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12'VF

PODERJUDICIARIO DA UNIÃO
SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL
l 2 a VARA

PROCESSO N°: 1229-82.2018.4.01.3400


CLASSE 13101: AÇÃO PENAL
RÉUS: JOSÉ ROBERTO ARRUDA E OUTROS

DECISÃO

1. Cuida-se de acão penal instaurada em desfavor de JOSÉ ROBERTO

ARRUDA, FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ, JOSÉ WELLINCTON MEDEIROS DE ARAÚJO e

SÉRGIO LÚCIO SILVA DE ANDRADE em razão da suposta prática das condutas tipificadas

no artigo 288 do Código Penal; artigo 2°, §4°, II, da Lei nr. l 2.850/201 3; artigo 90 da Lei

8666/93, artigo 317, §1°, do Código Penal, artigo 1° da Lei 9.613/98; artigo 333 c/c o

§1°, do Código Penal, na forma do artigo 71, todos na forma do artigo 69 do Código

Penal Brasileiro.

2. A denúncia foi recebida em 20.04.201 8.

3. Em resposta à acusação, o acusado FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ aduz

preliminar de inépcia da inicial em razão da ausência de descrição das condutas. Afirma

que apesar da divisão fática, as denúncias ofertadas nestes autos e nos autos das ações

penais l 235-89.201 8.4.01.3400, l 231 -52.201 8.4.01.3400, apresentam conclusão única,

gerando incongruências que impossibilitam o exercício da defesa. Alega que embora a

exordial atribua ao acusado os crimes de formação de quadrilha, organização criminosa,

fraude à licitação, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, não menciona o nome do

acusado no tópico alusivo ao crime de lavagem de dinheiro. Alega a ocorrência de bis in


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idem em relação ao crime de pertencer à organização criminosa visto que as três

denúncias contra si ofertadas dizem respeito ao mesmo contexto fático e possuem

identidade entre seus integrantes. Aduz a impossibilidade de combinação entre os crimes

de formação de quadrilha e organização criminosa tendo em vista tratar-se de dupla

valoração da mesma circunstância fática. Alega que por força do princípio da

anterioridade e do enunciado da súmula 71 1/STF, a tipificação correta da conduta

atribuída ao acusado seria associação criminosa. No ponto, alega a ausência de justa

causa visto que a narrativa do Ministério Público Federal está amparada em declarações

de colaboradores apenas. Afirma que a narrativa ministerial demonstra a ausência de

estabilidade e permanência do acusado na suposta associação em razão do afastamento

de JOSÉ ROBERTO ARRUDA do cargo em 2010. Em relação ao crime de fraude à licitação,

assere que o suposto acordo de mercado envolvendo a obra do Estádio Nacional já estava

consolidado antes de a VIA ENGENHARIA fazer parte do consórcio que venceu a licitação.

Afirma que o crime de corrupção ativa, assim como as demais condutas, está amparado

em declarações de colaboradores apenas. Alega, ao admitir-se a narrativa constante da

denúncia, que o suposto crime de corrupção ativa atribuído ao réu seria decorrente do

crime de corrupção passiva imputado a JOSÉ ROBERTO ARRUDA. Aduz a ausência de

descrição do ato de ofício que deu ensejo à suposta corrupção. Afirma que a denúncia

não logrou demonstrar o oferecimento ou a promessa de vantagem por parte do acusado

ao réu JOSÉ ROBERTO ARRUDA. Alega a inexistência de menção ao nome de FERNANDO

MÁRCIO QUEIROZ quanto ao crime de lavagem de dinheiro no tópico relativo à adequação

típica das condutas. Assere que a denúncia não apresenta informação relativa à ocultação

e/ou dissimulação dos valores aptas à caracterizar o crime de lavagem de dinheiro. A

defesa arrolou testemunhas (fl. l 39).


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Processon0 1229-82.2018.4.01.3400 \. Em resposta à acusação, SÉRG

intermédio de defensor constituído, aduz a necessidade de delimitação temporal das

condutas a si atribuídas. Relativamente ao crime de pertencer à organização criminosa

aduz ter sido inserido no contexto da suposta quadrilha/organização criminosa a partir

de 2013, vez que inexiste qualquer menção ao seu nome antes de tal marco temporal.

