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INQUÉRITO POLICIAL

M AT ER IAL DE
AP OIO
INQUÉRITO POLICIAL

I N Q UÉRI T O PO LI C I A L

1 . A PERS EC UÇ Ã O C RI MI N A L

Constitui-se de d ua s e t a p a s : (1) a in v e s t ig a ç ã o p r e l imin a r , gênero do qual é espécie o


inquérito policial, cujo objetivo é formar lastro probatório mínimo para a deflagração válida da
fase seguinte; e (2) o p r o c e s s o p e n a l , que é desencadeado pela propositura de ação penal
perante o Judiciário.

O inquérito policial é um p r o c e d ime n t o d e c a r á t e r in s t r ume n t a l - uma


in s t r ume n t a l id a d e p r e l imin a r , diante da natural instrumentalidade do processo penal em
face do direito penal material.

S ua imp o r t â n c ia verifica-se pelo fato de ser cediço que o processo penal fere o status dignitatis
do acusado.

F un ç õ e s do IP: (I) p r e s e r v a d o r a : embora seja prescindível, sua instauração busca evitar ações
penais sem justa causa ou infundadas, com vantagens à economia processual; (2) p r e p a r a t ó r ia :
coleta elementos de informação, protegendo a prova contra a ação do tempo e conferindo
robustez à justa causa para a ação penal.

2 . PO LÍ C I A JUD I C I Á RI A E PO LÍ C I A A D MI N I S T RA T I V A

Po l í c ia a d min is t r a t iv a o u d e s e g ur a n ç a

Atuação preventiva; visa, com o seu papel ostensivo de atuação, impedir a ocorrência de infrações.
Ex.: a Polícia Militar dos Estados-membros.

Po l í c ia j ud ic iá r ia

Atuação repressiva; age, em regra, após a ocorrência de infrações, visando angariar elementos

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para apuração da autoria e constatação da materialidade delitiva.

Art. 144, § 4°, da CF/1988: "às polícias civis, dirigidas por delegados de carreira, incumbem,
ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações
penais, exceto as militares".

Assim, a polícia judiciária tem a missão primordial de elaboração do inquérito policial, além de
fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos
processos; realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público; cumprir os
mandados de prisão e representar, se necessário for, pela decretação de prisão cautelar (art. 13,
CPP).

Parte da doutrina, capitaneada por Denilson Feitoza, sustenta a existência de polícias judiciária e
investigativa distintas, onde as diligências referentes ao IP seriam realizadas pela polícia
investigativa, enquanto que a função de auxiliar o Poder Judiciário recairia sobre a polícia
judiciária. A Lei n° 12.830/2013, no seu artigo 2°, parece adotar esta concepção, ao dispor que "as
funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exercidas pelo delegado de polícia
são de natureza jurídica”.

3 . C O N C EI T O E F I N A LI D A D E

Pr o c e d ime n t o a d min is t r a t iv o , p r e l imin a r , presidido pelo d e l e g a d o d e p o l í c ia , no


intuito de identificar o autor do ilícito e os elementos que atestem a sua materialidade (existência),
contribuindo para a formação da opinião delitiva do titular da ação penal.

Art. 2º, §1o, Lei nº 12.830/2013: ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade policial,
cabe a condução da investigação criminal por meio de inquérito policial ou outro procedimento
previsto em lei, que t e m c o mo o b j e t iv o a a p ur a ç ã o d a s c ir c un s t â n c ia s, d a
ma t e r ia l id a d e e d a a ut o r ia d a s in f r a ç õ e s p e n a is .

Como os e l e me n t o s d e in f o r ma ç ã o colhidos no inquérito policial não são produzidas por


juiz, porém pela autoridade policial, assim como não há contraditório ou procedimento dialético -
salvo, excepcionalmente, quando se vislumbra a irrepetibilidade da prova -, tecnicamente não é
correto chamar-lhes de "provas":

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Art. 155, caput, do CPP: o juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida
em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e
antecipadas.

Muito embora os diplomas acima mencionados não tratem expressamente do tema, não se pode
negar que o inquérito policial também c o n t r ib ui p a r a a d e c r e t a ç ã o d e me d id a s
c a ut e l a r e s n o d e c o r r e r d a p e r s e c uç ã o p e n a l , onde o magistrado pode tomá-lo como
base para proferir decisões ainda antes de iniciado o processo, como por exemplo, a decretação
de prisão preventiva ou a determinação de interceptação telefônica.

Por fim, vejamos a seguinte súmula:

Súmula 444, do STJ: é v e d a d a a ut il iz a ç ã o d e in qué r it o s p o l ic ia is e a ç õ e s p e n a is e m


c ur s o p a r a a g r a v a r a p e n a - b a s e .

Tal súmula prestigia o princípio da presunção de inocência e reforçando o caráter preparatório


próprio do inquérito.

3 .1 . N a t ur e z a j ur í d ic a

Procedimento de índole a d min is t r a t iv a (rege-se pelas regras do ato administrativo em geral).

3 .2 . Ve r if ic a ç ã o d e p r o c e d ê n c ia d a s in f o r ma ç õ e s r e c e b id a s p e l o D e l e g a d o
(V PI )

Procedimento simplificado, iniciado de forma prévia ao IP, p a r a c o n s t a t a ç ã o d e e l e me n t o s


mí n imo s d e in s t a ur a ç ã o , de modo que o IP não seja instaurado temerariamente:

Art. 5º, § 3o, CPP: Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração
penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade
policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

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Uma vez iniciado o VPI, s e s ub me t e a o s is t e ma d e a r quiv a me n t o, p o r me io d e
r e que r ime n t o d o MP a o Juiz :

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o


arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de
considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação
ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público
para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a
atender.

3 .3 . D e s t in a t á r io s

I me d ia t o s o u d ir e t o s : o MP ou o ofendido, e, eventualmente, seus sucessores


processuais;
Me d ia t o s o u in d ir e t o s : o juiz.
O BS .: No p r o c e d ime n t o e s p e c ia l d o Júr i , o destinatário será o juiz da instrução
preliminar, que conduz o processo em primeira fase (judicium accusationes ou de admissibilidade).
Entende Nestor Távora que os jurados só são destinatários das provas periciais irrepetíveis
(posição minoritária).

4. I N Q UÉRI T O S N Ã O PO LI C I A I S

Art. 4º, CPP: A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de
suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua
autoria.

Parágrafo único. A c o mp e t ê n c ia d e f in id a n e s t e a r t ig o n ã o e x c l uir á a d e


a ut o r id a d e s a d min is t r a t iv a s , a que m p o r l e i s e j a c o me t id a a me s ma f un ç ã o .

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a ) I n qué r it o s p a r l a me n t a r e s

Patrocinados pelas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs):

Le i 1 .5 7 9 / 5 2

Art. 1º: As Comissões Parlamentares de Inquérito, criadas na forma do § 3º do art. 58 da


Constituição Federal, terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de
outros previstos nos regimentos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com ampla
ação nas pesquisas destinadas a apurar fato determinado e p o r p r a z o c e r t o .

Parágrafo único. A c r ia ç ã o de Comissão Parlamentar de Inquérito dependerá de


r e que r ime n t o d e um t e r ç o d a t o t a l id a d e d o s me mb r o s d a C â ma r a d o s
D e p ut a d o s e d o S e n a d o F e d e r a l , e m c o n j un t o o u s e p a r a d a me n t e .

Art. 2º No exercício de suas atribuições, p o d e r ã o a s C o mis s õ e s Pa r l a me n t a r e s d e


I n qué r it o determinar diligências que reputarem necessárias e requerer a convocação de
Ministros de Estado, tomar o depoimento de quaisquer autoridades federais, estaduais ou
municipais, ouvir os indiciados, inquirir testemunhas sob compromisso, requisitar da
administração pública direta, indireta ou fundacional informações e documentos, e transportar-
se aos lugares onde se fizer mister a sua presença.

Art. 3º, § 1o, Em caso de não comparecimento da testemunha sem motivo justificado, a sua
intimação será s o l ic it a d a a o j uiz c r imin a l da localidade em que resida ou se encontre, nos
termos dos arts. 218 e 219 do CPC.

Art. 3o-A: Caberá ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, por deliberação desta,
s o l ic it a r , em qualquer fase da investigação, a o j uí z o c r imin a l c o mp e t e n t e medida
cautelar necessária, quando se verificar a existência de indícios veementes da proveniência ilícita
de bens.

O BS .: O poder de condução coercitiva e a imposição de medidas cautelares restritivas de direitos


é reservado ao Poder Judiciário, exigindo-se decisão fundamentada que evidencie o atendimento
dos pressupostos legais.

Le i n º 1 0 .0 0 1 / 2 0 0

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Art. 1º: Os Presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso
Nacional e n c a min h a r ã o o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito respectiva, e a
resolução que o aprovar, a o s c h e f e s d o Min is t é r io Púb l ic o d a Un iã o o u d o s
Es t a d o s, o u a in d a à s a ut o r id a d e s a d min is t r a t iv a s o u j ud ic ia is c o m p o d e r d e
d e c is ã o, c o n f o r me o c a s o, p a r a a p r á t ic a d e a t o s d e s ua c o mp e t ê n c ia (Nesse
sentido, o art. 6º-A da Lei 1.579/52).

Art. 2 º A a ut o r id a d e a que m f o r e n c a min h a d a a resolução in f o r ma r á ao remetente,


no prazo d e t r in t a d ia s, a s p r o v id ê n c ia s a d o t a d a s o u a j us t if ic a t iv a p e l a
o mis s ã o .

Parágrafo único. A a ut o r id a d e que p r e s id ir p r o c e s s o o u p r o c e d ime n t o ,


administrativo ou judicial, in s t a ur a d o e m d e c o r r ê n c ia d e c o n c l us õ e s de Comissão
Parlamentar de Inquérito, c o mun ic a r á , s e me s t r a l me n t e , a f a s e e m que s e e n c o n t r a ,
a t é a s ua c o n c l us ã o .

Art. 3º O processo ou procedimento referido no art. 2o terá p r io r id a d e s o b r e qua l que r


o ut r o , exceto sobre aquele relativo a pedido de habeas corpus, habeas data e mandado de
segurança.

Súmula 397, STF: o poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso
de crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em
flagrante do acusado e a realização do inquérito.

O BS . : Sobre tal súmula, pondera Nestor Távora, parafraseando Rômulo Moreira, que cabe à
polícia legislativa a simples voz e efetivação da prisão em flagrante do autor do fato; a l a v r a t ur a
d e a ut o d e p r is ã o e m f l a g r a n t e e a r e a l iz a ç ã o d e in qué r it o p o r d e l it o o c o r r id o
n a s d e p e n d ê n c ia s d a s c a s a s l e g is l a t iv a s d a Un iã o s ã o a t r ib uiç õ e s d a p o l í c ia
fed er al ;

(b ) I n qué r it o s p o l ic ia is mil it a r e s

Conforme o art. 8º, CPPM, estão a cargo da polícia judiciária militar, composta por integrantes da
carreira. Nada impede que sejam r e quis it a d o s à p o l í c ia c iv il e r e s p e c t iv a s r e p a r t iç õ e s
t é c n ic a s pesquisas e os exames necessários a subsidiar o inquérito militar. O s c r ime s d o l o s o s
c o n t r a a v id a praticados por militar contra civil (competência do tribunal do júri, art. 82, § 2°,
do CPPM), são passíveis de inquérito militar. Nada impede que seja também instaurado inquérito
policial no âmbito da polícia civil.

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c ) I n qué r it o c iv il

É p r e s id id o p e l o MP e objetiva reunir elementos para a propositura da a ç ã o c iv il p úb l ic a ,


além de poder embasar a ç ã o p e n a l (art. 8°, § 1°, da Lei n° 7.347/1985).

d ) I n qué r it o j ud ic ia l

Tratado na antiga Lei de Falências (Dec-Lei n° 7.661/1945), consistia em um procedimento


preparatório para a ação penal, presidido pelo juiz de direito, e irrigado pelo princípio do
contraditório e da ampla defesa. A atual Lei de Falências, contudo, revogando o diploma anterior,
não disciplinou o instituto, de sorte que o inquérito judicial se encontra revogado.

Por outro lado, o art. 3°, da revogada Lei no 9.034/1995 (crime organizado) autorizava que as
diligências investigatórias no âmbito das organizações criminosas fossem realizadas diretamente
pelo magistrado. Tal previsão foi revogada expressamente pelo art. 26 da Lei n° 12.850/2013 (lei
que definiu organizações criminosas). Segundo a nova lei, todas as providências investigativas
criminais que não já decorram da finalidade da atividade policial, dependerão de requerimento do
Ministério Público ou de representação da autoridade policial, ouvido o Parquet, formulado ao juiz
competente.

(e ) I n qué r it o s p o r c r ime s p r a t ic a d o s p o r ma g is t r a d o s o u p r o mo t o r e s

As investigações são presididas pelos órgãos de cúpula de cada carreira (art. 33, parágrafo único,
da LOMAN, e art. 41, parágrafo único, da LONMP).

(f ) I n v e s t ig a ç õ e s e n v o l v e n d o a ut o r id a d e s que g o z a m d e f o r o p o r p r e r r o g a t iv a
d e f un ç ã o

Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser indiciada. Existem duas
exceções previstas em lei de autoridades que não podem ser indiciadas: a) Magistrados (art. 33,
parágrafo único, da LC 35/79); b) Membros do Ministério Público (art. 18, parágrafo único, da LC
75/93 e art. 41, parágrafo único, da Lei nº 8.625/93). Excetuadas as hipóteses legais, é
plenamente possível o indiciamento de autoridades com foro por prerrogativa de função. No

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entanto, para isso, é indispensável que a autoridade policial obtenha uma autorização do Tribunal
competente para julgar a autoridade com foro por prerrogativa de função. Ex: em um inquérito
criminal que tramita no STJ para apurar crime praticado por Governador de Estado, o Delegado
de Polícia constata que já existem elementos suficientes para realizar o indiciamento do
investigado. Diante disso, a autoridade policial deverá requerer ao Ministro Relator do inquérito
no STJ autorização para realizar o indiciamento do referido Governador. Chamo atenção para o
fato de que não é o Ministro Relator quem irá fazer o indiciamento. Este ato é privativo da
autoridade policial. O Ministro Relator irá apenas autorizar que o Delegado realize o indiciamento.
STF. Decisão monocrática. HC 133835 MC, Rel. Min. Celso de Mello, j. em 18/04/ 2 0 1 6 (Info
825).

A T EN Ç Ã O !!! N O V I D A D E 2 0 1 8 !!! [1 ]

STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 0 3 / 0 5 / 2 0 1 8 .

Segundo o entendimento acima, a autoridade policial e o MP não podiam investigar eventuais


crimes cometidos por Deputados Federais e Senadores, salvo se houvesse uma prévia
autorização do STF. Assim, eles deveriam remeter os indícios à Procuradoria Geral da República
para que esta fizesse requerimento pedindo a autorização para a instauração de investigação
criminal envolvendo essa autoridade. Essa investigação era chamada de inquérito criminal (não
era inquérito "policial") e deveria tramitar no STF, sob a supervisão judicial de um Ministro-
Relator que iria autorizar as diligências que se fizessem necessárias.

I n v e s t ig a ç õ e s c r imin a is e n v o l v e n d o D e p ut a d o s F e d e r a is e S e n a d o r e s
D EPO I S d a A P 9 3 7 Q O

S it ua ç ã o A t r ib uiç ã o p a r a in v e s t ig a r

Se o crime foi praticado antes da diplomação Polícia (Civil ou Federal) ou MP.

Não há necessidade de
Se o crime foi praticado depois da diplomação (durante
autorização do STF
o exercício do cargo), mas o delito não tem relação com
as funções desempenhadas. Medidas cautelares são deferidas
pelo juízo de 1ª instância (ex:
Ex: homicídio culposo no trânsito.
quebra de sigilo)

Polícia Federal e Procuradoria

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Se o crime foi praticado depois da diplomação (durante Geral da República, com
o exercício do cargo) e o delito está relacionado com as supervisão judicial do STF.
funções desempenhadas.
Há necessidade de autorização
Ex: corrupção passiva. do STF para o início das
investigações.

O BS ERV A Ç Õ ES :

- O STF decidiu que essa nova linha interpretativa deve se aplicar imediatamente aos processos
em curso, ou seja, já vale a partir da data do julgamento da questão de ordem (03/05/2018).

- A decisão proferida na AP 937 QO restringindo o foro abrange, em um primeiro momento,


apenas Deputados Federais e Senadores. Isso porque, formalmente, a questão de ordem discutia
apenas a situação de parlamentares federais. A tendência, contudo, é que o STF estenda essa
mesma interpretação para outras autoridades.

(g ) I n v e s t ig a ç õ e s p a r t ic ul a r e s

Embora carente a regulamentação no âmbito do processo penal, não há óbice à condução


paralela de investigação pela defesa do indiciado (investigação criminal defensiva), desde que não
ofenda direitos individuais fundamentais.

A investigação defensiva, no entanto, poderá ser controlada pelo Judiciário, mormente se houver
excesso.

O Projeto de Código de Processo Penal (art. 13, Projeto no 156/2009), a propósito, prevê
disciplina específica para tal circunstância.

N O V I D A D E LEGI S LA T I V A !!!

Lei nº 13.432/2 0 1 7 : Le i d o D e t e t iv e Pa r t ic ul a r .

Art. 2º Para os fins desta Lei, considera-se detetive particular o profissional que, habitualmente,
por conta própria ou na forma de sociedade civil ou empresarial, planeje e execute coleta de
dados e informações de natureza não criminal, com conhecimento técnico e utilizando recursos e

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meios tecnológicos permitidos, visando ao esclarecimento de assuntos de interesse privado do
contratante.

Art. 5º O detetive particular pode colaborar com investigação policial em curso, desde que
expressamente autorizado pelo contratante.

