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TEORIA GERAL DO DIREITO INTERNACIONAL

TEORIA GERAL DO DIREITO INTERNACIONAL

Introdução

Importância de adequar a legislação de acordo com tratados internacionais, de modo a diminuir as barreiras possíveis pelas dife-
renças de legislação. Num mundo globalizado a diminuição dessas barreiras favorece a articulação política, econômica e jurídica entre os
países. As organizações internacionais como a ONU e a OEA têm provocado o aperfeiçoamento e adequações nas legislações e tratados, de
forma a tornar mais possíveis os acordos. A área criminal é uma das que mais se beneficia com isso, o que pode ser visto com o crescente
número de tratados para o combate a crimes cometidos na esfera internacional.

Inicialmente, antes da emenda constitucional 45, os tratados internacionais tinham a natureza jurídica de leis ordinárias. Isso sem
importar a matéria do tratado internacional. Essa era uma posição muito criticada pela doutrina, que afirmava inicialmente que tratados de
Direitos Humanos deveria ter peso de norma constitucional. Isso foi efetivado através da referida emenda, que adicionou o parágrafo 3º ao
artigo 5º da Constituição. Note-se, porém, que esse novo entendimento sobre os tratados internacionais, que dá mais poder e importância
a eles, somente está se referindo ao tema dos Direitos Humanos.

O primeiro tratado internacional a ser aprovado após a efetivação da emenda constitucional foi o que trata dos direitos das pes-
soas com deficiência. Esse tratado foi construído pela Convenção das Pessoas com Deficiência da ONU, em 2007. A ratificação na legislação
brasileira ocorreu em 2008. Nesse caso é evidente a importância do tratado, que trouxe novas alternativas e garantias para a busca de
integração dos deficientes. Produziu pressão para o avanço de um tema que passou por muito tempo sem avançar no Congresso Nacional
e tem sua implementação na forma de emenda constitucional, o que garante mais força para ser aplicado.

O descumprimento de alguma parte de tratado internacional bilateral provoca, como já mencionado, o cancelamento do tratado.
Além disso, é levado em consideração o descrédito moral frente à comunidade internacional. O país que descumpra tratado pode ser
levado a julgamento nos tribunais internacionais, sendo cabível a imposição de sanção. Por outro lado, os indivíduos podem vir a ser julga-
dos pelos tribunais, o que evidencia a evolução do Direito Internacional para abarcar também o âmbito do indivíduo.

O STF pode, porém, declarar inconstitucional algum tratado internacional. Isso é possível porque o tratado tem peso de lei inter-
na. Contudo, internacionalmente não se efetivaria o cancelamento do tratado, causando um importante impasse a nível da política inter-
nacional entre os envolvidos.

Os acordos internacionais são regulados pela Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, criada em 1969, foi preparada
por uma Comissão das Nações Unidas e submetida à aprovação na Assembleia da entidade. O Brasil se tornou signatário dessa convenção
somente em 2009. Essa convenção apresenta informações para a orientação da construção de contratos entre países.

A parte introdutória será apresentada mediante os seguintes itens, sendo tratados nessa aula os três primeiros:

I. Direito Internacional Público


II. Conceito
III. Fontes
IV. Soft Low
V. Obrigações Internacionais Erga Omnes

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I. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

A principal preocupação do Direito Internacional Público são as relações entre pessoas físicas e jurídicas ultrapassando as barrei-
ras nacionais. Essas relações que ultrapassam as fronteiras serão de interesse do Direito Internacional Público. Esse campo passou por
certa evolução porque inicialmente eram sujeitos internacionais apenas os Estados e agora temos uma maior variedade de sujeitos, que
podem ser organizações internacionais, ONGs, empresas e indivíduos. Essa foi uma evolução muito rápida, visto que as inovações tecnoló-
gicas na informação e no transporte obrigaram adaptações para regulamentação das relações internacionais. Essa evolução continua a se
dar atualmente.