Alega preliminar de ausência de justa causa face à atipicidade dos fatos quanto à

corrupção passiva. Afirma a impossibilidade de ter concorrido para a suposta prática de

corrupção passiva envolvendo o acusado JOSÉ ROBERTO ARRUDA vez que o mandato de

governador perdurou somente até 16/03/2010 e os fatos imputados ao acusado datam

de 201 3/2014. Alega que a denúncia, formulada em desacordo com a base fática que lhe

deu suporte, não aponta qualquer vínculo de estabilidade e permanência entre o acusado

e os demais corréus. Aduz a inépcia da inicial quanto à imputação de lavagem de

dinheiro, vez que o recebimento de valores caracteriza mero exaurimento do suposto

crime de corrupção. A defesa arrolou testemunhas (fls. 21 3 / 2 1 4).

5. Em resposta à acusação, JOSÉ ROBERTO ARRUDA aduz preliminar de

nulidade em face da ausência das mídias audiovisuais referentes às delações dos

colaboradores/lenientes. Alega a incompetência do Juízo vez que o crime de corrupção

passiva narrado na denúncia se amolda ao tipo penal descrito no artigo 350 do Código

Eleitoral. Alega a ineficácia do acordo de colaboração/leniência que deu ensejo à presente

ação penal em razão da atuação de Procurador da República denunciado pelo Ministério

Público no(s) referido(s) acordo(s). Alega a impossibilidade de integrar organização

criminosa em comum com AGNELO QUEIROZ tendo em vista tratar-se de adversário

político do acusado. Aduz a ausência de affectio criminis societatis na narrativa dos fatos

apresentadas pelo Ministério Público quanto ao crime de organização criminosa. Alega a

inépcia da inicial em razão da ausência de descrição da estrutura interna da organização


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criminosa. Afirma a ausência de provas da referida estrutura. Refere a ausência de

descrição da unidade de interesses para a obtenção de vantagem indevida. Aduz a

atipicidade da conduta de eventual cobrança de "propina" por fato pretérito. Alega a

ausência de descrição da conexão objetiva ou subjetiva entre os integrantes da estrutura

vertical da suposta organização criminosa. Assere que a denúncia não descreve a divisão

de tarefas entre os membros nem a sua forma de atuação dentro da suposta organização

criminosa. Referentemente ao recebimento de vantagem indevida sustenta a inexistência

de provas acerca da combinação ou do recebimento dos valores. Alega a ausência de

descrição dos requisitos de permanência e estabilidade da organização criminosa. Aponta

a inexistência de conexão fática comprobatória do enlace objetivo e subjetivo entre o

acusado e a ré MARUSKA LIMA DE SOUSA HOLANDA. Afirma a ausência de ligação entre os

repasses efetuados a MARUSKA LIMA DE SOUSA HOLANDA e o acusado. Aponta a

descontinuidade da estabilidade e permanência do crime de organização criminosa em

face da prisão do acusado em fevereiro/2010. No ponto, aduz a prescrição do crime

tipificado no artigo 288 do Código Penal em razão da citada prisão cautelar. Em relação

ao suposto crime de fraude à licitação, afirma a inexistência de prova da interferência do

acusado no processo pré-qualificatório das empresas para a realização da obra. Afirma a

impossibilidade de direcionamento do processo pré-qualificatório visto que o edital

passou por severa análise do TCDF e Poder Judiciário. Assere a inexistência de reunião na

residência oficial em 2009 com Clóvis Primo. Alega não ter tido ciência acerca de

encontros de grupo de estudos para fins de "confecção" de projeto executivo e de edital

na sala 903 do edifício América Office Tower. Afirma não ter desempenhado qualquer

papel, direto ou indireto com o objetivo de contratar o escritório Castro Mello. Aduz a

prescrição do crime de fraude à licitação face à interrupção do lapso prescricional em

virtude da sua prisão, ocorrida em 11 /02/2010. Menciona que em razão da sua


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segregação cautelar seria inviável a prática de condutas que viabilizassem fraudes e

quaisquer licitações. Quanto ao crime de corrupção passiva, afirma ter se aconselhado

com o advogado WELLINGTON MEDEIROS sem qualquer relação profissional estabelecida.

