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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE


PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRICULTURA E BIODIVERSIDADE

CARACTERIZAÇÃO, SAZONALIDADE E ATIVIDADE


INSETICIDA DE ACESSOS DE Varronia curassavica Jacq.

BRUNA MARIA SANTOS DE OLIVEIRA

2019
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRICULTURA E BIODIVERSIDADE

BRUNA MARIA SANTOS DE OLIVEIRA

CARACTERIZAÇÃO, SAZONALIDADE E ATIVIDADE INSETICIDA DE ACESSOS


DE Varronia curassavica Jacq.

Tese apresentada à Universidade Federal de


Sergipe, como parte das exigências do Curso
de Doutorado em Agricultura e
Biodiversidade, área de concentração em
Agricultura e Biodiversidade, para obtenção
do título de Doutora em Ciências.

Orientador
Prof. Dr. Arie Fitgerald Blank
Coorientador
Prof. Dr. Leandro Bacci

SÃO CRISTÓVÃO
SERGIPE – BRASIL
2019
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

Oliveira, Bruna Maria Santos de


O48c Caracterização, sazonalidade e atividade inseticida de acessos de Varronia
curassavica Jacq. / Bruna Maria Santos de Oliveira; orientador Arie Fitgeral
Blank. – São Cristóvão, 2019.
73 f. ; il.

Tese (doutorado em Agricultura e Biodiversidade) – Universidade Federal


de Sergipe, 2019.

O
1. Cordiaceae. 2. Germoplasma. 3. Plantas medicinais. 4. Essências e
óleos essenciais. 5. Formiga. 6. Atividade biológica. I. Blank, Arie Fitgerald,
orient. II. Título

CDU: 633.81:582.929.4
BRUNA MARIA SANTOS DE OLIVEIRA

CARACTERIZAÇÃO, SAZONALIDADE E ATIVIDADE INSETICIDA DE ACESSOS


DE Varronia curassavica Jacq.

Tese apresentada à Universidade Federal de


Sergipe, como parte das exigências do Curso
de Doutorado em Agricultura e
Biodiversidade, área de concentração em
Agricultura e Biodiversidade, para obtenção
do título de Doutora em Ciências.

APROVADA em 22 de fevereiro de 2019.

Prof. Dr. José Magno Queiroz Luz Prof. Dr. Marcelo da Costa Mendonça
UFU UNIT

Prof. Dr. Leandro Bacci Profª. Dra. Daniela Aparecida de C. Nizio


UFS UFS
(Coorientador)

Prof. Dr. Arie Fitgerald Blank


UFS
(Orientador)

SÃO CRISTÓVÃO
SERGIPE – BRASIL
AGRADECIMENTOS

A Deus, pela vida, família maravilhosa, por me permitir ser forte, nunca me deixar
perder o foco e sempre colocar pessoas maravilhosas em meu caminho.
A todos os que contribuíram para a realização deste trabalho e aqueles que
contribuíram de alguma forma ao longo de minha vida.
À Universidade Federal de Sergipe, ao Programa de Pós-Graduação em Agricultura e
Biodiversidade. Ao CNPq, CAPES e FAPITEC/SE, pela oportunidade de realização do
doutorado e pelo suporte financeiro.
Aos meus familiares, em especial a minha mãe Maria, e também aos meus irmãos,
tios, sobrinhos e afilhados, por todo incentivo, confiança, apoio, amor incondicional e
compreensão. Vocês são minha maior motivação e o que tenho de mais importante.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Arie F. Blank, pelo exemplo de dedicação à pesquisa,
por todos os ensinamentos que proporcionaram meu crescimento científico. À equipe do
GPMACO – Grupo de Pesquisa em Plantas Medicinais, Aromáticas, Codimentares e
Olericultura, em especial ao grande amigo Luis Fernando por sua colaboração em campo,
ensinamentos e parceria neste processo. A querida Dra. Taís Sampaio, pelos ensinamentos e
parceria nas análises espectrométricas. A Dra. Daniela Nízio pela parceria desde as coletas
bem como contribuição nos artigos, ensinamento e solicitude.
Ao meu coorientador, Prof. Dr. Leandro Bacci, por todo apoio desde o mestrado, por
sua inestimável orientação, solicitude, incentivo. Aos amigos e colegas do laboratório Clínica
Fitossanitária MIP-UFS: Ane Caroline, Morgana, Abrãao, Alexandre, Beatriz, Carlisson,
Alisson, Ana Paula, Emile, Walace, Ruan, Rafaela, Aline, e demais, pela colaboração e
amizade ao longo destes anos.
Ao Prof. Dr. Paulo Nogueira, pela contribuição na identificação dos compostos
químicos.
Aos membros da banca examinadora pelas contribuições.
Ao amigo e ―anjo da guarda‖ Carlisson Melo (Bimbo) que com muita paciência
sempre esteve ao meu lado, me fazendo acreditar que eu conseguiria alcançar os objetivos e
por todo apoio emocional e científico. E por todos os momentos vividos, você tem lugar
muito especial em minha vida.
À família Ramos e Melo (tia Tereza, tio Carlos, Maria Clara e Daniel) pelas orações,
amor, incentivo e apoio durante essa jornada, e por terem me acolhido. Amo muito vocês.
À Paróquia Senhor do Bomfim – Rosa Elze São Cristóvão-SE por fortalecer minha fé
e me aproximar dos ensinamentos de Deus.
A todos os amigos que, próximos ou distantes, auxiliaram com palavras e atos de
carinho, apoio e incentivo. Em especial aos amig@s das repúblicas pelos momentos
compartilhados.
À SOCIEDADE BRASILEIRA dedico meu agradecimento especial, por financiar
todo meu estudo na rede pública de ensino, sem a qual não seria possível este título de Dra.

Obrigada e gratidão a todos!


SUMÁRIO
Página

LISTA DE FIGURAS ..................................................................................................... i


LISTA DE TABELAS .................................................................................................... iii
RESUMO ........................................................................................................................ iv
ABSTRACT .................................................................................................................... v
1. INTRODUÇÃO GERAL ............................................................................................ 1
2. REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................... 2
2.1. Botânica e uso de Varronia curassavica Jacq....................................................... 2
2.2. Conservação e caracterização morfoagronômica de recursos genéticos de
Plantas aromáticas........................................................................................................ 3
2.3. Diversidade química nos óleos essencias de plantas medicinais e aromáticas ..... 3
2.4. Influência da sazonalidade na produção de óleos essencias ................................. 5
2.5. Óleos essenciais de plantas como alternativa potencial no controle de formigas 7
2.6. Formiga urbana (Dorymyrmex sp.) ....................................................................... 8
3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 9
4.ARTIGO 1: CARACTERIZAÇÃO MORFOAGRONÔMICA DE GERMOPLASMA
DE Varronia curassavica CONSERVADO ―EX SITU” ................................................. 20
Resumo ........................................................................................................................ 20
Abstract......................................................................................................................... 21
4.1. Introdução ............................................................................................................ 21
4.2. Material e Métodos .............................................................................................. 22
4.3. Resultados e Discussão ......................................................................................... 24
4.4. Conclusões ........................................................................................................... 30
4.5. Referências Bibliográficas .................................................................................... 31
5. ARTIGO 2: ANÁLISE QUÍMICA DE ÓLEOS ESSENCIAIS DE ACESSOS DE
Varronia curassavica Jacq COLHIDOS EM DUAS ÉPOCAS ...................................... 31
Resumo ........................................................................................................................ 34
Abstract........................................................................................................................ 35
5.1. Introdução ............................................................................................................ 35
5.2. Material e Métodos .............................................................................................. 36
5.3. Resultados ............................................................................................................ 37
5.4. Discussão .............................................................................................................. 39
5.5. Conclusões ............................................................................................................ 41
5.6. Referências Bibliográficas .................................................................................... 41
Tabelas e Figuras ......................................................................................................... 45
6. ARTIGO 3: ÓLEOS ESSENCIAIS DE ACESSOS DE Varronia curassavica
(CORDIACEAE) E SEUS COMPOSTOS E-CARIFILENO E α-HUMULENO COMO
ALTERNATIVA NO CONTROLE DE Dorymyrmex thoracicus (FORMICIDAE:
DOLICHODERINAE)................................................................................................ 54
Resumo ........................................................................................................................ 54
Abstract......................................................................................................................... 55
6.1. Introdução ............................................................................................................ 55
6.2. Material e Métodos .............................................................................................. 56
6.3. Resultados ............................................................................................................ 58
6.4. Discussão .............................................................................................................. 59
6.5. Referências Bibliográficas .................................................................................... 61
Tabelas e Figuras ......................................................................................................... 65
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 72
ANEXOS ....................................................................................................................... 73
i

LISTA DE FIGURAS

ARTIGO 1
Figura Página
1 Dendograma bidimensional representando a similaridade entre 27 acessos de
erva-baleeira, obtido pelo método de Ward com base na distância euclidiana
com base nos caracteres morfoagronômicos. São Cristóvão-SE ...................... 29
2 Dispersão gráfica de 15 variáveis morfoagronômicas dos 27 acessos de erva-
baleeira em relação aos dois componentes principais através da análise de
componente principal (ACP) da coleção de erva baleeira no Banco Ativo de
Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da UFS. São Cristóvão-
SE. Variáveis: Comprimento da Folha (CF), Largura da Folha (LF), Relação
Comprimento/ Largura de Folha (C/L), Área Foliar (AF), Largura da Copa
(LC), Altura de Planta (AP) e Diâmetro do Caule (DC), RGB - R (Red), G
(Green), B (Blue) onde: R (AD); G (AD); B (AD) e R (AB); G (AB); B
(AB) são códigos das cores na parte Adaxial e Abaxial da folha. Teor (TEO)
e Rendimento (REO) de óleo essencial. ........................................................... 30

ARTIGO 2

Figura Página
1 Dendrograma bidimensional representando a similaridade entre 27 acessos
de Varronia curassavica para a composição química do óleo essencial na
época chuvosa (A) e seca (B)............................................................................ 50
2 Média dos principais compostos químicos do óleo essencial de 27 acessos de
Varronia curassavica colhidos na época chuvosa.. .......................................... 51
3 Média dos principais compostos químicos do óleo essencial de 27 acessos de
Varrania curassavica colhidos na época seca................................................... 52
4 Distribuição dos compostos químicos do óleo essencial de acessos de
Varronia curassavica em relação aos dois componentes principais através da
análise de componente principal (ACP), nas épocas: chuvosa (A) e seca (B). 53

ARTIGO 3
Figura Página
1 Curvas de sobrevivência dos óleos essenciais de seis acessos de Varronia
curassavica e dos compostos E-cariofileno e α-humuleno sobre operárias de
Dorymyrmex thoracicus na CL95 dos bioensaios de concentração letal, TL50=
tempo letal para matar 50% da população. Valores entre parênteses
representam 95% de intervalo de confiança. (Teste de Log-rank: X2=1139,1;
d.f.=4; P < 0,001)............................................................................................... 68
2 Trilhas representativas da atividade locomotora de operárias de Dorymyrmex
thoracicus durante 10 min em arenas parcialmente tratadas com óleos
essencias de seis genótipos de Varronia curasssavica e os compostos E-
cariofileno e α-humuleno, no lado esquerdo (não tratado) foi aplicado apenas
o solvente (acetona)........................................................................................... 69
3 Tempo de permanência (%) (± erro padrão) de Dorymyrmex thoracicus
expostas por contato em arenas com metade tratadas com solução a 1,0% dos
óleos essenciais de Varronia curasssavica e os compostos E-cariofileno e α- 70
ii

humuleno, * indicam diferenças significativas entre as áreas pelo teste de t


pareado a p < 0,05, n,s, = não significativo.......................................................
4 Deslocamento (mm) (A) e velocidade média (mm s-1) (B) (± erro padrão) de
operárias de Dorymyrmex thoracicus expostas em arenas parcialmente
tratadas com 1% dos óleos essenciais de seis genotipos de Varronia
curassavica e seus compostos E-cariofileno e α-humuleno, * indicam
diferenças significativas entre o lado tratado e o não tratado da arena pelo
teste t pareado a p < 0,05................................................................................... 71
iii

LISTA DE TABELAS

ARTIGO 1
Tabela Página
1 Código, origem e informações geográficas de 27 acessos de erva-baleeira do
Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da
Universidade Federal de Sergipe - UFS. (BRITO et al., 2016)......................... 23
2 Cor do caule, nervuras, sépalas, pétalas e formato da copa de 27 acessos de
erva-baleeira do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e
Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe............................................ 25
3 Coloração da lâmina foliar (face adaxial e abaxial) de vinte e sete acessos de
erva-baleeira, com base nos padrões RGB (Red, Green e Blue) e códigos
hexadecimais. .................................................................................................... 26
4 Valores médios de comprimento da folha (CF), largura da folha (LF),
relação comprimento/largura (C/L), área foliar (AF), largura da copa (LC),
altura da planta (AP) e diâmetro do caule a 10 cm do solo (DC), de 27
acessos de erva-baleeira do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas
Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe....................... 27
5 Massa seca, teor e rendimento de óleo essencial dos 27 acessos de erva-
baleeira do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e
Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe. ............................................. 28

ARTIGO 2
Tabela Página
1 Código, origem e informações geográficas de 27 acessos de V. curassavica
do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da
Universidade Federal de Sergipe (UFS)........................................................... 45
2 Teor (%) dos constituintes químicos (C01 ao C26) do óleo essencial (OE) de
acessos da coleção de Varronia curassavica do Banco Ativo de
Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal
de Sergipe (Estado de Sergipe, Brasil) coletados na época chuvosa (julho de
2015) e na época seca (janeiro de 2016)......................................................... 46
3 Teor (%) dos constituintes químicos (C27 ao C51) do óleo essencial (OE) de
acessos da coleção de V. curassavica do Banco Ativo de Germoplasma de
Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe
(Estado de Sergipe, Brasil) coletados na época chuvosa (julho de 2015) e na
época seca (janeiro de 2016). ............................................................................ 48

ARTIGO 3
Tabela Página
1 Composição química (%) dos óleos essenciais de seis genótipos de
Varronia curassavica. Sergipe, Brasil............................................................. 65
2 Toxicidade dos óleos essenciais de seis acessos de Varronia curassavica e
dos compostos E-cariofileno e α-humuleno sobre operárias de Dorymyrmex
thoracicus......................................................................................................... 67
iv

RESUMO
OLIVEIRA, Bruna Maria Santos de. Caracterização, sazonalidade e atividade inseticida
de acessos de Varronia curassavica Jacq. São Cristóvão: UFS, 2019. 73p. (Tese –
Doutorado em Agricultura e Biodiversidade).*

A erva-baleeira (Varronia curassavica Jacq.) pertencente à família Cordiacea, é uma planta


medicinal e aromática nativa do Brasil, cujo óleo essencial é utilizado pela indústria
farmacêutica por conter substâncias anti-inflamatórias. A composição e rendimento de óleos
essenciais pelas plantas medicinais e aromáticas podem ser influenciados por fatores bióticos
e abióticos. Uma alternativa para manutenção e conservação da biodiversidade vegetal é a
formação de Bancos Ativos de Germoplasmas (BAG‘s). Assim sendo, o objetivo deste
trabalho foi caracterizar morfoagronomicamente e quimicamente acessos de V. curassavica
do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade
Federal de Sergipe (UFS) colhidos nas épocas chuvosa (julho de 2015) e seca (janeiro de
2016), e avaliar os efeitos letais e subletais do OE e seus constituintes E-cariofileno e α-
humuleno sobre a formiga Dorymyrmex thoracicus. A análise morfológica dos acessos foi
realizada em campo, através da avaliação da altura de planta; largura da copa; formato da
copa; diâmetro do caule; cor do caule; e relação comprimento/largura das lâminas foliares; e
cor das folhas, pétalas e sépalas. A análise agronômica foi realizada por meio da massa seca
das folhas, teor e rendimento do óleo essencial. A análise química dos OEs extraídos das
folhas secas por hidrodestilação foi realizada em aparelho Clevenger adaptado e a
identificação foi realizada por Cromatografia Gasosa/ Espectrometria de Massa/ Detector de
Ionização em Chamas (CG/EM/DIC). A avaliação dos efeitos letais e subletais dos OEs e seus
constituintes E-cariofileno e α-humuleno foi feita através de bioensaios de toxicidade por
fumigação e de atividade locomotora em arenas parcialmente tratadas. Na avaliação
morfológica e agronômica observou-se a existência de variabilidade fenotípica na coleção de
V. curassavica. Na análise química formou-se sete grupos químicos nas duas épocas de
colheita. Os grupos foram caracterizados pela presença dos seguintes compostos químicos:
grupo 1 - 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one; grupo 2 - E-cariofileno e α-
turmerona; grupo 3 - 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one, α-turmerona e
E-cariofileno; grupo 4 - shyobunol e germacreno D-4-ol; grupo 5 - E-cariofileno, viridiflorol e
α-zingibereno; grupo 6 - sabineno, E-cariofileno e biciclogermacreno; e grupo 7 - α-pineno e
E-cariofileno. Observou-se pequenas variações quantitativas dos constituintes químicos dos
OEs dos acessos, nas duas épocas. Apenas os acessos VCUR-302 e VCUR-502 apresentaram
alteração na composição química dos seus OEs; estes dois acessos migraram do grupo 5, na
época chuvosa, para o grupo 6, na época seca. O acesso VCUR-105 apresentou maior teor de
óleo essencial na época chuvosa (3,20%), enquanto que para a época seca, além do VCUR-
105 (2,84%), os acessos VCUR-003 (2,78%) e VCUR-101 (2,73%) se mostraram ricos em
OEs. Os compostos bioativos α-humuleno e E-cariofileno foram detectados em todos os
acessos e em ambas as épocas. As concentrações letais encontradas para matar 50% da
população de D. thoracicus variaram de 0,692 a 2,481µL L-1 para os OEs e de 3,754 e 1,493
µL L-1 para os compostos E-cariofileno e α-humuleno. De modo geral, os OEs de V.
curassavica causaram repelência e afetaram a atividade locomotora das formigas. Os
resultados indicam que os OEs de V. curassavica são uma fonte promissora para o controle da
formiga urbana D. thoracicus.

Palavras-chave: Cordiaceae, Germoplasma, Planta medicinal e aromática, Óleo volátil,


Atividade biológica, Formicidae.

______________
* Comitê Orientador: Arie Fitgerald Blank – UFS (Orientador), Leandro Bacci- UFS (Coorientador).
v

ABSTRACT
OLIVEIRA, Bruna Maria Santos de. Characterization, seasonality and insecticidal activity
of Varronia curassavica Jacq. São Cristóvão: UFS, 2019. 73p. (Thesis - Doctor of Science in
Agriculture and Biodiversity). *

Erva-baleeira (Varronia curassavica Jacq.), belonging to the Cordiaceae family, is a


medicinal and aromatic plant native to Brazil. Its essential oil is used by the pharmaceutical
industry, as it contains bioactive substances. The production and yield of essential oils by
medicinal and aromatic plants may be influenced by biotic and abiotic factors. An alternative
for maintaining and preserving plant diversity is the formation of Active Germplasm Banks
(AGBs). Therefore, the goal of this study was to chemically and morpho-agronomically
characterize accessions of V. curassavica from the Active Germplasm Banks of medicinal and
aromatic plants of the Federal University of Sergipe (UFS) harvested during the rainy season
(July 2015) and dry season (January 2016). An additional goal was to evaluate the lethal and
sub-lethal effects of the essential oils and their constituents, E-caryophyllene and α-humulene,
on the ant Dorymyrmex thoracicus. Morphological analysis was carried out in the field by
evaluating plant height; canopy width; canopy shape; stem diameter; stem color; leaf blade
width, length, and length/width ratio; and leaf, petal, and sepal colors. Agronomic analysis
was performed by analyzing leaf dry matter and content and yield of the essential oil. The
essential oils extracted from the dried leaves were chemically analyzed by hydrodistillation in
an adapted Clevenger device, with identification by chemical analysis through Gas
Chromatography / Mass Spectrometry / Flame Ionization Detection (GC/MS/FID). The lethal
and sub-lethal effects of the essential oils and their constituents E-caryophyllene and α-
humulene were evaluated through bioassays of fumigation toxicity and locomotor activity in
partially treated arenas. In morphological and agronomic evaluation, the existence of
phenotypic variability in the V. curassavica collection was observed.
In chemical analysis, seven chemical groups were formed within the two harvest periods. The
clusters were characterized by the presence of the following chemical compounds: cluster 1 –
methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one; cluster 2 – E-caryophyllene and α-
turmerone; cluster 3 – methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one, α-turmerone, and
E-caryophyllene; cluster 4 – shyobunol and germacrene D-4-ol; cluster 5 – E-caryophyllene,
viridiflorol, and α-zingiberene; cluster 6 – sabinene, E-caryophyllene, and bicyclogermacrene;
and cluster 7 – α-pinene and E-caryophyllene. Small quantitative variations of the chemical
constituents of the essential oil of the accessions were observed within the two seasons. Only
the accessions VCUR-302 and VCUR-502 had major changes in the chemical composition of
their essential oils. These two accessions migrated from cluster 5 in the rainy season to cluster
6 in the dry season. The accession VCUR-105 had higher essential oil content in the rainy
season (3.20%). In the dry season, the accessions VCUR-003 (2.78%) and VCUR-101
(2.73%) were also productive, as well as VCUR-105 (2.84%). The bioactive compounds α-
humulene and E-caryophyllene were detected in all accessions in both seasons. The lethal
concentrations to kill 50% of the D. thoracicus population ranged from 0.69 to 2.48 μL L-1 for
essential oils and from 3.754 to 1.493 μL L-1 for the E-caryophyllene and α-humulene
compounds. In general, the essential oils of V. curassavica caused repellency and affected the
locomotor activity of the ants. These results indicate that essential oils of V. curassavica are a
promising source for control of the urban ant D. thoracicus.

Keywords: Cordiaceae, Germplasm, Medicinal and aromatic plants, Volatile oil, Biological
activity, Formicidae.
_________________
* Supervisory Committee: Arie. Fitgerald Blank – UFS (Advisor), Leandro Bacci – UFS. (Co-advisor)
.
1

1. INTRODUÇÃO GERAL

O Brasil é um país rico em biodiversidade vegetal. No entanto, nos últimos anos tem
acontecido uma destruição acelerada, principalmente da vegetação natural. Isso está associado
à expansão agrícola, à queimada, à exploração madeireira, ao extrativismo e ao crescimento
desordenado das cidades, representando ameaça a inúmeras espécies de plantas do país
(OLIVEIRA, 2010). Existe assim grande risco de estreitamento da variabilidade genética das
populações nativas (DOBEŠ et al., 2017).
Uma alternativa para manutenção e conservação da biodiversidade vegetal é a
formação de Bancos Ativos de Germoplasmas (BAG‘s). As plantas mantidas em BAG‘s
podem ser usadas em programas de melhoramento genético devido à existência de
variabilidade genética das espécies (BORÉM; VIANA, 2005; GOEDERT, 2007). No entanto,
a conservação deve ser acompanhada de estudos adicionais de caracterizações
morfoagronômicas, bioquímicas e moleculares (CRUZ; CARNEIRO, 2006; AMARAL
JUNIOR et al., 2010).
A erva-baleeira (Varronia curassavica Jacq.) (ex Cordia verbenacea Boraginaceae) é
uma planta medicinal e aromática originária do Brasil (GASPARINO; BARROS, 2009) que
tem se destacado tanto na medicina popular quanto na indústria farmacêutica devido à ação
anti-inflamatória do seu óleo essencial (OE) (PASSOS et al., 2007; PARISSOTO et al., 2012;
PIMENTEL et al., 2012). O α-humuleno é considerado o marcador químico da espécie para a
atividade anti-inflamatória (GILBERT; FAVORETO, 2012).
A caracterização química do OE das folhas de populações nativas de V. curassavica
coletadas no estado de Sergipe possibilitou a identificação de uma grande variedade de
compostos nos OEs (NIZIO et al., 2015). Esse estudo serviu de base para interesse em
implantação de uma coleção dessa espécie no Banco Ativo de Germoplasma de Plantas
Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe (UFS), com intuito de fazer a
conservação da espécie e obter informações sobre a variabilidade morfológica, agronômica e
química dos OEs, além de estudar a atividade inseticida. A conservação da variabilidade
genética de V. curassavica é de grande importância para reduzir a erosão genética e permitir o
intercâmbio e uso dos acessos em programas de melhoramento.
Além das propriedades medicinais, estudos têm demonstrado diversas atividades
biológicas de V. curassavica, como por exemplo, toxicidade à larva do mosquito Aedes
aegypti (SANTOS et al., 2006), ação antibacteriana (CARVALHO JR. et al., 2004; MECCIA
et al., 2009; RODRIGUES et al., 2012), antialérgica (PASSOS et al., 2007), antiulcerogênica
(ROLDÃO et al., 2008), antifúngica (PINHO et al., 2012; SILVA et al., 2014; NIZIO et al.,
2015) e antiprotozoária (NIZIO et al., 2018 a).
Existe interesse na ampliação de estudos sobre esta espécie, principalmente aqueles
voltados para a seleção de genótipos com atividade biológica sobre pragas agrícolas e insetos
vetores de doenças. Assim, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a diversidade
morfoagronômica e química dos óleos essenciais, coletados em duas épocas, e avaliar a
atividade inseticida dos OEs de acessos de erva-baleeira (V. curassavica Jacq) sobre formigas
urbanas.
2

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Botânica e uso de Varronia curassavica Jacq.


