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Elogio da passividade

Michael Huemer
Tradução de Hélio S. C. Carneiro e Lucas Grecco

1. Introdução
Em 1799, o primeiro presidente dos EUA, George Washington, adoeceu
do que hoje se pensa ter sido uma infecção na epiglote de sua garganta,
que se trata de uma infecção rara, porém séria, que pode levar ao
bloqueio da passagem de ar e eventualmente à asfixia.1 Seu amigo e
médico pessoal o atendeu, juntamente com dois médicos de consulta.
Experimentaram remédios e cataplasmas, juntamente com cinco
episódios separados de sangria que, somados, removeram mais de
metade do sangue de Washington. Segundo uma fonte contemporânea,
“os remédios adequados foram administrados, mas não produziram os
efeitos de cura”.2 O ex-presidente morreu pouco depois. Desnecessário
dizer, o tratamento ou não teve efeito ou na verdade acelerou a sua
morte.

Os médicos de Washington eram profissionais respeitados e aplicaram


os procedimentos médicos canónicos. Por que foram incapazes de
ajudá-lo? Em termos simples, não puderam ajudá-lo porque não tinham
ideia do que estavam fazendo. O corpo humano é um mecanismo
extremamente complexo. Curá-lo exige geralmente uma compreensão
detalhada e precisa desse mecanismo e da natureza da doença que o
aflige — conhecimento que ninguém tinha naquela época. Sem essa
compreensão, quase toda a intervenção significativa no corpo será
prejudicial.

Os eleitores, ativistas e líderes políticos da atualidade estão na mesma


situação em que se encontravam os médicos medievais. Sustentam
teorias simples e pré-científicas sobre o funcionamento da sociedade e
sobre as causas dos problemas sociais, das quais derivam vários
remédios — e quase todos se revelam ineficazes ou prejudiciais. A
sociedade é um mecanismo complexo cuja reparação, se for sequer
possível, exigiria um tipo de compreensão precisa e detalhada que
ninguém tem hoje. Por mais insatisfatório que possa parecer, o caminho
mais sábio para os agentes políticos é, com frequência, simplesmente
parar de tentar resolver os problemas da sociedade.

O meu objetivo no que se segue é explicar e defender esse ponto de


vista. Nas seções seguintes, discuto a dimensão da nossa ignorância
política, as razões para essa ignorância e as recomendações práticas que
fluem de um reconhecimento de uma profunda e difusa ignorância
humana acerca de questões sociais.

2. O que não sabemos?


2.1. Ignorância pública sobre o sistema
político
Vários observadores descobriram que os cidadãos das democracias
modernas ignoram lamentavelmente a situação política das suas
próprias sociedades. Nos Estados Unidos, onde há abundância de dados
disponíveis, a maioria dos cidadãos não consegue sequer dizer o nome
do seu congressista, quanto mais descrever seu histórico de votação.
Muitos ignoram fatos institucionais básicos, como a duração do
mandato dos legisladores.3 Michael Delli Carpini e Scott Keeter dão uma
ideia do conhecimento político do público nos EUA:

O fato mais comumente conhecido sobre as opiniões de George


[H. W.] Bush quando era presidente era que detestava brócolis.
Durante a campanha presidencial de 1992, 89 % do público sabia
que o vice-presidente Quayle detestava o personagem televisivo
Murphy Brown, mas apenas 19 % conseguiria caracterizar a
posição de Bill Clinton sobre o meio ambiente. Também durante
essa campanha, 86 % do público sabia que o cachorro dos Bush
se chamava Millie, mas apenas 15 % sabia que ambos os
candidatos à presidência eram favoráveis à pena de morte. O juiz
Warpner (anfitrião da série televisiva “The People’s Court”) foi
identificado por mais pessoas do que os ministros de justiça
Burger ou Rehnquist.4

Dados internacionais indicam que o conhecimento político dos


americanos só está moderadamente abaixo da média mundial.5

Os eleitores têm frequentemente percepções equivocadas e absurdas


de políticas atuais e recentes. Em uma pesquisa, foi pedido que
americanos escolhessem dois dos maiores itens do orçamento federal da
seguinte lista: previdência social, programas sociais, programas de
saúde, juros da dívida, exército e ajuda estrangeira. A ajuda estrangeira
(de longe a menor das categorias listadas) foi o item mais comumente
escolhido.6 Em média, os americanos estimam que os gastos com ajuda
estrangeira constituem um quarto do orçamento federal; o número
correto é menos de um por cento.7

Nos EUA, era comum ouvir exaltações ou críticas direcionadas aos


cortes drásticos que o presidente Reagan fez nos programas sociais nos
anos 80. Esta medida estava entre as políticas mais famosas de Reagan
— apesar do fato de as estatísticas publicamente disponíveis mostrarem
que os gastos federais com os programas sociais aumentaram 40 %
durante os anos de Reagan.8 De modo semelhante, a administração de
George W. Bush tem sido comumente ridicularizada devido à sua
suposta desregulação drástica, apesar de grandes aumentos nos gastos
totais, em regulamentações, com funcionários dos organismos
reguladores, e de todo o volume de regulamentações durante os anos de
Bush.9

2.2. Teoria social descritiva: a negligência


do conhecimento especializado
Felizmente, em algumas áreas da teoria social é possível achar entre os
especialistas um consenso claro e relevante quanto a políticas públicas.
Infelizmente, esse consenso é a mais das vezes vigorosamente desafiado
tanto por líderes políticos quanto pelo público em geral. Mencionarei
aqui dois exemplos. O primeiro é o protecionismo. Esta é uma política
pela qual os governos tentam proteger as indústrias nacionais ao criar
barreiras para a importação, normalmente na forma de tarifas
aduaneiras ou de cotas de importação. Medidas destas são
frequentemente populares entre os líderes políticos e entre o público em
geral — e não apenas entre os membros das indústrias protegidas, mas
até mesmo entre os consumidores que são prejudicados pelas barreiras
à importação. Não podemos discutir os argumentos acerca do livre
comércio e do protecionismo aqui; recorrerei apenas ao apelo à
autoridade. A vasta maioria dos economistas — pessoas cuja profissão é
estudar esses tipos de coisas — se opõe ao protecionismo e acredita que
prejudica a economia doméstica.10 Como diz Paul Krugman, economista
vencedor do prêmio Nobel e colunista do The New York Times: “se
houvesse um Credo do Economista, certamente conteria as afirmações
“entendo o princípio da vantagem comparativa” e “advogo o livre
comércio””.11

Na minha experiência, observações desse tipo são ridicularizadas por


ideólogos contrários ao livre comércio extremamente confiantes, que,
sem qualquer senso de ironia, rotulam quem apoia o livre comércio de
“fundamentalista do mercado”, atribuindo essencialmente o consenso
dos especialistas a uma ideologia de direita na qual os economistas são
induzidos.12 Isso torna difícil entender por que até mesmo economistas
de esquerda como Paul Krugman, famoso por advogar a gestão
governamental da economia,13 fazem parte do consenso. Quando os
especialistas de lados opostos do espectro político convergem para uma
dada posição, contradizendo a opinião convencional, quem tem mais
probabilidades de ser vítima de tendenciosismos cognitivos: a
comunidade de especialistas ou as massas deseducadas?