Parágrafo único. O aceite da colaboração ficará a critério do delegado de polícia, que poderá
admiti-la ou rejeitá-la a qualquer tempo.

Art. 6º Em razão da natureza reservada de suas atividades, o detetive particular, no


desempenho da profissão, deve agir com técnica, legalidade, honestidade, discrição, zelo e
apreço pela verdade.

Art. 10. É vedado ao detetive particular: (...)

IV - participar diretamente de diligências policiais;

Art. 12. São direitos do detetive particular:

I - exercer a profissão em todo o território nacional na defesa dos direitos ou interesses que lhe
forem confiados, na forma desta Lei; (...)

VI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer autoridade, contra a inobservância


de preceito de lei, regulamento ou regimento;

Deve ser rejeitada, por ausência de justa causa, a denúncia que, ao arrepio da legalidade, baseia-se
em supostas declarações, colhidas em âmbito estritamente privado, sem acompanhamento de
qualquer autoridade pública (autoridade policial, membro do Ministério Público) habilitada a
conferir-lhes fé pública e mínima confiabilidade. STF. 1ª Turma. AP 912/PB, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 7/3/2 0 1 7 (Info 856).

(h ) I n v e s t ig a ç õ e s a c a r g o d o Min is t é r io Púb l ic o

Pode o promotor de justiça instaurar procedimento administrativo investigatório (inquérito


ministerial), e colher os elementos que repute indispensáveis, dentro das suas atribuições, para
viabilizar a propositura da ação pena. Perceba que não se confunde com o inquérito policial,
atribuição da autoridade policial (art. 144, § 4°, da CF/1988). Eventuais excessos ensejam a

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responsabilidade administrativa, civil e criminal do membro do Ministério Público (STJ- HC 18.060
-lnfo463).

Súmula de n° 234, STJ: a participação de membro do Ministério Público na fase investigatória


criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.

"O Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade própria, e por prazo
razoável, investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e garantias que
assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas,
sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as
prerrogativas profissionais de que se acham investidos, em nosso País, os advogados (Lei
8.906/1994, art. 7°, notadamente os incisos I, li, III, XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da
possibilidade - sempre presente no Estado democrático de Direito - do permanente controle
jurisdicional dos atos, necessariamente documentados (enunciado no 14, Súmula Vinculante),
praticados pelos membros dessa Instituição." (Recurso Extraordinário nº 5937271)

(i) I n v e s t ig a ç õ e s p e l o s d e ma is ó r g ã o s p úb l ic o s

É possível que a autoridade administrativa que conduz procedimento para apurar faltas
disciplinares, diante da notícia de crime de ação penal pública incondicionada, extraia cópias e
remeta ao órgão do Ministério Público, podendo este valer-se de tais peças para oferecer
denúncia.

De outra vertente, a Lei no 9.613/1998 criou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras


(COAF), com atribuição, dentre outras, para identificar as operações suspeitas de práticas ilícitas
referentes à lavagem de capitais, sem prejuízo da atuação concorrente de outros órgãos. O poder
de controle e fiscalização do COAF é concretizado com a adoção da política de conhecer o
cliente (know your customer- KYC) e pode ser inferida pela conjugação dos artigos 9°, 10, III, e
14, § 3°, da Lei de Lavagem de Capitais (branqueamento de capitais, em Portugal). O fito é
compelir instituições financeiras e similares a conhecer o perfil do cliente, o costume do
correntista, detectando operações incompatíveis, suspeitas de lavagem de dinheiro. Naturalmente,
ciente o COAF de indícios de crime, deve encaminhar peças de informação ao órgão do
Ministério Público para as providências penais cabíveis.

(j ) I n v e s t ig a ç õ e s c o n j un t a s

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É possível a reunião, formal (por convênio, por exemplo) ou informal (ocasional), de esforços de
órgãos para investigar determinados delitos, a exemplo do que ocorre com a formação de forças
tarefas (task forces). Para tanto, deve haver permissivo legal, delimitando as atribuições dos
órgãos envolvidos.

A Lei n° 13.344/2016, que dispõe sobre a prevenção e a repressão do tráfico interno e


internacional de pessoas, bem como sobre a proteção às vítimas, prevê a formação de equipes
conjuntas de investigação em seu art. 5°, III, ao lado da possibilidade de cooperação entre órgãos
do sistema de justiça e segurança, nacionais e estrangeiros (inciso I) e da integração de políticas e
ações de repressão aos crimes correlatos e da responsabilização dos seus autores (inciso III).

5 . C A RA C T ERÍ S T I C A S D O I N Q UÉRI T O PO LI C I A L

5 .1 . D is c r ic io n a r ie d a d e

A fase pré-processual não tem o rigor procedimental da persecução em juízo.

O rumo das diligências (arts. 6° e 7º, do CPP) está a cargo do delegado, que pode atender ou não
aos requerimentos patrocinados pelo indiciado ou pela própria vitima (art. 14, CPP), fazendo um
juízo de conveniência e oportunidade quanto à relevância daquilo que lhe foi solicitado.

Entretanto, discricionariedade não é absoluta, vez que o Delegado não poderá indeferir a
realização do exame de corpo de delito, quando a infração praticada deixar vestígios. Havendo
denegação da diligência requerida, cabe recurso administrativo ao Chefe de Polícia, por analogia
ao art. 5°, § 2º, CPP.

Destaque-se que, apesar de não haver hierarquia entre juízes, promotores e delegados, caso os
dois primeiros emitam requisições ao último, este está obrigado a atender, por imposição legal
(art. 13, II, do CPP).

D I S C RI C I O N A RI ED A D E

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D il ig ê n c ia s Há diligências facultativas e
Arts. 6° e 7º, do CPP; obrigatórias;
r e a l iz a d a s n o
IP

Realização de acordo com


Re que r ime n t o s Conveniência e Havendo denegação, cabível recurso
d o in d ic ia d o o u oportunidade para o chefe de polícia (analogia, art.
v í t ima 5º-, §2, CPP);
do delegado;

Delegado está obrigado a


I n f r a ç õ e s que Trata-se de diligência que não pode ser
realizar exame de corpo
d e ix a m v e s t í g io denegada.
de delito.

5 .2 . Es c r it o

Prescreve o art. 9°, do CPP, que todas as peças do inquérito policial serão, num só processado,
reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. Os atos produzidos
oralmente serão reduzidos a termo. Nada impede, com base em interpretação progressiva da lei,
que outras formas de documentação sejam utilizadas, de maneira a imprimir maior fidelidade ao
ato, funcionando como ferramenta complementar à forma documental, como a gravação de som
e/ou imagem na oitiva dos suspeitos, testemunhas e ofendidos na fase preliminar (art. 405, § 1°,
CPP), por meio de sistema audiovisual.

5 .3 S ig il o s o

Art. 20, do CPP, que "a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do
fato ou exigido pelo interesse da sociedade". Este sigilo, contudo, não se estende, por uma razão
lógica, nem ao magistrado, nem ao membro do Ministério Público.

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O sigilo do inquérito é o estritamente necessário ao êxito das investigações e à preservação da
figura do indiciado, evitando-se um desgaste daquele que é presumivelmente inocente.

S ig il o in t e r n o : imposto para restringir o acesso aos autos do procedimento por parte do


indiciado e/ ou do seu advogado.

S ig il o e x t e r n o : imposto para evitar a divulgação de informações essenciais do inquérito ao


público em geral, por intermédio do sistema midiático.

Ex c e ç ã o : o a d v o g a d o do indiciado pode consultar os autos do inquérito policial, extrair cópias


e fazer apontamentos (art. 7°, XlII a XV, e §1°, Estatuto da OAB). Pode a autoridade policial
limitar o acesso aos autos de advogado que não esteja atuando no interesse do interessado, por
lhe faltar instrumento do mandato.

Súmula Vinculante n° 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo
a o s e l e me n t o s d e p r o v a que, j á d o c ume n t a d o s em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do
direito de defesa.

Le i 1 3 .2 45 / 2 0 1 6 - p a r t ic ip a ç ã o d o a d v o g a d o n a in v e s t ig a ç ã o c r imin a l

DIREITO DO ADVOGADO DE EXAMINAR OS AUTOS DE INVESTIGAÇÃO


(I N C I S O XI V )

A l t e r a o e s t a t ut o d a O A B (Le i n º 8 .9 0 6 / 9 4)

Antes Ag ora

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Art. 7º São direitos do advogado: Art. 7º São direitos do advogado: (...)
(...)
XIV - examinar, em qualquer instituição
XIV - examinar em qualquer responsável por conduzir investigação, mesmo
repartição policial, mesmo sem sem procuração, autos de flagrante e
procuração, autos de flagrante e d e investigações de qualquer natureza, findos ou
de inquérito, findos ou em em andamento, ainda que conclusos à autoridade,
andamento, ainda que conclusos à podendo copiar peças e tomar apontamentos, em
autoridade, podendo copiar peças meio físico ou digital;
e tomar apontamentos;

"Em qualquer instituição responsável por conduzir investigação": MP, as CPIs, o Conselho de
Controle de Atividades Financeiras (COAFI), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), etc.

- É necessário procuração para que o advogado tenha acesso aos autos da investigação?

• Regra: Não. Em regra, o advogado pode ter acesso aos autos da investigação mesmo que
não tenha procuração do investigado.

• Exceção: será necessário que o advogado apresente procuração caso os autos estejam
sujeitos a sigilo (art. 7º, § 10, do Estatuto da OAB).

- O art. 13, II, da Resolução 13/2006 do CNMP (que regulamenta a investigação criminal no
âmbito do MP) fica derrogado com a nova redação do inciso XIV. Isso porque neste
dispositivo da Resolução exige-se que o advogado tenha poderes específicos para ter acesso
aos autos. O inciso XIV do art. 7º do Estatuto da OAB, contudo, afirma expressamente que
não é necessário procuração, salvo se os autos forem sigilosos.

- Documentos relacionados a diligências em andamento podem ou não ser disponibilizados,


de modo a não comprometer a investigação.

Art. 7º do Estatuto da OAB, também acrescentado pela Lei nº 13.245/2016: (...)

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§ 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do
advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não
documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia
ou da finalidade das diligências.

- Inciso XIV pode ser aplicado não apenas para investigações de crimes

Repare que a nova redação do inciso XIV utiliza a expressão "investigações de qualquer
natureza". Ex.: investigações disciplinares realizadas pela Administração Pública contra seus
servidores (sindicâncias), das investigações nos âmbitos dos Conselhos Profissionais (CREA,
CRM, CRO etc.), das investigações no CADE, na CVM, além do inquérito civil do MP.

- A s úmul a v in c ul a n t e 1 4, S T F c o n t in ua v á l id a . C o n t ud o, d e p o is d a
a l t e r a ç ã o p r o mo v id a p e l a Le i n º 1 3 .2 45 / 2 0 1 6 , a in t e r p r e t a ç ã o d o
e n un c ia d o d e v e s e r a mp l ia d a p a r a a b r a n g e r qua l que r p r o c e d ime n t o
in v e s t ig a t ó r io r e a l iz a d o p o r qua l que r in s t it uiç ã o, não mais somente o
"procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária",
como prevê a literalidade do seu texto.

- Prerrogativa semelhante foi conferida ao Defensor Público:

Art. 44, LC 80/94. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública da União: (...)

VIII – examinar, em qualquer repartição pública, autos de flagrantes, inquéritos e processos,


assegurada a obtenção de cópias e podendo tomar apontamentos;

- O que acontece caso o direito do advogado de amplo acesso aos autos for desrespeitado?

- negar o direito ao advogado de acesso aos autos,

- fornecer os autos de forma incompleta (ex: não fornecer os apensos) ou

- fornecer os autos, mas antes retirar algumas peças que já haviam sido juntadas ao processo,

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...neste caso, a pessoa responsável poderá sofrer responsabilização criminal e funcional por
abuso de autoridade, nos termos do art. 3º, "j", da Lei nº 4.898/65:

Art. 3º Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:

j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional.

Além disso, o advogado poderá peticionar ao juiz requerendo o acesso completo aos autos.

DIREITO DO ADVOGADO DE ACOMPANHAR E AUXILIAR SEU CLIENTE


DURANTE O INTERROGATÓRIO OU DEPOIMENTO NO CURSO DA
INVESTIGAÇÃO (I N C I S O XXI )

Art. 7º São direitos do advogado: (...)

XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de
nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos
os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou
indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:

a) apresentar razões e quesitos;

b) (VETADO).

A doutrina majoritária e a jurisprudência sempre entenderam que não é obrigatória a presença


de advogado ou Defensor Público durante o interrogatório ou em qualquer outro
procedimento de investigação pré-processual. O que esse dispositivo garantiu foi o direito do
advogado de, se assim desejar, se fazer presente no interrogatório do seu cliente e nos demais
depoimentos. Se, no momento da realização do interrogatório, o investigado não estiver
acompanhado de advogado ou Defensor Público, a autoridade que conduz a investigação não
está obrigado a designar um defensor dativo para acompanhá-lo no ato.

O inquérito policial é inquisitorial e a ele não se aplicam as garantias do contraditório e da


ampla defesa; o fato de o investigado possuir determinados direitos fundamentais, dentre eles
o direito ao silêncio, o direito à integridade física, o direito à assistência de advogado, entre

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outros, não ilide essa característica. A exceção fica a cargo do inquérito para expulsão de
estrangeiro, no qual há previsão de um procedimento com ampla defesa e contraditório
(Decreto n.º 86.715/81).

Para que o advogado participe do interrogatório e dos depoimentos, assistindo ao seu cliente,
é necessário procuração (art. 5º, Estatuto da OAB). Contudo, se o advogado comparece ao
ato sem procuração, poderão ser adotadas duas soluções:

• Caso o investigado esteja presente, ele poderá conferir uma procuração apud acta,
registrando-se isso no termo. Aplica-se aqui, por analogia, o art. 266 do CPP (A constituição
de defensor independerá de instrumento de mandato, se o acusado o indicar por ocasião do
interrogatório.);

• Se o investigado não estiver presente, deve a autoridade que conduz a investigação permitir
a participação do advogado, determinando, no entanto, que apresente a procuração no prazo
de 15 dias, prorrogável por igual período, nos termos do § 1º do art. 5º do Estatuto da OAB.

O Delegado pode indeferir os quesitos do advogado? SIM, assim como a autoridade que
conduz a investigação (ex: Promotor), nas seguintes hipóteses, por analogia, do art. 212 CPP:

• quando a pergunta formulada puder induzir a resposta (“perguntas sugestivas”);

• quando o questionamento não tiver relação com a causa; ou

• quando a perguntar importar na repetição de outra já respondida.

Destaque-se o art. 14 do CPP: “O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão


requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade”. Obviamente,
se recusa for arbitrária, é possível ao investigado, por meio de seu advogado, formular o
pedido da diligência ao MP (no caso de recusa feita pelo Delegado em IP) ou ao Poder
Judiciário (em qualquer hipótese). Vale ressaltar, no entanto, que o indeferimento de
perguntas deve ser registrado no termo de inquirição, podendo ser, em tese, posteriormente
questionado pela defesa em juízo.

No processo penal, as perguntas são formuladas pelas partes diretamente à testemunha.


Somente ao final o juiz complementa a inquirição formulando as perguntas que entender
necessárias (art. 212 do CPP). Na investigação criminal, dá-se de forma diferente, dado seu

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caráter inquisitorial. Destarte, sendo um procedimento discricionário, o Delegado de Polícia
tem liberdade de atuação para definir qual é a melhor estratégia para a apuração do delito.

Se for negado o direito de o advogado participar do interrogatório ou depoimento = haverá


nulidade absoluta desses atos e, por consequência, nulidade também de todas as "provas" que,
direta ou indiretamente, decorrerem deles.

Aplicável aos Defensores Públicos, com base na analogia, considerando que os membros
dessa carreira exercem, no processo penal, funções semelhantes às dos advogados
criminalistas.

Ministério Público também pode acompanhar o interrogatório e depoimentos ocorridos no


inquérito policial, podendo igualmente formular perguntas e expor razões.

Ha v e n d o a r b í t r io p o r p a r t e d a a ut o r id a d e , caso se possa constatar, mesmo que


indiretamente, risco de ofensa à liberdade de locomoção do indiciado, sem prejuízo da
responsabilidade por abuso de autoridade, admite-se o manejo do mandado de segurança, da
reclamação constitucional ao STF (para fazer valer o mandamento da súmula vinculante) e até
mesmo de habeas corpus, além da possibilidade de formulação de requerimento ao juiz
competente, por meio de petição autônoma. Naturalmente, tal requerimento é fato gerador de
prevenção, fixando a competência para o futuro processo criminal (art. 7º, §12, Lei nº
4.898/1965).

Art. 20, do CPP: n o s a t e s t a d o s d e a n t e c e d e n t e s que l h e f o r e m s o l ic it a d o s, a


a ut o r id a d e p o l ic ia l n ã o p o d e r á me n c io n a r qua is que r a n o t a ç õ e s r e f e r e n t e s à
in s t a ur a ç ã o d e in qué r it o c o n t r a o s r e que r e n t e s .

Assim, afora as condenações definitivas, quaisquer outras informações de inquéritos em curso só


serão certificadas se requisitadas por magistrado, membro do Ministério Público, autoridade
policial ou agente do Estado, em pedido devidamente motivado, explicitando o uso do
documento (vide STJ - RMS 5195-1 /SP).

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A mp l ia ç ã o d o a c e s s o a o s a ut o s d e in v e s t ig a ç ã o p r e l imin a r p e l o a d v o g a d o

(a) Necessidade de assegurar maior acesso às investigações criminais

O legislador ordinário, alterando alguns dispositivos do supracitado art. 7°, do Estatuto da OAB
(alterações promovidas pela Lei n° 13.245/2016), sufragou novos enunciados para ampliar e
efetivar o direito de acesso aos autos da investigação pelo advogado.

