Sie sind auf Seite 1von 39

Ano 2 Edição 11

Expediente
Sérgio Oliver
Publisher

Marcos Souza
Arte Visual / Designer Gráfico

André Terto
Supervisor de Textos

Colunistas
Fabiano Js
Perfumista / Charme Essência

Luciene Ricciotti
Especialista em Perfumes e autora do livro Estação Perfume

Roberto D’Angelo
Especialista em Perfumes e criador da página A Arte em Frascos de Perfumes

A Revista Olfato não se responsabiliza pelos textos escritos por seus colunistas e colaboradores. Todos os
temas são de total responsabilidade de seus criadores.

Ao leitor
A Revista Olfato é a única publicação brasileira a abordar o perfume como tema principal de suas matérias. Fa-
zemos isso, com muito carinho, pensando em trazer um conteúdo exclusivo e premium para você, querido leitor!
Tenha a certeza de que continuaremos dando o nosso melhor! Muito obrigado por sua companhia nessa viagem
perfumada e tenha uma ótima leitura!

Sérgio Oliver

Foto:Fernanda Beauchamps / Estúdio Lumiere


2
ÍNDICE ANO 2 - EDIÇÃO 11
04 Conte Sua História
Por Jerson Dotti
08 Manoel Severino
Por Sérgio Oliver

10 Lançamento
Por Cynthia Rodrigues
13 Elaine Dias
Por Sérgio Oliver
16 Antônia Fontenelle
Por Sérgio Oliver
20 Mônica Rossetto
Por Sérgio Oliver
23 Sugestão de Leitura
Por Roberto D’Ângelo Capa: Antônia Fontenelle
Foto: Fotos: Fernanda Beauchamps/Estúdio Lumiére
28 Orpheu Cairolli Assistente fotográfico: Diego Marquetti
Make Up: Marcone Milanez
Por Sérgio Oliver Arte visual/Designer Gráfico:Marcos Souza

29 Thera Cosméticos
Por Sérgio Oliver
33 Sugestão de Leitura
Por Tony W. Ribeiro Cardoso

Anuncie na Revista Olfato


Temos sempre um bom espaço reservado para você.
E-mail: Revistaolfato@gmail.com

3
Conte sua história
Por Jeson Dotti

A nova marca queridinha do Brasil


“Começar algo por hobby ou pelo desejo
de realizar um sonho pode tornar-se uma
nova atividade, ou mesmo um investimento
pessoal. Posso afirmar isso com proprieda-
de, já que realizei um sonho desenvolvendo
duas fragrâncias para a família e amigos em
2016, tendo como inspiração uma bolha de
sabão.

E, agora inspirado novamente, mas pela


“Spectrolite”, uma rocha multicolorida, me-
talizada, lindíssima e sedutora, dou início
a uma nova atividade em minha vida. Sem
abordar as peculiaridades e poderes da
pedra, foi sua força intrínseca que me im-
pulsionou a criar uma nova fragrância, que,
dessa vez, será comercializada no mercado
de nicho.

4
Essa história começou com uma visita à
Casa Lombardi, para adquirir fragrâncias
de ambiente. Um de seus produtos me
chamou muito atenção pela sua cor roxa,
imediatamente me lembrando a “Spectroli-
te”, uma variação da pedra labradorita, com
espectros de cores intensas e iridescentes.
Rodrigo Lombardi, proprietário e diretor
criativo da Casa, me apresentou, na oca-
sião, essências e perfumes que afloraram
minha sensibilidade e intuição. Desse en-
contro, resultou um projeto que iria esta-
belecer um novo rumo em meus negócios.
Planejamos juntos cada detalhe, cada etapa
do processo. Iniciava então, em novembro
de 2017, uma jornada que culminaria, em julho 2018, com o nascimento oficial de um novo produto.

Estudamos a viabilidade e as possibilidades de lançar um perfume com elementos idealizados pela


aura da nova marca Dotti Perfumes, criada com a proposta de proporcionar bem estar, alegria e sen-
sualidade para homens e mulheres. A fragrância deveria revelar as sutilezas e força de cada persona-
lidade com uma Luz de sofisticação e sensualidade. Para descobrir variações e novidades de aromas
fiz uma viagem aos EUA, onde pude encontrar essências especiais, indicadas pelo Rodrigo Lombar-
di, e que abriram várias possibilidades de criação para uma fragrância exclusiva.

Trazer às pessoas mais confiança e o sentir-se bem virou um compromisso da marca Dotti Perfumes
e ,nessa linha, o novo perfume precisava revelar-se e ser representado por uma respiração mais pro-
funda e abundante, e que tambem trouxesse elegância e sensualidade.

Com todos esses conceitos fomos estabelecendo a alma do perfume, para conceber um corpo que
pudesse trazê-lo à vida de uma forma bonita e sofisticada. Desde então, todos os conceitos, formas,
e essência foram trabalhados em conjunto. Vidro, pintura, tampa, cartucho, estampa, tratamentos,
textos, foram fases de uma saga que a Casa Lombardi ,nas palavras do Rodrigo Lombardi, poderá
ser contada em todos os detalhes.” (Dotti Perfumes)

5
6
"Ao receber a visita do Dotti em nosso ateliê, aqui na Casa Lombardi, percebemos logo de cara que se tratava de uma pessoa cheia
de inspirações e vontade de realizar. Quando ele mencionou a pedra labradorita, eu não fazia ideia de seu encanto e complexidade.
Estávamos falando de uma pedra tão facetada como uma fragrância de perfumaria fina.
Ele retornou em uma segunda visita, essa já para definirmos o direcionamento olfativo do que seria a primeira fragrância fina da
Casa Lombardi. Foi quando nos presenteou com a própria pedra, a Spectrolite, a qual eu carreguei comigo durante todas as etapas
do desenvolvimento de PROFUSION. O nome da fragrância ainda estava a ser definido. Contudo já estava definido que seria um
perfume genderless, para todas as pessoas, sensual, instigante e multifacetado.
Enquanto ele viajava para os Estados Unidos para buscar inspirações, do lado de cá, no criativo, nós já estávamos desenhando os
caminhos visuais do frasco, tampa, artes, cartucho e, no espectro olfati-
vo, o fundo oriental balsâmico e sensual de sua fragrância.

Quando voltou de viagem, Dotti trouxe, dentre outros inúmeros, o óleo


essencial de tarragon, porque havia gostado do nome. Mal sabia que
seria a principal inspiração para o top de nosso perfume: estragão, arte-
mísia, absinto, todos primos do tarragon!

Ao longo dos próximos 6 meses, após inúmeros ensaios, ajudas de nari-


zes amigos que direcionaram nosso olfativo para Profusion, testes e mais
testes com consumidor, trabalho e retrabalhos, chegamos enfim a uma
unidade visual e olfativa, em perfeita consonância: o violeta, quente e en-
volvente, se transmutou em um corpo recheado de heliotrópio, gerânio,
canela e cumarina e o frescor do azul foi traduzido pelos cítricos em har-
monia com as especiarias como pimenta preta, cardamomo e cravo. O
equilíbrio entre o gelado e o quente. O frasco ganhou um formato macio
ao tocar, com um encaixe perfeito na mão e se tornou realidade em uma
embalagem cheia de significados, elegância e sensualidade. O cartucho
ganha a textura da nossa musa inspiradora, a Spectrolite. A sensorialida-
de é marca registrada do Dotti, e este projeto não poderia ser diferente.

Estamos extremamente orgulhosos do resultado completo de PRO-


FUSION e ainda mais felizes com a satisfação de nosso mais que
especial parceiro, Dotti Perfumes." (Casa Lombardi)

Fotos: Miriam Rezende


7
Entrevista
Por Sérgio Oliver
Quem conhece o trabalho de Manoel Severino fica encantado com suas criações: verdadeiras telas de arte
em forma de camisetas. Conheça, nessa entrevista exclusiva, um pouco da trajetória desse artista.

Qual sua formação profissional? Você tem criado camisetas com uma técnica de tin-
Sou licenciado em Educação Artística, Sociologia e Ba- gimento natural? Como funciona e quais matérias
charel em Serviço Social. primas utilizadas?
Funciona da seguinte maneira: primeiro eu faço uma
Em que momento da sua vida você descobriu a arte da pesquisa com os elementos dos sabores populares, ou
estamparia e resolveu trabalhar com isso? seja, o conhecimento através das plantas, sementes,
Descobri aos 14 anos, por necessidade e curiosidade, fa- cascas, folhas, flores, raízes, salvaguardando as tradi-
zendo experimentos com tintas, pois tinha que descobrir ções e a cultura artesanal e milenar indígena, Ciganas
algo para fazer e vender que ajudasse nas minhas despesas e Africanas. Feita a seleção das plantas adequadas
escolares, haja visto naquela época não existiam programas e seus derivados, observando qual o tom para cada
sociais de transferência de renda, e eu sou oriundo de famí- tingimento denominada técnica do ecotigento, onde
lia com fonte de renda inferior, abaixo do que hoje é consi- não se faz uso de produtos químicos, cada peça é
derada a linha de pobreza. tingida e leva em média 08 dias para ficar pronta. As
plantas que mais utilizo são o Jatobá, aroeira, murici,
Qual sua inspiração para criar uma estampa para camisetas? açafrão da terra, lembrando que as técnicas usadas
Desenvolvo o pensamento criativo dentro da diversidade e nesse tingimento mantem inclusive a essência natural
tipografia de elementos advindos, principalmente, do meio do material.
ambiente, como materiais alternativos e recicláveis com
vasta abundancia na natureza. Você gosta de perfumes? Se sim, pode nos dizer qual?
8
Sim. Gosto principalmente dos perfumes feitos de formas
artesanais, manipulados e com aroma amadeirado. Eu uso o
Primek, da linha Nebruska, Club 6 e Trip, ambos da Eudora,
e o Malbec, de O Boticário.

