço, corresponde a uma
variação de 1% na quantidade oferecida.

 Oferta rígida - ocorre oferta rígida quando a uma variação de 1% no


preço corresponde uma variação inferior a 1% na quantidade
oferecida.

 Oferta elástica - verifica-se uma situação de oferta elástica quando


a uma variação de 1% no preço correspondente a uma variação
superior a 1% na quantidade oferecida.

Para melhor compreensão do significado das variações na elasticidade-


preço da oferta, bem como suas outras formas, é sempre importante notar que:

 Se EPO > 1, então a oferta é elástica (uma oferta é sensível a


variações de preços);
 Se EPO = 1 então a oferta é elástica unitária;
 Se EPO < 1, então a oferta é inelástica, ou rígida (uma oferta não
sensível a variações de preços).

52
ESTRUTURAS DE
MERCADO

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54
Bens de Serviço

Você aprenderá que os mercados de bens e serviços estão estruturados


de diversas formas diferentes que denominamos de Estruturas de mercado, ou
seja, são aspectos inerentes as organizações e as diferentes estruturas de
mercado estão condicionadas por três variáveis: número de firmas produtoras no
mercado; diferenciação do produto; existência de barreiras à entrada de novas
empresas.

No mercado de bens e serviços, as formas e mercado, segundo essas


três características, são as seguintes: concorrência perfeita, monopólio,
concorrência monopolística (ou imperfeita) e oligopólio.

No mercado de fatores de produção, são definidos as formas de mercado


em concorrência perfeita, concorrência imperfeita, monopólio e oligopólio
no fornecimento de insumos.

Concorrência Perfeita

A estrutura de mercado caracterizada por concorrência perfeita é uma


concepção ideal, porque os mercados altamente concorrenciais existentes, na
realidade, são apenas aproximações desse modelo, posto que, em condições
normais, sempre parece existir algum grau de imperfeição que distorce o seu
funcionamento, de acordo com Pinho e Vasconcellos (1998).

Esta é a situação de mercado em que o número de compradores e de


vendedores é tão grande que nenhum deles consegue influenciar o preço agindo
individualmente. Através de um exemplo podemos imaginar um produtor agrícola.
Quando ele colhe seu produto para ofertar no mercado não é ele quem define o
preço da mercadoria, pois o preço é definido no mercado. Então, mesmo que ele
queira vender a um preço mais alto não irá conseguir, pois haverá produtores
ofertando ao preço mais baixo, definido no mercado.

55
Os produtos agrícolas são ótimo exemplo de mercado de concorrência
perfeita por serem homogêneos, ou seja, independente do local da produção o
bem é praticamente igual. Há muitos produtores agrícolas e muitos compradores,
uma vez que os produtos agrícolas são parte do item alimentação, essencial para
os indivíduos.

Características: Muitos compradores e muitos vendedores e nenhum


deles possui condições de influenciar o mercado; o bem ou serviço são
homogêneos; livre mobilidade; não existem barreiras para entrada ou saída dos
agentes que atuam; transparência de mercado. Por exemplo, diferentes marcas
de cigarros, perfumes, sabonetes, refrigerantes etc. Trata-se, assim, de uma
estrutura mais próxima da realidade que a concorrência perfeita, onde se supõe
um produto homogêneo, produzido por todas as empresas.

Monopólio

Uma estrutura de mercado monopolista apresenta três características


principais: uma única empresa produtora do bem ou serviço, não há produtos
substitutos próximos, existem barreiras à entrada de firmas concorrentes.

As barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado podem


ocorrer de três formas: monopólio puro ou natural (devido a alta escola de
produção requerida, exige um levado montante de investimentos), proteção de
patentes (direito único de produzir o bem); controle sobre o fornecimento de
matérias-primas chaves e tradição no mercado.

Uma hipótese implícita no comportamento do monopolista é que ele não


acredita que os lucros elevados que obtém em curto prazo possam atrair
concorrentes, ou que os preços elevados possam afugentar os consumidores, ou
seja, acredita que, mesmo em longo prazo, permanecerá como monopolista.

Uma categoria diferenciada de monopólio é o estatal ou institucional,


protegido pela legislação, normalmente em setores estratégicos ou de

56
infraestrutura. Como em uma concorrência perfeita, o ponto de equilíbrio do
monopolista, ou seja, no qual ele maximiza o lucro, também ocorre quando a
receita marginal e o custo marginal são iguais.

A firma monopolista não tem curva de oferta, pois não tem uma curva que
mostre uma relação estável dente determinados preços de venda
correspondentes a determinadas quantidades produzidas, pois podemos ter
vários preços para apenas uma quantidade vendida. Na realidade, a oferta é um
ponto único sobre a curva de demanda.

A existência de barreiras a entrada de novas firmas permitirá a


persistência de lucros extraordinários também em longo prazo, sendo suposto
que o monopólio não será afetado em longo prazo.

Concorrência Imperfeita

A concorrência imperfeita é uma estrutura de mercado com as seguintes


características principais: muitas empresas, produzindo um dado bem ou serviço;
cada empresa produz um produto diferenciado, mas com substitutos próximos;
cada empresa tem certo poder sobre os preços, dado que os produtos são
diferenciados, e o consumidor tem opções de acordo com sua preferência. A
diferenciação dos produtos dá-se via: características físicas, embalagens,
promoção de vendas, manutenção, atendimento pós-venda, etc.

Como não existem barreiras para a entrada de firmas, em longo prazo há


tendência apenas para lucros normais, como em concorrências perfeitas, ou seja,
os lucros extraordinários em curto prazo atraem novas firmas para o mercado,
aumentando a oferta do produto, até chegar-se a um ponto em que persistirão os
lucros normais, quando então cessa a entrada de concorrentes.

Para Pinho e Vasconcellos (1998), embora apresente, como a


concorrência perfeita, uma estrutura de mercado em que existe um número
elevado de empresas, a concorrência monopolista (também chamada

57
concorrência imperfeita) caracteriza-se pelo fato de que as empresas produzem
produtos diferenciados, embora substitutos próximos.

Oligopólio

O oligopólio é um tipo de estrutura de mercado que pode ser definido de


duas formas: oligopólio concentrado (pequeno número de empresas no setor) e
oligopólio competitivo (pequeno número de empresas domina um setor com
muitas empresas).

