*Hipoderme ou Tecido celular subcutâneo? Não faz parte da pele. É um tecido conjuntivo frouxo que pode conter muitas células adiposas
(panículo adiposo). Serve apenas para unir a pele com órgãos subjacentes.
*Fatores responsáveis pela cor da pele? Quantidade de melanina ativada, quantidade de caroteno, capilares sanguíneos e a cor do sangue
nesses capilares. Além de fatores genéticos, ambientais e endócrinos.
*Hidratação da pele? Ocorre principalmente através da passagem de suor, que tem como componentes a água e sais minerais, pela derme e
epiderme.
*Funções da pele:
Proteção contra desidratação e atrito.
Sensitiva
Termorregulação: A pele também tem a função de regular a temperatura corpórea. Quando a temperatura ambiental esta muito
alta, as glândulas sudoríparas écrinas produzem e lançam na superfície do corpo mais suor. Esse suor utiliza o calor da pele e
evapora, abaixando a temperatura corporal. Por outro lado, quando a temperatura ambiental abaixa, as glândulas produzem menos
suor e evitam a perda de calor do corpo.
Excreção de substâncias
Produção de substâncias (melanina e Vit. D3 ou calciferol)
Imunológica (As células de Langerhans estão presentes em toda epiderme, principalmente na camada espinhosa, entre os
queratinócitos. São células muito ramificadas que tiveram origem nas células precursoras da medula óssea. Elas ao capitarem um
antígeno, o processam e o apresentam aos linfócitos T, estimulando a resposta imune. Ou seja, as células de Langerhans possuem
um papel muito importante nas reações imunitárias cutâneas)
Reservatório de sangue (Essa função tem relação direta com a termorregulação da pele. Quando o ambiente esta quente, os vasos
sanguíneos da pele (localizados na derme) se dilatam, o fluxo de sangue aumenta e, assim, há maior condução de calor. Quando a
temperatura ambiental diminui, os vasos se contraem e controlam/limitam o fluxo sanguíneo promovendo uma redução na perda de
calor)
*Papilas dérmicas e Cristas epidérmicas? Projeções e reentrâncias, respectivamente, que se encaixam aumentando a coesão entre a derme e
epiderme.
*Melanina? Existem dois tipos! A eumelanina (pigmento que vai do castanho ao negro) e a feomelanina (pigmento que vai amarelo ao
marrom-avermelhado. São produzidos nos melanócitos pela transformação da tirosina (aminoácido) em melanina com a ajuda da enzima
tirosinase. Nas células epiteliais, localizam-se em posição supranuclear, oferecendo proteção máxima ao DNA.
*Classificação de Fitzpatrick: Leva em consideração 6 tipos diferentes de pele:
Tipo 1: Pele muito clara , sempre queima, nunca bronzeia
Tipo 2: Pele clara, sempre queima e algumas vezes bronzeia
Tipo 3: Pele menos clara, algumas vezes queima e sempre bronzeia
Tipo 4: Pele morena clara raramente queima e sempre bronzeia
Tipo 5: Pele morena escura, nunca queima e sempre bronzeia
Tipo 6: Pele negra, nunca queima, sempre bronzeia
Epiderme
Constituição: epitélio estratificado pavimentoso queratinizado.
Reconstituição: renova-se a cada 15 a 30 dias, dependendo do local e idade da pessoa.
Células da epiderme:
1. Queratinócitos: São as mais abundantes, sofrem queratinização e, simultaneamente, deslocam-se para cima.
2. Melanócitos: Produzem melanina, encontram-se na junção da derme com a epiderme, originam-se das cristas neurais do embrião e
levam a melanina através de seus prolongamentos aos queranócitos das camadas basal e espinhosa.
3. Células de Langerhans: Localizam-se em toda epiderme, originam-se de células precursoras da medula óssea. São capazes de captar
antígenos, processá-los e apresentá-los aos linfócitos T.
4. Células de Merkel: Existentes em maior quantidade na região palmar e plantar, localizam-se na parte profunda da epiderme
(apoiadas na membrana basal). São mecanorreceptores, pois, em contato com essas células estão estruturas em forma de disco,
onde se inserem fibras nervosas aferentes (condutores de impulsos para o SNC).
Camadas da epiderme: (BEGLC)
1. Camada basal ou germinativa: formada por células prismáticas ou cubóides, basófilas, repousa sobre a membrana basal, rica em
células-tronco, suas células contém filamentos intermediários de queratina, possui intensa atividade mitótica.
2. Camada espinhosa: formada por células cubóides ou ligeiramente achatadas que contém feixes de filamentos de queratina
(tonofilamentos) que se unem às células vizinhas por meio de desmossomos, também possui atividade mitótica, sendo que em
menor número que na camada basal.
3. Camada granulosa: contém 3-5 fileiras de células poligonais achatadas, núcleo central e citoplasma cheio de grânulos basófilos
(grânulos querato-hialina) e grânulos lamelares que expulsam seu conteúdo para o espaço intercelular, onde o material lipídico se
deposita e forma uma barreira contra a desidratação e penetração de substâncias.
4. Camada lúcida: formada uma camada de células achatadas, eosinófilas e translúcidas com citoplasma rico em filamentos de
queratina e sem núcleo ou organelas citoplasmáticas; mais evidente na pele espessa.
5. Camada córnea: formada por células achatadas, mortas, sem núcleo e citoplasma repleto de queratina.
Derme
- É o tecido conjuntivo onde se apóia a epiderme e une a pele a hipoderme.
Camadas da derme: (PR)
1. Camada papilar: Formada por tecido conjuntivo frouxo, delgada, possui fibrilas de colágenos responsáveis pela fixação da derme à
epiderme, além de conter vasos sanguíneos responsáveis pela nutrição e oxigenação da epiderme.
2. Camada reticular: Formada por tecido conjuntivo denso, espessa, possui fibras do sistema elástico, além de vasos sanguíneos e
linfáticos, nervos, folículos pilosos, glândulas sebáceas e sudoríparas.
Anexos da pele
1. Vasos e receptores sensoriais da pele
Plexos arteriais: São dois! Um está situado entre a derme e a hipoderme e o outro entre as camadas reticular e papilar da derme.
Plexos venosos: São três! Dois estão situados na mesma posição dos plexos arteriais e a terceira na região média da derme.
Vasos linfáticos: Iniciam-se nas papilas dérmicas como capilares de fundo cego e partem para plexos nas mesmas localizações dos
plexos arteriais.
Receptores sensoriais: Podem ser encapsulados ou não. Estão na derme e hipoderme, sendo mais frequentes nas papilas dérmicas.
Essas terminações nervosas são sensíveis às variações de temperatura, dor, coceira, etc. São os receptores encapsulados:
Corpúsculos de Ruffini, Vater-Pacini, Meissner e Krause. Estes corpúsculos NÃO são essenciais à sensibilidade cutânea, mas
funcionam como mecanorreceptores.
2. Pêlos
Folículo piloso: Invaginação da epiderme, onde origina-se o pêlo.
Bulbo piloso: Dilatação terminal.
Papila dérmica: Centro do bulbo piloso.
Raiz do pêlo: Porção fixa dentro da papila.
LESÕES ELEMENTARES - Modificação externas do tegumento cutâneo determinadas por processos inflamatórios,
degenerativos, circulatórios, neoplásicos, por distúrbio do metabolismo ou por defeito de
formação.
Primárias: Aparecem sem serem precedidas por nenhuma alteração macroscópica.
Lesões elementares
Secundárias: Resultam da evolução das primárias.
MANCHA OU MÁCULA - Área circunscrita de coloração diferente da pele que a circunda. NÃO apresenta alterações na superfície, ou
seja, está no mesmo plano do tegumento. Dividem-se em 4 tipos:
a) Máculas Pigmentares: Alterações do pigmento melânico (melanina).
Hipocrômicas ou acrômicas - Diminuição ou ausência de melanina. (Vitiligo, hanseníase, albinismo)
Hipercrômicas - Aumento de pigmento melânico. (Efélides=sardas, pelagra)
b) Manchas Vasculares: Distúrbios da microcirculação da pele. Podem aparecer após compressão (digitopressão, puntipressão e
vitropressão).
Telangiectasia - Decorre da dilatação de vasos terminais, tais como arteríolas, vênulas e capilares. Desaparece à puntipressão.
(microvarizes, aranhas vasculares)
Mancha hiperêmica ou eritematosa- Decorre da vasodilatação e tem cor rósea ou vermelho-viva. Desaparece à vitropressão e à
digitopressão. (sarampo, varicela, rubéola, sífilis, alergias)
c) Manchas Hemorrágicas: "Sufusões Hemorrágicas". NÃO desaparecem após a compressão. Coloração do avermelhado-arroxeado ao
amarelo, dependendo do tempo de evolução. (traumatismos, alterações capilares e discrasias sanguíneas)
Petéquias- Puntiformes
Víbices- Forma linear
Equimoses- Forma de placas (Quando o sangue acumulado consegue produzir uma elevação da pele, é denominado hematoma)
Evolução do hematoma:
até 48 horas são avermelhadas
de 48 a 96 horas tornam-se arroxeadas
do 5º ao 6º dia ficam azuladas
do 6º ao 8º dia ficam amarelas
após o 9º dia, a coloração da pele volta ao normal.
d) Deposição Pigmentar: Deposição de hemossiderina, bilirrubina, pigmento carotênico, corpos estranhos (tatuagens) e pigmentos
metálicos.
PÁPULAS - Elevações sólidas da pele, de pequeno tamanho (até 0.5cm de diâmetro), superficiais, bem delimitadas. (picadas de
inseto, leishmaniose, verruga, acne, hanseníase)
a) Epidérmicas: Espessamento global da epiderme.
b) Dérmicas: Espessamento da derme.
c) Dermo-epidérmicas: Espessamento misto da derme e epiderme.
TUBÉRCULOS - Elevações sólidas (com diâmetro maior que o,5cm), salientes, circunscritas, encaixadas superficialmente na derme.
Ulceram-se, por vezes, durante sua evolução. Pode ser de consistência mole ou firme. (sífilis, hanseníase, neoplasias)
NÓDULOS, NODOSIDADE E GOMA - Formas sólidas hemisféricas localizadas na hipoderme resultantes de infiltrações inflamatórias e
edematosas. Podem ser dolorosas ou não, firmes, elásticas ou moles. Quando de pequeno tamanho são chamados Nódulos, quando
maiores são as Nodosidades e quando tendem ao amolecimento e ulceração são as Gomas. (furúnculo, hanseníase, sífilis,
cisticercose=nódulos e nodosidades)(sífilis, tuberculose, micoses=gomas)
LESÃO URTICADA OU TIPO URTICÁRIA - Formações sólidas e achatadas, de formas variáveis. Frequentemente eritematosas e quase
sempre pruriginosas. Lesão resultante da urticária.
QUERATOSE - Espessamento superficial da epiderme decorrente da proliferação da camada córnea, que se torna mais dura e
inelástica. (ex: calo)
VEGETAÇÕES - Lesões sólidas, salientes, cônicas, lobulares, filiformes (em couve-flor), de consistência mole e agrupadas em maior ou
menor quantidade. (verrugas, sífilis, leishmaniose, granuloma venéreo)
ESPESSAMENTO OU INFILTRAÇÃO - Trata da acentuação dos sulcos e da cor da própria pele, ocorrendo devido ao espessamento
camada espinhosa da epiderme. SEM acentuação das estrias. (hanseníase virchowiana)
LIQUENIFICAÇÃO - Espessamento da pele COM acentuação das estrias , resultando em um quadriculado em rede. Coçaduras
constantes. (eczemas/dermatites)
ESCLEROSE (e FIBROSE) - Aumento da consistência de pele, que se torna mais firme e aderente aos planos profundos. A diferença é
histopatológica.
EDEMA - Acúmulo de líquido no espaço intersticial. A pele torna-se lisa e brilhante.
a) Edema generalizado: Retenção de água e sódio. (cardíaco, renal, hepatopatias, nutricional, gastroenteropatias, gravidez)
b) Edema localizado: (varizes, flebites e trombos venosa, processos inflamatórios, afecções dos linfáticos, postura)
c) Linfedema: Acúmulo de linfa. Duro, inelástico, indolor, francas alterações de textura e espessamento. (elefantíase)
d) Mixedema: Acúmulo de glicoproteínas e certa retenção de água. Duro e com aspecto de pele opaca. (hipotireoidismo)
VESÍCULA - Elevação circunscrita da pele que contém líquido em seu interior (semelhante à pápula, porém contendo líquido). Não
passa dos 0,5cm de diâmetro. (varicela, herpes, zoster, queimaduras)
BOLHA - Elevação da pele contendo líquido em seu interior. Diferencia-se da vesícula pelo tamanho, pois a bolha tem maior diâmetro
(>0,5cm). (queimaduras, alergias medicamentosas)
PÚSTULA - Vesícula ou bolha com conteúdo purulento. (acne, herpes zoster, queimaduras)
ABSCESSOS - Coleções purulentas, mais ou menos circunscritas, de proporções variáveis, flutuantes, de localização dermo-
hipodérmica ou subcutânea. Chamados de abscessos quentes quando acompanhados de sinais inflamatórios e quando ausentes,
estes são agentes abscessos frios. (furunculose, hidradenite, abscesso tuberculoso)
EROSÃO OU EXULCERAÇÃO - Perda do epitélio, SEM praticamente a perda do tecido conjuntivo (derme), atingindo APENAS a
epiderme. Pode ser traumática (escoriações) ou não traumáticas (secundárias à ruptura de pústulas, vesículas e bolhas). NÃO deixa
cicatriz.
ULCERAÇÃO - Perda de estruturas que constituem a pele e que CHEGA a atingir a derme. DEIXA cicatriz. (cancro mole, ulceração da
perna, cancro duro, lesões malignas da pele)
FISSURAS OU RÁGADES - Perda de substâncias lineares, superficiais ou profundas sem a determinação de qualquer instrumento
cortante. Ulcerações lineares rasgando a derme superficial. (Pé de atleta)
FÍSTULAS - Canal estreito na pele por onde flui líquido purulento, serossanguinolento ou gomoso. (actinomicose)
ESCAMAS - Lâminas epidérmicas secas que tendem a desprender-se da superfície cutânea. Se têm o aspecto de farelo, são
furfuráceas, quando em tiras, laminares ou foliáceas. (caspa, queimadura da pele por raios solares)
ESCARAS - Porção de tecido cutâneo atingindo de necrose. A área mortificada torna-se insensível, de cor escura e está separada do
tecido sadio por um sulco.
ATROFIAS - Adelgaçamento da pele, na diminuição de sua consistência e elasticidade. Podem ser fisiológicas ou determinadas por
agentes mecânicos ou físicos. (Estrias)
CICATRIZ - Reposição do tecido destruído pela reposição do tecido fibroso circunjacente. Quando exuberantes são as "quelóides".
CERATOSES - Lesões epidérmicas caracterizadas por uma acumulação localizada de queratina.
FOTOSSENSIBILIDADE E FOTODERMATOSES - São reações, cujas primeiras alterações são o eritema e a pigmentação. O eritema não é
desenvolvido apenas pela radiação, mas também pela pigmentação melânica da pele (intrínseca: geneticamente determinada,
imutável)(facultativa: bronzeamento, mutável). O bronzeamento pode ser de dois tipos: Imediato ( oxidação da melanina
previamente existente) e o Tardio ( melanogênese ). De acordo com a classificação de Fitzpatrick, as dermatoses fotoinduzidas
podem ser:
Agudas
Queimaduras solar
Fototoxidade (Farmacogênica, Induzida por vegetais)
Fotoalergia (Farmacogênica, Urticária solar)
Idiopática (Erupção polimorfa à luz, Prurigo actínio, Hidroa vaciniforme)
Crônicas
Dermato-heliose ("fotoenvelhecimento")
Dermatite actínica crônica (lesões eritematosas e infiltradas; prurido insistente)
Lentigo solar (mácula escura e irregular)
Ceratose solar (lesões ceratósicas, rugosas, com escamas amareladas ou acastanhadas)
Câncer de pele (carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma)
Agudas e/ou Crônicas
Porfiria cutânea tardia (lesões vesiculares, erosões e fragilidade cutâneas)
Porfiria variegada
Protoporfiria eritropoiética (eritema, vesículas, bolhas)
Xeroderma pigmentoso (extrema aos raios UV, formação de eritema e edema)
Pelagra (deficiência vitamínica, protéica, lipídica e de oligoelementos; erupção eritematosa)
EDEMA: Excesso de líquido acumulado no espaço intersticial ou no interior das próprias células. No exame físico, são investigados os seguintes
parâmetros:
Localização e distribuição (localizado ou generalizado)
Intensidade (comprimindo e o local com a polpa digital e logo após o retirando, há a formação de uma "fóvea". Estabelece-se a
intensidade do edema referindo-se à profundidade da "fóvea".
Consistência (edema mole (retenção hídrica e de duração não muito longa) ou duro (existência de proliferação fibroblástica e de
duração mais longa ou acompanhados de surtos inflamatórios).)
Elasticidade (elástico=a pele retorna imediatamente à posição primitiva após a compressão; inelástico= a pele demora a voltar à
posição primitiva após compressão)
Temperatura da pele circunjacente (normal, quente=edema inflamatório, fria=comprometimento da irrigação sanguínea)
Sensibilidade da pele circunjacente (doloroso(processo inflamatório) e indolor)
outras alterações da pele circunjacente. (mudança de coloração, textura, espessura)
Anexos
Em relação aos pelos, deverão ser observados a distribuição e a quantidade. Os principais achados clínicos são os HIRSUTISMO
(aparecimento de pelos longos e mais duros em locais onde costumam existir em condições normais), HIPERTRICOSE ( crescimento excessivo
de pelos, "síndrome do lobisomem") e ALOPECIA (queda de cabelo; pode ser total-couro cabeludo- ou universal-todos os pelos do corpo)
Em relação às unhas são analisadas as seguintes características: forma ou configuração (alterações podem indicar desde carência de
algum nutriente até a presença de fungos), forma de implantação ( a angulação normal é em torno de 160º; algumas enfermidades tornam a
unha plana, com a angulação de 180º), espessura da superfície, consistência, brilho e coloração (pode representar carência de nutrientes,
entre outros; Ex: faixa de Mee, linhas brancas transversais que podem indicar insuficiência renal).
Instrumental dermatológico
- Cureta Dermatológica: Pequena raspagem da superfície que deseja ser examinada. É lenta, e normalmente não é dolorosa. Um exemplo de
utilização é para a detecção de psoríase.
- Lâmpada de Wood: É uma lâmpada com uma luz azulada. Dependendo da alteração cutânea a pele apresentará uma coloração diferente,
podendo ser esverdeada, rósea, avermelhada ou alaranjada. As hipocromias e hipercromias ficam mais destacadas com o uso da lâmpada de
Wood. O exame deve ser realizado num local escuro.
- Diascopia ou vitropressão: Consiste na visualização e pressão da pele através do vidro. É utilizada para diferir algumas lesões elementares da
pele, como o eritema das manchas hemorrágicas.
- Dermatoscópio: Funciona como uma grande lupa e proporciona um aumento de cerca de 10 a 15 vezes da área a ser examinada. Auxilia na
visualização do pigmento e da sua distribuição.
Provas cutâneas
1. Teste cutâneo de tuberculina (PPD) ou Teste de Mantoux: Este teste acusa infecção anterior pelo bacilo da tuberculose. Nos antigos
testes de tuberculina e no derivado de proteína purificada (PPD) a injeção intradérmica do antígeno de tuberculina causa uma reação
retardada de hipersensibilidade em pacientes com tuberculose (TB) ativa ou não. Uma reação positiva de tuberculina indica infecção
anterior por bacilo da tuberculose. No teste de Mantoux, um endurecimento maior que 9 mm de diâmetro significa uma reação
positiva.
2. Reação Mitsuda ou reação à lepromina: É a introdução de bacilos de Hansen mortos pelo calor em indivíduos. A reação positiva de
Mitsuda indica que os macrófagos de um indivíduo são capazes de destruir tanto os bacilos de Hansen mortos quanto os vivos. Já em
relação às pessoas em que a resposta ao teste de Mitsuda é persistentemente negativa, pode-se dizer que, se expostas ao M. leprae,
elas estarão sob risco de contágio e, quando contagiadas, de manifestar hanseníase virchowiana, apesar de ser possível supor que a
capacidade dos macrófagos de destruir os bacilos de Hansen fagocitados não é o único fator orgânico que impede a proliferação
do M. leprae.
3. Teste de contato: Os testes de contato são geralmente usados para determinar a fonte da dermatite de contato. O médico aplicará
nas suas costas adesivos quadrados, cada um contendo possíveis alérgenos. Os pacientes geralmente usam esses adesivos por cerca
de 48 horas porque as reações a eles podem se desenvolver lentamente. Você não pode tomar banho enquanto estiver com os
adesivos. Como nos testes por escarificação e puntura, a área exposta ao alérgeno ficará inchada e vermelha se você for alérgico.
Poderá coçar um pouco.
4. Reação de Montenegro: Injeta-se na epiderme da pele há mais ou menos de 2 a 3 cm abaixo da dobra do cotovelo, 0,1 ml do
antígeno padronizado em 40 ug N/ml, de modo a formar uma pequena elevação ou pápula. A leitura deve ser feita após 48 a 72
horas. O resultado é positivo quando a pápula ou nódulo maior ou igual a 5 mm de diâmetro ou ulceração. Apresentam respostas
positivas a esse teste, os indivíduos assintomáticos, oligossintomáticos ou após a cura da leishmaniose visceral. Pode ser altamente
específico e sensível para o diagnóstico da leishmaniose cutânea e mucosa.
5. Esporotriquina: Detecta reação de hipersensibilidade tardia, ou seja, a resposta imune celular. É injetado o antígeno na derme,
preparado de filtrados de culturas de fase miceliana ou leveduriforme do S. schenckii. É positivo quando resulta em enduração de
5mm após 48h. Falso positivo e falso negativo limitam o seu uso para diagnóstico.
Quando o nível de Ca está baixo no sangue, as paratireóides são estimuladas, que liberam o paratormônio, o paratormônio estimulará os
osteocitos (resposta imediata) e a produção de osteoclastos (resposta tardia), que retira Ca e fósforo do sangue. A medida que os níveis de Ca
e fósforo se elevam são inibidas as partireóides e as células C das tireóides liberam a Calcitonina que atua retirando Ca do sangue.
Regulação da deposição - a pressão sob os ossos exerce papel fundamental na deposição. O osso sem uso é consumido, como ocorria com os
astronautas antigamente, até que se implementou um programa de exercícios físicos.
TECIDOS ÓSSEOS
Compacto - É uma massa sólida, há predomínio de cálcio na sua composição, e os espaços só são visíveis ao microscópio. 20%
denso e forte
Esponjoso ou poroso- composto por trabéculas ósseas que delimitam os espaços intercomunicantes ocupados pela medula óssea. 80%
TIPOS DE OSSO
Ossos longos - Compostos pela diáfise (em sua maioria composta por osso compacto), a qual possui o canal medular (medula óssea amarela) e
as epífises (em sua maioria composta por osso esponjoso - medula óssea vermelha). a diafíse tem uma ligeira angulação que lhe permite maior
resistência. Ex.: fêmur, tíbia
Ossos curtos - tem forma irregular, são compostos por osso esponjoso com uma fina camada de osso compacto. Ex.: ossos do carpo.
Ossos planos - consiste de duas camadas finas de osso compacto envolvendo o osso esponjoso, servem para proteção de partes moles e
inserção ampla de músculos. Ex.: costelas
Ossos irregulares - mesma estrutura dos ossos planos. Ex.: vértebras e ossículos da orelha.
Periósteo: tecido conjuntivo fibroso que reveste a superfície externa dos ossos.
As superfícies articulares são revestidas de cartilagem hialina. A camada externa é densa, acelular e vascularizada, a interna é frouxa e contém
osteoblastos (infância) ou células espiculadas que qdo estimuladas por pressão se transformam em osteoblastos (adultos). As fibras de
Sharpey ligam o periósteo ao osso.
Endósteo: tecido conjuntivo delicado que reveste as cavidades dos ossos, inclusive os espaços e cavidades medulares. Possui atividade
hematopoéitica e osteogênica.
MEDULA ÓSSEA: Estrutura mole que preenche as pequenas cavidades de tecido esponjoso e que nos ossos longos está contida numa
cavidade central chamada cavidade medular.
-Medula Óssea Amarela: é encontrada na diáfise dos ossos longos, é composta de tecido conjuntivo formado por células adiposas.
-Medula Óssea Vermelha: é encontrada nas epífises de certos ossos longos, ricamente vascularizada, forma células sanguíneas, como: os
eritrócitos (transporte de oxigênio), leucócitos (defesa do organismo), megacariócitos ( seus fragmentos formam as plaquetas, que são
necessárias na coagulação sangüínea).
HISTOLOGIA DO OSSO
São paralelos a superfície do osso; possuem os canais de Havers (trazem oxigênio, nutrientes e removem produtos do catabolismo) os quais
são atravessados por vasos e nervos; os canais de Havers são circundados pelas lamelas (anéis concêntricos de osso, cada anel é uma lamela);
entre duas lamelas há as lacunas(cavidades pequenas), que são ligadas entre si e, também, a grandes canais haversianos centrais. Essa última
ligação é possível através dos canalículos. É importante saber que cada lacuna possui um osteócito, o qual está suspenso num líquido tecidual,
que faz a manutenção dos osteócitos
Canais de Volkmann
São canais transversais e oblíquos que se comunicam com a superfície do periósteo e endósteo; ajudam na comunicação entre os vasos
sanguíneos nos canais de Havers.
FORMAÇÃO E CRESCIMENTO DO OSSO
Ossificação intramembranosa - ocorre a mineralização da membrana de tecido conjuntivo denso formando o osso. A membrana transforma-
se em periósteo e dentro do periósteo vai ser encontrado osso compacto com um núcleo de osso esponjoso. Encontrado nos ossos planos do
crânio.
Ossificação endocondral - substituição de um molde cartilaginosos por osso. Tem início no centro da diáfise do molde, após essa ossificação
ocorre o crescimento do molde cartilaginoso para as epífises. As células da cartilagem passam a secretar a fosfatase alcalina, enzima que
participa da ossificação da cartilagem. Ao calcificar a cartilagem as células morrem deixando túneis calcificados, que são invadidos por brotos
mesenquimo-vasculares, proliferando até o núcleo da ossificação. As células se diferenciam em osteoblastos que secretam uma proteína - o
osteóide e a fosfatase alcalina que calcifica o osteóide. O osso é um osteóide calcificado. O pericôndrio transforma-se em periósteo.
Eventos:
Aumento das células cartilaginosas e calcificação da matriz na zona de crescimento >> diferenciação das células do pericôndrio em
osteoblastos (pericôndrio-periósteo) >> invasão de locais cartilaginosos pelos osteoblastos >> substituição das células cartilaginosas
degeneradas por osso esponjoso (centro de ossificação primária) >> crescimento do molde cartilaginoso com ossificação posterior >>
substituição do osso primário das epífises por osso compacto >> escavação da diáfise para a cavidade medular.
O crescimento longitudinal ocorre por proliferação de células cartilaginosas no disco epifisário e posterior substituição por osso esponjoso.
Ocorre o fechamento da epífises quando a proliferação das célula s cartilaginosas no disco epifisário diminui sua velocidade,
aí o disco é substituído por osso (15 a M e 16 a H). O crescimento em espessura ocorre por deposição de osso compacto por baixo do
periósteo e aumento do canal medular (reabsorção óssea).
REGULAÇÃO DA FORMAÇÃO E CRESCIMENTO ÓSSEOS
Vitamina D - Quando o nível de Ca está baixo no sangue, as paratireóides são estimuladas, que liberam o paratormônio, que age no rim
estimulando a liberação de um metabólito da vez D o diidrocalciferol-1,25(OH)2 D, que mediará no intestino a absorção de Ca. A vez D é um
pro hormônio que sofre no fígado sua primeira hidroxilação e depois no rim uma segunda formando o diidrocalciferol-1,25(OH)2 D, em
resposta a uma carência de Ca nos ossos ela é secretada pelos rins. Hipovitaminose D leva ao raquitismo.
Hormônio de crescimento – Somatotrofina secretada pela hipófise induz o fígado a liberar a somatomedina que estimula a proliferação de
células cartilaginosas no disco epifisário.
Vitamina C – Necessária p a hidroxilação da prolina, necessária na síntese de colágeno.
Tireoxina – Secretada pela tireóide estimula a substituição de cels cartilaginosas do disco hipofisário. Elevada taxa de tireoxina leva a
fechamento precoce das epífises.
Estrogênios e androgênios – aceleram o fechamento das epífises. Em eunucos leva a crescimento exagerado. Na menopausa a deficiência de
estrogênios sensibilzam o osso ao hormônio da paratireóide.
Vitamina A – estimula a liberação das enzimas dos lisossomos p a reabsorção óssea.
PAPEL DO CÁLCIO
Atua na transmissão sináptica, sua ausência provoca maior sensibilização ao sódio e uma excitação incontrolada – tetania.
Atua na contração cardíaca
Atua na coagulação sanguínea
Atua nos ossos.
FRATURAS
Quebra de osso ou cartilagem.Aberta (exposta) ou fechada (simples). Completa ou incompleta. Transversa, oblíqua, espiral, cominutiva e
longitudinal. Galho verde (incompleta em crianças).
A cicatrização ocorre por proliferação do tecido de granulação (fibroblastos e novos capilares) transforma-se em tecido fibroso compacto e no
calo temporário, os osteoblastos proliferando do periósteo e do endósteo formam o calo ósseo
ARTICULAÇÕES
É o lugar de união entre dois ou mais ossos independente dos movimentos permitidos.
CLASSIFICAÇÃO
Quanto ao grau de movimento: Sinartrose - fixas
Anfiartrose – ligeiramente móveis
Diartrose – móveis
Quanto ao líq. sinovial: sinoviais e não sinoviais ou fibrosas
Não sinoviais: Suturas - superfície dos ossos são serreados unidos por fino tec. conj. Fibroso, fixas. Articulações do crânio.
Sincondroses – superf. Ligadas por cartilagens. Epífise-diafíse, 1 art. esternocostal
Sínfises – ligados por disco cartilagem fibrosa, ligeiramente móveis. Púbis e vértebras
Sindesmoses – unidos por ligamentos, ligeiramente móveis.Tíbio-fibular distal
Sinoviais: movimentos livres, cavidade articular, cápsula articular (tecido conj. Fibroso denso), membrana sinovial (tecido conj. vascular) que
produz o líquido sinovial, lado interno da cápsula.
Esferóide – cabeça em forma de bola encaixa em um suporte côncavo. Maior extensão de movimentos em todos os planos. Coxo-
femoral.
Gínglimo – superfície convexa encaixa-se numa concavidade. Flexão e extensão. Cotovelo
Trocóide – em pivô. Rotação. Atlas e áxis
Elipsóide – forma oval se encaixa em forma elíptica. Circundução por combinação de mov. Rádio e osso cárpicos.
o
Selar – côncavo-convexa (as duas). Todos os movimentos + alguma rot. 1 Carpo -metacarpo.
Plana – superfícies planas. Somente deslizamento. Arcos vertebrais.
MEMBRANA SINOVIAL E LÍQUIDO SINOVIAL
A membrana sinovial tem duas partes, a interna (íntima ou limitante) tem estrutura conjuntiva, reveste e limita toda a cavidade articular,
exceto a cartilagem, pode ser franjado ou liso. As células dessa camada, o sinoviócitos, são responsáveis pela secreção do líquido sinovial.
Externamente encontra-se a camada subsinovial, com feixes de fibras colágenas e vasculares.
Há 3 tipos de sinoviócitos: A – ação fagocitária, secreção de colagenase, fibrinogênio, Ac. Hialurônico, lisina e proteases. B- pequena atividade
secretora, fibronectina (lubrifica as cartilagens).
Ocorre diálise do plasma, que se transforma em líquido sinovial, principal componente é a mucina.
BOLSAS OU BURSAS
São sacos fechados formados pela membrana sinovial, ficam em locais de atrito.
Subcutâneas: entre a pele e processos ósseos subjacentes. Olécrano, patela
Subfasciais: por baixo da fáscia profunda
Subtendinosas: onde o tendão está sobre outro ou sobre projeção óssea.
MUSCULAR
TIPOS: Esquelético, liso e cardíaco.
MÚSCULO ESQUELÉTICO
COMPOSIÇÃO/ESTRUTRA
Cada músculo é composto por numerosas células chamadas fibras musculares (multinucleadas, envoltas pelo sarcolema). Cada uma dessas
fibras é envolvida por um tecido conectivo, o endomísio. O conjunto de fibras musculares formam um fascículo, os quais são envolvidos por
outra camada de tecido conectivo, o perimísio, dentro do perimísio estão os vasos sanguíneos e nervos que suprem cada fibra muscular. Por
fim, os fascículos agrupam-se para formar o músculo, o qual é recoberto pelo epimísio que prende o músculo ao esqueleto.
As três camadas são compostas principalmente por elastina e fibras de colágeno, e elas servem para transmitir o movimento das moléculas de
actina e miosina ao esqueleto, a fim de efetuar o movimento.
SARCÔMERO
As miofibrilas são filamentos contráteis presentes no citoplasma de fibras musculares.Nelas há dois tipos de proteínas principais:a actina e a
miosina.A actina são filamentos mais finos e a miosina,mais espessos.Nas miofibrilas,há alteração entre faixas claras(só contendo actina,sendo
chamada de faixa I por serem isotrópicas) e faixas escuras(contendo miosina e actina,havendo a sobreposição de actina à miosina,sendo
chamada de faixa anisotrópica).As projeções laterais dos filamentos de miosina são as pontes cruzadas e a interação delas com a actina
permite a contração muscular.
Há proteínas filamentosas que cruzam a miofibrila transversalmente,sendo chamadas de Disco Z(ou linha Z).Ela conecta as miofibrilas uma a
uma por toda a fibra muscular(vale ressaltar que as fibras musculares percorrem todo o comprimento dos músculos).Do disco Z partem actinas
que se interligam com miosinas da região mais central)
O sarcômero é uma segmento de miofibrila entre duas linhas Z.Com a fibra muscular contraída, a disposição das proteínas no sarcômero é
alterada e os filamentos de actina se sobrepõe aos de miosina.
SISTEMAS SARCOTUBULARES
Tríade – Par de Retículos sarcoplasmático e um Túbulo T paralelos na fibra muscular.
Túbulo T – funciona como um condutor para o estímulo muscular normal até o RS. A chegada do estímulo ativa a liberação de Ca pelo RS e
produz a contração muscular.
++
O RS é uma rede intracelular de membranas que desempenha função crítica na regulação intracelular do Ca . É o retículo endoplasmático das
células musculares. Consequentemente, quando há acumulo de cálcio dentro do RS, o músculo relaxa.
FISIOLOGIA DA CONTRAÇÃO
Unidade motora - é o conjunto de fibras musculares inervadas por uma única fibra nervosa. Assim, quanto maior a precisão e rapidez do
movimento, menor o número de fibras musculares por neurônio,diminuindo a proporção entre neurônios e fibras.
Excitação do músculo esquelético - o músculo esquelético é controlado pelo sistema nervoso central (contração voluntária). Cada músculo é
inervado por um neuromotor alfa. A unidade motora consiste de um neuromotor alfa e todas as fibras inervadas por ele. Ela é contrátil, pois
todas as células musculares da unidade motora se contraem sincronicamente quando o neuromotor dispara um potencial de ação. A junção
neuromuscular formada por um neuromotor alfa é chamada placa terminal. A acetilcolina liberada pelo neurônio alfa na junção
neuromuscular se liga aos receptores da membrana sarcoplasmática e estimula uma despolarização através do influxo de sódio. Essa
despolarização é propagada até a região de túbulo T, onde há estímulo à saída do cálcio armazenado no retículo sarcoplasmático (Retículo
endoplasmático liso do músculo). O cálcio sai do músculo e estimula sua contração inicia um potencial de ação na fibra muscular, que
rapidamente se propaga ao longo do seu comprimento. A duração de tal potencial é menor que 5ms.
Mecanismo de contração – Os filamentos finos são compostos por 3 proteínas: actina, troponina e tropomiosina. A actina possui um filamento
duplo de moléculas de proteína actina F,as quais se entrelaçam e formam uma dupla hélice.Em cada uma dessas hélices há uma molécula de
actina G,na qual há os locais ativos (locais onde há ADP e é o local de interação com os ligamentos cruzados da miosina).
A tropomiosina são moléculas que estão espalhadas na dupla hélice da molécula de actina F. A troponina é um complexo de 3 subunidades
protéicas:a troponina I(que tem afinidade com a actina),a troponina T(que tem afinidade com a tropomiosina) e a troponina C(que tem
afinidade com os íons cálcio). O complexo de troponina ligada a actina e a tropomiosina mantém a tropomiosina numa posição que impede o
local de ligação da miosina. Quando o Ca se liga a troponina C quebra-se a ligação entre a troponina I e a actina, as cabeças da miosina
carregadas com ATP combinam-se coma actina e começa a contração.
A miosina tem uma cabeça glomerular (miosina pesada) e a cauda (miosina leve).
Complexo de rigidez – a cabeça da miosina só solta quando novos ATPs se ligam a ela, se faltar oi tiver em excesso o Ca pode não soltar – Rigor
mortis.
Recrutamento: Parte do principio de que quanto maior a unidade motora, maior será a força de contração. Como todas as fibras
musculares se contraem simultaneamente, quanto mais fibras estiverem "agarradas" ao neuromotor alfa, maior será a contração e
consequentemente a força. Podemos relacionar isso ao que Guilherme falou sobre as fibras de contração rápida e lenta. As unidades
motoras de CL tendem a ser menores e por isso geram menor força. O contrário é atribuído às de CR.
Obs.: As unidades motoras de CL tendem a ser recrutadas em primeiro lugar, pois possuem maior resistência à fadiga. Caso seja necessária
mais força, as unidades de CR são recrutadas.
Tetania: Quando um músculo é estimulado por um potencial de ação, ocorre um abalo, muito pequeno e muito curto. Se o músculo
é estimulado uma segunda vez antes do completo relaxamento, a força de contração aumenta. Em frequências altas de estimulação,
++
o nível extracelular de Ca aumenta e é mantido por todo o período de estimulação, e o nível da força desenvolvida supera
grandemente o observado durante o abalo. Essa força máxima é denominada tetania.
FONTES DE ENERGIA
Nossa alimentação contribui para obtenção da maior parte dos nutrientes que são utilizados como fonte de energia para o organismo humano
desenvolver ações habituais de um individuo saudável, neste caso a contração muscular.
A energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATP. O ATP atua tanto na ligação da miosina à actina quanto em sua
separação, que ocorre durante o relaxamento muscular. Quando falta ATP, a miosina mantém-se unida à actina, causando enrijecimento
muscular. É o que acontece após a morte, produzindo-se o estado de rigidez cadavérica chamada rigor mortis.
A concentração de ATP presente numa fibra muscular, é suficiente para manter uma contração por no Maximo 1 a 2 segundos.
A fonte primaria para reconstituição do ATP: fosfocreatina sua quebra fornece 1 ATP. A fosfocreatina é clivada de imediato e a energia liberada
provoca a ligação de novos íons fosfato ao ADP, para reconstituir o ATP.
A fonte secundaria para reconstituir o ATP é glicogênio. Com o oxigênio a glicólise aeróbica produz 38ATP's. Sem oxigênio glicolise anaeróbica
2ATP.
As reações glicolíticas podem ser vantajosas por ocorrerem na ausência de O2. A velocidade com que é formado o ATP é 2 vezes maior. Os
produtos da glicolise acumulam-se nas células musculares alterando o pH do organismo, podendo assim, ser usado cerca de 1 minuto. A rápida
degradação enzimática do glicogênio em ácidos lático e pirúvico, libera energia que é utilizada para converter ADP em ATP, sendo usado na
contração ou para reconstituir a fosfocreatina.
Os nutrientes que são consumidas são os carboidratos, gorduras e as proteínas. Para atividade muscular prolongada a maior proporção de
energia vem da gordura.
LEI DO TUDO OU NADA
O menor estímulo para iniciar a contração é o estímulo limiar, se não atingir não há contração. Pode ocorrer o somatório dos estímulos até
atingir o estímulo limiar.
TIPOS DE MÚSCULOS
MÚSCULO AGONISTA=principal músculo responsável por um movimento específico do corpo. Se contrai concentricamente para produzir
movimento desejado(gasta a maior parte da energia).
MÚSCULO SINERGISTA= completa ação de um agonista. Pode auxiliar de forma direta(atuando como componente mais fraco ou
mecanicamente mais favorável) ou indireta(atuando como fixador de uma articulação interposta)
MÚSCULO FIXADOR=estabiliza as partes proximais de um membro numa contração isométrica enquanto há movimento nas partes distais.
MÚSCULO ANTAGONISTA= se opõe à ação do outro.Podem ser: PRIMÁRIOS(se opõe ao agonista) e SECUNDÁRIOS(se opõe ao sinergista).EX:
M. bíceps e tríceps do braço.
TIPOS DE CONTRAÇÃO
CONTRAÇÃO TÔNICA="leve contração", não produz movimento nem resistência ativa.Confere firmeza, estabilidade nas articulações e
manutenção da postura.É ausente numa pessoa inconsciente, anestesiada, com sono e com paralisia.
TIPOS DE FIBRAS
Há dois tipos de fibras musculares esqueléticas, são elas as de contração lenta (CL) e as de contração rápida (CR). As fibras CL também são
chamadas de vermelhas pois são ricas em mioglobina. Já as fibras CR podem ser chamadas de brancas porque não alteram a sua coloração.
Isso se dá porque estas são pobres em mioglobina.]
CL: Encurtam-se mais lentamente que as de CR (mesmo assim contraem-se muito rápido). Estão presentes muitas mitocôndrias, enzimas
aeróbias e capilares sanguíneos. Por isto, são dotadas de uma alta capacidade para queimar gorduras, carboidratos e ácido láctico.
CR: podem ser de dois tipos: tipo A (IIA) e tipo B (IIB). As primeiras têm características contráteis rápidas apesar de possuírem características
metabólicas semelhantes às fibras CL. Sua capacidade de oxidação é inferior à CL mas é plausível e pode aumentar; São anaeróbias facultativas
(IIA) produzindo ácido láctico. As IIB têm propriedades metabólicas que possuem uma baixa atividade de oxidação e um alto potencial para o
fornecimento de energia de curta e média duração. São células localizadas na periferia das fibras musculares. Elas possuem grande atividade
mitogênica, o que contribui para o crescimento muscular após o nascimento, o reparo de fibras musculares danificadas e a manutenção do
músculo esquelético adulto. As CS geralmente permanecem em estado de quiescência (repouso) no adulto, no entanto, são ativadas em
resposta a estímulos como crescimento, remodelação ou trauma, e nesse estado de ativação também são denominadas MIOBLASTOS.Essas
células se fundem a fibras musculares já existentes ou se fundem a CS vizinhas para gerar novas fibras musculares.