Um segundo exemplo é oferecido pela questão do terrorismo, que se


agigantou muito no discurso político americano nos últimos anos. Uma
simples questão factual é particularmente interessante: quais são os
motivos da maioria dos terroristas? Especialistas cuja carreira é
centrada no estudo do terrorismo concordam geralmente que o
terrorismo funciona como retaliação por políticas governamentais
específicas, especialmente em resposta a ocupações militares
estrangeiras em terras que os terroristas valorizam.14 Assim, na sua fátua
contra os Estados Unidos, Osama bin Laden escreve:

O povo do Islã acordou e percebeu que é o principal alvo da


agressão da aliança dos Cruzados-Sionistas. [...] A última e maior
dessas agressões [...] é a ocupação da terra dos dois Lugares
Sagrados [Arábia Saudita] [...] pelo exército dos Cruzados
americanos e seus aliados.15

Os líderes políticos dos países sujeitos a ataques terroristas, no entanto,


normalmente atribuem a culpa dos ataques a um choque irreconciliável
de valores, à virtude moral do seu próprio país e ao puro mal dos
terroristas. Assim, pouco depois dos trágicos ataques terroristas de
11/09/2001, o presidente americano George W. Bush explicou o evento
da seguinte maneira:

Eles odeiam as nossas liberdades: a nossa liberdade religiosa, a


nossa liberdade de expressão, as nossas liberdades de voto e de
nos associarmos entre nós e de discordarmos. [...] Esses
terroristas matam não apenas para acabar com vidas, mas para
romper e acabar com um modo de vida. [...] Esta é uma luta
civilizacional. Esta é uma luta de todos os que acreditam no
progresso e no pluralismo, na tolerância e na liberdade.16

O presidente americano seguinte, Barack Obama, atribuiria os ataques


à escassez de emoções e valores:

Nem pretendo entender o resoluto niilismo que levou os


terroristas naquele dia e que ainda guia os seus semelhantes.
Meus poderes de empatia [...] não conseguem penetrar os olhares
vazios daqueles que matariam inocentes com uma satisfação
abstrata e serena.17

Assim, a explicação preferida da razão pela qual o seu próprio país seria
atacado é que o inimigo ou não tem valores ou tem valores
fundamentalmente maus. A natureza conveniente dessas explicações é
tão evidente quanto são infelizes as implicações dessa atitude em relação
às expectativas de resolver pacificamente os conflitos internacionais.
Os casos do protecionismo e do terrorismo são apenas duas ilustrações
de um problema geral. Até mesmo quando os especialistas sabem a
resposta para uma questão política, esse conhecimento não ajudará a
sociedade se — como tantas vezes ocorre — as pessoas leigas e os líderes
políticos teimam em ignorar o que os especialistas sabem.

2.3. Teoria social descritiva: os limites do


conhecimento
À luz da ignorância de líderes políticos típicos e de membros do público
geral, podemos nos sentir tentados pela ideia de governo dos
especialistas, como na República de Platão.18 Infelizmente, quando o
assunto é a teoria social descritiva, nem mesmo o conhecimento dos
especialistas chega a ser impressionante, como foi recentemente
demonstrado pelo psicólogo social Philip Tetlock. Tetlock conduziu um
estudo de quinze anos de duração em que coletava dezenas de milhares
de previsões de centenas de especialistas políticos acerca de assuntos
relativos às suas áreas de especialização (por exemplo, se a economia
entraria em recessão, se a União Soviética sobreviveria, quem venceria
a próxima eleição presidencial e assim por diante). Grosso modo,
Tetlock descobriu que os melhores especialistas tiveram uma
performance apenas ligeiramente maior que o acaso na previsão de
resultados. Quando requisitados a atribuir probabilidades às suas
previsões, os especialistas se mostraram exageradamente confiantes de
modo sistemático; por exemplo, eventos previstos com 100 % de
segurança aconteciam menos de 80 % das vezes.19

A tarefa em que os especialistas se saíram bem foi a racionalização das


suas falhas. Tetlock apresenta algumas defesas de sistemas de crença
comumente oferecidas pelos especialistas para separar as suas crenças
centrais da desconfirmação das previsões fracassadas. Os especialistas
alegaram frequentemente que as suas crenças subjacentes não haviam
sido desconfirmadas porque as suas previsões quase se revelaram
verdadeiras; porque a previsão teria falhado por puro azar; porque
estariam apenas fora de tempo (o evento previsto ainda ocorreria no
futuro); porque uma política não produziu os efeitos antecipados devido
a ter sido mal executada, e assim por diante. Tetlock observou que nunca
alguém tentou explicar as suas previsões bem-sucedidas de maneiras
análogas. Ninguém disse que uma previsão bem-sucedida não sustentou
as suas crenças subjacentes porque a previsão quase falhou, porque se
revelou verdadeira por pura sorte ou porque uma política produziu os
efeitos esperados devido apenas a uma má execução.
Tetlock só pôde estudar a precisão de certos tipos de previsões —
aquelas que seriam definitivamente determinadas num período de
tempo fixo. Por exemplo, é possível testar de modo objetivo a
confiabilidade dos especialistas em previsões sobre o resultado das
próximas eleições. Há várias outras crenças que não poderiam ser
testadas. Não podemos testar previsões com períodos de tempo
indefinidos ou extremamente longos, como “o mundo um dia ficará sem
petróleo” ou “a União Europeia irá entrar em colapso dentro de 200
anos”. Não podemos testar previsões vagas ou subjetivas, como “o
próximo presidente será pior que o atual”. Não podemos testar
afirmações que fazem referência a eventos inobserváveis, como na
afirmação de que “o estímulo econômico fará a recessão ser mais
longa do que seria sem ele”. E é difícil determinar várias outras
afirmações por diversos motivos, como a afirmação de que “a Segunda
Guerra Mundial foi causada principalmente pelo ressentimento com o
Tratado de Versalhes” ou a afirmação de que “uma sociedade anarco-
sindicalista seria superior a qualquer sociedade governamental”.

Será que os especialistas têm crenças altamente confiáveis acerca


desses assuntos não-testáveis? Não há razão para pensá-lo.
Tipicamente, se uma pessoa mostra que não é confiável sempre que as
suas afirmações são testadas, é razoável presumir que também não é
confiável quanto às afirmações que não foram testadas. No mínimo,
parece mais difícil acertar nas afirmações não-testáveis, devido a muitos
elementos subjetivos e à dificuldade de aprender a ajustar o próprio
juízo com o passar do tempo. Portanto, os especialistas provavelmente
são ainda menos confiáveis quando se trata de assuntos que não podem
ser testados.

2.4. Conhecimento valorativo


O último tipo de conhecimento de que precisamos para tomar decisões
políticas está ao alcance dos filósofos, nomeadamente, o conhecimento
valorativo. Este tipo de conhecimento também é difícil de testar; de fato,
talvez seja impossível, em princípio, testá-lo. (Obviamente, não me
refiro a testar se alguma política produz resultados desejados, mas antes
testar se um dado resultado conta como bom, justo ou algo do
tipo.) Quão confiáveis somos acerca de tais questões?

