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DESENHO E ORGANIZAÇÃO DE
UFCD
3473 PROGRAMAS E ATIVIDADES
DE ANIMAÇÃO
ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Índice

Introdução .................................................................................................................. 3

Âmbito do manual..................................................................................................... 3

Objetivos ................................................................................................................. 3

Conteúdos programáticos .......................................................................................... 3

Carga horária ........................................................................................................... 4

I - Desenho e organização de programas e atividades de animação.................................. 5

1.Conceito animação – definições e conceitos ................................................................. 6

1.1. Animação no contexto turístico ............................................................................ 6

1.2. Perfil do animador e o seu papel de entretenimento .............................................. 9

2. Desenho e Organização .......................................................................................... 14

2.1. Animação turística nas suas diferentes formas .................................................... 14

2.1.1. Animação turística municipal e regional ........................................................ 14

2.1.2.Animação desportiva ................................................................................... 14

2.1.3.Animação Ambiental .................................................................................... 15

2.1.4.Animação cultural ........................................................................................ 15

2.2.Técnicas de construção de itinerários .................................................................. 16

2.3.Clientes alvo – características e necessidades ...................................................... 25

2.4.Oferta e recursos turísticos disponíveis ................................................................ 27

2.5.Recursos existentes – humanos e materiais ......................................................... 31

2.6. Oferta turística a contemplar no programa ......................................................... 33

2.7. Normas de segurança inerentes ao serviço a prestar ........................................... 36

3.Programação de atividades ...................................................................................... 39

3.1. Planeamento e programação de etapas .............................................................. 39

II - Atividade profissional – animação turística .............................................................. 44

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1. Atividade de animação e modo de funcionamento ..................................................... 45

1.1. Empresas que prestam serviços no âmbito da animação turística – caracterização . 45

1.2 Contexto associativo .......................................................................................... 50

2. Profissionais da animação ....................................................................................... 53

2.1. Funções e principais competências .................................................................... 53

2.2. Contexto socioprofissional ................................................................................. 60

2.3. Exigências de formação e certificação ................................................................ 61

2.4. Questões deontológicas .................................................................................... 65

Bibliografia ................................................................................................................ 68

Termos e condições de utilização................................................................................. 69

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 3473 – Desenho e organização de programas e atividades de
animação, de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Planear, programar e organizar atividades de animação turística

Conteúdos programáticos

 Desenho e organização de programas e atividades de animação


o Conceito animação – definições e conceitos
 - Animação no contexto turístico
 - Perfil do animador e o seu papel de entretenimento
o Desenho e Organização
 - Animação turística nas suas diferentes formas
 - . Animação turística municipal e regional
 - . Animação desportiva
 - . Animação Ambiental
 - . Animação cultural
 - Técnicas de construção de itinerários
 - Clientes alvo – características e necessidades
 - Oferta e recursos turísticos disponíveis
 - Recursos existentes – humanos e materiais

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 - Oferta turística a contemplar no programa


 - Normas de segurança inerentes ao serviço a prestar
o Programação de atividades
 - Planeamento e programação de etapas
 Atividade profissional – animação turística
o Atividade de animação e modo de funcionamento
 - Empresas que prestam serviços no âmbito da animação turística -
caracterização
o Profissionais da animação
 - Funções e principais competências
 - Contexto socioprofissional (perspetivas de emprego e de carreira,
questões salariais…)
 - Exigências de formação e certificação
 - Questões deontológicas

Carga horária

 50 horas

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I - Desenho e organização de programas e atividades


de animação

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1.Conceito animação – definições e conceitos

1.1. Animação no contexto turístico

Vulgarmente o termo animação turística aparece associado a atividades cuja única


semelhança é desenvolverem-se dentro do âmbito do turismo.

O termo animação turística advém naturalmente e por extensão da chamada animação


sociocultural, de origem francesa, a qual se considera fundamental na ocupação dos
tempos livres.

A animação sociocultural tem por objetivo motivar dinamizar todos os meios que levem à
participação ativa dos indivíduos e grupos nos fenómenos sócias e culturais em que estes
se encontram envolvidos, dando-lhes o seu protagonismo.

Um dos aspetos de atuação mais evidentes onde se desenvolve a animação sociocultural é


o dos tempos livres, o tempo do lazer.

Se se entende como necessário dinamizar a participação ou favorecer a protagonismo do


indivíduo e dos grupos na vida social e cultural, especialmente nos tempos livre (tempos de
lazer), o turismo como parte importante do lazer (especialmente nas sociedades evoluídas),
não pode estar alheio a tal necessidade.

Assim podemos definir animação turística como – “ O conjunto de ações e técnicas


estudadas e realizadas com o sentido de motivar, promover e facilitar uma
maior e mais ativa participação do turista no desfrutar e aproveitamento do seu
tempo turístico, a todos os níveis e dimensões”.

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Por outro lado a animação turística acontece no seu pleno sentido quando é resultante de
uma vontade consciente que se materializa em projetos, estratégias e ações concretas que
se realizam ou praticam segundo técnicas específicas apropriadas. Isso exige um nível de
conhecimentos vastos, estudo e profissionalização.

Para existir animação não basta que exista oferta turística, pois o turista, por seus próprios
condicionamentos socioculturais e, porque o turismo se realiza em tempos curtos, assim
como em espaços e lugares normalmente desconhecidos para ele, não tem, com
frequência a capacidade necessária para aproveitar só pela sua vontade todas as
possibilidades que a oferta contenha.

Trata-se pois de tornar participativas todo um conjunto de atividades de interesse comum


evitando-se que existam espectadores passivos ou seja, motivando as pessoas não só a
participarem mas, a animarem-se, convivendo.

Na verdade o turismo não é um espaço fechado mas sim um mundo vivo de comunicação e
intercâmbio de relações e conhecimentos, de emoções, de sensações e experiências, que
exigem uma atitude viva, curiosa e dinâmica por parte do seu protagonista possível: o
turista.

A animação turística é absolutamente inseparável das atividades lúdicas entendidas no seu


sentido mais sério obviamente. E este juízo de valor vem contrariar ou dar a melhor
resposta a muitos detratores da animação turística que por desconhecimento da sua
importância real perante o fenómeno social que o turismo representa, o mais importante
deste século ou até por ignorância a consideram contrária à rentabilidade económica global
do próprio turismo.

A animação turística analisada globalmente tem uma envolvência e um impacto de tal


forma importante no ato turístico que não pode nem deve, considerar-se e analisar-se
apenas num determinado espaço restrito.

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É certo que programada dentro de espaços restritos (como hotéis etc.) prende
normalmente os turistas dentro desses espaços. Mas será que grande parte desses turistas
se predisporiam a sair do hotel para procurarem animação fora dele?

Animação turística desenvolvida em espaços restritos não é lesiva dos interesses


económicos de outras estruturas de inegável interesse turístico, como sejam casinos,
discotecas, festas populares ou qualquer outro tipo de espetáculo que tem custos e por
isso necessidade de angariar receitas.

Antes pelo contrário é sobretudo em grandes ou médias unidades hoteleiras que a


planificação, programação e execução de programas de animação turística têm tipos de
participação específicos que normalmente não procuram, por razões de ordem diversa, sair
do espaço de alojamento das suas férias.

Na verdade a animação turística assume particular importância, como um conjunto de


atividades dedicadas aos utentes em períodos específicos de cada dia da respetiva estada
seja de manhã pela tarde ou á noite.

Deste modo em países recetores e com elevado crescimento da importância do turismo,


torna-se evidente que o fenómeno da animação turística tem aspetos de relevante
importância sobre a pedagogia e necessariamente sobre a formação de animadores.

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1.2. Perfil do animador e o seu papel de entretenimento

Uma das componentes mais importantes na realização de projetos de animação é sem


dúvida o animador.

A função do animador consiste em “coordenar e controlar as atividades de animação de


uma unidade turística/ hoteleira ou de uma instituição pública ou privada, em função dos
objetivos e estratégias definidas. Procura construir uma boa imagem do local recetor,
garantindo a satisfação dos visitantes e clientes, criando condições para a fidelização pela
qualidade”.

Indiciada esta necessidade de animação/animador, ele “animador” tem de possuir grandes


qualidades de comunicação, abertura de espírito, muita disponibilidade, um carácter
extrovertido, talentoso e ser especialista em pelo menos uma atividade desportiva ou
lúdica.

Tem de ter uma personalidade forte, e ser possuidor de grande imaginação, ser dinâmico,
flexível e ter grande capacidade sugestiva, enfim possuir um conjunto de aptidões que
tornam esta profissão difícil e mais completa do que muitos podem pensar.

Perfil e Atribuições do Animador


De acordo com diversos especialistas existem 14 qualidades que qualquer bom animador
deve possuir:
1. Ser um excelente comunicador
2. Ser criativo dinâmico e espírito de líder
3. Ter forte capacidade de adaptação
4. Ter grande capacidade organizativa
5. Dominar técnicas e recursos
6. Ter uma atitude de permanente aprendizagem
7. Ter capacidade de improviso

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8. Ter capacidade pedagógica


9. Ser tolerante
10. Ser observador
11. Ter simpatia e amabilidade
12. Ser aglutinador de grupo
13. Ser entusiasta
14. Ser resistente física e psicologicamente

Estas são sem dúvida as principais aptidões que um animador deve possuir, mas para que
do ponto de vista da intervenção do animador e para seu próprio controlo e orientação, o
evento seja um sucesso às aptidões atrás referidas deveremos acrescentar alguns
princípios orientadores.

Os princípios orientadores de um bom animador são:


 Nunca esquecer que o objetivo principal do animador é satisfazer os gostos e as
expectativas do maior número possível de clientes e de os entreter
 Tentarem sempre uma adaptação às condições específicas do trabalho a efetuar,
sem apresentarem demasiados obstáculos
 Terem sempre presente que um animador não é apenas considerado como
indivíduo, mas também com o que faz. Do seu comportamento depende o trabalho
e a credibilidade de toda uma equipa
 Tentarem desde o primeiro minuto atrair a simpatia dos colegas e e gestores. Tê-los
como amigos poderá significar melhores condições de trabalho. Tê-los como
inimigos pode levar ao insucesso total
 Devem publicitar de todas as formas possíveis as suas iniciativas e as da equipa,
para que nunca alguém possa dizer “eu não sabia”
 Devem procurar aproveitar-se de todas as ocasiões em que se verifique
disponibilidade e entusiasmo por parte dos participantes para implementar uma
nova atividade que vá de encontro das suas expectativas
 Recordar que o segredo para agradar a todos é não ter preferência por ninguém em
particular. Tem de ser dada atenção a todos e da mesma forma

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 Não esgotar em poucos dias todas as energias, deitando-se tarde e acumulando


sonos em atraso. Tem de aprender a gerir a fadiga e o stress, pois de tem de estar
ativo por longos períodos
 Nunca se envolver em comportamentos mais ou menos íntimos ou de fácil equívoco
com qualquer cliente.

O animador tem algo de ilusionista, algo de formador, algo de vendedor, algo de


malabarista, algo de médico, algo de psicólogo, algo de apaziguador, algo de líder, algo de
transformador de estados de espírito, algo de amigo e muito de mensageiro de felicidade.

