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2019 - 02 - 07 PÁGINA RB-15.

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CPC em Foco - 2019
15. NULIDADES

15. Nulidades
Teresa Arruda Alvim

1. Nota marcante

Eis1 um tema essencial para o processo, que sofreu modificações importantes no NCPC. Todas
elas, entretanto, estão na linha de tendência que já se vinha fazendo enxergar, tanto no plano da
doutrina quanto no da jurisprudência à luz do CPC de 1973.

Quase todas as alterações que ocorreram concretizam a tendência de que se devam considerar
todas as nulidades do processo como nulidades sanáveis, independentemente de sua gravidade.

Não se deve identificar o sistema de nulidades do processo com o de direito civil.2 Parece-nos
conveniente adotar-se apenas a terminologia utilizada por civilistas, porque largamente difundida
e irremediavelmente integrante da tradição terminológica do direito brasileiro.

Entretanto, só no direito privado se pode afirmar que as nulidades absolutas (mais graves) são
insanáveis.3 São nulidades de pleno direito, ipso jure, absolutas, insanáveis (por definição).

No processo, tudo se sana, no sentido de o vício poder ser efetivamente “consertado” ou, em
certos casos, relevado (= desconsiderado). Essa sanabilidade depende de uma avaliação feita a
posteriori pelo juiz e envolve parâmetros, dentre os quais o principal consiste na ausência de
prejuízo.4

Dizemos que essa alteração corresponde a uma tendência, já que o CPC de 1973 continha
dispositivos em que a possibilidade de “conserto” do vício já estava prevista expressamente, por
exemplo, os arts. 37, parágrafo único, e 214, § 2.º. Ambos se referiam a defeitos graves: não juntada
da procuração (prova da capacidade postulatória) e ausência de citação. No entanto, a procuração
podia ser posteriormente juntada e, no segundo caso, se o réu contestasse, o vício desapareceria.

Pretende-se, com isso, que o processo cumpra a sua finalidade, que é a de entregar à parte a
prestação jurisdicional desejada: uma sentença de mérito (v. art. 282, § 2º). O processo deve, por
isso, ser aproveitado, sempre que possível. Sentenças que extinguem o processo sem julgar o
mérito são possíveis, mas indesejáveis.

Essa tendência está concretizada no NCPC também no plano recursal: a parte deve, por
exemplo, ter oportunidade de corrigir vícios de representação, antes que o recurso seja tido como
inadmissível (art. 76, § 2º). Outro excelente exemplo é o art. 932, parágrafo único.

2. Nulidade e ineficácia

As nulidades são vícios (defeitos) dos atos jurídicos e não se confundem com a ineficácia. De
rigor, as nulidades, uma vez verificadas e decretadas, levam à ineficácia (à privação de efeitos).5

Então, toda nulidade tende à ineficácia, já que todo ato nulo “corre risco”: tem uma vida
artificial, até que se reconheça o vício e o ato seja privado de seus efeitos.6
Entretanto, nem toda ineficácia é fruto de invalidade. Um contrato sujeito à condição, por
exemplo, não produz efeitos até que ocorra a condição.

3. Nulidades mais ou menos graves – Absolutas ou relativas

Essa nomenclatura é usada tradicionalmente em todo o direito para significar que as nulidades
podem ser mais ou menos graves, e, como se sabe, no processo não é diferente. Nulidades são
defeitos dos atos jurídicos.7

Equivocam-se os que dizem que nulidade é sanção. Não é. Trata-se, isso sim, de uma palavra
que tem vários sentidos não equívocos, mas análogos. Há o primitivo e os derivados, a que se
chega por meio de figuras de linguagem. Veja-se, por exemplo, o que ocorreu com o agravo: o
remédio, que adquire o nome da doença. Hoje, e esse é mais um exemplo, usa-se também a
palavra conciliação, não só como sinônimo de acordo, como também significando o processo por
meio do qual se chega ao acordo. Nulidade é o defeito: o que desse defeito pode decorrer é a
nulificação do ato, com a supressão de seus efeitos.