Devido a existência de empresas dominantes, elas têm o poder de fixar


preços de venda em seus termos, defrontando-se normalmente com demandas
relativamente inelásticas, em que os consumidores têm baixo poder de reação a
alteração de preços.

Ocorre basicamente devido a existência de barreiras a entrada de novas


empresas no setor, como a proteção de patentes, controle de matérias-primas
chaves, tradição, oligopólio puro ou natural.

Diferentemente da estrutura concorrencial, e de forma semelhante ao


monopólio, em longo prazo os lucros extraordinários permanecem, pois as
barreiras a entrada de novas firmas persistirão, principalmente no oligopólio
natural, em que a alta escala de operações propicia uma produção a custos
relativamente baixos, dificultando a entrada de firmas concorrentes.

No oligopólio, podemos encontrar duas formas de atuação das empresas:


concorrem entre si, via guerra de preços ou de promoções; formam cartéis. Cartel
é uma organização formal ou informal de produtores dentro de um setor, que
determina a política de todas as empresas do cartel, fixando preços e a repartição
(cota) do mercado entre empresas.

As cotas podem ser:

58
 Perfeitas (cartel perfeito): todas as empresas têm a mesma
participação. A administração do cartel fixa um preço comum e
divide igualmente o mercado, agindo como um bloco monopolista. É
a chamada “solução de monopólio”.

 Imperfeitas (cartel imperfeito): existem empresas líderes que fixam


os preços, ficando com a maior cota. As demais empresas
concordam em seguir os preços do líder.

O oligopólio tem como modelo econômico o modelo clássico, que tem o


objetivo de maximização dos lucros, devendo ter um conhecimento adequado de
suas receitas e de seus custos. O preço é determinado apenas pela oferta,
enquanto que na teoria marginalista, o preço é determinado pela intersecção
entre demanda e oferta de mercado.

Por exemplo, nos Estados Unidos há uma menor concentração das


empresas, o que permite maior concorrência e menores preços dos bens e
serviços. Portanto, neste país a característica mais evidente das empresas em
sua estrutura são os oligopólios.

Cartel, truste e holding

Os trustes correspondem a fusão ou união entre duas empresas de um


mesmo ramo ou de áreas diferentes da economia, constituindo uma única
companhia ou um grupo de associados de maior porte. Essa forma de monopólio
é muito utilizada por grandes empresas que se vêm ameaçadas pelo crescimento
de pequenas concorrentes em fase do rápido crescimento, mas também pode
envolver empresas de porte maior.

Além de buscar a diminuição da concorrência, os trustes podem ser


realizados quando uma empresa decide expandir o seu mercado para outros
ramos da economia. Exemplo: uma companhia do ramo de bebidas adquire ou se

59
funde com outra empresa do ramo alimentício para aumentar a sua área de
atuação.

Apesar de não ser considerada uma atividade ilegal, existem várias leis e
estatutos elaborados para conter a expansão dos trustes e evitar um total
descontrole do mercado global. Em 1890, nos Estados Unidos, foi sancionada a
Lei Sherman Antitruste – uma lei para limitar os trustes e garantir a livre
concorrência –, e ainda hoje pode haver restrições – nem sempre concretizadas –
para a fusão entre duas grandes empresas que controlem parte do mercado
consumidor.

Os cartéis, por sua vez, são uniões secretas ou não oficialmente


divulgadas entre empresas concorrentes, para ajustar o preço de suas
mercadorias de modo a manter o interesse e evitar a perda de lucros em razão da
disputa de mercado. Trata-se de uma prática considerada ilegal no contexto
legislativo de praticamente todos os países existentes, embora seja amplamente
praticada. Existe até mesmo, um cartel envolvendo países no ramo petrolífero, a
OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Eventualmente, os
seus membros reúnem-se e estabelecem os ajustes no preço desse recurso com
base nas oscilações do sistema financeiro.

Existem também muitos trustes ou empresas pertencentes a um mesmo


grupo de investidores que realizam cartéis no preço de suas mercadorias, o que
nem sempre é devidamente diagnosticado pelas entidades públicas de controle e
fiscalização. Essa configuração é considerada um problema, pois eleva o preço
dos produtos e diminui o poder de compra do consumidor, o que reduz a
movimentação da economia e a geração de riquezas.

As holdings são, nesse contexto, o conjunto de diferentes companhias


dominadas por uma organização central, responsável por administrar a maior
parte ou todas as suas respectivas ações. Em muitos casos, as holdings formam
conglomerados compostos por inúmeras empresas dos mais diversos segmentos
e até concorrentes entre si.

60
Na fase atual do capitalismo e da globalização, um dos aspectos mais
marcantes é a expansão das holdings pelo mundo. Recentemente, uma pesquisa
efetuada nos Estados Unidos e divulgada pelo site Mic evidenciou o controle
exercido por dez grandes conglomerados internacionais que controlam quase
tudo o que consumimos. O maior produto dessa pesquisa realizada foi a
divulgação de um gráfico em forma de imagem, chamado de “Illusion of Choice”
(Ilusão de Escolha), que pode ser acessado clicando aqui.
(http://www.visualcapitalist.com/illusion-of-choice-consumer-brands/)

Embora alguns produtos existentes no gráfico não façam parte


diretamente da nossa realidade, uma vez que a imagem se encontra nos
parâmetros dos Estados Unidos, e não do Brasil, podemos, ainda sim, reconhecer
várias das marcas que fazem parte do nosso dia a dia e como muitas delas
pertencem a uma mesma holding. Além dessas, existem outras holdings de
menor porte que atuam no Brasil ou em mercados mais regionais e que exercem
um poder de mercado relativamente forte, tais como a Ambev, a Positivo, a Itaú
SA e outras.

Estrutura do Mercado de fatores de produção

O mercado de fatores de produção – mão-deobra, capital, terra e


tecnologia – também apresenta diferentes estruturas. As estruturas no mercado
de fatores de produção são resumidas a seguir:

a) Concorrência Perfeita no mercado de fatores

É um mercado onde existe oferta abundante do fator de produção (por


exemplo), (Mão-de-obra não especializada), o que torna o preço desse fator
constante. Os ofertantes ou fornecedores, como são em grande número, não têm
condições de obter preços mais elevados por seus serviços.