(b) Âmbito de aplicação das disposições incluídas pela Lei nº 13.245/2016

Não se restringem ao inquérito policial, mas têm incidência sobre qualquer apuração preliminar ao
processo penal, a exemplo dos estudados acima.

(c) Sigilo e sua relação com a natureza inquisitiva do inquérito policial

Entende Nestor Távora que a lei nova não aboliu a natureza inquisitiva do inquérito, mas trouxe a
possibilidade de incidência regrada de porção do contraditório e da defesa (sem ser ampla)
assegurando a essencial "paridade de armas" à defesa técnica. Argumenta o autor que há previsão
para intervenção do advogado na produção dos elementos de informação das investigações,
similar a uma investigação defensiva, no bojo dos próprios autos do inquérito ou de outra
apuração, descrita na previsão do advogado "apresentar razões e quesitos" no curso da
investigação (art. 7°, XXI, "a”: Estatuto da OAB). Finaliza alertando que tais inovações não devem
ser entendidas como medidas aptas a conferir maior valor aos elementos de informação colhidos
nas investigações preliminares, para fins condenatórios, por exemplo.

(d) Direito do advogado do representado de examinar os autos da investigação

Art. 7°, XIV, Estatuto da OAB: é garantido ao advogado o direito de examinar, em qualquer
instituição responsável por conduzir investigação, me s mo s e m p r o c ur a ç ã o , autos de
flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos
à autoridade, podendo copiar peças e tornar apontamentos, em meio físico ou digital.

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Para consultar os autos de investigação criminal, basta ao advogado apresentar-se como tal e que
está agindo no interesse do representado (investigado ou indiciado).

Ex c e ç ã o :

§ 10, do art. 7°, do Estatuto da OAB: nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar
procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV.

Caso se verifique que o advogado não está agindo em proveito da defesa ou que está se valendo
da sua condição para divulgar informações das investigações à imprensa, a autoridade policial
deve indeferir o seu acesso aos autos. Fora dessas hipóteses, a negativa indevida de acesso aos
autos do inquérito sujeitará o encarregado da apuração à responsabilidade responsabilização
criminal e funcional por delito de abuso de autoridade (Lei n° art. 12, §7º, Lei 4.898/1965).

(e) Sigilo dos autos de investigação e autoridade responsável pelos seus limites

Primeira premissa: o sigilo de autos de inquérito policial, investigação criminal ou processo não
deve ter como destinatário o advogado; o que está documentado é plenamente acessível pelo
advogado que age, legalmente, em favor dos interesses do imputado.

Limit e s à a t ua ç ã o d o a d v o g a d o n o I P :

§ 11, do art. 7°, do Estatuto da OAB: a a ut o r id a d e c o mp e t e n t e p o d e r á d e l imit a r o


a c e s s o d o a d v o g a d o a o s e l e me n t o s d e p r o v a r e l a c io n a d o s a d il ig ê n c ia s e m
a n d a me n t o e a in d a n ã o d o c ume n t a d o s .

Q ua l a ut o r id a d e que t e m a c o mp e t ê n c ia p a r a t a n t o ?

Pr ime ir a c o r r e n t e : com tendência majoritária; é a policial, ministerial ou encarregada das


investigações, de forma fundamentada.
S e g un d a c o r r e n t e : sustenta a necessidade de decisão judicial. É o que na prática forense
se dá com a aposição de sigilo aos requerimentos de busca e apreensão, de interceptação
telefônica ou de quaisquer diligências cuja preservação de segredo seja essencial ao seu êxito.
Todos são formados em autos apartados aos da investigação preliminar e submetidos à

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apreciação do juiz. De acordo com tal orientação, a autoridade competente deve descrever,
de maneira fundamentada nos autos, a parte que deve o advogado ter acesso. Se a autoridade
policial se deparar com questão dessa natureza, e não detiver atribuição para resolvê-la,
deverá enviá-la ao juiz competente para que a examine e decida motivadamente. A p a r t e
f in a l d o a l ud id o § 1 1 , d o a r t . 7 ° , d o Es t a t ut o d a O r d e m, e x p r e s s a e s s a
a t r ib uiç ã o (c o mp e t ê n c ia ) d a a ut o r id a d e r e s p o n s á v e l (j uiz ), averbando que
deve ela observar os limites relativos a risco de comprometimento da eficiência, da eficácia
ou da finalidade das diligências.

O BS .: Po n d e r a N e s t o r T á v o r a a d e s n e c e s s id a d e d o t e o r d o § 1 1 , d o a r t . 7 ° , ora
estudado, já que tudo o que está nos autos das investigações preliminares é acessível ao advogado
do representado. O que não está naqueles autos, por outro lado, não é passível de acesso,
simplesmente por não estar ainda documentado. Po n t ua o a ut o r que me l h o r s e r ia que a
l e i d is p us e s s e e x p r e s s a me n t e s o b r e a in d is p e n s a b il id a d e d e d e c is ã o j ud ic ia l
p o r me n o r iz a d a p a r a r e s o l v e r s o b r e o s l imit e s d o s e g r e d o d a s in v e s t ig a ç õ e s e
s o b r e o d e v e r d a a ut o r id a d e in v e s t ig a t iv a r e me t e r a o j uiz a que s t ã o qua n d o
s us c it a d o ó b ic e d e a c e s s o d o a d v o g a d o a o c o n t e úd o d e d il ig ê n c ia s n ã o
f un d a me n t a d a s o u d o c ume n t a d a s . Isso porque, a rigor, o delegado de polícia não deveria
ter atribuição para resolver limites do sigilo de inquérito ou de diligências em andamento
relativamente ao advogado do imputado, como sujeito passivo do segredo, a fim de não conflitar
com as prerrogativas da advocacia na tutela dos direitos fundamentais dos investigados.

(f) Direito do advogado de se fazer presente às declarações do investigado

Art. 7°, XXI, Estatuto da OAB: é direito do advogado assistir a seus clientes investigados
durante a apuração de infrações, s o b p e n a d e n ul id a d e a b s o l ut a d o r e s p e c t iv o
in t e r r o g a t ó r io o u d e p o ime n t o e, subsequentemente, de todos os elementos
investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo,
inclusive, no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos.

O enunciado encontra compatibilidade com o inciso LXIII, do art. 5°, da C o n s t it uiç ã o : "o
preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe
assegurada a assistência da família e de advogado”.

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O dispositivo legal traz uma d up l a g a r a n t ia : o direito de presença e de assistência do causídico
e, ao investigado, a ciência de que, querendo, tem o direito de constituir ou de solicitar defensor,
antes de ser ouvido. S e o in v e s t ig a d o n ã o d e s e j a r a p r e s e n ç a d e a d v o g a d o p a r a
e s t e a t o in quis it iv o, d e v e s e r d o c ume n t a d a s ua ma n if e s t a ç ã o, d e mo d o a e v it a r
a n ul id a d e a v e n t a d a .

Se o advogado ou defensor se fizer presente, deve a autoridade policial admitir a formulação de


"r a z õ e s e que s it o s " , embora não se trate de um contraditório pleno, in c l us iv e n a
p r o d uç ã o d a p r o v a p e r ic ia l , por meio de apresentação de quesitos aos experts. Sob outra
vertente, o termo "razões" torna possível concretizar o d ir e it o d e p e t iç ã o n o s a ut o s d e
in v e s t ig a ç ã o , reduzindo o caráter unilateral da investigação, embora possa, motivadamente,
indeferi-los. Destaque-se que não há previsão de possibilidade de requisição de diligências.

(g) Nulidade do ato investigativo sem que seja assegurado ou permitido advogado

O dispositivo foi expresso ao preconizar a aplicação do princípio da consequencialidade,


ordenando que devem ser inquinados de nulidade absoluta todos os elementos investigatórios e
probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente. Com essa ferramenta,
dissipam-se as dúvidas, injustificáveis, sobre a possibilidade de controle sobre a higidez dos atos
do inquérito policial e dos demais procedimentos investigatórios.

La w fa r e
É a manipulação de meios legais disponíveis para mitigar o sigilo das investigações em detrimento
das garantias do investigado. Trata-se de a b us o d e d ir e it o que, em tese, pode ser usado pela
parte acusadora (Ministério Público ou querelante) ou pelo imputado (defesa).

No direito processual penal, g e r a l me n t e é in f e r id a p e l a a ux í l io d o s me io s d e


c o mun ic a ç ã o (mí d ia ) aos órgãos de persecução penal estatal, agravando a desproporção da
parte acusadora relativamente à defesa, eis que a técnica da lawfare, enquanto ilegítima guerra
jurídica, t e n d e a e n f r a que c e r , a in d a ma is, a ima g e m d o a c us a d o, fragilizando-o,
principalmente quando se trata de júri popular.

O c a s io n a n ul id a d e (a b s o l ut a ), por suprimir ou debilitar sobremodo o direito à ampla defesa


e ao contraditório.

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T r ia l b y me d ia o u p ub l ic id a d e o s t e n s iv a
No Brasil, a lawfare, em regra, está associada à publicidade ostensiva (trial by media), pela mídia
televisiva, c o m a b us o d o d ir e it o à in f o r ma ç ã o p a r a s e f o r ma r a n t e c ip a d a me n t e
j uí z o d e c ul p a e m d e s f a v o r d o imp ut a d o , a exemplo da deflagração de operação policial
ou de processo penal que, sistematicamente, trabalha com o envio à imprensa de informações
relacionadas aos fatos (documentos, depoimentos), para divulgação. Tal articulação, como regra,
tende a desaguar em lawfare.

5 .4. O f ic ia l id a d e

O delegado de polícia de carreira, autoridade que preside o inquérito policial, constitui-se em


órgão oficial do Estado (art. 144, § 4º, CF/1988).

5 .5 . O f ic io s id a d e

C r ime s d e a ç ã o
p e n a l p úb l ic a C r ime s d e a ç ã o p úb l ic a c o n d ic io n a d a o u a ç ã o p r iv a d a
in c o n d ic io n a d a

Atuação de ofício;
Atuação condicionada à manifestação da vítima (art. 5°, parágrafos 4°
A atuação do e 5º, PP). Assim, havendo delação anônima em crime de ação penal
delegado decorre privada, ou se se terceiro for à delegacia no lugar do ofendido não
de imperativo poderá a autoridade policial iniciar o inquérito sem a prévia autorização
legal (art. 5°, I, da vítima.
CPP).

5 .6 . I n d is p o n ib il id a d e

A persecução criminal é de ordem pública, e uma vez iniciado o inquérito, não pode o delegado de
polícia dele dispor, não podendo arquivá-lo, em virtude de expressa vedação contida no art. 17 do
CPP.

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5 .7 . I n quis it iv o

A s a t iv id a d e s p e r s e c ut ó r ia s f ic a m c o n c e n t r a d a s n a s mã o s d e uma ún ic a
a ut o r id a d e e n ã o h á o p o r t un id a d e p a r a o e x e r c í c io d o c o n t r a d it ó r io o u d a
a mp l a d e f e s a . Assim, não poderá o magistrado, na fase processual, valer-se apenas do
inquérito para proferir sentença condenatória, pois incorreria em clara violação ao texto
constitucional.

Destaque-se que há entendimento minoritário na doutrina admitindo a possibilidade de ampla


defesa na fase inquisitorial. Nestor Távora pontua que atenuar o contraditório e o direito de
defesa na fase preliminar, por suas próprias características, não pode significar integral eliminação:

Tem-se que assegurar ao indiciado não só a assistência de advogado, como direito fundamental,
mas também. a realização efetiva da defesa necessária no próprio inquérito, além da produção de
elementos que terão força probatória ao longo da persecução penal, seja para convencer o
magistrado que a inicial acusatória deve ser rejeitada, seja para lastrear habeas corpus trancativo
do próprio inquérito, ou, à luz da atual perspectiva procedimental, embasar a defesa preliminar no
intuito do êxito na obtenção do julgamento antecipado do mérito. (TÁVORA, Nestor, 2017, p.
152).

Tais doutrinadores diferenciam duas formas de exercício de direito de defesa: (1) exercício
exógeno: trata-se de manejo de técnica paralela ao inquérito, mediante o ajuizamento, por
exemplo, de ação autônoma de impugnação com o fito de obter o trancamento da investigação
preliminar (habeas corpus trancativo); (2) exercício endógeno, de forma incidente e dependente,
tal como requerimentos dirigidos à autoridade policial, declarações do acusado ou intervenção do
advogado em situação excepcional, para garantir o acatamento às garantias individuais.

O BS . : Há in qué r it o s e x t r a p o l ic ia is o n d e a d e f e s a é d e r ig o r , como no inquérito para


a decretação da expulsão de estrangeiro e aquele instaurado para apurar falta administrativa. Este
último, todavia, enfrenta resistência na jurisprudência do STF:

Enunciado n° 5, de natureza vinculante: A falta de defesa técnica por advogado no processo


administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

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J á o inquérito judicial, tratado nos arts. 103 e ss. da antiga Lei de Falências (Dec.-Lei n°
7.661/1945), que também admitia contraditório e ampla defesa, encontra-se revogado.

5 .8 . A ut o r it a r ie d a d e

O d e l e g a d o d e p o l í c ia , p r e s id e n t e d o in qué r it o p o l ic ia l , é a ut o r id a d e p úb l ic a
(art. 144, § 4', da CF).

O § 4°, do art. 2°, Lei no 12.830/2013 suscita a ideia de um princípio do delegado natural: “o
inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei somente poderá ser avocado ou
redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por motivo de interesse
público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da
corporação que prejudique a eficácia da investigação”.

Ainda há resistências da jurisprudência e da doutrina majoritária em admitir tal princípio do


delegado de polícia natural.

Corolário do princípio do delegado natural, é a imposição de l imit e s à r e mo ç ã o d a


a ut o r id a d e p o l ic ia l , que s ó p o d e r á o c o r r e r p o r a t o f un d a me n t a d o (§ 5°, art. 2°,
Lei no 12.830/2013). O art. 3°, por outro prisma, averba que e s s e c a r g o é p r iv a t iv o d e
b a c h a r e l e m D ir e it o , devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que
recebem os advogados.

5 .9 . D is p e n s a b il id a d e

O in qué r it o n ã o é imp r e s c in d í v e l p a r a a p r o p o s it ur a d a a ç ã o p e n a l (vide art. 39, §


5º, CPP). C o n t ud o, s e o in qué r it o p o l ic ia l f o r a b a s e p a r a a p r o p o s it ur a d a
a ç ã o , e s t e v a i a c o mp a n h a r a in ic ia l a c us a t ó r ia a p r e s e n t a d a (art. 12, CPP).

Embora não seja recomendável, n a d a o b s t a , d e ig ua l ma n e ir a , que a s me d id a s

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c a ut e l a r e s s e j a m d e c r e t a d a s s e m que h a j a in qué r it o in s t a ur a d o . Neste caso, será
necessária a produção de elementos informativos suficientes à decretação da medida, devendo
estes serem analisados de forma cuidadosa, já que dispensado o procedimento formal preliminar.

6 . C O MPET ÊN C I A (A T RI BUI Ç Ã O )

Apesar do parágrafo único do art 4° referir-se à competência, é certo que os d e l e g a d o s t ê m


a t r ib uiç ã o . Afinal, o termo competência é afeto aos juízes, significando a delimitação da
jurisdição.

6 .1 . C r it é r io t e r r it o r ia l

Delegado com atribuição é a que l e que e x e r c e s ua s f un ç õ e s n a c ir c un s c r iç ã o


(delimitação territorial na qual o delegado exerce as suas atividades) e m que s e c o n s umo u a
in f r a ç ã o (art. 4°, caput, CPP).

6 .2 . C r it é r io ma t e r ia l

É a segmentação da atuação da polícia, com d e l e g a c ia s e s p e c ia l iz a d a s na investigação e no


combate a determinado tipo de infração, a exemplo das delegacias especializadas em homicídios,
entorpecentes, furtos e roubos, etc.

O sistema de segurança pública está delineado no art. 144, CF, onde se vê a definição das tarefas
dos diversos órgãos que o compõem, em especial: (1) a policia federal, com atribuição definida de
forma específica referente a delitos federais e a tráfico de entorpecentes e drogas afins,
contrabando e descaminho (sem prejuízo da atuação de outros órgãos); e (2) a polícia civil, com
atribuição residual, isto é, todo delito que não for afeto à competência da União ou da Justiça
Militar, incumbe a ela apurar.

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A Le i n ° 1 0 .446 / 2 0 0 2 p r e v ê a a t ua ç ã o d a p o l í c ia f e d e r a l n o t o c a n t e a o ut r a s
in f r a ç õ e s c uj a p r á t ic a t e n h a r e p e r c us s ã o in t e r e s t a d ua l o u in t e r n a c io n a l e e x ij a
r e p r e s s ã o un if o r me , ao autorizar o Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça,
sem prejuízo da responsabilidade dos demais órgãos de segurança pública, em especial das
Polícias Militares e Civis dos Estados, proceder à investigação, dentre outras, das seguintes
infrações penais:

(1) sequestro, cárcere privado e extorsão mediante sequestro (arts. 148 e 159, CP), se o agente foi
impelido por motivação política ou quando praticado em razão da função pública exercida pela
vítima;

(2) formação de cartel (incisos I, "a'', I!, III e VII, do art. 4°, da Lei n" 8.137/1990);

(3) alusivas à violação a direitos humanos, que a República Federativa do Brasil se comprometeu a
reprimir em decorrência de tratados internacionais de que seja parte;

(4) furto, roubo ou receptação de cargas, inclusive bens e valores, transportadas em operação
interestadual ou internacional, quando houver indícios da atuação de quadrilha ou bando35 em
mais de um Estado da Federação;

(5) falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou


medicinais e venda, inclusive pela internet, depósito ou distribuição do produto falsificado,
corrompido, adulterado ou alterado (art. 273 do Código Penal). Anote-se que esta previsão
decorre de alteração legislativa promovida pela Lei n° 12.894/2013, que entrou em vigor em 17 de
dezembro de 2013.

