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que pensa tal pessoa, e desta maneira enche-se-lhe o coração de fel que
lhe amarga a vida. Quanta leviandade! Pe. Humberto Gaspardo
Em compensação, para uma pessoa séria, todas essas ocasiões são
mui próprias para assenhorear-se do ânimo da pessoa que ofende.
Em uma destas circunstâncias disse uma esposa a seu marido:
"Não penses que fiquei ofendida pelo que me disseste! Conheço bastan-
te teu bom coração. Sabe, pois, que sou ainda a mesma de antes".
Tal esposo, que já se havia arrependido das palavras pronuncia-
MATERNIDADE CRISTÃ
das, e que temia ter sido causa de aborrecimentos, respondeu comovido:
"E eu te digo que te estimo e te amo ainda mais!"
Ditoso quem sabe a seu tempo e lugar DESCULPAR. Sim, dei-
xem passar certas palavras pouco atenciosas ou mesmo ofensivas, certos INSTRUÇÃO
modos grosseiros, certas desconsiderações involuntárias, etc. Pobres de
nós se tivéssemos que dar uma bofetada em todas as moscas que esvoa- Traduzido do Italiano
çam diante de nós ou um empurrão em quem, passando por nós, talvez
involuntariamente nos pisasse o pé.
Se soubermos fazer bem as contas, veremos facilmente que mes-
mo considerando as coisas humanamente, nos convém ser sempre mui
tolerantes.
Queremos talvez nos mostrar sempre irritadiços, que não são nos-
sas paixões ou o amor próprio, ou o nervosismo que devem regular nos-
sa vida. Ao contrário, devemos refrear estas coisas. É precisamente esse
o nosso dever. Há de ser a razão iluminada pela fé a regra de nossas a-
ções e não o amor próprio e o nervosismo. E justamente por isso, o ho-
mem se diferencia do animal.
O animal segue o instinto, o homem segue a razão. E no cristão
além da razão há ainda a fé, e é a fé que deve sempre triunfar.
Mas é certo que o homem não tem sempre a energia de seguir os
ditames da razão e da fé: nossa fraqueza é grande, isso no-lo prova
suficiente-mente a experiência.
E por isso mesmo é necessário invocar-se o auxílio divino que
jamais falta a quem o pede com sim-plicidade de coração. Disse-o o
Mestre Divino: "Sem Mim nada podereis fazer!" (São João, XV, 5)
E as fontes às quais nos devemos todos dirigir para encontrar a
força a fim de vencermos a nós mesmos, são a Confissão e a Comunhão.
Somente o Redentor que antes de subir aos Céus disse aos seus
Apóstolos: "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz", (São João, XIV,
27) pode dar e conservar a paz nos indivíduos e nas famílias: aquela
paz, como diz Manzoni, "da qual o mundo zomba, mas que lhe não pode
arrebatar".
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Entre os muitos erros que cometem cabeças levianas está também
este: não saber dar o devido valor às palavras.
Medem esse valor pela ofensa que recebe o seu amor próprio. Em
certos momentos de excitação, de nervosismo, de cólera, sentem-se feri-
das pelo dardo de uma palavra que se lhes crava no meio do coração não
há quem a possa arrancar.
Pobrezinhas! Não pensam que precisamente essas palavras não
devem ser tomadas em consideração. Quem não sabe que semelhantes
circunstâncias, de superexcitação em uma pessoa causam atos de impru-
dência, pois atiram o que lhes vem às mãos, dizem as palavras que lhes
vem à boca, sem contudo, nem sempre descontentes e inflexíveis? Sai-
remos sempre perdendo. Não queremos suportar a um só, e nos coloca-
mos em risco de suportar a mais de dez.
Mas quando a flecha foi atirada por nós mesmos e feriu o nosso
próximo, ou ainda quando a cólera encheu o nosso coração e a ira acen-
deu em nós propósitos de vingança, nesse caso é preciso lembrarmo-nos
da exortação do Apóstolo: SOL NON ÓCCIDAT SUPER IRACÚN-
DIAM VÉSTRAM - O sol não se ponha sobre a vossa ira. (Efes., IV,
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Isso não convém a ninguém. Façamos o que fazem as boas crian-
ças. Quando lhes acontece ter desgraçado a mamãe ou ao papai, antes de
se irem para a cama, pedem-lhe perdão e querem receber o beijo da paz.
Lembremos as palavras de Jesus: "Se não vos fizerdes pequenos como
estas crianças não entrareis no reino dos céus". (Mat., XVIII, 3)
Não pensemos que nos humilhamos quando procuramos reparar o
mal feito, antes, é isso sinal de fortaleza de ânimo. Quando por casuali-
dade, nos ferimos, recorremos logo a desinfetantes e antisépticos, para
evitar-se uma infecção. Nada tão infeccioso como a ira, quando se deixa
que penetre no coração. Pode transformar-se facilmente em ódio e o ó-
Nihil Obstat dio não sabemos a que excessos pode levar.
Estas coisas são sem dúvida, boníssimas. Mas, quem é capaz de
P. Antônio Charbel S. D. B. S.
cumpri-las? Seria preciso não ser homens, já que todos temos nosso a-
Paulo, 9 de Outubro de 1951
mor próprio nossas paixões e certamente não é coisa fácil despojarmo-
nos de nós mesmos.
Imprimatur Isto é verdade: mas convém fazermos algumas considerações. An-
tes de tudo, é necessário ter-se presente, ter intenção de ferir ou de ofen-
t Paulo, Bispo Auxiliar der? Pronunciará muitas vezes palavras das quais depois há de se arre-
S. Paulo, 21 de Novembro de 1951 pender amargamente apenas tenha passado aquele estado anormal. Mas
uma pessoa leviana, considera tais palavras como se tivessem sido pro-
nunciadas em plena consciência e como se na realidade manifestassem o
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dade, de benevolência de benignidade e largueza de vistas. Se se conhe-
ce uma pessoa dotada desta virtude, é preciso tomá-la como exemplo e ÍNDICE
modelo. Há pessoas, que sendo melancólicas em seu exterior, quando
querem fotografar-se esforçam-se por parecer de temperamento alegre. Necessidade da instrução........................................ 7
Pois bem o que elas pretendem na fotografia, seria preciso fazê-lo, em O direito de ser mãe................................................ 8
Um fato doloroso..................................................... 10
obséquio à paz da família; serão suficientemente louvadas as virtudes da A quem pertencem os filhos ................................... 12
mansidão e da paciência. Os filhos, nascem bons ou maus? .......................... 14
É muito verdade o que dizia S. Francisco de Sales: "Apanham-se Como se há de educar a futura mãe ........................ 17
mais moscas com uma colher de mel do que com um barril de vinagre". Momento crítico...................................................... 21
E este Santo podia muito bem dizê-lo porque ele, de natural colérico, Educação anterior ao nascimento............................ 23
depois de dezoito anos de contínuas lutas contra si mesmo conseguiu Do nascimento aos seis anos................................... 25
Princípio da formação do caráter dos dois aos seis anos...... 29
dominar-se a ponto de ser, chamado - o doce São Francisco de Sales.
A infância................................................................ 32
Conta-se a este respeito que São Vicente de Paulo disse em certa Do sete aos dez anos............................................... 34
ocasião: "Como Deus deve ser bom, pois que tão bom é o Bispo de Ge- Deveres religiosos da criança................................. 35
nebra (São Francis-co de Sales)". A escola................................................................... 37
E a Sagrada Escritura diz: RESPONSlO MOLLlS FRANGlT l- Dos dez aos quatorze anos....................................... 40
RAM. - Uma resposta doce acalma a ira. (Prov., XV, 1) As companhias........................................................ 42
O homem sempre quer ter razão. Não convém contradizê-lo. Mas, A obrigação de comungar pela Páscoa.................... 44
A escolha de um estado........................................... 46
como é inteligente, se na verdade está enganado, deverá reconhecê-lo e A arte de economizar e a bênção de Deus............... 50
acabará por dar razão à mulher. Muitas vezes não querem outra coisa, O período critico..................................................... 53
senão que, não se lhes contradiga. O futuro dos filhos.................................................. 54
Passa o momento de cólera, ele cai em si, lembra-se de que a mu- O futuro das filhas................................................... 56
lher poderia muito bem ter respondido e pensando que ela soube calar, A escolha do estado................................................. 58
ter-lhe-á ainda maior estima. O estado religioso................................................... 61
Certa mulher contou-me que um dia seu marido, sumamente colé- O matrimônio ......................................................... 64
Finalidade do matrimônio....................................... 67
rico e nervoso, ao ver que ela sabia sempre guardar silêncio, corrigiu-se Obrigação do matrimônio....................................... 70
totalmente e um dia não pôde deixar de lhe dizer: “Venceste! Quem sa- Qualidades dos noivos............................................ 73
be o que teria sido de nós se tu não te tivesses portado desse modo?” Em busca da esposa................................................ 76
Mas, venceste para sempre e de modo absoluto. Quem deve escolher a esposa................................. 76
Diz o Apóstolo São Tiago: "O que sabe refrear a língua, é um ho- Em busca do esposo................................................ 79
mem perfeito". (S. Tiago, lU, III, l) Noivado................................................................... 82
Ainda sobre o noivado............................................ 85
Impedimento do matrimônio................................... 88
*** Esponsais e publicações.......................................... 92
No dia do casamento............................................... 95
Dissemos na instrução precedente que para se manter a paz na Depois do casamento............................................... 97
família um meio mui poderoso é saber-se refrear a língua, isto é, falar a Deveres matrimoniais............................................. 101
seu tempo e lu-gar. Os deveres conjugais.............................................. 103
"Ouve, vê e cala o que quer viver em paz". Uma coisa de nunca os esposos devem esquecer... 106
Mas vejamos ainda outros três meios para se conservar esta bendi-
ta paz familiar.
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Outra, rebelde à autoridade de seus pais, considerava o matrimô-
nio como libertação e um estado de descanso. Outra, ainda, que talvez
em casa estava sujeita a trabalhos pesados, pensou que casando-se seria
apenas a SENHORA. Uma quarta, tinha idéias esquisitas, como por e-
xemplo, explorar o marido para fazer figura na sociedade, para satisfa-
zer à gula, os caprichos da moda, e outras paixões. Não faltam exemplos
de matrimônios contraídos com uma diferença exagerada de idade, uni-
dos unicamente pelo interesse ou por qualquer outro motivo menos reto.
Agora se vê claramente que se uma esposa entra em casa do espo-
so com tais propósitos, nunca se encontrará disposta a manter a paz em
sua nova família.
Quais os meios para se conservar a paz?
Primeiro, é a educação da esposa. É necessário, antes de tudo di-
zer que certas famílias não sabem o que significa harmonia. Os pais,
vivendo em constantes rixas entre si, deitam a perder, com seus maus
exemplos, a educação dos filhos. A alteração entre eles vem a ser cona-
tural e até parece que para eles é coisa inevitável.
Dir-se-ia que vivem para se mortificarem reciprocamente. Ai!
Que prejuízos causa uma má educação! Desta má educação muitas ve-
zes origina-se um defeito natural que se pode denominar, má disposição
de ânimo. É uma mania de dizer sempre não!
Há pessoas que parecem possuídas pelo espírito de contradição.
Se alguém lhes diz: BRANCO, elas res-

AQUI HÁ UM DEFEITO NO LIVRO, NÃO CONTINUA O


MESMO PENSAMENTO

milhação dar razão a outras pessoas, quaisquer que sejam.


Os outros estão sempre enganados; as palavras dos outros preci-
sam sempre ser corrigidas ou modificadas por suas observações. Tudo
tem que passar pela sua censura. São elas que hão de por os pontos nos
is.
O que acontece com as opiniões, sucede também na prática da
vida. Parece que se acha o maior prazer deste mundo em fazer o contrá-
rio do que os outros fazem.
Pois bem, este é um péssimo modo de agir, origem, também, de
inúmeros males. É preciso evitá-la decididamente, sob pena de se tornar
impossível a convivência e a harmonia entre os membros de uma famí-
lia.
É necessário, ao contrário, adquirir-se um temperamento de bon-
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Este respeito deve ensinar a mulher a não discutir com o marido
quando se trata de coisas inúteis e indiferentes e em geral sempre que
está de permeio o amor próprio. Vós, ó Mães, sentis no fundo de vossos corações uma dor crucian-
Mas quando se tratar da honra de Deus e da religião ou do bem te quando algum de vossos filhos vos dá algum desgosto. E' natural.
dos filhos, ou da própria família então há de fazer ouvir a voz, mas sem- Não é uma pessoa qualquer que vos desgosta. É vosso filho. E é assim
pre com modéstia, escolhendo com prudência o tempo e a lugar para que a qualidade de mãe de família aumenta a sensibilidade de vosso co-
melhor conseguir o fruto desejado. A OBEDIENCIA promana do mes- ração. A mãe de família não é uma mulher como as outras. Possui uma
mo motivo: MULIERES SUBDITAE ESTOTE VIRIS... IN DOMINO. grande dignidade e esta comunica-lhe uma especial delicadeza e sensibi-
(Cal, lU, 18) lidade de coração.
Naturalmente esta obediência entende-se no que se refere à vida A família é como um pequeno reino: a mãe é a rainha. A família é
conjugal e da família, e não às coisas íntimas da própria consciência ou uma escola: a mãe é a professora. A rainha não é mãe dos súditos a pro-
às estranhas, e muito menos poderá tornar-se extensiva às coisas ilícitas. fessora não é mãe dos alunos. Mas a mãe de família pode dizer a seus
filhos: vós sois meus; nas vossas veias corre o meu próprio sangue, vos-
sos ossos, vossa carne, vossos membros me pertencem; fui eu quem vos
deu a vida. Por isso disse Deus aos filhos: "Honra teu pai e tua mãe". E
noutro lugar: "Maldito o que desgosta sua própria mãe".
Ademais, Jesus Cristo mesmo nos deu o exemplo de como é pre-
ciso honrar à própria mãe. Foi sempre obediente a Maria Santíssima;
Que é que os esposos nunca se devem esquecer? É a paz. Quando cumulou-a de todos os dons e a constituiu Rainha do Paraíso e dispensa-
Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos a primeira palavra que disse dora de todas as graças.
aos seus Apóstolos foi esta: "PAX VOBIS!" - "A paz esteja convosco”. Mas, dizei-me agora: Estais contentes com vossa família? Não
A paz é o sol da família é o fundamento de toda a prosperidade deixa algo a desejar o procedimento de vossos filhos para convosco?
familiar; corta as dissensões, acalma os nervos, serve de lenitivo nas Têm eles toda a submissão e respeito que o dever lhes impõe? Ainda
penas inevitáveis da vida, alivia as cruzes, gera compaixão recíproca, que me pudésseis responder afirmativamente a todas estas perguntas,
multiplica os bons exemplos, e é também meio eficaz para favorecer os creio que, entretanto, ainda vos deveria preocupar, e muito, o futuro de
negócios da família. vossos filhos. Se eles já estão colocados, poderão continuar nessa colo-
Onde reina a paz os pais são respeitados e obedecidos, os velhos cação? Se não estão, vem então as preocupações da escolha do estado,
são venerados, os doentes cuidados com a maior benevolência, irmãos e da educação, de sua instrução, das despesas, dos temores de um resulta-
irmãs, sogros e sogras, amam-se e se ajudam mutuamente e os criados do menos satisfatório e de mil outras coisas que vos oprimem a alma.
louvam aos seus amos; se o Paraíso pode ter algo de parecido com este Não é verdade? E então?
mundo, será sem dúvida numa família onde reina a paz. Olhai, ó boas mães, desgostos todos os temos. Dificuldades en-
Sendo tão formosa a paz, não é estranho que encontre tantos ini- contram-se por toda parte. Esta é a verdade. Mas também é certo que
migos. O primeiro deles é sem dúvida a ignorância. Não parece verdade, esses desgostos e dificuldades podem-se superar e em certos casos até
mas é assim mesmo. Muitas jovens esposas não sabem apreciar o bem mesmo suprimir. De que modo? Com o aumento da própria instrução,
da paz e sem querer põem-se em condições de não poder gozá-la. com o acréscimo de fortaleza no operar. Deixemos por agora, o que se
Podem elas classificar-se em diferentes categorias: refere à fortaleza e falemos da instrução.
Esposas inimigas da paz são aquelas filhas que não tiveram a feli- É certo que uma mãe de família tem necessidade de uma instrução
cidade de ter uma boa educação. nada vulgar. E' a rainha de sua casa, a mestra, a senhora, a educadora, é
Um dia, uma destas me dizia o seguinte: "Quando eu estiver na- tudo. Quem pode dizer que sabe o suficiente para governar uma casa?
quela família, farei que as coisas andem de outro modo". E foi para lá Quer uma moça tornar-se mestra? Vai estudar e faz estudos longos e sé-
com o propósito de dominar.
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rios: o curso primário, o ginásio, o curso secundário e superior. Quer ser O rei Henrique VIII sabia provavelmente destas coisas um pouco
técnica em algum ofício? Quer obter algum outro emprego útil? Não o mais que muitos esposos modernos: mas apesar de tudo deixou-se levar
conseguirá se não frequentar um Instituto especializado para esse fim. pelos encantos de uma bailarina da Corte e para casar-se com ela repu-
Quer chegar a ser professora? Precisa portanto de estudos. Mesmo diou sua legítima esposa. Tendo odiado mais tarde a concubina, mandou
para ser uma simples costureira, ou modista, necessita de anos de práti- matá-la para casar-se com outra, à qual também mandou matar para to-
ca. Tudo está bem e é muito natural. mar como esposa a uma quarta.
Mas, para ser mãe de família, que é o mais importante de tudo, de Quantos cônjuges levam uma miserável existência com a luz apa-
que ela precisa? Quantos anos se exigem de preparação? Que escolas se gada. Quem foi o malvado que apagou a benéfica luz do amor em seu
devem frequentar? Que estudos se devem fazer? Nenhum! E parece-vos coração? A causa deve ser procurada nos mesmos esposos que não sou-
que isso está direito? E depois vêm necessariamente os desgostos. A beram afastar-se das ocasiões perigosas.
casa vai de mal a pior, os filhos rebelam-se e cada dia ficam mais deso- Outro dos deveres é a FIDELIDADE CONJUGAL. A Sagrada
bedientes a ponto de não ser mais possível contê-los. Qual será a causa? Escritura e precisamente o Apóstolo São Paulo, em sua primeira epístola
A causa, dizem, é o mundo perverso em que vivemos: as más compa- aos Coríntios diz aos cônjuges: "A mulher não é mais dona de seu cor-
nhias, os livros, os cinemas, os bailes, a moda, etc... po, mas o homem. O homem tão pouco é senhor de seu corpo, mas a
Mas, não vos parece que é uma coisa comum e, além disso, dema- mulher". Donde se conclui que o homem não deve pensar em nenhuma
siado antiga, isso de dar-se sempre a culpa aos outros? Vemos que as outra mulher, senão na própria. E a mulher não pode nem deve pensar
pessoas de boa vontade não se deixam levar pelas lamentações. Unem- em nenhum outro homem senão em seu próprio marido.
se, falam, estudam, aconselham-se e encontram facilmente o remédio. A este respeito os homens são demasiado fáceis em não dar im-
Os mineiros, os operários, os ferroviários, os pequenos proprietários, os portância ao preceito, e não tem mesmo escrúpulos em certas liberda-
industriais, todos se reúnem e estudam os seus problemas. Se todos se des. Mas, ai! se suas esposas se permitissem, já não digo tanto, mas
reúnem porque as mães de família também não fazem o mesmo? Quan- muito menos do que eles fazem! Compreendam-no bem os esposos: os
tas coisas boas poderiam discutir entre si e quanto bem poderiam fazer direitos são iguais como os deveres são também perfeitamente idênticos,
essas reuniões. para ambos.
A Igreja, mestra sapientíssima, cria instituições destinadas a reme- Mas disto já falamos bastante em outra instrução. Os deveres es-
diar a estas necessidades: tais são as Associações dos Homens Católi- peciais do esposo referem-se À ALMA, AO CORPO E AOS BENS DA
cos, das Mulheres Católicas, de moços de um e outro sexo; cada uma ESPOSA. - Deve, pois dar a ela plena liberdade para que possa cumprir
dessas classes de pessoas pode encontrar nas mencionadas associações a todos os seus deveres religiosos; deve proporcionar à mulher todas a-
instrução necessária. quelas consolações; conselhos, auxílios, exemplos que mais lhe possam
favorecer seu proveito espiritual e o cumprimento dos deveres de cônju-
ges e de pais de família.
Em segundo lugar deve cuidar-lhe do sustento, do vestuário, da
O argumento desta segunda instrução é este: NÃO TENDES O residência segunda suas condições. Quanto aos bens dela, deve com o
DIREITO DE SER MÃES, A NÃO SER COM A CONDIÇÃO DE FA- conselho e com as ações, cuidar e zelar como se fossem seus próprios.
ZER DE VOSSOS FILHOS BONS CRISTÃOS. Uma última palavra sobre os deveres da esposa: resumem-se nis-
Amais a vossos filhos mais que a vós mesmas. Fizestes e estais to: respeito e obediência a seu marido.
dispostas a fazer por eles qualquer sacrifício; vos sentis honradas em ser RESPEITO, como a um superior: diz a Espírito Santo: que o ho-
mães. Pois bem! Refleti um momento sobre o direito que tendes em sê- mem é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja: VIR CA-
lo. PUT EST MULIERIS SICUT CHRISTUS EST ECCLESIAE.(Efes., V,
Não é verdade que houve um tempo de vossa existência em que 23) Marido e mulher formam uma sociedade: toda sociedade deve ter
não conhecíeis nem sequer de vista, aquele que, é agora vosso compa - uma cabeça, um chefe, e aqui a cabeça é justamente o marido.
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o amor. Mas, não um amor puramente natural, porque também as pom- nheiro inseparável de toda a vossa vida? Lembrai um instante o período
bas e as rolas sabem amar desse modo; nem um amor puramente huma- de tempo que ficou de permeio entre o primeiro encontro e o matrimô-
no, porque também os selvagens são capazes de amar humano; mas um nio. Quantas ânsias! Quantas dúvidas?! Algumas palavras, rapidamen-
amor cristão, amor do qual temos brilhantes exemplos na grande família te... Depois, aos poucos alguns encontros... Sempre, porém, com quanto
dos Santos e que é capaz de criar entre as paredes domésticas, no santu- cuidado! Um pensamento, um gesto, uma palavra menos honesta pertur-
ário da casa, toda a felicidade de que se pode gozar sobre a terra. bava logo a vossa consciência.
(GASPARDO—O Pároco aos esposos) Que delicadeza! Que candura! E assim devia ser. Agora, pelo con-
Pois bem, o amor não consiste em palavras, mas em obras. Diz o trário, toda dificuldade desapareceu. Aquele moço, que outrora não co-
Apóstolo do amor, São João: NON DILIGAMUS VERBO NEQUE nhecíeis, vos levou à vossa casa. Viveis com ele em uma perfeita intimi-
LINGUA, SED OPERE ET VERITATE, o que significa: - "Não ame- dade de vida.
mos com palavras ou com a língua, mas com obras e de verdade". (S. Como foi que isso aconteceu? Porque nos tornamos marido e mu-
João III) lher - respondereis. - Perfeitamente. Mas, quem vos fez marido e mu-
Se um dos cônjuges odiasse o outro, lhe desejasse mal, ou o con- lher? Vossos pais? Não. O escrivão do cartório? Não. Vosso consenti-
tristasse de qualquer modo, cometeria pecado, quer contra a caridade, mento? Tão pouco.
quer contra o amor conjugal. O mesmo há de se dizer se um negasse ao Quem vos fez marido e mulher, foi Jesus Cristo, por meio do sa-
outro os alimentos, ou por crueldade ou preguiça, ou por amor excessivo cramento do Matrimônio. Somente desde então, somente desde o instan-
ao dinheiro, o privasse das coisas mais necessárias à vida. Tudo isto não te em que vossas mãos se uniram e o ministro de Deus fez o sinal da
é somente lei natural, mas também preceito divino: VIRI, - diz a Bíblia - cruz sobre vós: somente então, adquiristes o direito de serdes chamados
DILIGITE UXORES VÉSTRAS SICUT CHRISTUS DILÉXIT EC- verdadeiros esposos, esposas legítimas de vossos maridos, com todos os
CLESIAM. - Homens, amai vossas esposas como Cristo amou sua Igre- direitos que desse título se derivam.
ja. (Efésios, V, 25) Que quer dizer tudo isto, senão que tendes o direito de ser mães,
Do mesmo modo manda a Sagrada Escritura, que as mulheres a- só e unicamente pela autoridade de Jesus Cristo? Pois bem! Que quer
mem a seus maridos: UT VIROS SUOS AMENT. (Ti to. lI, 4) dizer "Jesus"? Jesus é o Salvador. Ele desceu do céu, para salvar o gêne-
Este amor deve ser interno, sincero e completo. Não se deve tole- ro humano, o qual procede do matrimônio, como o rio da fonte. E Jesus
rar voluntariamente nenhum pensamento contrário ao afeto recíproco. O que tem todo o poder no céu e na terra, selou esta fonte, o matrimônio, e
amor é a alma do matrimônio e merece ser conservado com todo cuida- disse: "Esta fonte é minha”.
do. Agora, vê-se bem claro o que Jesus quer. Ele quer salvar os ho-
Não vale dizer-se que a mulher é volúvel e que volúvel deve ser mens fazendo-os seus sequazes, ou seja, verdadeiros cristãos. Assim
também o homem. Jesus Cristo quis elevar o matrimônio à dignidade de como o Estado quer que se estampilhem os recibos e documentos com
sacramento, para acrescentar-lhe uma força sobrenatural que suprisse à as armas do mesmo Estado, assim Jesus Cristo quer também que todos
fraqueza natural. os filhos nasçam cristãos e tragam o selo da sua imagem. Vede porque a
O amor é como a chama de uma vela que se inclina ao sopro do mãe é mãe somente pela autoridade de Jesus Cristo e como sem ela não
vento. Para que não se apague é preciso protegê-la com a mão ou com tem nenhum direito de ser mãe. A conclusão é clara: Jesus Cristo esta-
outro qualquer anteparo, e assim apesar do vento a chama continua ace- beleceu as leis do matrimônio: UNIDADE, INDISSOLUBILIDADE,
sa. Assim é também o amor conjugal: é preciso defendê-lo. Um dos me- FIDELIDADE, HONESTIDADE; leis que é preciso observarem-se fiel-
lhores meios de protegê-lo é conservar-se afastado das ocasiões perigo- mente.
sas. O cônjuge que frequenta bailes, cinemas, teatros imorais, e más Jesus Cristo deu leis que regem a educação dos filhos: os quer
companhias, leva a chama do amor sem proteção contra o sopro dos para Ele. Portanto, da parte da mãe existe o dever de fazer, dos filhos,
ventos. Uma das piores desculpas é dizer-se: "Já sei de tudo e não me bons cristãos.
assusto de nada". “Olhai - dirá uma mãe - meus filhos são sadios e robustos..." Não
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basta. "Apresentam-se bem e são bem educados". Não basta! "Mando-os bênção de Deus não pode descer sobre a casa em que se espezinham as
à escola e cuido que se instruam..." Não basta! "Ensino-os a trabalhar, a leis da natureza. Os pais que têm um pouco de fé sabem que os filhos
economizar, e conservar o bom nome da família..." Não basta! Ainda mais que a eles pertencem a Deus. Não foi Deus quem estabeleceu as
não é suficiente. Que é que falta, então?” leis da geração? Não é Ele que a todo momento intervem diretamente
Escutai: por meio da criação da alma de cada um dos filhos? Pois, bem, aquele
Ensinais a vossos filhos a conhecer e amar a Jesus Cristo? Dais a Deus que não deixa faltar alimento nem mesmo aos pássaros do céu,
eles bons exemplos de vida cristã? Fazeis que vão à Igreja, ao Catecis- poderá por acaso abandonar a criatura mais nobre, saída de suas mãos
mo, e procurais cooperar com eles na obra de sua formação religiosa? na criação do mundo visível?
Então está bem! Mas se, ao contrário, não fazeis assim então usur- Outra dificuldade: E quando o médico disse: "Basta de filhos, de
pastes o direito de ser mães, porque este direito vem unicamente de outra sorte a saúde da mãe corre perigos".
Deus e vos foi conferido com esta única. condição: fazerdes de vossos A esse respeito disse-me uma mãe: "Isso me disse o médico de-
filhos bons cristãos. pois do terceiro filho, já tenho cinco e estou melhor ainda do que antes".
Neste caso, é preciso ter-se muito em conta a MORALIDADE
DO MÉDICO. Além disso, devemos observar que para isso há remé-
dios: suspensão do exercício dos direitos matrimoniais, por um tempo
Uma pobre mãe empregou toda a sua vida em criar e educar o seu determinado, de mútuo acordo; observação de determinados dias de me-
filho e agora esse filho esquece-se de tudo, dá seu coração a outros, e nor probabilidade; coisas que estão dentro do limite do honesto.
não somente se mostra frio, mas também em certas ocasiões é cruel para E se um dos cônjuges obstina-se em se fazer de surdo, fica sempre
com sua mãe. de pé, antes de tudo, a Divina Providência, que nunca abandona quem
Não é este um fato doloroso? Há filhos que negam às próprias nela confia.
mães aquilo que lhes é devido e acrescentam às feridas que as fazem Nenhuma destas ou de outras razões, mesmo as mais graves, se
chorar, a privação das coisas de primeira necessidade. Pobres mães des- existem, serão suficientes para autorizar a violação das leis da natureza,
consoladas! Quem poderá compadecê-las bastante! A ingratidão é sem- com o fim de se evitar um prejuízo material. Concluamos dizendo que
pre uma espada que transpassa o coração, mas, a ingratidão de um filho unicamente a religião pode proporcionar a força necessária para se ob-
para com sua própria mãe, principalmente quando já está ela acabrunha- servarem os deveres do matrimônio.
da pelos anos e pelos sacrifícios, é um delito de tal natureza que provoca
a maldição de Deus: "Maldito o filho que faz chorar sua própria mãe".
Mas, qual é a causa de um fato tão digno de ser deplorado? O am-
biente? Os companheiros? Os desgostos de família? O vício? Todas es-
Na instrução precedente tratamos dos deveres chamados matrimo-
tas coisas têm a sua parte, mas o mal - nem sempre porém, mas muitas
niais e que se referem ao fim primário do matrimônio, isto é, à procria-
vezes - deve ser atribuído a mesma mãe, que não soube conquistar o co-
ção da espécie humana. Agora trataremos dos deveres que regulam as
ração do filho.
relações mútuas entre os esposos.
Como? - vós me direis! - E' preciso saber conquistar o coração do
Podem-se eles dividir em duas classes: gerais e especiais.
filho? Isto será necessário para uma professora, para uma preceptora,
O primeiro dever geral é o da COABITAÇÃO. A lei natural e o
para um superior com relação aos seus súditos, mas nunca para uma mãe
mandamento divino e até mesmo as leis humanas estão de perfeito acor-
que naturalmente possui já o coração de seus filhos. É mãe! E basta!
do a respeito desta prescrição.
Com, efeito, o segredo para se conquistar um coração é o amor.
Eis aqui as palavras da Sagrada Escritura: "Deixará o homem seu
Pois bem. Quem pode amar mais que uma mãe? A mãe comunica a vida
pai e sua mãe e unir-se-á à sua própria mulher e serão dois em uma só
ao filho, nutre-o primeiro com seu próprio sangue, depois com seu leite,
carne".(Gen., lI, 24)
vê na criança uma parte de si mesma, e por isso ama-a mais que a si
A primeira coisa que deve firmar a união do homem e da mulher é
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ção de Deus cairá sobre os cônjuges que transformam maliciosamente mesma.
as fontes de vida numa cisterna envenenada que deixa perder-se a água. Que sacrifício se recusaria mais a fazer uma mãe pelo fruto de
Ai deles! Cometem um gravíssimo pecado que transtorna as leis suas entranhas? Priva-se do necessário, vive para ele e por ele se conso-
da natureza e impede que Deus Pai continue a obra da criação, que Deus me.
