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A interpretação e a tradução de/para línguas

10.17771/PUCRio.TradRev.34535

de sinais: contextos de serviços públicos e


suas demandas

Carlos Henrique Rodrigues, Silvana Aguiar dos Santos*

1 Introdução
Atualmente, é possível afirmar que os campos de atuação dos intérpretes e dos
tradutores de língua de sinais têm se ampliado significativamente. Cada vez
mais, a interpretação e a tradução de/para a línguas de sinais têm sido
demandadas, principalmente em ambientes acadêmicos. Entretanto, ainda
carecemos de pesquisas capazes de apresentar os diversos contextos sociais em
que elas acontecem, assim como de refletir sobre as características dessas
atividades em decorrência dos espaços que as abrigam.
É importante destacar que o contexto situacional em que a tradução e a
interpretação ocorrem é, inclusive, um de seus aspectos distintivos, já que o
intérprete realiza seu trabalho na presença de seu público e o tradutor não
necessariamente (Cavallo, Reuillard, 2016). Uma análise dos cenários em que
essas atividades são desenvolvidas mostra que, enquanto a interpretação é
totalmente dependente da situação imediata e das circunstâncias em que se

*Carlos Henrique Rodrigues é doutor em Linguística Aplicada e professor do Departamento de Língua de


Sinais Brasileira da Universidade Federal de Santa Catarina; Silvana Aguiar dos Santos é doutora em
Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina e professora do Departamento de Língua
de Sinais Brasileira da UFSC.

Submetido em 09/05/2017 Aceito em 04/10/2017


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

efetivam a produção do texto fonte e do alvo, a tradução pode ser realizada


fora do contexto a que se destina, já que o texto fonte está pronto e o público
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terá acesso ao texto alvo após sua conclusão. Portanto, o processo tradutório
confere ao profissional a possibilidade de realizar o seu trabalho no ambiente
que preferir, pois, como mencionamos acima, a tradução não demanda
necessariamente a participação presencial e imediata do público.
Por outro lado, ao colocar em contato direto o profissional e o público, a
interpretação caracteriza-se pela diversidade de ambientes em que essa relação
ocorre: contextos educacionais, políticos, religiosos, jurídicos, familiares, etc.
Vale mencionar que esses espaços vão desde contextos intrassociais até
contextos internacionais (Pöchhacker, 2004). Além disso, a interpretação pode
assumir diferentes perspectivas interacionais, visto que pode ser um processo
monológico, mais característico de contextos de conferência, ou dialógico,
comum aos contextos comunitários.

2 A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais


Neste texto, consideramos a interpretação e a tradução como dois lados
justapostos da mesma moeda. Assim, ainda que o termo “tradução” seja
empregado por alguns como um hiperônimo para se referir indistintamente a
ambas as atividades, reconhecemos que elas possuem diferenças significativas.
Os conhecimentos e habilidades requeridos para a execução de cada uma
delas, assim como o modo por meio do qual se realizam, são distintos. Uma
aproximação inicial permite afirmar que a tradução se vincula basicamente à
manipulação de “textos escritos” (i.e. acabados e registrados em um dado
suporte) e a interpretação à manipulação de “textos orais” (i.e. em processo de
produção e, por sua vez, não registrados) (Gile, 1998, 2004; Pagura, 2003, 2015).
Entretanto, é importante que se considere uma breve caracterização capaz de
nos oferecer uma melhor distinção entre tradução e interpretação.
Portanto, (a) na tradução, ao ter como matéria-prima o texto pronto e
disponível em dado suporte, o profissional pode trabalhar sem contato direto
com o público e, portanto, o resultado de seu trabalho, devidamente revisto e

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refinado, será automaticamente registrado com o objetivo de durar. Essas


condições de produção permitem que o profissional tenha, na maioria dos
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casos, liberdade para imprimir seu próprio ritmo ao trabalho e para escolher o
ambiente em que pretende executá-lo; e (b) na interpretação, ao ter como
matéria-prima o discurso em fluxo, o profissional trabalha, na maioria dos
casos, em contato direto e imediato com o autor do texto e com o público e,
portanto, o resultado de seu trabalho vai sendo conhecido à medida que
desaparece, visto não possuir registro automático1. Essas condições de
produção impõem ao profissional o ritmo do autor do discurso e uma
dependência contextual mais explícita e direta que na tradução, já que ele
precisa estabelecer contato com sua audiência.
Nas definições acima, observamos alguns aspectos diferenciadores da
tradução e da interpretação: (i) o caráter do texto fonte: concluído e registrado
versus em fluxo e transitório; (ii) a condição de trabalho: menos dependente do
contexto e sem a obrigatoriedade de contato com o público versus totalmente
dependente do contexto e com a necessidade de contato com o público; e (iii) o
registro do produto: automático e duradouro versus não automático e efêmero.
É importante mencionar que esses aspectos se desdobram em alguns
outros, os quais também contribuem com a diferenciação entre a tradução e a
interpretação: as competências e habilidades linguísticas requeridas do
profissional; o tipo de apoio externo e interno que pode ser utilizado; a
tecnologia que pode ser empregada; a possibilidade de revisão etc. Além disso,
ao envolver uma língua de sinais, os processos tradutórios e interpretativos,
além de serem interlinguísticos, tornam-se também intermodais (Padden, 2000;
Rodrigues, 2013).
Os processos intermodais caracterizam-se por envolver línguas de
diferentes modalidades: uma vocal-auditiva e outra gestual-visual. O fato de

1 O termo “automático” refere-se ao fato de que não há como produzir a tradução sem seu registro. O
registro automático é condição sine qua non da tradução, pois é uma decorrência esperada e necessária desse
processo. Já na interpretação o registro não é automático, ainda que possa ser realizado, pois a interpretação
não demanda nenhum tipo de registro, já que ele não é uma decorrência esperada nem necessária ao
processo.