(6) furto, roubo ou dano contra instituições financeiras, incluindo agências bancárias ou caixas
eletrônicos, quando houver indícios da atuação de associação criminosa em mais de um Estado da
Federação. Esta hipótese foi inserida pela Lei 13.124/15, que entrou em

vigor na data de sua publicação (22 de maio de 2015).

Além desses casos, que evidenciam que a in v e s t ig a ç ã o p r e l imin a r d e c r ime s d e


c o mp e t ê n c ia d a Jus t iç a Es t a d ua l n ã o é d e e x c l us iv id a d e d a p o l í c ia c iv il , cabendo
a atuação concorrente da polícia federal, o Departamento de Polícia Federal , verificando o
atendimento dos pressupostos da (a) "repercussão interestadual ou internacional" e (b) da
"exigência de repressão uniforme", procederá à apuração de outras hipóteses, desde que tal
providência seja autorizada ou determinada pelo Ministro de Estado da Justiça.

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6 .3 . C r it é r io e m r a z ã o d a p e s s o a

Le v a - s e e m c o n s id e r a ç ã o a f ig ur a d a v í t ima , tais como as delegacias da mulher, do


turista, do idoso, dentre outras.

Nada impede, nas comarcas em que exista mais de uma circunscrição policial, que a autoridade
com exercício em uma delas ordene diligências em outra, independentemente de precatórias ou
requisições, podendo ainda prontamente atuar em razão de fatos que venham a ocorrer em sua
presença (art. 22, CPP).

É me r a ir r e g ul a r id a d e o f a t o d o in qué r it o t r a mit a r e m l o c a l d iv e r s o d o d a
c o n s uma ç ã o d a in f r a ç ã o , afinal, a violação dos critérios de atribuição não tem o condão de
macular o futuro processo. O a d v o g a d o do indiciado, e n t r e t a n t o, p o d e r á imp e t r a r
h a b e a s c o r p us p a r a t r a n c a r o in qué r it o que t r a mit a ir r e g ul a r me n t e , por
desrespeito à fixação da atribuição.

C r it é r io t e r r it o r ia l C r it é r io ma t e r ia l C r it é r io e m r a z ã o d a p e s s o a

Ex.: circunscrição policial Ex.: natureza da infração Ex.: delegacia do idoso

7 . PRA ZO S

Alguns procedimentos terão prioridade na sua tramitação, a exemplo do que prevê o art. 19-A, da
Lei de Proteção a Vítimas e Testemunhas, o art. 71, do Estatuto do Idoso (Lei n' 10.741/2003), e
o art. 394·A, do CPP.

En t e n d e N e s t o r T á v o r a (Renato Brasileiro entende de maneira diferente) que: (l) e s t a n d o


s o l t o o in d ic ia d o : os prazos de conclusão do inquérito ostentam natureza processual (são
contados excluindo-se o dia do início e incluindo-se o dia do vencimento - art. 798, §§ 1° e 3°,
CPP);

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(2) e s t a n d o p r e s o o in d ic ia d o : os prazos para conclusão do inquérito recebem natureza
material para o fim de ser considerada excessiva a duração da prisão (deve ser contado incluindo-
se o dia do início - data da prisão, independentemente do horário - e excluído o dia do final). A
ausência de remessa do inquérito policial à Justiça ao final do prazo implica constrangimento ilegal
sanável via habeas corpus. Isso porque, havendo indiciado preso, o regime de tramitação deve ser
urgente, até porque existe regime de plantão nos fóruns (dias sem expediente forense, como
sábados, domingos e feriados - art. l0, CP).

7 .1 Re g r a g e r a l

Para os crimes da atribuição da p o l í c ia c iv il e s t a d ua l :

I n d ic ia d o p r e s o : 10 dias; improrrogável;
I n d ic ia d o s o l t o : 30 dias; prorrogável, a requerimento do delegado e mediante
autorização do juiz (art. 10, CPP);
- não especificou a lei qual o tempo de prorrogação nem quantas vezes poderá ocorrer, o que
leva a crer que esta pode se dar pela frequência e pelo tempo necessários, desde que haja
autorização judicial para tanto;

- também não se fez previsão quanto à prévia oitiva do MP, sendo razoável que o titular da
ação seja ouvido, afinal, estando satisfeito com os elementos até então colhidos, poderá de pronto
deflagrar a ação, sem a necessidade de maiores delongas.

7 .2 . Pr a z o s e s p e c ia is

I n d ic ia d o Pr e s o I n d ic ia d o S o l t o

15 dias (+15, mediante autorização


Po l í c ia 30 dias (art. 10, CPP); vide
judicial - art. 66, Lei n°
Federal observações da regra geral acima
5.010/1966)

C r ime s

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contra a 10 dias, sem prorrogação (§ 1º, 10 dias, sem prorrogação (§1º,
Ec o n o mia art.10, Lei nº 1.521/1951) art.10, Lei nº 1.521/1951)
Po p ul a r

30 dias (+30, conforme


90 dias (+90, conforme deliberação
deliberação judicial, ouvindo-se o
judicial, ouvindo-se o Ministério
Ministério Público, mediante
Público, mediante pedido justificado
pedido justificado da autoridade
Le i da autoridade de polícia judiciária -
de polícia judiciária - art. 51, Lei n"
a n t it ó x ic o s art. 51, Lei n" 11.343/2006)
11.343/2006)

40 dias (+20, desde que não estejam


concluídos exames ou perícias já
iniciados, ou haja necessidade de
diligências indispensáveis à
I n qué r it o s elucidação do fato - art. 20, caput, §
20 dias (art. 20, CPPM)
mil it a r e s 1°, CPPM)

7 .3 C o n t a g e m d o p r a z o

Pa r a Mir a b e t e : deve ser contado excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o último


dia, sem fazer distinção entre indiciado preso ou solto (art. 798, § 1º, CPP).
Pa r a N e s t o r T á v o r a e Guil h e r me d e S o uz a N uc c i : se o indiciado estiver preso, o
prazo do inquérito deve ser contado na forma do art. 10, do Código Penal, ou seja,
incluindo-se o dia do começo e excluindo-se o do vencimento. Em estando solto, segue-se a
regra do §1º, do art. 798, do CPP acima.
Se o prazo do inquérito encerrar-se em dia onde não há expediente forense, não cabe falar-se em
prorrogação para o primeiro dia útil subsequente, assim como se a prisão em flagrante ocorreu no
final de semana, o inquérito terá o seu início imediatamente, afinal as delegacias de polícia atuam
em sistema de plantão.

A jurisprudência pátria tem admitido um sistema de compensação caso haja o excesso prazal.
Assim, caso o delegado, estando o indiciado preso, conclua o inquérito em doze dias, mas o
promotor oferte a denúncia em dois dias, não há de se falar em constrangimento ilegal a viabilizar
o relaxamento da prisão, já que pode-se manter o suposto autor do fato preso por 15 dias (dez

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dias para conclusão do inquérito e 5 dias para a oferta da denúncia). Nestor Távora critica tal
compensação, eis que o CPP em seu art. 10 não admite a prorrogabilidade do prazo para
conclusão do inquérito quando o indiciado estiver recluso.

7 .4. C o n t r o l e d o s p r a z o s e a r ma z e n a me n t o d e d a d o s

A Lei no 12.714/2012, diploma legal com regras para o controle e fiscalização do cerceio de
liberdade imposto pelo aparato estatal, conferiu ao Poder Executivo federal competência material
para instituir e apoiar os Estados e o Distrito Federal no desenvolvimento, implementação e
adequação de sistemas que permitam interoperabilidade, permitindo o acompanhamento
eletrônico de medidas limitativas de liberdade dos indiciados. É resumidamente, um sistema de
armazenamento de dados que estarão disponíveis às autoridades e pessoas envolvidas em tempo
instantâneo, possibilitando adequado cumprimento dos ditames constitucionais.

Visando otimizar a investigação, relativamente ao crime de tráfico nacional e internacional de


pessoas (arts. 148, 149 e 149-A, no§ 3° do art. 158 e no art. 159, do Código Penal, e no art. 239,
do Estatuto da Criança e do Adolescente), o art.10, da Lei 13.344/2016, autoriza o Poder Público
a criar sistema de informações visando à coleta e à gestão de dados que orientem o seu
enfrentamento.

8 . V A LO R PRO BA T Ó RI O

O inquérito policial t e m v a l o r p r o b a t ó r io r e l a t iv o , pois:

(1) os elementos colhidos não são submetidos à formação contraditória;

(2) o juiz não poderá tomar decisões fundadas apenas nos elementos de informação, ressalvadas as
provas cautelares, antecipadas e irrepetíveis;

(3) os elementos de informação devem ser interpretados em conjunto com as provas carreadas em
juízo, com vistas à compatibilidade com a prova constituída durante o trâmite do processo penal,
sob o crivo do contraditório.

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Como leciona Aury Lopes Jr., "podemos afirmar que o inquérito somente gera atos de
investigação, com uma função endoprocedimental, no sentido de que sua eficácia probatória é
limitada, interna à fase. Servem para fundamentar as decisões interlocutórias tomadas no seu
curso”.

A r e g r a é que o s e l e me n t o s p r o b a t ó r io s d e v e m s e r r e p e t id o s n a f a s e
p r o c e s s ua l , p o is s ó e n t ã o p o d e r ã o e mb a s a r uma s e n t e n ç a c o n d e n a t ó r ia .

Ex c e ç ã o :

provas não repetíveis, não renováveis. Neste caso, é recomendável que a autoridade policial
autorize fundamentadamente que o indiciado e/ou seu advogado acompanhe a produção da
prova não repetível. Instaura-se um incidente de produção antecipada de prova, ainda
durante o inquérito, perante o magistrado, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa;
Antecipadas;
Da mesma forma, os documentos colhidos na fase preliminar, interceptações telefônicas,
objetos conseguidos mediante busca e apreensão, que são as cautelares indeterminadas, têm
sido valorados na fase processual, quando serão submetidos à manifestação da defesa, num
contraditório diferido ou postergado.

O BS .: As provas de caráter eminentemente técnico, a exemplo das perícias, têm sido comumente
utilizadas na fase processual como prova de valor similar às colhidas em juízo, sobretudo pela
isenção e profissionalismo atribuídos aos peritos. Nestor Távora pontua que melhor seria, como já
tem sido implementado, porém de forma minoritária, que durante o inquérito fosse permitido ao
defensor do indiciado formular quesitos aos peritos.

9. VÍCIOS

Sendo o inquérito dispensável, n ã o t e m o c o n d ã o d e , uma v e z v ic ia d o, c o n t a min a r a


a ç ã o p e n a l . A irregularidade-ocorrida durante o inquérito poderá gerar a invalidade ou
ineficácia do ato inquinado ou do próprio procedimento, apenas. Esse é o posicionamento
majoritário na doutrina e jurisprudência, embora haja quem entenda em sentido contrário.

A despeito desta divergência, caso a inicial acusatória esteja embasada tão somente em inquérito
viciado, deverá ser rejeitada por falta de justa causa, diga-se, pela ausência de lastro probatório
mínimo e idôneo ao início do processo, com fundamento no art. 395, inciso III, do CPP. Já se

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durante o inquérito obtivermos, por exemplo, uma confissão mediante tortura, e dela decorra
todo o material probatório, é de se reconhecer a aplicação da teoria dos frutos da árvore
envenenada ou da ilicitude por derivação.

1 0 . N O T I T I A C RI MI N I S (N O T Í C I A D O C RI ME)

C O N HEC I MEN T O , PELA A UT O RI D A D E, D E UM F A T O


A PA REN T EMEN T E C RI MI N O S O

En d e r e ç a me n t o Pr o v id ê n c ia

Autoridade policial Procede a investigações

Ministério Público Oferece denúncia ou requisita instauração de IP

Juiz Remete ao Ministério Público ou requisita instauração de IP

O CPP dispõe sobre uma série de providências que devem ser tomadas pela autoridade policial
logo que tiver conhecimento da infração penal (art. 6°), s e m, c o n t ud o, e s t ip ul a r um p r a z o
g e r a l p a r a a in s t a ur a ç ã o d o in qué r it o p o l ic ia l a c o n t a r d a c iê n c ia d a n o t í c ia
d o fat o.

Sem embargo, o §4°, do art. 13-B, do CPP, estipula, p a r a o s c a s o s d e t r á f ic o d e p e s s o a s ,


que o in qué r it o p o l ic ia l d e v e r á s e r in s t a ur a d o n o p r a z o má x imo d e s e t e n t a e
d ua s h o r a s, contado do registro da respectiva ocorrência policial.

Es p é c ie s

Es p o n t â n e a (c o g n iç ã o ime d ia t a )

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É o conhecimento direto dos fatos pela autoridade policial ou através de comunicação informal. O
STF e STJ têm admitido a denúncia anônima (apócrifa ou notitia criminis inqualificada) apenas
quando precedida de diligências preliminares que atestem a verossimilhança dos fatos noticiados
(vide STJ, HC 237.164- DJe 08/03/2013).

Pr o v o c a d a (c o g n iç ã o me d ia t a )

É o conhecimento da infração pela autoridade mediante provocação de terceiros. São elas:

(a) Requisição do juiz ou do Ministério Público

Nos crimes de ação penal pública. Aqui, requisição é sinônimo de imposição. Em eventual habeas
corpus visando o trancamento de procedimento arbitrário, a autoridade requisitante deve ser
indicada como coatora (Juiz ou promotor), o que vai direcionar a competência para apreciar para o
TJ, se a autoridade é estadual, ou para o TRF, se é federal.

b) Requerimento da vítima ou do seu representante legal

Art. 5º, § 1°, CPP: a vítima da infração ou o seu representante legal noticiam o fato à autoridade
policial através de requerimento, devendo conter a narração dos fatos e suas circunstâncias; a
individualização do suposto autor da infração, ou seus sinais característicos e razões de convicção
de ser o mesmo o sujeito ativo do delito; a nomeação de testemunhas, com indicação da profissão
e das respectivas residências.

Da decisão do delegado que indefira o requerimento do ofendido para instauração do inquérito


policial por entender que o fato é atípico, poderá haver recurso administrativo ao chefe de polícia
(art.5º, § 2°, CPP). Entende o STJ não ser possível impetração de mandado de segurança (vide
STJ, RMS 7.598).

A posição francamente majoritária tem se inclinado pela impossibilidade do delegado de polícia


invocar o princípio da insignificância para deixar de atuar, pois estaria movido pelo princípio da
obrigatoriedade. A manifestação acerca da insignificância deve ficar com o titular da ação penal.
Nada impede, porém, que o suposto autor da conduta insignificante impetre habeas corpus para
trancar o procedimento investigatório iniciado.

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Merece destaque o art. 3º, Lei 13.239/2015, ao estabelecer que hospitais e os centros de saúde
pública, ao receberem vítimas de violência doméstica e familiar, deverão informá-las da
possibilidade de acesso gratuito à cirurgia plástica para reparação das lesões ou sequelas de
agressão comprovada. A omissão da prestação da referida informação sujeita o responsável pelo
hospital ou centro de saúde à penalidades (art. 5°).

(c) Delação

Qualquer do povo, nos c r ime s d e a ç ã o p e n a l p úb l ic a in c o n d ic io n a d a .

(d) Representação da vítima (delatio criminis postulatória)

Nos crimes de ação penal pública condicionada à representação. A representação funciona como
verdadeira condição de procedibilidade, e sem ela, o inquérito não poderá ser instaurado. E se
for? A vítima poderá impetrar mandado de segurança para trancá-lo.

(e) Requisição do Ministro da Justiça

Em alguns crimes, ditos de ação pública condicionada, a persecução criminal está a depender de
autorização do Ministro da Justiça, também chamada de requisição. O que é sempre conveniente
distinguir é que esta requisição, apresentada pelo Ministro da Justiça, ao contrário da requisição
emanada dos juízes e promotores, não é sinônimo de ordem, e sim uma mera autorização para o
início da persecução criminal em algumas infrações que a exigem.

N o t í c ia c r ime r e v e s t id a d e f o r ma c o e r c it iv a

É aquela apresentada juntamente com o infrator preso em flagrante. Pode ser espontânea, quando
quem realiza a prisão é a própria autoridade policial ou seus agentes, ou provocada, quando quem
realiza a prisão é um particular (art. 301, CPP).

1 1 . PEÇ A S I N A UGURA I S D O I N Q UÉRI T O PO LI C I A L

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O auto de prisão em flagrante, as requisições e os requerimentos se materializam na peça inaugural
do inquérito policial. Nos demais casos, a autoridade policial baixa uma portaria para o início do
procedimento. Na praxe, mesmo diante de requisições ou requerimentos, os delegados têm
baixado portaria para o início do inquérito. Apesar de desnecessário, não há qualquer problema
em tal expediente.

1 2 . I N C O MUN I C A BI LI D A D E

Art. 21, do CPP: é possível a decretação da incomunicabilidade do preso durante o inquérito


policial, por conveniência da investigação ou quando o interesse da sociedade o exigisse, por
deliberação judicial, mediante requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público, e
por até três dias.

Prevalece que tal dispositivo não foi recepcionado pela CF, que em seu art. 136, § 3°, inciso IV
estabeleceu que não admite a incomunicabilidade até mesmo durante o Estado de Defesa.

