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16/05/2019 John Rawls – Wikipédia, a enciclopédia livre

John Rawls
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
John Rawls (Baltimore, 21 de fevereiro de 1921 — Lexington, 24 de novembro de 2002) foi um professor de filosofia John Rawls
política na Universidade de Harvard, autor de Uma Teoria da Justiça (1971), Liberalismo Político (Political Liberalism,
1993) e O Direito dos Povos (The Law of Peoples, 1999).

Índice
Justiça
O liberalismo político (1993)
Críticas e debates
Principais obras
Obras sobre John Rawls

Justiça Nascimento 21 de fevereiro de


1921
Em sua obra Uma Teoria da Justiça, publicada no ano de 1971, Rawls utiliza o artifício da “situação inicial” ou “posição Baltimore, Maryland
original” como base para construir sua ideia de justiça equitativa. Esses dois termos servem de alusão ao estado de Morte 24 de novembro de
natureza que a teoria contratualista esboça. No entanto, ele almeja uma finalidade distinta da qual, geralmente, as teorias 2002 (81 anos)
do contrato social pretendem. Prémios Medalha Nacional de
Humanidades (1999)
Utilizando o artifício da “posição original”, Rawls não pretende delinear como a sociedade ou o estado foram
Magnum opus Uma Teoria da Justiça
estabelecidos, mas, especular como os princípios de justiça são escolhidos nessa situação inicial hipotética da sociedade.
Esses princípios servem justamente como estrutura básica das instituições políticas, eles operam como ordenadores dos
Escola/tradição Filosofia Política
acordos subsequentes. A posição original aqui serve como uma situação hipotética que é caracterizada de modo a acarretar Principais Filosofia política,
em uma determinada concepção de justiça. Sendo assim, Rawls nos convida a imaginar a situação onde os indivíduos
interesses "Liberalismo"[1] (no
Brasil, Liberalismo
entram em cooperação social. Desse modo, num único ato conjunto, devem decidir os princípios, tal qual expomos acima. Social), justiça, política

Para garantir que os sujeitos forneçam princípios para uma justiça equitativa, o filósofo coloca os indivíduos sob o que ele
Ideias notáveis Justiça como
equidade, a posição
chama de véu da ignorância, característica essencial que todos nessa circunstância possuem. Isso significa dizer que eles original, equilíbrio
não sabem e nem podem saber nada sobre as situações que teriam vantagem ou desvantagem. O que Rawls quer dizer é reflexivo, consenso
sobreposto, Razão
que, sob o véu da ignorância os indivíduos não tem informação alguma sobre sua riqueza, sobre sua cor, seu sexo, suas Pública
capacidades biológicas ou mentais, sob a situação que vai nascer, ou a religião e preferenciais morais que vai possuir, etc.
Sendo assim, os indivíduos não escolheriam princípios de modo parcial, que favorecessem apenas seus interesses individuais. Nesses termos, Rawls estabelece uma
situação equitativa entre os indivíduos. Tendo feito isso, os princípios que serão selecionados nesse contexto também serão equitativos.

Percorrendo tal caminho Rawls deriva dois princípios, a saber: (1) liberdade igual e (2) igualdade democrática, a qual se ramifica em dois componentes (a) principio da
diferença e (b) principio da oportunidade justa. O principio (1) consiste, basicamente, da atribuição dos direitos e deveres fundamentais ser igual para cada um. Ou seja, a
sociedade deve assegurar a liberdade máxima para cada indivíduo e que seja compatível com a liberdade de todos os demais. O princípio (2) delimita que as desigualdades
sociais e econômicas devem ser ordenadas de maneira que ao mesmo tempo (a) possam beneficiar os membros menos favorecidos da sociedade e (b) sejam ligadas a
cargos e posições em condições igualitárias e justas de oportunidades.

Rawls sugere que tais princípios devem seguir uma ordem serial. Nesse caso, o princípio (1) teria prioridade sobre o princípio (2). O que significa dizer que o princípio da
liberdade não deve, em hipótese alguma, se abdicado pelo princípio da igualdade. Ao mesmo tempo, o componente (b) teria prioridade sobre o componente (a). Ou seja,
satisfeito o componente da oportunidade justa, é possível se utilizar o princípio da diferença.