A Varronia curassavica Jacq. (ex Cordia verbenacea - Boraginaceae), pertence à
família Cordiaceae, constitui uma espécie medicinal originária do Brasil, conhecida
populamente por erva-baleeira (GASPARINO; BARROS, 2009). É encontrada desde a
América Central até o sul do Brasil (LORENZI; MATOS, 2008) em uma grande amplitude de
habitats, tais como: praias, restingas, florestas e cerrados (WANDERLEY et al., 2002).
Cordiaceae é considerada uma família monofilética, cosmopolita e provavelmente a
mais complexa de Boraginales, abrange os gêneros Coldenia L., Cordia L. e Varronia P. Br.
(MILLER; GOTTSCHLING, 2007). Possui aproximadamente 350 espécies (MILLER, 2007).
Os gêneros Cordia e Varronia são separados pela morfologia polínica: Cordia apresenta
grãos de pólen 3-colporados, colpos longos e endoaberturas lalongadas, exina espinhosa a
espículo-verrugosa e Varronia apresenta grãos de pólen 3-porados, poros com opérculos,
exina reticulada, homorreticulada a heterorreticulada (GASPARINO; BARROS, 2009).
É um arbusto perene, muito ramificado, podendo atingir uma altura de 1,5 a 3,5
metros. Folhas simples, alternas, coriáceas, lanceoladas e aromáticas com aspecto áspero,
odor forte e persistente. As inflorescências surgem nas extremidades dos ramos, em forma de
espigas arqueadas para baixo, com flores de coloração branca de tamanho pequeno com
ovário subgloboso. Os frutos são cariopses esféricos e quando amadurecidos possuem
coloração avermelhada medindo aproximadamente 0,4 cm (LORENZI; MATOS, 2008;
VIEIRA et al., 2013). Não existe sincronismo de floração num mesmo ramo, pois tanto pode
haver lançamentos simultâneos de inflorescências, como lançamentos sequenciais
(BRANDÃO et al., 2015).
O OE de V. curasssavica é utilizado tanto popularmente quanto pela indústria
farmacêutica, principalmente por conter substâncias anti-inflamatórias presentes no seu OE
(PASSOS et al., 2007; PARISSOTO et al., 2012; PIMENTEL et al., 2012). Está incluída no
Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira e na lista da Relação Nacional de
Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS). É usada como anti-inflamatório em
forma de infuso, como compressa (BRASIL, 2011).
O primeiro medicamento fitoterápico produzido com tecnologia 100% nacional no
Brasil foi desenvolvido a partir do OE de folhas da erva-baleeira, o Acheflan® em 2005. O
produto foi apresentado nas formas farmacêuticas de aerosol e em creme, cada uma contendo
5,0 mg do OE de V. curassavica, padronizado em 2,3-2,9% do sesqueterpeno α-humuleno
(COUTINHO et al., 2009; SANTOS; PINHO, 2010). O α-humuleno é considerado o
marcador químico da espécie para atividade anti-inflamatória (GILBERT; FAVORETO,
2012).
Estudos revelaram que a planta de V. curassavica atrai insetos adultos da larva
minadora dos citros (Cratosomus flavofasciatus) podendo ser utilizada como planta
armadilha, sendo assim, recomenda-se seu plantio no perímetro dos pomares e a catação
periódica dos besouros atraídos (MENDONÇA; SILVA, 2007).
O extrato e o OE de V. curassavica apresentam toxicidade à larva do mosquito Aedes
aegypti (L.) (SANTOS et al., 2006), inibição em bactérias gram-positivas (CARVALHO JR.
et al., 2004; MECCIA et al., 2009), atividade fungistática contra Candida albicans (PINHO et
al., 2012), ação antibacteriana se destacando no combate à Staphylococcus aureus e
Escherichia coli (RODRIGUES et al., 2012), atividade antifúngica contra Lasiodiplodia
theobromae (NIZIO et al., 2015) e antiprotozoária (NIZIO et al., 2018 a).
Devido às propriedades terapêuticas e demais atividades biológicas da V. curassavica,
existe grande interesse na ampliação de estudos sobre a planta, principalmente estudos
voltados para a seleção de genótipos interessantes quanto aos seus aspectos agronômicos, sua
composição química e potencial biológico (VAZ et al., 2006; MENDES et al., 2015).
3

2.2 Conservação e caracterização morfoagronômica de recursos genéticos de plantas


aromáticas
A conservação dos recursos genéticos vegetais é normalmente realizada através de
bancos de germoplasma, em campo, e pode ser feita "in situ" e "ex situ". Uma coleção de
germoplasma é definida como o conjunto de genótipos representativos da variabilidade
genética da espécie objeto da conservação. O Banco Ativo de Germoplasma (BAG) deve
representar uma coleção de patrimônio genético de uma espécie, mantido com a finalidade de
preservar a sua variabilidade genética (BORÉM; VIANA, 2005). Segundo Goedert (2007), o
BAG possibilita a conservação de alelos promissores para fins de pesquisa, caracterização,
avaliação e uso.
A conservação dos recursos genéticos vegetais deve ser acompanhada de diversos
estudos, tais como: morfoagronômicos, fisiológicos, bioquímicos e moleculares (CRUZ;
CARNEIRO, 2006; AMARAL JUNIOR et al., 2010). Esse processo de caracterização
consiste em descrever amostras de uma mesma espécie para diferenciá-las a partir de um
conjunto de dados (JARAMILLO; BAENA, 2000). A caracterização morfológica e
agronômica atuam na diferenciação de materiais genéticos, através de descritores
padronizados e uniformes, capazes de fornecer informações importantes para a classificação,
manejo e seleção de plantas em bancos de germoplasma (BURLE; OLIVEIRA, 2010).
O estudo da caracterização da diversidade em BAG torna-se importante porque
fornece uma série de informações a respeito da variabilidade genética de cada material
estudado no processo do conhecimento de germoplasma (TORRES et al., 2008).
Variações genotípicas entre 55 acessos de Ocimum sp. foi relatada para o teor (0,202 a
2,536 ml/100g) e rendimento de OE (1,103 a 21,817 l/ha), permitindo assim selecionar os
genótipos (NSL6421, PI197442, PI358464, PI414194, PI531396 e ‗Fino Verde‘) para o
programa de melhoramento genético e a obtenção de novas cultivares de manjericão com alto
rendimento de OE rico em linalol (BLANK et al., 2004), como por exemplo, da cultivar de
manjericão ‗Maria Bonita‘ (BLANK et al., 2007).
Na caracterização da coleção de alecrim-pimenta (Lippia sidoides Cham.), Santos et
al. (2006) observaram que o acesso LSID-005 foi o mais promissor para as variáveis massa de
folhas (233,81 g/planta) e rendimento de OE (10,29 ml/planta). Foi constatado que houve
diferenças entre os acessos quanto às variáveis morfológicas e agronômicas.
Em um estudo com Lippia alba, os autores demostraram que há variabilidade
fenotípica entre os acessos, os quais mostraram diferenças morfológicas para as variáveis:
comprimento de ramo, diâmetro de copa, cor de caule, folhas, pétalas, hábito de crescimento,
comprimento e largura de folha, relação comprimento/largura de folha. Para as características
agronômicas, o acesso LA-60 se destacou para variável rendimento de OE com 1,81 ml/planta
(CAMÊLO et al., 2011).
Na caracterização morfoagronômica de 24 cultivares e híbridos de manjericão,
avaliados em duas épocas de plantio (seca e chuvosa), foi observado que o crescimento das
plantas sofreu interferência das condições climáticas, com variações nas alturas de 22,33 a
74,05 cm na época seca e de 37,72 a 80,54 cm planta-1 na época chuvosa. A massa seca das
folhas variou de 6,23 a 75,00 g planta-1 na época seca e de 9,17 a 26,49 g planta-1 na época
chuvosa. O híbrido Cinnamon x Maria Bonita (1,50 mL planta-1) e a cultivar Mrs. Burns
(1,44 mL planta-1) apresentaram maior rendimento de OE na época seca, e Mrs. Burns (1,29
mL planta-1) na época chuvosa (PINTO et al., 2018).
A diversidade genética do BAG de V. curassavica da UFS, estudada por Brito et al.
(2016), foi considerada de baixa a média. O acesso VCUR-802 representa toda diversidade da
espécie no BAG, e o mais indicado para conservação em programa de melhoramento.

2.3 Diversidade química nos óleos essencias de plantas medicinais e aromáticas


A produção de OEs pelas plantas está relacionada com a defesa vegetal, protegendo as
plantas da herbivoria, contra infecção por fitopatógenos, além de agirem como atrativos para
4

polinizadores, dispersores de sementes e como agentes na competição planta-planta (TAIZ;


ZEIGER, 2013; TAIZ et al., 2015).
Além do fator genético, a produção de OEs pelas plantas pode sofrer influência de
outros fatores como sazonalidade, temperatura, luminosidade, disponibilidade hídrica e
nutricional e ataque de pragas e doenças (GOBBO-NETO; LOPES 2007). A composição
química pode variar também de acordo com as técnicas de cultivo, com o material vegetal
utilizado na extração, com a técnica de destilação e o armazenamento do OE (SANT‘ANA et
al., 2010).
A caracterização química visa conhecer ou fornecer informações a respeito da
variabilidade intrínseca e/ou a variabilidade entre acessos de uma mesma espécie, baseada na
presença ou concentração de substâncias específicas (VALLS, 2007). Pode ser utilizada
também para separar os acessos conservados quanto à presença e/ou concentração de
substâncias específicas e princípios ativos (ALVES et al., 2010).
Os OEs são formados por inúmeros compostos com concentrações diversificadas. Os
compostos presentes nos OEs encontrados em maiores proporções são denominados de
compostos majoritários. Os demais compostos encontram-se em percentuais mínimos e outros
em concentrações traço (BAKKALI et al., 2008).
Nos últimos anos, a diversidade química do OE tem sido pesquisada para a espécie de:
Lippia alba (BLANK et al., 2015), Lippia gracillis (SANTOS et al., 2015), V. curassavica
(NIZIO et al., 2015), Myrcia ovata (SAMPAIO et al., 2016), Aristolochia trilobata
(OLIVEIRA et al., 2017), Hyptis pectinata (FEITOSA-ALCANTARA et al., 2018), Eplingiella
fruticosa (Silva et al., 2018), Ocimum brasilicum (PINTO et al., 2019).
Ao caracterizar química de acessos de L. alba do BAG-UFS, Blank et al. (2015)
obtiveram seis grupos distintos: grupo 1: linalol, 1,8-cineol e óxido de cariofileno; grupo 2:
linalol, geranial, neral, 1,8-cineol e óxido de cariofileno; grupo 3: limoneno, carvona e
sabineno; grupo 4: carvona, limoneno, δ-muurolene e mirceno; grupo 5: neral, geranial e
óxido de cariofileno; e grupo 6: geranial, neral, o-cimeno, limoneno e óxido de cariofileno.
A diversidade química de dez genótipos de L. sidoides do BAG da UFS, e a influência
da idade da planta sobre o conteúdo e a composição química do OE foi analisada nos anos de
2006 e 2012. Dois grupos foram formados, o grupo I foi representado pelo genótipo
LSID104, o composto majoritário foi o carvacrol, com 55,39% em plantas com 2 anos e
72,39% em plantas com 8 anos, enquanto que o grupo II foi representado pelos genótipos
LSID002, LSID003, LSID004, LSID005, LSID006, LSID102, LSID103, LSID105 e
LSID301, o composto timol apareceu em maiores proporções, com 56,65-83,20% e 62,60-
73,56% nas plantas com 2 e 8 anos, respectivamente (SANTOS et al., 2015).
O estudo da composição química do OE de populações nativas de V. curassavica,
revelou alta variabilidade química e a formação de cinco grupos, com base nos compostos
majoritários. O grupo I: representado por turmerona (8,96-30,15%) e E-cariofileno (4,60-
20,17%); grupo II: tricicleno (20,82-35,95%) e canfeno (16,62-27,38%); grupo III: α-
zingibereno (24,81-35,83%) e β-sesquifelandreno (10,72-16,19%); grupo IV: E-cariofileno
(3,90-31,06%) e 7-ciclodecen-1-ona,7-metil-3-metileno-10-(1-propil); grupo V: 7-ciclodecen-
1-ona,7-metil-3-metileno-10-(1-propil) (24,68-50,20%) (NIZIO et al., 2015).
Alta diversidade química foi relatada em plantas nativas de M. ovata Cambessedes,
distribuídas em seis grupos. No grupo I (com onze plantas), o ácido nerólico (44,30–73,97%)
foi caracterizado como principal composto. No grupo II (sete plantas), linalol (14,97-30,97%)
e ácido nerólico (50,56-60,63%). O grupo III (3 plantas), foi caracterizado pelo geraniol
(73,64 a 77,07%). No grupo IV (3 plantas), neral (18,21-28,39%) e geranial (36,96-48,48%),
formando assim o grupo citral. Grupo V (4 plantas), o (E)-nerolidol (26,97-58,27%). No
grupo VI (9 plantas), linalol (0,44-25,35%), isopulegol (0–27,50%) e ácido nerólico (0–
31,65%) (SAMPAIO et al., 2016).
5

Foram identificados 25 compostos no OE de A. trilobata e os constituintes em maiores


proporções foram os monoterpenos: acetato de sulcatila (25,64%), limoneno (24,80%), p-
cimeno (10,41%) e linalol (9,51%) (OLIVEIRA et al., 2017).
Os OEs de plantas nativas de H. pectinata coletadas no estado de Sergipe,
apresentaram diversidade química, com 30 compostos detectados, e possibilitando a formação
de dois grupos. O grupo 1 foi constituído por 18 plantas, reprentado pelo o β-elemeno, β-
cariofileno, germacreno-D e óxido de cariofileno como compostos majoritários. E o grupo 2
foi constituído por 6 plantas com β-cariofileno, Z-β-guaieno, óxido de cariofileno e
calamusenona como compostos majoritários (FEITOSA-ALCANTARA et al., 2018).
Os compostos encontrados em maiores quantidades no OE de 22 plantas de E.
fruticosa definiram a formação de dois grupos. O primeiro grupo foi constituído por 15
plantas e caracterizou-se pela presença de biciclogermacreno (6,29-16,24%), espatulenol
(7,59-15,23%), β-cariofileno (5,77-12,97%) e óxido de cariofileno (5,00-11,90%) como
compostos majoritários. O segundo grupo foi constituído por sete plantas e se caracterizou
pela presença majoritária dos compostos 1,8-cineol (8,96-15,51%), α-pineno (5,46-13,77%) e
cânfora (4,08-11,40%) (SILVA et al., 2018).
A composição química do OE de 24 genótipos híbridos de manjericão (O. basilicum
L.) coletados em duas épocas do ano apresenta uma grande variedade de compostos, e
possibilitou a formação de cinco grupos. Na época seca, os grupos foram caracterizados
como: grupo 1: metil chavicol (39,32-82,23%); grupo 2: citral - geranial (41,24-45,59%) e
neral (32,80-35,28%); grupo 3: (E)-cinamato de metila (43,37-60,71%); grupo 4: linalol
(50,10-77,23%); grupo 5: linalol (28,98-49,57%) como composto majoritário. Já na época
chuvosa, os principais constituintes químicos representativos dos grupos foram: grupo 1:
metil chavicol (54,48-81,02%); grupo 2: geranial (27,35-49,07%) e neral (21,68-37,03%);
grupo 3: (E)-cinamato de metila (38,76-61,54%); grupo 4: linalol (54,63-78,10%); grupo 5:
linalol (24,09%) e eugenol (29,85%) como composto majoritário (PINTO et al., 2019).

2.4 Influência da sazonalidade na produção de óleos essencias


A composição química dos OEs é determinada por fatores genéticos, porém outros
fatores podem acarretar alterações significativas na produção dos metabólitos secundários. De
fato, os metabólitos secundários representam uma interface química entre as plantas e o
ambiente (BEZERRA et al., 2008; ENGEL et al., 2014).
A composição do OE pode variar entre espécies ou mesmo dentro de uma mesma
espécie. É determinada por fatores bióticos e abióticos. Dentro dos fatores abióticos as
proporções dos metabólitos podem variar com as alterações sazonais, circadianas, intra e
interplanta, devido às variações climáticas (por exemplo: temperatura, radiação ultravioleta,
altitude, pluviosidade etc.) e aos fatores agronômicos (por exemplo: práticas agrícolas,
disponibilidade hídrica, nutrição). Já dentro dos fatores bióticos (por exemplo: herbivoria e
ataque de patógenos, idade e desenvolvimento da planta).
Estes fatores apresentam correlação entre si e não atuam isoladamente, podendo
influenciar em conjunto (GOBBO-NETO; LOPES, 2007; PAULUS et al., 2016). O estado
fenológico está relacionado ao estádio de desenvolvimento da planta (jovem, adulta, antes ou
depois do florescimento) (DESCHAMPS et al., 2008). Sabe-se que tecidos mais novos
geralmente possuem maior taxa biossintética de metabólitos, aumentando a produção de
vários compostos, dentre estes, os OEs.
A caracterização química do OE da erva-cidreira (L. alba) cultivada em Ilhéus - BA
nas diferentes estações do ano, apontou que durante o verão ocorre maior complexidade de
compostos, provavelmente sendo consequência do maior estresse que a planta sofre devido ao
calor nessa estação desta região (SILVA et al., 2006). Para Hyptis marrubioides, os menores
teores de OE foram obtidos na estação de inverno, com uma redução equivalente a 36% em
relação ao observado no verão (inverno 0,27% e verão 0,42% do teor) (BOTREL et al, 2010).
6

Barros et al. (2009) comprovaram a influência da estação do ano no teor e rendimento


do OE de L. alba cultivada em São Luiz Gonzaga - RS. A colheita durante o período chuvoso
reduziu significativamente os teores do OE, com perda de aproximadamente 20% em relação
às épocas mais secas. Dessa forma, no verão produzem-se os maiores teores de OE (0,67%),
com precipitação acumulada de aproximadamente 100 mm de chuva e temperatura média de
25,7 ºC, os quais decaem no outono (0,60%), na primavera (0,40%), até atingir valores
mínimos no inverno (0,33%) com maior precipitação (200,3 mm) e temperatura média de
15,2 ºC. Diferentemente ocorreu em Pogostemon cablin, em que o teor de OE dos genótipos
variou de 2,60 a 1,18% entre a estação chuvosa e seca, respectivamente, no estado de Sergipe
(BLANK et al., 2011). Assim como em híbridos de manjericão para a variável massa seca de
folha de 6,23 a 75,00 g planta-1 (época seca) e 9,17 a 26,49 g planta-1 (época chuvosa), e para
o teor, que variou de 0,66 a 3,21% na época seca, e de 0,80 a 4,20% na época chuvosa
(PINTO et al., 2019).
Quanto ao horário de coleta das plantas, é necessário definir o momento ideal para a
coleta do material (MORAIS, 2009). Os teores de OE sofreram infuência do horário de coleta
da parte aérea de Cordia verbenacea, apresentando 0,65%, 0,90%, 0,82%, 0,47% e 0,96%,
nos horários 6h, 9h, 12h, 15h e 18h, respectivamente. O horário de 18h forneceu o maior teor
de OE (SOUZA et al., 2011). Alcantara et al. (2018) ao avaliarem o teor do OE e a análise
fitoquímica de manjericão (O. basilicum L.) submetidos a diferentes horários de coleta,
observaram que a cultivar Alfavaca Basilicão apresentou maior teor de OE (0,17%) às 14h,
enquanto que para Toscano Folha de Alface apresentou o maior teor (0,27%) ao ser colhido às
21h.
Santos et al. (2015) não obtiveram alterações na composição química de L. sidoides
avaliando plantas com 2 e 8 anos de idade. Com base nos dados, os acessos mantiveram os
mesmos constituintes, a idade não proporcionou significativas mudanças na composição
química dos OEs. No entanto, Pinto (2017) ao avaliar a influência da idade da planta de L
alba na composição química do OE, observou que os compostos mirceno, p-cimeno, -
terpineno e elemol passaram a ser biossintetizados nas plantas com dez anos de idade.
Presume-se que haja simultaneamente dois padrões de resposta do metabolismo
secundário aos estímulos ambientais: as variações climáticas sazonais, de maior dimensão, no
entanto, mais lentas, e as flutuações climáticas diárias, com modificações menores e mais
rápidas (BLANK et al., 2005).
A temperatura afeta as reações bioquímicas da fotossíntese, portanto as respostas das
plantas à temperatura são bastante complexas. A maior produção de metabólitos secundários
sob altos níveis de radiação solar são explicadas devido ao fato de que as reações
biossintéticas são dependentes de suprimentos de esqueletos carbônicos, realizados por
processos fotossintéticos e de compostos energéticos que participam da regulação dessas
reações (TAIZ; ZEIGER, 2004).
Um dos mecanismos utilizados pelos vegetais para dissipar o excesso de luminosidade
e temperatura é a síntese de isoprenos, pois os compostos parecem conferir estabilidade às
membranas fotossintéticas. Esse mecanismo pode estar ligado à maior produção de OE em
plantas do semiárido, que sobrevivem em ambientes altamente iluminados e com elevadas
temperaturas. A intensidade luminosa influencia tanto a concentração como a composição
química dos OEs (TAIZ; ZEIGER, 2013).
Lopes et al. (2001) avaliaram a influência de regimes hídricos (ambiente úmido,
moderadamente úmido e seco) na produção OE de Polygonum punctatum e observaram maior
rendimento de OE no ambiente mais seco. Com L. sidoides houve diminuição diária de 50%
do teor de OE à medida que aumentava a lâmina de irrigação (ALVARENGA et al., 2011).
Meira et al. (2013) observaram que o teor de OE de Melissa officinalis foi reduzido
nas maiores lâminas de água aplicadas e, apesar de haver maior incremento de fitomassa, a
maior produção de OE foi encontrada nas menores lâminas. Estes resultados demonstram que
7

o aumento da biossíntese de OE pode funcionar como resposta adaptativa ao estresse hídrico,


relacionando alguma resposta fisiológica às variações ambientais (MORAIS, 2009).
O excesso de água pode diminuir a concentração de alguns metabólitos secundários,
dentre eles os óleos voláteis, como no caso de chuva contínua, que promove a lixiviação de
substâncias hidrossolúveis presentes nas folhas, flores e raízes. Por conta disso, é
recomendado aguardar aproximadamente três dias após o cessar das chuvas para realizar a
coleta da planta medicinal, para que os teores de OE voltem ao normal (GOBBO-NETO;
LOPES, 2007; MORAIS, 2009).
Carneiro et al. (2010) observaram baixo rendimento de OE de Plectranthus
amboinicus nos meses de alta precipitação, confirmando que a produção de OE é reduzida na
presença de excesso de água. O mesmo ocorreu com Mentha x piperita, na qual maior
incremento no conteúdo de OE ocorreu nos meses de baixa precipitação pluviométrica
(OLIVEIRA et al., 2012).
As folhas dos genótipos de L. gracilis coletadas em Sergipe apresentaram o teor entre
1,25% e 1,92% de OE na estação chuvosa e 1,42% e 2,70% na estação seca. O principal
constituinte dos genótipos LGRA-106 foi timol, e o carvacrol foi o principal constituinte para
os outros genótipos. As concentrações dos compostos químicos mostraram pouca variação
entre as estações, demonstrando estabilidade da composição química de L. gracilis mesmo
com diferentes condições climáticas (CRUZ et al., 2014).