Por fim, cabe esclarecer que o regime disciplinar diferenciado (RDD), o qual deu tratamento
carcerário mais áspero a delinquentes incursos em uma das situações previstas no art. 52, LEP, não
prevê a incomunicabilidade dos presos imersos em tal regime, já que o art 52, III, LEP apenas
determina que as visitas semanais serão de duas pessoas, sem contar as crianças, e por até duas
horas. Ademais, os Estados e o Distrito Federal poderão regulamentar o RDD para "disciplinar o
cadastramento e agendamento prévio das entrevistas dos presos provisórios ou condenados com
seus advogados, regularmente constituídos nos autos da ação penal ou processo de execução
criminal, conforme o caso" (art. 5°, IV, Lei n° 10.792/2003).

1 3 . PRO V I D ÊN C I A S (a r t s . 6 º e 7 º , C PP)

Apesar da discricionariedade do inquérito, o legislador achou por bem elencar as diligências que
podem, e outras que devem ser realizadas pela autoridade policial no decorrer do inquérito. Além

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das providências específicas abaixo estudadas, a Lei no 12.830/2013 estabelece o poder de
requisitar perícia, documentos e dados que interessem à apuração dos fatos, estabelecendo em lei
atribuição que, na prática, já era exercida pelos delegados de polícia.

I – D ir ig ir - s e a o l o c a l d o s f a t o s , is o l a n d o a á r e a p a r a a t ua ç ã o d o s p e r it o s ;

Caráter de o b r ig a t o r ie d a d e ;
Só após a liberação dos peritos, é que os objetos poderão ser apreendidos e a cena do crime
poderá ser alterada.
Ex c e ç ã o : art. 1º, Lei n° 5.970/1973 prevê - em caso de acidente de trânsito, a autoridade ou
agente policial que primeiro tomar conhecimento do fato poderá autorizar, independentemente de
exame do local, a imediata remoção das pessoas que tenham sofrido lesão, se estiverem no leito da
via pública e prejudicarem o tráfego.

II - Apreender objetos;

Disciplinado nos arts. 240 a 250, do CPP.

Art. 11, do CPP: "os instrumentos do crime; bem como os objetos que interessem à prova,
acompanharão os autos do inquérito".

Art. 175, CPP: os instrumentos utilizados para a realização da infração devem ser periciados a
fim de se lhes verificar a natureza e a eficiência.

Segundo o STJ, a autoridade policial poderá apreender os objetos relacionados com a infração,
mesmo antes da instauração do respectivo inquérito.

III - Col her todas as pr ovas;

Como norma genérica, é recomendável que a autoridade policial esteja atenta para que não
venham a perecer os elementos necessários à elucidação dos fatos, sejam elementos em prol
da defesa ou da acusação.
O art. 2º, §2º, Lei nº 12.830/2013 trouxe expressamente previsão genérica acerca da

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atribuição do delegado para requisitar informações, documentos e dados. Não obstante, está
positivado o direito de requisição do delegado em relação a alguns crimes:

(1) Para os crimes de tráfico de pessoas:

Art. 13-A, CPP. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3º do art. 158 e no art.
159 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e no art. 239 da Lei
no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), o membro do
Ministério Público ou o delegado de polícia poderá requisitar, de quaisquer órgãos do poder
público ou de empresas da iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de
suspeitos.

Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24 (vinte e quatro) horas,
conterá:

I - o nome da autoridade requisitante;

II - o número do inquérito policial; e

III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação.

Como se depreende, esse autorizativo legal pode envolver dados protegidos por sigilo
constitucional com reserva de jurisdição, situação em que o delegado de polícia deverá observar
os incisos XII, XIV e XXXIII, do art. 5º, CF/1988, e outros diplomas legais que delimitam o
afastamento de sigilo sobre dados e informações cadastrais.

Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de


pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão requisitar, mediante
autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que
disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros
– que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso.

§ 1o Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estação de cobertura,


setorização e intensidade de radiofrequência.

§ 2o Na hipótese de que trata o caput, o sinal:

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I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza, que dependerá de
autorização judicial, conforme disposto em lei;

II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não superior a
30 (trinta) dias, renovável por uma única vez, por igual período;

III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a apresentação de
ordem judicial.

§ 3o Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no prazo
máximo de 72 (setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva ocorrência
policial.

§ 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade competente


requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que
disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros
– que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata
comunicação ao juiz.

Entende a doutrina ser inconstitucional o § 4° acima, já que os o sigilo dos dados sob
responsabilidade de provedores de internet e análogos somente deve ser afastado judicialmente,
na forma estatuída na Lei no 12.965/2014. Destarte, a cláusula de reserva de jurisdição é expressa
no inciso XII, do art. 5º, da CF /1988.

(2) Para os crimes relacionados a organizações criminosas

Art. 15, da Lei no 13.850/2013: o delegado de polícia e o Ministério Público terão acesso,
independentemente de autorização judicial, apenas aos dados cadastrais do investigado que
informem exclusivamente a qualificação pessoal, a filiação e o endereço mantidos pela Justiça
Eleitoral, empresas telefônicas, instituições financeiras, provedores de internet e administradoras
de cartão de crédito.

Cabem as mesmas observações feitas acima: não pode implicar afastamento de sigilos protegidos
por cláusula de reserva jurisdicional.

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(3) Para os crimes de lavagem de capitais

Art. 17-B, da Lei no 12.683/2012: a autoridade policial e o Ministério Público terão acesso,
exclusivamente, aos dados cadastrais do investigado que informam qualificação pessoal, filiação e
endereço, independentemente de autorização judicial, mantidos pela Justiça Eleitoral, pelas
empresas telefônicas, pelas instituições financeiras, pelos provedores de internet e pelas
administradoras de cartão de crédito.

Também na hipótese não deve se admitir que o manejo desse poder interfira na órbita reservada à
decisão judicial.

Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de
dados e de conversas registradas no Whatsapp presentes no celular do suposto autor de fato
delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. STJ.
5ª Turma. RHC 67379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/10/2016 (Info 593). STJ. 6ª
Turma. RHC 51531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016 (Info 583). Não há
ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização judicial,
na hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone sido entregue
à autoridade policial por sua esposa. STJ. 6ª Turma.RHC 86076-MT, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2017 (Info 617).

IV - Ouvir o ofendido;

As declarações da vítima devem ser tomadas com resguardo, mas não deixa de ter primordial
importância;
O ofendido não será compromissado a dizer a verdade, afinal não é testemunha, e, caso
impute infração a alguém sabidamente inocente, incorrerá no crime de denunciação caluniosa
(art. 339, CP).
Se o ofendido, devidamente notificado a comparecer para ser ouvido, não o fizer, não
justificando a ausência, poderá ser conduzido coercitivamente à presença da autoridade

(art. 201, §I o, CPP).

V - Ouvir o indiciado;

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Deve observar, no que for aplicável, os artigos 185 a 196 do CPP, que tratam do
interrogatório na fase judicial, sendo-lhe assegurado o direito ao silêncio (art. 5°, LXIII, CF).
O art. 187, CPP prevê o interrogatório em duas partes: a primeira destinada a perguntas
relativas à pessoa do agente; a segunda atinente aos fatos. Não serão formuladas perguntas
sobre a pessoa do imputado, visto que são questões que dizem respeito à aplicação das
circunstâncias judiciais do art. 59, do CP, o que será feito na sentença, ato do juiz.
A presença do advogado é facultativa, mas poderá o causídico orientar o seu assistido e
acompanhá-lo durante todo o feito, ficando a critério da autoridade policial oportunizar os
esclarecimentos formulados ao seu constituinte.
O termo de oitiva do indiciado será assinado por duas testemunhas que tenham ouvido a sua
leitura, na presença do indiciado. A omissão desta formalidade acarreta mera irregularidade,
não tendo o cunho de descredibilizar, por si só, a realização do ato.
Caso o indiciado não atenda à notificação para comparecer, nem justifique sua ausência,
poderá, em tese, ser conduzido coercitivamente à presença da autoridade,
independentemente de representação do delegado de polícia ao juiz, consoante a posição
majoritária da jurisprudência (vide RT 482/357). Parte minoritária da doutrina entende
inconstitucional esse posicionamento em razão da previsão da garantia fundamental ao
silêncio.

Súmula 522, STJ: a conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica,
ainda que em situação de alegada autodefesa.

VI - Proceder ao reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;

O reconhecimento de pessoas e coisas é tratado nos artigos 226 a 228, do CPP.


A acareação é possível sempre que exista divergência entre as declarações prestadas por
aqueles que têm conhecimento dos fatos delitivos apurados no inquérito, estando
disciplinada nos artigos 229 e 230, do CPP.
O art. 226 do CPP estabelece formalidades para o reconhecimento de pessoas (reconhecimento
pessoal). Vale ressaltar, no entanto, que as disposições contidas no art. 226 do CPP configuram
uma recomendação legal, e não uma exigência absoluta. Assim, a inobservância das formalidades
legais para o reconhecimento pessoal do acusado não enseja nulidade, por não se tratar de
exigência, mas apenas recomendação, sendo válido o ato quando realizado de forma diversa da
prevista em lei. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1444634/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado
em 01/06/2017. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1054280/PE, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 06/06/2017.

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VII - Realização do exame de corpo de delito e outras perícias;

Sempre que a infração deixar vestígios, a materialidade delitiva será demonstrada pela
realização do exame de corpo de delito (art. 158, CPP). Eventualmente, não sendo possível
realizar o exame, a materialidade será demonstrada pela prova testemunhal (art.167, CPP) -
também denominada de prova indireta -, mas nunca pela confissão.
Outras perícias podem ser necessárias, devendo a autoridade acautelar-se para que sejam
realizadas (art. 2°, § 2°, da Lei n° 12.830/2013).
Nos crimes de violência sexual (Lei n° 12.845/201354), por ocasião do atendimento nos
hospitais do SUS, o médico deverá preservar materiais que possam ser coletados no exame
médico legal. Prevê ainda o diploma que cabe ao órgão de medicina legal o exame de DNA
para identificação do agressor.

Art. 158, CPP. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de
delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar
de crime que envolva: (Incluído dada pela Lei nº 13.721, de 2018)

I - violência doméstica e familiar contra mulher; (Incluído dada pela Lei nº 13.721, de 2018)

II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência. (Incluído dada pela
Lei nº 13.721, de 2018)

VIII - Ordenar a identificação datiloscópica do indiciado e fazer juntar sua folha de antecedentes.

Significa estabelecer sua identidade por intermédio de seus sinais e características pessoais
(deformidades, cicatrizes, tatuagens, peculiaridades, bem como outras qualidades sociais e
morais que possam também identificá-lo); o prenome, sobrenome, filiação, naturalidade,
estado civil, profissão, etc.

Art. 5º, LVIII, CF: o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo
nas hipóteses previstas em lei.

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A Lei n° 12.037/2009 apresenta as hipóteses de cabimento da identificação criminal,
incluindo o processo datiloscópico e fotográfico. Nada impede que sejam utilizados outros
processos na identificação criminal, como a utilização do material genético ou da íris ocular,
preservando-se, naturalmente, o direito a não autoincriminação. Segundo tal lei, o
civilmente identificado, de regra, não será identificado criminalmente, servindo como
documentos idôneos de identificação civil a carteira de identidade, de trabalho, profissional,
passaporte, identificação funcional (civil ou militar), além de qualquer outro documento
público que permita a identificação, como a CNH (carteira nacional de habilitação).

Art. 3°, Lei n° 12.037/2009: hipóteses de admissibilidade da identificação criminal, mesmo diante
da apresentação de documentação civil (cuja cópia necessariamente será anexada aos autos do
procedimento):

I - o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;

Il - o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;

III - o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre
si;

IV - a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da


autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da
autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa;

V - constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;

VI - o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do


documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.

Caso o indiciado ou o capturado em flagrante não esteja com o documento de identificação


civil em mãos, deve a autoridade conceder prazo razoável para que o apresente, ou para que
pessoa de sua confiança o traga, já que a imediata identificação criminal seria precipitada.
- A revogada Lei no 10.054/2000 falava em 48 horas (art. 3°, VI), entendendo a doutrina que tal
prazo deve ser mantido;

- Caso o flagranteado não satisfaça a exigência, no prazo, será possível: (a) conduzi-lo
coercitivamente à presença da autoridade policial; e (b) colher as impressões digitais para o fim de
armazenar dados da identidade física do suposto sujeito ativo do crime, sem que isso signifique

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ferimento ao princípio de que ninguém deve ser compelido a produzir prova contra si mesmo
(nemo tenetur se detegere ou vedação à autoincriminação).

Por força da Lei n° 12.654/201259, nos casos do art. 3°, IV, da Lei n° 12.037/2009 está
autorizada a coleta de "material biológico para obtenção de perfil genético”. A inovação
deve ser lida à luz do princípio da vedação à autoincriminação, de maneira que, havendo
recusa do capturado ou indiciado, não se poderá obrigá-lo ao fornecimento.
Os dados relacionados à coleta do perfil genético são sigilosos, devendo ser armazenados
em bancos de dados gerenciados por unidade oficial de perícia. As informações colhidas,
ressalva-se, não poderão revelar traços somáticos ou comportamentais das pessoas, exceto
determinação genética de gênero (art. 5°-A, da Lei nº 12.037/2009).

Além do delegado, poderá também o juiz, por decisão motivada (e não despacho, como
sugere a lei), autorizar a medida ex officio ou por provocação do MP, da defesa ou da
autoridade policial (art. 3°, IV, Lei n° 12.037/2009).

- A determinação da identificação sem amparo legal caracteriza abuso de autoridade.

A identificação não constará de certidões ou atestado de antecedentes, enquanto não


transitar em julgado a sentença condenatória, ressalvadas as requisições emanadas das
autoridades que integram a persecução penal, como membros do MP, juízes e delegados.
- Sobrevindo absolvição, arquivamento do inquérito policial ou rejeição da petição inicial, uma vez
preclusa a decisão judicial nesse sentido, o indiciado (ou réu) poderá requerer a retirada da
identificação fotográfica dos autos da persecução, como forma de preservação de sua imagem,
desde que apresente a competente identificação civil. Havendo denegação, poderá ingressar com
mandado de segurança.

Os condenados por crime doloso cometido, com emprego de violência de natureza grave
contra pessoa ou por qualquer dos crimes hediondo ou equiparado (previstos no art. 1°, da
Lei no 8.072/1990) serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético,
mediante extração de DNA – ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor (art.
9°-A, da LEP).

O BS .: Entende Nestor Távora que o dispositivo necessita de leitura à luz da Constituição,


notadamente em face do princípio da não autoincriminação em face de fatos futuros, bem como
do direito de liberdade, de forma que: (a) o apenado não poderá sofrer ser objeto de técnicas
invasivas sem o seu consentimento, ainda que indolores; (b) o perfil genético do apenado
identificado não pode ser utilizado para investigações futuras, como uma espécie de prova pré-
constituída, antes mesmo da prática de novo delito, toda vez que o apenado não tiver consentido
o uso de técnicas invasivas; e (c) não há óbice ao recolhimento de material descartado pelo

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próprio apenado de forma voluntária ou involuntária, para fins de submissão ao exame de DNA
para identificação do perfil genético (objeto passivo de prova), a exemplo de vestes íntimas, saliva,
esperma e outros resíduos descartados, hipóteses em que poderão servir para investigações
futuras, desde que o acesso ao banco de dados, sigiloso por força de lei, seja autorizado pelo juiz.

Realizando uma interpretação restritiva do texto legal, entende Nestor Távora que a
identificação genética só é possível depois de passada em julgado a sentença penal
condenatória; assim, a identificação genética não pode ter cunho probatório cautelar, tendo
natureza de efeito da condenação definitiva. No entanto, é possível interpretação
declarativa, admitindo que não há ofensa ao princípio da não culpabilidade em razão da
adoção de medida cautelar de cunho probatório, lastreada na necessidade devidamente
justificada. De todo modo, o acesso ao banco de dados de perfis genéticos para fins
criminais deverá ser informado pelo princípio da proporcionalidade, conjugado ao princípio
da dignidade humana. Isso será alcançado, primordialmente, pelo consentimento do
identificado.

Resumindo: segundo o STF, a condução coercitiva para fins de identificação datiloscópica em face
de recusa imotivada do indiciado não constitui constrangimento ilegal. De todo modo, em caso de
não ser oferecida denúncia ou queixa-crime, bem como nas hipóteses de absolvição ou rejeição da
peça acusatória, é facultado ao indiciado ou ao réu, após o arquivamento definitivo do inquérito,
ou trânsito em julgado da sentença, requerer a retirada da identificação fotográfica do inquérito
ou processo, desde que apresente provas de sua identificação civil. Por outro lado, a exclusão dos
perfis genéticos dos bancos de dados ocorrerá no término do prazo estabelecido em lei para a
prescrição do delito.

Note-se que os dados gerais de identificação (qualificação e digitais) não são objeto de
devolução segundo os arts. 7º e 7º-A, da Lei 12.037/2009.
Por fim, prevê o dispositivo em estudo (art. 6°, VIII, CPP) que a autoridade policial deve
fazer juntar aos autos do inquérito a folha de antecedentes do indiciado. O art. 23 do CPP
disciplina a obrigação de oficiar o Instituto de Identificação e Estatística quando da remessa
dos autos do inquérito ao juízo.

IX- Averiguar a vida pregressa do indiciado, do ponto de vista individual, familiar e social, sua
condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e
quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação de seu temperamento e caráter.

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Parcela da doutrina critica tal inciso por, sob certa ótica, ser resquício da criminologia
positivista e da corrente que se filia a um direito penal de autor (de cunho autoritário).

X- colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma


deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela
pessoa presa.

Essa circunstância é relevante em face da necessidade da individualização e acompanhamento


da pena, mas também visa mitigar a denominada transcendência da pena aos familiares do
apenado.
Tal providência deve ser adotada em qualquer investigação criminal preliminar, aplicando-se
tal disposição por analogia. Malgrado o texto fale em "pessoa presa”, o questionamento deve
ser formulado também em relação ao investigado solto, porquanto se cuida de precaução
contra eventual decreto prisional ulterior.

A t e n ç ã o !!! N o v id a d e !!!