Filho, realize a obra da Redenção e que Deus Espírito Santo opere a E' um instinto natural, forte e irresistível. Nenhum amor se lhe
santificação das almas. pode comparar. Uma pobre anciã, nos estertores da agonia chamava sua
Mas isto não quer dizer que os esposos não possam viver juntos mãe e, entretanto tinha ela oitenta e seis anos. Naqueles últimos momen-
como irmãos, preferindo à fecundidade a fragrância divina da virginda- tos faltava-lhe tudo; mas a doce figura de sua mãe resplandecia viva di-
de: com efeito, segundo o exemplo de Maria e José, muitíssimos cônju- ante dela e causa-lhe grande alívio
ges mantiveram-se virgens à sombra do matrimônio, como se pode com- Durante a guerra viram-se magníficos exemplos de amor filial.
provar com a História Eclesiástica. Nos formosos tempos da fé, muitos Filhos que pareciam sem coração, pois, quando viviam em família eram
esposos viviam como irmãos e irmãs durante a Quaresma, nos dias de desobedientes, rebeldes, o desespero das próprias mães, encontrando-se
jejum, e nas festas mais solenes, de modo que pouco a pouco esse costu- nas trincheiras, face a face com a morte, somente à recordação das
me transformou-se em lei. mães, choravam como crianças. E depois? Voltando à casa paterna, pas-
De qualquer modo, a procriação da prole é sempre o fim do matri- sadas algumas semanas, recaíam nos mesmos maus hábitos e a mãe era
mônio novamente maltratada e desprezada. Pobre mãe! Valia à pena ter feito
A vida hoje em dia, - diz-se - é difícil, e como se há de obter a tantos sacrifícios para uma criatura tão ingrata? Pois bem! Como se ex-
sustentação da família? - Respondo: Quando se ouviu dizer que alguém plica isto? Explica-se com o que dissemos há pouco, isto é, a mãe não
ficou na miséria por ter tido uma família muito numerosa? Lançai um soube ganhar o coração do filho, quando ainda era tempo. Não basta
olhar ao passado, e vereis se é verdade, o que diziam os nossos avós: conquistar parte do coração dos filhos; é preciso ganhar-lhes todo o co-
Inocência - Providência! ração. Não é suficiente que os filhos escrevam cartas afetuosas à mãe,
Onde quer que nasça uma criança haverá sempre o necessário ali- quando estão longe de casa, e chorem quando ela morre. É preciso que a
mento para ela. Nalgumas famílias não há felicidade porque faltam mui- amem quando ainda vive, enquanto estão na casa paterna, durante a vida
tos dos que deveriam existir e não existem. comum e normal.
E antes de tudo, é a mesma lei natural que no-la ensina. Com efei- Há mães felizes, verdadeiramente invejadas, que gozam no meio
to, assim como em nosso corpo a multiplicidade dos membros não dimi- de seus filhos de todas as honras devidas à dignidade materna. São ama-
nui a força do poder da alma, a qual tem sobre os membros um domínio das, obedecidas, respeitadas. Os filhos, à porfia, esforçam-se para dar à
tanto mais perfeito quanto mais completa é a integridade dos membros, mãe demonstrações de sincero afeto. Muitas vezes já chegaram a ser
o mesmo sucede com a família. Quanto maior é o número dos filhos, pais de família e não obstante continuam a ter para com ela aquele afeto,
tanto mais, parece que se acende neles um espírito de energia mais vivo aquela mesma veneração que tinham em sua juventude.
e mais forte. Mães verdadeiramente felizes souberam conquistar o coração de
Um instinto natural os faz sentir, que, podendo esperar pouco da seus filhos.
casa, é preciso que providenciem por si mesmos. Pois bem, sentimento Mas, que se deve fazer para consegui-lo? Primeiramente é isso
semelhante, pode fazer milagres. Ao contrário, quando o filho é único, possível? Com toda a certeza, e nisso se apoia a felicidade de uma mãe
torna-se então um acumulador de soberba e de todos os demais vícios. de família. No modo de o conseguir há mães que se enganam miseravel-
Não é raro o caso de um filho único, que em pouco tempo dissi- mente. Cuidam que para ganhar o coração dos filhos nunca devem con-
pou a herança de um pai avarento, depois de lhe ter acarretado a morte tradizê-los, nem desgostá-los, mas satisfazerem-lhes todas as vontades.
com tantos desgostos. Fomentam seus caprichos e quando se tornam intratáveis, procuram a-
É certíssimo: o que faz prosperar a família não é a abundância de calmá-los com beijos, carícias, presentes, promessas e palavras ternas.
riquezas e o número limitado de filhos, mas a bênção de Deus. Mas a Se há coisa mais prejudicial para os filhos é certamente esse modo
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de agir. pria experiência conhece como é difícil vencer-se a si mesma e abando-
O coração da criança é um viveiro de todas as paixões, boas e narem-se os maus hábitos, achará a ocasião propícia e em pouco tempo
más. Se as más inclinações são reprimidas em tempo, acalmam-se e até com o auxílio de Deus, que nunca falta a quem o procura, conseguirá o
mesmo, às vezes, desaparecem, mas, ao contrário, se elas dominam, pior que à primeira vista pareceria impossível. Com este trabalho, realizado
ainda se são fomentadas, crescem desmesuradamente e chegam a tirani- pouco a pouco, manifestar-se-á entre os novos esposos uma concórdia e
zar seu coração. bem estar, não semelhante a uma ofensiva e defensiva entre os membros
Nada de bom se pode esperar dessas mães. Chegando as dificulda- da família, mas uma concórdia de outro gênero, que rodeará os recém-
des, os desgostos da vida, os filhos que não aprenderam a dominar-se a casados, de respeito, de admiração, que longe de provocar inveja e ciú-
si mesmos, com negativas repetidas, serão vítimas de seus apetites e mes será um poderoso fator de união e de concórdia na família.
causa, ainda, da desesperação de seus pais. Ah! a união de caridade, quão doces e proveitosos frutos ela pro-
A mãe que acaricia excessivamente os filhos, que lhes faz a von- duz. Ainda que estes exemplos não sejam mui frequentes, contudo exis-
tade em tudo, agasalha em seus corações um ninho de serpentes que tem ainda, e são suficientes para despertar sentimentos de admiração, de
com o tempo devorarão o amor filial. santa inveja e um vivo desejo de imitação em todos aqueles que sabem
Ao contrário, para granjear o afeto dos filhos é preciso amá-los apreciá-los.
com amor, ainda que terno, racional e santo. Convém não esquecer que
é necessário guiar-se, mais que pelo coração, pela razão. A mãe deve
amar a todos os seus filhos com o mesmo amor, evitando as predileções
e se as houver que seja em favor do mais fraco. Felizmente, vivemos em tempos em que a moral católica e a ação
Respeite a mãe aos seus filhos. Um grande inconveniente para se do governo, no que se refere aos deveres matrimoniais, estão de acordo.
conquistar o carinho são as palavras injuriosas, os ditos degradantes, a Às famílias mais numerosas, com toda a justiça recebem um de-
cólera e os castigos injustos. terminado auxílio, e as artes diabólicas encaminhadas a impedir a pro-
Semelhante procedimento serve somente para exasperar os filhos e criação da prole são castigadas pelo bom senso e pelas leis canônicas.
fazê-los perder o respeito, nunca para educá-los. Nunca deverá corrigi- Fala-se publicamente desta matéria e se fazem. notar as vantagens
los quando notar que estão excitados. Seja amável, mas enérgica. Use de que do ponto de vista social e político podem-se obter. Falemos nós
boas maneiras para com eles e ficarão, sem dúvida, gravadas por muito também, considerando-o, porém, sob o ponto de vista religioso e moral.
tempo em sua alma estas delicadezas. A arte de educar aprende-se aos Comecemos com uma pergunta: é lícito o ato conjugal?
pés do Sacrário. Sem religião, e religião fundamente sentida, não é pos- Desde que o matrimônio é um Sacramento de vivos, é necessário
sível ser bons educadores. recebê-lo em estado de graça, todas as ações dos cônjuges que se refe-
rem à consecução de seu fim primário, ou seja a procriação da prole, são
lícitas, e muito lícitas. Deus disse: - "Crescei e multiplicai-os e enchei a
terra".
Parece inútil esta pergunta. Os filhos, direis, são dos pais e especi- Mas, notai bem, todas estas ações são lícitas no estado matrimoni-
almente da mãe. Não é a mãe que os traz durante tanto tempo no seu al e unicamente ordenadas ao fim para o qual foi estabelecido por Deus
seio? Que os nutre com seu próprio sangue e com seu leite e os conside- o matrimônio. O fogo sob a palha, pode queimar a casa, mas sob caldei-
ra como uma coisa única consigo mesma? ra fá-la ferver e desta maneira serve para cozer o alimento para a famí-
A mãe começa a amar a sua criatura antes mesmo que ela comece lia. Do mesmo modo os atos matrimoniais feitos fora do matrimônio, ou
a alegrá-la com seus amáveis sorrisos. também no matrimônio, mas contra seu fim primário, são a ruína da hu-
Um filósofo antigo fez esta pergunta: Quem é que mais ama os manidade. Assim, pois, qualquer ato contra esta lei do matrimônio insti-
filhos, o pai ou a mãe? A mãe, responde ele, porque ela os traz à luz tuída por Deus, é um gravíssimo delito, pois que o mesmo é matar uma
com dores indizíveis. criatura de dez anos como uma de dez horas e por isso um dia a maldi-
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evitará sem dúvida muitos sofrimentos e muitas lágrimas para mais tar- Certamente a mãe vê em sua criatura uma parte de si mesma. E
de. Com a graça de Deus chegará a modificar a família, e criar um am- assim, parece que à pergunta: De quem são os filhos? - pode-se respon-
biente tal que sua vida não somente tornar-se-á suportável, mas também der: - os filhos são da mãe. E, contudo, isso não é exato. Pois então, de
relativamente feliz. quem são? São de Deus. Eis aqui a demonstração: Vede o que acontece
Oh! Se todas as esposas soubessem comportar-se dessa maneira, com a morte. Por maior que seja o amor de uma mãe para com a sua
de quanta paz gozariam as famílias e como andariam bem melhor os criatura, ninguém a conserva em casa depois de morta.
assuntos domésticos. Mas para isso requer-se muita virtude, tato, educa- Quão comovedor é o fato contado por Manzoni no seu livro
ção; em suma tantas coisas que nem sempre se tem! "PROMESSI SPOSI", daquela mãe que leva em seus braços o corpúscu-
Daqui nasce a necessidade da esposa ter-se habituado à submis- lo inerte da própria filha! Veste-a de branco, beija-a e ela mesma colo-
são, à paciência, ao silêncio. ca-a no carro fúnebre para que a levem ao cemitério. Por quê? Porque
Certamente não serão as moças levianas, amantes do luxo e da com a morte a alma separou-se do corpo e todos sabem o que acontece
vaidade, que saberão portar-se bem. quando a alma se separa do corpo.
Mas uma esposa bem formada, à escola da piedade e da frequên- Lembrai-vos ainda, quando pela primeira vez estreitastes vosso
cia aos Sacramentos, que lindas coisas saberá fazer e quanta virtude sa- filho em vossos braços?
berá exercitar em vantagem de sua família. Em pouco tempo todos hão Quão grande a vossa ventura ao contemplar aquele pequenino ser,
de louvá-la e reconhecerá a família, que acaba de adquirir um autêntico ao vê-lo abrir os olhinhos e fixarem-se pela primeira vez nos vossos, ao
tesouro. ver despontar em seus lábios o primeiro sorriso, ao sentir seus bracinhos
Tudo o que dissemos a respeito das pessoas da família deve-se em redor de vosso pescoço!
aplicar e com muito maior razão, ao próprio esposo. Ele deve saber re- Que é que tornava tão amáveis aqueles olhos e aquele sorriso? A
fletir que o matrimônio, mesmo antes da prole é destinado ao AUXILIO alma. Com a alma há vida, amabilidade, alegria: sem alma, morte e cor-
MÚTUO. Quando Deus criou a primeira mulher, que disse a Adão? FA- rupção. Mas de onde procede a alma? Sabemos o que fez o Senhor
CIÁMUS EI ADJUTÓRIUM, demos-lhe um auxílio, e este auxílio deve quando criou o primeiro homem. Tomou o barro e fez uma estátua: - eis
buscar-se especialmente no aperfeiçoamento espiritual. a parte que em nós tem a matéria - e depois sobre aquele rosto de terra
Se o marido é blasfemador, a esposa deve ajudá-lo a se emendar; soprou o espírito, a alma, a vida. E assim estava criado o primeiro ho-
se gosta de andar com maus companheiros, se é pouco cuidadoso em mem. Pois bem! De quem procede a alma? De Deus. Não é, certamente,
seu trabalho, pouco respeitoso com seus pais, tudo a esposa deve fazer uma parte ou uma emanação da alma dos pais. É uma criação imediata
para corrigi-lo. Quando chegarem os filhos devem encontrar pais exem- de Deus o qual a tira do nada por um ato de sua onipotência no momen-
plares em tudo. to em que forma o primeiro núcleo do corpo da criança. A alma, pois, é
Mas para isso é necessário estudar bem seu marido, para conquis- a parte principal do filho; sem ela, não é mais que um cadáver.
tar-lhe o coração. Aqui está o segredo. Não julgue que já o conquistou. Ainda mais, o corpo, quanto à substância de que está formado,
O coração pode comparar-se a um circulo de linhas CONCÊNTRICAS. pertence a Deus. Um artista conhece a obra de suas mãos, mas os pais,
A esposa, durante o noivado, conquistou apenas a linha exterior, ou seja, que sabem da formação de seus filhos? De quantos ossos consta o es-
a da sensibilidade. Esta se conquista facilmente por meio das aparên- queleto humano? Quantos ossos há em um pé ou em uma mão? Quantas
cias, a beleza exterior e outros meios semelhantes. Fica faltando a con- vértebras formam a espinha dorsal? De quantos tecidos está formado o
quista interior que se consegue por meio da virtude. Para isso exige-se a olho? O aparelho digestivo?
mais fina tática, secundada pela graça de Deus. Nenhum sábio do mundo foi capaz de colocar asas num mosquito
Mas quando com paciência, com abnegação e com o exemplo ti- ou fazer um fio de erva e quereis que uma mãe que não sabe nem de que
vesse conquistado completamente o coração de esposo, então poderá elementos se compõe o pão que come, seja capaz de formar um ser co-
trabalhar com fruto. A princípio, entende-se, há de se contentar com mo a criança que é um milagre portentoso do poder divino?
pouco e será preciso que caminhe com cuidado. A esposa que por pró- Miguelângelo cobriu-se de glória por ter esculpido o Moisés; mas,
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que é um Moisés de mármore em comparação com uma criança viva? general que ganhou uma batalha.
De modo que, o filho é de Deus, não somente quanto à alma, mas tam- Quanto ao sogro não costuma haver dificuldade, em regra geral.
bém quanto ao corpo. E ainda há mais. O filho, além de ser homem é Pequenas atenções são suficientes para ganhar-lhe o coração. Todo o
também cristão. E, portanto, não recebeu de Deus somente o corpo e a segredo está em conhecer-lhe o lado fraco.
alma: recebeu também por meio do Santo Batismo a graça santificante, Para com os demais o proceder deve aliar a deferência ao respeito.
isto é, amizade de Deus. E este dom é tão grande e tão superior à vida Às cunhadas trate-as como irmãs evitando todas as discussões e todo o
natural que a inteligência humana jamais chegará a compreendê-los. ar de superioridade; se houver crianças queira-as muito, e faça-lhes de
Pois então, direis, o que fica para a mãe? boa vontade pequenos presentes. Um meio eficacíssimo para ganhar o
A mãe é sempre a pessoa mais querida e agradável; o filho deverá coração dos pais é querer bem aos filhos.
amá-la, respeitá-la, venerá-la e nunca fará para ela coisa alguma que Mas, não obstante tudo isso, pode acontecer que a esposa encontre
seja demais. espinhos e por vários motivos. Que fazer então?
Restará sempre à mãe a glória de ter sido íntima cooperadora da Veremos na instrução seguinte.
onipotência divina para dar a vida a um ser humano, e por isso deveis
compreender bem como era necessário que o matrimônio fosse não so- ***
mente um ato civil, mas ao mesmo tempo um SACRAMENTO, para
elevar a mulher a tão alta dignidade. Na instrução precedente falamos dos diversos deveres da esposa
A mãe será sempre uma terra fértil na qual Deus deposita a se- quando vai morar com a família dos pais de seu marido, como deve tra-
mente fecunda da espécie humana, semente que ela nutre com seu pró- tar aos sogros, cunhados e cunhadas, e concluímos dizendo que, mesmo
prio sangue, e com seu leite e que mediante inúmeros sacrifícios leva até quando a esposa cuida de ser o anjo da casa, pode contudo encontrar
a sua formação total. Os filhos, pois, são de Deus, e a Deus pertencem e pungentes espinhos. Que lhe restará fazer, nessa conjuntura?
se Ele os quer para si, para seu serviço, a mãe não pode negá-los sem Eis aqui algumas normas que seria bom adotarem-se.
cometer um delito. Este pensamento de que os filhos são de Deus pode- Antes de tudo, se a esposa quer conservar a paz em casa, deve sa-
rá também consolar as mães necessitadas que temem uma prole numero- ber sofrer em silencio: falar pouco com os homens e muito com Deus,
sa, já que poderão dizer apertando o filho nos braços: MEU TESOURO! na oração. De nenhum modo se há de queixar com pessoas estranhas. Ai
O BOM DEUS QUE TE CRIOU PENSARÁ TAMBÉM EM TI! de quem não sabe refrear sua língua! Uma palavra que se lhe escape
pode ser causa de muitos desgostos, como uma fagulha pode causar um
incêndio.
São muitos os curiosos que desejam saber como é que a esposa se
Quais são as inclinações que se manifestam nos primeiros meses acha na nova casa, e alguns por certas malquerenças com a família, na
ou nos primeiros anos de sua vida? Todas vós, mães, estais de acordo qual ela vive, não esperam mais que uma sua palavra para semear dis-
em afirmar que as crianças manifestam logo os germes de muitos vícios, córdia. Em muitos casos é bem certo que o silencio é ouro.
especialmente o ciúme, a inveja, a ira, a teimosia. Morrem mais germes de discórdia por meio do silencio do que
Vede: Se fazeis uma carícia a um, o outro mostra-se logo sentido, micróbios mortíferos em um mar de acido fênico.
deixando-se dominar pela inveja. Ai de vós! se dais um presentinho a É verdade que a esposa achará um grande alívio em desabafar-se
um deles. O outro mostra-se logo ofendido e manifesta seu ânimo exas- com sua própria mãe, e derramar suas lágrimas no coração dela, mas se
perado contra o irmão. a mãe em vez de ser mulher prudente, virtuosa, é faladora e impulsiva,
Um dia falavam duas mães sobre este assunto: "Eu sei de uma então acontece o mesmo que quando se lança lenha ao fogo: acende-se
menina de dois anos, à qual a mãe teve que privar do peito para dá-lo a ainda mais. Além disso, para que entristecer o coração da pobre mãe?
um recém-nascido. Pois bem. A pequena sentiu tanta inveja que dificil- Sofra em silêncio e se tiver paciência (pois que o tempo é um grande
mente se pôde salvar-lhe a vida". A outra acrescentou: "Conheço uma médico) pouco a pouco, sofrendo e calando-se, chegará ao que deseja, e
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De modo que, nesta matéria tudo depende das circunstâncias, vis- menina tão caprichosa que quando se lhe nega alguma coisa bate os pés,
to que, antes do mais, deve-se ter em vista o bem comum da família. chora desesperadamente, e se ainda não se lhe fizer a vontade, então,
Mas, suponhamos que a esposa é que vai fazer parte da família do fica fora de si, dura como uma tábua". A outra disse ainda: "Uma mãe
marido. cuidava com todo carinho de uma filhinha chamada Gina de poucos me-
Esta família pode já ser numerosa e diversa: podem lá estar o so- ses. Um dia, quando a acariciava, a outra irmãzinha de dois anos, lhe
gro e a sogra, cunhados e cunhadas com crianças e criados. disse: "Mamãe! Jogue a Gina pela janela!
Quais os deveres da esposa que entra na nova família? Deve pen- "Sei de um menino de poucos anos que tentou repetidas vezes ce-
sar que todos a observam em todas as suas ações. Que para ela é de ca- gar a sua irmãzinha com uma tesoura".
pital importância o começar bem e causar boa impressão a todos. Ai! Se Todas tinham algum caso que contar como atos de vingança, men-
ela pretendesse dar ordens, mandar, ou introduzir modificações no go- tiras, palavras injuriosas e outras coisas semelhantes.
verno da casa! E assim, em geral, as crianças nascem cheias de defeitos e a seu
Mesmo que tivesse trazido um bom dote, e tivesse ademais rece- tempo, manifestam-se também neles os germes dos sete vícios capitais.
bido uma educação completa, ainda que possuísse qualquer outra boa Pois bem, muitos filhos foram sempre rodeados de cuidados e jamais
qualidade, deve a esposa impor-se pela humildade, afabilidade e adap- viram maus exemplos. Como se explica então esse problema? Direi logo
tar-se a todos os usos e costumes da família mesmo àqueles que lhe po- em seguida: As crianças nascem más, porque procedem de uma fonte
deriam parecer antiquados e repugnantes. má.
Tenha paciência, no princípio, porque lhe interessa sobremaneira Suponhamos que uma garrafa contém vinho ruim: se pusermos
ganhar o coração de todos. Quando já o tivesse conseguido, e já fosse um pouco desse vinho em um recipiente, esse vinho será mau, porque
querida, amada, respeitada, então poderá ser a rainha da casa. Mas isso mau era o vinho da garrafa. Pois se a mãe fosse perfeita, também os fi-
não se consegue imediatamente, e com certeza não o será por meio da lhos seriam perfeitos. Mas se a mãe tem defeitos, de quem será a culpa?
leviandade ou teimosia e imposição, mas pela boa educação e com a Da avó, e assim remontaríamos até chegar à primeira mulher, Eva, pas-
suma deferência para com todos, sem parcialidade, e se alguma distin- sando de mãe a mãe, de avó a avó, pois foi ela que deitou a perder o pri-
ção tivesse de fazer teria que ser em favor dos velhos sogros. meiro homem, Adão.
Esta tática deve já tê-la preocupado mesmo antes de se casar. De- Deus os havia criados perfeitos, mas eles livremente pecaram e
veria, já ter dito a si mesma: "Quero ganhar o coração de todos. Quero desta maneira envenenaram as fontes do gênero humano. De um manan-
ser naquela família um anjo de paz". cial infecto nada mais se pode originar que uma estirpe condenada. O
Por isso, percebendo que na família há alguém de mau gênio, de sangue que corre em nossas veias é o sangue de Adão e Eva. Vede por-
caráter difícil, como por exemplo, a sogra, uma cunhada, então a esposa, que as crianças nascem más.
com força que vem de Deus invocando-o e recebendo a Santa Comu- Mas, direis, no decurso de tantos séculos não diminuíram os efei-
nhão, deve dirigir àquelas pessoas suas mais delicadas atenções para tos do pecado original? Não sei se em outros tempos o mundo foi pior
conhecer a sua índole, seus desejos e ganhar-lhes o coração. do que agora, mas sei que Adão não foi tísico, nem histérico, nem sifilí-
Qualquer pessoa por mais caprichosa e intratável que possa pare- tico, ao passo que agora essas enfermidades espalharam-se tanto que
cer sempre apresenta seu lado fraco, pelo qual facilmente se pode apa- não somente atacam as pessoas, mas envenenam até mesmo famílias e
nhá-la. Suponhamos, por exemplo, que a sogra tenha seus caprichos, e gerações.
queira ser a senhora absoluta; a esposa, portanto, guardar-se-á bem de Hoje para quem quer contrair matrimônio exigem-se não poucas
fazer a mínima coisa que pareça querer disputar-lhe esse DIREITO. referências e informações. De modo que como vedes, em vez de dimi-
Mostrar-se-á submissa, louvará todas as atitudes da sogra, achará tudo nuir os defeitos do pecado original, eles aumentaram. E. sendo assim,
bem feito, ajudá-la-á de boa vontade, mesmo nas coisas mais humildes, que se deve fazer? A mãe de família deve usar de todos os remédios que
em suma, procurará de todos os modos tornar-se-lhe agradável o mais nos oferece a religião para se conservar na graça de Deus e contrabalan-
possível. Quando o tivesse conseguido, a esposa sentir-se-á como um çar os efeitos nocivos do pecado original. Além disso, deve procurar
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melhorar-se a si mesma na alma e no corpo. Certos maus costumes que à mãe compete educar deste modo a sua filha.
se ajuntam ao pecado original, como consequência da gula e de outras Ainda uma palavra a respeito da viagem de núpcias.
desordens nos costumes, prejudicam indubitavelmente à prole. Ao con- Alguns dizem que esta viagem se faz por economia. Isso é muito
trário, a virtude da sobriedade, a continência a honestidade nos costu- discutível. Na verdade, se se considera bem, o fazer-se às pressas uma
mes, beneficiam ao mesmo tempo o filho e a mãe. Não há esforço reali- recepção e depois sair-se correndo para uma viagem, suprimindo-se as-
zado por uma mãe, dirigido ao seu próprio aperfeiçoamento, nem bom sim uma festa em família, festa há tempo desejada, que teria proporcio-
pensamento ou afeto nobre, ou propósito generoso de bem agir, que não nado aos parentes e amigos um prazer e momentos de alegria, não nos
produza impressão favorável em todo o organismo e não consiga algu- parece uma coisa muito digna de louvor.
ma vantagem sobre a função gerativa. Se o matrimônio se celebrasse pela manhã, logo depois do café, ou
Oh! Se as mães percebessem a parte que elas têm na formação do do almoço de gala, passadas algumas horas em alegre companhia com
caráter da prole! Contudo, dirá alguma de vós há mães boas que geram os parentes, e amigos, não seria isso suficiente?
filhos de péssimo caráter. Efetivamente, respondo, mas deixando de la- Mas se se quiser fazer mesmo a viagem de núpcias bem seria que
do outras observações que sobre esta matéria poder-se-iam fazer, não se escolhesse como ponto final algum Santuário da Virgem Santíssima,
basta a cooperação da mãe na formação natural dos filhos, necessita-se para se pedir ainda a Ela a sua materna proteção.
além disso da cooperação do pai. Por outro lado os pais são uma parte
principal, não, porém, a única. Podem-se dar defeitos que remontam a
causas anteriores. Frequentemente a raiz de um defeito físico ou moral
pode-se ir buscá-la nos avós e até mesmo nos bisavós. Ademais, será Comecemos sem mais preâmbulos a tratar da questão que se apre-
sempre certo que, se a eles se acrescentam os defeitos da mãe, as condi- senta por si mesma e é muito delicada.
ções dos filhos serão cada vez piores. Será melhor que os esposos fiquem com a família ou que se sepa-
Mas voltemos ao nosso assunto. rem dela para viver sozinhos? A resposta depende de diversas circuns-
Quão grande deveria ser o cuidado de toda mulher no governo de tâncias.
si mesma, principalmente quando sabe que tem dentro de si um novo Se se trata de lavradores, ou de famílias que trabalham numa fa-
serem formação. Mas, não somente então, como também quando se pre- zenda comum, que não se pode facilmente dividir, então é melhor, em
para para o matrimônio. O melhoramento do gênero humano está em geral que fiquem com a família.
vossas mãos. Todos os esforços que um menino ou uma menina faz para Sendo comum o trabalho, é natural que seja também comum a
melhorar não se reduz ao próprio bem mas estende-se a toda a raça hu- convivência. Como poderia um pai dividir, daqui para ali, um sítio, uma
mana. fazenda, uma chácara e dar uma parte ao filho para que possa viver sozi-
Encontrando-se um dia Napoleão em companhia de seus generais nho? Seria difícil e quase impossível, sem grave dano da mesma família.
fez recair a conversa sobre a educação dos filhos. E perguntou: Quando Por outro lado, em nossas vilas as famílias lavradoras duram en-
se deve começar a educação dos filhos? Um de seus generais respondeu: quanto vivem os pais; depois é que se faz a repartição. Se ao contrário
Aos quatorze anos, quando o jovem começa a ser senhor de seus atos. trata-se de uma família de operários, ou da classe média, ou de gente
Aos sete, disse outro, quando se chega ao uso da razão. Um terceiro a- que vive do próprio trabalho, como acontece ordinariamente nas cida-
crescentou: Aos três a criança já é suscetível de educação. Um quarto des, então está bem que os esposos recém-casados se separem da família
ainda disse: Mesmo antes da criança vir ao mundo precisa de certos cui- e vão viver por si mesmos.
dados pois estes influem grandemente na sua educação. Então Napoleão É fácil de compreender que a mudança de condição do filho cria-
olhou em derredor: todos estavam aguardando a sua opinião. Ele disse: ria entre ele e os irmãos diversidade de critério, e que depois de algum
Eu creio que nenhum acertou no alvo: a educação deve começar vinte tempo, poria perigo a paz familiar. Mas se se trata de um filho único, ou
anos antes delas nascerem, isto é, com a educação da mãe. com uma única irmã, ou com vários irmãos, ainda pequeninos, então o
filho casado, pode continuar vivendo utilmente em casa de seus pais.