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uma das línguas ser gestual-visual impacta significativamente o processo, já


que as línguas de sinais, articuladas externamente ao corpo, exploram mais a
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simultaneidade na constituição dos sinais e sentenças; não são dependentes de


preposições, conjunções e artigos; possuem relações sintáticas constituídas
espacialmente; etc. (Klima & Bellugi, 1979; Brito, 1995; Meier, 2004; Quadros &
Karnopp, 2004).
Com a distinção entre os dois processos, é possível observar que a
interpretação intermodal é uma atividade mais comum e frequente que a
tradução intermodal (Wurm, 2010; Rodrigues & Beer, 2015). Diversos são os
fatores responsáveis por essa preponderância da interpretação sobre a
tradução. O principal parece ser a ausência de um sistema consolidado de
escrita de língua de sinais com ampla circulação social. Esse aspecto pode ser
visto como um dos efeitos da modalidade de língua sobre a
tradução/interpretação.
Os processos tradutórios entre duas línguas orais, ainda que envolvam
a língua em uso2, podem valer-se do apoio da escrita como sistema
estabelecido e de uso corrente. Todavia, alguns processos tradutórios
intermodais não têm como matéria-prima a escrita e, muitas vezes, não podem
se valer dela, já que as escritas de línguas de sinais, como mencionado acima,
estão em vias de consolidação.
Assim, para além da tradução que envolve um sistema de escrita de
línguas de sinais, temos aquela tradução que não envolve a escrita, mas sim o
registro em vídeo ou, em alguns casos, quando o texto final é em língua oral, o
registro em áudio. Segundo Wurm (2010, p.20, tradução nossa), “devido à
possibilidade de se trabalhar com TFs [textos fonte] registrados e de se gravar
e regravar os TAs [textos alvo] com tempo potencialmente ilimitado e sem os

2 Algumas traduções entre línguas orais estão relacionadas ao registro da língua em sua produção oral como
ocorre com processos de dublagem e voice-over. Além disso, podemos pensar na tradução oral à prima vista
(Sight translation) ou interpretação à prima vista (Sight interpreting), as quais envolvem a “leitura” imediata
de um texto escrito numa língua por meio de outra, ou seja, parte da linguagem escrita (texto fonte) tendo
como objetivo a linguagem oral (texto alvo).

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participantes primários, a noção de tradução de língua de sinais vem


ganhando destaque”3.
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De maneira geral, é possível considerar, portanto, que a tradução


intermodal, envolvendo somente a escrita ou o registro em vídeo, e a
interpretação intermodal são distintas e possuem funções e inserções sociais
diferenciadas.

3 Contextos de caráter intrassocial e internacional.


No que se refere à atividade interpretativa, é comum observarmos o
agrupamento dos múltiplos e diversificados contextos nos quais ela ocorre em
dois grandes guarda-chuvas: (1) community interpreting, em português
“interpretação comunitária”, e (2) conference interpreting, em português
“interpretação de conferência”.
Com base em Wadensjö (1998) e em Gile (1998), Rodrigues (2010)
apresenta um quadro comparativo entre a interpretação comunitária e a de
conferência. Podemos depreender, com base em suas reflexões, que a
interpretação de conferências é aquela realizada diante do grande público de
forma basicamente monológica. Os eventos que envolvem mais de uma língua,
os programas veiculados na mídia, ou ainda alguns encontros e reuniões
contam muitas vezes com a presença e atuação de intérpretes de conferência
que têm pouca demanda de viabilização de diálogos entre os participantes.
A interpretação comunitária, por sua vez, é aquela que “ocorre na
esfera pública, com o intuito de facilitar a comunicação dos não falantes da
língua oficial do país, e o seu consequente acesso aos provedores de serviços,
tais como a educação, a saúde e os contextos legais” (Rodrigues, 2010, p.05).
Nesses contextos, a atuação principal tem caráter dialógico, já que o
profissional realiza certa mediação social em interações face a face de falantes
de distintas línguas. Além disso, muitos profissionais não só viabilizam a

3 “[…] due to the ability to work with fixed STs and record and re-record TTs with potentially unrestricted
time and in the absence of the primary participants, the notion of sign language translation is gaining prom-
inence”.

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interação, mas se envolvem com a defesa de direitos, com o apoio às minorias,


às comunidades estrangeiras, assim como com a militância em prol do
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reconhecimento, da aceitação e do respeito à diversidade linguística e cultural.


Considerando a diversidade de demandas de caráter intrassocial e
internacional, os profissionais tradutores e intérpretes de línguas de sinais
atuam em diferentes contextos sociais. Um panorama desses contextos é
apresentado por Rodrigues (2010, p. 4,5, grifos do autor):

[…] Contextos Educacionais – em todos os níveis de ensino, inclusive em


vestibulares, concursos e outros; Contextos clínicos e hospitalares –
acompanhando não somente as consultas médicas, mas exames, cirurgias,
tratamentos médicos, psiquiátricos e psicológicos etc; Contextos legais – em
audiências, julgamentos, juizados, delegacias, conciliações, consulta a
advogados, ministério público, casamentos etc; Contextos Familiares –
conversas de pais com filhos, irmãos, parentes, namorados, amigos, assuntos
íntimos, confidenciais, etc; Contextos Midiáticos – telejornais, programas
políticos, filmes, documentários, sites e outros produtos da mídia; Contextos
Religiosos – nos mais diversos tipos de atividades vinculadas a grupos
religiosos: cultos, missas, reuniões etc; Contextos de Lazer e Turismo –
parques, clubes, museus, passeios, excursões, etc; Contextos de Conferências –
grandes eventos, inclusive de caráter acadêmico e internacional. [...] Contextos
empresariais – em treinamentos, seleções, reuniões e, até mesmo, no dia a dia
da empresa; os Contextos de serviços públicos/ sociais – acompanhamentos
em serviços sociais para cadastramento, atendimentos e retirada de benefícios;
dentre outros.

Os contextos apresentados por Rodrigues (2010) nos permitem perceber


que os tradutores e intérpretes de língua de sinais possuem um campo de
atuação profissional bem amplo e diversificado que envolve bem mais que
contextos de interpretação que podem ser classificados como comunitários ou
de conferência. Por diversas vezes, o campo de atuação dos profissionais
tradutores e intérpretes ultrapassam esses âmbitos, como ocorre com a
interpretação religiosa e a interpretação de ligação ou acompanhamento, por
exemplo, as quais perpassam distintos contextos, situações e ambientes.

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serviços públicos

4 A tradução e a interpretação em alguns contextos de serviços públicos


O Decreto 5.626/2005 estabelece o direito das pessoas surdas ou com
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deficiência auditiva aos serviços públicos de educação e saúde por meio, por
exemplo, de profissionais capacitados para o uso de Libras ou de profissionais
aptos à tradução e interpretação. Entretanto, não menciona outros contextos de
serviços públicos, tais como os jurídicos.
É importante destacar que, ao contrário do que muitos pensam, nos
serviços públicos não há espaço somente para a interpretação. Embora a
interpretação comunitária se destaque neles, encontramos demandas por
serviços de tradução. Isso se deve ao fato de possuirmos, dentre outros,
diversos materiais que circulam em ambientes educacionais, em serviços
jurídicos e de saúde, por exemplo, que são destinados ao público em geral e
que podem ou precisam estar em outras línguas.
A tradução e a interpretação em serviços públicos vêm sendo
problematizadas e discutidas por diferentes autores em âmbito internacional.
Contudo, as discussões no contexto brasileiro ainda são incipientes.
Considerando essa lacuna, apresentaremos uma breve reflexão sobre a
tradução e a interpretação de/para línguas de sinais em três contextos de
serviços públicos.

