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História das ideias pedagógicas – Moacir Gadotti

Prefácio:

Pelo fato da educação impregnar tão profundamente a existência dos homens, a educação é
mais vivenciada do que pensada. Quase que se autobastando, parece dispensar a tarefa
esclarecedora e norteadora do pensamento. De fato, demorou para que a educação fosse objeto
de análise de teóricos.

“A escola, embora tenha de ser local, enquanto ponte de partida, deve ser universal, enquanto
ponto de chegada”.(p . 13).

Apresentação:

Gadotti afirma que a filosofia a história e a sociologia da educação oferecem os elementos


básicos para que compreendamos melhor nossas prática educativa e possamos transformá-la.
Evidenciam o fato de não podermos nos omitir diante dos problemas atuais, oferecendo
recursos para o enfrentamento lucido, firme e rigoroso. Dessa forma, Moacir Gadotti pratica
uma teoria interrogativa, dialética; buscando a unidade e a oposição de contrários, para se
deparar com uma unidade entre ação e reflexão (práxis). Traduzindo as ideias pedagógicas numa
abstração concreta.

Nesse sentido, o estudo da teoria educacional propicia a capacidade de ação individual e


coletiva, aos olhos do autor. Justamente por isso, nenhuma questão deve ser banalizada, todos
os aspectos precisam ser trabalhados, elaborados. Desse modo, estudar as diferentes práticas
pedagógicas, mostra o quanto a evolução da educação está ligada à evolução da própria
sociedade. É por isso que a história da filosofia se distingue da das ciências. As descobertas
científicas tornam as antigas obsoletas, na filosofia, tal fato não ocorre.

A reflexão filosófica auxilia na descoberta de antropologias, de ideologias subjacentes aos


sistemas educacionais, às reformas, às inovações, às concepções e às doutrinas pedagógicas e à
prática da educação. Tal trabalho seria incompleto se não mostrasse as possibilidades da
educação. A filosofia da educação, para Gadotti, está carregada de uma espécie de otimismo
crítico.

Tornando vivo o pensamento, nos apropriamos de filosofias distintas e, em confronto com a


prática educacional, transformamos novamente em coletiva.

Capítulo 15 – O pensamento pedagógico brasileiro

O pensamento pedagógico brasileiro começa a ter autonomia somente como desenvolvimento


das teorias da Escola Nova, antes disso, praticamente até o fim do século XIX, o pensamento
pedagógico brasileiro foi uma reprodução do pensamento religioso medieval. Ideais iluministas,
positivistas e liberais fizeram com que a educação brasileira pudesse dar alguns passos. A criação
da Associação Brasileira de Educação, em 1924, foi fruto do projeto liberal da educação, com
seu grande otimismo pedagógico, no sentido de reconstruir a sociedade através da educação.
Sendo assim, os debates da década de 20 superaram gradativamente a educação jesuíticas
tradicional, conservadora.

Os jesuítas tinham um caráter verbalista, retórico, livresco, memorístico e repretitivo, que


estimulava a competição através de prêmios e castigos. Discriminatórios e preconceituosos,
focaram na formação das elits colônias e difundiram nas classes populares a religião da
subserviência, dependência e paternalismo – marcados na nossa cultra até a
contemporaneidade.

O pensamento pedagógico libertário teve como principal difusora a educadora Maria Lacerda
de Moura, combatente do analfabetismo, ao orgulho tolo, à vaidade vulgar, à pretensão,
egoísmo, em suma: guerra à mediocridade, à vulgaridade e à prepotência assegurada pela
autoridade do diplome a edo bacharelado incompetente.

Outro marco da educação brasileira foi em 1938, com a fundação do Instituto nacional de
Estudos Pedagógicos, que criaria 6 anos depois a Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos.
Nesse período houve teóricos como Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Anísio Spinola, etc..

Os católicos e os liberais representam grupos diferentes, correntes opostas, porém não


antagônicas. Os primeiros desejavam imprimir uma educação de cunho espiritual, os segundos,
de cunho democrático. Contudo, os dois grupos tinham pontos em comum: representavam
apenas facções da classe dominante e, portanto, não questionavam o sistema econômico que
dava origem aos privilégios e à falta de uma escola para o povo. A mudança proposta por ambos
estava centrada no sentido estritamente educacional, ausentando-se a análise da sociedade de
classes.

Apenas com o pensamento pedagógico progressita, a partir das reflexões de Paschoal lemme,
Álvaro Vieira Pinto e Paulo Freira, é que se coloca a questão da transformação radical da
sociedade e o papel da educação nessa transformação.

Em 1948, o ministro Clemente Mariani enviou ao Congresso um projeto de lei de Diretrizes e


Bases da Educação Nacional, que só seria sancionado depois de muitas disputas e alterações,
em 1961, sendo a primeira lei geral da educação brasileira em vigor até 88. Depois da ditadura
varguista (37-45), abre-se um período de redemocratização no país que é interrompido em 64.
Nesse curto período, dois movimentos ganharam força: o movimento por uma educação
popular e o movimento em fesa da educação pública, o primeiro no setor da educação informal
e na educação de jovens e adultos, e o segundo mais concentrado na educação escolar formal.

A partir de 1988 os grupos ganharam unidade mais concreta, com o movimento da educação
pública popular, sustentado pelos partidos políticos mais engajados na luta pela educação do
povo. Esse novo movimento acredita que só o Estado pode dar conta do nosso atraso
educacional, mas sem dispensar o engajamento da sociedade organizada. Ou seja, preconiza
uma reorganização político-administrativa embasada num projeto ético-político progressista, a
partir da participação ativa e deliberativa da sociedade civil. A contribuição maior de Paulo Freire
deu-se no campo da educação de jovens e adultos, além de suas diversas contribuições para a
teoria pedagógica. Como as etapas da formação de consciência (investigação; tematização;
problematização).

No pensamento pedagógico contemporâneo, Freire situa-se entre os pedagogos humanistas e


críticos que deram um contribuição decisiva à concepção dialética da educação. Na mesma
esteira, Carlos Rodrigues Brandão desenvolveu o conceito de educação popular e de pesquisa
participante, distinguindo diferentes educações. Outros autores como Florestan Fernandes, Luiz
Pereira, Luiz E. Wanderley, Silvia Maria Manfredi e tantos outros estavam envolvidos.

A crítica da escola capitalista no Brasil foi desenvolvida, em primasia, por Marilena Chaui,
Maurício Tragtenberg, Luis Antônio Cunha e outros. Outra figura importante foi Darcy Ribeiro,
desenvolvedor do ambicioso projeto dos CIEP’s (Centros Integrados de Educação Pública) no Rio
de Janeiro.

Nos anos 90, o discurso pedagógico foi enriquecido pela discussão de educação como cultura,
que debatia as questões da colonização dos currículos, diferenças étnicas e de gênero, etc.
Alfredo Bosi é uma referencia nesse assunto.

Em uma perigosa simplificação, podemos apontas duas tendências gerais do pensamento


pedagógico brasileiro: a liberal e a progressista. Os primeiros defendem a liberdade de ensino,
de pensamento e pesquisa, os métodos novos baseados na natureza da criança. Pouca
interferência estatal na vida de cada cidadão partículas. (os católicos também podem ser
incluídos nesse pensamento). Reconhecem a filosofia do consenso e não da sociedade classista
conflituosa.

Os progressistas defendem o envolvimento da escola na formação de um cidadão crítico e


participante da mudança social, tendo vertentes que defendem diferentes papéis da escola.