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b) Monopsônio

Esta estrutura de mercado é caracterizada pela existência de muitos


vendedores e um único comprador (PINHO; VASCONCELLOS, 1998). É uma
estrutura que pode prevalecer especialmente no mercado de trabalho. Portanto,
ou os trabalhadores empregam-se no monopsônio, ou precisam trabalhar em
outra localidade.

c) Oligopsônio

É um mercado onde existem poucos compradores que dominam o


mercado para muitos vendedores. Exemplo: indústria de laticínios. Em cada
cidade existem dois ou três laticínios que adquirem a maior parte do leite dos
inúmeros produtores rurais locais. A indústria automobilística, além de oligopolista
no mercado de bens e serviços, também é oligopsonista na compra de autopeças.

d) Monopólio bilateral

O monopólio bilateral ocorre quando um monopsonista, na compra de um


fator de produção, defronta-se com um monopolista na venda deste fator. Por
exemplo, só a empresa. A compra um tipo de aço que é produzido apenas pela
siderúrgica B. A empresa A é monopsonista, porque só ela compra esse tipo de
aço, e a siderúrgica B é monopolista, porque só ela vende este tipo de aço.

62
MACROECONOMIA

63
64
O que estuda a macroeconomia

A macroeconomia estuda a economia em geral analisando a


determinação e o comportamento dos grandes agregados como renda e produtos,
níveis de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda, taxa de juros,
balança de pagamentos e taxa de câmbio.

O economista britânico John Maynard Keynes é considerado o primeiro


grande autor sobre a macroeconomia, destacando-se pelo livro “Teoria Geral do
Emprego, do Juro e da Moeda”, publicado em 1936.

Os economistas dos séculos XVIII e XIX acreditavam que o nível de


produtos não sofreria grandes alterações, e todos os fatores de produção
estariam ocupados na produção de bens e serviços que formam a renda. Isto
formaria o chamado estado de "pleno emprego" dos fatores de produção. Assim,
acreditavam que toda renda distribuída no ato da produção se dirigiria ao
mercado para adquirir bens e serviços. Apoiando-se na Lei de Say: "toda oferta
cria sua própria demanda".

Keynes desenvolve sua teoria baseada no pressuposto de que é


necessária a intervenção do estado na economia, pois o mercado, devido a
vazamentos como a formação de estoques e redução de produção, não seria
capaz de coordená-la.

Sua primeira suposição foi a existência de desemprego. Os antigos


economistas acreditavam apenas no desemprego voluntário. Keynes, ao
contrário, acreditava que a economia estaria funcionando abaixo de seu potencial,
deixando assim uma capacidade ociosa. Assim, considera a Oferta Agregada
(OA) como o somatório da renda disponível na economia, enquanto chama de
Oferta Potencial a máxima produção da economia com pleno-emprego dos
fatores de produção. A Oferta Agregada Efetiva é aquela efetivamente colocada
no mercado, o que pode ocorrer sem a plena utilização dos fatores de produção.

65
A Demanda Agregada seria o somatório do consumo total da economia
com os investimentos, os gastos governamentais e as exportações, subtraindo-se
as importações. O que se vê é que o produto ou renda de equilíbrio (onde a oferta
agregada é igual a demanda agregada) não é o mesmo que o produto ou renda
de pleno emprego.

Metas de política macroeconômica

1. Alto nível de emprego;


2. Estabilidade de preços;
3. Distribuição de renda socialmente justa;
4. Crescimento econômico.

São os seguintes comentários sobre as metas de política


macroeconômica:

 Pleno emprego de recursos:

Pode-se dizer que a questão do desemprego, que eclodiu principalmente


a partir dos anos 30, é que permitiu um aprofundamento da análise da política
econômica com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de emprego
potencial. Para se ter uma ideia, o produto nacional dos Estados Unidos caiu,
entre 1929 e 1933, 30% e a taxa de desemprego chegou a 25% da força de
trabalho em 1933. Destacou-se então o trabalho do economista inglês John
Maynard Keynes, cujo livro A teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda
(1936) representa um marco na história econômica e foi, principalmente, a partir
de sua colaboração que a teoria e política macroeconômica começaram a evoluir.

 Estabilidade de preços:

Define-se inflação como um aumento contínuo e generalizado no nível


geral de preços. Por que a inflação é um problema? Porque a inflação acarreta

66
distorções principalmente sobre a distribuição de renda, expectativas
empresariais, mercado de capitais e sobre o Balanço de Pagamentos.

Costuma-se aceitar que um pouco de inflação é inerente aos ajustes de


uma sociedade dinâmica, em crescimento. Efetivamente, a experiência histórica
mostra que existem algumas condições inflacionárias inerentes ao próprio
processo de crescimento econômico. Isso porque a tentativa de os países
subdesenvolvidos alcançarem, de forma rápida, estágios mais avançados de
desenvolvimento econômico dificilmente se faz sem que, também, ocorram
tensões de custos que provocam aumentos no nível geral de preços.

Mesmos em países desenvolvidos, mostra-se que, quanto maior o nível


de atividade econômica, mais os recursos produtivos tendem a ficar no limite de
sua utilização, o que gera normalmente tensões inflacionárias. Daí a necessidade
de políticas econômicas que tenham por objetivo a estabilidade do
comportamento do nível de preços.

 Distribuição de renda socialmente justa:

A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior


parte da década de 70. Apesar disso, observou-se um aumento da disparidade de
renda entre as classes sociais. No Brasil, os críticos do chamado “milagre
econômico” argumentam que piorou a concentração de renda no país nos anos
67/73 devido a uma política deliberada do Governo (a chamada “Teoria do
Bolo”): primeiro crescer, para depois pensar em repartição da renda.

A posição oficial era a de que certo grau de aumento de concentração de


renda seria inerente ao próprio desenvolvimento capitalista, que traz
transformações estruturais (êxodo rural, com trabalhadores de pequena
qualificação, aumento da proporção de jovens etc.). O economista Carlos Geraldo
Langoni, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, naquela época, defendia
a tese de que, no desenvolvimento capitalista gera-se uma demanda por mão-de-
obra qualificada, a qual, por ser escassa, obtém ganhos extras. Assim, o fator

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educacional seria a principal causa da piora distributiva. Mário Henrique
Simonsen argumentava que havia “desigualdade com mobilidade”, isto é, o
indivíduo permanece pouco tempo na mesma faixa salarial e tinha facilidade de
ascensão. Isso seria um fator importante para a convivência com a má
distribuição de renda.

