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INSTITUTO FEDERAL DO PIAUÍ - IFPI

CURSO: TÉCNICO EM CUIDADOS DE IDOSOS


DISCIPLINA: BIOLOGIA APLICADA
PROFESSOR(A): D.Sc. MARIA IVAMARA SOARES MACEDO

FRANKLIRENE OLIVEIRA SILVA

A Biologia do envelhecimento: A relação do hormônio masculino com o


envelhecimento celular.

Teresina,
Junho de 2019
A Biologia do envelhecimento

O segredo da superlongevidade tão sonhada pelo homem, de acordo com os


avanços científicos biológicos sobre células tronco e clonagem, poderá estar nas estruturas
terminais dos cromossomos denominadas telômeros.

O que são os telômeros?

Os telômeros (do grego telos, final, e meros, parte) são estruturas constituídas por
fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades
dos cromossomos. Sua principal função é impedir o desgaste do material genético e manter
a estabilidade estrutural do cromossomo. Os telômeros estão presentes principalmente
em células eucarióticas, embora existam exceções como: bactérias (células procarióticas)
que possuem telômeros.
Cada vez que a célula se divide, os telômeros são ligeiramente encurtados, pois a
principal enzima que participa na replicação semiconservativa do DNA – a DNA
polimerase – necessita de uma ancora de 16 repetições da sequência TTAGGG (no caso
humano) e apenas copia o material genético daí em diante, causando um encurtamento da
extremidade da molécula de DNA. Como estes não se regeneram, chega a um ponto em
que não permitem mais a correta replicação dos cromossomos e a célula perde completa ou
parcialmente a sua capacidade de divisão, pois a DNA polimerase não é capaz de replicar o
material genético.
O encurtamento dos telômeros também pode eliminar certos genes que são
indispensáveis à sobrevivência da célula ou silenciar genes próximos. Como o processo de
renovação celular não tolera a morte das células antes da divisão correta das mesmas, o
organismo tende a morrer num curto prazo de tempo no momento em que seus telômeros
se esgotam.
Os telômeros funcionam como um protetor para os cromossomos, assegurando que
a informação genética (DNA) relevante seja perfeitamente copiada quando a célula se
duplica. Os telômeros também protegem os cromossomos da degradação, da recombinação
e da translocação robertsoniana.
Eles foram identificados pela primeira vez por Hermann Joseph Muller, na década
de 30 do século XX. Mais tarde, em 1965, Leonard Hayflick fez a primeira observação
direta do fenômeno de morte celular sem pré-replicação. Em homenagem ao cientista, o
comprimento mínimo que os telômeros podem alcançar antes de causar problemas à
divisão celular passou a ser chamado de Limite de Hayflick.
Na maioria dos organismos, os telômeros são formados por repetições simples
de nucleotídeos. Já nos seres humanos, os telômeros são formados pela repetição de seis
nucleotídeos: TTAGGG, que compreendem até dezenas de quilobases. Os telômeros
humanos contêm ainda um pequeno trecho de fita simples com poucas centenas de
nucleotídeos e são sintetizados no final da replicação do DNA pela enzima telomerase.
Toda vez que a célula se duplica ela também duplica os cromossomas. Este
processo, como já mencionado, encurta os telômeros das células, portanto, teoricamente
pode-se definir com exatidão a expectativa de vida de um ser vivo analisando quantos
telômeros ainda restam em suas células, ou seja, quantas vezes as células ainda poderão se
duplicar antes de o indivíduo morrer. Assim, os telômeros podem ser considerados
sofisticados relógios biológicos.