Funções
São cinco, em geral:
1. Suporte de tecidos
2. Proteção de órgãos vitais
3. Auxílio do movimento corporal
4. Produção de células sanguíneas
5. Armazenamento de sais minerais
Composição
O osso é um tipo de tecido conjuntivo; composto por células, uma matriz de fibras (colágena - dá elasticidade; sais de cálcio - dá dureza) e
3-
substância fundamental. Além da hidroxiapatita (Ca + PO4 ) e carbonato de cálcio (CaCO3).
Células Ósseas
Osteoblastos - Formação de ossos; secretam componentes da matriz orgânica (ex: mucopolissacarídeos) junto com a proteína fibrosa
colágena.
Osteoclastos - Libera enzimas responsáveis por digerir a porção protéica do osso e quebrar os sais. Estes são reabsorvidos no líquido
extracelular circundante nos canalículos ósseos. Esta deposição contínua renova constantemente os ossos, impedindo que estes se
tornem muito grossos e pesados, além de sempre remodelá-los.
Osteócitos - São osteoblastos circundados pela matriz óssea, entretanto, não possuem a atividade que um osteoblasto apresenta.
São predominantes em ossos formados e ajudam na reabsorção óssea sob a influência do hormônio paratireóide.
Tipos de tecidos ósseos
Existem dois tipos:
Compacto - Denso e forte
Poroso ou esponjoso - Possui muito espaços abertos (medula)
Formas de ossos
Longos - Comprimento maior que a largura (úmero, rádio, tíbia, fíbula)
Curtos - Comprimento praticamente igual a largura (ossos do carpo e do tarso)
Planos - Delgados; comprimento e largura maiores que a espessura; existe onde quer que haja a necessidade de proteção das partes
moles do corpo ou a necessidade de uma extensa inserção muscular. (costelas, escápulas, crânio)
Irregulares - Sem forma definida (vértebras, ossículos da orelha)
Sesamóides - Pequenos e arredondados (patela)
*Diáfise ou haste = "corpo do osso"; seu interior é o canal medular.
*Epífise = "extremidade do osso"
Membranas do Osso
Periósteo - Tecido conjuntivo que reveste a superfície do osso (exceto nas articulares, que são revestidas pela cartilagem hialina) ;
ligado ao osso por fibras colágenas possui camada externa (acelular, densa e vascularizada) e camada interna (frouxa e contém
osteoblastos).
Endósteo - Membrana fina e delicada que reveste as cavidades ósseas. Possui capacidade hematopoiética e osteogênica.
Medula Óssea
Medula vermelha - Consiste de células sanguíneas e precursoras. Função de hematopoiese, formação de eritrócitos, leucócitos e
megacariócitos (produzem plaquetas).
Medula amarela - Tecido conjuntivo; consiste em células adiposas.
Hematopoiese
Durante as primeiras semanas de vida embrionária, hemácias nucleadas primitivas são produzidas no saco vitelino. Já no segundo trimestre da
gestação, o fígado passa a ser o principal órgão de produção de hemácias, embora há, também, o baço e os linfonodos. Então, durante o
último mês de gestação e após o nascimento, as hemácias são produzidas EXCLUSIVAMENTE na medula óssea. Até os cinco anos de idade,
praticamente todos os ossos produzem hemácias. Com o passar dos anos, a medula de alguns ossos longos vai ficando gordurosa, deixando de
produzir hemácias aproximadamente aos 20 anos de idade. Após essa idade, a maioria das hemácias continua a ser produzida na medula óssea
dos ossos membranosos (vértebras, esterno, costelas e íleo). Mesmo nesses ossos, a medula passa a ser menos produtiva com o avanço da
idade.
*As hemácias iniciam suas vidas, na medula óssea, a partir da célula-tronco hematopoética pluripotente. Estas sofrem diversas divisões para
formar as diferentes células sanguíneas periféricas. À medida que elas se reproduzem, pequena parcela permanece exatamente como células
pluripotentes originais.
Sistema de Havers
É uma característica primordial do OSSO COMPACTO. Pequenos canais contendo vasos sanguíneos que trazem oxigênio e nutrientes e
removem as impurezas. São circundados por aneis concêntricos de osso (lamelas). Entre duas lamelas ficam várias cavidades chamadas
lacunas (cada uma contém um osteócito suspenso no líquido tecidual). Estas são ligadas entre si e a grande canais haversianos centrais por
canalículos. Estes, por sua vez, se interligam por meio de canais transversais e se comunicam com vasos sanguíneos do periósteo ou endósteo
por meio dos canais de Volkmann.
*No OSSO ESPONJOSO, os sistemas haversianos NÃO são completos pois não possuem vasos sanguíneos. Seus osteócitos são nutridos por
comunicação direta entre a rede de canalículos e o endósteo.
*Membrana sinovial - Consiste, geralmente, em tec. conjuntivo frouxo, vascular, coberto de fibroblastos(chamados células sinoviais) e é
responsável em produzir o líquido sinovial. A membrana, algumas vezes, projeta-se para dentro da cavidade articular formando vilosidades
sinoviais.
*Líquido sinovial - Pouco alcalino, cor amarelo-escura, 95% composto de água e viscoso. O mucopolissacarídeo ácido hialurônico parece ser a
principal substância lubrificante do líquido sinovial.
*Discos articulares - Localizados entre as cartilagens articulares de algumas articulações sinoviais. Composto por cartilagem fibrosa, funciona
como um "amortecedor" de impactos. É inervado!
Movimentos
Flexão - Dobramento; diminuição do ângulo entre 2 ossos
Extensão - Desdobramento; aumento do ângulo entre 2 ossos
Abdução - Afastamento da linha mediana
Adução - Aproximação da linha mediana
Rotação - Movimento perpendicular em torno de um eixo central;
Circundução - Movimento em que a extremidade do osso descreve um círculo e seus lados um cone
Supinação - Movimento que deixa a ulna e rádio paralelos
Pronação - Movimento que NÃO deixa a ulna e rádio paralelos
Eversão - Movimento da sola do pé para fora
Inversão - Movimento da sola do pé para dentro
Protração - Movimento de uma parte do corpo para frente num plano paralelo ao chão
Retração - Movimento de uma parte do corpo para trás sobre um plano paralelo ao chão
Elevação - Subida de uma parte do corpo
Depressão - Abaixamento de uma parte do corpo
Tipos de articulações sinoviais
Esferóide - A cabeça de um osso em forma de bola e encaixa-se num suporte côncavo (coxofemoral)
Gínglimo - Uma superfície convexa encaixa-se numa concavidade (art. do cotovelo)
Trocóide - Um processo semelhante a um pivô gira dentro de uma fossa óssea em torno de um eixo longitudinal (atlas e áxis)
Elipsóide - Superfície de forma oval encaixa-se numa cavidade elíptica (art. do punho)
Selar - Uma superfície é côncava e a outra convexa (art. entre o carpo e o primeiro metacarpo)
Plana - Duas superfícies planas e opostas; movimento de deslizamento(arcos vertebrais)
Bolsas sinoviais
São sacos fechados com uma membrana sinovial semelhante à que recobre uma articulação verdadeira. Elas facilitam o deslizamento dos
músculos ou tendões sobre ossos ou superfícies ligamentosas. (bolsas subcutâneas, subfasciais, subtendinosas)
Sistema Sarcotubulares
Túbulos Transversos - Ou túbulos T; invaginações da membrana da fibra muscular. Penetram na fibra muscular, de um lado a outro,
aumentando a contração muscular. Pois, funcionam como condutor para a transmissão de impulsos elétricos para o retículo
sarcoplasmático. Provocando, assim, a liberação de íons cálcio no interior da fibra muscular, causando a contração. (Esse processo é
chamado excitação-contração) Em outras palavras, os túbulos T são extensões internas da membrana celular, assim quando uma
alteração de potencial se propagar pela membrana da fibra muscular, a alteração vai se propagar, também, ao longo dos túbulos T
provocando a contração muscular.
Retículo Sarcoplasmático - Composto por duas partes principais: grandes câmaras ou cisternas terminais (que fazem contato com os
túbulos T) e longos túbulos longitudinais (circundam toda as superfícies das miofibrilas que se contraem). No interior do retículo
sarcoplasmático existe excesso de cálcio, e muitos desses íons são liberados quando um estímulo chega através do túbulo T.
*A "sequência" de uma cisterna, um túbulo T e outra cisterna é chamada de Tríade.
Contração muscular
Parte química
O deslizamento dos filamentos resulta da liberação de cálcio, pelos retículos sarcoplasmáticos, devido a um estímulo nervoso. Mas, para que o
processo continue é preciso energia; esta é proveniente da quebra das ligações de ATP, transformando-o em ADP. Mais precisamente: O
impulso elétrico alcança, via túbulos T, o retículo sarcoplasmático que libera cálcio. Este, por sua vez, combina-se com as subunidades Tn-C,
movendo a tropomiosina dos locais de ligação da miosina na actina. Assim , a miosina (carregada com ATP) combina-se com a actina. Quando
ocorre essa combinação, o complexo de miosina se quebra, fornecendo energia para a força propulsiva. A contração acaba quando o cálcio
volta para o retículo sarcoplasmático.
Parte física
Resulta da força gerada pela interação das pontes cruzadas dos filamentos de miosina com os filamentos de actina. A ação acontece quando as
cabeças dos filamentos de miosina são atraídas pelos locais ativos da actina, o que de alguma maneira produz contração. Em condições de
repouso essas forças estão inativas, pois as moléculas de tropomiosina recobrem os locais ativos de filamento de actina, de forma a impedir a
sua interação com as cabeças dos filamentos de miosina.
*Pontes cruzadas - São formadas pelas projeções dos braços e das cabeças de miosina.
*Miosina - As moléculas de miosina têm uma cabeça globular e uma cauda linear. Podem ser facilmente quebradas enzimaticamente (com
tripsina), formando duas subunidades: meromiosina pesada(contém a cabeça globular) e meromiosina leve(contém a cauda). 200 ou mais
moléculas de miosina podem formar um filamento de miosina.
- MEROMIOSINA PESADA - Possui a capacidade de combinar-se com actina e contém enzimas degradadoras de ATP.
- MEROMIOSINA LEVE - Possui a capacidade de autocombinação.
*Actina - Consiste em dois cordões de moléculas esféricas enroladas entre si. A actina pode se apresentar de duas maneiras diferentes: actina G
(ligada a uma molécula de ADP - acredita-se que essas moléculas de ADP sejam os locais ativos, nos filamentos de actina com as quais
interagem as pontes cruzadas dos filamentos de miosina para produzir a contração muscular) e actina F (que é um filamento em dupla hélice
de moléculas de actina G polimerizadas)
Organização morfofuncional da fibra muscular
Fibras vermelhas - Também chamadas de fibras oxidativas lentas. São muito resistentes à fadiga.
Fibras brancas - Também chamadas de fibras glicolíticas rápidas. Glicolíticas refere-se a glicólise (quebra da molécula de glicose) que
elas realizam para gerar ATP. Fadigam-se rapidamente.
Fibras oxidativas-glicolíticas rápidas - É uma intermediária dos outros dois tipos pois geram ATP por meio da respiração celular
aeróbica (o que explica sua resistência a fadiga) e também por meio da glicólise anaeróbica, aproveitando o alto nível de glicogênio
que dispõem dentro da célula. Contêm bastante mioglobina e vasos, portanto tem aspecto avermelhado, e são consideradas fibras
rápidas.
*É importante ainda frisar que a maioria dos músculos estriados tem todos os tipos de fibras. A proporção delas varia, entretanto, de acordo
com a função de exercida pelo músculo e fatores genéticos.
Classificação funcional dos músculos esqueléticos
Estes conceitos são dinâmicos, ou seja, um músculo que em determinado momento é agonista em outro pode ser antagonista ou fixador ou
sinergista.
Músculo agonista - São os principais que ativam um movimento específico do corpo, eles se contraem ativamente para produzir um
movimento desejado. São divididos em motores primários (os que participam mais intensamente da execução do movimento) e
secundários.
Músculo antagonista - é aquele que se opõe ao trabalho de um agonista,quando o agonista se contrai, o antagonista relaxa
progressivamente, produzindo um movimento suave, por exemplo.
Músculo sinergista - participam estabilizando as articulações para eliminar algum movimento indesejado que poderia ser produzido
pelo agonista.
Músculo fixador - fixam um segmento do corpo para permitir um apoio básico nos movimentos executados por outros músculos.
Para muitos é uma subcategoria dos sinergistas. Sendo assim, estabilizam a origem do agonista de modo que ele possa agir mais
eficientemente. Exemplo: estabilizam a parte proximal do membro quando move-se a parte distal.
Morfofisiologia da unidade motora (UM)
Unidade motora (UM) consiste em um neurônio motor e um conjunto de fibras musculares que ele controla. O número de fibras de cada
unidade motora, que varia de uma a várias centenas, depende do tamanho e da função de um músculo, ou seja, músculos que têm
movimentos mais precisos possuem menos fibras musculares, como os pequenos músculos do bulbo do olho e da mão. Já os músculos da coxa
e do tronco possuem muitas fibras musculares. Os movimentos musculares são resultado da ativação de um número crescente de unidade
motoras. Essa ativação decorre da resposta das fibras musculares quando estimuladas por impulsos nervosos. Ou seja, quando o um neurônio
motor na medula espinhal é alcançado por um impulso nervoso, outro impulso é iniciado, levando todas as fibras musculares supridas por
aquela unidade motora a se contraírem. Mais especificamente, a ação acontece da seguinte forma:
1. Quando o axônio se aproxima da fibra muscular perde a bainha de mielina.
2. Os ramos do axônio entram em contato com o sarcolema da fibra muscular, formando as placas motoras, que contém numerosas
microvesículas de ACH (acetilcolina) - mediador químico.
3. Quando um impulso nervoso atinge a placa motora, a ACH é liberada e o sarcolema despolarizado, excitando a fibra muscular que se
contrai.
4. Para o relaxamento da fibra é necessário parar a descarga do neurônio motor.
Anamnese
É importante valorizar os dados da identificação, principalmente a idade, o sexo, a raça, a profissão e a procedência
do paciente. Além de levar em consideração os fatores de risco, dieta, tipo de atividade física, fatores
epidemiológicos, sinais e sintomas. No exame físico é possível, através da palpação, identificar dor, encurtamento
muscular, assimetria dos membros, etc.
Sinais e Sintomas
Dor - Deve ser analisada a: localização, duração, intensidade, caráter, presença de fatores agravantes ou
atenuantes. Para identificação de "dor inflamatória" e "dor mecânica" é importante identificar quais fatores
agravam e quais aliviam a dor. É importante saber, no caso dos ossos longos, o segmento com dor:
- Na epífise - mais comum em doenças inflamatórias e degenerativas.
- Na metáfise - mais comum em neoplasias, artrites infecciosas e traumáticas.
- Na diáfise - mais comum em fraturas, posturas e alterações mecânicas.
E a Intensidade:
- Grande - pode indicar processos traumatológicos e infecciosos;
- Moderado - pode indicar doenças metabólicas, neoplasias benignas e alterações posturais.
Deformidades Ósseas - Podem adquirir diferentes aspectos. Em geral, indicam doenças de longa duração,
podendo ser resultado de uma malformação congênita ou uma condição adquirida.
Sintomas Gerais - As doenças ósseas podem apresentar sintomas gerais.
Exame físico
São utilizados os dados de inspeção e palpação, sempre complementados pelo estudo da mobilidade de cada
segmento. O exame físico ósseo exige a avaliação das articulações e dos músculos. Essas avaliações devem ser feitas
nas diversas posições, ou seja, o paciente deve ser examinado em pé, deitado e sentado. Na palpação é possível
perceber o aumento de volume, caracterizando a consistência, forma, localização, tamanhos, etc. A presença de
fístulas no segmento afetado indica um processo infeccioso crônico.
Mãos e punhos - Palpar as articulações das mãos do paciente, realizar a extensão e a flexão do punho (essas
manobras podem detectar uma possível artrite);
Cotovelos - Solicitar ao paciente a realização de flexão e extensão dos cotovelos e também a supinação e a
pronação dos braços. (pode identificar bursite);
Braços - Erguer os braços ao nível do ombro com a palma da mão para baixo, erguer as duas mãos para o
alto até as palmas se encontrarem, colocar as mãos atrás do pescoço (em casos de bursite ou artrite o
paciente não consegue fazer essa manobra);
Coluna vertebral - Observar possível assimetria olhando a linha do ombro(postura do paciente), palpação
das vértebras;
Quadril - Observar como o paciente anda e apóia os pés no chão, palpar o ligamento inguinal, etc;
Joelho - Inspecionar o alinhamento dos joelhos, palpar a patela, flexionar os joelhos;
Calcanhar e pés - Palpar para observar os tendões, realizar a flexão dorsal e plantar do pé;
Tipos de articulações
Imóveis (art. do crânio, fixas por tecido fibroso)
Ligeiramente Móveis (sínfises, estrutura fibrocartilaginosa)
Móveis (sinoviais, uma cápsula, que contém líquido sinovial, recobre a articulação)
Bursas ou Bolsas Serosas
São bolsas periarticulares que servem para facilitar a movimentação, tornando os movimentos mais suaves e quase
sem atrito.
Exame clínico
Sexo, idade, procedência, profissão, além de outros elementos de identificação são de extrema importância
epidemiológica e para qualquer caso em si.
Sinais e Sintomas
Dor (artralgia) - Deve-se investigar todas as características da dor. A dor articular pode ser aguda ou crônica,
em peso ou cruciante.
Rigidez pós-repouso - "Rigidez matinal"; sintoma característico de doenças inflamatórias. Resulta do
acúmulo de substâncias produzidas pelo processo inflamatório. A duração é proporcional à intensidade da
doença.
Artrite - Processo inflamatório da articulação. Aumento do volume (edema), acompanhado da elevação de
temperatura local (calor), de dor e de modificação da coloração circundante (rubor).
Crepitação Muscular - Comprometimento da cartilagem articular e está presente em todos os processos em
que haja degeneração daquele elemento.
Manifestações Sistêmicas - As mais importantes são febre, astenia, anorexia e perda de peso.
Exame físico
É feito pela inspeção, palpação e movimentação (usadas de maneira associada). Durante o exame, o paciente deve
ficar em pé, sentado ou deitado. Quando deitado, as mãos devem repousar sobre as coxas ou sobre o leito, em
estado de relaxamento. O examinador deve sempre comparar articulações homólogas. Procura-se reconhecer
aumento do volume, rubor, atrofia, desalinhamento articular, deformidades, fístulas e nódulos.
Inspeção - A determinação do peso do paciente em relação à idade e à altura é o indicador mais objetivo de
sobrecarga do aparelho locomotor. Observa-se, também, a marcha do paciente, pois ela costuma modificar-
se nas enfermidades vertebrais e osteoarticulares dos membros inferiores.
Palpação - Pode-se determinar o aumento do volume articular, a presença de pontos hipersensíveis, a
presença de tumorações, aumento da temperatura local, caracterizar crepitações.
Exame das articulações
Forma e volume - Observação do tamanho e dos contornos.
Posição das estruturas - Checar o alinhamento e o encaixe das estruturas.
Massas musculares - Avaliar se as massas próximas as articulações estão em perfeito estado ou se
encontram-se, por exemplo, atrofiadas.
Sinais inflamatórios - Presença de rubor, calor, edema, artralgia, etc.
Estruturas circunjacentes
Crepitação articular - Ruído que aparece ao movimentar as articulações; analisar a ocorrência, a qual pode
indicar desgaste da cartilagem.
Movimentação - Verificar o grau de limitação e a amplitude dos movimentos. É importante que sejam feitos
movimentos delicados e que o médico fique sempre atento as reações do paciente (dores ou incômodos,
por exemplo), as quais podem ser indicativas de problemas.
Articulações Têmporo-Mandibulares:
1. Abertura e fechamento da boca
2. Protrusão e retrocesso da mandíbula
3. Movimentos de lateralidade
Articulações da Coluna Vertebral:
-Cervical- (pescoço)
1. Flexão, considerando que o queixo deve tocar a porção superior do esterno.
2. Extensão, considerando que o queixo deve afastar-se cerca de 18 cm da porção superior do esterno.
3. Rotação (esquerda e direita)
4. Lateralidade (esquerda e direita)
-Toráxica-
1. Rotação direita e esquerda
2. Flexão e extensão
3. Lateralidade (esquerda e direita)
-Lombar-
1. Flexão
2. Extensão
3. Rotação (esquerda e direita)
4. Lateralidade (esquerda e direita)
Ombros:
1. Abdução
2. Flexão
3. Extensão
4. Rotação externa
5. Rotação interna
Cotovelos:
1. Extensão
2. Flexão
3. Pronação
4. Supinação
5. Pronossupinação
Punhos:
1. Flexão palmar
2. Extensão dorsal
3. Desvio medial
4. Desvio cubital
Metacarpofalangeanas e Interfalangeanas
-Metacarpofalangeanas- Flexão e Extensão
-Interfalangeana proximal- Flexão
-Interfalangeana- Flexão
-Metacarpofalangeana do polegar- Flexão
-Interfalangeana do polegar- Flexão
-Abdução do polegar-
-Oposição do polegar-
Articulação do quadril
1. Posição neutra
2. Flexão
3. Rotação interna em extensão
4. Rotação externa em extensão
5. Rotação interna em flexão
6. Rotação externa em flexão
7. Abdução
8. Adução
9. Hiperextensão em decúbito ventral
Articulações do joelho
1. Flexão
2. Extensão
Articulação dos tornozelos
1. Dorsiflexão
2. Flexão plantar
3. Inversão
4. Eversão
Articulações Metatarsofalangeanas
1. Flexão
2. Extensão
Sinais e Sintomas
Fraqueza Muscular - É a queixa mais frequente nas miopatias (afecções e doenças musculares em que as
fibras musculares não funcionam e, em muitas vezes, resultam em uma fraqueza muscular). É importante ser
distinguida da astenia, pois esta é uma fraqueza orgânica, porém sem perda real da capacidade muscular.
Geralmente aparece na infância, com o bebê tendo dificuldade para engatinhar/andar e se locomover.
Atividades diárias - É comum em exames musculares, que se peça ao paciente que realize atividades como:
levantar os braços, levantar-se sozinho (estando sentado ou em decúbito), bater palmas estando em pé,
abrir e fechar as mãos, beber água, falar e etc. de maneira a identificar possíveis defeitos/problemas
musculares.
Exame Físico
Tipos de Marcha
Atrofia Muscular
Dor
Cãibras, Espasmos Musculares, Rigidez
Sistematização do Exame Físico
Observa-se o paciente como um todo, sentado, de pé, deitado e em ação, e também observando aspectos restritos a
determinadas regiões como pés, mãos, face, coluna vertebral, grupos musculares de cinturas e raiz dos membros.
Inspeção estática - procura-se atrofia muscular, determinando sua localização, extensão, distribuição e
intensidade.
Inspeção dinâmica - observa-se o paciente durante a marcha ou executando algumas tarefas padronizadas.
Palpação, percussão, mensuração e movimentação passiva das articulações são passos do exame, visando
informações sobre o tônus e trofismo muscular.
Palpação - Sentir a consistência muscular.
SISTEMA RESPIRATÓRIO
ANATOMIA
O sistema respiratório consiste em: Nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões.
Estruturalmente, o sistema respiratório divide-se em: superior (nariz, faringe e estruturas associadas) e inferior (laringe, traqueia,
brônquios e pulmões).
Funcionalmente, o sistema respiratório divide-se em: parte condutora (cavidades e tubos interconectados, tanto fora quanto dentro
dos pulmões que têm função de filtrar, aquecer e umedecer o ar) e parte respiratória (tecidos dentro dos pulmões nos quais
ocorrem trocas gasosas).
Nariz
Parte externa - Parte visível do nariz. Arcabouço de sustentação de osso e de cartilagem hialina, recoberto de músculo e pele e
revestido por uma túnica mucosa. É constituída do esqueleto ósseo e do esqueleto cartilagíneo. As estruturas interiores da parte
externa têm função de aquecer, umedecer e filtrar o ar. Além de detectar estímulos olfatórios e modificação das vibrações da fala.
-Esqueleto ósseo- O frontal, os ossos nasais e a maxila.
-Esqueleto cartilagíneo- Cartilagem do septo nasal (divide a cavidade nasal em dois lados:direito e esquerdo), processos laterais da cartilagem
nasal, cartilagens alares.
Parte interna - Funde-se com a parte externa e comunica-se com a faringe através de duas aberturas: os cóanos. Abrem-se na parte
interna do nariz, os ductos dos seios paranasais e os ductos lacrimonasais.
*Os seios paranasais são cavidades presentes em certos ossos da face e do crânio (frontal, esfenoide, etmoide e maxilas).
Quando o ar entra pelas narinas, passa primeiro pelos vestíbulos (parte anterior da cavidade nasal, envolvida por cartilagem e
coberta por pelos filtradores). Conchas nasais subdividem cada lado da cavidade nasal em uma série de vias semelhantes a sucos - os meatos
nasais superior, médio e inferior -, o que aumenta a superfície da parte interna do nariz e impede a desidratação, pois aprisiona gotículas de
água durante a expiração. Os receptores olfatórios situam-se na membrana que reveste estas conchas nasais (epitélio olfatório).
Faringe
É um tubo afunilado (13cm) situado após as cavidades nasal e oral, acima da laringe e anteriormente às vértebras cervicais. Funciona como
uma passagem para o ar e alimento, além de fornecer uma câmara de ressonância para os sons da fala e alojar as tonsilas, que participam nas
reações imunológicas contra invasores estranhos.
Parte nasal (nasofaringe) - Após a cavidade nasal até o palato mole. Abrem-se em sua parede: 2 cóanos, 2 aberturas que conduzem
às tubas auditivas e 2 aberturas na parte oral da faringe. Recebe o ar da cavidade nasal, drena porções de muco carregado de poeira
para a parte mais inferior da faringe e mantém a equidade de pressão do ar entre a faringe e a orelha média.
Parte oral (orofaringe) - Após à cavidade oral até o palato mole. Abre-se, apenas, as fauces em sua parede. Essa parte possui funções
respiratória e digestiva (atuando como passagem comum de ar, líquido e alimentos. Possui dois pares de tonsilas (palatinas e
linguais).
*Tonsilas = são aglomerados de nódulos linfáticos revestidos apenas de epitélio e produzem linfócitos responsáveis pela proteção de micróbios
patogênicos.
Parte laríngea (laringofaringe) - Começa no nível do hioide. Na sua parte inferir, abre-se na laringe e esôfago, respectivamente. É
uma via respiratória e digestiva.
Laringe
Passagem curta que conecta a parte laríngea da faringe com a traqueia. Sua parede é composta de nove peças de cartilagem. Três ímpares
(tireóidea, epiglote e cricóidea) e três pares (aritenóidea, corniculada e cuneiforme).
Cartilagem tireóidea (pomo-de-Adão) - Duas lâminas fundidas de cartilagem hialina que formam a parede anterior da laringe,
conferindo-lhe sua forma triangular.
Epiglote - Pedaço foliado grande de cartilagem elástica. Move-se para cima e para baixo a fim de selecionar as aberturas para o
esôfago e laringe.
Cartilagem cricóidea - Anel de cartilagem hialina que forma a parte inferior da laringe. Ponto de referência para a realização da
traqueostomia.
Cartilagens aritenóideas - Peças triangulares de cartilagem hialina. Formam articulações sinoviais com a cartilagem cricóidea e têm
grande amplitude e mobilidade.
Cartilagens corniculadas - Pedaços de cartilagem elástica localizadas no ápice de cada cartilagem aritenóidea.
Cartilagens cuneiformes - Cartilagens elásticas em forma de bastão que sustentam as pregas vocais e as faces laterais da epiglote.
*Abaixo das pregas vocais, o revestimento da laringe consiste em células colunares ciliadas, células basais e células caliciformes. Estas células
produzem um muco responsável por "aprisionar" a poeira não removida nas passagens anteriores, enquanto que os cílios movimentam esse
muco para a faringe.
*O papel da laringe na produção da voz - Na laringe se encontram dois pares de pregas: vestibulares (falsas) e vocais (verdadeiras) - GLOTE. As
pregas vestibulares atuam segurando a respiração contra a pressão na cavidade torácica. Se o ar for direcionado contra as pregas vocais, elas
vibram e produzem sons. Quanto maior a pressão do ar, mais alto o som.
Traqueia
Passagem tubular para o ar (12cm de comprimento e 2,5cm de diâmetro). Localizada anteriormente do esôfago. Vai da laringe até a margem
superior da quinta vértebra torácica, onde divide-se em brônquios principais: direito e esquerdo. É formada por 16 a 20 aneis horizontais
empilhados um em cima do outro e mantidos juntos por tecido conjuntivo denso. Esses aneis se assemelham a um "C" e sua parte aberta está
direcionada ao esôfago, onde é revestido por uma membrana fibrosa. Dentro dessa membrana existem fibras musculares lisas chamadas de
músculo traqueal e tecido conjuntivo elástico que permite a discreta alteração de diâmetro da traqueia durante a respiração.
Brônquios
Quando a traqueia se divide na margem superior da quinta vértebra torácica, ela forma dois segmentos: brônquio principal direito e brônquio
principal esquerdo. O brônquio direito é mais vertical, mais curto e mais grosso que o esquerdo. Assim como a traqueia, os brônquios contém
aneis em forma de "C" e revestidos por epitélio colunar ciliado pseudoestratificado. Ao penetrar nos pulmões, os brônquios se dividem em
brônquios menores (brônquios lobares ou secundários). O pulmão direito possui três lobos e o esquerdo dois. Os brônquios lobares continuam
se ramificando e formam os brônquios segmentares ou terciários. Estes também se dividem e formam os bronquíolos, que por sua vez
ramificam-se repetidamente, formando os chamados bronquíolos terminais. Mudanças são observadas durante essa ramificação:
1. A túnica mucosa muda de epitélio colunar ciliado pseudoestratificado (nos brônquios principais, secundários e terciários) para
epitélio colunar simples ciliado com algumas células caliciformes (nos bronquíolos maiores), para epitélio cúbico simples ciliado sem
células caliciformes (em bronquíolos menores) e para epitélio cúbico simples não ciliado (nos bronquíolos terminais).
2. Lâminas de cartilagem substituem os aneis dos brônquios gradualmente até desaparecerem nos bronquíolos distais.
3. Conforme a quantidade de cartilagem diminui, a quantidade de músculo liso envolvendo o lume em faixas espirais aumenta.
*A tosse é um reflexo desencadeado pela carina, uma crista interna formada por uma projeção posterior da última cartilagem traqueal. Sua
túnica mucosa é uma das áreas mais sensíveis de toda a laringe.
Pulmões
Órgãos coniformes pareados situados na cavidade torácica.
-PLEURA- Túnica serosa bilaminada que reveste cada pulmão.
-PLEURA PARIETAL- Lâmina superficial que reveste toda a parede da cavidade torácica.
-PLEURA VISCERAL- Lâmina profunda que recobre os próprios pulmões.
Entre a pleura visceral e a parietal, existe um pequeno espaço: cavidade pleural. Essa cavidade contém um líquido lubrificante que
reduz o atrito entre as túnicas durante a respiração e as mantém grudadas uma da outra. Os pulmões de estendem desde o diafragma até
acima das clavículas. A parte inferior larga do pulmão é a base e a parte superior estreita é o ápice. A face situada contra as costelas é a face
costal e a posterior é a face mediastinal, que contém uma região de onde entram e saem os brônquios, vasos sanguíneos, vasos linfáticos e
nervos - HILO. O pulmão esquerdo possui uma concavidade - incisura cardíaca - na qual se situa o coração.
Cada pulmão é dividido em por uma ou duas fissuras: oblíqua e horizontal. A fissura oblíqua se estende inferior e anteriormente e
ambos os pulmões a têm. No pulmão esquerdo, a fissura oblíqua divide o lobo superior do inferior. No pulmão direito, a parte superior da
fissura separa o lobo superior do inferior, enquanto a parte inferior da fissura separa o lobo inferior do lobo médio, que é limitado
superiormente pela fissura horizontal. Cada lobo recebe seu próprio brônquio secundário, que vão se subdividir em brônquios terciários no
interior dos pulmões. O segmento do tecido pulmonar que cada brônquio terciário supre é chamado de segmento broncopulmonar. Cada
segmento broncopulmonar possui muitos compartimentos chamados lóbulos. Cada lóbulo é formado por um bronquíolo respiratório que
origina os ductos alveolares cujas dilatações, chamadas sacos alveolares, terminam nos alvéolos. Assim, os componentes do lóbulo pulmonar
são:
Bronquíolos respiratórios: são os bronquíolos que apresentam alvéolos em suas paredes;
Ductos alveolares: os bronquíolos respiratórios se dividem em ductos alveolares;
Sacos alveolares: os ductos alveolares se dividem em sacos alveolares compostos por um conjunto de alvéolos;
Alvéolos: são pequenas invaginações arredondadas, com aproximadamente 250 micras de diâmetro, responsáveis pelo aspecto
esponjoso do pulmão. Cada alvéolo é rodeado por uma malha de capilares sanguíneos.
*Alvéolos - Invaginações revestidas por epitélio pavimentoso simples e sustentadas por uma membrana basal elástica fina; um saco alveolar
consiste em dois ou mais alvéolos que compartilham uma abertura em comum. As paredes dos alvéolos são constituídas por dois tipos de
células epiteliais alveolares:
- Células alveolares tipo I - São mais numerosas; formam quase que um revestimento contínuo da parede alveolar e são os principais locais de
troca gasosa.
- Células alveolares tipo II (células septais) - São menos numerosas; encontradas entre as células do tipo I e produzem um líquido alveolar
responsável por manter a superfície entre as células e o ar úmida. Incluído nesse líquido encontra-se o surfactante.
*Surfactante pulmonar - Mistura complexa de fosfolipídios e lipoproteínas que reduz a tensão da superfície do líquido alveolar, reduzindo a
tendência dos alvéolos sofrerem colapso, ou seja, murcharem.
Nas parede dos alvéolos existem macrófagos alveolares (células de poeira) que removem finas partículas de poeiras e outros
fragmentos. Estão presentes também fibroblastos que produzem fibras reticulares e elásticas. Subjacente à lâmina de células alveolares do
tipo I encontra-se uma membrana basal elástica. Na face externa dos alvéolos, as arteríolas e vênulas do lóbulo se dispersam em uma rede de
capilares sanguíneos, que consiste em uma lâmina simples de células endoteliais e membrana basal.
*Troca gasosa - Ocorre por difusão através das paredes capilar e alveolar que, juntas, formam a membrana respiratória.
*Membrana respiratória - Consiste em 4 camadas:
-Parede alveolar- Camada de células alveolares tipo I e II associados a macrófagos alveolares.
-Membrana basal epitelial- Subjacente à parede alveolar.
-Membrana basal capilar- Muitas vezes fundida com a membrana basal alveolar.
-Endotélio capilar-
FISIOLOGIA
3. Temperatura - À medida que a temperatura aumenta, aumenta a quantidade de O 2 liberado da hemoglobina. O aumento da
temperatura é proveniente do calor subproduto de reações metabólicas e do calor liberado pela contração das fibras musculares.
4. BPG - Substância encontrada nos eritrócitos resultante da decomposição de glicose para produzir ATP: 2,3 bifosfoglicerato. Essa
substância diminui a afinidade da hemoglobina pelo O2 e, portanto, ajuda a descarregar o O2 da hemoglobina. Certos hormônios
(tiroxina, hormônio do crescimento, epinefrina, norepinefrina e a testosterona) aumentam a formação de BPG, assim como a
altitude.
* A hemoglobina fetal difere-se da adulta em estrutura e afinidade. A Hb-F tem maior afinidade pelo O2 porque se liga ao BPG menos
fortemente. Por esse motivo, consegue transportar 30% a mais de O2 do que a Hb-A.
Resumindo: À medida que o sangue passa pelos capilares pulmonares, as moléculas de CO2 dissolvidas no plasma
sanguíneo e o CO2 associado à hemoglobina passam por difusão para o ar alveolar e, logo após, são exalados. Ao
mesmo tempo, o O2 inalado que está no ar alveolar, começa a difundir-se para os eritrócitos, fixando-se à
- +
hemoglobina para formar a oxiemoglobina. Outra forma de liberação do CO2 é quando o HCO3 se junta ao H ,
-
formando o H2CO3 . Este se dissocia em CO2 e H2O.
Regulação da respiração
Centro respiratório - São grupos amplamente dispersos de neurônios localizados bilateralmente no bulbo (medula oblonga) e ponte
do tronco encefálico. São responsáveis por transmitir impulsos nervosos para os músculos da respiração. Funcionalmente, é dividido
em 3 áreas:
1. Área de ritmicidade medular (Bulbar) - Os impulsos gerados na área inspiratória controlam o ritmo básico da respiração. A
inspiração dura, aproximadamente, 2 segundos e a expiração 3 segundos. Enquanto a área está ativa, impulsos nervosos para a
inspiração são gerados e chegam aos músculos intercostais externos via nervos intercostais e ao músculo diafragma via nervos
frênicos, contraindo-os. No final de 2 segundos, a área inspiratória torna-se inativa e os impulsos cessam, relaxando os músculos
intercostais externos e o diafragma durante, aproximadamente, 3 segundos. O ciclo se repete. Os neurônios da área expiratória
ficam inativos durante a respiração normal. Entretanto, quando há uma expiração forçada, eles são ativados e liberam impulsos para
os músculos intercostais internos e do abdome que se contraem e provocam a expiração forçada.
2. Área pneumotáxica - Localiza-se na parte superior da ponte que transmite impulsos inibidores para a área respiratória. Ajudam a
"desligar" a área inspiratória antes que os pulmões fiquem completamente cheios de ar. Quando essa área está ativa, a frequência
da respiração é mais rápida.
3. Área apnêustica - Parte inferior da ponte do tronco encefálico que coordena a transição entre a inspiração e a expiração. Envia
impulsos estimulatórios para a área inspiratória, ativando-a e prolongando a inspiração.
6. Dispneia
Dificuldade de respirar. Pode ser subjetiva (quando percebida pelo paciente) e objetiva (quando evidenciada no
exame físico). A dispneia pode acompanhar-se da taquipneia (frequência aumentada) ou hiperpneia (amplitude
aumentada).
Tipos:
*Ortopneia: dispneia em posição de decúbito dorsal (deitado)
*Trepopneia: dispneia em decúbito lateral
*Platipneia: dispneia que ocorre na posição ereta
Causas da dispnéia:
*Atmosféricas (ar pobre em oxigênio ou com sua pressão parcial baixa)
*Obstrutivas (redução do calibre das vias respiratórias)
*Parenquimatosas (redução da área de hematose - trocas gasosas)
*Toracopulmonares (modificação da dinâmica toracopulmonar, ou seja, redução da elasticidade ou da complacência
pulmonar)
*Diafragmáticas (interferência na movimentação do diafragma)
*Pleurais (o doente procura limitar ao máximo seus movimentos devido a dor na pleura parietal -dotada de
inervação sensitiva- ocasionada na inspiração)
*Cardíacas (mal funcionamento cardíaco)
*Tecidual (aumento no consumo de oxigênio, pelo aumento do metabolismo, em um exercício físico)
*Sistema Nervoso (origem neurológica, lesão no tronco cerebral)
7. Sibilância
Chiado ou "chieira". Ruído que o paciente pode perceber, principalmente na fase expiratória. É proveniente do
estreitamento das vias aéreas. O som é mais agudo quanto maior for o comprometimento da via. Pode vir
acompanhado de dispnéia.
8. Rouquidão ou disfonia
Mudança no timbre da voz resultante de uma alteração na dinâmica das cordas vocais. As lesões das cordas vocais
podem ser laríngeas ou extralaríngeas (fora da laringe).
9. Cornagem
Dificuldade inspiratória por redução no calibre das vias respiratórias superiores, na altura da laringe, e que se
manifesta por um ruído.
EXAME FÍSICO
O exame físico do sistema respiratório é feito a partir da inspeção, palpação, percussão e ausculta.
1. Inspeção
O tórax é observado tanto com o paciente sentado como deitado. Na inspeção estática, observa-se anomalias
congênitas ou adquiridas. Na inspeção dinâmica, observa-se os movimentos respiratórios, suas características e
alterações. Na pele, observam-se a coloração (se apresenta cianose, por exemplo), o grau de hidratação, a presença
de lesões elementares sólidas, correlacionando-as com a doenças pulmonares. Nas mamas, é importante observar o
volume, posição do mamilo, presença de nódulos (risco de metástase pulmonar). O sistema muscular será
examinado de forma comparativa.
-SINAL DE RAMOND- Contratura da musculatura paravertebral torácica unilateral que denuncia o comprometimento
pleural inflamatório homolateral.
-SINAL DE LEMOS TORRES- Caracterizado pelo abaulamento dos espaços intercostais (curvados para fora) durante a
expiração, é sinal fidedigno de derrame pleural.
Nas partes ósseas, procurar retrações e abaulamentos difusos ou localizados.
-SULCOS DE HARRISON e ROSÁRIO RAQUÍTICO- Deformidades bilaterais quase sempre simétricas. Os sulcos resultam
da redução da curvatura dos arcos costais. O rosário é uma série de saliências ósseas que surgem na união das
costelas com as cartilagens esternais.
Tipos de tórax:
*Tórax chato ou plano - a parede anterior perde sua convexidade normal.
*Tórax alado - próprio dos indivíduos longilíneos. Omoplatas mais baixas, afastando-se do tórax.
*Tórax em tonel - aumento exagerado do diâmetro ântero-posterior, maior horizontalização dos arcos costais e
abaulamento da coluna dorsal.
*Tórax infundibuliforme ou tórax de sapateiro - depressão na parte inferior do esterno e região epigástrica.
*Tórax cariniforme - esterno proeminente e as costelas horizontalizadas, resultando num tórax que se assemelha ao
das aves.
*Tórax cônico ou em sino - parte inferior exageradamente alargada, lembrando um cone ou um sino.
*Tórax cifótico - curvatura da coluna dorsal, formando uma gibosidade.
*Tórax cifoescoliótico - além da cifose, apresenta um desvio da coluna para o lado (escoliose).
Tipos de respiração
A respiração torácica ou costal é a mais comum em homens e mulheres sadios e na posição sentada ou em pé. Já em
decúbito dorsal, prevalece a respiração diafragmática. A respiração do homem é mais abdominal que a mulher.
*Eupneia: respiração normal
*Bradipneia: respiração lenta; ocorre fisiologicamente durante o sono
*Taquipneia: respiração rápida e superficial
*Hiperpneia: respiração rápida e profunda; fisiológica após exercícios intensos
Ritmo respiratório
*Respiração de Cheyne-Stokes - fase de apneia seguida de incursões inspiratórias cada vez mais profundas até
atingir um máximo, para depois vir decrescendo até nova pausa.
*Respiração de Biot - primeira fase de apneia, seguida de movimentos inspiratórios e expiratórios anárquicos quanto
ao ritmo e à amplitude.