Você é do tipo de usar fragrância durante muito tempo ou


prefere várias?
Não uso por muito tempo. Geralmente faço uma variação a
cada seis meses ou menos tempo, preferindo sempre variar
de acordo com a ocasião
.
Quais as lembranças olfativas boas que sua memória traz e
que você poderia nos contar?
Cheiro e sabores marcam muito a vida das pessoas e comigo
não foi diferente. Lembro muito da minha adolescência. Como
não tinha dinheiro para comprar perfumes, eu e meu um ir-
mão, colocávamos flores naturais em vidros com álcool e, após
três dias, a substancia já exalava cheiro. Foi com esse tipo de
fragrância feita artesanalmente que nos perfumávamos durante
toda nossa adolescência.

O que poderia nos contar sobre possíveis novidades que vem


por aí?
Perspectivas de novas tipografias, de novas estampas fazendo uso
de novos experimentos e materiais a serem pesquisados, fazer
exposição e dar visibilidade ao trabalho como um todo, oficinas
com projetos sociais em escolas públicas e rodas de conversas
com essas temáticas ampliando o produto e comercialização.

Fotos: Divulgação

9
Lançamento
Por Cynthia Rodrigues

“Estamos criando para a África um conceito de perfume relacionado à identidade nacional, por uma razão
óbvia: a historia da África é antagônica à da Europa. Portanto, perfumes Europeus não caminham em sintonia
com os conceitos africanos”.
Mesmo os ingredientes sendo globais, os conceitos de-
vem ser regionais, pois as pessoas compram, mais do que
um perfume, uma historia que o perfume representa.
Lançamos, com nosso perfumista Rafael Pataca, o perfu-
me Samona Freedom Fighter, inspirado no líder mo-
çambicano e sua visão de liberdade.” José Luiz De Paula
Junior (Designer)
“A ideia de nomear personalidades moçambicanas nos
perfumes é a oportunidade de imortalizar essas figuras
importantes da historia. A Câmara de Comércio Indus-
tria Ciência e Tecnologia Brasil-Moçambique luta para
que essa relação entre os dois países seja mais estreita e
que esse laço seja duradouro e perfumado.” Fernando
Ferreira (Presidente da Câmara de Comércio Industria
Ciência e Tecnologia Brasil-Moçambique)
"Samora, conhecido por sua liderança revolucionária na
Guerra da Independência de Moçambique, e por se tornar
o primeiro Presidente após essa conquista, foi homenagea-
do de uma forma única, com uma fragrância que conta sua
história em cada acorde exalado; onde as notas cítricas pre-
sentes de bergamota e mandarina representam a sua deter-
minação e audácia, já as notas de corpo de Jasmim, Peônia e
Rosas relentem a sua conquista de paz e trazem a harmonia
com notas de musk e sândalo. A própria embalagem tam-
bém faz uma homenagem a este Herói de uma forma ímpar,
com a cor vermelha a qual simboliza o amor por sua luta,
já a cor preta retrata o luto e respeito à todos aqueles que
lutaram ao seu lado, e o nome em dourado revela a riqueza
do seu povo." Rafael Pataca (Perfumista)

10
“O meu nome é João Faustino Da Costa, de 37 anos e
filho de Edgar T.J.Da Costa e de Ornila S.M. Machel, e
deste casamento somos dois filhos, eu e a Dionne Irene,
de 32 anos.

Dos dois lados das famílias, sou o neto rapaz mais velho
e cresci como qualquer criança normal moçambicana,
mas tendo a sorte de ter nascido numa família em que
o Presidente da República era o meu avô, sendo sempre
educado pelos meus pais que eu era uma criança normal
e que deveria conviver com qualquer outra como tal o
que me tornou na pessoa que hoje sou.

Tenho como hobbies a leitura sendo o 48 Laws Of Power


e Art Of War os meus favoritos e a prática de desporto
tendo o basketball como predilecto. Fui crescendo sem-
pre num ambiente de pessoas mais velhas que de certa
forma sempre permitiram que deixa-se a minha opinião
presente não obstante de que a última palavra era sempre
a deles.

Quando atingi a adolescência começou a crescer em


mim a vontade de ajudar ao próximo e de certa forma
fazer uma pequena diferença na sociedade tanto mais
que na altura, por volta dos anos 2000, envolvi-me como
voluntário numa organização não governamental nor-
te-americana de ajuda na luta contra o Hiv-Sida dando
palestras de sensibilização aos jovens nas escolas e hospi-
tais.
Nos anos seguintes, envolvi-me num projecto familiar de agricul-
tura – produção de batata reno - em que o objectivo era trazer a
diversidade alimentar na região do Chokwé- Chilembene, província
de Gaza, exactamente onde Samora Machel nascera.
Este trabalho em conjunto com o José Luiz De Paula Jr. veio catali-
sar a vontade que havia já em mim – só que ainda não sabia como
- de poder de forma diferente homenagear Samora Machel, e, na
conversa aberta e franca que tivemos na Beira, ele mostrou-me o
que já tinha idealizado e decidimos de certa forma juntar esforços e
avançar. O Zé é uma pessoa muito especial, a sua humildade, fran-
queza e da forma como aborda os assuntos de carácter social trouxe
ainda mais a certeza e a vontade de colaborar.
Gostaria ainda nos anos que se aproximam de fazer alguma dife-
rença no seio do povo moçambicano, há muito ainda por fazer, a
educação precisa de novos alicerces, a agricultura tem que ser me-
canizada e necessita de novas tecnologias, as cidades precisam cres-
cer e é necessário um novo plano de urbanismo e uma disciplina
de gestão séria, tudo isso precisa de know-how e de mais trocas de
experiências, mais empreendedorismo e vontade do sector privado.
Brasil e Moçambique no momento passam por momentos menos
bons que só com a partilha de ideias, experiências e trabalho em
Um forte abraco ao Zé Luiz e toda equipe. conjunto poderão ultrapassar e trazer ao de cima o que de belo
João F. Da Costa “João Machel (Neto da Sr. Graça Machel) cada um deles têm impulsionando assim vários outros sectores e in-
Participações em fotos: teresses. Espero ainda poder ter a minha participação em cada um
José Luiz, Rafael Pataca, João Machel, Fernando Ferreira, destes pontos.
Cynthia Rodrigues, Graça Machel , Fernando Yamazaki .
Criação da Fotos: Renan Ramos
11
12
Entrevista
Por Sérgio Oliver
Elaine Dias
Faz do palco seu maior desafio
A atriz capixaba Elaine Dias, radicada no Rio de Janeiro há 11 anos,
começou a estudar teatro de forma mais focada aos 12 anos. Aos 14,
ingressou em sua primeira Cia de Teatro, o "Grupo Expressão”, depois
passou por outras cias tanto no Espírito Santo quanto no Rio de Janeiro
e, há cinco anos, faz parte da Cia Abraço da Paz. Embora participe
de outros trabalhos na vertente da atuação, a atriz garante que o
palco é sua morada. Mas engana-se quem pensa que Elaine considera
o teatro um local de conforto. Segundo ela, trata-se de um lugar
conhecido, porém desafiador. "Comecei a fazer teatro ainda muito
nova, e vira e mexe quando faço um curso de reciclagem, fico
maravilhada ao perceber o quanto ainda posso aprender e evoluir.”
Você mudou para o Rio em busca de mais oportunidades no teatro,
mas muitos artistas nessa situação acabam não tendo uma chance.
Como você lida com a concorrência e como se destacar em um
mercado cada vez mais competitivo?

Eu tive que começar do zero. A construção de uma carreira é lenta


e o mercado vai te legitimando aos poucos. Tenho muita coisa para
conquistar ainda. A competição existe por ter muita gente na pro-
fissão, mas com o tempo as pessoas vão te conhecendo e começam
a apostar em você. Eu sempre corri muito atrás e costumo conser-
var os meus trabalhos dando o meu melhor e sendo responsável
com os compromissos que assumo.