O delegado de polícia pode formalizar acordos de colaboração premiada, na fase de inquérito


policial, respeitadas as prerrogativas do Ministério Público, o qual deverá se manifestar, sem
caráter vinculante, previamente à decisão judicial. Os §§ 2º e 6º do art. 4º da Lei nº 12.850/2013,
que preveem essa possibilidade, são constitucionais e não ofendem a titularidade da ação penal
pública conferida ao Ministério Público pela Constituição (art. 129, I). STF. Plenário. ADI
5508/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 20/6/2 0 1 8 (I n f o 9 0 7 )

1 3 .1 Re p r o d uç ã o s imul a d a d o s f a t o s

Sendo necessário esclarecer a forma como aconteceu a infração, a reprodução simulada pode
ser determinada (art. 7°, CPP).
O indiciado não está obrigado a participar nem a comparecer nesta, pois não pode ser
compelido a auto incriminar-se (vide STF- RHC 64354).
Não será autorizada a reprodução simulada se constituir ofensa à moralidade ou à ordem
pública.

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1 3 .2 l n d ic ia me n t o

(a) Conceito

É a cientificação ao suspeito de que ele passa a ser o principal foco do inquérito. Saímos do juízo
de possibilidade para o de probabilidade, só cabendo falar em indiciamento se houver um lastro
mínimo de prova vinculando o suspeito à prática delitiva, sob pena de configurar ato de arbítrio,
ilegal, dando ensejo à impetração de habeas corpus.

É a t o p r iv a t iv o d o d e l e g a d o d e p o l í c ia , visto que a requisição judiciária ou do MP é


postura incompatível com o sistema acusatório (HC 11501S). Por outro lado, não é admitido que a
autoridade policial faça o indiciamento em termo circunstanciado de ocorrência, sendo ato
incompatível com a simplicidade do rito para os crimes de menor potencial ofensivo.

Produz efeitos de natureza extraprocessual (aponta à sociedade o provável sujeito ativo do crime)
e endoprocessual (é antecedente lógico, contudo não necessário, para que o suposto autor do
delito figure no polo passivo da denúncia ou da queixa-crime). Pode, ainda, ser direto (o agente
está presente) ou indireto (o agente está ausente - foragido ou em lugar incerto). Por fim,
indiciamento formal é aquele que reúne o auto de qualificação e interrogatório, as informações
acerca de sua vida pregressa e boletim de identificação; enquanto indiciamento material ou
propriamente dito é aquele em que o delegado de polícia, por ato fundamentado, aponta a autoria
de uma infração a alguém.

O indiciamento após a instauração do processo é causa de constrangimento ilegal à liberdade do


acusado, diante de sua patente desnecessidade. Não obstante, descobrindo-se incidentalmente
crimes conexos, nada impede seja instaurada investigação para apurar tais infrações, que serão
levadas ao processo já existente via aditamento, ou a depender do estágio processual, podem
ensejar a instauração de novo processo.

(b) Indiciado menor

Com o advento do Código Civil de 2002, seu art. 5º passou a considerar os maiores de dezoito
anos absolutamente capazes, o que acarretou a revogação tácita do art. 15 do CPP, que impõe a
nomeação de curador na fase inquisitorial para os menores de 21 anos, segundo posição

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majoritária. Subsiste, todavia, a possibilidade de nomeação de curador para o índio não aculturado
(não adaptado ao convívio em sociedade), bem como para a pessoa inimputável (art. 151, CPP).

(c) Desindiciamento

Pode ocorrer na evolução do inquérito, ou no relatório de encerramento do procedimento,


embora sempre deva ser descrito no relatório, de forma a permitir a pronta análise pelo titular da
ação penal. Pode, ainda, ocorrer de forma coacta, pela procedência de habeas corpus trancativo.

(d) Vedação ao indiciamento

Prerrogativa de função: a autoridade policial, civil ou militar remeterá, imediatamente, sob pena de
responsabilidade, os respectivos autos ao Chefe da respectiva instituição, a quem competirá tomar
as providências previstas para o prosseguimento da apuração. São elas: magistrados (art. 33,
parágrafo único, LC 35/1979); membros do MP (art. 18, parágrafo único, LC n° 75/1993; art. 41,
parágrafo único, Lei n° 8.625/1993); parlamentares federais: Ministro Relator do IP, inclusive para
a abertura de IP contra senador ou deputado-federal (STF, Tribunal Pleno - Pet 3825 QO).

(e) Afastamento do servidor público indiciado em crimes de lavagem de dinheiro

Art. 17-D, Lei 9.613/1998. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado,
sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente
autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno.

O dispositivo deve receber interpretação conforme a Constituição para se entender que diante do
indiciamento a autoridade policial tem o poder de, justificadamente, representar pela aplicação da
medida cautelar de afastamento do servidor público de suas funções, inclusive nos moldes do
art.319, VI, CPP, (suspensão do exercício de função pública com o fito de evitar reiteração
criminosa), sob pena de ofensa à reserva jurisdicional, garantia fundamental. Da mesma forma,
tem legitimidade o

Ministério Público para requerer a cautela.

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(f) Os limites do indiciamento e a Lei no 12.830/2013

No Habeas Corpus n° 115.015/SP, o STF deixou assentado que não é possível ao magistrado,
após receber a denúncia, requisitar ao Delegado de Polícia o indiciamento de determinada pessoa,
vez que "é incompatível com o sistema acusatório, que impõe a separação orgânica das funções
concernentes à persecução penal".

O indiciamento é um dos atos normativos individuais e concretos da persecução penal que


caracterizam o que se convencionou chamar de strepitus judidi (escândalo causado pela divulgação
do fato que poderá vir a ser objeto de processo criminal), afetando seriamente o status dignitatis
da pessoa investigada.

Art. 2º, Lei 12.830/2013: As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais
exercidas pelo delegado de polícia são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas de Estado.
(...)

§ 6o O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato fundamentado,


mediante análise técnico-jurídica do fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas
circunstâncias.

A qualidade de acusado do sujeito processado suplanta a necessidade de indiciamento. Ademais,


como o não indiciamento não representa óbice ao agir do Ministério Público e do Juiz, é de todo
irrelevante requisição formulada à autoridade policial para formalizar o indiciamento.

Realizado indiciamento se já estiver sendo processado o acusado, haverá nulidade capaz de ser
reconhecida judicialmente, de modo a proteger suas garantias fundamentais.

1 4. EN C ERRA MEN T O

Se da com a produção de minucioso relatório que informa tudo quanto apurado. É peça
essencialmente descritiva, trazendo um esboço das principais diligências realizadas na fase
preliminar, e justificando até mesmo aquelas que não foram realizadas por algum motivo relevante.

Não deve a autoridade policial esboçar juízo de valor no relatório, afinal, a opinião delitiva cabe

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ao titular da ação penal. Exceção: a Lei 11.343/2006 (Lei de Tóxicos) prevê que na elaboração do
relatório a autoridade policial deve justificar as razões que a levaram à classificação do delito (art.
52).

Embora preveja o art. 10, § 1°, CPP que os autos do inquérito, integrados com o relatório, serão
remetidos ao Judiciário, para que sejam acessados pelo titular da ação penal, o Superior Tribunal
de Justiça assentou que não há qualquer ilegalidade na tramitação direta de inquéritos entre a
Polícia Judiciária e o Ministério Público, atendendo à garantia da duração razoável do processo,
eis que (AIRESP 201500690675).

Sendo o fato de difícil elucidação e estando o indiciado solto, poderá o delegado requerer à
autoridade judicial a devolução dos autos para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo
designado pelo magistrado.

Ao fazer a remessa, a autoridade policial deverá oficiar ao Instituto de Identificação e Estatística,


ou órgão congênere, mencionando o juízo para o qual os autos foram remetidos, além dos dados
relativos à infração e à pessoa do indiciado. Isso permite a formação do boletim individual (art.
809, CPP), a ser consultado, quando necessário, pelas autoridades incumbidas da persecução
penal.

Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessem à prova, acompanharão os autos
do inquérito.

1 4.1 . C r ime s d e a ç ã o p e n a l p úb l ic a

Deve o magistrado abrir vistas do inquérito ao MP, que então poderá:

- oferecer denúncia, se o inquérito foi exitoso, ou

- requisitar novas diligências, caso o inquérito não tenha apurado elementos que o MP repute
imprescindíveis (art. 16, CPP). Esta requisição passa pelo juiz e deve ser remetida à autoridade
policial com prazo para cumprimento. Realizadas as diligências, retornam ao magistrado, que
deverá novamente abrir vistas ao promotor. Não sendo ainda o material complementar
elucidador, resta o arquivamento.

Não pode o magistrado indeferir as diligências requisitadas pelo MP por entender que são
protelatórias ou desnecessárias, afinal, é o MP o titular da ação penal (art.129, I, CF), cabendo a

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ele o juízo quanto à necessidade ou não de diligência. O magistrado que indefere o pleito
ministerial da ensejo à correição parcial. Neste caso, em atenção à celeridade, já que o julgamento
do recurso demanda tempo, as diligências podem ser requisitadas pelo MP diretamente à
autoridade policial (art. 13, II, CPP).

Destaque-se que as diligências complementares só poderão ser requisitadas se o suspeito estiver


solto. Caso esteja preso, a sua colocação em liberdade é de rigor, afinal, se ainda não existem
elementos para a propositura da denúncia, com muita razão não há lastro para a manutenção da
prisão.

- promover o arquivamento, em caso de absoluta ausência de elementos indicativos da autoria ou a


materialidade delitiva, ou da existência de infração, devendo aguardar o surgimento de novos
elementos a justificar a propositura da inicial acusatória. O arquivamento deve ser homologado
pelo magistrado.

MP oferece

denúncia

Juiz abre MP requisita


CONCLUSÃO Crime de ação penal pública = delegado
DO IP remete ao juiz vistas ao novas
MP diligências

MP promove

arquivamento

a ) Hip ó t e s e s que a ut o r iz a m o p e d id o d e a r quiv a me n t o

Não foi disciplinada pelo Código, levando à aplicação do art. 395, do CPP, que trata da rejeição
da inicial acusatória pelo juiz (juízo de admissibilidade). Ora, se é caso de rejeição da denúncia, o
promotor não deveria tê-la oferecido. Sendo assim, o arquivamento se impõe quando:

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Faltar pressuposto processual (objetivos e/ ou subjetivos), condição para o exercido da ação
penal (legitimidade e interesse), ou qualquer condição de procedibilidade para o exercício da
ação (representação e da requisição do Ministro da Justiça nos crimes de ação pública
condicionada, p.ex.).
Faltar justa causa. É a necessidade de lastro probatório mínimo para o exercício da ação,
sendo também uma condição desta.
Entende Nestor Távora que, sendo o julgamento antecipado da lide perfeitamente admissível nas
hipóteses do art. 397, do CPP (existência manifesta de causa excludente de ilicitude; existência
manifesta de causa excludente de culpabilidade, salvo a inimputabilidade - onde será aplicada
medida de segurança; o fato evidentemente não constitui crime; existência de causa extintiva da
punibilidade), se tais hipóteses forem cabalmente demonstradas ab initio no inquérito, devem
também ser invocadas para lastrear o pedido de arquivamento. Tal entendimento, entretanto, é
francamente minoritário.

Tem prevalecido na doutrina que o arquivamento deve se restringir às hipóteses de atipicidade;


havendo excludente de ilicitude ou culpabilidade, o adequado seria o oferecimento da denúncia. É
até então o posicionamento do STF, abrandado pela inclusão das excludentes de ilicitude no rol
de causas justificantes do arquivamento:

Jur is p r ud ê n c ia r e c e n t e :

(I m)p o s s ib il id a d e d e r e a b e r t ur a d e in qué r it o p o l ic ia l a r quiv a d o p o r e x c l ud e n t e


d e il ic it ud e . É possível a reabertura da investigação e o oferecimento de denúncia se o
inquérito policial havia sido arquivado com base em excludente de ilicitude?
• STJ: NÃO. Para o STJ, o arquivamento do inquérito policial com base na existência de causa
excludente da ilicitude faz coisa julgada material e impede a rediscussão do caso penal. O
mencionado art. 18 do CPP e a Súmula 524 do STF realmente permitem o desarquivamento do
inquérito caso surjam provas novas. No entanto, essa possibilidade só existe na hipótese em que o
arquivamento ocorreu por falta de provas, ou seja, por falta de suporte probatório mínimo
(inexistência de indícios de autoria e certeza de materialidade). STJ. 6ª Turma. REsp 791.471/RJ ,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 25/11/2014 (Info 554).

• STF: SIM. Para o STF, o arquivamento de inquérito policial em razão do reconhecimento de


excludente de ilicitude não faz coisa julgada material. Logo, surgindo novas provas seria possível
reabrir o inquérito policial, com base no art. 18 do CPP e na Súmula 524 do STF. STF. 1ª Turma.
HC 95211, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/03/2009. STF. 2ª Turma. HC 125101/SP , rel.

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orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 25/8/2015 (Info 796).
O arquivamento de inquérito policial por excludente de ilicitude realizado com base em provas
fraudadas não faz coisa julgada material. STF. Plenário. HC 87395/PR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 23/3/2 0 1 7 (Info 858).

Por sua vez, estando presente causa extintiva da punibilidade (artigos 107 et seq, CP), o mais
adequado é que o magistrado, ao invés de simplesmente arquivar o inquérito ou as peças de
informação, declare expressamente a extinção da punibilidade.

b ) A d e c is ã o d o ma g is t r a d o que h o mo l o g a r o p e d id o d e a r quiv a me n t o p r o d uz
c o is a j ul g a d a ma t e r ia l ?

Em regra, a homologação do arquivamento tem natureza administrativo-judicial e não é imutável


pela coisa julgada material.

Súmula 524 do STF: "arquivado o inquérito policial por despacho do juiz, a requerimento do
promotor de justiça, não pode a ação ser iniciada sem novas provas''.

Ou seja, nada impede que em momento posterior haja o oferecimento de denúncia acerca daquele
mesmo fato, desde que surjam novas provas.

Art. 18, CPP. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por
falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de
outras provas tiver notícia.

Sendo assim, a decisão homologatória de arquivamento do IP produzirá:

C o is a j ul g a d a f o r ma l , sem impor óbice intransponível à renovação da ação penal diante


da notícia de prova nova, diante da falta de:

justa causa, quando esta significar insuficiência de elementos informativos para o


desencadeamento válido e regular da demanda penal.

O BS .: Se ajusta causa disser respeito à insignificância (atipicidade material) ou, para alguns, à
condição específica para a propositura da demanda penal, ao lado das condições gerais da ação
penal (art. 395, II, CPP) = coisa julgada formal e material.

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pressupostos processuais, condições da ação penal ou qualquer condição de procedibilidade;

C o is a j ul g a d a ma t e r ia l , impedindo a instauração de nova persecução penal lastreada


nos mesmos fatos, quando baseada na atipicidade do fato; na inexistência de crime; na
existência de causa excludente de ilicitude; na existência de causa excludente de culpabilidade,
salvo a inimputabilidade; e no reconhecimento de causa extintiva de punibilidade

O BS .: o entendimento acima é esposado pelo STJ. O STF entende que somente com base na
prova da atipicidade do fato a decisão faz coisa julgada material, ainda que o juízo seja
absolutamente incompetente (STF, HC 79359/RJ).

c ) Re c ur s o e a ç ã o p r iv a d a s ub s id iá r ia d a p úb l ic a .

A decisão homologatória do pedido de arquivamento é irrecorrível, mas o indiciado deve ser


intimado, não só para ter ciência do ato, mas também para opor-se a eventual denúncia oferecida
em momento posterior, uma vez destituída de prova nova.

Ex c e ç õ e s :

- o art. 7°, da Lei no 1.521/1951 prevê o recurso de ofício da decisão que arquivar o inquérito nos
crimes contra a economia popular e contra a saúde pública. Se o tribunal der provimento, deverá
remeter os autos ao Procurador Geral, para que atue de acordo com o art. 28, do CPP,
oferecendo denúncia por força própria, designando outro membro do MP para fazê-lo, ou
insistindo no arquivamento, quando então não haverá mais nada a fazer.

- o art. 6°, da Lei n° 1.508/1951 contempla o recurso em sentido estrito para combater a decisão
de arquivamento da representação nas contravenções do jogo do bicho e de aposta de corrida de
cavalos fora do hipódromo (artigos 58 e 60, Decreto-lei n° 6.259/1944). Entende Nestor Távora
que tal dispositivo não foi recepcionado pela CF, afinal, sendo a ação pública privativa do MP,
requerendo o promotor o arquivamento, não assistiria razão para que terceira pessoa recorresse.
Também não há de se falar em ação privada subsidiária da pública se houve a manifestação pelo
arquivamento, afinal, ela só tem cabimento nas hipóteses de inércia do MP, e se o promotor
requereu o arquivamento, certamente não está sendo desidioso.

E quanto às decisões de arquivamento aptas a gerar coisa julgada material? Duas posições se
forma a respeito: (1) a primeira, majoritária, entende que não é cabível recurso, visto que a decisão
está conforme os ditames legais e não há previsão legal específica (taxatividade dos recursos); (2) a

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segunda, minoritária, sustenta que é cabível apelação, em virtude de ser decisão com força de
definitiva (art. 593, II, do CPP).

Existe alguma providência processual que a vítima possa adotar para evitar o arquivamento do IP?
Ela pode, por exemplo, impetrar um mandado de segurança com o objetivo de impedir que isso
ocorra? NÃO. STJ. Corte Especial. MS 21081-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 17/6/2015
(Info 565).

d ) D iv e r g ê n c ia d o ma g is t r a d o qua n t o a o p e d id o d e a r quiv a me n t o d o in qué r it o


p o l ic ia l e d is t in ç õ e s d o p r o c e d ime n t o c o n f o r me a c o mp e t ê n c ia d a j us t iç a .