Não há uma teoria geralmente aceita — seja entre pessoas comuns ou


entre especialistas — para qualquer uma das categorias valorativas
centrais das filosofias moral ou política. Não há qualquer teoria
geralmente aceita sobre o bom, o correto, a justiça, a autoridade, os
direitos humanos, a igualdade ou a liberdade. Assim, apesar de os
filósofos concordarem geralmente que há algum sentido em que a
igualdade é um valor político importante, não conseguem concordar
acerca do que isso quer dizer. Significaria tal coisa que um sistema social
deve esforçar-se para igualar riqueza e oportunidades? Ou significaria
apenas que um sistema social deveria dar igual consideração aos
interesses de cada pessoa? Ou que deveria reconhecer os mesmos
direitos a todos? Do mesmo modo, apesar de todos concordarem que a
sociedade deve procurar a justiça, não conseguimos concordar acerca de
questões básicas, tais como se a justiça exige ou não a retribuição por
um mal feito por alguém e se exige ou não dar prioridade aos membros
com menos vantagens na sociedade. A maioria dos filósofos subscreve a
noção de direitos humanos, enquanto a teoria moral mais sistemática e
proeminente, o utilitarismo, rejeita essa ideia. Entre quem acredita em
direitos, há discordâncias fundamentais acerca de quais são os direitos
que existem e quem os tem. A simples prevalência de discordância na
filosofia política prova que os seres humanos — até mesmo os
especialistas mais educados, inteligentes e epistemicamente bem
posicionados — são muito pouco confiáveis em relação à filosofia
política.

Podemos nos sentir tentados a argumentar que,


enquanto outras pessoas não são confiáveis acerca de questões
valorativas, nós próprios temos os valores corretos. Podemos fortalecer
essa ideia com argumentos filosóficos — exatamente os tipos de
argumentos que os filósofos apresentam em livros e artigos nas revistas
de ética e de filosofia política. Obviamente, não posso refutar esse tipo
de afirmação, pois fazê-lo exigiria uma série de artigos filosóficos
refutando quase todos os argumentos na bibliografia sobre ética e
filosofia política. Ainda assim, gostaria de sugerir que devemos
desconfiar muito de qualquer tentativa de nos tratarmos a nós mesmos
como especiais com base apenas nos tipos de argumentos que
normalmente aparecem na bibliografia filosófica e que convencem
apenas uma minoria de especialistas. Alguém pode dizer, por exemplo,
que as suas próprias perspectivas políticas são mais confiáveis do que o
normal porque seriam subscritas pelas partes deliberando sob um “véu
de ignorância” (para invocar uma metodologia rawlsiana).20 Isso seria
apelar a uma forma de argumento que apenas alguns especialistas
acham convincente, e outros especialistas poderiam apelar a outras
formas de argumento que levam a conclusões divergentes. Se não temos
qualquer razão independente para esperar que o nosso próprio juízo
filosófico seja superior ao dos especialistas (por exemplo, se não somos
claramente mais inteligentes, mais bem informados ou mais racionais
que os outros), então devemos presumir que nós próprios estamos
sujeitos aos mesmos fatores, sejam eles quais forem, que tornam os
outros pouco confiáveis na área da filosofia política.
2.5. O que sabemos
Não nego que tenhamos algum conhecimento político
importante. Penso que sabemos que a escravidão é injusta, que a
democracia é superior à ditadura, que a tortura é quase sempre errada e
que os mercados livres funcionam melhor do que o planejamento
socialista. Cada uma dessas coisas é um pedaço extremamente
importante de conhecimento; saber cada uma dessas coisas fez os seres
humanos ficar em situação muito melhor hoje em dia do que estavam. O
ponto é apenas que o nosso conhecimento político é bastante limitado.
Há uma grande diversidade de coisas que não sabemos, mas as pessoas
agem frequentemente como se soubessem. As pessoas defendem
frequentemente uma política de modo agressivo ao mesmo tempo em
que não têm conhecimento da bibliografia sobre o assunto. Prevemos
frequentemente e com muita confiança o futuro, ou votamos na base das
nossas previsões, em áreas em que o futuro é na verdade
imprevisível. Defendemos posições ideológicas com afirmações
valorativas vagas e controversas. Os especialistas, os líderes políticos e
os leigos sabem algo sobre política, mas nem de longe o que pensam
saber.

Como podemos reconhecer o conhecimento político genuíno? Não


posso oferecer uma resposta precisa ou completa a essa pergunta. Ainda
assim, podemos identificar algumas tendências gerais. O conhecimento
político genuíno tende a ser:

1. Simples. Por exemplo, “as curvas da procura são descendentes”. Quanto


mais complicada é uma teoria, mais maneiras há de dar errado.
2. Aceito por especialistas. Por exemplo, há um amplo consenso em
economia de que o protecionismo é indesejável. Se uma teoria estiver bem
justificada, então a grande maioria das pessoas razoáveis e inteligentes irá
normalmente aceitá-la quando entendem os argumentos a seu favor.
3. Não-ideológico. As teorias que têm um sabor ideológico e que invocam
emoções fortes tendem a ser pseudoconhecimento — por exemplo, a teoria
de que as diferenças comportamentais entre homens e mulheres se devem
totalmente à socialização. É improvável que a realidade se conforme a
ideologias.
4. Fraco. Por exemplo, não sabemos se os mercados livres são sempre
perfeitamente eficientes. Tudo o que podemos dizer é que os mercados
livres normalmente são aproximadamente eficientes.
5. Específico e concreto. Podemos ser muito mais confiantes a respeito de
uma afirmação concreta como “os assassinatos de Ted Bundy foram
errados” do que sobre uma teoria abstrata como “é sempre errado encetar
violência contra outra pessoa”.
6. Sustentado por provas apropriadas. Por exemplo, não podemos saber se
a afirmação “o entretenimento violento aumenta a ocorrência de crimes
violentos” é verdadeira sem provas empíricas. Nesse caso, um estudo
baseado em uma amostra grande e aleatória seria mais apropriado do que,
digamos, alguns casos soltos.
7. Não-refutado por provas contrárias. Se houver uma grande quantidade
de provas contra P, ou se não se sabe se há provas contrárias, então não se
sabe P. Por exemplo, se alguém leu vários estudos que sustentam o
controle de armas e não leu coisa alguma da bibliografia que sustenta o
outro lado, então não pode afirmar saber se o controle de armas é desejável
ou não.

Considere agora a afirmação de que a democracia é melhor que a


ditadura. Tal afirmação se sai razoavelmente bem com respeito à lista
anterior. Praticamente todos os especialistas em teoria política a
aceitam. É sustentada por uma boa quantidade de experiência tanto com
democracias como com ditaduras.21 E há poucas ou nenhumas provas
contrárias. Admitidamente, a afirmação se sai um pouco mal em relação
a alguns itens: trata-se de uma afirmação razoavelmente ideológica,
forte e geral. Como este caso ilustra, o conhecimento genuíno nem
sempre exibe todas as características especificas; mesmo assim, há uma
certa tendência para encontrar cada uma dessas características em um
caso genuíno de conhecimento.

3. Por que não sabemos?


3.1. Ignorância racional e irracionalidade
racional
Na maior parte do tempo, as pessoas são instrumentalmente
racionais. Ou seja, fazem apenas aquelas escolhas para as quais os
benefícios excedem os custos (segundo os seus próprios valores e
estimativas probabilísticas). Portanto, é de esperar que as pessoas
estejam politicamente bem informadas somente se os benefícios do
conhecimento político superarem os custos.

Os benefícios do conhecimento político são duvidosos. Para a


esmagadora maioria dos indivíduos, o conhecimento político não faz
qualquer diferença prática na condução de suas vidas, dado que a
probabilidade de causarem alguma mudança nas políticas públicas é
aproximadamente zero. Só quem atribui valor intrínseco ao
conhecimento pode esperar alguma recompensa ao procurar
conhecimento político.