4.1 Contextos de educação


Os contextos educacionais podem ser definidos como (i) espaços em que o
educar se realiza; (ii) todo e qualquer ambiente em que a prática educativa está
presente; (iii) lugares que abrigam atividades e ações educacionais; e (iv)
circunstâncias que envolvem os processos de ensino e de aprendizagem. Nessa
perspectiva, é possível visualizar a multiplicidade dos contextos educacionais,
visto que envolvem a educação como processo de humanização, socialização e
formação pessoal e profissional.
É importante mencionar que os profissionais envolvidos, direta ou
indiretamente, com a educação compreendem o termo “educação” de maneira
distinta. Essa diversidade de entendimentos decorre da complexidade e

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multidimensionalidade do fenômeno educativo, visto que “a investigação de


sua natureza, de suas especificidades e de suas funções pode ser feita sob
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vários enfoques: o antropológico, o sociológico, o econômico, o psicológico, o


biológico, o histórico e o pedagógico” (Libâneo, 2007, p.69).
Devido à sua relevância, os contextos educacionais são foco de diversas
pesquisas, estudos e produções. Diante de tantas abordagens e visões sobre
esses ambientes, é importante que os tradutores e intérpretes, que trabalham
ou atendem esses espaços, os conheçam bem e reflitam sobre sua presença e
atuação neles. Atualmente, alguns autores têm categorizado a educação como:
formal, não formal e informal (Ghon, 2006; Libâneo, 2007). De maneira
simples, é possível entender que os contextos de educação formal são aqueles
em que a educação é organizada, sistemática, estruturada e intencionalmente
planejada, possuindo uma ordem sequencial e disciplinar, tais como escolas,
universidades e demais instituições de formação profissional.
Por outro lado, os contextos em que se dá a educação não formal, são
aqueles em que a educação, embora com caráter de intencionalidade, possui
baixo grau de estruturação e sistematização, com relações pedagógicas não
formalizadas. Esses contextos promovem o compartilhar de conhecimentos e
experiências por meio de interações coletivas visando, muitas vezes, à
construção da cidadania: movimentos sociais, trabalhos comunitários,
atividades culturais, meios de comunicação, dentre outros.
Já os contextos em que a educação informal se encontra são aqueles que
abrigam processos sociais de construção e compartilhamento de valores,
conhecimentos e costumes de forma não intencional nem institucionalizada,
como ocorre nos espaços comuns do dia a dia: família, trabalho, locais de lazer,
etc. Nesses ambientes, compartilham-se as experiências vividas e os resultados
se mostram espontaneamente nos modos de ser, agir e pensar das pessoas
(Ghon, 2006; Libâneo, 2007).
Partindo-se dessa categorização básica, torna-se evidente que a atuação
no campo da educação exige do intérprete um conjunto de conhecimento e
saberes didáticos e pedagógicos específicos (Rodrigues & Silvério, 2011), os

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quais serão a base orientadora das escolhas e tomadas de decisão demandadas


pelos processos tradutórios e interpretativos que ocorrem na ou visam à
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educação formal, não formal e informal.


O profissional que atua em espaços educacionais formais tem sido
comumente chamado de intérprete educacional. Ao abordar contextos de
educação formal, Albres (2015, p. 39) apresenta algumas denominações
utilizadas para se referir ao profissional que atua na educação: professor
intérprete da Língua Brasileira de Sinais/Língua Portuguesa; professor
intérprete das linguagens e códigos aplicáveis; professor-intérprete; intérprete
educacional; intérprete especialista para atuar na área da educação; intérprete
tutor e tradutor/intérprete escolar. Ao analisar esse conjunto de denominações
dadas aos profissionais intérpretes, Albres (2015, p. 41) afirma que a
denominação que vem sendo aceita e empregada por pesquisadores da área é
de fato a de intérprete educacional e destaca que “empregar o termo tradutor
para designar estes profissionais pode ampliar a sua atuação para além da
interação face a face, ou seja, para além da mediação no tempo da enunciação,
pode também modificar o tipo de formação deste profissional, como pré-
requisito para atuação na escola”.
Com base na diferenciação entre tradução e interpretação, apresentada
acima, e nas demandas do campo da educação, é possível falar em intérpretes
educacionais e em tradutores educacionais. Entretanto, ao contrário do que
muitos textos apresentam, é importante que se entenda que tradutores e
intérpretes possuem funções bem distintas no âmbito da educação. Nesse
sentido, com base em nossas investigações, podemos elencar as seguintes
vertentes de atuação desses profissionais.4

4 Não registramos uma atividade bem comum nos contextos educacionais: o processo por meio do qual
textos escritos por surdos em português, com forte influência da estrutura da Libras, são “traduzidos”,
“interpretados” ou “revisados” para que os falantes de português os compreendam sem dificuldades.
Consideramos que são necessárias pesquisas capazes de estudar esse processo realizado por tradutores e
intérpretes de Libras-Português e, inclusive, de conceituá-lo e categorizá-lo, mostrando de que maneira ele
se aproxima ou não de processos de revisão, de tradução ou de interpretação intralinguísticos ou, até
mesmo, se corresponderia a outro processo.

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Quadro 01 — Tradução e Interpretação em Contextos Educacionais


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TRADUÇÃO INTERMODAL INTERPRETAÇÃO INTERMODAL

Português-Libras Português-Libras
- interações diversas (aulas ministradas em português, reuniões,
- materiais didáticos (livros didáticos e paradidáticos etc.);
orientações, bancas e demais ações envolvendo os atores da
- cartilhas e/ou programas escolares;
educação);
- literatura dos mais diversos tipos;
- diálogos entre surdos falantes de Libras e ouvintes não fluentes
- hino nacional e outros;
em Libras;
- sites, blogs e congêneres;
- materiais e recursos empregados nas aulas:
- vídeos educativos diversos;
- livros didáticos e paradidáticos;
- vídeos institucionais;
- literatura dos mais diversos tipos;
- filmes ou trechos de filmes usados como recurso didático;
- vídeos educativos diversos;
- documentários ou partes deles, assim como outras produções
- sites, blogs e congêneres;
veiculadas na mídia;
- filmes ou trechos de filmes usados como recurso didático;
- apresentações televisivas: reportagens e telejornais usados como
- documentários ou partes deles;
materiais de apoio à aula;
- apresentações televisivas: reportagens, telejornais etc.
- documentos jurídicos e institucionais (normas, orientações,
- hino nacional e outros;
regimentos, estatutos etc.);
- documentos jurídicos e institucionais (normas, orientações,
- avaliações e atividades diversas;
regimentos, estatutos etc.);
- provas de concursos, vestibulares e exames nacionais;
- avaliações e atividades diversas;
- comunicados e informes;
- provas de concursos, vestibulares e exames nacionais;
- edição e revisão de traduções.
- bilhetes, mensagens, comunicados e informes.

