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Avaliação – Conclusão de Tramas e Fios

Pedro Henrique Brinck Camargo – nº USP 9288126

Iniciando sua reflexão acerca dos valores da música e da educação


musical através da história, Fonterrada estabelece correspondência entre os
valores da sociedade. Para os Gregos, a música era estruturadora da
cidadania, espelho do universo e, portanto, muito valorizadas pela cultura
grega. Para os Romanos, que embora herdassem muitas de suas crenças dos
gregos, privilegia-se o espetáculo, portanto, a criação de escolas de música
que formasse músicos de qualidade - algo semelhante com os valores
presentes na contemporaneidade. Na Época Medieval, equiparada a
matemática - herança dos gregos, mas instrumento de louvor a Deus. No início
da idade moderna, nos séculos XVI e XVII, a visão cartesiana muda as
perspectivas para as ciências e para própria filosofia, que busca um exato, um
estável, a música é construída a partir de valores mensuráveis, num sistema de
afinação estável, fabricação de instrumentos de acordo com moldes tanto para
o gosto dos músicos quanto para controle de qualidade. Para o século XIX, na
primeira metade, vista como expressão máxima do ideal romântico. Na
segunda metade, a música, vista como ciência e arte – música e musicologia,
que se propõe a reconstruir o passado, analisar a metodologicamente a
partitura, num movimento fortemente influenciado pelo positivismo. A formação
do músico ocorre nos Conservatórios e propõe formar virtuoses que detém o
controle máximo das possibilidades técnicas do instrumento.
A autora aponta o movimento dialético expressão artística-ciência, que
norteará o pensamento dos Educadores Musicais da Primeira Geração:
Dalcroze com raízes na psicofísica – mas visando formar artistas, Willems no
anseio de ensinar com ciência, com Kodaly a abordagem musicológica – que
visa revelar a identidade do povo húngaro e iniciando o movimento da
Etnomusicologia, Orff inspirado pela teoria de Darwin, e por último Suzuki que
segunda a autora "representa a confluência dos dois mundos" pois ele "soube
sintetizar as posturas, os valores e o pensamento oriental e ocidental” (p.337).
Com as mudanças do novo mundo, da revolução industrial, a música do
Século XX rompe com o sistema tonal e leva os compositores a explorar novas
formas de inventar e fazer música. Algumas dessas formas que já aparecem
presente através das escalas não tonais, modais ou pentatônicas na obra de
Kodaly e Orff, outras propostas que fruirão em uma nova elaboração de ensino
de música, entre os nossos estudados, o Paynter e Schafer que passam a
incorporar elementos da estética contemporânea nas proposições de ensino de
música.
Mencionando a importância de Koellreutter, e esse movimento
diacrônico entre a música contemporânea feita na Europa e na inspiração
nacionalista tendo Villa-Lobos como ícone, mostra como as ideias além da
música, se traduzem em um campo de ideias opostos na prática do ensino de
Música. Autora comenta sobre a retirada da Música como Disciplina Curricular
na Música pela lei nº5692/71 substituindo-a pela educação artística, movimento
que se alinha com o tecnicismo na Educação Brasileira, que passa a se basear
em objetivos e buscar uma neutralidade, essa que era “ameaçada” pelo teor
“ideológico” do material didático produzido por Villa-Lobos ainda usado até
então nas escolas.
Isso acontece no Brasil enquanto a música contemporânea chegava na
escola, com procedimentos não lineares e multidirecionais enquanto o Brasil
vivia um regime militar com forte controle das expressões artísticas, que não
temia publicamente reprimir as expressões contrárias. Então ao entendermos
esse movimento na educação musical brasileira, e comparar com o que
acontece nos países europeus e norte-americanos - ensino de música através
de banda, coro e orquestra, com práticas de escuta, movimentos de criação e
composição musical nas escolas, o Brasil esvaziava-se da música, criando
assim uma cisão entre Música e a Escola.
A Autora distingue ainda:
Método Cartesiano, com grande ênfase no método, reduz os fenômenos
complexos a seus ingredientes básicos e busca mecanismos por meios dos
quais os componentes interagem, neste modelo, o que não se ajustam aos
princípios da ciência básica é deixado de lado.
Visão Sistêmica de Capra, caracterizada pela consciência da inter-
relação e interdependência de todos os fenômenos, físicos, biológicos,
psicológicos, sociais e culturais, que transcende as atuais fronteiras
disciplinares.
A Autora ainda fala do contraste entre o modelo mecânico com a
concepção sistêmica: o primeiro funcionalista que concebe o todo como
conjunto de engrenagens que se articulam de modo preciso e obedecem uma
estrutura determinada, o segundo modelo como uma analogia ao organismo
vivo, que as partes são autônomas embora interdependentes, flexíveis e
dotadas de plasticidade. Em face dessa dicotomia entre
funcionalismo/utilitarismo com uma visão sistêmica, segundo a autora, o
importante é o peculiar, e justamente através da compreensão do peculiar que
se começa a compreender o valor das atividades criativas e das artes.
A autora não pretende esgotar o assunto, mas demonstra a relação dos
novos modos de compreender, com os procedimentos em rede, para elucidar a
problemática acerca da ausência da Música na escola brasileira, que tem
relação direta com os valores a ela atribuídos. E nesse ponto, este texto
permanece atual, porque as situações extremas em outros âmbitos afetam
profundamente o sistema educacional, que atualmente, com as reformas
educacionais cada vez mais utilitaristas e funcionalistas que estabelecem
metas, habilidades e competências para os alunos sem considerar a realidade
social dos alunos da e na escola, em função das políticas neoliberais que
assolam o Brasil desde a década de 1990.
Finalizando o texto, voltando para a questão dos valores atribuídos a
música, até que a música tenha seu papel real desvelado para sociedade, para
então convencermos que ela é uma parte necessária e não periférica da cultura
humana, até que esse valor fundamental seja resgatado, ainda teremos
dificuldades de ocupar um espaço no sistema educacional. E cabe a nós,
acadêmicos e Universidade, romper com esse ciclo que não permite a
democratização do acesso à Música na Escola.