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esposos que sabem o que fazem, não pensam somente no dote, na via-
gem de núpcias, no banquete, nos presentes, etc., mas principalmente
em contrair santamente o Matrimônio. Tudo o mais é secundário. O que Na instrução precedente dissemos que os filhos nascem maus por-
fica e pode trazer felicidade, repito-o, é a bênção de Deus, recebida na que procedem de uma origem viciada, isto é, porque nascem de mães
Igreja no dia do casamento. que não são boas e não são boas por duas razões:
A noiva em geral mostra-se sempre mais inclinada a comungar na Primeira: Porque nasceram contaminadas pelo pecado original,
Missa do Casamento, mas o noivo frequentemente deixa-se vencer pelo que embora apagado pelo Batismo, permanece sempre nos seus efeitos.
respeito humano. Segunda: Por causa das misérias pessoais que cada mãe acrescen-
É coisa lamentável começar a vida matrimonial com um ato de ta ao pecado original. Estes acréscimos podem diminuir com a educação
vileza! que lhes há de proporcionar a futura mãe da família. Pois bem, que edu-
Fazendo juntos a Comunhão no dia das bodas será também mais cação se há de dar a uma futura mãe de família? Por outras palavras, que
fácil que continuem a fazê-la depois. virtudes deve inculcar uma mãe a seus filhos para que eles possam no
A pompa da festa acaba-se logo, a alegria dos convidados e as de- futuro ser também bons pais e mães de família? Sete virtudes principais
mais coisas do dia nupcial mas não se apagará jamais do coração dos são as que se recomendam para este fim: sobriedade, castidade, laborio-
esposos a recordação da Missa e da Comunhão daquele dia! Ah! Se os sidade, piedade, obediência, caridade e espírito de sacrifício.
esposos tivessem um pouco mais de inteligência, de fé e de seriedade! A SOBRIEDADE: - Com este nome entendemos a regra que se
Façamos ainda algumas observações que nos não parecem inúteis. há de guardar na comida e na bebida, mas também no vestir-se, nos gas-
Não faça a noiva dívidas, com seus vestidos. Seria o mesmo que tos de qualquer espécie, e em contentar-se com a posição de seu respec-
uma barca vertesse água pelo fundo. Às vezes abrem-se brechas que tivo estado ou condição.
dificilmente se podem fechar. Aconselha-se com sua mãe, não teime Algumas mães são demasiado condescendentes neste particular,
caprichosamente em se exibir. Deve pensar que tudo aquilo dura muito permitindo que seus filhos comam a toda hora, por isso à hora das refei-
pouco e que mui depressa encontrar-se-á ante a dura realidade da vida ções não têm eles apetite e assim estragam o estômago e perdem a saú-
conjugal. de. Quanto ao vestuário quem poderá calcular as pretensões de certas
No dia do casamento costuma-se dar presentes. Pois bem, sejam jovens levianas que querem apresentar-se trajando roupas caras e como
esses presentes coisas práticas e úteis, adaptados à condição dos esposos elas dizem, da última moda? E o dinheiro, de onde se há de tirar? Mui-
e da casa. tas vezes é dinheiro roubado em casa ou é fruto de uma vida má. Uma
Quanto à habitação dos recém-casados direi o seguinte: eles de- jovem que não sabe vencer a gula ou a ambição nunca será uma boa
vem ambicionar um lindo ninho, é natural, mas para isso também se exi- mãe de família.
ge critério, e é preciso não se deixar levar pela ambição. Seria ademais, A CASTIDADE: - Não entendemos por esta palavra a castida-
conveniente que certas cabecitas levianas pensassem que a vida não é de propriamente dita que encontra sua defesa corajosa no pudor, mas
apenas gozar, mas um dever, uma missão a cumprir, por vezes mui pe- também o amor à casa e aos pais.
nosa. Sobrevirão as enfermidades, os aborrecimentos, as fadigas, e que Uma boa mãe de família não somente deve ter um corpo sadio
Deus não permita também a falta no trabalho, a miséria, as dívidas e mas também deverá possuir um coração puro, capaz de afetos fortes e
então de que servirão os vestidos elegantes as meias de seda, os pentea- heróicos tanto para com seu esposo como para com seus filhos. Pois
dos, esquisitos e etc.? bem, como poderá isso ser possível em uma mulher corrompida por lei-
Outra coisa é que então se há de exigir. Uma moça ajuizada, pre- turas lascivas ou por amizades equívocas e levianas? Se uma filha não
parando-se para o matrimônio: deveria pensar nessas coisas e preparar- ama a vida retirada, não amará tão pouco a família, e irá procurar amiza-
se em tempo com um enxoval de boa roupa e bem feita. Assim o faziam des fora do lar doméstico, as quais abrirão uma brecha grande, que será
as nossas mães, que mesmo sem ler tantas novelas, conheciam a vida causa de muitas leviandades.
muito mais que tantas moças modernas. Bom seria acrescentar-se que Causa espanto hoje em dia ver-se moças que andam de cá para
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lá a qualquer hora, passeando com qualquer pessoa que as convida ou de cuidar de tudo, pois que não é onisciente. Como pode ele saber tudo,
que deseja que a convidem. Hoje querem gozar as moças de certa liber- se, por exemplo, para constatar-se um grau de consanguinidade deve-se
dade, desejam ser cortejadas e deste modo expõem-se a mil perigos e remontar aos avós e bisavós e talvez até antes ainda?
principalmente perdem aquele pudor que deveria ser a sua defesa. São os cônjuges que devem saber, são os vizinhos, conhecidos, ou
Em terceiro lugar a LABORIOSIDADE. A futura esposa deve- ao menos ter suas dúvidas, e em consequência avisar o Pároco, que fará
rá ser educado em uma vida de trabalho e de atividade. É bem, diz o as indagações necessárias. Outros dirão: "Pensem aqueles a quem isso
Espírito Santo, para o adolescente ter trazido o jugo desde sua infância. pode interessar". Pois neste caso, nos toca pensar a nós todos, parentes e
Convém fazer compreender em tempo à filha que a vida não é um diver- não parentes, homens e mulheres. Se se faz a publicação na igreja preci-
timento; mas um sacrifício contínuo. samente no instante em que há maior concurso de povo, e em três dias
Por isso a mãe deverá acostumar a filha a ocupar-se dos traba- festivos, e se expõem os proclamas na porta principal do templo, é para
lhos caseiros e a fazê-los bem. Dizia uma moça que para ela a maior que todos possam ler, e isso não se faz unicamente para saciar-se a curi-
satisfação era a de estar em sua casa trabalhando e de ver seu pai e seus osidade alheia, mas para que todo o povo saiba e manifeste os impedi-
irmãos de nada precisarem. Tal moça será uma bênção para a família mentos quando os conhecessem.
que a possuir. A laboriosidade defende de muitos perigos, gera a modés- Pode haver casos em que não convém ler os proclamas, ou pelo
tia, a seriedade, evita muitas despesas e afasta a miséria. menos não todos os três, como quando se tratasse de legitimar um matri-
À quarta virtude é o TEMOR DE DEUS. O princípio da sabe- mônio de dois que vivem juntos e que são tidos por marido e mulher:
doria é o temor de Deus. O temor de Deus deve ser a base de toda edu- neste caso é claro que não convém fazerem-se os proclamas. E até pode
cação e portanto também da educação da futura mãe de família. suceder que haja urgência na celebração do mesmo, sabendo-se com
Dizei-me: se tivesse havido um pouco de temor de Deus tería- certeza que há impedimento; nessas ocasiões recorre-se à Cúria Dioce-
mos visto os horrores da guerra mundial? Ter-se-iam as Nações sobre- sana para se obter as necessárias dispensas, de alguns ou de todos os
carregado com tão enormes dívidas? Padeceríamos esta crise tão gran- proclamas. Para isso paga-se uma taxa que serve, não para se comprar a
de que ameaça levar o mundo à ruína total? Pois bem, o que sucede em DISPENSA, como algum tolo poderia crer, mas para as despesas de ex-
grande escala na sociedade, acontece em grau menor na família. Hoje pediente.
julga-se que tudo é lícito contanto que cada um possa fazer o que quiser.
Temor de Deus, temor de sua justiça, já não se tem. O mais que se busca
é não ser atirado a uma prisão e quase nem mesmo isso se teme desde
que nesses lugares encontram-se cavalheiros, comendadores e gentis- O matrimônio para os cristãos é verdadeiro Sacramento, por isso
homens. Fazem esforços inauditos, os homens do governo para pôr or- celebra-se diante do Pároco, (ou de outro sacerdote delegado por ele) e
dem na sociedade, mas se o temor de Deus não for a base da vida social, de duas testemunhas. O verdadeiro matrimônio realiza-se na igreja.
nada se há de conseguir. Tudo será trabalho baldado. Esta grande verdade é comumente reconhecida por todos os po-
Lembrai-vos sempre, mães de famílias: se não inculcardes a vos.
vossos filhos o temor de Deus sereis vós mesmas as primeiras a experi- Na igreja, somente se recebe o Sacramento do Matrimônio ou
mentar suas fatais consequências. também pode-se assistir à Missa e fazer a Sagrada Comunhão? Qual é o
melhor modo? A pergunta não tem necessidade de resposta. Trata-se de
*** um ato que marca o princÍpio de uma vida nova da qual ninguém pode
adivinhar quais serão as peripécias e as vicissitudes.
Continuando a matéria da instrução precedente, devemos tratar Todos desejam que os esposos sejam felizes. Pois bem, o melhor
de outras três virtudes, necessárias como as demais, para a futura mãe, a meio, o mais eficaz, e o único que os pode fazer verdadeiramente feli-
saber: a obediência, a caridade e o espírito de sacrifício. zes, é a bênção de Deus, a que se recebe especialmente pela Sagrada
Não sei se me engano, mas parece-me que a virtude da OBE- Comunhão, feita em união com o sacerdote na Santa Missa. Por isso, os
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O Pároco, uma vez reunidos todos os documentos requeridos, exa- DIÊNCIA torna-se cada vez mais rara. Lamentam-se constantemente as
mina os noivos, antes de começar as proclamações. E para que esse exa- mães, de que seus filhos não querem obedecer e quando obedecem é
me? Por sete razões: somente depois de gritos e de ameaças, ou depois de se ter recompensa-
1ª. - Para certificar-se se estão devidamente instruídos na doutrina do a obediência com algum prêmio. A mesma dificuldade encontram os
cristã e nos deveres que lhes impõe o matrimônio. patrões para serem obedecidos por seus empregados; a ordem tem que
2ª. - Para saber em que paróquias eles viveram ao menos durante ser repetida muitas vezes e contudo, nem sempre se é obedecido. E no
seis meses, especialmente nos últimos cinco anos, com o fim de fazer entanto a obediência é muitíssimo necessária, e sem ela não pode haver
ler também nas ditas paróquias as mesmas proclamações. ordem. Pensai no que aconteceria, se um dia os alunos se negassem a
3ª. - Para pedir à Cúria Diocesana a seu tempo a Justificação de obedecer ao regulamento do colégio, se os soldados se recusassem cum-
Estado Livre se forem de outra Diocese ou se estiveram domiciliados prir as ordens recebidas de seus comandantes. É necessário que a futura
em outras Dioceses, depois dos quatorze anos, e se o noivo já fez o ser- mãe de família se acostume a obedecer, mas obedecer sempre à sua mãe
viço militar ao menos durante seis meses, deve fazer o JURAMENTO e as mães não hão de ceder jamais neste particular. Quando derem uma
SUPLETÓRIO. ordem - naturalmente devem ser razoáveis - sempre devem exigir-lhes
4ª. - Para se informar se eles são de menoridade, isto é, se os dois, obediência a todo custo. Ai delas, se cederem...
ou um deles é menor de vinte e um anos, e nesse caso torna-se necessá- Pense a futura mãe que se não se acostumar a obedecer em sua
rio o consentimento dos pais, dado por escrito diante do Pároco. casa encontrará maiores dificuldades em obedecer quando for viver com
5ª. -Para receber o juramento supletório ou juramento das testemu- seu marido.
nhas, quando não é possível fazer-se a leitura dos proclamas em todos Aí terá que obedecer à sogra, à cunhada, que talvez a querem tan-
os lugares por onde os futuros esposos permaneceram durante seis me- to como os olhos à fumaça. Talvez diga: estaremos somente meu mari-
ses. do e eu. Isto nem sempre é possível, ao menos por algum tempo e ainda
6ª. - Para estar certo de que não existem impedimentos de consan- que fosse, julga a esposa que mesmo desse modo estará livre? O matri-
guinidade, afinidade e oposição dos pais. mônio é chamado jugo, e jugo quer dizer sujeição.
7ª. - Para saber se se deve proceder à legitimação dos filhos, que A mulher deve estar sujeita a seu marido e deve segui-lo onde
poderiam ter nascido antes da celebração do matrimônio. quer que ele estabeleça sua residência, e prestar-lhe obediência em tudo
Feitas todas estas exigências, os noivos entregarão ao Pároco to- e por tudo, se quiser viver em harmonia. E tudo isto, supondo-se que
dos os documentos, e farão o mesmo no Cartório Civil. encontre um bom marido, porque se, ao contrário, ele for mau humora-
Os proclamas devem ser lidos na igreja em três dias festivos con- do, exigente, ciumento então as dificuldades serão maiores. Acaba-se
secutivos; exponham-se também os nomes dos contraentes em local a- logo a lua de mel e a vida apresenta-se na sua realidade.
propriado na porta principal da igreja, para que os que não ouvem os Trabalhar, afadigar-se e ver em redor de si rostos carregados, sem-
proclamas saibam quem são os que se querem casar e para que todos se blantes apáticos, atitudes frias que a cada passo interpretam mal que se
lembrem da grave obrigação que têm de manifestar ao Pároco os impe- faz, ainda que seja com a melhor das intenções é coisa duríssima.
dimentos de que tivessem conhecimento, se existissem entre os contra- E que fará então a pobre esposa, acostumada a mandar e não a
entes. obedecer? Quão duramente terá que expiar sua má educação e que sofri-
É uma obrigação que se deve cumprir sob pena de pecado mortal. mento o seu, ter que obedecer a tantos e de tão má vontade.
Isso não significa ser espião ou delator, ou intromissão em negócios a- Que necessidade terá de ir em busca de sua mãe para desafogar-se
lheios, mas ao contrario, significa fazer-se uma boa obra considerando- com ela, chorando sua desdita. Ditosa a jovem que desde seus mais ten-
se os graves inconvenientes que sobreviriam aos esposos se contraíssem ros anos acostumou-se a obedecer e a dobrar sua vontade ao jugo da
matrimônio inválido. obediência.
Alguém poderia objetar: que o Pároco cuide ele mesmo de tudo Mães! Se quereis com verdadeiro carinho a vossas filhas, sede
isso! Na verdade, é ele mesmo quem deve pensar nisso, mas ele não po- fortes e inflexíveis para com elas e exige delas obediência absoluta às
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vossas ordens. juridicamente aptas. “Os esponsais não são absolutamente necessários,
A sexta virtude é a CARIDADE. Uma família onde reina a paz é mas quer pelas vantagens que traz para os esposos, quer pelo costume
um paraíso. Mas a paz não pode existir sem a caridade. Se se quiser sa- geral que existe nunca se deveriam omitir”. (SCOTON Inst. Cateq.) A
ber qual a causa de tantas desavenças - que ordinariamente terminam em promessa de matrimônio deve ser assinada pelos noivos e pelo Pároco,
um dilúvio de impropérios e até de blasfêmias, e às vezes em cenas que se se faz diante dele, ou de duas testemunhas, se se fizer diante delas.
transtornam a vida conjugal e familiar, e atraem a atenção dos vizinhos - Se um ou nenhum dos esposos sabe escrever, ou não o pode fazer,
é evidente que será sempre a falta de caridade. deve-se fazer constar isso no texto, e acrescentar-se mais uma testemu-
Se aquela bendita mulher tivesse sabido refrear sua língua e dissi- nha que assine por eles.
mular, ou tivesse respondido com uma palavra menos áspera, o incêndio No documento deve-se indicar a data precisa em que se há de rea-
ter-se-ia apagado, e tudo teria terminado ali mesmo. Mas, ao contrário, lizar o casamento. Os esponsais bem feitos e nesta forma, são válidos, e
se ela quiser também dizer a sua, e à primeira, seguem-se outras, chega- têm força de um verdadeiro contrato, obrigando em consciência: primei-
se ao extremo mencionado. A dureza do trato é geralmente a causa de ro obrigação de justiça de ambas as partes, de contrair matrimônio no
certas antipatias que, arraigando-se no coração, convertem num verda- tempo marcado; segundo, o dever de evitar todo namoro com terceira
deiro inferno a vida conjugal. pessoa e todo e qualquer agravo a outra parte; terceiro, a inabilidade de
Em certas casas não se ouve senão palavras iradas, explosões de contrair esponsais com outras pessoas; quarto, a inabilidade de contrair
raiva, blasfêmias e maldições. Jamais, um sorriso, jamais uma palavra MATRIMONIO LÍCITO com outras pessoas.
doce, jamais um gesto amável, jamais um ato de benevolência. Vive-se Tudo isso obriga como lei moral, isto é, diante de Deus e da pró-
em um ambiente de rancor com o qual a paz é incompatível e sem a paz pria consciência.
falta a boa harmonia, o amor à família, aos interesses da casa. E deste Os esponsais podem-se tornar inválidos nos casos seguintes: 1- se
modo tudo vai de mal a pior. uma das partes celebra matrimônio VÁLIDO com um terceiro; 2- pela
O falar caritativamente, o agir com benevolência, o trato educado renúncia expressa de ambas as partes, se a promessa foi bilateral, ou da
e correto, não se aprende num momento, máxime, porque mais facil- parte aceitante se foi uni-lateral; 3 - passado o tempo determinado para
mente observamos as faltas alheias e sempre estamos dispostos a au- o matrimônio; 4- pelo aparecimento de um impedimento não dispensá-
mentá-las e ao contrário, as nossas, não as vemos, ou se as vemos as vel; 5- pela emissão de votos perpétuos ou ingresso em um estado mais
diminuímos e desculpamos. Ah! se as palavras que pronunciamos no perfeito de uma das partes.
decurso do dia se gravassem em um disco, e as repetíssemos à noite, Não há outros motivos suficientes para anular os esponsais? Sim;
quão envergonhados ficaríamos de nós mesmos. Ditosos os que rece- por exemplo: se um dos noivos, que estava com saúde, ou ao menos pa-
bem boa educação. Seria bom recordarmos estas palavras: Escuta, olha recia que o estava, contrai uma doença incurável. Se era rico e um golpe
e cala! Fala pouco e pensa muito! de fortuna o tornou pobre. Quando se pensava que eram de bons costu-
Finalmente o ESPIRITO DE SACRIFICIO. Se a uma mãe falta o mes e se vem, a saber, que é um libertino. Se vivia em uma vila, ou pró-
espírito de sacrifício falta-lhe a virtude fundamental no seu estado. Por ximo dela, e quer mudar para outro continente. Se a noiva declarou ter
que afinal de contas, nega uma mãe a vida a quem tem o direito de tê- uma idade e de fato é mais velha. Julgava-se que ela era de bons costu-
la? Porque não tem espírito de sacrifício. Por que, naquela casa nunca mes e chega-se a descobrir que não é tal. Os pais tinham-lhe prometido
há ordem, a roupa está suja, os filhos mal cuidados, a casa enxovalhada? um dote razoável, e chegando o momento, deram-lhe outro muito me-
Porque falta na mãe o espírito de sacrifício. Por que os filhos não rezam nor, se foi atacada por varíola ou por outra enfermidade que deixa con-
as orações do bom cristão e aproveitam tão pouco da escola, e não vão sequência.
ao catecismo? Porque a mãe não se quer incomodar. Poderiam viver Estes, pois, e outros casos semelhantes que possam ocorrer, são
mais folgadamente, evitar gastos inúteis, se a mãe tivesse um pouco suficientes para rescindirem-se os esponsais, isto é, a promessa de ma-
mais de espírito de abnegação. trimônio.
Não é assim? Ditosas as mães que inculcam às, suas filhas este Vamos agora aos PROCLAMAS:
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Que se deve fazer para se conhecerem os impedimentos? Antes do espírito com o exemplo e com as palavras. Este é o melhor dote que lhes
matrimônio, tanto na Igreja como no Cartório fazem-se as publicações. possam legar.
Quem souber que entre os contraentes existe impedimento, tem obriga-
ção de manifestá-las EM CONSCIÊNCIA.
Além disso, os esposos prudentes e seus pais devem tomar todas
as providências necessárias e pedir todas as informações. Quando se Esta oitava instrução trata de um assunto muito delicado: o da for-
sabe da existência de impedimentos se eles não são estabelecidos por lei mação da família.
divina, ou pela lei natural, podem remover-se mediante a dispensa ou- Vi em certa ocasião uma mãe junto ao berço de um filhinho de
torgada pela autoridade eclesiástica. Expõe-se o caso ao Pároco e ele poucos meses. Tinha-lhe tirado as primeiras faixas e a criança estendera
dirá o que se deve fazer. os bracinhos. Mas o menino movia-os com vivacidade e a mãe castigou-
E se se conhecesse a existência de algum impedimento, depois de o batendo-o com a mão. Eu então lhe disse: Mas, para que isso, se o po-
contraído o matrimônio? brezinho não compreende? E a mãe respondeu mui tranquila e quase
O caso já aconteceu e pode ainda acontecer. Pode ser mesmo que sorridente: Oh! Sim... compreende, compreende.. .
aconteça por causa de uma dúvida ou de uma carta, ou de algum sermão Estas palavras fizeram-me refletir e admirei a fina psicologia da-
sobre o assunto. Nestas circunstâncias é preciso agir com muita prudên- quela mãe. E com efeito, assim é: é preciso arrancar os defeitos das cri-
cia. Quem descobriu um impedimento DIRIMENTE que torna o matri- anças desde que aparecem. Mas, há ainda mais: a mãe deve pensar na
mônio nulo, manifeste-o ao próprio confessor. Ele julgará o caso e dirá educação dos filhos mesmo antes que eles nasçam.
o que se deve fazer. Uma vez fizemos esta pergunta: De quem são os filhos? E respon-
Baste saber-se que nestes casos há ainda um remédio para se con- demos: Os filhos são de Deus. De Deus quanto ao corpo já que este foi
validar o matrimônio é o que se chama SANATIO IN RADICE e o con- criado por Deus em Adão. De Deus quanto à alma, porque esta foi cria-
cede o Sumo Pontífice. da imediatamente por Deus. Mas nisto tudo intervém também a coope-
ração humana, isto é, a obra dos pais e é dessa cooperação de que pro-
cedem muitas imperfeições. Vede a demonstração.
Todos nascemos filhos de Adão e desde Adão até nós já se passa-
E antiquíssimo o costume de se estipular, antes de se celebrar o ram seis mil anos. Três coisas pelo menos concorrem para tornar mise-
matrimônio, um contrato nupcial, com as promessas que se fazem de se rável o gênero humano:
celebrar o casamento em um tempo mais ou menos próximo, com os Primeira: - O pecado original que nos vem de Adão, transmitindo
sinais da promessa e a leitura dos proclamas em dias festivos em presen- aos homens a inimizade de Deus, a concupiscência, a ignorância, as en-
ça dos fiéis. Os antigos romanos davam às suas noivas um anel de ferro fermidades e a morte.
sem adornos. Era um presente que poderia parecer pouco grato à esposa, Esta é a fonte e a origem de todas as calamidades.
pois que significava a indissolubilidade do vínculo conjugal, podia tam- Segunda: - Todas as misérias concomitantes ao pecado original
bém simbolizar a rude dureza do jugo que durante toda a vida deveria acrescentadas pela sucessão das famílias e que na maioria dos casos faz
pesar sobre seus ombros. sentir suas maléficas influências em toda parte. Explica-se: Adão não foi
Os antigos francos ofereciam às noivas um anel, mais ou menos nem histérico, nem louco, nem tuberculoso; estas enfermidades vieram
precioso, mas juntamente com o anel deixavam cair em suas mãos uma depois. Pois bem, quando elas se apoderam de algum indivíduo geral-
moeda, o que no fundo era um ato de barbárie que significava a compra mente tornam-se hereditárias. É, pois um acréscimo feito ao pecado ori-
da mulher como se fosse uma escrava. ginal.
No Antigo Testamento os primeiros esponsais de que se faz men- Terceira: - Todas as misérias que dependem da vontade dos pais.
ção são os de Isaac e Rebeca e os presentes foram preciosíssimos. Eis aqui três causas das quais se originam todos os ais da vida hu-
Os esponsais - palavra derivada da fórmula romana prometo - mana: o pecado original que nos lega a inimizade de Deus e a morte; as
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doenças hereditárias; os defeitos e os vícios dos pais. mulher com relação ao marido.
Nas ações humanas mesmo nas externas e materiais não somente 13º. - O RAPTO - Quem rapta uma mulher com o fim de casar-se
o corpo toma parte mas também a alma. Se, por exemplo, alguém lê u- com ela não pode contrair matrimônio válido com a mesma, senão de-
ma poesia a uma aluna do terceiro ano ela não a apreciará certamente. pois de tê-la posta em liberdade.
Mas se a Mestra mesma a recitar, haveis de notar uma grande diferença.
Por quê? Não é a mesma poesia? Sim, mas é diferente a maneira de reci- Há ainda outras causas que tornam inválido o matrimônio e são:
tá-la. E então, de que depende? Depende da alma. Depende da alma da
Mestra que sente o que é expresso na poesia e o faz sentir. A IGNORÂNCIA: aquele que não sabe que o matrimônio é uma
Por este exemplo podereis formar uma idéia do estado psicológico união permanente entre o marido e a mulher, para procriar filhos, não
ou seja da disposição interior dos esposos quando se preparam para rea- contrai validamente o matrimônio.
lizar a obra da formação da família. O ERRO: com relação à pessoa com quem tem de se casar, tendo
Diante dos pais apresentam-se muitos caminhos: bons e maus que havido troca de uma pela outra; este erro torna inválido o matrimônio.
levam à melhor e a pior educação e orientação da família. Vistes sem O MEDO GRAVE E A VIOLÊNCIA: aqueles que não consentem
dúvida, nas grandes estações ferroviárias, os trens alinhados uns juntos no matrimônio, ou dá o seu consentimento obrigado por um temor gra-
dos outros preparados para a viagem. Se eu tomar o da primeira linha, ve, produzido injustamente por uma causa externa e dirigida a forçar o
irei ter a uma cidade; se tomar o da segunda, conduzir-me-á a outra: e o consentimento ou se vê constrangido pela violência, não pode contrair
da terceira, o da quarta sucessivamente. matrimônio válido.
Nesse momento tem os pais em suas mãos os fios da melhor ou A CONDIÇÃO: é inválido o matrimônio se se põe uma condição
pior sorte dos filhos. Oh! Se nesse solene momento não se deixassem contrária à substância da mesma, como seria de conviver somente por
dominar pela paixão puramente humana, mas elevassem seu pensamen- determinado tempo, ou de se evitar a prole.
to bem mais alto na certeza de que estão realizando um milagre em uni-
ão com Deus! Ademais, para que a matrimônio seja válido deve ser celebrada na
Mas infelizmente, quem é que pensa assim? Vede aquela árvore presença da Pároco, ou do Bispo ou de seu delegado, ou ao menos, de
robusta, cujo tronco revestido de ramos verdes eleva-se bem alto. Quem duas testemunhas.
poderá mover aquela árvore. Pois bem, houve um tempo em que ela era Quem pode estabelecer impedimentos?
também débil plantinha e até mesmo uma pequenina semente. Um inse- Os verdadeiros impedimentos que são os da terceira espécie e que
to insignificante poderia tê-la destruído, o calor em grau pequenino, po- se denominam DIRIMENTES somente a Igreja os pode estabelecer, e
deria ter truncado a existência àquela planta se lhe tivesse matado o ger- não a autoridade do Estado, e isto porque o Matrimônio é um Sacramen-
me.. to e com relação aos Sacramentas somente a Igreja pode legislar.
O mesmo acontece com os homens que muito bem podem ser re- E porque se criaram os impedimentos?
presentados por essa árvore. Eles também um dia eram fracos e delica- Há impedimentos criados pela mesma NATUREZA como, por
dos. Um simples micróbio, uma pequena variação de temperatura, uma exemplo, a IMPOTÊNCIA. Outras foram impostas por Deus, como o do
modificação no estado psicológico dos pais, quem sabe? que efeitos po- VÍNCULO. É fácil ver-se o porquê.
deria ter causado? Mas a graça do Sacramento do Matrimônio envolve Mas também os outros impedimentos têm sua razão e muito séria.
aquele momento numa atmosfera de bênçãos e de graças. Por exemplo, o impedimento de crime tem por fim salvaguardar a uni-
Lê-se na Sagrada Escritura que vários moços tomaram a Sara por dade e a indissolubilidade do matrimônio, a estabilidade e a paz da fa-
esposa antes de Tobias, mas o demônio a todos tirou a vida. E por quê? mília. Assim também o impedimento de parentesco tem por objeto es-
Eis o que responde o Arcanjo Rafael ao bom Tobias: "Escuta-me e eu te tender as relações de concórdia em uma área mais extensa da sociedade,
direi sobre quem é que o demônio tem poder: é sobre os que se recebem e também evitar as enfermidades e os maus resultados dos matrimônios
em matrimônio mas afastam a Deus de si mesmos e de sua mente, para contraídos entre parentes.
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2º. - A FALTA DE IDADE EXIGIDA, isto é, dezesseis anos para satisfazerem as suas paixões como o cavalo e o jumento que não têm
o homem e quatorze para a mulher. inteligência. Sobre eles o demônio tem grande poder. Mas quando tu
3º. - O VÍNCULO, isto é, a união com outra pessoa por matrimô- tiveres desposado Sara, entrando em sua casa, durante três dias há de
nio anterior. ficar longe dela, e deverás permanecer em oração em sua companhia...
4º. - A CONSANGUINIDADE, que se tem quando os esposos Na terceira noite tereis as bênçãos de Deus para que os teus filhos go-
descendem do mesmo tronco. Entre as pessoas consanguíneas em linha zem boa saúde. .. Hás de receber a Sara, virgem, no temor de Deus, mo-
reta não é permitido o matrimônio. Entre as consanguíneas em linha co- vido mais pelo desejo de ter descendência do que por paixão a fim de
lateral até o terceiro grau ou seja, até os primos em segundo grau. obteres a bênção do Senhor, reservada aos filhos de Abraão". (Tob. VI,
5º. - A AFINIDADE que é o parentesco que nasce entre o marido 16-22)
e os consanguíneos da esposa e vice-versa, entre a esposa e os consan- Deste fato que se deve interpretar CUM GRANO SALIS, compre-
guíneos do marido. (O viúvo não pode casar-se nem com a irmã, nem endereis facilmente a importância que têm na formação da família as
com a tia, nem com a prima, nem com a sobrinha de sua mulher). disposições dos pais naquele momento, para conseguir um feliz resulta-
6º. - A PÚBLICA HONESTIDADE: é o impedimento que nasce do nos filhos. Ah! Se antes e durante o ato conjugal elevassem os pais o
de um matrimônio inválido ou de concubinato público ou notório. Neste pensamento até Deus, certamente não seria raro o número dos filhos
caso, não se pode casar nem com o pai ou com a mãe, nem com o avô, santos!
nem com a avó, nem com o filho, nem com a filha, nem com o sobrinho
nem com a sobrinha da pessoa com a qual alguém contraiu matrimônio,
ou com a qual está unido, concubinariamente. Poderia casar-se, contudo,
com o irmão ou irmã, porque estes estão em linha colateral. Na instrução precedente eu disse tudo o que primeiramente é pre-
7º. - O PARENTESCO LEGAL, que torna nulo o matrimônio en- ciso compreender, isto é, a importância suma que encerra o momento
tre o adotante e o adotado e seus descendentes, entre o adotado e os fi- em que os pais empreendem a obra da formação da família, porque tam-
lhos que sobreviveram ao adotante, entre os filhos adotivos de uma mes- bém e principalmente das disposições anteriores àquele momento pode
ma pessoa, entre o adotado e o cônjuge do adotante, entre o adotante e o depender o feliz êxito do futuro dos filhos. Este foi o assunto da instru-
cônjuge do adotado. ção anterior e sirva este de base para o que quero dizer-vos nesta.
8º. - O PARENTESCO ESPIRITUAL, pelo qual o que administra Quisera falar do grande cuidado que a mãe deve ter de si mesma
o batismo a uma pessoa ou se torna padrinho ou madrinha, não pode desde o momento em que sabe que traz em seu seio uma nova vida, até
contrair matrimônio com a mesma pessoa. o dia em que tenha de apresentar ao seu marido a nova criatura. E' um
9º. - O VOTO SOLENE DE PROFISSÃO emitido em uma Ordem período delicadíssimo.
ou Congregação religiosa. Deus queira que todas as mães tenham a devida estima e os neces-
10º. - A ORDEM SAGRADA pela qual os: Sub-diáconos, os Diá- sários cuidados.
conos e as Sacerdotes não podem contrair matrimônio.. E' célebre a parábola evangélica em que Jesus compara o Reino
11º. - A DISPARIDADE DE CULTO que torna inválida a matri- dos Céus a um grão de mostarda, o qual, sendo pequeníssimo converte-
mônio entre um batizado e um não batizado. se em árvore. Outro tanto acontece com o corpo humano que tem sua
12º. - POR MOTIVO DE UM CRIME que tem lugar quando o ma- origem em uma pequena semente. Esta semente desenvolve-se pouco a
rido cometeu adultério com outra pessoa, prometendo casar-se com ela! pouco durante nove meses depois dos quais, aparece à luz do sol uma
Nesse caso não poderia fazê-lo nem mesmo que ficasse viúvo. Outro gentil criança.
tanto se há de dizer, se cometido adultério, mesma sem promessa de ca- Mas a criança não começa a ser uma criatura somente no instante
samento, dá-se a morte de um dos esposos causada por um dos adúlte- de nascer: já o é antes. E desde quando? Há nove meses, isto é, desde o
ros, ou se eles de comum acordo tivessem causado a morte da mulher, momento em que aparece no seio materno. Desde então - notai-o bem -
mesmo sem adultério ou promessa de matrimônio. O mesmo diga-se da tem sua alma racional, e por isso mesmo, desde aquele instante há de ser
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respeitada tanto mais, quanto mais frágil e delicado é esse pequenino a ele, um conjunto de leis mui detalhadas parte das quais se referem aos
ser. IMPEDIMENTOS matrimoniais.
Vede porque qualquer tentativa direta de se impedir ou dificultar o Podemos distinguir três espécies de IMPEDIMENTOS, no matri-
desenvolvimento normal daquele gérmen é um pecado mortal, castigado mônio: DISSUADENTES, IMPEDIENTES e DIRIMENTES.
com a excomunhão reservada ao Bispo, se à tentativa segue-se o efeito Os impedimentos aos quais chamo de dissuadentes, não estão em
desejado. nenhuma lei positiva. São o bom senso e a experiência que no-las ditam.
Qualquer tentativa deste gênero é um verdadeiro homicídio, já que Quem sabe o que faz, deveria rejeitar espontaneamente certas propostas
o mesmo é tirar-se a vida a um homem de vinte anos como de um ano, de matrimônio. Tanto num como noutro sexo há pessoas incapazes de
ou de apenas uma hora. Bendigamos a nossa santa religião que tão enér- conhecer a importância das obrigações morais que o matrimônio impõe,
gica se mostra e ao mesmo tempo tão benemérita. Do mesmo modo a tanto com relação aos cônjuges como com a família. Há caracteres difí-
religião sabe afastar dos pais o medo da prole numerosa, condenada a- ceis, excessivamente duros, egoístas, cruéis, extravagantes; pessoas his-
quela malfadada abominação, denominada maltusinismo; sabe, além téricas, irritadiças por doenças, meio loucas. Nenhuma lei positiva proí-
disso, defender a vida nascente do germe humano com as anátemas da be o matrimônio a estas pessoas, mas quem, tendo um pouco de bom
excomunhão. Agora, cada qual pode pensar: teria eu nascido se meus senso, as aconselharia a contrai-lo?
pais tivessem pouca religião? A experiência nos ensina como acabam estas miseráveis uniões.