Afirma a inexistência de elemento corroborativo do conluio entre o acusado, o réu

WELLINGTON MEDEIROS e a empresa Andrade Gutierrez para forjar contrato de honorários

advocatícios. Alega a impossibilidade de responder pela conduta tipificada no art. 31 7 do

CPB vez que no ano de 201 3 o réu não poderia demandar propina retroativa em razão da

função. Nesse aspecto, alega a impossibilidade de caracterização de "ato de ofício"

referente a fato pretérito. Aduz a incompetência do Juízo visto que a suposta corrupção

ativa se amoldaria ao tipo descrito no artigo 350 do Código Eleitoral tendo em vista que a

própria denúncia consigna que "a data da assinatura (02/05/2014) vincula-se ao período

pré-eleitoral da campanha para Governador do DF, para qual ARRUDA pediu "apoio

financeiro" à A.G." Afirma não ter conhecimento à respeito do suposto pagamento de dois

milhões de reais ao acusado SÉRGIO LÚCIO SILVA DE ANDRADE em seu nome. Sustenta

que eventual pagamento ao acusado SÉRGIO LÚCIO SILVA DE ANDRADE configuraria

infração de natureza eleitoral visto que a denúncia consigna que "Carlos José de Souza

realizou 06(seis) pagamentos a SÉRGIO LÚCIO no Estádio Mane Garrincha com valores

oriundos do caixa 2 da AG." Afirma a inépcia da inicial bem como a ausência de justa

causa no que concerne a doação à Paróquia São Pedro. Anota que não era governador à

época das doações à igreja - l 0.05.201 O e 31.1 0.201 O - inexistindo nos autos qualquer

vínculo associativo de conexão ou correspondência entre o réu e a doação realizada.

Afirma que a denúncia não aponta as circunstâncias em que teriam sido solicitadas as

doações referidas. Assere a inexistência de ato de ofício ou relação de contraprestação

entre a doação realizada e uma suposta ação do acusado. Alega, quanto à imputação do
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crime de lavagem de dinheiro, que trata-se de crime impossível vez que o acusado não

está ligado aos fatos. A defesa arrolou testemunhas (fls. 3 5 3 / 3 5 5 ) .

6. O acusado JOSÉ WELLINGTON MEDEIROS DE ARAÚJO, em resposta à

acusação, aduz ser titular da sociedade WELLINGTON MEDEIROS ADVOGADOS

ASSOCIADOS, inscrita no CNPJ nr. 13.369.279/0001-27. Afirma que o escritório referido

foi contratado pela ANDRADE GUTIERREZ S/A em 2014, para assessorá-la no exame de

Edital de Pré-Qualificação nr. 001/2014-DER/DF, objetivando a futura licitação da obra

de implantação do Corredor Eixo Norte BRT obra estimada em mais de

l .285.000.000,00(um bilhão, duzentos e oitenta e cinco milhões de reais) a justificar o

valor dos honorários contratados, que representou aproximadamente 0,14% do valor da

obra. Suscita preliminar de inépcia da inicial em razão da ausência de descrição da

conduta. Alega, quanto à participação em associação criminosa/organização criminosa,

que o fato imputado ao acusado - datado de 2014 -- não implica qualquer tipo de

associação criminosa, vez que inexiste vínculo com os demais denunciados, à exceção de

JOSÉ ROBERTO ARRUDA. Aduz a ausência de descrição objetiva da associação integrativa

dos delitos de associação criminosa/organização criminosa e indícios da associação

estável, permanente e estruturada do acusado com os demais denunciados. Sobre os

delitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro afirma que a acusação está amparada

no mesmo fato, qual seja, a suposta simulação de honorários advocatícios. No ponto,

aduz que o Supremo Tribunal Federal consolidou orientação de que o ato que gera o

produto do crime antecedente não pode constituir a lavagem de dinheiro. Alega que a

denúncia não descreve atos próprios do acusado capazes de caracterizar o

escamoteamento consciente de bens e valores bem como não aponta dado objetivo capaz

de autorizar a conclusão de que os valores, objeto do suposto crime de lavagem de

dinheiro, teriam como destinatário o denunciado JOSÉ ROBERTO ARRUDA. Aduz excesso
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acusatório na medida em que o Ministério Público deixou de observar que as imputações