Libras-Português Libras-Português
- interações diversas (aulas ministradas em Libras, reuniões,
orientações, bancas e demais ações envolvendo os atores da
- trabalhos dos alunos e atividades diversas;
educação);
- produções acadêmicas (artigos, dissertações, teses etc.);
- diálogos entre surdos falantes de Libras e ouvintes não fluentes
- vídeo-aulas;
em Libras;
- literatura em Libras, incluindo as piadas e os pequenos contos;
- trabalhos dos alunos e atividades diversas;
- edição e revisão de traduções.
- materiais e recursos empregados nas aulas;
- literatura em Libras, incluindo as piadas e os pequenos contos.
Fonte: os autores

Observamos que há diferentes atividades requeridas em contextos


educacionais e que o caráter do texto fonte; a condição de realização do
trabalho e o registro do produto, por exemplo, indicarão se se trata de um
processo de tradução ou de interpretação.
Nos contextos educacionais, a necessidade da interpretação de/para
língua de sinais é bem maior que a de tradução. Entretanto, diversas

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interpretações poderiam ser dispensadas se os profissionais, professores e


intérpretes, contassem com materiais, recursos, literatura, documentos e
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avaliações, por exemplo, disponíveis em língua de sinais, ou seja, previamente


traduzidos (Santos, 2013).
Por fim, tanto a tradução quanto a interpretação têm o seu lugar e a sua
função nesses contextos. Assim, é importante que se reflita sobre o perfil
necessário aos tradutores e aos intérpretes de língua de sinais e que se avalie se
é viável e possível que um único profissional assuma as duas funções,
considerando-se sua formação e as condições de trabalho adequadas ao
desempenho de cada uma das atividades.

4.2 Contextos de saúde


É comum vermos os intérpretes de língua de sinais definindo os contextos de
saúde como sendo somente os consultórios médicos ou as recepções de
instituições de saúde. Entretanto, é importante que se considere que contextos
de saúde compreendem todo e qualquer espaço estruturado para responder às
necessidades de saúde da população. Nesse sentido, todos os ambientes que de
alguma maneira englobam as políticas, as rotinas, as práticas de atenção, de
prevenção, de recuperação, de reabilitação e de promoção da saúde podem ser
tratados como contextos de saúde.
É evidente que a definição de saúde não é algo simples nem trivial, já
que pode ser compreendida como “um estado de completo bem-estar físico,
mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade” (OMS,
1946). Vale mencionar também que “a atual legislação brasileira amplia o
conceito de saúde, considerando-a um resultado de vários fatores
determinantes e condicionantes, como alimentação, moradia, saneamento
básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação, transporte, lazer, acesso a
bens e serviços essenciais” (Brasil. Ministério da Saúde, 2005, p. 212).
Podemos assim, entender que esses contextos compreendem (i) o
sistema único de saúde e demais instituições que oferecem serviços voltados à
saúde da população; (ii) os órgãos governamentais que visam as políticas de

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atenção, prevenção, recuperação, reabilitação e promoção da saúde; (iii) as


instituições não governamentais e demais entidades com foco na saúde; (iv) as
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entidades que lidam com aspectos relacionados à assistência da população no


que tange o bem-estar; (v) os espaços formativos de profissionais da área da
saúde, dentre outros.
Portanto, o tradutor ou o intérprete de língua de sinais pode atuar
numa diversidade de âmbitos que envolvem as áreas do conhecimento
relacionadas à saúde: medicina, biomedicina, enfermagem, odontologia,
fisioterapia, fonoaudiologia, farmácia, terapia ocupacional, nutrição, educação
física, saúde coletiva, análises clínicas, análises de sistema e de serviços de
saúde etc. Não podemos deixar de mencionar que os cursos de graduação das
Ciências da Saúde são contextos educacionais que se caracterizam também
pelos conteúdos e conhecimentos caros à área da saúde. Nesse sentido, há
certa interseção de espaços de atuação de tradutores e intérpretes de língua de
sinais: “contextos de educação e ensino da saúde”.
A despeito da diversidade de contextos de saúde, é comum vermos o
profissional que atua nesses espaços sendo nomeado apenas como intérprete
médico (medical interpreter). Todavia, encontramos no cenário internacional
outros termos, tais como intérprete de saúde ou de cuidados da saúde
(healthcare interpreter) e intérprete de hospital (hospital interpreter) (Queiroz,
2011; Jesus, 2013), os quais podem, de certa maneira, ampliar um pouco mais a
concepção de quem é o profissional que atua nesses contextos.
No Brasil, não temos uma atuação reconhecida e visível de intérpretes
de língua de sinais no âmbitos da saúde nem o estabelecimento de uma
formação específica para que esses profissionais tornem-se tradutores ou
intérpretes na área da saúde, ainda que haja uma disciplina específica voltada
a esse contexto em alguns cursos de graduação, como, por exemplo, (i) a
disciplina denominada Laboratório II, no Bacharelado em Letras Libras
presencial da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); (ii) a de
Tradução e Interpretação na Esfera da Saúde, no Bacharelado em Tradução e
Interpretação em Língua Brasileira de Sinais/ Língua Portuguesa da

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Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); e (iii) a de Interpretação Médica,


no Letras Libras: Bacharelado em Tradução e Interpretação na Universidade
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Federal do Espírito Santo (UFES).


Além disso, são raros os casos de contratação de intérpretes de língua
de sinais para atuar em hospitais ou outras instituições de saúde no país5,
como ocorre no contexto estadunidense (Queiroz, 2011). A maioria dos
profissionais que atuam como intérpretes de língua sinais em contextos de
saúde é ad hoc, ou seja, não possui uma formação ou treinamento específicos e
não está diretamente vinculada à instituição que solicita a prestação de serviço.
É interessante notar que encontramos várias referências à atuação de
tradutores médicos (medical translators), também conhecidos como tradutores
de saúde (healthcare translators), os quais trabalham, basicamente, com textos
escritos, não sendo responsáveis por acompanhar ou auxiliar o público em
ambientes de saúde (NCIHC, 2010, p.3ss). Essa distinção entre a função dos
tradutores e dos intérpretes é destacada pelo National Council on Interpretation
in Health Care — NCIHC, em português “Conselho Nacional de Interpretação
em Saúde” dos Estados Unidos, e assinala certa afirmação de dois profissionais
distintos.