2.5 Óleos essenciais de plantas como alternativa potencial no controle de formigas


O Brasil é o país com a maior diversidade vegetal do mundo. A grande variedade de
substâncias presentes na flora brasileira configura um enorme atrativo na busca de moléculas
em potencial que possam ser utilizadas como inseticidas naturais (JBILOU et al., 2006;
MESSIANO et al., 2008).
A utilização de plantas com potencial inseticida para o controle de pragas não é uma
técnica recente, as plantas já eram empregadas antes do advento dos inseticidas sintéticos. As
pesquisas com inseticidas botânicos deu-se pela necessidade de se dispor de novos compostos
para o manejo de pragas, mais seguro para o meio ambiente e para os organismos não-alvo
(GALLO et al., 2002; BAKKALI et al., 2008).
Os OEs tem merecido atenção pela diversidade de atividades biológicas, tais como:
defesa contra herbívoros e micro-organismos, proteção contra raios UV e atração de
polinizadores ou animais dispersores de sementes e como agentes na competição planta-planta
(GOBBO-NETO; LOPES, 2007; FUMAGALI et al., 2008; TAIZ et al., 2015).
A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a International Standart
Organization (ISO) definem OEs como produtos voláteis de origem vegetal, que se
apresentam isolados ou misturados entre si, desterpenados, retificados ou concentrados,
obtidos por processo físico de destilação ou outro método (ANVISA, 2007; KNAAK; FIUZA,
2010).
A atividade bioinseticida dos OEs inclui: toxicidade, repelência, irritabilidade, atração,
alterações no sistema hormonal, inibição de oviposição e da alimentação, além de distúrbios
no desenvolvimento e deformações (GONZAGA et al., 2008; RAJENDRAN; SRIRANJINI,
2008; CORRÊA et al., 2011; OLIVEIRA et al., 2017; SANTOS et al., 2017; MELO et al.,
2018; OLIVEIRA et al., 2018; SILVA et al,. 2018 ).
O uso de OE apresenta-se como um método em potencial para o manejo de pragas,
podendo contribuir para manutenção do equilíbrio ambiental e redução dos efeitos negativos
ocasionados pela aplicação indiscriminada de inseticidas organossintéticos (ISMAN, 2000;
AGUIAR-MENEZES, 2005; MACHADO et al., 2007; VAZ JÚNIOR, 2013; WEI et al.,
2014).
O interesse por estes compostos deve-se, além da sua eficiência contra insetos-praga, à
sua volatilidade e baixa persistência, o que pode reduzir as chances de contaminação do
ambiente e os efeitos negativos em organismos não-alvo (ISMAN, 2006; SANTOS et at.,
8

2018). As principais famílias botânicas que veem sendo pesquisadas são: Myrtaceae,
Lauraceae, Rutaceae, Lamiaceae, Asteraceae, Apiaceae, Poaceae, Zingiberaceae e Piperaceae
(KNAAK; FIUZA, 2010).
Atividades inseticidas de OEs sobre formigas já formam relatadas e têm sido
promissoras. O OE de Pogostemon cablin tem efeito tóxico por contato e repelência sobre as
formigas urbanas Camponotus melanoticus, C. novogranadensis e Dorymyrmex thoracicus
(ALBURQUEQUE et al., 2013). Para formigas da espécie Atta sexdens rubropilosa a
concentração do OE de P. cablin necessária para causar 50% da mortalidade por fumigação
foi de 1,30 μL L-1 (ROCHA et al., 2018).
O OE de A. trilobata apresentou atividade formicida nas vias de exposição por
fumigação, contato e afetou o comportamento de formigas cortadeiras dos gêneros
Acromyrmex e Atta (OLIVEIRA et al., 2017). Resultados semelhantes também foram obtidos
com OEs de H. pectinata sobre formigas cortadeiras Acromyrmex balzani e Atta sexdens
rubropilosa (FEITOSA-ALCANTARA et al., 2017). O OE de quatro genótipos de Eplingiella
Fruticosa e seus principais compostos majoritários foram tóxicos a operárias de A. balzani
com concentrações necessárias para causar 50% de mortalidade aos insetos, variando de 4,54
a 6,78 μL.L−1, e afetaram também o comportamento de caminhamento e causaram repelência
(SILVA et al., 2019).
Os efeitos biológicos dos OEs podem ser devido as interação entre os compostos
majoritários e minoritários, como resultado de efeitos sinérgicos, aditismos e antagonimos.
Estes efeitos podem ocorrer via interação entre todas as moléculas presentes nos OEs ou
através da interação entre determinados componentes, principalmente os majoritários.
Contudo, componentes minoritários também podem atuar como agentes sinérgicos,
aumentando o efeito dos principais constituintes, consequentemente promovendo maior
eficácia aos OEs (HUMMELBRUNNER; ISMAN, 2001; BAKKALI et al., 2008; NERIO et
al., 2009).
Conforme relatado por Oliveira et al. (2017), o OE de A. trilobata e seus compostos
majoritários isolados acetato de sulcatila (25,64%), limoneno (24,80%), p-cimeno (10,41%) e
linalol (9,51%) foram eficientes contra operárias de A. balzani e A. sexdens. Os bioensaios
utilizando misturas binárias revelaram que estes compostos atuam de forma sinérgica na
toxicidade sobre A. balzani, enquanto para a espécie A. sexdens a combinação entre os
compostos exibiu efeito aditivo.
A importância do efeito sinérgico consiste no aumento da eficiência dos OEs
(KOSTI´C et al., 2013). Assim, tal efeito permite a utilização de menores quantidades dos
compostos, possibilitando a redução de custos com o manejo de pragas e os riscos ao meio
ambiente (RIBEIRO et al., 2003). A presença de mais de um composto ativo nos OEs é uma
vantagem, já que isto pode reduzir a possibilidade de desenvolvimento de resistência pelos
insetos (GALLO et al., 2002).

2.6. Formiga urbana (Dorymyrmex sp.)


As formigas (Hymenoptera: Formicidae) estão entre os seres mais predominantes do
planeta (WILSON, 2008). São insetos que apresentam elevada dominância e diversidade nos
ambientes tropicais (HÖLLDOBLER; WILSON, 1990).
O gênero Dorymyrmex Mayr 1866, pertence à Tribo Dolichoderini Forel 1878 é um
dos mais diversificados gêneros de formigas pertencentes à subfamília Dolichoderinae. Este
gênero tem representantes nas regiões neotropicais, constituído por mais de 80 espécies,
muitas não descritas. Várias espécies são endêmicas, com população e hábitat variados
(CUEZZO, 2003; CUEZZO; GUERRERO, 2012).
Estes insetos são eussociais, apresentando cuidados com os descendentes, organização
em castas, sobreposição de gerações na colônia e divisão de trabalho entre indivíduos do
ninho (JAFFE, 2004; BUENO et al., 2008). Em ambiente urbano, algumas espécies de
formigas, como as do gênero Dorymyrmex, têm adaptações ecológicas amplas, com hábito
9

oportunista e elevada capacidade de invasão, pois patrulham o ambiente constantemente em


busca de alimentos (FONSECA et al., 2010; MÁXIMO et al., 2014).
O acasalamento de formigas urbanas, acontece no interior do próprio ninho, muito
provavelmente numa estratégia de defesa para evitar se expor a predadores. Constroem seus
ninhos no solo e plantas, no interior de edificações (sob azulejos, batentes de portas, pisos,
vãos, fretas, tubulações elétricas), ou ainda ocupam cavidades na madeira ou troncos de
árvores. Formam populações unicoloniais, mas apresentam característica multicolonial, visto
que formigas da mesma espécie, mas de ninhos diferentes, disputam o território entre si
(perderam a defesa colonial e circulam livremente entre vários ninhos), que, na média, têm de
2 mil a 4 mil indivíduos (VASCONCELOS, 2007). D. thoracicus, é um organismo pequeno
que medem de 3 a 3,5 milímetros, a coloração da cabeça e do tórax varia de marrom claro a
marrom escuro translúcido e do abdômen é preta.
O sucesso do estabelecimento de formigas no ambiente urbano é marcado por
características que facilitam sua introdução e permanência como hábito alimentar generalista,
poligamia, reduzida agressão intra-específica, ausência do vôo nupcial (KAMURA, 2007) e
ninhos pouco estruturados (SOLIS et al., 2009).
Devido a ação antrópica, estes organismos passaram a causar desconforto e danos
estruturais em casas, estabelecimentos comerciais, hospitais, além de serem potencialmente
vetores de organismos patogênicos (CAMPOS-FARINHA et al., 2002; FONSECA et al.,
2010). Tais espécies representam séria ameaça à saúde, principalmente em ambientes
hospitalares onde são responsáveis por infecções (PESQUERO et al., 2008).
O controle de formigas urbanas é essencial para redução dos danos econômicos e à
saúde humana (TESTOLIN, 2012). Entretanto, dentre os fatores que dificultam o controle
destas formigas tem-se o comportamento social, habito críptico, presença de poliginia, alta
taxa reprodutiva, habilidade de migrar em situações desfavoráveis e alta adaptabilidade a
perturbações (PESQUERO et al., 2008). Somada a estes fatores, tem-se a falta de produtos
registrados para controle dessas espécies.
O trabalho envolvendo o uso de OEs no controle de formigas urbanas na literatuta é
escasso. Entretanto destaca-se o trabalho de Albuquerque et al. (2013) com o OE de patchouli
(Pogostemon cablin) foi avaliado sobre formigas urbanas C. melanoticus, C. novograndensis,
e D. thoracicus. Os autores relataram que o OE causou repelência e toxicidade às três espécies
de formigas urbanas, com menor DL50 observada para D. thoracicus (2,02 µg do óleo/mg
inseto) após 48h de exposição, quando comparado a C. melanoticus (2,34 µg do óleo/mg
inseto) e C. novogranadensis (2,95 µg do óleo/mg inseto). Os sintomas de intoxicação,
mostrando-se trêmulas, com pernas encurvadas ou paralisadas, sugerir uma ação neurotóxica
do óleo de P. cablin sobre as formigas urbanas. Segundo Zhu et al. (2003) alguns OEs são
relatados por apresentarem modo de ação neurotóxica com sintomas como hiperatividade,
tremores e paralisia.

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20

4. ARTIGO 1
CARACTERIZAÇÃO MORFOAGRONÔMICA DE GERMOPLASMA DE Varronia
curassavica Jacq. CONSERVADO “EX SITU”

RESUMO
A erva-baleeira (Varronia curassavica) é uma planta medicinal e aromática nativa do Brasil.
O óleo essencial desta espécie é utilizado pela indústria farmacêutica por conter substâncias
bioativas com propriedades anti-inflamatórias. Objetivou-se caracterizar morfologicamente 27
acessos de erva-baleeira do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e
Aromáticas da UFS. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com três
repetições. A caracterização morfológica foi realizada em campo, através da avaliação da
altura da planta; largura da copa; formato da copa; diâmetro do caule a 10 cm do solo; cor do
caule; largura, comprimento e relação comprimento/largura das lâminas foliares; e cor das
folhas, pétalas e sépalas. A caracterização agronômica foi realizada avaliando a massa seca
das folhas por planta e o teor e rendimento do óleo essencial. Grande variação foi observada
entre os acessos para a coloração das folhas, as quais apresentaram diferentes tonalidades de
verde, sendo possível separá-las entre plantas com folhas verde-escuro e plantas com folhas
verde-claro. O acesso VCUR-105 destacou-se com maior teor de óleo essencial (3,20%). O
acesso VCUR-002 apresentou maior massa seca de folhas por planta (755,90 g). O maior
rendimento do óleo essencial foi observado para o acesso VCUR-504, com 11,71 mL/planta.
Para a variável altura de planta, as médias os valores variaram de 101,33 cm (VCUR-801) a
345,33 cm (VCUR-701). Sete grupos distintos foram formados na análise de agrupamento
realizada a partir dos caracteres avaliados. Os acessos VCUR-103 e VCUR-001 foram os que
se mostraram mais divergentes, enquanto que os mais semelhantes foram os acessos VCUR-
401 e VCUR-404. A caracterização morfoagronômica dos acessos de erva-baleeira permite a
realização de uma correta descrição da espécie, apontando perspectivas para o melhoramento
genético, além de possibilitar a otimização do processo de conservação.

Palavras-chave: Cordiaceae, Planta medicinal, Planta aromática, Acessos.


21

ABSTRACT
Morpho-agronomic characterization of Varronia curassavica germplasm conservated
“Ex Situ”

―Erva-baleeira‖ (Varronia curassavica) is a medicinal and aromatic plant native to Brazil.


The essential oil of this species is valued by the pharmaceutical industry due to its bioactive
substances containing anti-inflammatory properties. This study aimed to morpho-
agronomically characterize 27 ―erva-baleeira‖ accessions from the Active Germplasm Bank
of Medicinal and Aromatic Plants of the Federal University of Sergipe. The experiment
consisted of a randomized block design with three replications. The morphological
characterization occurred in the field, by evaluating the variables plant height; canopy width;
canopy shape; stem diameter; stem color; leaf blades width, length, and length/width ratio;
leaves, petals, and sepals color. The agronomic characterization was performed using the
essential oils extracted from dried leaves by hydrodistillation in a Clevenger apparatus.
Leaves dry matter yield per plant and essential oil yield and content were also evaluated. The
accessions presented great variation for leaves color, with different shades of green, which
allowed separating them into dark green leaf and light green leaf plants. The accession
VCUR-105 stood out with the highest essential oil content (3.20%). VCUR-002 presented the
highest leaves dry matter per plant (755.90 g). The highest essential oil yield was observed for
VCUR-504 (11.71 mL/plant). Plant height values ranged from 101.33 cm (VCUR-801) to
345.33 cm (VCUR-701). The clustering analysis of the traits formed seven distinct groups.
The accessions VCUR-103 and VCUR-001 were the most divergent, whereas the accessions
VCUR-401 and VCUR-404 were the most similar. The morpho-agronomic characterization of
the erva-baleeira accessions provides a correct description of the species by pointing out
perspectives for genetic improvement, besides optimizing the conservation process.

Keywords: Cordiaceae, Medicinal plant, Aromatic plant, Acessions.

4.1. Introdução

O Brasil é um país rico em biodiversidade vegetal (SOUZA et al., 2010). No entanto, nos
últimos anos tem acontecido uma destruição acelerada, principalmente da vegetação natural.
Isso se deve à expansão agrícola, às queimadas, à exploração madeireira, ao extrativismo e ao
crescimento desordenado das cidades. Todas essas alterações têm representado grande ameaça
a inúmeras espécies de plantas do país (OLIVEIRA, 2010).
Uma alternativa para manutenção e conservação das espécies ameaçadas é a formação de
coleções em Bancos Ativos de Germoplasma, os quais abrigam coleções-base para a
conservação de ampla variabilidade genética vegetal e, possibilitando assim, a manutenção da
biodiversidade (SILVA et al., 2012).
A erva-baleeira, Varronia curassavica Jacq. (ex Cordia verbenacea DC.) é uma planta
medicinal e aromática originária do Brasil, pertencente à família Cordiaceae (GASPARINO;
BARROS, 2009). É encontrada desde a América Central até o sul do Brasil (LORENZI;
MATOS, 2008) em uma grande amplitude de habitats, tais como: praias, restingas, florestas e
cerrados (WANDERLEY et al., 2002). Tem se destacado tanto na medicina popular quanto na
indústria farmacêutica, principalmente por conter substâncias anti-inflamatórias presentes no
seu óleo essencial (PASSOS et al., 2007; PARISSOTO et al., 2012; PIMENTEL et al., 2012).
A erva-baleeira tem sua eficácia reconhecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) e está incluída na lista do Sistema Único de Saúde (SUS) e Relação Nacional de
Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde (RENISUS) (BRASIL, 2011).
Devido às propriedades terapêuticas desta espécie, existe grande interesse na ampliação de
22

estudos voltados para a seleção de acessos superiores quanto aos aspectos agronômicos e
composição química (VAZ et al., 2006).
Estudos revelam que o extrato e o óleo essencial de V. curassavica apresentam diversas
atividades biológicas, tais como inibição de bactérias gram-positivas (CARVALHO JR. et al.,
2004; MECCIA et al., 2009), atividade fungistática sobre Candida albicans (PINHO et al.,
2012), ação antibacteriana sob Staphylococcus aureus e Escherichia coli (RODRIGUES et
al., 2012), e atividade antifúngica sobre os fungos fitopatogênicos Oidium eucalypti (SILVA
et al., 2014), Lasiodiplodia theobromae (NIZIO et al., 2015), e atividade antiprotozoaria sob
Ichthyophthirius multifiliis (NIZIO et al., 2018 a).
Em 2012 foi implantada a coleção de V. curassavica dentro do Banco Ativo de Germoplasma
de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe, com acessos
oriundos dos estados de Sergipe e São Paulo, com o intuito de conservar a variabilidade
genética da espécie. A partir de um Banco Ativo de Germoplasma (BAG) é possível obter
informações sobre a variabilidade molecular, morfológica e agronômica bem como conhecer
a diversidade e instabilidade da composição química dos óleos essenciais dos acessos
conservados e as atividades biológicas que apresentam, potencializando assim, a exploração
sustentável dos recursos genéticos da espécie.
Além da manutenção do germoplasma em si, uma das atividades de um BAG consiste na
caracterização dos acessos conservados. Dessa forma, todas as informações a respeito das
características morfológicas e agronômicas, além de fornecer uma ―identidade‖ para cada
acesso, poderão ser úteis no processo de seleção de genótipos para compor programas de
melhoramento genético da espécie (GOEDERT, 2007). A caracterização é uma atividade
essencial no manejo de coleções de germoplasma, que consiste em descrever, identificar e
diferenciar acessos de uma mesma espécie (BURLE & OLIVEIRA, 2010).
A caracterização morfológica e agronômica é o ponto de partida para o conhecimento de uma
espécie vegetal, principalmente quando o objetivo é a seleção de acessos de interesse tanto
para o cultivo quanto para utilização em programas de melhoramento genético (BLANK et
al., 2017; OLIVEIRA et al., 2018). Diante do exposto objetivou-se no presente estudo
caracterizar morfológica e agronomicamente 27 acessos de erva-baleeira (V. curassavica)
pertencentes do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da
Universidade Federal de Sergipe.

4.2. Metodologia

A coleção de erva-baleeira (Varronia curassavica) do Banco Ativo de Germoplasma de


Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe está implantada na
Fazenda Experimental "Campus Rural da UFS", localizada no Município de São Cristóvão-
SE (latitude 11°00‘S e longitude 37°12‘O). Para implantação da coleção foram realizadas
coletas de acessos de erva-baleeira em diferentes localidades nos Estados de Sergipe e de São
Paulo, por meio de propagação vegetativa (Tabela 1).
23

Tabela 1. Código, origem e informações geográficas de 27 acessos de erva-baleeira do Banco


Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de
Sergipe - UFS. (BRITO et al., 2016).
Código do Voucher do
Origem (Município, Estado, País) Dados georreferenciados
Acesso Herbário da UFS
Doado pelo Centro Multidisciplinar de
Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas 30.913
VCUR-001 -
da Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, Estado de São Paulo, Brasil
VCUR-002 Ubatuba, São Paulo, Brasil 36.095 23°32‘18.0‖S; 45°03‘73.4‖W
VCUR-003 Ilha Comprida, São Paulo, Brasil 36.096 25°02‘44.0‖S; 47°53‘17.0‖W
VCUR-004 Mongaguá, São Paulo, Brasil 36.097 24°08‘00.0‖S; 46°42‘54.0‖W
VCUR-005 Ilha Comprida, São Paulo, Brasil 36.098 24°43‘08.0‖S; 47°30‘36.0‖W
VCUR-101 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 35.763 10°14‘48.5‖S; 37°12‘52.8‖W
VCUR-102 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 35.759 10°14‘47.6‖S; 37°12‘52.8‖W
VCUR-103 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 36.099 10°14‘47.9‖S; 37°12‘52.2‖W
VCUR-104 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 36.100 10°14‘46.1‖S; 37°12‘52.8‖W
VCUR-105 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 36.101 10°14‘46.4‖S; 37°13‘26.6‖W
VCUR-201 Tobias Barreto, Sergipe, Brasil 33.470 11°03‘54.2‖S; 38°03‘21.1‖W
VCUR-202 Tobias Barreto, Sergipe, Brasil 33.471 11°04‘10.1‖S; 38°04‘03.4‖W
VCUR-301 São Cristóvão, Sergipe, Brasil 36.102 10°54‘26.3‖S; 37°11‘53.1‖W
VCUR-302 São Cristóvão, Sergipe, Brasil 36.205 10°54‘59.7‖S; 37°11‘16.3‖W
VCUR-303 São Cristóvão, Sergipe, Brasil 36.208 10°54‘48.5‖S; 37°11‘50.3‖W
VCUR-401 Japaratuba, Sergipe, Brasil 36.227 10°38‘05.4‖S; 36°55‘10.5‖W
VCUR-402 Japaratuba, Sergipe, Brasil 36.103 10°37‘59.9‖S; 36°55‘16.1‖W
VCUR-403 Japaratuba, Sergipe, Brasil 36.104 10°37‘39.0‖S; 36°55‘25.8‖W
VCUR-404 Japaratuba, Sergipe, Brasil 36.105 10°37‘37.8‖S; 36°56‘00.0‖W
VCUR-501 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.106 11°21‘12.0‖S; 37°50‘59.0‖W
VCUR-502 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.107 11°19‘17.1‖S; 37°52‘02.4‖W
VCUR-503 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.239 11°19‘05.2‖S; 37°52‘17.5‖W
VCUR-504 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.108 11°19‘01.7‖S; 37°52‘25.0‖W
VCUR-505 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.109 11°19‘04.0‖S; 37°51‘51.8‖W
VCUR-601 Itabi, Sergipe, Brasil 30.914 10°09‘24.9‖S; 37°08‘27.0‖W
VCUR-701 Cedro de São João, Sergipe, Brasil 36.110 10°18‘06.9‖S; 36°53‘27.7‖W
VCUR-801 Itabaiana, Sergipe, Brasil 36.111 10°50‘27.6‖S; 37°12‘49.3‖W