É curioso observar que, naquele período, ocorreu maior concentração de


renda, mas a renda média de todas as classes aumentou. O problema é que
embora os pobres tenham se tornado menos pobres, os ricos ficaram
relativamente mais ricos. Houve um aumento geral do padrão de vida, com todos
melhorando, mas os “ricos” ficaram com a maior parte desta riqueza.

 Crescimento econômico.

Quando ocorre o desemprego e a capacidade ociosa, pode-se aumentar


o produto nacional por meio de políticas econômicas que estimulem a atividade
produtiva. No entanto, feito isso, há um limite a quantidade que se pode produzir
com os recursos disponíveis. Aumentar o produto além desse limite exigirá: ou
aumento nos recursos disponíveis; ou avanço tecnológico (ou seja, tecnologia
mais avançada, novas maneiras de organizar a produção).

Quando falamos em crescimento econômico, estamos pensando no


crescimento da renda nacional per capita, isto é, de que seja colocada a
disposição da coletividade uma quantidade de mercadorias e serviços que supere
o crescimento populacional. A renda per capita é considerada o melhor indicador,
o mais operacional, para se aferir a melhoria do bem-estar, do padrão de vida da
população, embora possa apresentar falhas (os países árabes, por exemplo,
estão entre os países com maiores rendas per capita, mas não apresentam o
melhor padrão de vida do mundo).

O fato de o país estar aumentando sua renda real per capita não
necessariamente significa que está tendo uma melhoria do seu padrão de vida. O
conceito de crescimento econômico capta apenas o crescimento da renda per

68
capita. Um país está realmente melhorando seu nível de desenvolvimento
econômico e social se, juntamente com o aumento da renda per capita, estiver
também melhorando os indicadores sociais (pobreza, desemprego, meio
ambiente, moradia etc.).

Estrutura de análise macroeconômica

A estrutura básica do modelo macroeconômico compõe-se de cinco


mercados:

1) No Mercado de Bens e Serviços, para tentar responder como se


comporta o nível de atividades, efetua-se uma agregação de todos os bens
produzidos pela economia durante um certo período de tempo e define-se o
chamado Produto Nacional.

A demanda agregada depende fundamentalmente da evolução da


demanda dos quatro grandes setores ou agentes macroeconômicos:
consumidores, empresas, governo e setor externo.

2) O Mercado de Trabalho também representa uma agregação de todos


os tipos de trabalhos existentes na economia. Neste mercado, determinamos
como estabelece a taxa salarial e o nível de emprego.

3) O Mercado Monetário, consiste em que todas as transações da


economia são efetuadas através da utilização de moeda. Neste mercado
supomos a existência de uma demanda de moeda ( em função da necessidade
de transações dos agentes econômicos, ou seja, da necessidade de liquidez ) e
uma oferta de moeda, determinada pelo Banco Central e atuação dos bancos
comerciais. A demanda e a oferta de moeda determinam a taxa de juros.

4) O Mercado de Títulos, consiste de agentes econômicos


superavitários e agentes deficitários. Agentes superavitários são aqueles que

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possuem um nível de gastos inferior a seu volume de renda, assim podem efetuar
empréstimos para os agentes econômicos deficitários.

5) O Mercado de Divisas, como o mercado mantém transações com o


resto do mundo, existem mercados de divisas ou de moeda estrangeira. A oferta
de divisas depende das exportações e da entrada de capitais financeiros,
enquanto a demanda de divisas é determinada pelo volume de importações e
saída de capital financeiro.

PIB

PIB é a sigla para Produto Interno Bruto, e representa a soma, em valores


monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada
região, durante um determinado período. O PIB é um dos indicadores mais
utilizados na macroeconomia, e tem o objetivo principal de mensurar a atividade
econômica de uma região. Na contagem do PIB, consideram-se apenas bens e
serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo intermediário.

Para analisar o comportamento do PIB de um país é preciso diferenciar o


PIB nominal do PIB real. PIB nominal calcula a preços correntes, ou seja, no ano
em que o produto foi produzido e comercializado, e PIB real é calculado a preços
constantes, onde é escolhido um ano-base para eliminar o efeito da inflação, e o
PIB real é o mais indicado para análises.

O PIB pode ser calculado a partir de três óticas: a ótica da despesa, a


ótica da oferta e a ótica do rendimento. Na ótica da despesa, o valor do PIB é
calculado a partir das despesas efetuadas pelos diversos agentes econômicos em
bens e serviços para utilização final, e corresponderá a despesa interna, que
inclui a despesa das famílias e do Estado em bens de consumo e a despesa das
empresas em investimentos. Na ótica da oferta, o valor do PIB é calculado a partir
do valor gerado em cada uma das empresas que operam na economia. Já na
ótica do rendimento, o valor do PIB é calculado a partir dos rendimentos de

70
fatores produtivos distribuídos pelas empresas, ou seja, a soma dos rendimentos
do fator trabalho com os rendimentos de outros fatores produtivos.

Para saber mais:


Entenda o que é PIB:
Veja: http://g1.globo.com/economia/pib-o-que-e/platb/

ECONOMIA

Para FMI, recuperação no Brasil pode ser lenta


"O Brasil está saindo de uma das recessões mais longas, mas ainda
encara uma situação desafiadora", ressaltou Gerry Rice, porta-voz do FMI
Economia brasileira: o FMI previu um crescimento de 0,2% no Brasil em 2017, após as agudas
contrações de 3,8% em 2015 e 3,5% em 2016 (Getty Images)

Washington – O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quinta-feira que


a situação econômica no Brasil continua sendo “desafiadora” e advertiu que há
fatores que apontam para “um atraso” da recuperação esperada para 2017.
“O Brasil está saindo de uma das recessões mais longas, mas ainda encara uma
situação desafiadora”, ressaltou Gerry Rice, porta-voz do FMI, em sua entrevista
coletiva quinzenal.

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Acesse o link para ler na íntegra.
Link: http://exame.abril.com.br/economia/para-fmi-recuperacao-no-brasil-pode-ser-
lenta/

PIB Per Capita

PIB per capita é o produto interno bruto, dividido pela quantidade de


habitantes de um país. O PIB é a soma de todos os bens de um país, e quanto
maior o PIB, mais demonstra o quanto esse país é desenvolvido, e podem ser
classificados entre países pobres, ricos ou em desenvolvimento.