*Respiração de Kussmaul - Caracteriza-se por inspirações rápidas e amplas intercaladas com curtos períodos de
apneia e expirações profundas e ruidosas. Alternância sequencial de apneias inspiratórias e expiratórias. Associada à
distúrbios metabólicas como acidoses e uremias. Lembra o padrão respiratório de um peixe fora d'água.
*Respiração suspirosa - série de movimentos inspiratórios de amplitude crescente seguidos de expiração breve e
rápida. Ou movimentos respiratórios normais interrompidos por "suspiros" isolados ou agrupados.
Tiragem
Depressão dos espaços intercostais. Nas regiões axilares e infra-axilares esses espaços apresentam ligeira depressão
na hora da inspiração (mais visíveis nas pessoas magras) e é causado pelo efeito da Patm no momento em que a
negatividade intratorácica se acentua e os músculos intercostais ainda estão descontraídos. No entanto, quando
existe obstáculo em uma via aérea que dificulta ou obstrui a passagem de ar, a parte correspondente do pulmão não
se expande.
2. Palpação
Permite que lesões superficiais sejam mais bem examinadas quanto à sua forma,volume e consistência. Os grupos
ganglionares regionais devem ser palpados cuidadosamente.
Expansibilidade dos ápices pulmonares - É verificada com as mãos espalmadas na face posterior do tórax
(dedos polegares apoiando-se na coluna vertebral e os demais dedos nas fossas supraclaviculares), de modo
que as bordas internas toquem na base do pescoço. À medida que o paciente inspira, as mãos do
examinador devem se deslocar para fora e para cima simetricamente.
Expansibilidade das bases pulmonares - Polegares apoiados nas linhas paravertebrais, enquanto os outros
dedos recobrem os últimos arcos costais. Na face anterior do tórax, as mãos devem estar posicionadas
margeando as costelas inferiores.
Frêmito toracovocal (FTV) - É provocado pelo movimento do ar através da parece torácica durante a
respiração, quando o paciente emite sons. É percebido como vibrações suaves. Deve-se localizar qualquer
região com diminuição, aumento ou ausência do frêmito. As mãos devem estar espalmadas sobre a
superfície do tórax e é necessário a comparação de regiões homólogas. Pede-se para o paciente falar "trinta
e três".
Frêmito brônquico - É provocado pela vibração de secreções dos brônquios de médio e grosso calibres
durante a respiração. Estando os brônquios obstruídos, o som não se propaga.
Frêmito pleural - Sensação tátil do ruído de atrito provocado pelas duas superfícies rugosas dos folhetos
pleurais.
3. Percussão
Esta técnica ajuda a detectar se os tecidos estão cheios de ar, líquido ou sólidos. Só permite captar os sons de
estruturas localizadas no máximo a 5cm do ponto de impacto do dedo percussor. O movimento da mão que percute
é de flexão e extensão sobre o punho, NUNCA envolvendo a articulação do cotovelo ou ombro. Para a percussão, o
paciente deve estar sentado ou deitado e avaliação sempre deve ser feita de modo comparativa dos hemitórax.
Som claro pulmonar ou sonoridade pulmonar - considerado normal na percussão dos pulmões
Som hipersonoro - indica aumento de ar nos alvéolos
Som claro timpânico - Ocorre quando há ar aprisionado no espaço pleural (pneumotórax)
Som submaciço e Som maciço - diminuição ou desaparecimento da sonoridade pulmonar. Ocorre quando
há uma redução ou ausência de ar nos alvéolos.
4. Ausculta
Permite analisar o funcionamento pulmonar. Avalia o fluxo aéreo pela árvore brônquica. O paciente deve estar com
o tórax despido e respirar pausada e profundamente, com a boca entreaberta, sem fazer ruído. A ausculta se inicia
pela face posterior do tórax, passando, a seguir, para as faces laterais e anterior. É aconselhável pedir que o paciente
faça algumas respirações profundas e tussa algumas vezes.
Sons normais
*Som traqueal
*Respiração brônquica
*Murmúrio vesicular - avaliação mais importante para a determinação da normalidade da respiração. O ruído é mais
forte nas regiões intraescapular, anterosuperior e axilas.
*Respiração broncovesicular
Sons anormais
*Descontínuos: estertores finos ou crepitantes(claros no final da inspiração e não se alteram com a tosse) grossos ou
bolhosos (ocorrem no início da inspiração e em toda expiração, além de se alterarem com a tosse) - ruídos
intermitentes, breves e audíveis na inspiração e expiração; se superpõem aos sons respiratórios normais. Estão
presentes quando há líquido nos alvéolos
*Contínuos: roncos (são os sons graves originados pela vibração das paredes brônquicas que sugerem a presença de
secreções nas grandes vias respiratórias), sibilos (são sons agudos de alta frequência, múltiplos e disseminados por
todo o tórax; sugerem o estreitamento das vias respiratórias e aparecem em toda inspiração e expiração) e estridor
(semi-obstrução da laringe ou da traqueia).
*De origem pleural: atrito pleural (contínuo)
Ausculta da voz
Pede-se para o paciente falar "trinta e três" durante o exame. Os sons produzidos pela voz e ouvidos na parede
torácica constituem o que se chama ressonância vocal. Em condições normais, tanto na voz falada como na
cochichada, a ressonância vocal constitui-se de sons incompreensíveis, isto é, não se distinguem as sílabas que
formam as palavras, pois o parênquima pulmonar absorve muitos componentes sonoros, mas quando está
consolidado (pneumonia, infarto pulmonar), a transmissão é facilitada. Já na atelectasia, no espessamento pleural e
nos derrames, ocorre a diminuição da ressonância vocal.
*Pectorilóquia fônica - quando se ouve com nitidez a voz falada
*Pectorilóquia afônica - quando se ouve com nitidez a voz cochichada
*Broncofonia - ausculta-se a voz sem nitidez
*Egofonia - forma especial de broncofonia, ou seja, é uma broncofonia de qualidade nasalada e metálica, comparada
ao balido de cabra.
ESTRUTURA DO CORAÇÃO
2 átrios (direito e esquerdo)- recebem sangue venoso
2 ventrículos (direito e esquerdo)- ejetam sangue para as artérias
O ventrículo direito (VD) bombeia sangue para os pulmões, onde ocorre sua oxigenação.
O ventrículo esquerdo (VE) bombeia sangue oxigenado para todo o corpo.
A parede do VE é mais espessa que a do VD por realizar mais trabalho.
O átrio e o ventrículo direito são separados do átrio e ventrículo esquerdo por um septo (parede muscular). Miocárdio é uma massa
de células pequenas, ramificadas, interconectadas por zônulas de oclusão (que atuam como sinapses elétricas) e que constituem a parede do
coração. O miocárdio é uma unidade funcional única, ou sincício funcional, pois os potenciais de ação originados em qualquer células podem
ser transmitidos a todas as outras células. Os miocárdios (atrial e ventricular) são separados pelo esqueleto fibroso do coração (camada de
tecido conjuntivo denso). Esta camada separa os átrios e ventrículos em duas unidades funcionais. Em torno das 4 válvulas, há tecido
conjuntivo do esqueleto fibroso formando aneis fibrosos, que servem como suporte para as válvulas das valvas.
CIRCULAÇÃO PULMONAR E SISTÊMICA
Circulação pulmonar - O sangue rico em CO2 resultado das trocas gasosas teciduais chega ao AD, onde é direcionado para o VD. O VD
o direciona para os pulmões através do tronco pulmonar e artérias pulmonares. Chegando aos pulmões, ocorrerá a oxigenação desse
sangue nos alvéolos. Após o processo, esse sangue é devolvido ao coração por meio das veias pulmonares que desembocam no AE.
Circulação sistêmica - O sangue oxigenado do AE passa para o VE, onde é bombeado para o interior da aorta. A aorta ascende uma
curta distância (curva U) e logo após desce através das cavidade torácicas e abdominal. Ramos arteriais da aorta vão suprir todos os
sistemas orgânicos com sangue rico em O2. O retorno ao coração é feito através das veias cavas superior e inferior, que desembocam
no AD.
VALVAS ATRIOVENTRICULARES E SEMILUNARES
1. Valvas atrioventriculares - Na bainha do tecido conjuntivo denso (esqueleto fibroso), encontram-se as válvulas atrioventriculares
(AV): tricúspide e bicúspide ou mitral. Essas válvulas AV permite o fluxo dos átrios para os ventrículos e evita o refluxo do sangue
para os átrios.
Válvula tricúspide: possui três válvulas e localiza-se entre o AD e o VD
Válvula bicúspide ou mitral: possui duas válvulas e localiza-se entre o AE e o VE
O funcionamento (abertura e fechamento) dessas válvulas depende de uma diferença de pressão entre os átrios e ventrículos. Ou seja, quando
o sangue chega aos átrios, a pressão nos mesmos fica maior do que nos ventrículos. Consequentemente, as válvulas AV se abrem, permitindo
que o sangue entre nos ventrículos. Já quando os ventrículos se contraem, a pressão intraventricular aumenta, ultrapassando a pressão dos
átrios. Entretanto, o refluxo do sangue é impedido pela contração dos músculos papilares, que estão conectados às válvulas das válvulas por
cordas tendíneas. Como a contração dos músculos papilares e dos ventrículos ocorrem ao mesmo tempo, as válvulas ficam hermeticamente
fechadas.
2. Valvas semilunares - Localizam-se na origem do tronco pulmonar e da aorta. Abrem-se durante a contração ventricular, permitindo
que o sangue entre nas circulações pulmonar e sistêmica. Durante o relaxamento ventricular, quando a pressão nas artérias é maior
que a pressão nos ventrículos, as válvulas semilunares fecham-se abruptamente, impedindo o refluxo do sangue.
* É o fechamento inicial das válvulas AV e o fechamento posterior das válvulas semilunares que produzem o som "tum-tac".
CICLO CARDÍACO E BULHAS CARDÍACAS
O ciclo cardíaco consiste na fase de contração (sístole) e relaxamento (diástole) do coração. Os AD e AE se contraem quase simultaneamente
e, após 0,1 a 0,2 segundos, ocorre a contração dos VD e VE.
Enquanto os átrios e ventrículos estão relaxados, o retorno do sangue venoso enche os átrios, provocando o aumento da pressão e abrindo as
válvulas AV. Então, o sangue passa para os ventrículos e os enchem praticamente 80%. Os 20% restantes são preenchidos com a contração dos
átrios, resultando no volume diastólico final. As contrações ventriculares na sístole ejetam aproximadamente 2/3 (volume sistólico) do volume
de sangue neles contidos, deixando os 1/3 restantes nos ventrículos (volume sistólico final)
Frequência cardíaca: média de 75 bpm; cada ciclo dura 0,8 segundo (0,5 na diástole e 0,3 na sístole)
ALTERAÇÃO DA PRESSÃO DURANTE O CICLO CARDÍACO
Quando o coração se encontra em diástole, a pressão nas artérias sistêmicas é em média de 80mmHg.
1. Quando os ventrículos se contraem, a pressão intraventricular aumenta e as válvulas AV se fecham. Entretanto, a pressão
intraventricular não é bastante para abrir as válvulas semilunares. Esta é a fase de contração isovolumétrica.
2. Quando a pressão no VE torna-se maior que a da aorta (120 mmHg), há a abertura das válvulas semilunares e começa a fase de
ejeção.
3. Quando a pressão no VE fica menor que a da aorta, as válvulas semilunares se fecham. A pressão na aorta cai para 80mmHg e no
ventrículo 0mmHg.
4. A pressão nos ventrículos começa a cair abaixo da pressão nos átrios e as válvulas continuam fechadas. É a fase relaxamento
isovolumétrico.
5. Quando a pressão dos ventrículos fica menor que a dos átrios, as válvulas AV se abrem e começam a encher os ventrículos. É a fase
de enchimento rápido dos ventrículos.
6. Para o esvaziamento total do átrio, há a contração deste. É a fase de contração atrial (sístole atrial). E o ciclo é reiniciado.
*A pressão máxima no VD é 25mmHg e cai abaixo de 8mmHg na diástole.
BULHAS CARDÍACAS
São os sons ("tum tac")que podem ser ouvidos com o auxílio de estetoscópio colocado sobre o tórax.
O "tum" (primeira bulha) é produzido pelo fechamento das válvulas AV durante a contração dos ventrículos na sístole.
O "tac" (segunda bulha) é produzido pelo fechamento das válvulas semilunares no início da diástole.
1. Sopros cardíacos - Sons anormais produzidos por padrões anormais do fluxo sanguíneo no coração. Esses sopros podem ser
causados devido a válvulas defeituosas, lesões dos músculos papilares ou defeitos septais.
ATIVIDADE ELÉTRICA DO CORAÇÃO
A região marca-passo do coração (nó SA) apresenta uma despolarização espontânea que produz potenciais de ação, resultando no batimento
automático do coração.
Células miocárdicas atriais conduzem impulsos elétricos que são transmitidos aos ventrículos por um tecido de condução especializado.
As ondas eletrocardiográficas correspondem aos seguintes eventos elétricos do coração: onda P (despolarização atrial); onda QRS
(despolarização ventricular); e onda T (repolarização ventricular).
1. Atividade elétrica do coração - A natureza automática do batimento cardíaco é denominada de automaticidade. Apenas uma região
do coração (nó sinoatrial ou nó SA) apresenta atividade elétrica espontânea, atuando como um marca-passo. Esse nó SA está
localizado no AD, próximo da abertura da veia cava superior. Durante a diástole, as células do nó SA não mantêm um potencial de
membrana de repouso, mas apresentam uma despolarização espontânea lenta denominada de potencial de marca-passo.
(1)Durante o período de diástole (-60mV), o nó sinoatrial apresenta uma despolarização lenta e espontânea produzida pela passagem de Ca2+
através dos canais de cálcio lentos. Essa despolarização é chamada de potencial de marca-passo.
(2)Quando a célula atinge o limiar de despolarização (-40mV), outros canais de Ca2+ se abrem. Desta vez, são os canais de cálcio rápidos.
Estes, rapidamente, provocam a difusão de Ca2+ para dentro da célula, isto é, para baixo em seu gradiente de concentração. E,
consequentemente desencadeiam potenciais de ação no final da diástole.
(3)Por fim, a repolarização é produzida pela passagem de K+ para o exterior através de seus canais. Atingindo a voltagem de -60mV, inicia-se
um novo potencial de marca-passo.
Quando outra célula miocárdica é estimulada por potenciais de ação originados no nó SA, ela produz seus próprios potenciais de
+
ação. A maioria possui membrana de repouso -90mV e quando estimuladas, começam a despolarizar até o limiar em que os canais de Na se
+
abrem. A fase de disparo do potencial de ação nas células não-marca-passo deve-se à difusão de Na para o seu interior. A repolarização
+
rápida é obtida, como nas outras células, pela abertura dos canais de K e pela sua consequente difusão para o exterior.
2. Tecidos estimulantes do coração - Como o miocárdio dos átrios é separado do miocárdio dos ventrículos pelo esqueleto fibroso do
coração, o impulso não pode ser conduzido diretamente dos átrios aos ventrículos. Portanto, um tecido estimulante especializado,
composto por células miocárdicas especializadas, formam o nó AV, o fascículo AV (ou feixe de His) e os ramos subendocárdicos
(fibras de Purkinje).
(1) O impulso do nó SA se dissemina pelos átrios e passa no nó AV, que localiza-se na porção inferior do septo interatrial.
(2)Do nó AV, o impulso continua através dos feixes de His, que começa no topo do septo interventricular e continua a descer ao seu longo. O
fascículo divide-se em ramos direito e esquerdo, que formam uma continuidade com os ramos subendocárdicos (ou fibras de Purkinje) nas
paredes ventriculares. A estimulação dessas fibras promove a contração simultânea dos ventrículos, ejetando o sangue para a circulação
pulmonar e sistêmica.
3. Condução do Impulso -
* No nó SA, a disseminação é: 0,8 a 1m/s
* No nó AV, a disseminação é: 0,03 a 0,05m/s
* Nos feixes de His, a disseminação é: aumenta consideravelmente
* Nas fibras de Purkinje, a disseminação é: 5m/s
Como consequência dessa rápida condução de impulsos, a contração ventricular começa 0,1 a 0,2 segundo mais tarde que a
contração dos átrios.
4. Acoplamento excitação-contração no músculo cardíaco -
2+
(1) A despolarização das células miocárdicas estimulam a abertura dos canais de Ca controlados pela voltagem do sarcolema.
2+
(2) A seguir, o Ca se difunde para o interior das células (para baixo em seu gradiente de concentração).
2+
(3) A entrada de Ca do sarcolema estimula a abertura de outro tipo de canais de cálcio no retículo sarcoplasmático.
2+
(4) Em consequência, haverá uma ampliação de Ca no citoplasma
(5) O cálcio que está no citoplasma se ligará à troponina e estimula a contração (que ocorre durante a despolarização).
2+
(6) Durante a repolarização, a [Ca ] no citoplasma diminui (por causa do transporte ativo de cálcio para fora da célula através do sarcolema e
por causa do transporte ativo para o interior do retículo sarcoplasmático).
(7) Em consequência, o relaxamento ocorre durante a repolarização.
*O músculo cardíaco não consegue manter uma contração devido ao fato de os ventrículos e átrios se comportarem como se cada um fosse
composto apenas por uma célula muscular.
ELETROCARDIOGRAMA
Um par de eletrodos colocados sobre o coração registra um padrão repetitivo de alterações de potencial. As diferenças de potencial geradas
pelo coração são conduzidas à superfície corporal e são registradas pelos eletrodos. O registro é o eletrocardiograma (ECG). Existem dois tipos
de derivações:
(1)derivações bipolares de extremidades - registram a voltagem entre os eletrodos colocados nos punhos e nas pernas
(2)derivações unipolares - a voltagem é registrada entre um único "eletrodo explorador" colocado sobre o corpo e um eletrodo integrado no
eletrocardiógrafo.
Cada ciclo cardíaco produz três ondas eletrocardiográficas distintas: P, QRS e T. Essas ondas representam alterações de potencial
entre duas regiões da superfície do coração que são produzidas pelo efeito composto de potenciais de ação de numerosas células
miocárdicas.
P = contração dos átrios; despolarização das células atriais; momento em que recebem estímulo elétrico
QRS= contração dos ventrículos; despolarização das células ventriculares; momento em que recebem estímulo elétrico; após a onda QRS,
ouve-se a primeira bulha cardíaca
T= relaxamento dos ventrículos; repolarização das células do feixe de His; logo após o início da onda T, tem-se a segunda bulha cardíaca
VASOS SANGUÍNEOS
Formam uma rede tubular que permite o fluxo do sangue do coração para todas as células do corpo e de volta ao coração. O sangue que deixa
o coração passa através de artérias, arteríolas e capilares. Os capilares são vasos microscópicos e que unem o fluxo arterial ao venoso, além de
permitir trocas de gases, nutrientes entre o sangue e tecidos. Dos capilares, o sangue venoso passa por vênulas, veias e retorna ao coração. Em
alguns tecidos, o sangue das arteríolas pode entrar diretamente nas vênulas através de anastomoses arteriolovenulares.
Artérias - possuem camada muscular mais espessa, por isso conseguem transportar o sangue ejetado do coração sob alta pressão. A retração
elástica das grandes artérias contribuem com o fluxo sanguíneo durante a fase diastólica.
Na aorta e outras artérias de grande calibre, existem numerosas camadas de fibras de elastina entre as células musculares lisas da
túnica média. Isso garante sua expansão, quando a pressão do sangue aumenta em consequência da contração cardíaca, e sua retração,
quando a pressão do sangue cai durante o relaxamento ventricular. As artérias menores são menos elásticas e possuem uma camada mais
espessa de músculo liso em relação ao seu diâmetro.
Veias - possuem camada muscular mais fina, o que permite que elas distendam quando há aumento do aporte de sangue e as suas válvulas
unidirecionais garantem o retorno do sangue ao coração.
A maior parte do volume sanguíneo está contida no sistema nervoso. As veias são capazes de se expandir quando elas acumulam
quantidades adicionais de sangue. A pressão média das veias é de apenas 2mmHg, comparada a uma pressão arterial média muito maior, de
aproximadamente 100mmHg. O retorno do sangue venoso para o coração é auxiliado quando as veias são comprimidas pelos músculos
esqueléticos que se contraem (bomba muscular esquelética). Além do auxílio das válvulas venosas que impedem o refluxo sanguíneo.
Capilares - são compostos apenas por uma camada de endotélio, o que facilita a troca rápida de material entre o sangue e o líquido
intersticial.
*capilares contínuos: aqueles cujas células endoteliais adjacentes estão intimamente unidas. Presentes nos músculos, pulmões, tecido adiposo
e no sistema nervoso central.
*capilares fenestrados: caracterizados por poros intercelulares largos que são recobertos por uma camada de mucoproteína que atua como
um diafragma. Encontrados nos rins, glândulas endócrinas e nos intestinos.
*capilares descontínuos: encontrados na medula óssea, no fígado e baço. Parecem pequenas cavidades no interior do órgão.
SISTEMA LINFÁTICO
(1) Transporta o líquido intersticial
(2) Transporta a gordura absorvida do intestino delgado ao sangue
(3) Suas células (linfócitos) ajudam a prover as defesas imunológicas contra agentes causadores de doenças
*Capilares linfáticos - menores vasos do sistema linfático; tubos que terminam em fundo de saco e formam vastas redes nos espaços
intercelulares da maioria dos órgãos.
*Linfa - líquido que se encontra dentro dos capilares e ductos linfáticos.
*Ductos linfáticos - vasos linfáticos maiores; suas paredes são similares às das veias; o movimento da linfa ocorre em decorrência de
2+
movimentos peristálticos da contração. O músculo liso desses ductos contém um marca-passo que promove, através da entrada de Ca ,
contração. Esses ductos drenam a linfa para vasos principais: ducto torácico e ducto linfático direito. Em sequência, esses ductos drenam a
linfa para o interior das veias subclávias esquerda e direita, respectivamente.
*Linfonodos - estruturas que filtram a linfa antes de retornar ao sangue.
*Órgãos linfáticos - tonsilas, timo e baço. Locais de produção de linfócitos (células do sistema imunológico).
DÉBITO CARDÍACO
Frequência cardíaca - batimentos por minuto; 70 bpm
Volume sistólico - volume de sangue ejetado por batimento; 70 a 80mL por batimento
Débito cardíaco - volume bombeado por minuto por cada ventrículo; (frequência cardíaca x volume sistólico); 5,5L por minuto
Volume sanguíneo total - 5,5L de sangue; isto quer dizer que cada ventrículo, em condições de repouso, bombeia o equivalente ao volume
sanguíneo total por minuto
REGULAÇÃO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA
As fibras nervosas simpáticas e parassimpáticas modificam a velocidade da despolarização espontânea do nó SA.
A noradrenalina (liberada pelas terminações nervosas simpáticas) e a adrenalina (secretada pela medula supre-renal) estimulam a abertura
+ 2+
dos canais de Na e Ca da membrana plasmática das células marca-passo do nó SA. Ou seja, aumentam a velocidade das contrações
cardíacas.
+
A acetilcolina (liberada pelas terminações parassimpáticas) promove a abertura dos canais de K das células marca-passo. Ou seja,
diminuem a velocidade das contrações cardíacas.
*Efeito cronotrópico - mecanismos que afetam a frequência cardíaca, aumentando (efeito cronotrópico positivo) ou diminuindo (efeito
cronotrópico negativo).
O centro de controle cardíaco localiza-se na medula oblonga (bulbo) do tronco encefálico. Ele coordena a atividade da inervação autônoma
do coração. É afetado por áreas encefálicas superiores e pela retroalimentação sensitiva dos receptores de pressão (barorreceptores) na
aorta e nas artérias carótidas. Dessa maneira, uma queda de pressão arterial pode produzir aumento reflexo da frequência cardíaca.
REGULAÇÃO DO VOLUME SISTÓLICO
(1)Volume diastólico final (VDF) -volume de sangue nos ventrículos no final da diástole
(2)Resistência periférica total - resistência de atrito ou impedância ao fluxo nas artérias
(3)Contratilidade - força da contração ventricular
*Quanto maior a resistência periférica, menor o volume sistólico e vice e versa.
*A contratilidade deve aumentar quando o volume diastólico final aumenta (LEI DE FRANK-STARLING DO CORAÇÃO - afirma que o coração
pode se ajustar ao aumento da resistência periférica total, ou seja, manter um débito cardíaco normal)
1. Controle intrínseco da força de contração - Quando os ventrículos se enchem de sangue, o miocárdio se distende de modo que os
filamentos de actina se sobrepõem à miosina somente nas extremidades da banda A. Isso aumenta o número de interações entre a
actina e a miosina, permitindo que a contração seja mais forte. Como essa distensão do ventrículo é provocada pelo grau de
enchimento, o volume diastólico final ajusta a força de contração.
2. Controle extrínseco da contratilidade - A noradrenalina e a adrenalina produzem aumento da força de contração.
RETORNO VENOSO
(1)Atividade nervosa simpática que estimula a contração do músculo liso das paredes venosas, reduzindo a complacência.
(2)Bomba muscular esquelética que comprime as veias durante a contração muscular, impulsionando o sangue de volta para o coração.
(3)Diferença de pressão entre as cavidades torácica e abdominal que promove o fluxo do sangue venoso de volta ao coração.
REGULAÇÃO DO VOLUME SANGUÍNEO PELOS RINS
1. Pelo Hormônio Antidiurético (ADH) ou Vasopressina - Produzido pelos neurônios do hipotálamo e transportado pelos axônios até a
hipófise posterior, onde será liberado em reposta à estimulação hipotalâmica. Esse estímulo ocorre em resposta ao aumento da
osmolalidade plasmática (plasma mais concentrado) detectada por osmorreceptores. O ADH produz sensação de sede e acarreta
uma maior reabsorção de água pelos rins. Consequentemente, aumenta o volume sanguíneo.
2. Pela Aldosterona - Hormônio esteróide secretado pelo córtex supre-renal durante a privação de sal. Ele estimula a reabsorção de sal
pelos rins. A retenção de sal promove indiretamente a retenção de água, que aumenta o volume sanguíneo.
3. Pelo sistema Renina-Angiotensina - Quando a pressão e o fluxo sanguíneos estão reduzidos na artéria renal, um grupo de células
renais denominado aparelho justaglomerular secreta a enzima renina na corrente sanguínea. Essa enzima separa um polipeptídeo
chamado angiotensina I de uma proteína plasmática angiotensinogênio. Assim, permite que a angiotensina I passe através dos
capilares dos pulmões e de outros órgãos. Uma enzima conversora da angiotensina (ECA) remove dois aminoácidos e a transforma
em angiontensina II. Esta, por sua vez, atua diretamente nas camadas musculares lisas de arteríolas e pequenas artérias e promovem
sua vasoconstrição. Quanto ao volume sanguíneo, ela promove o aumento por meio de 2 mecanismos: (1) estimulando centros da
sede no hipotálamo e (2)estimulando a secreção de aldosterona.
+
4. Fator Natriurético Atrial - Os átrios do coração produzem um hormônio que promove a excreção de Na (fator natriurético atrial -
FNA). O FNA pode atuar para reduzir o volume sanguíneo e a pressão arterial, promovendo a excreção de sal e água.
CORAÇÃO
DOR PRECORDIAL OU RETROESTERNAL
1. Dor da isquemia miocárdica
Causa: Hipóxia celular
Localização: Retroesternal; à esquerda ou mais raramente à direita da linha esternal. Pode ocupar pequena área ou se estender para
toda região precordial. Em alguns indivíduos, a dor possui localização atípica (epigástrica, dorso do tórax, supra-esternal, mandíbula,
punhos).
Irradiação: Pavilhões auriculares, maxilar inferior, nuca, região cervical, membros superiores, ombros, região epigástrica e região
interescapulovertebral. A mais típica é para a face interna do braço esquerdo.
Caráter ou qualidade: Constritivo, ou seja, sensação de aperto na região retroesternal. Alguns pacientes descrevem, também,
sensação de aperto na garganta. Mais raramente, a dor isquêmica pode adquirir o caráter de queimação, ardência, formigamento,
facada ou desconforto.
Duração: Na angina estável, a dor tem duração curta (cerca de 2 a 3 minutos, raramente ultrapassando 10 minutos) e é
estreitamente relacionada com exercício físico (uma vez que sua origem é apenas hipóxia miocárdica). Na angina instável, a dor é
mais prolongada (cerca 20 minutos, podendo durar horas no caso de um infarto do miocárdio) e já não está relacionada com
exercícios físicos, mas sim alterações histológicas.
Intensidade: Pode ser leve, moderada ou intensa. A sensibilidade do paciente tem influência preponderante. Na graduação da dor,
pode usar o seguinte critério:
-Leve- o paciente sente a dor mas não se fixa nela, relatando-a como sensação de peso ou desconforto.
-Moderada- o paciente se sente bem incomodado, agravando-se com exercícios físicos.
-Intensa- inflige grande sofrimento, obrigando-o a ficar o mais quieto possível, pois percebe que a dor piora com movimentos. É acompanhada
de sudorese, palidez, angústia e sensação de morte iminente.
2. Dor de origem pericárdica
Causa: provavelmente é o atrito entre os folhetos do pericárdio com estimulação das terminações nervosas ou uma grande e rápida
distensão do saco pericárdico por líquido.
Localização: região retroesternal.
Irradiação: para o pescoço e costas.
Caráter ou qualidade: pode ser do tipo "constritiva", "peso", "opressão", "queimação" e ter grande intensidade.
Duração: costuma ser contínua, durando várias horas. NÃO se relaciona com exercícios físicos. Agrava-se com a respiração, decúbito
dorsal, movimentos na cama, deglutição e com a movimentação do tronco. O paciente pode ter alívio ao inclinar o tórax para a
frente ou quando adota a posição genupeitoral.
3. Dor de origem aórtica
Causa: separação brusca das camadas da parede arterial, particularmente da adventícia, com súbita distensão das terminações
nervosas aí situadas, que estimula intensamente as fibras do plexo aórtico, determinando dor intensa.
Localização: retroesternal ou face anterior do tórax.
Irradiação: para o pescoço, região interescapular e ombros.
Caráter ou qualidade: início súbito, grande intensidade, tipo lancinante.
4. Dor de origem psicogênica
Aparece em indivíduos com ansiedade e/ou depressão. Limita-se a região mamilar, ao nível do ictus cordis, costuma ser surda, persiste por
horas ou semanas e acentua-se quando o paciente tem contrariedades ou emoções desagradáveis. NÃO está relacionada com exercícios físicos
e pode ser acompanhada de hiperestesia do precórdio. Além da dor, o paciente pode se queixar de palpitações, dispneia suspirosa,
dormências, astenia, instabilidade emocional e depressão. A dor pode desaparecer com exercício físico, analgésicos, tranquilizantes,
antidepressivos e placebos.
PALPITAÇÕES
Percepção incômoda dos batimentos cardíacos. Devem ser analisadas quanto à frequência (ocasionais, episódicas ou paroxísticas e
permanentes), ritmo (aleatório ou sempre ligadas a algum evento), horário de aparecimento (início súbito ou gradualmente), modo de
instalação e término, fatores desencadeantes (uso de café, refrigerante tipo "cola", tabaco, bebidas alcoólicas, medicamentos, drogas,
exercícios físicos e emoções) e sintomas associados (sudorese fria, dor precordial, dispneia e síncope). É importante investigar se traduzem
alguma alteração no ritmo cardíaco, se estão relacionadas a esforço físico ou alterações psíquicas.
DISPNEIA
"Falta de ar". A dispneia no cardiopata indica congestão pulmonar decorrente da insuficiência ventricular esquerda, apresentando
características próprias quanto à duração, evolução, relação com esforço e posição adotada pelo paciente. À dispneia dos cardíacos costuma
estar associada uma taquipneia, em consequência da diminuição da expansibilidade pulmonar e da exaltação do reflexo de Hering-Breuer
(reflexo da insuflação pulmonar), em virtude de impulsos aferentes vagais originados no parênquima pulmonar congesto. A dispneia depende
basicamente da congestão pulmonar.
1. Dispneia do esforço - é classificada em dispneia aos grandes, médios e pequenos esforços. Caracteriza-se por ser de rápida
progressão, passando dos grandes aos pequenos esforços em curto período de tempo (em dias ou semanas). Esse tipo de progressão
é o que diferencia a dispneia do esforço da dispneia das enfermidades pulmonares e anemias.
2. Dispneia de decúbito - surge quando o paciente se põe na posição deitada (ortopneia). É causada pelo aumento da congestão
pulmonar em virtude do maior afluxo de sangue proveniente dos membros inferiores e da área esplâncnica.
3. Dispneia paroxística - ocorre com mais frequência a noite (dispneia paroxística noturna). Durante a crise dispneica pode haver
broncoespasmo, responsável pelo aparecimento de chieira (asma cardíaca). Nas crises mais graves, além de intensa dispneia, surge
tosse com expectoração espumosa, branca ou rósea, cianose, respiração ruidosa pela presença de sibilos e estertores finos. Isso se
dá pelo aumento da pressão do átrio esquerdo, transmitida às veias pulmonares, que redunda em rápido aumento da pressão no
leito capilar dos pulmões. Após certo nível pressórico pode haver transudação de líquido para dentro dos alvéolos (edema
pulmonar).
4. Dispneia periódica ou de Cheyne-Sokes - caracteriza-se por períodos de apneia, seguidos de movimentos respiratórios que crescem
gradativamente até chegar um máximo, após vão diminuindo paulatinamente de amplitude até uma nova fase apneia.
INTOLERÂNCIA AOS ESFORÇOS
Se relaciona diretamente com a disfunção miocárdica e, em particular, com a disfunção sistólica do ventrículo esquerdo.
TOSSE E EXPECTORAÇÃO
Sintoma característico de insuficiência ventricular esquerda, constituindo um mecanismo de valor na manuntenção da permeabilidade da
árvore traqueobrônquica quando há aumento de secreções. Pode estar relacionada a esforços físicos e surge mais a noite, impedindo o
paciente de dormir. Quando há expectoração, ele é do tipo serosa (pouco consistente, contém ar e rica em albumina, o que lhe confere
aspecto espumoso).
CHIEIRA
Esse chiado traduz a passagem de ar, em alta velocidade, através de bronquíolos estreitados.
HEMOPTISE E EXPECTORAÇÃO HEMOPTÓICA
Eliminação de sangue puro procedente da traqueia, brônquios ou pulmões. O sangue eliminado pela tosse é vermelho-vivo e arejado. A
expectoração hemoptóica significa a presença de sangue juntos com secreção(serosa, mucosa ou mucopurenta). Quando a hemoptise é
acompanhada de expectoração espumosa e rósea, a causa é edema pulmonar agudo por insuficiência ventricular esquerda.
DESMAIO (SÍNCOPE E LIPOTÍMIA)
Pode ter origem de uma redução aguda, mas transitória, do fluxo sanguíneo cerebral. Podem preceder o desmaio, as palpitações, dor
anginosa, auras, paresias, parestesias, incoordenação, vertigem ou movimentos involuntários. Na síncope, a pressão arterial cai rápida e
intensamente, a frequência cardíaca diminui e a respiração torna-se superficial e irregular. A bradicardia com frequência inferior a 40 bpm ou
taquicardia acima de 180 bpm pode causar síncope.
Síncope psicogênica ou vagal - desencadeada por impacto emocional, visão de sangue, dor intensa, lugar fechado, ambiente quente.
O mecanismo básico da síncope é o desvio brusco do sangue para os músculos, em consequência de rápida queda da resistência
periférica por vasodilatação.
Hipotensão postural - rápida queda de pressão arterial quando o paciente se levanta do leito e adota a posição de pé durante muito
tempo. Pode ocorrer em indivíduos normais que permanecem de pé durante muito tempo, numa posição fixa. A hipotensão pode
ser observada após exercícios físicos exaustivos, inanição, enfermidades prolongadas, desequilíbrio hidroeletrolítico com perda de
água e depleção de sódio e potássio, grandes varizes nos membros inferiores.
Síncope do seio carotídeo - queda da pressão arterial e acentuada bradicardia após estimulação do seio carotídeo.
Síncope pós-tosse - aumento da pressão intratorácica com redução do retorno e do débito cardíaco.
Síncope pós-micção - logo após o paciente levantar-se de decúbito prolongado, a vasodilatação pode produzir uma hipotensão
súbita e colapso durante ou depois de urinar.
Hipoglicemia - pode causar desmaio em diabéticos que receberam dose de insulina acima das necessidades. O jejum prolongado
raramente causa perda de consciência.
Hiperventilação com alcalose respiratória - redução do fluxo sanguíneo cerebral por aumento do fluxo sanguíneo periférico, no
território esplâncnico e muscular, devido a uma vasodilatação, resultando em hipotensão.
Desmaio histérico - tipo de reação de conversão e expresso por linguagem corporal uma situação inaceitável.
ALTERAÇÕES DO SONO
Insônia frequente em pacientes com insuficiência ventricular esquerda. A causa é a estase sanguínea encefálica, com edema cerebral e
hipertensão do líquido cefalorraquidiano, além de anóxia dos neurônios cerebrais, relacionada com a diminuição do débito cardíaco.
CIANOSE
Coloração azulada da pele causada pelo aumento da hemoglobina. A inspeção deve ser feita onde a pele é mais fina e em áreas ricas de
capilares sanguíneos. A cianose pode ser generalizada (no corpo todo) ou segmentar (restrita a determinados segmentos do corpo). Quanto à
intensidade pode ser leve, moderada e grave. Quanto à fisiopatologia pode ser central (diminuição de O 2 inspirado, transtornos da ventilação
pulmonar, da difusão e da perfusão sanguínea e curto-circuito de sangue da direita para a esquerda), periférica (perda exagerada de oxigênio
ao nível da rede capilar por estase venosa ou diminuição do calibre dos vasos), mista (insuficiência cardíaca congestiva grave) e por alterações
da hemoglobina (modificações químicas que impedem a fixação do oxigênio por este pigmento).
EDEMA
Aumento de líquido intersticial, proveniente do plasma sanguíneo. No edema cardíaco, o acúmulo de líquido não se restringe ao tecido
subcutâneo, podendo acumular-se nas cavidades serosas, seja no abdome, no tórax, no pericárdio e na bolsa escrotal. Por influência da
gravidade, o edema cardíaco aumenta com o decorrer do dia e diminui ou desaparece com o repouso noturno. O edema de origem cardíaca
faz parte da tríade indicativa de insuficiência ventricular direita: edema, hepatomegalia dolorosa e ingurgitamento jugular.
ASTENIA
Na insuficiência cardíaca, a astenia se deve principalmente à diminuição do débito cardíaco, responsável pela má oxigenação dos músculos
esqueléticos.
POSIÇÃO DE CÓCORAS
É observada nos pacientes com cardiopatia congênita cianótica com fluxo sanguíneo pulmonar diminuído porque descobrem que a posição
alivia a dispneia.
ARTÉRIAS
DOR
Pode manifestar-se como formigamento, queimação, constrição, aperto, cãibras, sensação de peso ou fadiga. A dor mais característica de
enfermidade arterial isquêmica crônica é a claudicação intermitente (dor causada após certo tempo realizando exercício físico, mas com a
progressão da doença a distância de caminhada vai diminuindo). Esse sintoma permite avaliar o grau de comprometimento da artéria e
evolução da doença. Quando a isquemia agrava, a dor não dependerá de exercício, sendo chamada de dor de repouso.
MODIFICAÇÕES DA COR DA PELE
1. Palidez: diminuição acentuada do fluxo sanguíneo
2. Cianose: aumento da concentração de hemoglobina
3. Eritrocianose: coloração vermelho-arroxeada devido à dilatação de capilares arteriais e venosos para suprir as necessidade de
oxigênio
4. Rubor: vasodilatação arteriolar e capilar
5. Fenômeno de Raynaud: caracterizada pelo aparecimento sequencial de palidez, cianose e rubor
6. Livedo reticular: alteração caracterizada por cianose em formas de placas, circundando áreas de palidez
MODIFICAÇÕES DA TEMPERATURA DA PELE
A temperatura da pele depende, basicamente, da magnitude do fluxo sanguíneo. Então, se houver obstrução de artérias, a redução do aporte
sanguíneo provocará frialdade da pele.
ALTERAÇÕES TRÓFICAS
1. Pele atrófica: a pele torna-se brilhante e lisa, costumando ser associada à diminuição do tecido subcutâneo, queda de pêlos e
alterações ungueais (nas unhas).
2. Calosidades: aparecem nos pontos de apoio; são muito dolorosas e podem ulcerar-se.
3. Úlceras: dependendo do grau de comprometimento arterial podem ser minúsculas ou extensas. Aparecem espontaneamente ou
após traumatismos, compressão, longa permanência no leito.
4. Lesões bolhosas: aparecem nas obstruções arteriais agudas. As bolhas têm vários tamanhos e aparecem em áreas cianóticas.
5. Gangrena: morte de tecido em consequência de isquemia intensa, aguda ou crônica. Pode ser úmida (limites imprecisos, dolorosa,
acompanhada de secreção serossanguinolenta ou purulenta de intenso mau cheiro; a pele fica escura e elástica) ou seca (os tecidos
comprometidos sofrem desidratação; ficam secos, duros, escuros e é bem delimitada).
EDEMA
Decorre de vários fatores, tais como aumento da permeabilidade capilar, tendência dos pacientes manterem os pés pendentes para aliviar a
dor, processo inflamatório nas artérias.
VEIAS
DOR
A queixa mais comum em pacientes que têm varizes. Tem intensidade de leve a moderada, sendo referida como queimação, ardência,
cansaço, cãibras, dolorimento, fincada ou ferroada. O mecanismo provável da dor está na dilatação da parede das veias.
ALTERAÇÕES TRÓFICAS
1. Edema: é mole e depressível. Seu mecanismo de formação é o aumento da pressão hidrostática no interior das veias, vênulas e
capilares venosos, fenômeno que ocasiona saída de líquido para o espaço intersticial.
2. Hiperpigmentação: manchas acastanhadas na pele, esparsas ou confluentes. É consequência do acúmulo de hemossiderina na
camada basal da derme, a qual provém das hemácias que migram para o interstício e ali são fagocitadas pelos macrófagos.
3. Eczema: pode apresentar-se na forma aguda ou crônica. Na aguda, observam-se pequenas vesículas que secretam um líquido seroso.
Nos casos crônicos, são frequentes as reagudizações (reaparecimento de dores ou sintomas de lesões ou doenças antigas que já
foram consideradas curadas).
4. Úlcera: podem surgir em consequência de mínimos traumatismos. São rasas, têm bordas nítidas apresentando secreção serosa ou
seropurulenta.
5. Fibrose: pode interferir no retorno venoso, pois interfere no mecanismo da bomba venosa periférica.
HEMORRAGIAS E HIPERIDROSE
As varizes podem se romper, espontaneamente ou após traumatismos, causando hemorragias de grau variável, às vezes abundantes. Na
insuficiência venosa crônica grave de longa duração é comum o aparecimento de sudorese profusa ou hiperidrose no terço distal das pernas.