Os custos do conhecimento político, entretanto, podem ser


gigantescos, a começar pelos custos de gastar tempo e esforço. É preciso
pesquisar sobre os agentes do governo, ler sobre os seus históricos de
votação, sobre os projetos de lei em que votaram e ler fatos e argumentos
de fundo sobre diversas questões políticas individuais. Na maioria dos
casos, ficar informado sobre questões individuais requer a leitura difícil
e entediante de bibliografia acadêmica. Se alguém gastasse cada
momento acordado em pesquisas dessas, poderia então ficar bem
informado sobre a maioria das questões importantes.

Há um segundo custo menos tangível. A aquisição dos itens mais


importantes do conhecimento político — como saber se as leis do
controle de armas são boas, se a pena de morte é justa ou se o estímulo
fiscal ajuda a economia — exige que se cultive cuidadosamente hábitos
de racionalidade epistêmica. Devemos trabalhar para identificar e
superar os nossos próprios tendenciosismos. Devemos procurar
informação e argumentos contrários às opiniões que já temos e esforçar-
nos para ouvir esses argumentos de espírito aberto. A racionalidade
exige frequentemente que admitamos que as nossas próprias opiniões
anteriores estavam erradas ou que simplesmente não sabemos as
respostas de perguntas importantes. Quem estiver comprometido com a
racionalidade terá os seus desejos frequentemente frustrados, visto que
não se pode simplesmente acreditar naquilo que se quer acreditar.
Tudo isto leva ao seguinte raciocínio básico:

1. As pessoas só agem quando os benefícios excedem os custos.


2. Os benefícios da aquisição de conhecimento político são mínimos.
3. Os custos da aquisição de conhecimento político são substanciais.
4. Portanto, as pessoas não adquirirão conhecimento político.

Naturalmente, isso simplifica bastante o assunto. Às vezes as pessoas


são instrumentalmente irracionais; algumas pessoas podem atribuir
valor intrínseco elevado ao conhecimento político; e poucos (como os
políticos importantes e os ricos que financiam as campanhas eleitorais)
têm probabilidades reais de alterar políticas públicas. Apesar dessas
exceções, penso que o raciocínio anterior ilumina os baixos níveis de
conhecimento político que encontramos no público.22

E que dizer dos líderes políticos e financiadores de campanhas


eleitorais que, como sugeri, realmente podem influenciar a política
pública? Têm eles fortes incentivos para adquirir conhecimento
político? Sim e não. Têm fortes incentivos para descobrir quais são as
políticas que é do seu interesse promover.Um político pode ter bons
motivos para descobrir quais são as posições mais populares entre o seu
eleitorado e entre os financiadores das campanhas eleitorais. Mas isso é
muito diferente de descobrir quais são as políticas realmente
melhores. Suponha-se, por exemplo, que as restrições à imigração são
injustas e prejudicam a economia nacional, mas que essa é uma medida
apoiada pela maioria dos eleitores.23 Um político que se esforça para
repelir as restrições à imigração pode, se for bem-sucedido, esperar um
ligeiro aumento na prosperidade do seu país, bem como um mundo mais
justo — mas talvez pague o preço de perder o emprego. Votar para repelir
as restrições à imigração tem pouquíssimas hipóteses de compensar em
termos de interesse próprio. Ciente disso, um político tem pouco
incentivo para descobrir se as restrições à imigração são afinal injustas
ou prejudiciais.

3.2. Quem se importa com o bem da


sociedade?
Quem tem opiniões políticas fortes, incluindo eleitores, ativistas,
intelectuais, comentaristas e líderes políticos, tipicamente vêem-se a si
mesmos como pessoas que trabalham por uma causa admirável —
justiça social, o bem-estar da sociedade, virtude moral e assim por
diante. Isso aplica-se a todas as pessoas de todo espectro do mundo
político, sejam conservadores ou progressistas, socialistas ou
anarquistas. Suspeito, contudo, que se trate de uma ilusão conveniente.
Pouquíssimas pessoas se importam tanto com a justiça social, com o
bem da sociedade e outras coisas dessas. Quase todo mundo se importa
um pouco com essas coisas, e algumas pessoas se preocupam
consideravelmente com elas. Mas a maioria dos que consideram que os
seus motivos mais profundos são ideais superiores não têm tais motivos.

Essa afirmação pode parecer surpreendente. Como poderíamos


explicar a existência de pessoas que dedicam as suas vidas a servir o
público? Ou a existência dos ativistas que gastam grande parte do seu
tempo enviando mensagens de promoção de uma causa, organizando
protestos e assim por diante? Sugiro que a motivação desses indivíduos
não é primordialmente um ideal nobre, mas antes por uma vontade de se
verem a si mesmos como se estivessem trabalhando por um ideal nobre
— a motivação não é, por exemplo, um desejo de justiça, mas antes o
desejo de se verem a si próprios como pessoas que promovem a
justiça. Esses dois desejos potenciais estão intimamente relacionados, e
à primeira vista alguém pode pensar que são praticamente
indistinguíveis: se quero ver-me a mim mesmo como alguém que
trabalha pela justiça, o que tenho a fazer é trabalhar pela justiça; mas
isso é exatamente o mesmo que farei se eu quiser simplesmente a justiça.
Mas há pelo menos uma maneira de distinguir o desejo de X que uma
pessoa tem do desejo de se ver a si mesma como alguém que promove X,
que é olhar para os seus esforços para descobrir o que promove X. A ideia
básica aqui é que para satisfazer o desejo de se ver a si mesmo como
alguém que promove X basta fazer algo que a pessoa acredita que
promoverá X, ao passo que o desejo por X só será satisfeito se X for
promovido com sucesso. Assim, só a pessoa que procura o próprio X
precisa de crenças rigorosas sobre o que promove X; quem deseja
meramente a sensação de promover X precisa de crenças fortes (pois
assim terá uma forte sensação de estar promovendo X), mas não
necessariamente verdadeiras sobre o tema.

Assim, supondo que as pessoas forem instrumentalmente racionais,


podemos fazer a seguinte previsão teórica. Se as pessoas estão buscando
ideais nobres como a justiça ou o bem da sociedade, então trabalharão
arduamente na investigação do que de fato promove esses ideais e
procurarão informações que corrijam quaisquer erros nas suas
suposições sobre o que promove os seus ideais, dado que as crenças
equivocadas nesses assuntos poderiam levar todos seus esforços a serem
desperdiçados. Se, por outro lado, as pessoas procuram a
mera sensação de promover ideais nobres, então terão pouco cuidado
na adoção de crenças sobre o que promove seus ideais e evitarão colher
informações que possam enfraquecê-las. Adotarão hábitos que as
conduzirão à posse de crenças fortes e muito difíceis de reverter.

Qual destas hipóteses corresponde melhor às nossas observações? Me


parece que a maioria das pessoas que fazem um grande esforço para
promover causas políticas faz muito pouco esforço na tentativa de se
certificar que as suas crenças são corretas. Tendem a manter crenças
muito fortes que têm muita relutância em reconsiderar. Quando lhes
apresentamos novas informações que entram em conflito com as suas
crenças existentes, é muito mais provável que reajam com raiva, como
se estivesse a ser atacado, do que com gratidão. Estas são impressões
admitidamente casuísticas. Mas acredito sinceramente que a minha
experiência aqui é tão comum que poucas pessoas disputariam estas
observações. Assim, as provas sugerem que a motivação das pessoas
politicamente comprometidas é sobretudo o desejo de sentir que estão
promovendo ideais políticos e não tanto o desejo dos próprios ideais.