O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com três repetições. Cada parcela
foi constituída por uma planta. O espaçamento utilizado foi de 2,0 m entre plantas e 3,0 m
entre linhas. A cada três meses a adubação foi realizada com 5 litros de esterco bovino por
planta e mensalmente foram realizadas capinas para manter a área livre de plantas invasoras.
Realizou-se a caracterização morfológica e agronômica de 27 acessos (em triplicata) de
acessos erva- baleeira em junho de 2015, as plantas tinham dois anos de idade.
A caracterização morfológica das plantas mantidas na coleção de erva-baleeira do Banco
Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de
Sergipe foi realizada conforme Blank et al., (2004). Foram avaliadas as seguintes variáveis:
altura da planta (cm), largura da copa (cm), diâmetro do caule a 10 cm do solo (cm),
comprimento e largura das lâminas foliares (foi obtida a média de quatro folhas totalmente
expandidas, amostradas aleatoriamente de cada planta) e relação comprimento/largura das
lâminas foliares. A largura da copa foi aferida obtendo a média entre o menor e o maior
diâmetro. Avaliações qualitativas também foram realizadas a partir da avaliação do formato
da copa (classificado em: arredondada, forma de taça ou formato irregular), coloração do
caule, nervura das folhas, pétalas e sépalas. A medição do índice de área foliar foi realizada
em 4 folhas por planta, com o auxílio do medidor de área foliar LICOR, modelo LI-3 100C. A
cor das folhas foi determinada a partir da digitalização de 4 folhas coletadas de cada planta
em um scanner HP 1005 MPF. As cores foram analisadas em padrões R (red - vermelho), G
(green - verde) e B (blue - azul) no software Paint para Windows, através da ferramenta
seletor de cores. Em cada folha foram realizadas seis medições da coloração em cada uma das
24

faces, abaxial e adaxial. As médias das medições da coloração para cada uma das faces de
cada folha formaram as médias para cada planta e estas foram utilizadas para transformar a
cor RGB em um código hexadecimal, usando o software online Webcalc, que representa o
padrão de cor das folhas de cada planta. As cores das sépalas e pétalas foram determinadas
logo após a abertura das flores, e assim como para a cor caule, foram determinadas
visualmente.
A caracterização agronômica foi realizada com plantas de 2 anos de idade, por meios da
análise das seguintes variáveis: massa seca das folhas, teor e rendimento do óleo essencial. As
folhas dos acessos foram coletadas e em seguida pesadas em balança eletrônica.
Posteriormente as folhas foram secas em estufa com circulação forçada de ar a 40 ºC ± 1 ºC
por cinco dias. Após a secagem, as partes foram novamente pesadas, para a determinação da
massa seca.
O óleo essencial foi extraído por hidrodestilação em aparelho Clevenger modificado por 140
minutos, acoplado a um balão de fundo redondo de 3000 mL. Para cada acesso foram
utilizadas amostras de 50g de folhas secas para dois litros de água destilada, em triplicata.
O teor e o rendimento do óleo essencial foram calculados para cada acesso de acordo com as
seguintes equações:
Teor (%, v/m) = (Volume de óleo essencial extraído da amostra / massa seca das folhas) x 100
Rendimento de óleo essencial (mL/planta) = (teor % x massa seca total da planta)
Os dados quantitativos da caracterização morfoagronômica foram submetidos à análise de
variância (ANAVA) e as médias foram comparadas pelo teste de Scott-Knott (p≤0,05) com o
auxílio do pacote estatístico Sisvar, versão 5.6 (FERREIRA, 2011). A partir dos dados da
caracterização morfológica e agronômica duas análises multivariadas foram realizadas,
análise de agrupamento e análise de componentes principais (ACP) usando o software
Statistica. Posteriormente, construiu-se uma matriz de dissimilaridade baseada na
caracerização morfoagronomica de cada acesso com base em suas distâncias euclidianas. A
matriz de dissimilaridade foi simplificada com dendrogramas através do método de
agrupamento de Ward.
Devido às diferenças das unidades das variáveis morfoagronômicas foi feita a padronização
dos dados realizada conforme REGAZZI, (2000), usando a fórmula:

Em que:
Zij=valor padronizado da observação i na variável j
Xij=valor original da observação i na variável j
Xj=média da variável j
S(Xj)=desvio padrão da variável j

4.3. Resultados e Discussão

Observou-se que os acessos de erva-baleeira estudados apresentaram variabilidade fenotípica


considerando os caracteres avaliados. Os acessos apresentaram uniformidade para a cor das
sépalas e pétalas. No entanto, algumas variações foram identificadas para coloração do caule,
para formato da copa e para coloração da nervura das folhas, para as quais foram observadas
duas tonalidades de verde (Tabela 2).
Grande variação foi observada entre os acessos para a coloração das folhas, nas quais
verificou-se diferentes tonalidades de verde, sendo possível separá-la em plantas que
apresentam folhas verde escuro e plantas com folhas verde claro (Tabela 2).
25

Tabela 2. Cor do caule, nervuras, sépalas, pétalas e formato da copa de 27 acessos de erva-
baleeira do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da
Universidade Federal de Sergipe.
Cor
Acessos Caule Nervuras Sépalas Pétalas Formato da copa
VCUR-001 Marrom Verde Verde oliva Branco Irregular
VCUR-002 Marrom Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-003 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-004 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-005 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-101 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-102 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-103 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-104 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-105 Marrom Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-201 Cinza Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-202 Cinza Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-301 Marrom Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-302 Marrom Verde Verde oliva Branco Irregular
VCUR-303 Marrom Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-401 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-402 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-403 Marrom Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-404 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-501 Marrom Verde Verde oliva Branco Irregular
VCUR-502 Marrom Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-503 Marrom Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-504 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-505 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-601 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
VCUR-701 Marrom Verde claro Verde oliva Branco Irregular
VCUR-801 Marrom Verde Verde oliva Branco Arredondado
26

Tabela 1. Coloração da lâmina foliar (face adaxial e abaxial) de vinte e sete acessos de erva-
baleeira, com base nos padrões RGB (Red, Green e Blue) e códigos hexadecimais.
Lamina foliar
Adaxial Abaxial
Acesso R G B Cor Código * R G B Cor Código*
VCUR-001 63 100 16 #3F6410 117 142 65 #758E41
VCUR-002 39 68 16 #274410 103 124 62 #677C3E
VCUR-003 45 72 27 #2D481B 98 120 57 #627839
VCUR-004 44 70 28 #2C461C 102 135 60 #66873C
VCUR-005 49 75 27 #314B1B 98 127 58 #627F3A
VCUR-101 55 91 11 #375B0B 108 131 53 #6C8335
VCUR-102 49 80 19 #315013 101 122 58 #657A3A
VCUR-103 51 90 13 #335A0D 99 144 51 #639033
VCUR-104 53 92 11 #355C0B 113 136 62 #71883E
VCUR-105 61 97 12 #3D610C 119 138 66 #778A42
VCUR-201 51 88 14 #33580E 105 128 58 #69803A
VCUR-202 53 89 14 #35590E 110 131 59 #6E833B
VCUR-301 51 85 19 #335513 109 130 57 #6D8239
VCUR-302 44 80 13 #2C500D 106 126 58 #6A7E3A
VCUR-303 64 104 11 #40680B 116 140 60 #748C3C
VCUR-401 39 72 15 #27480F 99 119 55 #637737
VCUR-402 46 85 11 #2E550B 99 127 53 #637F35
VCUR-403 53 85 14 #35550E 115 130 66 #738242
VCUR-404 44 76 16 #2C4C10 101 121 55 #657937
VCUR-501 57 92 15 #395C0F 112 132 57 #708439
VCUR-502 54 86 23 #365617 108 130 60 #6C823C
VCUR-503 55 90 18 #375A12 111 133 62 #6F853E
VCUR-504 48 80 18 #305012 109 129 62 #6D813E
VCUR-505 49 78 21 #314E15 105 124 58 #697C3A
VCUR-601 50 88 11 #32580B 105 130 56 #698238
VCUR-701 60 99 15 #3C630F 113 135 60 #71873C
VCUR-801 38 74 11 #264A0B 97 123 55 #617B37
*Códigos hexadecimais, obteido pelo welCalc por meio do padrão RGB das folhas

Considerando a face adaxial, os acessos VCUR-002, VCUR-003, VCUR-004, VCUR-401 e


VCUR-404 destacaram-se com folhas verde escuro e os acessos VCUR-701, VCUR-303 e
VCUR-105 com folhas verde claro. A mistura das cores RGB imprime a coloração específica
das folhas amostradas. Em geral, os acessos apresentaram tonalidade mais clara de verde, na
face abaxial das folhas.
Diferenças significativas foram observadas para todos os parâmetros quantitativos avaliados
(Tabela 4). Considerando o comprimento de folha (CF) e a largura de folha (LF), os acessos
que se destacaram com maiores médias para ambas as características foram o VCUR-103
(10,88 e 3,66 cm), VCUR-301 (10,07 e 3,71 cm), VCUR-302 (10,13 e 3,13 cm), VCUR-402
(11,47 e 4,44 cm), VCUR-503 (9,98 e 3,42 cm), VCUR-505 (10,68 e 3,28 cm), VCUR-601
(12,09 e 3,98 cm) e VCUR-801 (10,28 e 3,38 cm). Os demais acessos apresentaram em média
9,04 cm de comprimento de folha e 2,88 cm de largura de folha. Na relação
comprimento/largura (C/L) os acessos VCUR-002 e VCUR-005 se destacaram com 3,98 e
3,66, respectivamente. Os demais acessos apresentam uma média de 3,09 (Tabela 4).
Para variável área foliar (AF), os acessos VCUR-402 e VCUR-601, apresentaram as maiores
médias, com 144,38 e 117,48 mm², respectivamente, diferindo significativamente dos demais.
27

Concomitantemente, eles estiveram no grupo dos acessos que apresentaram as maiores


médias de comprimento e largura de folha (Tabela 4).
O acesso VCUR-202 apresentou maior largura de copa (LC), com 291,67 cm. A média dos
demais acessos foi de 125,55cm. Tal destaque deve-se possivelmente ao formato irregular da
copa que este acesso apresenta. O acesso VCUR-202 também apresentou médias superiores
para altura da planta (AP) e diâmetro do caule (DC), em contrapartida este acesso exibiu
menores valores para as demais variáveis analisadas. Considerando altura da planta (AP) e
diâmetro do caule (DC), os acessos que destacaram simultaneamente, com maiores médias
foram o VCUR-701 (345,33 e 19,33cm), VCUR-202 (295,00 e 18,33 cm), VCUR-201
(236,67 e 16,00 cm) e VCUR-001 (25- e 14,00 cm) (Tabela 4).

Tabela 4. Valores médios de comprimento da folha (CF), largura da folha (LF), relação
comprimento/largura (C/L), área foliar (AF), largura da copa (LC), altura da planta (AP) e
diâmetro do caule a 10 cm do solo (DC), de 27 acessos de erva-baleeira do Banco Ativo de
Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe.
Acessos CF (cm) LF (cm) C/L AF (mm2) LC (cm) AP (cm) DC (cm)
VCUR001 9,55 b 2,81 b 3,41 b 65,96 c 185,00 c 250,00 b 14,00 b
VCUR002 11,37 a 2,88 b 3,98 a 84,14 c 138,67 d 208,33 c 13,33 b
VCUR003 8,63 b 2,84 b 3,09 c 62,90 c 52,67 f 149,00 c 6,33 c
VCUR004 8,03 b 2,66 b 3,04 c 51,49 d 53,33 f 141,67 c 5,67 c
VCUR005 6,76 b 1,85 b 3,66 a 37,17 d 66,00 f 165,00 c 7,33 c
VCUR101 9,57 b 2,94 b 3,25 b 74,95 c 108,33 d 181,67 c 9,33 c
VCUR102 8,64 b 2,55 b 3,46 b 48,87 d 113,33 d 188,33 c 11,00 c
VCUR103 10,88 a 3,66 a 2,99 c 96,40 b 136,67 d 176,00 c 12,67 b
VCUR104 9,13 b 3,12 a 2,95 c 71,62 c 96,67 e 145,00 c 9,00 c
VCUR105 11,33 a 3,68 a 3,10 c 97,89 b 82,33 e 105,33 c 8,33 c
VCUR201 6,93 b 2,20 b 3,15 c 34,85 d 183,33 c 236,67 b 16,00 a
VCUR202 8,73 b 2,60 b 3,38 b 54,25 d 291,67 a 295,00 a 18,33 a
VCUR301 10,07 a 3,71 a 2,73 c 91,09 b 138,33 d 144,67 c 11,33 c
VCUR302 10,13 a 3,13 a 3,27 b 76,77 c 126,67 d 167,33 c 8,00 c
VCUR303 9,33 b 2,95 b 3,30 b 66,73 c 135,33 d 155,33 c 10,33 c
VCUR401 9,61 b 3,42 a 2,84 c 79,71 c 112,67 d 174,00 c 11,33 c
VCUR402 11,47 a 4,44 a 2,61 c 144,38 a 143,33 d 186,67 c 13,33 b
VCUR403 9,13 b 3,21 a 2,96 c 74,90 c 127,33 d 143,33 c 8,67 c
VCUR404 9,43 b 3,27 a 2,91 c 74,65 c 118,33 d 176,67 c 9,67 c
VCUR501 8,41 b 2,73 b 3,12 c 52,90 d 101,67 e 148,33 c 9,00 c
VCUR502 9,59 b 3,11 a 3,15 c 72,82 c 159,33 d 170,00 c 12,33 b
VCUR503 9,98 a 3,42 a 2,99 c 80,29 c 107,67 d 138,00 c 8,67 c
VCUR504 9,19 b 3,23 a 2,88 c 73,41 c 163,33 d 188,33 c 11,00 c
VCUR505 10,68 a 3,28 a 3,29 b 85,66 c 151,00 d 153,67 c 10,67 c
VCUR601 12,09 a 3,98 a 3,09 c 117,48 a 132,67 d 150,00 c 12,33 b
VCUR701 8,35 b 2,59 b 3,22 b 50,84 d 231,67 b 345,33 a 19,33 a
VCUR801 10,28 a 3,38 a 3,10 c 82,86 c 98,67 e 101,33 c 6,33 c
CV (%) 11,54 14,89 8,18 22,92 20,11 22,91 28,18
Valores seguidos pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si, pelo teste Scott-Knott
(P<0,05 %).

O acesso que se destacou com maior teor de óleo essencial dentre os 27 acessos avaliados foi
o VCUR-105, com 3,20%, sendo este um possível acesso a ser utilizado em programas de
melhoramento visando o aumento da produtividade de óleo essencial. Para a variável
rendimento de óleo essencial, os acessos VCUR-505, VCUR-504, VCUR-101, VCUR-303 e
VCUR-002 se destacaram dos demais, com médias que variaram de 9,19 a 11,71 mL/planta.
Os acessos VCUR-601, VCUR-505, VCUR-504, VCUR-502, VCUR-402, VCUR-301,
VCUR-303, VCUR-002 apresentaram maior massa seca com médias que variaram de 470,46
g a 755,90 g (Tabela 5).
28

Tabela 5. Massa seca, teor e rendimento de óleo essencial dos 27 acessos de erva-baleeira do
Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal
de Sergipe.
Teor de óleo essencial Rendimento de óleo Massa seca de folhas
Acessos
(%) essencial (mL/planta) (g/planta)
VCUR001 0,98 d 4,61 c 345,23 b
VCUR002 1,45 c 10,93 a 755,90 a
VCUR003 2,20 b 2,97 c 138,87 b
VCUR004 1,60 c 1,22 c 78,13 b
VCUR005 1,52 c 6,78 b 164,07 b
VCUR101 2,51 b 9,43 a 375,60 b
VCUR102 2,33 b 8,88 b 377,73 b
VCUR103 1,17 d 4,72 c 400,73 b
VCUR104 1,78 c 6,54 b 384,53 b
VCUR105 3,20 a 6,59 b 213,03 b
VCUR201 1,93 b 5,38 c 279,47 b
VCUR202 1,90 b 5,13 c 271,23 b
VCUR301 1,63 c 8,29 b 506,43 a
VCUR302 1,16 d 3,13 c 277,23 b
VCUR303 1,32 d 9,20 a 465,70 a
VCUR401 1,31 d 4,14 c 354,67 b
VCUR402 0,85 d 4,20 c 489,87 a
VCUR403 1,60 c 3,11 c 188,40 b
VCUR404 1,16 d 3,22 c 281,17 b
VCUR501 2,12 b 3,36 c 157,43 b
VCUR502 1,53 c 8,03 b 523,30 a
VCUR503 1,20 d 2,70 c 235,03 b
VCUR504 1,52 c 11,72 a 800,83 a
VCUR505 1,75 c 11,29 a 648,80 a
VCUR601 1,04 d 4,91 c 470,47 a
VCUR701 1,32 d 3,43 c 226,73 b
VCUR801 1,20 d 1,30 c 105,47 b
CV (%) 19,44 40,26 52,39
Valores seguidos pela mesma letra na coluna não difere estatisticamente entre si, pelo teste Scott-Knott (P<0,05
%).

Os resultados obtidos com análise de agrupamento hierárquico confirmaram a existência de


alta variabilidade fenotípica entre os acessos de erva-baleeira.
Observam-se sete grupos, em que o grupo 1: foi constituído pelos acessos VCUR-103,
VCUR-402, VCUR-601; o grupo 2: VCUR-401, VCUR-404, VCUR-801 e VCUR-302, o
grupo 3: VCUR-005, VCUR-004 e VCUR-003; o grupo 4: VCUR-701 e VCUR-202; o grupo
5: VCUR-002, VCUR-505, VCUR-504, VCUR-502 e VCUR-301; o grupo 6: VCUR-101,
VCUR-501, VCUR-102 e VCUR-201; e o grupo 7: VCUR-105, VCUR-104, VCUR-503,
VCUR-403, VCUR-303 e VCUR-001. As diferenças observadas entre os acessos, para as
características morfológicas, podem ser consequência das diferentes origens dos acessos
estudados. Os acessos VCUR-103 e VCUR-001 foram os que se mostraram mais divergentes.
O primeiro, oriundo do município de Graccho Cradoso-SE e o segundo foi oriundo no estado
de São Paulo. Por outro lado, a menor divergência foi observada entre os acessos VCUR-401
e VCUR-404 ambos de Japaratuba-SE (Figura 1). Não foram observados acessos duplicados.
Para os caracteres fenotípicos a variabilidade foi alta, porém, estudos desenvolvidos com os
mesmos acessos foi detectado que a diversidade genética é de baixa a média (BRITO et al.,
2016). Em um estudo realizado em plantas de populações naturais de V. curassavica do
estado de Sergipe, os autores revelaram alta diversidade química do óleo essencial (NIZIO et
al., 2015). Nestes trabalhos foram estudadas características influenciadas pelo ambiente, o que
indica que essa espécie apresenta plasticidade fenotípica, atribuída principalmente a diferentes
respostas pela interação ambiente x genótipo.
29

As informações obtidas no presente estudo auxiliarão no estabelecimento de estratégias para


melhorar a conservação dessa espécie, além de permitir a troca, ampliação e disponibilização
de materiais para os programas de melhoramento. A utilização de acessos conservados, em
programa de melhoramento genético, poderá originar cultivares superiores, adaptadas a
ambientes específicos e com características favoráveis como, no caso das plantas aromáticas,
alto rendimento de óleos essenciais ricos nos compostos de interesse (como o acesso VCUR-
503 usado no melhoramento genético, por apresentar o composto majoritário o viridiflorol).
Variações para características morfológicas e agronômicas foram observadas entre os
genótipos de Ocimun sp. (BLANK et al., 2004), entre acessos de Lippia alba (CAMÊLO et
al., 2011).
O conhecimento das características morfoagronômicas avaliadas em coleções de
germoplasma, possibilita uma melhor utilização da espécie que está sendo conservada. As
informações geradas na caracterização dos recursos colaboraram também com a otimização
dos Bancos de Germoplasma, eliminando a duplicidade de acessos e diminuindo os custos de
manutenção (BLANK, 2013).
A presença de variabilidade é importante tanto para a conservação de germoplasma quanto
para a utilização em programas de melhoramento, ampliando as possibilidades de seleção de
materiais que apresentem atributos promissores e desejáveis para a indústria de
processamento e para o mercado consumidor (CARVALHO et al., 2014).

Figura 1. Dendograma bidimensional representando a similaridade entre 27 acessos de erva-


baleeira, obtido pelo método de Ward com base na distância euclidiana com base nos
caracteres morfoagronômicos. São Cristóvão-SE.

A análise de componentes principais com dois componentes principais, explicaram 53,52% da


variação total (Figura 2). O componente principal primário representou 29,40% da variação
total e foi relacionado positivamente com as variáveis R (AD) (r=0,86); G (AD) (r=0,91); R
30

(AB) (r=0,83) e G (AB) (r=0,72). O componente principal secundário representou 24,11% da


variação total e foi relacionado negativamente com as variáveis CF (r=-0,85); LF (r=-0,97) e
AF (r=-0,94).

Figura 2. Dispersão gráfica de 15 variáveis morfoagronômicas dos 27 acessos de erva-


baleeira em relação aos dois componentes principais através da análise de componente
principais (ACP) da coleção de erva baleeira no Banco Ativo de Germoplasma de Plantas
Medicinais e Aromáticas da UFS. São Cristóvão-SE. Variáveis: Comprimento da Folha (CF),
Largura da Folha (LF), Relação Comprimento/ Largura de Folha (C/L), Área Foliar (AF),
Largura da Copa (LC), Altura de Planta (AP) e Diâmetro do Caule (DC), RGB - R (Red), G
(Green), B (Blue) onde: R (AD); G (AD); B (AD) e R (AB); G (AB); B (AB) são códigos das
cores na parte Adaxial e Abaxial da folha. Teor (TEO) e Rendimento (REO) de óleo
essencial.

4.4. Conclusão

Com base na caracterização morfoagronômica pode-se concluir que existe variabilidade


fenotípica e agronômica entre os acessos de erva-baleeira do Banco Ativo de Germoplasma de
Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe.

Agradecimentos

Ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), FAPITEC/SE


(Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe), CAPES
(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), e FINEP (Financiadora de
Estudos e Projetos) pelo suporte financeiro.
31

4.5. Referências Bibliográficas

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34

5. ARTIGO 2
ANÁLISE QUÍMICA DE ÓLEOS ESSENCIAIS DE ACESSOS DE Varronia
curassavica Jacq. COLHIDOS EM DUAS ÉPOCAS

RESUMO
Objetivou-se neste estudo analisar o teor e a composição química do óleo essencial de 27
acessos de V. curassavica, colhidos nas épocas chuvosa (julho de 2015) e seca (janeiro de
2016). Os óleos essenciais foram extraídos por hidrodestilação e analisados por CG/EM-DIC.
Cinquenta e um compostos foram detectados acima de 1% nos óleos essenciais, considerando
todos os acessos. Pela análise de agrupamento, foi definida a formação de sete grupos
químicos nas duas épocas de colheita. Os grupos foram caracterizados pela presença dos
seguintes compostos químicos: grupo 1 - pelo composto 5-methyl-9-methylene-2-
isopropylcyclodec-4-en-1-one; grupo 2 - E-cariofileno e α-turmerona; grupo 3 - por 5-methyl-
9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one, α-turmerona e E-cariofileno; grupo 4 -
shyobunol e germacreno D-4-ol; grupo 5 - E-cariofileno, viridiflorol e α-zingibereno; grupo 6
- sabineno, E-cariofileno e biciclogermacreno; e grupo 7 - α-pineno e E-cariofileno.
Observou-se variações quantitativas dos constituintes químicos dos óleos essenciais dos
acessos, de uma época para a outra. Apenas os acessos VCUR-302 e VCUR-502
apresentaram alteração na composição química dos seus óleos essenciais; estes dois acessos
migraram do grupo 5, na época chuvosa, para o grupo 6, na época seca. O acesso VCUR-105
apresentou maior teor de óleo essencial na época chuvosa (3,20%) enquanto que para a época
seca, além do VCUR-105 (2,84%), os acessos VCUR-003 (2,78%) e VCUR-101 (2,73%)
mostraram-se produtivos. Os compostos bioativos α-humuleno e E-cariofileno foram
detectados em todos os acessos e em ambas as épocas. Estudos sobre o efeito da sazonalidade
na composição química do óleo essencial de espécies aromáticas e medicinais são
fundamentais para uma melhor compreensão da produção e composição química do óleo
essencial ao longo do ano.

Palavras-chave: Planta medicinal e aromática, óleo volátil, constituintes químicos,


diversidade.
35

ABSTRACT
Chemical analyse of essential oils from Varronia curassavica Jacq. accessions in two
seasons

This work aimed to analyze the chemical composition andcontent of the essential oil of 27
accessions of V. curassavica, whose essential oil is used in the pharmaceutical industry,
collected during the rainy (July 2015) and dry (January 2016) seasons. Essential oils were
extracted by hydrodistillation and analyzed by GC/MS-FID. Fifty-one compounds were
detected in the essential oils. The cluster analysis formed seven chemical clusters in the two
harvest seasons. Clusters were characterized by the presence of the following chemical
compounds: cluster 1 – 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one; cluster 2 – E-
caryophyllene and α-turmerone; cluster 3 – 7-cyclodecen-1-one, 7-methyl-3-methylene-10-(1-
propyl), α-turmerone, and E-caryophyllene; cluster 4 – shyobunol and germacrene D-4-ol;
cluster 5 – E-caryophyllene, viridiflorol, and α-zingiberene; cluster 6 – sabinene, E-
caryophyllene, and bicyclogermacrene; and cluster 7 – α-pinene and E-caryophyllene. Only
the accessions VCUR-302 and VCUR-502 presented major alterations in the chemical
composition of their essential oil. These two accessions migrated from cluster 5, in the rainy
season, to cluster 6, in the dry season. Accession VCUR-105 had higher essential oil content
in the rainy season (3.20%). Meanwhile, in the dry season, the accessions VCUR-003 (2.78%)
and VCUR-101 (2.73%) were also productive, besides VCUR-105 (2.84%). The bioactive
compounds α-humulene and E-caryophyllene were detected in all accessions and both
seasons. Studies on the effect of seasonality on the chemical composition of the essential oil
of aromatic and medicinal species are fundamental for a better understanding of the
production and chemical composition of the essential oil throughout the year.