LINFÁTICOS
DOR
Aparece somente na linfangite aguda e nas adenomegalias que acompanham processos inflamatórios. Localiza-se no trajeto do coletor
linfático ou na área em que se situa o linfonodo comprometido.
EDEMA
Ocasionado por bloqueio ganglionar ou dos coletores linfáticos. O edema causado por bloqueio ganglionar a princípio é mole, mas vai se
tornando duro com o passar dos dias. É frio e não regride significativamente com repouso. Já o resultante de bloqueios dos coletores linfáticos
é de instalação insidiosa, iniciando-se pela extremidade do membro afetado. É duro, não depressível, frio, leva à deformidade do membro e
não diminui com repouso.
EXAME DO CORAÇÃO
O exame físico inclui inspeção, palpação e ausculta. A posição fundamental do paciente é o decúbito dorsal, ficando o médico, sentado ou de
pé, do seu lado direito.
INSPEÇÃO E PALPAÇÃO
São realizados simultaneamente porque os achados tornam-se mais significativos em conjunto. São investigados: pesquisa de abaulamentos,
análise do ictus cordis ou choque da ponta, análise de batimentos ou movimentos visíveis e /ou palpáveis, palpação de bulhas e pesquisa do
frêmito cardiovascular.
1. Pesquisa de abaulamentos - a observação deve ser feitas nas incidências tangencial (examinador de pé do lado direito do paciente) e
frontal (o examinador ficando junto aos pés do paciente, que permanece deitado).
2. Ictus cordis ou choque da ponta -
Localização: varia de acordo com o biótipo do paciente. Nos mediolíneos, situa-se no cruzamento da linha hemiclavicular esquerda
com o 4º ou 5º espaço intercostal. Nos brevilíneos, desloca-se uns 2 cm para fora e para cima, situando-se no 4º espaço intercostal e
nos longilíneos, costuma estar no 5º espaço, 1 ou 2cm para dentro da linha hemiclavicular.
Extensão: procura-se determinar quantas polpas digitais são necessárias para cobri-lo, calculando-se , a seguir, a quantos
centímetros isso corresponde. Em condições normais, são necessários 2 a 3cm de diâmetro (uma ou duas polpas digitais).
Intensidade: procura-se com a palma da mão em repouso sobre a região dos batimentos. Para a pesquisa do ponto de impulso
máximo é conveniente fazer a palpação com o paciente sentado. Quando não se consegue detectar nas posições sentada e em
decúbito dorsal, coloca-se o paciente em decúbito lateral esquerdo, lembrando-se que esta posição desloca para fora o ictus cordis.
Mobilidade: verifica-se se o ictus cordis se desloca ao mudar de posição, como do decúbito dorsal para os dois decúbitos laterais.
Ritmo e frequência: são melhores analisados na ausculta, mas dá pra reconhecer o ritmo de galope pela palpação do precórdio.
3. Retração sistólica apical - em casos de hipertrofia direita, por exemplo, durante a sístole, ao invés de um impulso, o que se percebe é
uma retração da ponta.
4. Levantamento em massa do precórdio - ocorrendo também na hipertrofia direita, é percebido como um impulso sistólico que
movimenta uma área relativamente grande da parede torácica nas proximidades do esterno.
5. Pulsações epigástricas - são as transmissões à parede abdominal das pulsações da aorta. Dependendo da sua intensidade, é possível
denunciar enfermidades.
6. Pulsação supra-esternal - está na dependência das pulsações da crossa da aorta. Quando muito intensas, levantam suspeita de
hipertensão arterial.
7. Frêmito cardiovascular - sensação tátil determinadas por vibrações produzidas no coração ou nos vasos. Três características são
investigadas: localização, situação do ciclo cardíaco, os frêmitos sistólicos, diastólicos e sistodiastólico; e intensidade. Os frêmitos
correspondem aos sopros.
AUSCULTA
O ambiente deve está silencioso, o médico de se colocar comodamente no momento da ausculta (que será feita nas posições deitada, sentada
e em decúbito lateral esquerdo), as solicitações feitas ao doente devem ser claras (em linguagem compreensível), deve-se fazer a escolha
correta do receptor (o receptor de diafragma é mais apropriado para se ouvirem ruídos de alta frequência, enquanto a campânula capta
melhor os ruídos de baixa frequência: 3º e 4º bulhas, ruflar da estenose mitral), o receptor deve ficar levemente apoiado sobre a pele e o
examinador deve prestar atenção na influência da respiração sobre a intensidade dos ruídos cardíacos.
1. Focos ou áreas de auculta -
Foco mitral (FM): no 4º ou 5º espaço intercostal esquerdo da linha hemiclavicular (ictus cordis)
Foco pulmonar (FP): no 2º espaço intercostal direito junto ao esterno
Foco aórtica (FAo): no 2º espaço intercostal direito junto ao esterno
Foco aórtica acessória: no 3º espaço intercostal esquerdo, junto ao esterno
Foco tricúspide (FT): base do apêndice xifóide, ligeiramente para a esquerda
Borda esternal esquerda (BEE): espaço situado entre a área pulmonar e a área tricúspide
Borda esternal direita (BED): região entre a área aórtica e o 5º espaço intercostal direito, justaesternal.
Endoápex ou medocárdio: área situada entre o foco tricúspide e o foco mitral
2. Ciclo cardíaco -
3. Bulhas cardíacas
a) Primeira Bulha (B1):
É o fechamento das valvas mitral e tricúscpide.
Timbre mais grave do que a B2
Maior tempo de duração do que a B2
Utilizamos a expressão: TUM
Maior intensidade no foco mitral
Algumas pessoas podem apresentar separadamente os componentes mitral e tricúspide sem significado patológico.
b) Segunda Bulha (B2):
Formada por quatro grupos de vibrações
Somente as originadas do fechamento das valvas aórtica e pulmonar são audíveis
Componente aórtico vem antes do pulmonar
Timbre mais agudo
Soa mais seca
Vem sempre depois de um pequeno silêncio
Utilizamos a expressão: TÁ (fechamento sincronizado de ambas valvas durante a expiração)
(B2 desdobrada: TLÁ; lembrando que o grau de desdobramento é variável e que quase todas as crianças apresentam)
OBS: Em crianças o foco pulmonar na B2 é mais intenso
OBS:O componente aórtico pode ser auscultado em toda região precordial. Já o componente pulmonar é auscultado no foco
pulmonar e na borda esternal esquerda
c) Terceira Bulha (B3):
Formada através das vibrações da parede ventricular ao ser distendida de repente devido a corrente sanguínea
Antes ou no meio da diástole
Baixa frequência
Mais comum em crianças e adolescentes
Mais audível na área mitral em decúbito lateral esquerdo
d) Quarta Bulha (B4):
Ruído débil no fim da diástole ou pré-sístole
Origina-se devido a brusca desaceleração do fluxo de sangue ocasionado pela contração atrial
OBS: Em idosos a B4 é mais audível, mesmo sem doenças cardíacas devido a redução da complacência do ventrículo esquerdo
4. Momento da sístole e da diástole -
Quando são encontrados ruídos que não são as bulhas, é necessário localizá-los. Para isso dividem-se a sístole e a diástole nas seguintes parte:
Protossístole = terço inicial da sístole
Mesossístole = terço médio da sístole
Telessístole = terço final da sístole
Protodiástole = terço inicial da diástole
Mesodiástole = terço médio da diástole
Telediástole = terço final da diástole
5. Posições do paciente e manobras -
A ausculta é feita em decúbito dorsal com o tórax descoberto e respirando tranquilamente. O examinador permanece sentado ou de pé, ao
seu lado direito. Além do decúbito dorsal, pode-se realizar o procedimento com o paciente sentado, de pé com tórax inclinado para frente e
em decúbito lateral esquerdo.
São usadas algumas manobras: respiratórias (inspiração ou expiração forçadas), exercício físico e medicamentos com ação sobre o sistema
circulatório.
6. Sistematização da ausculta do coração -
Reconhecer o ritmo e a frequência cardíacos. Se houver arritmia, procurar identificá-la.
Se houver uma 3º bulha, distinguir o ritmo do galope
Analisar as características das bulhas cardíacas
Identificar cliques, estalidos, sopros e atrito pericárdico
Relacionar os achados da ausculta coma afecções cardíacas
7. Ritmo e frequência do coração -
Havendo apenas 2 bulhas, caracteriza-se o ritmo binário (TUM-TA; TUM-TA; TUM-TA)
Havendo 3 bulhas, ritmo tríplice (TUM-TA-TU; TUM-TA-TU; TUM-TA-TU)
8. Arritmias cardíacas -
Alterações do ritmo cardíaco normal. Podem ser de causa extracardíaca (emoção, febre, hipertireodismo, bebidas alcoólicas), medicamentosa
(drogas) ou devidas a lesão cardíaca. Uma das principais arritmias cardíacas encontradas é um ritmo de galope (PA-TA-TA), devido a uma B3
patológica.
9. Sopros -
São produzidos por vibrações decorrentes de alterações do fluxo sanguíneo. Em condições normais, o sangue flui sob a forma de corrente
laminar e não ruidosa. Os sopros dependem dos seguintes mecanismos: (1) aumento da velocidade da corrente sanguínea (como ocorre nos
sopros pós-exercícios físicos), (2)diminuição da viscosidade sanguínea, (3)passagem do sangue através de uma zona estreitada (como uma
fístula), (4)passagem do sangue para uma zona dilatada (como em aneurismas e o rumor venoso), (5)passagem de sangue para uma
membrana de borda livre. Devem ser avaliados os seguintes aspectos:
Situação do sopro no ciclo cardíaco: podem sem sistólicos, diastólicos e sistodiastólicos (contínuos).
Localização: qual foco de ausculta o sopro é mais audível.
Irradiação: deslocando o receptor do estetoscópio, pode-se verificar sua irradiação. Os fatores que influenciam na irradiação são:
intensidade e direção da corrente sanguínea.
Intensidade: pode variar em + a ++++, sendo esta avaliação bastante subjetiva. (+ corresponde a sopros débeis, ++ indicam sopros de
intensidade moderada, +++ traduzem sopros intensos e ++++ correspondem a sopros muito intensos)
Timbre e tonalidade: corresponde a "qualidade do sopro", estando relacionadas com a velocidade do fluxo e com o tipo de defeito
causador do turbilhamento sanguíneo. As denominações mais comuns são: suave, rude, musical, aspirativo, em jato de vapor,
granuloso, piante e ruflar.
Modificações do sopro com a fase de respiração: tal fato se reflete nas modificações de frequência e da dinâmica cardíaca por ação
dos estímulos vagais oriundos dos pulmões.
Modificações do sopro com exercícios físicos: o aumento da velocidade do fluxo sanguíneo durante tais atividades geram um caráter
turbilhonar do fluxo sanguíneo, intensificando os sopros.
Sopros inocentes: é uma conclusão diagnóstica em que se trata de um sopro fisiológico, confirmado depois de exames
complementares que indicam a total saúde do paciente.
O sopro é dito discreto, moderado ou intenso de acordo com a classificação em 4 graus: sopro grau 1 (grau duvidoso), sopro grau 2 (todos
escutam nitidamente), sopro grau 3 (um pouco maior que o grau 2 e apresentando frêmito) e sopro grau 4 (não é preciso estetoscópio para se
auscultar o som).
10. Cliques e estalidos
Podem ser classificados em sistólicos (protossistólicos, mesossistólicos e telessistólicos) ou diastólicos:
Protossistólicos: ruídos de ejeção; indicam súbita ejeção de sangue nos vasos da base. São ruídos de alta frequência, agudos e
intensos, produzidos nas artérias pulmonar e aorta.
Mesossistólico e telessistólico: clique sistólico; surgimento entre a 1º e 2º bulha, no intervalo sistólico. Barulho de alta frequência,
seco, agudo, situado no meio ou no fim da sístole. É audível nas áreas mitral e tricúspide.
Diastólico: ruido seco, agudo e de curta duração. Representado por um "TEP".
11. Pulso arterial e venoso
a) O pulso arterial pode ser sentido pela palpação de artérias como: carótida, axilar, braquial, radial, femoral, tibial anterior, axilar, entre
outras. Na análise do pulso radial, por exemplo, pode ser feita a verificação da frequência, ritmo, estado da parede arterial, amplitude e
magnitude, tensão ou dureza, tipos de onda e comparação com o lado homólogo:
*Verificação da parede arterial - a parede deve ser lisa, sem tortuosidades e facilmente deprimível. Faz-se a Manobra de Osler, que
consiste na palpação da artéria radial, após a inflação do manguito e consequente desaparecimento do pulso radial. O paciente é
considerado Osler Positivo quando podemos palpar a artéria mesmo sem a pulsação. Essa manobra pode ser utilizada para detectar a
pseudo-hipertensão em idosos, que é o aumento “falso” da pressão arterial em conseqüência do enrijecimento da parede arterial.
*Frequência - Durante um minuto, conta-se as pulsações da artéria. O número de pulsações varia com a idade; na primeira infância: 120
a 130 pbm; na segunda infância: 80 a 100bpm. adultos: 60 a 80 bpm. Quando acima do esperado: taquisfigmia; quando abaixo:
bradisfigmia (o número de batimentos cardíacos é maior que o número de pulsações).
*Ritmo - Verificar se as pulsações ocorrem em intervalos de tempo iguais (pulsação regular). Quando não ocorrem, indica alteração do
ritmo cardíaco (arritmia).
*Amplitude ou magnitude - Grau de enchimento da artéria durante a sístole e diástole, que pode ser amplo (insuficiência aórtica),
mediano, pequeno (hipotensão arterial).
*Tensão ou dureza - Aplica-se uma pressão para interromper as pulsações, dependendo da força aplicada, pode ser pulso mole (fraca
pressão) ou pulso duro (forte pressão). A dureza do pulso depende da pressão diastólica.
*Tipos de onda - Verifica-se os tipos de onda pulsátil:
-pulso normal
-pulso célere ou em martelo d'água: aparece e some com rapidez;
-pulso parvus tardus: tensão diminuída e o pulso aparece fraco e pequeno; contrário do pulso célere
-pulso filiforme: pequena amplitude e mole
-pulso alternante: apresenta uma onda ampla seguida de uma outra mais fraca
-pulso paradoxal: pulso arterial desaparece ou fica muito pequeno durante a inspiração profunda
*Comparação com o lado homólogo - Averiguar a igualdade ou desigualdade entres as pulsações dos lados homólogos do corpo.
Déficit de pulso - É a expressão utilizada para relatar que o número de pulsações na artéria esta sendo menor que o número de
batimentos cardíacos. Isso mostra que ha algumas contrações ventriculares que não estão sendo eficazes e não estão enviando o
sangue para a aorta como o esperado.
b) O pulso venoso é sentido na base do pescoço e com o paciente deitado horizontalmente na cama, em decúbito dorsal. Assim como
para grande maioria dos pulsos, usa-se para palpá-lo os dedos indicador e médio juntos. É bastante importante que o pulso venoso
não seja confundido com o pulso carotídeo. As principais diferenças são:
- O pulso venoso é constituído de três/duas ondas, enquanto o carotídeo é constituído de apenas uma (e bem mais nítida).
- O pulso venoso desaparece quando a veia jugular é comprimida, o que não acontece com o pulso carotídeo.
- O pulso venoso praticamente não se manifesta durante a inspiração, o que não ocorre com o carotídeo.
- O pulso venoso é mais aparente em decúbito dorsal e desaparecem ou diminuem consideravelmente na posição sentada ou ortostática,
enquanto o carotídeo não sofre tanta influencia da posição na qual se encontra o paciente.
Laura Lucinda B. da Silva
SISTEMA NERVOSO: NEURÔNIOS E SINAPSES
Sistema Nervoso:
Central - encéfalo e medula espinhal
Periférico - nervos cranianos e nervos espinhais
O sistema nervoso é constituído por apenas dois tipos de células: neurônios e células de sustentação.
Neurônios - unidades estruturais e funcionais básicas do sistema nervoso. Respondem a estímulos físicos e químicos, conduzem
impulsos eletroquímicos e liberam reguladores químicos. A maioria NÃO se divide por mitose, embora possam regenerar uma
porção seccionada ou desenvolver novos ramos sob determinadas condições.
Células de sustentação - auxiliam nas funções dos neurônios e são, aproximadamente, cinco vezes mais abundantes. No SNC, as
células de sustentação são chamadas de neuroglia ou células gliais. Elas possuem uma limitada capacidade de mitose.
NEURÔNIOS
Possuem 3 regiões principais: um corpo celular, dendritos e um axônio.
Corpo celular ou pericário - porção alargada do neurônio que contém o núcleo. É o "centro nutricional" do neurônio. Possuem áreas
coradas de retículo endoplasmático (corpúsculos de Nissl). No SNS, são encontrados reunidos em grupos denominados núcleos. Já no
SNP, são reunidos em grupos chamados de gânglios.
Dendritos - processos ramificados finos que se estendem a partir do citoplasma do corpo celular. Possuem uma área receptiva que
transmite impulsos elétricos ao corpo celular.
Axônio - processo mais longo que conduz impulsos para longe do corpo celular. O comprimento do axônio varia de 1mm até 1m ou
mais. Sua origem, próxima do corpo celular, é uma região expandida denominada proeminência axônica. É nessa região que o
impulso nervoso é originado. Do axônio podem estender-se ramificações laterais chamadas de colaterais axônicas.
Em relação a sua regeneração, quando um axônio de um nervo periférico é seccionado, a porção distal do axônio degenera
e é fagocitada pelas células de Schwann. A seguir, as células de Schwann formam um tubo de regeneração, enquanto a
parte do axônio que está conectada ao corpo celular começa a crescer até restabelecer a sua antiga conexão. Já uma lesão
na medula espinhal evoca a apoptose de neurônios que não foram afetados diretamente pela lesão.
O transporte rápido de proteínas e outras moléculas (através do axônio) é devido a dois mecanismos: fluxo axoplasmático e o transporte
axonal.
1. Fluxo axoplasmático - o mais lento dos dois. Resulta de ondas rítmicas (ondas peristálticas) de contração que empurram o
citoplasma da proeminência axônica para as terminações nervosas.
2. Transporte axonal - faz utilização de microtúbulos. É mais rápido mais seletivo. Pode ocorrer na direção anterógrada e retrógrada.
CLASSIFICAÇÃO DOS NEURÔNIOS
Podem ser classificados de acordo com a sua estrutura ou função. A classificação funcional é baseada na direção de transporte dos impulsos:
Neurônios sensitivos ou aferentes - conduzem impulsos de receptores sensitivos para o SNC. São pseudo-unipolares.
Neurônios motores ou eferentes - conduzem impulsos do SNC para os órgãos efetores (músculos e glândulas). São neurônios
multipolares.
1. Somáticos: responsáveis tanto pelo controle reflexo como pelo controle somático dos músculos esqueléticos.
2. Autônomos: inervam os efetores involuntários (músculos lisos, miocárdio e glândulas). Seus corpos celulares estão localizados fora
do SNC, nos gânglios autônomos. Há duas subdivisões dos neurônios autônomos: simpáticos e parassimpáticos.
Neurônios de associação ou interneurônios - estão TOTALMENTE localizados no SNC e servem às funções associativas do sistema
nervoso.
A classificação estrutural é baseada no número de processos que se estendem do seu corpo celular:
Neurônios pseudo-unipolares - possuem um único processo curto que se ramifica como um "T" para formar um par de processos
mais longos. Um dos processos recebe estímulos sensitivos e produz impulsos nervosos; e o outro libera esses impulsos para as
sinapses no interior do encéfalo ou da medula espinhal.
Neurônios bipolares - possuem dois processos, um em cada extremidade. É encontrado na retina do olho.
Neurônios multipolares - o tipo mais comum. Possuem vários dendritos e um axônio que se estende a partir do corpo celular.
Neurotrofinas - Substâncias químicas que promovem o crescimento neuronal. O fator de crescimento neuronal (FCN), fator neurotrófico
derivado do encéfalo (FNDE), fator neurotrófico derivado da glia são exemplos.
NERVOS
É um feixe de axônios localizado fora do SNC. A maioria se compõe tanto por fibras motoras como sensitivas, sendo, por isso, nervos mistos.
Contudo, alguns nervos cranianos contêm somente fibras sensitivas e servem aos sentidos da visão, audição, gosto e olfato.
CÉLULAS DE SUSTENTAÇÃO
Derivam da mesma camada de tecido embrionário que produz neurônios (ectoderma). Há 6 categorias de células de sustentação:
Células de Schwann - No SNP. Formam a bainha de mielina em torno dos axônios periféricos.
Células satélites ou gliócitos ganglionares - No SNP. Sustentam os corpos celulares dos neurônios no interior dos gânglios do SNP.
Oligodendrócitos - No SNC. Formam a bainha de mielina em torno dos axônios do SNC.
Micróglias - No SNC. Migram através do SNC e fagocitam material estranho e degenerado.
Astrócitos - No SNC. Ajudam a regular o ambiente externo dos neurônios do SNC.
Células ependimais - No SNC. Revestem os ventrículos (cavidades) encefálicos e o canal da medula espinhal.
BAINHA DE SCHWANN E BAINHA DE MIELINA
Bainha de Mielina do SNP - Todos os axônios do SNP são envolvidos por uma bainha de mielina (sucessivos envoltórios da
membrana celular das células de Schwann), conhecida como bainha de Schwann. Essa bainha permite uma maior velocidade na
condução de impulsos. Cada célula de Schwann envolve apenas cerca de 1mm de axônio, deixando intervalos expostos entre as
células de Schwann adjacentes. Esses espaços são os nódulos de Ranvier e são responsáveis pela produção de impulsos nervosos. Os
axônios não mielinizados também são envolvidos por uma bainha de mielina. Entretanto, diferem-se dos axônios mielinizados, uma
vez que essa bainha de mielina não apresenta múltiplos envoltórios da membrana plasmática da célula de Schwann.
Bainha de Mielina do SNC - As bainhas de mielina do SNC são formadas por oligodendrócitos. Cada oligodendrócito possui extensões
que formam bainhas e mielina em torno de vários axônios. As bainhas de mielina em torno dos axônios do SNC conferem a cor
branca a esse tecido. Assim, a substância branca contém uma alta concentração de axônios e a substância cinzenta é composta por
altas concentrações de corpos celulares e dendritos, os quais não possuem bainhas de mielina.
FUNÇÃO DOS ASTRÓCITOS
Os astrócitos são células estreladas grandes com numeroso processos citoplasmáticos irradiados para o exterior. São as células glias mais
abundantes do SNC. Os astrócitos possuem projeções que terminam em botões terminais que circundam os capilares do SNC. Esse botões
terminais são ricos em proteínas que transportam glicose. Essa glicose, através da membrana plasmática, vai para os astrócitos, onde é
convertida em ácido lático que é metabolizado pelos neurônios, de forma aeróbia, em CO 2 e H2O para a produção de energia (ATP). Além
disso, os astrócitos possuem outras extensões adjacentes às sinapses entre o terminal axônico de um neurônio e os dendritos ou corpo celular
de um outro neurônio. Por essa razão, os astrócitos estão localizados de modo a influenciar as interações entre os neurônios e entre os
neurônios e o sangue.
+
Os astrócitos captam o K do líquido extracelular, que é liberado pelos neurônios ativos durante a produção de impulsos nervosos, mantendo,
assim, um ambiente iônico adequado para os neurônios. Os astrócitos captam, também, algumas substâncias químicas neurotransmissoras
liberadas dos terminais dos axônios dos neurônios.
Barreira Hematoencefálica - Os capilares do encéfalo não possuem poros entre células endoteliais adjacentes. Em vez disso, são
unidas por zônulas de oclusão. Por esta razão, o encéfalo não consegue obter moléculas do plasma sanguíneo por um processo
inespecífico de filtração. As moléculas presentes nos capilares do encéfalo devem ser movidas através das células endoteliais pela
difusão e pelo transporte ativo, assim como pela endocitose e pela exocitose. Essa característica é chamada barreira
hematoencefálica.
Metencéfalo Ponte
Rombencéfalo Cerebelo
Mielencéfalo Bulbo
O SNC é composto pela:
Substância Branca: constituída por tratos de axônio (as bainhas de mielina produzem a cor branca) localizados abaixo do córtex em
torno dos núcleos.
Substância Cinzenta: constituída por corpos celulares e dendritos de neurônios, é encontrado no córtex (camada superficial) do
encéfalo e mais profundamente no encéfalo em agregados conhecidos como núcleos.
PROSENCÉFALO
TELENCÉFALO
Cérebro - É constituído por cinco lobos pareados em dois hemisférios. Contém substância branca em seu córtex e nos núcleos
cerebrais mais profundos. Principal responsável pelas funções mentais superiores. O cérebro constitui-se pelos hemisférios direito e
esquerdo, os quais são conectados internamente por um grande trato de fibras denominado corpo caloso. O corpo caloso é o
principal trato de axônios que interconecta funcionalmente os hemisférios cerebrais direito e esquerdo.
Córtex cerebral - Composto por 2 a 4mm de substância cinzenta e pela substância branca subjacente. É caracterizado por numerosas
pregas e depressões denominadas convoluções. As pregas elevadas são denominadas giros e as depressões sulcos. Cada hemisfério
cerebral se subdivide em 5 lobos, sendo 4 visíveis superficialmente: frontal, parietal, temporal e occipital. O lobo insular está
localizado profundamente e recoberto por porções dos lobos frontal, parietal e temporal.
1. Lobo frontal - porção anterior de cada hemisfério cerebral. Responsável pelo controle motor voluntário dos músculos esqueléticos,
personalidade, processos intelectuais superiores. Uma fissura chamada sulco central o separa do lobo parietal. O giro pré-central
(envolvido no controle motor) está localizado no lobo frontal, logo em frente ao sulco central.
2. Lobo parietal - interpretação somestésica, compreensão da fala e formulação de palavras para expressar pensamentos e emoções,
interpretação de texturas e formas. O giro pós-central (responsável pela percepção da sensação somestésica - sensação que emerge
de receptores cutâneos, musculares, tendinosos e articulares) está localizado atrás do sulco central do lobo parietal.
3. Lobo temporal - contém centros auditivos que recebem fibras sensitivas da cóclea de cada orelha. Também está envolvido na
interpretação e associação de informações auditivas e visuais.
4. Lobo occipital - principal área responsável pela visão e pela coordenação dos movimentos ocupares.
5. Lobo insular - envolvido na codificação da memória e na integração de informações sensitivas (principalmente a dor) com respostas
viscerais.
Núcleos da base ou gânglios basais
São massas de substância cinzenta compostas por corpos celulares de neurônios localizadas profundamente na substância branca do
encéfalo. O núcleo da base mais proeminente é o corpo estriado. A massa superior (núcleo caudado) é separada das duas massas
inferiores, coletivamente denominadas núcleo lentiforme. O núcleo lentiforme possui uma porção lateral, o putame, e uma porção
medial, o globo pálido. Os núcleos da base atuam no controle dos movimentos voluntários.
Lateralização cerebral
Cada hemisfério cerebral recebe informações de ambos os lados do corpo, pois os dois hemisférios se intercomunicam através do
corpo caloso. Os dois hemisférios têm funções complementares, ou seja, nenhum é subordinado ao outro. Entretanto, mesmo que
ambos hemisférios sejam utilizados, um ou outro hemisfério possui a especialização de alguma função. Ou seja, há uma "dominância
cerebral", que é chamada pelo termo de lateralização cerebral.
Linguagem
Na maioria das pessoas, as áreas encefálicas da linguagem estão basicamente localizadas no hemisfério esquerdo do córtex cerebral.
Duas áreas do córtex foram reconhecidas como responsáveis pela fala e linguagem. A área de Broca, localizada no giro frontal
inferior esquerdo e nas áreas circunvizinhas, é responsável por enviar fibras para o córtex motor, o qual controla diretamente a
musculatura da fala. A área de Wernicke está localizada no giro temporal superior e é responsável por originar o conceito das
palavras que devem ser faladas.
Emoção e motivação
As partes do encéfalo que têm suma importância na base neural dos estados emocionais são o hipotálamo e o sistema límbico.
*O sistema límbico consiste num grupo de núcleos do prosencéfalo e de tratos de fibras que formam um anel em torno do tronco encefálico.
Entre os componentes do sistema límbico, encontra-se o giro do cíngulo, o núcleo amigdalóide, o hipocampo e os núcleos da área septal. O
sistema límbico é um centro dos impulsos emocionais básicos.
1. Agressão: estimulações de determinadas áreas do núcleo amigdalóide produz raiva e agressividade, e lesões desse núcleo podem
produzir docilidade em animais de laboratório.
2. Medo: pode ser produzido por estimulações elétricas do núcleo amigdalóide e do hipotálamo; a remoção dessas áreas pode causar
ausência de medo.
3. Fome: o hipotálamo possui tanto um centro de fome como um centro de saciedade.
4. Sexo: o hipotálamo e o sistema límbico estão envolvidos na regulação do impulso sexual e do comportamento sexual.
5. Comportamento direcionado por um objetivo: locais entre o córtex frontal e o hipotálamo.
Memória
A amnésia é resultado de lesão do lobo temporal do córtex cerebral, do hipocampo, da cabeça do núcleo caudado ou do tálamo medial
dorsal. Há dois sistemas de memórias: memória de curta duração e memória de longa duração. A consolidação da memória de longa duração
exige ativação de genes, acarretando uma alteração da síntese de proteínas e das conexões sinápticas. Já a consolidação da memória de curta
duração é função do giro temporal médio, uma área que inclui o hipocampo, o núcleo amigdalóide e áreas adjacentes do córtex cerebral.
O núcleo amigdalóide parece ser particularmente importante na memória das respostas ao medo. Os giros temporais inferiores, por outro
lado, parecem ser os de armazenamento das memórias visuais de longa duração. O giro frontal inferior esquerdo participa na realização de
cálculos matemáticos exatos.
DIENCÉFALO
É a parte do prosencéfalo que contém estruturas importantes como o tálamo, o hipotálamo e parte da hipófise. O hipotálamo desempenha
numerosas funções vitais, a maior parte delas relacionada direta ou indiretamente à regulação de atividades viscerais por meio de outras
regiões encefálicas e do SNA.
Tálamo - Representa cerca de 80% do diencéfalo. É constituído de massas pareadas de substância cinzenta, cada uma posicionada
imediatamente abaixo do ventrículo lateral de seu respectivo hemisfério cerebral. O tálamo atua sobretudo como um centro de
retransmissão através do qual todas as informações sensitivas passam em direção ao cérebro (núcleos geniculados laterais
retransmitem informações visuais; núcleos geniculados mediais retransmitem informações auditivas).
Epitálamo - É o segmento dorsal do diencéfalo e contém o plexo corióideo sobre o terceiro ventrículo, onde o líquido cerebrospinal
se forma, e a glândula pineal (epífise).
Hipotálamo - É a porção mais inferior do diencéfalo (abaixo do tálamo). Contém centros neurais da fome, sede, regulação da
temperatura corporal e da secreção hormonal da hipófise. Além disso, centros do hipotálamo contribuem para a regulação do sono,
vigília, impulso, desempenho sexual e emoções.
Hipófise - Localizada imediatamente abaixo do hipotálamo. Divide-se em adeno-hipófise (anterior) e neuro-hipófise (posterior).
MESENCÉFALO
Ou encéfalo médio, está localizado entre o diencéfalo e a ponte. O corpo quadrigêmeo apresenta quatro elevações arredondadas (as duas
superiores-colículos superiores- estão envolvidas nos reflexos visuais; as duas inferiores-colículos inferiores- são centros de retransmissão de
informações auditivas) localizadas na superfície dorsal do mesencéfalo. O mesencéfalo possui dois sistemas liberadores de dopamina:
nigrostriatal e mesolímbico). Além de também conter os pedúnculos cerebrais (par de estruturas compostas por tratos de fibras ascendentes e
descendentes), o núcleo rubro (área de substância cinzenta localizada profundamente no mesencéfalo que está envolvida com a coordenação
motora), a substância negra (de onde projeta-se o sistema nigrostriatal) e outros núcleos.
ROMBENCÉFALO
Ou encéfalo posterior; é composto por duas regiões: o metencéfalo e o mielencéfalo.
METENCÉFALO
Composto pela ponte e pelo cerebelo.
Ponte: proeminência arredondada localizada sob o cérebro, entre o mesencéfalo e o bulbo. As fibras superficiais da ponte conectam-
se com o cerebelo, e as fibras superficiais da ponte conectam-se com o cerebelo, e as fibras profundas fazem parte de tratos
motores e sensitivos que passam do bulbo, atravessando a ponte, até o mesencéfalo. Na ponte, há vários núcleos associados a
nervos cranianos específicos - o trigêmeo (V), o abducente(VI),o facial (VII) e o vestibulococlear (VIII). Outros núcleos da ponte
colaboram com núcleos do bulbo para regular a respiração. Os dois centros de controle respiratório da ponte: centro apnêustico e
centro pneumotáxico.
Cerebelo: segunda maior estrutura do encéfalo; contém substância cinzenta externamente e substância branca internamente. Fibras
do cerebelo passam através do núcleo rubro até o tálamo e, em seguida, até as áreas motoras do córtex cerebral. O cerebelo recebe
estímulos de proprioceptores (receptores articulares, tendinosos e musculares) e, atuando em conjunto com os núcleos da base e
áreas motoras do córtex cerebral, participa da coordenação dos movimentos.
MIELENCÉFALO
Composto apenas pelo bulbo.
Bulbo: forma uma continuidade com a ponte (superiormente) e a medula espinhal (inferiormente). Todos os tratos de fibras
ascendentes e descendentes que provêem a comunicação entre a medula espinhal e o encéfalo devem passar pelo bulbo. Muitos
desses tratos de fibras CRUZAM para o lado contralateral em estruturas triangulares elevadas do bulbo denominadas pirâmides. Por
essa razão, o lado esquerdo do cérebro recebe informações sensitivas do lado direito do corpo e vice-versa. O bulbo contém
agrupamentos de neurônios necessários para a regulação da respiração e das respostas cardiovasculares (centros vitais).
MEDULA ESPINHAL
Estende-se do nível do forame magno do crânio até a primeira vértebra lombar. Diferentemente do encéfalo, no qual a substância cinzenta
fica mais periférica, na medula, a substância cinzenta está localizada no centro, sendo circundada pela substância branca. A substância branca
é composta por tratos de fibras ascendentes (sensitivos) e descendentes (motores) que estão dispostos em 6 colunas de substância branca
denominadas funículos.
Tratos ascendentes: transmitem informações sensitivas de receptores cutâneos, proprioceptores (musculares e articulares) e
receptores viscerais.
Tratos descendentes: se originam no encéfalo e são divididos em dois grupos principais: corticospinais (ou piramidais) e os
extrapiramidais. Os tratos piramidais descem diretamente, sem interrupção sináptica, do córtex cerebral à medula espinhal. Os
tratos extrapiramidais se originam em regiões do mesencéfalo e do tronco encefálico. Os tratos reticulospinais são as principais vias
descendentes do sistema extrapiramidal.
ARCO REFLEXO
As informações que chegam à medula por meio de neurônios sensitivos podem ser processadas de duas maneiras: podem subir e serem
processadas pelo encéfalo ou podem ser, de modo instantâneo, avaliadas pela própria medula. Esta última opção é chamada de reflexo. Mas,
antes de entender o arco reflexo, é importante compreender a "lei da inervação recíproca" (de Sherrington), que diz que os músculos flexores
e extensores de um mesmo membro não pode contrair ao mesmo tempo. Então, para isso acontecer, é necessário que os neurônios sensitivos
responsáveis pelos músculos flexores tenham ramos que façam sinapses com os extensores também, fazendo com que seja inibidos (ou vice-
versa).
O arco reflexo simples é o mecanismo no qual um estímulo, que chega aos receptores sensitivos, evoca potenciais de ação que são
conduzidos, através de neurônios sensitivos, para a medula espinhal. Chegando na medula, esse neurônio faz sinapse com dois tipos de
neurônios: (1) neurônios motores e (2) neurônios inibitórios, responsáveis por inibir a contração da musculatura antagonista. Essas
interligações se dão por meio de neurônios de associação, que são encontrados dentro da própria medula.
Quando um estímulo causa reflexo em um lado do corpo e provoca efeito oposto sobre o membro do lado oposto, é chamado de arco reflexo
cruzado. Por exemplo, quando um indivíduo pisa em um prego, o arco reflexo o faz tirar o pé do local. Porém, automaticamente, a perna de
apoio contrai os músculos para que o indivíduo não caia. Para isso, há um prolongamento do neurônio de associação (interneurônio) para o
lado contralateral de onde o estímulo chegou.
MENINGES
São membranas conjuntivas que revestem o SNC e são responsáveis pela proteção e suporte estrutural do tecido nervoso.
Podem ser acometidas por patologias (ex: meningites e tumores, os meningiomas).
Se dividem em:
1) DURA-MÁTER: Mais externa, espessa e resistente. Liga-se a superfície interna do crânio e a face interior das vértebras. A Dura-máter
encefálica possui dois folhetos. Seu folheto externo é muito vascularizado pelas artérias meningeas e, ao contrario das demais meninges, é
bastante inervada. Como o encéfalo não possui terminações sensitivas, a sensibilidade intracraniana se localiza na dura-máter.
2) ARACNÓIDE: Muito delicada. Fica justaposta a dura-máter, da qual se separa por um espaço virtual que contém pouca quantidade de líquor
(espaço subdural) e separa-se da pia-máter por outro espaço que também contém LCR (espaço sub-aracnóideo).
3) PIA-MATER: Mais interna. Dá consistência aos órgãos nervosos e acompanha os vasos que penetram no tecido nervoso, além de atuar como
amortecedor do efeito da pulsação das artérias sobre os tecidos vizinhos.
LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO (LCR) OU LÍQUOR
Fluido corporal de aparência clara que ocupa o espaço entre o crânio e o córtex cerebral (ou seja, entre as membranas aracnóide e pia-máter
das meninges).
A função do líquor é amortecer os impactos para o córtex cerebral e a medula espinhal.
O LCR tem circulação. De um lado ele é produzido enquanto de outro é absorvido, o que resulta numa diferença de pressão, a qual o retém o
líquido, evitando que ele "se espalhe".
PLASTICIDADE CEREBRAL
A plasticidade cerebral é a capacidade que o cérebro tem de se modificar em relação as experiências do indivíduo, reformulando as suas
conexões em função das necessidades do meio ambiente, tal plasticidade explica o fato de certas regiões do cérebro poderem substituir as
funções afetadas por lesões cerebrais. Sendo assim, uma função perdida devido a uma lesão cerebral pode ser recuperada por uma área
vizinha da zona lesionada. Contudo, a recuperação de certas funções depende de alguns fatores, como a idade do indivíduo, a área da lesão, o
tempo de exposição aos danos, a natureza da lesão, a quantidade de tecidos afetados, os mecanismos de reorganização cerebral envolvidos, e
ainda outros fatores ambientais e psicossociais. Vale constar, porém, que a plasticidade cerebral não é apenas relevante em caso de lesões
cerebrais, uma vez que ela esta continuamente ativa, modificando o cérebro a cada momento. A plasticidade cerebral pode incluir
modificações neuroquímicas, sinápticas, do receptor neuronal, da membrana e ainda modificações de outras estruturas neuronais. É
importante citar, ainda, que dentro da plasticidade cerebral encontra-se a plasticidade sináptica que consiste na capacidade de rearranjo das
redes neuronais, ou seja, diante de cada experiência nova do individuo, as sinapses são reforçadas, permitindo a aquisição de novas respostas
ao meio ambiente. Este é o motivo da plasticidade sináptica ser um dos mecanismos mais importantes da recuperação de um individuo, esta
pode permitir a recuperação de uma lesão através da criação de outras redes neuronais que possam substituir os danos causados pela lesão.
I. Nervo Olfatório: É um nervo totalmente sensitivo que se origina no teto da cavidade nasal e leva estímulos olfatórios para o bulbo e trato
olfatório, os quais são enviados até áreas específicas do telencéfalo. As fibras do nervo olfatório, na realidade, nada mais são que os
prolongamentos centrais das células receptoras olfatórias,
que estão dispersas por uma área especial da mucosa nasal que recebe o nome de mucosa olfatória (acima do nível da concha nasal superior).
Estas células apresentam cílios (olfatórios) imersos em muco capazes de reagir às substâncias aromáticas presentes no ar. Quando isso
acontece, a informação aromática é convertida em estímulo nervoso, que trafega pelas fibras do nervo olfatório.
II. Nervo Óptico: Nervo puramente sensorial que se origina na parte posterior do globo ocular (a partir de prolongamentos de células que,
indiretamente, estabelecem conexões com os cones e bastonetes) e leva impulsos luminosos relacionados com a visão até o corpo
geniculado lateral e, daí, até o córtex cerebral relacionado com a visão. As fibras do nervo óptico são axônios das células da camada
ganglionar da retina.
III. Nervo Oculomotor: Nervo com origem no núcleo principal do nervo oculomotor (localizado no mesencéfalo) – coluna eferente somática.
Nervo puramente motor que inerva a maior parte dos músculos extrínsecos do olho (Mm. oblíquo inferior, reto medial, reto superior, reto
inferior e levantador da pálpebra) e intrínsecos do olho (M. ciliar e esfíncter da pupila). Indivíduos com paralisia no III par apresentam
dificuldade em levantar a pálpebra (que cai sobre o olho), além de apresentar outros sintomas relacionados com a motricidade do olho,
como estrabismo divergente (olho voltado lateralmente).
IV. Nervo Troclear: Nervo motor responsável pela inervação do músculo oblíquo superior (olhar para baixo e lateralmente). Suas fibras, ao se
originarem no seu núcleo (localizado ao nível do colículo inferior do mesencéfalo), cruzam o plano mediano (ainda no mesencéfalo) e partem
para inervar o músculo oblíquo superior do olho localizado no lado oposto com relação à sua origem. Além disso, é o único par de nervos
cranianos que se origina na parte dorsal do tronco encefálico (caudalmente aos colículos inferiores).
V. Nervo Trigêmeo: apresenta função sensitiva (parte oftálmica, maxilar e mandibular da face) e motora (o nervo mandibular é
responsável pela motricidade dos músculos da mastigação: Mm. temporal, masseter e os pterigóideos). Além da sensibilidade somática de
praticamente toda a face, o componente sensorial do trigêmeo é responsável ainda pela inervação exteroceptiva da língua (térmica e
dolorosa).
*N. oftálmico (V1):
-Saída na base do crânio: fissura orbital superior
-Aferente somático geral: tentório do cerebelo; fronte, pálpebra, dorso do nariz; esclera; córnea; células etmoidais, seio esfenoidal, cavidade
nasal (parte anterior).
*N. Maxilar (V2):
-Saída da base do crânio: forame redondo
-Aferente somático geral: bochecha, pálpebra inferior, face lateral do nariz, lábio superior; dentes e gengiva da maxila, seio esfenoidal,
conchas nasais média e superior, palato, tonsila palatina, faringe (teto).