Regra geral:

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o


arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de
considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação
ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público
para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a
atender.

Lei n° 8.625/1993 (Lei Orgânica dos Ministérios Públicos dos Estados)

Art. 10 - Compete ao Procurador-Geral de Justiça:

d) oferecer denúncia ou propor ação civil pública nas hipóteses de não confirmação de
arquivamento de inquérito policial ou civil, bem como de quaisquer peças de informações;

Art. 12 - Compete ao Colégio de Procuradores de Justiça:

XI - rever, mediante requerimento de legítimo interessado, nos termos da Lei Orgânica, decisão
de arquivamento de inquérito policial ou peças de informações determinada pelo Procurador-
Geral de Justiça, nos casos de sua atribuição originária;

Este dispositivo assegura os princípios da devolução, do promotor natural e do devido processo


legal.

Prevalece que o promotor de justiça designado está obrigado a promover a denúncia, afinal, atua

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por delegação (longa manus) do Procurador Geral. Todavia, parte da doutrina (minoritária)
defende que o promotor, entendendo que a denúncia não é pertinente, não estará obrigado a
deflagrar o processo, restando ao Procurador Geral designar outro membro do Parquet, ou ele
mesmo atuar na causa, respeitando-se, em última análise, a independência funcional.

De acordo com a Justiça perante a qual tramita o IP:

Es t a d ua l

- primeira instância (juiz singular): regra geral aplicando, o citado art. 28, do CPP.

Federal

- primeira instância (juiz singular): o art. 28, do CPP deve ser interpretado de forma conjunta com
o art. 62, IV, da LC nº 75/1993, que estabelece a “ competência das Câmaras de Coordenação e
Revisão do Ministério Público Federal manifestar-se sobre o arquivamento de inquérito policial,
inquérito parlamentar ou peças de informação, exceto nos casos de competência originária do
Procurador-Geral”.

Assim, o procedimento para arquivamento perante o juiz federal (singular) de primeira instância
obedecerá às seguintes regras:

- entendendo ser hipótese de arquivamento do IP ou de peças de informação, o Procurador da


República (Membro do Ministério Público Federal) formula requerimento nesse sentido ao juiz
federal;

- concordando o juiz, proferirá decisão homologatória de arquivamento;

- caso o juiz federal discorde do requerimento de arquivamento, deverá remeter o inquérito ou as


peças de informação às Câmaras de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal;

- a Câmara de Coordenação e Revisão, com atribuição conforme a matéria, poderá deliberar: (a)
pela designação de outro membro para o oferecimento de denúncia; ou (b) pela insistência no
pedido de arquivamento. A manifestação da Câmara tem caráter opinativo, sendo os autos
encaminhados ao Procurador-Geral da República que, por seu turno, poderá discordar da
manifestação, haja vista se tratar de atividade de "coordenação”, podendo, conforme o art. 28, do
CPP: (a) oferecer denúncia; (b) designar outro Procurador da República para oferecê-la; ou (c)
reiterar o pedido de arquivamento, quando estará o juiz federal obrigado a acatar.

Re s umin d o :

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MP se manifesta pelo arquivamento

Juiz discorda, invocando o art. 28 do CP

Remessa dos autos ao PGJ (estadual) ou à Câmara de Revisão (federal)

PGJ ou Câmara d is c o r d a do pedido de arquivamento e PGJ ou Câmara c o n c o r d a


... com pedido de arquivamento

oferece
... designa outro promotor (longa Juiz está obrigado a homologar
diretamente a
manus) para oferecer a denúncia o arquivamento
denúncia

C o mum d o D is t r it o F e d e r a l

- primeira instância (juiz singular), o art. 28, do CPP deve ser interpretado de forma conjunta com
o art. 171, V, da LC n° 75/1993, que estabelece a competência das Câmaras de Coordenação e
Revisão do Ministério Público do D Federal e Territórios: “ V - manifestar-se sobre o
arquivamento de inquérito policial, inquérito parlamentar ou peças de informação, exceto nos
casos de competência originária do Procurador-Geral ”.

Segue a estrutura acima.

Mil it a r

Há regra própria prevista no art. 397, do CPPM, que deve ser interpretada em conjunto com as
disposições do art. 136, IV, d da LC nº 75/1993 (que define a organização, as atribuições e o
estatuto do Ministério Público da União) ou com as da Lei no 8.625/1993 (que dispõe sobre a Lei
Orgânica dos Ministérios Públicos dos Estados), conforme se trate de inquérito policial militar que
tramite no âmbito da Justiça Militar da União ou no da Justiça Militar estadual.

Regras:

Falta de elementos para a denúncia:

Art. 397. Se o procurador, sem prejuízo da diligência a que se refere o art. 26, no I, entender que

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os autos do inquérito ou as peças de informação não ministram os elementos indispensáveis ao
oferecimento da denúncia, requererá ao auditor que os mande arquivar. Se este concordar com o
pedido, determinará o arquivamento; se dele discordar, remeterá os autos ao procurador-geral.

Designação de outro procurador:

1º Se o procuradc1r-geral entender que há elementos para a ação penal, designará outro


procurador, a fim de promovê-la; em caso contrário, mandará arquivar o processo.

Avocamento do processo:

2º A mesma designação poderá fazer, avocando o processo, sempre que tiver conhecimento de
que, existindo em determinado caso elementos para a ação penal, esta não foi promovida.

(I) Militar da União: o art. 397, do CPPM, de deve ser interpretado em conjunto com o art. 136,
IV, “d” da LC n° 75/1993, que define a atribuição específica da Câmara de Coordenação e
Revisão do Ministério Público Militar da União, porquanto lhe compete: “IV- manifestar-se sobre
o arquivamento de inquérito policial militar, exceto nos casos de competência originária do
Procurador-Geral”.

- entendendo ser hipótese de arquivamento do inquérito policial militar ou de peças de


informação, o Promotor da Justiça Militar da União (também denominado de Procurador Militar,
que é o Membro do Ministério Militar junto à primeira instância) deve formular requerimento
nesse sentido ao juiz-auditor;

- concordando o juiz-auditor, proferirá decisão homologatória de arquivamento que, no entanto,


não se aperfeiçoa enquanto não submetida à correição do Ministro-Auditor Corregedor (remessa
necessária ao Corregedor da Justiça Militar da União, para aferição de equívoco procedimental
quanto ao processamento do arquivamento do inquérito policial militar ou das peças de
informação, que não seja ato jurisdicional, isto é, com força de coisa julgada material). Sobre o
ponto, o STF tem jurisprudência reiterada, no sentido da validade da previsão, inclusive com a
possibilidade de interposição, pelo Ministro Auditor Corregedor, de representação, junto ao
Superior Tribunal Militar, para a revisão do arquivamento de inquérito policial deferido pelo juiz
auditor (HC 109047);

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- caso o juiz-auditor discorde do requerimento de arquivamento, deverá remeter o inquérito
policial militar ou as peças de informação à Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério
Público Militar da União;

- a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Militar poderá deliberar: (a) pela
designação de outro membro para o oferecimento de denúncia; ou (b) pela insistência no pedido
de arquivamento. A manifestação da Câmara tem caráter meramente opinativo, sendo os autos
encaminhados ao Procurador-Geral do Ministério Público Militar que, por sua vez, poderá
discordar da manifestação, haja vista se tratar de atividade de "coordenação", podendo, conforme
o art. 397, do CPPM: (a) designar outro Promotor de Justiça Militar (Procurador Militar) para
oferecê-la; ou (b) reiterar o pedido de arquivamento, quando estará o juiz-auditor obrigado a
acatar. Note-se que o CPPM não prevê que o próprio Procurador-Geral do Ministério Público
Militar ofereça denúncia perante a Justiça Militar da União. O dispositivo apenas autoriza que ele
somente designe outro Promotor de Justiça Militar para que ajuíze a ação penal. Embora o CPPM
não tenha feito alusão a essa possibilidade, decorre da finalidade da regra que o próprio chefe da
instituição possa também oferecer a denúncia. Afinal, como o Promotor Militar designado age
dentro dos limites da delegação do Procurador-Geral, nada mais lógico que quem confira o fim
(designar para oferecer denúncia), detenha os meios para alcançá-lo (ele próprio possa promover
a ação penal, propondo denúncia).

(II) Militar dos Estados

- primeira instância (juízo de direito da Justiça Militar dos Estados), seguimos a regra geral do
citado art. 397, CPP, porém com as adaptações previstas no art. 28, do CPP, e no art. 10, da Lei
no 8.625/1993 (Lei Orgânica dos Ministérios Públicos do Estado), razão pela qual o procedimento
de arquivamento não se distingue daquele realizado no âmbito da Justiça Comum Estadual.

El e it o r a l

- primeira instância, o procedimento de arquivamento deve obedecer ao que estabelece o Código


Eleitoral, no § 1º, do seu art. 357, com a derrogação estatuída a partir do texto do art. 62, IV da
Lei Complementar no 75/1993, que define a organização, as atribuições e o estatuto do Ministério
Público da União.

Isso porque, a Chefia do Ministério Público Eleitoral, no âmbito de cada estado, é realizada por
um Procurador da República (Procurador Regional Eleitoral, membro do MPF), embora os
promotores eleitorais (junto à primeira instância) sejam promotores de justiça do respectivo MPE.

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Art. 79, da Lei Complementar 75/1993: O Promotor Eleitoral será o membro do Ministério
Público local que oficie junto ao Juízo incumbido do serviço eleitoral de cada Zona.

Parágrafo único: Na inexistência de Promotor que oficie perante a Zona Eleitoral, ou havendo
impedimento ou recusa justificada, o Chefe do Ministério Público local indicará ao Procurador
Regional Eleitoral o substituto a ser designado.

É hipótese de edição de ato complexo que deve acontecer quando for o caso de impedimento ou
de recusa justificada do promotor eleitoral que atue junto à zona eleitoral.

O BS .: Foi ajuizada ADI contra o art. 79, da LC no 75/1993. A ação foi julgada improcedente,
por maioria de votos, ocasião em que a Corte Suprema enfatizou que, embora o membro do MP
Estadual cumule a função de MP Eleitoral, elas não se confundem. Destarte, o promotor de
justiça recebe pelo Tesouro Estadual, e o promotor eleitoral, pelo Tesouro Federal. Ademais, o
promotor eleitoral subordina-se ao Procurador Regional Eleitoral, e não ao Procurador-Geral de
Justiça. (STF, Informativo nº 817).

Art. 357, §1º, Código Eleitoral: Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a
denúncia, requerer o arquivamento da comunicação, o juiz, no caso de considerar improcedentes
as razões invocadas, fará remessa da comunicação ao Procurador Regional, e este oferecerá a
denúncia, designará outro Promotor para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao
qual só então estará o juiz obrigado a atender.

Assim, o procedimento para arquivamento do inquérito policial perante o juiz eleitoral (singular)
de primeira instância, obedecerá às seguintes regras:

- entendendo ser hipótese de arquivamento do inquérito policial ou de peças de informação, o


Promotor Eleitoral (função desempenhada por Membro do Ministério Público Estadual) formula
requerimento nesse sentido ao juiz eleitoral (função desempenhada por juiz de direito da Justiça
Comum Estadual);

- concordando o juiz eleitoral, proferirá decisão homologatória de arquivamento;

- caso o juiz eleitoral discorde do requerimento de arquivamento, deverá remeter o inquérito ou as


peças de informação às Câmaras de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (apesar
de não previsto no art. 357, §1°, CE);

Enunciado n° 29 das Câmaras de Coordenação e Revisão do MPF: compete à 2º Câmara de

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Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal manifestar-se nas hipóteses em que o Juiz
Eleitoral considerar improcedentes as razões invocadas pelo Promotor Eleitoral ao requerer o
arquivamento de inquérito policial ou de peças de informação, derrogado o art. 357, § 1º do
Código Eleitoral pelo art. 62, inciso IV da Lei Complementar no 75/93.

- a Câmara de Coordenação e Revisão, com atribuição conforme a matéria, poderá deliberar: (a)
pela designação de outro membro para o oferecimento de denúncia; ou (b) pela insistência no
pedido de arquivamento. A manifestação da Câmara tem caráter opinativo, sendo os autos
encaminhados ao Procurador Regional Eleitoral (Procurador da República, Membro do Ministério
Público Federal) que, por seu turno, poderá discordar da manifestação, haja vista se tratar de
atividade de "coordenação", podendo, conforme o art. 28, do CPP: (a) oferecer denúncia; (b)
designar outro Promotor Eleitoral (função desempenhada por Membro do Ministério Público
Estadual) para oferecê-la; ou (c) reiterar o pedido de arquivamento, quando estará o juiz eleitoral
obrigado a acatar.

Ó r g ã o s c o l e g ia d o s

Atribuição: (1) do Procurador-Geral da República (Chefe do MPU); ou (2) do Procurador-Geral de


Justiça (Chefe do MPE).

Não sendo atribuição da Chefia do respectivo Ministério Público, o procedimento adotado será
aquele previsto para o arquivamento do inquérito policial no âmbito do juízo singular, embora se
trate de tribunal ou outro órgão colegiado.

(I) Supremo Tribunal Federal

Promovido o arquivamento do IP pelo Chefe do MPU (Procurador-Geral da República), sem que


seu fundamento seja capaz de constituir coisa julgada material, não cabe ao STF manifestar
discordância, mas tão somente homologar o arquivamento, por decisão de natureza
administrativa. A Suprema Corte reiteradamente tem destacando que só há necessidade de
controle jurisdicional, quando o fundamento seja meritório, notadamente "extinção de
punibilidade" ou "atipicidade" (vide STF – lnq. 2341 QO).

O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido feitas
diligências de investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução do inquérito, não
foram reunidos indícios mínimos de autoria ou materialidade (art. 231, § 4º, “e”, do RISTF). A

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pendência de investigação, por prazo irrazoável, sem amparo em suspeita contundente, ofende o
direito à razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88) e a dignidade da pessoa
humana (art. 1º, III, da CF/88). Caso concreto: tramitava, no STF, um inquérito para apurar
suposto delito praticado por Deputado Federal. O Ministro Relator já havia autorizado a
realização de diversas diligências investigatórias, além de ter aceitado a prorrogação do prazo de
conclusão das investigações. Apesar disso, não foram reunidos indícios mínimos de autoria e
materialidade. Com o fim do foro por prerrogativa de função para este Deputado, a PGR
requereu a remessa dos autos à 1ª instância. O STF, contudo, negou o pedido e arquivou o
inquérito, de ofício, alegando que já foram tentadas diversas diligências investigatórias e, mesmo
assim, sem êxito. Logo, a declinação de competência para a 1ª instância a fim de que lá sejam
continuadas as investigações seria uma medida fadada ao insucesso e representaria apenas protelar
o inevitável. STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8 / 2 0 1 8
(Info 912).

(II) Tribunais de Justiça e Tribunais de Justiça Militar

Art. 29, da Lei n° 8.625/1993 (Lei Orgânica dos MPEs) - compete ao Procurador-Geral de
Justiça:

VII - determinar o arquivamento de representação, notícia de crime, peças de informação,


conclusão de comissões parlamentares de inquérito ou inquérito policial, nas hipóteses de suas
atribuições legais;

Aqui também as promoções de arquivamento não comportam controle, salvo hipóteses de


"atipicidade" ou de "extinção de punibilidade”.

(III) Tribunal Superior Eleitoral

A função de Procurador-Geral Eleitoral é desempenhada pelo Procurador-Geral da República.


Desse modo, o mesmo raciocínio aplicável no âmbito do STF, vale para os inquéritos policiais
cuja manifestação de arquivamento tenha sido expendida pelo Procurador-Geral Eleitoral.

D e ma is ó r g ã o s c o l e g ia d o s

O pedido de arquivamento é formulado por Subprocuradores-Gerais da República, por

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Procuradores Regionais da República ou por Procuradores Regionais Eleitorais (isto é, Membros
do MPU).

Aplica-se a estes órgãos o que foi dito acima, de acordo com a esfera de Justiça correspondente
(Federal, Eleitoral ou Militar).

Quando se trata de rejeição de promoção de arquivamento de IP (formulada pelo Procurador-


Geral da República ou pelo Procurador-Geral de Justiça), valem as mesmas observações quanto à
impossibilidade de discordância do órgão colegiado no âmbito do STJ e dos TJ dos Estados,
salvo quando exigir decisão jurisdicional (casos de coisa julgada material: "atipicidade" e "extinção
de punibilidade").

(I) Superior Tribunal de Justiça

I n a p l ic a b il id a d e d o a r t . 2 8 d o C PP n o s p r o c e d ime n t o s que t r a mit e m n o S T J

Imagine que um Subprocurador-Geral da República instaurou procedimento de investigação


contra um Governador do Estado (art. 105, I, “a”, da CF/88). Ao final das diligências, o membro
do MPF concluiu que não havia elementos para oferecer a denúncia e requereu ao STJ o
arquivamento do procedimento. O STJ poderá discordar do pedido? NÃO. Se o membro do MPF
que atua no STJ requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de
informação que tramitem originariamente perante o STJ, este, mesmo que não concorde com as
razões invocadas pelo MP, deverá determinar o arquivamento solicitado. Como o pedido foi feito
por um Subprocurador-Geral da República, se o STJ discordar, ele não poderá remeter os autos
para análise do Procurador-Geral da República, aplicando, por analogia, o art. 28 do CPP? NÃO.
Não existe esta possibilidade de remessa para o PGR. Não se aplica o art. 28 do CPP neste caso.
Isso porque os membros do MPF que funcionam no STJ atuam por delegação do Procurador-
Geral da República. Assim, em decorrência do sistema acusatório, nos casos em que o titular da
ação penal se manifesta pelo arquivamento de inquérito policial ou de peças de informação, não há
alternativa, senão acolher o pedido e determinar o arquivamento. Em suma, não há que se falar
em aplicação do art. 28 do CPP nos procedimentos de competência originária do STJ. O MPF
pediu o arquivamento, este terá que ser homologado pela Corte. STJ. Corte Especial. Inq 967-
DF, julgado em 18/3/2015 (Info 558).