Keywords: Medicinal and aromatic plant, volatile oil, chemical compounds, diversity.

5.1. Introdução

A espécie Varronia curassavica Jacq. (ex Cordia verbenacea DC.) pertence à família
Cordiaceae e é popularmente conhecida como erva-baleeira. Ocorre naturalmente na América
do Sul e Central, e, no Brasil, está presente nos mais variados habitats, tais como: região
costeira, dunas litorâneas da Mata Atlântica, solos arenosos ou áreas de restinga e campos
rupestres (1, 2, 3). As partes aéreas da planta são utilizadas na medicina popular devido aos
seus efeitos anti-inflamatório, antirreumático, analgésico e cicatrizante (4, 5). Na indústria
farmacêutica, o óleo essencial extraído das folhas é utilizado na produção de um medicamento
fitoterápico com ação anti-inflamatória, o qual foi o primeiro a ser desenvolvido totalmente
no Brasil em 2005, pelo Laboratório Aché (6) e cujo princípio ativo é o sesquiterpeno α-
humuleno (3).
A erva-baleeira tem sua eficácia reconhecida pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) e está incluída no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira
e na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde
(RENISUS) (7). O uso desta espécie pela indústria farmacêutica tem gerado uma demanda
por informações referentes ao seu cultivo, de forma a garantir matéria-prima vegetal de
qualidade durante todo o ano.
Além das propriedades medicinais citadas anteriomente, pesquisas científicas têm
demonstrado outras potencialidades da espécie por apresentarem diversas atividades
biológicas, como por exemplo, antibacteriana (8, 9, 10), antialérgico (4), antiulcerogênico (5),
antifúngico (11, 12, 13) e antiprotozoário (14).
As propriedades biológicas apresentadas pelos metabólitos secundários estão
diretamente relacionadas à sua composição química. Entretanto, grande variabilidade pode ser
encontrada dentro de uma mesma classe de metabólito. Tal variabilidade ocorre não só devido
36

aos fatores genéticos, mas, sobretudo, devido aos fatores ambientais e de cultivo. Dentro dos
fatores ambientais, destaca-se as variações climáticas que ocorrem durante as diferentes
estações do ano, as quais são capazes de influenciar quantitativa e qualitativamente a
constituição química dos metabólitos secundários produzidos pelas espécies medicinais (15,
16, 17). O conhecimento a respeito dos principais fatores que alteram a estabilidade dos
compostos ativos de matérias-primas vegetais, utilizadas na produção de medicamentos
fitoterápicos é de suma importância, pois possibilita o planejamento do processo produtivo de
modo a garantir a qualidade do produto (18) como, por exemplo, estabelecer a melhor época
de colheita para que as propriedades terapêuticas do fármaco sejam mantidas.
A variabilidade química dos óleos essenciais de plantas de erva-baleeira de populações
naturais já foi demonstrada (13), entretanto, ainda não há informação a respeito da ocorrência
de variação da constituição química deste metabólito em diferentes épocas do ano em acessos
mantidos em banco de germoplasma.
Dessa forma, este trabalho teve como objetivo analisar a composição química do óleo
essencial de 27 acessos de V. curassavica pertencentes ao Banco Ativo de Germoplasma de
Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe, coletados nas estações
chuvosa e seca.

5.2. Material e Métodos

5.2.1. Material vegetal


A coleção de Varronia curassavica Jacq. do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas
Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe está implantada na Fazenda
Experimental "Campus Rural da UFS", localizada no município de São Cristóvão, estado de
Sergipe, Brasil (latitude 11°00‘S e longitude 37°12‘W). A coleção é constituída por acessos
coletados de diversas localidades dos estados de Sergipe e São Paulo (Tabela 1) (19).
O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com três repetições. Cada
parcela foi constituída por uma planta. O espaçamento utilizado foi de 2,0 m entre plantas e
3,0 m entre linhas. A cada três meses a adubação foi realizada com 5 litros de esterco bovino
por planta e mensalmente foram realizadas capinas para manter a área livre de plantas
invasoras.
Foram colhidas folhas de 27 acessos de V. curassavica, nas épocas chuvosa (inverno)
e seca (verão). No estado de Sergipe, o período chuvoso compreende os meses de março a
agosto, enquanto que o período seco abrange os meses de novembro a fevereiro. O município
de São Cristóvão apresenta clima tropical, com temperatura e pluviosidade média anual de
25,3 °C e 1372 mm, respectivamente (20, 21).
A primeira coleta foi realizada em julho de 2015 (período chuvoso) nas plantas com 2
anos de idade. Neste mês, a temperatura média foi de 24,7 °C e a precipitação pluviométrica
de 230 mm. A segunda coleta foi realizada no mês de janeiro de 2016 (período seco) nas
plantas com 2,5 anos de idade, a temperatura e precipitação média foram de 27 °C e 60 mm,
respectivamente.

5.2.2. Extração dos óleos essenciais


As folhas recém coletadas de todos os acessos de V. curassavica foram secas em
estufa com circulação forçada de ar, a 40° C por cinco dias. O óleo essencial foi extraído por
hidrodestilação em aparelho Clevenger modificado. Amostras de 50g de folhas secas foram
destiladas por 140 minutos (22). Os óleos essenciais foram coletados e estocados em frascos
âmbar, à -20°C até análise da composição química.
O teor de óleo essencial foi calculado para cada acesso de acordo com a seguinte
fórmula:
Teor (%, v/m) = (Volume de óleo essencial extraído da amostra / massa seca das
folhas) x 100
37

5.2.3. Análise da composição química dos óleos essenciais


As análises foram realizadas utilizando um CG/EM/DIC (GCMSQP2010 Ultra,
Shimadzu Corporation, Kyoto, Japão) equipado com um amostrador com injeção automática
AOC-20i (Shimadzu). As separações foram realizadas em uma coluna capilar de sílica
fundida Rtx®-5MS Restek (5%-difenil-95%-dimetilpolisiloxano) 30 m x 0,25 mm de
diâmetro interno, 0,25 µm de espessura de filme, em um fluxo constante de Hélio 5.0 com
taxa de 1,0 mL min-1. A temperatura de injeção foi de 280 °C, 1,0 μL (10 mg mL-1) de
amostra foi injetado, com uma razão de split de 1:30. A programação de temperatura do forno
iniciou-se a partir de 50 °C (isoterma durante 1,5 min), com um aumento de 4 °C min-1, até
200 °C, em seguida, a 10 °C min-1 até 300 °C, permanecendo por 5 min. Para o CG/EM as
moléculas foram ionizadas por ionização por elétrons com energia de 70 eV. Os fragmentos
foram analisados por um sistema quadrupolar programado para filtrar fragmentos/íons com
m/z na ordem de 40 a 500 Da e detectados por um multiplicador de elétrons. O processamento
de dados foi realizado com software CGMS Postrun Analysis (Labsolutions- Shimadzu). O
processo de ionização para o CG/DIC foi realizado pela chama proveniente dos gases
hidrogênio 5.0 (30 mL min-1) e ar sintético (300 mL min-1). As espécies coletadas e a
corrente elétrica gerada foram amplificadas e processadas. O processamento de dados foi
realizado utilizando o software CG Postrun Analysis (Labsolutions- Shimadzu).

5.2.4. Identificação dos constituintes


A identificação dos constituintes foi realizada com base na comparação dos índices de
retenção da literatura (23). Para o índice de retenção foi utilizada a equação de Van den Dool
e Kratz 1963 (24) em relação a uma série homóloga de n-alcanos (nC9- nC18). Também
foram utilizadas três bibliotecas do equipamento WILEY8, NIST107 e NIST21 que permite a
comparação dos dados dos espectros com aqueles constantes das bibliotecas utilizando um
índice de similaridade de 80%.

5.2.5. Análises estatísticas


Para cada época de colheita, os dados das análises dos constituintes químicos dos
óleos essenciais foram submetidos a duas análises multivariadas: análise de
agrupamento e análise de componentes principais (ACP) usando o software Statistica.
Posteriormente, uma matriz de dissimilaridade foi construída com base na constituição
química dos óleos essenciais de cada planta com base em suas distâncias euclideanas. A
matriz de dissimilaridade foi simplificada com dendrogramas usando o método de
agrupamento de Ward. Os histogramas apresentando as médias dos teores dos constituintes
químicos com os respectivos erros padrão das médias, para cada grupo identificado na
análise de agrupamento e para cada época, foram obtidos com o software Graph Pad Prism®.
Os dados referentes ao teor de óleo essencial dos acessos nas duas épocas de colheita foram
submetidos à análise de variância considerando delineamento em bloco casualizado com
parcelas subdivididas no tempo, e as médias foram agrupadas pelo método de Scott Knott, a
5% de probabilidade, através do programa Sisvar.

5.3. Resultados

A partir das análises químicas dos óleos essenciais, os compostos que apresentaram
concentrações inferiores a 1% para todos os acessos foram desconsiderados nas análises
estatísticas. Sendo assim, 51 compostos foram mantidos para as duas épocas de colheita
(Tabelas 2 e 3). Houve interação significativa entre acesso e época de colheita para teor de
óleo essencial. Considerando a colheita na época chuvosa, observou-se maior teor de óleo
essencial para o acesso VCUR-105 (3,20%). Enquanto que, para a época seca, além do
VCUR-105, com 2,84%, os acessos VCUR-003 e VCUR-101 também se mostraram
38

superiores aos demais acessos, com teores de 2,78 e 2,73% de óleo essencial,
respectivamente. Para a grande maioria dos acessos, os teores de óleo essencial não diferiram
entre as épocas, exceto para VCUR-001, VCUR-003, VCUR-004, VCUR-104 e VCUR-301,
nos quais os teores obtidos na época seca foram superiores aos teores encontrados na época
chuvosa (Tabela 2). A média geral para o teor de óleo essencial foi de 1,60 e 1,71% para as
épocas chuvosa e seca, respectivamente.
Durante a coleta na época chuvosa (julho de 2015), todos os acessos encontravam-se
em pleno desenvolvimento vegetativo. Enquanto que, no período seco (janeiro de 2016), cerca
de 50% dos acessos encontravam-se em pleno florescimento.
Os compostos mais abundantes nas duas épocas avaliadas foram α-pineno (C3),
sabineno (C5), E-cariofileno (C13), α-zingibereno (C20), biciclogermacreno (C21),
{222[M+]41(76);43 (58);55(57);67(53);69(59);81(100);93(66);121(57)} (C28), germacreno
D-4-ol (C32), viridiflorol (C35), 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one
(C38), α-turmerona (C44), ar-turmerona (C46) e shyobunol (C50), os quais contribuíram para
a formação de sete grupos de acordo com a análise de agrupamento (Figura 1).
Considerando as similaridades dos principais constituintes químicos dos óleos
essenciais dos 27 acessos de V. curassavica na época chuvosa, os grupos foram caracterizados
da seguinte forma: o grupo 1, constituído por sete acessos (VCUR-501; VCUR-403, VCUR-
102, VCUR-101, VCUR-105, VCUR-104 eVCUR-003), caracterizou-se principalmente pela
presença do composto 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one (24,12-
43,74%). O grupo 2 formado por três acessos (VCUR-701, VCUR-404 e VCUR-401)
caracterizou-se pela abundância dos compostos E-cariofileno (12,92-21,86%) e α-turmerona
(14,27-17,40%). O grupo 3, constituído por quatro acessos (VCUR-505, VCUR-801, VCUR-
303 e VCUR-301), foi representado pelos compostos 5-methyl-9-methylene-2-
isopropylcyclodec-4-en-1-one (13,47-17,20%), α-turmerona (9,58-13,27%) e E-cariofileno
(7,72-10,36%). O grupo 4, formado por três acessos (VCUR-202, VCUR-504 e VCUR-201),
caracterizou-se pela abundância dos compostos shyobunol (14,22-25,04%) e germacreno D-4-
ol (6,83-37,06%). O grupo 5, constituído por três acessos (VCUR-503, VCUR-502 e VCUR-
302), caracterizou-se pelas maiores médias dos compostos E-cariofileno (13,29-18,11%),
viridiflorol (0,47-32,84%) e α-zingibereno (0-29,43%). O grupo 6 formado por três acessos
(VCUR-402, VCUR-601 e VCUR-103) apresentou o composto sabineno (0,00-25,99%) e/ou
os compostos E-cariofileno (6,05-22,36%) e biciclogermacreno (9,04-26,62%) como
majoritários. O grupo 7 constituído por quatro acessos (VCUR-005, VCUR-004, VCUR-002
e VCUR-001) foi representado pelos compostos majoritários α-pineno (32,16-47,54%) e E-
cariofileno (11,7-19,07%) (Figuras 1A e 2).
Considerando a colheita realizada na época seca, os grupos foram nomeados de acordo
com a divisão dos grupos da época chuvosa. Sendo assim, o grupo 1, constituído por sete
acessos (VCUR-501; VCUR-403, VCUR-102, VCUR-104, VCUR-105, VCUR-101 e
VCUR-003), caracterizou-se principalmente pela presença do composto 5-methyl-9-
methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one (26,71-50,07%). O grupo 2, formado por três
acessos (VCUR-701, VCUR-404 e VCUR-401), caracterizou-se pela maior abundância dos
compostos ar-turmerona (16,47-19,03%), E-cariofileno (4,67-12,56%), helifolen12-ol-D
(6,53-9,30%) e β-turmerona (6,14-9,37%). O grupo 3, constituído por quatro acessos (VCUR-
801; VCUR-505, VCUR-303 e VCUR-301), apresentou maiores médias dos compostos 5-
methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one (16,61-18,10%), E-cariofileno (4,42-
10,14%) e α-turmerona (6,56-8,44%). O grupo 4, formado por três acessos (VCUR-202,
VCUR-504 e VCUR-201), foi representado pelos compostos shyobunol (10,52-24,18%) e
germacreno D 4-ol (8,17-29,42%). O grupo 5 foi constituído por um único acesso (VCUR-
503), cujo composto majoritário é o viridiflorol (52,47%). O grupo 6, formado por cinco
acessos (VCUR-502, VCUR-302, VCUR-402, VCUR-601, e VCUR-103), caracterizou por
apresentar maiores médias dos compostos E-cariofileno (4,50-20,55%), sabineno (0,35-
26,96%) e biciclogermacreno (0-12,38%). E por fim, o grupo 7, constituído por quatro plantas
39

(VCUR-005, VCUR-004, VCUR-002 e VCUR-001, foi representado pelos compostos α-


pineno (24,74-47,55%) e E-cariofileno (0,87-14,61%) (Figuras 1B e 3).
Comparando a distribuição dos acessos nos grupos entre as épocas de colheita,
observa-se que os grupos 5 e 6 sofreram alterações da época chuvosa para a época seca. O
grupo 5, constituído anteriormente por três acessos (VCUR-503, VCUR-502 e VCUR-302),
passou a ser formado apenas pelo VCUR-503, sendo que os outros dois acessos que
compunham o mesmo grupo, passaram a fazer parte do grupo 6 na época seca, totalizando
cinco acessos.
Os compostos bioativos E-cariofileno e α-humuleno foram detectados em todos os
acessos em ambas as épocas de coleta, com níveis variando de 1,88% (VCUR-104) a 22,36%
(VCUR-601) e 0,71% (VCUR-104) a 5,73% (VCUR-004), respectivamente, no período
chuvoso. No período seco os teores variaram de 0,93% (VCUR-001) a 20,55% (VCUR-601) e
de 0,47% (VCUR-403) a 6,08% (VCUR-004), respectivamente (Tabela 2). A avaliação das
médias gerais revelou que o conteúdo médio desses compostos reduziu da época chuvosa para
a época seca. O teor médio de E-cariofileno e α-humuleno na época chuvosa foi de 10,27 e
2,82% enquanto na época seca foi de 6,62 e 2,01%, respectivamente.
Com base na análise de componentes principais para a época chuvosa, o componente
principal primário representou 19,03% da variação total e foi correlacionado positivamente
com os compostos E-cariofileno (r=0,80) e α-humuleno (r=0,83) e negativamente com
shyobunona II (r=-0,84), shyobunona (r=-0,92), 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-
4-en-1-one (r=-0,93), {222[M+] 81(100);82(64);97(52);140(54);205(80)} (r=-0,91),
dehidroxi-isocalamendiol (r=-0,90) e turmerona (r=-0,78). O componente principal
secundário representou 13,74% da variação e foi relacionado negativamente com γ-cadineno
(r=-0,74), {222[M+]41(76);43(58);55(57);67(53);69(59);81(100);93(66);121(57)}(r=-0,76),
{222[M+] 41(86);43(64);67(65);69(68);81(100);93(75);95(50);109(69)}(r=-0,79), ledol (r=-
0,88), epi-α-murulol (r=-0,72), α-cadinol(r=-0,78), shyobunol (r=-0,93) e metil farnesoato
(2E, 6E) (r=-0,80) (Figura 4A).
Na análise de componente principal para a época seca, o componente principal
primário representou 16,45% da variação total e foi relacionado positivamente com os
compostos sabineno (r=0,73), terpinen-4-ol (r=0,74), δ-elemeno (r=0,86), β-elemeno (r=0,70)
e biciclogermacreno (r=0,76). O componente principal secundário representou 13,97% da
variação e foi relacionado positivamente com {222[M+]41(76);43(58);55(57);
67(53);69(59);81(100);93(66);121(57)} (r=0,75), {222[M+],41(86);43(64);67(65);69(68);
81(100);93(75);95(50);109(69)} (r=0,82), α-cadinol (r=0,80), shyobunol (r=0,80) (Figura
4B).

5.4. Discussão

Os teores de óleos essenciais apresentados pelos acessos de V. curassavica, ou


mantiveram-se os mesmos, ou aumentaram da época chuvosa para a época seca (Tabela 2).
Este fato também foi observado ao compararmos as médias gerais que variaram de 1,60 para
1,71%, respectivamente. As diferenças do teor de óleo essencial entre as épocas de colheita
sugerem ser decorrentes da influência dos fatores ambientais de temperatura e precipitação
pluviométrica. Na estação chuvosa a precipitação pluviométrica média foi de 230 mm e a
temperatura média de 24,7 °C, enquanto na estação seca, foram registrados menor índice
pluviométrico (60 mm) e maior temperatura média (27,0 °C). A menor produção de óleos
essenciais na época chuvosa (inverno) em relação à época seca (verão) pode ser explicada
pelo fato de que as reações biossintéticas são dependentes de suprimentos de esqueletos
carbônicos, obtidos durante os processos fotossintéticos e de compostos energéticos que
participam da regulação dessas reações, de modo que o nível mais elevado de radiação que
ocorre no verão (época seca) favorece a fotossíntese e, consequentemente, a resposta do
metabolismo secundário (25).
40

Da mesma forma, o teor médio de óleo essencial obtido de sete acessos de Lippia
gracilis foi maior na época seca (2,09%) do que na época chuvosa (1,55%), enquanto a
composição química não apresentou grandes alterações (26). Maior teor de óleo essencial foi
detectado em Cymbopogon winterianus colhido na época seca (27). Temperaturas mais altas
também podem favorecer a atividade de enzimas responsáveis pela síntese de terpenos, os
principais constituintes dos óleos essenciais. Para algumas terpeno-sintases (TPS1), a
temperatura ótima de reação é entre 30 e 37 ºC. Dessa forma, a temperatura e pluviosidade
podem estimular a produção de certos metabólitos ou desfavorecer a produção de outros (28).
A produção de óleos essenciais é um mecanismo de resposta e interação de plantas para uma
série de fatores externos que influenciam sua adaptação e sobrevivência; portanto, a produção
é predominantemente determinada pelas mudanças do ambiente e há limitado controle
genético. Conforme foi observado para Lippia sidoides, a maior parte da variação do conteúdo
do óleo essencial e fenotípica foi causada pela variação ambiental (29).
Outro fator que também pode ter influenciado a produção de óleo essencial nos
acessos de V. curassavica é o estádio de desenvolvimento das plantas. Na coleta realizada na
época chuvosa as plantas estavam em fase de desenvolvimento vegetativo, enquanto que na
época seca, as plantas estavam em fase de floração. Os presentes resultados corroboram com
os relatos de que V. curassavica floresce ao longo do ano, mais intensamente nos meses mais
quentes (primavera e verão) (30). O rendimento do óleo essencial em espécies aromáticas
pode ocorrer de forma diferente, dependendo do estágio vegetativo de pré-florescimento,
pleno florescimento, floração final e frutificação (31, 32, 33, 34). O favorecimento da
produção destes compostos na fase de florescimento se deve ao fato de que estes têm a função
de proteger a planta contra herbívoros, ataque de patógenos, bem como beneficiá-la na
competição com outros vegetais. Além disso, favorece a atração de polinizadores, de animais
dispersores de sementes, como microrganismos simbiontes (25), funcionado como estratégia
biológica da planta na produção de OE.
Observou-se uma grande variabilidade química entre os acessos que compõem a
coleção de V. curassavica, os quais dividiram-se em sete grupos químicos nas duas épocas de
colheita (Tabelas 2 e 3). Em estudo realizado em populações de V. curassavica coletadas no
estado de Sergipe, as plantas foram divididas em cinco grupos químicos (13), cujos principais
compostos foram semelhantes aos observados no presente estudo. O conhecimento prévio foi
utilizado na coleta de amostras para compor a coleção do BAG de V. curassavica, visando
obter o maior número possível de plantas com diferentes composições químicas de óleos
essenciais.
Os compostos químicos do óleo essencial dos acessos apresentaram variações
quantitativas de uma época para outra. Entre os sete grupos formados, apenas os acessos
(VCUR-502 e VCUR-302) não permaneceram nos mesmos grupos nas duas épocas. Estes
acessos migraram do grupo 5 (E-cariofileno, viridiflorol e α-zingibereno), na época chuvosa,
para o grupo 6 (E-cariofileno, sabineno e biciclogermacreno), na época seca (Figura 1). A
mudança de grupo foi provavelmente devido à variação quantitativa dos compostos
majoritários. O teor de viridiflorol observado em VCUR-503 aumentou de 32,8% na época
chuvosa para 52,5% na época seca, e agora representa o grupo 5 sozinho. O VCUR-302
apresentou 29,43% de α-zingibereno na época chuvosa e 5,29% na época seca, enquanto que
o composto ar-curcumeno não foi identificado na época chuvosa, foi biossintetizado e
representou 21,98% na época seca. O VCUR-502 apresentou 13,29% de E-cariofileno na
época chuvosa e 6,88% época seca.
Variações quantitativas também foram observadas no grupo 2. O composto α-
turmerona apresentou maior média na época chuvosa e reduziu na época seca. Por outro lado,
ar-tumerona, apresentou maior média na época seca (Figura 2A e B). Os compostos bioativos
E-cariofileno e α-humuleno foram detectados em todos os acessos nas duas épocas de
colheita. No entanto, o conteúdo desses sesquiterpenos diminuiu na época seca. No total,
40,5% e 16,20% dos acessos na época chuvosa e seca, respectivamente, atingiram valores
41

superiores ao teor mínimo de α-humuleno necessário para o uso do óleo essencial como
matéria-prima na obtenção do fitoterápico, 2,3% (35, 36). O VCUR-004 e o VCUR-302 se
destacaram por apresentarem mais que o dobro do teor mínimo do α-humuleno nas duas
épocas (Tabela 2).
Todas as variações observadas na composição química do óleo essencial dos acessos
estudados devem-se à grande influência de fatores bióticos e abióticos. Estádio de
desenvolvimento de plantas, índice pluviométrico, sazonalidade, temperatura, disponibilidade
hídrica, radiação ultravioleta, disponibilidade de nutrientes e constituição genética são fatores
que podem atuar na biossíntese dos metabólitos secundários. As variações podem estar
relacionadas ao tempo e espaço em diferentes níveis (sazonais, intraespecíficos e
interespecíficos). Esses fatores se correlacionam entre si e não atuam separadamente. Além
disso, eles podem influenciar conjuntamente a produção de metabólitos secundários (17, 37).
O conhecimento sobre a ocorrência de variabilidade sazonal na produção de princípios
ativos é um dos principais parâmetros a ser considerado no planejamento do cultivo de plantas
medicinais desde o plantio até a colheita (38). Essas informações ajudam a definir o manejo
mais adequado para a obtenção de um perfil químico ideal, e consequentemente, um produto
de qualidade, já que a variação na composição química dos óleos essenciais pode influenciar
diretamente nos resultados dos testes farmacológicos e biológicos (39, 40).

