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Desde logo, de modo a que o património de Justiniano possa ser efetivamente executado, há

que analisar a validade do suposto titulo executivo à luz do disposto pelos arts. 703º e 713º. O
contrato celebrado entre Justiniano/Teodora e o Banco de Ferro, SA é um contrato de mútuo
(1142ºss CC).O contrato em análise havia sido celebrado por documento particular autenticado,
cumprindo o requisito de forma imposto pelo artigo 1143 do CC. Note-se que, de acordo com o art
38º/1do DL 76-A/2006, solicitadores têm competência para reconhecer assinaturas de modo a que o
documento particular valha como documento particular autenticado. Posto isto, o contrato em causa
valeria como título executivo à luz do disposto pelo artigo 703º/1 b) CPC. Todavia, este facto não
era suficiente para dizer que Justiniano e Teodora poderiam logo ser executados em virtude do seu
incumprimento, cabendo analisar a existência de exequibilidade extrínseca à luz do disposto pelo
artigo 713º: a obrigação em causa seria exigível, tendo em conta que havia sido estipulado um prazo
para o cumprimento da mesma (art. 777ºCC) e este havia sido ultrapassado sem ter sido cumprida a
prestação em causa, pelo que a obrigação havia vencido; a obrigação seria certa visto que o objeto
da obrigação estaria determinado; a obrigação seria líquida, visto que o seu objeto estaria
quantificado. Quanto à liquidez poder-se-ia levantar o problema de , tendo em conta o facto de que,
com quase toda a probabilidade, o mútuo em causa teria um carácter oneroso (operando até uma
presunção legal nesse sentido 1145ºCC), a obrigação poderia ser ilíquida, sendo necessário o uso da
figura do incidente de liquidação (arts. 358ºss). Assim sendo, considerando-se que a segurança do
título não abrangeria o valor dos juros (situação improvável), Justiniano poderia invocar, em sede de
oposição à execução, a iliquidez não suprida da obrigação (art.729ºe), por remissão do art. 731).
Quanto à legitimidade passiva, tendo em conta que ambos os cônjuges eram parte no
contrato, operava à regra geral do artigo 1690/1 CC, tratando-se de uma divida que responsabiliza
ambos os cônjuges por força art. 1691/1 a). Assim sendo, tanto Justiniano como Teodora eram
devedores, pelo que, de acordo com o art 53/1, 2ª parte, tinham legitimidade passiva. A legitimidade
ativa, inicialmente, pertence ao Banco de Ferro,SA. Todavia, a celebração do acordo com a
sociedade Homens de Fato,SA, cujo conteúdo parece ser o de uma cessão de créditos (577º ss CC),
altera o credor da prestação e, como tal, a legitimidade ativa à luz do disposto pela primeira parte do
art.53º/1. Não obstante a alteração da legitimidade ativa, de acordo com o art. 583º/1 CC, o
requisito de eficácia da cessão de créditos é o conhecimento pelo devedor de que esta ocorreu ou a
sua aceitação. Tendo em conta que os factos apresentados nada referem a este respeito, parece faltar
a verificação deste requisito de eficácia, pelo que a sociedade Homens de Fato, SA, seria parte
ilegítima neste processo, não podendo propor a ação executiva em causa. Assim sendo, Justiniano
poderia invocar, em sede de oposição à execução, a falta de legitimidade ativa da sociedade em
causa (artigo 729 c), por remissão do art. 731, sendo a falta de legitimidade uma dilatória à luz do
disposto pelos arts 577º e) e 576º/2).
Outro problema levantava-se acerca de qual seria o tribunal que efetivamente seria
competente para julgar a ação executiva em causa. Em razão da matéria (jurisdição) os tribunais
competentes seriam os tribunais judiciais, tendo em conta que não há atribuição especifica a outra
ordem jurisdicional (critério positivo;arts 64´CPC e 40ºLOSJ), bem como pelo facto de os tribunais
judiciais serem competentes para as ações executivas (atribuição positiva). Em razão da hierarquia,
de acordo com o disposto pelos arts 42º LOSJ, 79ºss LOSJ e 67º CPC, os tribunais de 1ª instância
seriam os competentes a execução em causa. Note-se que as regras de especialidade que atribuiriam
a competência às instâncias superiores apenas operam na ação declarativa, pelo que, o ato da
execução propriamente dita, é sempre feito pelos tribunais de 1ª instância (art. 86º CPC). Quanto à
competência em razão do território, sendo o título executivo de natureza extrajudicial, o art.89/1
CPC determina que é competente o tribunal do domicilio do executado, dando ao exequente a
faculdade de optar pelo tribunal da área metropolitana de Lisboa quando o executado tenha
domicilio na mesma área metropolitana (que seria o caso). Por último,cabe analisar a competência
em relação da matéria, enquanto existência de competência especializada: de acordo com o artigo
81º/3 j) LOSJ, bem como o art. 129º, havendo juízos de competência especializada, estes serão
competentes para julgar a execução. Analisando os mapas judiciais, podemos ver que em Lisboa
existe este juízo de competência especializada para execuções. Concluindo: seria competente o Juízo
Especializado de Execuções do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa. Posto isto, Justiniano, no
âmbito da oposição à execução, poderia alegar a incompetência do tribunal em causa, ao abrigo do
disposto pelos arts 729º c) e 577º a), por remissão do art.731º.