Temos sustentado que as nulidades mais graves são, fundamentalmente, aquelas ligadas aos
pressupostos processuais e às condições da ação,8 que no NCPC são só duas: interesse de agir e
legitimidade. Ausentes esses elementos (ou presentes no caso dos pressupostos processuais
negativos), o juiz deve, depois de tentar, se possível, que a parte “conserte” o vício, extinguir o
processo sem resolver o mérito. Caso não o faça, haverá nulidade absoluta. Também são nulidades
absolutas os casos em que lei qualifica os vícios enquanto tais. Por exemplo, o art. 279, que
estabelece a regra de que há nulidade quando o MP não é intimado em processo em que deveria
intervir. A novidade do NCPC está em que essa nulidade só será decretada se o próprio MP
considerar que teria sido mesmo caso de intervenção, ele não foi intimado e que houve prejuízo.9
Não será decretada se o MP entender, cumulativamente, que: a) era caso de intervenção; b) ele não
foi intimado; c) mas não houve prejuízo aos interesses pelos quais deveria zelar, como fiscal da
lei.10 Ocorre o mesmo com as intimações (art. 280): trata-se de vício qualificado de nulidade
absoluta, pela vontade do legislador.

4. Utilidade da classificação – regimes jurídicos diferentes

Isso não é novidade, mas pedimos vênia para lembrar que a utilidade dessa classificação é o
estabelecimento de regimes jurídicos diferentes para esses vícios.11 Embora todos sejam, em
princípio, sanáveis, as nulidades absolutas podem ser levantadas a qualquer tempo, ou decretadas
de ofício (art. 278, parágrafo único), e as relativas só podem ser levantadas pelas partes e estão
sujeitas à preclusão (art. 278, caput).12

Podem-se imaginar dois momentos. O primeiro, em que a nulidade é constatada e classificada


(em absoluta ou relativa). Há um segundo momento, que é o da decretação: justamente aí que os
princípios fundamentais que incidem no campo das invalidades processuais devem incidir para
nortear a solução dada pelo juiz.

5. Os princípios mais relevantes: (1) não há nulidade sem prejuízo e (2) aproveitamento

Diferentemente do que sugere o modo como habitualmente se verbaliza o mencionado


princípio, sim, a nulidade existe, mesmo que não tenha havido prejuízo. Só não deve ser
decretada.

Portanto, o ato (ou os atos) deve(m) ser aproveitado(s).

De que prejuízo se trata? Prejuízo ao exercício pleno do contraditório, por exemplo. Há prejuízo
quando a parte fica privada de afirmar o direito que alega ter e de externar argumentos ou
produzir provas para demonstrá-lo.
O art. 282 diz isso: quando o juiz decretar a nulidade, deve minimizar seus efeitos, declarando
quais atos devem ser considerados como atingidos e essa decretação não terá efeito sobre aqueles
atos cujo vício não terá gerado prejuízo.

Como aproveitar? Não determinar que o ato seja praticado de novo ou que outro ato seja
praticado em seu lugar.

O princípio do aproveitamento também aparece, por exemplo, no art. 283, em que se diz dever
o erro de forma acarretar o comprometimento só dos atos que não possam ser aproveitados, e o
serão aqueles que não gerarem prejuízo à parte.

São, ainda, dignos de nota os arts. 139, IX, e 317 do NCPC que recomendam ao juiz que
determine às partes a correção de vícios, para que seja “aproveitado” aquele processo (apesar dos
defeitos) para gerar sentença de mérito. Esses vícios são aqueles que, se remanescerem, impedem
que o juiz aprecie o(s) pedido(s). A lei, no art. 139, IX, faz referência aos pressupostos processuais,
muito provavelmente porque vícios relativos às condições da ação não são, de regra, “corrigíveis”:
há falta de interesse e de legitimidade. Quanto à correção da legitimidade passiva, esta, embora
possível, tem um momento adequado para acontecer no processo (art. 338).

6. Casos específicos

A nova lei trata de casos específicos, cuja seleção está intimamente ligada aos pontos antes
abordados.