Interpretação e tradução, como é de se esperar, são mais parecidas que


diferentes uma da outra. Entretanto, [...] existem diferenças cujo
reconhecimento é importante para assegurar a precisão tanto na comunicação
oral quanto nos materiais traduzidos por escrito. Uma compreensão clara do
conjunto de habilidades, formação e treinamento, assim como a experiência de
intérpretes e tradutores deve ser combinada com uma compreensão clara do
produto final. Na interpretação, isso envolve o oferecimento oral de
comunicação falada ou sinalizada de uma língua para outra. Na tradução, isso
é a conversão de um texto escrito de uma língua para outra. (NCIHC, 2010,
p.16, tradução nossa).6

5 Em nossos levantamentos detectamos a contratação de intérpretes de Libras-Português para atuar em


hospitais desde 2008, como é o caso do Hospital Estadual Mário Covas de Santo André e, mais recentemente,
do Hospital das Clínicas de São Paulo.
6 “Interpreting and translation, not surprisingly, are more common than different from one another. Howev-

er, […] there are differences that are important to recognize to ensure the accuracy of both oral communica-
tion and written translated materials. A clear understanding of the skill sets, education and training, and

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RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

Considerando isso, podemos afirmar que os tradutores de saúde e os


intérpretes de saúde que atuam de/para a língua de sinais possuem distintas
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demandas de trabalho, como elencado no quadro abaixo com base em nossos


estudos e investigações.

Quadro 02 — Tradução e Interpretação em Contextos de Saúde

TRADUÇÃO INTERMODAL INTERPRETAÇÃO INTERMODAL

Português-Libras Português-Libras
- interações diversas (triagem, consultas, exames, cirurgias,
boletins médicos, altas, orientações, instruções e demais ações
envolvendo os participantes dos contextos de saúde);
- livros, enciclopédias, guias e similares;
- diálogos entre surdos falantes de Libras e ouvintes não fluentes
- artigos de jornais e revistas da área da saúde;
em Libras;
- materiais de conscientização e orientação (folhetos, panfletos,
- situações envolvendo o serviço de atendimento médico de
etc.);
urgência;
- instruções para procedimentos médicos;
- receitas e atestados médicos;
- bulas de medicamentos;
- bulas de medicamentos;
- campanhas de saúde veiculadas na mídia;
- formulários diversos (de consentimento, de coletas de dados
- sites e blogs relacionados à saúde;
etc);
- formulários diversos (de consentimento, de coletas de dados
- questionários e testes;
etc);
- materiais de conscientização e orientação (folhetos, panfletos,
- questionários e testes;
etc.)
- documentos gerais;
- campanhas de saúde veiculadas na mídia;
- edição e revisão de traduções.
- excertos de livros, enciclopédias, guias e similares;
- trechos de artigos de jornais e revistas da área da saúde;
- documentos gerais.

Libras-Português Libras-Português
- interações diversas (triagem, consultas, exames, cirurgias,
- trabalhos de alunos e similares; boletins médicos, altas, orientações, instruções e demais ações
- produções acadêmicas; envolvendo os participantes dos contextos de saúde);
- vídeos com temas da área da saúde; - diálogos entre surdos falantes de Libras e ouvintes não fluentes
- relatos de surdos sobre experiências no campo da saúde; em Libras;
- edição e revisão de traduções. - situações envolvendo o serviço de atendimento médico de
urgência.
Fonte: os autores

experience of interpreters and translators must be matched with a clear understanding of the end product. In
interpreting, this involves the oral rendition of spoken or signed communication from one language into
another. In translation, this is the conversion of a written text from one language into a different language”.

Tradução em Revista, 24, 2018.114 14


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

Assim como observamos nos espaços educacionais, os contextos de


saúde possuem diferentes demandas tradutórias e interpretativas. Além disso,
10.17771/PUCRio.TradRev.34535

é importante que se reflita sobre o perfil de cada um desses profissionais e que


se avalie se é viável e possível que um único profissional realize tanto a
tradução quanto a interpretação. Dito de outro modo, se o profissional possui
os conhecimentos e as habilidades requeridas por cada uma das distintas
atividades.
É importante mencionar que, diferentemente dos contextos
educacionais que costumeiramente têm uma demanda mais efetiva e contínua
por serviços de interpretação, os contextos de saúde possuem uma demanda
menos intensa e, em alguns espaços, esporádica. Frente à sua significativa
demanda, os ambientes educacionais vêm considerando viável a contratação
de profissionais intérpretes de língua de sinais como parte de seu quadro de
funcionários. Entretanto, os âmbitos de saúde, com sua demanda menos
intensa, não têm contratado intérpretes como parte de seu quadro, salvo raras
exceções, mas utilizado profissionais ad hoc. Portanto, é importante que haja
centros de interpretação/tradução vinculados ao governo, por exemplo,
capazes de oferecer serviços de interpretação remota ou presencial, conforme a
demanda.
Por outro lado, é importante considerar que, para as demandas
tradutórias, têm sido contratados profissionais e empresas encarregadas de
realizar trabalhos pontuais voltados às esferas específicas de saúde.

4.3 Contextos jurídicos


Antes de abordamos a tradução e a interpretação de línguas de sinais em
contextos jurídicos, é importante que se mencione que o exercício da cidadania
de diversas comunidades por meio da garantia de direitos linguísticos é uma
discussão recente no campo das Ciências Jurídicas. Encarar a língua como um
direito que deve pautar as relações sociais e jurídicas altera não apenas a
concepção sobre a língua e seus falantes, mas também a maneira por meio da

