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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

LRIAB
Nº 70074475393 (Nº CNJ: 0211654-97.2017.8.21.7000)
2017/CÍVEL

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO


ESPECIFICADO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE OU
SINGULARIDADE DOS RECURSOS.
I. Embora o § 1° do art. 101 do CPC/2015 disponha
que “o recorrente estará dispensado do recolhimento
de custas até decisão do relator sobre a questão,
preliminarmente ao julgamento do recurso”, na
hipótese o indeferimento da JG é o próprio mérito da
apelação e única matéria alegada, de modo que a
análise deve ser realizada pelo colegiado.
II. A interposição de dois recursos pela mesma parte
contra a mesma decisão impede o exame do que
tenha sido protocolado por último, haja vista a
preclusão consumativa e a observância ao princípio da
unirrecorribilidade ou singularidade dos recursos. E é
irrelevante que o primeiro recurso tenha sido
conhecido ou não. Jurisprudência do STF, STJ e desta
Corte. Doutrina a respeito.
III. Antes da interposição deste recurso de apelação a
recorrente havia interposto agravo de instrumento
contra o mesmo ato judicial, que não foi conhecido.
APELO NÃO CONHECIDO.

APELAÇÃO CÍVEL DÉCIMA PRIMEIRA CÂMARA CÍVEL

Nº 70074475393 (Nº CNJ: 0211654- COMARCA DE TAPERA


97.2017.8.21.7000)

NESTOR PARIZOTTO ME APELANTE

EVANDRA CORNELIUS APELADO

RUBENSON PRESTES RODRIGUES INTERESSADO

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos.


Acordam os Desembargadores integrantes da Décima Primeira
Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em não conhecer
do recurso de apelação.

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Nº 70074475393 (Nº CNJ: 0211654-97.2017.8.21.7000)
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Custas na forma da lei.


Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes
Senhores DES. ANTÔNIO MARIA RODRIGUES DE FREITAS ISERHARD
(PRESIDENTE) E DES.ª KATIA ELENISE OLIVEIRA DA SILVA.
Porto Alegre, 27 de setembro de 2017.

DES. LUIZ ROBERTO IMPERATORE DE ASSIS BRASIL,


Relator.

R E L AT Ó R I O

DES. LUIZ ROBERTO IMPERATORE DE ASSIS BRASIL (RELATOR)


Cuida-se de recurso de apelação interposto por NESTOR
PARIZOTTO ME contra a sentença que homologou o acordo celebrado nos autos
da ação que EVANDRA CORNÉLIUS move contra ela e RUBENSON PRESTES
RODRIGUES e condenou a parte ré ao pagamento das custas do processo, cujo
teor é o seguinte (fl. 192):

Vistos.
Homologo o acordo entabulado entre as partes (fls.
188/190) para que dele surtam seus jurídicos e legais
efeitos. C
ustas pelos demandados, pois não são possuidores
de gratuidade à justiça.
Publique-se. Registre-se e intimem-se.
Transitada em julgado e recolhidas as custas
pendentes, arquive-se, facultando-se a reativação a
pedido do exequente, a qualquer momento, em caso
de descumprimento do ajuste.

Esta decisão foi agregada pela decisão que analisou os embargos


declaratórios, oportunidade em que o juízo de primeiro grau concedeu a JG ao
demandado pessoa física (fls. 198/199):

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Vistos. Trata-se de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO


opostos contra a decisão de fl. 192, com os
embargantes alegando omissão no pronunciamento
judicial. Sucinto relatório. DECIDO. Preliminarmente,
manifesto-me acerca da tempestividade do recurso, o
qual foi manuseado em tempo hábil, merecendo,
portanto, ser recebido. É caso de acolhimento dos
presentes embargos, uma vez que o pedido de AJG
não foi analisado. Ante o exposto, considerando os
documentos acostados aos autos, defiro o benefício
da AJG ao demandado Rubenson. Quanto a pessoa
jurídica, Nestor Parizotto ME, considerando a asência
de documentos comprovando a real situação da
empresa, indefiro o benefício. Nesse contexto, as
custas deveão ser suportas pelos demandados, na
proporção de 50% para cada um, restando suspensa
a exigibilidade quanto ao demandado Rubenson.
Diante dos fundamentos expostos, acolho os
embargos de declaração, para sanar a omissão do
decisum, conforme motivação acima embargada.
Intimem-se.