3.3. Teoria social é mais difícil do que se


pensa
Há outra razão pela qual os seres humanos são terríveis na solução de
questões políticas: é que é muito mais difícil compreendê-las do que
parece. Isso é verdadeiro em quase todos os campos de investigação,
embora alguns (não incluindo política) tenham desenvolvido normas
que permitem raciocinar de modo confiável.

Seja-me permitido oferecer alguns exemplos. Da Grécia Antiga até à


Idade Média, a perspectiva aceita na ciência (ou naquilo que à época
passava por ciência) era que o mundo físico era composto por quatro
elementos: terra, ar, fogo e água. A teoria médica aceita era que as
doenças eram causadas pelo desequilíbrio entre os quatro fluidos
corporais, nomeadamente, a bile negra, a bile amarela, o sangue e a
fleuma. Por exemplo, a febre seria causada pelo excesso de sangue, que,
consequentemente, precisaria ser tratada sangrando o paciente. As
teorias cosmológicas antiga e medieval localizavam a Terra no centro,
com o Sol e os planetas a orbitando. As estrelas fixas eram pontos de luz
numa ampla concha esférica englobando o Sol, a Terra e os planetas.

Hoje sabemos que todas essas teorias estão completamente erradas,


não chegando nem sequer perto da verdade. Ainda assim, todas foram
amplamente aceitas pelos especialistas durante séculos. Esses são
apenas alguns exemplos; um estudioso da história das ideias encontrará
muitos outros. Durante a história da humanidade, a esmagadora
maioria das teorias que criámos para explicar o mundo revelaram-se
mais tarde falsas.24

Isto pode parecer intrigante à primeira vista. Não é surpreendente


que às vezes estejamos errados; não podemos esperar a infalibilidade.
Mas a menos que estejamos ativamente tentando chegar a falsidades,
como é possível ser capaz de evitar alcançar a verdade tão
sistematicamente?

Há uma explicação filosófica básica que começa com o fato de o


número de teorias possíveis sobre qualquer dado fenômeno ser enorme,
senão infinito. Entre elas, todas são falsas menos uma. Assim, dada
apenas a informação de que T é uma teoria, a probabilidade de T ser
correta é aproximadamente zero. Apesar disso, é frequente que os
pensadores ingênuos não se dêem conta disto porque é normalmente
reduzido o número de teorias em que um ser humano típico consegue
pensar para explicar um dado fenômeno (e que lhe parecerão
plausíveis). Não se trata de consideramos a verdade, rejeitando-a de
seguida. Na esmagadora maioria dos casos, quando começamos a pensar
sobre como explicar um determinado fenômeno, a verdade nem sequer
está entre as opções consideradas. Os gregos antigos, por exemplo, não
rejeitavam a teoria da mecânica quântica; simplesmente não a
consideraram, e nem poderiam tê-lo feito.

Essa é uma razão básica pela qual não somos confiáveis. Outro fator é
o fenômeno generalizado do tendenciosismo da confirmação: quando
pensamos sobre uma hipótese, a nossa tendência natural é procurar
provas que a corroboram, e não procurar maneiras de falsificá-la.25 Uma
teoria que comece parecendo ligeiramente plausível pode vir a parecer
cada vez mais incontestável conforme coletamos provas que a apoiam e
negligenciamos as que a contrariam. Quando acrescentamos o fato de na
maioria das questões teóricas as pessoas terem mais motivações para
descobrir uma crença à qual se agarrar do que para descobrir a verdade,
as probabilidades de se alcançar crenças errôneas são muito elevadas.

Felizmente, a ciência moderna tem desenvolvido técnicas para


melhorar significativamente a nossa confiabilidade. Agora testamos
hipóteses experimentalmente, fazendo esforços explícitos e sérios de
falsificação. Mas quando se trata de ideologia política, nenhuma dessas
técnicas foi desenvolvida. O mundo político parece frequentemente
imune ao raciocínio científico, e por isso a nossa teorização política é
quase tão pouco confiável quanto o eram todas as teorizações antes do
advento da ciência moderna.

Por que não podemos aplicar os métodos que têm sido tão bem-
sucedidos na ciência natural às questões políticas? Algumas das
questões para as quais precisamos de respostas parecem não ser
empíricas em princípio. Por exemplo, por meio de qual experimento
podemos testar se a justiça exige que a sociedade redistribua a riqueza
dos ricos pelos pobres? Outras questões são difíceis de serem
investigadas devido à inexistência de experimentos controlados. Se
queremos testar se o estímulo fiscal soluciona a recessão, não podemos
preparar duas sociedades idênticas com recessões idênticas e então
promover um estímulo fiscal em uma enquanto a outra não recebe
estímulo algum. E nem podemos pegar uma grande coleção de
sociedades em recessão e aleatoriamente determinar que metade receba
estímulo fiscal e a outra metade não. Os cientistas sociais não têm o
poder de fazer experimentos com as sociedades como os cientistas
naturais fazem com objetos inanimados em seus laboratórios. Por fim,
os fenômenos sociais são muitíssimo mais complexos do que os
estudados pelos físicos e químicos. As sociedades contêm milhares ou
milhões de indivíduos humanos interagindo uns com os outros em uma
diversidade de maneiras complexas. E cada um desses seres humanos é
ele próprio uma entidade extremamente complexa, muito mais
complexa do que um objeto inanimado típico.

Como exemplo da relativa maleabilidade do comportamento


inanimado, Johannes Kepler, no século XVII, ao examinar dados sobre
a posição dos planetas no céu noturno, foi capaz de chegar por indução
a três leis matemáticas simples sobre as órbitas dos planetas:

1. A órbita de cada planeta é uma elipse com o Sol em um dos focos.


2. Uma linha que ligue um planeta ao Sol varre áreas iguais em intervalos de
tempo iguais.
3. O quadrado do período orbital de um planeta é proporcional ao cubo do
eixo semi-maior de sua órbita.
Por que não descobrimos, de modo parecido, as leis matemáticas
elementares do comportamento humano? Provavelmente porque não
há tais leis. As generalizações sobre o comportamento humano quase
sempre têm cláusulas ceteris paribus. Quase qualquer fator que
influencia o nosso comportamento pode ser ampliado ou moderado por
diversos outros fatores. Quando tratamos do comportamento de uma
sociedade inteira, as coisas são muito mais complicadas. Se houver leis
da evolução social, são sem dúvida incrivelmente complexas.

Poderíamos ter a esperança de que os teorizadores sociais que fazem


previsões equivocadas fossem devidamente castigados pela realidade e,
por isso, que corrigiriam as suas teorias subjacentes. Mas, como Tetlock
descobriu, isso raramente ocorre; a maioria dos especialistas prefere
procurar explicações sobre os seus erros que preservem as suas crenças
teóricas. Podemos ser tentados a considerar que essas explicações são
meras racionalizações. O problema é que normalmente não
podemos provar, em qualquer dado caso, que a explicação não está na
verdade correta. Pode ser realmente verdadeiro que uma previsão quase
se tornou realidade, e que a teoria subjacente do especialista ainda é
basicamente correta apesar da previsão errada. Uma falha de um certa
política em produzir os resultados esperados pode realmente se dever à
má execução ou ao puro azar. No mundo social, nada do que acontece
fornece um teste ideal para a teoria seja de quem for. Portanto, é difícil
provar que um dado ideólogo está realmente sendo irracional ao se
recusar a rever as suas crenças; se trata com frequência de um juízo
pessoal.