Tradução em Revista, 24, 2018.115 15


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

qual essa nova concepção pode impactar e direcionar os operadores do direito


(Rodrigues & Beer, 2016, Beer, 2016).
10.17771/PUCRio.TradRev.34535

Outro aspecto interessante refere-se aos caminhos por meio dos quais a
tradução e a interpretação de línguas orais e a de línguas de sinais chegaram
até o Judiciário brasileiro, os quais são significativamente diferentes. No caso
das línguas orais, consideradas idiomas estrangeiros, o Decreto nº. 13.609/1943
reconhece e estabelece o ofício do tradutor público e intérprete comercial, já
que o português é a língua oficial do país. Em relação às línguas de sinais, em
um primeiro momento, as discussões e os encaminhamentos que justificavam
a interpretação de/para as línguas de sinais pautavam-se pela visão da surdez
como deficiência e, por sua vez, pela garantia de acessibilidade às pessoas
surdas.
Rodrigues & Beer (2016) apresentaram uma discussão relevante em
relação à noção de direitos humanos linguísticos e seus impactos, por
exemplo, na educação de surdos. Numa abordagem semelhante, mas sob a
perspectiva das Ciências Jurídicas, Beer (2016) tece uma reflexão sobre a língua
como direito. A autora demonstra que o reconhecimento da língua como
direito é um aspecto que deveria ser central, já que a privação linguística pode
impedir que o indivíduo usufrua dos demais direitos fundamentais. Assim,
modificando a noção de que a língua de sinais seria apenas um mecanismo de
acessibilidade das comunidades surdas, Beer (2016) demonstra que a
concepção da língua como direito, já observada no ordenamento jurídico
brasileiro, é central às políticas linguísticas. Essas reflexões postas no campo
das Ciências Jurídicas trazem diferentes implicações, inclusive para a atuação
de tradutores e intérpretes de línguas de sinais.
No que se refere ao tradutor e ao intérprete em contextos jurídicos, é
importante mencionar que a ideia de que esses profissionais atuam apenas em
situações de julgamento ou em tribunais é um mito e, portanto, não procede. A
atuação destes profissionais é bastante abrangente no meio jurídico, conforme
demonstrado em seguida. Fato que nos faz reafirmar a necessidade de mais
pesquisas e de programas de formação e treinamento que capacitem os

Tradução em Revista, 24, 2018.116 16


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

tradutores e intérpretes de línguas de sinais a atuar em consonância com as


demandas e exigências de cada espaço e setor.
10.17771/PUCRio.TradRev.34535

Vale mencionar que os tradutores e intérpretes de língua de sinais que


atuam em atividades formativas ou em cursos oferecidos pelo campo das
Ciências Jurídicas encontram-se na interseção de distintos âmbitos, ou seja,
vivenciam a articulação da educação com o direito. Considerando que essas
atividades e cursos caracterizam-se como espaços educacionais que têm como
foco os saberes específicos das Ciências Jurídicas, é possível afirmar que o
trabalho desses profissionais se efetiva, também, em “contextos de educação
jurídica”.
Outro aspecto importante diz respeito às áreas de conhecimento que
têm hospedado as pesquisas relacionadas à formação desses profissionais em
contextos jurídicos, já que observamos suas afiliações a distintos campos
disciplinares. Algumas das pesquisas sobre tradução e interpretação em
contextos jurídicos afiliam-se ao campo dos Estudos da Tradução e aos da
Interpretação, ao passo que outras investigações estão no âmbito da
Linguística Forense. Talvez isso explique as diversas nomeações atribuídas ao
profissional que atua com a tradução e/ou a interpretação em contextos
jurídicos: tradutor forense, intérprete forense, tradutor público e intérprete
comercial, tradutor juramentado, dentre outras.
No Brasil, a produção acadêmica e a oferta de trabalho para tradutores
e para intérpretes de línguas de sinais nos contextos jurídicos têm aumentado
significativamente nos últimos anos. Com relação às produções acadêmicas
neste campo, até agora a maioria delas aborda a complexidade da terminologia
jurídica como principal barreira à atuação desses profissionais (Santos, 2016).
Sem dúvida, esse tema é de suma importância, mas existem outras questões
que também precisam ser tratadas: as relações de poder estabelecidas nos
contextos jurídicos no que diz respeito ao tradutor e/ou intérprete; a
qualificação e a certificação desses profissionais para atuarem nesses espaços;
as variações e/ou os idioletos presentes nas comunidades surdas que acessam a
esfera jurídica; e assim por diante. Além disso, pesquisas e produções capazes

Tradução em Revista, 24, 2018.117 17


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

de pensar um programa de formação para esses profissionais são


fundamentais, já que constituem um dos primeiros passos para
10.17771/PUCRio.TradRev.34535

institucionalizar os serviços de tradução e interpretação como parte integrante


da esfera jurídica.
Dentre essas pesquisas, encontramos, em relação à formação de
profissionais tradutores e intérpretes de línguas orais para os espaços jurídicos,
a proposta de Fröhlich (2014), a qual sugere três módulos com “algumas
disciplinas para a formação de tradutores forenses”, sendo que o total seria de
300 horas para essa formação. Assim teríamos: Módulo 01 — disciplinas de
“teorias da tradução, técnicas de tradução e revisão, técnicas de interpretação
forense, ateliê do tradutor, competência instrumental”; Módulo 02 —
disciplinas de “tradução forense, sistemas jurídicos, linguísticos e sociedade,
prática tradutória e dinâmica judicial e introdução ao Direito para tradutores”;
e Módulo 03 — disciplina de terminologia forense e dinâmica judicial in loco
(Fröhlich, 2014, p. 285).
Em âmbito internacional, observamos algumas pesquisas que tratam
especificamente da interpretação de/para línguas de sinais em contextos
jurídicos (Russel, 2002; Mathers, 2006; Russel & Hale, 2008). Entretanto, é
importante dizer que não vimos referências à atuação de tradutores de línguas
de sinais nesses espaços.
Outro ponto importante é que algumas iniciativas para melhor
estruturação e operacionalização dos trabalhos que envolvem a tradução e a
interpretação de língua de sinais nos contextos jurídicos já foram
institucionalizadas nos Estados Unidos (Mathers, 2006). Uma das mais
conhecidas e disseminadas é o documento publicado em 2009 pelo National
Consortium of Interpreter Education Centers, em português “Consórcio Nacional
de Centros de Formação de Intérpretes”, que elenca um conjunto das melhores
práticas que poderiam ser empregadas por intérpretes de línguas de sinais em
ambientes jurídicos.
No referido documento, intitulado Best Practices: American Sign
Language and English Interpretation within Court and Legal Settings, em português