Essa “nova sociedade internacional” possui sua dinâmica pautada por diversos fatores como os da: política; economia; geopolíti-
ca; cultura e poder militar. O Direito, como campo de conhecimento e de poder que busca se adequar às transformações sociais, tenta
constantemente sua atualização. O Direito Internacional é um campo em que essas atualizações são ainda mais dinâmicas e intensas, o que
pode ser percebido pelas muitas mudanças que ocorreram nos últimos anos. Deve-se notar que as demandas de adaptação surgem das
transformações econômicas, com todas suas consequências, mas também dos interesses políticos. Esses são fundamentais para a forma-
ção de uma comunidade internacional que está pautada pela aceitação de bases e limites para as relações entre seus membros.

O Direito Internacional vem pautar essas relações, permitindo a convivência entre os membros da sociedade internacional. A re-
gulação das relações sociais é uma necessidade e se constrói de forma comum, das mais simples organizações humanas às mais complexas,
como é o caso das relações internacionais. Contudo, a constituição de regulações passa por um processo complexo por tratar de diferentes
realidades e expectativas de seus participantes. Isso fica evidente se tomarmos como exemplo a constituição da unidade de um país. Da
mesma forma, podemos pensar a aproximação de diferentes países, que se movem por vantagens esperadas e têm de superar suas dife-
renças em algumas áreas para tornar isso possível. O Direito Internacional é a ferramenta utilizada para efetivar esse processo, superando
conflitos potenciais e maximizando as vantagens dos participantes.

Sociedade Internacional e comunidade internacional

A doutrina do Direito Internacional apresenta a distinção entre sociedade internacional e comunidade internacional. Termos que
são utilizados como sinônimos, mas que apresentam diferenciação significativa. A sociedade internacional deve ser compreendida como
uma construção a partir da vontade das partes, com a intenção de atingir objetivos determinados. A vontade é fundamental para esse
conceito. Por outro lado, a comunidade internacional é fruto de um vínculo espontâneo e subjetivo, que não se baseia na dominação, mas
sim na harmonia. Contudo, essa diferenciação é alvo de crítica por parte dos estudiosos do tema. Argumentam que o vínculo sempre seria
baseado no interesse, portanto, na imposição da vontade de um sujeito sobre outro. Dessa forma a definição de comunidade, com sua
compreensão de sociedades harmônicas, deixaria de dividir espaço com o conceito de sociedade internacional. Essa é uma questão de
cunho mais teórico, que implica a reflexão sobre questões mais profundas inerentes à construção de conceitos, por isso pode ser passada
ao largo para nossos objetivos. Para nosso estudo basta a compreensão de que, independente do conceito, o Direito Internacional trata da
regulação entre diferentes sujeitos no âmbito internacional.

Podemos identificar as características da sociedade internacional: a) ela é Universal, que mesmo com uma política isolacionaista
terá que se relacionar com outros Estados. Para o Direito Internacional não é possível essa ambição de isolamento; b) é composta por
elementos heterogêneos, ou seja, deve considerar as características da cultura, economia, língua, etc. Isso significa que cada país tem suas
características e que estas são fundamentais para a compreensão e implementação de relações internacionais. Isso é muito discutido
quando se trata das possibilidades de efetivação de legislações internacionais, visto que as diferenças podem ser insuperáveis; c) a multi-
plicidade de agentes, que não se restringem mais somente aos Estados, mas também tratam das mais diversas organizações ou da atuação
de indivíduos. Isso pode ser verificado na evolução do direito internacional penal, que surge a partir do combate a crimes cometidos no
cenário internacional. Pode-se pensar como origem o período posterior à II Guerra Mundial, especificamente do Tribunal de Nuremberg; d)
outra característica é a desigualdade das relações entre sujeitos (Estados, ONGs, pessoa física, etc.), visto que os esses não apresentam a
mesma natureza; e) a descentralização é uma das características mais discutidas, visto tratar da inexistência de um centro de onde ema-
nem todas as determinações e de tratar da afirmação da coordenação de interesses em relação à subordinação do interesse de uns pelo de
outros. Isso também pode se verificar no estabelecimento de costumes ou acordos implícitos a nível internacional, que são respeitados
mesmo não sendo normas e não tendo um lastro legal. O exemplo mais evidente diz respeito a padrões mínimos de respeito aos direitos
humanos.