4. Lições práticas
Se, como sugeri, o conhecimento político é muito limitado e os agentes
políticos raramente são sobretudo motivados por ideais políticos, o que
devemos fazer? Pode parecer que nenhuma recomendação política pode
ser derivada, pois, para cada política que possamos recomendar como
resposta à ignorância política, seremos nós próprios ignorantes quanto
ao seu valor. Isso seria verdadeiro se a minha tese consistisse de um
ceticismo “filosófico” radical, segundo o qual ninguém possui qualquer
conhecimento político relevante que seja. Felizmente, não
somos completamenteignorantes, de modo que podemos derivar
algumas recomendações plausíveis para os agentes políticos.

4.1. Não vote


Nas democracias modernas, os períodos eleitorais são frequentemente
acompanhados de campanhas públicas destinadas a incentivar os
cidadãos a comparecer às urnas e votar; independentemente das
tendências políticas de alguém, parece importante que esta pessoa vote
por algo. Em alguns países, os governos chegam ao ponto de tornar o
voto legalmente obrigatório.

Essas campanhas são uma ideia terrível. A maioria dos eleitores não
faz ideia do que está acontecendo — podem nem sequer saber quem são
os seus líderes e certamente não sabem quem são os melhores
candidatos. Imagine que alguém lhe pergunta onde fica um restaurante.
Se você não faz ideia onde fica, não deve inventar uma localização. Não
deve dar à pessoa um palpite que lhe pareça um pouco plausível. Deve
dizer-lhes que não sabe e deixar que ela procure se informar sobre a
localização com outra pessoa melhor informada.

O voto ignorante é ainda pior do que dar indicações geográficas de


forma ignorante, porque é um exercício de poder político (embora
muitíssimo pequeno) — votar em uma política não se trata de apenas
fazer uma recomendação, mas de exigir que essa política seja imposta
aos outros à força.Coletivamente, a maioria impõe políticas ou escolhas
pessoais ao resto da sociedade. Para ter justificação para participar de
qualquer imposição dessas, é preciso ter alguma justificação forte para
pensar que uma política ou uma escolha pessoal é benéfica. Essa
justificação prima quase sempre pela ausência na grande maioria dos
eleitores. Na grande maioria dos casos, portanto, votar não só não é um
dever cívico; é positivamente imoral.

Pode-se sugerir que os cidadãos têm uma obrigação de tornarem-se


informados e então votar. Mas tornar-se suficientemente informado
para saber quem é o melhor candidato em uma dada eleição é de
ordinário extremamente difícil. Com efeito, não é implausível pensar
que para a maioria das pessoas e para a maioria das eleições a tarefa é
efetivamente impossível — por mais que estude, a maioria dos eleitores
não saberá quem é o melhor candidato, e pode nem sequer conseguir
dar um palpite probabilístico razoável. Mesmo que não seja impossível,
descobrir quem é o melhor candidato é claramente muito oneroso.
Portanto, não é razoável exigir que um indivíduo se submeta a enormes
custos na aquisição desse conhecimento apenas para assegurar a
probabilidade de, digamos, um em dez milhões de produzir um benefício
modesto para a sociedade.

Em suma, é mais plausível dizer que os indivíduos não têm obrigação


de votar e que, se estão mal informados (como quase todos os cidadãos),
têm a obrigação de não votar.26
4.2. Negligencie problemas sociais
A sociedade sofre de inúmeros problemas que o governo é convocado a
resolver. À luz da ignorância política generalizada, contudo, na maioria
dos casos é mais aconselhável que o governo não faça coisa alguma em
vez de tentar resolvê-lo. Considere-se, por exemplo, o problema do uso
de drogas recreativas, que ocasionam problemas de saúde, vício, e
deterioração geral da vida do usuário da droga e de seus familiares.
Talvez haja algo que o governo possa fazer para resolvê-lo. Porém, dada
a ignorância política dos líderes políticos, dos ativistas e do público, é
improvável que uma tentativa do governo para solucionar o problema
seja bem-sucedida.

Ora bem, alguém poderia pensar que, se


fôssemos completamente ignorantes, as probabilidades de as nossas
políticas aumentarem ou reduzirem os problemas seriam as mesmas;
mas, na medida em que temos algum conhecimento e compreensão
relevantes, e como estamos nos concentrando na redução do problema,
deveria ser ao menos ligeiramente mais provável que conseguíssemos
aliviar o problema, ao invés de exacerbá-lo. Portanto, mesmo que o
governo não saiba o que resolverá ou aliviará o problema, pode e deve
ao menos dar um palpite informado e em seguida implementá-lo.

Há pelo menos quatro razões pelas quais isso está errado. Primeiro,
qualquer política governamental que imponha obrigações ou proibições
aos cidadãos tem automaticamente certos custos. Um deles é a redução
da liberdade dos cidadãos. Outro é o sofrimento por parte de quem viola
as leis e é subsequentemente punido judicialmente. Um terceiro custo é
financeiro, que está envolvido na execução da política. Assim, no caso de
leis contra o uso recreativo de drogas, os indivíduos vêem negada a sua
liberdade de fazer o que desejam com os seus próprios corpos; quem é
apanhado a violar a lei é aprisionado e sofrem durante meses ou anos; e
todos os contribuintes sofrem os custos da aplicação da lei de combate
às drogas.

Segundo, há uma espécie de presunção moral contra as intervenções


coercivas. As leis são ordens apoiadas por ameaças de imposição
coerciva de danos a quem desobedecer. A coerção prejudicial contra
indivíduos precisa geralmente de alguma justificação clara. Uma pessoa
não tem justificação para coercivamente provocar danos em outra só
porque esta violou uma ordem que meramente se acha que produz
algum benefício social. Se não é razoavelmente claro que os benefícios
esperados de uma política superam significativamente os custos, então
não é possível usar a força de forma justa para impor a política em
questão à sociedade.
Um terceiro aspecto relacionado é que quando o estado intervém
ativamente na sociedade — ao emitir ordens e prejudicar coercivamente
quem lhes desobedece — torna-se responsável por quaisquer danos
resultantes, o que não acontece quando o estado se limita a não evitar
danos (por falta de conhecimento). Imagine-se que esteja vendo uma
mulher no ponto de ônibus abrindo um frasco de pílulas, obviamente
prestes a tomar uma. Antes de eu decidir tomar subitamente as pílulas
da mulher e deitá-las no esgoto, é melhor garantir que as pílulas são
realmente prejudiciais. Se por acaso era um remédio de que a mulher
precisava para prevenir um ataque cardíaco, serei responsável pelo
resultado. Se, por outro lado, devido à incerteza sobre a natureza da
droga, eu decidir deixar a mulher quieta e mais tarde se descobre que ela
estava ingerindo veneno, não serei responsável pela sua morte. Por essa
razão, a intervenção enfrenta um ônus da prova maior do que a não-
intervenção. Do mesmo modo, se, devido à incerteza quanto aos efeitos
das leis de drogas, o governo simplesmente deixasse os usuários de
droga em paz, não seria responsável pelos prejuízos que os usuários de
drogas causam em si próprios. Mas se o governo mantém leis de
combate às drogas, e essas leis impõem enormes custos à sociedade, o
governo é moralmente responsável por esses custos.