*N. Mandibular (V3):
-Saída da base do crânio: forame oval
-Eferente visceral especial: músculos da mastigação, M. tensor do véu palatino, M. milohiódeo, M. digástrico (ventre anterior).
-Aferente somático geral: pele da mandíbula, temporal, bochecha, orelha externa (parte superior), meato acústico, membrana timpânica
(externa); dentes e gengiva da mandíbula, língua (2/3 anteriores), istmo da fauce.
VI. Nervo Abducente: Nervo originado no núcleo do nervo abducente (localizado na ponte, profundamente ao colículo facial). Nervo
inteiramente motor responsável pela motricidade do músculo reto lateral do olho, capaz de abduzir o globo ocular (e, assim, realizar o olhar
para o lado), como o próprio nome do nervo sugere. Por esta razão, lesões do nervo abducente podem gerar estrabismo convergente (olho
voltado medialmente).
VII. Nervo Facial: Origem: Núcleo do nervo facial (ou motor principal, localizado na ponte); Núcleos parassimpáticos (núcleos salivatório
superior e lacrimal); Núcleo do trato solitário; Núcleo do trato espinhal do trigêmeo. É um nervo misto e que pode ser dividido em dois
componentes: N. facial propriamente dito (raiz motora) e o N. intermédio (raiz sensitiva e visceral). Praticamente toda a inervação dos
músculos da mímica da face é responsabilidade do nervo facial; por esta razão, lesões que acometam este nervo trarão paralisia dos
músculos da face do mesmo lado (inclusive, incapacidade de fechar o olho). O nervo intermédio, componente do próprio nervo facial, é
responsável, por exemplo, pela inervação das glândulas submandibular, sublingual e lacrimal, além de inervar a sensibilidade gustativa
dos 2/3 anteriores da língua.
VIII. Nervo Vestíbulo-coclear: Origem: Núcleos cocleares e vestibulares. É um nervo formado por dois componentes distintos (o N. coclear e o
N. vestibular); embora ambos sejam puramente sensitivos, assim como o nervo olfatório e o óptico. Sua porção coclear traz impulsos gerados
na cóclea (relacionados com a audição) e sua porção vestibular traz impulsos gerados nos canais semi-circulares (relacionados com o
equilíbrio).
IX. Nervo Glossofaríngeo: Origem: Núcleo ambíguo (motor); Núcleo salivatório inferior (parassimpático); Núcleo do trato solitário
(sensibilidade especial e visceral); Núcleo do trato espinhal do trigêmeo (sensibilidade somática
do pavilhão auditivo). Responsável por inervar a glândula parótida, além de fornecer sensibilidade gustativa para o 1/3 posterior da língua. É
responsável, também, pela motricidade dos músculos da deglutição.
X. Nervo Vago: Origem: Núcleo ambíguo (motor); Núcleo dorsal do vago (parassimpático); Núcleo do trato solitário (sensibilidade
visceral especial e geral); Núcleo do trato espinhal do trigêmeo (sensibilidade
somática do pavilhão auditivo). Considerado o maior nervo craniano, ele se origina no bulbo e se estende até o abdome, sendo o principal
representante do sistema nervoso autônomo parassimpático. Com isso, está relacionado com a inervação parassimpática de quase todos
os órgãos torácicos e abdominais. Traz ainda fibras aferentes somáticas do pavilhão e do canal auditivo externo.
XI. Nervo Acessório: Origem: Núcleo ambíguo (motor) e Núcleo do nervo acessório. Inerva os Mm. esternocleidomastóideo e trapézio,
sendo importante também devido as suas conexões com núcleos dos nervos oculomotor e vestíbulo-coclear, por meio do fascículo
longitudinal medial, o que garante um equilíbrio do movimento dos olhos com relação à cabeça. Na verdade, a parte do nervo acessório que
inerva esses músculos é apenas o seu componente espinhal (5 primeiros segmentos medulares). O componente bulbar do acessório pega
apenas uma “carona” para se unir com o vago, formando, em seguida, o nervo laríngeo recorrente.
XII. Nervo Hipoglosso: Origem: Sulco lateral anterior entre a oliva e a pirâmide (Entre os sulcos lateral anterior e lateral posterior temos a área
lateral do bulbo, onde se observa uma eminência oval, a oliva. Já a pirâmide está de cada lado da fissura mediana anterior do bulbo). Saída do
crânio: Canal do hipoglosso. Função: Motora/ músculo da língua. Inerva os músculos da língua, permitindo o movimento da mesma. A função
do nervo hipoglosso pode ser verificada pedindo-se ao paciente que mostre a língua. Quando há lesão deste nervo, a língua se desviará para o
lado da lesão.
VIII Sulco bulbo-pontino (lateralmente ao Penetra no osso temporal pelo meato acústico
VII) interno mas não sai do crânio
NERVOS ESPINHAIS
Existem 31 pares de nervos espinhais. São agrupados em 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 cocígeo. Cada nervo espinhal é
misto (composto por fibras sensitivas e motoras). Essas fibras são reunidas no nervo, mas separam-se próximo da fixação à medula espinhal.
Isso produz duas raízes para cada nervo (posterior/dorsal e anterior/ventral). A raiz posterior é composta por fibras sensitivas, e a raiz anterior
é composta por fibras motoras. Um alargamento da raiz posterior , o gânglio sensitivo de nervo espinhal, contém corpos celulares dos
neurônios sensitivos.
A dor é um mecanismo protetor; ocorre sempre que tecidos são lesionados. A percepção da dor se inicia na periferia, através da
ativação de nociceptores (receptor sensorial da dor). Esses estão presentes por todo o organismo e são classificados em três subtipos:
1)Receptores mecânicos de alto-limiar: detectam pressão; inervados pelas fibras mielinizadas A;
2)Receptores mecanotermais de baixo-limiar: detectam pressão e calor; inervados pelas fibras mielinizadas A;
3)Receptores polimodais: detectam pressão, calor e fatores químicos; inervados pelas fibras não mielinizadas C;
O limiar da dor varia de indivíduo para indivíduo. Ele é definido como o momento em que certo estímulo passa a ser reconhecido
como doloroso. Já o limiar de tolerância é definido como o ponto em que o estímulo doloroso alcança tal intensidade que não pode mais ser
suportado pelo indivíduo.
Trajeto da dor
De forma simplificada, pode ser considerado como uma cadeia de três neurônios, com o neurônio de primeira ordem originado na periferia e
projetando-se para a medula espinhal, o neurônio de segunda ordem ascende pela medula espinhal e o neurônio de terceira ordem projeta-
se para o córtex cerebral. Os neurônios de primeira ordem se dividem em:
1. Fibras Aβ : são fibras de diâmetro grande (maior que 10 µm), mielinizadas e de condução rápida, responsáveis por sensações inofensivas.
2. Fibras Aδ : são de diâmetro intermediário (2 a 6 µm), mielinizadas. Sua velocidade de condução é intermediária, modulando a primeira fase
da dor: mais aguda ou semelhante à pontada.
3. Fibras C: são fibras de diâmetro pequeno (0,4 a 1,2 µm), não mielinizadas e de velocidade de condução lenta, responsáveis pela segunda
fase da dor ou dor difusa, queimação persistente.
* Na ausência de dano tecidual ou nervoso as fibras Aβ somente transmitem informação referente a estímulos inofensivos, como tato, vibração
e pressão. Normalmente, a informação nociceptiva é transmitida por fibras do tipo C e Aδ localizadas na pele, vísceras, vasos sanguíneos,
peritôneo, pleura, periósteo, tendão, fáscia, cápsula articular e fibras do músculo esquelético; sua distribuição dependendo da espécie e
localização anatômica, podendo aparecer a cada 2 a 10 mm.
Classificação da dor
Somática Dor Nociceptiva: resulta da ativação direta de nociceptores da pele e outros
1)Dor Nociceptiva tecidos em resposta a uma lesão tecidual, acompanhada de inflamação.
Visceral Dor Neuropática: origina-se devido a lesões de nervos periféricos ou do sistema
nervoso central. Caracteriza-se pela aparição de hiperalgesia, dor espontânea,
2)Dor Neuropática
parestesia, dor mecânica e por frio.
Tipos de dor
Rápida - (dor pontual, dor aguda, dor elétrica) é sentida dentro de 0,1 segundo após a aplicação de estímulo doloroso. NÃO é sentida
nos tecidos mais profundos do corpo. Em geral, desencadeada por estímulos mecânicos e térmicos.
Lenta - (dor em queimação, dor pulsátil, dor crônica) é sentida após 1 segundo ou mais após a aplicação de estímulo doloroso. Vai
aumentando lentamente durante vários segundos ou minutos. Está, geralmente, associada à destruição tecidual. Pode ocorrer na
pele e em quase todos os órgãos ou tecidos profundos. Em geral, desencadeada por estímulos mecânicos, térmicos e químicos.
Receptores para dor
Os receptores são terminações nervosas livres, que se encontram na superfície da pele e em certos tecidos internos. A maioria dos tecidos
profundos "somam" lesões teciduais, causando uma dor lenta e crônica.
Estímulos da dor
Químicos - Substâncias que excitam o tipo químico de dor: bradicinina, serotonina, histamina, íons potássio, ácidos, acetilcolina e
enzimas proteolíticas. A maioria dessas substâncias podem ser encontradas em extratos dos tecidos lesionados.
Mecânicos
o
Térmicos - A pessoa começa a sentir dor quando a pele é aquecida acima de 45 C.
Natureza adaptativa dos receptores para dor
Processo raro e, algumas vezes, não realizável. O que ocorre é que, em certas circunstâncias, a excitação das fibras aumenta à medida que o
estímulo persiste (hiperalgesia).
Intensidade da dor
Sua intensidade está intimamente relacionada à intensidade do dano tecidual, além de se correlacionar ao aumento local do íon potássio ou
aumento da concentração de enzimas proteolíticas (estimulam a dor por fazer as membranas nervosas mais permeáveis aos íons).
Algumas causas de dor
Isquemia (falta de suprimento sanguíneo em um tecido) - Em questão de poucos minutos, a dor ocorre quando o fluxo sanguíneo
para um tecido é bloqueado. Uma das causas para dor é o acúmulo de ácido láticos nos tecidos, que, juntamente com a bradicinina e
enzimas proteolíticas formadas em tecidos lesionados, vão estimular terminações nervosas para dor.
Espasmo muscular - Resulta tanto em parte do efeito direto do espasmo muscular na estimulação das terminações nervosas, como
no efeito indireto do espasmo comprimindo vasos sanguíneos e levando à isquemia.
Vias para a transmissão de sinais dolorosos ao SNC
As terminações nervosas livres utilizam duas vias: uma para a dor pontual rápida e outra para a dor lenta crônica. Devido a esse sistema duplo
de inervação, o estímulo doloroso súbito, em geral, causa sensação dolorosa "dupla": dor pontual rápida e dor lenta crônica.
Dor pontual rápida - transmitidos pelos nervos periféricos para a medula espinhal por meio de fibras A (com velocidade entre 6 e 30
m/s).
Dor lenta crônica - transmitida para a medula espinhal por fibras tipo C (com velocidade entre 0,5 e 2 m/s).
*Ao entrarem na medula espinhal, vinda pelas raízes espinhais dorsais, os sinais dolorosos tomam duas vias para o encéfalo: (1)Trato
neoespinotalâmico e (2)trato paleoespinotalâmico.
RESUMINDO
Rápida (transmitida pelas fibras A)
Dor
Lenta (transmitida pelas fibras C)
Químicos
Estímulos Térmicos *captados por terminações nervosas
Mecânicos
-dor rápida
Trato paleoespinotalâmico -em geral,da medula espinhal para o tálamo
Vias -neurotransmissor: glutamato
-dor lenta
Trato Neoespinotalâmico -em geral, da medula espinhal para o tálamo, bulbo, mesencéfalo e região
cinzenta periaquedutal.
-neurotransmissores: glutamato e substância P
RESUMINDO:
Afirma que existe um sistema na medula espinhal que atua como uma "porta", a qual seleciona os estímulos dolorosos mandados para o
encéfalo. Essa variação na passagem dos potenciais de ação é determinada pela atividade das fibras grossas (A-alfa e A-beta) e finas (A-delta e
C).
Quando as fibras grossas são estimuladas, elas excitam interneurônios (inibitórios) que liberam encefalina na conexão pré-sináptica com célula
T, inibindo a liberação de substância P, ou seja, inibindo a transmissão do impulso de dor para o encéfalo; o "portão se fecha". Mas, ao mesmo
tempo elas projetam estímulos táteis para o encéfalo. A nocicepção (recepção da dor) acontece quando há mais estimulação de mais fibras
finas ou somente estimulação delas. Isto desativa o neurônio inibitório, e o neurônio excitatório envia sinais ao cérebro informando-o sobre a
dor (a porta se abre).
Hiperalgesia
É a hiperexcitação das vias nervosas da dor. Pode ser primária, ou secundária:
-Primária: É causada pela hipersensibilidade dos nociceptores. Pode ser provocada pela alta exposição ao sol, por exemplo.Essa
hipersensibilidade é responsável por "transformar qualquer estímulo em dor". Por isso dói quando tocamos em uma queimadura.(é algo mais
localizado)
-Secundária: É causada por uma facilitação da transmissão sensorial. Pode ser resultante de lesões na medula espinhal ou no tálamo.(se
estende para regiões adjacentes)
Plexos Nervosos
Da medula saem 31 pares de nervos raquidianos; cada nervo desse se comunica com a medula através de duas raízes: anterior (motora) e
posterior (sensorial). Os ramos da raiz anterior podem se cruzarem, formando os plexos. São quatro plexos: cervical, braquial, lombar e sacral.
*Cervical: Formado pelos ramos da C1 a C4. Inerva a pele e músculos da região posterior da cabeça, pescoço, região superior do ombro e
diafragma. Divide-se em dois ramos: superficial (sensitivo) e profundo (motor).
*Braquial: Formado pelos ramos da C5 a T1. Esses ramos vão formar os fascículos lateral, medial e posterior. O fascículo lateral formará os
nervos musculocutâneo e uma das raízes do mediano. O medial dará origem ao nervo ulnar e a outra raiz do mediano. E, o posterior, os nervos
axilar e radial.
*Lombar: Formado pelos ramos anteriores da T12 a L4. Irão formar os nervos Ilio-hipogástrico, Ilioinguinal, Genitofemoral, Cutâneo femoral
lateral, Obturatório e Femoral. Inerva, em geral, a parede abdominal, órgãos genitais externos e coxa.
*Sacral: Formado por uma parte de L4 e ramos de L5 e S1 a S4. Formará os nervos glúteos, isquiático, tibial e fibular. Inerva a região glútea,
perna e pé.
ANESTESIAS
*Anestesias raquidianas: o anestésico é introduzido no espaço subaracnóideo por meio de uma agulha que penetra no espaço entre as
vértebras L2-L3, L3-L4 ou L4-L5. No seu trajeto, a agulha perfura sucessivamente a pele e a tela celular subcutânea, o ligamento interespinhal,
o ligamento amarelo (primeira resistência), a dura-máter e a aracnóide.
*Anestesias epidurais (ou peridurais): são feitas geralmente na região lombar, introduzindo-se o anestésico no espaço epidural, onde ele se
difunde e atinge os forames intervertebrais, pelos quais passam as raízes dos nervos espinhais.
Laura Lucinda B. da Silva
VISÃO
Anatomia
Estruturas externas do olho
1. Cavidade orbitária: Cavidade óssea em forma de cone (revestida de tec. gorduroso) que contém o bulbo ocular.
2. Músculos extrínsecos do olho: São seis músculos (4 retos: superior, inferior, lateral e medial; 2 oblíquos: superior e inferior) que ligam o
bulbo ocular à cavidade orbitária;
3. Pálpebras: "Cortinas" móveis na parte anterior do bulbo ocular; A rima palpebral é o intervalo entre as pálpebras; Carúncula lacrimal é
uma pequena massa vermelha que contém glândulas sebáceas e escassos pêlos; Canthus é o canto no qual as pálpebras se encontram; As
bordas livres das pálpebras são revestidas de cílios.
4. Membrana Conjuntival: Fina camada de membrana mucosa que reveste a superfície interna de cada pálpebra.
5. Aparelho lacrimal: Glândula lacrimal que secreta um líquido chamado de lágrima, o qual o irriga a superfície do olho.
Estruturas internas do olho
1. Camadas do bulbo ocular
-Camada externa-
a) Esclera: parte branca do olho;
b) Córnea: principal meio refrator do olho, desviando os raios luminosos, a fim de ajudar sua localização na retina; não possui suprimento
sanguíneo próprio;
-Camada média-
a) Coróide: revestimento membranoso dentro da esclera; altamente vascularizada e densamente pigmentada (o que evita a reflexão
interna da luz);
b) Corpo ciliar: tem seu ápice estendendo-se da coróide e base circundando a íris; o músculo ciliar controla a convexidade da lente;
produz o humor aquoso;
c) Íris: parte colorida do olho; possui uma abertura circular no centro (pupila) que regula a quantidade de luz por meio da contração de
fibras;
-Camada interna-
a) Retina: camada fotorreceptora do olho; transforma as ondas luminosas em impulsos nervosos;
Humores do olho
1. Humor aquoso: líquido que enche a cavidade que está na frente da lente do olho, a qual se divide em câmara anterior e posterior;
perturbações na drenagem desse líquido (feito pelo canal de Schlemm) pode aumentar a pressão intra-ocular, condição chamada de glaucoma;
nutre a lente e a córnea;
2. Humor vítreo: material gelatinoso que mantém a forma esférica do bulbo ocular;
Lente
Corpo cristalino biconvexo situado na parte posterior da íris; o ajuste da tensão desse corpo é feito pelos ligamentos suspensores, mantendo o
foco do objeto na retina; para visão distante, a lente estreita-se e para visão próxima, a lente alarga-se (tornando-se mais convexa); esse
processo de focalização é chamado de acomodação;
Fisiologia
A acomodação é o processo de focalização da imagem e é feito a partir da lente; A regulação da quantidade luz feita pela ação da íris e
o alinhamento dos eixos visuais dos olhos são reflexos associados a esse ato;
Assim, na acomodação para a visão próxima:
-A lente torna-se mais convexa
-Os olhos convergem (mantendo a imagem no mesmo lugar na retina)
-As pupilas diminuem (aumentando a profundidade do foco)
Função da retina
Quando a imagem está sobre a retina, as células fotossensíveis dela (cones e bastonetes) transformam a energia luminosa em impulsos
nervosos; a maioria dos cones está concentrada numa área chamada mácula lútea, dentro da qual está uma pequena região chamada fóvea
central contendo somente células do cone. A concentração de cones diminui à medida que se afasta da mácula, enquanto a concentração de
bastonetes atinge um máximo a cerca de 4mm da fóvea; A fóvea é o ponto central de focalização do sistema óptico - "ponto cego" na penumbra.
1. Bastonetes - são sensíveis à pouca luz e funcionam na visão noturna. Eles contêm um fotorreceptor químico chamado rodopsina
(retinal + opsina). Quando a luz é absorvida pela rodopsina, sua estrutura é modificada da forma cis (estável) para a sua forma trans (instável),
acarretando na separação do retinal da opsina; a união dos dois ocorre quando o retinal passa de sua forma trans para a cis novamente, ou
seja, a rodopsina desaparece quando a retina é exposta à luz clara e é regenerada sob iluminação reduzida. Essa regeneração é parte da
adaptação dos olhos à pouca luz, um processo chamado adaptação à escuridão - a qual envolve a íris e a retina.
Os bastonetes são células desligadas consistindo de um segmento interno (revestindo o interior do bulbo ocular; o segmento interno sintetiza
rodopsina) e um outro segmento mais externo, composto de discos empilhados contendo rodopsina. As células epiteliais adjacentes aos
bastonetes fagocitam os discos que se "perdem".
2. Cones - são responsáveis pela fotoquímica da visão das cores (visão diurna). Existem três tipos de cones, cada um sensível à luzes
diferentes: azul, vermelho e verde.
*Nas formas mais comuns de daltonismo, o indivíduo não consegue distinguir entre o vermelho e o verde devido à falta dos pigmentos sensíveis
ao vermelho e ao verde.
Vias nervosas da visão
Distinguem-se na retina três camadas de células, em que os corpos celulares dos neurônios se agrupam densamente, separadas por duas
camadas sinápticas, em que se misturam prolongamentos de dendritos e axônios. A primeira camada é formada pelas células fotorreceptoras, os
cones e bastonetes. Os axônios da primeira camada fazem sinapse com dendritos de células da segunda camada, as células bipolares. Os
axônios da segunda camada, por sua vez, fazem sinapse com os dendritos das células ganglionares, da terceira camada celular. Ou seja, os
impulsos gerados pelos bastonetes e cones são transmitidos às células bipolares, que fazem conexões sinápticas com células ganglionares, cujas
fibras formam o nervo óptico. Na fóvea (área de maior acuidade visual), há uma grande superposição nas conexões sinápticas entre o receptor e
as células bipolares e entre estas e as células ganglionares. Já na periferia, há uma superposição considerável - uma única célula ganglionar
recebe estímulos de vários cones e bastonetes.
A intensidade da resposta das células ganglionares pode ser modificada por dois tipos de neurônios: células horizontais e células amácrinas
(ambas levando sinais inibitórios através da retina).
1. Células horizontais - sua principal função é de mediar a comunicação entre as células bipolares e um grupo de células receptoras no
anel externo do campo da célula ganglionar. Seus impulsos reduzem a magnitude da resposta das células bipolares, aumentando o contraste
entre as regiões concêntricas de campos de células ganglionares. Respondem à iluminação mantida.
2. Células amácrinas - conectam as células ganglionares às bipolares e também entre si. Sua ação inibitória também aumenta o contraste
entre regiões concêntricas de campos de células ganglionares. Respondem a mudanças na iluminação - "ligando ou desligando" - e têm seu
efeito sobre as células ganglionares que também estão respondendo às alterações na iluminação.
A área circular na retina, onde os axônios das células ganglionares convergem para formar o nervo óptico é chamada disco óptico. O nervo
óptico perfura a esclera para originar uma estrutura criviforme, a lâmina crivosa. O nervo óptico estende-se do disco ao quiasma óptico, onde as
fibras se cruzam parcialmente - fibras originadas do campo visual de cada retina se cruzam; aquelas que vêm do campo temporal não se cruzam.
Após o quiasma óptico, as fibras são chamadas de tratos ópticos e seguem para os corpos geniculados laterais do tálamo. De lá, para as áreas
corticais visuais dos lobos occipitais.
* Porém, nem todas as fibras do trato óptico vão para o tálamo! Aquelas que fazem parte da via para o reflexo luminoso (constrição da pupila em
resposta à luz) passam para a região pré-tectal (entre a lâmina quadrigêmea e o tálamo). Outras fibras do trato óptico terminam no colículo
superior, que também recebe impulsos do córtex visual e dos sistemas auditivo e somestésico (dos córtex cerebral e periférico)
Visão binocular
A visão binocular consiste na diferença da capacidade visual entre nossos dois olhos, uma vez que eles estão separados por uma certa distância
e, consequentemente, haverá uma superposição quase total dos campos visuais de cada olho. É essa diferença que permite com nosso cérebro
interprete as imagens tridimensionalmente, ou seja, dando ideia de profundidade mesmo que a imagem refletida na retina seja plana. Essa nova
imagem interpretada é chamada de estereoscópica (tridimensional). A visão binocular é mantida através da coordenação nervosa e muscular dos
movimentos do olho. Se os músculos não são coordenados resulta o estrabismo, fazendo com que o indivíduo tenha visão dupla (diplopia), uma
vez que os eixos visuais dos olhos não são parelelos.
Aparelho lacrimal e sua função
O aparelho lacrimal é formado pela glândula lacrimal principal (secretor reflexo)localizada na região súpero-lateral da órbita e glândulas
acessórias(secretor basal) serosas e mucosas espalhadas pela conjuntiva juntamente com as
lipídicas localizadas nos tarsos palpebrais (tarsais ou de Meibomius) e nas bases dos cílios (Moll e Zeis). A lágrima é um líquido produzido por
glândulas lacrimais que se encontram na parte interna de cada um dos olhos. Ela possui a função de lubrificar os olhos e protegê-los contra
substâncias estranhas e infecções. Para proteger os olhos contra infecções, as lágrimas possuem sal e uma enzima (a lisozima) que combate
microorganismos patogênicos como, por exemplo, as bactérias. Uma outra função das lágrimas é limpar constantemente o interior dos olhos e a
parte interna das pálpebras, no chamado lago lacrimal, onde drenam através dos pequenos condutos lacrimais que se convergem no saco
lacrimal, a partir daí, as lágrimas atravessam o conduto nasolacrimal até alcançar as fossas nasais. Quando o fluxo de lágrimas é abundante, o
excesso de líquido que não pode ser coletado pelos condutos lacrimais transborda pelas pálpebras e carrega consigo os corpos estranhos que
não podem atravessar os condutos lacrimais.
Laura Lucinda B. da Silva
Audição, olfato e paladar
ANATOMIA
Orelha externa - aurícula (pavilhão da orelha); recebe ondas sonoras e as transmite através do meato
acústico externo, ou canal auditivo, para a membrana timpânica. No meato acústico externo há várias glândulas, estas responsáveis pela
secreção de uma substância amarela serosa, denominada cerume (lubrifica e protege a orelha).
Orelha média - cavidade timpânica; possui 3 ossículos: martelo, bigorna e estribo; possui 2 pequenos músculos: estapédio (ligado ao
estribo) e o tensor do tímpano (ligado ao cabo do martelo). Contém 5 aberturas: abertura coberta pela membrana timpânica, tuba auditiva ou
de Eustáquio (conecta a orelha média com a nasofaringe), abertura na cavidade mastóide e as aberturas na orelha interna (janela oval e janela
redonda). Funções: (1)os ossos da orelha média captam as vibrações da membrana timpânica e as transmitem através da orelha média para a
janela oval; (2) redução da amplitude das vibrações acompanhando sons altos de baixa frequência; (3) manter a igualdade das pressões de ar
em ambos os lados da membrana do tímpano para prevenir ruptura.
Orelha interna - consiste em labirintos membranoso e ósseo. O ósseo é composto de uma série de canais perfurados no osso temporal
e está cheio de perilinfa; consiste na cóclea, no utrículo e no sáculo, dentro do vestíbulo, e nos ductos semicirculares, dentro dos canais
semicirculares. O membranoso está situado inteiramente dentro do labirinto ósseo e está cheio de endolinfa.
*Aparelho vestibular - porções da orelha interna relacionadas ao equilíbrio.
FISIOLOGIA DO EQUILÍBRIO
(1) Impulsos através de células ciliadas da mácula - O utrículo e o sáculo (que estão dentro do vestíbulo) contêm receptores sensíveis à ação da
gravidade e à aceleração linear à desaceleração da cabeça. Esses receptores estão localizados numa pequena e espessada área, nas paredes do
utrículo e do sáculo, chamada mácula, os quais recebem fibras do nervo vestibulococlear. Essa área contém células ciliadas, e os pêlos ou cílios
dessas células projetam-se numa membrana gelatinosa conhecida como otoconial ou membrana otolítica porque contém cristais microscópicos
de carbonato de cálcio chamados otocônios. Devido ao seu peso específico, os otocônios tracionam a massa gelatinosa durante a aceleração
linear, provocando o deslocamento dos cílios. Dependendo do movimento, há uma despolarização ou uma hiperpolarização dessas células
ciliadas.
(2) Impulsos através de células ciliadas da crista ampular - Há 3 canais semicirculares em cada orelha (anterior, posterior e lateral), em ângulos
retos entre si, cada um circundando um ducto semicircular o qual contém receptores sensíveis à aceleração angular e a desaceleração. Dentro da
porção dilatada (ampola) na base de cada ducto semicircular (perto da junção com o utrículo) está uma área elevada, chamada de crista,
contendo uma cápsula gelatinosa (a cúpula) na qual os pêlos das células ciliadas se projetam. Quando a cabeça começa a rodar, a inércia da
endolinfa (dentro dos ductos semicirculares) faz com que a cúpula se mova, inclinando os pêlos na direção oposta. Dependendo da direção do
desvio, as células são despolarizadas (estímulo) ou hiperpolarizadas (inibição).
VIAS NERVOSAS PARA O EQUILÍBRIO
As células ciliadas são inervadas por fibras nervosas do ramo vestibular do nervo vestibulococlear. Essas fibras se originam no meato acústico
interno a partir dos corpos celulares de neurônios (bipolares) do gânglio vestibular. Para cada célula ciliada existe um cílio diferente dos outros, o
cinocílio, que é único,emerge do corpo da célula e se coloca na periferia do tufo de estereocílios. Os estereocílios variam de tamanho. Aqueles
juntos ao cinocílio são maiores, e diminuem de comprimento a medida que dele se afastam. No caso de desvio dos cílios em direção ao cinocílio,
a célula sensorial despolariza e há a formação de um estímulo nervoso; no caso de desvio na direção contrária à do cinocílio, a célula
hiperpolariza e há uma inibição do estímulo nervoso. A chegada de impulsos de equilíbrio ao córtex cerebral (cerebelo) torna possível a
consciência de sensações de equilíbrio.
*A despolarização é causada pela liberação de glutamato e a hiperpolarização, pela inibição da liberação.
FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO
O som é a sensação produzida quando as vibrações iniciadas no meio externo tocam a membrana timpânica. A cóclea contém o órgão da
audição; 3 compartimentos formam o interior da cóclea: rampa vestibular, rampa timpânica (essas duas contêm perilinfa) e o ducto coclear
(contém endolinfa). As ondas sonoras entram pelo meato acústico interno e produzem vibrações na membrana timpânica. Os ossículos da orelha
média, por sua vez, conduzem essas vibrações para a janela oval. Essas vibrações são transmitidas, através dos ossículos, para a placa base do
estribo; essas vibrações causam movimentos iguais a um pistão em um osso chamado labirinto. O labirinto é cheio de um fluido chamado
perilinfa; devido a flexibilidade de uma membrana chamada janela redonda, os movimentos do estribo podem se propagar no fluido dentro do
labirinto, através da janela oval. As vibrações na janela oval estabelecem ondas sonoras na perilinfa. As vibrações se propagam na parte espiral -
a cóclea. As vibrações partem da janela oval, passam pela cóclea e retornam para a janela redonda. A porção dessa passagem espiral pela qual as
vibrações sobem é chamada de rampa vestibular; a porção descendente é chamada de rampa timpânica. Uma terceira estrutura entre essas
rampas é chamada de rampa média, ela é cheia de um fluido denominado endolinfa. Os fluidos são separados pelas membranas tectórica e
basilar; essas membranas são flexíveis e se movem em resposta às vibrações que viajam nas rampas vestibular e timpânica, permitindo, assim,
que as vibrações passem entre elas. Os movimentos da membrana basilar resultam na inclinação de pêlos das células ciliadas, que em seguida é
despolarizada e libera um potencial elétrico. Esse potencial resulta na liberação de um neurotransmissor que estabelece impulsos nervosos nas
fibras do nervo vestibulococlear.
VIAS NERVOSAS DA AUDIÇÃO
As fibras nervosas sensoriais que inervam as células ciliadas têm origem dos copos celulares de neurônios bipolares do gânglio espiral da cóclea.
As fibras centrais desses neurônios dirigem-se ao núcleo coclear dorsal e ventral do bulbo, onde fazem a sinapse. Daí, a via continua através de
uma série de estádios para a área cortical auditiva, na parte superior do lobo temporal.
FISIOLOGIA DA OLFAÇÃO
Os receptores do cheiro estão localizados no epitélio olfatório (no teto da cavidade nasal). Esse epitélio possui 2 tipos de células: células de
suporte e células olfatórias propriamente ditas. As células olfatórias são neurônios; estes deixam seus corpos celulares, divididos em muitos
processos finos, expostos na camada superficial da mucosa. Os axônios desses neurônios, por sua vez, passam pela lâmina crivosa do osso
etmóide como fibras do nervo olfatório e vão para o bulbo olfatório (acima da cavidade nasal). No bulbo olfatório vão ocorrer sinapses com
outros neurônios que levarão para a parte póstero-lateral do córtex pronto-orbitário. Para que seja possível sentir o cheiro de uma certa
substância, é necessário que ela seja volátil e alcance o epitélio olfatório. Acredita-se que haja uma interação entre as células olfatórias e as
moléculas odoríferas, de modo que receptores específicos alterem a permeabilidade das membranas dessas células e induzam um impulso
nervoso.
FISIOLOGIA DO GOSTO
As estruturas especializadas para a recepção do gosto são os botões gustativos (encontrados na língua). Os botões gustativos têm receptores em
forma de cebola com um pequeno poro abrindo na superfície da língua. Consistem em células de sustentação de 5 a 18 células ciliadas ou
receptores gustativos. Os cílios se projetam no poro do gosto. Os botões são encontrados em numerosas projeções pequenas (papilas) na língua.
As maiores que formam uma linha V sobre a porção posterior da língua são as papilas valadas. As papilas fungiformes, mais numerosas e
menores, estão localizadas principalmente no ápice e nos lados da língua.
Substâncias que despertam sensações gustatórias devem de alguma maneira alterar a permeabilidade iônica das membranas ciliadas e assim
evocar uma mudança no potencial elétrico. Os potenciais receptores das células gustatórias, então, geram impulsos nervosos nos terminais dos
neurônios sensitivos que inervam as células do gosto. O paladar humano percebe 5 tipos de sabores: salgado(dissociação de íons Na+), azedo(
íons H+,por isso os ácidos tem gosto azedo), os sabores amargo e doce são produzidos pela interação de moléculas gustatórias com proteínas
receptoras e o 5° sabor chamado de umami ( em resposta ao glutamato monossódico e outros glutamatos). Há ainda hipóteses que os humanos
tem um receptor para a água.
Semiologia - Visão, audição, olfato e paladar
VISÃO
1. Anamnese
Identificação é sempre importante, salientando-se a idade, sexo, profissão e procedência do paciente. Algumas doenças ocorrem com mais
frequência em determinadas idades.
2. Sinais e sintomas
Sensação de corpo estranho: presença de corpo estranho na córnea, na conjuntiva bulbar ou na conjuntiva palpebral; quase sempre
acompanhada de dor;
Queimação ou ardência: desconforto que faz o paciente lavar o rosto para tentar aliviar o sintoma; pode ter como causa erro refratário
não corrigido, elementos químicos, ceratite, sono insuficiente, etc;
Prurido: quando muito acentuado, quase sempre é sinal de alergia;
Sensação de olho seco: "ausência" de lágrimas para a hidratação do olho;
Lacrimejamento ou epífora: excesso de secreção de lágrimas ou defeito do mecanismo de drenagem;
Dor ocular: dor tipo visceral, que o paciente não consegue localizar muito bem (quando na pálpebra, o local exato da dor pode ser
definido);
Fotofobia: sensibilidade excessiva à luz;
Cefaléia: quando de origem ocular, é localizada, geralmente, na região frontal e se manifesta no fim do dia;
Hemeralopia e nictalopia: Cegueira diurna (deficiência nos cones) e cegueira noturna (deficiência nos bastonetes), respectivamente;
Xantopsia, iantopsia e cloropsia: visão amarelada, violeta e verde, respectivamente; os dois últimos são sintomas de intoxicações
medicamentosas;
Alucinações visuais: É importante definir se a sensação visual reproduz um objeto ou se limita à sensação de luz e cores; Na maioria das
vezes se deve a afecções orgânicas (geralmente no lobo occipital). Em algumas ocasiões tem origem psiquiátrica ou por intoxicação exógena;
Diplopia: visão dupla causada por um desvio ocular desenvolvido pelo paciente; é importante conhecer o momento do aparecimento
da diplopia, se constante ou intermitente, se ocorre em certas posições do olhar ou a determinadas distâncias. Em caso de esotropia
(estrabismo convergente), a imagem é nasal à fóvea e é interpretada como vindo do lado temporal. Em pacientes com exotropia (estrabismo
divergente), a imagem é temporal à fóvea e é interpretada como vindo do lado nasal. A diplopia pode ser monocular ou binocular: se o
paciente descrever visão dupla, mas que desaparece quando um dos olhos é fechado, trata-se de uma diplopia binocular. Se persistir com a
oclusão, trata-se de diplopia monocular;
Escotoma: área de cegueira parcial ou completa; Neste ponto, a visão diminui apreciavelmente em relação à parte que o circunda.
Podem ser uni ou bilaterais e devem ser investigados quanto a posição (central, periférico ou paracentral), forma (circular, oval, arciforme,
cuneiforme, anular, pericecal e hemianóptico) , tamanho, intensidade, uniformidade, início e evolução;
Nistagmo: movimentos repetitivos rítmicos nos olhos. Pode ser caracterizado pela frequência, amplitude, direção e pelo tipo de
movimento;
Diminuição e perda da visão: é importante esclarecer há quanto tempo o paciente vem notando alteração na sua acuidade visual, se a
diminuição foi rápida ou lenta. A perda da visão (amaurose) ocorre em um ou ambos os olhos, podendo ser súbita ou gradual;
3. Exame físico
Globo ocular e cavidade orbitária:
-Na inspeção, deve-se observar a separação entre as duas cavidades orbitárias: grande afastamento (hipertelorismo) e pouco afastamento
(hipotelorismo); Em relação ao tamanho do globo ocular, pode-se observar microftalmia (síndrome da rubéola congênita);
-Na palpação, investiga-se o rebordo ósseo; a exoftalmia deve ser avaliada com um exoftalmômetro ou com uma régua milimetrada: a distância
normal entre o ápice da córnea e a margem orbitária lateral é menos que 20mm (sendo a diferença de 2mm entre os dois olhos considerada
suspeita);
Aparelho lacrimal:
-Na inspeção, pode-se detectar o aumento do volume da glândula lacrimal. Para isso, é necessário levantar a pálpebra do paciente e pedir para
ele olhe para baixo e para dentro; A inspeção também permite avaliar vermelhidão e tumefação;
-Na palpação, avalia-se a consistência, profundidade e sensibilidade das glândulas lacrimais; A avaliação funcional do aparelho lacrimal é
realizada medindo-se a quantidade de lágrimas produzida por unidade de tempo (Teste de Schirmer I e II); deves-se avaliar também refluxo de
secreção mucopurulenta;
Pálpebras:
-Na inspeção, investiga-se cor, textura, posição e movimentos. Procura-se avaliar queda dos cílios (madarose), se estão virados para dentro
(triquíase) ou se tornaram-se brancos (poliose); Observa-se se a borda da pálpebra está em aposição ao globo, e não invertida (entrópio) ou
evertida (ectrópio) e se a pálpebra superior não consegue cobrir o globo ocular (lagoftalmia); Ou se esta não consegue levantar (blefaroptose);
Conjuntiva e esclera:
-Excetuando-se alguns vasos tortuosos, a esclerótica normal tem cor branco-porcelana. Esta cor pode modificar-se por depósito de bilirrubina e
melanina; Para o exame da conjuntiva palpebral superior, é necessário fazer uma eversão, a qual possibilita evidenciar reação inflamatória,
corpo estranho ou tumoração;
Córnea:
-Deve-se avaliar o tamanho da córnea (normal: 10,6mm verticalmente e 11,7mm horizontalmente); pode-se verificar, também, presença de
opacificação corneana, irregularidades epiteliais e neovascularizações;
Pupilas:
-Devem ser analisados a cor, os desvios e orifícios da íris e da pupila; testa-se, também, o reflexo fotomotor direto ou consensual ( a pupila do
outro olho deve-se contrair simultaneamente e com a mesma intensidade);
Cristalino:
-Uma boa iluminação permite perceber as alterações mais grosseiras, como a posição do cristalino.
4. Acuidade visual
A acuidade visual é testada em cada um dos olhos separadamente. Ao se fechar o olho que não está sendo examinado, deve-se evitar pressioná-
lo (pois isto pode provocar distorção da imagem). Se o paciente usar óculos, a acuidade deve ser analisada com a correção óptica. O método
mais utilizado é o do quadro de Snellen,ficando o paciente sentado a aproximadamente 6m de distância dele.
O quadro de Snellen é formado por letras de diferentes tamanhos (separadas por 5cm). Quanto mais afastado estiver o quadro, menor é a
imagem projetada na retina. Assim,utilizando esses fatores, é possível determinar o ângulo visual mínimo que corresponde à melhor acuidade
visual do paciente. A acuidade visual NORMAL ,por convenção, é 20/20. Se o paciente é capaz de ler somente a linha 20/30, esta visão é
registrada. Se o paciente não consegue ler nenhuma linha, é necessário que o examinador encaminhe seus dedos na direção do paciente até o
ponto que este consiga identificar quantos dedos o examinador está mostrando.
O registro da visão de perto mais utilizado é a tabela de Jaegger com graduações de J1,J2, J6. A distância ideal para a leitura de perto é de 33cm.
Quando o paciente afasta a leitura, deve-se suspeitar presbiopia e quando o contrário, a suspeita deve ser miopia. Quando o paciente é
analfabeto, o quadro é construído como objetos ou animais facilmente identificáveis.
5. Visão de cores
A visão da forma e a visão das cores são atributos dos cones. Aos bastonetes é reservada a adaptação luminosa. O método mais simples e usado
para o estudo da visão da visão cromática é o das chamadas tábuas pseudoisocromáticas, que se baseiam em conglomerados de cores de
matizes diversos, dentro dos quais algarismos ou letras podem ser percebidos pelos normais e não por portadores de discromatopsias (distúrbio
do senso cromático);
6. Exames complementares
Biomicroscopia: consiste no exame do globo ocular com uma lâmpada de fenda, a qual se compõe de uma fonte de iluminação e de um
sistema óptico ampliador; permite o exame das estruturas oculares; quando avalia-se o ângulo da câmara anterior, constitui-se a gonioscopia
(fundamental quando suspeita-se de glaucoma);
Oftalmoscopia: para este exame, é necessário dilatar a pupila; o fundo do olho normal é visto como um reflexo vermelho denominado
clarão pupilar; no exame dos vasos sanguíneos, as artérias são de cor vermelho-clara e as veias de cor vermelho-escura;
Oftalmodinamometria: técnica usada para medir a pressão sanguínea na artéria oftálmica; o aparelho comprime o globo ocular pela
esclera até o desaparecimento das pulsações da artéria. O momento em que isso ocorre corresponde ao nível da pressão sistólica. Os níveis
pressóricos da artéria oftálmica são de, aproximadamente, 80% dos da artéria braquial.
Tonometria: medida da pressão intra-ocular; pode ser digital (muito grosseira), de pressão corneana e de aplanação corneana
(melhores resultados);
Campo visual: representa a expressão clínica do estado funcional das vias ópticas, iniciando nos elementos receptores sensoriais dos
cones e bastonetes e terminando no córtex visual; O examinador, na frente do paciente, solicita que ele se sente e fixe a visão em um ponto da
face do examinador, a seguir um objeto é movido vertical e horizontalmente até o paciente informar até que ponto ele consegue perceber o
objeto antes que saia do campo visual, cada olho é examinado separadamente;
Fundoscopia: exame clínico utilizado com um oftalmoscópio para observar o fundo do olho e examinar a vascularização, inervação e
estruturas internas. O examinador pede ao paciente que fixe o olhar em um ponto distante e em seguida direciona o oftalmoscópio a um dos
olhos, com a mão livre o examinador eleva as pálpebras projetando sobre o olho um feixe de luz e assim observar o interior dos olhos, analisa
cada um dos olhos separadamente;
AUDIÇÃO
1. Sinais e sintomas
Dor: às vezes é uma dor referida, que se origina em órgãos distantes do ouvido; outras vezes é causada por lesões locais.