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Direito Internacional Público e Direito Internacional Privado

Cabe, nessa fase introdutória, a definição das distinções entre o conceito de Direito Internacional Público e Direito Internacional
Privado. Utilizando a definição de Paulo Henrique Gonçalves Portela, o primeiro é o ramo do Direito que regula as relações internacionais,
a cooperação internacional e temas de interesse da sociedade internacional, disciplinando os relacionamentos que envolvem Estados,
organizações internacionais e outros atores em temas de interesse internacional, bem como conferindo proteção adicional a valores caros
à humanidade, como a paz e os direitos humanos. Para o segundo, ainda segundo Paulo Henrique Portela, o Direito Internacional Privado,
constrói a definição de um Direito que regula os conflitos de leis no espaço, cuidando, essencialmente, de estabelecer critérios para deter-
minar qual a norma, nacional ou estrangeira, aplicável a relações privadas com conexão internacional, ou seja, transcendem os limites
nacionais e sobre as quais incidiria mais de uma ordem jurídica. Essa diferenciação serve para determinar os limites padrões, mas exitem
alguns casos em que esses limites são superados.

Dualismo e monismo

A diferença entre o Direito Internacional Público e o Direito Interno traz significativo potencial de conflito, visto que os preceitos
de cada um deles normalmente entram em choque. A interpretação desse problema gera diferentes interpretações, sendo as duas mais
importantes: dualista e monista. A teoria dualista aponta para a existência de direitos particulares de cada Estado, que coexistem de forma
compreensível e aceitável. Já a teoria monista compreende que apenas existe um ordenamento jurídico a se considerar. Essa categoria é
dividida em internacionalista e nacionalista, contudo, essa divisão não é absoluta para alguns autores. Portanto, esses dois tópicos podem
aparecer juntos ou serem a mesma base de uma pesquisa.

O monísmo internacionalista surgiu a partir da escola de Viena. Hans Kelsen é um dos nomes mais significativos dentro dessa
compreensão. Ele defende que o ordenamento jurídico é uno e que o Direito das Gentes é hierarquicamente superior. Essa teoria é consi-
derada produtora de um monísmo radical, porque afirma que os ordenamentos internacionais devem sobrepujar os internos, em caso de
conflito entre os dois. Moderada é a compreensão de Alfred von Verdross, pois não acha que a norma interna se invalidaria em caso de
conflito. O Estado poderia aplicar a norma internacional, mas eventualmente o descumprimento dessa norma não causaria grandes impac-
tos. Dessa forma, num caso de conflito, um sujeito poderia estar cometendo um crime a nível internacional enquanto permanece de acor-
do com a lei nacional. No Brasil podemos ter como exemplo a decisão do STF sobre a imprescritibilidade dos delitos, gerado pela inclusão
do país num tratado sobre crimes imprescritíveis para questões de direitos humanos. O STF compreendeu que pelo Direito interno a pres-
critibilidade era possível, sendo essa decisão recorrida às Cortes Internacionais. A decisão foi de que o país deveria se integrar a esse trata-
do. Outra perpectiva para o monísmo internacionalista é fruto da Convenção de Viena (sobretudo pelo que se encontra no Art. 27) e dos
resultados da Corte Permanente de Justiça Internacioanl que antecedeu a Corte Internacional de Justiça.

O monísmo nacionalista é fundado sobre a soberania estatal e absoluta, que aponta para a soberania do Direito Interno. Hegel é
o principal expoente dessa vertente, visto que afirma que as normas internacionais somente teriam resultado em algum país quando tives-
sem relação com as normas internas.

No Brasil as duas teorias estão presentes de forma mesclada. A recepção dessas teorias ocorreu de forma a permitir que ambas
sejam aceitas, em muito dependendo do caso que se trata. Podemos perceber essa configuração através de alguns exemplos nacinoais. O
julgado do ministro Celso de Mello (ADI-MC1480/DF 2001) afirma que: “É na Constituição da República - e não na controvérsia doutrinária
que antagoniza monístas e dualístas - que se deve buscar a solução normativa para a questão da incorporação dos atos internacionais ao
sistema de direito positivo interno brasileiro.” Isso demonstra que a interpretação do julgador, seguindo a Constituição, irá determinar qual
tendência se irá seguir.

Na Constituição Federal os trechos que tratam do Direito Internacional e são, por isso, a base para sua aplicação:

- Artigo 5º § 1º - “As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.” Isso significa
que independe de decreto presidencial, ou de algum mecanismo burocrático, para receber um tratado internacional
perante a legislação interna.
- Artigo 5º § 2º - “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos
princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.” Esse
parágrafo pode ser interpretado como a aceitação a princípio de tratados internacionais.