Convém recordar aqui os dois grandes princípios que regulam to- Do mesmo modo, um vício, demasiado arraigado como a blasfêmia, o
da esta importantíssima questão: jogo, a embriagues, etc., a falta de dote, de um vício ou de uma arte,
Primeiro: Que o pequeníssimo ser é uma criatura humana e real. certas enfermidades corporais ou de família, a diferença de condição, de
Segundo: Que o ser pequeníssimo recebe a organismo, o alimento, idade e mesmo de patrimônio, são coisas que bem consideradas, desa-
e por conseguinte o sangue, o calor, a conformação, a fisionomia e em conselhariam certos matrimônios. Não basta a LUA DE MEL, é preciso
grande parte a temperamento moral da própria mãe. que, tudo considerado, haja boas esperanças de uma vida tranquila e
Oh! Se ela conhecesse a extraordinária influência que exerce na pacífica.
vida de seu filho durante aqueles meses. Passemos aos impedimentos IMPEDIENTES.
Durante esse tempo deve ela agir de tal modo que seu filho possa São dois:
desenvolver-se normalmente e assim crescer são e robusto, segunda o 1º. - O VOTO SIMPLES DE VIRGINDADE, de castidade perfei-
curso normal das leis da natureza. Abstenha-se de bebidas alcoólicas e ta, de não contrair matrimônio, de receber as sagradas Ordens, de abra-
de contorções e esforços violentos. çar o estado. religioso.
A alma da criança não é um espírito separado, como os anjos, que 2º. - A MISTA RELIGIÃO: isto é, a diferença de religião entre
não tem corpo, mas está destinado a informar um corpo e para isso em pessoas batizadas, das quais uma é católica e a outra acatólica.
muitas coisas agem sob seu influxo. Estes impedimentos foram estabelecidos por lei eclesiástica. Têm
Como se explica, então, que muitos filhos se parecem com seus a força de impedir ou proibir o matrimônio, mas sem torná-lo nulo. Os
pais mesma nas suas qualidades morais? Os filhos parecem-se com seus esposos que contraem matrimônio não obstante existir um ou outro des-
pais na fidelidade, na honestidade, na laboriosidade, como se parecem tes impedimentos, cometem pecado, mas o matrimônio é VALIDO.
em traços da fisionomia corporal. Em certas crianças notam-se tendên- Quê se deve fazer quando se apresenta algum destes impedimen-
cias a excessos de cólera e de outras paixões, tendências ao furto, à em- tos? Apresentar-se ao Pároco, que pedirá a dispensa a quem de direito,
briagues, à imoralidade, e quem sabe? - houve-se até dizer que seu pai ou ao próprio confessor, que aconselhará o que se deve fazer.
era assim e que sua mãe também. Vejamos agora os impedimentos DIRIMENTES: são os mais gra-
Há exceções mas a fato é certo, e por que é assim? Porque em ves, porque tornam nulo o matrimônio; são em número de treze, a saber:
muitas coisas a alma depende da corpo. Herdam-se dos pais a constitui- 1º. - A IMPOTÊNCIA, isto é, a incapacidade de procriar. Não se
ção sanguínea ou biliosa, e esta constituição predispõe a um tempera- deve confundir com a esterilidade.
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Antes de tudo é preciso que essa vontade EXISTA. A este respei- mento moral semelhante, com a maneira correspondente de operar e, é
to, nunca se condena demasiado a malícia de certos jovens que se apro- certo, que mediante a liberdade e a graça de Deus pode-se combater e
ximam de alguma infeliz e a lisonjeiam com palavras vagas e até com vencer a tendência do temperamento natural, mas também é certo que o
promessas explícitas que depois nunca hão de cumprir com pretextos homem é preguiçoso e se abandona a oração e os meios de salvação,
maliciosos e assim durante meses e anos; enganam-nas sabendo eles como são os Santos Sacramentos, facilmente deixar-se-á arrastar par
perfeitamente que nunca poderão casar-se com elas. suas inclinações naturais.
Estes são dos atos mais vergonhosos que um espírito corrompido A mãe não pode dotar seus filhos de uma constituição diferente da
pode cometer. Mas, ainda mesmo sem chegar a estes extremos, há fre- sua, mas quanto bem poderia acarretar-lhes durante os nove meses se
quentemente dilações injustificadas, que causam muitos danos. Quando souber ser virtuosa. Assim como quando se leva nas mãos um recipiente
se deu a palavra e não há motivos sérios para dilações é necessário reali- que contém um licor precioso e fino caminha-se com precaução e procu-
zar o casamento. ra-se evitar os tropeços para que não se derrame, assim deve proceder a
Existe também a preparação do espírito, que é geralmente a de que mãe.
mais se descuida. Pensa-se muito no CONTRATO matrimonial, e muito Não vá ao teatro, ao cinema, aos bailes, abstenha-se da leitura de
pouco ou nada no SACRAMENTO do matrimônio. Pois bem, contrato e novelas, de companhias que poderiam provocar impressões demasiado
Sacramento são uma e mesma coisa, porque um não pode se separar do fortes.
outro. Nunca se terá o respeito suficiente à mulher que se encontra nesse
O Matrimônio é um dos sete Sacramentos instituídos por Jesus estado. Portanto há de se cuidar muito em evitar-se tudo o que pode
Cristo. É um Sacramento dos VIVOS e por isso mesmo exige de quem o irritá-la, e ela proceda como se seu filho visse tudo e percebesse tudo o
recebe o estado de graça, isto é, a ausência de todo pecado mortal na que acontece. Pense que de seu procedimento depende em grande parte
alma. É um Sacramento que confere aos esposos a graça de viver santa- o futuro de seu filho; leva-o sempre consigo, mais tarde, quando ele for
mente, e de educar cristãmente seus filhos. Pois bem, tudo isso exige maior, afastar-se-á de sua companhia, agora, não. Forma com ela uma
uma séria preparação espiritual, pois que a graça desce sobre os esposos única coisa.
com maior ou menor abundância, segundo as disposições e a preparação Quão doce é o espetáculo de uma mãe que se encaminha para a
que a precede. Igreja a fim de pedir para o fruto de suas entranhas a bênção de Deus.
Um exemplo: Se alguém vai à fonte buscar água é claro que terá Deveria ela até viver frequentemente em companhia de Jesus-Hóstia,
tanta quanto poderá conter o vaso que leva, e se a quantidade fosse pou- para que Ele mesmo velasse pela nova criatura e a cumulasse de muitos
ca, de quem seria a culpa? Não da fonte, com certeza, mas do recipiente. bens.
O mesmo pode-se dizer no nosso caso. Se a graça que recebemos é pou-
ca, é porque nos aproximamos do Sacramento com um coração peque-
no, demasiado pequeno.
Há esposos que se preparam para o Matrimônio com um Retiro Tudo o que eu disse nas instruções precedentes: terá sem dúvi-
Espiritual e isto deveriam todos fazê-lo, porque o matrimônio é para da causado admiração a não poucas leitoras, senão, quanto à matéria,
todos os que o contraem um ato de suma importância. É uma união que talvez quanto à forma1 com que expus o meu modo de ver, mui a propó-
deve durar toda a vida, e que traz consigo consequências de inestimável sito para dar a conhecer a altíssima dignidade da mãe cristã.
importância. Tive necessidade de tratar de um ponto tão delicado porque eu
precisava dele, e fi-lo na maneira mais honesta que me foi possível. Es-
pero ter ilustrado muitas inteligências e portanto, ter feito algum bem, e
isso basta-me, pouco importando-me com as críticas daqueles que, co-
O MATRIMÔNIO, como dissemos, é um grande SACRAMEN- mo os antigos fariseus neles tivessem achado motivo de escândalo.
TO. A Igreja, por isso mesmo sentiu o dever de estabelecer com relação Dirijo-me às pessoas que têm vontade de aprender, não às que
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estão dispostas a murmurar. Tudo o que até agora dissemos refere-se à preparação da mente.
O alimento da criança é o leite materno. A mãe, portanto, deve Mas, além disso, torna-se necessária a preparação do CORAÇÃO. E
cuidar em lhe proporcionar; um leite sadio, e por isso mesmo, há de se também com relação a isto, que deplorável ignorância e quanta miséria!
abster daquilo que lhe apetece, para comer somente o que lhe poderá dar Há corações puros e virgens que ajudados pela graça, voam para seu
um leite melhor; de outra sorte, a criança começará a sentir-se mal e terá ninho com muita naturalidade e nele permanecem constantes até o fim
incômodos gástricos. sem cansaço.
Uma pessoa de experiência nesta matéria, diz que se dando o Há, porém, corações apodrecidos, escravos muitas vezes de tantos
alimento à criança nas horas marcadas, durante o dia pode a mãe pou- vícios, dos quais ainda não se conseguiram libertar. Eis aqui um traba-
par-se o incomodo de ter que dá-lo durante a noite. lho que se impõe, trabalho sério e de importância capital.
Há mães que apenas ouvem a criança chorar logo pensam que É preciso entrar-se no matrimônio, integramente, com todo o cora-
é de fome, dão-lhe o peito e isso lhes causa frequentes indigestões. Al- ção. Um tênue fio basta para impedir que um pássaro voe: que será em
gumas pequenas indisposições das crianças curam-se com um pouco de vez de um fio, for uma corrente pesada, ou coisa semelhante?
água açucarada. Não se lhes devem dar remédios sem prescrição médi- E, entretanto, assim, não se pode HONESTAMENTE aproximar-
ca. As crianças tem frio mesmo durante o verão especialmente nos pés. se do altar, para jurar uma fidelidade que não se tem.
Por isso devem cuidar as mães em agasalhá-las com tecidos de lã. É um Que prognósticos poder-se-ão fazer a respeito desses matrimô-
grande erro o de certas mães que no tempo de calor tem suas crianças nios? Pode-se ainda dizer: "ao coração, não se dão ordens"!
meio despidas. Basta o menor declínio da temperatura que nós apenas Vede um grave preconceito que provém da insipiência humana.
notamos, para que elas se ressintam. Há mães tão descuidadas, que ao Ao coração não se dão ordens, DESPÓTICAMENTE, mas pode-se dar
sopro de um vento frio ficam muitas vezes tagarelando no meio da rua, com INTELIGÊNCIA, como diz São Francisco de Assis. Pode-se, pois,
com prejuízo da saúde de seus filhinhos. Eles são como as plantas deli- dar-lhe ordens indiretamente, fazendo-o tomar os meios necessários pa-
cadas; apanham facilmente resfriados, que se podem transformar em ra livrar-se dos afetos maus e desordenados. Não se conseguirá de uma
bronquite, e talvez até em pneumonia. Repito: as crianças devem estar vez livrar-se do primeiro carinho dado a uma pessoa, mas poder-se-á
bem cobertas em qualquer tempo e hora. Se uma camiseta de lã não in- afastar o pensamento da pessoa, objeto desse amor, não lhe escrevendo
comoda aos adultos no verão, porque não fará igualmente bem às crian- cartas, acabando com os presentes e as visitas, concentrando o coração
ças? Tal cuidado deverá ter também quando começam a andar. com os seus afetos na própria esposa ou no próprio esposo. Rezar, rece-
Além disso, a moralidade exige que sempre, eles estejam sufi- ber frequentemente os Sacramentos, e deste modo, pouco a pouco, o
cientemente cobertos, e nisto muitos deixam a desejar, pelo pouco caso coração romperá todos os laços da escravidão e poderá entregar-se total-
que fazem. mente a quem tem obrigação de se dar.
Dizem as mães, aquelas, ao menos que têm um pouco de bom A preparação do coração pode ser dificílima, mas é preciso conse-
senso, que o período mais difícil da educação dos filhos, é dos dois ao gui-la a todo custo. Certos esposos pretendem que se faça logo a entrega
seis anos, porque a criança começa a andar sozinha e pode afastar-se do patrimônio pertencente à esposa. Estão em seu próprio DIREITO.
facilmente das vistas de sua mãe, e porque não tendo ainda o uso da ra- Mas é preciso que com o mesmo rigor se procure a separação do cora-
zão não é capaz, de evitar os perigos, e são tantos os que ela corre nessa ção de qualquer outro afeto impertinente; este, sim, é dever estritamente
idade, que muitos seriam de consequências fatais, se não fosse o cuida- necessário.
do solícito do seu Anjo da Guarda. Em terceiro lugar vem a preparação da VONTADE.
Quando a mãe está muito ocupada, confia seu filho a outras A preparação da vontade está em grande parte incluída no que dis-
pessoas, geralmente a uma irmãzinha, a uma prima, ainda que saiba que semos a respeito da preparação do coração. Com efeito, é por meio da
não são muito cuidadosas. Frequentemente estas pessoas em vez de cui- vontade que se buscam os meios necessários para se libertar o coração
dar da criança, colocam-na no chão e se põem a divertir com outras de certas escravidões. Mas há coisas que mais diretamente afetam a
companheiras, a criança, não querendo ficar sozinha levanta-se e assim vontade.
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servai: Um moço quer obter a carta de motorista. Está convencido de expõe-se a muitíssimos perigos especialmente nos lugares muito movi-
que se deve preparar, vai à escola com assiduidade, faz exercícios, até mentados.
conseguir todos os conhecimentos indispensáveis para a habilitação. Como já eu disse em outro lugar, não é conveniente que a cri-
Queixa-se ele por acaso de ter que ir às aulas e de ter que fazer um trei- ança tenha sempre alguma coisa para comer. Também nesta idade é pre-
namento regular? ciso ter-se um método, diz um escritor tratando deste assunto. A mãe
Nem por sonho. Ao contrário, vai até contente, porque sabe que deve ser enérgica, e não se deixar comover pelas lágrimas da criança,
isso é absolutamente necessário. Sem conseguir o devido preparo nunca que quer tudo o que encontra e que lhe cai sob os olhos.
poderia obter O CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO e mesmo que o Se a mãe mostra-se forte, a criança deixa de pedir, e se ao con-
obtivesse, não estaria em condições de dirigir com segurança, porque ou trário, ela cede, quando chegar a hora da refeição, não terá vontade de
se mataria ou mataria a outrem em desastre. Isto é claro. O mesmo diga- comer, encher-se-á de caprichos e ainda por cima acabará gulosa.
se de um maquinista, de um aviador, etc. Por outro lado, por mais sadio que seja o alimento, tomando
Pois se nisto estamos todos de acordo, por que, quando se trata de em demasia ele transtorna o estômago, e pode ser causa de muitos incô-
coisas espirituais pensa-se diversamente? No matrimônio trata-se de modos e moléstias.
viver uma vida nova, que traz consigo muitos, importantíssimos e deli- As roupas da criança devem estar de acordo com as condições
cadíssimos deveres e julga-se que se pode, sem mais, sentar-se à direção da família, não se olhando para a suntuosidade e riqueza quanto para a
e guiar a própria vida sem uma preparação conveniente? Não é esta uma limpeza e higiene.
verdadeira loucura? As meninas, mesmo nesta idade, costumam ser vaidosas, o-
É, pois absolutamente necessário estudar, ao menos as lições do lham para os vestidos das outras e querem também que os seus sejam
Catecismo, que tratam do Sacramento do Matrimônio. Sei que falar dis- iguais. Não se deve excitar-lhes a vaidade, dizendo-lhes, por exemplo:
to a alguns noivos equivale a fazê-los rir, julgam que sabem até demais Como és linda! Que vestido bonito! Como te fica bem!
a respeito do Matrimônio, porque leram muitas...novelas. Causaram Certa mãe mostrou à sua filha uma imagem de Sant'Ana que
com isso indescritíveis prejuízos à própria alma, e estas nada mais fize- tinha ao lado sua filha, a Virgem Santíssima e diante das pretensões da
ram que destruir aquele pouco conhecimento, vago, mas verdadeiro, a menina que tinha visto um vestido caro, usado por uma de suas amigas,
respeito do matrimônio, que poderiam ter aprendido no ambiente em disse: - "Vês? Essa menina é a rainha do Paraíso. O vestido que tu tens é
que viveram. Ah! O matrimônio não é o que eles pensam. Os noivos que mais bonito que o dela".
mais têm lido são os que mais necessidade tem de repassar o Catecismo. Outra mãe disse à sua filha: “Ouve! Há duas classes de vesti-
Ouvi: dos. Um que cobre o corpo, outro que cobre a alma”.
- Por que não te casas? O do corpo, pouco nos importa, mas o da alma vale muito mais
- Porque quero viver mais livremente. e é muito mais precioso. É o que usam as melhores meninas.
O diálogo continuava, e eu não o reproduzo, mas isso queria dizer,
em suma que casar-se significa perder a liberdade. Compreendeste? Es- ***
tes são ensinamentos tirados das novelas. Não vos parece.que esses tais
têm necessidade de pegar o Catecismo e estudá-lo bem?Assim, se a cer- Há meninos e meninas que têm um caráter tão bom que à pri-
tos esposos perguntássemos porque se vai perante o sacerdote para con- meira vista fazem-se amar. Modéstia, gentileza, benevolência, e ao mes-
trair matrimônio, que diferença há entre o que se celebra na Igreja e o mo tempo grande circunspcção, que tão lindamente se entrelaçam no
que se faz no Cartório, se o matrimônio civil é verdadeiro matrimônio. seu coração e que manifestam ao exterior na doce expressão do seu o-
Podemos estar certos de ouvir os mais autênticos disparates. lhar.
E com esta CIÊNCIA matrimonial pretendem certos esposos abra- Querem conseguir um emprego? Basta que se apresentem para
çarem o novo estado de vida. Coisas incríveis, mas reais. E então, por serem logo preferidas, entre dez, vinte, cem concorrentes, que levam em
que admirarmo-nos de tantos desastres? seu favor certificados e recomendações. E por quê? Porque aquele con-
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junto de belas qualidades que lhes adornam a alma, agrada, rouba a sim- da, ou cozinha, etc. Que melhor campo de experiência se apresenta ao
patia e o patrão ou chefe de oficina percebe que aquela pessoa lhe con- noivo? Pode saber como procede aquela que há de ser sua esposa, como
vém e que pode confiar nela. Ah! A confiança! Pois bem! Que é que faz trata ao pai e à mãe, aos irmãos e conhecidos, aos doentes, aos pobres e
a índole da criança? também a quantos possam vir àquela casa.
A educação que recebe desde pequenina; é então que se mode- Conhecerá a sua habilidade para os trabalhos caseiros, ou sua pre-
la o caráter ou o que chamamos, o natural de cada um. guiça e seus caprichos, conhecerá sua amabilidade ou seu caráter altivo
Entendamo-lo bem: o natural não é virtude. O natural age espon- e soberbo. Verá como ela trata e é tratada em família, tanto pelos pais
taneamente, sem esforço, e até sem reflexão. Ao passo que a virtude como pelos irmãos e irmãs.
custa trabalho e geralmente é necessária a reflexão. Quem possui um Que melhores elementos para se formar uma idéia e um conceito
natural bom, mesmo sem perceber faz o bem. Ao contrário a obra virtu- verdadeiro e real a respeito do seu caráter?
osa é em geral variável, e sofre alterações: isto é, age aos saltos, falta- Pensai agora, vós, mães, quão deplorável é o fato dos noivos mar-
lhe, em suma, a consciência. Alguém por exemplo poderá suportar com carem encontros e passeios a sós, e pior ainda à noite, que vão juntos ao
muito esforço a uma pessoa que incomoda durante quinze dias: mas teatro, ao cinema, aos bailes, às praias e a outros divertimentos! Que
chegará o momento em que, por fim, perde a paciência e a explosão po- direi das mães que exibem suas filhas como o negociante faz com seus
de ser dura e perigosa. O que possui uma boa índole, está sempre tran- artigos para vender? Pode haver maior loucura?
quilo, porque possui a virtude da constância. Aquele, pois, que possui Mas, afinal, que devem fazer os noivos durante o tempo do noiva-
uma boa índole, gozará da simpatia de todos e se fará amar por todo o do? Devem se ocupar em seus trabalhos ordinários com proveito tanto
mundo. Ditosos; os pais que se esforçam para formar em seus filhos u- do corpo como da alma. O moço que já há tempo vem se habituando a
ma boa índole. Poupam-lhes um esforço que eles talvez não fariam de- economizar, deve reunir o necessário para poder estabelecer sua casa,
pois, e assim dotam-nos de um tesouro incalculável para toda a vida, quanto possível bonita, limpa e apresentável.
sendo, os mesmos pais os primeiros a sentir-lhes os benefícios e as con- A noiva deve cuidar de seu enxoval, e nisto deverá evitar dois tro-
sequências, visto que os filhos, educados deste modo serão para eles um peços: o luxo exagerado que indica leviandade e ambição e a negligên-
encanto. cia, o que contribui para se lhe diminuir a estima.
Mas, quando é que se forma esta índole? Em grande parte na pri- A noiva deve prover-se de um cabedal completo, e isso servirá
meira idade, antes que a criança chegue ao uso da razão. Digo em gran- além do mais para inspirar-lhe o respeito no seio da nova família, espe-
de parte, porque não nos devemos esquecer do que disse Napoleão, - cialmente por parte da futura sogra e das cunhadas, se as houver. Além
ainda vos lembrais? - que a educação da criança começa vinte anos an- disso, talvez mais tarde, a noiva não terá tempo de ocupar-se de si mes-
tes dela nascer, isto é, com a educação da mãe... ma.
Ficamos admirados destas crianças quando as encontramos. Cri-
anças tão bem educadas, de caráter amável, que se destacam entre cem.
Pequenas como são, sabem ser generosas, benévolas, educadas... Que
diferença, se as comparamos com tantas, outras que são teimosas, capri- Os noivos devem saber dominar-se a si mesmos, seus pensamen-
chosas, rudes, mesmo sendo pequenas. tos e seu coração. Muitos cuidados exige a preparação externa do matri-
Por que acontece isso? Porque não receberam boa educação em mônio, no que diz respeito à esposa, o dote, as dificuldades a vencer, a
família. Os primeiros, com toda a segurança farão boa carreira, abrir-se- preocupação de mobiliar a casa, mas antes de tudo é necessário a prepa-
ão caminho na sociedade, tendo talvez menos talento. Os outros, ao con- ração da mente, do coração, da vontade e do espírito.
trário, acharão oposição, antipatia, desgostos sem conta. Os pais, sempre A preparação da MENTE obtém-se procurando o modo de se ad-
dispostos a defender os filhos, protestarão por causa da suposta injusti- quirirem os conhecimentos necessários, referentes ao grande Sacramen-
ça, maldirão a sua sorte, quando deveriam acusar-se a si mesmos, que to que os noivos se dispõem a receber.
não souberam quando era tempo, dar uma índole boa a seus filhos. Fo- Quereis uma prova de negligência do homem a este respeito? Ob-
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augúrio para seu futuro. mentaram em torno da criança um ambiente de escândalo, com discus-
Será conveniente que eles se deem mutuamente algum presente e sões, rixas, e altercações contínuas, no meio de palavrões e maldições
troquem-se, como é praxe, a aliança da fidelidade? constantes, e numa palavra, com o egoísmo pessoal. Como é possível
Tanto a moral, como a conveniência nada tem que objetar. Basta que em semelhante ambiente, se possa formar um bom caráter? Mas,
que nos presentes nada haja de desonesto, e se tenha a devida licença vamos um pouco a prática. Como se forma um bom natural? Do, mesmo
dos pais. modo como se faz um tecido, isto é, com vários fios. “É preciso rodear o
E as cartas? Eis aqui: se os noivos estão longe um do outro, são ambiente da criança de paz, de correção” de mútua benevolência, entre
úteis, em alguns casos, mesmo são necessárias. Mas é preciso que sejam os membros da família, numa palavra, de bons exemplos. Quando numa
conformes a moral e a conveniência. Nada devem conter de imoral, e família pai e mãe amam-se cordialmente, quando entre os irmãos e ir-
não devem ser tão frequentes que causem uma ridícula perda de tempo. mãs, reina a mais perfeita harmonia, quando se respeitam os velhos,
Seria coisa mui louvável que os noivos dessem as cartas para o pai ou a quando não se fala mal de ninguém, quando com sincera caridade são
mãe ler, tanto as que escrevem como as que recebem. socorridos os pobres, quando não se age com hipocrisia, e principalmen-
As visitas entre os noivos são necessárias. Eles devem conhecer- te quando na família reina o espírito religioso, ah! então a criança en-
se a fundo, mutuamente. Trata-se de realizar uma união que há de durar contra terreno propício para, sem dificuldade adquirir um bom caráter.
toda a vida. É preciso que saibam com quem a vão fazer. Pois bem, é Viver desta maneira custa trabalho, eu o sei, mas não é obrigação
necessário fazermos algumas observações úteis nesta delicadíssima ma- dos pais o preocupar-se do bem de seus filhos? Não se uniram em matri-
téria. mônio por seu amor? Não é também por amor à família que trabalham,
Será preciso, dar tempo ao tempo, eu sou o primeiro a afirmá-lo, sacrificam-se e se esgotam? E ademais, não foi para isso que se instituí-
para terem ocasião de conhecer o caráter, de estudar-se o temperamento, ram os Sete Sacramentos?
e de se indagar das disposições um do outro. No livro das desgraças humanas está também escrita esta miséria:
Mas as visitas não deverão ser demasiado frequentes nem muito pais que fizeram atos heróicos para dar a seus filhos um dote esplêndi-
longas; há trevas que soam péssimas conselheiras e as lâmpadas elétri- do, um rico patrimônio, que poderá valer, vamos supor dez, e não se
cas dos salões não bastam pra dissipá-las. Quando anoitece, e nunca de- preocuparam de criar em seus filhos uma índole que valha cem. E con-
pois do Ângelus, é conveniente que o noivo volte a casa. Que os noivos tudo, o patrimônio mais rico que os pais podem legar a seus filhos é u-
nunca fiquem sozinhos, nem tão pouco conversem sozinhos. Quanto ma boa educação. Que importa deixar-lhe um futuro brilhante, se logo
possível, a mãe procure não separar-se da filha, porque as contas que depois eles o esbanjarão e precisamente porque não se lhes deu uma boa
deverá prestar a Deus são mui rigorosas, a respeito do procedimento dos educação, enquanto por meio dela, por si mesmos, teriam podido ganhar
filhos. o necessário para a vida?
Seja séria, a vossa compostura, ó moças, nas visitas que vos faz o
vosso noivo e seja tanto mais séria quanto mais se aproxima o dia do
matrimônio.
Por outro lado, qual será o objeto das visitas? Dissemos que é para
se conhecerem mutuamente. Pois bem, as conversas a sós não servem Também nesta idade o coração é capaz de receber uma educação
para este fim, podem trazer efeitos desastrosos. Mesmo quando sejam especial. O pai que trabalha todo o dia para a criança e a mãe que desde
mui honestas, não ressoa nelas senão a conhecida cantilena: QUERO TE cedo até a noite desvela-se por ela, é um poderoso argumento que certa-
MUITO! Pois bem, esta canção é na verdade, supérflua. O que os noi- mente há de impressionar o terno coração do filho e o levará à gratidão.
vos devem conhecer é a própria índole, seu temperamento, e isso se co- Dever-se-á ensinar à criança a nada levar à boca sem antes tê-lo
nhece muito melhor na presença dos pais da família. oferecido à mamãe, aos seus irmãos e irmãs. A avareza, o egoísmo bru-
Vede um noivo que entra na casa da noiva. Ela ocupa-se de seus tal do futuro esposo, que há de gastar em desordens e bebedeiras o fruto
afazeres ordinários, ou varre a casa, ou lava os pratos, ou costura e bor- do seu trabalho, tornando-se o tormento de sua esposa e de seus filhos,
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começa a formar-se nesta idade. ante de duas testemunhas que deverão assinar depois dos noivos.
Este é o tempo de se destruir o egoísmo. Ê bom que a criança se Mas muitos que não fazem o contrato por escrito, chamam de noi-
mostre de bom coração com seus amigos especialmente com os mais vado o dia em que o esposo é recebido na casa da futura esposa, na qua-
pobres. Acostume-se em tempo que ela mesma dê esmola aos pobres, lidade de noivo.
quando lhe baterem à porta. Desta maneira sentirá compaixão para com Quanto tempo deve durar o noivado? É claro que não deve durar
os infelizes e gratidão para com seus pais que lhe dão o necessário. S. um tempo demasiado longo. Com efeito: ou os noivos ainda têm pais
Francisco de Assis e São Benedito Cottolengo, para não citar tantos ou- então eles, por muito tempo que queiram não poderão evitar todos os
tros, começaram com esta prática a obra de sua santificação e chegaram inconvenientes que facilmente acontecem durante esse tempo, ou os
a ser grandes amigos dos pobres. noivos estão livres, e então o perigo é ainda maior. Mas isto entende-se
Nesta idade, também o sentimento religioso é capaz de educação. nos casos ORDINÁRIOS. Há, porém, casos EXTRAORDINÁRIOS,
A criança prende-se muito ao que vê. E preciso que veja bons exemplos. nos quais independentemente de sua vontade, os noivos deverão esperar
As orações breves rezam-se de boa vontade, de manhã e de noite; mas a e então será preciso submeter-se às circunstancias. Mas apenas estas o
criança há de ser convidada a rezá-la com bons modos, escolhendo-se o permitam, é conveniente que se celebre o matrimônio.
momento oportuno, não a despertando repentinamente, ou interrompen- E as razões são claras. Com uma longa dilatação os noivos se
do à força seus brinquedos, ou ainda repreendendo-a; desta maneira não põem em perigo de se afastarem, o que não redundaria em honra nem de
rezará de boa vontade e além disso, a oração tornar-se-á antipática; é um nem de outro, e até em certas ocasiões pode ser causa de danos irre-
preciso agir de modo que ela se torne agradável e desejada. paráveis, porque faz que se perca a estima mútua, como no-lo prova a
Pode-se ensinar à criança muitas coisas, mostrando-lhes a imagem experiência.
do Crucifixo, da Virgem Santíssima com o Menino Jesus. O pensamen- Durante o noivado, haverá talvez alguma variação na lei moral da
to de um prêmio eterno, se ele for bom e de um castigo se for mau, é um honestidade e do respeito à pessoa alheia? Absolutamente não. Ao con-
estímulo para impedir-lhe toda uma série de caprichos. Uma mãe polo- trario, durante esse tempo devem-se usar cuidados extraordinários, mai-
nesa falava frequentemente a seu filho de Jesus Crucificado, e soube or precaução e delicadeza, porque o perigo é maior e, além disso, por-
inculcar-lhe de tal modo em seu coração o amor do Mártir Divino, que a que soam necessárias as bênçãos de Deus para se obter um bom casa-
criança mostrou desejos de se fazer seminarista e depois foi sacerdote, mento.
chegou a ser Bispo e morreu Mártir. Pode-se dizer que o tempo do noivado é o esboço da futura vida
Passemos agora a mostrar alguns dos defeitos mais salientes da matrimonial. Se durante esse tempo os noivos respeitam-se, pensando
criança. Convém saber por que elas choram. As crianças choram com que estão na presença de Deus, é um bom augúrio. É sinal de uma fide-
muita facilidade. lidade que será também uma grande consolação na vida matrimonial. Se
Se o motivo é razoável, agir-se-á de acordo com o que o caso exi- acontecesse o contrário, seria um mau sinal. Quem poderá confiar numa
ge. Mas se choram simplesmente por capricho, porque se lhes nega o pessoa que não respeita a Deus?
que pedem, então convém não se fazer caso da sua manha, e deixá-la a Cada um dos futuros cônjuges, em algumas circunstâncias que
si mesma; é o melhor modo para que se cale. A mãe que se apieda de infelizmente se apresentarão, não poderá afastar as dúvidas perturbado-
seu choro, comete um grave erro pedagógico, porque a criança aprende- ras com um argumento irrefutável. Poderá sempre pensar: Não respeitou
rá a dominá-la, sempre por meio de suas lágrimas, e acabará vencendo- a Deus, respeitar-me-á?
a. Desta maneira, nunca aprenderá a domar sua própria vontade contra a Ao contrário, que consolação, se fosse diversamente! Mesmo
tirania de todos os seus caprichos. quando o homem tivesse que fazer uma grande viagem, a esposa poderi-
Muitos filhos, se nunca levam a termo seus projetos por lhes faltar a ficar tranquila a respeito de sua fidelidade porque poderá dizer a si
a perseverança, devem aos seus pais essa desgraça e terão que repetir mesma: Ele respeita a Deus e Deus também está onde ele estiver.
amargamente: - Ah! Se meus pais não me tivessem mimado tanto! Que grande coisa é a fidelidade conjugal! Não convém de nenhum
Os pais devem andar de acordo na educação dos filhos. Se o pai, modo que os noivos se ponham em perigo de se privarem deste ótimo
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sabeis a quem Deus os concede? Não aos blasfemos, nem aos libertinos, ao entrar em casa, encontra o filho chorando e notar que a mãe não o vai
nem aos alcoólatras, nem aos vagabundos e muito menos aos incrédu- acariciar, deixe-o chorar, não se mostre compassivo. A criança vendo
los. A mulher piedosa é um tesouro que se dá a quem teme a Deus e faz que o pai e a mãe procedem do mesmo modo há de se calar mais facil-
boas obras. mente. Se o marido ou a mulher se tivessem enganado, não devem um
E agora uma palavra a todas as moças, em geral. corrigir ao outro na presença da criança. Um e outro perderiam autorida-
Vós, jovens, sois simples, ingênuas e tendes um coração terno, de, e a criança estaria do lado que lhe dá razão e sentiria menos afeto em
sensível. O Senhor criou a primeira mulher com estas qualidades, elas, seu coração por esse motivo, para com aquele que a contraria em todos
porém, depois do pecado original, se não forem encaminhadas para o os seus caprichos. Se o marido notasse alguma coisa digna de recrimina-
bem, podem tornar-se perigosas. Por causa da vossa ingenuidade, esta- ção em sua mulher, não deverá repreendê-la diante de todos, mas quan-
reis dispostas a dar boa acolhida ao primeiro que se apresentar, e por do se encontrarem sozinhos.
sensibilidade de vosso coração, facilmente vos enamorais dele. Andai No fazer a vontade das crianças e no corrigi-las os avós muitas
com cuidado, peço-vos, para o vosso mesmo bem, e prestai atenção ao vezes, para não dizermos sempre, impedem a ação educadora dos pais.
que estou dizendo. Não permitais relações com moços que ainda devem Os avós têm muitas fraquezas para com os netinhos, mas, para o bem
fazer o serviço militar. Nisto sede mesmo escrupulosas. Julgai-vos cha- deles, devem refrear esse carinho exterior e secundar a obra dos pais. E
madas por Deus para o estado matrimonial? Obedecei, mas considerai o mesmo se há de dizer das tias e dos demais membros da família.
que o matrimônio é uma cruz que o Senhor põe sobre os vossos ombros. Falemos agora das carícias. As mães sérias estão de acordo em
É uma cruz santa, mas é uma cruz. Ou melhor, é um conjunto de cruzes. dizer: - Poucas carícias! Muito mimo só serve para fomentar os capri-
Tereis grande merecimento se as carregardes com paciência e tereis um chos. Outras dirão: - Como não se há de acariciar a estes anjinhos, que
lugar no Paraíso, não entre as virgens, mas entre os mártires. Costuma- são nosso tesouro e nosso enlevo?
se dizer: as solteiras choram com dois olhos, as casadas com quatro, Eu o compreendo facilmente, mas é preciso ser discreto. Há pais
seis, oito ou mais. Outros dizem: no matrimônio, um mês de mel e o que querem se fazer amar mais, por meio de carícias. É um erro. A ex-
resto de fel. Há ainda quem diz: filhos pequenos dão dor de cabeça, fi- periência é que nos ensina isso. Os pais mais reservados são mais since-
lhos maiores, dor de coração. ramente, mais profundamente amados.
