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1. Introdução
O presente trabalho versa em torno da historiografia grega, este trabalho em primeiro lugar tem
como objectivo reflectir sobre a historiografia grega.
Mais primeiramente ira-se discutir em torno do conceito de historiografia, bem como sobre a
possibilidade prática da “história da historiografia” constituir-se como um campo autónomo do
conhecimento histórico. Sobre o primeiro ponto, o conceito de historiografia mostra-se, à
primeira vista, bastante simples. Entretanto, um olhar mais crítico revela um termo cheio de
complexidades que até o presente momento não foram solucionadas definitivamente.

No desenrolar do trabalho ira-se destacar de alguns pensadores e historiadores gregos que


contribuíram muito para a historiografia grega, destacaremos os contributos de Heródoto que é
considerado como o primeiro historiador, e também considerado como o pai da historiografia.
A historiografia grega nasce no século V a.C. da mão de Heródoto. Para alguns autores, trata-se
de um nascimento tardio pelo maior peso do mito e da falta de interesse por descobrir umas
origens mais racionais. Antes já havia textos de carácter histórico, mas segundo Bravo, entre
outros, não são fontes historiográficas ao carecer de espírito crítico.

O presente trabalho está estruturado da seguinte maneira: introdução, onde se destacam os


aspectos primordiais que iram se desenrolar no trabalho, revisão da literatura onde se discute
sobre aspectos teóricos do trabalho, conclusão onde se faz um breve resumo concluindo aquilo
que foi abordado no trabalho e por fim a referencia bibliográfica onde são ilustradas as obras que
foram consultadas para a realização do presente trabalho.

Para a realização do presente trabalho usou-se a pesquisa bibliográfica que consistiu na busca de
informações contidas nos livros, obras publicadas na internet, artigos publicados, jornais, e
monografias.
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2. Revisão da literatura
2.1. Conceito de historiografia
Historiografia, em sua concepção mais corrente, remete ao produto final do ofício do historiador,
podendo ainda ser entendida como conjunto de obras históricas produzidas por historiadores ao
longo do tempo. Porém, deste conceito aparentemente simples emergem muitas questões que se
relacionam directamente com a polissemia da palavra história.
Como se sabe, a acepção moderna do conceito de “história”, tal como teorizou KOSELLECK
(2006), alude tanto ao acontecimento (Geschichte, em seu sentido original) e à experiência
passada, quanto ao relato do acontecimento (Historie). Nesta última dimensão, enquadra-se o
conhecimento produzido a respeito dos acontecimentos passados, no qual se encaixaria a
historiografia. Mas, eis as questões: como delimitar o que é e o que não é conhecimento
histórico? Como definir o que são obras propriamente históricas? Trata-se de todo o conjunto de
obras que relatem aspectos do passado, ou apenas daquelas que são fruto do trabalho de
historiadores profissionais, conforme a tradição inaugurada no século XIX da história-disciplina?

Na perspectiva de MALERB (2006:15), não há uma resposta definitiva para nenhuma dessas
perguntas, pelo menos no estágio actual das pesquisas em torno de um conceito de historiografia.
Nas palavras do historiador Jurandir Malerba, “parece faltar um campo de entendimento comum
sobre o próprio escrito histórico: enfim, um conceito operacional de historiografia”

Há autores, porém, dentre eles o alemão JORN Rusen, que possuem uma definição clara de
historiografia: o produto do conhecimento histórico obtido racionalmente, ou seja, obedecendo
às regras metodológicas e de cognição da história com pretensões de cientificidade.

Segundo RUSEN, (1995:46), as formas de apresentação do conhecimento histórico são


fundamentos da ciência histórica, ou seja, a historiografia é “parte integrante da pesquisa
histórica, cujos resultados se enunciam, pois, na forma de um ‘saber redigido’”
Neste sentido, historiografia seria a construção narrativa dos resultados da pesquisa histórica,
realizada a partir do controle metódico de investigação empírica e de crítica documental. É ela
que dá forma e feitio histórico aos elementos empíricos (objectivos) da pesquisa, inserindo-os na
vida prática, atribuindo-lhes sentidos e significados.
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O importante é que, apesar das tentativas de dissociar objectividade e narratividade, chegando ao


extremo de alegar a diametral oposição entre ambas4, a narratividade histórica apresenta em si
mesma “elementos de objectividade”, tornando possível caracterizá-la como um produto
intelectual do historiador.