5.5. Conclusões

A composição química do óleo essencial de acessos de V. curassavica apresentou


estabilidade qualitativa, uma vez que, independentemente da época de colheita, foram
identificados sete aglomerados químicos, que podem ser colhidos tanto na estação chuvosa
quanto na seca. No entanto, maiores variações quantitativas foram observadas para os
compostos sesquiterpênicos (viridiflorol e α-zingibereno e ar-curcumeno) de uma estação para
outra.
Estudos sobre o efeito da sazonalidade na composição química do óleo essencial de
espécies medicinais e aromáticas são fundamentais para uma melhor compreensão da
produção e composição química do óleo essencial ao longo do ano.

Agradecimentos

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da


Fundação de Apoio a Pesquisa e Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec / SE),
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES - Finance Code 001)
e Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP.

Declaração de divulgação

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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44

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45

Tabela 1. Código, origem e informações geográficas de 27 acessos da coleção de V.


curassavica do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da
Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Voucher do
Código do acesso Origem (Município, Estado, País) Dados georreferenciados
Herbário da UFS
Doado pelo Centro Multidisciplinar de Pesquisas
Químicas, Biológicas e Agrícolas da Universidade 30.913
VCUR-001 -
Estadual de Campinas, Campinas, Estado de São
Paulo, Brasil
VCUR-002 Ubatuba, São Paulo, Brasil 36.095 23°32‘18.0‖S; 45°03‘73.4‖W
VCUR-003 Ilha Comprida, São Paulo, Brasil 36.096 25°02‘44.0‖S; 47°53‘17.0‖W
VCUR-004 Mongágua, São Paulo, Brasil 36.097 24°08‘00.0‖S; 46°42‘54.0‖W
VCUR-005 Ilha Comprida, São Paulo, Brasil 36.098 24°43‘08.0‖S; 47°30‘36.0‖W
VCUR-101 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 35.763 10°14‘48.5‖S; 37°12‘52.8‖W
VCUR-102 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 35.759 10°14‘47.6‖S; 37°12‘52.8‖W
VCUR-103 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 36.099 10°14‘47.9‖S; 37°12‘52.2‖W
VCUR-104 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 36.100 10°14‘46.1‖S; 37°12‘52.8‖W
VCUR-105 Graccho Cardoso, Sergipe, Brasil 36.101 10°14‘46.4‖S; 37°13‘26.6‖W
VCUR-201 Tobias Barreto, Sergipe, Brasil 33.470 11°03‘54.2‖S; 38°03‘21.1‖W
VCUR-202 Tobias Barreto, Sergipe, Brasil 33.471 11°04‘10.1‖S; 38°04‘03.4‖W
VCUR-301 São Cristóvão, Sergipe, Brasil 36.102 10°54‘26.3‖S; 37°11‘53.1‖W
VCUR-302 São Cristóvão, Sergipe, Brasil 36.205 10°54‘59.7‖S; 37°11‘16.3‖W
VCUR-303 São Cristóvão, Sergipe, Brasil 36.208 10°54‘48.5‖S; 37°11‘50.3‖W
VCUR-401 Japaratuba, Sergipe, Brasil 36.227 10°38‘05.4‖S; 36°55‘10.5‖W
VCUR-402 Japaratuba, Sergipe, Brasil 36.103 10°37‘59.9‖S; 36°55‘16.1‖W
VCUR-403 Japaratuba, Sergipe, Brasil 36.104 10°37‘39.0‖S; 36°55‘25.8‖W
VCUR-404 Japaratuba, Sergipe, Brasil 36.105 10°37‘37.8‖S; 36°56‘00.0‖W
VCUR-501 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.106 11°21‘12.0‖S; 37°50‘59.0‖W
VCUR-502 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.107 11°19‘17.1‖S; 37°52‘02.4‖W
VCUR-503 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.239 11°19‘05.2‖S; 37°52‘17.5‖W
VCUR-504 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.108 11°19‘01.7‖S; 37°52‘25.0‖W
VCUR-505 Tomar do Geru, Sergipe, Brasil 36.109 11°19‘04.0‖S; 37°51‘51.8‖W
VCUR-601 Itabi, Sergipe, Brasil 30.914 10°09‘24.9‖S; 37°08‘27.0‖W
VCUR-701 Cedro de São João, Sergipe, Brasil 36.110 10°18‘06.9‖S; 36°53‘27.7‖W
VCUR-801 Itabaiana, Sergipe, Brasil 36.111 10°50‘27.6‖S; 37°12‘49.3‖W
46

Tabela 2. Teor (%) e constituintes químicos (C1 ao C26) dos óleos essenciais de acessos da coleção de Varronia curassavica do Banco Ativo de
Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe, coletados nas épocas chuvosa (julho de 2015) e seca (janeiro de
2016).
Teor de
Acessos C01 C02 C03 C04 C05 C06 C07 C08 C09 C10 C11 C12 C13 C14 C15 C16 C17 C18 C19 C20 C21 C22 C23 C24 C25 C26
OE (%)
Época chuvosa
VCUR-001 0,99dB - - 32,16 - 0,53 0,38 - - - 3,82 2,62 11,61 11,94 - - 3,99 0,46 - - - 0,33 2,36 - - - -
VCUR-002 1,45cA - - 47,54 0,35 0,35 0,50 - - - 3,24 1,55 - 11,70 - - 2,75 5,52 - 1,56 - 5,07 - - - 0,67 -
VCUR-003 2,20bB - - - - - - - - - 0,13 1,70 - 4,67 - - 1,75 2,09 0,50 0,39 4,01 2,65 0,54 2,72 - - 2,21
VCUR-004 1,30dB - 7,28 42,35 0,27 1,17 0,75 - - 0,30 1,52 1,27 - 19,08 - - 5,73 1,49 - 0,60 - 8,56 - - - 0,39 -
VCUR-005 1,52cA - 8,47 35,91 - 1,61 0,42 - - - 0,93 2,55 - 14,76 - - 3,48 9,44 - 1,25 - 10,17 - - - - -
VCUR-101 2,54bA - - - - - - - - - 1,27 0,93 - 4,52 - - 1,48 1,25 - 1,95 - 7,94 - 1,39 - 1,36 -
VCUR-102 2,40bA - - - - - - - - - 0,58 0,94 - 2,44 0,20 - 0,88 1,28 - 0,73 - 3,62 - 1,09 - 0,52 -
VCUR-103 1,21dA - 1,33 0,56 - 25,99 - 1,63 1,43 1,77 8,01 1,99 - 6,05 - 4,55 2,05 - - 0,89 - 16,64 - - - - -
VCUR-104 1,78cB - - - - - - - - - 0,33 0,23 - 1,88 - - 0,71 1,26 - 0,19 - 2,02 - 1,62 - - -
VCUR-105 3,20aA - - - - - - - - - 0,34 0,71 - 2,39 - - 0,81 1,01 - 0,20 - 2,96 - 1,77 - - -
VCUR-201 1,98bA - - - - - - - - - 1,02 1,14 - 7,20 - - 2,30 2,01 - 0,86 - 6,05 - - 0,70 0,31 -
VCUR-202 1,90bA - - - - - - - - - 0,36 0,93 - 5,60 - - 1,76 1,46 - 1,95 - 4,85 - - 0,48 0,42 -
VCUR-301 1,63cB - - - - - - - - - 0,43 0,56 - 9,00 0,25 - 2,62 0,99 0,63 1,47 1,94 2,73 0,45 - 1,05 - -
VCUR-302 1,19dA - - 1,50 - 0,26 4,58 - - - 0,34 0,36 - 18,11 0,50 - 5,09 0,26 4,75 4,10 29,43 3,90 3,75 - - - 14,88
VCUR-303 1,29dA - - - - - - - - - 0,33 0,51 - 10,36 0,25 - 2,29 0,92 0,19 0,82 1,27 2,62 - - - - -
VCUR-401 1,32dA - - 0,47 - - 1,06 - - - 0,84 0,34 - 21,86 0,51 - 3,84 - 1,14 3,79 4,11 4,52 0,66 - - - 1,71
VCUR-402 0,81dA - - 4,83 - - 11,34 - - - 2,14 0,66 - 20,98 - - 5,98 0,32 - 9,70 - 26,62 - - 0,51 - -
VCUR-403 1,60cA - - - - - - - - - 0,40 0,38 - 3,07 0,11 - 1,05 1,17 - 0,35 0,41 2,40 - 1,78 - - -
VCUR-404 1,17dA 2,33 - 0,43 2,27 - - - - - 0,44 0,23 - 12,92 0,44 - 3,76 - 1,64 4,76 4,75 2,68 0,79 - 0,15 - 2,14
VCUR-501 2,12bA - - - - - - - - - 0,21 0,57 - 5,56 - - 1,73 1,23 - 0,50 0,59 3,36 - 2,15 - - -
VCUR-502 1,59cA 16,84 - 2,72 14,51 0,20 - - - - 0,15 2,20 - 13,29 11,12 - 3,44 0,21 - 3,92 - - - - - 1,30 -
VCUR-503 1,23dA - - 6,91 - 0,39 10,33 - - - 1,00 1,68 - 13,29 - - 3,86 0,29 - 5,54 - 5,63 - - - 1,13 -
VCUR-504 1,51cA 1,12 - 0,27 1,24 - - - - - 0,38 0,69 - 4,87 0,72 - 1,61 1,96 - 0,59 - 5,11 - - 1,20 - -
VCUR-505 1,75cA - - - - - - - - - 0,55 1,12 - 7,72 0,26 - 2,24 0,66 0,71 2,09 1,95 2,87 - 0,88 - 0,52 -
VCUR-601 1,09dA - 1,04 0,39 - 25,98 - 0,99 0,81 2,56 0,77 1,69 - 22,36 - - 4,63 0,31 - 5,71 - 9,04 - - - 0,89 -
VCUR-701 1,26dA - - 0,75 - 0,08 1,43 - - - 0,41 0,42 - 13,70 0,50 - 3,85 0,13 1,14 2,37 3,94 2,83 - - - - 1,75
VCUR-801 1,20dA - - - - - - - - - 0,49 0,55 - 7,87 0,21 - 2,36 0,73 0,49 0,96 1,50 3,16 - 0,92 - - -
Época seca
VCUR-001 1,70cA - - 24,74 0,46 0,41 - - - - 0,50 1,39 9,67 0,93 - - 1,28 0,87 0,46 - - - 1,22 - - - -
VCUR-002 1,17dA - - 47,55 0,44 0,44 0,95 - - - 2,00 1,85 - 6,65 - - 1,68 8,30 - 1,54 - 4,48 - - - 0,80 -
VCUR-003 2,78aA - - - - - - - - - - 1,32 - 2,11 - - 1,03 1,99 3,48 - - 1,15 0,95 3,28 - - 2,09
VCUR-004 2,00bA - 9,07 35,29 0,53 1,62 0,53 - - 0,40 1,13 0,94 - 18,76 - - 6,08 1,78 - 0,52 - 6,43 - - - 0,51 -
VCUR-005 1,52cA - 5,79 32,23 - 1,12 0,48 - - 0,33 1,62 3,13 - 6,74 - - 1,90 14,61 - 1,12 - 9,72 - - - 0,43 -
VCUR-101 2,73aA - - - - - - - - - 0,93 0,91 - 3,40 - - 1,21 1,40 - 1,89 - 6,23 - 1,61 - 1,61 -
VCUR-102 2,18bA - - - - - - - - - 0,38 0,80 - 1,58 0,18 - 0,64 1,06 - 0,59 - 2,75 - 1,05 - 0,74 -
VCUR-103 1,58cA - 2,74 0,81 - 26,96 - 3,04 2,87 4,08 3,46 1,84 - 4,50 - 3,70 1,65 - - 0,57 - 8,27 3,88 - - - -
VCUR-104 2,19bA - - - - - - - - - 0,23 0,17 - 1,37 - - 0,57 1,08 - - - 1,73 - 2,12 - - -
VCUR-105 2,84aA - - - - - - - - - 0,17 0,59 - 2,29 - - 0,84 0,88 - 0,12 - 1,49 - 1,92 - - -
VCUR-201 1,69cA - - - - - - - - - 0,83 1,04 - 4,40 - - 1,50 1,51 - 0,70 - 5,02 - - 0,73 - -
VCUR-202 1,93bA - - - - - - - - - 0,56 0,90 - 3,93 - - 1,32 1,16 - 1,33 - 3,87 - - 1,19 8,58 -
47

VCUR-301 2,05bA - - - - - - - - - 0,21 0,32 - 6,60 0,26 - 2,04 0,81 0,80 0,91 1,22 2,10 0,44 - 4,65 - -
VCUR-302 1,38dA - - 1,69 - 0,37 2,73 - - - 0,09 0,24 - 16,72 0,84 - 5,15 0,27 21,98 1,93 5,29 0,97 5,74 - - - 17,06
VCUR-303 1,45cA - - - - - - - - - 0,27 0,38 - 10,14 0,34 - 2,39 0,89 1,14 1,75 0,55 - - 1,44 - - -
VCUR-401 1,65cA - - 1,79 - - 1,00 - - - - 0,22 - 12,56 0,70 - 2,46 - 3,46 0,94 0,61 0,58 1,19 - - - 1,37
VCUR-402 1,20dA - - 1- 0,34 0,33 9,02 - - - 2,06 0,70 - 14,45 - - 4,58 0,54 - 4,13 - 12,38 - - 0,88 - -
VCUR-403 1,35dA - - - - - - - - - 0,05 0,19 - 1,03 0,07 - 0,47 0,83 - 0,71 - 2,10 - 1,99 - - -
VCUR-404 1,28dA 2,48 - 0,55 1,74 - - - - - - 0,17 - 6,60 0,68 - 2,28 - 4,05 1,23 0,64 - 1,45 - - - 1,75
VCUR-501 1,83cA - - - - - - - - - - 0,39 - 2,61 - - 1,00 0,99 - 0,36 - - - - 2,51 - -
VCUR-502 1,56cA 22,69 - 3,33 17,32 0,35 - - - - - 1,91 - 6,88 10,91 - 2,06 0,86 - 1,24 - - - - - 1,48 -
VCUR-503 1,73cA - - 9,33 0,28 0,42 9,75 - - - 0,32 0,67 - 5,92 - - 1,74 0,38 - 2,05 - 1,84 - - - 0,85 -
VCUR-504 1,36dA 1,28 - 0,32 1,01 - - - - - 0,74 0,87 - 2,14 1,26 - 0,96 1,68 - 0,67 - 4,45 - - 1,09 - -
VCUR-505 1,35dA - - - - - - - - - 0,18 0,72 - 4,42 0,24 - 1,42 0,53 0,99 0,99 1,08 1,75 - 1,00 - 0,49 -
VCUR-601 1,08dA - 1,50 0,50 - 16,37 - 1,47 1,26 4,01 1,55 2,70 - 20,55 - - 4,42 0,39 - 4,44 - 9,01 - - - 1,24 -
VCUR-701 1,12dA 0,55 - 0,43 0,09 0,12 0,48 - - - - 0,10 - 4,67 0,71 - 1,49 - 2,87 0,39 1,08 - 1,26 - - - 1,87
VCUR-801 1,48cA - - - - - - - - - 0,29 0,35 - 6,80 0,26 - 2,07 0,76 0,83 0,72 1,25 2,76 - - - - 4,25
aIRexp 911 914 922 937 960 1016 1054 1085 1164 1085 1379 1408 1413 1420 1427 1447 1454 1467 1473 1480 1484 1492 1494 1496 1497 1509
bRIlit 921 924 932 946 969 1025 1065 1098 1174 1335 1389 1416 1417 1434 1437 1452 1458 1479 1484 1493 1500 1505 1495C 1513 1514 1521
Compostos: (C1) tricicleno, (C2) α-thujeno, (C3) α-pineno, (C4) canfeno, (C5) sabineno, (C6) β-felandreno, (C7) cis-hidrato sabineno, (C8) trans-hidrato sabineno, (C9) terpinen-4-
ol, (C10) δ-elemeno,(C11) β-elemeno, (C12) α-santaleno, (C13) E-cariofileno, (C14) γ-elemeno, (C15) α-guaieno, (C16) α-humuleno, (C17) aloaromadendreno, (C18) ar-
curcumeno, (C19) germacreno–D, (C20) α-zingibereno, (C21) biciclogermacreno, (C22) β-bisaboleno, (C23) shyobunona II, (C24) γ-cadineno, (C25) cubebol, (C26) β-
sesquifelandreno. Médias de teor de óleo essencial (OE) seguidas de mesma letra minúscula entre acessos, na coluna e maiúsculas entre épocas, não diferem entre si pelo teste de
Scott Knott a 5% de probabilidade.
a
RIexp., Índices de retenção na coluna RTX-5MS calculados de acordo com Van Den Dool e Kratz (1963)
b
RIlit., Índices de retenção segundo Adams (2017)
C
Judẑentienė et al. (2012) (41)
48

Tabela 3. Teor (%) dos constituintes químicos (C27 ao C51) dos óleos essenciais de acessos da coleção de Varronia curassavica do Banco Ativo de
Germoplasma de Plantas Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe, coletados nas épocas chuvosa (julho de 2015) e seca (janeiro de
2016).
Acessos C27 C28 C29 C30 C31 C32 C33 C34 C35 C36 C37 C38 C39 C40 C41 C42 C43 C44 C45 C46 C47 C48 C49 C50 C51 TI Mono Sesq
Época chuvosa
VCUR-001 0,57 - - - - - - 1,16 - 0,22 0,23 - - - - - - - - - - 4,48 - - - 76,86 33,07 43,79
VCUR-002 1,89 - 0,35 - 0,08 4,44 1,42 0,98 0,14 0,70 0,28 - - - - 0,71 0,64 - - - 0,89 - - 1,57 - 94,87 48,74 46,13
VCUR-003 1,87 - 0,34 5,54 - 4,71 2,45 0,97 - - - 38,02 - 4,18 1,75 0,35 3,36 - 2,40 - 1,95 - - 1,01 - 92,20 - 92,20
VCUR-004 0,32 - - - - 0,20 2,86 1,68 0,15 0,25 0,36 - - - - 0,59 - - - - 0,21 - - - - 97,36 52,11 45,26
VCUR-005 0,34 - - - - - 3,62 1,40 - 0,57 0,35 - - - - 0,50 - - - - - - - - - 95,77 46,41 49,36
VCUR-101 3,52 - 1,48 4,90 - 1,76 2,60 0,84 - - - 33,25 - 3,01 2,46 - 2,89 - 2,25 - 1,44 - - 3,03 - 85,54 - 85,54
VCUR-102 3,48 - 1,61 9,50 - 1,45 3,14 0,74 - - - 29,99 - 5,38 2,65 - - - 3,43 - 1,42 - - 3,15 - 78,23 - 78,23
VCUR-103 0,45 - - - - 0,19 3,21 2,21 0,39 0,57 - - - - - - - - - - 0,51 - - - - 80,42 32,70 47,73
VCUR-104 1,64 - 0,89 8,93 - 0,24 2,97 0,56 - - - 43,74 - 6,32 3,36 - - - 2,59 - 0,59 - - 1,88 - 81,94 - 81,94
VCUR-105 - 1,41 0,80 8,98 - 0,88 2,58 0,55 - - - 38,27 - 8,31 2,74 - - - 4,61 - 0,66 - - 1,37 - 81,35 - 81,35
VCUR-201 - 14,06 9,16 - - 6,83 0,93 1,07 0,87 4,33 - - - - - - 3,01 - - - 3,94 - - 24,35 3,17 93,32 - 93,32
VCUR-202 6,23 - 2,54 - - 37,06 - - 0,78 3,02 - - - - - - 3,77 - - - 4,93 - - 14,22 - 90,35 - 90,35
VCUR-301 - 5,82 3,03 2,78 - 2,34 1,58 0,74 - - - 14,06 3,81 2,18 1,09 1,09 2,13 9,58 - 1,96 - - - 7,66 - 81,96 - 81,96
VCUR-302 - - - - - - 1,14 0,85 0,47 - 0,28 - - - - - - - - - - - - - - 94,56 6,34 88,21
VCUR-303 - 3,48 1,83 3,16 - 2,10 1,46 0,73 - - - 13,65 4,11 3,89 - - - 10,60 - 1,97 - - - 10,02 - 76,59 - 76,59
VCUR-401 0,49 - - - - - 1,62 1,32 - 0,84 0,37 - 3,80 - - 0,39 - 14,33 - 6,00 - - 2,92 - - 76,94 1,53 75,41
VCUR-402 2,57 - - - - - 3,94 1,51 0,35 0,43 0,31 - - - - 0,51 - - - - 0,23 - - 0,20 - 93,11 16,17 76,94
VCUR-403 - 3,58 1,93 6,06 - 1,82 2,25 0,65 - - - 30,79 2,33 4,95 2,51 0,54 - 4,27 2,05 1,06 - - - 4,28 - 80,17 - 80,17
VCUR-404 0,37 - - - - - 1,86 1,07 - 0,83 0,46 - 5,47 - - 0,47 - 14,27 - 7,14 - - 2,98 - - 74,64 5,03 69,60
VCUR-501 4,50 - - 4,54 - 5,41 1,34 0,47 - - - 24,12 - 2,83 1,25 1,03 4,63 1,12 - 7,76 6,01 - - 2,87 - 83,81 - 83,81
VCUR-502 1,74 - - - 15,42 - - 0,34 0,78 - - - 0,76 - - - - - - - - - - - - 88,96 34,27 54,69
VCUR-503 2,64 - - - - 0,37 1,13 0,62 32,84 1,58 - - - - - - - - - - 0,35 - - - - 89,58 17,63 71,95
VCUR-504 - 10,01 4,65 - 0,79 8,04 1,04 1,03 0,93 3,96 - - - - - - 4,94 - - - 6,85 - - 25,04 6,22 93,26 2,63 90,63
VCUR-505 3,12 - 1,30 3,39 - 0,83 1,56 0,78 - - - 17,20 4,02 2,01 1,28 - - 13,27 - 3,50 - - 4,20 - - 78,04 - 78,04
VCUR-601 3,26 - - - - - 1,14 0,84 0,19 0,45 0,20 - - - - - - - - - 0,22 - - - - 83,45 31,78 51,67
VCUR-701 0,14 - - - - - 1,71 1,31 - 0,39 0,38 - 6,45 - - - - 17,40 - 6,63 - - 3,69 - - 71,40 2,26 69,15
VCUR-801 - 5,43 3,05 2,80 - 2,27 1,85 0,80 - - - 13,47 4,69 2,27 1,14 - 2,44 10,29 - 2,58 - - 3,77 4,27 - 80,38 - 80,38
Época seca
VCUR-001 - - - - - - - 7,60 - - 6,04 - - - - - - - - - - 1,80 - - - 57,38 25,60 31,78
VCUR-002 1,67 - - - - 0,17 2,03 4,32 - 0,86 0,98 - - - - 0,91 - - - - 0,78 - - - - 88,40 49,37 39,03
VCUR-003 - - 0,56 5,67 - 2,12 3,59 2,48 - - 2,79 35,44 - 2,71 2,98 4,14 - - 1,06 - - - - 0,89 - 81,84 - 81,84
VCUR-004 0,31 - - - - - 5,13 4,01 0,70 - 0,98 - - - - 1,11 - - - - - - - - - 95,81 47,45 48,37
VCUR-005 0,48 - - - - - 7,84 2,57 - 1,23 0,58 - - - - 1,09 - - - - - - - - - 93,03 39,95 53,07
VCUR-101 3,09 - 1,15 6,14 - 1,41 3,47 1,01 - - - 36,97 - - 2,82 - 1,14 - 2,17 - - - - 2,24 - 80,79 - 80,79
VCUR-102 2,70 - 1,37 - - 1,32 4,19 - - - - 32,59 - 5,58 - - - - 3,37 - 1,40 - - 3,21 - 65,50 - 65,50
VCUR-103 0,42 - - - - 0,33 4,66 2,63 0,62 - - - - - - - - - - - 0,93 - - 0,32 - 78,29 40,49 37,80
VCUR-104 - 1,53 0,71 9,08 - 0,95 3,37 0,73 - - - 50,07 - 3,79 - - - - 2,52 - - - - 1,56 - 81,57 - 81,57
VCUR-105 - 1,20 0,59 8,62 - 0,65 3,36 0,80 - - - 39,80 - 6,70 - - - - 3,45 - 0,92 - - 1,27 - 75,65 - 75,65
VCUR-201 - 15,36 10,50 - - 8,58 1,21 1,26 - 3,55 - - - - - - 3,34 - - - 4,61 - - 24,18 1,76 90,09 - 90,09
VCUR-202 0,50 - 4,02 - - 29,42 - - 0,73 - - - - - - - - - - - 6,37 - - 10,52 - 74,39 - 74,39
VCUR-301 - - 2,22 2,64 - 2,07 2,35 1,17 - - - 16,61 3,41 1,51 - - 2,83 8,09 - 3,73 - - 6,03 6,61 - 79,63 - 79,63
49