Não nos devemos iludir. A moça que se casa entra em uma estra- O amor para ser verdadeiro e constante deve ser sustentado pelo
da de penitência, e o primeiro dia de casamento é a primeira estação da respeito. Demasiadas carícias não favorecem o respeito, mas alimentam
Via-Sacra. as pretensões das crianças, e colocam os genitores na necessidade de
Não tenhais por isso muita pressa em vos casardes... pois muito negar-lhes muitas coisas, o que é causa de que se apague o fogo fátuo do
tereis que sofrer em vossa vida. Oh! Se todas as moças pusessem em carinho.
prática estes avisos! Quão felizes seriam os matrimônios! Pelo contrário, a moderação, juntamente com o respeito, corta a
raiz das pretensões não razoáveis.
Uma concessão feita em momento oportuno produz maior efeito
no ânimo da criança que muitas outras, feitas fora do tempo, e assim, as
Esta palavra pode tomar-se em dois sentidos: Há verdadeiro noi- carícias constantes destroem o efeito que produziria um beijo dado à
vado, legal, oficial, e este começa desde o momento em que se celebra- criança quando o tivesse merecido.
ram os ESPONSAIS por escrito, diante do Pároco. A experiência ensina três coisas que convém tê-las gravadas na
Disse, os esponsais escritos, porque como podem suceder, e de memória: 1) Os filhos amam aos pais com um amor mais sólido e cons-
fato sucedem enganos, para eles se evitarem e pôr-se a futura esposa ao tante quando em sua infância receberam menos carinhos. 2) Tais filhos
amparo de qualquer surpresa, a lei, mesma a eclesiástica, não reconhece louvam os pais que os trataram assim e até se vangloriam deles diante
nenhum valor, na promessa feito com simples palavras. de todos. 3) Os filhos mais mimados foram os que maiores desgostos
A promessa tem de ser por escrito e feita diante do Pároco, ou di- causaram a seus pais.
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cita-se no ofício de pedreiro. Quer um médico, ser diretor de um hospi-
tal? Estuda, trabalha, escreve, esforça-se por todos os modos para che-
SINITE PARVULOS VENIRE AD ME! Estas são palavras dirigi- gar a ser um facultativo de renome.
das por Jesus aos Apóstolos. O Divino Mestre era centro de atração para Façamos agora a aplicação: Que seria o matrimônio se consistisse
todos, mas especialmente para as crianças inocentes. unicamente em dançar-se juntos uma VALSA, ou em dar-se um banque-
Quando Jesus. passava, as mães corriam ao seu encontro com as te de gala, ou em uma viagem de prazer?
crianças nos braços e se apertavam em torno dele para que Ele pusesse Mas sabemos que o matrimônio é um vinculo que une o homem à
suas mãos sobre suas cabecinhas e lhes desse sua bênção. Os maiorzi- mulher numa convivência devida para se auxiliarem mutuamente, e para
nhos abriam passagem por entre a multidão compacta, e assim, podiam formar e educar a família. A vida pode ser breve, mas pode também ser
aproximar-se de Jesus. Estando ao seu lado não tinham medo, longa e mui diversa: cheia de surpresas, nem sempre alegres, e quase
amontoavam-se em redor dele, e muito provavelmente se empurravam sempre o mais das vezes, é o contrário. Por isso na vida requer-se um
para cada qual ficar mais perto. amor sério e profundo, espírito de sacrifício, de trabalho, de economia,
Os Apóstolos que a princípio não compreendiam certas delicade- de paciência, de bondade e de todas as virtudes. De que servirão então
zas, não viam com bons olhos este entusiasmo e falta de respeito e as os decotes, os vestidos muito curtos, os penteados esquisitos, os perfu-
afastavam de Sua presença. Mas Jesus lhes disse: Deixai que as crianci- mes e os batons? De outras coisas se precisam para atravessar-se feliz-
nhas venham a Mim. SINITE PARVULOS VENIRE AD ME! Quão mente o mar da vida.
contentes deveriam estar aquelas crianças por verem que o mesmo Jesus Pensais talvez em um operário que aspirando a ser um mestre de
lhes tomava defesa. ofício, se limita a polir seus instrumentos de trabalho ou a dar belos la-
Aquelas ternas palavras não cessaram de ecoar aos nossos ouvi- ços na sua gravata, ou então a trajar-se com afetada elegância de cigarro
dos. Hoje ainda se fazem ouvir em favor das crianças. Qual a recomen- nos lábios e passeios pelas avenidas? Seria ridículo!
dação que se ouve por parte dos ministros de Deus com mais frequên- Pois não menos ridículo seria a senhorita que se julga importante
cia? Que se mandem as crianças ao catecismo. E os sinos que badalam e que vai encontrar um bom marido fazendo apenas atos de leviandade.
não são a voz que chama os pequeninos à instrução dominical? Não é Quantas moças há que agem mal, e quão poucas que procedem
ainda Jesus que diz às mães: SINITE PARVULOS VENIRE AD ME? - corretamente. O matrimônio é um Sacramento e um estado de vida mui-
Deixai que as criancinhas venham a mim? E as mães, que respondem? to sério: é preciso que a futura esposa se torne digna dele e se prepare
Que diferença entre as mães de então e as de agora! Aquelas iam com os em tempo e com a seriedade, com a vida, retirada, com a atividade, com
filhos nos braços para levá-los a Jesus, apesar da oposição dos Apósto- a modéstia, com a obediência e o respeito aos seus pais, aprendendo to-
los. Agora, sucede o contrário. Os Apóstolos, isto é, os sacerdotes, não das aquelas coisinhas que se exigem para o governo de uma casa e de
somente não se opõem, mas repetem as palavras cordiais de Jesus: uma família.
"Deixai que as criancinhas venham a mim!" e fazem todo o possível A moça séria não anda pelos teatros e cinemas, bailes e encontros
para atrai-las, quer com pequenos presentes, quer com festas no Catecis- noturnos, mas vai à igreja. Não faz consistir sua beleza em pinturas, e
mo, ao passo que as mães, se, muitas mostram-se indiferentes, outras na adereços em vestes inconvenientes e em coquetismo exagerado, mas
verdade não põem todo o seu empenho no cumprimento desse dever. sim na modéstia e na reserva de seus modos e de seus trajes. Prefere a
E enquanto o Pároco repete as palavras de Jesus: Deixai que as casa aos passeios, a agulha aos espelhos, o lar aos salões, os livros PIE-
criancinhas venham a mim, as mães respondem se não com palavras, DOSOS às novelas e romances. Respeita o pai e a mãe, ensina as ora-
certamente com os fatos: NÃO QUEREMOS! NÃO NOS PREOCUPA- ções aos irmãozinhos menores, não se envergonha de usar distintivos
MOS DE QUE NOSSOS FILHOS VÃO A TI! Que vos parece? E, en- católicos, frequenta assiduamente os Sacramentos. Estes são os centros,
tretanto, há muitas mães que assim respondem a Jesus: E porque esta a alma da vida cristã e, precisamente por meio da frequência aos Sacra-
resposta tão ingrata? Porque há mães que não pensam que, mandar seus mentos, formam-se as verdadeiras esposas e as verdadeiras mães de fa-
filhos ao catecismo redunda em seu próprio proveito e no dos mesmos mília. Mas estas esposas e estas mães de família são um dom de Deus, e
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Respondo: - "A moça de nenhum modo deve ir em busca do noi- filhos. Porque elas são ignorantes, não apreciam a instrução de seus fi-
vo, como este em busca da noiva. Com isso não quero dizer que a mu- lhos, no que se refere à educação religiosa. E contudo, convém ter-se
lher nada pode fazer; mas é nisto que se exige maior luz. Algumas mo- bem presente: SEM INSTRUÇÃO RELIGIOSA É MUI DIFICIL OB-
ças fazem demais: outras de menos; outras, fazem-no mal, pouquíssimas TEREM-SE BONS FILHOS.
procedem como devem. Estendi-me um pouco em ponderar a necessidade da instrução
As que fazem demais são as moças que se apresentam elas mes- religiosa e no dever que têm as crianças de assistir o Catecismo, porque
mas ou com amigas em lugares frequentados especialmente por moços, estou convencido de que somente o Catecismo pode colocar a sociedade
para se mostrarem, sorrindo para todos com modos provocadores. Estas em seu lugar.
pobrezinhas são como figurinos postos nas vitrinas das casas de modas. A criança, chegando aos sete anos começa a ter o uso da razão,
Todos as contemplam, mas ninguém as quer. Essa mercadoria assim isto é, começa a distinguir o bem do mal, a fazer atos humanos, e por
exposta perde a metade do seu valor. No nosso caso, o exibicionismo isso mesmo, suas ações serão meritórias se forem boas, cometerá peca-
diminui, e muito, a estima e o conceito que se pode fazer da jovem. dos, se forem más. E por quê? Porque aos sete anos, com o uso da razão
As que fazem muito pouco são as que nunca pedem ou quase nun- começa o LIVRE ARBÍTRIO, isto é, a liberdade de agir, de fazer o
ca, ao Senhor, que lhes conceda a graça de achar um bom companheiro. bem ou o mal.
Sabemos que o Matrimônio é um Sacramento instituído por Jesus Cristo Se a mãe quer ser boa educadora, deve tê-lo presente e assim, aos
para o bem da sociedade: muitas pessoas, quase a maior parte são cha- sete anos há de tratá-los não como crianças mas como adultos. Esta é
madas ao estado matrimonial. Por que pois, não rezar para se obter de uma regra de bom educador: Incita, deixa agir, guia, corrige; educar
Deus um bom casamento? Trata-se de uma vocação, e por isso mesmo é quer dizer ensinar a fazer bom uso de suas faculdades. A criança, aos
necessário o auxílio de Deus para corresponder a ela. sete anos, começa a adquirir a razão e a liberdade, portanto a mãe deve
As que fazem mal são as moças que procuram aparecer e tornar-se ensinar-lhe como há de usar ambas as faculdades. Isto entende-se dentro
desejadas. É aqui onde se sucedem equívocos lamentáveis. Alguns jul- dos limites da capacidade da criança. E educar quer dizer ensinar a go-
gam que elas se fazem desejadas por causa de seus vestidos muito cur- vernar-se a si mesmo.
tos ou decotados, por causa dos perfumes e enfeites, ou por causa dos Pois bem, a mãe não se deve contentar em dizer à criança: reza
penteados, ou com a frequência a toda espécie de diversões: bailes, cine- tuas orações! Deve procurar o modo de fazê-la compreender e inculcar-
mas, festas etc. lhe que Deus é nosso Pai, que é o doador de tudo, que nos quer muito e
Conta-se de uma destas infelizes que dançava sempre com um que muito se alegra quando as crianças rezam bem suas orações. Para
moço e esperava que ele se casasse com ela e ele acabou casando-se ela apresentar-lhe exemplos de crianças que rezam de boa vontade como
com outra. A alguém que se admirava deste proceder, o moço respon- o daquela que tendo-se sentado para comer e recordando-se de que não
deu: "Aquela eu a queria somente para dançar, e esta para casar-me". havia rezado suas orações interrompeu a refeição e levantou-se para re-
O mundo está cheio destas pobres criaturas, que receberam mil zá-la; ainda, daquela outra que pedia à mãe que a lembrasse quando se
promessas e, entretanto envelhecem sem nunca achar uma porta aberta, esquecesse desse dever.
ou se a encontram é para sua desgraça ou para fazerem desgraçados aos Educada deste modo, a mãe deverá louvar a criança quando es-
outros. pontaneamente ela fizer como lhe foi ensinado, fazendo-lhe ver que já é
Esta é também a causa da diminuição dos matrimônios, a dificul- um adulto, que já sabe rezar sozinho, e desta maneira, começa a criança
dade em encontrar especialmente nas cidades grandes, esposas dignas. É a compreender que é coisa honrosa fazer o bem por própria conta.
doloroso em extremo, ter-se que dizer isto, mas infelizmente essa é a Mas, quando a criança não quer rezar? Já se apresentaram estes
verdade. casos: então é conveniente que a mãe examine se escolheu o momento
Parece impossível que haja, com relação ao matrimônio, tanta ce- oportuno, ou se não usou de palavras ásperas ou modos violentos.
gueira, e que falte até aquela prudência que se costuma ter nas demais Compreendo que com todo o peso de ocupações que recai sobre ela es-
coisas, de muito menor importância. Quer um moço ser pedreiro? Exer- pecialmente pela manhã, para cuidar dos que vão para o trabalho,
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para a escola, para pôr em ordem a casa, não encontra sempre calma rante o Pároco ou duas testemunhas que hão de assinar depois deles.
necessária e o bom humor, nem o momento oportuno para acompanhar E se a todo o custo os dois jovens quisessem casar-se os pais de
a criança em suas orações. um ou de outro fossem de parecer contrário? Então convém estudar o
E então que será preciso fazer? A primeira coisa é não perder a caso e ver sobre quais razões se funda cada uma das partes: se a diversi-
coragem. Convém cumprir todos os deveres próprios do estado e especi- dade de critério não se funda em nenhuma razão séria, então o Bispo
almente o principal, que é educar bem os próprios filhos, o resto fará o poderia permitir o Matrimônio se os noivos fossem de menor idade. E se
Senhor. temesse uma fuga com todas as suas consequências?
Repito-o: poucas orações: o Pai Nosso, a Ave Maria, o Anjo de Se não houver outra solução é melhor optar-se por um mal menor.
Deus; mas é preciso que sejam bem rezadas, com as mãos juntas, de Mas em todo o caso, não se deve desesperar; é preciso pôr as coisas nas
joelhos e a mãe na mesma posição para dar exemplo ao filho. mãos de Deus que sempre nos ajuda, mas particularmente nestes casos
em que está de permeio a formação de uma família.
Deus tem em suas mãos o coração de todos, e pode trocá-lo como
quiser. Tudo está em que nós não transtornemos sua obra com impru-
Na última instrução vimos como a criança, ao chegar aos sete a- dências.
nos começa a ter o uso da razão e a maneira como deve ser tratada pela É preciso rezar e fazer que outros também rezem e depois agir
mãe. com toda a prudência. Evitem-se as palavras injuriosas, as cenas desa-
Aos sete anos começa a estudar o catecismo, e a ir à escola. No gradáveis, as blasfêmias e as maldições. E para se evitar tudo isto, nada
que se refere ao estudo do Catecismo convém ter-se bem presente o que melhor do que vigiar em tempo. Saibam os pais vencer-se a si mesmos
dissemos nas duas instruções precedentes: Todos estão convencidos ho- para convencerem aos filhos. Ponham-se em seu lugar: às vezes são es-
je da necessidade que a criança tem de fazer seus estudos de maneira cravos de suas paixões; talvez quisessem agir de outro modo, mas não
séria e ordenada. O analfabeto é um ser condenado, como uma pessoa se sentem com as forças necessárias. Necessitam muito de auxílio. Se
inferior, a ser vítima de enganos e de posposições. E com efeito, manda- por si mesmos não o puderam fazer, recorram a outras pessoas, a paren-
se as crianças à escola, mais do que ao Catecismo. A não poucos pais tes, amigos, que tenham ascendente sobre o filho, que lhe digam alguma
pareceria quase um delito abandonar-se a instrução dos filhos e de fato boa palavra. Muitas vezes por esse meio, consegue-se o que se deseja. A
assim é: mas deveriam ter a mesma opinião e preocupação relativamen- oração, os bons conselhos, o tempo, trouxeram um pouco de luz àquelas
te à instrução religiosa já que, sem saber ler escrever pode-se contudo inteligências obcecadas; primeiro uma pequena demora em suas deter-
ser bons cristãos e ir para o céu, mas, sem Catecismo, isso é absoluta- minações; depois alguma coisa que foi diminuindo a paixão e por fim
mente impossível. tudo se arrumou.
Com relação à escola quero dizer-vos o seguinte: Terminados os Outro modo de proceder teria exasperado o moço, e as consequên-
estudos primários, geralmente julga-se que a criança já sabe o suficiente cias que daí se teriam seguido poderiam ter sido fatais.
e deixa de lado os livros e cadernos; desse modo acontece que elas per-
dem o hábito de ler e escrever em lugar de tomar a caneta ou o lápis elas
preferem dedicar-se a outros afazeres e passatempos.
Quando chega o tempo do serviço militar e há necessidade de se Deve a moça procurar um esposo? Não, certamente. É o noivo
escrever cartas para a família, os moços dizem tantos despropósitos que que tem de procurar sua futura esposa. E' verdade que hoje... as moças
as cartas não se podem apresentar a ninguém. Fazei que se exercitem em quase que quereriam inverter os papéis, mas o bom senso, não o permi-
ler e escrever. . te. Assim é que a mulher é que deve ser objeto de escolha. Mas, alguma
Depois que chegaram do trabalho, à tarde, em vez de passar o moça, das modernas, poderá objetar: "Se a mulher não se move, não se
tempo inutilmente, tomem um livro e leiam: assim em vez de ir diminu- exibe, não correrá perigo de ficar no esquecimento? Desta maneira o
indo a sua formação intelectual ela se irá conservando e até aumentan - estado matrimonial será privilégio de poucas apenas?"
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E então, se os pais conhecem a moça, darão seu parecer. Se for do.
afirmativo, seus pais ou outrem em seu lugar falarão aos da moça, e des- Dos dez aos quatorze anos dá-se um desenvolvimento notável tan-
se momento em diante começarão a se encontrar, mas, se ao contrário, to no físico como no moral. Deve a mãe tê-lo em grande conta se quiser
fosse negativo, aceite o filho a deliberação tanto mais que ainda ele é tirar proveito da educação dos filhos.
senhor de seus afetos. E se já trocaram reciprocamente cartas, declara- No que se refere à inteligência, nessa idade a criança compreende
ções e promessas, como poderá decidir-se o jovem a romper laços tão muito e até demais. Dir-se-ia que os meninos e as meninas aos quatorze
fortes? Seguir-se-iam então discussões, brigas, etc... coisas tão deplorá- anos não tem necessidade de aprender mais do que já sabem. Observam
veis. mais do que parece, e já sabem fazer seus raciocínios. Seu coração co-
Se os pais não conhecem a moça, então é preciso recorrer a uma meça a sentir o estímulo de muitas paixões. São propensos à ira e à vin-
pessoa de boa consciência, que tome informações; mas, escolha-se para gança, são por vezes altivos, teimosos e obstinados; neles cresce o amor
isso a quem esteja em condições de dá-las dignas de fé. à independência.
Se a moça é de lugar distante, ou de outro país, escreve-se ou se Dois meios mui importantes são a oração e o repouso. Já que na-
faz escrever para se obter informações. Com tanta pressa costuma-se às turalmente nessa idade diminui o amor à oração e à frequência dos Sa-
vezes agir em assunto tão delicado! Recorre-se a pessoas ou de pouca cramentos, é preciso vencer essa repugnância do melhor modo possível.
capacidade moral ou completamente impossibilitadas de dar um juízo Quanto ao repouso é difícil ponderar-lhe a importância em ir-se logo
acertado e acreditasse com demasiada facilidade. para a cama e levantar-se cedo. Indo deitar-se logo evitam-se inúmeros
Nas vilas, costuma-se recorrer à autoridade do pároco ao qual se perigos; levantando-se bem cedo obtêm-se vantagens: de ordem econô-
pede o parecer, e isso demonstra a confiança que seus paroquianos de- mica, religiosa, higiênica e moral. Mas voltaremos a insistir neste ponto.
positam nele. Mas se antigamente este era um modo certo, quando os
fiéis tinham mais religião e eram submissos ao juízo do sacerdote, em
nossos dias, mudados os costumes, e tendo muitos cristãos perdido qua-
se completamente a fé, e notando-se ademais nos moços ares de inde- Às vezes acontece nas famílias comerem a carne que resta do dia
pendência, é melhor deixar em paz o Pároco e servir-se de outras pesso- anterior, em dia de abstinência. Não falo daqueles que espezinham a lei
as sérias que nunca faltam em toda a parte. da Igreja e não diferenciam um dia do outro. Deus os julgará. Nem tão
Se se tivesse pedido informações da moça, ao Pároco e este não as pouco dos casos de necessidade verdadeira, nos quais quer por doenças
pudesse dar boas, ou não respondesse, ou respondesse com palavras va- ou por causas graves, há dispensa, nem dos que vivem de esmola, mas
gas, que nada dizem, então o que convém é fazer-se uma viagem até daqueles que não se encontrando nessas circunstâncias, têm obrigação
onde mora a futura esposa para tomarem-se diretamente as necessárias de se abster de comer carne nos dias marcados pela Igreja.
informações. Esta obrigação começa aos sete anos completo e dura até a morte.
Devem-se usar de todas as precauções, mesmo que seja difícil, Faltam, pois, a esta obrigação aquelas mães que tendo carne da véspera
pois a importância do assunto que se tem em mãos o exige. dizem: Dá-la-emos às crianças. Se elas têm sete anos completos ou
O matrimônio é indissolúvel e, uma vez realizado, dura para sem- mais, estão também obrigadas a lei da abstinência como, os adultos.
pre. (aqui é necessário fazer uma nota atualizando conforme as leis
E que fazer se as coisas estivessem já muito adiantadas e fosse atuais da Igreja)
necessário reparar-se à honra da moça! Estaria o rapaz obrigado a casar- Por outro lado, a abstinência é proveitosa também para o corpo.
se com ela? Ante a lei civil, não! Perante a própria consciência, não se Mas, dizem alguns, comer não é pecado. Mostram assim ter muito pou-
pode dar uma resposta que valha para todos os casos. Quando um moço ca religião. E eu respondo: Não é pecado comer-se determinados manja-
deu sua palavra formal a uma moça, de tomá-la por esposa, então está res, mas é pecado a desobediência que se comete contra as leis da Igreja,
obrigado em consciência a fazê-lo. Mas para que esta promessa tenha a qual como boa mãe que em determinados dias e especialmente às sex-
valor diante da Igreja deve ser feita por escrito e firmada por ambos pe- tas-feiras, que nos recordam a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus
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Cristo, se faça essa mortificação. Eis aqui uma boa ocasião para se acos- possam procurar propor, aconselhar ao filho um determinado partido, ou
tumar a criança à mortificação cristã. que por terceiras pessoas tomem informações ou também façam pro-
Tratemos agora da segunda parte do dever cristão: a Santa Missa. postas.
Não poucas mães preocupam-se em mandar seus filhos à escola, ao co- Na Sagrada Escritura, achamos belíssimos exemplos sobre este
légio, mas não se dão tanto cuidado em mandá-los à Santa Missa. particular, como o de Abraão, que mandou seu servo Eliezer à Mesopo-
Que entendem as crianças a respeito da Missa? - dizem elas. Não tâmia em busca de uma esposa para seu filho Isaac e ele cumpriu perfei-
deveria expressar-se deste modo uma mãe cristã. Especialmente se pen- tamente a sua missão.
sar que, uma outra Mãe, (a Santa Igreja) quer que as crianças desde o Vigie a mãe que seu filho não lance suas vistas em pessoas ataca-
uso da razão ouçam a Santa Missa. O preceito é grave para todos. Co- das por algumas daquelas enfermidades que influem na prole, como a
meçam a ir ao Catecismo aos sete anos. Devem portanto saber alguma tuberculose, a epilepsia etc., ou sobre uma jovem de idade muito dife-
coisa a respeito da Missa. E pode ser que saibam muito mais que muitos rente da dele, de condição ou social ou econômica mui diversa.
adultos. Além disso, o homem vive de costumes adquiridos e devem Já falamos da importância que tem a paridade de condição entre
eles ser adquiridos a tempo, repetindo-se muitas vezes os mesmos atos. os esposos.
Por que há tantos que não vão às funções da tarde na igreja? O moço prudente e sério não irá procurar uma esposa nos salões
(escrito para o tempo em que a Missa era somente matutina). Porque de baile, nem em cinemas, nem em teatros, nem muito menos em reuni-
não têm esse costume. Por quê são ainda muitos os que vão à Missa? ões noturnas. Procurá-la-á ao contrário, entre as jovens sérias e hones-
Porque tiveram a felicidade de contrair esse bom costume. O hábito faz tas.
operar com facilidade e prazer. E' uma força que nos impele a agir e a Pois bem, é natural que um moço que está decidido a contrair ma-
virtude não é mais que um hábito de fazer o bem. trimônio observe as moças que lhe poderiam ser um bom partido; mas é
O segredo da vida boa está em se adquirir bons e sólidos hábitos. preciso que tire da cabeça um funestíssimo preconceito, infelizmente
Pois bem! Cuidai que vossos filhos adquiram bons costumes. Acostu- muito em voga: que não há outro meio melhor para entrar em relações
mem-se especialmente a ir à Missa. E com quem hão de ir? Se os pais com a futura esposa do que entregando-se desde o princípio a liberdades
os pudessem levar com eles, seria o ideal. O exemplo paterno, sua pre- indecorosas, a frases de duplo sentido e entrevistas secretas, etc.
sença, a ausência de outros companheiros que o distraem, poderiam in- Os crimes é que se cometem na obscuridade e ocultamente; pois
fluir grandemente na alma da criança e dispô-la a assistir de uma manei- bem, o matrimônio não é um delito, é ao contrário um grande Sacra-
ra perfeita ao Santo Sacrifício da Missa. mento, e a preparação para o mesmo não é uma conjuração que se há de
Que cena comovente, a de uma criança ajoelhada com o livro nas tramar em segredo, nas trevas.
mãos, junto ao pai ou à mãe que o ajudam a seguir a Santa Missa, ponto Deve pensar que as relações prévias, isto é, antes do matrimônio,
por ponto. E por que todos os pais não o fazem? podem não dar que falar à gente, mas até mesmo para não se cometer
Existem em muitas Paróquias, especialmente onde há padres sufi- um pecado venial. Portanto há de agir claramente à luz do sol. Para isso
cientes, a Missa da Criança; procure-se mandar a essa, os próprios fi- contará com toda a confiança de seus pais e estes hão de procurar por
lhos. A Igreja. preocupa-se de todos os modos para que as crianças pos- todos os meios conquistá-la. Assim, pois, o jovem prudente não se há de
sam ir a Jesus. Veja a mãe de não impedir esta grandiosa obra, mas an- declarar de uma maneira formal à sua futura esposa sem antes ter con-
tes, preste até o seu concurso a fim de que se vejam coroados do mais sultado seus pais. Não deve esperar para fazê-lo quando o coração já
esplêndido êxito os desvelos dos sacerdotes. está loucamente enamorado, porque nesse momento achar-se-ia na im-
Falemos de outro dever da criança: o Catecismo. É natural que se possibilidade de ouvir a voz da razão e do conselho prudente. De modo
a criança vai à Missa, deve também ir ao Catecismo. Esta Instituição é que, quando o moço conheceu a jovem que deseja tomar por esposa, não
para os pais um precioso auxílio, para que eles possam cumprir um dos lhe diga de sua resolução até que não tenha falado com os pais dela,
mais graves deveres que pesam sobre eles: com efeito, eles são os pri- quer direta quer indiretamente, por meio de uma pessoa de amizade e de
meiros obrigados a instruir religiosamente seus filhos. O Sacramento do confiança, que se encarregue de manifestar-lhes sua resolução.
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lher é rica, o homem ficará sendo escravo. Se o marido trouxe fortuna, Matrimônio que contraíram, os autoriza e obriga em consciência, desde
podem-se também seguir inconvenientes, embora não tantos, como no o momento em que constituíram família, a ser os mestres de religião de
primeiro caso; mas não poucas vezes a mulher que nada trouxe sentir- seus filhos.
se-á ferida pelas amargas recriminações que por vezes terá que ouvir do Esta obrigação tornar-se-ia uma sobrecarga sumamente pesada
marido. especialmente para muitas mães operárias: por isso o Pároco toma sobre
Em tudo se há de procurar a maior proporção possível. si este trabalho e cuida de instrui-las com as aulas de catecismo paroqui-
Em suma, resumimos as qualidades do esposo e da esposa nestas al ou, como se diz comumente, da Doutrina Cristã. Não é isso uma feli-
poucas palavras: que seja cristão, trabalhador e que tenha saúde: e a mu- cidade? Pois bem, não pense, porém a mãe que cumpriu todo o seu de-
lher, seja agradável, econômica e amante de seu lar. ver mandando os filhos ao catecismo, ela deve também certificar-se de
que eles de fato vão à igreja, de que se portam bem e principalmente, de
que estão aproveitando das lições. Convém portanto perguntar sempre
ao Pároco, às crianças que também frequentam as aulas, se seus filhos
Como deve comportar-se a mãe com o filho que está procurando vão regularmente ao catecismo, e deve ainda fazer que estudem em casa
uma esposa? as suas lições.