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- Artigo 5º § 3ª - “Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
emendas constitucionais.” Esse parágrafo foi adicionado mediante Emenda Constitucional 45, é onde temos a definição
mais expressa sobre os tratados internacionais. Considera-se como uma adequação importante frente às necessidades
geradas pelas demandas internacionais.

II. CONCEITO DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

De modo sintético, pode ser exposto através das seguintes características:

- Existindo sociedade, existirão normas para regular a convivência;


- Evolução do conceito clássico do século XVII em que os Estados eram os únicos sujeitos do Direito Internacional, visto
que a partir do século XX as organizações internacionais passaram a integrar esta sociedade internacional;
- A atual dinâmica das relações internacionais tem alterado essa concepção, tendo a participação direta de sujeitos como
pessoas e empresas.

Com o fenômeno recente das alterações relativas aos sujeitos internacionais, a doutrina oscila entre um conceito clássico e um
conceito moderno de Direito Internacional. Contudo, a perspectiva moderna torna-se cada vez mais aceita na doutrina e na política dos
Estados.

Tomando as contribuições de dois renomados autores para a definição da evolução do Direito Internacional no que toca à incor-
poração de outros protagonistas. Celso de Albuquerque Mello: “o conjunto de normas que regula as relações externas dos atores que
compõem a sociedade internacional. Tais pessoas internacinoais são as seguintes: Estados, organizações internacionais, o homem, etc.”
Por sua vez, Guido Fernando Silva Soares: “o Direito Internacional Público, de uma perspectiva tradicional poderia ser definido como um
sistema de normas e princípios jurídicos que regula as relações entre os Estados. Na atualidade, contudo, tal definição é por demais estrei-
ta, uma vez que não contempla um dos grandes destinatários de suas normas, a pessoa humana, nem situações particulares de outros
sujeitos de Direito Internacional Público, que não são Estados.

III. FONTES

Começamos a tratar desse aspecto pelas fontes materiais, que são os elementos que provocam o aparecimento de normas jurídi-
cas. Servem como base para a geração das normas jurídicas com todos seus fundamentos (filosófico, sociológico, político, econômico, etc.).
Podemos tomar como exemplo as atrocidades promovidas durante a II Guerra Mundial e os processos de julgamento que as sucederam,
visto que esse processo tornou-se fundamento para muitas das definições de Direitos Humanos que passaram a vigorar.

Existem também as fontes formais, que são o modo de revelação e exteriorização das normas jurídicas e valores que elas preten-
dem tutelar. São elas o processo de elaboração das normas. Podem ser: estatutárias, que são aquelas previstas no Art. 38 do estatuto da
Corte Internacional de Justiça (CIJ); ou extra-estatutárias, que são os atos unilaterais dos Estados, deciões das Organizações Internacionais,
soft law, ius cogens.

Exposta essa divisão de forma esquemática e sintética, passemos para uma explicação mais detida de cada uma delas. As fontes
estatutárias estão baseadas no ordenamento da Corte Internacional, como já apresentado, seguindo específicamente o Art. 38 da CIJ, que
tem como principais definições:

1. A Corte, cuja função é decidir de acordo com o direito internacional as controvérsias que lhes forem subme-
tidas, aplicará:

a) as convenções internacionais, quer gerais quer específicas, que estabeleçam regras expressamente reconheci-
das pelos Estados litigantes;

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b) o costume internacional, como prova de uma prática geral aceita como sendo direito;
c) os princípios gerais de direito reconhecidos pelas nações civilizadas;
d) sob ressalva da disposição do Art. 59, as decisões judiciárias e a doutrina dos juristas mais qualificados das di-
ferentes nações, como meio auxiliar para a determinação das regras de direito.
2. A presente disposição não prejudicará a faculdade da Corte de uma questão ex aequo et bono, se as partes
com isto concordarem.