Dez mandamentos do animador


 Sorri
 Saúda os clientes
 Sê educado e amável
 Controla o teu estado de ânimo em frente aos clientes
 As necessidades dos clientes são as tuas
 Personaliza o serviço
 Surpreende com a tua eficácia e comportamento
 Sê organizado
 Mantém os participantes informados
 Respeita os clientes e os teus colegas de trabalho

O animador, para além da função de entreter os turistas e incentivá-los a participar nas


atividades de animação, deve contribuir para que os mesmos enriqueçam o seu
conhecimento e desenvolvam novas aptidões e competências.

Por outro lado, o animador deve possuir um conjunto de conhecimentos cognitivos (saber
saber), competências técnicas (saber fazer), assim como aptidões pessoais (saber estar)
que lhe permitem exercer a sua profissão de forma eficiente.

Funções do animador

Animador chefe

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 O animador deve coordenar todas as atividades sociais, desportivas e culturais.


 Deve receber os grupos.
 Deve apresentar os componentes dos grupos.
 Deve motivar os grupos a participar nas diversas atividades.
 Deve manter reuniões periódicas com todos os membros da equipe para
programação das atividades.
 Deve divulgar as programações.
 Deve informar sobre os eventos de interesse geral fora do hotel.
 Deve proceder à contratação de todas as pessoas necessárias para ao devido
desempenho das atividades programadas.
 Deve orientar a avaliação das atividades e elaborar o respetivo relatório final.

Animador gestor
 Identifica e estuda as práticas de animação realizadas pela concorrência.
 Identifica as características e as necessidades do seu público-alvo.
 Estuda as tradições, hábitos e culturas locais.
 Promove acontecimentos festivos identificados ao longo do ano.
 Seleciona e programa novas atividades de animação.
 Elabora programas direcionados a todas as idades.
 Fixa objetivos e metas a tingir relativas à qualidade na animação.
 Identifica as necessidades de ordem técnica, material e humana.
 Efetua orçamentos relativos aos programas a implementar.
 Assume as responsabilidades dos eventos promovidos.

Animador polivalente
 O animador deve ser fluente em pelo menos duas línguas para poder passar a
mensagem corretamente. Para além da comunicação verbal, o animador deve
socorrer-se da comunicação não-verbal e dos meios à sua disposição para
dinamizar, entusiasmar e motivar o turista.
 O animador não se encarrega apenas de divertir. Quando entra em contacto com os
turistas fica incumbido de vender diversão, entretenimento, mediante as atividades
de animação programadas.

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 O animador tem de fazer a promoção diária das atividades programadas para o dia
e seguintes, promover a qualidade e a segurança das atividades por forma a que,
ao mesmo tempo, se promova a qualidade da unidade que representa e os serviços
disponibilizados.
 O animador deve estar preparado para resolver conflitos, uma vez que trabalha com
grupos heterogéneos de pessoas. Deve ser capaz de controlar a situação sem
perder a razão, a postura e o respeito pelos turistas.

Animador técnico
 Exercita e põe em prática as técnicas de animação aprendidas no sentido de dar
respostas perante determinadas situações, formular hipóteses, definir estratégias,
escolher instrumentos e realizar procedimentos.
 Prepara antecipadamente os projetos e programas de animação, assim como, as
atividades a realizar no que concerne a:
o Meios técnicos necessários,
o Equipamentos e materiais,
o Recursos humanos e financeiros,
o Gestão do tempo e do espaço,
o Condições de segurança.

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2. Desenho e Organização

2.1. Animação turística nas suas diferentes formas

2.1.1. Animação turística municipal e regional

A animação turística ao nível municipal e regional insere-se nas políticas de


valorização sociocultural e económica dos territórios onde se insere, sendo desenvolvida
pelas entidades com competência de administração municipal (à escala do concelho) e
regional (à escala da região).

Neste âmbito, a animação turística deve fomentar a participação das pessoas à


volta de projetos de desenvolvimento local, regional e nacional, projetando no
turismo as dimensões sociais, culturais e educativas, bem como a preservação do
património cultural, numa perspetiva da participação comunitária, aprofundando os
contributos que a animação turística confere a uma cidadania ativa.

Esta modalidade de animação pode ser desenvolvida pelos seguintes tipos de organizações:
- Autarquias
- Grupos
- Associações voluntárias
- Entidades locais (Associações, instituições socioculturais)
- Entidades de nível intermédio (organizações regionais)

2.1.2.Animação desportiva

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Define-se por animação desportiva o conjunto de atividades de carácter desportivo


realizadas em espaços naturais, respeitando as suas características e restrições legislativas.
Exemplos de atividades:
-Aquáticas (canoagem, passeios de barco, mergulho, surf, etc.)
-Terrestres (BTT, moto4, escalada, passeios de jipe, orientação, rappel, etc.)
- Aéreas (balonismo, asa delta, parapente, etc.)

2.1.3.Animação Ambiental

A animação ambiental corresponde ao conjunto de atividades de lazer, aprendizagem e


conhecimento que permitem ao turista usufruir dos recursos naturais do destino que visita,
potenciando a sustentabilidade do mesmo.
Exemplos de atividades:
-Rotas temáticas
- Passeios pedestres
- Observação da flora e fauna
- Atividades de educação ambiental

2.1.4.Animação cultural

Por animação cultural podemos entender o conjunto de atividades de animação que se


desenvolvem tendo por base recursos locais de carácter cultural (património cultural
material e imaterial).
Exemplos de atividades:
- Rotas temáticas culturais (gastronomia, vinhos, história, património edificado)
- Passeios pedestres culturais

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2.2.Técnicas de construção de itinerários

Definição de itinerário

“...um circuito marcado por sítios e etapas relacionados com um tema”.

Este tema deverá ser representativo de uma identidade regional própria, para favorecer um
sentimento de pertença, de reconhecimento ancorado na memória colectiva.

O tema designado pode dar-se a conhecer em torno de diferentes valores culturais:


 o vínculo histórico
 o vínculo etnográfico
 o vínculo social
 uma corrente artística
 uma identidade geográfica,
 uma identidade arquitectónica,
 as atividades tradicionais
 as produções artísticas.

Objetivos dos itinerários


Os itinerários são uma forma de pôr em destaque a diversidade de oferta existente nas
regiões, em torno de um tema condutor, o que contribuirá para o descongestionamento
das áreas urbanas e para o desenvolvimento das regiões interiores.

Planificação de um itinerário
1 - Levantamento das potencialidades do local (análise da oferta)
2 - Estudo do mercado turístico (análise da procura)
3 - Definição de um tema
4 - Comunicação e interpretação
5 - Envolvimento da comunidade

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Conceito de rota
Entende-se por Rota Turística um conjunto organizado de Circuitos de descoberta e
usufruto de todos os patrimónios, com uma identidade própria e única, fundada na
ecologia e na metafísica da paisagem, acessível a todos os públicos mas com produtos
diferenciados segundo os seus segmentos, potenciador da organização e desenvolvimento
das cadeias de valor da indústria turística.

O conceito de grande Rota, estruturada com Circuitos Turísticos, é o que melhor


serve o planeamento, a gestão racional de recursos e, sobretudo, a eficácia na promoção
turística, permitindo aumentar o índice de permanência, de ocupação e utilização da
Hotelaria e da Restauração, e rentabilizar a animação e a venda de outros
produtos/merchandising.

Tipologias de rotas/ circuitos:

CIRCUITOS E ROTAS TEMÁTICAS CIRCUITOS E ROTAS REGIONAIS

 Desenvolvidos em torno de um  Desenvolvidos em torno de uma


tema (tipologia de património, unidade geográfica particular
período cronológico, etc.) (Região; Município; Localidade)
 Podem englobar uma ou mais  Engloba diversas tipologias de
unidades geográfica património natural e cultural

Rota turística - Atividade que integra o sector da animação:


- Promovidas pelo sector público e privado
- Exemplo da natureza compósita do produto (resulta do estabelecimento de redes)
- Forma de organizar a oferta em torno de uma temática
- Permite e facilita o acesso/consumo dos recursos de um destino
- Vários tipos de rotas

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No processo de construção de itinerários ou rotas turísticas, há que considerar duas


dimensões:
 A construção, que Corresponde ao processo inerente à criação de uma rota
- Conceção do produto/preço
- Questões operacionais

 A gestão, que corresponde ao processo inerente à implementação, prossecução e


avaliação da rota
- Aplicação do marketing
- Estrutura/modelo de gestão
- Parcerias com agentes do sector

A elaboração e realização de um itinerário turístico são o resultado de um longo processo


de estudo e análise de possibilidades e de um conhecimento prévio de dados. A
metodologia utilizada vai depender obviamente do público-alvo já que é isso que deverá
determinar as várias opções bem como os serviços e atividades incluídas.

Interessa pois distinguir a metodologia utilizada quer se trate de um forfait para a procura
(viagem por medida) ou de forfait para a oferta (viagem organizada).

A diferença fundamental é que no primeiro caso é possível saber, com algum rigor, as
necessidades do cliente e, por isso, todos os serviços são direcionados nesse sentido.

No caso da viagem organizada trata-se de conceber e desenvolver um produto que será


posteriormente comercializado pelos canais de distribuição habituais e que será dirigido a
um público mais ou menos alargado.

Em ambos os casos, a organização da viagem exige profissionais especializados.

Embora a metodologia de conceção seja genericamente a mesma, importa salientar que,


em termos logísticos, uma viagem organizada (ou forfait para a oferta) é bastante mais
complexo pela necessidade de planeamento e estudos prévios que exige uma vez que não
se conhece de antemão as necessidades do público-alvo.

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Importa, ainda, referir a importância da realização de itinerários no aproveitamento dos


recursos de uma região no sentido de operacionalizar um conjunto de percursos culturais e
turísticos que, em conjunto, constituam uma apresentação razoável do património e
recursos da região.

Este é um dos objetivos da realização de itinerários / circuitos / rotas feitas em parceria


com instituições do sector público e privado do turismo.