Historiografia, como o próprio termo indica, é a ciência que estuda e analisa e registra os fatos
históricos ao longo do tempo. Historiografia também pode ser definida como a ciência que conta
como os seres humanos fizeram história com o passar do tempo. A historiografia estuda épocas e
estados variados fazendo compreender os métodos, as formas e os objectos de estudo.
É fundamental para definir historiografia a consideração da etapa de nosso passado cultural, no
qual se inventa a historiografia, no que se define frente ao resto do conhecimento organizado. No
princípio da historiografia, quando ainda começava-se a definir como termo, esses fatos se
cumprem simultaneamente com o estabelecimento do cristianismo, no seio da cultura grega, mas
se entendem também pelo helenístico e são imitados na cultura de Roma, que por sua vez veicula
os benefícios da historiografia a todo o mundo mediterrâneo da época.

Historiografia, ainda como conceito, é um conjunto de métodos usados no estudo de


acontecimentos históricos. A historiografia deve apresentar critérios objectivos na medida do
possível para ser compreendida. O Estudo bibliográfico e crítico dos escritos sobre a própria
história, suas fontes e os autores que estudaram essa matéria. A historiografia moderna concede
muita importância à política como um todo.

3. Historiografia Grega
3.1. Conceito

Por historiografia grega entende-se aquela realizada na Grécia Antiga, do século V a.C. até
o século IV d.C., de Heródoto até Zósimo, passando por Tucídides, Posidónio, Políbio, et cétera.
Ao todo, Jacoby, em Fragmente der griechischen Historiker, diferenciou 856 historiadores
gregos, incluídos os mitógrafos e cronistas locais.
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Segundo GRANT (2003:15), o conceito de historiografia nasceu na Grécia Antiga, embora seja
aceite que anteriormente já existia uma concepção histórica no Oriente, um desejo de
permanência de todo o realizado. Contudo, essa concepção histórica primitiva é uma mera
transmissão de dados históricos que, como as listas reais do Antigo Egito, careciam de análise
histórica, pelo qual não se tratava de historiografia, sem negar por isso o seu valor documental.

Referindo-nos já a existência, entre os Gregos, duma tradição cosmogónica. Não poderíamos


deixar de mencionar, agora, a existência, na tradição mítica grega, duma história da humanidade
dividida em cinco idades (idade de ouro, idade de prata, idade de bronze, idade de heróis e idade
do ferro).

De ferro foi a primeira raça dos homens dotados de voz, que os imortais criaram, eles que são
habitantes do olimpo.

Viviam sob o governo de cronos quando ele reinava no céu, eram como deuses, com espírito
despreocupado, vivendo a margem de penas e de misérias; a velhice medonha não os
surpreendia, mas, sempre de membros vigorosos, deleitavam-se em festins a bom recato de todo
o mal; se morriam, era como que vencidos pelo sono. Para eles tudo era perfeito: o solo fértil
oferecia-lhes por si frutos numerosos e abundantes; e eles, contentes e tranquilos, viviam da
terra, no meio de bens inúmeros.

A segunda raça a vir, a de prata, bem pior que a anterior, fizeram-na os deus que habitam no
Olimpo.

Não era igual a de ouro, nem de corpo nem de espirito, os filhos eram criados, durante cem anos,
junto da mãe sensata, muito pueris, na sua casa. Mas quando cresciam e chegavam ao torno da
juventude, viviam muito pouco tempo, cheios de sofrimento, pela sua loucura. Não podiam
impedir-se de terem uns com os outros insolência desmedida, nem queriam prestar cultos aos
deuses, nem sacrifícios sobre os santos os altares dos bem-aventurados.

Zeus pai modelou ainda uma terceira raça de homens dotados de fala a do bronze nada
semelhante a da prata. Provinha do freixo, era temível e forte.
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Segundo BURROW (2009:45), Heródoto é considerado o primeiro historiador, tanto actualmente


como na antiguidade. Tucídides estabeleceu posteriormente a base racional e metodológica de
uma historiografia nascida como reacção frente do irracional da mitologia grega. Previamente,
já Hecateu de Mileto atenuara o sobrenatural, ainda que a separação total não fosse até
Tucídides. Heródoto concebeu a sua História como um meio de evitar o esquecimento de aquilo
que devia ser recordado.

Na Grécia Antiga via-se também a história como meio de mostrar exemplos, embora não
modelos de acontecimentos futuros. Assim, mesmo de Heródoto os historiadores realizam um
exame crítico do passado e dos fatos supostamente acontecidos. O pai da historiografia,
Heródoto, assim a expressa: "realmente, ignoro se isto é verdade, simplesmente consigno o que
relatam".