A ora apelante interpôs, em 19/12/2016 (fl. 206), o agravo de


instrumento n° 70072334618 (fls. 209/217), que não foi conhecido, nos termos da
decisão monocrática de fls. 219/220.
Em 24/06/2017 (fl. 222) a ré Nestor Parizotto ME interpôs recurso de
apelação (fls. 222/229), onde sustenta que o fato de ser pessoa jurídica não impede
a concessão da gratuidade judiciária; diz que há documentos juntados para
embasar o pedido de JG e está enfrentando sérias dificuldades financeiras; afirma
que nos termos do art. 4° da Lei 1.060/50 a parte gozará do benefício da gratuidade
da justiça mediante simples afirmação. Pede o provimento do recurso.
Não foram apresentadas contrarrazões (certidão de fl. 243/v°).

Subiram os autos a esta Corte, vindo conclusos para julgamento.


É o relatório.

VOTOS
DES. LUIZ ROBERTO IMPERATORE DE ASSIS BRASIL (RELATOR)

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Embora o § 1° do art. 101 do CPC/2015 disponha que “o recorrente


estará dispensado do recolhimento de custas até decisão do relator sobre a
questão, preliminarmente ao julgamento do recurso”, na hipótese o
indeferimento da JG é o próprio mérito da apelação e única matéria alegada, de
modo que a análise deve ser realizada pelo colegiado.
Agrego comentário doutrinário ao art. 101 do CPC/2015:

“3. Recurso e preparo. Tratando-se de recurso


interposto contra decisão que indeferiu o pedido de
assistência judiciária, ipso facto o preparo não se
apresenta como requisito de admissibilidade desse
recurso, porquanto a questão central do recurso é a
necessidade do requerente em obter assistência
judiciária. Seria inadmissível exigir-se do recorrente
que efetuasse o preparo, quando justamente está
discutindo que não pode pagar as despesas do
processo, nas quais se inclui o preparo de recurso.
(...) No mesmo sentido decidiu o STF, sob o
fundamento de que, quando a questão de mérito do
recurso for a própria legitimidade, cabe e deve ser
conhecido: JSTF 146/226. À mesma conclusão
chegou o STJ: 4.ª T., REsp 247428-MG, rel. Min. Ruy
Rosado de Aguiar, v.u., j. 2.5.2000, DJU 19.6.2000, p.
153, e RSTJ 140/455. Este entendimento, que já era
por nós defendido nas edições anteriores dos
comentários ao CPC/1973, foi expressamente
acolhido pelo atual CPC.” (NERY JUNIOR, Nelson;
NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo
Civil Comentado. 1. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2015. p. 480).

Conforme se observa do relatório, antes da interposição deste


recurso de apelação (em 24/06/2017 - fl. 222) a recorrente Nestor Parizotto ME
havia interposto agravo de instrumento (em 19/12/2016 - fl. 206) contra o mesmo
ato judicial, que não foi conhecido (AgI n° 70072334618 - decisão monocrática de
fls. 219/220).
Diante da realidade evidenciada, não há como conhecer deste apelo,
sob pena de ofensa ao princípio da unirrecorribilidade, também conhecido como

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princípio da singularidade ou unicidade, ante à preclusão consumativa do ato de


recorrer.