Neste caso, a metodologia é orientada por objetivos muito específicos e por isso deve
envolver as seguintes etapas:
 Identificação dos objetivos de elaboração do circuito;
 Identificação do mercado-alvo;
 Determinação das vantagens para o desenvolvimento da região, nomeadamente
do sector turístico;
 Caracterização da região a vários níveis (económico, social, físico, turístico, etc.);
 Caracterização e análise da oferta e procura turística da região (cruzamento de
dados previamente levantados e análise SWOT);
 Seleção dos elementos / atrativos que irão integrar o circuito e definição da
temática, de acordo com o mercado-alvo;
 Elaboração das várias cartas de infraestruturas (representação a cores dos vários
recursos);
 Análise da carta de oferta (quantidade, qualidade, diversidade de recursos e
respetiva distribuição espacial);
 Pesquisa no local (acessibilidade, disponibilidade, segurança, interesse,
pedagogia, etc.);
 Definição e determinação das necessidades de intervenção ao nível das
infraestruturas e atividades (animação, etc.);
 Determinação do circuito principal e, eventualmente, de outros complementares
(dependendo do interesse da oferta e do mercado);
 Determinação do Preço do Circuito
 Definição da estratégia de marketing:

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- Produto: desenho e descrição do circuito principal e complementares (fontes


documentais, lendas e tradições, meios de transporte, acessibilidades, etc.)
- Preço: circuito, transporte, alojamento e restauração
- Distribuição: locais e mercados a atingir
- Promoção: operadores, logótipo, sinalização, etc.
 Concretização do Itinerário
 Monitorização

De seguida enunciam-se algumas considerações gerais que devem ser tidas em conta na
conceção de um itinerário:
 Evitar etapas quilométricas demasiado longas e seguidas;
 Não introduzir excessivo número de pontos de paragem com interesse, que
podem sobrecarregar a etapa. Cada paragem exige normalmente um mínimo de 15
a 20 minutos, entre descida, subida e atividade, havendo sempre o risco de falta de
pontualidade;
 Não ajustar excessivamente o tempo deixando margens para imprevistos;
 Ter em conta os horários dos monumentos e museus, bem como de outros locais
a visitar;
 Os almoços em rota para grupo devem ser programados entre as 12 e as 14
horas;
 Ter em conta o dia da semana que corresponde a cada dia da viagem e prever
as atividades de acordo com isso;
 Confirmar os horários dos diferentes serviços utilizados, os trâmites assim como
o tempo necessário;
 Ter em atenção os tempos médios das distâncias a percorrer. A título indicativo
sugere-se a seguinte tabela:

Meio de Transporte Distância por Hora (Km/h)


Bicicleta 12 a 15 kms / hora
Em circuito urbano: 30 a 40 kms / hora
Automóvel / Autocarro Em via rápida: 60 a 90 kms / hora
Em autoestrada: 90 a 100 kms / hora
Em linha estreita: 30 a 50 kms / hora

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Comboio Em via larga e rápida: 80 a 90 kms / hora


Em alta velocidade: 150 kms / hora
A Pé 4 kms / hora

Fases da organização de um Itinerário


- Planeamento
- Desenho
Preparação - Organização
(Antes de) - Reservas
- Comercialização
- Venda

Desenvolvimento (Durante) - Acompanhamento pelo guia


- Analisar o modo como decorreu
Análise (Depois de) - Estudo da satisfação do cliente
- Análise do desvio de custos
- Resultados económicos da viagem

Motivos da Viagem:

 Férias
 Deporto
 Cultura
 Ecologia
 Saúde
 Religião
 Profissão e/ou negócios
 Lazer organizado
 Turismo alternativo
 Turismo Social

Fatores Técnicos
Meios de deslocação Itinerários pedestres, de autocarro, de avião, barco, etc.

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Duração De 3, 7, 15 dias ou de meses.


Distâncias Curtas, médias ou grandes distâncias.
Modo de viajar Individual, coletivo, pré-organizado ou feito à medida do
cliente.
Época do ano Sazonais, calendário fico, acontecimentos especiais.

Fatores Sociais
Meio Social O modo de vida e condições económicas.
Origem Geográfica A procura de um meio geográfico diferente do seu quotidiano.
Profissão Indicador dos gostos e potencial económico.
Idade Essencial para avaliar os interesses e capacidade física.
Cultura Para ajudar na seleção e apresentação do itinerário.

Fatores Comerciais
Equipamentos da região Alojamento e atrativos principais e secundários.
recetora
Preços nas zonas a visitar Nível de vida e taxas de câmbio.
Possíveis vantagens para os Incentivos específicos: preço do combustível mais reduzido em
clientes determinado país, isenção de impostos (zonas francas).

Inventário dos Recursos Naturais


 Geologia
 Clima
 Relevo
A paisagem e seus componentes  Hidrografia
 Flora
 Fauna

Inventário dos Recursos Humanos


 História
Atrativos  Arte
Históricos  Tradições
 Folclore

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 Atualidade
Atrativos  Ciência e Técnica
Contemporâneos  Artesanato
 Gastronomia
 Celebridades

Inventário dos Recursos Turísticos


Equipamentos  Atracões artificiais
Recreativos  Parques recreativos
 Festivais

Manifestações  Exposições de arte

Culturais  Som e luz


 Festividades
Manifestações Desportivas e  Competições
Comerciais  Torneios
 Feiras e salões

Inventário de Alojamento:

 Deve-se considerar:

 Nº de participantes;
 A nacionalidade e hábitos dos turistas;
 A idade dos participantes
 A relação qualidade / preço
 Seleção da categoria em função do segmento de mercado:
 A quem se dirige este produto?
 Ou quem está atualmente a comprar circuitos?

 Nota:

 Evitar grandes diferenças entre os hotéis do mesmo circuito.


 É conveniente ter atenção à localização do hotel, facilidade de acesso, serviços
complementares.

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Percursos de Viação
Ao estabelecer um quadro técnico do itinerário deve-se ter em atenção os seguintes
aspetos:

As etapas Cuja sucessão forma a estrutura do itinerário.


As estradas Se têm as condições necessárias para o tipo de veículo
utilizado, pela sua largura, altura, inclinação e tráfico.
A quilometragem Em equilíbrio entre os diversos pontos de paragem.
O coeficiente de viabilidade Resultante dos kms percorridos e a velocidade da
viatura ou seja a média horária de km.
Os diversos tempos Calculados em função do nº de pax e rapidez do meio
de transporte.
Os tempos de paragem Sempre indicados com a respetiva justificação.

Percursos de Viação – Esquema Operacional

Estradas Anota-se o “nome” (EN125, IP1) de estrada e algumas indicações


que facilitem a orientação.
Anota-se as localidades de origem e destino e referem-se as
Itinerário povoações mais importantes.
Quilómetros Anota-se os kms que separam as populações.
Objetivo = determinar os horários mais coerentes na viagem.
Condicionantes = kms, o programa, o que visitar, quanto tempo se
Horários dispõe, a que hora se deve estar em determinado lugar, onde e a
que horas se realizam as refeições, qual o programa do dia seguinte,
etc.
Paragens = no máximo de 3 em 3 horas.
Tempos Anota-se os tempos “net” que se demora de uma povoação a outra.
Paragens e Visitas Indica-se os lugares a visitar e as paragens realizadas.

24
ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

2.3.Clientes alvo – características e necessidades

Para que serve construírem-se equipamentos de lazer, organizarem-se programas de


animação e iniciarem-se diversas atividades, se elas não corresponderem às expectativas
daqueles que estão em férias – os turistas ou os visitantes?

As motivações mais comuns são as seguintes:


 A evasão e a deslocação;
 O repouso e o descanso;
 A procura de um ambiente agradável;
 As relações humanas;
 A capacidade de expressão e de criação, tendo em vista a participação em certas
atividades;
 A curiosidade pelo mundo exterior e o sentido de descoberta, muitas vezes
associado a aspirações culturais;
 O prazer das sensações ou dos sentidos;
 O divertimento ou o entretenimento.

O conhecimento destas características gerais, comuns a numerosos visitantes que fazem as


suas estadias num destino turístico, não é contudo suficiente para a preparação de
estruturas ou a criação de programas de animação.

De facto, é igualmente imprescindível conhecer as motivações que determinaram a escolha


de um destino turístico em detrimento de outro, de uma atividade de lazer em vez de
outra. É preciso saber o porquê e o como, das atitudes atuais e futuras dos visitantes,
perante uma situação ou face a atividades de lazer pré-definidas.

O conhecimento do mercado atual e potencial, relativamente a um projeto de animação de


um destino turístico, de uma região ou de um núcleo recetor de turismo será porém
insuficiente se se limitar às motivações e atitudes dos turistas.

25
ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Na realidade, o conhecimento deve estender-se às características socioeconómicas da


procura analisada, à sua previsão de desenvolvimento e ainda às ofertas da concorrência.

A evolução quantitativa da procura turística e a especificidade de algumas motivações dos


turistas, podem ter incidência direta ou indireta na participação das diferentes atividades de
animação, nomeadamente:
 A origem geográfica dos visitantes e a distância a que se encontram da região ou
do destino turístico objeto da sua preferência;
 Os idiomas falados pelos visitantes;
 Os meios de transportes utilizados para fazer a sua estadia no destino turístico;
 Os meios de alojamento que habitualmente frequentam;
 As formas de viagem que normalmente adotam: viagem individual, em família, em
grupos organizados, etc.
 As suas categorias socioprofissionais;
 Os seus rendimentos e os gastos de lazer;
 O tempo de férias e a duração média da sua estadia;
 A idade e o sexo;
 O nível de educação ou as habilitações literárias.

De facto, a animação turística pode constituir-se como uma importante vantagem


competitiva e mesmo como fator crítico de sucesso para a promoção de um destino
turístico, contribuindo de forma decisiva para a sua afirmação e diferenciação face a
destinos concorrentes.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

2.4.Oferta e recursos turísticos disponíveis

Para a definição de oferta turística concorre um conjunto de elementos, bens e serviços


que sejam adquiridos ou utilizados pelos visitantes, tal como aqueles que foram criados
com o intuito de satisfazer as suas necessidades. Concorrem ainda os elementos naturais e
culturais que fomentam a deslocação dos visitantes.

Contudo, é difícil estabelecer a distinção entre a oferta classificada como turística e aquela
que não possa ser considerada como tal. Depende sim do tipo de utilização a que está
sujeita, seja por visitantes, seja por residentes.

Podemos assim dizer que é o consumo turístico que define a oferta turística. É o caso dos
estabelecimentos de restauração, cuja utilização é simultaneamente feita por visitantes e
por residentes.

No que concerne às características, a oferta turística diferencia-se da oferta de outra


qualquer atividade nos seguintes elementos:
– Os bens produzidos não podem ser armazenados, ou seja não se poderão
constituir stocks, à semelhança das outras atividades produtivas;
– O consumo turístico é condicionado pela presença do cliente, isto é, neste caso o
cliente tem de se deslocar até ao local de produção dos bens e serviços
– A produção e o consumo são simultâneos, pelo que só existe produção turística
quando há consumo;
– A oferta turística é imóvel, uma vez que um recurso turístico (praia, monumento)
não pode ser transferido para outro local associado a melhores condições de venda;
– O produto turístico é compósito, na medida em que qualquer deslocação turística
envolve um conjunto de bens e serviços que concorrem entre si em
complementaridade (alojamento, alimentação,...); – A intangibilidade do produto
turístico, tornando-o imaterial, uma vez que só consumindo esse produto poderão
ser testados.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Apesar da oferta turística de qualquer destino ser variável, podemos dizer que a procura
só poderá ser satisfeita com base num conjunto mínimo de componentes oferecido:
– Recursos Turísticos - constituem a parte fundamental da oferta, podendo ser
naturais ou construídos;
– Infraestruturas - construções subterrâneas e de superfície, tais como redes
técnicas e acessibilidades, essenciais ao suporte da atividade turística;
– Superestruturas - constituídas por equipamentos que respondem diretamente às
necessidades da procura turística, entre eles o alojamento e os restaurantes;
– Acessibilidades e transportes - dos quais são parte integrante as vias de
comunicação, bem como os meios de transporte e a sua organização;
– Hospitalidade e acolhimento - as condições com que se recebe os visitantes
podem constituir um fator de diferenciação e atratividade no turismo.