VCUR-302 - - - - - - 3,89 4,62 1,12 - 1,18 - - - - - - - - - - - - - - 91,87 4,79 87,08


VCUR-303 - 3,40 1,75 3,35 - 1,35 2,43 2,00 - - - 18,10 3,60 2,05 - - 2,44 6,56 - 4,49 - - 4,46 4,64 - 79,92 - 79,92
VCUR-401 - - - - - - 4,82 7,37 - - 1,31 - 6,53 - - - - 3,94 - 16,47 - - 6,14 - - 73,48 2,79 70,69
VCUR-402 2,38 - - - - - 10,74 5,24 0,87 1,10 1,32 - - - - - 2,85 - - - - - - - - 83,91 19,69 64,22
VCUR-403 - - 1,18 - - 0,92 3,74 0,98 - - - 33,91 3,45 3,88 2,89 1,35 - 3,99 - 3,28 1,93 - 2,36 0,48 - 71,79 - 71,79
VCUR-404 - - - - - - 4,00 4,29 - - 1,37 - 8,05 - - - - 3,86 - 19,03 - - 6,50 - - 70,72 4,77 65,95
VCUR-501 2,08 - - 5,34 - 3,99 3,29 1,83 - - - 26,71 2,59 2,63 1,47 - 5,51 3,20 - 3,38 4,85 - 1,95 - - 76,69 - 76,69
VCUR-502 1,22 - - - 6,22 - - 3,42 1,70 - 0,98 - - - - - - - - - 2,23 - - - - 84,80 43,69 41,11
VCUR-503 1,24 - - - - 0,40 1,00 0,74 52,47 2,26 - - - - - - - - - - 0,55 - - 0,47 - 92,70 19,78 72,92
VCUR-504 - 14,09 8,05 - 0,86 8,17 1,37 0,95 0,78 3,28 - - - - - - 4,83 - - - 6,30 - - 22,46 5,41 93,04 2,62 90,41
VCUR-505 2,45 - - 3,74 - 0,41 2,41 1,29 - - - 17,59 4,83 1,40 0,95 - - 8,44 - 7,87 - - 6,43 - - 71,63 - 71,63
VCUR-601 5,43 - - - - - 2,68 1,76 0,33 0,51 0,77 - - - - - - - - - - - - - - 80,90 25,11 55,79
VCUR-701 - - - - - - 2,54 2,77 - - 1,01 - 9,30 - - - - 8,45 - 18,04 - - 9,37 - - 67,59 1,67 65,92
VCUR-801 1,40 - 2,08 3,45 - 1,66 3,19 1,33 - - - 16,70 3,96 1,96 - - - 6,86 - 4,66 - - - - - 67,57 - 67,57
a
IRexp 1511 1520 1541 1549 1552 1569 1572 1580 1588 1589 1596 1603 1604 1622 1621 1628 1638 1648 1654 1644 1638 1662 1680 1679 1753
b
RIlit 1522 Ni Ni 1560C 1559 1574 1577 1582 1592 1602 1608 1623d 1619 Ni 1620 1644 1640 1647 1648 1668 1652 1674 1701e 1688 1783
Compostos: (C27) δ-cadineno, (C28) {222[M+],41(76);43(58);55(57);67(53);69(59);81(100);93(66);121(57)}, (C29) {222[M +],41(86);43(64);67(65);69(68);81(100);93(75);
95(50);109(69)}, (C30) shyobunonaIV, (C31) germacreno B, (C32) germacreno D-4-ol, (C33) espatulenol, (C34) óxido cariofileno, (C35) viridiflorol, (C36) ledol, (C37) humuleno
epóxido II, (C38) 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one, (C39) helifolen 12-ol-D, (C40) {222[M+],81(100);82(64);97(52);140(54);205(80)}, (C41) dehidroxi-
isocalamendiol, (C42) α-murulol, (C43) epi-α-murulol, (C44) α-turmerona, (C45) turmerona, (C46) ar-turmerona, (C47) α-cadinol, (C48) (Z-α-) santalol, (C49) β-turmerona, (C50)
shyobunol, (C51) metil farnesoato (2E,6E). M +=íon molecular. Ni: não identificado.
a
RIexp., Índices de retenção na coluna RTX-5MS calculados de acordo com Van Den Dool e Kratz (1963)
b
RIlit., Índices de retenção segundo Adams (2017)
Mono: monoterpenos (%) e Sesq.: sesquiterpenos (%)
TI=total identificados
C
Judẑentienė et al. (2012)
d
Nizio et al. (2015)
e
Zaibunnisa et al. (2009) = curlona (42)
Figura 1. Dendrograma bidimensional representando a similaridade entre 27 acessos de
Varronia curassavica para a composição química do óleo essencial na época chuvosa (A) e
seca (B).
51

Figura 2. Média dos principais compostos químicos do óleo essencial de 27 acessos de


Varronia curassavica colhidos na época chuvosa.
Compostos: (C3) α-pineno, (C5) sabineno, (C6) β-felandreno, (C10) δ-elemeno, (C13) E cariofileno, (C16) α-
humuleno, (C17) aloaromadendreno, (C18) ar-curcumeno (C20) α-zingibereno, (C21) biciclogermacreno, (C23)
shyobunona II, (C28){222[M+],(76);43(58);55(57);67(53);69(59);81(100);93(66);121(57)},(C29){222[M+],
41(86);43(64);67(65);69(68);81(100);93(75);95(50);109(69)},(C30) shyobunona IV, (C32) germacreno D-4-ol,
(C35) viridiflorol, (C36) ledol, (C38) 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one, (C39)helifolen12-
ol-D, (C40) {222[M+]81(100); 82(64);97(52);140(54);205(80)}, (C41) dehidroxi-isocalamendiol, (C43) epi-α-
murulol, (C44) α-turmerona, (C46) ar-turmerona, (C47) α-cadinol, (C49) β-turmerona, (C50) shyobunol, (C51)
metil farnesoato (2E,6E). M+=peso molecular.
52

Figura 3. Média dos principais compostos químicos do óleo essencial de 27 acessos de


Varrania curassavica colhidos na época seca.
Compostos: (C3) α-pineno, (C5) sabineno, (C6) β-felandreno, (C10) δ-elemeno, (C13) E cariofileno, (C16) α-
humuleno, (C17) aloaromadendreno, (C18) ar-curcumeno, (C20) α-zingibereno, (C21) biciclogermacreno, (C23)
shyobunona II, (C28) {222[M+], (76);43(58);55(57);67(53);69(59);81(100);93(66);121(57)}, (C29){222[M+],
41(86);43(64);67(65);69(68);81(100); 93(75);95(50);109(69)}, (C30) shyobunona IV, (C32) germacreno D-4-ol,
(C35) viridiflorol, (C36) ledol, (C38) 5-methyl-9methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one, (C39) helifolen 12-
ol-D, (C40) {222[M+]81 (100);82(64);97(52);140(54);205(80)}, (C41) dehidroxi-isocalamendiol, (C43) epi-α-
murulol, (C44) α-turmerona, (C46) ar-turmerona, (C47) α-cadinol, (C49) β-turmerona, (C50) shyobunol, (C51)
metil farnesoato (2E,6E). M+=peso molecular.
53

Figura 4. Distribuição dos compostos químicos do óleo essencial de acessos de Varronia


curassavica em relação aos dois componentes principais através da análise de componente
principal (ACP), nas épocas: chuvosa (A) e seca (B).
Compostos: (C1) tricicleno, (C2) α-thujeno, (C3) α-pineno, (C4) canfeno, (C5) sabineno, (C6) β-felandreno,
(C7) cis-hidrato sabineno, (C8) trans-hidrato sabineno, (C9) terpinen-4-ol, (C10) δ-elemeno, (C11) β-elemeno,
(C12) α-santaleno, (C13) E-cariofileno, (C14) γ-elemeno, (C15) α-guaieno, (C16) α-humuleno, (C17)
aloaromadendreno, (C18) ar-curcumeno, (C19) germacreno–D, (C20) α-zingibereno, (C21) biciclogermacreno,
(C22) β-bisaboleno, (C23) shyobunona II, (C24) γ-cadineno, (C25) cubebol, (C26) β-sesquifelandreno, (C27) δ-
cadineno, (C28){222[M+],41(76);43(58);55(57);67(53);69(59);81(100);93(66);121(57)}, (C29) {222[M+],
41(86);43(64);67(65);69(68); 81(100);93(75);95(50);109(69)}, (C30)shyobunonaIV, (C31) germacreno B, (C32)
germacreno D-4-ol, (C33) espatulenol, (C34) óxido cariofileno, (C35) viridiflorol, (C36) ledol, (C37) humuleno
epóxido II, (C38) 5-methyl-9-methylene-2-isopropylcyclodec-4-en-1-one, (C39) helifolen 12-ol-D, (C40)
{222[M+],81(100);82(64);97(52);140(54);205(80)}, (C41) dehidroxi-isocalamendiol, (C42) α-murulol, (C43)
epi-α-murulol, (C44) α-turmerona, (C45) turmerona, (C46) ar-turmerona, (C47) α-cadinol, (C48) (Z-α-) santalol,
(C49) β-turmerona, (C50) shyobunol, (C51) metil farnesoato (2E,6E).
54

6. ARTIGO 3
ÓLEOS ESSENCIAIS DE ACESSOS DE Varronia curassavica (CORDIACEAE) E
SEUS COMPOSTOS E-CARIFILENO E α-HUMULENO COMO ALTERNATIVA NO
CONTROLE DE Dorymyrmex thoracicus (FORMICIDAE: DOLICHODERINAE)

Artigo publicado: Environmental Science and Pollution Research International

Resumo: O crescente processo de urbanização dos ambientes naturais tem aumentado


drasticamente a incidência de insetos praga. Com isso, as últimas décadas têm sido marcadas
por um aumento no uso de inseticidas sintéticos para o controle desses organismos em
ambientes urbanos. O uso intensivo e indiscriminado de inseticidas sintéticos tem causado
uma série de problemas ambientais e à saúde humana. Desta forma, é crescente a preocupação
e a busca por alternativas ambientalmente mais seguras para o controle de pragas urbanas. No
presente estudo avaliamos os efeitos letais e subletais dos óleos essenciais (OEs) de seis
acessos de Varronia curassavica e seus constituintes E-cariofileno e α-humuleno sobre a
formiga Dorymyrmex thoracicus Gallardo, 1916 (Formicidae: Dolichoderinae), uma espécie
comumente encontrada em ambientes urbanos e que pode causar uma série de danos à saúde
humana. Bioensaios de toxicidade por fumigação e de atividade locomotora em arenas
parcialmente tratadas foram realizados. As concentrações letais encontradas para matar 50%
da população de D. thoracicus variaram de 0,692 a 2,481µL L-1 para os OEs e de 3,754 e
1,493 µL L-1 para os compostos E-cariofileno e α-humuleno. A sobrevivência das formigas
expostas a CL95 dos tratamentos foi reduzida ao longo do tempo, variando de 4,2 a 35,6 h para
matar 50% da população de D. thoracicus. De modo geral, os OEs de V. curassavica
causaram repelência e afetaram a atividade locomotora das formigas. Nossos resultados
indicam que os OEs de V. curassavica são uma fonte promissora para o controle da formiga
urbana D. thoracicus.

Palavras-chave: Bioinseticidas, Praga urbana, Atividade locomotora, Terpenos, Toxicidade


55

ABSTRACT
Essential oils from Varronia curassavica (Cordiaceae) accessions and their compounds
(E)-caryophyllene and α-humulene as an alternative to control Dorymyrmex thoracicus
(Formicidae: Dolichoderinae)

The process of urbanization of natural environments has dramatically increased the incidence
of pest insects. To control these organisms in urban environments, the last decades have been
marked by an increase in the use of synthetic insecticides. However, the intensive and
indiscriminate use of synthetic insecticides has provoked a series of environmental problems
and human health. In this way, the concern and the searching for environmentally safer
alternatives for the control of urban pests is increasing. In thepresent study we evaluated the
lethal and sublethal effects of essential oils (EOs) of six accessions of Varronia curassavica
(Jacq.) (Cordiaceae) and their constituents (E)-caryophyllene and α-humulene on the ant
Dorymyrmex thoracicus Gallardo, 1916 (Formicidae: Dolichoderinae), a species commonly
found in urban environments and which can cause damage to human health. Bioassays of
fumigation toxicity and locomotor activity in partially treated arenas were performed. The
lethal concentrations to kill 50% of the D. thoracicus population ranged from 0.69 to 2.48
μL/L for EOs and from 3.75 to 1.49 μL/L for the (E)-caryophyllene and α-humulene
compounds. The survival of the ants exposed to LC95 of the treatments was reduced over time,
ranging from 4.2 to 35.6 h to kill 50% of the D. thoracicus population. In general, EOs of V.
curassavica caused repellency and affected the locomotor activity of the ants. Our results
indicate that EOs of V. curassavica are a promising source for the control ofthe urban ant D.
thoracicus.

Key-words: Bioinsecticides; Urban pest; Locomotor activity; Terpenes; Toxicity

6.1. Introdução

O processo de urbanização dos ambientes naturais tem aumentado drasticamente nas


últimas décadas. Neste ambiente modificado pela ação antrópica, o surgimento de novos
abrigos e recursos alimentares resulta na proliferação de diferentes espécies de insetos que
consequentemente causam uma série de danos para a economia, saúde pública e bem-estar do
homem (Castro et al. 2014; Bueno et al. 2017). Dentre as várias espécies de insetos
frequentemente encontrados nos ambientes urbanos, destacam-se algumas espécies de
formigas (Máximo et al. 2014; Lutinski et al. 2013).
As formigas possuem comportamento social e, devido a sua alta capacidade
adaptativa, apresentam alta dominância e diversidade em ambientes tropicais. No entanto,
algumas espécies são consideradas pragas de ambientes urbanos devido aos efeitos diretos e
indiretos aos seres humanos, como por exemplo, vetores de micro-organismos em ambientes
hospitalares, contaminações de alimentos e incômodos em ambientes residenciais (Campos-
Farinha et al. 2002; Fonseca et al. 2010; Máximo et al. 2014). As formigas urbanas
apresentam um conjunto de características que dificultam o seu controle direto, como por
exemplo: comportamento social, hábito críptico, presença de poliginia (várias rainhas
funcionais), alta taxa reprodutiva, habilidade de migrar em situações desfavoráveis e alta
adaptabilidade a perturbações (Pesquero et al. 2008).
Diante da importância e da dificuldade de controle, métodos eficientes e
ambientalmente mais amigáveis são essenciais para o manejo destes organismos (Testolin
2012). Atualmente, o controle de formigas urbanas vem sendo realizado por meio de
inseticidas sintéticos. No entanto, o uso desses produtos tem resultado em uma gama de
efeitos negativos ao ambiente, bem como a fragmentação das colônias e o aumento do número
de ninhos e das populações de formigas (Fonseca et al. 2010; Knaak e Fiuza, 2010). A busca
56

por novos compostos com ação inseticida para o controle de insetos praga que sejam menos
prejudiciais ao ambiente é uma necessidade crescente em todo o mundo. Neste sentido, as
substâncias oriundas do metabolismo secundário das plantas, como por exemplo, os óleos
essenciais (OEs), constituem uma alternativa promissora devido às propriedades biológicas
exibidas para outros insetos (Melo et al. 2018; Oliveira et al. 2018; Rocha et al. 2018; Santos
et al. 2018).
Os OEs são substâncias formadas por misturas complexas de compostos
(principalmente mono- e sesquiterpenos) presentes em diferentes concentrações e que têm se
destacado como alternativa ao controle convencional de pragas devido à rápida degradação no
ambiente e a baixa toxicidade à organismos não-alvo (Isman 2006). Os OEs desencadeiam
uma série de efeitos sobre os insetos-alvo, como por exemplo: toxicidade, repelência,
irritabilidade, atração, inibição de oviposição e da alimentação, além de distúrbios no
desenvolvimento e deformações (Gonzaga et al. 2008; Corrêa et al. 2011; Rajedran e
Sriranjini 2008; Oliveira el al. 2017; Santos et al. 2017; Oliveira et al. 2018; Silva et al. 2018;
Melo et al. 2018).
O arbusto V. curassavica (Jacq.) (Cordiaceae) é uma espécie nativa do Brasil
(Gasparino e Barros, 2009), distribuída ao longo da região costeira e conhecida populamente
como erva-baleeira. Suas folhas são utilizadas na medicina tradicional como anti-
inflamatório, antireumático e analgésico na forma de extrato alcoólico, decocção e infusões
(Fernandes et al. 2007). Os compostos sesquiterpênicos E-cariofileno e α-humuleno são
importantes constituintes químicos de V. curassavica por serem considerados marcadores
químicos dessa espécie (Fernandes et al. 2007; Medeiros et al. 2007). Alguns trabalhos têm
demonstrado que α-humuleno é o composto responsável pela atividade anti-inflamatória do
óleo essencial dessa espécie (Gilbert e Favoreto 2012; Passos et al. 2007). Além das
propriedades medicinais, alguns estudos têm demonstrado diversas atividades biológicas de V.
curassavica, como por exemplo, toxicidade à larva do mosquito Aedes aegypti (Santos et al.
2006), ação antibacteriana (Carvalho Jr. et al. 2004; Meccia et al. 2009; Rodrigues et al.
2012), antialérgica (Passos et al. 2007), antiulcerogênica (Roldão et al. 2008), antifúngica
(Pinho et al. 2012; Silva et al. 2014; Nizio et al. 2015) e antiprotozoária (Nizio et al. 2018).
Dessa forma, objetivamos com este trabalho avaliar os efeitos letais e subletais dos
óleos essenciais (OEs) de seis acessos de V. curassavica e seus constituintes E-cariofileno e
α-humuleno sobre a formiga urbana D. thoracicus.

6.2. Material e Métodos

6.2.1. Material vegetal, extração dos óleos essenciais e compostos isolados


Para a extração dos OEs de V. curassavica foram utilizados seis acessos (VAC-316;
VAC-324; VAC-326; VAC-503; VAC-509 e VAC-510) provenientes dos municípios de São
Cristóvão e Tomar do Geru, estado de Sergipe, Brasil. Folhas recém-coletadas das plantas de
cada um dos acessos foram mantidas a 40±1ºC por cinco dias em estufa de secagem (Marconi
MA 037) (Sant`ana et al. 2010). A extração dos OEs ocorreu por hidrodestilação em aparelho
tipo Clevenger por 120 minutos após o início da ebulição (Ehlert et al. 2006). Após a
extração, os OEs foram armazenados em frascos de vidro âmbar e mantidos à -4°C até a
análise da composição química e a realização dos bioensaios.
Os compostos isolados (E-cariofileno e α-humuleno) foram adquiridos da empresa
Sigma-Aldrich® (Steinheim, Germany).

6.2.2. Composição química dos óleos essenciais


A composição química dos OEs dos seis acessos de V. curassavica foi analisada por
meio de Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas e Cromatografia Gasosa
acoplada ao Detector Iônico de Chamas (CG/EM/DIC) por meio do equipamento
GCMSQP2010 Ultra (Shimadzu Corporation, Kyoto, Japão). A análise química e
57

identificação dos compostos foram realizadas de acordo com os procedimentos descritos em


(Oliveira et al. 2017).

6.2.3. Insetos
Operárias adultas de D. thoracicus foram coletadas diretamente de 10 ninhos no
campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), São Cristóvão, Sergipe, Brasil (10°54‘S,
37°04‘W). As formigas foram mantidas juntamente com fragmentos dos ninhos em
recipientes plásticos (50 x 20 cm) em condição ambiente (25-27ºC e umidade relativa 60±5%)
por 24h antes da realização dos bioensaios. Somente água destilada foi fornecida aos
indivíduos durante o período de aclimatização.

6.2.4. Bioensaios
Em todos os bioensaios, os tratamentos consistiram nos OEs dos seis acessos de V.
curassavica e nos compostos E-cariofileno e α-humuleno. Os tratamentos foram diluídos em
acetona (Panreac, UV-IR-HPLC-GPC PAI-ACS, 99,9% pureza). Nos bioensaios de
concentração e tempo letal, os insetos foram considerados mortos quando mantiveram-se
imóveis após estímulo de leves batidas nos potes. A via de exposição dos tratamentos foi por
fumigação.

6.2.5. Concentração letal


Os bioensaios foram conduzidos em potes de vidro (280 mL) forrados com papel filtro
(Unifil, cod. 501.009), umedecido com água destilada (0,5 mL) contendo sete operárias de D.
thoracicus. Para a determinação das concentrações letais (CL50 e CL95), os tratamentos foram
diluídos em acetona e aplicados com o auxílio de uma microseringa (Hamilton®; 10 µL) sobre
papel filtro (1 cm²) e, em seguida, fixado na parte interna da tampa do pote. Os potes foram
hermeticamente fechados e mantidos em estufa incubadora tipo B.O.D. (25±1º C, 70±5% UR
e fotoperíodo de 12 horas). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com
quatro repetições/tratamento. As avaliações de mortalidade foram realizadas 48 horas após a
exposição dos insetos aos tratamentos.

6.2.6. Tempo letal


Para determinação das curvas de sobrevivência e tempos letais para matar 50% da
população (TL50) de D. thoracicus, os bioensaios seguiram os procedimentos utilizados e
descritos no bioensaio anterior (concentração letal). No entanto, apenas a CL95 de cada
tratamento foi utilizada no bioensaio. O delineamento experimental foi inteiramente
casualizado com 10 repetições/tratamento. As avaliações de mortalidade foram realizadas a
cada duas horas até que a mortalidade do controle após a montagem dos bioensaios atingisse
30%.

6.2.7. Atividade locomotora


A atividade locomotora de operárias de D. thoracicus foi avaliada em arenas
parcialmente tratadas. A unidade experimental foi constituída de uma placa de Petri (6 cm
diâmetro e 1,5 cm altura) com disco de papel filtro (Unifil, cod. 501.009) separados em duas
áreas (tratada e não tratada), e afixados com fita dupla-face no fundo das placas. Na área
tratada foram aplicados 0,1 mL de solução dos tratamentos a 1% e na área não tratada 0,1 mL
do solvente (acetona PA) (controle). Após a aplicação, os papéis filtro foram colocados em
capela de exaustão por 5 minutos para evaporação do solvente. Cada área foi preparada
separadamente. No centro de cada arena foi inserida uma operária de D. thoracicus.
As observações consistiram em registrar durante 10 minutos a atividade locomotora
dos insetos utilizando uma câmera de vídeo Panasonic SD5 Super Dynamic (modelo WV-
CP504), equipada com lente Spacecom 1/3‖ 3-8mm F1.2 acoplada a um computador para
posterior análise usando a versão do software Studio 9 (Pinnacle Systems, mountain View,
58

CA). A atividade locomotora dos insetos para cada arena foi analisada usando o EthoVision®
XT versão 8.5 (Noldus Integration System, Sterling, VA). Os parâmetros avaliados foram:
tempo de permanência em cada área da arena (tratado x não tratado), deslocamento médio
(mm) e velocidade média (mm.s-1). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado
com 30 arenas/ tratamento.