Dois são relevantes: a) a possibilidade de correção da legitimidade passiva (art. 338); e b) da


correção dos defeitos consistentes em falta de capacidade e de representação (art. 76, que faz
alusão ao momento em que o processo está no primeiro grau e à fase recursal).

a) Se o réu alegar, na contestação, que é parte ilegítima para responder àquela ação (falta de
condição da ação que normalmente levaria à extinção do processo sem julgamento de mérito) ou
não tem responsabilidade pelo prejuízo mencionado pelo autor na inicial (caso específico de falta
de legitimidade passiva), ao autor serão dados 15 dias para emendar a inicial, indicando o réu
correto ou incluindo outro réu, como litisconsorte passivo.

Ao réu caberá, se for possível, ao afirmar ser parte ilegítima, indicar quem deveria estar em seu
lugar, ocupando o polo passivo daquele processo. Nesse caso, os 15 dias começarão a contar da
indicação do réu.

Se souber e não indicar, será responsabilizado (art. 339).

O réu então será sucedido, e não substituído, como diz a lei, incidindo no mesmo erro do art. 42
do CPC de 1973.

b) Diz o art. 76 que, verificando o juiz que a parte é incapaz processualmente – vício que pode
ser corrigido pela apresentação de um tutor ou de um curador, se se tratar de pessoa física – ou
que a parte está mal representada – e aqui a norma diz respeito às pessoas jurídicas –, deve
designar prazo razoável para que seja corrigido o defeito.

A interpretação da norma pode abranger também a representação por advogado, e, nessa


dimensão diz respeito a pessoas físicas e jurídicas.

O § 1º menciona as consequências por não ter havido correção do vício: extinção do processo
sem resolução do mérito,13 desentranhamento da contestação e, quanto ao terceiro, a situação
pode variar,14 dependendo da posição que assuma no processo.

O art. 76 pretendeu estabelecer uma simetria absoluta entre seu § 1º e seu § 2º. No entanto, a
nosso ver, deve ser interpretado com muito cuidado: havendo vício de representação (por
exemplo, menor relativamente incapaz não assistido), não pode o Tribunal, pura e simplesmente,
deixar de admitir o recurso, ou mandar desentranhar as contrarrazões.15 Trata-se de ausência de
pressuposto processual positivo de validade: o processo deve ser extinto sem julgamento de
mérito, ou devem ser remetidos os autos ao primeiro grau para que recomece. O mesmo se diga
quanto ao vício de representação de pessoa jurídica.16

Portanto, o art. 76, § 2º, só é aplicável, de rigor, a vício ligado à representação ad judicia PARA O
PRÓPRIO RECURSO.

7. O plano dos recursos

Essa também é uma novidade trazida pelo NCPC. Igualmente no plano dos recursos esses
mesmos princípios aparecem de forma expressa na lei e, por isso, devem nortear o intérprete a
acompanhar o sistema recursal como um todo: se o processo deve gerar sentença de mérito,
também os recursos devem, de preferência, desembocar numa decisão de provimento ou de
improvimento, e não de inadmissibilidade.

Assim, o próprio art. 76, antes referido, faz alusão expressa a que a determinação para essa
correção deva se dar na fase recursal, no segundo grau ou perante os tribunais superiores.17

À luz do CPC de 1973, sempre houve discussão sobre a possibilidade de, nos embargos de
declaração, o juiz se afastar do mérito do recurso (por exemplo, a omissão ou a obscuridade
apontada pelo recorrente) para conhecer de nulidade absoluta. A tendência nos últimos tempos de
vigência do CPC revogado, já era de se reconhecer que sim, o juiz deve fazê-lo. A nova lei, no art.
1.022, II, transformou em regra posta essa possibilidade, quando diz que o juiz, ao julgar os
embargos, deve manifestar-se sobre questões a respeito das quais deveria ter se manifestado de
ofício, e não o fez.18

Quanto aos recursos excepcionais, uma relevante alteração diz respeito à ampliação do âmbito
do efeito devolutivo. À luz do novo Código, os tribunais superiores, depois de os recursos
admitidos e a decisão cassada, devem conhecer matéria de ordem pública, conceito amplo que
abrange nulidades: coisa julgada, litispendência, falta de legitimidade etc. É que o art. 485, § 3º, diz
que esses vícios devem ser conhecidos até o trânsito em julgado e o art. 1.034 dispõe que, ao
admitir o recurso especial ou o recurso extraordinário, os tribunais superiores devem “rejulgar a
causa”: portanto, se houver nulidades absolutas, podem (e devem) ser conhecidas, nessa fase de
rejulgamento.