Otorréia: saída de líquido pelo ouvido, que pode ser claro, seroso, mucoso, purulento ou sanguinolento.
Otorragia: perda de sangue pelo canal auditivo.
Prurido: pode ser causado por eczema no canal auditivo, diabetes, linfomas ou hepatite crônica.
Disacusias: perda da capacidade auditiva, que pode ser moderada (hipoacusia), acentuada (surdez) ou total (anacusia ou cofose); Pode
ser de transmissão (lesões no aparelho transmissor da onda sonora, ouvido externo e médio e líquidos labirínticos; ou pode ser
neurossensorial ou de percepção, quando a lesão se localiza no órgão de Corti e /ou nervo acústico, estruturas receptoras de ondas sonoras.
Zumbidos: percepção de ruídos sem que haja estímulo exterior. Atribuem-se à irritação de células sensoriais do órgão de Corti, na
orelha interna. Manifestam-se como ruídos de jato de vapor, água corrente, campainha, cachoeira, apito, chiado, tinido. As causas podem ser
óticas (corpo estranho, otite, esclerose do tímpano, etc.) ou não óticas (hipertensão arterial, climatério, estase sanguínea, etc).
Vertigem e tontura: Tontura pode ser diferenciada de vertigem sendo descrita como uma sensação de vazio na cabeça ou de
desequilíbrio ou iminente desmaio; a tontura é, em geral, redução transitória no fluxo sanguíneo cerebral. Vertigem consiste na sensação de
estar girando em torno dos objetos (subjetiva) ou os objetos girando em torno de si (objetivas); é quase sempre de natureza labiríntica
2. Exame físico
Teste de Weber: O diapasão é colocado na linha média da fronte, da calota craniana ou junto aos dentes incisivos. Se o som for ouvido
igualmente em ambos ouvidos a audição é normal ou a perda auditiva é similar bilateralmente e, nesse caso, diz-se que o WEBER é indiferente.
Se o som se lateralizar para o ouvido de melhor audição a perda é neurossensorial no lado afetado; se o som se lateralizar para o ouvido mais
comprometido, a perda é condutiva neste último.
Teste de Rinne: Compara a percepção dos sons transmitidos pelo ar ou através da condução óssea através do osso temporal (p.
mastóide); O diapasão é colocado sobre a mastóide até que o paciente refira que não está mais escutando o som; em seguida, o diapasão é
colocado imediatamente ao lado do ouvido a ser testado. O individuo normal é capaz de ouvir as vibrações do segundo tempo da manobra –
teste de Rinne positiva. Caso contrario, a suspeita deve ser de surdez de condução. Na surdez nervosa o paciente consegue ouvir, embora mal,
a vibração da segunda etapa da manobra não tendo, no primeiro tempo da prova, escutado as vibrações.
Audiometria Tonal: É a pesquisa dos limiares mínimos de audição por via aérea (por meio de fones), e por via óssea (por meio de
vibradores), realizada em cabine acústica. Estudos mostram que quando se procura estabelecer a menor quantidade de energia sonora que
provoca uma sensação auditiva, existe uma intensidade que ora provoca resposta, ora não. Desta forma, criou-se o conceito de limiar de
audibilidade
Otoscopia: Consiste no exame do meato acústico externo e da membrana do tímpano, por intermédio de um espéculo auricular. Se o
meato acústico externo apresenta cera, descamação do epitélio ou secreções, deve-se fazer uma cuidadosa limpeza, a fim de proceder ao
exame da membrana do tímpano, que normalmente é de cor cinza-pérola, colocada no fundo do meato acústico externo. Ao exame da
membrana do tímpano percebe-se nitidamente a saliência do cabo do martelo, acima do qual se encontra a porção flácida da membrana de
Shrapnell. Da extermidade inferior do cabo do martelo, dirigindo-se para diante e para baixo, verifica-se a presença do triângulo luminoso,
devido à reflexão dos raios luminosos provenientes do espelho frontal.
Prova de Schwabach: Teste auditivo feito com o auxílio de um diapasão. O teste consiste em comparar a audição do paciente com a do
examinador, tendo a audição deste como normal (o som é percebido, normalmente, durante 20 segundos). O diapasão é colocado
alternadamente no mastóide do paciente e examinador. Se o paciente:
(1)Ouvir as vibrações por mais tempo que o examinador: há um déficit na condução aérea; comprometimento da orelha média; diz-se que o
Schwabach está prolongado.
(2)Ouvir as vibrações por menos tempo que o examinador: há um déficit neurossensorial; comprometimento da orelha interna; diz-se que o
Schwabach está encurtado.
Teste de Romberg: O paciente é colocado em posição ortostática, com os calcanhares unidos e pontas dos pés separados em 30°,
cabeça reta, braços ao longo do corpo na posição anatômica, olhos fechados (para inibir a visão) durante um minuto. O exame é considerado
positivo se houver queda.
Provas térmicas: Consistem em irrigar o meato acúustico externo, estando o paciente deitado, com água fria (30°C) ou quente (44°C).
Esse esfriamento ou aquecimento se transmite ao labirinto e provoca correntes "endolinfáticas" de convecção (originárias de diferenças de
temperaturas) que provocam aparecimento de nistagmo (movimentos repetitivos rítmicos nos olhos), cujo tempo de duração pode estar
normal, diminuído ou aumentado. Quando há diminuição no tempo de permanência do nistagmo pela irrigação do ouvido esquerdo com água
quente e água fria (em comparação com o ouvido direito), conclui-se que há hiporreflexia do canal semicircular esquerdo. A hiporreflexia bem
como a arreflexia são comuns em lesões vestibulares periféricas (são distúrbios do órgão e do nervo vestibular até a sua entrada no tronco
encefálico) do que centrais. A hiperreflexia é mais encontrada nas lesões centrais.
OLFATO
1. Sinais e sintomas
Dor: Localiza-se na face, na área correspondente à lesão, podendo irradiar para os ouvidos.
Hiposmia e anosmia: diminuição e abolição do olfato, respectivamente.
Hiperosmia: aumento do olfato.
Cacosmia: sentir mau cheiro; pode ser subjetiva ou objetiva.
Parosmia: interpretação errônea de uma sensação olfatória.
Rinolalia: voz anasalada.
Rinorreia: corrimento nasal, podendo ser serosa, purulenta, mucopurulenta, sanguinolenta.
Epistaxe: hemorragia nasal; em geral, é de pequena intensidade e cede espontaneamente; epistaxe unilateral sugere causa mecânica,
enquanto a bilateral sugere etiologia clínica.
2. Exame físico
Exame do nervo olfatório: No exame da olfação são utilizados substâncias que tenham odores conhecidos pelo paciente. O paciente de
olhos fechados tem que reconhecer o cheiro da substância que o examinador põe para ele cheirar. Tem que analisar se o paciente está em
condições de cheirar algo, ou seja, ver se tem algo que o impeça o reconhecimento do odor, como um resfriado por exemplo. Afastada essas
condições, as alterações ganham maior significado clinico por poderem ser causadas por transtornos neurológicos.
Anatomia
Lábios: superfície externa revestida pela pele; o epitélio da superfície interna é pavimentoso estratificado (semelhante ao encontrado
na superfície interna da cavidade oral, faringe e esôfago); o interior do lábio consiste em fibras musculares estriadas com tecido conjuntivo
fibrelástico.
Bochechas: revestidas por epitélio pavimentoso estratificado; contêm vários músculos acessórios da mastigação, entre os quais se
destacam os bucinadores, que impedem o alimento de escapar da ação trituradora dos dentes.
Dentes: duas dentições surgem durante a vida do indivíduo: a decidual/temporária (de leite) e a permanente.
1. Decidual: consiste em 20 dentes, cinco em cada quadrante: dois incisivos, um canino e dois molares. Nascem em média dos 6 aos 24
meses após o nascimento, e geralmente caem entre os 6 e 12 anos.
2. Permanente: consiste em 32 dentes, oito em cada quadrante: dois incisivos, um canino, dois pré-molares e três molares. Apenas os
molares ocupam novas posições na mandíbula, o restante substitui os deciduais.
-> Os incisivos tem a forma de cinzel para facilitar o corte do alimento. Atrás dele, há três peças dentais usadas para rasgar. A primeira tem uma
única cúspide pontiaguda. Em seguida, há dois dentes chamados pré-molares, cada um com duas cúspides. Atrás ficam os molares, que tem uma
superfície de mastigação relativamente plana, o que permite triturar e moer os alimentos. Os nervos sensitivos e os vasos sanguíneos do centro
de qualquer dente estão protegidos por várias camadas de tecido. A mais externa, o esmalte, é a substância mais dura. Sob o esmalte, circulando
a polpa, da coroa até a raiz, está situada uma camada de substância óssea chamada dentina. A cavidade polpar é ocupada pela polpa dental, um
tecido conjuntivo frouxo, ricamente vascularizado e inervado. Um tecido duro chamado cemento separa a raiz do ligamento peridental, que
prende a raiz e liga o dente à gengiva e à mandíbula, na estrutura e composição química assemelha-se ao osso; dispõe-se como uma fina camada
sobre as raízes dos dentes. Através de um orifício aberto na extremidade da raiz, penetram vasos sanguíneos, nervos e tecido conjuntivo.
Glândulas salivares: Há três pares de glândulas salivares: parótida, submandibular e sublingual. A saliva contém dois tipos principais de
secreção de proteína:
(1) secreção serosa que contém ptialina (digere amido); consistência aquosa e transparente;
(2) secreção mucosa que contém mucina (lubrifica e protege superfícies); substância viscosa e aderente;
As parótidas são responsáveis por secretar a maior parte de secreção serosa, enquanto as submandibulares e sublingual secretam tanto secreção
serosa quanto mucosa. A secreção diária de saliva é de 800mL 1.500mL, com um valor médio de 1.000mL. A saliva tem um pH entre 6 e7.
Língua: é uma estrutura de grande mobilidade, que tem como raiz sua parte superior e corpo na parte inferior. A sua raiz se liga ao
osso hióide, à epiglote, ao palato mole e a faringe. Seu ápice é a extremidade arredondada anterior que se apóia contra a face lingual dos
dentes incisivos inferiores. Na face inferior, há uma prega de membrana mucosa prendendo a língua ao assoalho da boca - frênulo da língua.
Os movimentos da língua podem ser restritos, uma vez que frênulo seja muito curto. No dorso da língua, há o sulco mediano que divide a
estrutura lingual em metades simétricas: 2/3 anterior (onde se encontram as papilas linguais) e 1/3 posterior (onde se encontram glândulas
mucosas e folículos linfáticos). A língua funciona misturando a saliva com o alimento, mantendo o bolo alimentar pressionado entre os dentes
e empurrando-o, depois, para trás para ser deglutido. O palato consiste em: palato duro (porção anterior, formada pelos ossos palatino e
maxilar) e palato mole (porção posterior formada por músculos que terminam numa projeção livre - úvula).
Faringe: via para o sistema respiratório e digestivo; possui camadas musculares longitudinal e circular do tipo estriado. Os músculos
circulares são chamados constritores.
Camadas da parede do tubo digestivo
(1) Membrana mucosa ou Mucosa - camada mais interna do trato digestivo; Principal camada excretora (células glandulares da mucosa -
caliciformes- secretam muco e suco digestivo ao longo da maior parte do trato) e de absorção. Possui uma lâmina própria que contém diversos
linfonodos importantes para a proteção visceral. Externamente a essa lâmina existe uma camada fina de músculo liso que auxilia aumentando a
área superficial.
(2) Submucosa - altamente vascularizada e inervada (plexo submucoso) relativamente espessa; está entre as camadas mucosa e muscular.
Depois de absorvidos na camada mucosa, as moléculas serão transportadas pelos diversos vasos sanguíneos e linfáticos dessa túnica.
(3) Camada muscular ou muscular externa - responsável pelas contrações e pelos movimentos peristálticos ao longo do trato GI; consiste em
fibras musculares lisas em duas disposições distintas: camada circular interna (quando contraída, estreita a luz do tubo) e fibras arranjadas
longitudinalmente (diminuem o tubo através de sua contração). Além de promover a locomoção dos alimentos, tal camada mistura o mesmo
com as diversas enzimas digestivas. Tal túnica contém o plexo mioentérico que supre, de forma primordial, o trato GI com fibras e gânglios
simpáticos e parassimpáticos do SNA.
(4) Serosa - Revestimento mais externo (peritônio visceral); possui a função de unir e proteger as estruturas do trato.
Esôfago: Tubo longo reto que se comunica diretamente com o estômago, através da cárdia; A passagem do alimento é facilitado por
forças gravitacionais comuns, assim como pelo tipo de arranjo dos músculos do próprio tubo.
* Embora o esôfago seja similar às outras porções do tubo digestivo, tem algumas diferenças: seu epitélio é pavimentoso estratificado, enquanto
que o epitélio do estômago e do intestino é cilíndrico. A camada muscular do terço superior do esôfago é estriada, e a do terço inferior é lisa.
Existe uma zona transacional na porção média que contém tanto musculatura estriada quanto lisa. O revestimento do esôfago NÃO é seroso,
mas é uma camada de tecido conjuntivo (a adventícia).
Estômago: localiza-se inferiormente ao diafragma, do lado esquerdo. Possui três partes: fundo (porção superior), corpo (porção
central) e a porção pilórica (antro). O piloro é a abertura entre o estômago e o duodeno. Quando vazio possui rugas, que se tornam lisas
quando cheias. A parede do estômago é composta das mesmas três camadas nas outras regiões do tubo digestivo, com algumas modificações:
além de ter uma camada longitudinal externa e uma circular interna de músculo liso, possui uma camada oblíqua localizada dentro da camada
circular. A camada muscular circular se espessa na região pilórica, formando o esfíncter pilórico. Dobras de peritônio, denominadas omentos,
estendem-se do estômago aos outros órgãos abdominais: o omento maior (rugas do peritônio que vão do estômago aos outros órgãos;
contém gordura em abundância e serve de cobertura isolante, podendo também limitar a propagação de infecções) e o omento menor (da
pequena curvatura do estômago ao fígado).
Fases da secreção gástrica
1. Fase cefálica - ocorre até mesmo antes de o alimento entrar no estômago. Resulta da visão, odor, da lembrança ou do sabor do
alimento e quanto maior o apetite, maior a estimulação. Sinais neurogênicos que causam a fase cefálica originam-se no córtex cerebral e nos
centros de apetite da amígdala e do hipotálamo. São transmitidos pelos nervos vagos até o estômago. Essa fase contribui com cerca de 20% da
secreção gástrica.
2. Fase gástrica - o alimento que entra no estômago excita (1)os reflexos vasovagais longos do estômago para o cérebro e de volta para o
estômago, (2) os reflexos entéricos locais e (3) o mecanismo da gastrina, todos os quais levando à secreção de suco gástrico durante várias
horas, enquanto o alimento permanece no estômago. Essa fase contribui com cerca de 70% da secreção gástrica.
3. Fase intestinal - a presença de alimento no duodeno continuará a causar secreção estomacal de pequenas quantidades de suco
gástrico.
Estimulação autônoma da secreção
1. Estimulação parassimpática - quase sempre aumenta a taxa de secreção das glândulas da porção superior do trato - inervado pelos
nervos glossofaríngeo e parassimpático vagal - (glândulas salivares, esofágicas, gástricas, o pâncreas e as glândulas de Brunner no duodeno) e
algumas glândulas da porção distal do intestino grosso - inervado por nervos parassimpáticos pélvicos. A secreção do restante do intestino
delgado e nos primeiros dois terços do intestino grosso ocorre basicamente em resposta a estímulos neurais locais e hormonais em cada
segmento do intestino.
2. Estimulação simpática - causa um aumento na secreção de algumas glândulas locais, mas também pode causar uma constrição de
vasos sanguíneos que suprem as glândulas. Portanto, a estimulação simpática pode ter efeito duplo: (1) pode aumentar a secreção e (2) se a
estimulação parassimpática ou hormonal já estiver causando secreção das glândulas, a estimulação simpática sobreposta pode reduzir essa
secreção.
Deglutição
(1) Estágio voluntário: o alimento é comprimido e empurrado, voluntariamente, em direção à faringe pela pressão da língua para cima e para
trás contra o palato.
(2) Estágio faríngeo: ao ser deglutido voluntariamente e tocar a faringe, o bolo alimentar estimula as áreas receptoras epiteliais da deglutição ao
redor da abertura da faringe, especialmente nos pilares tonsilares, e seus impulsos passam para o tronco encefálico onde iniciam uma série de
contrações musculares faríngeas automáticas:
a) O palato mole é empurrado para cima para fechar a parte posterior da cavidade nasal, evitando refluxos.
b) As pregas palatofaríngeas são empurradas medialmente de forma a formarem uma fenda que vai dar passagem, prioritariamente, aos
alimentos mais bem mastigados.
c) Cordas vocais se aproximam e a laringe é empurrada para cima e para frente, fazendo com que a epiglote se mova para trás, na direção da
abertura da laringe, e também eleva a glote, afastando ela do fluxo de alimento, isso impede de o alimento ir parar na traquéia.
d) Esse movimento da laringe citada no item "c" faz com que a abertura do esôfago se dilate, ou seja, o esfíncter esofágico superior ou
faringoesofágico relaxa, fazendo com que o alimento passe da faringe para o esôfago. Entre as deglutições esse esfíncter permanece fechado
para impedir entrada de ar no esôfago.
e) Quando o esfíncter é relaxado as paredes da faringe se contrai, iniciando na parte superior e assim progredindo para baixo, o que impulsiona o
alimento para o esôfago por peristaltismo.
(3) Estágio esofágico: a passagem do alimento é facilitada pela força gravitacional e pelo tipo de músculo que forma o esôfago:
-Terço superior composto por músculo estriado - controlado pelos nervos vago e glossofaríngeo;
-Dois terços inferiores composta por músculo liso - controlada pelo nervo vago e sistema nervoso mioentérico esofágico;
O esôfago exibe dois tipos de movimentos peristálticos:
*Peristalse primária: continuação da onda peristáltica que começa na faringe durante o estágio faríngeo da deglutição. Essa onda percorre desde
a faringe até o estômago em cerca de 8 a 10 segundos.
*Peristalse secundária: se peristalse primário for insuficiente, a peristalse secundária provocará a distensão do esôfago pelo alimento retido;
essas ondas continuam até o completo esvaziamento do estômago. Essas ondas são deflagradas em parte por circuitos intrínsecos mioentéricos
e em parte por reflexos que se são transmitidos para a medula por fibras vagais aferentes e retornando ao esôfago por fibras eferentes vagais e
glossofaríngas.
Peristalse no estômago
O acúmulo de alimento no estômago inicia ondas peristálticas no mesmo, que servem para misturar o conteúdo e, à medida que a mistura se
torna líquida, esvaziar gradualmente o estômago por forçar o líquido (quimo) através do piloro para o duodeno. Cada onda peristáltica se inicia
com uma ligeira constrição, geralmente próximo ao ponto médio do corpo do estômago. A onda torna-se mais profunda à medida que avança
para o piloro e termina com uma contração do esfíncter pilórico. Uma nova onda começa a cada 20 segundos e cada uma dura cerca de um
minuto. Assim, três ondas caminham pelo estômago de cada vez. O relaxamento do esfíncter permite a passagem do conteúdo gástrico através
do piloro. A contração do esfíncter no final de cada ciclo evita a regurgitação do conteúdo duodenal para o estômago.
*Feedback do duodeno - é um regulador importante do esvaziamento gástrico. Dois mecanismos de controle estão envolvidos: neuronal e
hormonal. Ambos possuem efeitos inibitórios na motilidade gástrica.
(1)neuronal : reflexo enterogástrico; mediado pelo nervo vago (através de conexões centrais no bulbo); é ativado, entre outras coisas, por ácidos,
os produtos da digestão de proteínas, líquidos hipo ou hipertônicos e um aumento na pressão do duodeno.
(2)hormonal: realizado pelo acúmulo de gordura no duodeno. Isso estimula a produção de um hormônio da mucosa do duodeno chamado
enterogastrona e que é transportado pela corrente sanguínea para o estômago, onde exerce um efeito inibidor sobre as contrações gástricas. A
colecistoquinina-pancreozimina, o hormônio duodenal que age principalmente sobre a vesícula biliar e o pâncreas (estimulando a secreção
enzimática), também inibe o esvaziamento gástrico.
*Contrações de Fome - quando o estômago fica vazio por um longo tempo, as chamadas contrações "de fome" podem ocorrer. Elas são
geralmente contrações rítmicas, fortes, durante 20 segundos e sem nenhuma pausa entre contrações sucessivas. Contrações mais curtas e não
rítmicas podem também ocorrer.
Composição do suco gástrico:
– Ácido clorídrico (HCl) – Tem como funções tornar o pH ácido, amolecer o bolo alimentar, esterilizar o bolo alimentar e ativar as formas
inativas das enzimas do suco gástrico.
– Pepsina – Enzima responsável pela digestão de proteínas. É importante salientar que esta enzima é liberada na forma inativa (pepsinogênio)
que ao entrar em contato com o HCl transforma-se em pepsina (forma ativa).
– Renina – Enzima produzida em grande quantidade em recém-nascidos e crianças e em pouca quantidade em adultos. Sua função é coagular
as proteínas do leite para que possam ser melhor digeridas.
Digestão e absorção no estômago: As proteínas não são totalmente digeridas no estômago pela ação da pepsina, como também os
carboidratos e as gorduras não são digeridos pela pepsina. A digestão do amido começa na boca com a ação da amilase salivar e ainda
continua por um tempo quando o alimento entra no estômago, mas a amilase salivar é rapidamente desativada pela acidez do suco gástrico. A
digestão completa das moléculas alimentares ocorre posteriormente quando o quimo entra no intestino delgado. Por essa razão, as pessoas
submetidas à ressecção parcial do estômago ainda conseguem digerir e absorver adequadamente o alimento. Quase todos os produtos da
digestão são absorvidos através da parede do intestino delgado. As únicas substâncias comumente ingeridas que podem ser absorvidas através
da parede gástrica são o álcool e a aspirina. A absorção ocorre como consequência da lipossolubilidade dessas substâncias.
Laura Lucinda B. da Silva
FISIOLOGIA - SISTEMA DIGESTÓRIO- PARTE II
Estômago
- Esvaziamento estomacal -
É promovido por contrações peristálticas intensas no antro estomacal (Bomba Pilórica). Ao mesmo tempo, o esvaziamento é reduzido por graus
variados de resistência à passagem do quimo pelo piloro. A taxa em que o estômago se esvazia é regulada por sinais tanto do estômago quanto
do duodeno.
O papel do piloro: o piloro permanece em ligeira contração tônica quase o tempo todo (esfíncter pilórico); essa contração é o suficiente
para a passagem de água e outros líquidos do estômago para o duodeno, evitando a passagem de partículas de alimentos ainda não
misturadas ao quimo.
Efeito do volume alimentar gástrico: um volume alimentos maior promove maior esvaziamento estomacal. Ocorre que a dilatação da
parede estomacal desencadeio reflexos mioentéricos locais que acentuam bastante a atividade da bomba pilórica e , ao mesmo tempo, inibem
o piloro.
Efeito do hormônio gastrina: esse hormônio parece intensificar a atividade da bomba pilórica.
-Contrações intestinais-
1. Segmentares (ou de mistura): contrações rítmicas (12 por minuto) que ocorrem ao longo de uma seção do intestino que o divide em
pequenos segmentos, dando uma aparência de uma corrente de salsichas. O conteúdo intestinal (quimo) é misturado pelas segmentações
repetidas. As contrações de segmentação tornam-se extremamente fracas quando a atividade excitatória do sistema nervoso entérico é
bloqueado pelo fármaco atropina. Portanto, muito embora sejam as ondas lentas no próprio músculo liso que causam as contrações de
segmentação, essas contrações não são efetivas sem a excitação de fundo do plexo nervoso mientérico.
2. Peristálticas (ou propulsivas): o anel de constrição move-se em apenas uma direção (numa velocidade de 0,5 a 2,0 cm/s - mais rápidas
no intestino proximal e mais lenta no intestino terminal).
Além dos sinais nervosos (estimulação parassimpática vagal) que podem afetar a peristalse no intestino delgado, diversos hormônios também
afetam: gastrina, CCK, insulina, motilina e serotonina. Estes hormônios intensificam a motilidade do intestino delgado.
-Função da válvula Ileocecal-
A válvula ileocecal é uma invaginação da extremidade inferior do íleo no ceco. Sua principal função é evitar o refluxo de conteúdos fecais do
cólon para o intestino delgado. A válvula é fechada quando a pressão do intestino grosso aumenta e empurra os conteúdos contra sua abertura.
Acima dessa válvula, na parede do íleo, há uma musculatura circular espessa - esfíncter ileocecal - que permanece levemente contraído e retarda
o esvaziamento de conteúdos ileais no ceco. A resistência ao esvaziamento na válvula ileocecal prolonga a permanência do quimo no íleo e,
assim, facilita a absorção. O controle desse esfíncter ileocecal (intensidade da peristalse e grau de contração) é feito por reflexos no ceco (plexo
mientérico e gânglios simpáticos pré-vertebrais).
Intestino Grosso
Tem aproximadamente 1,5m de comprimento. Divide-se em ceco, cólon, reto e canal anal. Difere-se no intestino delgado em vários aspectos:
a) Não existem vilosidades na superfície da túnica mucosa;
b) No ceco, cólon e reto superior, as glândulas são mais profundas, mais densamente reunidas e contêm muitas células caliciformes;
c) A camada muscular longitudinal do ceco e do cólon forma três faixas denominadas tênias cólicas;
d) Muitos apêndices epiplóicos, ou bolsas do peritônio cheias de gordura, aparecem ao longo da borda livre do cólon;
Ceco - primeira porção do intestino grosso; ligado á sua base está o apêndice vermiforme (semelhante a um verme).
Cólon ascendente - estende-se para cima a partir do ceco até a superfície inferior do fígado;
Cólon transverso - cruza a cavidade abdominal da direita para a esquerda abaixo do estômago;
Cólon descendente - começa perto do baço, caminhando para baixo, do lado esquerdo do abdome, em direção à crista ilíaca, tornando-
se o cólon sigmóide ou cólon pélvico;
Reto - situado entre a superfície anterior do sacro e cóccix e termina no estreito canal anal. As glândulas intestinais encontram-se
ausentes no canal anal; o epitélio muda de cilíndrico para pavimentoso estratificado, o qual é contínuo com a epiderme no orifício anal. O
músculo liso circular no canal anal se espessa para formar o esfíncter anal. Feixes de músculo esquelético que circundam o canal formam o
esfíncter externo.
-Funções e Movimentos do Intestino Grosso-
As principais funções do cólon são (1)absorção de água e eletrólitos do quimo para formam fezes sólidas e (2)armazenamento de material fecal
até que este possa ser expelido. Embora mais lentos, os movimentos do intestino grosso podem ser divididos (como no intestino delgado) em:
a) Movimentos de mistura (Haustrações): Principal tipo de contração do cólon; semelhante às contrações segmentares do intestino
delgado.Uma característica marcante dessas contrações é a saliência dos segmentos entre os anéis contraídos em sacos chamados haustros,
como resultado da contração do músculo longitudinal ao mesmo tempo que o músculo circular se contrai.
b) Movimentos propulsivos (Movimentos de massa): Ocorrem normalmente apenas 1 a 3 vezes por dia. Caracteriza-se por ser
prolongada, durante 2 a 4 minutos, e tem o efeito de transferir rapidamente o conteúdo do cólon proximal para o cólon distal.
-Defecação-
O reto está normalmente vazio até próximo à defecação - a massa fecal é armazenada no cólon sigmóide (pélvico). O desejo de defecar aparece
quando as fezes são forçadas para o reto, aumentando a pressão retal. Ou seja, ocorre a distensão da parede retal e, consequentemente, sinais
aferentes se propagam pelo plexo mientérico para dar início as ondas peristálticas. A medida que a onda peristáltica se aproxima do ânus, o
esfíncter anal interno relaxa-se por sinais inibidores do plexo mientérico; se o esfíncter anal externo estiver relaxado conscientemente e
voluntariamente, a defecação ocorre.
Pâncreas
Glândula grande e lobulada que se assemelha em estrutura às glândulas salivares. Possui funções exócrina e endócrina, secretando
externamente através de um ducto e, internamente, para o sangue ou para a linfa, respectivamente. O suco pancreático é produto da função
exócrina do pâncreas. As secreções são coletadas pelo ducto pancreático principal e esvaziadas no duodeno. A secreção pancreática está sob
controle dos hormônios secretina (regulação do pH) e colecistoquinina-pancreozimina (CCK-PZ) (regulação da digestão), os quais são liberados
da mucosa duodenal e transportados para o pâncreas pelo sangue.
Fígado (hematopoiese, coagulação, fagocitose e desintoxicação)
O sangue é transportado para o fígado, vindo do trato digestivo, baço, pâncreas, via veia porta, e da aorta, via artéria hepática. A veia porta e a
artéria hepática penetram no fígado através de uma região chamada hilo hepático; tanto a artéria como a veia são acompanhadas pelos ductos
biliares e vasos linfáticos. A veia porta e a artéria hepática ramificam-se repetidamente, tornando o fígado um órgão altamente vascularizado.
O fígado é demarcado em 4 lobos. Os 2 lobos principais são o direito e o esquerdo, separados pelo ligamento falciforme. O lobo principal direito
é subdividido em um lobo direito propriamente dito, um lobo quadrado e um lobo caudado. As células hepáticas (hepatócitos) são arranjadas
sob a forma de lâminas hepáticas, em torno de uma veia central (parecido com uma esponja), entre elas existem as lacunas hepáticas (cavidades
comunicantes), que contém sinusóides ( as paredes dos sinusóides são revestidas de células de Kupffer - fagocitárias ). O sinusóides são
separados das células hepáticas pelo espaço de Disse. O sangue flui a partir das veias centrais, via veias interlobulares, para as veias hepáticas,
que desembocam na veia cava inferior.
BILE - Em relação a digestão, a principal função do fígado é a produção da bile. A bile consiste principalmente em água, sais de ácidos
biliares, pigmentos, sais inorgânicos, colesterol e fosfolipídios. Entre os hepatócitos estão os canalículos biliares, que formam uma rede por
onde a bile escoa para os ductos biliares da periferia dos lóbulos (através dos canais de Hering). Deixa o fígado através de dois ductos: ducto
hepático direito e esquerdo, que se juntam e formam o ducto hepático (comum ou próprio), esse se une ao canal cístico da vesícula biliar e
forma o colédoco, que desembocará no duodeno, levando a bile quando houver a contração da vesícula biliar. A bile é formada num volume
de 500 a 1.000ml por dia, e é concentrada pela vesícula biliar. Os constituintes mais importantes da bile são os ácidos biliares, os quais são
sintetizados no fígado a partir do colesterol e secretados como sais biliares conjugados. Os sais biliares combinam-se com os produtos finais da
digestão de lipídios para formar complexos solúveis em água, facilitando, assim, a absorção destes produtos digestivos pelo intestino delgado.
Outros constituintes da bile incluem: fosfolipídios, colesterol, sais inorgânicos e bilirrubina. A bile é secretada continuamente, porém a
secreção aumenta após as refeições (devido à ação estimuladora dos sais biliares reabsorvidos no intestino delgado para o sangue portal; o
hormônio duodenal secretina também aumenta a produção da bile).
O fígado também excreta outros compostos que são retirados do sangue para serem despejados no intestino, junto com a bile, com o intuito de
eliminá-los com as fezes. Entretanto, esses compostos podem ser reabsorvidos no intestino delgado e retornarem ao fígado pela veia porta e
posteriormente serem novamente excretados junto com a bile. A essa circulação entre intestino e fígado dá-se o nome de circulação
enteroepática. Tal circulação é importante na ressecreção dos sais biliares, que formam as micelas (agregados polimoleculares) junto com
compostos de monoglicerídeos, ácidos graxos e colesterol possibilitando a absorção lipídica. Quando o lipídeos presentes nas micelas são
absorvidos, os sais biliares são reutilizados para a formação de novas micelas, só que na parte inferior do íleo eles são absorvidos e retornam ao
fígado para serem liberados novamente.
-> O fígado ainda produz: (1)eritrócitos - no embrião e em alguns estados anormais;(2)protrombina;(3)fibrinogênio;
->O fígado ainda funciona: (1)na desintoxicação - troca de resíduos nitrogenados e amônia, em uréia, que é menos tóxica ; (2)na desativação de
drogas e na desintoxicação de várias substâncias químicas provenientes do meio ambiente: inseticidas, corantes e ingredientes alimentares;
(3)no armazenamento de glicogênios de vitaminas K,E,D,A, assim como B12, e certas outras vitaminas hidrossolúveis, e o metabolismo de
glicídios, lipídios e proteínas.
Vesícula Biliar
Estrutura sacular ligada à superfície inferior do fígado; serve como reservatório para a bile. O ducto cístico da vesícula biliar conecta-se ao
sistema de ductos do fígado para formar o ducto colédoco. A contração da vesícula biliar com expulsão da bile para o duodeno é estimulada por
um mecanismo hormonal. A presença de certos alimentos - particularmente gordura no duodeno - causa a liberação do hormônio
colecistoquinina-pancreozimina que alcança a vesícula biliar por via sanguínea e produz a contração.
DIGESTÃO
1. Secreção gástrica
As glândulas gástricas são tubulares de dois tipos:
(1) glândulas pilóricas e um pequeno número de glândulas cardíacas circundando a abertura do esôfago, nas quais predominam células
mucossecretoras.
(2) glândulas gástricas principais (ou glândulas fúndicas) localizadas por todo o corpo e fundo do estômago, contendo três principais tipos de
células - células principais, ou zimogênicas, que secretam pepsinogênio, células parietais ou oxínticas, que secretam ácido clorídrico, e células
mucossecretoras.
As células principais encontram-se localizadas principalmente na parte inferior (corpo ou base) dessas glândulas. As células mucossecretoras
revestem o colo. As células oxínticas encontram-se através das glândulas, porém são muito mais numerosas na região do colo. A secreção das
células epiteliais da superfície do estômago é mais espessa e mais viscosa, sendo responsável pela camada grossa e tenaz de muco que protege o
revestimento do estômago da acidez e da ação proteolítica do suco gástrico.
2. Secreção Pancreática
As enzimas do suco pancreático continuam a digestão do amido e de proteínas no intestino delgado. A maior parte da gordura de ingestão é
digerida pela lipase pancreática. A lipase intestinal contribui até certo ponto para a digestão de gorduras. O suco pancreático também contém
nucleases, que quebram os ácidos nucléicos em nucleotídeos; fosfolipase, que digere fosfolipídios e colesterol esterase, que hidrolisa ésteres de
colesterol (quebrando a longa cadeia da porção de ácidos graxos). As enzimas proteolíticas, tripsina, quimotripsina e carboxipeptidase são
secretadas como precursores inativos. O tripsinogênio é convertido a tripsina pela ação da enteroquinase (enzima secretada pelo intestino
delgado e pelo processo de auto-ativação). A tripsina converte o quimotripsinogênio e as procarboxipeptidases a suas formas ativas. A secreção
pancreática é regulada por mecanismos neuronal e hormonal. A estimulação vagal do pâncreas ocorre ao mesmo tempo que a fase cefálica da
secreção gástrica. O pâncreas exócrino contém dois tipos de células secretoras: células acinares (secretam enzimas) e células ductais
intralobulares (secretam água e bicarbonato). A secretina age nas células do ducto induzindo a secreção de água e bicarbonato. A estimulação
vagal e a colecistoquinina-pancreozimina induzem a secreção de enzimas por ativar as células acinares. O HCl é o estímulo mais eficaz para a
liberação da secretina.
Palpação superficial
Estudo da parede abdominal e das vísceras que podem alcançar a parede. Investiga-se:
a)sensibilidade: palpar de leve ou apenas roçar a parede abdominal com um objeto pontiagudo. Outras vezes, é necessário fazer uma certa
compressão.
-Pontos dolorosos-
Áreas na região abdominal que, ao despertarem sensação dolorosa com a compressão, podem indicar comprometimento do órgão ali projetado.
(1)Ponto xifoidiano: abaixo do apêndice xifóide; pode representar cólica biliar e afecções do estômago e duodeno;
(2)Ponto epigástrico: meio da linha xifoumbilical; processos inflamatórios do estômago;
(3)Ponto biliar ou cístico: situa-se no ângulo formado pela reborda costal direita e a borda externa do músculo reto abdominal. Ao se comprimir
este local, pede-se ao paciente que inspire profundamente, pois o diafragma abaixará o fígado e a vesícula biliar alcançará a extremidade do
dedo. O sinal de Murphy é uma dor inesperada que obriga o paciente a interromper subitamente a inspiração.
(4)Ponto apendicular: ou ponto de McBurney; extremidade dos dois terços da linha que une a espinha ilíaca ântero-superior direita ao umbigo; A
dor que ocorre à descompressão brusca constitui o sinal de Blumberg.
(5)Ponto esplênico: abaixo da reborda costal esquerda no início do seu terço externo; o infarto esplênico provoca dor nesse local.
(6)Pontos uretrais: borda lateral dos músculos retos abdominais em duas alturas: na interseção com uma linha horizontal que passa pelo umbigo
e no cruzamento da linha que passa pela espinha ilíaca ântero-superior; a palpação nesses pontos deve ser feita com as mãos superpostas, com a
polpa dos dedos indicador, médio, anular e mínimo.
b)resistência: é importante diferenciar a contração voluntária da involuntária;
c)continuidade: desloca-se a mão que palpa por toda a parede e , ao encontrar-se uma região de menor resistência, tenta-se insinuar uma ou
mais polpas digitais naquele local. Deste modo, é possível reconhecer diástases e hérnias;
d)pulsações: é importante investigar a localização e características táteis das pulsações.
e)reflexo cutâneo-abdominal
Palpação profunda
Investiga-se os órgãos contidos na cavidade abdominal e eventuais massas palpáveis; Nestes casos, é importante definir a localização, forma,
volume, consistência, sensibilidade, mobilidade e pulsatilidade.
*Em condições normais, NÃO se consegue distinguir o estômago, duodeno, intestino delgado, vias biliares e cólons ascendentes e descendentes.
Já o CECO, o TRANSVERSO e o SIGMÓIDE são facilmente palpáveis.
Palpação do fígado
O paciente deve estar em decúbito dorsal, relaxando tanto quanto possível a parede abdominal; consiste em palpar o hipocôndrio direito, flanco
direito e o epigástrico, indo do umbigo à reborda costal; durante a expiração, as mãos do examinador ajustam-se à parede abdominal sem fazer
compressão e sem se movimentar; durante a inspiração, a mão do examinador, ao mesmo tempo que comprime, movimenta-se para cima,
buscando detectar a borda hepática (Método de Lemos Torres).
Em outra técnica (Mão em pinça), coloca-se o paciente em decúbito semilateral esquerdo, enquanto o examinador se coloca ao seu lado direito,
voltado para os pés do paciente. A mão, cujos dedos formam uma leve garra, repousam sobre o hipocôndrio direito. À inspiração, quando o
órgão se desloca para baixo, procura-se reconhecer sua borda. Para a investigação da borda hepática, é necessário analisar: espessura,
superfície, consistência e a sensibilidade.
O examinador posiciona-se à direita do tórax do paciente com as costas voltadas para o rosto do paciente. A seguir tenta agarrar com os dedos
fletidos a borda anterior do fígado durante a inspiração profunda, como se estivesse procurando o fígado abaixo das costelas (no hipocôndrio
direito). Deve-se iniciar a garra desde a região umbilical para avaliar casos de expansão hepática.
Palpação da vesícula biliar
Normalmente, a vesícula NÃO é identificada à palpação; Entretanto, embora não seja palpável, é frequente o paciente acusar dor quando se
exerce compressão sob a reborda costal direita durante a inspiração. É o sinal de Murphy.
Palpação do baço
A mesma semiotécnica da palpação do fígado, só que agora no quadrante superior esquerdo. Não conseguindo palpar o baço em decúbito
dorsal, o paciente é posto na posição de Schuster. Esta posição consiste em decúbito lateral direito, estando o paciente com a perna direita
estendida e a coxa esquerda fletida sobre o abdome em um ângulo de 90°; ademais, o ombro esquerdo é elevado, colocando-se o braço
correspondente sobre a cabeça. Com o paciente nesta posição, faz-se a palpação: de início, o examinador posta-se diante do paciente, pousando
com alguma pressão sua mão esquerda sobre a área de projeção do baço como se quisesse deslocá-lo para baixo; durante a inspiração, o
examinador avança sua mão no rumo da reborda costal.
Palpação do ceco
Pode ser reconhecido com facilidade na fossa ilíaca direita. Efetua-se a palpação deslizando-se a mão palpadora ao longo de uma linha que une a
cicatriz umbilical à espinha ilíaca ântero-posterior. Investiga-se o grau de mobilidade do ceco, ruídos hidroaéreos (normal),
Palpação do cólon transverso
Desliza-se uma ou ambas as mãos, de cima para baixo e de baixo para cima do abdome. Sua localização é variável, sendo percebido geralmente
na região mesogástrica como uma corda de direção transversal, que rola sob os dedos do examinador.
Palpação do sigmóide
Situa-se no quadrante inferior esquerdo e assemelha-se a uma corda de consistência firme e pouco móvel. Se contiver fezes, sua consistência
varia de pastosa a pétrea.
Manobras especiais de palpação.
(1)Palpação bimanual para avaliar defesa localizada da parede abdominal: deve ser efetuada sempre que se suspeitar de maior resistência em
determinada área. O examinador coloca ambas as mãos longitudinal e paralelamente no sentido craniocaudal e, enquanto uma das mãos palpa a
região suspeita, a outra examina a região homóloga, com seguidos movimentos alternados (comparando a resistência).
(2)Manobra do rechaço: a palma da mão comprime a parede abdominal, e com a face ventral dos dedos e as polpas digitais provoca-se um
impulso rápido na parede. Existe rechaço quando, imediatamente após a impulsão, percebe-se um choque na mão que provocou o impulso. Isto
traduz a presença de algum órgão ou tumor sólido flutuando num meio líquido.
(3)Manobra da descompressão súbita: comprime-se vagarosamente e progressivamente um determinado local do abdome que durante a
palpação geral mostrou-se dolorido. Ao atingir certa compressão, cuja intensidade depende da tolerância do paciente, informa-se a ele que vai
retirar a mão abruptamente, cabendo-lhe dizer a alteração ocorrida quando à intensidade da dor. Constitui importante sinal de peritonite e é
classicamente chamado de sinal de Blumberg.