O casamento celebrado entre Justiniano e Teodora tinha como regime de bens a separação de
bens (1735ºss CC). Sendo o património do devedor a garantia geral das obrigações (601º CC),
caberia saber qual era o património que poderia ser “atacado” em sede de ação executiva, de modo a
que o credor satisfaça o seu direito de crédito. Como já foi dito supra, a dívida em causa seria
comum, não em virtude da comunicabilidade, mas sim em virtude de ambos os cônjuges serem parte
no contrato fonte das obrigações a executar. Assim sendo, de modo a aferir quais os bens
responsáveis pela divida, temos de recorrer ao disposto pelo art.1695º/1 com a exceção constante do
nº 2 deste preceito. Assim sendo, os bens atacáveis seriam os de cada um dos cônjuges, não podendo
operar a solidariedade e, como tal, operando a regra geral das obrigações parciárias (art. 513ºCC).
Tendo sido a ação proposta apenas contra Justiniano,o exequente poderia requerer um incidente de
comunicabilidade nos termos do art 741º/1, podendo este ser suscitado no requerimento executivo
(724/1 e)) ou de acordo com as regras gerais dos arts 293º ss. Justiniano também poderia suscitar
este incidente, ao abrigo do disposto pelo art 742º. Note-se que o credor apenas poderia executar o
património de Justiniano no valor da sua quota-parte na divida, tendo em conta a natureza parciária
da mesma. O facto de Justiniano e Teodora se terem divorciado seria irrelevante: por força do
disposto pelo art. 1690º/2 Cc, a determinação da responsabilidade é feita aquando do momento da
constituição da dívida.
Por último, cabe analisar a existência ou não de um litisconsórcio passivo necessário à luz do
disposto pelo art. 34º/3. No centro da discussão doutrinária à volta desta norma está a necessidade
de averiguar se esta é aplicável à ação executiva, tendo em conta a sua posição sistemática no
código: o preceito encontra-se situado na parte referente à ação declarativa, nada referindo em
relação à ação executiva. De acordo com Lebre de Freitas, a dívida comum pode ser executada
singularmente contra um dos cônjuges, ficando o outro fora da ação: isto significa que o disposto
pelo art. 34º/3 não se aplica à ação executiva e, como tal, a haver um litisconsórcio passivo, este
teria natureza voluntária, nunca obrigatória. Rui Pinto, aparecendo no polo oposto desta discussão,
considera que esta norma ter-se-ia de aplicar aos casos análogos ao em análise, utilizando como
argumento principal a tendencial imperatividade das normas de Direito ta Família que seria violada
com a interpretação feita por Lebre de Freitas. Assim sendo, e contrariamente ao defendido por nós
no ponto anterior, o art. 741º do CPC nunca poderia aplicar-se à execução de divida comum, pelo
que o cônjuge, neste caso Teodora, deveria ser citada como devedor comum, havendo litisconsórcio
passivo necessário em virtude de exigência legal. De acordo com o acima defendido, no plano
teórico, concordamos com a posição de Lebre de Freitas, pelo que não haveria a violação do
disposto pelo art. 34/3. Todavia, adotando a posição de jurista a exercer funções de aconselhamento
jurídico a Justiniano, a tese de Rui Pinto seria a mais útil: a aplicação desta perspetiva permitiria que
Justiniano, em sede de oposição à execução, arguisse a violação do litisconsórcio passivo necessário,
tendo que ser chamada à ação executiva Teodora e, como tal, todo o seu património. Fazendo uso
da posição doutrinária de Rui Pinto, como já foi dito, não seria sequer possível um incidente de
comunicabilidade nos termos dos arts 741º e/ou 742º, ao contrário do que foi defendido no
parágrafo anterior.

Mauro Nunes
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TAN; Subturma 1