Dessa forma, a justiça equitativa é fruto da busca de um ideal de justiça que consiga, de certa forma, neutralizar as contingencias, circunstâncias sociais e biológicas (no
que se refere as habilidades naturais que deem vantagens em alguma instância ao indivíduo), as quais são arbitrárias de um ponto de vista moral.

Assim, ao retomar a figura do contrato social como método, Rawls não tem como objetivo fundamentar a obediência ao Estado (como na tradição do contratualismo
clássico de Hobbes, Locke e Rousseau). Ligando-se a Kant (construtivismo kantiano), a ideia do contrato é introduzida como recurso para fundamentar um processo de
eleição de princípios de justiça, que são assim descritos por ele:

Princípio da Liberdade: cada pessoa deve ter um direito igual ao mais abrangente sistema de liberdades básicas iguais que sejam compatíveis com um sistema de
liberdade para as outras.

Princípio da Igualdade: as desigualdades sociais e econômicas devem ser ordenadas de tal modo que sejam ao mesmo tempo: a) consideradas como vantajosas para
todos dentro dos limites do razoável (princípio da diferença), e b) vinculadas a posições e cargos acessíveis a todos (princípio da igualdade de oportunidades).

Fiel à tradição liberal, Rawls considera o princípio da liberdade anterior e superior ao princípio da igualdade. Também o princípio da igualdade de oportunidades é
superior ao princípio da diferença. Em ambos os casos, existe uma ordem lexical. No entanto, ao unir estas duas concepções sob a ideia da justiça, sua teoria pode ser
designada como "liberalismo igualitário", incorporando tanto as contribuições do liberalismo clássico quanto dos ideais igualitários da esquerda.

Tais princípios exercem o papel de critérios de julgamento sobre a justiça das instituições básicas da sociedade, que regulam a distribuição de direitos, deveres e demais
bens sociais. Eles podem ser aplicados (em diferentes estágios) para o julgamento da constituição política, das leis ordinárias e das decisões dos tribunais. Rawls também
esclareceu que as duas formas clássicas de capitalismo (de livre mercado ou de bem-estar social), bem como o socialismo estatal seriam "injustos". Apenas um "socialismo
liberal" (com propriedade coletiva dos meios de produção)" ou mesmo uma "democracia de proprietários" poderia satisfazer, concretamente, seus ideais de justiça.

https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Rawls 1/2
16/05/2019 John Rawls – Wikipédia, a enciclopédia livre

O liberalismo político (1993)


Após reformular e aperfeiçoar algumas das suas teses, além de incorporar e responder a seus escritos, Rawls apresentou uma nova versão de sua teoria na obra "O
liberalismo político", publicada em 1993.

Neste texto, Rawls rebateu a crítica de que sua teoria seria apenas uma alternativa a mais diante das diferentes visões valorativas que existem no mundo moderno.
Partindo do fato do pluralismo valorativo, ou seja, da multiplicidade de concepções abrangentes da vida social presentes na cultura contemporânea, ele argumenta que sua
teoria tem um caráter político, sem qualquer conotação moral. O desafio fundamental de sua teoria é justamente buscar um consenso sobre o que é justo diante da
multiplicidade de doutrinas abrangentes de comunidades, grupos e indivíduos. Sua teoria buscar determinar o que é 'justo', não o que é 'moral', 'ético' ou 'bom'.

Diante da fragmentação e da diversidade de visões de mundo atual, ele sustenta a necessidade de um "consenso sobreposto", qual seja, um consenso em torno de uma
concepção pública de justiça compartilhada pela comunidade social. A busca deste consenso exige da parte dos cidadãos o uso da razão pública, ou seja, da capacidade de
colocar-se na esfera pública buscando alcançar um entendimento em torno dos dissensos resultantes da pluralidade de doutrinas abrangentes.

Neste ponto, a proposta filosófica de Rawls aproxima-se fortemente da visão de democracia deliberativa defendida pelo filósofo alemão Jürgen Habermas.