A relação do hormônio masculino com o envelhecimento celular

A telomerase é uma enzima descoberta por Elizabeth Blackburn e Carol


Greider em 1985, que tem como função adicionar sequências específicas e repetitivas
de DNA à extremidade 3' dos cromossomos, onde se encontra o telômero. Esta enzima é
uma transcriptase reversa, tendo na sua estrutura um modelo em RNA que utiliza para
sintetizar o DNA telomérico, em eucariotas. Em recentes estudos sugerem ser possível
reverter o processo de senescência celular incrementando, de forma artificial, a quantidade
de telomerase nas células. Seria possível, inclusive, reverter algumas atrofias de tecidos,
devidas ao envelhecimento, induzindo a síntese de telomerase.
Um estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros e norte-americanos
descobriu que hormônios sexuais masculinos podem ser usados para estimular a produção
da enzima telomerase, substância naturalmente encontrada no corpo humano e associada
ao conceito de “elixir da juventude” celular. Testada em pacientes com doenças genéticas
associadas a mutações no gene codificador da telomerase, como anemia aplástica e fibrose
pulmonar, a estratégia se mostrou capaz de combater os prejuízos ao organismo causados
pela deficiência da enzima.
Segundo Rodrigo Calado, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e membro do Centro de Terapia Celular (CTC), à
Agência Fapesp, “um dos processos associados ao envelhecimento é o encurtamento dos
telômeros, estruturas existentes nas pontas dos cromossomos que servem para proteger o
DNA, assim como o plástico na ponta dos cadarços. Toda vez que a célula se divide, os
telômeros diminuem de tamanho, até um momento em que a célula não consegue mais se
proliferar e morre ou entra em senescência. Mas a enzima telomerase é capaz de manter o
comprimento dos telômeros intacto mesmo após a divisão celular”.
Na prática, segundo Calado, o tamanho dos telômeros permite aferir a “idade” de
uma célula, o que pode ser medido em laboratório. A fim de evitar esse envelhecimento,
algumas células conseguem, por meio da telomerase, alongar os telômeros acrescentando
sequências de DNA, mantendo assim a sua capacidade de multiplicação e sua “juventude”.
Na fase embrionária, em que todos os tecidos estão em formação, a telomerase está
expressa em praticamente todas as células. Após esse período, apenas aquelas em constante
divisão continuam sintetizando a enzima, como é o caso das células-tronco
hematopoiéticas, que dão origem a diversos componentes do sangue. “A anemia aplástica é
uma das doenças que podem ser causadas pela deficiência de telomerase. Ocorre um
envelhecimento precoce das células-tronco da medula óssea e, consequentemente,
produção insuficiente de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas. O portador fica
dependente de transfusões sanguíneas periódicas e mais suscetível a infecções”, explicou
Calado. A falta de telomerase também pode afetar o funcionamento do fígado (cirrose),
pulmão (fibrose) e outros órgãos, além de aumentar o risco de alguns tipos de câncer em
até 1.200 vezes.
Desde os anos 1960, contou o pesquisador do CTC, há evidências clínicas de que
pacientes com anemia aplástica respondem bem ao tratamento com hormônios masculinos
(andrógenos). Em 2009, Calado e colaboradores mostraram em artigo publicado na revista
Blood que os andrógenos – que no organismo humano são transformados em estrógenos –
se ligam a receptores de hormônios femininos existentes na região promotora do gene da
telomerase e, assim, estimulam a síntese da enzima nas células. “Este estudo que acabamos
de publicar teve como objetivo ver se também em humanos acontecia esse efeito que
havíamos observado em laboratório e os resultados indicam que sim”, disse Calado.
Segundo o pesquisador, em vez de estrógeno, optou-se por tratar os pacientes com
andrógeno porque esse tipo de droga já é usado há muito tempo em casos de anemias
congênitas e oferece a vantagem de estimular o aumento da massa de hemoglobina
(glóbulos vermelhos) – algo que o hormônio feminino não é capaz de fazer.