Muitos artistas dizem que hoje no Brasil é difícil viver apenas do


Você começou no teatro aos 12 anos. Quando você perce-
teatro. Você consegue conciliar outros trabalhos com os palcos?
beu que queria atuar profissionalmente?
Sim. Por isso também me proponho a atuar em várias vertentes:
cinema, tv, internet, corporativo e também leciono em workshops
Desde o primário, eu já participava de apresentações
de teatro. Além de atriz, sou graduada em jornalismo e pedagogia.
teatrais na escola onde, inclusive, a diretora chegou a falar
Me considero uma comunicóloga e a minha principal vertente sem-
sobre a minha espontaneidade com a minha mãe. Aos 12
pre foi a atuação.
anos, comecei a fazer um curso com uma professora que
era diretora de um grupo de teatro muito respeitado no Es-
Você costuma dizer que o teatro é um desafio diário. Qual a sua maior difi-
pírito Santo. Era o sonho de todas as meninas serem convi-
culdade nessa área?
dadas para o "Grupo Expressão" e, aos 14 anos, ingressei na
Eu nunca tinha feito teatro físico. A minha formação vem de uma linha
Cia. Não foi rápido.
psicológica e descobrir o físico me abriu para outro universo da atuação que
me enriqueceu muito. No começo por ser algo novo, bateu um leve deses-
Como foi sua preparação/formação para chegar aos palcos
pero. Mas depois que saí da zona de conforto, me senti mais confiante para
e realizar o sonho de ser atriz?
conceber essa aprendizagem eterna. Ser um ator completo que canta, dança e
representa é um desejo a ser conquistado, é mais um desafio.
Depois que entrei no "Expressão", fiz outros cursos, fui
para outra Cia também e comecei a trabalhar com teatro
Além do teatro, você já viveu experiências no cinema, internet e na TV. São
corporativo. Mas aprofundei mesmo os meus estudos no
plataformas diferentes. O que cada uma delas representa para você?
Rio de Janeiro. Fiz profissionalizante na Escola Sated RJ,
O audiovisual é novo para mim ainda. No Espírito Santo, eu nunca tinha
estudei quatro anos no Tablado, e estive com vários profis-
trabalhado essas vertentes. Cada trabalho é um desafio, literalmente. Eu gosto
sionais incríveis, como Antônio Amâncio, Isabela Sechin,
de atuar. Não importa o veículo. Mas a minha paixão sempre foi o teatro. Eu
Guida Viana, Bernardo Jablonski e vários outros. O ator
gosto de toda a rotina. Dos ensaios, do frio na barriga antes de entrar em cena,
nunca está pronto. Eu acho fundamental se reinventar e se
do contato com o público e tudo mais. Atuar é maravilhoso! Mas atuar no
atualizar sempre na profissão.
teatro é inexplicável.
13
14
Você também está investindo no teatro musical.
Como está sendo a experiência?
Eu estudo na Escola Pedro Lima de Canto e tem
sido um aprendizado e tanto. É muito bacana
sentir a minha evolução. Mas cantar, dançar e in-
terpretar não são tarefas simples. Estou amadu-
recendo muito enquanto artista. E a escola tem
uma clima de aprendizagem sem competitivida-
de, e tanto a equipe técnica, quanto os alunos,
são altamente generosos, o que torna o processo
muito agradável.

Qual é sua relação com os perfumes?

Amo perfumes! Eu usei por muitos anos o Lagu-


na. Mas depois, resolvi mudar e me rendi aos que
tem um aroma floral. Atualmente uso o Kenzo,
que também já me acompanha há muito tempo.
Mas confesso que estou migrando para o 212
Vip Rosé e estou amando. É forte, mas na me-
dida certa. Do tipo marcante, ao mesmo tempo,
suave e discreto.

O que sua memória olfativa lhe traz como uma


lembrança boa?

Várias lembranças. Cheiro de praia, de nature-


za, de comida, coisas que remetem à infância,
momentos, e claro, pessoas. Meu diretor virou
pra mim faz pouco tempo e disse: esses dias senti
na rua cheiro de Elaine. Adorei! Também muitas
vezes sinto um perfume e lembro de alguém na
hora.

Você é do tipo que usa a mesma fragrância du-


rante muito tempo ou prefere variar?

Eu não gosto de variar muito. Fico anos com o


mesmo. Eu sinto o perfume como uma marca da
pessoa, às vezes, em alguma situação de emer-
gência, tipo viagem, já precisei pegar perfume
emprestado, mas não é a mesma coisa que usar
o seu perfume, por mais agradável que o outro
possa ser. Eu me apego. Risos.

Você considera o perfume como uma forte arma


sedução?

Com certeza! Quem não gosta de uma pessoa


cheirosa? Na roda entre as amigas quando vamos
citar as características de um homem, o cheiroso
na maioria das vezes é ressaltado. Risos

15 Fotos: Andrea Rocha


16
Ela é um furacão de alegria, de força, otimismo! Não é do tipo de ficar calada diante de
uma injustiça: diz o que pensa - doa a quem doer! Seu canal no YouTube Na Lata e Na
Cama da gata já alcançou um milhão de inscritos, o que o torna um verdadeiro sucesso.
Antonia representa muito bem a mulher brasileira, e nós tivemos a honra de poder contar,
nesta entrevista exclusiva, um pouco sobre a trajetória dessa grande mulher pela qual o
Brasil se apaixonou.
17
Você teve uma infância um pouco difícil. Pode nos contar
um pouco sobre isso? E a vontade de ser atriz já existia des-
de essa época?
Minha infância foi simples, porém muito rica de amor, de
valores.

Qual foi o seu primeiro trabalho na TV? E como foi essa


experiência?
Meu primeiro trabalho foi em Malhação, na TV Globo. A
temporada de 2009/2010 foi uma delícia!

Das personagens que já interpretou, seja cinema, teatro ou


TV, qual aquela que a faz sentir saudades, e por quê?
Sinto saudades de todas, mas eu amava fazer Marlene Leite
Aragão, uma perua divertida e do bem em Balaco Baco, na
Recorda. Meu núcleo era maravilhoso!

Existe alguma personagem que você gostaria de interpre-


tar? E por quê?
Sim, adoraria interpretar a Hebe e a Dercy Gonçalves,
porque eu me identifico com as duas e sei que as faria muito
bem!

Você foi a madrinha de bateria da Escola de Samba Mocida-


de independente de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Como
foi essa experiência?
Na verdade, fui rainha. Foi uma das melhores experiências
da minha vida. Amei!

Você é uma mulher de personalidade forte; é guerreira e


muito determinada. Você sempre foi assim, ou isso veio com
o tempo?
Sempre fui assim. Comecei a trabalhar com 12 anos de
idade.

Seu canal no YouTube é um dos mais vistos e comentados.


Como surgiu a ideia do programa de entrevistas, o Na
Lata?
Íamos fazer um piloto para a TV, porém o Marcos faleceu
e eu resolvi me experimentar na internet e por lá fiquei.

E a ideia do Na cama da Gata , como surgiu? Você espe-


rava fazer tanto sucesso com esses dois programas?
Eu precisava colocar algo novo no ar, para não ficar
só no Talk Show e me veio a ideia do Na Cama: levar
famosos para falar de sexo. Graças a Deus, está sendo
um sucesso!

O que é mais difícil: atuar ou entrevistar?


Nenhum dos dois. Amo fazer os dois: atuar requer
uma preparação para a personagem, um estudo,
enquanto apresentar para mim é muito fácil.

18
Sabemos que todos os seus convida-
dos são pessoas que você admira e de
quem você gosta. Dentre eles existe al-
guém que você seja "fã de carteirinha"
e tenha ficado ansiosa para entrevistar?
Entrevistar a Laura Cardoso e o Boni
foram de uma responsabilidade muito
grande para mim. Graças a Deus são
4 anos de canal e muita gente maravi-
lhosa passou por lá, todos são muito
especiais.

Você está produzindo o filme de um


dos grandes ícones do Brasil, a Gre-
tchen. Como surgiu esse convite?
Como está o andamento desse pro-
jeto e já tem alguma previsão sobre a
estreia?

Estamos na parte burocrática, que é


um "saco". Estou montando a equipe
técnica e selecionando o elenco. O pro-
jeto surgiu de um convite da própria
Gretchen. Levei um tempo pensando,
mas como eu amo um desafio, resolvi
aceitar!
Você é uma mulher bonita. O que faz
para manter a forma? Qual é o seu
segredo de beleza?
Não tenho feito nada, nem malhar.

Qual a sua relação com os cheiros?


Você gosta de perfumes? Qual o que
você usa?
Amo perfumes, principalmente os
masculinos e os cítricos. Detesto per-
fume adocicado.

Você é fiel a uma fragrância ou prefere


variar?
Sou fiel. Tenho usado a linha Jardin, de
Hermès.