Críticas e debates
A teoria da justiça de Rawls tornou-se uma das obras centrais da filosofia política contemporânea e ainda hoje é alvo de muitos comentários, críticas, aperfeiçoamentos ou
desdobramentos. Dentre as concepções críticas e rivais do liberalismo igualitário podemos citar:

Libertarismo: os defensores do capitalismo anárquico (sem qualquer restrição ao mercado e as demais liberdades) condenam a ênfase de Rawls na igualdade como
potencialmente autoritário. Seu principal expoente é o filósofo Robert Nozick. Os princípios desta teoria são similares a teoria econômica do liberalismo. Tais autores
defendem a vigência exclusiva da ideia de liberdade negativa como o princípio básico das idéias liberais, qual seja, a não interferência do Estado na vida privada
(em especial, na esfera do mercado).
Comunitarismo: discordam da visão individualista e atomista do método contratualista. Advogam a inserção do indivíduo no coletivo (comunidade) e a superioridade
da moral e da ética sobre a mera justiça procedimental. Tais autores recorrem especialmente as idéias clássicas de Aristóteles e de Hegel e seus principais
representantes são: Charles Taylor, Michael Sandel, Michael Walzer e Alasdair MacIntyre. Tais autores defendem a retomada dos ideais gregos de participação
cívica e pública nas decisões coletivas, a chamada liberdade positiva.
Habermas: defende uma concepção kantiana de democracia deliberativa. Os princípios e a estrutura básica da sociedade devem ser definidos pelos indivíduos
através de um processo democrático radicalmente aberto ao diálogo e ao entendimento. Seus atores fundamentais são os movimentos sociais e organizações da
sociedade civil. Habermas debateu diretamente as ideias de Rawls, mostrando em que aspectos concordava e discordava do autor. Tais ideias estão reunidas em
uma livro intitulado "A inclusão do outro". Ambos mantém profundas influências kantianas, o que fez com que Rawls chamasse seu debate com Habermas de "briga
de família".
Republicanismo: defende uma síntese entre os ideais liberais clássicos de proteção da liberdade subjetiva e da visão democrática de envolvimento coletivo nas
decisões políticas. As raízes desta teoria estão nas obras romanas clássicas de Cícero,Políbio, Salústio, Tito Lívio. Outro momento fundamental da tradição
republicana são as obras do movimento chamado humanismo cívico que vigorou durante a renascença italiana: seu principal expoente foi Nicolau Maquiavel.
Atualmente está sendo retomada nos escritos de Quentin Skinner e Philip Petit.
Dentre os autores que se situam na tradição de pensamento inaugurada por John Rawls destaca-se, contemporaneamente, o filósofo norte-americano Ronald Dworkin. No
entanto, para ele, o princípio fundamente do liberalismo não é a liberdade, mas a igualdade. Segundo sua formulação, "todos os cidadãos tem o mesmo direito a igual
consideração e respeito (equal concern and respect)".

Também o prêmio nobel de economia Amartya Sen desenvolve elementos do liberalismo igualitário em sua teoria. Tais autores propõem uma visão "social" do liberalismo,
incorporando o tema da igualdade no coração das ideias liberais.

Principais obras
Uma Teoria da Justiça (A Theory of Justice,1971)
Liberalismo Político (Political Liberalism, 1993)
O Direito dos Povos (The Law of Peoples: with "The Idea of Public Reason Revisited.", 1999)
História da Filosofia Moral (Lectures on the History of Moral Philosophy, 2000)
Justiça como Equidade: uma reformulação (Justice as Fairness: A Restatement, 2001)

Obras sobre John Rawls


Frederico S.N. Alcântara de Melo. JOHN RAWLS: UMA NOÇÃO DE JUSTIÇA, Working Paper, Faculdade de Direito, Universidade Nova de Lisboa, 2001 (http://www.
fd.unl.pt/Anexos/Downloads/226.pdf).
Luiz Paulo Rouanet. "Rawls: Filósofo Político do Século 20." Cult, ano 8, número 97, páginas 62-63, novembro de 2005.
Nythamar de Oliveira. "Kant, Rawls e a Fundamentação de uma Teoria da Justiça" [1] (http://www.geocities.com/nythamar/rawls1.html)
SANDEL, Michael J. "JUSTIÇA, o que é fazer a coisa certa". Ed. Civilização Brasileira - Rio de Janeiro, 2015.

1. ARGUMENTO DA ESTABILIDADE NO CONTRATUALISMO DE JOHN RAWLS (https://www.kriterion.fafich.ufmg.br/index.php/kriterion/article/view/132/53)

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