Num contexto em que o turismo assume cada vez um peso mais significativo na base
económica nacional, os recursos inerentes a um determinado território constituem o seu
potencial, apesar de, por si só, não serem suficientes ao funcionamento da atividade
turística, devendo ser equacionados e potenciados enquanto fatores de atracão e
diferenciação.

Os recursos naturais constituem elementos do meio natural passíveis de serem utilizados


para satisfação de necessidades humanas. Contudo, o simples facto de existir um elemento
natural não lhe confere a categoria de recurso. Como tal, é necessário haver uma
intervenção do homem de forma a capacitá-lo na satisfação
das necessidades humanas.

Os recursos constituem assim a base do desenvolvimento turístico, na medida em que


promovem a deslocação de pessoas enquanto atracão sem o objetivo de realizarem uma
atividade remunerada ou satisfazerem uma necessidade decorrente da deslocação.

Numa perspetiva de Marketing, recorre-se á utilização dos recursos a fim de criar produtos
turísticos e finalmente conceber as ofertas turísticas. Estas são percecionadas pelos
consumidores como destinos turísticos.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Como tal há que proceder, numa dada região à inventariação dos recursos ai existentes,
pois eles são a base sobre a qual se vai desenvolver a atividade turística.

Os serviços e equipamentos deverão ser definidos com vista a proporcionar ao turista a


utilização dos recursos, satisfazendo as suas necessidades e possibilitando-lhe a fruição dos
atrativos do destino.

Neste sentido estamos face a produtos turísticos ou seja, a conjuntos de componentes que
agregados são capazes de satisfazer as motivações e as expectativas de um determinado
segmento de mercado.

Precisamos agora de lhe atribuir um preço, distribui-los e dá-los a conhecer de forma a que
os consumidores os percecionem e saibam como e onde podem adquiri-los.

Concebemos assim ofertas turísticas (conjuntos de serviços) que se podem comprar por
determinado preço, que se desenvolvem em determinado local num tempo especifico
possibilitando a quem os adquire a fruição de uma experiência de viagem completa.

O turista requer pois, um conjunto de serviços que não se limitam ao alojamento e ao


transporte, exigindo também atividades recreativas. Neste caso a inovação e o
desenvolvimento de novos produtos surgem como fundamentais no sentido da obtenção de
êxito por parte das empresas que trabalham na área da animação.

A imaginação reveste-se de extrema importância e a criatividade é imprescindível para não


criar fadiga ou cansaço no turista. O marketing assume assim um papel de extrema
importância e relevo.

Caso se pretenda lançar um programa de animação á que ter em atenção ao seguinte:


- Estudo da procura e das suas motivações em relação às atividades recreativas
(estar em ambientes agradáveis, alargar as relações sociais, divertir-se,
desenvolvimento da personalidade etc.)

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

- Estudo da oferta (recursos naturais e histórico-culturais adequados para o


desenvolvimento de programas de animação, existência de instalações turísticas
adequadas etc.)

As fases de lançamento de um produto de animação requerem um plano de marketing que


comporte:
- A criação de possíveis ideias de recreação e animação
- Processo de seleção das mesmas mediante testes feitos a terceiros
- Valorização económica da sua rendibilidade
- Desenvolvimento de projetos e produtos para a sua aplicação
- Distribuição e promoção do produto
- Comercialização e venda concreta.

Assim é importante que os gestores de animação realizem as seguintes atividades:


- Estudos da procura e da oferta (características dos clientes e dos recursos)
- Planificação dos projetos de animação de acordo com os resultados dos estudos
- Definição dos pressupostos e dos meios financeiros
- Definição das relações de cooperação com os diversos sectores que participam
na campanha turística geral (alojamento e transportes)
- Utilização racional dos recursos e do projeto de animação
- Realização dos programas definindo os diferentes campos de ação
- Atividades de promoção e venda (sites, folhetos brochuras etc.).

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

2.5.Recursos existentes – humanos e materiais

Está bastante difundida a ideia preconcebida que a animação turística exige a utilização de
materiais equipamentos e recursos em grande quantidade e de elevado custo.

Na verdade o volume e o custo do material apresentam-se sempre diretamente


proporcionais à ambição e à dimensão que se quer dar aos programas de animação.

É no entanto ideal a ótima utilização do já disponível e para tal temos de considerar:


 Atrativos naturais (O que é que o local dispõe em termos de recursos naturais, se é
perto de praias ou barragens, montanhas etc.)
 Atrativos de carácter cultural (Monumentos, ruínas, tradições etc.)
 Facilidades (Transportes, serviços públicos, de saúde etc.)
 Equipamentos e serviços diversos (Disponíveis ou fáceis de alugar)
 Recursos técnicos (e a região tem por ex. monitores de escalada ou eletricistas
técnicos de som)
 Recursos financeiros (Orçamentos, patrocínios, subsídios etc.)
 População local (Se poderão ser envolvidos na animação como colaboradores
logísticos)

A animação promove e mobiliza recursos humanos mediante um processo participativo que


desenvolve potencialidades latentes nos grupos de indivíduos de modo a permitir-lhes
expressar, estruturar e dinamizar as suas próprias experiências.

No campo da ação, a prática da animação exige a resposta a 6 questões fundamentais:

Pessoas
 Destinatários dos programas/atividades
Lugares
 Âmbito espacial onde se realizam as atividades

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Tempo
 Âmbito temporal (hora, dia, período do dia, vários dias)

Atividades
 Definição das atividades que servem de suporte aos programas

Métodos
 Procedimentos e técnicas a utilizar para a organização e realização de atividades

Meios técnicos
 Recursos utilizados (materiais e financeiros).

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2.6. Oferta turística a contemplar no programa

A legislação refere algumas atividades, serviços e instalações de Animação, que podemos


sintetizar da seguinte forma:

Para que determinado projeto possa ser enquadrada no âmbito da Animação, há que ter
em conta certas condicionantes legais, nomeadamente no que respeita a:

» Gastronomia
Deve promover as receitas e formas de confeção tradicionais,
designadamente incorporando as matérias-primas e os produtos tradicionais,
bem como os produtos de base local e regional, constituindo um meio de
divulgação de estabelecimentos de restauração e bebidas tradicionais.

» Produtos Tradicionais Regionais


Devem ser promovidos e comercializados, obedecendo aos requisitos
exigidos por lei.
Atividades Serviços Instalações
− Gastronomia
− Artesanato
− Circuitos temáticos
− Expedições
− Produtos locais
− Eventos
− Passeios (a pé, a cavalo, de bicicleta, de barco…)
− Informação
− Guias de Natureza
− Comércio Tradicional
− Transportes
- Centros de Interpretação

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- Pólos de receção/locais de animação


- Locais tradicionais de comércio
− Feiras
− Parques de merendas
− Outras infraestruturas de apoio

» Artes e Ofícios Tradicionais da Região


São as atividades que compreendem o fabrico de materiais e objetos, de
prestação de serviços, de produção e confeção de bens alimentares e arte
tradicional de vender, ou incorporem uma quantidade significativa de mão-
de-obra e manifestem fidelidade aos processos tradicionais.
Devem ser promovidos por forma a garantir o interesse para a economia e
tradição do saber fazer local, contribuindo para a dinamização de feiras
regionais.

» Estabelecimentos tradicionais de convívio, de educação e de comércio


São estabelecimentos comerciais onde se consomem e transacionam
produtos resultantes das atividades ligadas às artes e aos ofícios. A
instalação ou recriação destes locais deve garantir a manutenção das
características arquitetónicas da região e contribuir para a identificação
cultural e social que estes estabelecimentos representam.

» Feiras, Festas e Romarias


Devem contribuir para a dinamização da economia local e manifestações
socioculturais características.

» Rotas Temáticas e Expedições Panorâmicas e Fotográficas


Devem privilegiar a divulgação e promoção dos contextos mais
representativos da economia, cultura e natureza e devem promover a
utilização e a recuperação de meios de transporte tradicionais.

» Passeios a Pé, de Barco, a Cavalo e de Bicicleta

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Devem respeitar os trilhos e a sinalização existente, bem como as limitações


estabelecidas quanto ao número de atividades ou visitantes em relação a
alguns locais e ou época do ano.

» Passeios em Veículos Todo-o-Terreno


Devem respeitar os trilhos e a sinalização existente, bem como as limitações
estabelecidas quanto ao número de atividades ou visitantes em relação a
alguns locais e ou época do ano. Devem ainda ter como objetivo a
divulgação dos valores naturais e culturais.

» Jogos Tradicionais e Parques de Merendas


Devem contribuir para a dinamização e revitalização de formas de convívio e
ocupação dos tempos livres.

» Pólos de Animação
São locais onde se reúnem uma ou mais ocorrências de animação, podendo
integrar valências da interpretação e do desporto de natureza.
Devem contribuir para a revitalização dos lugares através da recuperação e
promoção do seu património cultural e das atividades económicas
características.

» Meios de Transporte Tradicionais


Devem ser adequados ao fim da visita e da manutenção das condições
ambientais, nomeadamente através da utilização de transportes coletivos,
tradicionais ou que adotem energias alternativas. Técnica multidisciplinar de
tradução da paisagem, do património natural e cultural.

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2.7. Normas de segurança inerentes ao serviço a prestar

A Gestão do Risco de formação outdoor e atividades em regime de ar livre, ou seja, a


execução do conjunto das atividades de controlo que permitem mitigar os riscos, pressupõe
que a própria Organização responsável pelos programas de atividades de formação outdoor
defina uma política de atuação onde expressa a sua capacidade para correr riscos
(apetência pelo risco) e as estratégias que considera adequadas de acordo com a sua
cultura, para mitigar os mesmos, assumindo a perspetiva de poder haver desvios, bem
como dos custos que lhe são inerentes.

As atividades de controlo deverão estar descritas em processos e procedimentos


suportados pela política interna da Organização, sujeitos à legislação e à regulamentação
existentes, seguindo as normas ou as boas práticas aplicáveis às características dos
processos do negócio das atividades e formação outdoor.

Cada atividade dentro de um programa de formação outdoor tem características únicas e


decorre em circunstâncias únicas, sejam externas ou internas.

Isto significa que para cada novo programa de atividades ou formação outdoor ou de
atividades outdoor serão adequados às circunstâncias e ao nível de preparação dos
participantes, sendo necessário fazer uma análise específica dos riscos e que os processos
de Gestão de Risco do Programa de formação.

Uma má gestão dos riscos operacionais do programa ou da atividade outdoor constitui uma
ameaça real para estes: o risco é a ameaça de um evento, circunstância ou uma ação
afetar de forma adversa a capacidade das pessoas envolvidas na atividade ou formação
outdoor para atingir os seus objetivos ou implementar as estratégias de atuação.

A avaliação e gestão do risco é inerente à atividade desenvolvida para os programas de


natureza e ar livre. Qualquer atividade humana segura a 100% é inexistente.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

No plano teórico, elementos simples servem de enquadramento a uma trilogia clássica na


Avaliação e Gestão do Risco, tendo em conta os fatores decisivos de tempo e
circunstâncias envolventes:
1. Recolha de informação tão ampla e completa quanto possível.
2. Análise da informação, construção de cenários, listagem de opções e interações.
3. Tomada de decisão e rapidez na ação.