(II) Superior Tribunal Militar

A discordância emitida pelo órgão colegiado quanto à promoção de arquivamento formulada por
Membro do Ministério Público Militar junto àquela Corte, sujeita-se ao controle da Câmara de

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Coordenação e Revisão do Ministério Público Militar, nos termos descritos no tópico do
arquivamento perante a Justiça Militar da União.

(III) Tribunais Regionais Federais

A discordância do órgão colegiado acerca da promoção de arquivamento emitida por Procurador


Regional da República, submete-se ao controle da Câmara de Coordenação e Revisão do
Ministério Público Federal, com atribuição legal conforme a matéria, nos termos descritos no
tópico do arquivamento perante a Justiça Federal.

(IV) Tribunais Regionais Eleitorais

A discordância do órgão colegiado acerca da promoção de arquivamento emitida por Procurador


Regional Eleitoral, fica sob o controle da Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério
Público Federal, com atribuição legal conforme a matéria, nos termos descritos no tópico do
arquivamento perante a Justiça Eleitoral.

e ) D e s a r quiv a me n t o

Conforme a doutrina, é ato privativo do Ministério Público, sem a necessidade de intervenção


judicial, ocorrendo quando o promotor, convencido da existência de novas provas (súmula no
524, STF), oferece denúncia.

Enquanto os autos do inquérito estiverem arquivados pode o delegado de polícia validamente


colher qualquer elemento que possa simbolizar a existência de prova nova, remetendo-os
prontamente ao magistrado. Uma vez entregue o IP ao Ministério Público e caso se convença o
promotor de que se trata realmente de prova nova, oferecerá denúncia, operando-se assim o
desarquivamento.

Sobre os requisitos da "prova nova", o STJ assentou que são três:

[...] a) que seja f o r ma l me n t e n o v a , isto é, sejam apresentados novos fatos, anteriormente


desconhecidos; b) que seja s ub s t a n c ia l me n t e n o v a , isto é, tenha idoneidade para alterar o
juízo anteriormente proferido sobre a desnecessidade da persecução penal; c) seja a p t a a
p r o d uz ir a l t e r a ç ã o n o p a n o r a ma p r o b a t ó r io dentro do qual foi concebido e acolhido
o pedido de arquivamento; 2. Preenchidos os requisitos - isto é, tida a nova prova por pertinente
aos motivos declarados para o arquivamento do inquérito policial, colhidos novos depoimentos,
ainda que de testemunha anteriormente ouvida, e diante da retificação do testemunho
anteriormente prestado -, é de se concluir pela ocorrência de novas provas, suficientes para o
desarquivamento do inquérito policial e o consequente oferecimento da denúncia; [...] (RHC

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200501796256) (original sem grifo)

- prova formalmente nova: é a fonte já conhecida, que já foi objeto de produção no curso das
investigações, mas que recebe interpretação nova ou que informa elemento novo. Ex.: testemunha
ouvida no início das investigações e que, em momento posterior ao arquivamento do inquérito
policial, apresenta nova versão, justificando que havia sido ameaçada quando do primeiro
depoimento.

- prova substancialmente nova: é fonte desconhecida, inédita. Ex.: cadáver que não foi encontrado
por ter sido ocultado quando do cometimento do homicídio. Nesse caso, tanto a fonte como a
produção da prova inova de forma relevante o panorama probatório

Destaque-se que dos três requisitos acima, apenas os dois últimos são essenciais, sendo aquele
primeiro apenas um pressuposto lógico, mas que não é definidor da necessidade de
desarquivamento do inquérito:

[...] "Novas provas capazes de autorizar início da ação penal, segundo a súmula 524, serão
somente aquelas que produzem alteração no panorama probatório dentro do qual fora
concebido e acolhido o pedido de arquivamento do inquérito. A n o v a p r o v a h á d e s e r
s ub s t a n c ia l me n t e in o v a d o r a , e n ã o f o r ma l me n t e n o v a " (RT 540/393), nela não se
incluindo, por certo, a simples mudança de entendimento jurisprudencial. [...] (HC
200201030877) (original sem grifo)

Assim, somente a prova substancialmente nova é apta ao desarquivamento do inquérito policial e,


se da investigação resultar suporte probatório mínimo, poderá ser ajuizada ação penal de forma
regular e válida. Nesse sentido, a prova nova funcionará como "condição de procedibilidade para
o exercício da ação penal".

No ponto, o Ministro Ricardo Lewandowski, nos autos do HC 94869 STF, assentou ainda que
para o desarquivamento é suficiente a notícia de novas provas, enquanto que para a propositura
da ação penal deverá haver o sucesso dessas investigações, ou seja, da efetiva produção de novas
provas (Súm. 524, STF). Sem tal elemento, ausente estará a justa causa para ação penal; daí que "o
desarquivamento do inquérito policial nada mais significa do que uma decisão administrativa de
natureza persecutória no sentido de modificar os efeitos do arquivamento”.

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(f ) A r quiv a me n t o imp l í c it o

- Se o Ministério Público, ao propor a denúncia, deixar de se manifestar acerca de alguma infração


relatada no inquérito ou deixar de indicar algum criminoso que tenha sido indiciado, seguido do
recebimento da denúncia pelo juiz que não notou a omissão; é nascido em razão da omissão
ministerial que passa despercebida pelo magistrado (arquivamento tácito). Se, em momento
posterior, o promotor deseje aditar a denúncia para lançar o dado omitido, exige-se a existência
de prova ao Procurador Geral, invocando o art. 28, do CPP.

- Quando o promotor requer o arquivamento expresso em razão de algumas infrações ou de


alguns criminosos, deixando de se manifestar em relação aos demais; arquivamento expresso
falho, lacunoso.

- arquivamento implícito subjetivo: quando a omissão é de infratores investigados e não


denunciados;

- arquivamento implícito objetivo: quando a lacuna é em razão das infrações investigadas e não
denunciadas.

O arquivamento implícito não tem sido aceito, nem pela jurisprudência, nem pela doutrina, só se
considerando arquivado o inquérito policial mediante decisão do juiz (art. 18, CPP). À luz do art.
569, do CPP, entende o STJ que o aditamento pode se dar a qualquer tempo, desde que antes da
sentença final (vide HC 181.179). No mesmo sentido tem decidido o STF, declarando ser a ação
penal pública regida pelo postulado da Indisponibilidade (vide Al803138 AgR).

(g ) A r quiv a me n t o in d ir e t o

A hipótese do MP deixar de oferecer denúncia por entender que o juízo é incompetente,


requerendo a remessa dos autos ao órgão competente. Caso o magistrado discorde do pleito
ministerial, como não há como obrigar o promotor a oferecer denúncia, restaria, por analogia,
invocar o art. 28, remetendo os autos ao Procurador Geral, para que este delibere a respeito (vide
STJ, CA 43-4)

(h ) A r quiv a me n t o o r ig in á r io

Se o requerimento de arquivamento parte direto do Procurador Geral, nas ações em que atue

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originariamente, não há como o relator no Tribunal invocar o art. 28 do CPP, afinal, o pedido já
emana do próprio Procurador-Geral Subsiste, como via única, a homologação.

Assim, por força do art. 12, inciso XI, da Lei n° 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional MP), cabe ao
Colégio de Procuradores de Justiça, mediante requerimento administrativo do legítimo
interessado, deliberar se designa outro membro da instituição para oferecer denúncia, em
substituição ao Procurador Geral, ou se mantém o arquivamento.

Por outro lado, havendo mais indiciados que não gozam de foro privilegiado, segundo o STF, os
autos do inquérito devem ser remetidos ao juízo de primeiro grau, que deve abrir vistas ao MP,
para que se manifeste quanto aos demais suspeitos (STF- Inq. 1030-8).

(i) A r quiv a me n t o p r o v is ó r io

Quando o arquivamento se origina da ausência de uma condição de procedibilidade, como no


caso da vítima de crime de ação pública condicionada à representação, que se retrata antes da
denúncia ser oferecida. Restaria ao MP promover o arquivamento, aguardando que eventualmente
a vítima se arrependa e volte a representar. Se isso não ocorrer, a vítima decairá do direito de
representação, e a possibilidade da realização do desarquivamento irá desaparecer. O que era
provisório passará a ser então definitivo.

1 4.2 . C r ime s d e a ç ã o p e n a l p r iv a d a

Encerrado o inquérito policial e remetido a juízo, deve-se:

- aguardar a iniciativa da vítima, através do seu advogado, para que acesse os autos da
investigação que estão disponíveis em cartório, no intuito do oferecimento da queixa-crime. A
vítima, como regra, dispõe de seis meses para a propositura da ação privada, contados do dia em
que tem o conhecimento da autoria da infração. A pendência do inquérito policial não prorroga o
prazo que a vítima dispõe para exercer a ação; se o inquérito não estiver concluído, resta à vítima,
para evitar a decadência, oferecer a ação sem o inquérito, requerendo ao juízo que seja ele lançado
aos autos, assim que concluído. É bom lembrar que não há de se falar em arquivamento do
inquérito nos crimes de iniciativa privada. Se a vítima não deseja oferecer a ação, basta ficar inerte,
e com isso, ultrapassado o prazo de seis meses, opera-se a decadência. Caso o ofendido,

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inadvertidamente, requeira o arquivamento do inquérito, estará renunciando ao direito de ação, e
por consequência dando ensejo à extinção da punibilidade (art. 107, V, CP).

- os autos do inquérito são entregues ao requerente por traslado (art. 19, CPP).

1 4.3 . A r quiv a me n t o d o in qué r it o p o l ic ia l s e m r e que r ime n t o d o Min is t é r io


Púb l ic o

É referido na jurisprudência pelo nome de trancamento.

Geralmente ocorre no bojo de HC ou HC de ofício (tutela concedida por tribunal,


independentemente de provocação específica, como órgão responsável para tornar efetiva as
garantias fundamentais centradas no núcleo duro de direito processual penal constitucional).

Na primeira instância, depois de instaurada a persecução penal por meio do inquérito policial, o
seu arquivamento só pode se dar por meio de requerimento do Ministério Público, formulado
perante o juiz singular.

O juiz de primeiro grau só pode ordenar o trancamento de inquérito policial se a autoridade


coatora não detiver prerrogativa de função que imponha a competência do órgão de segunda
instância para julgar o HC. Vale dizer:

(1) se o inquérito policial for instaurado pela autoridade policial, de ofício, o juiz pode ordenar o
arquivamento, especialmente quando não anuir o Ministério Público com a licitude da persecução
pena. Nessa hipótese, a manifestação do Ministério Público contrária a instauração daquela
investigação preliminar equivale a um pedido de arquivamento, como pode se dar quando
entender que não há fato típico a apurar;

(2) caso o inquérito policial tenha sido instaurado mediante requisição do MP ou se o Parquet
corroborar a investigação, o juiz de primeiro grau não pode ordenar o arquivamento de ofício,
visto que falta-lhe competência para julgar HC ou conceder tutela de HC de officio contra ato de
autoridade que detenha prerrogativa de função perante o tribunal de instância a ele superior. Na
hipótese, cabe ao Tribunal de segunda instância, no exercício de função jurisdicional, julgar
habeas corpus contra coação de promotor de justiça. De tal modo, cabe aos interessados, ou a
qualquer pessoa, mover o writ junto ao tribunal competente para determinar o arquivamento do
inquérito policial.

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Em sentido contrário, se, no caso, o juiz de primeiro grau não pode ordenar o arquivamento de
ofício, caberia ao interessado pleitear a anulação da decisão de arquivamento (trancamento)
proferida pelo juiz. O Ministério Público poderia, inclusive, impetrar mandado de segurança para
assegurar o direito ao exercício de suas atribuições. Assim provocado, o tribunal poderia, até
mesmo de ofício, conceder habeas corpus de ofício para trancar o inquérito policial, com a perda
do objeto do mandamus.

1 5 . C O N S I D ERA Ç Õ ES F I N A I S

1 5 .1 . T e r mo c ir c un s t a n c ia d o

Nas infrações de menor potencial ofensivo (crimes com pena máxima não superior a dois anos e
todas as contravenções penais comuns, tratadas pela Lei no 9.099/1995, Lei dos Juizados), o
legislador, visando imprimir celeridade, prevê, como regra, no art. 69, a substituição do inquérito
policial pela elaboração do termo circunstanciado de ocorrência (TCO ), que é uma peça despida
de rigor formal, contendo breve e sucinta narrativa que descreve sumamente os fatos e indica os
envolvidos e eventuais testemunhas, devendo ser remetido, incontinenti, aos Juizados Especiais
Criminais.

É mera irregularidade a realização de inquérito policial ao invés do termo circunstanciado. Em


algumas situações, como na hipótese da autoria da infração ser desconhecida ou da alta
complexidade do fato, restará à autoridade policial, como alternativa, a elaboração do inquérito.

A legitimidade para presidência do TCO é da autoridade policial, afinal, é ferramenta de


investigação preliminar. Destaque-se que doutrina majoritária entende impossível a elaboração do
TCO pela polícia militar, visto que é a peça preliminar, supedâneo para a proposta de transação
penal e até mesmo da denúncia, no procedimento dos juizados especiais, exigindo a colheita de
lastro probatório idôneo, por autoridade legítima, o que não pode ser generalizado.

O BS : a Lei no 11.343/2006 (Lei de tóxicos) prevê a presidência da lavratura do TCO pelo


magistrado, nos delitos de porte para uso de substância entorpecente e cultivo ou semeio para
consumo (art. 48). Na falta do magistrado, a lavratura será realizada pela autoridade policial.
Entende Nestor Távora ser alvo o presente dispositivo de é flagrantemente inconstitucionalidade.

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1 5 .2 . C o n t r o l e e x t e r n o d a a t iv id a d e p o l ic ia l

Art. 129, VII, CF/1988: caberá ao Ministério Público exercer o controle externo da atividade
policial, na forma da lei complementar, de iniciativa dos respectivos Procuradores-Gerais da
União e dos Estados. Este controle nada tem a ver com subordinação hierárquica, e sim como
forma de fiscalização externa salutar ao desempenho da atividade da polícia judiciária.

1 6 . N OV I DA D E LEGI S LAT I VA : I MPLI C Â N C I A S DA LEI N º 1 3 .5 0 5 / 2 0 1 7 ,


Q UE AC RES C EN T A A LGUN S D I S PO S I T I V O S N A LEI MA RI A DA PEN HA
(LEI N º 1 1 .3 40 / 2 0 0 6 ) N O I N Q UÉRI T O PO LI C I A L

Atendimento policial e pericial especializado, ininterrupto e prestado por servidores


previamente capacitados, preferencialmente do sexo feminino.

Diretrizes e cuidados que deverão ser adotados para a inquirição da vítima e das testemunhas

1) Salvaguarda (proteção) da integridade física, psíquica e emocional da depoente;

2) Impossibilidade de contato direto da vítima (mulher), de seus familiares e das testemunhas com
os investigados/suspeitos ou com as pessoas que tenham relação com eles;

3) Combate à “revitimização” da depoente: deve-se evitar que a vítima seja sucessivas vezes ouvida
sobre o mesmo fato nos âmbitos criminal, cível e administrativo ou questionamentos sobre a sua
vida privada

O BS .: “Revitimização” – a vítima é sucessivamente submetida a um novo trauma, um novo


sofrimento ao ter que lembrar e relatar um episódio triste e difícil de sua vida. Desse modo, a cada
depoimento, a vítima sofre uma violência psíquica.

Procedimento a ser adotado, preferencialmente, para a inquirição

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I - a inquirição será feita em recinto especialmente projetado para esse fim, o qual conterá os
equipamentos próprios e adequados à idade da mulher em situação de violência doméstica e
familiar ou testemunha e ao tipo e à gravidade da violência sofrida;

II - quando for o caso, a inquirição será intermediada por profissional especializado em violência
doméstica e familiar designado pela autoridade judiciária ou policial;

III - o depoimento será registrado em meio eletrônico ou magnético, devendo a degravação e a


mídia integrar o inquérito.

Os Estados e o Distrito Federal, na formulação de suas políticas e planos de atendimento à


mulher em situação de violência doméstica e familiar, darão prioridade, no âmbito da Polícia
Civil, à criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), de Núcleos
Investigativos de Feminicídio e de equipes especializadas para o atendimento e a investigação
das violências graves contra a mulher.

A autoridade policial poderá requisitar os serviços públicos necessários à defesa da mulher


em situação de violência doméstica e familiar e de seus dependentes.
O B S . : O projeto de lei aprovado previa que os Delegados de Polícia poderiam aplicar,
provisoriamente, até deliberação judicial, medidas protetivas de urgência em favor da mulher,
como a determinação para que o suposto agressor ficasse distante da vítima. Tal previsão foi,
contudo, vetada pelo Presidente da República sob o argumento de que a prerrogativa de impor
medidas protetivas de urgência é privativa do Poder Judiciário, não podendo ser estendida à
Polícia.

1 7 . S ÚMULA S A PLI C Á V EI S

1 7 .1 S T J

234. A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta
seu impedimento ou suspeição para o oferecimento de denúncia.

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444. Ê vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base.

522. A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em
situação de alegada autodefesa.

1 6 .7 S T F

Súmula Vinculante nº 14. É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo
aos elementos de prova que. já documentados em procedimento investigatório realizado por
órgão com competência de policia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

397. O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime
cometido nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante do
acusado e a realização do inquérito.

524. Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça,
não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas.

[1] Informações retiradas do site Dizer o Direito. Disponível em:


ttps://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/139c3c1b7ca46a9d4fd6d163d98af635?
categoria=12&subcategoria=127&assunto=296

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