Sendo esta uma questão de suma importância porque dela depen- É coisa deplorável e que muito desabona as mães: em casa as cri-
de a felicidade de uma pessoa, ou, melhor de toda a família, é preciso anças preparam as lições da escola e nunca se aplicam às do catecismo.
tomarem-se todas as precauções. Agora, mais que nunca, devem-se a- E pensar-se que para muitos deles o que aprenderam nas lições domini-
conselhar bem. Do contrário haverá perigo de que o coração ou as pai- cais apresenta a ciência religiosa que lhes há de servir para toda a vida!
xões turbem a luz da razão. Tanto maior há de ser a preocupação da mãe para que seus filhos
Uma mãe prudente redobrará a sua vigilância sobre o filho, e de frequentem o catecismo, e estudem em casa suas lições quanto mais se
acordo com seu marido deve nesse tempo tratá-lo com mais carinho, aproxima para eles o grande dia, o mais belo de todos: o da Primeira
para dessa maneira facilitar ao filho o manifestar-se com toda confiança. Comunhão. As mães verdadeiramente cristãs devem pôr em jogo todos
Deve principalmente cuidar que o filho não se entregue a amores prema- os recursos de que dispõem para que seus filhos se preparem bem, e fa-
turos ou desordenados. Se os pais são sérios, pondo-se de acordo, como çam devidamente sua Primeira Comunhão.
dissemos, e se o filho tem confiança neles, pode-se augurar, com a graça Dela pode depender seu futuro bom ou mau. O dia da Primeira
de Deus, um feliz resultado na escolha. Comunhão deve ser um dia de grande festa na família e tudo se há de
dirigir ao grande ato religioso: nem uma palavra nem um gesto que pos-
sa perturbar a consciência da criança se há de dizer ou fazer naquele dia.
Uma mãe que não soubesse saturar o ambiente deste dia faustoso
de encanto especial não seria digna do nome de mãe cristã.
Em muitos povos antigos a mulher era comprada e se podiam
comprar tantas quantas se pudessem manter. Em nossos tempos, entre
os turcos e outros povos infiéis, segue-se ainda essa prática abominável.
Os cristãos e os povos civilizados repelem essa prática. O natural é que
o futuro esposo vá à procura da esposa. Deve-se dar ao filho uma liber- A educação deve formar indivíduos aptos para a vida. Pois bem! A
dade conveniente, e os pais devem-se abster de exercer uma violência vida moderna requer absolutamente um grau determinado de instrução.
irrazoável ou de fazer uma exclusão sem motivo. Um analfabeto, como já dissemos.é uma pessoa destinada a ser vítima
Como o esposo é que há de conviver com a esposa esta há de ser de enganos e de posposições. Os poucos que já se encontram nessa infe-
de seu agrado; unicamente deverá haver oposição dos pais quando ela liz situação, afirmam-no sem rebuços, e se tem filhos, evitam cuidadosa-
fosse caprichosa ou inconveniente. Isto não quer dizer que os pais não mente deixá-los sem educação. Mandam-nos à escola. Aprenderam à
própria custa o que quer dizer a vida sem saber ler. É portanto uma coisa
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indispensável o mandar-se as crianças à escola. Felizmente agora há Quanto ao DOTE, é necessário, porque é preciso suportar-se o
muitos outros meios que facilitam a instrução às crianças, o que não se peso da família! Devemos observar que há duas classes de dotes: o dote
dava antigamente. As ausências são diligentemente anotadas pelos mes- VIVO e o dote MORTO.
tres, os que faltam devem justificar as ausências e podem até os pais Uma profissão bem aprendida, aliada a uma saúde robusta e uma
serem multados quando não cumprem os seus deveres. Compreende-se vontade decidida a trabalhar são um dote VIVO. Os bens imóveis como
bem a necessidade destas medidas. O curso da instrução é ordenado; em terrenos, casa, títulos, são dote MORTO. Ninguém deve contrair matri-
cada lição explica-se, com clareza um ponto determinado da matéria que mônio sem um destes dotes.
se estuda e fazem-se exercícios práticos sobre o mesmo. Quem não as- Passemos à segunda qualidade: HEREDITARIEDADE, ou me-
siste às aulas perde a explicação, e pode acontecer que não se volte a lhor, ATAVISMO. Com estas palavras quero indicar o fato comprovado
repetir o mesmo ponto, que foi explicado na sua ausência, com grande de que certas enfermidades, tanto do corpo como da alma, transmitem-
prejuízo do aluno. se de geração em geração: às vezes em série ininterrupta de pais e fi-
Com efeito, como se explicam tantos fracassos nos exames? Mui- lhos, outras, com interrupções mais ou menos longas. Há muitos que
tas vezes são causados por falta de frequência às aulas. Como a criança não querem admitir este fato, mas é inegável que um número muito
não se preocupa de repassar a lição nem de pedir explicações daquilo grande de doenças como a tuberculose, e neurastenia, loucura e outras
que não compreende e sozinha não é capaz de aprendê-lo, pode muito semelhantes são hereditárias. O mesmo que com as doenças, acontece
bem acontecer que lhe toque no exame justamente o ponto do qual não com algumas paixões e vícios que também são hereditários. A propen-
assistiu a explicação e por isso não saiba responder. Por isso a mãe de são ao alcoolismo, a mania do roubo, a cólera a tendência ao suicídio,
família que quiser ser boa mãe compreende isto, há de procurar quanto encontrar-se-ão com mais frequência e com caracteres de maior gravida-
possível, que eles nunca faltem à escola. de em determinadas famílias.
É conveniente que esteja em boas relações com os mestres. O fru- Há exceções honrosas, não o nego; mas o fato dá-se com frequên-
to que daí hão de tirar seus filhos depende em grande parte do conheci- cia. Quando se trata de qualidades morais uma boa educação especial-
mento que o professor tem de seus discípulos e do cuidado que deles se mente se for acompanhada de um profundo sentimento religioso pode
pode ter. Pois bem, uma coisa é conhecer somente os alunos e outra é ajudar muito; não obstante, deve-se agir nesta matéria com muita caute-
conhecer também as suas famílias. O professor saberá com quem tem de la, e devem tê-lo em conta tanto os pais como os filhos, antes de decidi-
tratar, com que auxílio pode contar por parte dos pais, e alegrar-se-á rem o casamento.
sempre por ver o interesse que a mãe toma pela instrução que ele dá na Em terceiro lugar deve-se cuidar que haja certa PARIDADE, se
escola. O professor e a mãe comunicam suas respectivas atividades é o não, igualdade, entre os futuros esposos. Hoje em dia nota-se entre as
melhor modo de tratar a criança, e assim a mãe secundará a obra do moças uma propensão acentuada para se casarem com noivos ricos, para
mestre e este ajudará a mãe na difícil tarefa da educação. Mediante estas fazer bonita figura no meio do mundo. Mas, mui depressa elas se arre-
relações haverá entre eles mútua compreensão, interesse e maior solici- pendem desse engano.
tude. Por outro lado, o aluno conhecendo esta mútua inteligência entre Uma moça casou-se com um nobre. Que felicidade! dizia-se. Mas
sua mãe e seu mestre, terá maior estímulo para o estudo, não haverá quando ela começou a frequentar os salões da alta aristocracia onde as
subterfúgios, mentiras e desculpas. senhoras contavam a história de sua descendência, ela que nada podia
É conveniente que a mãe visite de quando em quando os professo- dizer a esse respeito, fez um triste papel.
res de seu filho; deve manifestar-lhes juntamente com o seu respeito, a Quanto à idade, exige-se certa proporção; alguns anos de diferen-
sua gratidão pelo que fazem por eles; deve inteirar-se de seus estudos, e ça, podem passar, mas não convém que seja muito grande. Passado al-
de seu procedimento, e não levar a mal as informações, se não forem gum tempo, o mais moço cansar-se-á. Podem sobrevir tentações, suspei-
satisfatórias. tas, ciúmes. Poderia suceder que por esse motivo não se tivesse família,
É de se deplorar que pais e professores nunca se encontrem, nem ou sobreviesse viuvez prematura, com prejuízo dos filhos.
sequer, muitas vezes, se conheçam, e que exista nas famílias uma certa O mesmo pode-se dizer com relação ao PATRIMÔNIO. Se a mu-
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- Leia agora. hostilidade contra a escola e os mestres. Dá-se muitas vezes demasiado
O sobrinho leu: - 1.000.000. crédito à criança, que sempre procura desculpas para si e acusações para
- Pois bem, - terminou o tio - tua noiva agora vale um milhão. os outros. Culpa-se frequentemente o mestre do pouco aproveitamento
O homem dado ao trabalho será naturalmente mais sério, mais dos discípulos, às vezes porque não ensina bem, outras porque foi parci-
retirado, menos irascível, mais amante da família. O esposo deve ser al etc. . . .
ainda respeitoso para com seus pais, enérgico, bom administrador. Se Se, ao contrário, se procura a aproximação que recomendamos,
for respeitoso para com seus pais será sem dúvida esposo bom, fiel e pai evitar-se-iam estas injustas discussões, e se algum motivo aparente se
carinhoso. Se for enérgico saberá governar bem a família. Se for econô- apresentasse, desvanecer-se-ia à semelhança da presença do sol que der-
mico será bom administrador. rete a neve.
São também de grande valor: a pontualidade, a ordem, a exatidão Deve a mãe de família ter o máximo respeito à escola e aos pro-
no cumprimento de seus deveres. fessores, mas não se há de esquecer de que a escola não é tudo. Escola e
Além das qualidades morais exigem-se boas condições físicas; mestre são um MEIO que deve servir aos pais para proporcionarem aos
Antes de tudo, boa saúde. filhos aquela educação completa que somente eles têm o dever e o direi-
O alcoolismo, o neurastenismo, o histerismo, são enfermidades to de lhes dar.
mui comuns e causa de muitas desilusões e da ruína de muitas famílias, Com o Sacramento do Matrimônio contraíram os pais a obrigação
porque a debilidade dos pais exerce uma notável influência nos filhos. de procriar; sem isto o matrimônio seria um delito. Mas esta obrigação
Que devemos dizer da beleza corporal? Aqui devemos fazer uma impõe aos pais o dever de criar cristãos e não unicamente seres huma-
distinção: se a formosura é considerada em si mesmo, pode-se lhe apli- nos.
car sem reservas o que dos encantos naturais diz a Escritura Sagrada. Segue-se daqui o dever imperioso de dar aos filhos uma educação
"Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!" (Ecl. I, 2) "A formosura é uma cristã.
coisa vã". (Prov. XXXI. 30) Mas, se considerarmos a beleza na mulher Para que a escola seja EDUCADORA deve incluir o ensino religi-
prudente, então como diz também a Escritura é “o ornamento da casa”. oso. Em vários países, hoje, o ensino religioso é obrigatório. Falta so-
(Ecl. XXVI, 21). mente que seja ele administrado com consciência religiosa. Pode muito
Um matrimônio baseado unicamente nas qualidades corporais é bem acontecer que um mestre não esteja convencido do que está ensi-
uma casa edificada sobre areia. A beleza é passageira, como as flores. nando, e então, com que consciência poderá administrar aos seus alunos
Praticamente se tem visto onde foram parar certos matrimônios alicerça- a religião na qual não crê? Ensinando sem o auxílio da fé, não poderá
dos somente na formosura. Com isto não quero dizer que não se deve ter despertar dúvidas sobre as mesmas verdades da fé? É perigosíssimo o
em conta um determinado grau de beleza e isso por muitos motivos: por ensino da religião dado por aqueles que não têm fé viva. E se desse esse
que por lei natural, a fecundidade vem depois do aperfeiçoamento indi- caso, deveria então a mãe pensar no seu dever, isto é, cuidar ela mesma
vidual. Por outro lado as boas qualidades tendem a diminuir e sem esta da instrução religiosa do filho e eliminar com prudência e energia a essa
seleção o gênero humano cairia depressa numa degradação natural, por- falta de sólida formação.
que esta é a mesma inclinação do coração humano. Não convém certamente dar fé a tudo o que se ouve. Exige-se pru-
A convivência com uma pessoa cujo aspecto é desagradável pode- dência. Deve-se pedir informações, indagar, verificar e constatando-se o
se suportar nos primeiros tempos, e logo se há de converter em algo de fato, poder-se-á então, com a devida precaução, fazer ciente às autorida-
antipático, e então pode sobrevir o perigo da infidelidade conjugal e se des Superiores do Ensino, dessa anormalidade. O que se deve, porém, é
ressentirá a paz familiar. Contudo é preciso ter-se presente, que a beleza remediar em casa, e a mãe há de fazer o que for mais conveniente.
corporal não deve ser nem o único nem o principal critério na escolha
do estado matrimonial nem pretender-se encontrá-la em grau muito su-
perior, especialmente se houvesse compensação com as qualidades mo-
rais que são muito mais importantes.
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filha é ambiciosa, pouco amiga de retiro, vaidosa; então a mãe deve,
aproveitando o momento oportuno, corrigi-los orientando-os ao matri-
Em uma das instruções precedentes estudamos a criança dos sete mônio, fazendo-lhes advertências destinadas a sua futura maneira de
aos dez anos. Dissemos que nesta idade começa a ser adulto e que a mãe proceder.
deverá começar a tratá-los como tal, pois já têm consciência de seus A um filho que durante o carnaval gastara demais, disse-lhe o pai:
próprios atos, e distinguem o bem do mal. É bom recordar-se aqui este "É este o modo de portar-se de um chefe de família?" Estas palavras
dito, em versos, que encerram a norma fundamental para os educadores: causaram mais impressão no filho do que qualquer outra reprimenda
mais severa.
Esta é a norma do sábio educador: Em suma, é preciso que se fale em família, com as devidas pre-
Anima, deixa agir, guia e corrige. cauções de tempo e de lugar, desobrigações do matrimônio, de sorte que
os filhos cheguem a conhecer-lhe a fundo a natureza e seus fins. Costu-
Falemos da instrução da criança dos dez aos quatorze anos. ma-se dar, com relação ao matrimônio, mais importância ao dote, à saú-
Nesta idade opera-se no jovem um notável desenvolvimento físico de, à família a que pertence a futura esposa. Tudo isso não é mal, mas é
e moral, que a mãe deve ter em conta, para sair-se bem na obra da edu- conveniente também dar-se importância às obrigações que se contraem
cação dos filhos. nesse estado.
Quanto à inteligência, compreendem mais do que ordinariamente
se pensa e até mais do que seria conveniente. São mui observadores:
tiram conclusões e fazem seus próprios raciocínios.
Seu coração começa a sentir os estímulos de muitas paixões. São Que qualidades devem ter os esposos? Três: BONDADE, BENS
propensos à ira e à vingança: por vezes até mesmo arrogantes. E IGUALDADE.
Sua vontade tende cada dia mais à independência; começam a Nos esposos exige-se a bondade moral. Antes de tudo: religiosida-
sentir vergonha de estarem ainda sujeitos aos pais; amam a liberdade, de. E por quê? Porque sem religião as outras qualidades valem pouco,
gostam de fazer observações e de fazer valer suas razões. Numa palavra: bem pouco, ao passo que a religiosidade, se for como deve, é suficiente.
querem impor-se! Aparecem já bem claros os sintomas da obstinação, A religião pode transformar completamente um caráter e mesmo quando
da teimosia e da rebelião. Os caracteres da criança nesta idade são: um esse fosse intolerável, poderia torná-lo capaz da mais doce e exemplar
desamor progressivo à casa, dificuldades na obediência, grande desejo convivência.
de sair à rua, amor aos divertimentos, pouca vontade de estudar, de tra- Outra qualidade NECESSÁRIA é a LABORIOSIDADE. Ela traz
balhar, de rezar, repulsa por tudo aquilo que exige esforço, como o consigo muitas outras boas qualidades. Assim como a ociosidade, pode-
constatam as mães. mos dizer que é a mãe de todos os vícios, a laboriosidade é a mãe de
Os defeitos dos primeiros anos, a saber, a gula e a mentira, não todas as virtudes, ou ao menos, impede que se contraiam muitos vícios.
desaparecem, mas são até superados por outros mais graves. Dotado de Um moço contava ao seu tio as qualidades de sua noiva:
um grau superior de inteligência o jovem, rouba com maior astúcia, não - É muito bonita!
somente as coisas de comer, mas também dinheiro, e as desculpas são E o tio escreveu: - 0
preparadas com muita arte. - Sabe dançar muito bem. - 00
O desamor à família manifesta-se na falta de carinho para com os - Sabe tocar piano – 000
avós, no aborrecimento por se achar em casa, especialmente com os - Tem uma voz de anjo - 0000
pais; em negar-se a sair acompanhados por eles, e se isso acontece, fa- - É muito rica - 000000
zem-no com grande sacrifício, dir-se-ia até, com vergonha. - Além disso, disse-me o Sr. Pároco que ela tem um espírito religi-
Querem sair sozinhos, divertir-se com seus amigos e amigas, che- oso sério e profundo.
gando às vezes até mesmo a fugir de casa, expondo-se a severos casti - Então o tio colocou a unidade diante dos zeros e disse:
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também entre nós, lei civil. Várias vezes tentou o divórcio estabelecer- gos por parte dos pais.
se entre nós, mas sempre encontrou repulsa por parte da maioria. Peça- Não falemos nem das orações nem dos deveres religiosos. Vão à
mos a Deus que o afaste para sempre da nossa pátria. O divórcio é uma igreja e procedem, como procedem... principalmente se estão em com-
das maiores maldições que Deus pode mandar sobre uma nação, ao panhia de outros. É mui difícil conseguir-se que tenham um livro nas
mesmo tempo é um dos maiores pecados contra as leis divinas e eclesi- mãos. Se rezarem as orações na escola, dificilmente as dirão em casa.
ásticas. É costume rezar-se o terço em família? Será mesmo muito se ain-
As leis civis são obrigatórias contanto que não se oponham às de da balbuciam uma Ave Maria entre um espreguiçamento e um bocejo.
Deus. O Estado poderá permitir o divórcio, mas, apesar dessas leis, o E as meninas? Elas, também por seu lado, têm seus defeitos carac-
matrimônio, permanece intacto diante de Deus e da Igreja. O divórcio é, terísticos: ambições, preguiça, vontade de se divertir.
além disso, uma maldição para a família porque diminui o número dos Ambições: começam por desejar aparecer; observam as amigas e
filhos e os já existentes veem-se expostos a mil perigos. Uma maldição não querem ser menos do que elas. Que lhes importa se o pai ou a mãe
para a sociedade por causa das rixas, discórdias, e vinganças que se ori- não estão em condições de lhes satisfazer os caprichos? A com-
ginam nas famílias. Uma maldição para a sociedade conjugal, que se panheira, a amiga andam bem vestidas, e assim elas se querem vestir
veria sem base sólida: faltar-lhe-ia a alma, que é o verdadeiro amor cris- também. E muitas não atendem às razões e se as contrariam, pensam em
tão. vingança, e tudo fazem para se demonstrar despeitadas.
As razões que alguns alegam, defendendo o divórcio, não têm va- Qual é o dever dos pais diante desse proceder dos filhos? Antes
lor. A vida não é apenas uma poesia: é muito mais, é prosa séria e dura. de tudo, é necessário o acordo mútuo no que se refere à educação que se
Abri uma pequena brecha no costado de um navio, e em pouco tempo lhes há de dar. São desastrosos os efeitos que resultam da falta de união
ele irá a pique. Há alguma coisa que faz sofrer, no matrimônio? Supor- de vistas no método educativo.
te-se com paciência. Pelo bem da sociedade e pelo bem da pátria dá-se Quando as autoridades se dividem, perdem sua força moral. A
até a vida. criança percebe e por sua vez perde a confiança na bondade moral, da-
Bom seria que os pais fizessem seus filhos compreenderem esta quilo que se lhe manda. E assim, que podeis esperar de proveitoso?
grande verdade, principalmente aos que estão em vésperas de se casar. E Depois disto a mais importante é a vigilância e a oração: vigilân-
como? Primeiro com o exemplo. Quando os filhos veem que seus pais cia enquanto os filhos permanecem no seio da família: vigilância sobre
levam uma vida laboriosa, séria, toda ela consagrada ao bem da família, as companhias que frequentam: sobre os livros que leem: sobre os diver-
ainda que cheia de sacrifícios, não podem deixar de fazer uma grande timentos...
idéia da sublimidade do matrimônio. A mãe deve seguir o filho como a sombra segue o corpo. Deve
Também por meio de conversas e confabulações em casa, pode-se inspirar-lhe horror à mentira, habituando-os a ser sinceros; o amor à ca-
fazer muito bem, neste campo. Há momentos na vida de família em que sa, proporcionando-lhes diversões sadias e honestas, que auxiliem o seu
se está disposto a falar e a ouvir: em que se olha com seriedade o futuro. bem estar físico e moral. Fazê-los compreender o absurdo de certas am-
Excelente ocasião para uma boa mãe pronunciar uma palavra delicada, bições e inculcar-lhes que a beleza digna de ser desejada e ambicionada
de luz e de vida. Esse é o momento propício para fazer o filho com- é a alma: isto é, adornar-se o coração de virtudes.
preender que o matrimônio é um estado sério, que impõe obrigações E principalmente a oração. Uma mãe que tem fé sólida há de en-
muito graves, que é preciso pensar na futura família, tornando-se desde tregar a Deus seus filhos, há de colocá-los com toda a confiança debaixo
então capazes de mantê-la e educá-la; que o matrimônio une a própria da proteção da Santíssima Virgem; se assim o fizer é impossível que
vida com a de outrem, à qual se há de consagrar todo o afeto; que este não seja ouvida. Mas não basta a oração da mãe: é preciso que também
laço há de durar toda a vida aconteça o que acontecer. ensine a criança a rezar e a frequentar os Sacramentos. E isto, não com
Para este mesmo fim pode a mãe aproveitar as correções que se gritos e repreensões, mas com amor e discrição, observando e escolhen-
veja obrigada a fazer aos filhos. Por exemplo: se o filho gasta muito, do o tempo e o modo mais oportunos.
não trabalha com interesse e afinco, anda demasiado fora de casa; se a
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tâncias, os mandarão sem tantos temores à escola ou ao colégio. Para a
escola não há nem pretextos nem desculpas. Os únicos a ficar prejudica-
Os meninos, dos dez aos quatorze anos começam a sentir desamor dos são sempre a Missa e o Catecismo.
à família, como já dissemos, e um forte atrativo para travar amizades O Matrimônio há de ser uno, isto é, a união de um só homem com
com companheiros. O mesmo acontece com as meninas. uma só mulher. É lei estabelecida por Deus quando criou os nossos pri-
Toda mãe de família já esteve e sempre estará sujeita a esta dura meiros pais: "Serão dois numa só carne!" (Gên., II, 24)
prova na educação dos filhos. Dois, não três, nem mais. Assim o homem há de ser todo da mu-
Por outro lado, parece impossível impedir que os filhos contraiam lher e a mulher, toda do homem.
amizades e por outro é de todo necessário atalhar aos danos que daí se Dois não somente em casa mas também fora dela. Não somente
podem originar. Que fazer? Em teoria é muito fácil dizer: FUGI DAS nos atos públicos da vida, mas também nos pensamentos da mente e nos
MÁS COMPANHIAS e, vice-versa, FREQUENTAR AS BOAS. Mas, afetos do coração.
na prática, apresentam-se sérias dificuldades. Mas, apesar de tudo, é Dois, até a morte, ainda mesmo que se encontrem longe ou doen-
preciso não desanimar. tes, ainda que estejam separados legal ou canonicamente, quer estando o
Geralmente são muitos os que naufragaram na vida por causa das marido do outro lado do oceano, ou das montanhas. Mesmo que um dos
más companhias, mas há também um pequeno número que conseguiu cônjuges estivesse encarcerado, mesmo que sua condenação devesse
salvar-se. Existem moços que vivem tão retirados em sua família que durar toda a vida. Dois, nas mudanças de domicílio e de cidade; nos
quase não têm relações com ninguém. Temperamentos retraídos que não contratempos, nos abandonos, e na perda dos bens. Sempre dois, em
procuram amizades nem são procurados. Com este modo de proceder qualquer tempo ou circunstância. E por quê? Porque o que Deus uniu, o
poupam tempo, dinheiro e desgostos, e levam em geral uma vida tran- homem não pode separar. (Mons. André Scotton, INSTRUÇÕES CA-
quila e pacífica. Mas, estes indivíduos são poucos. Acertam quanto à TEQUÍSTICAS SOBRE O MATRIMÔNIO - Nova edição).
economia de dinheiro e de tempo com este proceder, mas essa vida tran- Requer-se fidelidade de PENSAMENTO pelo qual se proíbe todo
quila poderia ser motivo de perda de um bem maior. Há outros que têm pensamento voluntário sobre outra pessoa que não seja seu cônjuge; fi-
poucas amizades, mas boas. Nos dias de descanso encontram-se depois delidade do CORAÇÃO pela qual não se deve admitir deliberadamente
de cumpridos os deveres religiosos, vão a passeio, organizam excursões nenhum sentimento, nenhum afeto, nenhuma complacência, nem desejo,
ou levam horas em agradáveis passatempos. Nunca encontrareis esses que perturbe o amor conjugal; fidelidade de VONTADE pela qual há de
amigos nos bailes e diversões noturnas, nos teatros, nos cafés. Essas permanecer na fé jurada ante o altar. .
proveitosas amizades costumam ser antigas e remontam geralmente aos Quão formosa é a religião! Com que poder e eficácia defende a
dias da infância. Juntaram-se dois ou três amigos e essa foi a sua felici- fidelidade conjugal.
dade. Onde se encontraram? Em qualquer lugar, na escola, na fábrica Existem esposos exageradamente ciumentos que para se certifica-
etc. rem da fidelidade do cônjuge, fazem indagações entre os amigos, vizi-
Entre vizinhos e entre os que vivem juntos, as circunstâncias da nhos, e até mesmo entre os criados sobre o proceder do mesmo durante
vida apresentam-lhes ocasião de se encontrar. E eis então dois amigos a sua ausência. Uma coisa é suficiente para se viver tranquilo nesse pon-
que não se podem separar. Um não pode viver sem o outro. . . to: A RELIGIÃO. Se ela existe, e principalmente se é sólida, ela somen-
Podem os pais gritar e castigar: a amizade perdura... resiste... a te basta; se ela não existir, todo e qualquer outro meio será ineficaz.
ponto de lhes ser a desesperação e não sabem que meios empregar nem O vínculo matrimonial validamente contraído não se rompe em
a que Santo encomendar-se. Entretanto os filhos perdem a vontade de nenhum caso durante a vida de ambos os esposos. É lei posta por Deus e
estudar, tornam-se desobedientes, fogem do trabalho e provocam repeti- confirmada por Jesus Cristo com estas palavras: "O que Deus uniu, o
das queixas dos chefes de oficina ou dos patrões. homem não separe". (Mat., XIX, 6).
Diz a Escritura Sagrada que QUEM ENCONTROU UM AMIGO É lei eclesiástica, sustentada firmemente pela Igreja, através dos
ENCONTROU UM GRANDE TESOURO. Mas os tesouros não se en- séculos, mesmo tendo que fazer frente a gravíssimas dificuldades. É
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há de estar disposto a sacrificar a sua própria vida para achar nela con- contram tão facilmente; os bons amigos são como os cogumelos, de
solo e auxílio e para aumentar o número dos filhos de Deus, que algum cem, um só se encontra que serve para alguma coisa. .
dia serão herdeiros e possuidores do reino do céu. Uma ocasião mui perigosa para as amizades é a promiscuidade
dos sexos na escola. Os maus instintos não demoram em se manifestar.
Os maus exemplos, as más conversas, as leituras, as estampas pornográ-
ficas, a moda, o cinema, as praias, e outros divertimentos que já não são
Do mesmo modo que do tronco brotam os galhos, assim também como os de antes, fazem nascer em seus corações a malícia e o desejo
do matrimônio derivam-se certas obrigações que devemos necessaria- de aventuras.
mente explicar. Elas se referem a três coisas: à prole, à unidade e à in- E vede como os instintos antecipam-se à natureza, e como reci-
dissolubilidade. procamente entre meninos e meninas andam os bilhetinhos e as cartas
A primeira de todas é a prole. Para muitos o matrimônio é uma de que os pais nem sequer suspeitam, mas que já os encontrou mais de
cerimônia, um passatempo, um pretexto para se divertirem. O matrimô- uma vez quem escreve estas linhas.
nio, na verdade, é tudo ao contrário. Os direitos que ele confere, são líci- A mãe poderá dizer se este proceder é bom sintoma e se algo se
tos, unicamente enquanto se referem à prole, sob pena de incorrerem os pode esperar de proveitoso no terreno educativo e moral. Daí provém as
cônjuges na maldição divina. Há muitos, entretanto, que se julgam ho- travessuras, as lágrimas, as repreensões... Às vezes costuma-se descul-
nestos porque têm uma família numerosa. Só isso não basta. Qual é a par este modo de agir dizendo: são criancices... travessuras, nada mais!
ambição de certas mães? Ter filhos bonitos, vesti-los bem, para exibi- Entretanto deve-se reconhecer que de cem que se perdem, noventa e
los em toda parte e receberem os melhores elogios. Ou ainda, ter filhos nove devem confessar que se perderam por causa de uma má companhia
espertos e atilados, ágeis, cheios de saúde. Mas isto também não é sufi- Mas vejamos agora os remédios.
ciente. “Os filhos não estarão completamente criados enquanto não esti- E antes de tudo, existem remédios? Ou trata-se de um mal incurá-
verem completamente educados", isto é, capazes de viver no mundo u- vel? Pode-se nadar sem se afogar, e passar pelas chamas sem se quei-
ma vida honesta, tanto civil como religiosa. mar: assim também pode-se passar pelo meio da corrupção do mundo
Não há dúvida, de que pesa sobre os pais a obrigação de prover sem se contaminar?
aos seus filhos o necessário para a vida, como a comida, o vestuário, a Pobres de nós, se não fosse assim! Há muitos moços e donzelas
habitação, a preservação dos perigos a que constantemente eles se ex- que para fugir dos perigos do mundo fecham-se num convento. Mas es-
põem, cuidando de sua saúde quando estiverem doentes. tas são almas privilegiadas que se sentem chamadas por Deus por aquela
Mas também temos dever de procurar-lhes um estado que corres- graça que chamamos de VOCAÇÃO RELIGIOSA.
ponda à sua condição, preocupando-se com a instrução e a educação Os pais que podem fazê-lo, ponham seus filhos, em um bom colé-
requeridas. gio; mas, todos, quase a maior parte não têm os meios para fazê-la e en-
Ainda mais, têm obrigação séria de proporcionar-lhes uma sólida tão, que se há de fazer? Antes de tudo ponham-se de acordo e com seu
formação religiosa. O fim do matrimônio-Sacramento não consiste uni- bom exemplo, base de toda boa educação, com seus bons conselhos,
camente na propagação da espécie humana, mas também em multiplicar fazendo-os compreender os perigos das más companhias, intensifiquem
os verdadeiros adoradores de Deus, isto é, formar cristãos. a vigilância e até peçam a alguma pessoa de confiança que os ajude a
Devemos constatar um fato extremamente doloroso, e é que há vigiá-los e lhes comunique as suas impressões.
pais, que cumprindo de maneira perfeita com os demais deveres ao seu Mas se a amizade perigosa continua, então é preciso cortar radi-
cargo, coisa por um lado mui louvável, não se preocupam absolutamen- calmente e proibi-la mesmo a todo custo. Mas, isto exige energia, e a
te nada com o que se refere à religião. Se caem algumas gotas de chuva, mãe se antes não soube impor-se, perante os filhos, quando era ainda
se sopra um pouco de vento, se a temperatura é um pouco fria ou quente tempo, poderá fazê-la agora, ainda que com mais trabalho, e não sem
mais que de ordinário, tudo isso é motivo para que não permitam aos grandes dissabores. Mas estas amizades tão íntimas e ao mesmo tempo
filhos irem a Missa ou ao Catecismo. Pois bem, nessas mesmas circuns- tão perigosas, é necessário preveni-las, e para isso em casa devem-se
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fazer sérias advertências, sem descer a crítica sobre pessoas, sobre seus ração dos pais. Olhar pela casa, pela economia, pela saúde, está muito
hábitos e costumes. Certos pontos não convém sejam tratados diante dos bem, mas não basta. É preciso dirigir também suas vistas para o alto,
filhos porque ficariam mal impressionados. para Deus; a fé, entre outras vantagens, tem esta que é fonte de prosperi-
Numa palavra, a família deve ser a primeira escola, pois nela é dade porque traz ao lar as bênçãos de Deus.
que se desenvolvem tanto os vícios, como as virtudes. A doutrina da Igreja sobre este assunto é a seguinte: 1 - os cônju-
ges não podem fazer uso dos direitos que lhes confere o matrimônio se-
não em ordem à prole. 2 - São contrários à lei dei Deus todos os atos ou
meios usados para se evitar a geração.