De uma forma mais complexa, a metodologia para a avaliação e gestão do risco percorre
por 5 fases, de modo a construir um sistema de elevados padrões de exigência:
1. Reconhecer os tipos e níveis de risco inerentes a cada atividade.
2. Analisar os fatores de causa-efeito.
3. Determinar as ações e medidas a tomar; elaborar mapas e procedimentos.
4. Rever assiduamente em face de acontecimentos e novas ameaças.
5. Estabelecer medidas corretivas.

Em função dos objetivos dos diferentes programas de atividades, diferentes graus de risco
podem ser aceitáveis e devem ser parametrizados em função das suas características. A
definição do nível de risco aceitável faz a diferença entre o bem estar e a incomodidade,
entre o prazer e o sofrimento e no limite, entre a vida e a morte.

Forçar os níveis de risco aceitáveis para cada atividade, provocará a insegurança,


potenciará conflitos, aumentará a possibilidade de descontrolo e, por fim, o insucesso
daquela atividade.

Perceber o nível de risco aceitável em cada atividade e programa, bem como a


determinação dos fatores essenciais para determinados objetivos da atividade, permite
adequar a gestão de risco em qualquer etapa, de modo a gerir o ciclo de avaliação do
risco: identificar os riscos, decidir como gerir o risco inerente ao programa, assim esteja de
acordo com os objetivos traçados

Avaliar o que pode correr mal em qualquer atividade requer o cuidado necessário e
experiência considerável para identificar o tipo de situações e acasos que possam acontecer
nas atividades de Aventura.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Conhecer as experiências anteriores e as referências de solução, bem como ler os manuais


ou trocar experiências com pessoas mais experimentadas pode ajudar a desenvolver esta
experiência.

A análise das situações mais sistemáticas que podem influenciar o desenrolar das
atividades em sentido desviante do objetivo traçado, pode ser vista sob a perspetiva de 3
eixos, fontes do risco:
 Atividade – as coisas que tipicamente podem correr mal
 Participantes – a sua perícia única e o nível de conhecimento
 Envolvente – o tempo, as condições de superfícies, o equipamento, etc.

Caso as consequências dos riscos identificados acima sejam inaceitáveis em função dos
objetivos do programa, logo são requeridas outras estratégias de Gestão do risco. Estas
podem estar assentes em 3 princípios básicos:

 Reduzir o risco pela tomada de precauções adicionais.


 Avaliar o risco inteiramente.
 Proceder porque o risco parece aceitável.

Em resumo: este sistema simples de Avaliação e Gestão do Risco torna-se quase uma
mnemónica para o staff e deve ser lembrado quando dele precisam.

Porém, a experiência e o treino é que tornarão os monitores mais habilitados para prever e
antecipar as medidas mais adequadas perante as situações imprevistas surgidas em
atividades com maior complexidade e perante os acasos de interatividade na natureza.

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3.Programação de atividades

3.1. Planeamento e programação de etapas

Os projetos de animação deverão criar uma atmosfera tal, que permita ao cliente um
ambiente de bem-estar, oferecendo-lhe diversas possibilidades de se divertir, distrair,
satisfazer a curiosidade e descobrir as particularidades do local onde se encontra:
Características:
- Flexíveis e abertos a alternativas propostas
- Diversificados, visando a satisfação dos diferentes públicos
- Cativantes, visando o ritmo e a anulação de tempos mortos
- Adequados ao público, recursos e equipamentos
- Complementares, visando a sua harmonia

Na elaboração do projeto importa responder a algumas questões fundamentais,


nomeadamente:
- Para quem (quem é o publico alvo a que se vai dirigir a animação
- Para satisfazer que necessidades (quais as necessidades do cliente alvo)
- Que ocupação de espaço (m2, acessibilidades, características geográficas)
- Que equipamentos (Fazer lista de todos os equipamentos necessários para
o evento)
- Quem envolver (pessoas que vão estar envolvidas monitores forças de
segurança bombeiros etc)

Plano de Animação
É nesta fase que se define concretamente o que se vai fazer quando e onde se vai
fazer o programa de animação.
1. Definir a ideia (O que se vai fazer)
2. Estratégia de implementação (Como é que se vai por em prática)

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

3. Variáveis do Marketing Mix (analisar)


4. Esquematização das infraestruturas existentes (atender aos vários aspetos como
sendo saneamento básico, recolha de lixo, parques de estacionamento,
acessibilidades etc.)
5. Concretização do local (ter em conta o ponto anterior e fazer planta do local ou do
percurso do evento)
6. Definição de equipamentos (listagem dos equipamentos necessários para o evento)
7. Orçamento financeiro
8. Estrutura legal (Autorizações legais e licenças)
9. Estrutura operacional (Programa como vão decorrer as atividades horários etc)
10. Análise e avaliação dos resultados

Um bom processo de marketing está ligado ao tempo despendido na análise dos elementos
disponíveis na contínua e disciplinada análise de questões que quando respondidas
determinarão o sucesso da implementação de atividades que geram a animação.

Barreiras à implementação do plano de Animação


Existem fatores de ordem diversa que colocam em causa a realização de determinados
eventos ou programas de animação:
 Não tem retorno de investimento tangível o que origina falta de interesse por parte
e eventuais investidores/patrocinadores
 Geras despesas consideráveis quando confrontadas com as receitas previsíveis (não
é viável do ponto de vista económico)
 A aceitação por parte do público-alvo não é espontânea, implicando uma revisão do
projeto
 Existem esforços de contenção de despesas que não se coadunam com os
resultados pretendidos
 Se a criação de determinado evento é demasiado dispendiosa e não se espera um
retorno de capital, verifica-se um desinteresse pelo plano ou pelo evento

Que fatores podem conduzir ao sucesso da animação?


- Planificar todas as variáveis do programa (planificando todas as etapas)
- A Esquematização das infraestruturas deve ser considerada prioritária

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

- Nunca esquecer que os patrocinadores são um instrumento importante do


Marketing e são geradores e receita
- Promotores privados necessitam do suporte do sector público (entidades oficiais)
- A promoção é um fator crítico de sucesso
- Pequenas comunidades são igualmente tão importantes como as grandes, porque
permitem a focalização dos eventos de animação
- Envolver sempre que possível as comunidades locais no evento
- Não esquecer que o impacto económico consegue sempre unir esforços da
comunidade para o evento/animação
- Fazer eventos por vezes não é economicamente viável, usar o que temos
disponível gratuitamente
- Quanto maior for o evento/animação, maior será a importância da comunidade no
desenvolvimento do mesmo. Usar voluntários sempre que existam.

Metodologia do projeto de animação turística


A elaboração completa e concisa de um projeto de animação turística pressupõe a
conjugação harmoniosa de todos os passos conducentes à execução do mesmo.

O processo metodológico a seguir pelo animador divide-se em 4 fases:


1 – análise
2- diagnóstico
3 – planificação de atividades
4 – avaliação

1 – Análise
A primeira fase corresponde à análise exaustiva e detalhada do estabelecimento turístico e
do ambiente que o rodeia e influencia. Paralelamente, devem esboçar-se os objetivos
gerais e específicos, definir datas espaciais a enquadrar no projeto e listar sistemas de
controlo e avaliação.

Quanto maior for o rigor e a profundidade da investigação inicial, maior será a


probabilidade de sucesso nas fases posteriores.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

A fase de análise inicia-se com o estudo detalhado de um conjunto de fatores


determinantes, cujo conhecimento permitirá elaborar um projeto adequado, o mais
possível, à realidade em questão.

Ambiente interno e externo


– Tipologia de estabelecimento
– Localização do estabelecimento
– Ambiente imediato e proximidade
– Condições climatéricas e sazonalidade

Recursos físicos
– Instalações
– Equipamento técnico

Tipologia de clientes
– Faixa etária
– Classe social
– Comportamento segundo a nacionalidade

Recursos humanos
– Equipa de animação
– Staff do estabelecimento

2 – Diagnóstico
A elaboração de um diagnóstico pressupõe a identificação das necessidades atuais do
estabelecimento em termos de animação, após a análise efetuada, e a previsão dos
impactos e consequências do projeto. Assim sendo, o nível de detalhe da análise influencia
a capacidade de antevisão dos impactos.

3 – Planificação
Planificar significa traçar os planos de ação conducentes à execução do projeto. Para além
de constituir uma necessidade, pode ser considerada um instrumento e método de trabalho
em si mesmo.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Esta fase implica reflexão, previsão, adequação, coerência, equilíbrio e flexibilidade.

A planificação consiste em antecipar, prever e procurar antever como se deve desenvolver


o projeto em função do estabelecimento e dos turistas.

Nesta fase fixam-se os objetivos, a metodologia de aplicação, as atividades, as técnicas de


controlo e avaliação das mesmas, assim como a distribuição de funções e responsabilidades
segundo um horário estabelecido.

A planificação ajuda a reduzir a incerteza e orienta a tomada de decisões.

4 – Avaliação
Avaliar consiste em comparar o resultado obtido com o resultado que se deveria ter
alcançado em função da aplicação das atividades programadas.

No entanto, a avaliação não deve ser entendida como um processo final, mas sim como um
processo contínuo que permite corrigir o projeto á medida que vai sendo aplicado. Facilita a
deteção antecipada de possíveis erros e desvios, permitindo a respetiva correção.

Uma das ferramentas mais utilizadas e fiáveis consiste na aplicação de inquéritos.


Permitem auscultar a opinião dos turistas e recolher informação verídica e atualizada.
Constituem uma fonte contínua de dados, a partir dos quais se detetam potenciais erros
num curto espaço de tempo, facilitando a sua correção rápida e oportuna.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

II - Atividade profissional – animação turística

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

1. Atividade de animação e modo de funcionamento

1.1. Empresas que prestam serviços no âmbito da animação


turística – caracterização

Processo de licenciamento
O registo é obrigatório para TODAS as empresas de animação turística ou operadores
marítimo-turísticos. O pedido efetuado através de formulário eletrónico está disponível em
www.turismodeportugal.pt (Serviços na Web → Registo Nacional de Turismo → Serviços de
Registo).

Elementos necessários:
• Número de Identificação Fiscal (NIF) e a password das Finanças relativa à
entidade que vai proceder ao registo;
• Documento comprovativo do início de atividade ou certidão do ato constitutivo da
empresa;
• Código de acesso à Certidão Permanente ou Certidão do Registo Comercial;
• Certificado de Microempresa (se aplicável), mesmo que seja empresário em nome
individual;
• Documento de Registo da Marca no INPI (caso a empresa pretenda utilizar uma
marca);
• Documentos identificativos da Equipa de Gestão;
• Apólices de Seguros (condições particulares e gerais);
• Documentos comprovativos do pagamento dos seguros;
• Declaração em como os equipamentos e/ou as instalações satisfazem os requisitos
legais.

Taxas de Registo

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

• 950€ para empresas certificadas como Microempresas


• 1500€ para as restantes
• 245€ para operadores marítimo-turísticos

Requisitos principais

Seguros
Nenhuma empresa de animação turística ou operador marítimo-turístico pode iniciar ou
exercer a atividade sem fazer prova junto do Turismo de Portugal, I.P. de ter celebrado os
contratos de seguro obrigatórios e de que os mesmos se encontram em vigor.