Tradução em Revista, 24, 2018.118 18


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

“Melhores Práticas: Interpretação em Língua de Sinais Americana e Inglês em


Tribunais e Contextos Legais”, há uma série de recomendações e protocolos a
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serem observados pelos intérpretes de língua de sinais que atuam nesses


espaços (Stewart, Witter-Merithew & Cobb, 2009). Este documento contribui
para a profissionalização de tradutores e de intérpretes intermodais não
somente dos Estados Unidos, mas também em outros países. Um exemplo
disso é o caso do Reino Unido, já que a ASLI — Association of Sign Language
Interpreters, em português “Associação de Intérpretes de Língua de Sinais”,
com base no documento mencionado anteriormente, produziu um novo
documento e passou a adotá-lo e recomendá-lo aos intérpretes de Língua de
Sinais Britânica (BSL) – Inglês (Best Practices for BSL/English Interpreters Working
in Legal Settings).
No Brasil, um fator prejudicial aos tradutores e intérpretes de línguas
de sinais nos contextos jurídicos é a escassez de cursos de formação específica
ou ainda a ausência de documentos norteadores da atuação nesses espaços.
Embora não suficientes, algumas noções introdutórias à atuação deste
profissional podem ser encontradas, por exemplo, em disciplinas de cursos de
formação de tradutores e intérpretes de línguas de sinais. Dentre essas
disciplinas, podemos citar: (i) Laboratório de Interpretação III, no curso de
Bacharelado em Letras-Libras presencial (UFSC); (ii) Tradução e Interpretação
nas Esferas Legal e Governamental, no Bacharelado em Tradução e
Interpretação em Língua Brasileira de Sinais/ Língua Portuguesa (UFSCar); e
(iii) Tradução e Interpretação Jurídica, no Letras Libras: Bacharelado em
Tradução e Interpretação (UFES).
Vale esclarecer que esses profissionais poderão enfrentar diversas
situações de tradução ou de interpretação em audiências, julgamentos,
juizados, delegacias, conciliações, consulta a advogados, ministério público,
casamentos etc. (Rodrigues, 2010). Não basta apenas compreender os
protocolos exigidos para atuação nesses espaços, mas é necessário identificar
as demandas e a maneira como distintos contextos situacionais forçam certas
escolhas e decisões. Por exemplo, o modo de interpretação (consecutivo,

Tradução em Revista, 24, 2018.119 19


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

intermitente ou simultâneo) que será adotado em uma tomada de depoimento


de testemunhas em um julgamento pode ser diferente daquele utilizado
10.17771/PUCRio.TradRev.34535

quando um cliente surdo procura consultoria jurídica. Raramente, encontram-


se respaldo ou diretrizes na legislação brasileira vigente que possam orientar a
atuação dos tradutores e intérpretes de línguas de sinais em contextos
jurídicos. A profissionalização nesse âmbito é bastante incipiente, não
contando com orientações sobre como serão certificados esses profissionais,
com delimitações acerca de sua contratação, com uma descrição das funções
que lhes serão atribuídas, ou ainda com definições de seu local de lotação.
Santos (2016, p. 122) afirma

se por um lado o Judiciário brasileiro não está preparado para atender as


demandas da língua de sinais, dentre elas, a interpretação e a tradução, por
outro lado há carência na formação dos intérpretes de Libras-Português na
esfera jurídica. A atual realidade brasileira conta com pouquíssimos
intérpretes de Libras-Português especialistas em determinadas áreas, sendo a
formação específica na esfera jurídica uma das mais raras.

Diante da escassez de formação para esses profissionais, a contratação


ad hoc tem ocorrido com frequência, devido, principalmente, ao aumento de
sua demanda nos espaços jurídicos. Essa contratação ad hoc pode ocorrer a
partir de uma consulta do Judiciário aos bancos públicos de Corregedorias
Gerais da Justiça, onde consta um cadastro de peritos, intérpretes e tradutores.
Santos (2016) ressalta que, embora esteja previsto no artigo 192 do
Código de Processo Penal a presença de intérpretes de língua de sinais, ela está
respaldada para interrogatórios em que a pessoa surda (no texto original
“surdo-mudo”) não saiba ler ou escrever. No decreto nº. 13.609/1943, que
define e regulamenta o ofício de Tradutor Público e Intérprete Comercial, a
presença de tradutores e de intérpretes está garantida somente para as línguas
orais estrangeiras, ficando descobertas todas as demais línguas que não se
enquadram nessa categoria (línguas indígenas e línguas de sinais, por
exemplo).

Tradução em Revista, 24, 2018.120 20


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

Considerando as discussões apresentadas sobre a atuação de tradutores


e de intérpretes de línguas de sinais nos contextos jurídicos e nossas
10.17771/PUCRio.TradRev.34535

investigações, elencamos no quadro abaixo algumas possibilidades desses


serviços. Embora pareça óbvio, cabe ressaltar que compete ao tradutor ou ao
intérprete dedicar-se exclusivamente à sua atividade e não se responsabilizar
por atividades relacionadas à execução de ação jurídica ou pericial, ou
quaisquer outras que não são do âmbito da tradução e da interpretação, já que
tais ações são executadas pelas autoridades competentes.

Quadro 03 — Tradução e Interpretação em Contextos Jurídicos

TRADUÇÃO INTERMODAL INTERPRETAÇÃO INTERMODAL

Português-Libras Português-Libras
- interações diversas (audiências, julgamentos, acareações,
depoimentos e demais ações envolvendo os participantes dos
contextos jurídicos);
- diálogos entre surdos falantes de Libras e ouvintes não fluentes
- livros, orientações e similares; em Libras;
- documentos gerais (constituição, leis, decretos, resoluções, - situações envolvendo as polícias:
portarias, normativas, contratos e outros); - emissão e renovação de passaporte, porte de armas e
- formulários diversos (para solicitação de passaportes ou similares;
certidões, para ficha criminal etc.); - atendimentos a ocorrências gerais (acidentes de trânsito,
- cartilhas, artigos de jornais e revistas da área; violência doméstica, agressões etc.);
- materiais de conscientização e orientação (folhetos, panfletos, - boletins de ocorrência, atestado de antecedentes criminais,
etc.); inquérito policial etc.;
- campanhas da área veiculadas na mídia; - situações de exames diversos (corpo de delito, perícias de áudio
- glossários e dicionários; e imagem, perícias de crime contra o patrimônio e outros);
- sites institucionais e congêneres; - serviços junto ao Instituto Médico Legal (em casos que figure
- edição e revisão de tradução. pessoas surdas falantes da língua de sinais);
- programas televisivos veiculando situações da esfera jurídica;
- partes ou excertos de materiais diversos e formulários que
circulam nos contextos jurídicos;
- excertos cartilhas, artigos de jornais e revistas da área;
- materiais de conscientização e orientação (folhetos, panfletos,
etc.);
- campanhas da área veiculadas na mídia.