Fotos: Fernanda Beauchamps/Estúdio Lumiére


Make Up: Marcone Milanez
Assistente fotográfico: Diego Marquetti
19
Mônica
Entrevista Rossetto
Por Alessandra Tucci Um dos grandes talentos do universo da
perfumaria brasileira

Como foi sua trajetória na perfumaria? O que significa que meu lugar era naquela indústria. O ano de 1982 foi um
ser reconhecida por criações icônicas em cosméticos para marco: iniciei meu treinamento como perfumista criadora
o mercado brasileiro e mundial? sob a tutela do Mestre Perfumista José Plínio Ramalho e
ingressei na Faculdade de Farmácia e Bioquímica da USP.
Meu primeiro contato com perfumes foi por intermédio
de minha mãe, que era revendedora da AVON. Quando A DRAGOCO tinha como foco o mercado brasileiro e mi-
chegava a caixa com os produtos que encomendara, me nha formação de perfumista generalista me habilitou a tra-
permitia examinar cuidadosamente os frascos, as embala- balhar em projetos de todas as categorias (colônias, produto
gens coloridas e cheirar os perfumes. Anos depois, o aca- de uso corporal, produtos para limpeza da casa e roupas).
so me levou à DRAGOCO (hoje SYMRISE), uma “Casa
de Fragrância” alemã que tinha um dragão chinês como Em 1995, fui convidada a fazer parte do time de criação da
logo e exalava um perfume que espalhava pelo quartei- GIVAUDAN. Conheci novas moléculas, novos parceiros,
rão. Ingressei como assistente de criação e preparava os participei de projetos globais e foi nessa Casa de Fragrân-
ensaios dos perfumistas, que tinham à disposição 1100 cia franco-suiça que desenvolvi plenamente meu potencial
matérias-primas para suas criações. Em média, as fór- criativo. Resgatando alguns projetos que foram especiais,
mulas continham de 30 a 70 ingredientes, e criei o hábito para responder sua pergunta, lembro de um onde tínhamos
de cheirar cada um deles antes de adicionar à preparação. que desenvolver fragrâncias para um sabão de lavar roupas
Esse exercício diário me levou a desenvolver a memória para a América Central. Para conhecer esse mercado muito
olfativa, apurar o olfato e ser promovida à gerência do particular, fui, por várias ocasiões com a equipe do México,
Controle de Qualidade de Fragrâncias anos depois. Nessa visitar os “lavadeiros” – locais públicos e comunitários onde
época, já sabia que “corria perfume em minhas veias” e as roupas são lavadas à mão. Foi gratificante ver minhas
20
criações sendo usadas e comentadas por aquelas senhoras na O Brasil é um dos maiores consumidores de fragrâncias do
beira do tanque ou nas margens dos rios sob o sol da manhã mundo e um grande mercado a ser desenvolvido e explorado.
e constatar que um bom perfume podia tornar um pouco Faz parte da nossa cultura o cheirar bem, apreciar um bom
menos árdua aquela rotina e valorizar o trabalho realizado perfume e existe um desejo de saber mais sobre o tema. O
por elas ao sinalizar o cheiro da roupa limpa. Eu fazia parte acesso a esse conhecimento era restrito às Casas de Fragrân-
do time global dedicado à marca LUX. Criava fragrâncias cias ou a poucas Escolas particulares fora do país.
para colônias e partia dessas ideias para desenvolver sabone-
tes perfumados que foram apreciados pelo marcado brasi- A Perfumaria Paralela foi pioneira ao oferecer cursos livres,
leiro e pelo sudeste da Ásia. Trabalhei in loco com os times com a chancela da Escola Francesa CINQUIÈME SENS.
de Cingapura e Bangalore (Índia) visitando as casas e vilas, Somos um time de avaliadores e perfumistas, entre outros
apreciando a culinária, conhecendo os hábitos e um pouco da profissionais oriundos da indústria de fragrâncias, que ensi-
cultura de cada lugar: foi assim que pude compreender esse nam a arte da perfumaria de forma simples e descontraída,
consumidor e oferecer perfumes criados especialmente para pois o ensinar e aprender só acontece através do afeto. Aqui
eles. Aprendi que nós perfumistas criamos perfumes para o você aprimora o olfato, aprende a reconhecer os odores e
outro - não é sobre o que “eu gosto, eu acho bom”. Colocar-se nomina-los, a falar o perfumês (a linguagem dos perfumistas)
no lugar do outro, sem pré-conceitos e com o coração aberto e se diverte à beça além de desenvolver novos potenciais e
é imperativo, inspirador e transformador. novos mercados.

Depois de uma carreira de sucesso, você se reinventou e hoje Como preparar alguém como você?
é professora de perfumaria, perfumista e atriz. Como foi essa Existe muita curiosidade em saber como é a vida de uma
transformação? perfumista... estudos, inspirações, referencias, quais são as
fontes que te alimentam?
Eu sempre gostei de artes e estudei canto, desenho, moda, Aprender a ser um perfumista é um pouco como aprender
artes cênicas, mas, como viajava muito, não era possível dar a ser músico: trabalhar incansavelmente em suas escalas e
continuidade a esses projetos pessoais. Quando deixei a GI- arpejos antes de começar a interpretar uma peça.
VAUDAN em 2007, tirei um período sabático – uma pausa
para reciclar. Fui estudar teatro mais seriamente e ,quanto
mais conhecia, mais me envolvia. Pouco depois, recebi o con- E o teatro? Estamos em ensaio e finalizando um espetáculo
vite para ser uma das mentoras e docente do curso de pós- que estreia em 2019, sob a direção da atriz Clara Carvalho, um
graduação da Faculdade Santa Marcelina – A CULTURA texto tragicômico e contemporâneo do romeno Matéi Visniec.
DO PERFUME. Fazendo curta uma longa história, percebi Aguardem!
neste momento a possibilidade de poder me dedicar ao teatro
e continuar na perfumaria agora como professora. Era um Como você vê o papel da educação na perfumaria? Como os
caminho novo, desafiador e irresistível: fui. cursos da Perfumaria Paralela tem tocado a vida das pessoas?
Apurar os sentidos aumenta a nossa consciência do mundo e é
Em 2011, Alessandra Tucci me chamou para participar da uma forma de autoconhecimento. E é o olfato que tem o poder
Perfumaria Paralela, uma escola de perfumaria com cursos de nos conectar com o centro das emoções, sem passar primeiro
livres – de profissionais para profissionais e amantes da perfu- pelo filtro do racional, pois está ligado diretamente ao sistema
maria. Que projeto lindo! Pensei e fui. Hoje tenho um prazer límbico. Por isso, desenvolver o olfato é desenvolver a sensibili-
imenso em compartilhar e estudar perfumaria junto com dade, a memória e, indiretamente, apurar o paladar.
meus narizinhos (essas pessoas interessantes e interessadas
que tenho o privilegio de ter como alunos).

21
Os primeiros anos são difíceis, exigem muito
trabalho pessoal e a paixão e a perseverança
são componentes essenciais de um espírito
criativo.

Começamos a memorizar e identificar as ma-


térias-primas, classificar os odores em grupo e
estudar a estrutura das famílias olfativas.

Nos primeiros exercícios de composição,


parte-se de uma fragrância com poucos ingre-
dientes, entre cinco e quinze ingredientes, que
o perfumista aprendiz deve reproduzir olfati-
vamente sem o apoio de cromatografias. Fazer
quantos ensaios for necessário e, de ensaio
em ensaio entender as modificações, aprender
como as matérias-primas se combinam e quais
as proporções de cada (nota: não é tentativa e
erro).

Nutrir a criatividade com novas experiências


e vivências fora do seu cotidiano. Inspirar-se
com a obra de outros artistas, de outras áreas
(pintura, cinema, teatro, música), conhecer e
estudar os clássicos. Para criar fragrâncias que
reflitam o seu tempo o perfumista precisa se
reinventar, se deixar contaminar com estilos
e mundos diferentes. A criativade se esgota
quando fica delimitada nas mesmas premissas
e ideias.

Uma frase ou dica para os profissionais de


perfumaria?

Administrar a ansiedade é uma questão fun-


damental. São tantas informações, aplicativos,
lançamentos e temos de estar conectados
todo o tempo e dar conta de tudo. Não temos!
Respire. Para aprender perfumaria é preciso
estar presente e atento; o perfume impalpável
e evanescente transporta para um mundo de lembranças, emoções e revelar impressões novas - se você se permitir
ouvir. Avalie os perfumes e matérias-primas sem pressa e acompanhe sua evolução.

E como manter a atenção? Prestamos muito mais atenção a tudo que nos motiva e nos dá prazer do que a algo que não
nos interessa. A experiência anterior é outro fator motivador: quanto mais estudamos, mais conhecemos e entende-
mos.

Fazer crer que um perfumista, avaliador, cantor, ator, escritor, malabarista são pessoas que nasceram agraciadas com
um dom e que, tomadas pelo espírito criador, vão lá e fazem, faz parte do charme. Mas não se deixe enganar, têm mui-
to trabalho e dedicação nos bastidores, ensaios, críticas, retrabalhos e claro: 1% de inspiração. Não desista, persevere!