Os tratados internacionais, seguindo as definições contidas no artigo citado, são a mais significativa fonte formais estatutárias,
chegando a cerca de 60.000 tratados. Esse número é grande também porque não há um código geral para as relações internacionais. Eles
passaram a ser mais comuns após a II Guerra, quando praticamente toda a produção de regras de direito internacional tem se dado através
de tratados. São tratados de paz, de cooperação econômica, de proteção ao meio ambiente, instrumentos constitutivos de organizações
internacionais.O grande número de tratados tornou necessário que o Estado brasileiro, através do Ministério de Relações Exteriores, apre-
sente uma descrição sintética de todos os tratados em que o Brasil está participando. Essas informações, inclusive para satisfazer interes-
ses de pesquisa, estão disponíveis no site do Ministério. A importância dada aos tratados está na maior certeza do direito oferecida pela
forma escrita, o que implica em conflitos não quanto à existência do direito, mas em relação à sua interpretação e aplicação, e na forma
pela qual entram em vigor, a qual permite que regras novas sejam rapidamente introduzidas. Por isso, a formalidade na construção dos
tratados é fundamental.

A natureza dos tratados está no acordo entre dois ou mais Estados ou outras pessoas de direito internacional. Esse acordo é
regido pelas determinações do direito internacional e não, evidentemente, nas regras do direito interno. Por fim, sua natureza é definida
em serem normas escrita.

O fundamento da obrigatoriedade dos tratados: o pacta sunt servanda. Segundo princípio firmado na Carta das Nações Unidas e
retomado na Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados de 1969 (art. 26), os tratados obrigam as partes ao seu cumprimento. Essa
obrigação é regulamentada pelas normas internas de cada país, de modo que sua implementação seja plena. Contudo, em caso de des-
cumprimento pela mudança da conjuntura interna o país tem a obrigação de renunciar ao tratado internacional. Dessa forma, um país não
pode escolher não cumprir alguns de seus pontos. Um tratado gera a possibilidade de responsabilização do país que não o cumprir, isso
será feito frente à Comunidade Internacional.

Bilaterais e multilaterais

Os tratados são classificados em bilaterais ou multilaterais, de acordo com o número de partes envolvidas. Outra distinção den-
tro dos multilaterais, embora com controvérsia na doutrina, reconhece a existência de tratados multilaterais gerais ou tratados normati-
vos, cujo elemento distintivo não é tanto o número de partes, mas sua tendência para a universalidade. Ou seja, o tratado multilateral
geral é aquele que pretende conter uma disciplina aplicável a todos os membros da Comunidade Internacional. Essa é uma ambição que
pode significar a imposição ou superação da autonomia completa de alguns países. Outra distinção está em tratados solenes, que são
celebrados segundo uma forma tradicional e necessitam de ratificação para serem eficazes, ou tratados em forma simplificada prescindem
de ratificação. Pode-se afirmar que os tratados solenes apresentam maior aceitação e poder no cenário internacional, justamente por
ocorrer mediante ratificação da comunidade.

Espécies de contratos

Os tratados podem ser classificados em espécies, seguindo as contribuições de Paulo Henrique Gonçalves Portela: o acordo é um
ato firmado com número menor de participantes, geralmente utilizado para tratados de cunho econômico, financeiro, comercial e cultural;
o acordo por troca de notas é o empregado para assuntos administrativos, geralmente como interpretação ou alteração de tratados já
concluídos. É composto por uma nota diplomática do proponente e uma nota diplomática de resposta; o ajuste complementar ou acordo
complementar é definido para executar, detalhar ou regulamentar acordos mais amplos. Essa espécie é bastante importante, visto que os
tratados são estabelecidos a partir de pretensões gerais, de regulamentação de certa forma abstrata, visto que se aplica às diferentes
realidades dos países envolvidos; e a carta, que serve para a criação de organizações internacionais; a convenção é o termo utilizado para
definir acordos multilaterais que estabelecem regras gerais de Direito Internacional, sendo um termo muito utilizado e conhecido; o con-
vênio é utilizado para regular a cooperação bilateral ou multilateral. Os convênios podem se dar entre setores de Estados distintos, por
exemplo, a cooperação entre dois Judiciários; a declaração serve para consagrar princípios e firmar a posição comum dos Estados sobre
determinado assunto; o memorando de entendimento registra princípios básicos para orientação dos signatários, casos como a da reação

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simplificada; o modus vivendi estabelece exigências temporárias antes que se firme, definitivamente, um instrumento de validade interna-
cional; o pacto faz com que os tratados se revistam de importância política, mas com matéria mais específica que tratados em geral; o
protocolo é utilizado como instrumento complementar ou explicativo de tratado anterior.