veiculadas não envolvem movimentação de recursos de origem independentes entre si ou

mesmo atos autónomos de branqueamento de capitais. Aduz que mesmo que a descrição

contida na denúncia quanto a lavagem de dinheiro fosse pertinente, ainda assim não se

poderia cogitar da incidência do artigo 69 do CPB, na medida que os pagamentos seriam

mero desdobramento da conduta delitiva consubstanciada na suposta simulação de

contrato de honorários advocatícios. Alega a ausência de justa causa para a ação penal

uma vez que as imputações baseiam-se essencialmente nas palavras de delatores e

lenientes. A defesa arrolou testemunhas (fl.571).

7. É o relato necessário.

FUNDAMENTO E DECIDO.

8. De início, em relação à imputação ao réu FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ

da prática do crime tipificado no artigo 90 da Lei n. 8.666/93, forçoso reconhecer a

ocorrência da extinção da punibilidade em razão da prescrição da pretensão punitiva

estatal tendo em visa o transcurso de mais de 08(oito) anos entre a data dos fatos

(Concorrência 001 /2009) e a data do recebimento da denúncia.

9. Ressalto que o prazo prescricional para o crime em comento tem início

a partir do ajuste/conluio entre os licitantes porquanto prescinde do efetivo prejuízo para

a sua configuração.

1 0. Por oportuno, destaco:

"(...)

2. Nos termos da jurisprudência deste Sodalício, "diversamente do que ocorre

com o delito previsto no art. 89 da Lei n. 8.666/1993, o art. 90 desta lei não

demanda a ocorrência de prejuízo económico para o poder público, haja vista

que o dano se revela pela simples quebra do caráter competitivo entre os


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licitantes interessados em contratar, ocasionada com a frustração ou com a

fraude no procedimento licitatório. De fato, a ideia de vinculação de prejuízo

Administração Pública é irrelevante, na medida em que o crime pode se

perfectibilizar mesmo que haja benefício financeiro da Administração

Pública." (REsp 1484415/DF, Rei. Ministro ROGÉRIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA

TURMAJulgado em J5/12/2015, DJe 22/02/2O16), não havendo que se falar

em necessidade de comprovação de prejuízo à Administração ou mesmo na

obtenção de lucro pelos agentes." (STJ: HC 341.341/MC). No mesmo

sentido: AgRg no RESP 160431 8/SE, AgRgResp n. 1050984/AP.

"PENAL. PROCESSO PENAL. FRAUDE EM PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. CRIME

FORMAL. DENÚNCIA APTA. DOSIMETRIA. AUTORIA E MATERIALIDADE

COMPROVADAS. APELAÇÕES DESPROVIDAS. J. Não cabe falar, em acerto, em

inépcia da denúncia depois da condenação, que faz supor que a peça

cumpriu a sua finalidade, tanto que o processo chegou ao seu fim natural.

Inepta seria a peça cujo vício de narrativa fosse tão grave que impossibilitasse

a defesa dos acusados ou mesmo a própria prestação jurisdicional. Na

espécie, a denúncia atende aos requisitos do art. 41 - CPP, embora com as

naturais dificuldades em relação aos crimes da lei de licitações, como no

caso. 2. O delito previsto no art. 90 da Lei 8.666/1993 é formal, não exigindo

para a sua consumação a efetiva ocorrência do resultado. Não há como

afastar o prejuízo ao erário, em razão da fraude ao procedimento licitatório,

tendo em vista que, o objetivo da licitação é exatamente propiciar à

administração contratar o serviço pelo menor preço. 3. Os acusados, de

forma livre e consciente, agiram para fraudar o procedimento licitatório, não

havendo prova alguma de que teriam praticado o fato induzidos pelo parecer

do procurador municipal, na forma como individualmente demonstrada pela


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sentença, exaustivamente transcrita, sendo insuficientes as razões do recurso

para afastar as do decreto condenatório. 4. As chamadas circunstâncias

judiciais, estabelecidas no art. 59 do Código Penal, matéria do primeiro

exame do julgador na fixação da pena, traduzem fatos exteriores ao tipo

penal. Assim, está correia a sentença quando concluiu que a culpabilidade

dos agentes não extrapola aquela inerente à gravidade do próprio crime

praticado, e que os motivos revelam-se ordinários nesta espécie de delito,

não havendo ajustes a considerar. 5. Apelações desprovidas." (TRF1: AP n.