Outra inovação do NCPC, ligada ao objetivo de criar um processo que responda às necessidades
das partes, afastando, o quanto possível, decisões “processuais”, que extinguem o processo sem
resolução do mérito ou não admitem recursos, é o art. 1.029, § 3.º. Esse dispositivo autoriza o STJ e
o STF a desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou a determinar sua correção e julgar o
recurso no mérito, desde que tal vício não seja considerado grave.

Exemplo de jurisprudência defensiva, ocorrido mesmo após a entrada em vigor do CPC de 2015,
contrariando, a nosso ver, o espírito do novo Código de Processo Civil, é a recente alteração do
entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no sentido da impossibilidade de comprovação de
feriado local em momento posterior ao da interposição do recurso. Segundo esse entendimento, o
art. 1.003, § 6º, comporta apenas interpretação literal e tem caráter especial, razão pela qual
impediria uma leitura desse dispositivo com o art. 932, parágrafo único, que determina que, antes
de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de cinco dias ao recorrente para
que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível.19 Igualmente rejeitou-se a
possibilidade de interpretação do 1.003, § 6º, de forma harmônica com o art. 1.029, § 3º.

Noutro sentido, aponta o art. 1.029, § 3º, cujo objetivo é nitidamente o de afastar a
jurisprudência dita “defensiva”. Esse dispositivo foi inspirado pela suposição, autorizada por uma
leitura sistemática do novo Código, de que o número de processos e recursos venha a cair. De fato,
o NCPC prevê diversos institutos e aprimora os que já havia, que racionalizam o julgamento de
processos que envolvem questões de massa. Esse fenômeno deve gerar (a) desestímulo ao
questionamento de teses (temas) já fixadas; (b) diminuição do número de ações/recursos. Trata-se
do IRDR, do aprimoramento do regime dos REsp e RE repetitivos e do prestígio que se dá às
decisões dos tribunais superiores, que, em alguns casos são transformadas pelo legislador em
precedentes vinculantes.

Exatamente de acordo com a palavra de ordem do NCPC, no que diz respeito aos vícios do
processo, que é o “aproveitamento”, há outras regras que não dizem respeito exatamente a
nulidades, mas a causas que têm sido indevidamente tidas como capazes de levar à
inadmissibilidade dos recursos. É o caso, por exemplo, do art. 1.024, § 5º: não há necessidade de
ratificação de recurso interposto por uma das partes, depois da publicação do acórdão de
embargos de declaração, quando esses embargos, interpostos pela outra parte, forem rejeitados ou
improvidos, ou, se providos, não alterarem o conteúdo da decisão. O mesmo se diga quanto ao art.
1.007, § 7º: o equívoco no preenchimento de guia de custas não gera deserção, devendo o relator,
em caso de dúvida, intimar a parte para, em cinco dias, comprovar que as pagou.

8. A inexistência jurídica

Trata-se de categoria polêmica. Muitos a consideram desnecessária, tendo como bastantes as


duas espécies de nulidades: absoluta e relativa.

Sempre consideramos essa terceira categoria absolutamente imprescindível, principalmente


porque, segundo a melhor doutrina, a inexistência jurídica, quando relacionada ao processo,
impede a formação da coisa julgada. Assim, nesses casos, a impugnação da sentença (no sentido
lato) proferida em processo juridicamente inexistente ou da sentença, em si mesma, juridicamente
inexistente, prescinde do uso da ação rescisória para ser impugnada. Sentença inexistente jamais
transita em julgado.20

O art. 37, parágrafo único, do CPC de 1973 consistia em um dos argumentos para se sustentar
que a figura da inexistência jurídica se afeiçoa ao processo, somado a tantos outros, igualmente
convincentes, de ordem doutrinária. O NCPC traz o art. 489, § 1º, cujo teor significa que, apesar de
fisicamente, no mundo dos fatos, a fundamentação existir, para efeitos jurídicos será considerada
inexistente, se não estiver de acordo com um patamar mínimo de qualidade, exigido pelo citado
dispositivo. É um bom exemplo de inexistência jurídica.