Costumes

Deixamos as fontes e passamos aos costumes no direito internacional. A definição básica destes é a de prática geral, uniforme e
reiterada dos sujeitos de Direito Internacional, reconhecida como juridicamente exigível. Dessa forma, o costume, ao lados dos tratados, é
uma das mais importantes fontes nesse segmento do direito. Sua importância é revelada em diversos julgamentos baseados na existência
de costumes em determinadas sociedades. São ditados pela evolução econômica e social ao longo do tempo, sendo reconhecidas como
obrigatórias. Os costumes são estabelecidos a partir de uma prática comum constante, evolutiva e fundada na consciência de sua obrigato-
riedade. Isso se verifica na experiência social, mas também na entendimento histórico dos tribunais.

Por não termos um tratado escrito o costume é ainda mais importante, tendo peso de obrigatoriedade quando é costume jurídi-
co. Esse é constituído por dois fundamentos a considerar sua obrigatoriedade: elemento material (local, prática e tempo) e o psicológico
(convicção geral da obrigatoriedade deste uso). A justificação da utilização do costume no âmbito internacional é feita por duas correntes
doutrinárias: a voluntarista, onde o fundamento do costume está no consentimento tácito dos Estados que concordassem com certa práti-
ca; e a objetiva, que afirma ser expressão de uma regra objetiva, exterior e superior à vontade dos Estados (Erga omnes).

Princípios gerais do Direito

Mais uma fonte trazida pelo artigo 38 da Corte Internacional de Justiça (CIJ) é a dos Princípios Gerais de Direito. São normas de
caráter genérico e abstrato que incorporam os valores que fundamentam a maioria dos sistemas jurídicos que auxiliam na elaboração e
interpretação de preceitos do direito internacional. O professor Luis Fernando Franceschini apresenta um estudo sobre o tratamento juris-
prudencial dos princípios gerais de direito em suas várias formas: a primeira delas, referendada por Kelsen, Anzilotti e Schell, coloca em
dúvida a própria existência de princípios gerais de direito reconhecidos por nações civilizadas, seja pelo desconhecimento do número satis-
fatório para fazer um um princípio de direito reconhecido internacionalmente. Para estes autores, os princípios gerais de direito derivavam
dos costumes. A segunda, aliados a Verdross, defende os princípios gerais de direito como um conjunto de princípios reconhecidos e pre-
sentes nos ordenamentos nacionais, entre os quais se deveriam distinguir quais princípios tomariam a qualidade de princípios genuina-
mente internacionais, subsidiariamente aos tratados e costumes.

A questão imposta é se os princípios gerais de direito são simples fontes de decisão ou regra geral para as relações internacio-
nais, independentemente das razões de sua produção. Essa é uma discussão a respeito dos princípios gerais do direito, se eles são simples
fontes ou se são regra geral nas decisões no âmbito do direito internacional.

São princípios gerais de direito internacional: soberania nacional; não-intervenção; igualdade jurídica entre Estados; autodeter-
minação dos povos; cooperação internacional; solução pacífica de controvérsias internacionais; proibição da ameaça ou uso da força; e
complementariedade das Cortes Internacionais, ou seja, considera-se inicialmente as normas e estruturas internas dos países.

No âmbito da ONU, sob égide da Carta das Nações Unidas (Art. 1 e 2), a aplicação e interpretação de princípios gerais de direito
internacional vem provocando uma verdadeira revolução em conceitos basilares do direito internacional, fortes movimentos renovadores
na estática estrutura deste mesmo direito.

Os desafios da Comunidade Internacional estão na insuficiência dos tradicionais sistemas de solução de controvérsias e na função
meramente “reparadora” dos órgãos jurisdicionais internacionais, que não respondem a questões que exigem medidas imediatas e efica-
zes para a efetiva proteção dos interesses da Comunidade. Os problemas não se resumem mais a reparação de direitos, mas à sua própria
preservação. O maior exemplo disso é a questão do direito ambiental, na medida em que a preservação é prioritário em relação a repara-
ção.