2622-1 1.2011.4.01.3813).

11. Esclareço que em relação ao réu JOSÉ ROBERTO ARRUDA, não há que

se falar em prescrição quanto ao crime acima referido porquanto, por ocupar o cargo de

Governador do Distrito Federal, à época dos fatos, em tese, incide a causa de aumento

prevista no artigo 327, §2°, do Código Penal (STF: Inquérito n. 2.606/MT, Plenário).

12. Diante do exposto, DECLARO EXTINTA A PUNIBILIDADE de FERNANDO

MÁRCIO QUEIROZ, relativamente à imputação do crime tipificado no artigo 90 da Lei

8.666/93, em razão da prescrição da pretensão punitiva do Estado, em conformidade

com o disposto nos artigos 109, inciso IV e 117, inciso l do Código Penal e artigo 61 do

Código de Processo Penal.

13. Afasto a preliminar de nulidade em razão da ausência das mídias

audiovisuais referentes às delações dos colaboradores/lenientes visto que se trata de

mera irregularidade que poderá ser sanada a qualquer momento no curso do processo,

sendo certo que este Juízo, inclusive, solicitou a mídia ao Ministro Edson Facchin do

Supremo Tribunal Federal de modo à resguardar o contraditório e ampla defesa.

14. Em relação à alegação de incompetência da Justiça Federal por se

tratarem de supostos crimes eleitorais, ressente-se de amparo legal. Isso porque, não há

elementos nos autos que permitam concluir pela inexistência de crimes comuns e tão
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somente eleitorais. No caso, a denúncia imputou aos réus a prática de crimes de

corrupção ativa e passiva e narrou ter sido a vantagem ilícita recebida, também, por meio

de doação eleitoral, o que, ao menos nesse Juízo preliminar, justifica a competência da

Justiça Federal sendo certo que a questão demanda o aprofundamento da instrução

criminal.

1 5. No que se refere à alegação de inépcia da inicial quanto à imputação

dos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção, carece de amparo

legal. A denúncia narrou e descreveu condutas que, ao menos em tese, consubstanciam

os tipos penais imputados. A verificação da efetiva prática de condutas tendentes a

acobertar a origem ilícita do dinheiro, com o propósito de emprestar-lhe a aparência de

licitude, depende de provas e dever ser objeto da instrução no curso da ação penal.

16. Com efeito, a denúncia descreve os fatos imputados aos acusados de

modo objetivo e claro de forma a viabilizar a ampla defesa e o contraditório. É certo que

por se tratar de denúncia contendo múltiplos acusados e diversos crimes supostamente

praticados em concurso, não se exige a descrição pormenorizada das ações de cada um

dos envolvidos, o que deverá ser comprovado no curso da instrução criminal: "Admite-se

a denúncia geral, em casos de crimes com vários agentes e condutas ou que, por sua

própria natureza, devem ser praticados em concurso, quando não se puder, de pronto,

pormenorizar as ações de cada um dos envolvidos, sob pena de inviabilizar a acusação,

desde que os fatos narrados estejam suficientemente claros para garantir o amplo

exercício do direito de defesa. Precedentes do STJ." flHC n. 84.202/MG.DJ de

29/10/2007).

17. De igual modo, não prospera a alegação de ausência de justa causa

porquanto a denúncia baseia-se em documentos que dão suporte probatório mínimo ao

recebimento da denúncia. Nesse sentido, registro "No exame das condições da ação e/ou
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da justa causa para o exercício da ação criminal, não se mostra imprescindível a obtenção

de um juízo de certeza acerca da autoria e da materialidade delitivas, indispensável

apenas em caso de eventual julgamento do mérito. Neste momento processual, cabe

exclusivamente indagar sobre a plausibilidade da pretensão acusatória" (STJ: AP n.

885/DF, Corte Especial, Dje de 10/12/2018).

18. Carece de verossimilhança a alegação de que a denúncia está

amparada apenas em declarações de colaboradores e lenientes porquanto novos

elementos foram anexados aos autos por meio de investigação policial.