Quarto, e finalmente, uma política elaborada em condições de extrema


ignorância não tem a mesma probabilidade de ser benéfica ou
prejudicial; é muito mais provável que seja prejudicial. O famoso
economista Ronald Coase, que dirigiu o Journal of Law and
Economics por dezoito anos, foi entrevistado em 1997. Entre outras
coisas, relatou que a sua revista havia publicado uma série de estudos
sobre os efeitos de regulamentações em várias áreas. Quando lhe
perguntaram quais dessas regulamentações eram más, respondeu:

Não consigo lembrar de uma que tenha sido boa. A


regulamentação dos transportes, da agricultura — a agricultura é
A, ordenamento do território é Z. Sabe, vamos de A a Z e são
todas más. Houve tantos estudos, e o resultado foi bastante
universal: os efeitos eram maus.27

Como é isto possível? Mesmo que não saibamos muito, não deveríamos
ao menos criar algum benefício líquido a maior parte do tempo?

É aqui que devemos relembrar do caso de George Washington. Os


médicos de Washington, ignorantes da teoria dos germes e sem
antibióticos à mão, não tinham hipótese de curar a infecção de
Washington. O corpo humano é um mecanismo complexo com partes
que trabalham conjuntamente de maneiras específicas. Quase tudo o
que alguém pode acrescentar ou remover do corpo, e quase todas as
maneiras de rearranjar as partes do corpo, interferirão nesse
mecanismo. De fato, quase todas as grandesmudanças no corpo
são fatais. Assim, dado o seu estado de ignorância, é de esperar que
quase todo o tratamento que poderia ter sido prescrito pelos médicos do
antigo presidente teria sido prejudicial.

A sociedade pode ser vista como um imenso mecanismo, cujas partes


(seres humanos individuais), como as partes de um organismo,
trabalham conjuntamente de maneira extremamente complexa.28Talvez,
portanto, muitas intervenções possíveis na sociedade perturbem o
funcionamento desse mecanismo, sendo por isso socialmente
prejudiciais. Se o governo não sabe o que está fazendo, é mais provável
que piore a situação em vez de melhorá-la.

É claro que não estou argumentando que os estados nunca devem


intervir na sociedade. Algumas intervenções estão claramente
justificadas. Por exemplo, as proibições do homicídio, do furto e do
roubo estão justificadas. O que as diferencia de uma proibição do uso
recreativo de drogas, por exemplo? Podemos citar muitas
diferenças,29 mas o mais relevante neste artigo é a diferença do estado
do nosso conhecimento no que diz respeito a essas proibições. Sabemos
que a proibição do homicídio é benéfica — não há contra-argumentos
reais a esta afirmação e todos os especialistas concordam. Mas não se
pode simplesmente afirmar que sabemos que a proibição do uso das
drogas é benéfico; de fato, essa afirmação é calorosamente disputada.
Em vez de recomendar a não-intervenção universal, estou defendendo
um forte ônus da prova sobre quem defende exigências ou proibições
legais. Se os especialistas estiverem divididos sobre se a intervenção do
governo é benéfica ou não, ela deve, via de regra, ser rejeitada.

A mesma lição se aplica a muitas outras questões controversas, como


o controle de armas de fogo, o estímulo fiscal, o salário mínimo, a
imigração e assim por diante. Em cada um desses casos, os benefícios da
intervenção do governo são, na melhor das hipóteses, controversos entre
os especialistas; em alguns casos, a opinião dos especialistas se opõe à
intervenção. Portanto, o governo não deve restringir a posse de armas,
tentar estimular a economia, impor o salário mínimo ou restringir a
imigração, tal como não deve proibir o uso recreativo de drogas.

4.3. Enfraquecer a democracia


A democracia funciona bem para questões cujas respostas são óbvias —
por exemplo, eu ficaria completamente confortável em colocar em
votação popular a proibição do homicídio. A democracia é superior à
ditadura principalmente porque as ditaduras tendem a fazer coisas que
são incontroversa e obviamente más — como matar milhões de pessoas.
Mas para coisas que são controversas ou exigem raciocínio cuidadoso e
conhecimento especializado, a democracia é o equivalente a tirar
políticas de um chapéu. A ignorância e a irracionalidade do eleitorado
resultam frequentemente em políticas danosas e injustas.

Quando um assunto é controverso, a melhor solução não é apenas se


abster de votar; a melhor solução é a eliminação do assunto da arena
política — o que significa a proibição da intervenção estatal. A razão para
isso é a simples recomendação da seção 4.2, segundo a qual deve haver
um pesado ônus da prova para todas as intervenções estatais na
sociedade. Por exemplo, se os benefícios do controle de armas são
controversos, não deveríamos votar se devemos restringir ou não a posse
de armas; em vez disso, deveríamos proibir o governo de restringir a
posse de armas.30 Foi precisamente isso o que a Constituição americana
pretendeu fazer na sua segunda emenda. Muitas provisões dessa
Constituição foram sabiamente colocadas como restrições à democracia
— por exemplo, o governo não pode proibir a prática da religião
islâmica ainda que a maioria dos eleitores quisesse que o governo o
fizesse.

Talvez seja inviável que uma Constituição inclua proibições de todas


as políticas que seriam controversas ou cujos efeitos não possamos
conhecer. Uma abordagem razoável seria exigir um quórum super-
majoritário para que qualquer lei fosse aprovada. Por exemplo, seria
possível exigir um quórum de 70 % em uma votação para aprovar
qualquer nova lei, ao passo que seria necessário um quórum de apenas
30 % para revogar qualquer lei existente. Uma regra desse tipo não seria
perfeita, mas poderia muito bem eliminar a maioria das leis prejudiciais
do estado ao mesmo tempo em que permitiria a aprovação de leis
claramente necessárias. Não há que temer que 30 % de uma legislatura
venha a votar a favor de tornar o homicídio legal, por exemplo.

4.4. Não lute pelo que acredita


Quando se trata de questões políticas, normalmente não deveríamos
lutar pelo que acreditamos. Lutar por algo, da maneira que entendo a
expressão, envolve lutar contra alguém. Se os objetivos de alguém não
encontrarem oposição (humana), então podemos dizer que tal pessoa
está trabalhando por uma causa (por exemplo, trabalhando para reduzir
a tuberculose ou para alimentar os necessitados), mas não lutando por
isso. Assim, só se luta por uma causa normalmente quando o que está
sendo proposto é controverso. E, na maior parte do tempo, quem
promove causas controversas não sabe de fato se o que está promovendo
é correto, por mais que possa pensar que sabe. Como se sugeriu na seção
3.2, estão lutando para ter a experiência de estar lutando por uma causa
nobre, em vez de estarem realmente procurando os ideais que acreditam
estar procurando.

Lutar por uma causa tem custos significativos. Tipicamente, gasta-se


muito tempo e energia, e impõem-se ao mesmo tempo custos a terceiros,
principalmente a quem se opõe à posição política em questão. É muito
provável que esse tempo e essa energia sejam desperdiçados, visto que
nenhum dos lados sabe a resposta para a questão em causa. Em vários
casos, o esforço é gasto para realizar uma política que se revela
prejudicial ou injusta. Seria melhor gastar tempo e energia em objetivos
que se sabe serem bons.