Esse é o entendimento desta Câmara:


EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO PRIVADO
NÃO ESPECIFICADO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE OU
SINGULARIDADE DOS RECURSOS. A interposição
de dois recursos pela mesma parte contra a mesma
decisão impede o exame do que tenha sido
protocolizado por último, haja vista a preclusão
consumativa e a observância ao princípio da
unirrecorribilidade ou singularidade dos recursos.
Jurisprudência do STJ e desta Corte Doutrina.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO
CONHECIDOS. (Embargos de Declaração Nº
70074504531, Décima Primeira Câmara Cível,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Roberto
Imperatore de Assis Brasil, Julgado em 19/07/2017)

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO.


PRECLUSÃO CONSUMATIVA. PRINCÍPIO DA
UNIRRECORRIBILIDADE OU SINGULARIDADE DOS
RECURSOS. A interposição de dois recursos pela
mesma parte contra a mesma decisão impede o
exame do que tenha sido protocolizado por último,
haja vista a preclusão consumativa e a observância ao
princípio da unirrecorribilidade ou singularidade dos
recursos. Jurisprudência do STJ. Doutrina. Ausência
de preparo recursal da primeira apelação. Primeira
apelação convertida em diligência e segunda apelação
não conhecida. (Apelação Cível Nº 70073192239,
Décima Primeira Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Luiz Roberto Imperatore de Assis Brasil,
Julgado em 14/06/2017)

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL EM


ACIDENTE DE TRÂNSITO. FASE DE
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PRECLUSÃO
CONSUMATIVA. PRINCÍPIO DA
UNIRRECORRIBILIDADE OU SINGULARIDADE DOS
RECURSOS. A interposição de dois recursos pela
mesma parte contra a mesma decisão impede o
exame do que tenha sido protocolizado por último,
haja vista a preclusão consumativa e a observância ao
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princípio da Unirrecorribilidade ou Singularidade dos


recursos. Apelação não conhecida. (Apelação Cível Nº
70057259665, Décima Primeira Câmara Cível,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Roberto
Imperatore de Assis Brasil, Julgado em 11/03/2015).

Na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:


PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. UNIRRECORRIBILIDADE RECURSAL.
PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INTERPOSIÇÃO
CONTRA DECISÃO COLEGIADA. NÃO CABIMENTO.
ART. 1.021 DO CPC/2015. DECISÃO MANTIDA.
1. Diante do princípio da unirrecorribilidade recursal e
da ocorrência da preclusão consumativa, não merece
conhecimento o segundo recurso interposto pela
mesma parte contra a mesma decisão.
2. A interposição de agravo interno contra decisão
colegiada constitui falha inescusável, tendo em vista a
previsão expressa do art. 1.021 do CPC/2015.
Inviável, portanto, a aplicação do princípio da
fungibilidade recursal.
3. Agravo interno não conhecido.
(AgInt no AgInt no AREsp 488.243/MG, Rel. Ministro
ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA,
julgado em 09/05/2017, DJe 12/05/2017)

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE


DECLARAÇÃO E AGRAVO REGIMENTAL
APRESENTADOS CONTRA A MESMA DECISÃO.
IMPOSSIBILIDADE.
UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO
CONSUMATIVA. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE
DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E
94 DO STJ.
PRECEDENTES.
1. A interposição de dois recursos simultâneos pela
mesma parte e contra a mesma decisão impede o
conhecimento do segundo recurso, haja vista a
preclusão consumativa e o princípio da
unirrecorribilidade das decisões.
2. A decisão agravada não merece censura, pois está
em harmonia com a jurisprudência desta Corte

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Superior no sentido da inclusão do ICMS na base de


cálculo do PIS e da COFINS. Incidência das Súmulas
68 e 94 do STJ.
3. Embargos de declaração não conhecidos e agravo
regimental improvido.
(AgRg no REsp 1499232/PI, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado
em 19/03/2015, DJe 25/03/2015)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO


ESPECIAL. AFRONTA DO ART. 535 DO CPC.
INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚM.
284/STF. UNIÃO ESTÁVEL.
NÃO RECONHECIMENTO. REVISÃO. SÚM. 7/STJ.
1. Não há que se conhecer do segundo recurso
especial, tendo em vista o princípio da
unirrecorribilidade que veda a interposição de dois
recursos pela mesma parte em face do mesmo
decisório.
2. Inexiste afronta ao art. 535 do CPC/73, porque a
contradição sanável via embargos de declaração é
aquela existente no contexto da decisão.
3. No recurso especial, com exceção do art. 535 do
CPC/73, nenhum outro dispositivo legal foi apontado
como violado, de modo que as alegações referentes
ao reconhecimento da união estável encontram óbice
na Súmula 284/STF, aplicada ao recurso especial, por
analogia.
4. De qualquer modo, a alteração das premissas
fático-probatórias estabelecidas pelo acórdão
recorrido demandaria o revolvimento das provas
carreadas aos autos, atraindo o óbice da Súmula 7 do
STJ.
5. Agravo interno não provido.
(AgInt no AREsp 1058278/SP, Rel. Ministro LUIS
FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
27/04/2017, DJe 03/05/2017)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVOS INTERNOS NO


AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
INTERPOSIÇÃO DE DOIS RECURSOS. PRINCÍPIO
DA UNIRRECORRIBILIDADE RECURSAL.
PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INÉPCIA.

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IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA.


AUSÊNCIA.
1. Em harmonia com o princípio da unirrecorribilidade
recursal, observada a prévia interposição de recurso
contra a decisão recorrida, constata-se a preclusão
consumativa em relação ao agravo interposto
posteriormente.
2. É inepta a petição de agravo interno que não
impugna, especificamente, os fundamentos da
decisão agravada.
3. Agravo interno não conhecido, com a aplicação da
multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015.
(AgInt no AREsp 1006470/RS, Rel. Ministra NANCY
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
27/04/2017, DJe 09/05/2017)

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO


ESPECIAL. PETIÇÃO ELETRÔNICA.
PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE.
PRECLUSÃO CONSUMATIVA. FUNDAMENTOS DA
DECISÃO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE
IMPUGNAÇÃO. ART. 1.021, PARÁGRAFO 1º, DO
CPC/2015. SÚMULA Nº 182 DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
1. Não se conhece da segunda petição recursal por
força do princípio da unirrecorribilidade e da preclusão
consumativa. Precedente.
2. Não pode ser conhecido o recurso que não infirma
especificamente os fundamentos da decisão
agravada, haja vista o disposto no art.
1.021, parágrafo 1º, do Código de Processo Civil de
2015. O conteúdo normativo do referido dispositivo
legal já estava cristalizado no entendimento
jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça na
redação da Súmula nº 182/STJ.
3. Agravo interno não conhecido.
(AgInt no AREsp 1042586/RJ, Rel. Ministro RICARDO
VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado
em 25/04/2017, DJe 11/05/2017).

No Supremo Tribunal Federal:


“1. O Princípio da unirrecorribilidade estava
expressamente previsto no Código de Processo Civil
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(LGL\1973\5) de 1939 e foi implicitamente acolhido


pela legislação processual vigente, em razão da
sistemática por ela inaugurada e da cogente
observância da regra da adequação dos recursos. 2.
Embargos de divergência e recurso extraordinário.
Interposição contra uma mesma decisão.
Impossibilidade. Enquanto não apreciados os
embargos opostos pela parte interessada não se pode
afirmar que o juízo a quo tenha esgotado a prestação
jurisdicional, nem que se trata de decisão de única ou
última instância. Pressuposto constitucional de
cabimento do extraordinário. Agravo regimental não
provido" ( AgRg no AgIn 563.505/MS, 1.ª T., rel. Min.
Eros Grau, DJ 04.11.2005).