1. Acidentes Pessoais
(Empresas de Animação Turística e operadores marítimo-Turístico)

O seguro deve garantir:


• Pagamento das despesas de tratamentos, incluindo tratamento hospitalar,
medicamentos, até ao montante anual de 3.500 Euros;
• Pagamento de um capital de 20.000 Euros, em caso de morte ou invalidez
permanente dos seus clientes, reduzindo-se o capital por morte ao reembolso das
despesas de funeral, quando estes tiverem idade inferior a 14 anos.

2. Assistência às Pessoas, válido exclusivamente no estrangeiro


(Empresas de Animação Turística e operadores marítimo-Turístico)

O seguro deve garantir:


• Pagamento do repatriamento sanitário e do corpo;
• Pagamento de despesas de hospitalização, médicas e farmacêuticas, até ao
montante anual de 3.000 Euros.

3. Responsabilidade Civil
(Empresas de animação turística)

O seguro deve garantir:

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

• 50.000 Euros por sinistro e anuidade que garanta os danos causados por sinistros
ocorridos durante a vigência da apólice, desde que reclamados até um ano após a
cessação do contrato.

(operadores marítimo-Turístico)
Cobertura de capital mínimo obrigatório de:
• 50.000 Euros para embarcações dispensadas de registo e para os operadores
marítimo-turísticos que exerçam a atividade na qualidade de inscritos marítimos;
• 100.000 Euros por embarcação para embarcações com capacidade até 12
pessoas, excluindo a tripulação;
• 200.000 Euros por embarcação para embarcações com capacidade entre 12 a 30
pessoas, excluindo a tripulação;
• 250.000 Euros por embarcação para embarcações com capacidade para mais de
30 pessoas, excluindo a tripulação.

Em todos os seguros devem constar expressamente nas respetivas condições particulares a


identificação das atividades cobertas.

Os montantes mínimos fixados em todos os seguros são atualizados anualmente, em


função do índice de inflação publicado pelo INE no ano imediatamente anterior, e os
montantes decorrentes da atualização são divulgados no portal do Turismo de Portugal,
I.P.

Atividades isentas de pagamento de taxa de registo:


• Agências de Viagens e Turismo desde que solicitem prévia autorização ao Turismo
de
Portugal, I.P. através da sua inscrição no RNAVT e prestem as garantias exigidas;
• Empresas proprietárias ou exploradoras de Empreendimentos Turísticos, apenas
quando prevejam no objeto social a possibilidade de exercerem atividades de
animação turística, complementarmente à atividade principal (mediante
comunicação ao Turismo de Portugal, I.P., desde que cumpram os requisitos
específicos da atividade e os seguros obrigatórios);

47
ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

• Associações, Fundações, Misericórdias, Mutualidades, Instituições Privadas de


Solidariedade Social, Institutos Públicos, Clubes e Associações Desportivas,
Associações Ambientalistas, Associações Juvenis e entidades análogas, desde que
verifiquem os seguintes requisitos:
— Prevejam no objeto social a possibilidade de exercerem atividades
próprias das empresas de animação turística;
— A organização das atividades não tenha fim lucrativo;
— Se dirija única e exclusivamente aos seus membros ou associados;
— Não utilizem meios publicitários para a promoção das atividades;
— Obedeçam às regras inerentes à empresas de animação turística;
— Prestem garantias dos seguros exigidos.

A utilização de marcas por empresas de animação turística carece de comunicação ao


Turismo de Portugal, I.P..

No caso das empresas de animação turística, com registo válido, que pretendam registar-se
também como operadores marítimo-turísticos, não é cobrada taxa de inscrição.

No caso dos operadores marítimo-turísticos que pretendam registar-se como empresa de


animação turística é cobrada uma taxa que corresponde à diferença entre o valor pago e o
valor no novo registo.

Instalações e equipamentos
As instalações e equipamentos devem satisfazer as normas vigentes para cada tipo de
atividade (licenciadas ou autorizadas nos termos da legislação aplicável e pelas entidades
competentes).

1. Veículos automóveis autorizados


As empresas podem utilizar veículos automóveis para passeios turísticos ou transporte de
clientes no âmbito das atividades de animação que desenvolvam:
• Veículos automóveis até 9 lugares: o motorista deve ter documento comprovativo
do horário de trabalho e da identificação da empresa, a especificação do evento, a

48
ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

data, a hora e o local de partida e de chegada, para ser exibido a qualquer entidade
competente que o solicite;
• Veículos automóveis com mais de 9 lugares: têm que se licenciar como
transportador público rodoviário de passageiros, interno ou internacional, pelo
Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) (no caso de serem
detentores dos veículos);
• Os veículos podem ser alugados a uma transportadora.

2. Embarcações autorizadas e normas


Nas atividades marítimo-turísticas podem ser utilizadas:
• Embarcações registadas como ”auxiliares”, designadas como marítimo-turísticas.
As embarcações auxiliares classificam-se de acordo com a área de navegação:
— Locais ou de porto (operam dentro dos portos, rios, rias, esteiros, lagos,
lagoas, albufeiras e em águas sob jurisdição dos órgãos locais da Direção-
geral da Autoridade Marítima);
— Costeiras (operam ao longo da costa à vista de terra);
— Do alto (operam para além da área costeira).
• Embarcações dispensadas de registo: pequenas embarcações de praia sem motor,
nomeadamente botes, charutos, barcos pneumáticos, gôndolas, pranchas com ou
sem vela e embarcações exclusivamente destinadas à prática do remo. Neste caso,
os operadores marítimo-turísticos devem ter uma embarcação com motor,
exclusivamente destinada à assistência das restantes, com placa sinalética no casco
ou na superstrutura com a inscrição «EA» (embarcação de assistência).
 Embarcações de recreio: para aluguer e pesca turística, até ao limite de 12 pessoas
(excluindo a tripulação);
 Embarcações de comércio que transportem mais de 12 passageiros.

As embarcações de apoio devem dispor de uma inscrição no costado, constituída pelo


nome da embarcação principal a que pertencem, seguida da palavra «APOIO», de altura
não inferior a 6 cm, devendo ser numeradas, caso haja mais do que uma.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

Consideram-se embarcações de apoio as embarcações miúdas, com ou sem motor,


embarcadas ou rebocadas, destinadas a apoiar a embarcação principal, nomeadamente em
situações de embarque ou desembarque.

1.2 Contexto associativo

A APECATE - Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação


Turística e Eventos, constituída por escritura pública em 17 de Janeiro de 2007, é uma
associação empresarial que resulta da fusão de três associações:
 a APOPC - Associação Portuguesa de Organizadores Profissionais de Congressos,
 a PACTA - Associação Portuguesa de Empresas de Animação Cultural e de Turismo
de Natureza e Aventura,
 a AOPE - Associação de Organizadores Profissionais de Eventos.

As razões que motivaram esta fusão decorrem da natural complementaridade e progressiva


interpenetração existente entre os três sectores, mas, também, da profunda identidade de
pontos de vista entre as três associações sobre os principais problemas dos sectores que
representam e cujos produtos consubstanciam o que de mais inovador existe no Turismo
em Portugal.

A APECATE herda, pois, o trabalho, os projetos e o prestígio das três associações


fundadoras e assume, agora com mais força, melhores meios e novos recursos, a
representação destes sectores e a responsabilidade de apoiar as suas necessidades e de
servir os seus interesses.

O funcionamento da APECATE
Uma fusão entre associações que representam três sectores distintos e complementares da
atividade económica só faz pleno sentido quando assenta no reconhecimento da identidade
de cada um e tem como objetivo reforçar as suas naturais sinergias.

50
ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

A essência desta fusão está expressa, de uma forma muito clara, na parte dos Estatutos da
APECATE que diz respeito às chamadas Secções Especializadas.

As Secções Especializadas - à partida 3 (eventos, congressos e animação turística) - têm


como função tratar dos problemas profissionais específicos do seu ramo de atividade.

A importância que lhes é conferida é evidente: fazem parte dos corpos sociais da
Associação, a par da Direção, da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal, tendo, cada uma,
um representante com assento, por inerência, na Direção da Associação. Mais, só os
membros da Direção das Secções Especializadas podem concorrer aos cargos de Presidente
e Vice-Presidentes da Associação.

Esta orgânica é considerada o instrumento fundamental da fusão uma vez que:


garante a continuidade do trabalho até agora desenvolvido por cada associação fundadora
e a transição do seu património para a nova associação;
 Representa um passo em frente relativamente ao trabalho das associações
fundadoras: ao permitir que um associado participe no trabalho de várias
secções, cria as condições necessárias para que, no âmbito de uma única
associação, sejam apoiadas todas as empresas cujo objeto inclua, em
simultâneo, a organização de eventos, congressos e atividades de animação
turística;
 Promove, ao nível da Direção, a -unidade na diversidade- que motivou esta
fusão, o que contribuirá decisivamente para a criação de novas e vantajosas
relações entre as empresas dos três sectores;
 Finalmente, ao admitir a possibilidade de criação de outras secções
especializadas, afirma-se ainda como uma fusão aberta a outros sectores de
atividade complementares dos congressos, dos eventos e da animação
turística.

São estes os objetivos da APECATE: juntar esforços, fomentar a união profissional,


aprofundar a colaboração entre os seus associados e afirmar a importância estratégica
destes sectores para o desenvolvimento do Turismo em Portugal.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

2. Profissionais da animação

2.1. Funções e principais competências

Os animadores turísticos são os profissionais que planeiam, organizam e promovem


diversas atividades de animação.

Dado que existem várias áreas de animação turística, estes profissionais habitualmente
especializam-se numa delas, podendo desenvolver atividades tão diferentes como a
animação desportiva em terra, na água, ou no ar; a animação na natureza (observação da
fauna, da flora, das configurações geológicas da terra, etc.); entre um imenso leque de
possibilidades.

Também se podem especializar na animação de grupos divididos por faixas etárias


(crianças, jovens, adultos ou seniores), ou no acompanhamento de grupos portadores de
incapacidades físicas ou psíquicas.

Também aos animadores turísticos é-lhes exigido um variado conjunto de competências


profissionais, das quais se destacam a capacidade para preparar e realizar programas de
animação adequados às expectativas dos turistas, bem como ter uma sólida preparação na
respetiva área de especialização.

Devem ainda ter fortes noções de segurança e primeiros socorros, uma vez que deverá ser
salvaguardada sempre, a integridade física dos clientes, especialmente nas atividades de
animação desportiva ou de animação na natureza.

As funções dos profissionais de animação turística estão oficialmente definidas no


catálogo nacional de qualificações, as quais se passam a transcrever:

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

OBJETIVO GLOBAL - Efetuar o planeamento, a organização, a comercialização e


a dinamização de atividades de animação turística, de modo a garantir um
serviço de qualidade e a satisfação dos clientes.