Assim, suponha-se que você esteja decidindo entre doar tempo ou


dinheiro para a Moveon.org (um grupo de militância política de
esquerda) e doar tempo ou dinheiro para a Against Malaria Foundation
(uma organização de caridade que combate a malária nos países em
desenvolvimento). Para quem se preocupa com o bem-estar humano, a
escolha deveria ser clara. As doações para a Moveon.org podem ou não
afetar as políticas públicas, e, se o fizerem, o efeito tanto pode ser bom
como mau — isso é objeto de debate. Mas as doações para a Against
Malaria salvam definitivamente vidas. Ninguém contesta isso.31

Há exceções à regra de que não devemos lutar por causas. Às vezes, as


pessoas acham necessário lutar por uma causa, apesar de ser
incontroversa e obviamente boa — como é o caso da luta para acabar
com violações de direitos humanos em regimes ditatoriais. Nesse caso,
os oponentes dessa causa são simplesmente corruptos ou maus.
Ocasionalmente, uma pessoa pode saber que uma dada causa é correta
ainda que seja controversa entre o público em geral. Isso pode ocorrer
porque o indivíduo em questão tem conhecimentos que o público não
tem, podendo ter ignorado o consenso dos especialistas. Mas esses casos
são minoritários. A maioria dos indivíduos que lutam por causas não
sabem realmente o que estão fazendo.

5. Conclusão
A sabedoria popular frequentemente aplaude quem se envolve em
política, que vota nas eleições, que luta por causas em que acredita e que
tenta fazer um mundo melhor. Tendemos a presumir que as motivações
desses indivíduos são ideais nobres e que, quando conseguem mudar o
mundo, a mudança é normalmente para melhor.

As provas claras da ignorância e irracionalidade humanas na arena


política põem em questão a sabedoria popular. Sem ter ciência dos fatos
básicos acerca dos próprios sistemas políticos, isso sem falar do
conhecimento mais sofisticado que seria necessário para resolver com
segurança questões políticas controversas, a maioria dos cidadãos não
pode fazer muito mais do que tentar adivinhar as coisas quando entra
numa cabine de voto. Longe de ser um dever cívico, a tentativa de
influenciar políticas públicas por meio de adivinhações arbitrárias é
injusto e socialmente irresponsável. E não temos qualquer boa razão
para pensar que os ativistas ou os líderes políticos são mais confiáveis
na tarefa de chegar às posições corretas em questões controversas; quem
é mais politicamente ativo é frequentemente quem é mais tendencioso
ideologicamente, e por isso pode ser ainda menos confiável do que o
cidadão médio na identificação de verdades políticas. Na maioria dos
casos, portanto, os ativistas e os líderes políticos agem
irresponsavelmente e injustamente quando tentam impor as suas
soluções dos problemas sociais ao resto da sociedade.

Talvez o exemplo mais dramático seja o de Karl Marx, que ficou


famoso por ter dito que “os filósofos se limitaram a interpretar o mundo
de diversas maneiras; o ponto, contudo, é mudá-lo”.32 O maior legado de
Marx é a demonstração prática, no decorrer da história do século XX,
das consequências de se mudar um mundo que não se entende. Este não
é o lugar para entrar em detalhe quanto à sua má compreensão das
coisas, que já foi largamente discutida por outros. Basta dizer que,
apesar da seriedade com que gerações de intelectuais em todo o mundo
estudaram o seu trabalho, o entendimento de Karl Marx acerca dos seres
humanos e da sociedade era mínimo.33 A sua influência no mundo do
século XX, no entanto, foi incomparável — e, como a maioria dos
observadores reconhece, inacreditavelmente maligna.34 Isto não é um
mero acidente. Quando não temos um entendimento preciso e
pormenorizado de um sistema complexo, qualquer tentativa de
melhorá-lo radicalmente tem mais probabilidades de perturbar as coisas
que funcionam bem do que de reparar as suas imperfeições. A
incapacidade de Marx para aperfeiçoar a sociedade deveria ser tão pouco
surpreendente quanto a incapacidade dos médicos de George
Washington para curar a sua infecção por meio de sangrias.

Pode-se ter a esperança de que um dia os seres humanos terão uma


compreensão científica da sociedade comparável à compreensão da
ciência moderna acerca da maioria dos aspectos do mundo natural.
Nesse dia, poderemos encontrar maneiras de reestruturar a sociedade
para benefício de todos. Mas não podemos prever agora como será tal
compreensão, nem deveríamos tentar executar políticas que achamos
que um dia se mostrarão benéficas. Nesse meio tempo, é de prever que
muitos irão fingir ter uma abordagem científica da sociedade, ao estilo
dos marxistas. Serão teorias que dependem de premissas dúbias que
apenas certos ideólogos políticos acham convincentes. Esses ideólogos
podem, como no caso dos marxistas, adotar a atitude fundamentalmente
anticientífica de considerar que quem questiona a sua ideologia é um
inimigo a ser suprimido.

Os líderes políticos, os eleitores e os ativistas fazem bem em acatar a


máxima, frequentemente aplicada na medicina, segundo a qual “antes
de tudo, há que não causar dano”. Uma regra geral intuitiva para nos
protegermos dos danos que resultam da confiança exagerada em crenças
ideológicas é que não devemos impor à força obrigações e restrições aos
outros a menos que o seu valor seja essencialmente incontroverso na
comunidade dos especialistas, estando estes em condição de ter um
debate livre e aberto. Obviamente, até mesmo um consenso entre
especialistas pode estar errado, mas esta regra intuitiva pode ser o
melhor a que seres falíveis como nós podem deitar mão.

Michael Huemer
Studia Humana, Volume 1, número 2 (2012). Revisão da tradução de Aluízio Couto e Desidério
Murcho.

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Notas

1. A abordagem do texto é derivada de Vadakan 2005.


2. Custis, 2001.
3. Caplan 2007, p. 8.
4. Carpini e Keeter 1996, p. 101. Carpini e Keeter 1996, pp. 89-92.
5. Caplan 2007, pp. 79-80.
6. Norris 2011.
7. Chantrill 2012.
8. de Rugy 2008.
9. Ver Caplan 2007, pp. 50–51, sobre a popularidade do protecionismo entre
o público e a sua impopularidade entre economistas.
10. Krugman 1987, p. 131. Krugman passa então a criticar os argumentos
típicos favoráveis ao livre comércio mas, ainda assim, conclui que o livre
comércio é provavelmente desejável no cômputo geral.
11. Kuttner 1997, pp. 220–221.
12. Krugman 2009. Pape e Feldman 2010, pp. 9-10; Scott 2010, pp. 53-4, 55-
6, 114-5, 290.
13. bin Laden 1996.
14. Bush 2001.
15. Obama 2004.
16. Platão 1974; Brennan 2011b.
17. Tetlock 2005, pp. 49-55.
18. Rawls 1999.
19. Sen 1999, cap. 6.
20. Brennan 2011b.
21. Ver o meu 2010; Simon 1999.
22. Ver a história de Lindberg (1992) sobre a ciência antiga e medieval.
23. Essa tendência é bem documentada na psicologia; ver Gilovich 1991, cap.
3-4.
24. Ver Brennan 2011a, cap. 3, para uma defesa mais pormenorizada destes
aspectos.
25. Hazlett 1997. Este aspecto é vivamente sublinhado por Read (2008); cf.
Hayek 1945.
26. Para uma discussão da injustiça da proibição das drogas, ver o meu 2009.
27. Para uma discussão mais completa dessa questão, ver o meu 2003.
28. Ver www.againstmalaria.com. No momento em que escrevo, a GiveWell
(uma organização bem reconhecida que avalia instituições de caridade) a
classifica como a caridade mais eficaz (ver givewell.org/international/top-
charities/AMF, acessado em 28 de março de 2012).
29. Marx 1978, p. 145.
30. Ver von Mises 1981 para uma crítica alargada do marxismo e do
socialismo.
31. Courtois et al. (1999) documenta as atrocidades chocantes dos regimes
marxistas no século XX.