19. Ainda que assim não fosse, na linha do julgado proferido nos autos

do Inquérito n. 3982, do Supremo Tribunal Federal, "o conteúdo dos depoimentos

colhidos em colaboração premiada não é prova por si só eficaz, tanto que descabe

condenação lastreada exclusivamente neles, nos termos do art. 4°, § 16, da Lei

12.850/2013. São suficientes, todavia, como indício de autoria para fins de recebimento

da denúncia (Inq 3.983, Rei. Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, Dje de 12.05.2016)."

(STF: Inq 3982, 2a Turma, Dje 05-06-201 7).

20. Quanto à alegação de bis in idem, formulada pela defesa de

FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ em relação à imputação de organização criminosa, este

Juízo acolheu a alegação de litispendência formulada pela defesa nos autos da ação penal

nr. 1231-52.2018.4.01.3400 para o fim de extingui-la em relação à imputação de

pertinência à organização criminosa. Dessa forma, nada a prover acerca do pedido

formulado.

21. Quanto à alegada prescrição do crime tipificado no artigo 288 do

Código Penal, esclareço que a análise acerca da descontinuidade da estabilidade e

permanência da organização criminosa face à prisão cautelar do réu JOSÉ ROBERTO

ARRUDA não prescinde da instrução criminal.

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22. Por fim, esclareço que em relação à adequação típica pretendida, no

que se refere à imputação dos crimes de quadrilha/associação criminosa e organização

criminosa, deverá ser realizada por ocasião da prolação da sentença, não sendo este o

momento oportuno para tanto.

23. Carece de amparo legal a alegação de crime impossível quanto à

conduta tipificada no artigo 317 do CPB sob o argumento de que o réu JOSÉ ROBERTO

ARRUDA, desprovido de cargo público no ano de 201 3, não teria como demandar propina

retroativa em razão da função por ato supostamente ocorrido em 2009 tendo em vista o

disposto no artigo 30 do Código Penal.

24. No mais, não restaram configuradas as hipóteses conducentes à

absolvição sumária (artigo 397 do Código de Processo Penal). As defesas não trouxeram

aos autos quaisquer elementos capazes de infirmar o juízo preliminar de recebimento da

denúncia.

25. As demais questões levantadas, tal como postas pelas defesas,

constituem-se questões de mérito e como tais, no momento oportuno, serão apreciadas.

26. Destarte, designo para o dia 09 de setembro de 2019, às 14hOO, a

audiência para a oitiva das testemunhas/colaboradores/lenientes António Raimundo

Comes Silva Filho, Júlio César de Azevedo Reis, Murilo Santos e Silva e Moacir Anastácio

de Carvalho.

27. Designo, também, para o dia 10 de setembro de 2019, às l 4hOO, a

audiência para a oitiva das testemunhas/colaboradores/lenientes, Rodrigo Ferreira Lopes,


Rodrigo Leite Vieira e Gustavo Rocha Alves de Oliveira.

28. Expedir cartas precatórias para intimação e oitiva das

testemunhas/colaboradores/lenientes Rogério Nora de Sá, Clóvis Renato Numa Peixoto

Primo, Flávio Gomes Machado Filho, Carlos José de Souza, Roberto Xavier de Castro
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Júnior, Ricardo Curti Júnior, Eduardo Alcides Zanelatto, João Marcos de Almeida da

Fonseca, Marcus Vinícius Dutra Moresi e Igor Andrade Fonseca Homem mediante

videoconferência a ser agendada com este Juízo Deprecante.

29. Intimar a defesa do acusado SÉRGIO LÚCIO SILVA DE ANDRADE para

fornecer o endereço da testemunha Anselmo de Oliveira, ou substituí-la, no prazo de

cinco dias, sob pena de desistência de sua oitiva.

20. Defiro o pedido de extração de cópia dos autos, em cartório,

formulado pela defesa de AGNELO SANTOS QUEIROZ FILHO (fl. 549).

31. Cientificar o Ministério Público Federal.

32. Registrar. Intimar.

Brasília/DF, 31 de maio de 2019.

POLLYANN KELLY MACIELEDEIROS MARTINS ALVES


Juíza Federal Substituta