Ensaio clínico

O tratamento com o esteroide danazol – um hormônio masculino sintético – foi


testado durante dois anos em 27 pacientes com mutação no gene da telomerase e que
sofriam de anemia aplástica. Alguns também sofriam de fibrose pulmonar, doença
caracterizada pela substituição do tecido funcional do pulmão por tecido cicatricial.
“Um telômero de um adulto sadio tem em média de 7 mil a 9 mil pares de bases.
Um indivíduo normal perde em média, por ano, entre 50 e 60 pares de bases; um paciente
com deficiência da telomerase pode perder de 100 a 300 pares de bases por ano. No
entanto, os pacientes que receberam danazol apresentaram após dois anos um alongamento
médio de 386 pares de bases nos telômeros”, contou Calado. Além disso, a massa de
hemoglobina passou de 9 gramas por decilitro para 11 g/dL, em média. Uma pessoa sem
anemia costuma ter entre 12g/dL e 16g/dL, mas a melhora observada foi suficiente para
tornar os pacientes independentes de transfusão sanguínea.
Nos portadores de fibrose pulmonar o quadro degenerativo parou de evoluir – o que
é um grande avanço por se tratar de doença para a qual não há tratamento. “Após o término
do protocolo, a medicação foi interrompida e notamos uma queda nas contagens. Vários
pacientes voltaram a tomar a medicação, mas agora em doses menores, ajustadas
individualmente para minimizar os efeitos colaterais”, disse Calado.
Como outros esteroides anabolizantes, o danazol pode ser tóxico para o fígado,
causar atrofia testicular, no caso dos homens, e uma certa masculinização, no caso das
mulheres. Alguns pacientes que inicialmente integravam o estudo desistiram ao longo do
processo por desconfortos como câimbra e inchaço.
Em um novo protocolo atualmente em andamento no Hemocentro da USP de
Ribeirão Preto, o mesmo tipo de abordagem vem sendo testada com um outro hormônio
masculino injetável chamado nandrolona. O estudo conta com apoio da FAPESP e do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Os efeitos da
nandrolona para o fígado são bem menores que os do danazol e os resultados preliminares
estão mostrando melhora, pelo menos do ponto de vista hematológico. Os telômeros ainda
vão ser avaliados”, disse Calado.
Outra possibilidade futura ponderou o pesquisador, é estudar o desenvolvimento de
drogas capazes de se ligar ao receptor de estrógeno e estimular a enzima da telomerase sem
causar os demais efeitos dos hormônios anabolizantes no organismo.

Longevidade
Embora os resultados do estudo indiquem ser possível reverter com o uso de drogas
um dos fatores biológicos do envelhecimento, ainda não está claro se, em pessoas
saudáveis, os benefícios do tratamento superariam os riscos, principalmente se o uso de
hormônios sexuais estiver envolvido. “Isso precisaria ser estudado dentro de um protocolo
de pesquisa. Por exemplo, no caso da reposição hormonal pós-menopausa, há uma série de
benefícios: manutenção da massa óssea, da libido, da saúde cardiovascular. Por outro lado,
há um risco aumentado de câncer de mama. Hoje esse tratamento não é mais recomendado
de forma indiscriminada”, comentou Calado.
Na avaliação do pesquisador, é possível que alguns grupos de pessoas – como
pacientes submetidos à quimioterapia e radioterapia – possam se beneficiar no futuro de
drogas capazes de estimular a telomerase. “Tratamentos contra o câncer costumam acelerar
o envelhecimento celular e, talvez, isso possa ser revertido com o estímulo da telomerase.
Por outro lado, alongar demasiadamente os telômeros pode facilitar o desenvolvimento de
câncer, pois favorece a proliferação celular. Tudo isso ainda terá de ser investigado”,
afirmou.

Conclusão

O segredo da superlongevidade, tão sonhada pelo homem, de acordo com os


avanços científicos biológicos poderá estar nos telômeros, que são responsáveis pela
réplica de cada célula do nosso organismo. Essas estruturas, se repostas ou aumentadas em
número, prolongarão o envelhecimento humano a partir da regeneração celular igualmente
prolongada.. Meios científicos seguros que possam alterar essas estruturas poderão levar o
homem a atingir mais de cento e cinquenta anos, estando ainda jovem aos setenta..
A ciência encontrou o esconderijo onde reside o prolongamento da vida, a meta
agora, é descobrir como manipulá-lo adequadamente. A descoberta é de real importância, à
medida que levou os cientistas a estabelecerem um estreito vínculo entre tempo e telômero.
Mas antes que o homem possa viver para sempre é preciso que ele aprenda até onde pode
viver.
REFERÊNCIAS

LOPES, Reinaldo José. Hormônio consegue reverter envelhecimento de células em teste.


Folha de São Paulo. Equilíbrio e Saúde. São Paulo. 21/ 05/2016. Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/05/1773398-hormonio-consegue-
reverter-envelhecimento-de-celulas-em-teste.shtml> Acesso em 31/05/2019.

TOLEDO, Karina. Hormônio masculino reverte envelhecimento celular em ensaio clínico.


Agência FAPESP. São Paulo, 21/06/2016. Disponível em: <
http://agencia.fapesp.br/hormonio-masculino-reverte-envelhecimento-celular-em-ensaio-
clinico/23414/ > Acesso em 31/05/2019.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Telomerase

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Tel%C3%B4mero
ANEXO

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/05/1773398-hormonio-consegue-reverter-
envelhecimento-de-celulas-em-teste.shtml