Fotos de Heloisa Bortz


22
Sugestão de Leitura O poeta modernista e o perfume de
Por Roberto D'Ângelo Mademoiselle
A perfumaria é um universo apaixonante, e eu descobri isso
quando comecei a trabalhar no Duty Free Shop de São Paulo.
Logo na primeira entrevista, o diretor me disse que estava procu-
rando um homem para trabalhar no departamento da perfuma-
ria, porque até então só trabalhavam mulheres nessa área, eu que
havia acabado de voltar de um período de estudos na Europa, e
precisava trabalhar, aceitei, e, então, eu fui designado para cuidar
da casa Chanel.

Na primeira semana, a diretora internacional da marca, Mme


Liliane Mercer, veio a são Paulo para visitar as lojas e me treinou
pessoalmente. Acho que foi a primeira vez que eu compreendi
o sentido da palavra elegância! Nós sentamos à mesa do café do
embarque e ali mesmo ela começou a me falar sobre Gabrielle
Chanel, seus perfumes e sua moda. Naquele dia, eu decidi que
precisava conhecer melhor a história daquela marca incrível.
Com o tempo, eu fiquei tão empolgado com a casa Chanel que compartilhava o que havia aprendido com as pessoas com quem eu
trabalhava. Não demorou muito para a minha empolgação chegar aos ouvidos do meu gerente que me perguntou se eu estaria pre-
parado para fazer um treinamento para o pessoal da loja, e eu fiz! Uma semana depois, eu recebi um telefonema da diretora interna-
cional da Chanel me parabenizando pelo treinamento.
Aquela foi a minha primeira experiência como treinador, e desde então, ao longo dos anos, fui me aprimorando, e trabalhando em
outras empresas, participei de diversos treinamentos internacionais.
Com o meu interesse em aprender cada vez mais e as belas histórias das marcas de perfumes, comecei a ler e guardar tudo o que caía
em minhas mãos.
Os anos se passaram e a minha admiração pela casa Chanel só aumentou, tudo que envolvia a marca Chanel era de meu interesse:
livros, documentários e biografias eu não perdia nada! Eu assisti inclusive a memorável Marília Pera no papel de Coco Chanel no
teatro, com figurino assinado por Karl Lagerfeld!

23
Ao longo de muuuuiiitos anos de trabalho e em várias empresas,
posso afirmar que acumulei milhares de horas ministrando treina-
mentos, tanto no Brasil quanto no exterior.
Atualmente uso as redes sociais para escrever histórias. Comecei
com uma página no FaceBook: A Arte em Frascos de Perfumes, e
depois vieram os convites para escrever as colunas na Revista Olfato
e no blog Anasuil.
Há uns anos atrás, eu estava escrevendo um texto sobre o perfume
Chanel nº5 para uma revista de Brasília. Depois de pronto e enviado,
o texto ficou na tela do meu computador, e “ganhou vida”. Continuei
escrevendo: um assunto puxava outro, e eu me deixei levar pela
inspiração, personagens foram surgindo e a história foi ficando mais
complexa.
Um dia, conversando com uma amiga, a ideia de transformar aquele
texto em um livro surgiu inesperadamente. Como uma bola de
neve, personagens, fatos e acontecimentos foram se aglomerando até
formarem um imenso enredo. Tudo fazia sentido - aquele texto foi o
embrião para o livro O poeta modernista e o perfume de Mademoi-
selle, que lancei pela Editora Viseu.

Como eu adoro história, eu situei a minha trama em 1925.


Os anos vinte são considerados a década de ouro da perfu-
maria, que viu nascer os grandes perfume clássicos. Um dos
acontecimentos mais importantes daquele ano foi a Exposi-
ção Internacional de Artes Decorativas e Industriais Moder-
nas, que ,pela primeira vez, dedicava um importante espaço
para a perfumaria francesa. Na Expo, como era chamada na
época, as mais famosas casas de perfumes: Houbigant, Cor-
day e Lubin, entre outras, mostravam os seus lançamentos.
Estavam presentes também as casas Guerlain e Bourjois que
ainda hoje são famosas e que naquele ano lançaram perfumes que se tornaram grandes clássicos.
Naquela década também aconteceram muitas mudanças no mundo, como a emancipação da mulher, por exemplo. Nas artes, o estilo Art
Deco mudou radicalmente a estética na arquitetura e decoração, invadindo o cotidiano das pessoas com belíssimos objetos utilitários e
decorativos: era a modernidade que chegava com a rapidez dos aviões e dos automóveis.
As pessoas queriam esquecer os anos da guerra, e Paris era o local ideal. A cidade fervilhava ao som do Jazz, e artistas de muitas naciona-
lidades lotavam os cafés de Montparnasse produzindo as obras de arte que hoje adoramos. Todos viviam como se não houvesse o amanhã.
Do outro lado do Atlântico, a cidade de São Paulo também passava por profundas transformações. Deixava de ser uma cidade provincia-
na para se transformar rapidamente em uma grande metrópole.
A semana de arte moderna, ocorrida em São Paulo em 1922, foi um marco na
história cultural do Brasil, e rompeu com os padrões estabelecidos graças aos
artistas modernistas que, na busca de uma nova identidade cultural brasileira,
rejeitaram os padrões estabelecidos enfurecendo a velha guarda artística.
Nesse cenário de transformações, o poeta Mário de Andrade, que liderava
esse movimento de modernidade, viu a sua vida se transformar com um
convite para visitar Paris. Na vida real, Mário de Andrade nunca viajou para
Paris, mas, na minha história, Mário aceita o convite, e, em Paris, conhece
Gabrielle Chanel. Ambos se tornam amigos, e essa amizade é uma das tramas
do livro. Mário de Andrade e Gabrielle Chanel nunca se conheceram, Mário
nunca viajou para França, tão pouco Gabrielle nunca veio para o Brasil.
Outros personagens, que na década de vinte participaram dos anos de ouro
da perfumaria ganharam vida no livro, e contam suas histórias: René Lalique,
François Coty, dentre outros.
O poeta modernista e o perfume de Mademoiselle vai além de uma história.
O livro é uma homenagem a todos que deixaram um legado para as gerações
futuras, portanto acomode-se na sua poltrona predileta, abra um vinho ou
saboreie uma xícara de café. Embarque nessa viagem no tempo e boa leitura!

Fotos: Divulgação
24
25
Entrevista
Por Sérgio Oliver
Orpheu Cairolli
um dos grandes talentos no universo da perfumaria

Sua formação e, também, sua trajetória profissional, literatura; sensível aos movimentos socioculturais históri-
mostram um conjunto entre teoria e prática bastante cos e da atualidade e também estudar filosofia, sociologia,
diversificado, indo da engenharia à psicanálise. De que psicologia e assim por diante. Só assim ele poderá acreditar
forma esse perfil multidisciplinar influencia suas criações que fará as pessoas se sensibilizarem com as suas criações,
na perfumaria? por compreendê-las pelo menos um pouquinho.
Eu estou envolvido com a perfumaria desde a minha
infância e sempre considerei que agradar ao olfato é uma O início de sua trajetória como perfumista, nos anos 80,
questão multissensorial, multidisciplinar e extremamen- ocorreu com a criação de uma marca própria, “Perfumes de
te subjetiva e emocional. Por isso, qualquer que seja a Orpheu”, que já mostrava certa irreverência olfativa e um
contribuição das diversas áreas do saber, dos relaciona- desejo de fazer diferente. Qual característica pessoal sua,
mentos, da comunicação, dos encontros e desencontros você acredita que tenha contribuído para esta busca pelo
fazem parte desse mundo maravilhoso das fragrâncias. incomum?
Da engenharia tirei o respeito pela pesquisa, pelos fenô- Não apenas uma característica pessoal, mas diversas.
menos químicos, pela compreensão daquilo que combina Sempre fui muito curioso, inquieto, questionador, talvez
ou não combina, do que é solúvel ou não nesse ou naque- inconformado. Nunca aceitei que as pessoas pudessem ou
le meio, pela exatidão das fórmulas. Já na psicanálise, a devessem aceitar uma vida sem diversidade e alternativas,
gente aprende a respeitar as pessoas como elas são com me incomodava copiar ou imitar coisas, por isso, precisava
seus diferentes e particulares jeitos e gostos e aprende pesquisar, inovar, arriscar... Começava, por aí, a minha pro-
a criar para essas pessoas e a respeitar as suas opiniões posta de uma perfumaria de “nicho”, numa época em que
sobre as nossas criações. No meu entender, um perfumis- isso era praticamente incompreensível. Sem dúvida nenhu-
ta deve ser multidisciplinar e antenado; deve ser sensível ma paguei um preço, mas hoje vejo sobressair-se um pensa-
às outras artes como a música, a pintura, a escultura, a mento do qual já me ocupava há mais de trinta anos.
26
Participando ativamente da criação da perfumaria de nicho brasileira,
como você enxerga a trajetória deste mercado no Brasil até os dias de
hoje?