Libras-Português Libras-Português
- trabalhos de estudantes, cursistas e similares; - interações diversas (audiências, julgamentos, acareações,
- produções acadêmicas; depoimentos e demais ações envolvendo os participantes dos

Tradução em Revista, 24, 2018.121 21


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

- documentários, campanhas etc.; contextos jurídicos);


- análise ou avaliação de traduções; - diálogos entre surdos falantes de Libras e ouvintes não fluentes
10.17771/PUCRio.TradRev.34535

- edição e revisão de traduções. em Libras;


- situações envolvendo a presença de falantes de Libras como
usuários dos serviços oferecidos pelos diferentes contextos
jurídicos.
Fonte: os autores

Como podemos observar no quadro acima, os contextos jurídicos


apresentam diversas demandas interpretativas. Muitas dessas demandas já são
conhecidas e, inclusive, têm sido atendidas por intérpretes ad hoc de língua de
sinais. Por outro lado, a tradução de língua de sinais no contexto jurídico,
embora não venha sendo efetivamente realizada, é uma possibilidade de se
ampliar o acesso das pessoas surdas aos conhecimentos e às informações
veiculadas, prioritariamente, em ambientes jurídicos.
É importante que as comunidades reconheçam seus direitos linguísticos
e apresentem suas demandas aos operadores do direito. Assim, poderão exigir,
não somente a acessibilidade aos serviços oferecidos nos contextos jurídicos,
mas, principalmente, favorecer e intensificar a constituição de um novo olhar
capaz de fomentar a consolidação de políticas linguísticas que contemplem o
uso de suas línguas no âmbito jurídico por meio da tradução e da interpretação
realizadas por profissionais devidamente qualificados.

5 Considerações Finais
Os contextos de serviços públicos, embora seja um campo comum da
interpretação comunitária, não excluem a interpretação de conferências nem
mesmo a tradução. É interessante notar que, ainda que esses espaços sejam
marcados por um caráter intrassocial, eles se caracterizam pela complexidade
das áreas em que se localizam. Os serviços disponíveis em diferentes âmbitos
educacionais, jurídicos e de saúde vinculam-se a uma série de aspectos sociais,
culturais, econômicos, tecnológicos, científicos e políticos que conferem às
diferentes demandas por interpretação e por tradução de/para língua de sinais

Tradução em Revista, 24, 2018.122 22


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

características singulares que variam de contexto para contexto, de situação


para situação e de cliente para cliente.
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Outro fator importante à compreensão dos serviços de tradução e de


interpretação demandados nos três contextos discutidos neste texto é a
diferenciação entre os processos tradutórios e os interpretativos e, por sua vez,
a especificidade desses processos quando realizados entre uma língua de
modalidade gestual-visual e outra vocal-auditiva. Além disso, a tradução para
a língua de sinais, muitas vezes, realiza-se por meio de seu registro em vídeo
com base na performance visual do tradutor e não apenas em um sistema de
escrita da língua de sinais. Essa particularidade traz implicações à
operacionalização do processo tradutório intermodal e exige do profissional
conhecimentos e habilidades específicas.
Portanto, considerando (i) a diferença entre os processos tradutórios e
interpretativos; (ii) a singularidade da tradução e da interpretação intermodais;
(iii) a ampliação da demanda por tradução e por interpretação de/para línguas
de sinais em espaços educacionais, jurídicos e de saúde; (iv) a multiplicidade
das situações que ocorrem em cada um dos âmbitos abordados; e (v) as
distintas demandas por interpretação comunitária e por interpretação de
conferência nesses contextos, concluímos que a formação dos profissionais
tradutores e/ou intérpretes de línguas de sinais é o aspecto central para a
qualidade do serviço prestado por esses profissionais.
Entretanto, é importante dizer que devido à grande variabilidade das
demandas que se apresentam aos tradutores e aos intérpretes de línguas de
sinais, tanto dentro de um mesmo âmbito (aquelas de caráter intracontextual)
quanto nas interseções entre âmbitos distintos (aquelas de caráter
intercontextual), há que se refletir sobre as possibilidades da formação de um
profissional generalista em contraposição à necessidade da formação de
especialistas. Nesse sentido, é indispensável, a priori, que se leve em conta
nessa reflexão a distinção entre o trabalho de tradutores e o de intérpretes, o
caráter singular de cada espaço em que esses profissionais podem atuar, assim
como suas diversas demandas intracontextuais.

Tradução em Revista, 24, 2018.123 23


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

Enfim, esperamos que as reflexões apresentadas possam contribuir


para a compreensão da tradução e da interpretação de/para línguas de sinais
10.17771/PUCRio.TradRev.34535

em diferentes contextos de serviços públicos e também incentivar novas


pesquisas capazes de contribuir para a compreensão dos múltiplos espaços em
que o tradutor e o intérprete de língua de sinais podem atuar, bem como com o
conhecimento das diferentes demandas tradutórias e interpretativas das
variadas situações em que cada uma dessas atividades se realiza.

Agradecimentos
Gostaríamos de registrar nossos agradecimentos às valiosas contribuições de
Hanna Beer, Paulo Paz da Silva, Neiva Albres, Vânia Santiago, Ringo Bez de
Jesus e Renato Guimarães, as quais foram importantíssimas às reflexões
apresentadas neste texto.

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regulamentação da profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de
Sinais – Libras. Diário Oficial da União, República Federativa do Brasil, Atos

Tradução em Revista, 24, 2018.124 24


RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

do Poder Legislativo, Brasília, DF, 2 set. 2010. Nº 169, ano CXXXIX, Seção 1, p.
43.
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RODRIGUES e SANTOS A interpretação e a tradução de/para línguas de sinais: contextos de
serviços públicos

Resumo
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Os múltiplos contextos em que ocorrem a interpretação e a tradução de/para


línguas de sinais trazem à tona a importância de se refletir sobre questões que
envolvem a atuação de intérpretes e tradutores intermodais. Partindo da
diferenciação entre tradução e interpretação, assim como da caracterização de
alguns contextos, discutimos a atuação desses profissionais em serviços
públicos educacionais, jurídicos e de saúde. Por fim, destacamos a importância
de se considerar: (i) a singularidade dos processos intermodais; (ii) a
complexidade dos contextos e de suas demandas; e (iii) a centralidade da
formação.
Palavras-chave: Línguas de sinais; tradução intermodal; serviços públicos;
interpretação comunitária; tradução.

Abstract
The several settings in which interpreting and translation from/into sign lan-
guages take place bring to light the importance of reflecting on issues involv-
ing the work of intermodal interpreters and translators. Considering the dif-
ference between translation and interpreting, as well as the characterization of
some settings, we discuss the work of these professionals in education, legal
and healthcare public services. In conclusion, we emphasize the importance of
taking into account: (i) the singularity of intermodal processes; (ii) the com-
plexity of settings and their requirements and (iii) the centrality of training.
Keywords: Sign language; intermodal translation; public service; community
interpreting; translation.

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