A nosso ver, são juridicamente inexistentes as sentenças proferidas em processo a que faltam
pressupostos processuais de existência jurídica: petição inicial, citação, jurisdição.

Assim, e por isso, será juridicamente inexistente a sentença que decide pedido não formulado
na inicial, nessa medida. Também o será a sentença proferida por alguém sem jurisdição, por
exemplo, sentença proferida por juiz togado, no caso de haver convenção arbitral válida.21 Ou,
ainda, sentença proferida por juiz aposentado. Igualmente é inexistente sentença proferida em
processo em que haja litisconsorte necessário, não citado: falta de citação.22

Sentença pode padecer de vícios intrínsecos (não herdados do processo) e se tornar


juridicamente inexistente: o melhor exemplo, à luz do novo Código, é a sentença sem
fundamentação (ou com fundamentação juridicamente inexistente).

Os princípios da sanabilidade, da conservação, do aproveitamento também se aplicam à


inexistência jurídica. De rigor, a inexistência, que é apenas JURÍDICA, também se constitui em
vício: em defeito que, de tão grave, desidentifica o ato, privando-o de sua tipicidade. Assim, uma
sentença inexistente é uma “não sentença” (Nichturteil).

NOTAS DE RODAPÉ
1

Todos os artigos citados no texto sem referência são do NCPC.

Nesse sentido, Nelson Nery Jr. e Rosa Maria de Andrade Nery: “O CPC tem seu sistema próprio de
invalidades, que não coincide com o do CC. Basta exemplificar com a citação inválida, que é causa de
nulidade absoluta, cominada (CPC 280), mas que pode ser convalidada (CPC 239 § 1º)” (Comentários ao
Código de Processo Civil: novo CPC – Lei 13.105/2015. São Paulo: Ed. RT, 2016. n. 4, p. 891, comentários ao
art. 276).

ARRUDA ALVIM, Teresa. Nulidades do processo e da sentença. 8. ed. São Paulo: Ed. RT, 2017. n. 2.2, p. 116 e
ss.; no mesmo sentido, alerta BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Comentários aos artigos 276 a 283. In:
BUENO, Cassio Scarpinella (coord.). Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Saraiva, p. 871,
2017.

“Note-se que o novo CPC suprimiu a limitação contida no CPC/1973 de que a instrumentalidade só se
aplicaria às ‘nulidades não cominadas’. Assim, no sistema do novo Código, tanto nulidades ‘cominadas’
(previstas em lei) quanto as não cominadas, tanto aquelas denominadas tradicionalmente de ‘nulidades
absolutas’ quanto as ‘relativas’; e ainda as anulabilidades, todas podem ser sanadas, e aproveitados os
atos, se alcançada sua finalidade [...]” (CABRAL, Antonio do Passo. Das nulidades. In: ______; CRAMER,
Ronaldo (Coord.). Comentários ao novo Código de Processo Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2015. n. 1, p. 442,
comentários ao art. 277).

De acordo, Nelson Nery Jr. e Rosa Maria de Andrade Nery: “É vício do ato processual que o priva de seus
efeitos” (Comentários ao Código de Processo Civil cit., n. 2, p. 891, comentários ao art. 276).

“Como visto, o sistema das nulidades existe para gerar a eficácia dos atos viciados” (CABRAL, Antonio do
Passo. Das nulidades cit., n. 4, p. 434).