"1. Interposição simultânea de mais de um recurso


contra sentença ou acórdão. Não cabimento. Princípio
da unirrecorribilidade expressamente previsto no CPC
(LGL\1973\5) de 1939 e implicitamente acolhido pela
legislação processual vigente, em razão da
sistemática por ela inaugurada e da cogente
observância à regra da adequação dos recursos. 2.
Embargos de divergência e recurso extraordinário.
Interposição simultânea. Impossibilidade. Enquanto
não apreciados os embargos opostos pela parte
interessada, não se pode afirmar tenha o juízo a quo
esgotado a prestação jurisdicional, nem que se cuida
de decisão de única ou última instância, pressuposto
constitucional de cabimento do extraordinário. 3.
Distinção entre o caso sub examine e a hipótese de
simultaneidade de embargos infringentes e recurso
especial e/ou extraordinário que, quer se entenda ou
não como exceção legal à regra da unicidade, não
mais subsiste em face da superveniência da Lei
10.352/2001. Agravo regimental não provido" (AgRg
em RE 355.497/SP, 2.ª T., rel. Min. Maurício Corrêa,
DJ 25.04.2003).

Nelson Nery Junior, na sua obra Princípios Fundamentais - Teoria


Geral dos Recursos (Ed. Revista dos Tribunais, 4ª edição, 1997, p. 89/90), refere
que
No sistema do CPC brasileiro vige o princípio da
singularidade dos recursos, também denominado de
princípio da unirrecorribilidade, ou ainda de princípio
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da unicidade, segundo o qual, para cada ato judicial


recorrível há um único recurso previsto pelo
ordenamento, sendo vedada a interposição simultânea
ou cumulativa de mais outro visando a impugnação do
mesmo ato judicial.

Na mesma linha, a doutrina de Marcelo Abelha (Manual de Direito


Processual Civil. 6ª ed. rev. atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2016. p. 1399-
1400):
Também denominado princípio da unirrecorribilidade
(= unicidade), tal princípio, como o nome mesmo
indica, significa que para cada ato judicial (decisão
recorrível) há um recurso específico, sendo vedada,
portanto, a interposição cumulada e/ou simultânea de
mais de um recurso para o mesmo ato judicial.
(...)
No CPC de 1939, este princípio estava previsto no art.
809, in fine. Apesar de não restar atualmente
expresso, como no CPC antigo, sua presença é
implacável e inevitável no CPC atual, e isso se
dessume da aplicação sistemática do art. 996
(taxatividade) somada com a correlatividade do art.
203 e dos arts. 1001, 1009 e 1015, que, ao
estabelecerem os atos decisórios do juiz e
correlacionarem tais atos com seu respectivo recurso,
acabaram por prever o referido princípio no sistema.
Observe-se que a conseqüência de se haver dois ou
mais recursos interpostos simultaneamente em face
de uma mesma decisão é a preclusão consumativa do
segundo, devendo o magistrado considerar apenas ao
primeiro.

Confira-se ainda: José Carlos Barbosa Moreira. Comentários ao


Código de Processo Civil (LGL\1973\5). 7. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1998. vol.
V, p. 247; Arruda Alvim. "Anotações sobre a teoria geral dos recursos". Aspectos
polêmicos e atuais dos recursos cíveis de acordo com a Lei 9.756/98. Coord.
Teresa Arruda Alvim Wambier e Nelson Nery Jr. São Paulo: Revista dos Tribunais,
1999. p. 56.

E é irrelevante que o primeiro recurso tenha (ou não) sido conhecido.

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Ante o exposto, voto pelo não conhecimento do recurso de apelação.

DES.ª KATIA ELENISE OLIVEIRA DA SILVA - De acordo com o(a)


Relator(a).

DES. ANTÔNIO MARIA RODRIGUES DE FREITAS ISERHARD


(PRESIDENTE) - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. ANTÔNIO MARIA RODRIGUES DE FREITAS ISERHARD -


Presidente - Apelação Cível nº 70074475393, Comarca de Tapera: "À
UNANIMIDADE, NÃO CONHECERAM DO RECURSO DE APELAÇÃO."

Julgador(a) de 1º Grau: MARILENE PARIZOTTO CAMPAGNA

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