Quanto às fontes, existia uma preponderância das fontes orais sobre as escritas, nas origens da
historiografia era quase obrigado o uso de fontes orais, pois os gregos antigos não dispunham de
suficiente material de arquivo ou bibliográfico. Contudo, quando já foi possível trabalhar com os
fundos das bibliotecas, os historiadores continuaram preferindo a tradição oral; e até mesmo
criticaram os que apenas trabalhavam com fontes escritas como, por exemplo, Timeu.
Adicionalmente, se tem de levar em conta que os gregos não costumavam
conhecer línguas bárbaras, portanto, Heródoto não podia entender por si mesmo
as crónicas orientais, embora também não mostrasse interesse por conhecê-las. A escolha da
tradição oral implicava a necessidade das primeiras reflexões quanto ao método histórico, como
é a crítica das fontes, a sua relação e graduação segundo o valor dos testemunhos recolhidos.
Daí, por exemplo, o seu empenho em mostrar todas as versões reconhecidas, embora
considerasse algumas erróneas. Assim mesmo, a tradição oral obrigava a estabelecer
uma cronologia que ordenasse os fatos isolados após a sua recopilação. As fontes escritas
ficaram relegadas aos arqueólogos ou antiquaria, ou seja, para o estudo dos tempos remotos.
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Foi na antiga Grécia onde nasceu o vocábulo História, que significa investigação. Isto deveu-se a
civilização e pensamento grego a formação do espírito de historiador e a consequente construção
racional da sabedoria.
Até ao século V aC, a historiografia Grega era cosmogónica e mítica. A história da humanidade
estava dividida em cinco idades: Idade de Ouro, Idade de Prata, Idade de Bronze, Idade dos
Heróis e Idade de Ferro.
Apesar de estar associada a mitologia religiosa, muitas das vezes politeístas (pela adoração de
vários deuses) o mito grego das cinco idades mostra claramente a sua evolução tecnológica, visto
que o desenvolvimento da humanidade está intimamente ligado ao uso de metais e a conquista
do fogo. O mito das cinco idades constitui uma visão global da história da humanidade, marcada
por um acontecimento central que é a conquista do fogo pelos homens, graças a ajuda de
Prometeu.

A partir do século V. a.C, operam-se profundas transformações na sociedade grega, pois a escrita
e o saber passam a ser de domínio público, bem como o desenvolvimento das cidades-estado
(polis) onde reinava o regime democrático, principalmente em Atenas, o que permitiu que
houvesse debates, a argumentação e a liberdade de pensamento. Foi esta democracia que
permitiu aos gregos a se entregarem na pesquisa e especulação do mundo. Aliado a isso, existia
uma grande prosperidade económica derivada do trabalho dos escravos e do domínio do mar
mediterrâneo como principal rota comercial.

3.2. Heródoto e Tucídides como fundadores da História


Heródoto de Halicarnanço (484-420 aC), é considerado pai da História. Com ele a História dá os
primeiros passos da cientificação, já que:
 A História passa a debruçar-se sobre o passado e o presente dos homens e não dos
deuses;
 Inaugura uma história genética, no sentido de se perguntar não somente o que aconteceu,
mas também porque aconteceu, tentando encontrar o fio condutor da causa e efeito;
 Introduziu no discurso histórico a noção de mudança, onde resulta o conceito de evolução
inerente ao todo o acontecimento histórico;
 A história preocupa-se em perceber a dicotomia passado-presente;
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 Heródoto não só fala e investiga a cerca dos gregos, mas também alarga a sua pesquisa ao
povo Bárbaro, atingindo outras civilizações;
 Propõe não somente reconstituir os factos, mas sobretudo descobrir a razão porque se
deram;
 Com Heródoto (que não se limitou a escrever sobre as guerras Pérsicas, mas foi também
ao Egipto e a Mesopotâmia, sobre cuja história escreveu), há o reconhecimento do
parentesco universal do Homem e se transforme num sentimento generalizado;
 Tanto Heródoto como Tucídides fazem história a partir dos testemunhos fidedignos das
fontes orais espalhadas por várias divindades;

Sem ser ainda uma ciência, a história ensaia com Heródoto os seus primeiros passos na senda da
cientificação. Será a História uma Ciência do geral ou do particular? Aristóteles entendia que a
História era o conhecimento do particular.
Tucídides, continuador do pensamento de Heródoto, operou avanços significativos na História ao
introduzir a análise e a explicação causal dos factos históricos, pois ele afastou-se das
interpretações fabulosas que subsistiam em Heródoto e procurou uma inteligibilidade assente nas
provas mediante uma investigação e crítica das fontes. Começa com Tucídides a História
explicativa.