6.2.8. Análises estatísticas


Análises de Próbit foram realizadas para determinar as curvas de concentração-
mortalidade dos OEs de V. curassavica e dos compostos isolados. Por meio destas curvas
foram obtidas as concentrações letais (CL50 e CL95) com seus respectivos intervalos de
confiança a 95% de probabilidade (IC95%) usando o software SAS (Proc Probit; SAS 2004).
As CLs foram comparadas pelo critério da não sobreposição dos IC95% com a origem do
intervalo.
Os dados de mortalidade dos bioensaios de tempo letal foram submetidos à análise de
sobrevivência no software SAS (PROC TTEST, SAS). Este procedimento não-paramétrico
permitiu a estimativa de curvas de sobrevivência obtidas através de estimadores de Kaplan-
Meier gerados a partir da proporção de insetos sobreviventes do início até o fim do
experimento. Foram determinados os tempos necessários para causar mortalidade em 50% das
populações de D. thoracicus (TL50) para cada tratamento. Curvas de sobrevivência não
significativamente diferentes pelo teste de Holm-Sidak foram amalgamadas em uma curva.
Os dados de tempo de permanência em cada área da arena, distância total percorrida e
velocidade média foram submetidos ao teste de hipotese t pareado no software SAS (PROC
TTEST, SAS) para comparação das médias entre as áreas tratadas e não tratadas.

6.3. Resultados

6.3.1. Composição química dos OEs


Os OEs de V. curassavica são formados por uma mistura de mono (media de 25%) e
sesquiterpenos (média de 71%) (Tabela 1). Nos seis acessos de V. curassavica foram
identificados 48 compostos com concentrações acima de 1% em pelo menos um dos acessos.
Os compostos majoritários variaram entre os OEs estudados (Tabela 1). Em dois dos seis
acessos V. curassavica (VAC-324 e VAC-509), E-cariofileno foi o composto mais abundante,
variando de 6,14 a 22,30%. Outros componentes principais foram o α-Zingibereno (VAC-
316), tumerona (VAC-326), 5-metil-9-metileno-2-isopropilciclodec-4-en-1-ona (VAC-503) e
tricicleno (VAC-510). A concentração de α-humuleno variou de 1,96 a 5,91% (Tabela 1).

6.3.2. Concentração letal


Após 48h horas de exposição, todos os tratamentos foram tóxicos a operárias de D.
thoracicus com concentrações letais necessárias para matar 50% da população variando de
0,692 a 3,75 µL L-1. O OE do acesso VAC-326 foi o mais tóxico (Tabela 2). Em
concentrações mais elevadas (CL95), o OE do acesso VAC-510 foi igualmente tóxico ao OE
VAC-326. O OE do acesso VAC-326 foi cerca de 2,2 e 5,4 vezes mais tóxico que os
compostos E-cariofileno e α-humuleno respectivamente (Tabela 2).

6.3.3. Tempo letal


A sobrevivência das operárias D. thoracicus expostas ao OEs de V. curassavica e aos
compostos E-cariofileno e α-humuleno na CL95 foi significativamente reduzida ao longo do
tempo (Log Rank: χ2= 311,4; P < 0,01) (Figura 1). O OE do VAC-509 atuou de forma mais
rápida, causando mortalidade em metade da população (TL50) de D. thoracicus após 4,2 h de
exposição. Os OEs dos acessos VAC-510 e VAC-326 agiram de maneira mais lenta, com
TL50 de 35,6 h. O composto E-cariofileno juntamente com os OEs dos acessos VAC-316 e
VAC-324 (TL50= 9,9 h) agiram de maneira intermediária, seguidos pelo OE do genótipo
59

VAC-503 e do composto α-humuleno (TL50= 15,2 h) (Figura 1).

6.3.4. Atividade locomotora


Trilhas representativas da atividade locomotora de operárias de D. thoracicus em
arenas parcialmente tratadas estão apresentadas na Figura 2.
O tempo de permanência das operárias de D. thoracicus nas áreas tratadas e não
tratadas das arenas variou significativamente em todos os tratamentos (F4;195 = 4,5; P =0,001).
Nos tratamentos com os OEs de V. curassavica, com exceção do acesso VAC-503, as
operárias permaneceram um maior tempo na área não tratada do que na área tratada das
arenas (Figura 3). Operárias de D. thoracicus permaneceram 15% do tempo na parte tratada
da arena com o OE do acesso VAC-326. Nos compostos E-cariofileno e α-humuleno, por
outro lado, os indivíduos permaneceram maior parte do tempo na área tratada do que na área
não tratada das arenas (Figura 3).
Os OEs alteraram o comportamento de descolamento e a velocidade média das
operárias de D. thoracicus. As operárias se deslocaram menos nas áreas tratadas (Figura 4A) e
a uma velocidade maior (Figura 4B) do que nas áreas não tradadas com os OEs. Os
compostos E-cariofileno e α-humuleno não afetaram o deslocamento e a velocidade das
operárias de D. thoracicus (Figura 4A,B).

6.4. Discussão

Com o aumento dos danos causados pelos pesticidas sintéticos sobre o meio ambiente
e à saúde humana, o uso de produtos do metabolismo secundário de plantas tem se mostrado
promissor no controle de pragas agrícolas e urbanas. A ação dos bioinseticidas sobre os
insetos pragas se deve principalmente à capacidade de causarem efeitos fisiológicos e
comportamentais (Rajedran e Sriranjini 2008). Os efeitos letais e subletais dos OEs e seus
compostos terpênicos já foram relatados para diversos grupos de insetos (Benelli et al. 2017;
Santos et al. 2017; Melo et al. 2018; Pavela 2018; Silva et al. 2018), incluindo as formigas
(Albuquerque et al. 2013; Feitosa-Alcantara et al. 2017; Oliveira et al. 2017). No presente
estudo demonstrou-se que os OEs de seis acessos de V. curassavica são uma alternativa
viável para o controle de D. thoracicus devido aos efeitos letais e subletais desencadeados por
essas substâncias via fumigação.
Os acessos de V. curassavica difeririam quanto à composição química de seus OEs e
na identidade de seus compostos majoritários. De acordo com Gobbo-Neto e Lopes (2007), a
produção de OEs entre plantas de uma mesma espécie botânica pode sofrer influência de
diversos fatores abióticos (por exemplo: sazonalidade, temperatura, luminosidade,
disponibilidade hídrica e nutricional), além da sua constituição genética. Provavelmente as
variações dos compostos presentes nos OEs de V. curassavica observadas nesse trabalho se
deve a diferenças genéticas entre as plantas estudadas, uma vez que foram coletadas em
regiões com características edafoclimáticas muito semelhantes (Nizio et al. 2015). Esta
variabilidade pode estar relacionada à capacidade das enzimas terpeno-sintases converterem o
substrato prenil-difosfato em diversos produtos durante os vários ciclos de reação
(Degenhardt et al. 2009). Embora tenham sido observadas tais diferenças, todos os OEs dos
acessos de V. curassavica estudados apresentaram efeitos letais e subletais sobre operárias de
D. thoracicus. As baixas concentrações dos OEs e seus compostos necessários para causar
mortalidade favorecem o potencial de utilização dessas substâncias no controle de D.
thoracicus. Outros estudos já relataram que V. curassavica apresenta grande diversidade
química e variação quantitativa entre diferentes genótipos (Carvalho Jr et al. 2004; Santos et
al. 2006; Nízio et al. 2015).
O OE do acesso VAC-326 causou maior toxicidade, exibindo menores concentrações
letais em relação aos demais tratamentos. Os sesquiterpenos turmerona (24,65%) e E-
cariofileno (16,09%) são os compostos encontrados em maiores proporções no OE desses
60

acessos. Os efeitos tóxicos dos mono- e sesquiterpenos presentes em OEs de plantas estão
possivelmente relacionados à ação destes na interferência do neuromodulador octopamina dos
insetos (Rattan 2010). A ausência de receptores de octapamina em vertebrados contribui para
a seletividade de inseticidas à base de OEs, já que estes são potencialmente pouco tóxicos
para mamíferos (Isman 2000; Rattan 2010). Assim como já relatado em outros estudos
(Oliveira et al. 2017; Oliveira et al. 2018), os resultados indicam que os compostos
majoritários não são os únicos constituintes responsáveis pela mortalidade em insetos. Outros
compostos presentes nos OEs contribuem significativamente para a atividade tóxica sobre D.
thoracicus. A toxicidade dos compostos E-cariofileno e α-humuleno, que estão presentes em
todos os OEs em quantidades diferentes, ressalta a ação dos demais compostos na toxicidade
dos OEs. Desta forma, a atividade inseticida dos OEs deve ocorrer devido às interações entre
os compostos em diferentes proporções, como também pode ser intensificada pela presença de
compostos em menores concentrações atuando de maneira aditiva e/ou sinérgica (Tak et al.
2015). Este tipo de ação aumenta a eficiência dos OEs e a complexa interação entre os
compostos torna o desenvolvimento de resistência a estes metabólitos menos provável.
A sobrevivência das operárias de D. thoracicus expostas por fumigação aos OEs de V.
curassavica e seus compostos bioativos foi significativamente reduzida ao longo do tempo. O
efeito tóxico da fumigação deve-se à penetração das substâncias através dos espiráculos dos
insetos (Yang et al. 2005; Oliveira et al. 2017). A ação rápida observada nos tratamentos dos
OEs de V. curassavica em D. thoracicus são indícios de que a toxicidade é mediada pela
interação de seus constituintes com o sistema nervoso do inseto por uma ação neurotóxica
(Zhu et al. 2003). Em formigas cortadeiras, o OE de Aristolochia trilobata e seus compostos
majoritários (ρ-cimeno, limoneno, linalol e acetato de sucatil) também demonstrou rápido
efeito sobre a sobrevivência (Oliveira et al. 2017).
Além do efeito letal, os OEs de V. curassavica alteraram a atividade locomotora de
operárias de D. thoracicus. Alterações no tempo de permanência, deslocamento e velocidade
média dos indivíduos na área tratada com os OEs de V. curassavica indicam uma ação
repelente dessas substâncias sobre os indivíduos. Efeito repelente do OE de Pogostemon
cablin sobre diferentes espécies de formigas urbanas já havia sido relatado previamente
(Albuquerque et al. 2013). O efeito repelente é uma propriedade importante e desejável na
escolha de uma substância para o controle de pragas (Peixoto et al. 2015; Chauhan et al.
2018), pois quanto maior o efeito repelente menor a infestação, resultando na redução dos
danos causados pelos insetos. A atividade repelente dos OEs de V. curassavica sobre D.
thoracicus observada no presente estudo pode contribuir para ações preventivas de controle e
forrageio dessa espécie em ambientes hospitalares, uma vez que essa espécie é
frequentemente relatada como vetor de patógenos em humanos (Máximo et al. 2014). A
utilização dessas substâncias naturais no controle de formigas em ambientes hospitalares pode
contribuir para um controle ambientalmente mais seguro. Os OEs são substâncias voláteis de
baixa persistência que facilmente se degradam no ambiente (Isman 2000). Além disso, a
espécie V. curassavica já é utilizada de forma segura pelo ser humano tanto na medicina
popular quanto na indústria farmacêutica por meio de medicamento fitoterápico (Brasil 2011;
Goneli et al. 2014).
O sucesso no controle de formigas pragas está na utilização de iscas formuladas com
produtos de ação lenta que atinjam todos os indivíduos da colônia, inclusive as rainhas
(Bueno e Campos-Farinha 1999). De forma geral, as operárias forrageadoras ao entrarem em
contato com a isca levam a substância tóxica para o interior da colônia, onde é compartilhada
com os outros indivíduos por meio da trofalaxia, não sendo necessário o contato direto de
todas as formigas para que o produto inseticida produza efeito (Campos-Farinha e Bueno
2004). Sendo assim, sugerimos que investigações futuras sejam realizadas a fim de preparar
formulações-iscas a partir dos OEs de V. curassavica, em especial o acesso VAC-326, o qual
é mais tóxico e possui uma ação mais lenta.
61

Concluindo, a diversidade química e a atividade biológica dos OEs de V. curassavica


e dos seus constituintes E-cariofileno e α-humuleno podem auxiliar no desenvolvimento de
produtos eficientes e ambientalmente mais seguros para o controle de D. thoracicus,
constituindo uma alternativa ao uso dos inseticidas convencionais.

Agradecimentos

Agradecemos ao Prof. Paulo C. L. Nogueira por sua ajuda na identificação dos


compostos.
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Brasil (CNPq),
a Fundação de Apoio à Pesquisa e a Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE)
- Brasil, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES -
Finance Code 001) e a Financiadora de Estudos e Projetos - Brasil (FINEP).

6.5. Referências Bibliográficas

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65

Tabela 1. Composição química (%) dos óleos essenciais de seis genótipos de Varronia
curassavica. Sergipe, Brasil.
Compostos IRexp.a IRlit.b VAC-316 VAC-324 VAC-326 VAC-503 VAC-509 VAC-510
tricicleno 926 921 trc 1,06 tr tr 11,55 22,30
α-thujeno 929 924 1,48 0,37 tr tr 0,26 0,37
α-pineno 936 932 20,92 12,47 3,00 0,79 5,74 3,48
canheno 948 946 tr 1,06 tr tr 8,85 16,56
sabineno 969 969 0,44 0,30 0,25 tr 0,16 0,28
β-pineno 972 974 tr 3,49 1,15 0,18 1,61 0,17
myrceno 983 988 0,24 0,64 0,15 - 0,43 0,33
ρ-cymeno 1015 1020 0,18 3,08 1,21 tr tr Tr
limoneno 1020 1024 - 2,56 1,01 - - 0,90
sylvestreno 1020 1025 0,59 - - - - -
β-eelandreno 1020 1025 - - - 1,01 0,98 -
1,8-cineol 1022 1026 0,24 0,31 0,21 tr 0,46 1,00
γ-terpineno 1050 1054 tr 4,77 2,36 - - -
terpineno-4-ol 1170 1174 0,22 - - - - -
δ-elemeno 1331 1335 tr 1,24 0,91 1,25 0,80 5,31
α-cubebeno 1343 1348 - 0,34 - 0,23 0,48 0,66
α-copaeno 1370 1374 2,39 0,34 tr 0,30 0,44 0,52
β-bourboneno 1380 1387 - 0,78 0,35 0,28 0,16 0,32
β-elemeno 1386 1389 0,37 tr 0,37 0,42 0,33 2,03
α-gurjuneno 1405 1409 - 5,08 0,69 2,40 0,26 Tr
E-cariofileno 1416 1417 6,14 22,30 16,09 10,82 20,82 12,09
β-copaeno 1424 1430 - 0,50 0,25 0,21 0,16 0,15
γ-elemeno 1427 1434 - * - 0,35 0,29 0,67
α-trans-bergamoteno 1429 1432 2,26 0,94* 1,41 - - -
aromadendreno 1434 1439 - 0,74 - 0,45 0,52 -
6,9-guaiadieno 1438 1442 - 0,26 - - 0,22 0,31
trans-muurola-3,5-dieno 1446 1451 - - - - 0,25 Tr
α-humuleno 1450 1452 1,96 5,02 5,04 3,07 5,91 3,91
allo-aromadendreno 1457 1458 0,27 0,31 0,16 1,31 0,46 Tr
γ-muuroleno 1473 1478 - 1,41 - 0,57 0,54 2,21
ar-curcumeno 1476 1479 7,46 - * * * -
germacreno D 1477 1480 - 2,79 4,28* 1,13* 0,50* 1,16
β-selineno 1482 1489 - 0,50 - 0,61 0,70 1,79
cis-β-guieno 1486 1492 - - - - - 0,45
α-zingibereno 1489 1493 30,20 0,90 4,38 2,15 0,84 -
α-selineno 1491 1498 - - - - * 1,74
biciclogermacreno 1492 1500 - 2,83 1,40 2,62 2,63* -
isodauceno 1495 1500 - - 0,42 - - -
α-muuroleno 1495 1500 - tr - 0,27 tr 0,32
trans-β-guaieno 1502 1502 0,85 0,24 - - 0,99 -
β-bisaboleno 1502 1505 3,89 - 0,41 - - -
shyobunona 1508 1509d - - 0,18 1,14 0,36 -
γ-cadineneno 1509 1513 - 0,56 - - 0,63 -
cubebol 1512 1514 - - - - 0,17 0,62
β-sesquifelandreno 1517 1521 15,94 - 1,75 - - -
trans-calameneno 1518 1521 - - - - * 2,51*
δ-cadineno 1518 1522 - 1,91 - 1,91 1,81* *
trans-cadina-1,4-dieno 1527 1533 - - - - 0,23 0,18
α-calacoreno 1538 1544 - - - 0,32 0,16 -
shyobunona isomero 1552 - - - - 6,34 1,65 -
ar-turmerol 1574 1582 - - 2,21 - - -
espatulenol 1575 1577 0,23 2,83 - 4,00 2,06 Tr
Óxido cariofileno 1580 1582 0,52 1,71 1,01 1,25 1,81 1,27
viridiflorol 1591 1592 - 0,59 0,21 4,60 9,43 8,46
ledol 1600 1602 - 0,78 - 0,42
5-methyl-9-methylene-2-
isopropylcyclodec-4-en-1-one
1607 1618e - - - 27,77 4,75 -
humuleno epóxido II 1607 1608 0,20 0,50 0,80 - 0,84 0,35
dehidroxiisocalamendiol 1629 1624d - - 4,83 5,65 1,27 -
murulol-4,10(14)-dien-1 β-ol 1627 1630 - - - - - -
66

cubenol 1639 1645 - - - - 0,70 0,45


α-cadinol 1652 1652 - - - 0,72 0,58 0,18
ar-turmerona 1660 1668 - 1,99 * - - -
trans-calameneno-10-ol 1664 1668 - - - 0,34 - -
turmerona 1666 1674f - 4,75 24,65* - - -
turmerona isomero 1687 - - 1,18 3,30 - - -
curlona 1697 1706f - 1,79 4,45 - - -
E-α-atlantona 1769 1777 - 0,23 1,23 - - -
metil farnesoato (2E,6E) 1776 1783 - - - - 3,66 -
Total 96,99 95,45 92,12 84,46 97,45 93,47
a RIexp., Índices de retenção na coluna RTX-5MS calculados de acordo com Van Den Dool e Kratz (1963)
b RIlit., índices de retenção segundo Adams (2017)
c tr = quantidades vestigiais de composto foram detectadas
d Índice de retenção de acordo com St-Gelais et al. (2016)
e Índice de retenção segundo Nízio et al. (2015)
f Índice de retenção de acordo com Stanojevic et al. (2015)
*Co-eluentes
67

Tabela 2. Toxicidade dos óleos essenciais de seis acessos de Varronia curassavica e dos
compostos E-cariofileno e α-humuleno sobre operárias de Dorymyrmex thoracicus.

No de CL50 (IC 95%) CL95 (IC 95%)


Tratamento Inclinação ² p-valor
insetos (µL L-1) (µL L-1)
VAC-316 564 1,53 (1,43-1,65) 3,96 (3,37-4,99) 3,97 0,53 0,91
VAC-324 476 2,48 (2,21-2,85) 8,27 (6,34-12,1) 3,13 0,89 0,64
VAC-326 462 0,692 (0,611-0,770) 2,69 (2,22-3,52) 2,78 2,77 0,57
VAC-503 423 1,46 (1,24-1,67) 7,99 (5,83-13,1) 2,21 3,05 0,21
VAC-509 294 2,48 (2,23-2,82) 9,40 (6,93-15,1) 2,82 2,31 0,51
VAC-510 574 1,28 (1,20-1,37) 2,50 (2,17-3,07) 5,61 0,26 0,87
E-cariofileno 308 1,49 (1,23-1,86) 9,90 (6,82-16,3) 1,99 1,05 0,59
α-humuleno 380 3,75 (3,47-4,10) 8,68 (7,33-10,7) 4,58 0,27 0,87
68

1.0

0.8 Controle

Sobrevivência
VAC 510 + VAC 326
0.6 TL50 = 35,6 h

VAC 503 + -humuleno


TL50 = 15,2 h
0.4
VAC 316 + VAC 324 + E-cariofileno
TL50 = 9,9 h

VAC 509
TL50 = 4,2 h
0.2

0.0
0 20 40 60 80 100

Tempo (h)

Figura 1. Curvas de sobrevivência dos óleos essenciais de seis acessos de Varronia


curassavica e dos compostos E-cariofileno e α-humuleno sobre operárias de Dorymyrmex
thoracicus na CL95 dos bioensaios de concentração letal, TL50= tempo letal para matar 50%
da população. Valores entre parênteses representam 95% de intervalo de confiança. (Teste de
Log-rank: X2=1139,1; d.f.=4; P < 0,001).
69

VAC-316 VAC-324 VAC-326 VAC-503

VAC-509 VAC-510 -humuleno E-cariofileno

Figura 2. Trilhas representativas da atividade locomotora de operárias de Dorymyrmex


thoracicus durante 10 min em arenas parcialmente tratadas com óleos essencias de seis
genótipos de Varronia curasssavica e os compostos E-cariofileno e α-humuleno, no lado
esquerdo (não tratado) foi aplicado apenas o solvente (acetona).
70

Não Tratado Tratado

VAC 316
*
VAC 324
*
VAC 326
*
n.s. VAC 503

* VAC 509

VAC 510
*
-humuleno
*
* E-cariofileno

100 80 60 40 20 0 20 40 60 80 100

Tempo em cada lado da arena (%)

Figura 3. Tempo de permanência (%) (± erro padrão) de Dorymyrmex thoracicus expostas


por contato em arenas com metade tratadas com solução a 1,0% dos óleos essenciais de
Varronia curasssavica e os compostos E-cariofileno e α-humuleno, * indicam diferenças
significativas entre as áreas pelo teste de t pareado a p < 0,05, n,s, = não significativo.
71

Não Tratado (A)


2500 Tratado
*
2000

Deslocamento (mm)
1500

1000

500

14 * (B)

12

10
Velocidade (mm . s-1)

0
VA

VA

VA

VA

VA

VA

-h

E-
um

ca
C

rio
ul
31

32

32

50

50

51

en

fil
6

en
o

Tratamento
Figura 4. Deslocamento (mm) (A) e velocidade média (mm s-1) (B) (± erro padrão) de
operárias de Dorymyrmex thoracicus expostas em arenas parcialmente tratadas com 1% dos
óleos essenciais de seis genotipos de Varronia curassavica e seus compostos E-cariofileno e
α-humuleno, * indicam diferenças significativas entre o lado tratado e o não tratado da arena
pelo teste t pareado a p < 0,05.
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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Exite variabilidade entre os acessos para as características fenotípicas, agronômicas e


químicas de erva-baleeira (V. curassavica) do Banco Ativo de Germoplasma de Plantas
Medicinais e Aromáticas da Universidade Federal de Sergipe. As informações obtidas no
presente estudo auxiliarão no estabelecimento de estratégias para a conservação dessa espécie,
além de permitir a troca, ampliação e disponibilização de genótipos que devido a essa
diversidade apresentada, poderão futuramente ser utilizados na obtenção de bioprodutos para
serem utilizados tanto na agropecuária quanto na área medicinal . As plantas poderão também ser
utilizadas em programas de melhoramento genético da espécie.
O óleo essencial apresentou estabilidade qualitativa, foram identificados sete
aglomerados químicos, que podem ser colhidos tanto na estação chuvosa quanto na seca. No
entanto, variações quantitativas foram observadas para os compostos sesquiterpenos
(viridiflorol, α-zingibereno e ar-curcumeno) de uma época de coleta para outra. Estudos sobre
o efeito da sazonalidade na composição química do óleo essencial de espécies aromáticas e
medicinais são fundamentais para uma melhor compreensão da produção e composição
química do óleo essencial ao longo do ano.
Embora as propriedades medicinais de V. curassavica sejam atribuídas principalmente
ao composto α-humuleno, presente em baixas proporções no óleo essencial, diversos
compostos são encontrados nessa espécie. Os experimentos realizados para a investigação do
potencial formicida neste trabalho demonstram que diferentes óleos essenciais de V.
curassavica e os compostos α-humuleno e E-cariofileno são potenciais inseticidas a serem
utilizados no controle de D. thoracicus.
Este estudo corrobora com a hipótese de que os óleos essenciais e seus constituintes
podem consistir em fontes promissoras para a síntese de moléculas inseticidas para pragas
urbanas, como uma alternativa mais segura para o meio ambiente e para a saúde humana.
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ANEXO