71
O PIB per capita é um indicador muito utilizado na macroeconomia, e tem
como objetivo a economia de um país, estado, ou região. Para o cálculo do PIB, é
considerado apenas bens e serviços finais. Ele é usado como indicador, pois
quanto mais rico o país mais seus cidadãos se beneficiam. O PIB possui apenas
uma consideração, é possível que o PIB aumente enquanto os cidadãos ficam
mais pobres, e isso ocorre, pois o PIB não considera o nível de desigualdade de
renda das sociedades.

IDH

IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é um índice que serve de


comparação entre os países, com objetivo de medir o grau de desenvolvimento
econômico e a qualidade de vida oferecida à população. O relatório anual de IDH
é elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD),
órgão da ONU. Esse índice é calculado com base em dados econômicos e
sociais. O IDH vai de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento
humano total). Quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o país. Este índice
também é usado para apurar o desenvolvimento de cidades, estados e regiões.

No cálculo do IDH são computados os seguintes fatores: educação (anos


médios de estudos), longevidade (expectativa de vida da população) e Produto
Interno Bruto per capita.

Inflação

No contexto da Economia, inflação é um conceito que designa o aumento


continuado e generalizado dos preços dos bens e serviço. No sentido literal, o
termo inflação significa o efeito de inflar ou inchar. A noção de inflação da
economia surgiu em 1838, resulta na diminuição do poder de aquisição de uma
moeda.

72
De acordo com Pinho e Vasconcellos (1998), o processo inflacionário,
especialmente aquele caracterizado por elevadas taxas e particularmente, por
taxas que oscilam, tem sua previsibilidade dificultada por parte dos agentes
econômicos, e promove profundas distorções na estrutura produtiva, inclusive
provocando um equilíbrio abaixo do nível de pleno emprego.

Efeito sobre a distribuição de renda Pinho e Vasconcellos (1998) afirmam


que talvez a distorção mais séria provocada pela inflação diz respeito à redução
relativa do poder aquisitivo das classes que dependem de rendimentos fixos, que
possuem prazos legais de reajuste. Neste caso, estão os assalariados que, corri o
passar do tempo, vão ficando com seus orçamentos cada vez mais reduzidos, até
a chegada de um novo reajuste. Os proprietários que auferem renda de aluguel
também têm uma perda de rendimento real, ao longo do processo inflacionário,
mas estes são compensados pela valorização de seus imóveis, que costuma
caminhar a das taxas de inflação. Nessa categoria também estão os capitalistas,
que têm mais condições de repassar os aumentos de custos provocados pela
inflação, procurando garantir a manutenção de seus lucros.

Efeito sobre o mercado de capitais tendo em vista o fato de que, num


processo inflacionário intenso, o valor da moeda deteriora-se rapidamente, ocorre
um desestímulo à aplicação de recursos no mercado de capitais financeiro. As
aplicações em poupança e títulos devem sofrer uma retração. Por outro lado, a
inflação estimula a aplicação de recursos em bens de raiz, como terras e imóveis,
que costumam valorizar-se. No Brasil, essa distorção foi bastante minimizada pela
instituição do mecanismo da correção monetária, pelo qual alguns papéis, como
os títulos públicos, bem como as cadernetas de poupança e títulos privados,
passaram a ser reajustados (ou indexados) por índices que refletem
aproximadamente o crescimento da inflação. Em épocas de aceleração da
inflação, isso tem contribuído para um verdadeiro desvio de recursos de
investimentos no setor produtivo, para aplicação no mercado financeiro.

73
Efeitos sobre o balanço de pagamentos e elevadas taxas de inflação, em
níveis superiores ao aumento de preços internacionais, encarecem o produto
nacional relativamente ao produzido externamente. Assim, devem provocar um
estímulo as importações e um desestímulo as exportações, diminuindo o saldo da
balanço comercial (exportações menos importações). Esse fato costuma,
inclusive, provocar um verdadeiro círculo vicioso, se o país estiver enfrentando
um déficit cambial. Nessas condições, as autoridades, na tentativa de minimizar o
déficit, são obrigadas a lançar mão de desvalorizações cambiais, as quais,
depreciando a moeda nacional, podem estimular a colocação de nossos produtos
no exterior, desestimulando as importações. Entretanto, as importações
essenciais, das quais muitos países não podem prescindir, como petróleo,
fertilizantes, equipamentos sem similar nacional, tornar-se-ão inevitavelmente
mais caras, pressionando os custos de produção dos setores que se utilizam mais
largamente de produtos importados. O círculo se fecha com uma nova elevação
de preços, provocada pelo repasse do aumento de custos aos preços dos
produtos.

Efeito sobre as expectativas o setor empresarial é bastante sensível a


esse tipo de situação, dada a relativa instabilidade e imprevisibilidade de seus
lucros. O empresário fica num compasso de espera, enquanto a conjuntura
inflacionária perdurar, dificilmente tomará iniciativas no sentido de aumentar seus
investimentos na expansão da capacidade produtiva. Assim, a própria capacidade
de produção futura e, consequentemente, o nível de emprego pode ser afetado
pelo processo inflacionário.

Efeito sobre os pagamentos de empréstimos e impostos nas etapas


iniciais do processo inflacionário, todos aqueles que contraíram dívidas líquidas
ganham com a inflação, justamente porque não incorporam nenhuma expectativa
inflacionária. Neste caso, o credor é quem perde, recebendo a quantia
emprestada reduzida pela inflação e, por isso mesmo, perdendo não só as taxas
normais, mas também a renda que obteria se tivesse aplicado seu dinheiro em
outras alternativas mais rentáveis de investimento. Quanto aos impostos, era uma
prática comum no Brasil o atraso do pagamento desses débitos, pois os juros da

74
mora eram irrisórios, e o atraso significava, em termos reais, uma diminuição do
valor do imposto. Após a Reforma Tributária de 1967, essa vantagem deixou de
existir, uma vez que são cobrados juros da mora, acrescidos de multas e de
correção monetária. Agora, embora alguns possam ganhar com a inflação em
curto prazo, pode-se dizer que, em longo prazo, poucos ou quase ninguém ganha
com ela, porque seu processo, funcionando como um rolo compressor,
desarticula todo o sistema econômico. Uma vez discutidas as distorções;
provocadas por elevadas taxas de inflação, cabe analisar mais detidamente os
fatores que a provocam.

Uma das causas da inflação é o aumento da emissão de papel-moeda


pelo Governo para cobrir os gastos do Estado. Quando isso acontece, há um
maior volume de dinheiro em circulação no mercado, mas não houve criação de
riqueza ou aumento de produção. Nestes casos, é exigida maior quantidade de
dinheiro para adquirir a mesma quantidade de produto, resultando em inflação.