Inexpressiva. Tomando um período de 30 anos, vimos crescer sobre-


maneira os projetos de contratipos no Brasil e também os projetos
de aromaterapia ou com apelos “orgânicos”. Ainda hoje, é mais fácil
o consumidor comprar marcas de massa, nacionais e importadas, e
suas cópias. O consumidor brasileiro sequer entende o conceito de
“nicho” e ainda busca coisas de valor comercial baixo. Vale observar
que, o que tem sido considerado “nicho” no mundo dos perfumes
tem mais a ver com a concepção e a produção do perfume do que
com o olhar para segmentos específicos de mercado. Se depender
de mim, os esforços continuarão, sempre na direção da qualidade, da
originalidade e, por que não dizer, da ousadia.
Como psicanalista e estudioso no assunto, qual a sua visão da
relação do perfume com a alma humana?
Esse é o tema que mais ocupa a minha mente nos últimos
tempos. Como o olfato é o único sentido que tem uma
conexão direta com o sistema límbico, que processa nossas
emoções, motivações e as memórias mais recônditas, per-
fumar-se transcende o objetivo social e envolve associação
de memórias, sentimentos, sonhos e segue até os momentos
mais longínquos e importantes da nossa vida. Perfumar-se
tem a ver com a nossa identidade, com o nosso humor, esta-
do de espírito, com os nossos momentos importantes, com a
nossa personalidade. Gostaria de sugerir que os leitores dessa
reportagem assistissem a um vídeo em que trato do assunto:
“Perfume e Personalidade” em https://www.youtube.com/wa-
tch?v=fVmTZr9oUa0&t=22s

O que mais o inspira a criar uma nova fragrância? de chocolate, sendo que metade da audiência estava com
Momentos emocionais que vivo. Podem ser ligados à artes os olhos vendados e a outra metade tinha contato visual
como eventos musicais, teatro, cinema, literatura; comemo- com a amostra, resultado: as pessoas com olhos vendados
rações e eventos sociais; momentos especiais em família. responderam que se tratava de chocolate, mas, dos que
Mas tenho também uma inspiração particular com foco na viram o líquido azul, uma grande parcela não se referiu a
natureza, em histórias e romances marcantes e, principal- chocolate, mostrando que a cor azul interferiu no pro-
mente, na mitologia. Como exemplo de criações inspiradas cesso perceptivo dessas pessoas. Um outro exemplo, que
na mitologia, lancei, em 2013, a linha Parusha que, além de remonta o princípio das minhas atividades em perfumaria
um perfume unissex com esse mesmo nome, tinha também foi um projeto de perfume esportivo em que a caixa era
os femininos Viraj e Pomona e os masculinos Ushas e Ver- emborrachada e cilíndrica, lembrando o cabo de uma
tumno. raquete de tênis.

Em sua trajetória, percebe-se, também, uma forma multis-


sensoriais de criar, isso o leva a orientar ou mesmo definir
o perfil visual dos perfumes, tal como seus frascos, cores e
percepção tátil da embalagem? Você poderia nos dar um
exemplo?
Na escola em que estudei na França, havia um quadro na
recepção mostrando uma face em que se destacavam os
cinco sentidos. Fotografei esse quadro e até hoje utilizo essa
imagem para defender a ideia de que o ato de perfumar-se é
multissensorial. Recentemente, em uma palestra para profes-
sores de uma escola em São Paulo, fiz uma dinâmica em que
os participantes deveriam avaliar um líquido azul com cheiro

27
Falando um pouco sobre a perfumaria de nicho, você sente riquezas da nossa natureza e seus apelos, vide o sucesso da L’Oc-
que há, ainda, certa resistência do consumidor brasileiro em citane, aqui mesmo no Brasil. Além disso, o brasileiro também é
acreditar na qualidade de um perfume Premium criado e reconhecido como sensível e criativo. Eu aposto no exótico e no
fabricado por brasileiros? Creio que sim, ainda há uma certa original para essa conquista, mas precisamos cuidar também da
resistência, por outro lado também acredito que já evoluímos estratégia e da comunicação.
bastante. A perfumaria nacional tem caminhado na direção
de conquistar essa confiança e, por conseguinte, os perfumis- Na perfumaria de nicho mundial, percebe-se, atualmente, uma
tas brasileiros também. Aqui vale citar que nos últimos cinco criticada influência do marketing dos perfumes de luxo das
anos surgiram muito cursos de perfumaria no Brasil, tanto grandes marcas, muito influenciadas pela busca de criações com
no nível prático como em nível de pós-graduação e um dos perfis mais comercias e dentro das grandes tendências inter-
resultados desse movimento tem sido a melhoria do senso nacionais. Como profundo conhecedor do mercado de nicho
crítico a partir desses pequenos núcleos que aos poucos irão mundial, você acredita que a liberdade criativa desse segmento
se disseminar e propiciar um certo movimento de expansão está comprometida, ou a perfumaria de nicho irreverente e cria-
dessa credibilidade em nosso mercado. tiva sempre existirá?
Acredito que sempre existirá, pois no meu entender, ao con-
A perfumaria de nicho 100% Made in Brazil é uma reali- duzir-se para um perfil comercial, a empresa específica ou o
dade, ou ainda temos muito a caminhar para afirmar sua perfumista se afasta das características do nicho e cria um espaço
existência? para o surgimento de algo novo. É o movimento pulmonar desse
A perfumaria de nicho brasileira ainda está longe de ser uma segmento, cuja depuração se dá através de desafios. Assim como
realidade sedimentada. Além das questões de confiança e da na moda, acredito que a perfumaria de nicho será a precursora
cultura de preços baixos, ainda temos as questões regulató- do luxo e do “pret-a-porter” no mundo dos perfumes.
rias e de procurement: é muito difícil lidar com a obtenção de
insumos e a produção de pequenas quantidades. De qual- Como você enxerga a evolução desse mercado no Brasil, para os
quer maneira, considero que alguns passos já têm sido dados próximos anos?
e não tenho dúvidas de que se trata de uma posição que será Como já disse, se depender de mim, os esforços continuarão,
ampliada em breve. sempre na direção da qualidade, da originalidade e, por que não
dizer, da ousadia, o que não ocorrerá sem a persistência e algum
Sempre que se fala em perfumaria brasileira, parece des- sacrifício das novas gerações de perfumistas brasileiros. Acredito
pertar na mente das pessoas um perfil exótico associado à que o interesse dos nossos jovens por essa área está aumentando,
nossa natureza, matas e ingredientes específicos e exclusivos surgem cada vez mais cursos e cada vez mais competências dis-
de nossa biodiversidade, imagem essa bastante trabalhada poníveis. Se as empresas do ramo não absorverem essas pessoas,
por diversas grandes marcas brasileiras. Você acredita que é os mais obstinados partirão para os seus próprios negócios,
necessário superarmos esse estereótipo para que possamos sem dúvida nenhuma na direção da perfumaria de nicho. Já
atingir reconhecimento internacional, ou nossa brasilidade posso contabilizar alguns alunos meus dos cursos de pós-gra-
pode ser um fator positivo na busca pela valorização duação que estão iniciando esse movimento, além do que, no
internacional de nossa perfumaria? último ano, três alunos meus foram para a França com recursos
Acredito que temos magníficas oportunidades de con- próprios para estudar perfumaria em escolas de referência
quistar mais reconhecimento internacional a partir das (ISIPCA e GIP).
Fotos: Divulgação
28
Conte sua História
Por Mario Torri Neto
A trajetória de uma marca de sucesso
Mario Torri Neto, 33 anos, é Engenheiro Químico e atualmente cursa ciências químicas. Atua na área de fragrâncias desde 2005,
possui certificação em curso de extensão em perfumaria pela Faculdade Oswaldo Cruz e está no comando da Thera Cosméticos.