3.3. Característica da historiografia Grega


 A historiografia Grega é humanista, científica e auto reveladora, uma vez que procura
não apenas a projecção do presente no futuro, mas principalmente ensinar com o presente
a relação com o passado dos homens, objectivando mostrar o sentido dos factos humanos;
 A historiografia grega é pragmática, pois procura obter do ocorrido uma lição proveitosa
para o futuro.

3.4. Limitações da historiografia Grega


 Foi limitada no tempo: o recurso documental restrito a tradição oral e os testemunhos
oculares limitou o âmbito cronológico da história grega;
 Foi limitada no espaço, uma vez que centrou o seu estudo às costas do mediterrâneo
dando assim um carácter regional.
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5. Conclusão

Apos o término do trabalho conclui-se que a historiografia grega, nasce no século V a.C. da mão
de Heródoto. Para alguns autores, trata-se de um nascimento tardio pelo maior peso do mito e da
falta de interesse por descobrir umas origens mais racionais. Antes já havia textos de carácter
histórico, mas segundo Bravo, entre outros, não são fontes historiográficas ao carecer de espírito
crítico. Para Burrow, estas primeiras descrições históricas focavam-se em histórias locais sobre
as suas supostas origens. Schrader determina três elementos básicos e definidores da
historiografia grega.

O mito e a literatura arcaica. A história primitiva arcaica era constituída pelos relatos lendários,
sendo Homero o maior expoente desse período. Embora se recuse que seja um "primeiro
historiador", alguns autores consideram-no o "possibilitador" da historiografia posterior. Outros
reduzem a sua importância, considerando-o o precursor da cronografia e de que nele nasce a
concepção de sucessão cronológica. A presença do mito apenas começou a reduzir-se
com Hecateu de Mileto ao constatar a longa história oriental comparado com a história grega. O
afã explorador e investigador que daria origem aos périplos.

O nascimento de uma concepção racional do mundo que levou por um lado ao surgimento de
uma geografia representativa ou cartográfica. Por outro lado, possibilitou a substituição
do mito por esquemas racionais, surgindo os logógrafos. Adicionalmente, ajudou ao nascimento
da historiografia uma necessidade de afirmação pessoal, criando genealogias que rastreavam os
antepassados das famílias. Entre os logógrafos destacaram-se Cadmo de Mileto, Helânico de
Lesbos e especialmente Hecateu de Mileto. Além disso, foram realizados anais rudimentares,
como a relação cronológica dos vencedores dos jogos olímpicos realizada por Hípias.

Outros autores assinalam como fundamental para o nascimento da historiografia grega a


influência oriental. O contacto com o império persa torna os gregos cientes do que os rodeia e da
sua herança cultural, sendo um estímulo para contar a sua história. Portanto, fica num segundo
grau a importância de uma consciência nacional para o surgimento da historiografia.
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6. Referências bibliográficas
BURROW, John: Historia de las Historias: de Heródoto al siglo XX. Crítica, Barcelona,
2009. ISBN 84-7423-699-6
GRANT, Michael: Historiadores de Grécia y Roma: información y desinformación. Alianza
Editorial, Madrid, 2003. ISBN 84-206-5606-2
KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado. Contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio
de Janeiro: Contraponto, 2006.
LÓPEZ LÓPEZ, Matías: La historiografía en Grecia y Roma: Conceptos y autores. Departament
de Geografia i Historia, Universitat de Barcelona, Lleida, 1991.
MALERBA, Jurandir. “Notas à margem: a crítica historiográfica no Brasil dos anos 1990”. In:
Revista Textos de História, Brasília, v. 10, nº 1/2, 2002, p. 181-210.
MOMIGLIANO, Arnaldo: La historiografia grega. Crítica, Barcelona, 1984. ISBN 84-7423-
243-0
ROUSSEL, Denis: Los historiadores gregos. Siglo XXI, Buenos Aires, 1975.
RÜSEN, Jörn. “Narratividade e objetividade nas ciências históricas”. In: Revista Textos de
História, Brasília, v. 4, nº 1, 1996, p. 75-102.
SHOTWELL, James T.: Historia de la historia en el mundo antiguo. Fondo de Cultura
Económica, Madrid, 1982. ISBN 84-375-0215-2