(4)Pesquisa de vascolejo: Prende-se o estômago com a mão direita, movimentando-o de um lado para o outro, ao mesmo tempo que se procura
ouvir ruídos hidroaéreos nele originados. Repousa-se a mão sobre a região epigástrica e executam-se rápidos movimentos compressivos com a
face ventral dos dedos e as polpas digitais, tendo-se o cuidado de não deslocar a palma da mão. Quando se ouvem ruídos de líquidos
sacolejando, diz-se que há vascolejo.
Percussão
O paciente deve estar em decúbito dorsal. A percussão tem como objetivo a determinação do limite superior do fígado, da área de macicez
hepática, a pesquisa de ascite e a avaliação da sonoridade do abdome. Podem ser encontrados os seguintes tipos de sons:
(1)Timpanismo: indica a presença de ar dentro de uma víscera oca.
(2)Hipertimpanismo: quando aumenta a quantidade de ar dentro da víscera oca.
(3)Submacicez: pouca quantidade de ar na víscera.
(4)Macicez: ausência de ar na víscera.
Ausculta
É importante que se realize a ausculta do abdome antes de se realizar a percussão e a palpação, pois estas podem estimular o peristaltismo e
encobrir uma hipoatividade dos ruídos hidroaéreos. No caso de diarréia e de oclusão intestinal, os ruídos hidroaéreos tornam-se mais intensos
em função do aumento do peristaltismo e são denominados borborigmos. Quando se ouve silêncio abdominal, é necessário pensar em íleo.
(1)Ruídos hidroaéreos
(2)Burburinhos: som de gases e líquido passando por dobras intestinais
(3)Peristaltismo da luta: obstrução
(4)Íleo paralítico:silêncio abdominal
Hormônios
Os hormônios são substâncias bioquímicas ativas que apresentam ritmos de secreção e quantidades fisiológicas, com padrão de secreção
pulsátil, diurno, cíclico, dependente da presença de substâncias circulantes. Eles operam obedecendo a sistemas de controle de
retroalimentação (mecanismo de feedback) afetando apenas as células que apresentam os seus receptores específicos. São inativados pelo
fígado, que os torna mais solúveis para excreção renal. Os hormônios são liberados em resposta a alterações no meio ambiente celular ou no
intuito de manter regulada a concentração de determinadas substâncias ou outros hormônios. A sua secreção é regulada por fatores
químicos, humorais, hormonais ou neurais.
Estrutura química dos hormônios
(1)Proteínas e polipeptídios (insulina, glucagon, paratormônio)
Maioria dos hormônios do corpo; variam em tamanho. Os hormônios protéicos e peptídicos são produzidos na extremidade rugosa do retículo
endoplasmático das diferentes células endócrinas, da mesma maneira que são produzidas as outras proteínas. Primeiramente são produzidas
proteínas maiores (pré-pró-hormônios) e diferenciadas para formar proteínas menores (pró-hormônios) no retículo endoplasmático. Estes são
armazenados no complexo de Golgi, dentro de vesículas secretoras, onde enzimas vão agir ativando os pró-hormônios. Os hormônios são
secretados quando as vesículas secretoras se fundem com a membrana celular, expelindo, por exocitose, o conteúdo para o líquido intersticial
ou diretamente na corrente sanguínea.
(2)Esteroides (cortisol, aldosterona, estrogênio, progesterona, testosterona)
Na maioria dos casos, são sintetizados a partir do colesterol (que pode vir do plasma celular ou até mesmo fabricado dentro da célula). Como
são lipossolúveis, uma vez sintetizados, se difundem através da membrana celular e entram no líquido intersticial e depois no sangue.
(3)Derivados do aminoácido tirosina (tiroxina, triiiodotironina, epinefrina, norepinefrina)
São os hormônios da tireóide e da medula adrenal. Os da tireóide são sintetizados e armazenados na tireóide. A secreção hormonal ocorre
quando as aminas são separadas da tireoglobulina e os hormônios livre são então liberados na corrente sanguínea. As catecolaminas ocupam
as vesículas pré-formadas e são armazenadas até serem secretadas. Também são secretadas por exocitose.
Transporte Hormonal
Os hormônios são liberados no sistema circulatório pelas glândulas endócrinas. Os hormônios hidrossolúveis (peptídeos e catecolaminas)
circulam livres, na forma não-ligada à proteínas plasmáticas. Já os hormônios lipossolúveis (esteróides e da tireóide) circulam
fundamentalmente ligados a uma proteína plasmática – proteína transportadora. Esta proteína pode ser a albumina, mas quase sempre é uma
glicoproteína da classe das globulinas, específica para a classe do hormônio: globulina transportadora de hormônios sexuais, globulina
transportadora de testosterona.
Controle por FEEDBACK
1. Feedback Negativo: impede a hiperatividade dos sistemas hormonais, pois o hormônio secretado (ou um de seus produtos) impede a
hipersecreção do hormônio ou a hiperatividade do tecido-alvo.
2. Feedback Positivo: a ação biológica de um hormônio aumenta a secreção deste. Surtos de secreção hormonal podem ocorrer com o
feedback positivo.
Mecanismo celular da ação hormonal
O mecanismo de ação celular dos hormônios consiste, basicamente, em duas etapas: (1) reconhecimento por
uma proteína receptora (ou receptores hormonais, cuja conformação espacial deve ser compatível com a estrutura conformacional do
hormônio) localizada na membrana plasmática ou no compartimento intracelular da célula alvo e, em seguida, (2) ativação ou inibição celular, a
depender da natureza do hormônio.
Dependendo da natureza do hormônio, temos os seguintes mecanismos de ação:
1. Hormônios hidrofílicos: apresentam alto peso molecular e não atravessam a membrana plasmática. Por este motivo, são chamados
de primeiro mensageiro e participam de um mecanismo de transdução de sinal intracelular. Desta forma, estes hormônios produzem, no
interior da célula, por meio de um evento bioquímico coordenado, moléculas chamadas de segundo mensageiro que realizam uma grande
amplificação do sinal inicial. Os principais segundos mensageiros são: monofosfato de adenosina cíclico (AMPc), IP3, Cálcio, Diacilglicerol
(DAG).
2. Hormônios hidrofóbicos: atravessam a membrana plasmática e ligam-se aos receptores citosólicos ou nucleares. Estes hormônios
apresentam baixa solubilidade em água e são transportados no sangue por proteínas plasmáticas. Eles atravessam a membrana
plasmática e ligam-se aos receptores intracelulares. O complexo hormônio-receptor liga-se a sequências específicas no DNA, chamadas de
elementos responsivos aos hormônios que induzem uma modificação da expressão gênica, por ativarem/inibirem RNA polimerase e/ou a
maquinaria celular de transcrição e tradução do DNA. Os hormônios esteroidais seguem este padrão.
Localização para os diferentes tipos de receptores de hormônios
1. Dentro da membrana celular ou em sua superfície: os receptores da membrana são específicos principalmente para os hormônios
protéicos, peptídicos e catecolamínicos.
2. No citoplasma celular: os receptores primários para os diferentes hormônios esteróides são encontrados principalmente no
citoplasma.
3. No núcleo da célula: os receptores para os hormônios da tireóide são encontrados no núcleo e acredita-se que estejam localizados em
associação direta com um ou mais dos cromossomos.
Eixo Hipotálamo-Hipofisário-Glândula endócrina
O eixo hipotálamo-hipofisário-glândula endócrina é o principal eixo de regulação hormonal do organismo humano
devido à variedade de respostas fisiológicas que controla. Este eixo é composto por núcleos hipotalâmicos produtores e secretores de hormônios
que atuam na hipófise, levando a estimulação da liberação de hormônios que irão atuar nas diversas glândulas endócrinas distribuídas no
organismo.
O hipotálamo controla a secreção hipofisária
O hipotálamo endócrino é constituído por núcleos de neurônios especializados em secretar hormônios peptídicos através dos tratos
hipotálamo-hipofisário e túbero-infundibular. Estes neurônios vão induzir a secreção de vesículas contendo os hormônios. As secreções
hipotalâmicas são hormônios estimuladores ou inibidores da hipófise anterior (andenohipófise) ou hormônios que são armazenados na
hipófise posterior (neurohipófise) para que, só depois, sejam secretados por esta glândula. Os dois tratos que comunicam o hipotálamo
endócrino aos dois lobos da hipófise são:
Trato túbero-infundibular: fibras que se originam nos núcleos peri e paraventriculares e terminam em regiões do hipotálamo
chamadas de eminência mediana e haste infundibular, onde vários hormônios são secretados diretamente no sistema porta-hipotálamo-
hipofisário (sistema vascular especializado que conecta essas regiões à adenohipófise). São hormônios secretados por esta via: GRH, TSH,
ACTH, etc.
Trato hipotálamo-hipofisário: fibras que se originam no núcleos supra-óptico e paraventricular e terminam na neurohipófise. As
células do núcleo supra-óptico produzem o hormônio anti-diurético (ADH), enquanto que as células do núcleo paraventricular produzem a
oxitocina.
o A secreção efetuada pela neurohipófise é controlada por sinais neurais que têm origem no hipotálamo.
o A secreção da adenohipófise é controlada por hormônios chamados de hormônios (ou fatores) hipotalâmicos
liberadores ou inibidores, secretados dentro do próprio hipotálamo e que são então levados para a região anterior
da hipófise através de vasos sanguíneos minúsculos chamados de vasos portais-hipotalâmicos-hipofisários.
HIPÓFISE
1. Neurohipófise (Glândula hipófise posterior)
Não produz hormônios, mas funciona como armazenamento dos hormônios ADH e ocitocina.
Hormônio Antidiurético (ADH) Ocitocina
Ou vasopressina. Reduz o volume e aumenta a Influencia a liberação de leite pelas células glandulares.
concentração de urina, pois aumenta a capacidade de Isso é realizado pela contração das células mioepiteliais
reabsorção da água pelos túbulos distais dos rins. A nos alvéolos das glândulas mamárias (sucção do bebê). Os
velocidade de ADH liberada pela neurohipófise é regida impulsos da mama são transmitidos aos núcleos
pela concentração do plasma (detectada por hipotalâmicos, que desencadeiam a liberação da ocitocina
osmorreceptores no núcleo supra-óptico) e do volume da neurohipófise.
sanguíneo (detectado pelos receptores de pressão baixa Também estimula a contração do útero na hora do parto.
no átrio esquerdo).
2. Adenohipófise (Glândula hipófise anterior)
Todos os hormônios da adenohipófise são proteínas. Os principais tipos de células que compõem o lobo anterior da hipófise são:
(1)Cromófilas: são subdivididas em basófilas (produzem TSH, FSH e LH) e acidófilas (produzem somatotropina e prolactina).
(2)Cromófobas: produzem ACTH.
Hormônio Estimulante da Tireotropina; Regula o tamanho e função da tireóide. Os níveis sanguíneos de
Tireóide(TSH) tireoxina e triiodotironina são regulados por um mecanismo de feedback negativo.
Hormônio folículo-estimulante Estimula o crescimento do folículo ovariano nas mulheres, e da espermatogênese
(FSH) (que também depende de testosterona), nos homens.
Chamado Hormônio estimulante da célula intersticial (ICSH). Controla a produção
Hormônio Luteinizante (LH) testicular da testosterona. Na mulher, atua com o FSH para promover a maturação
do folículo ovariano.
Acelera o crescimento, aumentando o tamanho de todos os órgãos e promovendo o
Hormônio do crescimento crescimento ósseo antes do fechamento das epífises. Ele aumenta a formação
(Somatotropina) protéica, diminui a utilização de glicídios e aumenta a mobilização das gorduras
(ácidos graxos) para a energia de uso.
Prolactina Contribui para o desenvolvimento das glândulas mamárias e estimula a síntese do
leite.
Hormônio Regula o crescimento e a função das zonas média (zona fasciculada) e interna (zona
Adrenocorticotrópico (ACTH) reticular) do córtex supra-renal, as regiões que sintetizam e secretam o cortisol e os
hormônios esteróides similares.
TIREÓIDE
É composta por 2 lobos que se dispõem de cada lado da traqueia e são conectados na linha média por um delgado istmo. Ela é encapsulada por 2
camadas de tecido conjuntivo - a externa, contínua com a fáscia cervical, e a interna, intimamente aderente à superfície da própria glândula. O
suprimento arterial é realizado pelas artérias tireóideas superiores e inferiores. A drenagem venosa é feita pelas veias tireóideas superior,
média e inferior. O nervo laríngeo superior se relaciona com a A. tireóide superior e o nervo laríngeo recorrente (responsável por inervar a
maioria dos músculos laríngeos da fonação, o que explica a rouquidão apresentada por pacientes com tireóide aumentada) passa rente à A.
tireóide inferior.
-HISTOLOGIA- A unidade funcional da tireóide é o folículo tireoidiano: células epiteliais cubóides (epitélio folicular) que envolvem um
lúmen preenchido por um colóide (região de armazenamento da grande glicoproteína tireoglobulina (TGB)). Os folículos ativos são cilíndricos
e responsáveis pela síntese dos hormônios tireoidianos. As células parafoliculares (células C) são células do folículo tireoidiano que não
participam da produção da tireoglobulina, mas secretam calcitonina em resposta aos altos níveis de cálcio ionizado no soro.
-FISIOLOGIA- A função primária da tireóide é a produção e secreção dos hormônios tireoidianos. A produção dos hormônios tireoidianos pela
glândula normal é regulada pelo hormônio pituitário TSH. A síntese dos hormônios tireoidianos envolve as seguintes etapas:
(1)Captação pelas células da tireóide de iodo como iodeto de sódio e de potássio do sangue - "Bomba tireóidea".
(2)Oxidação do iodo para formar o "iodo ativo".
(3)Combinação do "iodo ativo" com o aminoácido tireosina para formar monoiodotireosina (MIT) e diiodotireosina (DIT). Isto acontece sobre a
membrana celular na interface colóide-célula.
(4) T3 é então formada pela combinação de duas moléculas de DIT.
Para serem liberados da glândula, os hormônios devem ser separados da tireoglobina por uma enzima proteolítica. Isto ocorre nas
células da tireóide, seguindo a pinocitose do colóide e a fusão das vesículas contendo colóide com os lisossomas. O TSH promove a captação de
iodo e todas as etapas na síntese e liberação dos hormônios da tireóide. Seguindo suas secreções, a tireoxina e T 3 são transportados no sangue,
em sua maioria ligados às proteínas.
-AÇÃO DOS HORMÔNIOS DA TIREÓIDE- Em geral, os hormônios da tireóide promovem o crescimento e a diferenciação, e aumentam o
metabolismo oxidativo. Na ausência dos hormônios da tireóide, o hormônio do crescimento não é secretado normalmente e não tem suas ações
promotoras de crescimento normais. Os hormônios da tireóide são especificamente necessários para o desenvolvimento normal do sistema
nervoso central. Os hormônios da tireóide também aumentam o catabolismo do colesterol.
Os hormônios T3 e T4 atuam como hormônios hidrofóbicos, ligando-se a um receptor de membrana e
estimulando este a gerar sinais que façam com que o núcleo da célula produza mais RNAm. Estes
hormônios (em especial o T3) são responsáveis por aumentar o metabolismo basal. Quando a
célula é estimulada pelo T3, que é o hormônio bioativo, na realidade, ela é induzida a
aumentar seu metabolismo: duplica o número de mitocôndrias, aumentam a expressão da
T3 e T4 Na+/K+ ATPase, estimulam a lipólise e o catabolismo dos carboidratos, aumenta a expressão dos
receptores β1 adrenérgicos (que realizam um efeito inotrópico e cronotrópico positivo). As ações
dos hormônios tireoidianos, de um modo geral, são: (1)Aumento do número de mitocôndrias;
+ +
(2)Aumento da expressão da Na /K ATPase; (3)Aumento dos receptores beta-adrenérgicos no
coração; (4)Aumento do metabolismo basal; (5)Aumento da lipólise; (6)Aumento da captação de
glicose pelos tecidos; (7)Aumento da proteólise
É sintetizado pelas células parafoliculares ou c. da tireóide. O cálcio sanguíneo elevado estimula
Calcitonina sua liberação. Atua retirando o cálcio do sangue, inibindo a reabsorção óssea e a liberação do
cálcio.
PARATIREÓIDES
São estruturas amareladas ou avermelhadas, de forma oval e achatada, normalmente em número de 4, que estão localizadas na região posterior
da tireóide. Apresenta 2 tipos de células epiteliais:
(1)Principal: mais numerosas; produz o hormônio paratireoidiano.
(2)Oxífila: função desconhecida
Sua função está relacionada à regulação homeostática e concentração iônica de cálcio. Baixa
Paratormônio concentração de cálcio sanguíneo aumenta a secreção deste hormônio que agirá aumentando
essa concentração (aumentando a reabsorção óssea, aumentando a absorção de cálcio pelo
intestino)
GLÂNDULAS SUPRA-RENAIS
A medula supra-renal é composta de massas irregulares de células separadas por vasos sinusóides. Os hormônios são liberados por estimulação
das terminações nervosas pré-ganglionares. Cada glândula é composta por duas regiões histologicamente distintas: o córtex e a medula.
*Córtex: parte externa na glândula; possui grande quantidade de colesterol, usado na síntese de hormônios esteróides. Subdivide-se em três
regiões:
(1)zona glomerulosa (produz aldosterona, desoxicorticosterona e corticosterona)
(2)zona fasciculada (produtora de cortisol)
(3)zona reticulada (produz estrógenos e andrógenos)
Três tipos de substâncias são secretadas pelo córtex:
1. Mineralocorticóides: representados principalmente pela aldosterona. Influenciam a excreção de urinária de sódio e potássio.
2. Glicocorticóides: representados principalmente pelo cortisol (hidrocortisona). Função metabólica; atividade antiinflamatória e
antialérgica. Em alta concentração têm as seguintes ações: (1) estabilização das enzimas lisossomais, (2)depressão da ação vasodilatadora da
histamina, (3)redução da permeabilidade capilar, (4) diminuição da migração dos fagócitos e (5) atrofia de todos os tecidos linfóides
3. Hormônios sexuais: androgênio e estrogênio (em pouca quantidade).
*Medula: porção mais interna; suas células cromafins, por estímulo de uma longa fibra pré-ganglionar, secretam na corrente sanguínea
catecolaminas -adrenalina e noradrenalina(na proporção de 20%noradrenalina e 80%adrenalina, e ainda uma pequena quantidade de
dopamina).
Aldosterona Mineralocorticóide; Retenção de sódio; Regulação do metabolismo hidreletrolítico; Aumenta a
reabsorção renal de sódio e consequentemente de água.
Glicocorticóide; Metabolismo da glicose, proteínas e lipídios; Eleva os açúcares sanguíneos;
Cortisol Formado na zona fascicular. Diminuem a produção celular e a incorporação dos aminoácidos em
proteínas nos músculo esquelético; Aumentam a captação e utilização de aminoácidos no fígado;
Aumenta a gliconeogênese no fígago;
Adrenalina Estimulador cardíaco; Estimulação da quebra do glicogênio no fígado e no músculo esquelético;
Estimula a gliconeogênese no fígado. Aumenta a mobilização dos ácidos graxos de seus depósitos.
Noradrenalina Vasoconstrictor; Estimulação da quebra do glicogênio no fígado e no músculo esquelético;
Estimula a gliconeogênese no fígado. Aumenta a mobilização dos ácidos graxos de seus depósitos.
ILHOTAS PANCREÁTICAS
As ilhotas de Langerhans estão distribuídas por todo o pâncreas. Elas produzem dois hormônios polipeptídios: a insulina e glucagon. As ilhotas
possuem 3 tipos celulares:
(1)alfa: produz glucagon
(2)beta: produz insulina
(3)delta: produz somatostatina, que tem a propriedade de inibir a secreção de insulina e glucagon
51 aminoácidos arranjados em duas cadeias polipeptídicas ligadas por duas pontes dissulfeto.
Aumenta a utilização e diminui a produção de glicose. Aumenta a reserva e diminui e mobilização
Insulina e oxidação de ácidos graxos. Aumenta a formação de proteínas (aumentando a captação celular
de aminoácidos e a síntese de proteínas dos aminoácidos). Aumento da captação de glicose em
muitos tecidos não hepáticos especialmente o músculo esquelético e tecido adiposo.
Glucagon Cadeia polipeptídica estreita consistindo de 29 aminoácidos. Aumenta a gliconeogênese e a
glicogenólise no fígado e a lipólise no tecido adiposo. Aumenta a glicose sanguínea.
OVÁRIOS
Duas pequenas glândulas localizadas na região pélvica do abdome feminino. A camada externa do ovário consiste em um epitélio especializado
que produz os óvulos. Dois tipos de hormônios são secretados pelos ovários: estrogênio e progesterona.
Estrogênio Secretados pelo folículo ovariano em desenvolvimento e mais tarde pelo corpo lúteo. Durante a
gravidez, são secretados pela placenta. Crescimento do útero e da vagina, na puberdade.
Desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários; Recuperação do endométrio após a
menstruação.
Progesterona Secretada pelo corpo lúteo e placenta. Converte o endométrio uterino parcialmente espessado
em uma estrutura secretora especializada para o processo de implantação. Desenvolvimento das
células secretoras de leite das glândulas mamárias.
TESTÍCULOS
Pequenas glândulas ovóides suspensas na região inguinal pelo funículo espermático, circundadas e suportadas pelo escroto. São encontrados na
substância testicular túbulos contendo o epitélio germinativo que funciona na formação de espermatozóides, e as células intersticiais de Leydig,
que produzem a testosterona.
Testosterona Responsável pela diferenciação sexual durante o desenvolvimento embrionário. Aparecimento
dos caracteres sexuais secundários. Anabolismo de proteínas por todo o corpo. Aumenta a
formação dos eritrócitos, acelera a deposição de matriz óssea, aumenta a retenção de sódio e
água pelos rins.
PLACENTA
A placenta foi reconhecida como um órgão endócrino quando foi notado que os ovários da mulher grávida poderiam ser removidos após 3 ou 4
meses de gestação sem haver o término da gravidez. São secretados pela placenta: o HCG (gonadotropina coriônica humana), estrogênio,
progesterona e lactogênio. O HCG mantém o corpo lúteo do ovário intacto e secreta progesterona e estrogênio. E o lactogênio tem atividade
prolactina e aparece para induzir uma série de mudanças metabólicas (lipólise acelerada, gliconeogênese aumentada e diminuição da captação
de glicose).
-Fisiologia-
Espermatogênese
Produção de espermatozóides que ocorre nos túbulos seminíferos quando a maturidade sexual é atingida. No período embrionário, células
germinativas primordiais sofrem mitose e algumas se diferenciam em espermatogônias. Estas, por sua vez, multiplicam-se e entram num período
de crescimento. Após o nascimento, por toda a infância, elas permanecem num estado relativamente inativo. Na época de maturidade sexual (12
a 15 anos), elas se tornam novamente ativas - início da espermatogênese. Pode ser dividida em três etapas:
(1)Formação dos espermatócitos primários a partir da espermatogônia;
(2)Divisão meiótica dos espermatócitos, produzindo as espermátides haplóides;
(3)Diferenciação das espermátides em espermatozóides;
A espermatogônia sofre divisão mitótica para dar origem a dois tipos de células: uma representa uma espécie de reserva da espermatogônia e a
outra é a "verdadeira" espermatogônia. Esta continua se dividindo, dando origem, por aumento e outras alterações morfológicas, a
espermatócitos primários (2n). Eles irão sofrer meiose, e, na primeira divisão meiótica (divisão redutora), cada espermatócito primário produz
duas células chamadas espermatócitos secundários (n). Então, na segunda divisão meiótica, cada espermatócito secundário formará duas
espermátides (n). As espermátides, gradualmente, transformam-se em espermatozóides. Durante essa transformação, as espermátides
permanecem ligadas às células de Sertoli, que as suprem de nutrientes e outras substâncias necessárias para fazer a diferenciação.
São necessárias cerca de 10 a 11 semanas para a formação dos espermatozóides altamente especializados a partir da espermatogônia primitiva.
Os espermatozóides liberados das células de Sertoli ainda estão funcionalmente imaturos, isto é, eles são imóveis. Adquirem mobilidade e
habilidade para fertilizar durante a passagem pelo epidídimo, num processo de maturação. A fase inicial da maturação,chamada capacitação,
ocorre a ativação das enzimas acrossomiais.
*Durante a ejaculação, os espermatozóides são transportados para a uretra através das contrações musculares do ducto deferente e cauda do
epidídimo. As secreções das vesículas seminais e da próstata são também lançados na uretra nesse espaço de tempo; estas secreções e aquelas
das glândulas bulbouretrais, juntamente com os espermatozóides formam o sêmen. O acúmulo de sêmen na uretra encerra o primeiro estágio de
ejaculação e dispara o segundo - propulsão do sêmen através da uretra devido as contrações dos músculos esqueléticos que circundam a base do
pênis, para depositá-lo na vagina, próximo a cérvix, durante o coito.
*Contagem de espermas: Para uma fertilização normal, é necessário mais de 20 milhões de espermatozóides por ml, numa ejaculação de 3 a 5
mL.
Espermatozóide: Consiste de uma cabeça oval contendo um núcleo, uma peça média (que contém numerosas mitocôndrias), ou corpo,
de citoplasma e uma cauda longa que auxilia na sua mobilidade. A cabeça é coberta por uma estrutura chamada acrossomo, originário do
aparelho de Golgi, que contém enzimas digestivas usadas, entre outras coisas, para auxiliar na penetração no óvulo.
Ovogênese
Desenvolvimento do óvulo que ocorre no ovário. As células germinativas, assim como no homem, também derivam do epitélio germinativo no
embrião. Elas multiplicam-se e formam os óvulos primitivos ou oogônias. As oogônias sofrem mitose e dão origem a duas células-filhas diplóides
(2n). Essas células-filhas, ao fim da mitose, entram em um período de crescimento e são chamadas de ovócitos primários (2n).
*Todos os óvulos produzidos pela mulher durante a vida reprodutora são originados dos ovócitos primários já presentes ao nascimento, nos
ovários.
Quando a maturidade sexual é alcançada, ocorre a primeira divisão meiótica dos ovócitos primários, dando origem a um ovócito secundário
(grande e funcional) e um corpúsculo polar (pequeno e não funcional). Este último pode logo sofrer degeneração ou sofrer divisão formando
duas células desprovidas de função. Durante a segunda divisão da meiose, o ovócito secundário dará origem a um óvulo maduro e um outro
corpúsculo polar. Assim, a partir de cada ovócito primário, apenas um óvulo maduro é produzido. O óvulo maduro é grande em comparação
como espermatozóide e não é móvel. O núcleo do óvulo é circundado pelo citoplasma com uma pequena quantidade de material nutritivo sob a
forma de grânulos de vitelo.
Maturação folicular e ovulação
Cada ovócito primário é circundado por uma camada simples de células originadas do epitélio germinativo.
*Um ovócito primário (na prófase I da meiose) + uma camada circunjacente de células (chamadas células granulosas ) = folículo primário.
*Cerca de 400.000 folículos primários estão presentes nos ovários quando o período reprodutor da mulher começa.
Durante um ciclo menstrual, um grupo de folículos sofre crescimento e desenvolvimento, porém apenas um alcança a maturidade e ovula; todos
os outros se degeneram (um processo chamado atresia, formando o que são chamados folículos atrésicos). O crescimento de um folículo é
caracterizado por:
(1)Proliferação das células granulosas;
(2)Formação da cápsula de tecido conjuntivo do estroma ovariano ao redor do folículo;
(3)Conclusão da segunda divisão meiótica, interrompida na metáfase, com a formação de um ovócito secundário;
(4)Expulsão do primeiro corpúsculo polar;
Quando o folículo se desenvolve, uma cavidade, ou antro, preenchida com um líquido (líquido folicular) separa a massa de células granulosas. O
ovócito é comprimido a um lado e passa a ser chamado de folículo vesicular, ao mesmo tempo, é separado das células da camada circunjacente
por uma membrana transparente conhecida como zona pelúcida. O grupo de células circundando o ovócito (cumulus oophorus) projeta-se no
antro. O folículo torna-se distendido por um acúmulo de líquido contido e move-se para fora, à superfície do ovário. Uma vez por mês,
normalmente em média no 28° dia do ciclo menstrual, ocorre o processo de ovulação, que é iniciada devido a elevação gradual da liberação de
LH pela adenohipófise. O folículo maduro se rompe e o óvulo (ovócito secundário), circundado por um anel de células granulosas chamado coroa
radiada, ovula lentamente para fora da superfície ovariana numa corrente de líquido folicular. O rompimento do folículo NÃO é causado pelo
aumento da pressão intrafolicular surgido do acúmulo de líquido dentro do antro (até porque, na realidade, há uma queda de pressão
intrafolicular antes do rompimento), mas sim pelo aumento da distensibilidade e redução na força do rompimento da parede folicular. Isto
ocorre porque o LH (com AMP cíclico agindo como um mensageiro secundário) estimula a secreção da progesterona pelo tecido folicular. A
progesterona induz a produção de uma enzima (colagenase) que enfraquece o arcabouço da teca externa.
Ocorrida a ovulação, há hemorragia mínima no folículo rompido, formando um coágulo sanguíneo - o corpo hemorrágico. Logo após, as células
que revestem o folículo se alteram e criam uma massa conhecida como corpo lúteo. O corpo lúteo secreta grandes quantidades de progesterona
e menores quantidades de estrogênio. Se a fertilização ocorre, o corpo lúteo continua a funcionar até cerca do 3° mês da gravidez (quando a
placenta lhe substitui). Se a fertilização não ocorre, o corpo lúteo degenera-se e ocorre a menstruação.
Fertilização
Depois de ser ejetado do ovário, o ovócito secundário vai para o útero (o que dura de 6 a 8 dias). O ovócito não possui qualquer meio de
locomoção e deve ser transportado através da tuba uterina, por contrações peristálticas da musculatura lisa e pela atividade dos cílios presentes
na tuba. A fertilização ocorre, normalmente, quando o óvulo já desceu cerca de um terço do caminho da tuba. Os espermatozóides alcançam
este ponto 5 minutos após o coito. O óvulo, no momento em que os espermatozóides o alcançam, libera enzimas acrossomiais, incluindo a
hialuronidase, que auxilia na dispersão da coroa radiada, e uma enzima proteolítica utilizada na penetração da zona pelúcida. Normalmente
apenas um espermatozóide entra no óvulo. Logo após a penetração, o espermatozóide perde sua cauda e um material cromossômico forma o
pronúcleo masculino. No mesmo instante, o óvulo torna-se impenetrável a outros espermatozóides. A presença do pronúcleo induz o ovócito
secundário a proceder à segunda divisão meiótica e ele libera o segundo corpo polar. A união dos pronúcleos masculino e feminino forma o
zigoto (2n), restaurando o número 46 de cromossomos. Este zigoto começa, então, sua primeira divisão de clivagem no processo do
desenvolvimento.
Ciclo menstrual
Começa na puberdade e continua até a menopausa, aproximadamente 40 anos mais tarde. Normalmente, o ciclo tem duração de 28 dias, mas
pode variar de 33 a 35 dias. O ciclo menstrual é dividido em fases:
(1)Fase menstrual - vai do 1° a cerca do 5° dia do ciclo. A menstruação ocorre quando a expectativa de implantação do blastocisto, que ocorre
após a fertilização, não é realizada. O revestimento endometrial é destruído e reconstruído para a próxima possível implantação. Quando o ovo
não é fertilizado, o corpo lúteo regride; a subsequente queda nos níveis sanguíneos de progesterona e estrogênio é seguida pela desintegração
do endométrio uterino. Isto é precedido por uma contrição intermitente das artérias envolvidas, que causa a anoxia e resulta no enrugamento
da camada superficial do endométrio. O tecido necrótico é derramado, seguindo a ruptura de vasos superficiais.
(2)Fase proliferativa - caracterizada pela estimulação do estrogênio; começa em torno do 5° dia do ciclo e estende-se até a ovulação ( a qual
ocorre normalmente ao ponto médio do ciclo - 14 dias antes do início da menstruação). À medida que a secreção de estrogênio aumenta, o
endométrio se espessa. Há um rápido crescimento de glândulas e de tecido conjuntivo de suporte (estroma). As artérias espiraladas crescem em
todo ele, menos no terço superficial do tecido de regeneração. O processo ovulatório é iniciado por uma rápida elevação na secreção do
hormônio luteinizante. Uma elevação característica da temperatura basal do corpo ocorre em um dia ou logo após a ovulação, e permanece alta
até o início do próximo período menstrual. A presença de progesterona explica esse aumento de temperatura.
(3)Fase secretora - os níveis de progesterona elevam-se; há um aumento de níveis de estrogênio, ainda que menor. O endométrio diferencia-se
em um tipo de tecido secretor capaz de preencher os requisitos para a implantação do embrião. As glândulas hipertrofiam-se e tomam uma
aparência tortuosa e enovelada (espessando o endométrio). As artérias espiraladas crescem até quase a superfície do endométrio. Se a
implantação não ocorre, a ativação funcional do corpo lúteo diminui, alterações degenerativas começam e a fase menstrual começa novamente.
*Caso ocorra fecundação, a gonadotropina coriônica humana manterá o corpo lúteo intacto. Consequentemente, a secreção de progesterona e
de estrogênio não é interrompida e a menstruação não ocorre.
Inter-Relações Hormonais Durante o Ciclo Menstrual
O ciclo menstrual na mulher é causado pela secreção alternada dos hormônios folículo-estimulante e luteinizante, pela hipófise anterior
(adenohipófise), e dos estrogênios e progesterona, pelos ovários.
1. No começo do ciclo menstrual, isto é, quando a menstruação se inicia, a adenohipófise secreta maiores quantidades de hormônio FSH
juntamente com pequenas quantidades de LH. Juntos, esses hormônios promovem o crescimento de diversos folículos nos ovários. Esses
folículos secretam uma quantidade considerável de estrogênio.
2. Acredita-se que o estrogênio tenha, então, dois efeitos sequenciais sobre a secreção da adenohipófise. Primeiro, inibiria a secreção dos
hormônios FSH e LH, fazendo com que suas taxas declinassem a um mínimo por volta do 10° dia do ciclo. Depois, subitamente a adenohipófise
começaria a secretar quantidades muito elevadas de ambos os hormônios mas principalmente do LH. É essa fase de aumento súbito da secreção
que provoca o rápido desenvolvimento final de um dos folículos ovarianos e a sua ruptura dentro de cerca de dois dias.
3. O processo de ovulação, que ocorre por volta do 14° dia de um ciclo normal de 28 dias, conduz ao desenvolvimento do corpo lúteo ou corpo
amarelo, que secreta quantidades elevadas de progesterona e quantidades consideráveis de estrogênio.
4. O estrogênio e a progesterona secretados pelo corpo lúteo inibem novamente a adenohipófise, diminuindo a taxa de secreção dos hormônios
folículo-estimulante e luteinizante. Sem esses hormônios para estimulá-lo, o corpo lúteo involui, de modo que a secreção de estrogênio e
progesterona cai para níveis muito baixos. É nesse momento que a menstruação se inicia, provocada por esse súbito declínio na secreção de
ambos os hormônios.
5. Nessa ocasião, a adenohipófise, que estava inibida pelo estrogênio e pela progesterona, começa a secretar outra vez grandes quantidades de
hormônio FSH, iniciando um novo ciclo. Esse processo continua durante toda a vida reprodutiva da mulher.
________________________________________________________________________________FISIOLOGIA RENAL
ATENÇÃO!!!!
ESSE É O ÚNICO ARRANJO DO CORPO QUE UM LEITO CAPILAR É DRENADO POR UMA ARTERÍOLA E NÃO POR UMA
VÊNULA.
Reabsorção de Àgua e Sal
A maior parte da água e do sal filtrados no sangue retorna ao mesmo atráves da parede do túbulo contornado
proximal. A reabsorção da água ocorre pela osmose, em que a água acompanha o transporte de NaCl do túbulo para o
interior dos capilares circundantes. A maior parte da água remanescente no filtrado é reabsorvida através da parede
do túbulo coletor na medula renal. Isso ocorre em consequência da alta pressão osmótica do líquido intersticial
circundante, que é produzido por processos de transporte na alça de Henle.
Embora aproximadamente 180 L de ultrafiltrado glomerular sejam produzidos diariamente, os rins normalmente
excretam apenas 1 a 2 L de urina nesse período de 24 horas. Portanto, cerca de 99% do filtrado devem retornar ao
sistema vascular, enquanto 1 % é excretado na urina. Contudo, o volume urinário varia de acordo com as necessidades
do corpo por exemplo na desisdratação grave, quando um corpo precisa conservar água apenas 0,3ml de urina por
minuto é produzido (400 ml por dia). Um volume de 400 ml por dia é o mínimo necessário para a excreção de
produtos da decomposição metabólica produzidos pelo corpo. Isto é chamado de PERDA HÍDRICA OBRIGATÓRIA. A
reabsorção é um processo fundamental pois permite que substâncias ainda úteis para o organismo retornem a este.
Aproximadamente 65% de água e sais são reabsorvidos no túbulo contornado proximal e retornam ao sistema
vascular através do transporte ativo de Na+ pelas bombas de sódio e potássio e o transporte ativo de água por
osmose. Uma pequena quantidade adicional de água e sal cerca de 20% são reabsorvidos no ramo descendente da
alça de Henle. Essa reabsorção assim como no túbulo contornado proximal ocorre constantemente, independente do
grau de hidratação do organismo. Ao contrário da reabsorção em outras regiões do néfron (túbulo contornado distal e
túbulo coletor) ela não esta sujeita a ação hormonal.
Ou seja, a porção inicial do néfron (túbulo contornado proximal e ramo descendente da alça Henle) absorvem cerca de
85 % da água e sais do filtrado glomerular e não sofrem influência nem de hormônios nem do estado de hidratação do
indivíduo. Já a porção final do nefron (túbulo contornado distal e túbulo coletor) absorvem cerca de 15 % da água e
dos sais e sofrem influência tanto do grau de hidratação do indivíduo quanto a ação de hormânios como o ADH.
Portanto, a maior parte da água filtrada deve retornar ao sistema vascular para manter o volume sanguíneo e a
pressão arterial.
*O ramo descende da alça Henle é mais permeável à água e o ramo ascendente da alça de Henle é mais permeável à
sais criando o sistema de contracorrente fundamental à vida e que determina se a urina vai se mais ou menos
concentrada.
Fatores que regulam o fluxo sanguíneo renal e a intensidade de filtração glomerular
Além dos mecanismos miogênico e o feedback tuboglomerular que possuem o papel de manter o fluxo sanguíneo
renal(FSR)e a intensidade de filtração glomerular(IFG).Existe ainda fatores e hormônios que por conta da sua ação
vasodilatadora ou vasoconstritora influenciam nessa manutenção.Alguns deles:
Nervos simpáticos- Os neurônios simpáticos inervam as arteríolas aferente e eferentes(que vão e saem do corpúsculo
renal,respectivamente).Assim, quando o corpo sofre alguma desidratação ou estímulos emocionais(ex:dor) os nervos
simpáticos liberam catecolominas que atuam como vasoconstritores das arteríolas.E o efeito é a diminuição do FSR e
da IFG.
Prostaglandinas- São mais atuantes quando o corpo está passando por alguma condição atípica,por exemplo,
hemorragias,desidratação....Dessa forma, os rins produzem alguns tipos de prostaglandinas que vão aumentar o FSR
sem modificar a IFG.Assim, são fundamentais para evitar a ocorrência de vasoconstrição intensa.
Óxido Nítrico- Diminui a resistência vascular renal,sendo assim,é um vasodilatador que contrabalancei a
vasoconstrição de outras substâncias.Quando sua produção ocorre de forma anormal ,como em pessoas com diabetes
melito, pode ocorrer uma hiperfiltração glomerular(aumento da IFG).
Ação do ADH no Túbulo Coletor
Por causa da reciclagem de sal entre os ramos ascendente e descendente e da reciclagem de uréia entre o túbulo
coletor e a alça de Henle, o líquido intersticial torna-se muito hipertônico.
Enquanto o líquido que circunda os túbulos coletores na medula é hipertônico, o líquido que passa para o interior dos
túbulos coletores no córtex é hipotônico em consequência da expulsão ativa de sal pelos ramos ascendentes das alças.
A região medular do túbulo coletor é impermeável à alta concentração de NaCl que a circunda, entretanto, ela é
permeavel à água. A água, portanto, é drenada para fora dos túbulos coletores por osmose (já que o líquido intersticial
é hipertônico), mas ela não dilui o líquido intersticial porque é transportada por capilares para a circulação geral.
A velocidade com que o movimento osmótico ocorre é determinada pela permeabilidade do túbulo coletor à água.
Isso depende do número de aquaporinas (canais de água) presentes na membrana das células epiteliais do túbulo
coletor.
Quando as aquaporinas não são estimuladas pelo ADH elas permanecem no citoplasma das células do túbulo coletor.
No entanto, quando são estimuladas essas vesículas se fundem com a membrana celular, e assim, permitem a saída de
água dos túbulos coletores. Quando não existe mais ADH disponível para se ligar aos receptores de membrana , a
membrana celular invagina para voltar a formar vesículas qie contêm novamente os canais de água.
*Mesmo na ausência total de ADH alguma quantidade de água ainda é reabsorvida através dos túbulos coletores.
Regulação Hormonal
Sistema renina-angiotensina-aldosterona -->É estimulada pelo volume de sangue baixo ou pressão arterial baixa. As
células justaglomerulares secretam renina que vai converter o angiotensinogênio em angiotensina I e a ECA (enzima
conversa da angiotensina) vai converter em angiotensina II, esta promove a vasoconstrição das arteríolas, aumento da
reabsorção de Na, Cl e água e estimula o cortex da suprarrenal a liberar aldosterona, que, além de também reabsorver
Na e Cl, excreta K. Esse processo aumenta o volume sanguíneo.
PNA (peptídeo natriurético atrial) - O estiramento dos átrios no coração(aumento do volume de sangue) estimula a
secreção de PNA. Esse hormônio suprime a reabsorção de Na e água no Túbulo contorcido proximal e no ducto
coletor. Inibe também a secreção da aldosterona e do ADH.
PTH - A diminuição da concentração plasmática de cálcio promove a liberação de PTH pelas paratireóides, estimulando
a abertura dos canais de Ca nas membranas apicais da parte inicial do túbulo distal, aumentando sua reabsorção.
Depuração renal e clearance de creatinina
A depuração renal que é a remoção de substâncias do plasma pode ocorrer de quatro formas:
-Podem ser filtradas pelos capilares glomerulares e depois parcialmente reabsorvidas,sendo uma parte excretada e a
outra voltar para a corrente sanguínea
-Podem ser filtradas e depois reabsorvidas completamente voltando para a corrente sanguínea, como a glicose
-As substâncias podem ser filtradas e ainda aumentar sua quantidade devido a secreção dessa mesma substância
pelos capilares envolta dos túbulos renais
-Podem ser apenas filtradas e não sofrerem nem um tipo de secreção ou reabsorção como ocorre com a creatinina.