Marinoni, Arenhart e Mitidiero, manifestando-se especificamente sobre as nulidades de forma dizem que:
“A observância da forma no processo serve à segurança jurídica, à igualdade e à liberdade das partes. A
sua infração pode levar à consequência de considerar-se nulo o ato processual” (MARINONI, Luiz
Guilherme; ARENHART, Sérgio; MITIDIERO, Daniel. Novo Código de Processo Civil comentado. São Paulo:
Ed. RT, 2017. n. 1, p. 372).
8

ARRUDA ALVIM, Teresa. Nulidades do processo e da sentença cit., n. 2.9, p. 189 e ss.

“A jurisprudência da 2ª Turma desse Sodalício se orienta no sentido de que “a ausência de intimação do


Ministério Público, por si só, não gera nulidade do julgado, a não ser que se constate ‘efetivo prejuízo para
as partes ou para apuração da verdade substancial da controvérsia jurídica, à luz do princípio pas de
nullité sans grief’” (STJ, AgInt no REsp 1.621.949/MG, 2ª T., j. 16.02.2017, rel. Min. Mauro Campbell
Marques, DJe 23.02.2017).

10

Aliás, esse já era o entendimento pacífico dos tribunais superiores na vigência do CPC/1973: “[...] A
jurisprudência desta Corte já assentou entendimento de que a ausência de intimação do Ministério
Público, por si só, não enseja a decretação de nulidade do julgado, a não ser que se demonstre o efetivo
prejuízo para as partes, o que não ocorreu no caso dos autos. [...] 5. Agravo regimental não provido” (STJ,
AgRg no AREsp 720.764/SE, 3ª T., j. 22.09.2015, rel. Min. Moura Ribeiro, DJe 06.10.2015). “Alegação de
nulidade por ausência de intimação do Ministério Público Federal. Prejuízo não demonstrado. 2.
Desapropriação para fins de reforma agrária. Classificação do imóvel. Acórdão recorrido fundamentado
no conjunto probatório e na legislação infraconstitucional. Súmula 279 do Supremo Tribunal Federal.
Ofensa constitucional indireta. Agravo regimental ao qual se nega provimento” (STF, AgRg no ARE
744.437/BA, 2ª T., j. 14.10.2014, rel. Min. Cármen Lúcia, DJe 29.10.2014).

11

Nesse sentido, Fábio Monnerat: “Apesar de ambas serem espécies de um mesmo fenômeno, classificar a
nulidade como absoluta ou relativa tem diversas consequências processuais. Isso porque as nulidades
absolutas, por serem tidas como muito graves pelo sistema processual, via de regra, contaminam todo o
processo, bem como a decisão de mérito nele proferida, salvo, conforme se verá adiante, se o ato
absolutamente nulo atingir sua finalidade e não causar prejuízo. Já as nulidades classificadas como
relativas, por serem menos graves, caso não arguidas no momento adequado, convalidam-se, ou seja, os
atos relativamente nulos passam a ser considerados válidos apesar do vício” (MONNERAT, Fábio Victor da
Fonte. Introdução ao estudo do direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 2015. n. 13.3, p. 408).

12

Com a preclusão diz-se que as nulidades se “sanam”, embora essa expressão tenha também outro sentido:
o do efetivo conserto do defeito. “[...] Sob certo ponto de vista, rigorosamente, a convalidação somente
sucederia com a correção do ato viciado, isso é, por sua sanação (cf. art. 282, caput, do CPC/2015). Na
doutrina, porém, costuma-se afirmar que o ato processual pode ser convalidado pela preclusão, pela coisa
julgada e pela ausência de prejuízo [...]” (MEDINA, José Miguel Garcia. Novo Código de Processo Civil
comentado: com remissões e notas comparativas ao CPC/1973. São Paulo: Ed. RT, 2017. n. I, p. 465,
comentários ao art. 278).

13
“A inércia da parte apelante quanto à determinação da regularização da sua representação processual, a
fim de habilitar a sucessão do falecido ou de seu espólio, enseja a extinção do feito, sem resolução de
mérito. Inteligência do artigo 313, § 2º, inciso II, do CPC/2015. Ação extinta. Recurso de apelação
prejudicado” (TJRS, Apelação Cível 70074312133, 15ª Câmara Cível, j. 06.12.2017, rel. Des. Adriana da Silva
Ribeiro).