Outras causas da inflação estão relacionadas com o aumento exagerado


do preço de um bem básico, como por exemplo, energia elétrica ou petróleo, ou
ainda, pelo aumento ou excesso de consumo, aumentando a procura do produto
e, consequentemente, o seu preço.

Tipos de inflação:

1) Inflação de demanda: caracterizada pelo excesso de demanda em um


determinado setor;
2) Inflação de custos: também conhecida como inflação de oferta, que
acontece por causa da oferta, por exemplo, quando há uma subida dos
custos de produção;
3) Inflação inercial: também é conhecida como inflação psicológica,
porque não é causada necessariamente por uma alteração na demanda
ou oferta. Muitas vezes acontece porque as pessoas acreditam que a
subida dos preços vai continuar;

75
4) Inflação estrutural: parecida com a inflação de custos, mas a subida
de preço acontece por uma falta de eficiência das infraestruturas
envolvidas no processo de produção.

A deflação é o processo contrário à inflação. Há uma redução do nível de


preços dos bens e serviços e o valor do dinheiro é aumentado. É um processo
normalmente verificado em períodos de recessão econômica.

Existem diferentes índices para cálculo da inflação e cada índice tem uma
metodologia diferente e se diferenciam pelos dias em que os índices são
apurados, os produtos que incluem o peso deles na composição geral e a faixa de
população estudada. E a medição é feita por diversos órgãos especializados,
como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a FGV e a FIPE.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), por exemplo,


considerado a inflação oficial do país, é medido pelo IBGE entre os dias 1º e 30º
de cada mês. Ele considera gastos como alimentação e bebidas; artigos de
residência; comunicação; despesas pessoais; educação; habitação; saúde e
cuidados pessoais. O indicador reflete o custo de vida de famílias com renda
mensal de 1 a 40 salários mínimos.

Outro exemplo é o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado),


monitorado pela FGV. Ele registra a inflação de preços variados, desde matérias-
primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. É muito usado na
correção de aluguéis e tarifas públicas, como conta de luz. Serve para todas as
faixas de renda.

Desde 1999, o Brasil está sob o regime de metas de inflação para orientar
sua política monetária. Desta forma, a oferta de moeda pelo Banco Central segue
uma estratégia para atingir uma banda de inflação determinada pelo Conselho
Monetário Nacional. Especificamente, temos o seguinte quadro inflacionário pelo
IPCA cheio, no período 1999-2016:

 1999 = (Inflação: 8,94%) (Meta: 8,0%) (Teto da Meta:10,0%) (FHC)

76
 2000 = (Inflação: 5,97%) (Meta: 6,0%) (Teto da Meta: 8,0%) (FHC)
 2001 = (Inflação: 7,67%) (Meta: 4,0%) (Teto da Meta: 6,0%) (FHC)
 2002 = (Inflação:12,53%) (Meta: 3,5%) (Teto da Meta: 5,5%) (FHC)
 2003 = (Inflação: 9,30%) (Meta: 4,0%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)
 2004 = (Inflação: 7,60%) (Meta: 5,5%) (Teto da Meta: 8,0%) (Lula)
 2005 = (Inflação: 5,69%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 7,0%) (Lula)
 2006 = (Inflação: 3,14%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)
 2007 = (Inflação: 4,46%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)
 2008 = (Inflação: 5,90%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)
 2009 = (Inflação: 4,31%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)
 2010 = (Inflação: 5,91%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Lula)
 2011 = (Inflação: 6,50%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)
 2012 = (Inflação: 5,84%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)
 2013 = (Inflação: 5,91%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)
 2014 = (Inflação: 6,41%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)
 2015 = (Inflação: 10,67%) (Meta: 4,5%) (Teto da Meta: 6,5%) (Dilma)
 2016 = (Inflação: 6,29%) (Meta: 4,5%)

BC projeta inflação dentro da meta este ano e em 4,4% em 2017

 22/12/2016 09h17
 Brasília

Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil

Veja na íntegra a reportagem acessando o link:


Link: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-12/bc-projeta-
inflacao-na-meta-este-ano-e-em-44-em-2017

Membros do Copom querem "manter maior grau de liberdade" sobre decisões futuras
Diretores do Banco Central avaliam que as próximas ações da autoridade
monetária serão compatíveis com a inflação.

Para saber mais acesse o link:


http://revistapegn.globo.com/Negocios/noticia/2017/03/pegn-membros-do-
copom-querem-manter-maior-grau-de-liberdade-sobre-decisoes-futuras.html

Por: Estadão Conteúdo

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02/03/2017 - 11h06min | Atualizada em 02/03/2017 - 11h06min

Leia mais clicando nos links abaixo:

Perspectivas para inflação evoluíram favoravelmente, diz Copom

Ata do Copom dá sinais de nova queda do juro nos próximos meses

Mercado reduz estimativa de inflação de 4,43% para 4,36%

Juros

Juros é o rendimento que se obtém quando se empresta dinheiro por um


determinado período. Os juros são para o credor (aquele que tem algo a receber)
uma compensação pelo tempo que ficará sem utilizar o dinheiro emprestado.

Por outro lado, quem faz um empréstimo em dinheiro ou faz uma compra a
crédito, geralmente terá que pagar um acréscimo pela utilização do dinheiro ou
pelo parcelamento da totalidade do valor do bem. A esse acréscimo também se
dá o nome de juro.

Para determinar o valor dos juros são definidas taxas percentuais (taxas de
juros) fixadas pelo credor. As taxas de juros são calculadas de acordo com alguns
fatores como, a inflação em vigor, com o que foi acordado no contrato ou com o
risco do empréstimo para o credor. As taxas podem ser maiores ou menores
numa relação proporcional ao tamanho do risco.

No Brasil, os bancos utilizam uma taxa de referência básica, criada em


1979 pelo Banco Central do Brasil, chamada Taxa Selic (Sistema Especial de
Liquidação e Custódia). Essa taxa também é utilizada na delimitação das taxas de
juros para o comércio.

78
No mercado financeiro, existem diversas modalidades de juros: juros
simples, juros compostos, juros nominais, juros de mora, juros reais, juros
rotativos, juros sobre o capital próprio, entre outras.