ATIVIDADES

1. Planear atividades de animação turística, em colaboração com os órgãos


responsáveis da organização, tendo em conta, a estratégia e a política comercial
da organização, os clientes alvo e o mercado:
 Acompanhar as tendências de evolução de tipos e segmentos de turismo, bem
como de novos programas de animação turística;
 Proceder à atualização de informação turística de carácter geral, histórico e cultural,
de forma a elaborar novos programas de animação turística ou reformulá-los;
 Auscultar as motivações e interesses dos clientes, de modo a constituir uma oferta
de atividades de animação turística vendáveis e a garantir a sua satisfação;
 Colaborar no planeamento e na aquisição de produtos de consumo e de
equipamentos necessários à realização das atividades de animação turística;
 Colaborar na determinação dos recursos humanos a afetar às atividades de
animação turística, tendo em conta, nomeadamente, as atividades a efetuar, as
condições do espaço onde se realizarão as atividades e o número de participantes;
 Colaborar na implementação de programas de promoção das atividades de
animação turística comercializadas.

2. Organizar, desenvolver e comercializar atividades de animação turística, em


espaços abertos e/ou fechados, de acordo com a estratégia e a política
comercial da organização e as necessidades e as motivações dos clientes:
 Elaborar programas de animação turística, definindo, nomeadamente, as atividades
a realizar, os objetivos a alcançar, a duração de cada atividade, o alojamento e o
orçamento;
 Prestar informações e aconselhar os clientes sobre os programas de animação
turística, nomeadamente, os recursos turísticos e culturais e as infraestruturas de
lazer da região e a oferta de serviços adicionais e complementares, promovendo-os
e transmitindo aos clientes toda a informação e documentação sobre estes;

54
ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

 Efetuar a comercialização de atividades de animação turística, nomeadamente,


informando os clientes sobre as opções possíveis e as alternativas, calculando
tarifas, preços, condições especiais e encargos adicionais e acordando as condições
de pagamento;
 Proceder às reservas dos produtos e serviços associados às atividades de animação
turística a desenvolver, nomeadamente, transporte, alojamento, alimentação e
acesso a atrações turísticas e entretenimento, utilizando, quando necessário, as
tecnologias de informação e comunicação, e de acordo com as condições acordadas
com os clientes;
 Emitir os bilhetes, os vouchers e outra documentação necessária à prestação dos
serviços de animação turística;
 Proceder à faturação dos produtos e serviços de animação turística adquiridos e
emitir a respetiva fatura.

3. Prestar assistência aos clientes com vista a garantir um serviço de qualidade


e de acordo com os procedimentos adequados:
 Prestar informações detalhadas aos clientes sobre os serviços de animação turística
adquiridos;
 Assegurar a resposta a alterações e cancelamentos das atividades de animação
turística, assim como, a imprevistos e contingências entretanto surgidas,
respeitantes, nomeadamente, aos clientes, aos espaços de realização das atividades
e aos transportes;
 Atender a reclamações e sugestões dos clientes, identificando as suas necessidades
e expectativas e assegurando a sua resolução/satisfação e/ou transmitindo-as ao
seu superior hierárquico;
 Contactar com os clientes após a realização das atividades de animação turística, de
forma a identificar possíveis anomalias e avaliar o seu grau de satisfação com o
serviço prestado.

4. Efetuar o atendimento e a receção de clientes aquando da realização das


atividades de animação turística, de acordo com os procedimentos adequados e
as necessidades e as motivações dos clientes:

55
ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

 Atender e receber clientes no local de realização das atividades de animação


turística, nomeadamente, acolhendo-os e dando-lhes as boas vindas e motivando-
os para a participação nas atividades;
 Conduzir briefings antes da realização das atividades de animação turística, de
modo, nomeadamente, a prestar informações e a fornecer orientações sobre as
atividades a realizar e os procedimentos de segurança a aplicar, assim como, a
preparar os participantes para eventuais imprevistos que possam ocorrer e
assegurar formas de atuação corretas.

5.Dinamizar e conduzir atividades de animação turística, nomeadamente,


organizando as atividades e os participantes no tempo e no espaço previsto para
a animação, demonstrando os objetivos e as regras das atividades, fornecendo
indicações aos participantes sobre os progressos e os resultados atingidos e
garantindo a aplicação das normas de segurança adequadas.

6. Efetuar o acompanhamento e a avaliação das atividades de animação turística


desenvolvidas, nomeadamente, registando o grau de satisfação e de
participação dos clientes nas atividades, assim como, as eventuais anomalias
ocorridas e propondo as necessárias correções ou alterações ao serviço.

7.Efectuar ou colaborar na prospeção de novos clientes, assim como, na gestão


da carteira de clientes.

8. Elaborar relatórios e outros documentos de controlo, relativos à sua atividade.

COMPETÊNCIAS

SABERES
Noções de:
1. Matemática – métodos quantitativos.
2. Técnicas de gestão de clientes.
3. Gestão de stocks.
4. Divulgação e promoção de atividades de animação turística

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

5. Funcionamento e organizações do sector do turismo.


6. Orçamentação.
7. Mercado turístico nacional e internacional.
8. Técnicas de primeiros socorros.
9. Segurança, higiene e saúde aplicadas à atividade profissional.
10. Planeamento e organização do trabalho.
11. Qualidade dos produtos e serviços turísticos

Conhecimentos de:
20. Legislação aplicada à atividade profissional.
21. Relações interpessoais e comunicação.
22. Língua inglesa e outra língua estrangeira (conversação fluente e utilização de
vocabulário técnico específico).
23. Comercialização de atividades de animação turística (tarifários, taxas, descontos,
reservas e faturação de atividades de animação turística).
24. Informática aplicada à atividade turística.
25. Técnicas de venda e de negociação.
26. Técnicas de atendimento e receção de clientes.
27. Informação turística.
28. Técnicas de assistência ao cliente.
29. Tipologia e caracterização dos produtos de consumo e dos equipamentos utilizados nas
atividades de animação turística.

Conhecimentos aprofundados de:


21. Técnicas de condução de briefings.
22. Técnicas de animação turística.
23. Organização de atividades de animação turística.

SABERES-FAZER
1. Aplicar as técnicas de planificação de atividades de animação turística.
2. Identificar as tendências de evolução de tipos e segmentos de turismo, bem como, de
novos programas de animação turística.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

3. Utilizar as técnicas e os métodos de recolha de informação turística de carácter geral,


histórico e cultural.
4. Identificar as motivações e interesses dos clientes.
5. Identificar as necessidades de produtos de consumo e de equipamentos.
6. Aplicar as técnicas e os instrumentos de planeamento e organização de recursos
humanos.
7. Aplicar as diretrizes comerciais da organização.
8. Utilizar os métodos e as técnicas de promoção das atividades de animação turística.
9. Utilizar as técnicas e os métodos de elaboração de programas de animação turística.
10. Utilizar os métodos e as técnicas de comercialização de atividades de animação
turística.
11. Aplicar os métodos e as técnicas de execução de orçamentos.
12. Aplicar as técnicas de comunicação.
13. Aplicar as técnicas de atendimento e receção de clientes.
14. Aplicar as técnicas de venda e de negociação.
15. Utilizar os métodos e os procedimentos adequados às operações de reservas dos
produtos e serviços associados às atividades de animação turística.
16. Utilizar os meios informáticos aplicados à atividade turística.
17. Utilizar os procedimentos adequados à emissão de bilhetes, vouchers e outra
documentação.
18. Utilizar os procedimentos necessários à faturação dos produtos e serviços de animação
turística e à emissão de faturas.
19. Utilizar os procedimentos adequados à prestação de assistência aos clientes.
20. Utilizar os procedimentos adequados de resposta a situações anómalas na prestação do
serviço turístico.
21. Aplicar os procedimentos adequados à resolução/tratamento de reclamações e
sugestões de clientes e definir medidas corretivas.
22. Aplicar as técnicas de condução de briefings.
23. Aplicar as técnicas de animação turística.
24. Aplicar as técnicas de primeiros socorros em situações de emergência.
25. Utilizar as técnicas e os instrumentos de acompanhamento e avaliação das atividades
de animação turística desenvolvidas.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

26. Exprimir-se oralmente e por escrito, em língua portuguesa, em língua inglesa e em


outra língua estrangeira, de forma a facilitar a comunicação com clientes e com outros
interlocutores.
27. Utilizar a documentação técnica respeitante ao registo da atividade desenvolvida.
28. Aplicar as normas de segurança, higiene, saúde e proteção ambiental respeitantes à
atividade profissional.
29. Aplicar as normas e os procedimentos de sistemas de gestão na área da qualidade

SABERES-SER
1. Identificar-se com os objetivos e a cultura da organização.
2. Comunicar, a nível interno e externo à organização, com interlocutores diferenciados.
3. Facilitar o relacionamento interpessoal a nível interno e externo à organização.
4. Integrar as normas de segurança, higiene, saúde e proteção ambiental no exercício da
sua atividade profissional.
5. Integrar as normas e os procedimentos de sistemas de gestão na área da qualidade no
exercício da sua atividade profissional.
6. Tomar iniciativa no sentido de encontrar soluções adequadas para a resolução de
problemas.
7. Adaptar-se a novas situações e formas de organização do trabalho.
8. Motivar os clientes para a utilização dos serviços da organização

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

2.2. Contexto socioprofissional

Os animadores turísticos têm fortes perspetivas de entrada no mercado de trabalho;


todavia, esta é ainda uma profissão pouco consolidada, pelo que se aconselha uma
permanente atualização na respetiva área profissional e uma boa preparação técnica base.

É de salientar que já existem alguns estabelecimentos de ensino superior que lecionam


cursos nesta vertente da área turística. Os profissionais podem trabalhar em micro e
pequenas empresas (turísticas ou de animação turística) ou optar pelo regime de
freelancer.

Existem várias entidades que podem fornecer informações adicionais sobre estas
profissões, nomeadamente:

* Associação de Técnicos de Turismo (ATT), Av. do Atlântico (ESTG), 4900-348 Viana do


Castelo, Tlf./ Fax: 258826822.
Página na Internet: http://www.atturismo.pt

* Ass. Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, R. Duque de Palmela, 2 - 1º Dt.º,


1250-098 Lisboa, Tlf. 213553010, Fax: 213145080.
Página na Internet: http://www.apavtnet.pt

* Sind. Nac. da Atividade Turística, Tradutores e Intérpretes, R. do Telhal, 4 - 3º


Esq.º, 1150-346 Lisboa, Tlf. 213467170/213423298.
Página na internet: http://www.snatti.org/main/index.php?item=12

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

2.3. Exigências de formação e certificação

A constituição e desenvolvimento do subsector da Animação Turística transformaram a


questão da formação e certificação dos profissionais ao serviço das empresas de animação
turística numa questão urgente e incontornável.

Esta questão é especialmente relevante no que respeita aos técnicos que operam no
campo das atividades de ar livre, genericamente denominados "animadores outdoor", áreas
para as quais não existe qualquer formação certificada específica.

Com efeito, os únicos cursos profissionais existentes em áreas similares, são os


reconhecidos pelo Instituto do Desporto e ministrados sob a égide das Federações
Desportivas.

Neste quadro, a Secção de Animação Turística da APECATE decidiu assumir a


responsabilidade de construir um modelo de formação, considerando que o
trabalho que se propõe fazer, porque decorrente da experiência de profissionais /
empregadores do sector, terá a qualidade e o grau de exigência requeridos para que
venham, a curto prazo, a ser reconhecidos e certificados.

Para tal, foi constituído um Conselho de Formação, coordenado pela Direção da Secção de
Animação Turística. Este Conselho tem como funções validar e promover o Plano de
Formação de Ativos e emitir, em nome da APECATE - Secção de Animação Turística, os
respetivos Diplomas.