Natural de Piracicaba, cidade do interior do estado de São Paulo, tem sua origem e personalidade fundamentadas nos bons
princípios familiares, simplicidade e humildade. Teve uma vida muito difícil, mas afirma que isso foi muito importante para o
seu desenvolvimento em todos os aspectos, tanto profissionais quanto pessoais. Acredita também que sua bagagem de vida o fez
enxergar que existem coisas que são muito difíceis, mas que nada é impossível quando se tem força de vontade, bons exemplos e
sonhos. Diz que foram as lutas que transformaram-no em um guerreiro e fizeram dele um vitorioso.
Desde criança, sempre foi muito curioso, gostava de aprender e criar novidades. Conta que ingressou na pré-escola já sabendo
ler, pois, havia aprendido com sua mãe, que cursou somente até a quarta série do ensino fundamental, mas que segundo Mário
era muito inteligente, empreendedora, tinha habilidade com matemática, e era sábia das coisas da vida e no trato com as pessoas.
A paixão pela química e o interesse pelo universo das moléculas (suas combinações e possibilidades) surgiram nas aulas da
Professora Maria Emília Pinto, pessoa que ele considera chave em sua carreira. Foi no ensino médio, na EE Catharina Casale
Padovani, uma escola pública da periferia piracicabana, durante a aula dessa professora, que Mário aprendeu a fazer e criou
seu primeiro perfume. A partir dali, sua história tomou novo rumo, dinamismo e o fez trilhar essa nova rota e tomar novos
ares, olfativamente falando. Mário destaca a importância de se reconhecer o papel da professora Emília em sua vida, pois,
considera que os professores brasileiros, mesmo abandonados pelo Estado e sem o devido reconhecimento da sociedade, são
os verdadeiros agentes de transformação social da sofrida realidade brasileira, como foi a dele e é a de milhões de brasileiros,
em suas palavras: “os verdadeiros heróis desta nação estão nas milhares de salas de aulas deste país que é gigante pela própria
natureza. Os professores não compartilham apenas saberes, eles educam com valores, atitudes e bons exemplos. Nunca sere-
mos o tal Brasil do futuro enquanto a sociedade e governos não compreenderem que a rota para esse futuro passa obrigatoria-
mente pela escola, muito menos enquanto não priorizarmos a educação como peça fundamental de um projeto de nação justa
e igualitária. Uma professora mudou a minha vida, outras vidas estão sendo transformada por professores nesse Brasil afora, a
sociedade e governo precisa valorizar apoiar esse profissionais tão maltratados".

29
30
Em 2003, deu início ao curso técnico em química e teve a opor-
tunidade de realizar um estágio em umas das maiores compa-
nhias de celulose e papel do mundo. Com olhar sempre atento,
curioso e profissional, Mário teve um desempenho singular
nessa sua primeira fase profissional e, coincidência ou não,
trabalhou em um grande projeto de perfumação de álbum para
fotos de bebês de uma admirada marca de materiais escolares
e papelaria do Brasil. A investigação pelos melhores ingredien-
tes, técnicas e materiais, fez com que sozinho, alcançasse um
resultado surpreendente em seu desenvolvimento, primeiro
em laboratório, depois em escala industrial. A rota olfativa de
um famoso perfume brasileiro para bebês foi aplicada ao papel
usado para fabricar o álbum de fotos, trazendo uma grande ino-
vação ao segmento de impressos para álbum de fotos infantis.
O desafio de fazer a fragrância, que é sensível ao calor, resistir
à alta temperatura de secagem da máquina de papel foi atingi-
do. Seu talento foi reconhecido, este desenvolvimento além de
elogios lhe garantiu uma promoção, ou seja, ele deixou de ser
estagiário e foi efetivado como funcionário da empresa.

Em 2005, ao iniciar a faculdade de engenharia química, conheceu à Fernanda Ruy Guadagnini. Eles se tornaram
grandes amigos, e mais que isso: empreenderam juntos! Juntaram o profissionalismo aguçado e experiência das gran-
des industrias para as quais trabalharam, conhecimento, paixão pelo universo das fragrâncias e deram início ao pró-
prio negócio de perfumes artesanais. Este projeto exigiu dedicação nas horas vagas, finais de semanas e feriados para
sair do papel e levar até as pessoas produtos de alta qualidade, boa apresentação e preço justo. Esta parceria durou até
2010, quando Mario perdeu sua mãe, se recolheu num período de introspecção e decidiu dedicar 100% de seu tempo
ao seu trabalho na fábrica de papel. Mas isso não significou o fim. Foi apenas uma pausa para se recuperar da perda,
reorganizar as ideias, onde o tempo colaborou e o surpreendeu.
Em 2009, um perfumista de renome, com vasto conhecimento técnico e experiência no ramo da perfumaria, cruzou
o caminho do Mário e enxergou nele um espírito empreendedor e muita força de vontade. Mario foi reconhecido por
sua dedicação, comprometimento, conhecimento na área química e paixão pelo universo dos perfumes. Mario então,
no final do ano de 2010, foi convidado para ser sócio desse perfumista em um projeto de cosméticos que deixaria ras-
tros muito perfumado na história dos cosméticos no Brasil. Assim, em 2011, Mario, reconhecido profissionalmente
por sua competência dentro da maior empresa de celulose do mundo e com a carreira em ascensão no mundo corpo-
rativo, ousa e decide desligar-se da empresa de papel, para se dedicar exclusivamente à sua paixão pela perfumaria e
fundar a Thera Cosméticos, que nasceu sustentada por amplo conhecimento e expertise no mundo das essências.

31
A Thera ganhou força, desempenho e presença no
mercado. Em 2014, Mario decide assumir total con-
trole da marca e, desde então, vem promovendo au-
mento do portfólio de produtos e se firmando cada
vez mais como uma marca que entrega qualidade
internacional e tem preço justo para seus clientes.
As grandes tendências mundiais na perfumaria fina,
ingredientes de alta qualidade, padrão internacional
e criatividade são partes do sucesso da Thera Cos-
méticos. Tudo isso é reflexo de um excelente rela-
cionamento com fornecedores e perfumistas que o
apoiam constantemente. A Thera Cosméticos vive
uma fase de renovação, onde a cada dia surpreende
e encanta seus clientes e pessoas ao seu redor. Um
plano de crescimento arrojado está implementado e novidades estão por vir. A criação de fragrâncias exclusivas da marca e
novos produtos cosméticos fazem parte dos dias que ainda estão por vir. A vontade e curiosidade pelo inusitado motivam
Mario a desbravar novos caminhos. Surgem então as fragrâncias Nise (feminina) e Lutz (masculina), verdadeiras sinfonias
de sentidos e rotas olfativas que são regidas e orquestradas habilidosamente por Mario, com a participação de outros perfu-
mistas profissionais bastante talentosos.
O perfume Nise possui uma combinação única de Peônia, Tuberosa e
Baunilha. O frescor da saída é proporcionado pela bergamota, folhas
verdes e ameixa. A personalidade da fragrância, que compreende o
corpo dela, é formada por lírio branco, peônia, cedro e sândalo. As
notas de fundo foram trabalhadas com vetiver, caramelo, baunilha e
musk. É uma fragrância que destaca o charme e a beleza das mulheres,
sem deixar de lado o poder de sedução feminino. É original e ousada.
Foi idealizada para ser comercial, mas sem entregar o famoso “mais do
mesmo”.

Já Lutz surpreende o universo masculino: é uma sofisticada com-


binação de vetiver, tonka, patchouli e íris (sim, uma flor): incríveis
ingredientes que atiçam a masculinidade. A fragrância abre com limão,
lavanda, bergamota e verbena e, se desenvolve com cedro, patchouli,
canela e íris. Depois é finalizada com vetiver, âmbar, tonka, musk e
baunilha. É uma fragrância que intensifica o charme do homem que
gosta de aproveitar ao máximo a vida. A fragrância foi criada para
atender a atual percepção masculina do universo das fragrâncias, cada
vez mais exigente, afinal de contas o brasileiro gosta e busca perfumes
bem elaborados.
Tudo isso foi, está sendo e é possível graças ao seu grande empe-
nho, dedicação e muito amor pelo que faz. Sua fé em Deus também
o anima, o motiva a acordar cedo e dormir tarde para entregar uma
experiência única a todos os clientes da Thera. Hoje o sucesso é aliado
de Mario, que conta com os mais fortes pilares do mundo: referências
pessoais de sua vida, família, professores, amigos e, principalmente,
clientes satisfeitos. Conta com um time de colaboradores que vestem a camisa Thera e o apoiam no dia a dia. Os
dias vividos foram e são valiosos: “aprendi com meu ex-sócio, um renomado perfumista, qual muito admiro,
que que quando ensinamos na horizontal aprendemos na vertical. Ou seja, aprendemos muito mais quando en-
sinamos, por isso, é importante ter humildade e estar sempre disponível para quem nos procura, e é necessário
traduzir conhecimento técnico em palavras simples que possam ser compreendidas por qualquer pessoa, afinal
nem todo mundo entende átomos e moléculas. O sucesso que estou obtendo neste momento é reflexo de tudo
que acontece em minha vida, de tudo que sinto e respiro. Estou muito feliz com essa fase da minha vida e com o
reconhecimento e carinho dos nossos clientes”, conclui Mario Torri.