ECONOMIA

Ata do Copom mostra o paradoxo do ciclo de corte da Selic


Dois ditados populares podem ilustrar o paradoxo: “devagar se vai ao longe” e
“a pressa é inimiga da perfeição”
Por Josué Leonel, da Bloomberg

BC: cortar mais rapidamente os juros e antecipar parte do corte total poderia levar a uma
elevação também antecipada da atividade e inflação (Gustavo Gomes/Bloomberg)

Acesse o Link para ver a reportagem na íntegra: :


http://exame.abril.com.br/economia/ata-do-copom-mostra-o-paradoxo-do-ciclo-de-
corte-da-selic/

79
80
POLÍTICAS
ECONÔMICAS

81
82
Introdução

Dallagnol (2007) afirma que a política econômica é determinada por um


conjunto de medidas governamentais, que atuam sobre a Economia do país.
Consiste na determinação dos setores ou polos econômicos, que prioritariamente
devem ser impulsionados e desenvolvidos, mediante apoio técnico, financeiro ou
fiscal. Como não é possível atuar de forma efetiva em todos os campos da
Economia, o governo deve priorizar determinados setores que mais necessitam
da ação do Estado e canalizar recursos orçamentários para apoiar uma ação, que
deve ser minuciosamente estudada para que os recursos sejam aplicados de
forma eficiente e eficaz.

As medidas adotadas pelo governo para controle da economia relativa ao


orçamento, por exemplo, afetam todas as áreas da economia e constituem
políticas de tipo macroeconômico; outras afetam exclusivamente algum setor
específico, como, por exemplo, o agrícola e constituem políticas de
tipo microeconômico. Essas últimas são dirigidas a um setor, a uma indústria, a
um produto ou ainda a várias áreas da atividade econômica e criam a base legal
em que devem operar os diferentes mercados, evitando que a competição gere
injustiças sociais.

O alcance da política macroeconômica depende do sistema econômico


existente, das leis e das instituições do país. Existem divergências quanto ao grau
de intervenção do Governo: alguns defendem a política do laissez-faire e outros
acham que o governo deve cobrir as deficiências do mercado. Neste caso, a
política econômica deve eliminar as flutuações, reduzir o desemprego, fomentar
um rápido crescimento econômico, melhorar a qualidade e o potencial produtivo,
reduzir o poder monopolista das grandes empresas e proteger o meio ambiente. A
partir da década de 1970, a política macroeconômica procurou limitar o papel dos
governos e reduzir o poder do Estado.

No entanto, a política econômica pode tornar-se contraproducente, caso o


diagnóstico dos problemas econômicos for errôneo e as diretrizes políticas não

83
forem adequadas ao problema que se pretende resolver. Em tempos de guerra,
nas economias planificadas ou centralizadas, essa política é mais rígida e maior a
intervenção do Estado. O êxito de uma política econômica dependerá da reação
dos agentes econômicos, da sua execução e da confiança na administração.

Nas relações comerciais entre dois países devem ser considerados os


tipos de câmbio, as taxas alfandegárias e os problemas da dupla imposição, uma
vez que a mudança em um desses fatores repercutirá sobre a economia nacional.

Política Monetária

A política monetária tem como objetivo controlar a oferta de moeda na


economia. Determinar a quantidade de moeda (dinheiro) na economia é função
do Conselho Monetário Nacional (CMN), com participação do Banco Central do
Brasil (BACEN). Ao determinar a quantidade de dinheiro, tem-se a formação da
taxa de juros, ou seja, a taxa de juros pode ser simplificadamente interpretada
como sendo o “preço do dinheiro”. (DALLAGNOL, 2007).

Logo, a Política Monetária representa a atuação das autoridades


monetárias, por meio de instrumentos de efeito direto ou induzido, com o
propósito de se controlar a liquidez global do sistema econômico.

O BACEN pode alterar os meios de pagamento (oferta de moeda)


utilizando-se de quatro instrumentos: Operação de mercado aberto (Open
Market), Depósito compulsório, Redesconto bancário e Controle e seleção de
crédito.

Se o objetivo é controle da inflação, a medida apropriada de política


monetária seria diminuir o estoque monetário da economia (por exemplo,
aumento da taxa de reservas compulsórias, ou compra de títulos no open market).
Se a meta é o crescimento econômico, a medida adotada seria o aumento do
estoque monetário. (DALLAGNOL, 2007).

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Política Monetária Restritiva: engloba um conjunto de medidas que
tendem a reduzir o crescimento da quantidade de moeda, e a encarecer os
empréstimos. Instrumentos:

 Recolhimento compulsório: consiste na custódia, pelo Banco Central, de


parcela dos depósitos recebidos do público pelos bancos comerciais. Esse
instrumento é ativo, pois atua diretamente sobre o nível de reservas
bancárias, reduzindo o efeito multiplicador e, consequentemente, a liquidez
da economia.
 Assistência Financeira de liquidez: o Banco Central empresta dinheiro aos
bancos comerciais, sob determinado prazo e taxa de pagamento. Quando
esse prazo é reduzido e a taxa de juros do empréstimo é aumentada, a
taxa de juros da própria economia aumenta, causando uma diminuição na
liquidez.
 Venda de Títulos públicos: quando o Banco Central vende títulos públicos
ele retira moeda da economia, que é trocada pelos títulos. Desta forma há
uma contração dos meios de pagamento e da liquidez da economia.

Política Monetária Expansiva: é formada por medidas que tendem a


acelerar a quantidade de moeda e a baratear os empréstimos (baixar as taxas de
juros). Incidirá positivamente sobre a demanda agregada. Instrumentos:

 Diminuição do recolhimento compulsório: o Banco Central diminui os


valores que toma em custódia dos bancos comerciais, possibilitando um
aumento do efeito multiplicador, e da liquidez da economia como um todo.
 Assistência Financeira de Liquidez: o Banco Central, ao emprestar dinheiro
aos bancos comerciais, aumenta o prazo do pagamento e diminui a taxa de
juros. Essas medidas ajudam a diminuir a taxa de juros da economia, e a
aumentar a liquidez.
 Compra de títulos públicos: quando o Banco Central compra títulos
públicos há uma expansão dos meios de pagamento, que é a moeda dada
em troca dos títulos. Com isso, ocorre uma redução na taxa de juros e um
aumento da liquidez.