14

“Neste sentido, registre-se que, após constatar a irregularidade de representação, cabe ao juiz suspender o
andamento do processo e intimar a parte, dentro de prazo razoável, para regularizar o feito. Assim,
somente diante da omissão do réu, após a intimação do juiz para regularização da representação, é que
será ele considerado revel” (TJBA, Agravo de Instrumento 00207046320168050000, 4ª Câmara Cível, j.
08.03.2017, rel. Des. Roberto Maynard Frank).

15

No mesmo sentido: “Fácil verificar que a primeira hipótese, de irregularidade inicial, dizendo respeito a
pressuposto para desenvolvimento válido do processo, poderia prejudicar todo o processo, levando até
mesmo à sua extinção no caso de ausência de regularização. Nessa situação, a providência indicada no
inciso I, de que o tribunal ‘não conhecerá do recurso’, mostra-se patentemente insuficiente, podendo levar
à consolidação de irregularidade que, como visto no item inicial dos comentários a este artigo, viola
norma de ordem pública” (SALLES, Carlos Alberto de. Comentários ao Código de Processo Civil. Arts. 1 a
317 – parte geral. Coord. Cassio Scarpinella Bueno. São Paulo: Saraiva, 2017. v. 1, art. 76, p. 421).

16

NERY JR., Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil cit., comentários
ao art. 76, p. 440.

17

Vejam-se observações relevantes feitas no item 6 (anterior).

18

“Embargos de declaração – Ausência de intimação do agravado para oferecer resposta ao recurso –


Inobservância do art. 1.019, II, do Código de Processo Civil – Desconstituição do acórdão com a reabertura
de prazo para o agravado apresentar contraminuta, sob pena de cerceamento do direito ao exercício da
ampla defesa – Intimação do embargante a partir da publicação do acórdão – Embargos acolhidos, com
efeitos modificativos” (TJSP, Embargos de Declaração 2095429-67.2017.8.26.0000, 38ª Câmara de Direito
Privado, j. 24.11.2017, rel. Des. César Peixoto, DJe 24.11.2017). No mesmo sentido: “Decerto a apelação
interposta pelo recorrente não devolveu explicitamente esse tema ao Tribunal. Nada obstante, cuida-se de
matéria de ordem pública, suscitada nos Embargos de Declaração e passível de conhecimento de ofício
pelo órgão julgador, o que afasta falar em preclusão” (STJ, REsp 1.693.918/RS, 2ª T., j. 10.10.2017, rel. Min.
Herman Benjamin, DJe 16.10.2017).
19

“O CPC/2015, porém, não possibilita a mitigação ao conhecimento de recurso intempestivo. De fato, nos
casos em que a decisão recorrida tenha sido publicada na vigência do novo CPC, descabe a aplicação da
regra do art. 932, parágrafo único, do CPC/2015, para permitir a correção do vício, com a comprovação
posterior da tempestividade do recurso. Isso porque o CPC/2015 acabou por excluí-la (a intempestividade)
do rol dos vícios sanáveis, conforme se extrai do seu art. 1.003, § 6º (‘o recorrente comprovará a
ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso’), e do seu art. 1.029, § 3º (‘o Supremo
Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça poderá desconsiderar vício formal de recurso
tempestivo ou determinar sua correção, desde que não o repute grave’)” (STJ, AgInt no AREsp
1.121.468/MG, 2ª T., j. 28.11.2017, rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 01.12.2017).

20

Mais especificamente sobre o tema, conferir nossos Nulidades do processo e da sentença cit., item 3.6.

21

A conduta do réu influi na configuração do vício: se não se manifestou, presume-se que abriu mão da
convenção.

22

“O objeto da ação declaratória de nulidade, também denominada querela nullitatis, é declarar a


inexistência de uma sentença proferida em processo no qual não estejam presentes os pressupostos
processuais de existência. [...]. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a querela nullitatis é
instrumento hábil para debater a falta de citação de litisconsorte necessário em demanda transitada em
julgado” (STJ, REsp 1.677.930/DF, 3ª T., j. 10.10.2017, rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe 24.10.2017).

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