Ninguém ignora que é este o dever de todo o cristão, a começar Doutrina grave, mas justa, não somente segundo a lei de Deus,
dos sete anos; - ordinariamente o tempo útil para a Comunhão Pascal é o mas também segundo a lei natural.
que vai do Domingo de Ramos até a festa da Santíssima Trindade, no O primeiro fim do matrimônio é, pois, a PROCRIAÇÃO DA
Brasil desde a Setuagésima até à festa de S. Pedro e S. Paulo. PROLE, o segundo é o MÚTUO AUXÍLIO e o terceiro, o REMÉDIO
(confirmar se este tempo ainda é o mesmo) CONTRA A CONCUPISCÊNCIA.
Mas numa família há grande diversidade nas pessoas que a consti- Com efeito, quem pensando serenamente nos cuidados, nas mo-
tuem: são crianças, moços, doentes, criados, etc... Pode acontecer que léstias, nas incertezas, que traz consigo a formação, a manutenção e a
algumas delas não cumpram o preceito porque não podem ir à igreja, educação da família, escolheriam o estado matrimonial? Pouquíssimos.
por doença, ou porque ainda não atingiram a idade da discrição ou ainda Por isso a Divina Providência, que preparou na comida um estímulo pa-
porque não querem cumprir com o dever. ra o apetite, que incita a desejá-la para a conservação da sua própria pes-
A quem compete avisar, instruir, remover os obstáculos, exigir soa, pôs também no homem uma inclinação muito forte, em ordem à
que se cumpra a lei da Igreja? Certamente à mãe de família. Não deve conservação da espécie humana e à sua propagação sobre a terra CRÉS-
ela ficar sossegada enquanto TODOS OS MEMBROS DA FAMÍLIA CITE ET MULTIPLICÁMINI ET REPLETE TERRAM! (Gên. I, 28). É
não cumprirem esta obrigação do bom cristão. uma inclinação que, ainda aumentada pelo pecado original, constitui a
Dizia uma mãe de família: "Ainda que eu tivesse recebido dez mais terrível e formidável tentação para o homem. Santo Agostinho diz
vezes a Sagrada Comunhão parecer-me-ia não ter cumprido com o pre- que entre todas as lutas que o homem tem que sustentar a mais dura é a
ceito da Páscoa se alguém de minha família tivesse deixado de o fazer". que ele enfrenta para guardar a castidade. Santo Afonso Maria de Ligó-
Ah! que consolo para uma mãe poder dizer: -Jesus veio ao coração de rio deixou escrito que todos os que se condenam, condenam-se como
todos os membros desta casa! consequência do pecado oposto a esta virtude, ou pelo menos, não sem
Tratando-se das crianças a coisa é fácil. Elas cumprem o preceito. ele.
A mãe tem pouco o que fazer para consegui-lo. O mais difícil é quando Nisto acontece o mesmo que com o vapor de água. Mal regulado,
se trata dos moços dos dezesseis anos em diante e até mesmo antes. pode devastar a terra por meio, de terremotos, ao passo que reprimido
É preciso que a mãe não desanime, e saiba tratá-los com carinho e em fortes tubos, pode mover os mais pesados comboios. O mesmo po-
muita paciência, pois nesta idade o moço encontra maiores dificuldades: de-se dizer das inclinações de que falamos. Reprimidos e bem encami-
o respeito humano, o mau exemplo dos companheiros, o medo de que nhados, pelo matrimônio, produzem a multiplicação e a propagação do
caçoem dele, a ignorância, o temor de parecer ainda submisso à autori- gênero humano. Há o celibato virtuoso de que falamos mas Nosso Se-
dade materna... Mas, digamo-lo sem rebuços, o maior inconveniente é o nhor diz: "Nem todos compreendem estas coisas, mas unicamente aque-
vício. Nessa idade precisamente o moço envereda pelo caminho do pe- les aos quais foi isso concedido do alto". (São Mateus, XIX, 11).
cado, perde a flor mais bela de seu coração e começa a cobrir-se de la- Concluamos. Quem se dispõe a contrair matrimônio deve ter in-
ma. tenção de encontrar uma pessoa que verdadeiramente o ame e ajude a
Podeis deduzi-lo do desamor que ele começa a ter pela família, levar uma vida cristã, com o firme e preciso propósito de devolver-lhe
pelo afã em sair de noite, pela sua altivez e por outros mil indícios... Se todo o seu amor e formar honestamente uma família, em favor da qual
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que Jesus Cristo regulou com leis sapientíssimas e santificou por meio se trata de uma menina, percebereis mais facilmente a mudança opera-
do Sacramento do Matrimônio. da. Mostra-se ambiciosa, nervosa, impertinente, arrogante, exagerada,
Desta verdade, isto é, que os dois sexos estão destinados a com- descuidada em frequentar a igreja e os Sacramentos. Vai operando-se na
pletar-se mutuamente, não só física, mas moralmente também, na vida, sua mente uma penosa transformação, uma verdadeira crise, da qual po-
segue-se esta consequência importante: que falando-se de maneira geral, de depender até mesmo o rumo de toda sua vida. Elas teriam necessida-
não se poderá fazer um juízo definitivo acerca do caráter de uma pessoa de da confissão semanal e da comunhão frequente, e não querem nem
até que não tenha contraído matrimônio, quando, bem entendido, tivesse mesmo cumprir com o preceito pascal.
vocação para ele. Na verdade, cumprir o preceito quer dizer... confessar-se e confes-
Quem poderá julgar com acerto de duas vozes destinadas a se sar-se quer dizer tomar nova direção e trilhar novos caminhos... ARRE-
completarem mutuamente e a formar uma única harmonia, se as escutar- PENDER-SE.
mos separadamente? Mas eles não têm vontade de se regenerar e querem precisamente
Às vezes, os jovens manifestam em seu caráter algo de anormal, o contrário. Agora compreende-se porque quando a mãe lhes diz que
que preocupa seriamente aos pais. Pois bem, pode muito bem suceder devem comungar pela Páscoa enfadam-se e se zangam. Por isso use a
que uma vez contraído o matrimônio voltem à vida normal. Outra con- mãe de muita prudência. Pense no tempo de sua juventude, saiba pôr-se
sequência é que o marido e a mulher devem procurar viver sempre de no lugar dos filhos. Não os maltrate nem repreenda com palavras seve-
perfeito acordo, amando-se, consolando-se, auxiliando-se, um ao outro, ras, nem o faça num momento inoportuno. Suas palavras produzirão o
tanto para conseguirem o seu aperfeiçoamento pessoal como para gover- efeito contrário. Sirva-se da oração, aguarde o momento propício e fale
nar a família. com amabilidade.
Chamam-se CÔNJUGES, isto é, jungidos à mesma canga, para Não é em vão que o Matrimônio é Sacramento.
levar juntos o peso da vida. Deus, como lemos na Sagrada Escritura Na graça que por ele se comunica está também incluída uma efi-
quando criou o homem e a mulher disse: "Crescei e multiplicai-vos e cácia especial para as palavras que nesta ocasião seus lábios pronunci-
enchei a terra!" Eis aqui o fim primeiro do matrimônio: A PROCRIA- am. Ditosa, se pode mostrar o exemplo do pai e dos irmãos bem como
ÇÃO DOS FILHOS. Quem, por natureza, fosse inepto para esse fim, ou dos amigos e companheiros, se todos eles tivessem cumprido esse de-
o excluísse positivamente, não poderia contrair matrimônio válido. O ver. Fale-lhes da felicidade que traz consigo o cumprimento do dever
contrato matrimonial seria nulo. Pascal, do gozo que experimentarão no dia em que possam dizer: nunca
E quão doloroso é ter-se que levantar a voz e por outra parte, é deixei de cumprir com a Páscoa nem, sequer na idade mais difícil.
estrita obrigação para o sacerdote, contra um fato pestilencial que se vai Pode até acontecer que essa generosa resolução de cumprir o pre-
propagando cada dia mais, o neo-maltusianismo, que tem medo da pro- ceito Pascal, lhes facilite uma colocação e lhes garanta um futuro me-
le! Malthus, autor desta doutrina, a concebia de uma maneira diferente lhor. Pode a mãe servir-se, para conseguir o seu propósito do ascendente
da dos néo-maltusianos. Observando ele, que com o aumento da prole que sobre o filho tenha algum parente ou amigo, etc. Há mães privilegi-
vinham a faltar os meios de subsistência, o que é falso, aconselhava a adas que gozam de toda a confiança dos filhos; para elas, eles não têm
limitação dos filhos, excluindo-se, porém, toda fraude cometida contra segredos, e comunicam-lhes tudo o que diriam ao confessor. Estas mães
as leis da natureza. Mas seus discípulos passaram além das limitações felizes não encontram absolutamente dificuldades em obter de seus fi-
de seu mestre, e chegaram às mais funestas consequências. lhos que comunguem pelo tempo Pascal. Mas, e quando é precisamente
A esta impiedade responde-se que de nada valem as razões apre- o chefe da família que não se quer decidir a cumprir o seu dever? É su-
sentadas no número de filhos vivos, do bem estar da família, da dificul- mamente deplorável, ainda que não seja para se desesperar.
dade de encontrar casa, dos perigos pressagiados pelo médico, etc., por- Se o marido é pessoa inteligente não deixará de se inteirar dessa
que encontramos famílias numerosíssimas que chegam a grande prospe- mudança, e não experimentará repugnância em cumprir o seu dever. Se
ridade e por outra parte, vê-se que riquíssimos patrimônios foram dilapi- se tratasse de um marido envelhecido em preconceitos contra a religião,
dados por um só filho, o qual, precisamente por ser único, foi a desespe- e pouco disposto a se deixar influir por este novo ambiente, nesse caso
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deve a mãe de família usar do meio onipotente que Deus pôs em nossas de Sacramento e sua condição como tal, não é uma qualidade acidental,
mãos: a oração. Reze e faça rezar Um pai converteu-se porque aproxi- que se pode arbitrariamente separar do contrato, mas é forma essencial
mando-se do quarto onde sua esposa e seu filhinho rezavam, ouviu que do mesmo contrato matrimonial.
ela dizia: - REZA, MEU FILHO, REZA UMA AVE MARIA PARA Seria muito conveniente que se instruíssem os esposos a este res-
QUE O PAPAI FAÇA A COMUNHÃO PASCAL. peito. Será possível? Muito possível. Para isso seria preciso que os noi-
Outro converteu-se porque uma menina angélica ao voltar do co- vos não se afastassem da Igreja, que assistissem às instruções paroquiais
légio onde havia comungado atirando-se ao pescoço do pai, disse: - O- assiduamente, que lessem bons livros. Mas, infelizmente, eles leem li-
RA, PAPAI! COMO ESTOU CONTENTE POR TER A JESUS COMI- vros maus, ou não leem. Um meio muito bom seria que as Associações
GO. Fazei que as crianças inocentes rezem por essa intenção. Mostrai o de Moços organizassem conferências sobre esse assunto. Bem dirigidas,
exemplo de algum amigo do marido que já cumpriu o dever Pascal. poderiam produzir ótimos resultados.
Com relação aos velhos e aos doentes não deve a mãe consentir
que fiquem sem comungar pela Páscoa.
Não podendo ir por si mesmos à igreja, avise o pároco, o qual pro-
curará um pretexto, como por exemplo, dar uma bênção na casa, visitá- Aproximando-se o tempo em que os filhos devem escolher estado,
la e aconselhá-los a cumprir o dever Pascal. devem saber o que vão fazer. Para isso é preciso que saibam convenien-
Não se esqueça também das pessoas que servem a família, pois temente qual é o objeto e o fim do matrimônio.
que estão também debaixo dos seus cuidados. A mãe será a responsável. Observemos o que diz a Bíblia:
Diz o Apóstolo São Paulo, (Tim. V, 8), "o que não cuida de seus famili- Quando Deus criou Adão, disse: "Não está bem que o homem fi-
ares especialmente dos de sua casa, é como se tivesse renegado à sua fé que sozinho: façamos-lhe um adjutório semelhante a ele". E então - con-
e pior que um infiel". tinua a Escritura - enviou um profundo sono a Adão e enquanto ele esta-
Um provérbio espanhol diz, para manifestar a alegria de uma pes- va dormindo tomou uma de suas costelas e a revestiu de carne. E da cos-
soa: "Está mais contente que uma Páscoa!" Que quer dizer isso, senão tela de Adão o Senhor Deus formou uma mulher e a apresentou a Adão
que a pessoa se pôs em graça de Deus? Que alegria reina em uma famí- e ao vê-la Adão, exultante de alegria, disse: Esta, agora, é osso de meus
lia quando todos os seus componentes cumpriram o dever Pascal. ossos, e carne de minha carne: terá o nome do varão, porque foi tirada
Assim compreende-se porque se chama a essa Páscoa, PASCOA do homem". Isto se lê no primeiro livro da Sagrada Escritura, que se
DE RESSURREIÇÃO. Naquela casa todos ressuscitaram para uma vida chama o Gênesis, no Capítulo XI.
nova. Desta forma, tiveram princípio o homem e a mulher cujas qualida-
des físicas e morais são bem diferentes: vemos, com efeito, que no ho-
mem predomina a razão e na mulher o coração: no homem a força e a
inteligência e na mulher a delicadeza e o sentimento. Na vida, pois, o
Há na sociedade diferentes ocupações. Não pode ser de outro mo- homem com sua força, é apto para os grandes trabalhos, sabe dominar a
do. São necessários o médico, o farmacêutico, o advogado, o juiz, o pro- natureza, tira dela seus produtos, e transforma-os. A mulher, com sua
fessor como também o alfaiate, o sapateiro, o padeiro, o comerciante, delicadeza, tem qualidades para conseguir aquilo de que o homem preci-
etc. Ninguém é suficiente a si mesmo em todas as necessidades da vida. sa. O homem constrói a casa e enche-a de bens: a mulher os conserva,
Há também na sociedade muitos estados, alguns humildes, por administra-os, regula-os, segundo as necessidades. O homem governa o
certo, penosos e perigosos. Contudo, sempre há candidatos para estes Estado e a comunidade, a mulher a casa e a família.
estados humildes bem como os há para advogados, juízes, banqueiros, e O homem e a mulher são duas partes de um todo que tendem a
também varredores, carroceiros e engraxates. Por que acontece isso? realizar aquela união que primeiramente tiveram: daqui nasce a tendên-
Porque a Providência, ao estabelecer diversos gêneros de vida dispõe cia natural de um para com o outro, tendência por si mesma legítima e
por sua vez nos diversos indivíduos diversidade de tendências e apti- honesta que leva o nome de AMOR; tendência estabelecida por Deus,
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O matrimônio civil é apenas suficiente para cobrir diante das leis dões. Todos somos iguais e todos somos desiguais. Iguais quanto à na-
civis a mancha infame do concubinato, e evitar que apareça diante dos tureza já que todos somos criaturas de Deus, compostos de alma e cor-
filhos, frutos do mesmo, a marca da ilegitimidade. Mas diante de Deus e po, colocados em um estágio de prova para conquistarmos a vida eterna.
de sua Igreja os que se unirem unicamente pelo matrimônio civil encon- Mas, desiguais na estatura, na fisionomia, na saúde, no caráter, na força,
tram-se em estado de condenação e os filhos mais cedo ou mais tarde na capacidade, e assim por diante. Pois bem, por muito grande que seja
sofrerão os castigos dos pecados cometidos pelos pais. a diversidade de empregos que requer a complexidade da vida, sempre
A autoridade civil compete apenas os efeitos civis do matrimônio, se encontrarão homens aptos que voluntariamente os desempenham.
como o dote, a mútua convivência, etc. Pelo que, para os cristãos, não O Apóstolo São Paulo diz: "Quem não trabalha não tem o direito
há outro matrimônio fora do religioso, na forma que o prescreve a Igreja de comer". No mundo não deveria existir nenhum ocioso. Assim como
Católica. O chamado matrimônio civil não é mais que um torpe concu- todos precisam comer assim todos têm a obrigação de trabalhar. Daqui
binato. Ah! Se quem vai contrair matrimônio fosse capaz de raciocinar, segue-se que também o rico deve procurar uma ocupação, um trabalho
compreenderia a necessidade de entesourar para sua alma os mais no- honesto e útil. Daí resulta que é uma necessidade a escolha de um esta-
bres e altos sentimentos! do.
Quem toma sob sua responsabilidade o desempenho de algum car- E que estado deve-se escolher? A resposta pode resumir-se nestas
go importante sente-se naturalmente preocupado. Com que temor deve- palavras: aquele que a Providência nos preparou. Mas, dir-me-eis que a
riam também preparar-se para receber o santo Sacramento dos Esposos! dificuldade está precisamente nisso, em se saber em que estado Deus
Trata-se de serem elevados à altíssima dignidade de cooperadores de nos quer. Se a Divina Providência nos desse a conhecer a sua vontade,
Deus na obra maravilhosa da criação e cooperadores de Jesus Cristo na como as pessoas deste mundo, seria fácil; quem, já ouviu alguma vez a
propagação dos filhos de Deus, remidos por seu Sangue Preciosismo. voz de Deus? Não obstante, Deus nos fala de diferentes maneiras: quer
Deus que é onipotente e pode fazer o que quiser, não cria nenhu- com palavras, quer com fatos. Algumas vezes diretamente, e outras de
ma alma, não forma corpo algum, sem o consentimento dos pais. Eles modo direito, isto é, por meio de pessoas.
são, por isso mesmo, instrumentos nas mãos de Deus para dar ao mundo Não é necessário recorrer-se aos adivinhos. Estudando-se as pró-
novas criaturas. prias inclinações e as circunstâncias em que se encontra a família.
É talvez pouco, tudo isto? Trata-se de entrar em um estado que Trata-se de um filho cujo pai, possui uma fazenda ou chácara?
representa muito vivamente duas uniões: a HIPOSTÁTICA, da natureza Sua vocação será também trabalhar na lavoura. É um industrial, um al-
divina com a humana em Jesus Cristo, e a união mística de Cristo com faiate, um carpinteiro, um ferreiro, etc.? Se o filho não sentir uma incli-
sua Igreja. SACRAMENTUM HOC MAGNUM EST IN CHRISTO ET nação especial e determinada, é natural e prudente que siga a ocupação
IN ECCLESIA. (Ephes., V, 32) do pai. Ajudá-lo-á a prática, a educação e o espírito de família. Isso é
Tudo isto requer dos esposos muitas e boas qualidades de alma e claro.
corpo, e uma séria e sólida preparação, como logo veremos. Um moço cantava:
Aqui poderíamos perguntar: - É assim que se preparam os nossos Por meu pai sapateiro,
moços e moças? Sapateirinho eu fui feito;
Que tem que ver com isso o desejo de liberdade, a leviandade, a Ofício que eu também aprecio
vaidade, o interesse, e as paixões desenfreadas? Ah! Quantos matrimô- Como o mais precioso dom.
nios infelizes pelo mundo! Poderia ser conveniente pensar em alguma outra arte ou emprego.
Em muitos países, por obra de CONCORDATAS feitas com a Por exemplo: Se em uma família de agricultores são muitos os filhos,
Santa Sé são reconhecidos os efeitos civis do matrimônio canônico. mais do que são necessários para a lavoura, um poderá ser carpinteiro,
Quis mostrar-vos claramente quão lamentáveis são os efeitos do ferreiro, alfaiate, etc. Ao filho de um comerciante poderia ser conveni-
simples matrimônio civil, para que tenhais para com ele o máximo hor- ente o ofício de mecânico. Ao do advogado, a medicina, o magistério,
ror. Assim, pois, o matrimônio foi elevado por Jesus Cristo à dignidade etc. se as circunstâncias o exigirem.
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Um bom indício para a escolha do estado é a INCLINAÇÁO NA- cai-vos, e enchei a terra".
TURAL, ou seja, a atrativo que se sente para ela. Há moços que sentem Deus estabeleceu as leis do matrimônio: a UNIDADE e a INDIS-
inclinação especial para o comércio, outros para os estudos, outros para SOLUBILIDADE. A unidade proíbe a poligamia, isto é, a união simul-
uma arte. Com relação a estes, porém, seria conveniente fazermos algu- tânea de um só homem com várias mulheres e a indissolubilidade proíbe
mas observações. Um dia perguntaram a um menino mui guloso: - Que o divórcio.
ofício você vai escolher quando for grande? Ele respondeu logo: - quero Eis aqui como Deus intervém na constituição do matrimônio e
trabalhar numa confeitaria. Outro, ao presenciar um desfile militar, viu como os povos, mesmo os mais bárbaros, têm considerado o matrimô-
um general com seu vistoso uniforme, comandando as tropas e receben- nio como algo de sagrado, que sempre exige a intervenção do sacerdote.
do as saudações e disse: Quero ser general. O matrimônio deve ser não somente um encontro NATURAL,
Mas, por falar em inclinações, não são todas as que me refiro. Por que tem por fim a procriação, mas uma MISSÃO SOBRENATURAL
vezes essas inclinações são demasiado indeterminadas. Alguém pode por meio da qual os filhos podem chegar a ser filhos de Deus. Neste fim
sentir-se inclinado para a vida do comércio, da indústria, sem determi- pensou o Divino Salvador quando nas bodas de Caná de Galiléia santifi-
nar qual a profissão que desejaria abraçar. A idéia do trabalho basta-lhe. cou com sua presença aquela união, elevando desse modo o ma-
Outro sentirá propensão para a mecânica e lhe será indiferente ser eletri- trimônio à dignidade de Sacramento. Desde aquele momento, mesmo
cista ou trabalhar com máquinas. Nunca é conveniente impor-se a um conservando seu ofício natural, foi elevado a altíssima dignidade.
moço um ofício para o qual ele não se sente inclinado. Foi destinado a servir de meio para a propagação dos filhos de
Essa repugnância indica que não é essa a sua vocação. Um pai Deus e para a formação da Igreja, pelo qual o Apóstolo São Paulo pôde
engenheiro queria que seu filho fosse também engenheiro, mas este pre- dizer: ”Este Sacramento é grande em Cristo e na Igreja".
feria a literatura. Que aconteceu? O filho foi de fato engenheiro, mas ao Desde então não foi mais possível distinguir no matrimônio o
primeiro trabalho na construção de uma ponte, nem apenas terminado o CONTRATO, do SACRAMENTO, mas o mesmo contrato tornou-se
serviço, a mesma veio abaixo. Construiu depois uma casa, mas cometeu Sacramento. De sorte que, pela autoridade de Jesus Cristo o matrimônio
erros enormes, de sorte que o pai teve de dizer: Não quis que ele fosse veio a ser uma coisa sagrada: foi totalmente submetido à autoridade da
um intelectual, e saiu-me um péssimo arquiteto. Mas já era demasiado Igreja, já que unicamente ela tem poder sobre as coisas sagradas. Daqui
tarde. Quando se tem uma inclinação bem determinada para uma profis- segue-se que o chamado matrimônio civil, não é outra coisa que uma
são qualquer, essa inclinação costuma ser entusiasta, e este é o melhor formalidade prescrita pelo Estado para que o matrimônio tenha efeitos
sinal de feliz resultado. Pois bem, essa inclinação deve existir no filho, e civis. Isso não quer dizer que para se conseguirem os efeitos civis seja
não no pai, na mãe ou em qualquer outro membro da família. É o filho necessário essa formalidade. Durante cerca de mil e novecentos anos o
que deve escolher o seu ofício. Os pais poderão aconselhá-lo, mas obri- matrimônio contraído diante da Igreja era também válido perante o Es-
gá-lo ou forçá-lo, nunca. tado.
Finalmente, para se conhecer a vontade de Deus na escolha de um Tendo a maçonaria subido ao poder, para injuriar a Deus e despre-
estado é conveniente ter-se em conta as possibilidades e os meios eco- zar a Igreja introduziu o matrimônio civil. Este, porém, nunca pode ser
nômicos de que se dispõe. um Sacramento, porque os Sacramentos foram de Instituição Divina e
Vamos supor que em uma família numerosa e pobre há uma moça não humana. De maneira que os que se casam somente no civil, diante
que, tendo terminado brilhantemente os estudos elementares sente-se da Igreja são considerados como simples CONCUBINÁRIOS e por isso
inclinada a continuar a estudar. Que fazer? Se os meios de que a família mesmo não podem receber os demais Sacramentos, nem durante a vida,
pode dispor são notoriamente insuficientes, deve o pai sacrificar os de- nem na hora da morte, se antes não legalizarem sua situação contraindo
mais filhos para que ela possa continuar sua carreira? A prudência não o matrimônio canônico. Não há outra alternativa: ou o homem e a mu-
aconselha certamente essa maneira de agir. Mas, então, a inclinação na- lher recebem os sacramentos e são marido e mulher com todos os direi-
tural não vem de Deus? Não ficará truncado o futuro daquela menina? tos que se derivam dessa união sagrada, ou não recebem o Sacramento e
Vamos devagar. Se é vontade de Deus que ela continue seus estudos, então é ilícita a sua convivência.
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boas por si mesmas, não são necessárias, e mesmo quando o menino não Ele mesmo disporá as coisas de sorte que ela o possa conseguir, até
as tem, isso não quer dizer que não possua a vocação, como tão pouco o mesmo com meios que pareceriam impossíveis. Por outro lado, a incli-
possui-las não é sinal inequívoco de que a tenha. nação para o estudo naquela menina, pode muito bem ser utilizada em
O sinal mais certo é o recolhimento de espírito, o temor de Deus, outro sentido. Exemplos deste gênero poderíamos multiplicá-los, mas
o pudor, a consciência delicada, amor à oração, à piedade, ao estudo, o voltaremos a falar desse assunto em outro lugar. Por agora baste consi-
pensamento e o desejo de salvar almas, o gosto em ler a vida dos santos, derar-se o dever que os pais têm de ajudar com prudência e cuidado aos
o desejo de imitá-los, certos impulsos ardentes para as obras de aposto- seus filhos na escolha de seu estado.
lado. . .
Quais são os deveres dos pais com relação à vocação dos filhos? ***
Antes de tudo, os pais devem evitar o julgar a vocação de seus
filhos, com o critério das pessoas, do mundo. Essas pessoas são comple- Disse na instrução anterior que na vida social há muitos gêneros
tamente incompetentes nessa matéria. Têm a cabeça cheia de pre- de empregos e profissões, humildes e elevados, e que cada indivíduo
conceitos, por causa de leituras de novelas, de lendas, de histórias e ro- sente mais atrativo para uns que para outros. Disse também, que todos
mances. Diz a Sagrada Escritura: "ANIMALIS HOMO NON PERCI- somos iguais e não obstante todos somos desiguais. IGUAIS na nature-
PIT EA QUAE SUNT DEI". O homem animal não é capaz de entender za como criaturas de Deus, compostos de alma e corpo, e DESIGUAIS
as coisas que são segundo o Espírito de Deus. (I, Cor., I, 14) na estatura, na fisionomia, na idade, na saúde, na inteligência, no tempe-
Em segundo lugar, nunca hão os pais de OBRIGAR seus filhos a ramento, e em tantas outras coisas, e por maior que seja a diversidade de
abraçar o estado religioso ou eclesiástico. A vocação tem que vir de empregos, sempre se encontram homens aptos que voluntariamente se
Deus e não dos pais. dispõem a desempenhá-los.
Contudo, os pais, se não devem forçar, também não devem opor Por isso mesmo devem os pais insistir com seus filhos que esco-
obstáculos à vocação. lham o gênero de vida que pretendem abraçar. Não basta dar filhos a
Os filhos aos quais se impedisse a vocação, não fariam carreira na Deus, nem é suficiente dar-lhes alimento, vestido, criá-los sadios e ro-
vida, seriam causa de grandes sofrimentos, para os mesmos pais, e não bustos; é preciso antes de tudo educá-los bem e proporcionar-lhes um
somente para eles. A experiência no-lo prova constantemente, e a histó- ofício conveniente com o qual possam mais tarde viver honesta e honra-
ria narra fatos dolorosos. damente.
Juiz competente nesta matéria é o confessor ou diretor espiritual. Com relação a este ponto, devemos observar que há pais que não
Podem os pais manifestar sua opinião, podem aconselhar, mas não se preocupam absolutamente com o ambiente em que seus filhos traba-
impedir, nem tão pouco impor aos filhos um estado para o qual não se lham, se é moral ou imoral: cuidam somente do dinheiro.
sentem cha0mados. Se os filhos desejam abraçar a vida religiosa ou cle- Pois bem. Não deveria ser esta a sua principal preocupação, mas o
rical, em vez de criar dificuldades, deem graças a Deus, pelo benefício meio ambiente em que se desenvolve a vida de seus filhos. Se o lugar
extraordinário que lhes fez, e procurem corresponder a ele com um pro- onde trabalham é bom, seus filhos não crescerão viciados, economizarão
cedimento exemplar, auxiliando quanto possível ao filho para seguir a e ainda darão aos pais muito do seu ordenado. Mas se vivem entre maus
santa vocação e perseverar nela. companheiros, o filho ou a filha gastarão todo o dinheiro em vícios e
vaidades, e darão aos pais o menos possível, se é que não se esquecem
de todo, de ajudar a família. Três coisas deve-se fazer ao estar falando
das meninas nas casas onde trabalham. Devem informar-se bem do pro-
O GÊNESIS que é o primeiro dos setenta e dois livros da Sagrada cedimento das pessoas onde a menina está servindo. Se aí vivem somen-
Escritura, narra como Deus, depois de criar Adão, tomou uma costela te senhoras, ou pessoas casadas, ou se vivem outras também. Se há mo-
dele e com ela formou o corpo da primeira mulher, à qual chamou Eva, ços solteiros ou libertinos. Principalmente deve informar-se a respeito
e a apresentou a Adão e os abençoou dizendo-lhes: "Crescei e multipli- da moralidade das pessoas que ali vivem e se lhes darão oportunidade
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de cumprir seus deveres religiosos. vida sem manchar sua alma de culpas graves, mas são poucas; em com-
Estas informações devem procurá-las a mãe, servindo-se de pes- pensação, os religiosos, longe dos perigos do mundo, vivendo com pure-
soas sérias e honestas. Se por acaso existissem no lugar qualquer Asso- za de consciência, experimentam um gozo que confirma a promessa de
ciação de Proteção às Jovens, ou outras similares, poderá servir-se delas Jesus Cristo que disse: "Quem faz estas renúncias não somente conse-
ou ainda de informações do Pároco. Neste caso toda a prudência é pou- gue a vida eterna mas também cem por um neste mundo".
ca. Mas, como disse Jesus Cristo nem todos compreendem estas coi-
Segunda condição: ter-se em conta o caráter da moça, sua idade, sas.
seus modos, suas qualidades físicas e morais. Neste ponto há uma gran- Consideradas as vantagens individuais da vida religiosa vejamos
de variedade. Em certas famílias poder-se-á colocar com probabilidade agora quais são as vantagens sociais que da mesma se derivam.
de êxito, uma moça, séria, retirada, piedosa; ao passo que para outras, Para podermos tratar toda a matéria seriam necessários volumes.
vaidosas, levianas, namoradeiras, será a sua perdição. Há Ordens religiosas de vida contemplativa; estas ocupam-se principal-
Há moças que são verdadeiramente senhoras de si mesmas, bem mente em prestar culto a Deus por meio da oração. Quem tem fé sabe
instruídas em religião, que em determinada família podem fazer muito que a oração é uma força prodigiosa que sustenta a sociedade. Dia virá
bem. Outras, ao contrário são volúveis, vaidosas, levianas, de procedi- em que se há de constatar como inúmeras graças obtidas e não menor
mento suspeito e provocadores. Estas, se saem da casa paterna e da vi- número de castigos conjurados foram efeito das orações contínuas de
gilância da mãe, vão direitinho para a perdição. tantas almas santas.
A mãe, além disso, deve cuidar sempre de sua filha, mesmo que a Outras Ordens, e Institutos e Congregações são de vida mista e
tenha colocado em casa de absoluta confiança. Ponha-se sempre em co- ativa; elas trabalham nas Missões entre os povos infiéis, ou no ensino da
municação com a dona da casa em que ela trabalha nunca faltam surpre- juventude, ou na pregação da palavra de Deus, na direção de almas, em
sas. As meninas assemelham-se muito à sua primeira mãe Eva: são curi- obras de caridade, no estudo, etc.
osas para ver e ouvir e fáceis em deixar-se seduzir e cair nos braços dos Que dizer dos Sacerdotes que sob a obediência dos Bispos traba-
inimigos da alma. A mãe deve sempre estar com o coração na mão lham nas Paróquias cuidando inteiramente de seus paroquianos? Pensai
quando tem uma filha longe de si. Deve dar mais crédito às informações um pouco o que seria o mundo sem sacerdotes. Dizia o Santo Cura
da dona da casa do que às palavras da própria filha. d'Ars : "Deixai uma paróquia durante dez anos sem sacerdotes e os ho-
Quando a filha voltar para casa, deve a mãe repreendê-la se notar mens adorarão os animais". E eu acrescento: eles mesmos converter-se-
em seu procedimento pretensões que antes não tinha. Que dizer das mo- iam em animais. Sem religião não pode existir verdadeira civilização.