Dessa maneira, através da forma que ocorre a depuração pode ser calcular a intensidade ou a velocidade com que
uma substância é removida pelos rins(depurada).Desse modo,o teste de clearance de creatinina é um método usado
para avaliar o índice de filtração glomerular e com isso a função renal,sendo usado,especificamente essa substância
devido a forma de depuração(toda a creatinina filtrada é excretada).
Um pouco mais sobre creatinina..
Ureia e creatinina são substâncias encontradas no sangue que, normalmente, são dosadas para saber como está a
função renal.
-> Durante uma atividade muscular, os músculos precisam de uma proteína chamada "creatina fosfato", que é
sintetizada no fígado a partir de proteínas ingeridas na alimentação. Então, após movimentação muscular, a
"creatinina" surge como um tipo de "lixo" metabólico sendo enviada para a corrente sangúinea e, posteriormente,
eliminada do corpo através dos rins. Portanto, é essa a creatinina que é dosada no sangue.
-> Caso os níveis de creatinina sérica estejam elevados e o paciente apresente uma massa muscular estável, isso,
provavelmente, indica uma disfunção renal, pois, significa que os rins não estão conseguindo eliminar a creatinina
produzida pelos músculos.
-> Portanto, é importantíssimo dosar o nível de creatinina sérica pois a doença renal crônica é bastante silenciosa e
pode ser prevenida por um simples exame como esse. E, principalmente, se o paciente já apresenta histórico de
algumas doenças como hipertensão ou diabetes.
-> Os níveis normais da creatinina variam entre 0,6 a 1,3 mg/dl (mas podém variar, por isso, é recomendável procurar
um médico).
-> Já a ureia não é considerada um marcador muito eficiente pois seus valores podem variar por diversos fatores
(desidratação, gravidez, etc.).
> O clearance de creatinina é basicamente a taxa de filtração dos rins, ou seja, a medição de quantos mililitros de
sangue os rins filtram por minuto.
-> É o principal modo de avaliar a disfunção renal e/ou a diminuição do fluxo sanguíneo renal.
-> Os 2 rins filtram em média 180 litros de sangue por dia, mais ou menos 90 a 125 ml por minuto. Portanto,essa é a
chamada taxa de filtração glomerular ou clearance de creatinina.
-> O valor médio para essa taxa é de 100 ml/min (correspondente a "100% da função renal").
-> Caso alguma doença ou estado clínico venha a afetar os glomérulos, os níveis sanguíneos de creatinina aumentam e
o clearance de creatinina diminui. Então, há a redução da capacidade de excreção de creatinina na urina.
-> Uma diminuição do clearance de creatinina pode ocorrer também quando há diminuição do fluxo sanguíneo para os
rins.
-> O aumento do clearance de creatinina pode ser observado ocasionalmente durante a gravidez, após exercícios ou
após a ingestão de grandes quantidades de carne.
-> O clearance de creatinina diminui com a idade porque reduz a taxa de filtração glomerular.
Clearance de creatinina = Creatinina urinária x Volume urinário(ml/min)/ Creatinina plasmática
Outros exames: Urocultura: avalia a quantidade de bactérias presente na urina
>Urina normal: pode-se encontrar 5 a 10 piócitos, ácido úrico, pouca glicose
Bexiga
Bexiga
A bexiga é responsável pelo armazenamento temporário da urina até que ela seja eliminada pela uretra. Quando está
vazia, apresenta forma piramidal, mas tem formato determinado pela quantidade de urina que armazena (quando
enche torna-se ovóide). Durante seu enchimento, sua pressão aumenta pouco em relação ao aumento do volume por
causa da elasticidade que possui devido ao músculo detrusor (músculo liso) e tecido conjuntivo que a formam.
Durante a micção ocorre contração do m. detrusor e relaxamento dos esfínceteres internos e externos para esvaziar
completamente a bexiga.
Esse esvaziamento completo da bexiga (este esvaziamento é um dos principais mecanismos de defesa das vias
urinárias contra infecções).
Inervação da bexiga:
1) Inervação simpática: nervo hipogástrico (T11, T12, L1 e L2)
Inerva o músculo esfíncter da bexiga, ao nível do trígono vesical e do colo vesical. É responsável pela retenção de urina
na bexiga.
2) Inervação parassimpática: nervo pélvico (S2, S3 e S4)
Inerva o músculo detrusor da bexiga e a uretra proximal, tendo função de destaque na micção.
3) Inervação somática:
diafragma pélvico. Inerva por meio do nervo pudendo o esfíncter externo da bexiga. É responsável pelo controle
voluntário da micção.
Obs.: trígono vesical: é o triângulo formado pelas duas aberturas de chegada do ureter e pelo orifício da uretra. Ele é
quase inextensível (diferentemente do restante da bexiga) e tem musculatura muito diferente da restante da parede
vesical.
Micção
À medida que a bexiga se enche, mecanorreceptores da parede do músculo detrusor (músculo liso) enviam sinais pelo
nervo pélvico até a medula e por reflexo voltam para o mesmo.
Osb.: no início, o estímulo do nervo pélvico inibe o nervo pudendo (voluntário), mantendo fechado o esfíncter externo.
Obs.: quanto mais cheia estiver a bexiga, mais frequentes serão as contrações.
Relaxamento do esfíncter externo é mediado pelos neurônios da ponte (núcleo de Barrigton) e neurônios motores da
medula sacra.
O núcleo de Barrigton recebe informações também sobre o enchimento da bexiga e também informações do
prosencéfalo sobre as condições socialmente adequadas para relaxar o esfíncter externo. Sendo assim, o controle da
micção é feito pela ação da medula espinhal e pelo córtex cerebral.
Características da urina normal
O volume é, em média 2 litros em 24hrs, mas varia muito.
A cor é amarela ou ambar, mas varia com a concentração e a alimentação. A cor é derivada do urocromo (pigmento
produzido a partir da decomposição da bile) e da urobilina (decomposição da hemoglobina). A alimentação (urina
avermelhada, resultante da beterraba), medicamentos e certas doenças afetam a cor. Cálculos renais podem produzir
sangue na urina.
Em relação a turbidez, é transparente.
É suavemente aromática, mas torna-se amoniacal quando estagnada. A urina dos diabéticos apresenta odor de frutas
por causa da presença de corpos cetonicos.
O pH varia entre 4,6 e 8. Dietas ricas em proteínas aumentam a acidez e vegetarianas aumentam a alcalinidade.
O exame físico básico do sistema urinário se resume em 3 fases:
1. inspeção do abdome, dos flancos e das costas do paciente sentado
2. palpação e a compressão dos ângulos costovertebrais
3.percussão com a face interna da mão -> punho-percussão
*URETERES:
Percebemos 2 pontos (pontos uretais) dolorosos durante a palpação profunda quando existe infecção ou obstruçõa
dos ureteres:
1°.Superior: parede média dos quadrantes superiores
2°.Inferior: fossas ilíacas proximos à região suprapúbica
EXAME FÍSICO DOS RINS
*RINS:
-não palpáveis normalmente (exceção: crianças e adultos magros -> pólo inferior pode ser palpado)
- palpação bimanual : (paciente em decúbito dorsal)
uma mão-> explorar os quadrantes superiores do abdomen
outra -> espalmada, “empurra” o flanco de baixo para cima, objetivo: trazer o rim para uma posição mais anterior.
OBS: em pessoas magras conseguimos palpar o rim direito (normal) durante a inspiração.
-Rins facilmente palpáveis indicam:
aumento do volume: hidronefrose, neoplasia ou cistos
móveis demais: ptose renal
deslocados por neoplasias retroperitoneais
doença policística ou hidroneforse bilateral (aumento de ambos os rins)
-punho-percussão do ângulo conto-vertebral (borda inferior da 12a costela e apófises tranversas das vértebras
lombares superiores)
dor -> infecção renal ou apenas dor musculo-esquelética
Exame bacteriológico da Urina
EXAME MICROSCÓPICO:
* O encontro de mais de 3 leucócitos em grande aumento ou a presença de bactérias indicam provável infecção
urinária ativa.
Vantagem: simplicidade e baixo custo;
Desvantagem: falta de padronização, prejudicando o valor do método.
CULTURA:
Primeiramente, deve-se instruir uma boa higiene dos orgãos genitais (as mulheres devem afastar os lábios vulvares). A
coleta deve ser realizada em recipiente estéril.
A cultura é realizada inoculando-se urina em meio de cultura apropriado.
A intensidade da bacteriúria é determinada pela contagem das colônias:
- Número igual ou superior a 100.000 colônias por mililitro => indica presença de infecção;
- Número de colônias inferior a 10.000 => raramente trata-se de infecção;
- Número de colônias entre 10.000 e 100.000 => geralmente traduzem contaminação, principalmente em presença de
flora bacteriana mista; mas havendo dados clínicos suspeitos é necessário repetir o exame.
EXAME FÍSICO DA BEXIGA
A bexiga, quando vazia, não é palpável. Mas pode haver hipersensibilidade na área suprapúbica durante a palpação.
Inspeção direta - aumento de volume na região hipogástrica
Inspeção indireta - radiografia simples ou contrastada, ultrassonografia
Palpação - litíase, aumento de volume, sensibilidade, espessamento da mucosa vesical. Na palpação é observada uma
massa lisa e firme na linhamédia (globo vesical).
Percussão - apenas para diferenciar, quando presente a retenção urinária acentuada (iscúria) de outras coleções
líquidas, principalmente ascite
Anormalidades - forma, volume, localização, inserção dos ureteres, espessamento e irregularidades da parede, litíase,
persistência do úraco
> Retenção urinária aguda ou crônica levando a distensão vesical pode ser percebida pela inspeção, palpação e
percussão da região suprapúbica.
> Reação dolorosa intensa e presença de abaulamento no hipogástrico são indicadores de retenção urinária.
> Em mulheres, o esvaziamento vesical por cateterismo pode ser necessário para o diagnóstico diferencial com cisto
no ovário.
Considerações finais
Fisiologia:
Rins:
*Anatomia
- o néfron justamedular tem alça maior e tem o sistema de vasos retos, por isso conseguem formar a urina mais
concentrada ou mais diluída de acordo com a necessidade.
-artéria aorta descendente> artéria renal> a. Lobares> a. Arqueadas> a. Interlobulares> a. Aferentes > Glomérulo> A.
eferente
- os vasos retos
(puras e espurias) saem das a. Eferentes
*Função
- filtração, reabsorção, secreção e excreção
- regula pressão, volume sanguíneo
- produção de eritopoietrina e renina
- regulação do calcio no sangue ( vitamina D)
*Formação da urina
>Filtração glomerular
-A pressão sanguinea do glomérulo pra capsula deve ser maior do que a pressão da capsula e do líquido no interior
dela.
- as proteínas nao passam por causa do tamanho e da eletronegatividade
Composição do filtrado: igual ao plasma com exceção das proteínas
Controle fisiológico e autorregulação
- principal estímulo: concentração de Na
>Reabsorção tubular
Mecanismos passivos e ativos de reabsorção
passivo: água, potássio, uréia
ativo: Sódio e glicose
>Secreção tubular:
- Paratormónio: estimula a abertura dos canais de Ca nas membranas apicais da parte inicial do túbulo distal,
aumentando sua reabsorção
*Regulação do equilíbrio ácido-base: discutido
*Sistema renina-angiotensina-aldosterona
-Angiotensina é um importante vasoconstrictor, que libera a secreção de aldosterona a qual estimula a reabsorção de
Na.
- Hormônio Natriurético: aumenta a excreção de sal e água na urina. É estimulado pelo aumento do volume sanguíneo
- a creatinina é totalmente excretada (fator com nenhum limiar renal), e a glicose e o aminoácido são totalmente
reabsorvidos (substâncias com alto limiar renal)
- fosfato, bicarbonato e ureia (fator com pouco limiar renal -> uma parte do filtrado é reabsorvida)
*micção
>anatomia da bexiga
- simpático: nervo hipogástrico
- parassimpático: nervo pélvico
- Somática: nervo pudendo
>transporte da urina dos rins à bexiga
túbulo coletor> papila renal> cálice menor> cálice maior> pelve> ureteres> bexiga> uretra
>reflexo de micção
- esfíncter interno: musculo liso, involuntário > parassimpático
- esfíncter externo: musculo esquelético, voluntário > simpático
Semiologia:
*Anamnese: importante saber sobre o tabagismo, hipertensão, diabetes, histórico familiar do câncer de próstata
*Sinais e sintomas
>alterações na cor da urina
>alterações de micção
>dor: começa nos flancos e irradia até o canal ingnal
*Exame físico
>exame dos rins:
- na inspeção procura-se por abaulamentos
-não é palpável, só a parte inferior é palpada em crianças e adultos magros
- a palpação é bimanual: a mão de trás empurra e a da frente palpa
>exame dos ureteres
- toca o trajeto para ver se o paciente sente dor
- pontos doloroso na fossa ilíaca e na parede média dos quadrantes superiores
>exame da bexiga
- palpável quando está cheia.
*Exames complementares
>Clearance: avalia a atividade funcional dos rins
> Urocultura: avalia a quantidade de bactérias presente na urina
>Urina normal: pode-se encontrar 5 a 10 piócitos, ácido úrico, pouca glicose.
COMPOSIÇÃO DO SANGUE
1. Plasma - Líquido de cor palha constituído por água e solutos dissolvidos (Na+, íons e moléculas orgânicas como metabólitos, hormônios,
enzimas, anticorpos e outras proteínas).
a) Proteínas plasmáticas: 7% a 9% do plasma. São três tipos: albumina, globulinas e fibrinogênio.
-Albuminas- 60% a 80%. O fígado as produz e elas, por não poderem passar através da parede dos capilares e permanecer na corrente
sanguínea, provêem a pressão osmótica necessária para drenar (atraindo) a água do líquido intersticial circundante para o interior dos
capilares.
-Globulinas- Agrupam-se em alfa-globulinas, beta-globulinas e gama-globulinas. As alfa e beta-globulinas são produzidas no fígado e atuam no
transporte de lipídeos e de vitaminas lipossolúveis. As gama-globulinas são anticorpos produzidos pelos linfócitos (um dos elementos figurados
encontrados no sangue e nos tecidos linfáticos).
-Fibrinogênio- 4% . Importante fator de coagulação sanguínea produzido pelo fígado (durante o processo de formação do coágulo, o
fibrinogênio converte-se em filamentos de fibrina).
-Protrombina-
b) Volume plasmático: Quando o corpo perde água, o plasma fica muito concentrado, aumentando sua osmolalidade, a qual é detectada pelos
osmorreceptores do hipotálamo. Estes, por sua vez, resultam na sensação de sede e liberação de antidiurético, retendo água e impedindo a
desidratação.
2. Elementos figurados do sangue - Incluem 2 tipos de células sanguíneas: eritrócitos (mais abundante) e leucócitos.
a) Eritrócitos: Discos bicôncavos achatados (forma relacionada à sua função de transporte de oxigênio). São anucleadas (assim que um
eritrócito amadurece, o núcleo é expulso) e não possuem mitocôndrias (respiram anaerobiamente). Possuem tempo de vida curto, cerca de
120 dias. Quando velhos, são digeridos por células fagocitárias do fígado, baço e medula óssea. Cada eritrócito possui aproximadamente 280
milhões de moléculas de hemoglobina (pigmento vermelho). Eles são elásticos e aumentam de tamanho se o pH diminui. Assim, os eritrócitos
são maiores no sangue venoso do que no arterial.
*HEMOGLOBINA. A molécula de hemoglobina consiste de quatro cadeias protéicas, denominadas globinas, cada qual contendo um grupo não
protéico carreador de oxigênio chamado heme. A principal hemoglobina na espécie humana adulta chamada hemoglobina A, é composta de
duas cadeias alfa, contendo cada uma 141 aminoácidos, e duas cadeias beta, contendo cada uma 146 aminoácidos, e está simbolicamente
representada como α2β2. Uma pequena fração da hemoglobina normalmente encontrada no sangue humano (A2 - α2δ2) tem duas cadeias alfa
e duas cadeias delta. A principal hemoglobina fetal (hemoglobina F - α2γ2) consiste de duas cadeias alfa e duas cadeias gama. O heme é um
complexo de ferro e protoporfirina (estrutura que contém carbono e nitrogênio). Cada átomo de ferro pode carrear uma molécula de oxigênio.
*DESTRUIÇÃO DE ERITRÓCITOS. A meia-vida deles é de aproximadamente 80 a 120 dias. Quando inúteis, devido ao seu envelhecimento, os
eritrócitos são destruídos pelos macrófagos do sistema reticuloendotelial, especialmente do baço. Quando os eritrócitos são destruídos, a
hemoglobina é liberada e quebrada em seus componentes: heme e globina (proteína). O heme decompõe-se em seus constituintes:
protoporfirina e ferro. O ferro é utilizado para formar novos eritrócitos ou, se ele existir em excesso no corpo, é levado para a medula óssea,
baço e fígado para armazenamento. A protoporfirina é convertida em bilirrubina, que é levada ao fígado e excretada com a bile.
b) Leucócitos: Possuem núcleo, mitocôndria e se movimentam de modo amebóide (permitindo-lhes a capacidade de atravessar poros das
paredes capilares -movimento chamado diapedese ou migração- e mover-se até infecções). São invisíveis ao microscópio, exceto quando
corados (mistura de um corante rosa-avermelhado, denominado eosina e um corante azul-púrpura, denominado corante básico).
-Leucócitos granulares- Possuem grânulos no citoplasma
*Eosinófilos: têm afinidade com o corante rosa-avermelhado; fagocitam complexos antígeno-anticorpo.
*Basófilos: têm afinidade com o corante azul-púrpura; função incerta.
*Neutrófilos: têm pouca afinidade com ambos os corantes; mais numerosos , são fagocíticos, funcionando na destruição de microorganismos
patogênicos e outras substâncias estranhas. Em locais feridos ou infectados, o número de neutrófilos aumenta ao máximo em 24 horas.
-Leucócitos não granulares ou agranulares- Não possuem grânulos visíveis
*Linfócitos: células pequenas, núcleos redondos e pouco citoplasma; pode derivar os plasmócitos (produtores e secretores de anticorpos)
*Monócitos: maiores leucócitos, núcleo em forma de ferradura
c) Plaquetas ou Trombócitos: Fragmentos de células grandes (megacariócitos). Sobrevivem aproximadamente 5 a 9 dias antes de serem
destruídas pelo baço e fígado. São importantes na coagulação sanguínea, pois além de constituir a maior parte do coágulo, os fosfolipídios de
sua membrana ativam os fatores de coagulação do plasma, acarretando na formação de filamentos de fibrina. As plaquetas se unem num
coágulo de sangue e liberam serotonina, substância que estimula a constrição de vasos.
HEMATOPOIESE
Processo de formação das células sanguíneas. As células-tronco hematopoiéticas originam-se do saco vitelínico, a seguir, migram para o
fígado. Portanto, no feto, a hematopoiese ocorre no fígado. Antes no nascimento, há uma migração dessas células para a medula óssea. Após
o nascimento, esse processo vai ocorrer em 2 tipos de tecidos:
* Tecido mielóido: medula óssea vermelha de ossos longos; produz todas as células sanguíneas
* Tecido linfático: linfonodos, tonsilas, baço e timo; produz linfócitos derivados de células originárias da medula
No adulto, somente a medula óssea vermelha, localizada principalmente no crânio, vértebras, costelas, esterno e pelve, tem atividade
hematopoiética. Nos indivíduos idosos, a área da medula óssea, uma vez ocupada pela produção ativa de células, tornam-se sobrecarregadas
de gordura. Isso ajuda a explicar a dificuldade que têm os indivíduos idosos para a regeneração do sangue perdido.
Substâncias químicas chamadas de citocinas estimulam a produção de leucócitos. O hormônio eritropoietina (secretado pelos rins) estimula a
produção de eritrócitos.
1. Regulação da Leucopoiese (produção de leucócitos) - Várias citocinas estimulam diferentes estágios do desenvolvimento leucocitário
2. Regulação da Eritropoiese (produção de eritrócitos) - A eritropoietina (ou fator estimulante eritropoiético – ESF) é a principal reguladora do
processo; É formada no sangue pela ação de uma enzima liberada principalmente pelos rins, chamada fator renal da eritropoietina (REF)
sempre que a concentração de oxigênio diminui no sangue. Além disso, a produção de eritrócitos e a síntese de hemoglobina dependem do
suprimento de ferro, junto com o de vitamina B12 e o do ácido fólico. "Hemocitoblasto -> Pró-eritroblasto -> estímulo da eritropoietina -
>Eritroblasto -> Normoblasto -> expulsão do núcleo -> Reticulócito -> Eritrócitos"
ANTÍGENOS ERITROCITÁRIOS E TIPAGEM SANGUÍNEA
* Antígenos (aglutinógenos) - moléculas que podem ser reconhecidas como estranhas pelo sistema imunológico
* Anticorpos (aglutininas) - classe de proteína secretada pelos linfócitos que se ligam de maneira específica aos antígenos
1. Sistema ABO - Principal grupo de antígenos eritrocitários.
a) Tipo A: apresenta apenas antígenos A e produzem anticorpos anti B
b) Tipo B: apresenta apenas antígenos B e produzem anticorpos anti A
c) Tipo O: não apresenta antígenos e produzem anticorpos anti A e anti B; doador universal
d) Tipo AB: apresenta ambos antígenos (A e B) e não produzem anticorpos anti A e anti B; receptor universal
O sistema imunológico apresenta tolerância a seus próprios antígenos eritrocitários.
2. Reações Transfusionais - No teste de compatibilidade, pode ocorrer a aglutinação das células. Esta aglutinação ocorre quando há
incompatibilidade .
3. Fator Rh - Outro grupo de antígenos encontrados nos eritrócitos. Inclui vários tipos antígenos, mas o Rho(D) se sobressai. Quando presente
nos eritrócitos de uma pessoa, esta é Rh positivo; quando ausente, a pessoa é Rh negativo.
COAGULAÇÃO SANGUÍNEA
A ruptura do revestimento endotelial de um vaso expõe o colágeno do tecido conjuntivo subendotelial ao sangue. Inicia-se, então, 3
mecanismos independentes da homostase: (1)vasoconstrição,(2)formação de um tampão de plaquetas e (3)produção de uma malha de fibrina
que penetra e circunda o tampão de plaquetas.
1. Funções das plaquetas - A lesão do endotélio expõe o tecido subendotelial ao sangue. Desta forma, as plaquetas que estão no sangue e que
possuem grânulos secretores se ligam ao colágeno exposto (que é revestido por uma proteína- fator de von Willebrand). Quando ocorre a
aderência entre as plaquetas e o colágeno, as plaquetas vão degranular, pois esses grânulos liberam seus produtos: adenosina difosfato (ADP),
serotonina e tromboxano A2. Esse processo é conhecido como reação de liberação plaquetária.
-Serotonina e tromboxano A2- Estimulam a vasoconstrição.
-ADP e tromboxano A2- Fazem com que as plaquetas ainda não aderidas ao colágeno se liguem àquelas que já estão. Isso produz um tampão
de plaquetas no vaso lesado.
2. Fatores da coagulação: Formação da Fibrina - Um importante fator da coagulação sanguínea produzido pelo fígado, o fibrinogênio,
converte-se em filamentos de fibrina durante o processo de formação do coágulo. Esses filamentos formam uma malha que fortalece o
"tampão de plaquetas". Já a cor vermelha se deve ao aprisionamento de alguns eritrócitos. No processo de retração do coágulo, a contração
da massa de plaquetas forma uma tampão mais compacto e efetivo. O líquido liberado à medida que este se retrai denomina-se soro, que é o
plasma sem fibrinogênio.
Conversão do fibrinogênio em fibrina:
* Via intrínseca - Quando a formação ocorre sem ter contato com substâncias químicas externas, ou seja, que não faz parte do sangue: É
iniciada pela adesão de plaquetas às superfícies seccionadas dos vasos sanguíneos. Várias etapas (que inclui ativações de proteínas como a
fator XII da coagulação – fator Hageman), que acontecem na presença de Ca2+ e fosfolipídios, acarretam a conversão de uma substância
inativa chamada protrombina, numa enzima ativa, a trombina. Esta, por sua vez, converte a proteína fibrinogênio (solúvel) em filamentos de
fibrina (insolúvel).
* Via extrínseca - Quando a formação ocorre devido ao contato com substâncias químicas externas: Acontece mais rapidamente devido a
liberação de um "atalho" chamado tromboplastina tecidual que vem das células teciduais lesadas. Este atalho irá converter, da mesma forma,
o fibrinogênio em filamentos de fibrina.
DISSOLUÇÃO DE COÁGULOS
O fator XII ativado na coagulação também converte uma molécula plasmática inativa numa forma ativa chamada calicreína, que, por sua vez,
catalisa a conversão do plasminogênio em plasmina. A plasmina é responsável por digerir a fibrina e, desta forma, promover a dissolução do
coágulo.
* Anticoagulantes - Com o uso de Ca2+ na coagulação, sua concentração diminui, acarretando na inibição da coagulação. Uma mucoproteína
chamada heparina também ajuda a inibir o processo de coagulação. A vitamina K também é importante na conversão de glutamato em
proteínas da coagulação e sua deficiência é um anticoagulante.
EQUILÍBRIO ÁCIDO-BÁSICO DO SANGUE
* pH do plasma sanguíneo arterial: entre 7,35 e 7,45; com uma média de 7,40
* acidose: queda no pH sanguíneo
* alcalose: elevação do pH sanguíneo
Em condições normais, apenas o H+ do H2CO3 (ácido carbônico) pode interferir no pH do sangue, uma vez que a partir da equação:
CO2 + H2O H2CO3 H+ + HCO3-
o ácido carbônico pode reconverter-se no gás CO2 (dióxido de carbono) e sua concentração no sangue é controlada através do processo
respiratório. Devido a esse fato, ele é considerado um ácido volátil. Todos os outros ácidos do sangue são ácidos não-voláteis, ou seja, não
convertem-se em gases. Desta forma, o H+ liberado por esses ácidos não-voláteis não interferem no pH sanguíneo porque se ligam a
moléculas que atuam como tampões. O principal tampão do plasma é o bicarbonato (HCO3-) que atua segundo à seguinte fórmula:
HCO3- + H+ H2CO3
Essa reação não pode continuar para sempre, pois chegará um ponto que o HCO3- livre acabará e a [H+] no sangue aumentará, e
consequentemente o pH diminuirá. No entanto, o excesso de H+, pode ser eliminado com a urina pelos rins. Os rins também têm a capacidade
de produzir HCO3- , sendo, então, responsáveis pela manutenção do bicarbonato livre no plasma.
HEMOGRAMA
A- O ERITROGRAMA (estudo dos glóbulos vermelhos) é a primeira parte do hemograma.
(1)A contagem de hemácias, hemoglobina e hematócrito, são analisados em conjunto. Quando estão reduzidos, indicam anemia e
quando estão elevados indicam policitemia. Valores de referência: Hemácias = 4,5 a 6,0 milhões/mm3; Hemoglobina = 13 a 16 g/dL;
Hematócrito = 38 a 50%.
(2)O volume globular médio (VGM) mede o tamanho das hemácias.Um VGM elevado indica hemácias hemácias grandes e VGM
reduzido indica hemácias pequenas (Esse dado ajuda a diferenciar os vários tipos de anemia. Por exemplo, anemias por carência de
ácido fólico cursam com hemácias grandes, enquanto que anemias por falta de ferro se apresentam com hemácias pequenas). Valor
de referência = 80 a 100 fl.
(3)O CHGM (concentração de hemoglobina globular média) avalia a concentração de hemoglobina dentro da hemácia. Valor de
referência: 31 a 36 g/dL.
(4)O HGM (hemoglobina globular média) é o peso da hemoglobina dentro das hemácias. Quando as hemácias têm pouca
hemoglobina, elas são ditas hipocrômicas. Quando têm muita, são hipercrômicas. Valor de referência: 26 a 34pg.
(5)O RDW é um índice que avalia a diferença de tamanho entra as hemácias. Quando este está elevado significa que existem muitas
hemácias de tamanhos diferentes circulando. Isso pode indicar hemácias com problemas na sua morfologia. Valor de referência: 11,5
a 15%.
B- O LEUCOGRAMA é a parte do hemograma que avalia os leucócitos. O valor normal dos leucócitos varia entre 4000 e 11000 células
por ml.
-Basófilos: Em um indivíduo normal, só é encontrado até 1%, além desse valor indica processos alérgicos.
-Eosinófilos: Seu número além do normal indica casos de processos alérgicos ou parasitoses.
-Neutrófilos: É a célula mais encontrada em adultos. Seu aumento pode indicar infecção bacteriana, mas pode estar aumentada em infecção
viral.
-Linfócitos: É a célula predominante nas crianças. Em adultos, seu aumento pode ser indício de infecção viral ou, mais raramente, leucemia.
-Monócitos: Quando estão aumentados indica infecções virais. Os valores são alterados também, após quimioterapia.
C- PLAQUETAS. O valor normal das plaquetas varia entre 150.000 a 450.000 por microlitro (uL). Porém, até valores próximos de 50.000,
o organismo não apresenta dificuldades em iniciar a coagulação. Quando os valores se encontram abaixo das 10.000 plaquetas/uL há
risco de morte uma vez que pode haver sangramentos espontâneos.
FISIOLOGIA DO SISTEMA LINFÁTICO
SISTEMA LINFÁTICO
*Linfa – composição semelhante a do plasma, exceto pela baixa concentração de proteínas. Contém grande número de leucócitos,
particularmente linfócitos.
O sistema linfático consiste de capilares linfáticos, vasos linfáticos, ductos linfáticos e linfonodos. Os capilares linfáticos originam-se de
microscópicos fundos cegos e convergem para formar vasos cada vez maiores, os quais drenam para dois troncos principais, o ducto torácico,
que desemboca na subclávia esquerda em sua junção com a veia jugular interna esquerda, e o ducto linfático direito, que desemboca na
subclávia direita em sua junção com a veia jugular interna direita. Os linfonodos, situados a intervalos no curso dos principais tributários que
desembocam no ducto torácico ou no ducto linfático direito.
Funções do sistema linfático
(1) Conservação das proteínas plasmáticas e do líquido. A circulação da linfa faz retornar à corrente sanguínea substâncias vitais, na maioria
proteínas que escapam dos capilares com líquido intersticial acumulado.
(2) Defesa contra doenças. O sistema linfático protege o corpo contra microorganismos patogênicos e outras substâncias invasoras, de duas
maneiras:
a) Por fagocitose. Os macrófagos que revestem os canais nos linfonodos fagocitam e digerem o material estranho.
b) Pela resposta imunológica. Dois tipos de linfócitos nos linfonodos proliferam em resposta ao contato com substâncias estranhas, dando
origem a células especializadas que fabricam anticorpos ou a células que inativam o agente invasor de outras maneiras.
(3) Absorção de lipídios. Os linfáticos intestinais são as vias de absorção de lipídios digeridos do canal alimentar.
*Capilares linfáticos - menores vasos do sistema linfático; tubos que terminam em fundo de saco e formam vastas redes nos espaços
intercelulares da maioria dos órgãos. Compostos de uma única camada de células endoteliais superpostas. As bordas internas das células
parecem agir como valvas, evitando o refluxo.
*Vasos linfáticos – Possuem paredes de 3 camadas, semelhantes às paredes das veias, e valvas, mais numerosas que nas veias, e que
permitem à linfa fluir numa única direção. A linfa é propelida ao longo dos vasos linfáticos pela ação massageadora dos músculos esqueléticos
sobre os vasos. Contribui, também, para o fluxo da linfa a formação de novas, empurrando a antiga para frente, e as pulsações das artérias.
*Ducto Torácico – Maior vaso linfático do corpo e o tronco comum de todos os vasos linfáticos do corpo. Origina-se no abdome, na
extremidade superior da cisterna do quilo (área receptora de linfa proveniente dos troncos lombar direito, esquerdo e intestinal), um saco
alongado localizado na região lombar direita, da cavidade abdominal, sob o diafragma.
*Ducto linfático direito – Possui aproximadamente 4 cm de comprimento e repousa sobre o músculo escaleno anterior. Se une à veia subclávia
direita na sua junção com a veia jugular interna direita. Traz linfa da superfície superior do lobo direito do fígado, do pulmão direito e pleura,
do lado direito do coração, do membro superior direito e do lado direito da cabeça e do pescoço, e do tórax.
*Linfonodos – pequenos corpos ovais encontrados a intervalos no curso de vasos linfáticos. Cada um consiste de tecido linfático revestido por
uma cápsula de tecido conjuntivo fibroso. Prolongamentos da cápsula, chamado trabéculas, projetam-se para o interior do linfonodo. A
depressão por onde os vasos sanguíneos entram e saem é chamada de hilo. O córtex do linfonodo possui linfócitos densamente arrumados,
geralmente formando massas isoladas chamadas nódulos. Na medula do linfonodo –região mais interna e a área em torno do hilo- os
linfócitos estão arrumados mais esparsamente, formando fios irregulares ramificados (cordões). A linfa passa através de vários grupos de
linfonodos antes de entrar no sangue. A linfa passa através de sistemas de canais, chamados seios –revestidos com macrófagos, agem como
leitos filtrantes- (primeiro pelos seios corticais e depois pelos seios medulares) e então atravessa um ou dois canais eferentes no hilo. Os
linfonodos geralmente aparecem em grupos:
(1)Cervical profundo – drena cabeça e pescoço
(2)Axilar – drena membros superiores, glândulas mamárias, pele, músculo do tórax, dorso e parte inferior do dorso do pescoço
(3)Traqueobrônquico – drena pulmões e coração
(4) Pré-aórtico – drena o trato gastrointestinal, fígado, pâncreas e o baço.
(5) Inguinal – drena a maior parte da linfa do membro inferior, da genitália externa e da parede anterior do abdome.
*Órgãos linfáticos - tonsilas, timo e baço. Locais de produção de linfócitos (células do sistema imunológico).
(1) BAÇO
É um corpo oval, mole e vascularizado; mede cerca de 12,5 cm de comprimento por 7,5 cm de largura. Está localizado na parte superior
esquerda do abdome sob o diafragma e por trás das costelas inferiores e cartilagens costais. O hilo esplênico é o local de entrada e saída dos
vasos do baço. O corpo do baço tem uma cobertura chamada cápsula, que consiste em tecido fibroelástico e, ocasionalmente, células
musculares lisas. A cápsula é quase completamente envolvida pelo peritônio, que forma seu revestimento externo (serosa). Projeções da
cápsulas, as trabéculas, aprofundam-se no órgão e o dividem em uma série de compartimentos incompletos. O tecido esplênico, ou polpa, é
de dois tipos:
a) Polpa branca – tecido linfóide que forma uma bainha em torno das arteríolas que nutrem os compartimentos.
b) Polpa vermelha – numerosos seios venosos separando redes de tecido reticular.
Densos acúmulos de linfócitos ao longo dessas bainhas formam nódulos que, como nos linfonodos, podem mostrar centros germinativos
ativos. Do nascimento ao adulto, a polpa branca forma a maior parte do baço. Depois, ela, progressivamente, se atrofia e a polpa vermelha
torna-se o tecido predominante.
-FUNÇÕES-
1.Destruição do sangue. Os eritrócitos são destruídos em todas as partes do sistema reticuloendotelial, incluindo os linfonodos e o baço (maior
local de destruição).
2.Função imunológica. Participa da resposta imune.
3.Armazenamento de sangue. Reservatório de eritrócitos. Enquanto o plasma volta para a circulação, os eritrócitos são retidos na polpa
esplênica.
4.Filtração do sangue. Filtra os microorganismos do sangue.
(2) TONSILAS
Vários grupos de tonsilas guardam a entrada dos tratos alimentar e respiratório contra a invasão de microorganismos.
a)Tonsilas Palatinas: “Amígdalas”. Duas massas ovais de tecido linfóide situadas na parede lateral da orofaringe. São maiores nas crianças que
nos adultos.
b)Tonsila Faríngea: Adenóide. É uma massa de tecido linfóide localizada na faringe nasal que se estende até o palato mole.
c)Tonsila Lingual: Acúmulo de tecido linfóide encontrado no dorso da porção posterior da língua, próximo às papilas valadas.
(3)TIMO
Órgão achatado, de um rosa-cinzento, com dois lobos, situados na parte ântero-superior da cavidade rorácica, na frente da aorta e atrás do
esterno. Desempenha papel importante no desenvolvimento de parte do sistema imunológico. Aumenta em tamanho até a puberdade e,
então, começa a atrofiar.
RESPOSTA IMUNOLÓGICA
Dois sistemas imunológicos podem ser distinguidos: sistema de células B e sistema de células T.
(1)Sistema de células B – Resposta mediada por proteínas chamadas anticorpos. É chamada resposta imunidade humoral. É mais eficiente
contra infecções bacterianas agudas.
(2)Sistema de células T – Resposta mediada por células especializadas sensíveis a substâncias estranhas. É chamada resposta imunidade
celular ou mediada por células. É mais eficiente contra infecções bacterianas crônicas e contra células malignas e células de órgãos
transplantados. As células T dependem da glândula Timo para a sua diferenciação, isto é, transformação, a partir de precursores, em células T
maduras. Os precursores das células T seguem da medula óssea ao Timo, onde se desenvolvem em células maduras que, então, migram para
outros órgãos linfóides.
Os macrófagos também estão envolvidos na resposta imunológica, funcionando na indução da resposta por um processo que tem sido
descrito como “exposição antigênica”, isto é, captação de antígenos e liberação para as células T e B. A exposição antigênica é uma exigência
geral para a ativação da célula T e a ativação das células B, quando as células T “auxiliares” são necessárias.
Os linfócitos B e T se originam de uma célula-mãe comum; chamada de célula primitiva da medula óssea vermelha. As células B e T são
encontradas na linfa, no tecido linfóide de órgãos linfóides, principalmente os linfonodos e o baço, e tecido linfóide difuso (especialmente nos
tratos digestivo e respiratório).
-ANTÍGENOS-
Agentes que desencadeiam a resposta imunológica. São grandes moléculas, tais como proteínas e polissacarídios e são geralmente
componentes da superfície de substâncias estranhas. Promovem a mesma resposta em células T e B: divisão celular rápida com a formação de
clones distintos (colônias de células que surgem a partir de uma única célula-mãe) no tecido linfóide. As células produzidas por divisões
celulares sucessivas tornam-se mais especializadas. O resultado final da proliferação de célula B é a formação de células chamadas células
plasmáticas, que fabricam anticorpos idênticos construídos para combinar-se seletivamente ao antígeno agressor. A resposta da célula B a
muitos antígenos requer a assistência das células T. Em tais casos, os anticorpos não serão produzidos a não ser que as células T “auxiliares”
estejam presentes. Outra célula T, a célula T “supressora”, que inibe o início ou a expressão da resposta de ambas as células, B e T, aos
antígenos, desempenha um papel importante como moduladora da resposta imunológica.
De acordo com a teoria da seleção, o antígeno simplesmente seleciona células dotadas com genes codificados para a síntese de anticorpos
pareados. A seleção é realizada por um “ajuste” entre os fragmentos nos antígenos chamados determinantes antigênicos e locais de clivagem
nos receptores (glicoproteínas) na superfície das células B. Os receptores são aparentemente moléculas de anticorpos com locais de
combinação com antígenos, idênticos aos sítios de combinação de anticorpos mais tarde sintetizados pelas células plasmáticas. Os anticorpos
são proteínas classificadas como globulinas e possuem propriedades imunológicas, eles são chamados imunoglobulinas. Existem 5 classes de
imunoglobulinas: IgM, IgG, IgA, IgD e IgE(certos tipos de reações alérgicas). A IgG é a mais comum; consiste em 4 cadeias protéicas, duas
pesadas e duas leves. Cada metade, uma cadeia pesada e uma leve, é idêntica à outra metade. Numa extremidade de cada cadeia a sequência
de aminoácidos varia de um anticorpo IgG para outro. Tais regiões variáveis fornecem dois locais de união, com antígenos. As regiões variáveis
conferem, então, especificidade na união com antígenos. A sequência de aminoácidos da porção remanescente de cada cadeia é a mesma em
todos os anticorpos IgG. Esta região constante determina a classe do anticorpo e é responsável por outras propriedades funcionais que não a
de união com os antígenos. Por exemplo, um segmento da região constante de IgG liga uma família de enzimas séricas conhecidas como
complemento, assim iniciando uma sequência de reações capaz de destruir células, uma vez que essas reações levam à formação de lesões de
superfície que podem matar a célula invasora. Além disso, alguns produtos dessas reações atraem fagócitos (neutrófilos e macrófagos) ao
local. Outros promovem a união dessas células fagocíticas às células invasoras. Ainda outros estimulam a liberação de histamina pelos
mastócitos. A histamina aumenta a permeabilidade dos capilares, facilitando a penetração de fagócitos na região onde a resposta imunológica
está se processando. Outros mecanismos de defesa direto são rupturas de membranas, indução à aglutinação de agentes antigênicos,
cobrindo locais tóxicos e causando a precipitação de antígenos pela formação de complexos antígeno-anticorpo insolúveis.
*A realização da fagocitose parece ser a razão principal pela qual as células sensibilizadas, derivadas de células T, combatem os agentes
invasores. Após a ligação aos antígenos, eles liberam uma substância (fator quimotático) que atrai os macrófagos e outros (fator inibidor da
migração) que mantêm os macrófagos na vizinhança. Leucócitos sensibilizados também liberam uma substância citotóxica (linfotoxina) que
pode destruir uma variedade de células-alvo. A ação mais comum dos linfócitos sensibilizados é a liberação de uma substância (fator de
transferência) que, em algumas formas desconhecidas, confere a outro linfócito a capacidade de atacar os agentes antigênicos específicos que
eles mesmo estão atacando.
-MEMÓRIA IMUNOLÓGICA-
Capacidade dos indivíduos que se recuperaram de uma infecção em responder mais efetiva e rigorosamente a outra infecção. Isto é explicado,
em grande parte, pela formação (em clones de células B e T durante o primeiro ataque) das chamadas células de memória, as quais dão
origem a clones delas próprias quando o agente infeccioso reaparece algum tempo depois.
-TOLERÂNCIA IMUNOLÓGICA E DOENÇAS AUTO-IMUNES-
Distingue o que é próprio do que não é. Ocasionalmente, o mecanismo de tolerância age indevidamente e o sistema imunológico ataca seus
próprios tecidos. Quando isto acontece, a desordem resultante é chamada da doença auto-imune
-INTERFERON-
A produção e a liberação, por células infectadas por vírus, de uma pequena proteína chamada interferon é o principal defensor contra o
primeiro ataque por um vírus. Essa proteína atua sobre outras células para torná-las resistentes à infecção viral. Quando o interferon deixa a
célula que o produziu, ele se liga a receptores de superfície nas células não infectadas próximas, onde acionam a síntese de enzimas que
atuam inibindo a síntese da proteína, evitando a entrada de qualquer vírus na célula.
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