Dos resultados deste trabalho, destaca-se a proposta de criação de 4 níveis de


competências para os Animadores Outdoor. O nosso Plano de Formação integra já esta
definição.

NÍVEIS DE COMPETÊNCIA

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

 Animador A1 - Possui as competências necessárias / técnicas, comportamentais e


turísticas - para acompanhar e enquadrar, em condições de segurança, grupos de
clientes em ambiente outdoor, sob supervisão. É o primeiro nível da nossa
profissão.
 Animador A2 - Possui as competências necessárias / técnicas, comportamentais e
turísticas para acompanhar e enquadrar, em condições de segurança, grupos de
clientes em ambiente outdoor, sem supervisão.
 Animador A3 - Possui competências técnicas e comportamentais extraordinárias e
capacidade de gestão de grupos de especialistas em ambiente outdoor. Incluem-se
neste grupo, por exemplo, indivíduos com capacidade para organizar expedições de
ponta nas diversas atividades.
 Animador A4 - Corresponde ao Animador Coordenador, possuindo competências
para coordenar o trabalho dos animadores existentes numa organização.

O Plano visa a formação e certificação de Animadores A1 e A2.

CERTIFICAÇÃO PROFISSIONAL
A profissão de Animador Outdoor é essencialmente turística. Lidamos com clientes. Por
esta razão, o nosso Plano de Formação visa uma aquisição integrada de competências,
associando a componente técnica às componentes comportamentais e turísticas.

A Certificação Profissional que propomos reflete esta opção. Assim, a atribuição do nível A1
em qualquer área técnica exige a frequência dos cursos de Iniciação à Atividade Turística e
de Suporte Básico de Vida, e a atribuição do nível A2 os cursos de Animação Turística e de
Socorrismo.

De referir ainda que, tratando-se de um Plano de Formação dirigido a Ativos, estão


previstas candidaturas aos diversos níveis de certificação através da prestação de provas
(estágios e exames), desde que cumpridos os requisitos exigidos em cada situação.
Qualquer certificação terá um prazo de validade, devendo ser revalidada através da
frequência de um Curso de Atualização.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

PLANO DE FORMAÇÃO DE ATIVOS

SÍNTESE, REQUISITOS DE ACESSO, CERTIFICADOS

SÍNTESE DO PLANO - 1º FASE


A) FORMAÇÃO GERAL
CURSOS
Introdução à Atividade Turística A1 - 07 h
Animação Turística A2 - 28 h
Suporte Básico de Vida - 07 h

Curso Básico de Socorrismo - 28 h

B) FORMAÇÃO ESPECÍFICA / ÁREAS TÉCNICAS


CURSOS
Canyonning - A1
Canyonning - A2
Espeleologia - A1
Espeleologia - A2
Canoagem em Águas Calmas - A2
Canoagem em Águas Bravas - A2
Rafting - A2
Orientação - A1
Orientação - A2
Pedestrianismo - A1
Pedestrianismo - A2
Técnicas e Segurança em Atividades com Cabos - A1
Técnicas e Segurança em Atividades com Cabos - A2
Escalada - A1
Escalada - A2

ÁREAS TÉCNICAS - CONDIÇÕES DE ACESSO


Cursos A1

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

As condições de acesso aos cursos A1 encontram-se definidas na Ficha de Inscrição


respetiva.
Exames A1
Podem candidatar-se a exame dos Cursos A1 sem frequência do respetivo curso os técnicos
ao serviço de Empresas de Animação Turística por estas propostos, desde que cumpram os
requisitos referidos na Ficha de Exame respetiva.

Cursos A2
Sem prejuízo de outras condições definidas na respetiva Ficha de Inscrição, o acesso aos
cursos de nível A2 faz-se através da apresentação do Certificado do Curso de Nível A1 da
área respetiva, de Certificado equivalente que seja reconhecido pelo Conselho de Formação
e, quando se aplique, da prestação da respetiva prova de acesso.

Regimes de exceção
Entrada direta em cursos A2
Podem propor-se à entrada direta em cursos A2, os candidatos propostos por empresas de
Animação Turística, desde que sejam cumpridos os seguintes requisitos:
- apresentação do curriculum do candidato validado pela empresa proponente;
- avaliação positiva deste curriculum pelo Conselho de Formação
- prestação positiva de prova de acesso, correspondente ao exame final do nível A1
respetivo.

CERTIFICADOS DE ANIMADORES
A emissão do CERTIFICADO DE ANIMADOR A1 exige:
 o certificado do curso da área técnica correspondente
 o certificado do curso de Suporte Básico de Vida
 o certificado do curso de Iniciação à Atividade Turística

A emissão do CERTIFICADO DE ANIMADOR A2 exige:


 o certificado do curso da área técnica correspondente
 o certificado do curso básico de Socorrismo
 o certificado do curso de Animação Turística

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

2.4. Questões deontológicas

CÓDIGO DEONTOLÓGICO DOS ASSOCIADOS DA APECATE

O presente Código Deontológico estabelece linhas orientadoras de conduta para os


Associados da APECATE, tendo como objetivo o estabelecimento de uma salutar e ética
colaboração entre os seus membros, clientes e fornecedores.

Estes princípios são aceites por todos os associados e a sua prática dignifica e prestigia a
Associação e o mercado.

Código Deontológico dos Associados da APECATE


 Manter a integridade profissional, agindo honestamente dentro da suas áreas de
competência.

 Evitar ações que possam ser interpretadas como conflitos de interesses ou


favorecimento.
 Oferecer ou aceitar apenas remunerações, bens e serviços no âmbito das
transações negociais decorrentes do normal funcionamento do negócio.
 Utilizar práticas negociais profissionais, honrando os contratos escritos e verbais,
procurando garantir uma comunicação clara e inequívoca entre as partes e
respeitando os direitos legais e contratuais de terceiros.
 Assegurar o direito à privacidade e proteger a confidencialidade das informações
privilegiadas recebidas verbalmente, por escrito e eletronicamente.
 Respeitar os direitos autorais, não utilizando informação privilegiada ou confidencial.
 Empenhar-se na proteção do património natural e cultural, através da utilização
responsável dos recursos necessários à sua atividade profissional.
 Procurar atingir ativamente níveis crescentes de competência profissional, através
da formação contínua e da partilha de conhecimentos e experiências.

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ufcd 3473 - Desenho e organização de programas e atividades de animação

 Respeitar a diversidade, abraçando e mantendo um clima negocial de respeito por


todas as pessoas, independentemente da sua origem, raça, religião, sexo, estado
civil, idade, orientação sexual e capacidades físicas e mentais.
 Aderir a estes princípios significa profissionalismo, competência, justiça nos
negócios e integridade.

CÓDIGO DE CONDUTA DAS EMPRESAS DE TURISMO DE NATUREZA

Responsabilidade empresarial
As empresas organizadoras de atividades de turismo de natureza:
1) São responsáveis pelo comportamento dos seus clientes no decurso das
atividades de turismo de natureza que desenvolvam, cabendo -lhes garantir,
através da informação fornecida no início da atividade e do acompanhamento do
grupo, que as boas práticas ambientais são cumpridas;
2) Sempre que os seus programas tenham lugar dentro de áreas protegidas, devem
cumprir as condicionantes expressas nas respetivas cartas de desporto de natureza,
planos de ordenamento e outros regulamentos, nomeadamente no que respeita às
atividades permitidas, cargas, locais e épocas do ano aconselhadas para a sua
realização;
3) Devem respeitar a propriedade privada, pedindo autorização aos proprietários
para o atravessamento e ou utilização das suas propriedades e certificando -se de
que todas as suas recomendações são cumpridas, nomeadamente no que respeita à
abertura e fecho de cancelas;
4) Na conceção das suas atividades devem certificar- -se de que a sua realização no
terreno respeita integralmente os habitantes locais, os seus modos de vida,
tradições, bens e recursos;
5) Devem assegurar que os técnicos responsáveis pelo acompanhamento de grupos
em espaços naturais têm a adequada formação e perfil para o desempenho desta
função, quer ao nível da informação sobre os recursos naturais e os princípios da
sua conservação, quer ao nível da gestão e animação de grupos;
6) São co -responsáveis pela salvaguarda e proteção dos recursos naturais
devendo, quando operam nas áreas protegidas e outros espaços naturais, informar

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o ICNB, I. P., ou outras autoridades com responsabilidades na proteção do


ambiente, sobre todas as situações anómalas detetadas nestes espaços;
7) São agentes diretos da sustentabilidade das áreas protegidas e outros espaços
com valores naturais devendo, sempre que possível, utilizar e promover os serviços,
cultura e produtos locais;
8) Devem atuar com cortesia para com outros visitantes e grupos que se encontrem
nos mesmos locais, permitindo que todos possam desfrutar do património natural.

Boas práticas ambientais


Em todas as atividades de turismo de natureza:
1) Devem ser evitados ruídos e perturbação da vida selvagem, especialmente em
locais de abrigo e reprodução;
2) A observação da fauna deve fazer -se à distância e, de preferência, com
binóculos ou outro equipamento ótico apropriado;
3) Não devem ser deixados alimentos no campo, nem fornecidos alimentos aos
animais selvagens;
4) Não devem recolher -se animais, plantas, cogumelos ou amostras geológicas;
5) Quando forem encontrados animais selvagens feridos estes devem, sempre que
possível, ser recolhidos e entregues ao ICNB, I. P., ou ao Serviço de Proteção da
Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA), ou a situação
reportada aos referidos organismos, para encaminhamento para centros de
recuperação ou outros locais de acolhimento adequados;
6) Os acidentes ou transgressões ambientais detetados devem ser prontamente
comunicados ao serviço SOS Ambiente e Território, ao ICNB, I. P., ou ao SEPNA;
7) O lixo e resíduos produzidos devem ser recolhidos e depositados nos locais
apropriados;
8) Só deverá fazer -se lume nos locais autorizados para o efeito;
9) Seja qual for a natureza da atividade, todas as deslocações que lhe são inerentes
devem utilizar caminhos e veredas existentes;

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Bibliografia

 Prieto, Julia Gomes et al. (1992) Rutas y itinerarios turisticos en Espana, Madrid,
Editorial Sintesis
 Picazo, Carlos (1996) Asistencia y Guía a grupos turísticos, Madrid, Editorial Sintesis
 Puertas, Xavier (2004) Animación en el âmbito turístico, Madrid, Editorial Sintesis.
 Torres, Zilah (2004) Animação Turística, 3ª edição, São Paulo, Editora Roca.

Legislação
 Decreto-Lei nº 108/ 2009, de 15 de Maio – Regime jurídico das empresas de
animação turística

Webgrafia
 Perfil profissional: Técnico de informação e animação turística – Catálogo Nacional
de qualificações
http://www.catalogo.anq.gov.pt/
 APECATE – Associação Portuguesa das empresas de congressos, animação turística
e eventos
http://194.79.84.222/APECATEWeb/homepage.do2
 Associação de Técnicos de Turismo (ATT)
http://www.atturismo.pt
 Ass. Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo
http://www.apavtnet.pt
 Sind. Nac. da Atividade Turística, Tradutores e Intérpretes
http://www.snatti.org/

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