Fotos: Junior Rosa


32
Sugestão de Leitura
Por Tony W. Ribeiro Cardoso
Tony W. Ribeiro Cardoso é brasileiro e naturalizado alemão, gra-
duado em Administração de Empresas pela Universidade Federal
do Pará em Belém, especialista em Comércio Exterior e de Atacado
pela Städtische Berufsschule für Großhandels- und Automobilkau-
fleute em Munique, pós-graduado em Cultura do Perfume pela
Faculdade Santa Marcelina em São Paulo, também pesquisador de
matérias primas, óleos essências, Oud connaisseur, hobby-parfu-
meur, estudioso de culturas, Japonologia, xamanismo e autor do
livro Incenso Primordial.
Ainda criança e em plena descoberta das possíveis capacidades físi-
cas e sensoriais do corpo, tudo era fascinante para mim, porém algo
despertara em demasia meu interesse: o olfato. Odores logo se tor-
naram uma inspiração, uma busca por um caminho e uma tentativa
de perceber algo além do mundo material – mundo este que nem
sempre me “cheira bem”. Portanto, poder sentir, identificar, ver, e
por vezes, até mesmo ser transportado em minha “fantasia” para
outras paisagens, que também através do universo das fragrâncias,
tem potencializado meu entendimento de liberdade e gratidão.

No começo de minha viagem olfativa tive algumas adversidades, que muito me moldaram e fizeram “aceitar” o que seria
ser adulto. Visto que dentro da cultura ocidental, percebe-se um entendimento equivocado de que só os “animais” devem
cheirar, talvez para garantir sua sobrevivência. Para mim, fica claro o fato de que cheirar ainda causa, mesmo nos dias de
hoje, uma certa estranheza. É notório que o dito mundo civilizado, ao contrário dos “povos silvestres”, quer se divorciar
desta condição animal, começando pelo seu próprio cheiro, renegando assim, certamente, um mundo repleto de experiên-
cias, no mínimo interessantes.

33
Mesmo que, guardadas as devidas proporções,
noções “obrigatórias” do saudável e da higiene,
dentro do que é considerado de bom tom ser
apreciado olfativamente, vale lembrar que, no-
vas experiências olfativas podem agregar valores
e benefícios. Portanto, além de produtos perfu-
mados, flores, frutos e alimentos, os quais muito
provavelmente são mais aceitos como elementos
de cultura olfativa; existe uma escala enorme e
complexa de fragrâncias, porém ignoradas, mas
que por ventura podem ser instigantes e surpre-
endentes, como por exemplo, notas e acordes
olfativos de: couro, papel, tecidos, terra, mato,
pedra, árvores, bichos... entre tantas outras
combinações possíveis.

Em seguida, me ocorreu a “descoberta do fogo”,


pois queimar folhas secas, do antigo e amplo
quintal de minha casa, exalava uma fragrância assaz agradável, o que me fazia esquecer qualquer repressão para o ato
de cheirar. E na minha fantasia de criança, a fumaça era o meio para levitar e sair voando por aí, o que eu fazia com a
proteção da pouca idade, correndo de um lado para o outro, passando bem próximo do centro fumegante das folhas de
diferentes árvores e me divertindo muito, com tão “pouco”. Porém, com o passar da tempo, fui sumariamente proibido
de cheirar tudo o que aparecesse pela minha frente, o que me ocasionou algumas punições leves e outras mais severas;
mas nada adiantou muito.
Ainda quando eu era bem jovem, ouvi falar pela primeira vez de mirra e incenso, e logo comecei a frequentar algumas
missas com a intenção sherloquina de descobrir os cheiros bíblicos. Porém, em vão, visto que, Mirra e Franquincenso
eram, e ainda são, matérias-primas relativamente escassas e caras. Logo, poucas missas eram realizadas com queima
de resinas importadas, e dos turíbulos (incensários) os fumos que exalavam, eram bem menos agradáveis do que os de
folhas secas. Só fui entender, algum tempo depois, as diferenças entre quantidade, custo e, principalmente, qualidade.

Já há alguns anos tenho tido a oportunidade de estar em


várias paragens do planeta, fato que me proporciona um
contato extraordinário com uma gama de odores excep-
cionais e incontáveis. Casualmente, o Sultanado de Omã
tem sido um dos meus destinos de trabalho, e foi na
cidade de Muscat que tive o prazer de apreciar a conside-
rada – por especialistas – melhor qualidade de Franquin-
censo do mundo (exsudado de Boswellia Sacra), bem
como Oud (madeira-resina de Aquillaria) do sudoeste
asiático. Concidentemente, estas duas matérias-primas,
muito apreciadas pelos árabes (tanto in natura, quanto
o óleo essencial), são, mesmo que por razões históricas
distintas, basais para o abranger da cultura do incenso
no Oriente Médio e na Ásia.
Em algumas culturas, os odores de especiarias e incensos
estão impregnados por toda parte, onde de modo geral,
pode-se apreciá-los de maneira mais abundante que no
Ocidente. Interessantemente, quando se lê o best-seller
de Patrick Süßkind: “O Perfume”, sem dúvida o que fascina a muitos é a ideia de um superpoder, que ainda é “pouco”
conhecido: o olfato. Outro ponto que chama a atenção nesta obra literária é que Süßkind retrata a estranheza causada
por quem faz uso deste “sentido primitivo”. Até mesmo por conta disto, tenho que rir muito com minha mãe quando
nos falamos via uma câmera de vídeo pela Internet, ao mesmo tempo em que estou praticando um dos meus hobbies
prediletos, que é o de ser perfumista amador. Quando de repente, ela bem preocupada e nada convencida, de que chei-
rar óleos essenciais adicionados a álcool e à água possa ser algo salutar, então, ela interrompe o assunto, e sorridente me
aconselha: “Que tal parar de cheirar tanto, menino?”
34
Então! Depois de ter aperfeiçoado em alguma coisa minha etiqueta para cheirar discretamente, meu “nariz” saiu a conduzir muitos
dos meus passos, e mesmo no presente assim o é. Bem mais tarde, para complementar o refinamento da minha percepção olfati-
va, descobri a Cerimônia do Incenso Japonês: KoDô. Pois agora, levitar em nuvens perfumadas, deixou de ser algo do ridículo e
retoma as raízes do meu “paraíso perdido”, transformando estas experiências olfativas, com incensos de resinas e madeiras, em um
transporte de escala atemporal. Portanto, foi esta busca por um novo velho-caminho, que expresse o universo, através de aromas e
fragrâncias em suas várias formas e aplicações, que me motivou a desmistificar o entendimento comum sobre incenso. Bem como, a
compartilhar o gosto pela fragrância e pelo calor dos diferentes Incensos de Prestígio, que para mim, se resumem em uma experiên-
cia que toca as coisas do coração e da mente, proporcionando, meditativamente, uma vida com mais entusiasmo, conforto e harmo-
nia; que é o aspirado a você, cara leitora, caro leitor.
Justificativa do projeto Incenso primordial:
Devido ao entendimento comum sobre o incenso, eu faço esforços para promover este tema à categoria de um produto de prestígio;
como de fato o é. Portanto, ele deverá expandir além do clichê esotérico. Para tanto, aproximadamente cinquenta por cento do livro
Incenso Primordial, é dedicado à culta olfativa japonesa e à percepção da Filosofia Dô (caminho filosóficao).

Por que se falar sobre culturas de incenso?


Historicamente somos um pais jovem, que só há pouco tempo começou a despertar para um melhor entendimento da arte de per-
fumar. No Japão, a Cultura do Incenso começou a sair de dentro do Budismo aproximadamente entre os anos 794 a 1192, e já neste
período altamente sofisticada. No Brasil o processo de entendimento olfativo do incenso, fora das religiões, iniciou recentemente e
aos poucos vem ganhando espaço e aceitação como cultura olfativa.
Nos últimos anos o desejo brasileiro de limpar, tratar, curar, purificar e perfumar, vem aumentando o consumo de produtos de
perfumaria, em especial de incensos, que mesmo com a ausência de produtos mais elaborados, e da falta de opções que promovam
fragrâncias à categoria de arte, vem tornando o incenso parte de nossa cultura de consumo olfativo. Então, a proposta deste livro é
também um esclarecimento desta cultura e a conscientização para necessidade de produtos que garantam qualidade, saúde e bem-
-estar dos apreciadores de fragrâncias dos vários, mas ainda pouco conhecidos, tipos de incensos.

Como é apresentado, o incenso japonês é um produto de inegável qualidade e sofisticação, que incorpora a filosofia Dô (caminho)
juntamente com o Kô (incenso, aroma e fragrância), os quais estão implícitos no KôDô (Cerimônia do Incenso). No Kodô o partici-
pante executa práticas simples e salutares, como o posicionamento do corpo (postura), relaxamento, concentração, atenção, dentre
outros aspectos que devem promover meditação.

O incenso, através da filosofia Dô, conduz a uma percepção da Natureza, ressaltando os valores e a estética da cultura japonesa, pro-
porcionando desprendimento do dia a dia, eliminando tensões e desconfortos. Por todas estas características, bem como a certeza
do gosto nacional por fragrâncias e aromas, quero assim como meu livro, ter contribuído com mais valores e informação para o
entendimento da cultura do incensar, logo, do perfumar como forma de life-style e arte meditativa no Brasil

Fotos: Divulgação
35
36
37
38
Anuncie na Revista Olfato
Temos sempre um bom espaço reservado para você.
E-mail: Revistaolfato@gmail.com

39