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Política monetária demorará mais
para estimular economia
O atual ciclo de cortes nos juros básicos no país vai ajudar de imediato,
os agentes econômicos a renegociarem suas dívidas.
Política monetária: a queda dos juros básicos é considerada uma das principais armas do governo
Michel Temer para conseguir estimular a economia

Acesse o link para saber mais sobre a Política Monetária:


http://exame.abril.com.br/economia/politica-monetaria-demorara-mais-para-
estimular-economia/

Política Fiscal

Política Fiscal é a manipulação dos tributos e dos gastos do governo para


regular a atividade econômica. Ela é usada para neutralizar as tendências a
depressão e a inflação.

Refere-se, portanto, a todos os instrumentos que o governo dispõe para a


arrecadação de tributos (política tributária) e o controle de suas despesas (política
de gastos), ou seja, consegue alterar o volume das receitas e dos gastos públicos
através dos instrumentos fiscais (Imposto e Despesas do governo).

Política Fiscal expansiva: é usada quando há uma insuficiência de


demanda agregada em relação à produção de pleno - emprego. Isto acarretaria o
chamado "hiato deflacionário", onde estoques excessivos se formariam, levando
empresas a reduzir a produção e seus quadros de funcionários, aumentando o
desemprego. As medidas nesse caso seriam:

 Aumento dos gastos públicos;

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 Diminuição da carga tributária, estimulando despesas de consumo e
investimentos;
 Estímulos às exportações, elevando a demanda externa dos produtos;
 Tarifas e barreiras às importações, beneficiando a produção nacional.

Política Fiscal restritiva: é usada quando a demanda agregada supera a


capacidade produtiva da economia, no chamado "hiato inflacionário", onde os
estoques desaparecem e os preços sobem. As medidas seriam:

 Diminuição dos gastos públicos;


 Elevação da carga tributária sobre os bens de consumo, desencorajando
esses gastos;
 Elevação das importações, por meio da redução de tarifas e barreiras.

ECONOMIA
5 frases que explicam a polêmica da PEC 241
A medida deve ser aprovada com folga hoje no segundo turno, mas a
discussão sobre seus méritos e problemas vai muito além do Congresso.
Por João Pedro Caleiro

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, é o grande arquiteto e defensor do


teto (.)

São Paulo – A PEC do Teto de Gastos define que a partir de 2017, as despesas
de Executivo, Legislativo e Judiciário federal não podem ter aumento real, estando
limitadas à correção pelo índice de inflação (IPCA) nos 12 meses até junho do ano
anterior.

É uma medida que muda radicalmente a trajetória fiscal brasileira e a discussão


sobre seus méritos e problemas vai muito além do Congresso.

Acesse o Link para ver a entrevista na íntegra:


http://exame.abril.com.br/economia/5-frases-que-explicam-a-polemica-da-
pec-241/

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Política Cambial e Política Comercial

Taxa de câmbio é a relação entre o valor de duas unidades monetárias,


indicando o preço em termos monetários nacionais da divisa estrangeira
correspondente.

A política cambial refere-se a atuação do governo sobre a taxa de câmbio.


O governo, através do Banco Central, pode fixar a taxa de câmbio, ou permitir que
ela seja flexível e determinada pelo mercado de divisas.

O governo pode atuar através da política cambial ou da política comercial.


A política cambial diz respeito a alterações na taxa de câmbio, enquanto a política
comercial constitui-se de mecanismos que interferem no fluxo de mercadorias e
serviços.

As políticas cambiais mais frequentes são:

 Regime de taxas fixas de câmbio;


 Regime de taxas flutuantes ou flexíveis de câmbio;
 Regime de Bandas cambiais.

Se o câmbio estiver em R$ 2,50, significa que são necessários R$ 2,50


reais para comprar um dólar. Se este subir para R$ 3,00 por dólar, ocorreu uma
desvalorização da moeda local (real) em relação à moeda estrangeira (dólar). O
preço da moeda estrangeira elevou-se.

Assim, se o preço sobe devido a um aumento da demanda por dólar,


dizemos que ocorreu uma desvalorização do Real frente ao dólar. Precisa-se de
mais reais para comprar a mesma quantidade de dólares. Se o preço desce
devido a um aumento da oferta de dólares, dizemos que ocorreu uma valorização
do Real frente ao dólar. Menos reais serão necessários para comprar a mesma
quantidade de dólares.

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Dentre as políticas comerciais externas, podemos destacar as seguintes:

 Alterações das tarifas sobre importações;


 Regulamentação do comércio exterior.

ECONOMIA

Merkel sugere que euro está


muito baixo para Alemanha
"Temos no momento na zona do euro claro um problema com o valor
do euro", disse Merkel numa menção incomum sobre política
cambial.
Angela Merkel: "o BCE possui uma política monetária não orientada para a Alemanha", disse
(Kacper Pempel/File Photo)

Para saber mais acesse o Link:


http://exame.abril.com.br/economia/merkel-sugere-que-euro-esta-muito-
baixo-para-alemanha/

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Bibliografia

CALDAS, Suely. Jornalismo Econômico. São Paulo: Contexto, 2003.

DALLAGNOL, RENATA C. CHIARINI. Apostila Economia. FAG- FACULDADE


ASSIS GURGACZ, Cascavel, 2007.

JACOBINI, Maria Lucia de Paiva. O jornalismo econômico e a concepção de


mercado: Uma análise de conteúdo dos cadernos de economia da Folha de
S.Paulo e O Estado de S.Paulo. Brazilian Journalism Research (versão em
português), Brasília, v. 1, n. 1, p. 190-209, 2º semestre 2008.

KUCINSKI, Bernardo. Jornalismo Econômico. São Paulo: EDUSP, 2006.

LEITE, Pâmela Perez. Jornalismo econômico como exercício da cidadania:


uma análise da divulgação econômica na mídia oficial e nos veículos Universo
Online e O Estado de São Paulo. 2010. 113 f. Projeto Experimental (Bacharel) -
Unesp, Bauru, 2010.

MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. São Paulo: Pioneira Thonson,


2004.

NASSIF, Luís. O jornalismo econômico. Folha de S.Paulo, São Paulo. 12 set.


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PINHO, D.; VASCONCELLOS, M. Manual de Economia. Saraiva: São Paulo,


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ROSSETI, José Paschoal. Introdução à economia. 20ª ed. 4ª reimpr. São Paulo:
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ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. 16 ed. São Paulo:
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VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de. Economia MICRO e MACRO.


São Paulo: Atlas,4º edição, 2009.

VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de; GARCIA, Manuel. Fundamentos


de economia. São Paulo: Saraiva 2004.

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