ças que usam linguagem e tom de voz tais, que parece não mais saber Oh! Que ditosa dever-se-ia sentir a mãe, se entre seus filhos al-
falar com a própria mãe? gum se sentisse chamado para o estado religioso.
Não percebem que fazem com isso muito mal. Tanto o pai como a E aqui apresenta-se espontaneamente uma pergunta: Como se co-
mãe devem procurar corrigir todos esses defeitos para não se deixarem nhece se o filho ou a filha são verdadeiramente chamados para o estado
dominar pela própria filha. religioso?
Antes de responder, convém saber-se que, para abraçar o estado
religioso ou eclesiástico é necessária uma VOCAÇÃO ESPECIAL, isto
é, UM CHAMAMENTO DE DEUS! Tem sinais de vocação ao estado
Em algumas famílias trabalha-se muito - falo em geral - e também eclesiástico todo aquele que possui talento, necessário para os estudos,
ganha-se muito e contudo, são sempre pobres. Por quê? Porque naquela um grau não vulgar de piedade, INCLINAÇÃO e força para cumprir os
família faltam duas coisas: A ARTE DE PRATICAR A ECONOMIA E deveres e exercer as funções próprias daquele estado. Quem não possu-
BENÇÃO DE DEUS. ísse estas qualidades não teria vocação para o estado sacerdotal. Alguns
Hoje em dia os filhos são muito exigentes: acostumaram-se mal, e pensam ver sinais dessa vocação no gosto que tem a criança de fazer
os pais consentem com muita facilidade em satisfazer-lhes os gostos e altarzinhos, repetir sermões, imitar funções sagradas, etc. Estas coisas,
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exige um chamamento especial que é a vocação. caprichos. Tais pais deveriam recordar-se, especialmente os mais ve-
Os Conselhos Evangélicos são um laço mais íntimo que une com lhos, dentre outras coisas, de que antes, em nossas casas, o pão era obje-
Deus e requer especiais sacrifícios, mesmo de coisas lícitas: renúncia à to de luxo: na Páscoa, no Natal em outros dias de festa e em casos ex-
própria vontade, pelo voto de obediência; renúncia aos bens do corpo, cepcionais. Hoje não basta o que se tem ordinariamente: querem coisas
pelo voto de castidade; renúncia aos bens materiais, pelo voto de pobre- finas ou outras gulodices.
za. Querem também roupas novas a cada instante, exigem sapatos à
Mas, como estes votos não se podem observar com perfeição a última moda, bem como meias e outros objetos de uso, incluindo-se os
não ser em comunidades, por isso, desde os primeiros tempos da Igreja perfumes, batons e cosméticos.
surgiram as Comunidades de homens e mulheres que continuaram exis- Com tantas exigências e caprichos dos filhos como será possível
tindo sem interrupção na Igreja Católica. economizar? Quantos teriam podido nos anos passados, quando ganha-
São várias as ordens e Institutos Religiosos, como por exemplo: vam bastante, economizar para o dia de amanhã, e ao contrário, viu-se o
os Agostinianos, os Beneditinos, os Franciscanos, os Dominicanos, os que não se esperava. Parecia que o dinheiro estorvava: andava nas mãos
Carmelitas, os Jesuítas, os Barnabitas, os Maristas, os Salesianos, etc... de todos, até nas das crianças! Gastava-se sem medida, em comer, em
Instituições que apesar das perseguições repetidas vezes suscitadas con- beber, em divertimentos. Julgavam que tudo ia durar para sempre, Mas,
tra elas, propagaram-se e se estenderam pujantes e robustas, como um ao invés, o previdente construiu sua casa, melhorou o mobiliário. Hoje,
exemplo perene para a humanidade da pujança de uma vida que tende por causa da crise, não se pode fazer outro tanto, mas é um fato provado
para o Céu. que certos costumes, certos caprichos são difíceis de se extirpar.
Algumas destas Ordens, além dos três votos comuns a todas, emi- É necessário economizar e não esbanjar-se o dinheiro sem neces-
tem um quarto voto, peculiar à missão que devem desempenhar, como o sidade. É preciso voltar atrás. Já se caminhou muito. É conveniente ves-
de clausura, o de dar sua própria vida se for preciso para assistir aos en- tir-se mais modestamente e renunciar-se ao luxo. É imprescindível não
fermos, empestados ou leprosos ou para libertar os escravos. se contraiam dívidas ou fazê-las o menos possível porque quando con-
Enquanto o clero secular, como o voto de pobreza não é possível traídas é preciso pagá-las. Nenhuma dívida, pois, nem com Deus nem
sem a vida comum, emite somente os votos de obediência e de castida- com os homens: se for preciso fazê-las, que se façam por absoluta ne-
de. cessidade, e não por caprichos.
O estado religioso tem duas vantagens principais: uma individual Mas não basta trabalhar e economizar, faz falta ainda a bênção de
e outra social. A individual consiste em proporcionar ao religioso a faci- Deus. Nosso Senhor disse-o claramente: SINE ME NIHIL POTESTIS
lidade de conseguir um grau superior de santidade e perfeição. Todos FACERE. - Sem Mim nada podereis fazer. Não, pouco, mas, nada. O-
devem tender à santidade. HAEC EST VOLUNTAS DEI, SANCTIFI- lhai: Vivia no Piemonte um homem que durante toda a sua vida tinha
CATIO VESTRA. (L Tess. IV, 3). pensado em tornar-se rico. Trabalhava muito, ganhava pouco, não con-
A santidade consiste em amar-se a Deus com todo o coração, e vidava nem aceitava convites, a não ser raramente. Vivia longe dos di-
sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos por amor de vertimentos, dos cafés, com prazer emprestava dinheiro exigindo juros
Deus. elevadíssimos. Cada ano comprava mais um lote de terreno e trabalhava
Quando se ama a Deus necessariamente se faz o bem. E quanto com afinco e cuidado. Numa palavra: queria enriquecer-se e o conseguia
mais Ele é amado, maior é o bem que se faz, e se a Ele ama-se menos, de fato.
menor será igualmente o bem que se há de fazer. Mas no meio do mun- A principio possuía uma casa modesta, mais tarde, porém, deu-lhe
do, rodeados de tantos perigos, não é tão fácil amar-se a Deus com um um feitio de palácio, e colocou, diante da fachada uma placa de ferro
amor intenso como na vida religiosa, onde há mais meios e menos peri- com grandes letras por cima da entrada: "trabalho e economia!"
gos: a oração frequente, a meditação, o exame de consciência, as boas E os vizinhos repetiam: na verdade, é assim mesmo. Mas, logo
leituras, os bons exemplos que, servem para levar-nos mais facilmente foram também mais explícitos e começaram a fazer sobre aquelas pala-
para Deus. É verdade, também no mundo há almas boas, que passam a vras outros, comentários. Aquele homem havia trabalhado muito e tinha
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feito economia, mesmo de filhos: com efeito, só tinha um, mas esse era tramos um sacerdote, e muitas vezes velho, com duas, três e até dez mil
sua desesperação, o seu tormento! Em suma, o filho procedeu como o almas. Sofrem as missões que têm necessidade urgente de operários e-
filho pródigo do Evangelho, e esbanjou todo aquele rico patrimônio em vangélicos. Todos os que pertencem a Ação Católica deveriam fomentar
desordens e libertinagens. com sua atuação a obra das vocações sacerdotais.
Por isso, não basta o trabalho, é preciso alguma coisa mais que Pois bem, que estado se deve preferir? O matrimônio ou o celi-
esse e a economia, é indispensável a bênção de Deus!" bato virtuoso? Nosso Senhor por boca de São Paulo disse que: "QUI
Vejamos o reverso da medalha: Uma família numerosa, muito po- JÚNGIT VIRGINEM SUAM, BENE FACIT; ET QUI NON JÚNGIT
bre, e com doze filhos. A gente diz: Como se arranjarão para viver? MÉLIUS FACIT". (I Cor, VII, 38). Disso significa: "Quem se casa faz
Notai: todos gozam boa saúde, os mais velhos já estão trabalhan- bem, mas quem não se casa, age melhor". Há, pois, dois estados, ambos
do e ajudam os pais; vivem em boa harmonia, são bem educados, mo- bons, mas um melhor que o outro.
destos, de ótimo proceder, e em redor daquela família vai-se formando Concluamos: dois e não três. Não há três estados: matrimônio,
um ambiente de simpatia. celibato virtuoso e celibato vicioso. O celibato de vício ou de libertina-
Passam-se os anos: todos ficam admirados: doze filhos e todos gem não é um estado, é uma degeneração, uma peste, não uma forma de
bem colocados... e cada dia cresce naquela casa o bem estar! Que se vida.
passou naquela família? É que a bênção de Deus os acompanha. É inú- Quem perguntado, que estado escolheria em sua vida, haveria
til, meus amigos leitores, preocupar-se demasiado: é necessário conven- de responder: eu escolho estado de enfermo, de delinquente, de empes-
cermo-nos de que tudo vem de Deus. Os recursos que movem os aconte- tado?
cimentos estão em suas divinas mãos: "o fogo, a chuva, a saraiva, a ne- Restam portanto duas soluções únicas: ou matrimônio ou celi-
ve, o gelo e os ventos tempestuosos.. .", como diz o Salmista. Do mes- bato virtuoso, que pode ser eclesiástico, religioso ou de honesta escolha.
mo modo poderíamos nós acrescentar: a saúde, e a doença, a abundância Estas são idéias que os pais hão de inculcar profundamente no
e a escassez, a felicidade e a desgraça obedecem à voz de Deus. ânimo de seus filhos quando chegarem à idade de escolher um estado.
É necessário educarem-se os filhos na doutrina da religião, incul- Fora destes dois estados nada mais há que corrupção e desordem.
car-lhes o que é de suma importância, a observância dos preceitos divi-
nos, a santificação dos dias santos, como o descanso dominical, a assis-
tência à Santa Missa e às funções paroquiais.
É também necessário educarem-se os filhos na honestidade, na O Divino Mestre disse estas belíssimas palavras: "Deixai que
sinceridade e na caridade. Mas principalmente deve-se lhes inculcar três as criancinhas venham a mim, porque delas é o reino do céu", e apertan-
coisas: do-as ao seu peito impunha-lhes suas divinas mãos e as abençoava. Ani-
Primeira: O ESPÍRITO DE ORAÇÃO: - Que rezem as orações mado por ver esta cena tão comovente um moço aproximou-se e disse:
diárias. A assistência diária à Santa Missa é de valor extraordinário. Ou- "Bom Mestre, que devo fazer para conseguir a vida eterna?" Jesus res-
ça-a toda a família, se possível, ou ao menos alguém da família. pondeu-lhe: "Conheces os mandamentos: não cometerás adultério, não
Procure-se rezar todas as noites o Santo Terço em casa; faça-se a roubarás, não levantarás falso testemunho, não farás mal a ninguém,
Consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus e à Santíssima honrarás teu pai e tua mãe”.
Virgem, e exponham-se suas sagradas imagens na sala principal. Mas o moço respondeu-lhe: "Mestre! Todas estas coisas eu as fa-
Segunda: GRATIDÃO PELOS BENEFÍCIOS RECEBIDOS: Ho- ço desde criança". E Jesus fitando-o com carinho acrescentou: "Uma
je se descuida com muita frequência o manifestar-se a Deus a própria coisa então te falta; vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres
gratidão. Os filhos são ingratos para com seus pais. É conveniente repe- e vem e segue-me!"
tir-se esta máxima: "Ao que é grato novos benefícios se concedem". Esta frase de Jesus nos faz compreender que há dois caminhos
Terceira: DAR ESMOLAS AOS POBRES E À IGREJA. Quem para chegar ao Paraíso: o caminho dos Mandamentos, obrigatório para
se queixa de que perde tempo, cuidando de sua vinha, ou lançando se- todos, e o dos Conselhos Evangélicos, senda privilegiada, para a qual se
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hábito das religiosas e vivem em conventos ou casas religiosas, consa- mente nos sulcos da terra? É verdade que o trabalho fará a vinha produ-
gradas aos cuidados dos enfermos, ou da juventude, a fim de procurar zir frutos, o grão há de produzir trigo e o trigo, pão! Do mesmo modo a
como fim primordial a própria perfeição. esmola garante os bens já adquiridos e como semente fecunda, produz
Há, além disso, homens e mulheres, que sem ser religiosos, por novas colheitas.
vários motivos, que não é o caso de citarmos, renunciam livremente ao Aprendam os filhos no proceder de seus pais o exemplo de ora-
matrimônio, levando vida honesta e irrepreensível, segundo seu estado. ção, de gratidão e de esmola. Fazendo assim os pais lançarão no coração
Todos eles vivem um gênero de vida especial, aplicando-se a si mesmos de seus filhos outros tantos germes de fecundidade e de felicidade e
os Conselhos Evangélicos, recomendados por Jesus Cristo. principalmente conseguirão para toda a família, as bênçãos de Deus.
Outros há, também que mesmo não tendo intenção de praticar
os conselhos evangélicos, não obstante, de fato, acham-se em um estado
que os obriga à observância.
São moços de um e outro sexo, que poderiam ter contraído ma- Há crise em certas enfermidades, como no tifo, na pneumonia,
trimônio e não o fizeram ainda: e todos aqueles que embora casados, por mas falando aqui de crise, queremos nos referir aquele período da vida
causa da morte de um dos esposos, ficaram viúvos. Para todos eles, en- de intenso trabalho interior, no qual as forças vitais lutam entre si, dan-
quanto permanecem nesse estado, valem as regras que se dão para os do lugar a uma transformação mais ou menos profunda e estável.
solteiros. A vida do homem tem suas crises, e cada indivíduo, segundo as
Mas, deixando a parte os casadoiros e os viúvos, que não estão circunstâncias, pode tê-las mui esquisitas e diversas, tanto na alma como
propriamente num estado, consideremos os outros dois, isto é, o matri- no corpo. Mas, há uma entre todas, que toma esse nome, e é que todo o
mônio e o celibato eclesiástico. Durarão sempre estes dois estados? Não homem e toda mulher experimenta, na passagem da infância para a pu-
há dúvida. O matrimônio foi estabelecido por Deus para perpetuar a es- berdade: e por isso denomina-se a CRISE DA ADOLESCÊNCIA.
pécie humana e encher os vazios causados pela morte. Para isso Deus Geralmente acontece, nos dois sexos, dos doze aos vinte anos;
deixou na natureza humana uma forte inclinação para o matrimônio. É existe, não obstante, grande diferença de indivíduo a indivíduo, tanto
verdade que em nossos dias, com muita frequência, por um conjunto de com relação ao tempo de sua duração como à natureza de seus defeitos e
causas, muitos fogem do matrimônio ou o retardam quanto possível, e intensidade.
isso não por razões econômicas como eles dizem, mas para gozarem de Nalguns reveste-se, de preferência de caracteres INTELECTU-
mais liberdade. Esta é uma página vergonhosa da história contemporâ- AIS; noutros, SENTIMENTAIS e em alguns, MORAIS.
nea, que esperamos ver logo suprimida. Na maior parte dos casos estes três gêneros de caracteres mistu-
Quanto ao celibato eclesiástico, é necessário para que as pesso- ram-se entre si. Geralmente, em determinada idade nota-se uma mudan-
as consagradas a Deus possam atender com perfeição maior à sua pró- ça na voz: costuma ser aos quinze anos. É o sinal da CRISE. A mãe es-
pria santificação e à do próximo. pera de sua filha, ao chegar nessa idade, certas confidências, que às ve-
Nosso Senhor não a impôs, mas a propôs com palavras e com zes ela obtém e outras, não. Ela sabe muito bem, entretanto, quão neces-
o exemplo, e a Igreja jamais se há de despojar dessa glória que é exclu- sárias elas são.
sivamente sua. Eu o sei, há muitos que quereriam ver os sacerdotes uni- Que importância tem essa crise? Uma importância grandíssima no
dos pelo matrimônio,mas os que assim pensam não têm senão uma ideia que diz respeito à formação do caráter. Bem dirigida e bem superada
superficial do que é a altíssima dignidade do sacerdote e por isso mesmo forma o caráter do jovem e o constitui em um estado de saúde e de mo-
suas objeções sobre este assunto não tem valor algum. ralidade, que é o penhor de magníficas esperanças. Ao contrário, se a
Devemos, porém, fazer notar um fato doloroso: é a falta de crise for mal orientada e mal superada, pode ser causa de perniciosas
vocações para o estado eclesiástico. Outrora os sacerdotes eram muitos consequências. Ah! se as mães que acham tempo para tantas coisas,
e foi um mal. Hoje são poucos e é um mal muito maior, porque as ne- muitas delas completamente inúteis, encontrassem-no também para se
cessidades multiplicaram-se. Sofrem as paróquias onde somente encon- instruírem nestes assuntos, tão importantes para o futuro de seus filhos e
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para o cumprimento de seu dever. Quantas mães, ignorando esta crise da o aperfeiçoamento eleva o seu valor; aquela aumenta a quantidade, esta
adolescência, atribuem tudo à doença e são por isso causa de transtorno cuida preferivelmente da qualidade.
na educação de seus filhos. Mas, assim como o aperfeiçoamento visa a humanidade, como a
O moço e a menina têm necessidade de ser compreendidos. É pre- seu fim, e o fim da humanidade é duplo, natural e sobrenatural, assim é
ciso saber ganhar-lhes o coração e a confiança. Convém rodeá-los de necessário que no mundo haja homens suficientes em número para reali-
afeto e de compaixão. Pois bem, nem todas as mães estão em condições zar estes dois fins.
de conseguir esta instrução, mas todas podem rezar, rezar muito, porque Diz a Sagrada Escritura: "Deus criou o homem à sua imagem e
onde elas não podem chegar, chegará o Senhor com sua graça. semelhança; criou o varão e a mulher, abençoou-os e disse: CRESCEI E
MULTIPLICAI-VOS E ENCHEI A TERRA".
Vede a ordem divina dada à humanidade: digo à humanidade, não
a cada indivíduo o que é muito diferente. Porque se tivesse sido dada a
Todos os pais, e com muita razão, preocupam-se com o futuro dos cada indivíduo, todos estariam obrigados a contrair matrimônio, e o ma-
filhos. Porque não é suficiente tê-los lançados neste mundo, nem tão trimônio é livre. O preceito divino foi dado à espécie humana em geral,
pouco é suficiente alimentá-los, vesti-los, e cuidar que cresçam fortes.e porque é vontade de Deus que esta se propague e dure até o fim do mun-
robustos. Antes do mais é preciso educá-los bem e proporcionar-lhes um do, não importa, pois, que essa ordem divina se cumpra por meio destes
estado conveniente em que possam viver honestamente e de maneira ou daqueles indivíduos.
honrada. Pois bem, para isso é preciso que o pai cuide em ajudar o filho Mas não basta que os homens nasçam e cresçam, gozem de saúde
para que encontre o caminho que o leve a um bem estar e o faça prosse- e robustez e de prosperidades naturais. Estão destinados por Deus a uma
guir por ele sem se extraviar. felicidade sobrenatural que se há de gozar depois da vida presente no
Da boa escolha depende o bom resultado, enquanto um filho mal Paraíso. É necessário por isso mesmo que os homens sejam educados
encaminhado, poderia ser a causa da ruína de toda a família. em ordem a esta felicidade da vida futura. Pode, portanto, dizer-se que o
Muitas vezes já se deu este caso doloroso. Apenas o filho chegou homem está destinado a exercer uma dupla paternidade: a natural que
à idade de doze anos, o pai o emprega com o primeiro que se apresenta, transmite a vida humana e a faz chegar ao seu completo desenvolvimen-
para que comece a ganhar alguma coisa. Se ganha pouco e outro lhe o- to e a espiritual que lhe proporciona e mantém a vida sobrenatural.
ferece mais, tira-o logo do primeiro emprego para colocá-lo no segundo. Pois bem, Jesus Cristo, Deus feito Homem, determinou que seus
E o mesmo faria no dia seguinte se se apresentasse um terceiro que pa- ministros não abracem o estado matrimonial. São tão sublimes, tão com-
gasse mais. Não olha ao gênero de trabalho a que se dedica o filho, nem plexos e delicados os seus deveres que as obrigações anexas ao matri-
tão pouco à moralidade do patrão, nem ao ambiente em que terá de vi- mônio seriam incompatíveis com eles. Jesus Cristo deu o exemplo com
ver; se ali se blasfema o Santo Nome de Deus, se se fala mal, se se tra- sua mesma vida. Os Apóstolos foram todos virgens, ou continentes de-
balha nos dias santos, se lhe darão o tempo necessário para cumprir seus pois do matrimônio. Nestes luminosos exemplos pôs seus olhos a Igreja
deveres de bom cristão. O único fim é o dinheiro. Basta que paguem ao exigir daqueles que são chamados à sublime honra do ministério sa-
bem. É tudo. Mas essa maneira de proceder é sumamente prejudicial. cerdotal abstenham-se de contrair matrimônio, obrigando-os de tal mo-
Deve-se reconhecer que o salário tem sua importância mas não deve ser do ao celibato eclesiástico.
a única preocupação. É certo que é preciso ganhar para viver, mas não é Mas, não somente os sacerdotes fazem profissão de castidade,
menos certo que temos obrigação de salvar a nossa alma. Nosso Senhor mas também muitas outras pessoas.
disse: "Que aproveitará ao homem ganhar todo o mundo se vier a perder E em primeiro lugar, grandíssimo número de religiosos, que
a sua alma?" Além disso, quem não sabe que não é o muito dinheiro que sem ser sacerdotes, vivem em comunidade, dedicados à própria perfei-
dá felicidade? ção, à educação da juventude, às missões e a outras obras de caridade
Se o filho é honrado, levará à sua casa o ordenado da semana, mas cristã.
se ele trabalha em um ambiente onde reina o mal, por mais que ele ga- Em segundo lugar outra multidão de mulheres cristãs vestem o
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má. nhe não será isso suficiente para seus vícios. Que proveito poderá advir
NOS GRANDES CENTROS INDUSTRIAIS:- As moças mais à família, e que poderá esperar um pai de um filho patife, que vive na
que trabalhar nas casas, preferem as fábricas e os estabelecimentos in- ignorância que não sabe nem mesmo os rudimentos de um ofício, que
dustriais. É certo que ganham mais, mas os perigos físicos e morais não deixou sua oração, que não vai à Missa, que não frequenta os Sacramen-
são tão pouco menores. Cuide a mãe, antes de tudo de vigiar as compa- tos, que já aprendeu a gastar em bebidas e cigarros, que sabe blasfemar,
nhias das filhas. Devem saber com quem elas andam, quando vão ao falar palavras obscenas, e coisas piores? O vício é como uma espada que
trabalho e quando voltam. Vá ela mesma acompanhá-la, pelo menos destrói os mais gordos ordenados. A religião e a moral não somente in-
uma vez ou outra, até a porta da fábrica, e a espera à saída. Os que co- fluem no espiritual mas também na economia. Quem numa viagem leva
nhecem os centros industriais sabem que eu não exagero. duas malas uma com roupa e outra com dinheiro, cuidaria certamente
Não falo das moças que trabalham nos escritórios. Geralmente, das duas, mas com certeza preocupar-se-ia mais com a que contém o
feitas honrosíssimas exceções, os trabalhos de escritório e repartições dinheiro e vendo-se em perigo salvaria preferivelmente esta. Nós tam-
não são muito recomendáveis para as senhoritas. Elas tornam-se logo bém viajamos pelo mundo, e somos compostos de alma e corpo. Deve-
ambiciosas, vaidosas, impertinentes e perdem aos pouco o amor ao lar. mos antes de tudo cuidar da alma que encerra os valores da vida. Quem
Tudo quanto dissemos refere-se naturalmente às moças das vilas. age deste modo acerta, mesmo sob o ponto de vista do interesse materi-
Que havemos de aconselhar às da cidade? Para elas há profissões muito al.
boas e honrosas, como professoras, dentistas, farmacêuticas, etc. Uma Não é conveniente que a sede do lucro feche os olhos do pai: ao
mestra que tenha paixão pela escola pode fazer um bem imenso e en- contrário, deve ele cuidar que a instrução do filho seja a mais completa
contrar muitas consolações na sua profissão e exercer além disso um possível. Muitas vezes um grau a mais de instrução contribui para que
magnífico apostolado. se lhe abra mais facilmente o caminho, da vida.
Muito a propósito a profissão de farmacêutica, na qual a mulher Chegada a hora de colocar seus filhos num emprego é preciso sa-
com sua delicadeza, solicitude e paciência, mesmo nas coisas pequenas, ber-se se o pai tem em casa trabalho adequado e suficiente para dar-
pode chegar a ótimos resultados. lhes; sendo assim, não os coloque fora de casa. Mas, às vezes, quando o
Do mesmo modo seria de se desejar que houvesse, como de fato caráter dos filhos é difícil, é melhor colocá-los às ordens de um patrão
há, embora poucas, doutoras em medicina, que poderiam prestar um para que aprendam a viver. Diz a IMITAÇÃO DE CRISTO: "Ninguém
grande serviço cuidando das mulheres e das crianças. chegará a mandar bem se antes não, aprendeu a obedecer".
Termino esta instrução com estas palavras: As moças, hoje, fora Tudo o que dissemos vale para o caso em que pode obter um em-
de casa, mais que nunca estão rodeadas de inúmeros perigos. Por outro prego conveniente, no qual não se encontram perigos morais e melhor
lado nem sempre é possível conservá-las em família, fechadas como ainda, onde se pode exercer sobre os filhos uma vigilância eficaz.
num convento. Mas havemos de recomendar encarecidamente às mães É necessário mandar-se o filho para fora, para longe de casa, por
que as deixem sair somente por necessidade, mantendo sempre sobre exemplo, a uma cidade, para que aprenda um ofício? Certamente, se o
elas a mais rigorosa vigilância. filho manifesta aptidões para isso; é melhor recomendá-lo a um mestre
que possa instrui-lo teórica e praticamente. Eu recomendaria alguma
Escola Profissional dirigida por sacerdotes, que ensinam com proficiên-
cia ofícios e artes e onde ademais não há o perigo de se perder a fé, mas
Tendo os filhos crescido em idade, terminado os estudos, conse- ao contrário, pode-se adquirir ao mesmo tempo uma instrução que seja o
guido o diploma ou o título, aprendida uma arte ou oficio, apresenta-se complemento da civil e religiosa.
uma questão: o matrimônio. Este será o tema de várias instruções. Ainda uma palavra sobre a escolha do ofício. Deve ser honesto,
Por agora apresentemos uma questão prévia: adotado à índole do filho e além disso, o BOM RENDIMENTO, que dê
O gênero humano tem duas necessidades fundamentais: propagar- ao menos para viver.
se e aperfeiçoar-se. A propagação estende e perpetua o gênero humano; O moço deve ter aptidões para aquele ofício, tanto corporais como
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espirituais e deve sentir INCLINAÇÃO para ele. A inclinação robustece famílias, poderia ir com probabilidade de êxito uma moça ponderada,
as faculdades naturais, amplifica-as, dá vigor à vontade e ânimo para piedosa, séria, educada, ao passo que outra, de caráter leviano e namora-
vencer as dificuldades; é uma garantia de que se sairá bem no que se deira, não poderia absolutamente ser bem sucedida.
pretende. Esta inclinação há de ser profunda e séria, manifestada mais Há moças sérias e donas de si mesmas, instruídas, que tomam to-
com fatos do que com palavras. das as precauções necessárias para se conservarem boas. Estas podem
Por parte do pai exige-se prudência, recursos e paciência. PRU- ser um verdadeiro tesouro em determinadas famílias. Isso, porém, não
DÊNCIA, para não exagerar nem se iludir com as pretensas aptidões do quer dizer que se possa colocá-las em qualquer parte. Não! Mas, nos
filho para determinado ofício. POSSES, para não se impor gastos exces- casos ordinários pode-se esperar que deem bom resultado. Ao contrário,
sivos ou prejudiciais para a família. PACIÊNCIA, para renunciar a cer- há moças demasiado levianas, sem juízo, cheias de vaidades, com ares
tos lucros imediatos, para realizar os sacrifícios que lhe possam apresen- provocadores e às vezes mesmo inclinadas à vida fácil. Estas, enquanto
tar a carreira do filho. tais, se saírem de casa vão diretamente à ruína, como cordeirinhos desti-
nados a presas nas fauces dos lobos. Para elas, não basta colocá-las em
casa de famílias honradas, porque encontrarão sempre o meio de iludir a
vigilância mais eficaz e enveredar pelo caminho errado.
Façamos em seguida esta pergunta: Há empregos absolutamente Terceira: - Vigilância. Mesmo quando a filha vai servir em uma
impróprios para a mulher e incompatíveis com a natureza feminina? boa família, é sempre necessário que a mãe vigie continuamente e não
Fazendo esta pergunta não me refiro, certamente a determinados confie unicamente no que lhe diz a moça.
gêneros de vida que não têm nome e que bem se poderiam chamar de Um fato: - Uma boa moça - assim o parecia - começou a servir
abismos de corrupção e torvelinhos de perdição. Minha intenção é falar numa cidade em casa de uma boa família. Algum tempo depois ela tra-
de empregos como, por exemplo, modelos de artistas, modelos de cine- vou amizade com uma companheira má que lhe emprestou livros e fo-
ma, artistas teatrais, bailarinas, etc. Devem-se eles desaconselhar a uma lhetins. A coisa caminhou rapidamente. Em poucos meses a patroa des-
moça? Em geral, sim, certamente. cobriu cartas incríveis. Já era tarde. A moça: saiu daquela casa para vi-
Possivelmente seria para se desejar que as filhas ficassem em ca- ver mais livremente. Foi uma infeliz! Mas se à vigilância da patroa se
sa, mas dadas as circunstâncias e as condições atuais da sociedade, nem tivesse acrescentado a da mãe, ter-se-ia conjurado o perigo com relativa
sempre isso é possível. No caso que uma filha deva sair para um empre- facilidade.
go, uma mãe digna desse nome deverá saber bem que classe de mundo é Outro fato: - Trata-se de uma moça, boa, que começou a trabalhar
esse em que vivemos. Deve ter os olhos bem abertos. Para ela vou fazer em casa de uma senhora: parecia um emprego seguro. Apareceu, porém,
algumas observações que me parecem indispensáveis. uma companheira que a convidou para comer uns doces numa confeita-
Primeira: - Deve informar-se bem a respeito da família na qual ria. A moça depois acostumou-se a passar longas horas fora de casa,
sua filha vai servir: se nela há somente mulheres ou vivem pessoas casa- regressando às vezes à meia-noite e até mais tarde. Avisada a mãe, veio
das, ou filhos solteiros. Se esses são moços sérios, se há outros hóspe- à cidade. Repreendeu a filha e autorizou a patroa a castigá-la severa-
des, etc. Indague principalmente a respeito da moralidade das pessoas mente todas as vezes que julgasse necessário e foi-se embora. A filha
com quem sua filha vai conviver; se lhe permitirão e lhe darão a oportu- depois procedeu pior ainda.
nidade de cumprir seus deveres religiosos. Há mães que pouco se preo- Avisada de novo a mãe, não se incomodou mais. Que deveria ao
cupam com estas coisas. Olham de preferência seu bem estar e o salário. contrário ter feito? Deveria ter imediatamente levado a filha para casa,
Infelizes! Não pensam que uma moça que deixa suas práticas piedosas uma vez que a patroa não havia sido capaz de vigiá-la suficientemente.
pouco a pouco perderá a fé e com esta, a honestidade. Um terceiro fato: - Trata-se de uma moça que está trabalhando
Segunda: - Convém observar o caráter da moça, a idade, as incli- numa família. Ambições, amizades, bailes, encontros, etc... A patroa
nações, seus modos de proceder, suas qualidades tanto de corpo como sabe de tudo e diz: "A moça cumpre bem seus deveres de casa e é isto
de espírito. Existe nisso uma variedade muito grande. Em determinadas que eu desejo, que eu exijo, e basta!" Tal patroa mostra-se mui cruel e
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